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Agência Senado, 6 de janeiro de 2009
CAS analisa proposta de valor mínimo
para Auxílio-Acidente
Aguarda recebimento de emendas na Comissão de Assuntos Sociais
(CAS) o projeto de lei nº 476/08 que altera o Regime Geral da Previdência
Social (RGPS) para estabelecer o valor mínimo do Auxílio-Acidente.
De acordo com a proposta do senador Paulo Paim (PT-RS), o valor corresponderia
a 50% do salário-de-benefício, observado o limite mínimo
de um salário mínimo, e seria devido até a véspera
do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito
do segurado.
Em sua justificação, Paim lembrou que o direito a este
benefício só teve estabelecidas restrições
a partir da promulgação da Lei nº 8213/91, que regulamentou
o Plano de Benefícios da Previdência Social. Com isso,
assinalou, o benefício que antes era vitalício passou
a ser temporário e foi revogada a possibilidade de dois Auxílios-Acidente
em caso de duplo infortúnio. O senador também disse que
a legislação atual contraria a Constituição
federal (§ 2º do art. 201), onde está estabelecido
que nenhum benefício que substitua o salário-de-contribuição
ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior
ao salário mínimo.
"A redação primitiva da lei de regência,
mandava que se calculasse o benefício sobre o salário-de-contribuição
do segurado vigente no dia do acidente, não podendo ser inferior
a esse percentual do seu salário-benefício. A redação
atual é prejudicial ao acidentado, pois rebaixa consideravelmente
o valor mensal do infortúnio laboral. Agrava-se a situação
quando o valor do salário-de-benefício corresponde ao
valor do salário mínimo, pois nesta hipótese o
valor do Auxílio-Acidente corresponde a 50% do salário
mínimo" - afirma o senador na justificativa do projeto.
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O Estado de S.Paulo, 6 de janeiro de 2009
Direita quer juntar cacos e já tenta
se rearticular para 2010
Com medo de não saírem fortalecidos nas disputas estaduais
e presidencial de 2010, os três principais partidos da direita
nacional – PSDB, DEM e PPS – marcaram para fevereiro reunião
que tentará colar estilhaços advindos principalmente da
disputa de 2006. Mas, declaração do presidente dos demos,
Rodrigo Maia, demonstra que ao menos entre o ex-PFL e os tucanos, os
acertos não serão fáceis.
“ Não vamos aceitar que o PSDB tente resolver seus problemas
políticos na Bahia criando uma situação difícil
para nosso partido”, disse Maia referindo-se ao assédio
dos tucanos sobre o ex-governador Paulo Souto para a disputa ao governo
baiano.
Outra aresta com a qual a direita terá de lidar é a
situação criada no Rio Grande do Sul a partir do racha
entre a governadora Yeda Crusius (PSDB) e seu vice Paulo Feijó (DEM). “Nosso
primeiro movimento é para reaproximar os dois grupos”,
declarou o líder do DEM.
Porém, o foco central da direita é lançar uma
candidatura capaz de levar os tucanos de volta ao governo federal.
Sem nomes competitivos, DEM e PPS apoiarão o PSDB, que deverá lançar
José Serra ou Aécio Neves. A aliança entre as
três legendas, que Maia chama de “plural”, e a antecipação
das discussões em torno desta costura objetivam não só tentar
fortalecer a combalida oposição, mas também evitar
que se repitam em 2010 os “conflitos entre aliados”, conforme
destacou o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. “Não
queremos chegar à situação de o candidato a presidente
não poder sequer visitar determinados estados”, explicou
em alusão à falta de campanha para o então candidato
Geraldo Alckmin no Rio de Janeiro, Tocantins, Amazonas e Bahia.
