 |
Congresso
em Foco, 18 de agosto de 2008
Os mocinhos do planeta
Márcia Denser*
O preço da civilização é o sacrifício humano – ouvi
esta frase num filme, dita por um general americano vivido por John Malkovich
a propósito das vítimas de testes nucleares, “morrem mil
para quê milhões sobrevivam”, pura retórica hollywoodiana
repetida em dezenas de filmes recentes e antigos. O fato é que o tempo
histórico – a História em si – é determinado
pela elite dominante, o topo da pirâmide, que conta a história
conforme a ideologia de dominação das massas inconscientes do
tempo (“sábio é aquele que organiza o calendário” – segundo
o I Ching, Hexagrama 49, Revolução).
Modernamente, com o excedente de produção, emergem as classes
médias com relativa liberdade para pensar, trabalhar, organizar-se,
situar-se no tempo, com possibilidade de prever os movimentos da História
e adaptar-se a fim de se manter nessa linha mediana de relativa liberdade e
vida suportável, conquanto a classe dominante introduza instrumentos
ideológicos (cultura de massa, filmes de Hollywood, marketing, consumismo)
na produção da vida cotidiana e social com o objetivo de promover
o rebaixamento do nível cognitivo, de maneira que as classes médias
permaneçam médias mas à custa duma pesada alienação
e degradação passivas.
Uma melhora ocorreria se mais elementos médios se tornassem conscientes
e se organizassem no sentido de conter o avanço da dominação.
Ainda que toda a mídia esteja cooptada, todo lazer e diversão,
toda educação, todo turismo, toda ciência, persistem brechas
no sistema de difusão ideológica, através das quais se
entrevê a costura e o desenrolar da trama da verdadeira História.
Tais brechas são a internet, os livros, as redes de relações
sociais. Não é muito, mas é o suficiente.
É preciso manter-se lúcido, desalienado, para manter-se na classe
média onde o nível de vida tornou-se suportável graças à relativa
liberdade de ir e vir, pensar e trabalhar, compreender e antecipar os movimentos
da História para não ser tragado pelos acontecimentos. Enquanto
o preço da civilização for o sacrifício humano.
****************************
Perdida a hegemonia moral desde as trapalhadas no Iraque, hegemonia que vem
sendo minuciosamente erodida desde o fim da guerra fria (1989) e início
dos bombardeios “cirúrgicos”, desde o Golfo (1990), a Bósnia
(1999), então o 11 de setembro (2001), o Afeganistão (2003),
e ainda mais agora com a Guerra no Cáucaso, onde, segundo os relatos
que chegam, o estado de espírito na República da Geórgia
se resume numa pergunta atônita: onde estão os americanos que
disseram que nos protegeriam, que eram nossos amigos? Porque os georgianos
descobriram só agora e na base da porrada o que os latino-americanos
já sabem há mais de um século (e também na base
da porrada): os EUA não estão falando sério quando alardeiam
seu compromisso com a “liberdade e a democracia”.
Em meio a uma fortíssima crise financeira sem precedentes, os Estados
Unidos (e seus mui amigos do G8) acompanham o deslocamento do eixo do poder
mundial na direção da China, o que absolutamente não é o
mal menor para nós, ocidentais, mas este deslocamento talvez interessasse,
uma vez que reintroduziria a polaridade e, com ela, um certo equilíbrio
de forças.
Por outro lado, muita coisa mudou desde o fim da Guerra Fria: 1) A Rússia
está se reerguendo econômica e militarmente e não está mais
afim de levar desaforos pra casa (vide Geórgia); 2) Esta China é um
colosso voraz e também uma voraz imponderabilidade constituída
por milênios de história e 1,3 bilhão de habitantes; 3)
Mas a lógica de um mesmo capitalismo canalha, triunfante e sem fronteiras
agora permeia e corrompe de cabo a rabo todas as gradações do
espectro geopolítico e precisamente por causa deste último detalhe
acredita-se que: 4) Nem chineses, nem russos e muito menos norte-americanos,
ninguém irá se empenhar em tornar-se “os mocinhos do planeta”!
Ou seja, na reconstrução, mesmo hipócrita, de alguma espécie
de utopia. De alguma espécie de ideal.
Capitalismo ou barbárie? Tanto faz, até porque o sacrifício
humano continua sendo o preço da “civilização”.
