Congresso em Foco, 02 de janeiro de 2009
Cenário desalentador para 2009
Congresso tende a repetir baixa produtividade,
incompetência e oportunismo que marcaram as atividades do ano
passado, diz analista político
Edson Sardinha
Nos anais da história, 2008 será lembrado pela baixa produtividade
legislativa, pela incompetência das lideranças partidárias,
pelas trapalhadas da oposição, pela desarticulação
do governo e pela ocupação, por parte do Judiciário,
dos vazios deixados pelo Parlamento. Para piorar, a julgar pelo cenário
em volta, o ano que se inicia tem poucas chances de ser melhor.
A avaliação desalentadora é feita pelo jornalista
e analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor
de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap). Coordenador da publicação anual Os
Cem Cabeças do Congresso, que faz o mapeamento de quem é quem
no Legislativo, Toninho, como é mais conhecido, diz que o discurso
de que as medidas provisórias (MPs) editadas pelo presidente
Lula foram as grandes culpadas pelo desempenho pífio dos parlamentares
não se sustenta.
“ O discurso fácil de responsabilizar o excesso de medidas provisórias
pelo fraco desempenho do Congresso não convence. Em 2008, por exemplo,
foram editadas 40 medidas provisórias, uma média mensal de 3,33
contra 70 em 2007, média de 5,83, e 67 em 2006, média de 5,58 por
mês”, observa.
Para ele, o Parlamento não tem como fugir de sua própria
culpa pela atuação apagada em 2008. “As principais
características foram a ausência de liderança e
a falta de visão daqueles que atualmente lideram os partidos
no Congresso. Apesar do empenho dos presidentes das Casas, faltou um
projeto próprio do Congresso para assumir a condição
de protagonista do processo legislativo”, avalia.
Pés pelas mãos
Enquanto distribui elogios ao presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), Toninho faz críticas ao presidente do Senado,
Garibaldi Alves (PMDB-RN). “O presidente do Senado, igualmente,
se empenhou para produzir algo de significativo, mas ficou no mero
discurso contra as medidas provisórias.”
Na opinião do analista, Garibaldi “meteu os pés
pelas mãos”, no final do ano, ao devolver a MP que, entre
outras coisas, anistiava entidades filantrópicas irregulares
(leia mais) e ao cobrar da Câmara a promulgação
da emenda constitucional que aumenta o número de vereadores.
Para Toninho, o senador potiguar começa o ano sem ter a certeza
de que conseguirá o apoio de seu próprio partido para
buscar a reeleição.
O diretor do Diap também condena a mudança de postura
da oposição, que, segundo ele, perdeu o rumo ao intensificar
a estratégia de dificultar as votações no plenário. “Antes
teve uma postura cooperativa, porém nos dois últimos
anos passou a fazer oposição sistemática e a obstruir
os trabalhos de modo jamais visto. Perderam todos: governo, oposição
e o povo”, considera.
Para Toninho, os oposicionistas também não souberam
se posicionar diante das crises enfrentadas pelo governo Lula em 2008,
como nos casos dos cartões corporativos, do suposto dossiê com
gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do vazamento de
informações da Operação Satiagraha.
“A oposição não soube tirar proveito desses
episódios. Errou muito na condução desse processo.
O primeiro erro foi desvirtuar as funções da Comissão
de Infra-Estrutura do Senado”, diz, lembrando do episódio
em que o líder do DEM, José Agripino, tentou constranger
a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com uma pergunta sobre sua
atuação como guerrilheira durante a ditadura e acabou
sendo repreendido pela petista e pelos próprios colegas de bancada.
Sem reformas
Contaminado pela sucessão na Mesa Diretora e pelas articulações
em torno da sucessão presidencial de 2010, este ano não
deve ser dos mais produtivos no Congresso, segundo Toninho.