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Congresso em Foco, 6 de janeiro de 2009
Brasileiro paga R$ 2.310 por ano em
impostos
Impostômetro aponta que, só nos
cinco primeiros dias de janeiro, foram pagos R$ 16 bilhões
em tributos. Ano passado, foram R$ 800 por segundo
Eduardo Militão
Os brasileiros que se preparem. Se 2009 repetir o ano anterior, a
arrecadação de tributos vai garfar R$ 2.310,04 de cada
cidadão até 31 de dezembro. Apenas nos primeiro cinco
dias de janeiro foram arrecadados R$ 16 bilhões em impostos,
contribuições e taxas. O ano passado fechou a conta em
R$ 1,06 trilhão em tributos.
A conta é do Impostômetro, medidor dos tributos arrecadados
pelos governos federal, estaduais e municipais, criado pelo Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) e pela Associação
Comercial de São Paulo.
Mesmo sem a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), que garantia R$ 40 bilhões por ano à União,
a arrecadação subiu de R$ 926 bilhões em 2007
para R$ 1,06 trilhão – aumento de 14,5%, ou 7,6%, quando
se desconta a inflação medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE.
ARRECADAÇÃO DE TRIBUTOS SOBE
14,5%
(em R$ milhões)

Fonte: Impostômetro, do IBPT
Em 2008, a União ficou com a maior parte das receitas, R$ 752
bilhões, com 71% da arrecadação.
Só de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o governo
arrecadou R$ 34,6 bilhões. A Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide), o chamado imposto dos combustíveis,
R$ 7,6 bilhões.
Mas a maior arrecadação veio de uma cobrança
que o cidadão nem percebe, segundo balanço divulgado
pelo IBPT. Só de Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS), o brasileiro pagou R$ 202 bilhões,
cerca de 19% de toda a arrecadação.O tributo estadual
incide sobre quase todo tipo de produto, como alimentos, materiais
de construção, roupas e automóveis.
Em segundo lugar, o Imposto de Renda foi responsável por uma “mordida” do
Leão de R$ 184 bilhões. A contribuição
para a Previdência Social cobrou R$ 168 bilhões dos cidadãos.
E a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social,
R$ 110 bilhões.
Capitais
A maior cidade do país, São Paulo, é responsável
por cobrar R$ 23 bilhões em impostos, contribuições
e taxas de seus habitantes.
No Rio, foram R$ 9 bilhões. Em Brasília, quase R$ 5
bilhões. Em Salvador, R$ 2,5 bilhões. Os moradores de
Manaus pagaram quase R$ 2 bilhões em tributos.
R$ 800 por segundo
Segundo o IBPT, os brasileiros pagam em média R$ 800 de tributos
por segundo, R$ 50 mil por minuto, R$ 3 milhões por hora, R$
51 milhões por dia e R$ 2,2 bilhões por mês.
Pelos cálculos do Impostômetro, cada brasileiro paga
R$ 2.310,04 em impostos por ano.
Carga tributária
De acordo com estudo do diretor do IBPT, o advogado tributarista Gilberto
Luiz do Amaral, a carga tributária do Brasil cresceu. Nos primeiro
nove meses do ano passado, representou 36,36% do Produto Interno Bruto
(PIB). No mesmo período de 2007, era de 35,09%.
Em 2005, a carga tributária era de 34,13% do PIB. O IBPT estima
que 2008 tenha terminado com uma carga de 36,6%.
A assessoria do Ministério da Fazenda foi procurada pelo Congresso
em Foco, mas não retornou os contatos da reportagem.
A assessoria da Receita Federal disse que não pode comentar
os números do IBPT porque não sabe qual a metodologia
utilizada. E afirmou que não tem como avaliar se os serviços
prestados à população são condizentes,
em quantidade e qualidade, com a carga tributária paga pelos
cidadãos.
Fonte de informações
O Impostômetro – ou Sistema Permanente de Acompanhamento
das Receitas Tributárias – utiliza como fonte de informações
a Receita Federal, a Secretaria do Tesouro Nacional, a Caixa Econômica,
Tribunal de Contas da União, o IBGE, o Conselho Nacional de
Política Fazendária, as Secretarias Estaduais de Fazenda
e os tribunais de contas dos estados.