PUBLICADO EM:18/08/2008
* A escritora paulistana Márcia
Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos
Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana
caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006). Participou
de várias antologias importantes no Brasil e no exterior. Organizou
três delas - uma das quais, Contos eróticos femininos,
editada na Alemanha. Mestre em Comunicação e Semiótica
pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea,
jornalista e publicitária.
|
Agência Diap, 18 de
agosto de 2008
ELEIÇÕES 2008
Calendário eleitoral: propaganda
gratuita no rádio e na TV começa nesta terça
A campanha eleitoral municipal
ganha nova dimensão com o início, nesta terça-feira
(19), da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
De acordo com a lei, ela será transmitida até o dia 2 de
outubro, três dias antes do primeiro turno – dia 5 de outubro.
Clique aqui e
veja a íntegra do calendário eleitoral.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
18 de agosto de 2008 | Economia
Quase todas as 500 maiores empresas
do planeta operam na China
Agência Estado
"O aprendizado será longo e cruel, mas não estar na China é não
estar no mundo". Dessa forma Alberto Miranda, da Fundação
Dom Cabral, resumiu o que significa fazer negócios com o gigante asiático.
A frase, segundo ele, é do diretor-geral da Embraco na China, João
Carlos Lemos a fabricante brasileira de compressores, que já está há 12
anos no mercado que ao mesmo tempo atrai e atemoriza empresários do mundo
todo.
O fator China surge em toda discussão
estratégica de todas as grandes e médias empresas hoje,
garante Miranda, que gerencia o programa China: Oportunidades e Desafios,
voltado a executivos brasileiros interessados em conhecer o mercado chinês.
As oportunidades são múltiplas, mas é necessário
conhecer esse ambiente, tão diverso do nosso. É preciso
definir onde fazer negócio, com que segmento, quais sãos
os concorrentes, conhecer direito empresarial chinês, orienta.
Quase todas as 500 maiores empresas
do planeta listadas pela revista Fortune possuem operações
na China ou têm negócios com o país. Apesar do crescente
interesse brasileiro, atualmente há apenas 35 empresas brasileiras
atuando na China. Algumas já instalaram plantas industriais lá,
como a Embraco, a Embraer (no país desde 2003 em associação
com a estatal Avic 2)) e a fabricante catarinense de motores elétricos
WEG. Outras, contam com escritórios comerciais é o caso
de Gerdau, Suzano, Banco do Brasil e Itaú/BBA.
Desde a entrada da China na Organização
Mundial do Comércio, o país também passou a permitir
a abertura de empresas com capital 100% estrangeiro em alguns segmentos,
como o de autopeças.
Noutros, é necessário
um parceiro chinês. A entrada de empresas estrangeiras só segue
proibida em setores considerados estratégicos, como o militar
e segmentos da aviação, ainda é proibida a entrada
de empresas estrangeiras. A abertura ao capital estrangeiro tem sido
progressiva. Há setores que são incentivados, como aqueles
que trazem tecnologia para a China, destacou Miranda.
Atrativos não faltam no
mercado chinês: mão-de-obra barata, carga tributária
menor, boas condições de infra-estrutura, boas reservas
de capital (poupança e reservas externas). Outra vantagem citada
por Miranda é o planejamento governamental de longo prazo para
a atividade econômica.
Mas a China também tem
suas fraquezas, como a escassez de matérias-primas, água
e de energia limpa cerca de 75% da energia do país é gerada
de termoelétricas base de carvão, o que faz da China o
segundo maior poluidor do mundo.
Miranda também chama a atenção para um problema recorrente:
as cópias. É comum os chineses simplesmente copiarem os processos
das empresas que lá se instalam. Ele recomenda a contratação
de uma boa consultoria em direito empresarial, especialmente em direito de
propriedade intelectual.
Se você proteger
o produto eles vão copiar o processo, se você proteger
o processo e tirar uma patente, eles vão copiar a marca, se
proteger a marca vão copiar o logo, o jingle. Tem que estar
muito bem assessorado em relação a isso e, ainda assim,
poder correr algum risco, alerta.
|
Agência Diap, 18 de
agosto de 2008
CASA PRÓPRIA
Pobres devem ter registro de imóvel
gratuito, defende senador
O registro da escritura pública
do imóvel destinado à residência de família
comprovadamente pobre poderá ser gratuito. Esse é o objetivo
da proposta de emenda à Constituição (PEC 55/05)
do senador José Maranhão (PMDB/PB), que deverá ser
apreciada, nesta quarta-feira (20), pela Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.
