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O
Estado do Paraná, 15 de agosto de 2008
"Deus não nos deu o
pré-sal para fazermos burrice", diz Lula
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva voltou
a defender uma discussão sobre os recursos oriundos da exploração
de petróleo na camada pré-sal. De acordo com ele, "Deus
não nos deu isso para que a gente continuasse fazendo burrice. Deus
(nos) deu mais uma chance", afirmou o presidente.
Em seu discurso, na inauguração de uma unidade
da siderúrgica Alunorte, no Pará, Lula questionou
com quem devem ficar os lucros decorrentes da exploração
na camada pré-sal. "Este lucro vai ficar com uma empresa
ou dez empresas? Ou parte deste lucro vai ficar para fazer as reparações
históricas deste País?", indagou Lula.
Em seguida, Lula citou a Noruega como um país que tem experiência
no assunto, onde há um órgão estatal para
estabelecer relação de partilha na exploração
das reservas. "Eu não tenho inveja da Noruega porque
lá tem petróleo ou tecnologia eu tenho inveja porque
a renda per capita é de US$ 76 mil (por ano). Quem sabe,
com mais o pré-sal, a gente possa fazer com que a renda
per capita suba e faça o povo brasileiro mais feliz." Pela
estimativa do Fundo Monetário Internacional, a renda per
capita brasileira foi de cerca de US$ 7 mil no ano passado.
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Folha
de S.Paulo, 15 de agosto de 2008
Artifício contábil
aumenta o lucro da Caixa no 2º tri
Ganho cresce R$ 820 milhões
e turbina resultados do 1º semestre em 53%
Limite de crédito tributário
se amplia com CSLL maior e banco usa desconto em impostos
para compensar prejuízos anteriores
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Artifício contábil aumentou o lucro da Caixa
Econômica Federal em R$ 820 milhões no segundo
trimestre do ano, levando o resultado no semestre para
R$ 2,543 bilhões, crescimento de 53% em relação
aos primeiros seis meses de 2007. O desempenho foi possível
graças a uma medida tomada pelo governo para compensar
as perdas com o fim da CPMF.
Em janeiro, subiu de 9% para 15% a alíquota da CSLL (Contribuição
sobre o Lucro Líquido) cobrada dos bancos. Com isso, também
subiu, na mesma proporção, o limite de crédito tributário
que pode ser utilizado pelas instituições financeiras.
Por meio desses créditos, empresas conseguem um desconto nos impostos
a pagar para compensar prejuízos apurados em anos anteriores.
Ainda assim, o lucro da Caixa ficou abaixo do resultado alcançado
pelos principais bancos privados que atuam no país. O Bradesco,
por exemplo, teve ganhos de R$ 4,105 bilhões de janeiro a junho
deste ano. Desconsiderado o impacto do crédito tributário,
o lucro da Caixa teria crescido 19% no primeiro semestre deste ano.
A presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, classificou o lucro
do banco estatal no primeiro semestre como "satisfatório". "O
resultado demonstra o acerto da Caixa em priorizar a expansão
do crédito e a inclusão bancária no país." A
carteira de crédito da Caixa chegou a R$ 58,1 bilhões no
final do primeiro semestre, um crescimento de 29,2% em relação
ao saldo de junho do ano passado. Os ganhos obtidos com a cobrança
de juros de empréstimos, porém, registraram uma expansão
de apenas 8,6%.
De acordo com o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio
Percival, esse movimento se explica pela queda das taxas de juros observada
entre o começo do ano passado e o início deste ano. Além
disso, a Caixa contou com um aumento de 8,3% no faturamento com tarifas
bancárias, que somou R$ 3,630 bilhões no primeiro semestre.
Ao contrário do que ocorreu com muitos bancos privados, atingidos
pelas regras mais rígidas impostas pelo governo, os ganhos da
Caixa com tarifas se mantiveram em alta, em boa parte, por causa das
receitas obtidas com a prestação de serviços para
o governo -como o pagamento de benefícios de programas sociais,
como o Bolsa Família. Esses serviços representam metade
dos ganhos da Caixa com tarifas.
Em compensação, a Caixa também mantém em
níveis elevados a parcela de seus lucros que foram repassados
ao governo federal, único acionista do banco. No mês passado,
foram pagos ao Tesouro R$ 588 milhões como adiantamento dos dividendos
a serem auferidos ao longo de 2008. Em 2007, do lucro total de R$ 2,5
bilhões obtido pela Caixa, R$ 1,1 bilhão foi parar nos
cofres do governo.
FGTS
A presidente da Caixa se mostrou contrária a uma mudança
que pudesse aumentar a rentabilidade dos saldos do FGTS (hoje corrigidos
pela variação da TR, mais juros de 3% ao ano). "A
TR é o mesmo indexador que remunera os contratos habitacionais",
disse.
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Gazeta
do Povo, 15 de agosto de 2008
Campanha salarial
Bancários tentam reajuste
em cenário de alta nos preços
Categoria pede aumento real de 13,23%,
além de elevação no valor de benefícios
como vale-alimentação e vale-refeição
e maior participação nos lucros e resultados
Os trabalhadores do setor bancário lançaram
na manhã de ontem, em Curitiba, a frente paranaense
da campanha salarial de 2008. O desafio da categoria é conquistar
aumentos reais em um cenário econômico sob
fortes pressões inflacionárias. Primeiramente,
os bancários tentarão uma negociação
unificada nacional, representando os cerca de 450 mil trabalhadores
de todo o país.
A proposta da primeira rodada de negociação
será apresentada na próxima semana à Federação
Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical da
Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
Entre as principais solicitações dos trabalhadores
estão o reajuste salarial de 13,23% – 5% de
aumento real mais a reposição da inflação
no período –, vale-alimentação
no valor de um salário mínimo (R$ 415), vale-refeição
de R$ 17,50 ao dia, auxílio-creche de R$ 415, participação
nos lucros e resultados (PLR) de três salários
mais adicional de R$ 3,5 mil e aumento progressivo do piso
até atingir o “mínimo ideal” de
R$ 2.074, calculado pelo Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “É só ver
o balanço do lucro dos bancos para ver que não é difícil
atender à nossa demanda. Difícil é convencê-los
a aceitar”, afirma o presidente da Federação
dos Bancários da CUT – Paraná (Fetec-PR),
Roberto Von Der Osten.
Segundo dados do Dieese, o lucro líquido dos bancos
saltou de R$ 4,630 bilhões em 2000 para R$ 34,275
bilhões em 2007 – um acréscimo de 640,2%.
No mesmo período, os gastos com pessoal cresceram
229,5%, passando de R$ 19,535 milhões para R$ 38,221
milhões. O índice de cobertura – relação
entre as receitas com serviços e despesas com pessoal – passou
de 73,6% em 2000 para 127,6%.
Nos últimos quatro anos, a média do índice
de reajuste salarial dos bancários é de 6%,
com ganhos reais acima da inflação. A data-base
da categoria é em 1º de setembro.
Equiparação
Os vigilantes e trabalhadores de empresas de segurança
privada aprovaram, em reunião da confederação
nacional da categoria, a mudança da data-base de
janeiro para setembro – a mesma dos bancários.
O objetivo é iniciar negociações conjuntas.
Por ora, os vigilantes reivindicam o mesmo valor do vale-refeição
e o mesmo plano de saúde dos bancários. A
categoria reúne 1,2 milhão de trabalhadores.
Contradição no governo
No início de julho, temendo pressões inflacionárias
em decorrência dos reajustes salariais, o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, pediu para que os trabalhadores não exigissem
grandes aumentos, e convocou “toda a sociedade” a fazer sua
parte no combate à inflação.
Meirelles contradisse o presidente Lula, que, no começo
de maio, sugeriu aos trabalhadores que aproveitassem o
bom momento da economia para reivindicar aumentos salariais. “Vocês
têm que saber: a hora que a gente tem que ganhar
aumento de salário é a hora em que as empresas
estão ganhando dinheiro”, disse o presidente
na posse da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo do Campo, onde começou sua
trajetória política. “Na hora em que
elas estiverem tendo prejuízo, o que vocês
vão ganhar? É desemprego”, completou. (ACN)
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Vermelho,
15 de agosto de 2008
Ibope SP: Marta dispara para 41%
e venceria Alckmin no 2º turno

Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira (15) joga uma ducha de água
gelada nas pretensões tucanas de iniciar a campanha no horário
eleitoral gratuito em situação confortável na disputa
pela Prefeitura de São Paulo. A sondagem mostra que o candidato
do PSDB, Geraldo Alckmin, despencou 5 pontos em relação à última
pesquisa Ibope, enquanto sua principal adversária, Marta Suplicy
(PT), subiu 7 pontos percentuais.