Segundo o IBPT e a Associação Comercial, as estimativas
utilizadas se baseiam na arrecadação de impostos do mesmo
período do ano anterior, atualizados pelo crescimento médio
dos impostos nos últimos três meses. As projeções
são feitas da mesma forma.
Conheça
o Impostômetro
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Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2009
Congresso
PDT cogita sair do “bloquinho” para
transferir apoio a Temer
Candidatura do peemedebista pela presidência
da Câmara dos Deputados ganha força. No Senado,
Tião Viana (PT) diz que já tem 52 dos 81 votos
para assumir o comando
Favorito na disputa pela presidência da Câmara, o deputado
Michel Temer (PMDB-SP) obteve mais uma vitória: a sinalização
que o PDT o apoiará. Temer conversou com o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, que deu indícios de que seu partido deverá romper
o apoio à candidatura do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para
ficar ao seu lado.
“É muito provável que o PDT venha conosco”,
afirmou Temer, um dos poucos parlamentares presentes ontem no Congresso. “O
ministro Carlos Lupi disse que há uma tendência de o PDT
apoiar a minha candidatura. Mas vamos esperar o partido se manifestar.” Se
o PDT apoiar a candidatura de Temer, o peemedebista contará com
o maior número de partidos a seu favor em comparação
aos demais candidatos à presidência da Câmara. Já oficializaram
apoio a Temer o PMDB, PSDB, DEM, PTB, PPS, PR, PV, PSC e PHS.
A mudança de lado, se ocorrer, vai impactar diretamente na
eleição presidencial de 2010. O PDT, ao deixar o chamado “bloquinho” (composto
ainda por PSB, PCdoB, PMN e PRB) poderá apoiar o candidato do
PT para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A escolha natural, até agora, era compor a chapa de Ciro
Gomes (PSB).
Temer disse ontem que já visitou todos os gabinetes da Casa
e que pretende passar o mês de janeiro em Brasília na
articulação da campanha. Segundo ele, que já foi
presidente da Câmara, o tipo de campanha que dá mais resultado é baseada
em dois pilares: a questão institucional e o diálogo
direto com os deputados. Tanto é que o peemedebista dispensa
folheto, cartazes ou quaisquer outros suportes que normalmente são
utilizados em campanhas eleitorais.
Disputam com Temer a presidência da Câmara os deputados
Aldo Rebelo, Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Esquivando-se
de polemizar sobre seus concorrentes, o peemedebista disse que essas
candidaturas são “normais e naturais”.
Temer descartou a hipótese de a falta de consenso na disputa
pela presidência do Senado contaminar a eleição
na Câmara. Segundo ele, são processos independentes e
que não interferem entre si. O atual presidente do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB-RN), se lançou candidato e quer garantir sua manutenção
no cargo. Já o PT insiste no nome do senador Tião Viana
(PT-AC) que, da sua casa em Rio Branco, tem disparado correspondências
e telefonemas para todos os colegas eleitores. Otimista, Tião
disse que “já conta com 52 votos a seu favor”. Ontem
ele distribuiu uma carta aos 81 senadores pedindo votos. Sem querer
revelar os apoios dos partidos costurados em torno de sua candidatura,
o senador afirma que reuniu votos nos principais partidos tanto da
base aliada como da oposição.
A candidatura de Garibaldi está sendo questionada, pois o regimento
da Casa não permite a reeleição do presidente
na mesma legislatura. O peemedebista argumenta que assumiu o cargo
na vaga do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para um “mandato-tampão”,
e isso lhe daria o direito de concorrer novamente. Assim como Garibaldi,
Tião só desembarca em Brasília na próxima
segunda-feira, quando irão buscar o voto dos indecisos.
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Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2009
Embate
Deputados querem “enquadrar” Judiciário
Parlamentares estão insatisfeitos
com o que consideram intromissão nos assuntos legislativos.
Mandato do ministro do STF pode ser limitado para 11 anos
Parlamentares agastados com a intromissão do Judiciário
em assuntos políticos, particularmente em 2008, preparam uma
ofensiva contra os tribunais a ser desencadeada depois do recesso.