“Na reforma política tende a prevalecer o projeto que
permite a mudança de partido sem perda de mandato. Na reforma
tributária, o máximo que poderá esperar será um
IVA federal, já que não há acordo com os principais
Estados: Minas e São Paulo. No marco regulatório existe
boa chance de aprovação da lei das agências reguladoras.
A regulamentação de MPs pode andar, mas o governo dispõe
de meios para impedir seu avanço”, observa.
Confira a íntegra da entrevista:
Congresso em Foco – 2008 foi um ano sem crises profundas
no Congresso, como a do mensalão e a aérea. Mas, por
outro lado, um ano arrastado, pouco produtivo, por causa das eleições
municipais. Também houve embate entre Judiciário, Executivo
e Legislativo. Quais foram as principais características deste
ano no Legislativo?
Antônio Augusto de Queiroz – As principais características
foram a ausência de liderança e a falta de visão
daqueles que atualmente lideram os partidos no Congresso. Apesar do
empenho dos presidentes das Casas, faltou um projeto próprio
do Congresso para assumir a condição de protagonista
do processo legislativo, que continuou com o Poder Executivo, com uma
forte participação do Judiciário, que tomou decisões
importantíssimas com força de lei, como a súmula
sobre nepotismo. O discurso fácil de responsabilizar o excesso
de medidas provisórias pelo fraco desempenho do Congresso não
convence. Em 2008, por exemplo, foram editadas 40 medidas provisórias,
uma média mensal de 3,33 contra 70 em 2007, média de
5,83, e 67 em 2006, média de 5,58 por mês. No governo
FHC, considerando apenas o período em que as MPs passaram a
bloquear a pauta, a média mensal foi de 6,8, superior às
médias da gestão Lula, e nem por isso o Congresso deixou
de deliberar. Logo, atribuir-se ao “excesso de MPs” a paralisia
da Câmara e do Senado, sem considerar a obstrução
permanente da oposição e a falta de articulação
governista, não parece uma justificativa adequada. Se os lideres
tivessem indicados os membros das comissões mistas, essas MPs
poderiam ter sido votadas bem antes dos 45 dias que autorizam o bloqueio
da pauta.
Faltou comando aos presidentes das duas Casas?
É de justiça registrar que o presidente da Câmara
fez o possível e impossível para fazer a reforma política,
votar a tributária e regulamentar o uso de medidas provisórias,
mas foi boicotado. Jogou todo o peso de presidente da Casa e sua conhecida
determinação para fazer a reforma política, mas
o PSDB foi contra o cerne da reforma e impediu a aprovação
da lista fechada e bloqueada, condição necessária
e suficiente para resolver boa parte dos problemas de corrupção
no Brasil: instituir o financiamento público de campanha e determinar
a vinculação do mandato ao partido. O presidente do Senado,
igualmente, se empenhou para produzir algo de significativo, mas ficou
no mero discurso contra as medidas provisórias. Chegou a ser
inconveniente nessa matéria, ao constranger os presidentes de
outros poderes (Executivo e Judiciário) com sua ladainha contra
as MPs. E ainda cometeu a imprudência de devolver, sem poder,
uma MP sobre filantropia. Agora não sabe o que fazer com a matéria.
Com dois anos de mandato, é possível diferenciar
a atual legislatura da anterior? Houve avanço em algum sentido
na comparação entre as duas?
Do ponto de vista da produção legislativa, o Congresso
fez menos leis importantes que em legislaturas anteriores. Três
fatos podem explicar esse fenômeno: a crise política no
Senado, que levou à substituição de seu presidente;
houve a eleição municipal em 2008 e a oposição
mudou drasticamente sua postura no Parlamento. Antes teve uma postura
cooperativa, porém nos dois últimos anos passou a fazer
oposição sistemática e a obstruir os trabalhos
de modo jamais visto. Perderam todos: governo, oposição
e o povo. O saldo, do ponto de vista da imagem, entretanto, foi bom.