A candidata petista passou de 34% das intenções
de voto para 41%. Já o candidato tucano caiu de 31%
para 26%. Quem também perdeu votos foi o atual prefeito
e candidato à reeleição, Gilberto Kassab
(DEM), que oscilou negativamente de 10% para 8%. Paulo Maluf
(PP) permanece com o mesmo percentual do levantamento anterior
(9%).
Entre os demais candidatos, a vereadora Soninha (PPS) permanece
com 2% das intenções de voto, enquanto Ivan Valente
(PSOL) tem 1%. Anaí Caproni (PCO), Ciro Moura (PTC),
Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) não atingiram
1% das intenções de voto. O nome do candidato
Renato Reichmann (PMN) constava no disco apresentado aos entrevistados,
mas ele não foi citado por nenhum deles. Brancos ou
nulos somaram 7%, enquanto 5% não sabem em quem votar
ou não responderam.
Na pesquisa espontânea, na qual não são
apresentados ao entrevistado os nomes dos candidatos, Marta
Suplicy também aparece com ampla vantagem. A ex-prefeita é citada
por 29% dos entrevistados, contra 14% de Geraldo Alckmin, 6%
de Kassab e 5% de Paulo Maluf. Soninha apareceu com 1%. Os
brancos ou nulos somaram 11%, enquanto 33% não responderam.
Segundo turno: Marta já lidera
O Ibope simulou três cenários diferentes para
o segundo turno. E, pela primeira vez, a candidata do PT supera
todos os adversários num eventual segundo turno. Entre
Marta e Kassab, a petista teria 55% e o democrata, 30%. Os
brancos ou nulos somariam 12%, enquanto 2% não sabem.
Já 1% não respondeu.
Entre Marta e Alckmin, o Ibope aponta empate técnico,
mas no limite da margem de erro, pois Marta tem cinco pontos
a mais que o tucano nessa simulação. A candidata
do PT somaria 47%, contra 42% do candidato do PSDB. Os brancos
ou nulos somariam 8%, enquanto 2% não sabem. Já 1%
não respondeu.
Na pesquisa anterior, divulgada em 19 de julho, a situação
era inversa. Alckmin aparecia com 47% e Marta com 43%.
Entre Alckmin e Kassab, o tucano teria 57%, contra 20% do
candidato do DEM. Os brancos ou nulos somariam 18%, enquanto
4% não sabem. Já 1% não respondeu.
O Ibope ouviu 805 eleitores na cidade de São Paulo
entre estas terça (12) e quinta (14). A margem de erro é de
três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa
contratada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S.Paulo” está registrada
na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo sob o número
01700108-SPPE.
Da redação,
com agências
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Agência Diap,
15 de agosto de 2008
RISCOS DO EMPREENDIMENTO
Uso de veículo próprio
dá direito à ajuda de custo ao trabalhador
O custo da atividade econômica não pode ser transferido
ao trabalhador. O empregador é quem deve assumir os riscos
do seu empreendimento, cabendo a ele conceder a seus empregados todo
o material necessário ao desempenho de suas funções,
para não onerá-los com uma obrigação
que é da empresa.
Este foi o teor de decisão da 8ª Turma do TRT/MG, acompanhando
o voto do desembargador Márcio Ribeiro do Valle, que condenou
a empregadora a indenizar o reclamante pelas despesas de manutenção
da motocicleta utilizada no trabalho.
No caso, o reclamante desempenhava a função de mensageiro,
realizando as cobranças dos donativos efetuados em benefício
de uma associação beneficente, utilizando-se de uma moto
de sua propriedade para a realização do trabalho.
Relator
Segundo explicações do relator, este fato já é o
bastante para provar que o reclamante tinha despesas de manutenção
da moto, em virtude de sua atividade. Além disso, ficou comprovado,
através dos documentos juntados ao processo pela própria
reclamada, que esta realizou diversos contratos de locação
de moto com outros empregados, que exerciam as mesmas funções
do reclamante, sendo que, nestes, ela se comprometia a pagar, adicionalmente
ao aluguel, a quantia de R$ 60 mensais a título de ajuda de
custo para manutenção preventiva ou corretiva do veículo.
Nesse sentido, o desembargador concluiu que a própria reclamada
admitiu ressarcir a seus empregados, que se encontravam na mesma situação
do reclamante, um valor fixo mensalmente e uma quantia para manutenção
preventiva ou corretiva da motocicleta. Portanto, considerando-se o
princípio da isonomia, o reclamante também tem direito
ao pagamento de uma quantia para cobrir a depreciação
do seu veículo.
Como o reclamante prestava serviço a outra empresa utilizando
a mesma moto, o desembargador concluiu que a reclamada não poderia
ser responsabilizada por toda a depreciação do veículo.
O relator esclarece ainda que a ajuda de custo não tem natureza
salarial e, portanto, não repercute nas demais verbas trabalhistas.
Nesse contexto, a Turma deu provimento ao recurso, estabelecendo uma
quantia de R$ 40 mensais a título de ajuda de custo para manutenção
da motocicleta do autor. (Fonte: TRT 3ª Região/MG)
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Agência
Diap, 15 de agosto de 2008
As receitas das centrais
Por: João Guilherme
Vargas Netto*
Superados os períodos de aprovação da
Lei 11.648 (de 31 de março de 2008) e de sua interpretação
pelos técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego,
as seis centrais sindicais auto-reconhecidas preparam-se para
receber recursos provenientes da contribuição
sindical.
Os valores, proporcionais às representatividades, são
atualizados mensalmente e, por ora, são os seguintes:
CUT – R$ 20,2 milhões
FS – R$ 15,4 milhões
UGT – R$ 9,7 milhões
NCST – R$ 6,7 milhões
CTB – R$ 2,9 milhões
CGTB – R$ 2,4 milhões
O total que quase chega a R$ 60 milhões é importante
e representa uma nova situação para as centrais.
Baseando-se nas experiências contábil e estatutária
de várias entidades, aqui vão algumas recomendações
para as direções das centrais:
1 - Planejamento das receitas e despesas;
2 - Orçamentos anuais impositivos;
3 - Comissões de acompanhamento e controle;
4 - Prestações de contas periódicas;
5 - Auditorias externas contratadas;
6 - Destinação de recursos de maneira proativa em defesa
da qualificação, dos direitos e das conquistas dos trabalhadores.
(*) Membro do corpo técnico do Diap, é consultor
sindical de diversas entidades de trabalhadores em São
Paulo
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Agência
Diap, 15 de agosto de 2008
FUNDO DE GARANTIA
Caixa Econômica é contra
aumento da correção do FGTS
No que depender da Caixa Econômica Federal (CEF), não será levada
adiante a proposta para o aumento da correção dos depósitos
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de 3% ao ano mais
a variação da Taxa Referencial (TR). A justificativa do banco
para se posicionar contra o projeto é a de que o incremento da remuneração
do fundo vai encarecer as prestações da casa própria,
contrariando os planos do governo de incentivar o mercado imobiliário. “Podem
ficar tranqüilos, que a prestação da casa própria
não vai subir na Caixa”, disse a presidente da instituição,
Maria Fernanda Ramos Coelho.
A proposta de se aumentar a remuneração dos depósitos
do FGTS foi apresentada há três meses pelos representantes
dos trabalhadores no Conselho Curador do fundo. Eles alegaram
que, com a alta da inflação, que deve ficar acima
de 6% este ano, e a elevação da taxa básica
de juros (Selic), de 11,25% para 13% entre abril e julho, o rendimento
atual do FGTS estaria provocando perdas aos trabalhadores. O
projeto também foi apresentado ao Banco Central, já que
uma das opções seria a mudança no cálculo
da TR. Nada indica, porém, que a discussão vá andar,
pois, além da Caixa, nem o BC e nem o Ministério
da Fazenda têm interesse em mexer nesse vespeiro.
Segundo o vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Marcos
Vasconcelos, não há lógica em se falar em
aumento da correção do FGTS neste momento. “Já tivemos
períodos em que os juros e a inflação eram
muito maiores, e nada mudou na correção do fundo”,
afirmou. A inflação está em queda e o processo
de alta dos juros, segundo o vice-presidente de Finanças
da Caixa, Márcio Percival, será curto. “Portanto,
não há porque se pautar por um fator conjuntural”,
acrescentou.
Na avaliação do vice-presidente de Governo da
Caixa, Jorge Hereda, quando se fala em recursos do fundo de garantia é preciso
olhar os dois lados: o dos depositantes e o dos tomadores de
crédito para a compra da casa própria. O FGTS,
acrescentou, garante boa parte dos financiamentos imobiliários
do país, sobretudo para a população com
renda mensal de até cinco salários mínimos
(R$ 2.075), que paga juros entre 5% e 6% ao ano acima da TR. “A
intenção do governo é de que esse mercado
avance, não apenas por causa da oferta, mas também
pelo número de empregos que gera”, destacou.