Mesmo reconhecendo a omissão do Congresso como o combustível
que animou a interferência “legislativa” dos magistrados,
parlamentares elaboram projetos para “enquadrar” o Judiciário.
Assim que iniciarem os trabalhos da Câmara, o deputado Flávio
Dino (PCdoB-MA), por exemplo, vai apresentar uma proposta de emenda
constitucional para fixar mandato de 11 anos para os ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF), hoje vitalício – a aposentadoria
compulsória ocorre aos 70 anos. “Nós tínhamos
um tribunal historicamente mais técnico do que político. À medida
que o Judiciário, em geral, e o STF, de modo mais evidente,
assumem crescentemente o papel de arbitramento de outros conflitos,
a consequência para mim é que deve ter uma regra que permita
uma alternância”, defende.
Temas que atualmente passam pelo STF, como a competência criminal,
ficariam no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “O Supremo
ficaria com essa competência apenas no que se refere ao presidente
da República e aos parlamentares. O Supremo julgar casos criminais,
como ocorre hoje, por mais relevantes que eles sejam, é totalmente
atípico para um tribunal constitucional”. Dentro desta
linha, o caso do banqueiro Daniel Dantas, por exemplo, não estaria
sendo analisado pelo STF.
Outro projeto que pode gerar polêmica é o que obriga
a Justiça Eleitoral a julgar os processos envolvendo políticos
no prazo máximo de oito meses, de autoria do deputado Geraldo
Magela (PT-DF).
Divergências
A temperatura aumentou no ano passado como reflexo de algumas decisões
tomadas pelo STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A súmula
antinepotista editada pelo Supremo, proibindo a contratação
de parentes nos três poderes, causou mal-estar no Congresso.
No front eleitoral, a divulgação pela Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB) da relação de candidatos
a prefeitos e vice-prefeitos fichas-sujas – incluindo vários
deputados no rol – azedou a relação com o Congresso.
Já a decisão do TSE de mandar cassar o mandato do deputado
infiel Walter Brito Neto (PB) provocou atritos entre a Câmara
o presidente da corte, Carlos Ayres Britto.
Insatisfação
O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo
na Câmara, identifica uma grande insatisfação de
parlamentares com o que consideram interferência do Judiciário
nas prerrogativas do Congresso. Um exemplo disso é a demora
na votação dos projetos de aumento salarial dos ministros
do Supremo e dos membros do Ministério Público que estão
na lista de espera desde 2006. “Resolvendo as questões
pendentes, aumenta a boa vontade do Congresso com as demandas do Judiciário”,
afirmou Barros.
Ele cita entre os assuntos prioritários nessa relação
a votação de um projeto que responsabiliza o procurador
que apresentar denúncia infundada à Justiça. “O
procurador tem direito de fazer o que quiser, mas tem de responder
pelo que faz”, disse. “Não dá para ser assim:
o procurador denuncia, divulga na imprensa, acaba com o patrimônio
do político, que é a sua imagem, e depois se comprova
que a acusação é infundada e fica por isso mesmo?”,
questiona. Barros quer também mudanças para o acesso
ao cargo de juiz. “Tem de aumentar o período de experiência
para o concurso de juiz”, propõe.
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Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2009
Previdência
Aposentadoria em meia hora é concedida
a 2 mil pessoas
A publicação de um decreto presidencial no último
dia de 2008 promete desburocratizar o direto à aposentadoria
no país: desde sexta-feira o Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) tem emitido em até meia hora a aposentadoria por idade
de trabalhadores urbanos. Antes, esse prazo dependia da apresentação
de documentos e podia se estender por mais de três semanas. Estima-se
que 2 mil pedidos foram atendidos ontem pelo novo sistema em todo o
Brasil.