A Câmara deu um salto de qualidade enorme. Seu presidente, o
petista Arlindo Chinaghia, teve uma gestão austera e muito equilibrada,
além de ter mantido a Casa longe dos escândalos. Agiu
com autoridade, legitimidade e participação, consultando
o Colégio de Líderes antes da definição
da pauta, porém sem abrir mão de sua prerrogativa de
presidente.
A Câmara sai mais forte que o Senado?
O Senado, por sua vez, foi a trincheira de oposição
ao governo. Além de rejeitar a CPMF em 2007, criou uma série
de embaraços ao governo Lula, porém não saiu com
a imagem tão positiva quanto a Câmara. A aprovação
de projetos polêmicos sem real compromisso, a utilização
da comissão de infra-estrutura como palanque político
e a tentativa de devolução da MP da Filantropia, sem
amparo legal, cheirou a oportunismo.
No final deste ano, os presidentes da Câmara e do Senado
andaram se desentendendo por causa da PEC dos Vereadores e da MP
das Filantrópicas. Que conclusão é possível
tirar desses episódios? Qual dos dois conclui seu período
de comando na Casa mais fortalecido politicamente?
A principal conclusão é que a demagogia e o oportunismo
nem sempre são boas conselheiras. O presidente do Senado meteu
os pés pelas mãos e saiu muito mal desses episódios.
No primeiro (devolução da MP) foi imprudente. Não
verificou antes se havia base legal. No segundo, ao tentar promulgar
parcialmente a PEC dos Vereadores, apesar da supressão do dispositivo
que proibia aumento de despesas, cometeu outro erro. Tenta a reeleição
enfraquecido e com forte desconfiança do governo. Já o
presidente da Câmara fechou o mandato com dois grandes feitos:
a Lei Seca, uma iniciativa da Casa, e a recusa de assinar a promulgação
da proposta de emenda constitucional que aumenta o número de
vereadores. A Câmara hoje é mais respeitada do que foi
nos anos anteriores.
Este ano, as crises políticas se resumiram basicamente
aos cartões corporativos, com o suposto dossiê com gastos
do ex-presidente FHC, e às denúncias de vazamento de
informações da Operação Satiagraha. Nenhuma
delas, porém, atingiu diretamente o presidente Lula. O ano
foi negativo para a oposição no Congresso?
A oposição não soube tirar proveito desses episódios.
Errou muito na condução desse processo. O primeiro erro
foi desvirtuar as funções da Comissão de Infra-Estrutura
do Senado, presidida pelo senador tucano Marconi Perillo, ao transformá-la
em comissão parlamentar de inquérito no episódio
do vazamento de informações sobre os gastos do ex-presidente
FHC. O segundo foi do líder do DEM ao lembrar a condições
de ex-guerrilheira da ministra Dilma Rousseff, que aproveitou a oportunidade
para lembrar sua condição de torturada e faturar em cima
da pergunta do democrata. No terceiro, apesar da denúncia que
envolvia a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e
o chefe de gabinete do presidente, a oposição não
teve foco nem força política para dar seguimento à investigação,
desgastada por erros nos episódios anteriores.
E o que se pode esperar, em termos de produção
legislativa, em 2009?
O Congresso tem feito esforços grandes sobre determinadas matérias,
mas morre na praia. Isso aconteceu em 2007, com a CPMF; em 2008, com
a reforma política; e poderá ocorrer em 2009, com a reforma
tributária. Se jogarem todas as fichas nessa reforma, o Congresso
corre o risco de perder mais um ano. Infelizmente, a agenda para 2009
não é muito alentadora. Na reforma política tende
a prevalecer o projeto que permite a mudança de partido sem
perda de mandato. Na reforma tributária, o máximo que
poderá esperar será um IVA federal, já que não
há acordo com os principais Estados: Minas e São Paulo.