Hereda lembrou que a habitação é uma das
prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), o xodó do presidente Lula. Estão previstos
investimentos nesse setor de mais de R$ 100 bilhões entre
2007 e 2010. Não será viável, portanto,
encarecer os financiamentos, pois haveria risco de os recursos
disponíveis ficarem encalhados. Foram justamente os juros
menores os principais responsáveis por a Caixa ter liberado,
do início do ano até 13 de agosto, a quantia recorde
de R$ 12,2 bilhões, volume 43% maior do que o registrado
no mesmo período de 2007.
É importante ressaltar que os debates em torno da remuneração
do FGTS se tornaram públicos por meio da própria
Caixa, mais precisamente pelo vice-presidente de Fundos de Governo
e Loterias, Moreira Franco. Indicado pelo PMDB, ele disputa a
presidência do banco com a petista Maria Fernanda.
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Agência
Diap, 15 de agosto de 2008
MÉDIA SALARIAL
Salário médio do trabalhador
aumentou, ele recebe 3,9% a mais
Reajustes obtidos pelos funcionários
do setor formal da economia levam salário médio do
brasileiro para R$ 696. Política federal de valorização
da remuneração mínima é o principal
motivo do aumento
O salário médio do trabalhador formal brasileiro
no momento da contratação subiu 3,9% no primeiro
semestre deste ano, atingindo R$ 696,10, contra R$ 669,96 no
mesmo período de 2007. Nos últimos cinco anos,
a alta acumulada é de 22,36% — em 2003, o valor
era de R$ 568,88. Os dados fazem parte de levantamento inédito
divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho, feito com
base nas informações do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged).
A maior responsável pela expansão da remuneração
inicial dos trabalhadores com carteira é a política
de valorização do salário mínimo.
Desde 2002, o reajuste real (descontada a inflação)
supera os 50%. Nesse período, o mínimo saiu de
R$ 200 para os atuais R$ 415. De acordo com o ministro Carlos
Lupi, o crescimento da economia também ajudou a elevar
a renda dos trabalhadores. “Na construção
civil, por exemplo, não tem mais mestre-de-obra, não
tem mais engenheiro. Então, as empresas oferecem salários
maiores”, justificou Lupi, durante entrevista no Rio de
Janeiro. “É um círculo virtuoso.”
Das 27 unidades da Federação, apenas três
apresentam salários acima da média: São
Paulo (R$ 818,09), Rio de Janeiro (R$ 792,60) e Distrito Federal
(R$ 762,50). A renda mais baixa pertence ao Piauí (R$
499). Apesar de as diferenças regionais permanecerem — os
sete piores rendimentos são pagos em estados das regiões
Norte e Nordeste — a forte valorização do
salário mínimo ajudou a atenuar a desigualdade
entre os vários estados do país. Nos últimos
cinco anos, a renda inicial dos trabalhadores subiu em torno
de 30% em sete estados: Maranhão (38,71%), Acre (37,08%),
Espírito Santo (31,76%), Minas Gerais (31,66%), Piauí (30,79%),
Bahia (29,85%), Goiás (29,54%). Quatro ficam no eixo Norte-Nordeste.
Os menores ganhos ocorreram no Amazonas (12,87%), no Distrito
Federal (13,10%) e em São Paulo (15,67%). Ao longo desses últimos
cinco anos, a diferença entre a maior e a menor renda
(São Paulo e Piauí) encolheu de 85,4% para 64%. “Os
números verificados principalmente no Nordeste comprovam
aquilo que venho falando há mais de um ano: o aumento
real do salário mínimo. Isso significa a melhor
distribuição de renda que um país pode ter,
porque você aumenta o poder de compra da base da pirâmide”,
ressaltou o ministro Lupi. (Fonte: Correio
Braziliense)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/08/2008
Vale: TST considera válida extinção
de turnos de revezamento
A Seção Especializada em Dissídios Coletivos
(SDC) do Tribunal Superior do Trabalho considerou válida a alteração,
pela Companhia Vale do Rio Doce, da jornada de trabalho dos empregados
de várias de suas unidades em Minas Gerais e no Espírito
Santo. O dissídio coletivo ajuizado pelos trabalhadores foi
julgado hoje (14), e teve como relator o ministro Walmir Oliveira da
Costa. O entendimento predominante na SDC foi o de que, apesar da resistência
dos trabalhadores à mudança, a legislação
sempre considerou os turnos de revezamento – em que a jornada é de
seis horas de trabalho e 36 de descanso – como prejudicial à saúde, à segurança
e à vida social e familiar do trabalhador – menos vantajoso,
portanto, que a jornada fixa.
Os sindicatos instauraram o dissídio, de natureza jurídica,
quando a Vale anunciou a adoção dos turnos fixos a partir
do dia 11 de agosto. Para os trabalhadores, a mudança implicaria “gravíssimos
danos para os atingidos” e criaria discriminação
entre os membros da categoria, que antes partilhavam de isonomia e
agora são distribuídos em três turnos diferentes
(das 7h às 15h30, das 15h às 23h30 e de 23h às
7h30). Para os sindicatos, a alteração só poderia
ser implantada por meio de negociação coletiva. A nova
regulamentação atinge cerca de seis mil trabalhadores
do Porto de Tubarão, das Usinas de Pelotização
da Ponta de Tubarão, da Ferrovia Vitória-Minas, das minas
de ferro do Cauê, de Conceição e de Fábrica,
das usinas Conceição e Timbopeba e da Pelotização
Fábrica.
Na sessão de julgamento, o advogado dos sindicatos dos trabalhadores
acenou com o temor da perda de milhares de postos de trabalho, e sustentou
que a mudança pode representar o fim de 20% dos empregos nas áreas
afetadas. A defesa da empresa alegou que esta tem a prerrogativa de
estabelecer seus horários de trabalho. Na audiência de
conciliação e instrução do dissídio,
na primeira semana de agosto, a empresa se comprometeu perante o vice-presidente
do TST, ministro Milton de Moura França, a manter durante dois
anos o número de postos de trabalho atualmente existentes. No
comunicado aos trabalhadores, colocou à disposição
acompanhamento médico e terapia do sono, visando à adaptação
aos novos horários, e um abono de R$ 4 mil como compensação,
além de reajuste salarial de 20%.
Norma de ordem pública
O ministro Walmir Oliveira da Costa, em seu voto, lembrou que a jornada
fixa se mostra mais vantajosa do ponto de vista objetivo, em função
de sua regularidade. “A partir da adoção do trabalho
em turnos fixos, o empregado pode planejar, de acordo com suas preferências,
uma rotina diária regular, sem se preocupar com a variabilidade
dos horários”, afirmou. “Se a própria Constituição
impôs aos turnos de revezamento o limite máximo de seis
horas, inferior à jornada regular de oito horas, é porque,
naquele regime, existe um malefício para o empregado, que não é completamente
eliminado pela redução da carga horária, apenas
compensado.” Nesse contexto, o relator concluiu que a adoção
de turnos fixos em substituição aos de revezamento está dentro
do direito do empregador de, observados certos limites, variar ou alterar
unilateralmente as condições secundárias da prestação
do trabalho, especialmente quanto ao modo, lugar e tempo – o
chamado jus variandi.
O ministro Márcio Eurico Vitral Amaro abriu divergência
e manifestou sua preocupação quanto ao caso específico
da Vale do Rio Doce, devido às “condições
severíssimas de periculosidade” a que estão sujeitos
os operários de algumas das unidades afetadas, especialmente
as usinas de pelotização – procedimento de preparação
do minério para a alimentação de altos-fornos.
A ministra Kátia Magalhães Arruda seguiu a divergência.
Ela também ressaltou a especificidade do caso e observou que
as atividades de extração de minério e pelotização
têm grau 4 de risco – o grau máximo, de acordo com
a classificação do Ministério do Trabalho. Os
demais integrantes da SDC seguiram o voto do relator.