A mudança se deve à validação de dados
do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Até o
ano passado, apenas as informações posteriores a 1994
registradas no CNIS valiam para o reconhecimento da aposentadoria do
trabalhador. Agora, todos os dados do CNIS desde 1976 servem como comprovante
do tempo de contribuição. “Antes era um processo
mais burocrático porque, para dados anteriores a 1994, era necessário
fazer uma pesquisa e pedir documentos complementares”, explica
a gerente-executiva substituta do INSS em Curitiba, Laura Bianco. “O
CNIS não era a prova plena para a concessão da aposentadoria
por idade. Agora, ele basta”, sintetiza o presidente da Associação
em Defesa dos Consumidores e Contribuintes (Adec), Mario Miyasaki.
Por enquanto, o prazo de 30 minutos para o reconhecimento do benefício
vale apenas para a aposentadoria por idade de segurados urbanos. Em
março, a regra se estenderá à aposentadoria por
tempo de contribuição para trabalhadores urbanos e, em
julho, à aposentadoria por idade para trabalhadores rurais.
Para obter o benefício, o contribuinte deve ligar para o 153
ou acessar o site da Previdência Social (www.previdencia.gov.br)
e agendar um horário na agência do INSS mais próxima.
O atendimento geralmente ocorre em até 15 dias. No INSS, o extrato
das contribuições é emitido na hora e, caso não
haja discordância, o direito à aposentadoria é reconhecido
no ato. Ontem, dos três contribuintes que foram à sede
do INSS em Curitiba, dois saíram com a aposentadoria garantida,
enquanto o terceiro teve de apresentar outros documentos.
O presidente da Adec recomenda que o trabalhador leve, de qualquer
forma, documentos que comprovem o tempo de contribuição,
para casos em que haja discordância com os dados do CNIS. “O
CNIS não considera, por exemplo, se o contribuinte trabalhou
em atividades de risco ou insalubres. Nesses casos, há um acréscimo
de 15% a 40% no tempo de contribuição. Se a pessoa aceita
aquela aposentadoria apenas com as informações do CNIS,
ela vai estar sendo prejudicada.” Laura Bianco, do INSS, afirma,
porém, que as aposentadorias que envolvem atividades insalubres
são calculadas apenas por tempo de contribuição – e
que, portanto, não estariam envolvidas no novo processo.
Miyasaki lembra também que o trabalhador pode ter mais de um
número de identificação social, o PIS, e assim
ter mais de um extrato a ser emitido para o cálculo da aposentadoria. “É importante
levar a carteira de trabalho para fazer a contraprova.” Ele recomenda
que, caso o contribuinte ainda não tenha recebido o primeiro
benefício e queira contestar o valor da aposentadoria, o trabalhador
entre com um processo administrativo no próprio INSS e não
saque o dinheiro.
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Gazeta do Povo, 6 de janeiro de 2009
Juros
Mercado vê corte de 0,5 ponto
na Selic
Diante dos sinais de desaceleração da economia brasileira
e da percepção de que a inflação deve ficar
sob controle em 2009, o mercado financeiro já aposta em um corte
maior dos juros daqui a duas semanas, quando o Comitê de Política
Monetária do Banco Central (Copom) se reúne pela primeira
vez neste ano. Segundo o relatório Focus – pesquisa feita
semanalmente pelo BC com aproximadamente 80 analistas de bancos e empresas
de consultoria –, a projeção média é de
uma queda de 0,5 ponto porcentual nos juros em janeiro, o que levaria
a taxa para 13,25% ao ano. A estimativa para o crescimento do PIB em
2009, por sua vez, caiu para 2,4%.
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Folha de S.Paulo, 6 de janeiro de 2009
FGTS pode destinar mais R$ 900 mi a
fundo perdido
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo quer usar parcela maior do lucro do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) em aplicações em títulos
públicos para subsidiar empréstimos habitacionais a famílias
de baixa renda. A ideia é elevar em cerca de R$ 900 milhões
o dinheiro dos trabalhadores usado a fundo perdido.
A proposta consta do esboço do novo Plano Nacional de Habitação
(Planhab), sendo negociado pelos ministérios das Cidades e da
Fazenda e pela Caixa Econômica Federal para ser anunciado pelo
presidente Lula até o final do mês, mas que encontra resistências
dentro do próprio governo.