No marco regulatório existe boa chance de aprovação
da lei das agências reguladoras. A regulamentação
de MPs pode andar, mas o governo dispõe de meios para impedir
seu avanço. Os recursos para a Saúde, seja a criação
da Contribuição Social para a Saúde, seja a regulamentação
da Emenda Constitucional 29 ganha força, dependendo do desempenho
das receitas do governo. Os projetos de defesa da concorrência,
do cadastro positivo e do repatriamento de recursos mantidos no exterior
podem andar, mas a PEC dos Precatórios continuará tendo
dificuldades. Haverá também muita pressão para
votação de matérias previdenciárias, como
o fator e reajuste dos benefícios com base no salário
mínimo, de matérias trabalhistas, como a flexibilização
das relações de trabalho, especialmente a terceirização
e a alternativa à chamada Emenda 3, além da redução
de jornada de trabalho. As perspectivas, em face da proximidade do
processo sucessório e também das disputas que inevitavelmente
vão ocorrer na sucessão no Congresso, não são
muito boas. De qualquer forma, o governo, com exceção
das matérias orçamentárias e poucos temas administrativos,
dependerá muito pouco do Congresso.
O PT tem sustentação para derrotar uma candidatura
do PMDB no Senado? Há alguma possibilidade de Temer não
se eleger na Câmara?
O PT só terá condições de eleger o presidente
do Senado se contar com a oposição e não parecer
haver essa disposição. Portanto, ou se entende com o
PMDB, ou não fará o presidente da Casa. Em caso de o
PT ceder ou perder no Senado, a candidatura Michel Temer pode sofrer
forte abalo, mas dificilmente ele deixará de ser eleito. Desde
que o Supremo decidiu que o mandato pertence ao partido, basta que
os demais partidos da base proíbam as candidaturas de seus parlamentares,
para resolver o problema e Michel ser eleito em disputa com outro colega
seu do PMDB. Haverá muita negociação política
em torno da sucessão nas duas Casas, mas dificilmente haverá surpresas.
Os partidos estão mais unidos e disciplinados. Por exemplo:
se Sarney sair candidato no Senado, o PT poderá abrir mão,
mas a possibilidade de o PMDB ceder também existe. Logo, o assunto
poderá ser resolvido pela via da negociação. A
pior coisa que pode acontecer ao governo seria uma disputa acirrada
com reflexo sobre a unidade da base no Congresso.
Que reflexo a eleição na Câmara e no Senado,
logo no início do ano que vem, pode ter para as eleições
presidenciais de 2010?
Uma disputa acirrada na base será o de pior que poderá acontecer
na perspectiva de aliança para 2010. O fim da verticalização
irá estimular os partidos a lançarem candidatos. E, dependendo
do resultado da crise, poderá haver espaço para uma terceira
via. A população não está plenamente satisfeita
com o governo do PT. Está com Lula. Nem tem saudades do PSDB.
Logo, o espaço está aberto. Muito provavelmente, independentemente
da eleição das Mesas do Congresso, o PMDB terá candidato
próprio ou se dividirá entre pelo menos duas candidaturas:
a do PT e a dos tucanos. Além disso, será a primeira
eleição sem Lula e também não terá candidato à reeleição,
portanto, as oportunidades são grandes para os partidos.
Apesar da crise econômica internacional, o presidente
Lula chega ao fim do ano colecionando recordes de popularidade. Os
partidos da base governista tiveram uma vitória expressiva
nas eleições municipais deste ano. Mas é possível
falar em transferência de votos, já que o tucano José Serra,
por outro lado, aparece à frente nas pesquisas de intenção
de voto? Quem se fortaleceu no PT em 2008 com vistas a 2010?
O presidente Lula colhe os frutos do bom desempenho da economia, dos
resultados dos programas sociais e do apoio político no Congresso,
além da ausência de oposição consistente
do ponto de vista programático. A coincidência de agenda
entre o governo do PT e o programa de José Serra, do PSDB, por
exemplo, é enorme. A base do governo elegeu 72% dos prefeitos
do país, com grande destaque para o PMDB, o PT e os partidos
do chamado Bloquinho (PSB, PDT, PCdoB, PRB e PMN). A idéia da
transferência de votos, numa eleição municipal,
na qual o prefeito candidato à reeleição conviveu
sem problemas com Lula durante dois anos, é absolutamente ilusória.