O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, esclareceu
que muitas vezes a SDC se vê diante de situações
difíceis e paradoxais como essa, em que, de acordo com a lei,
a mudança é benéfica para o trabalhador, mas este
a rejeita. “As normas de ordem pública protegem o trabalhador
mesmo contra a sua vontade”, assinalou. O ministro Rider lembrou
que a redução para seis horas da jornada dos turnos de
revezamento foi uma conquista dos trabalhadores na Constituição
de 1988. “A redução foi de 25% precisamente porque
se entendeu que aquela situação é prejudicial
ao trabalhador, em quase todos os aspectos”, explicou. “Assim,
se uma empresa que adotava o turno de revezamento passa a adotar o
turno fixo, ela, no meu entender, está atendendo ao reclamo
da sociedade, àquilo que o legislador pretendeu, isto é,
o oferecimento de condições de trabalho melhores do ponto
de vista biológico, da higiene, da segurança do trabalho
e social e familiar.” (DC 196518/2008-000-00-00.9)
(Carmem Feijó)
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Gazeta
do Povo, 16 de agosto de 2008
Indústria
Crescimento será menor,
diz CNI
Armando Monteiro Neto, presidente
da confederação, disse que a expansão
da indústria nacional deve ser de 5,5% – abaixo
da previsão inicial de 8%
O presidente da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, declarou
ontem em visita à Olimpíada do Conhecimento – torneio
de educação profissional que termina hoje
em Curitiba – que a indústria deve crescer
menos do que o esperado em 2008, em média, 5,5%.
O principal motivo seria a alta do preço do petróleo,
que apesar das recentes quedas ainda não refletiu
no setor industrial. “A elevação
ainda pressiona preços como o do plástico,
por exemplo. Por isso, projetamos um crescimento próximo
ao do PIB. Para 2009, a expectativa é de estabilização.”
A alta nos índices de inflação
observada, principalmente, desde o fim de 2007, também
contribuíram para esse crescimento aquém
do esperado, disse Monteiro Neto. “Houve um arrefecimento
da produção, e a retomada acaba sendo tardia.”
Sobre o aumento na taxa básica de juros (hoje,
de 13% ao ano) praticado pelo Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central, o presidente
da CNI acredita que a medida foi uma maneira de conter
a expansão de crédito, mas que o ciclo
de aumento no consumo não pode ser quebrado. “Tem
de haver uma dosagem, não podemos abortar o crescimento
das vendas, que é benéfico para a economia
como um todo.” Apesar da última queda do
indicador oficial de inflação (passou de
0,74% em junho para 0,53% em julho), os preços
altos ainda geram preocupação da indústria. “O
momento econômico no Brasil é favorável,
mas ainda existe essa pressão e não podemos
descuidar”.
Licença-maternidade
Armando Monteiro Neto também falou sobre o projeto
de lei aprovado na última quarta-feira pela Câmara
dos Deputados que amplia a licença-maternidade
de quatro para seis meses. O presidente do conselho de
relações do trabalho da CNI, Francisco
Gadelha, já havia declarado à imprensa
na quinta-feira que “quatro meses estão
de bom tamanho”. “Nosso companheiro já se
manifestou sobre o assunto e reitero. A intenção é generosa. É claro
que o Brasil quer oferecer uma condição
melhor para os trabalhadores. Porém a ampliação
não irá trazer mais custos apenas para
as empresas, mas também para o contribuinte. O
custo para a sociedade será alto”. O representante
dos industriais questionou ainda a prioridade da medida. “O
país tem carência em tantas outras áreas.
Acho que os esforços podiam ter sido direcionados
para outros problemas”.
A atual conjuntura econômica brasileira, de acordo
com Monteiro Neto, é favorável e deve se
manter assim. “Não acredito em uma desaceleração,
salvo em algumas situações pontuais. O
ritmo deve ser de crescimento.” As vendas recordes
no varejo registradas nesta semana, porém, não
significaria reflexo de desenvolvimento: “Isso
foi estimulado pela expansão de crédito,
tanto que já se fala na queda de consumo de alguns
bens essenciais, como os alimentos. De qualquer maneira,
os resultados para a indústria são favoráveis,
estamos investindo muito, com expectativa de ganhos produtivos”.
Serviço:
A Olimpíada do Conhecimento, que termina hoje, é realizada
pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai) com apoio do Sistema Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Ela ocorre no câmpus da Universidade Positivo,
na Cidade Industrial de Curitiba.
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Agência
Diap, 16 de agosto de 2008
MANOBRA REGIMENTAL
Terceirização: PL de
FHC é prioridade de votação na Câmara
Alysson Alves
O DIAP alerta que o famigerado PL 4.302/98, do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, que dispõe sobre as relações
de trabalho na empresa de trabalho temporário e na empresa
de prestação de serviços a terceiros, está incluído
na agenda de prioridades de votações das próximas
duas semanas que antecedem as eleições municipais.
A inclusão do projeto na agenda de votações
foi uma decisão dos líderes partidários, que
pretendem, ao invés de apreciar a mensagem de retirada da
matéria - uma das primeiras iniciativas de Luiz Inácio
Lula da Silva assim que assumiu o 1º mandato de presidente
da República -, aprovar, com nova roupagem, o projeto FHC.
Cinco anos de engavetamento
A Mensagem do Executivo 389/2003, de retirada do PL 4.302/98,
completará, na próxima terça-feira (19), cinco
anos de engavetamento na Câmara dos Deputados. O pedido de
arquivamento do projeto foi feito no dia 19/03/2003, em cumprimento
ao acordo com o movimento sindical, que entende ser a proposição
prejudicial aos trabalhadores.
Com a postergação na leitura e votação
da mensagem de retirada, o projeto continua tramitando na Câmara.
Está na Comissão de Trabalho com relatoria sob responsabilidade
do vice-líder do PR, deputado Sandro Mabel (GO), um dos
principais defensores da terceirização no Congresso.
Sandro Mabel é também presidente da subcomissão
criada para analisar todas as matérias em tramitação
na Câmara que tenham como temário a terceirização.
O parlamentar é autor, entre outras matérias, do
PL 4.330/04, que dispõe sobre o contrato de prestação
de serviço a terceiros e as relações de trabalho
dele decorrentes.
Mensagem
Destacamos dois argumentos da exposição de motivos
do ex-ministro do Trabalho, Jaques Wagner no pedido de arquivamento
do PL 4.302/98: “o projeto retira a característica
urbana do trabalho temporário, abrindo a possibilidade de
sua aplicação na atividade rural, o que abre portas
para legalização do famigerado “gato”,
um dos principais elementos ativos no cometimento do crime de submissão
de trabalhadores a condição análoga à de
escravo.”
Ainda, segundo a exposição de motivos, “o
projeto em análise, se aprovado, redundará em graves
prejuízos aos trabalhadores temporários urbanos que
terão aprofundadas as incertezas, hoje existentes, em relação
ao recebimento de seus direitos. E, finalmente, propiciará condições
para o crescimento da prática da submissão de trabalhadores
a condição de escravos.”
Reivindicação
No dia 02 de maio de 2008, ao fazer uma visita de cortesia ao
DIAP, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Clinaglia
(PT/SP), foi informado de que a não retirada do projeto
incomoda e preocupa intensamente o movimento sindical.
A preocupação é que o projeto some-se às
propostas em tramitação na Câmara e se abra
uma avenida para a flexibilização e retirada de direitos
trabalhistas.
Para colocar um ponto final nessa novela da flexibilização
de direitos trabalhistas, as lideranças sindicais devem
pressionar o Governo e a base aliada para a leitura da mensagem
presidencial que pede o arquivamento do projeto de FHC.
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Agência
Diap, 16 de agosto de 2008
CAMPANHA SALARIAL
Centrais se unem em busca da valorização
dos pisos
Jornada Nacional de Debates das centrais vai fortalecer
as campanhas salariais pela elevação dos pisos Em
entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário
geral da CUT, Quintino Severo, fala sobre a Jornada Nacional de
Debates - Inflação e as Campanhas Salariais, a luta
das centrais pela recuperação do poder aquisitivo
dos salários, a importância da valorização
dos pisos e o combate à política de juros altos implementada
pelo Banco Central contra a economia nacional.
Qual a importância da "Jornada Nacional de
Debates – Inflação e as Campanhas Salariais",
organizada pelas centrais sindicais com o apoio do Dieese.
Esta ação unificada abre espaço para uma
mobilização mais contundente no segundo semestre?
Creio que esta é uma iniciativa acertada das centrais
sindicais, que teve participação importante do
Dieese como articulador e mediador inclusive desta relação. É uma
decisão que vai possibilitar uma saída conjunta,
uma alternativa frente ao pico de inflação ocorrido
nesse último período. Tenho certeza que uma ação
nacional como esta que estamos desenvolvendo, com o conjunto
do movimento sindical brasileiro, possibilitará que a
política adotada na recuperação dos pisos
e na recuperação dos salários, de combate à corrosão
inflacionária, seja vitoriosa. Essa é uma expectativa
comum de todos. Nós da CUT vamos apostar nesta possibilidade,
até porque fomos a primeira central a orientar, em resolução
da executiva nacional, para que nossas categorias tomassem iniciativas
no sentido de recuperar eventuais perdas, entre elas a elevação
dos pisos, já que a faixa salarial que mais perde com
a inflação é a de salários mais baixos.