Pelas regras atuais do FGTS, é possível usar até 50%
do lucro do fundo para reduzir o valor que famílias com renda
até R$ 1.900 terão que financiar. Isso faz com que a prestação
fique menor para esses mutuários. A medida em discussão
prevê aumentar para 80% essa parcela e também ampliar a
renda das famílias beneficiadas.
Como no orçamento do FGTS para este ano a previsão é que
esses subsídios somem R$ 1,6 bilhão, a medida elevaria
esse valor para mais de R$ 2,5 bilhões. O problema é que
o lucro com rendimento das aplicações dos recursos que
o FGTS tem em caixa no mercado financeiro, mais especificamente em títulos
atrelados à taxa Selic, serve para garantir a sustentabilidade
do FGTS no longo prazo.
Como esse ganho financeiro é maior do que o rendimento que o fundo
tem de pagar aos trabalhadores, há uma sobra. Metade dessa sobra
vai para subsidiar habitação para baixa renda e o resto
serve como espécie de reinvestimento no próprio fundo,
para garantir que tenha recursos diante de eventuais passivos, mudanças
de cenário econômico, queda da atividade ou saques maiores.
Por isso, os críticos da proposta argumentam que a ampliação
do subsídio com o lucro do fundo pode comprometer a saúde
futura do FGTS e dizem que os recursos para esse tipo de medida tem que
sair do Orçamento da União e não do fundo dos trabalhadores.
O novo plano de habitação sugere ainda a adoção
de estímulos para que os financiamentos para as classes média
e alta sejam feitos com recursos privados, oriundos da caderneta de poupança.
Isso permitiria concentrar o dinheiro do FGTS para baixa renda. Hoje,
algumas linhas do FGTS financiam a compra de imóveis avaliados
em até R$ 350 mil e que são destinados a trabalhadores
de maior renda.
O governo quer ainda desonerar a cadeia de construção de
habitação. A proposta inicial era de isentar integralmente
do pagamento de IPI e Imposto de Renda. Mas a ideia esbarra na necessidade
do governo de garantir arrecadação suficiente para gerar
caixa no final do ano (o superávit primário).
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Folha de S.Paulo, 6 de janeiro de 2009
Renault vai suspender mil funcionários
por 5 meses
Acordo com o sindicato no PR visa evitar
demissões por causa da crise
Trabalhadores terão seguro-desemprego e empresa
fará complementação financeira; fórmula
pode ser estendida a todos os metalúrgicos no PR
DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
Metalúrgicos da montadora Renault aceitaram ontem, em assembleia,
suspender por cinco meses o emprego de cerca de mil trabalhadores da
unidade de São José dos Pinhais, região metropolitana
de Curitiba. A medida tem o objetivo de evitar demissões imediatas
por causa da crise internacional.
Pelo acordo entre trabalhadores e montadora, eles não vão
trabalhar durante esse período, mas terão direito à antecipação
do pagamento do seguro-desemprego e a uma complementação
financeira da empresa para atingir o valor integral de seu salário.
Os funcionários receberão também uma bolsa de qualificação
profissional, paga pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Segundo
o sindicato, o acordo evita perdas salariais reais.
Os cinco meses de interrupção do trabalho também
serão usados para computar o pagamento de férias, 13º salário
e FGTS. Mas o período não poderá ser incluído
na aposentadoria porque, na prática, não haverá folha
de pagamento. Os funcionários suspensos correspondem a 33% da
força de trabalho da fábrica da Renault. O vice-presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Cláudio
Gramm, afirmou que foi o único meio de preservar os postos e evitar
a demissão dos trabalhadores no retorno das férias coletivas,
ontem.
No final do prazo de cinco meses de suspensão dos empregos, representantes
da montadora e sindicato voltam a se reunir para discutir o cenário
econômico e medir a viabilidade de manter ou não as vagas. "A
empresa mostra que acredita na retomada econômica. Do contrário,
ela já teria demitido os mil funcionários agora em janeiro",
disse Gramm.