Na justificação
da matéria, José Maranhão aponta como uma das
principais demandas da sociedade brasileira o acesso à moradia
digna. O Nordeste, informa o senador, lidera o ranking da carência
habitacional no país, com necessidades estimadas de 2,6 milhões
de residências.
|
Folha
de S.Paulo, 18 de agosto de 2008
Segurança de dados do pré-sal é questionada
Associação dos Engenheiros da Petrobras
indaga Ministério Público sobre contrato de gerenciamento
de informações do petróleo | Banco de dados que
reúne informações sobre atividades de pesquisa e
exploração é gerenciado por braço da Halliburton
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
A Aepet (Associação
dos Engenheiros da Petrobras) acionou o Ministério Público
Federal para questionar um contrato firmado pela ANP (Agência
Nacional do Petróleo) com a empresa norte-americana Halliburton
-que já foi presidida pelo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney,
e é alvo mundial de protestos por conta de obras bilionárias
no Iraque.
A Landmark Digital and Consulting Solutions, subsidiária da Halliburton
no Brasil, é responsável pelo gerenciamento do Banco de Dados
de Exploração e Produção (BDEP) da ANP desde 2001.
Em dezembro de 2005, a diretoria da agência aprovou a renovação
do contrato, sem licitação. Em nota, a ANP informou que o sistema
de gerenciamento de dados da Halliburton já era utilizado pela Petrobras
quando foi transferido para a agência, em 2000.
O BDEP é o principal banco de dados sobre as atividades de pesquisa
e exploração de petróleo no país. Reúne
todas as informações coletadas pela Petrobras e por empresas
privadas em bacias, campos e poços.
Esse acervo ficou ainda mais valioso depois da descoberta do campo de Tupi,
anunciado em novembro do ano passado e que descortinou um imenso potencial
de exploração na costa brasileira. Só para Tupi, são
estimadas reservas de até 8 bilhões de barris.
No BDEP, ficam armazenados os dados de sísmica (que indicam o caminho
para a perfuração e a localização dos reservatórios
de petróleo) e as informações relativas aos métodos
usados nas pesquisas.
As empresas são obrigadas a enviar esses dados à ANP. Muitas
dessas informações são sigilosas -a divulgação
só é permitida após determinado prazo, que pode chegar
a cinco anos, dependendo da informação.
"Sempre questionamos esse contrato, mas agora, com a descoberta do pré-sal,
o acesso aos levantamentos feitos pela Petrobras passa a ser uma questão
crucial. É resultado de 30 anos de pesquisas. E não sei se essa
informação está segura sendo administrada pela Halliburton",
diz Fernando Siqueira, diretor da Aepet.
Quebra de monopólio
A guarda das informações sobre exploração de petróleo
pela ANP foi determinada pela lei 9.748, de 1997, que quebrou o monopólio
da Petrobras e abriu o mercado para atuação de empresas privadas.
Em 2000, a ANP criou o BDEP, que armazena dados "pesados", como os
obtidos por levantamentos sísmicos. São informações
que exigem grande capacidade de processamento e armazenamento. Por isso, o
centro de processamento de dados do BDEP funciona ininterruptamente na sede
do Serviço Geológico Brasileiro, no Rio de Janeiro.
O gerenciamento dos dados é feito por meio de um sistema chamado "petrobank",
que foi desenvolvido pela IBM e depois comprado pela empresa PGS Data Management.
Originalmente, o contrato da ANP foi firmado com a PGS. Mas, em 2001, a empresa
norueguesa foi comprada pela Halliburton -que herdou o banco de dados da ANP.
Técnicos familiarizados com o setor afirmam que só há dois
fornecedores mundiais para esse tipo de gerenciamento: além da Halliburton,
a francesa Schlumberger.
" Há um esforço interno para promover a migração
de soluções tecnológicas de modo a permitir que haja, no
futuro, uma licitação para esse serviço. Ainda que seja
uma competição restrita", diz Douglas Pedra Pereira, presidente
da Associação dos Servidores da ANP.
Segundo ele, a direção da ANP deveria "responder de forma
mais direta" ao questionamento da associação dos engenheiros
da Petrobras: "A crítica da Aepet está marcada pela questão
ideológica. Eles são contra a abertura do mercado. E há um
esforço da agência para remover os entraves que amarram o banco
de dados à Halliburton".