Esta é uma iniciativa que poderá amenizar esse
prejuízo para os trabalhadores que ganham menos.
Há indicativos de que a inflação
estacionou. Como vês a atuação das centrais,
tendo como foco principalmente as grandes categorias neste
momento que antecede à Marcha a Brasília?
Primeiro, é muito positivo que a inflação
tenha estacionado, parado de crescer e comece a reduzir. Isso
demonstra que mais uma vez nós trabalhadores estamos corretos
quando defendemos que não seja aplicada essa política
de alta nas taxas de juros para conter a inflação.
Novamente fica evidenciado que nós da CUT que temos combatido
essa opção pelo juro alto estamos corretos. Inflação
não se combate impedindo consumo e elevando juro, ainda
mais uma inflação que é pontual, especulativa,
bastante restrita ao setor de alimentos. Na verdade, a alta dos
juros só prejudica o desenvolvimento nacional, o crescimento
da economia. Em segundo lugar, as grandes categorias contribuem
nesta mobilização porque ajudam com as que têm
menos poder de pressão a recuperar seus pisos. Então é fundamental
que as campanhas salariais do segundo semestre, que movimentam
grandes categorias, tenham sucesso na recuperação
do piso, pois isso influencia de uma forma geral para uma elevação
do conjunto dos salários, já que é um movimento
que não se restringe só ao piso. Esta pressão
se refletirá positivamente nos demais salários.
Da mesma forma, os pisos salariais estaduais, que têm impacto
importante nos salários das demais categorias a nível
regional. Não tenho dúvida que esta ação
terá reflexos positivos importantes não só para
os salários, mas para o avanço das conquistas da
classe trabalhadora como um todo.
No momento em que a mídia mais pressionava para
tentar taxar o aumento salarial de "inflacionário",
o presidente Lula declarou no ABC que os trabalhadores deveriam
correr atrás, já que as empresas estavam ampliando
sua produtividade e ganhando como nunca. Como isso tem influenciado
a pressão da base?
Primeiro é importante reafirmar que no nosso país
nunca o salário teve relação direta com
a inflação. Aumento salarial, na nossa opinião,
e a prática tem demonstrado isso, não é nem
de longe o fator determinante para a alta inflacionária.
O que influencia sobre a inflação é a especulação,
a ação dos grandes grupos econômicos que
dominam o mercado e elevam a taxa inflacionária. É completamente
descabido o argumento que tenta responsabilizar os salários
pela alta inflacionária. Até porque já vivenciamos
no país períodos de hiperinflação
quando nunca se pagou tão pouco aos trabalhadores. Portanto
não há nenhuma possibilidade de concordarmos com
esse argumento. Segundo: é fundamental que os trabalhadores
recuperem o seu poder de compra, que haja um processo de melhora
na distribuição de renda no Brasil. E o momento
de distribuir renda é o do acordo coletivo, onde se discute
salário. Portanto temos que apostar toda nossa mobilização,
todo nosso esforço e energia no sentido de garantir que
neste momento das convenções coletivas a gente
recupere o salário e distribua renda. Essa disposição
dos trabalhadores está aparecendo em vários estados.
De que forma a 12ª Plenária Nacional e a
assembléia na Praça Matriz de São Bernardo
contribuíram para esta ação?
A plenária refletiu o estímulo e a animação
que está a nossa militância. As resoluções
que aprovamos dialogam com este momento novo. Por um lado o desafio
de organização da própria classe trabalhadora,
do movimento sindical, e por outro o desafio de construir projetos
para a sociedade que levem em consideração a distribuição
de renda, a valorização do trabalho e a ampliação
de direitos, elementos que ficaram muito explícitos nas
resoluções que tomamos. A própria assembléia
de encerramento da plenária energizou todos nós.
Saímos daquela belíssima passeata em São
Bernardo, encerrada com a assembléia, com um saldo extremamente
positivo, deixando para todos nós a expectativa e a certeza
de que retornamos para os nossos Estados com muita vontade de
implementar o que foi decidido coletivamente.
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Agência
Brasil, 16 de agosto de 2008
Caixa Econômica amplia financiamentos
habitacionais em 43% no ano
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Caixa Econômica Federal (CEF) investiu
até a última quarta-feira (13) R$ 12,191 bilhões
em financiamentos da casa própria para 259.239 novos mutuários
do Sistema Financeiro Habitacional (SFH) em todo o país, conforme
revelou o vice-presidente de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Jorge
Hereda.
Segundo ele, as operações de crédito para a compra
de imóveis residenciais cresceram 43% neste ano, em relação
ao mesmo período de 2007. Isso sinaliza, no seu entender, que
a meta da Caixa, de financiar R$ 20,4 bilhões em novas moradias
neste ano, “será facilmente superada”, considerando-se
que o volume de operações tem sido tradicionalmente superior
no segundo semestre.
Dos financiamentos contratados até agora R$ 6,777 bilhões
foram com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), utilizados na compra de 157.863 moradias. O segundo maior fornecedor
de recursos para a aquisição da casa própria,
de acordo com dados da Caixa, foi o Sistema Brasileiro de Poupança
e Empréstimo (SBPE), que entrou com R$ 5,018 bilhões
na compra de 90.736 novas unidades habitacionais.
A Caixa também concedeu R$ 240,3 milhões de recursos
próprios no financiamento de 4.434 imóveis através
do consórcio imobiliário. Agente financeiro que implementa
as políticas públicas de governo, a Caixa intermediou
mais R$ 154,4 milhões de programas sociais para famílias
de baixa renda, com juros subsidiados e facilidades de pagamento em
condições mais vantajosas que nos financiamentos com
dinheiro do FGTS ou da poupança.
Foram R$ 60 milhões do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS),
do Ministério das Cidades, na compra de 3.402 casas; R$ 92 milhões
do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) no financiamento de 2.768
moradias; e R$ 2,4 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) na aquisição de 36 unidades habitacionais.
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Revista
Consultor Jurídico, 16 de agosto de 2008
Feitiço acaba
Japoneses começam a reivindicar
direitos trabalhistas
Os trabalhadores do Japão sempre foram conhecidos pela lealdade às
empresas. Depois da Segunda Guerra, eles alimentaram o crescimento econômico
do país ao suportarem extenuantes horas de trabalho. No entanto,
na última década, os japoneses estão menos propensos
a tolerar baixos salários, instabilidade nos empregos e horas extras
não pagas.
A Suprema Corte do Japão diz que o número de processos
de trabalhadores contra empregadores aumentou 45% entre 1997 e
2005. Naquele ano, foram 2.303 casos e, no ano seguinte, as reclamações
subiram para 2.777 processos, quando foi criado um novo tribunal
para causas trabalhistas. A maior parte dos casos se refere a horas
extras.
Um dos casos é o de Hiroshi Takano. Em junho, o jornal
The New York Times contou que Takano trabalhou como gerente do
McDonald's durante anos. O trabalhador teve sua saúde deteriorada
e foi obrigado a diminuir as horas de trabalho. A empresa, no entanto,
não quis pagar as horas extras.
Takano resolveu processar o McDonald's. Em janeiro, a Justiça
de Tóquio mandou a empresa pagar US$ 75 mil de horas extras
que Takano deveria ter recebido durante os anos que trabalhou para
a rede de fast food. Em maio, a companhia anunciou que pagaria
mais horas extras para os gerentes de suas lojas.
O funcionário afirmou que trabalhava 19 horas por dia ao
gerenciar duas lojas. Também alegou trabalhar, às
vezes, todos os dias por semana sem folga. O McDonald's diz que
como gerente, ele não fazia serviços braçais,
portanto, não tinha direito de receber por horas extras.
Depois da vitória no tribunal, outros quatro ex-gerentes
de lojas do McDonald's entraram com processos semelhantes.
Segundo o jornal, os assalariados do Japão estão
aprendendo a defender seus direitos, e nesse processo estão
reescrevendo o contrato social que antes ligava os trabalhadores às
companhias numa espécie de código de lealdade quase
que feudal. Ao mesmo tempo em que aprendem a negociar com as empresas,
os empregados estão recorrendo à Justiça para
proteger seus direitos ao estilo norte-americano.
Interesse próprio
“Os japoneses estão sendo forçados a pensar
mais em seu interesse próprio, o que é algo que eles
não estão acostumados a fazer”, afirma Yoichi
Shimada, professor de Direito na Universidade Waseda, em Tóquio. “As
pessoas estão percebendo aos poucos que existem meios legais
para se defenderem caso se sintam prejudicadas.”