Alegando dificuldades para garantir novos pedidos de compra, a Renault
concedeu férias coletivas aos trabalhadores desde 25 de novembro.
Segundo o sindicato dos metalúrgicos, os estoques da Renault poderiam
deixar a fábrica sem operar por dois meses.
Por meio de sua assessoria, a direção da Renault no Brasil
informou que não comentaria as medidas negociadas com o sindicato
dos trabalhadores.
A Renault somou-se a outras grandes empresas do polo automotivo do Paraná que
reagiram aos efeitos da crise internacional. No final do ano passado,
Volvo, Bosch e New Holland anunciaram, juntas, 980 demissões por
causa de dificuldades registradas com a crise financeira.
O Sindicato da Indústria Metalúrgica do Paraná prevê que
o setor automotivo perca a partir deste mês cerca de 5.000 empregos,
o equivalente a 13% do total de trabalhadores. Em caso de ameaça
de demissão, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos
informou que quer estender a todo o setor a mesma forma de negociação
fechada com a Renault.
A interrupção do trabalho também foi adotada pela
PSA Peugeot Citroën. A montadora já anunciou que deixará 700
trabalhadores suspensos com licença remunerada por três
meses em sua planta de Porto Real, no RJ. Outros 2.600 retomaram as atividades
ontem.
Férias coletivas
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
afirmou que a GM irá conceder novo período de férias
coletivas na fábrica entre o dia 12 de janeiro e 11 de fevereiro.
A medida afetaria 300 trabalhadores da linha de produção
de motores. A GM não confirmou.
Na linha de montagem de veículos, a maior parte dos trabalhadores
retornou das férias coletivas ontem ou retornará ao longo
desta semana.
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Folha de S.Paulo, 6 de janeiro de 2009
CONSTRUÇÃO:
OPERÁRIOS SÃO
RECONTRATADOS GANHANDO MENOS
Apesar da crise, o Sintracon (trabalhadores da construção
civil) registrou, nos últimos quatro meses de 2008,
a recolocação de 11.103 trabalhadores na capital
e Grande São Paulo. Em dezembro foram 2.200 recontratações. "Muitos
dos que haviam sido demitidos desde setembro foram recontratados
agora, só que com ganhos até 50% menores",
diz Antonio Ramalho, presidente da entidade. O sindicato
registrou 13.563 demissões em 2008, 23% mais do que
em 2007.
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Última Instância, 6 de janeiro
de 2009
Projeto da Câmara pode
dar à OAB autorização para propor leis
Um proposta de emenda constitucional atualmente em tramitação
na Câmara dos Deputados pode garantir ao Conselho Federal da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil) a atribuição de apresentar
projetos de lei, desde que exclusivamente referentes à administração
da Justiça.
A nova competência da Ordem, entretanto, ficaria restrita à proposição
de leis complementares e ordinárias, com exceção
de matérias de iniciativa exclusiva do do presidente da República,
do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do procurador-geral
da República.
De acordo com a PEC 305/08, de autoria do deputado Pompeo de Mattos
(PDT-RS), para ser encaminhado ao Congresso Nacional, o projeto de
lei deverá ser aprovado pela maioria absoluta dos membros do
Conselho Federal da Ordem. A proposta altera os artigos 61 e 64 da
Constituição Federal.
Para o deputado, a importância do papel institucional da OAB
já foi consagrada pela Carta de 1988. Ele ressaltou ainda que
o advogado é indispensável à administração
da Justiça, em especial no papel de “zelar pelo aperfeiçoamento
da ordem jurídica".
Hoje, o Conselho Federal da Ordem já possui legitimidade para
propor Adins (ações diretas de inconstitucionalidade)
e ADCs (Ações declaratórias de constitucionalidade).
Tramitação
De acordo com informações da Agência Câmara,
a admissibilidade da PEC será analisada pela CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania). Na sequência,
a proposta deverá passar por uma comissão especial, e ainda
precisa ser votada em dois turnos pelo Plenário da Casa antes
de ser encaminhada ao Senado.
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