Já o diretor da Aepet afirma que não se trata de uma questão "ideológica",
mas sim de segurança de informações estratégicas: "O
diretor da ANP hoje responsável pelo banco de dados é um ex-diretor
da própria Halliburton [Nélson Narciso, nomeado em 2006]. Quem
conhece a maneira como as empresas americanas de petróleo atuam no mundo
tem direito à desconfiança", diz Siqueira.
|
Agência Diap, 18 de
agosto de 2008
FUNDO DE GARANTIA
Trabalho poderá votar proposta
que altera lei do FGTS
O PL 3.538/04, do deputado Nelson
Marquezelli (PTB/SP), que altera a Lei 8.036, de 11 de maio de 1990,
dispondo sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e dá outras
providências, é um dos destaques desta semana na Comissão
de Trabalho da Câmara.
O objetivo do parlamentar é permitir
a movimentação do saldo da conta vinculada para aquisição
de máquinas e implementos agrícolas. O relator da matéria,
deputado Marco Maia (PT/RS), apresenta parecer pela aprovação
do projeto.
Na última reunião
do colegiado a proposta chegou a ser votada. Mas as divergências
com a matéria, que permeiam no colegiado fez com que o deputado
Paulo Rocha (PT/PA) solicitasse um pedido de verificação,
(confirmar o quorum na comissão). Com o colegiado vazio a sessão
foi encerrada.
A proposta deverá retornar à discussão
e votação, nesta quarta-feira (20), no plenário
12, às 10h.
Terceirização
Também consta na pauta da Comissão, o PL 6.975/06, do deputado
Nelson Pellegrino (PT/BA), que dispõe sobre a formação
compulsória de provisão, pelas empresas prestadoras de serviços,
para o pagamento de obrigações trabalhistas.
A matéria tem como
relator o deputado Sandro Mabel (PR/GO) e seu parecer é pela
aprovação, com emendas.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/08/2008
Multa sobre FGTS: TST nega flexibilização
de direito
Em decisão da Primeira
Turma, o Tribunal Superior do Trabalho negou eficácia a cláusula
de acordo coletivo que permitia a redução de 40% para 20%
da multa sobre o saldo do FGTS, aplicada às empresas nas demissões
sem justa causa. O caso refere-se a ação movida por um
trabalhador de Brasília que, após ser demitido da Juiz
de Fora Serviços Gerais Ltda., entrou na Justiça do Trabalho
contra a Caixa Econômica Federal com o objetivo de, sob alegação
de “culpa recíproca” pela demissão, obter a
liberação do saldo de seu FGTS, abrindo mão da metade
da multa de 40%.
A questão tem origem em
cláusula do acordo coletivo firmado entre os sindicatos patronais
e de trabalhadores da área de asseio, conservação,
trabalho temporário e serviços terceirizáveis do
Distrito Federal, que estabelece a redução – de 40
para 20% – da multa que a empresa é obrigada a pagar quando
demite sem justa causa. Além disso, consta na rescisão
do contrato que a demissão se dá por “culpa recíproca”.
O acordo prevê essa “flexibilização” do
direito sob o compromisso de que o empregado seja admitido na empresa
sucessora da primeira, em contrato de terceirização de
mão-de-obra. No caso em pauta, ocorreu exatamente isso: demitido
pela Juiz de Fora, o trabalhador foi admitido pela empresa que a sucedeu
em contrato de terceirização.
A CEF, no entanto, não
reconheceu a eficácia dessa modalidade de rescisão contratual
para efeito de liberação do fundo de garantia, o que acabou
gerando a controvérsia trabalhista. A sentença de primeiro
grau foi favorável ao pedido do empregado, o que levou a CEF a
tentar revertê-la, na condição de gestora do FGTS.
Após ter seu recurso negado pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF/TO), a empresa apelou ao TST mediante recurso
de revista, insistindo na reforma das decisões anteriores que
a obrigariam a liberar a conta vinculada do trabalhador.
O relator do recurso, ministro
Vieira de Mello Filho, posicionou-se pelo seu provimento, por entender
que o acordo firmado, a pretexto de conferir maior estabilidade aos contratados
por empresas fornecedoras de mão-de-obra, fere direitos fundamentais
dos trabalhadores, além de atribuir nova qualificação
ao instituto da “culpa recíproca”. Para o ministro, “os
sindicatos representativos das categorias profissional e econômica
arvoraram-se em disciplinar, em termos absolutamente distintos do que
faz a lei, o evento da rescisão contratual”.
Após observar que a multa
de 40% é “direito indisponível do trabalhador”,
Vieira de Mello Filho ressaltou que o reconhecimento constitucional da
validade dos instrumentos normativos não implica ampla a irrestrita
liberdade às partes para flexibilização de direitos.
(RR 63/2007-003-10-00.5)
(Ribamar Teixeira)
|