O ressentimento dos trabalhadores aumentou depois que a economia
do Japão deu leve recuperada nos últimos cinco anos.
Enquanto os lucros corporativos aumentaram, os salários
permaneceram estagnados, alimentando a percepção
de que as companhias falharam em dividir a bonança com seus
empregados.
Há também a suspeita de que os trabalhadores ficaram
com a maior carga dos cortes feitos por causa da competição
com a China e Coréia do Sul. “As companhias japonesas
usaram o silêncio de seus trabalhadores leais como uma arma
na competição internacional”, diz Kiyotsugu
Shitara, diretor do Sindicato de Gerentes de Tóquio, um
pequeno sindicato que ajudou no processo de Takano contra o McDonald's. “Os
empregados estão cansados de serem usados dessa forma.”
Shitara e outros especialistas em trabalho dizem que o aumento
dos processos também é o passo mais recente em direção
a um ambiente de trabalho mais americanizado.
Muitos empregados envolvidos com processos se descrevem como revolucionários
relutantes, arrastados para uma era mais legalizada à qual
eles não têm outra opção senão
adaptar-se.
Alguns, como Takano, culpam as atitudes indiferentes das companhias. “Eu
não queria fazer isso”, diz Takano, que ainda gerencia
uma loja do McDonald's no subúrbio de Tóquio. “A
companhia estava me tratando muito friamente, então tive
de começar a proteger meus próprios direitos.”
Excesso de trabalho
Outro caso relatado pelo jornal é de Hiroko Uchino, que
entrou com uma ação contra o governo depois que seu
marido, Kenichi, funcionário de controle de qualidade na
Toyota, morreu no escritório há seis anos. Hiroko
queria que o órgão trabalhista do governo reconhecesse
que ele morreu por trabalhar demais. Em japonês, existe até uma
palavra para descrever este tipo de morte: karoshi.
Hiroko entrou na Justiça depois de a empresa dizer que
seu marido não morreu por excesso de trabalho. A Toyota
diz que um mês antes de morrer ele fez 38 horas extras. Segundo
a mulher, notas fiscais de postos de gasolina e outras evidências
mostram que Kenichi fez 155 horas extras no mês que morreu.
A empresa diz que ele ficava depois do horário de trabalho
por vontade própria, e não tinha direito a pagamento
por horas extras.
O caso de Hiroko recebeu grande atenção, incluindo
um encontro com o ministro do Trabalho, que lhe ofereceu palavras
de conforto. Em março, um tribunal em Nagoya, ao sul do
país, decidiu que a morte de seu marido estava relacionada
ao trabalho, e que ele havia feito 93 horas extras no seu último
mês, concedendo à viúva o direito de receber
o pagamento adicional. “Se meu marido soubesse como a companhia
iria reagir, ele nunca teria demonstrado toda essa lealdade despropositada”,
afirma.
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Última
Instância, 16 de agosto de 2008
TRT-GO garante indenização
trabalhista mesmo após prescrição da ação
A primeira turma do TRT-GO (Tribunal Regional do Trabalho de Goiás)
afastou, por maioria, a incidência da prescrição bienal
em ação de indenização por danos morais e materiais
decorrentes de acidente do trabalho. A ação foi ajuizada
em maio de 2003 na Justiça estadual, quando a competência
para julgar a questão ainda era mérito da Justiça
comum, e o acidente aconteceu em março de 2007.
Segundo o TRT-GO, a regra de transição permite que
se aplique a o prazo prescricional da lei civil (vinte anos) às
ações ajuizadas antes da emenda e a prescrição
trabalhista (até dois anos após a extinção
do contrato) nas ações iniciadas posteriormente.
Ao julgar o caso, o juiz de primeira instância proferiu
a prescrição da ação. A relatora do
processo, desembargadora Maria Bomtempo de Albuquerque, foi voto
vencido, mas coube a primeira turma do tribunal o entendimento
de que deveria ser aplicada a regra de transição
surgida após a promulgação da Emenda 45/04,
que reconheceu a competência da Justiça do Trabalho
para apreciar as causas de acidente trabalhistas.
Com este entendimento, os autos foram devolvidos à primeira
instância para julgamento do pedido de indenização.
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Vermelho,
16 de agosto de 2008
Dilma apóia modelo norueguês
para nova estatal do pré-sal
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, declaoru
apoio a possibilidade de o governo criar uma empresa estatal
nos moldes da norueguesa Petoro, para administrar as reservas
recém-descobertas de petróleo na camada pré-sal,
na Bacia de Santos. Em café da manhã com deputados
e dirigentes do PT no Distrito Federal, Dilma confirmou que a
intenção do governo Lula é destinar os recursos
obtidos com royalties de petróleo para investimentos em
educação.
" Acredito que essa definição vem atender
a uma injustiça e, mais do que isso, uma falha histórica
dos sucessivos governos com o povo brasileiro", argumentou. "Precisamos
pagar essa dívida." Na prática, o discurso
de Dilma segue estratégia definida pelo Planalto para
ganhar apoio da sociedade à campanha que ressuscita
o mote "o petróleo é nosso", dos
anos 50.
A ministra contou aos petistas que a Petoro repassa uma
fatia do dinheiro obtido com a venda do petróleo para
a Previdência Social. "Aqui, a intenção
do governo é se apropriar dessa riqueza para investir
em educação", afirmou o presidente do
PT do Distrito Federal, Chico Vigilante, que participou do
encontro.
Descontraída diante dos companheiros de partido,
Dilma definiu a empresa norueguesa que administra as reservas
de petróleo como "uma estatal enxuta". Numa
espécie de aula, a ministra explicou que a Noruega
- terceiro maior exportador de petróleo bruto do mundo,
atrás apenas da Arábia Saudita e da Rússia
- comanda duas empresas estatais nessa área.
A primeira é a conhecida Statoil, que, apesar de
controlada pelo governo, possui capital privado e se dedica à exploração
de petróleo, a exemplo da Petrobrás. Na outra
ponta está a Petoro, que cuida da administração
das reservas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
conheceu o modelo norueguês quando visitou os países
escandinavos, em setembro do ano passado.
O pré-sal é uma área que se estende
por 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa
Catarina, e pode conter bilhões de barris de óleo
equivalente (boe). Somente no campo de Tupi, na bacia de
Santos, a reserva estimada pela estatal é de entre
5 e 8 bilhões de boe.
Divergências
O tom da exposição da ministra acalmou a platéia
petista, que temia o enfraquecimento da Petrobrás.
Na prática, porém, há divergências
no governo sobre a conveniência de mudar o atual regime
de concessão na exploração do petróleo.
Além disso, a Petrobrás é contra a criação
de uma nova estatal no setor. O presidente da empresa, José Sérgio
Gabrielli, já se indispôs várias vezes
com Dilma e, para piorar a situação, há uma
guerra de bastidores envolvendo a tradicional disputa por
cargos entre PT e PMDB, os dois principais partidos da coalizão
governista.
"O governo vai de A a Z, mas tem um condutor que é o
Lula", disse Dilma, de acordo com relato de deputados. "Se
alguém tenta sair da linha, ele puxa." Antes
de encerrar a conversa, que durou duas horas e meia, a ministra
se comprometeu a debater novamente o tema com os petistas
depois das eleições de outubro. "Todo
mundo ficou encantado com a Dilma", resumiu Chico Vigilante.
Da redação, com agências
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Folha
de S.Paulo, 16 de agosto de 2008
Sindicatos pressionam por licença
de 6 meses
Extensão da licença-maternidade
em 60 dias constará da pauta das próximas negociações
salariais com os empregadores
Como a lei estabelece que o benefício é facultativo,
centrais sindicais esperam "sensibilizar" as empresas
para a sua importância
DENYSE GODOY, DA REPORTAGEM LOCAL
JULIANNA SOFIA, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As centrais sindicais prometem adotar a ampliação
da licença-maternidade para seis meses como uma das
bandeiras das próximas campanhas salariais. "Queremos
pressionar para que o benefício, colocado como facultativo
pela lei, seja efetivamente concedido para todas as trabalhadoras",
afirma Quintino Severo, secretário-geral da CUT (Central Única
dos Trabalhadores). O projeto que estende em dois meses a licença,
aprovado na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, aguarda
sanção presidencial.
A Força Sindical já havia colocado a licença de
seis meses em uma pauta genérica entregue à Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) e à Fecomercio
SP (Federação do Comércio do Estado de São
Paulo) em março último. " O benefício fará parte
de todas as negociações dos acordos a serem feitos neste
semestre. Vamos nos empenhar nisso em todos os setores", diz Neuza
Barbosa, secretária nacional da mulher da Força Sindical.