O eleitor pensa localmente e, ao verificar que houve sintonia entre
o prefeito e o presidente, mesmo o prefeito sendo de oposição,
vota localmente. Na eleição presidencial, como é nacional
e também se trata de sucessão do presidente Lula, a possibilidade
de transferência de votos é real. O episódio dos
mensaleiros e dos aloprados, assim como o do caseiro, com ou sem razão,
prejudicou muitas lideranças importantes do PT. O partido, com
exceção dos ministros Dilma, Fernando Haddad e Tarso
Genro e do presidente da Petrobras, Gabrieli, e do ex-prefeito de BH
Patrus Ananias, não dispõe de grandes nomes para a disputa.
Em função disso, a ministra Dilma tende a ser mesmo a
candidata. A alternativa seria o Palocci, se for inocentado no STF
e voltar para um ministério de destaque, ou do ministro da Educação,
que será muito prestigiado em 2009. A disputa, dependendo do
resultado da crise, ficará mesmo entre o PT e o PSDB. Só na
hipótese de agravamento da crise, com perda acelerada de legitimidade
do governo, é que surgirá espaço para candidato
de terceira via.
Que grande lição o PT tirou dessa eleição
municipal e que deve servir de alerta para 2010?
O erro de escolher como parceiro principal na eleição
municipal o PMDB. Deixou de disputar como cabeça de chapa em
BH e Goiânia, e, em função disso, por exemplo,
perdeu o primeiro lugar em número de voto para o PMDB, além
de ter perdido a disputa contra o PMDB em Salvador e Porto Alegre.
E o PMDB não lhe fará o gesto de ceder a presidência
do Senado e dificilmente apoiará integralmente a candidata do
PT em 2010. O PT, para quem foi vítima de grandes campanhas,
até que se saiu bem da eleição. Cresceu em número
de prefeitos e vereadores, mas perdeu boa parte da militância.
O partido passou a depender do desempenho do governo federal para crescer,
com o conseqüente distanciamento dos movimentos sociais, que migram
para os partidos do bloquinho de esquerda. Se perder o governo federal,
a tendência é que o PT reduza seu tamanho a partir de
2014.
E, para a oposição, quais os grandes desafios
em 2009?
Manter-se unida, fugir do estigma de neoliberal e ampliar o leque
de alianças, já que dispõe de candidaturas muito
competitivas, como a de José Serra ou de Aécio Neves.
Se a crise se agravar, as chances de fazer o sucessor são muito
grandes.
O senhor vê alguma possibilidade de as reformas tributária
e política serem aprovadas no próximo ano pelos parlamentares?
Ou o destino delas continuará mesmo sendo a gaveta?
A reforma política, infelizmente, tende a limitar-se ao projeto
que abre uma janela, ou seja, restabelece a possibilidade de mudança
de partido sem perda de mandato. Na reforma tributária, dificilmente
passará do IVA federal, se persistir a oposição
do Sudeste, que detém o PIB nacional.
A tendência é o Judiciário continuar intervindo
onde o Legislativo tem falhado e, assim, intensificando o atrito
entre os Poderes?
O Judiciário continuará fazendo valer o texto constitucional.
Por exemplo, se o governo e o Congresso não regulamentarem a
aposentadoria especial do servidor público, o Supremo irá garantir
esse direito aos servidores. O mandato de injunção está funcionando
e a tendência é que o STF faça a norma, pelo menos
enquanto o Congresso não a fizer. E é salutar que seja
assim. O Congresso, por exemplo, jamais aprovaria o fim do nepotismo
nem instituiria a fidelidade partidária. Oxalá o Supremo
continue cumprindo seu papel de guardião da Constituição,
dando-lhe eficácia plena naquilo que os outros poderes falharem.