Mas a Fecomercio avalia que não há condições
de colocar o tema na mesa. "Não se pode impor às empresas
a licença ampliada, pois a lei diz que os dois meses adicionais
são facultativos. Cada uma tem que ver se pode aderir", diz
Ana Paula Locoselli, assessora jurídica da entidade. A Fiesp preferiu
não comentar a questão.
Reconhecendo que não podem obrigar as companhias a incorporar
o benefício, as centrais querem "sensibilizá-las" para
a sua importância. "Os empresários têm de parar
de pensar só em dinheiro. Se concederem esse benefício
agora, no futuro terão um cidadão com mais qualidade para
consumir", declarou o presidente da UGT (União Geral dos
Trabalhadores), Ricardo Patah.
" Este é o momento de as empresas mostrarem que têm responsabilidade
social, como sempre dizem", acrescenta Barbosa. "Não se trata
de uma reivindicação das mulheres apenas, mas de toda a sociedade
brasileira."
Justiça
De acordo com especialistas em direito trabalhista, não tem chance
de ganhar na Justiça uma funcionária gestante que decidir
processar a empresa porque esta não aderiu à licença
ampliada. "A legislação é bastante clara ao
estabelecer que a opção é da empresa, não
do empregado", explica Marcos Vinícius Poliszezuk, sócio
do escritório Fortunato, Cunha, Zanão e Poliszezuk. "A
Justiça do Trabalho protege o trabalhador, mas com base na legislação
existente", diz Rosário Gomes da Rocha, do escritório
Fleury Advogados.
Na opinião de ambos, com o passar do tempo o benefício
facultativo tenderá a se transformar em "direito", com
se houvesse uma "alteração" na lei.
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Folha
de S.Paulo, 16 de agosto de 2008
"Generosidade" terá custo
muito alto, diz CNI
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente da CNI (Confederação Nacional da
Indústria), Armando Monteiro, reforçou ontem a
posição da entidade contra a proposta de ampliação
da licença-maternidade. Os argumentos da confederação
foram criticados pela ministra Nilcéa Freire (Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres), que classificou
de "chiadeira" as declarações dos representantes
da indústria.
"A intenção do legislador é generosa, mas o fato é que
tem um custo muito alto para o conjunto da sociedade. Será que isso [mais
dois meses] é uma prioridade no estágio de carência do sistema
educacional e até de problemas no país de miséria absoluta?",
disse Monteiro.
Ele restringiu suas alegações aos custos que o benefício
ampliado terá para o governo. Anteontem, o presidente do Conselho
de Relações do Trabalho da CNI, Francisco Gadelha, já havia
destacado os problemas que a medida pode trazer para a competitividade
da indústria.
Na avaliação de Gadelha, a licença-maternidade de
seis meses pode "sacrificar" a indústria e fazer com
que os empresários parem de contratar mulheres que possam ter
filhos. Ele afirmou ainda que a substituição de uma trabalhadora
por seis meses implicará a contratação temporária
de uma pessoa menos experiente.
Para a ministra, a ampliação da licença-maternidade
para seis meses não traz problemas para as empresas porque o projeto
prevê isenção fiscal como contrapartida do governo. "Não
sei o porquê da chiadeira. A empresa terá um incentivo fiscal.
Esse foi o caminho encontrado no projeto justamente para evitar um maior
enfrentamento. O gasto vai ser do governo", declarou Nilcéa.
Estimativas do Ministério da Previdência apontam que a renúncia
fiscal custará cerca de R$ 800 milhões por ano para a Receita
Federal caso todas as empresas optem pelo programa Empresa Cidadã.
Somente com a adesão do empresário a esse projeto a funcionária
terá direito aos dois meses adicionais de licença-maternidade.
O projeto de lei que amplia o benefício foi aprovado na Câmara
nesta semana e agora vai à sanção presidencial.
A licença ampliada, porém, só deve vigorar em 2010,
porque o governo não terá tempo de incluir a renúncia
fiscal na proposta de Orçamento de 2009, que deverá ser
encaminhada ao Congresso até o final deste mês.
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Congresso
em Foco, 17 de agosto de 2008
Caricatura do Brasil
Osiris Lopes Filho*
A atual Constituição, na sua essência,
vale dizer, no fundamental, tem natureza principiológica.
Daí que as mais de 60 emendas constitucionais já promulgadas
não conseguem desfigurá-la completamente, pois
os princípios que lá permanecem continuam a irradiar
sua influência, criando tensão com as novas regras
introduzidas, muitas em negação ao que dispõe
a principiologia.
Nessa ambiência caótica em que o Executivo exagera
no exercício de suas competências, predominantemente
por medidas provisórias, e o Congresso se omite na produção
legislativa, o papel aberto ao Judiciário é amplíssimo.
Têm-se tido exemplos em que o Supremo Tribunal Federal,
no exercício de sua função primordial
de guarda da Constituição, vai realizando, por
meio das suas decisões, construções constitucionais,
na realidade exercendo uma tarefa de fixar padrões de
comportamento, em vários campos, preenchendo vazios
da lei, suprindo as insuficiências existentes em certos
casos e o exagero dos demais poderes, em outros.
Em realidade, há um princípio que precisa ser
vitalizado pela nossa Suprema Corte, principalmente para reduzir
as arbitrariedades praticadas no âmbito da tributação
e das finanças públicas. Trata-se da transparência,
vale dizer, de dar claridade, abertura à opinião
pública para tomar conhecimento do que ocorre camuflado
nos mecanismos e instrumentos tributários e financeiros,
e das corrupções e desvios que propiciam.
Colocar à luz solar o que está escondido ou
camuflado na aridez das nossas normas jurídicas, consagrando
injustiças, disfunções e extorsões
legalizadas, em detrimento do nosso povo humilde e ainda sumamente
desprotegido.
A predominância de nossa tributação dá-se
mediante tributos indiretos. Em torno de 80% do que é arrecadado
pelo Poder Público, União, estados, Distrito
Federal e municípios, ocorre por meio dessa forma de
tributação. A lei elege como contribuintes, que
devem pagar os impostos, contribuições e taxas,
o setor empresarial – importadores, industriais, prestadores
de serviço, produtores rurais, instituições
financeiras. Arrecada-se concentradamente desses personagens
estratégicos, que incluem no preço final do que
produzem – mercadorias e serviços –, como
custos, esses tributos pagos, que, por mecanismos de mercado,
vão sendo transferidos ao consumidor desses bens, embutidos
nos seus preços finais.
E aí se verifica a maior distorção do
nosso sistema tributário. Embora o princípio
básico da tributação seja o da capacidade
contributiva, vale dizer, a aptidão para suportar o
encargo tributário mantido o nível de bem-estar
e de atividade econômica do contribuinte, a realidade é que
quem suporta efetivamente o Poder Público são
as classes trabalhadoras e média. Milhões de
pessoas de baixa ou média renda, a absorver carga tributária
absurda e injusta, sem ter consciência disso, ou, tendo-a,
sem agir para mudar a situação.
Sem mais alongadas explicações, chego à “maior
distorção” anunciada anteriormente. É que
essa carga tributária, transferida por camuflagem no
mecanismo de preços, vitima regressivamente os de menor
capacidade contributiva. Tanto menor a renda, tanto maior a
carga tributária absorvida pelo consumidor final. Ou,
em outros termos, quanto maior a renda, menor a carga tributária.
Sistema tributário acentuadamente regressivo e injusto.
Esfola os pobres e remediados, protege e premia os ricos. Caricatura
real e verdadeira do nosso Brasil.
*Osiris de Azevedo Lopes Filho, advogado
e professor de Direito na Universidade de Brasília (UnB),
foi secretário da Receita Federal.
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Folha
de Londrina, 17 de agosto de 2008
SEU DIREITO
PREVIDÊNCIA PRIVADA
Qual é o melhor plano
de previdência privada para um investidor jovem, na faixa
etária dos 25 anos, por exemplo?
Existem diversas formas de previdência privada. As mais
comuns são as previdências por classe de trabalho
ou por bancos. As previdências por classe de trabalho
são as previdências específicas de uma
determinada profissão (os advogados possuem a OAB-PREV,
por exemplo). E estas são as que possuem o melhor custo-benefício.
No entanto, caso não tenha a opção de
previdência privada por classe de trabalho, os planos
de previdência oferecidos por bancos também são
uma forma de garantir uma boa aposentadoria. Neste caso, é sempre
fundamental levar em consideração as condições
financeiras daquele que irá se beneficiar do plano escolhido.
Vale lembrar que praticamente todos os bancos atualmente possuem
muitos planos de previdência privada, que se diferem
bastante uns dos outros, a fim de alcançarem públicos
distintos, com variadas condições financeiras
e faixas etárias.
Sendo assim, caso não possua um plano de previdência
por classe de trabalho, e se for optar por um plano de previdência
privada ofertado por um banco, é preciso fazer uma boa
pesquisa de campo.
Vá aos bancos e se informe bem a respeito dos planos
oferecidos, e deixe bem claro as suas condições
financeiras, bem como sua idade e objetivos a médio
e longo prazo. Dessa forma não será difícil
descobrir o plano mais apropriado para o seu perfil de investidor.
Fernando Sasaki, advogado
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Folha
de S.Paulo, 17 de agosto de 2008
Madeira apreendida não tem
destino
Estudo inédito mostra que apenas
4% do material apreendido em Estados amazônicos é destinado
a leilão ou doação
Madeira sem destino vale ao menos R$ 25 mi;
segundo Imazon, mudança na Lei de Crimes Ambientais pode
ajudar a sanar o problema
THIAGO REIS
JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA
Operações de combate ao desmatamento na Amazônia
costumam gerar apreensões recordes de madeira. Estudo
inédito do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente
da Amazônia) mostra, contudo, que há demora na destinação
dessa madeira, o que faz com que ela acabe desviada, podre ou
obsoleta.
Segundo o estudo, apenas 4% da madeira apreendida de 2004 a 2006 em seis
Estados da região amazônica (Amazonas, Pará, Rondônia,
Amapá, Roraima e Acre) teve, de fato, um destino, como doação
ou leilão.
Nesse período, de acordo com os dados, foram apreendidos 178.212
m3 de madeira, o suficiente para encher cerca de 70 piscinas olímpicas.
Desse total, apenas 7.250 m3 foram aproveitados após a fiscalização.
Em quatro Estados, não houve nem sequer 1 m3 destinado. A madeira
restante (170.962 m3) tem valor estimado de ao menos R$ 25 milhões.
Um dos principais problemas apontados pelo Imazon é a baixa prioridade
dada aos bens apreendidos em blitze. "Há um problema grave
na eficácia da destinação. Isso porque há muito
dinheiro investido nas fiscalizações, e pouco na outra
ponta", diz o engenheiro florestal Paulo Barreto, um dos autores
do estudo.
Segundo ele, não há recursos para transporte e armazenamento
do material apreendido. Além disso, o baixo número de procuradores
do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis) torna lenta a conclusão dos processos administrativos,
diz Barreto.
" A demora facilita que os acusados utilizem ou descaminhem os bens, ou
que esses pereçam ou se tornem obsoletos", conclui o estudo. Para
Barreto, antes que sejam tomadas iniciativas para aprimorar a destinação
de apreensões, é preciso mudar a "mentalidade" do órgão
ambiental. "Essa meta de gerar grande número de multas e apreensões
precisa ser revista. Com visão estratégica, é possível
ter efeito punitivo maior", afirma o engenheiro.
Mudança na lei
Para sanar o problema da destinação da madeira, Barreto
e os outros autores -o estudante de direito Hugo Mercês e a aluna
de engenharia ambiental Marília Mesquita- sugerem reestruturar
os aparatos de fiscalização -para que eles possam confiscar
e armazenar os bens-, priorizar a venda e preparar os órgãos
ambientais para disputas na Justiça.
De acordo com Barreto, o decreto assinado no dia 22 de julho pelo presidente
Lula, mudando a Lei de Crimes Ambientais -e reduzindo o tempo de tramitação
administrativa dos processos-, também deve ajudar. "Com menos
instâncias de defesa, há possibilidade de acelerar a destinação",
diz.
Outro ponto positivo do decreto, afirma, é a liberdade dada ao
gestor para decidir o que fazer com o bem apreendido. "Antes era
dada prioridade à doação. Agora não, o que
permite maior número de leilões."
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Folha
de S.Paulo, 17 de agosto de 2008
Governo admite estrangeiros no pré-sal
Presidente Lula é contra discriminar
capital de outros países em novas áreas de exploração
de petróleo no oceano
Intenção do Planalto é fazer
com que parte da produção seja refinada no país,
evitando a exportação apenas de produto bruto
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para tentar vencer as resistências a sua proposta de mudar
as regras para exploração do petróleo na
camada do pré-sal, o governo Lula vai enfatizar que não
pretende adotar um sistema de monopólio na área
nem irá criar restrições à participação
de capital estrangeiro nos novos megacampos.
" Não queremos nem o monopólio da Petrobras nem criar um novo.
Apenas desejamos garantir que essas reservas são propriedade da União.
Não significa que vamos nacionalizar os campos", disse à Folha
um ministro que participa dos debates sobre as novas regras de exploração
do petróleo, que terão de passar pelo Congresso.
Segundo esse ministro, o presidente Lula é contra discriminar
o capital estrangeiro e evitará o velho discurso nacionalista
de que "empresas estrangeiras têm de ficar fora" desse
negócio.
Durante a semana passada, Lula fez vários discursos destacando
que as novas reservas de petróleo descobertas na camada pré-sal
são do "povo brasileiro" e devem ser usadas em benefício
do país. Repetiu mais de uma vez que os recursos devem ser investidos
principalmente na área da educação.
Ele deixou claro ainda que não pretende entregar todas as áreas
ainda não leiloadas do pré-sal à Petrobras, como
defendem alguns diretores da estatal, mas em nenhum momento assumiu como
posição oficial a criação de uma nova estatal
para comandar a exploração dos megacampos.
Segundo a FolhaGoverno admite estrangeiros no pré-sal apurou,
apesar de a idéia da estatal contar com a simpatia de boa parte
do governo, Lula ainda não tem posição fechada sobre
o tema. Em conversa com assessores, ele disse que decidiu falar publicamente
a respeito do pré-sal para provocar um debate nacional sobre o
assunto e envolver a sociedade na definição das novas regras.
Lula considera necessário, porém, alterar as regras atuais
sob o argumento de que elas foram criadas numa realidade diferente, quando
não se sabia que o país tinha reservas de petróleo
como as do pré-sal -região que vai do Espírito Santo
a Santa Catarina e pode conter mais de 70 bilhões de barris de óleo
leve.
Na avaliação do governo, manter a legislação
atual significa deixar que petrolíferas ganhem concessões
e fiquem donas do petróleo explorado, pagando apenas impostos.
A intenção do Palácio do Planalto é garantir
que parte dessa produção fique no país e seja refinada
aqui, evitando que o país exporte apenas petróleo bruto.
Quanto às áreas do pré-sal já leiloadas,
a decisão é não alterar as regras. Será elevado,
contudo, o valor que as petrolíferas deverão pagar em tributos
pelo óleo extraído.
Por enquanto, o governo tem sido elogiado quando diz que pretende usar
a riqueza do pré-sal para investir no país, como na educação,
mas criticado pelas idéias em discussão para mudar as regras.
Novo "cabide"
A criação da estatal, por exemplo, é classificada
pela oposição como um novo "cabide de empregos",
totalmente desnecessária e que pode prejudicar a Petrobras.
O governo, do seu lado, garante que a estatal terá "papel
importante" no processo. Ministros destacam que o fato de ela ter
sido a responsável pelas descobertas do pré-sal é "relevante
e será levado em conta" na definição do modelo.
Por outro lado, ressaltam que a "dependência" do governo
das pesquisas da Petrobras é um "problema" e que o ideal é que
a nova estatal ou a estrutura a ser criada assuma essa responsabilidade.
Uma demonstração de que o Planalto avalia não ter
total acesso a informações da empresa.
Especialistas criticam ainda o governo por decidir acabar com o sistema
de concessão no pré-sal e adotar o modelo norueguês,
onde existem duas estatais -uma para administrar as reservas de petróleo
e outra para explorá-las. Argumentam que bastaria o governo elevar
os tributos pagos pelas petrolíferas para garantir à União
mais recursos na exploração desse petróleo leve.
O Palácio do Planalto, mesmo admitindo que o sistema da Noruega é o
preferido, diz que ele não seria simplesmente copiado se for o
escolhido. Seria necessário fazer adaptações à realidade
brasileira. Uma delas: lá, os recursos do petróleo vão
para um fundo que só investe no exterior. Dele, apenas 4% dos
rendimentos podem ser aplicados no país.
Aqui, a idéia é investir os recursos do pré-sal
em educação e em ciência e tecnologia.
Ao defender sua proposta, Lula cita pesquisa recente sobre o ranking
das dez principais universidades do mundo: oito são norte-americanas
e duas britânicas. O presidente avalia que a aplicação
dos recursos do pré-sal no ensino superior pode representar um
salto de qualidade no setor de pesquisas do país, fundamental
para a montagem de um parque industrial de alta tecnologia.
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