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Agência Diap, 11 de janeiro de 2009
Mais um trabalhador contaminado pelo
amianto morre em SJC (SP)
Mais um caso de morte por uma provável contaminação
de amianto foi registrado na última quarta-feira (7), em São
José dos Campos. Este é o terceiro em menos de dois anos.
As três vítimas foram funcionárias da Avibrás.
O Ministério de Trabalho quer agora que a empresa comunique a
Previdência Social sobre o que considera um acidente de trabalho.
A primeira morte foi em abril de 2007. Silvane Dias Barros lutava
contra um câncer havia dois anos. Em abril de 2008, outra vítima.
Nivaldo Guimarães da Silva chegou a passar por uma cirurgia
depois de descobrir um câncer que teria sido provocado pela inalação
do amianto. Depois do procedimento, ele passou a conviver com limitações
físicas.
Hoje, Donizete Gomes de Oliveira, de 52 anos, foi enterrado no cemitério
do Centro de São José dos Campos. Uma auditora do Ministério
do Trabalho, que acompanhou os três casos, disse que o uso do
amianto está proibido por lei, em todo o estado de São
Paulo, desde junho do ano passado.
"Nós estamos agora enterrando uma vítima que teve
uma exposição de quase 20 anos atrás. Quer dizer,
quando mais tempo levar pra se adotarem medidas que ponham fim ao uso
do amianto, nós continuaremos tendo essas mortes", explica
Fernanda Giannasi, auditora do Ministério do Trabaho.
O amianto é uma matéria-prima retirada de rochas. A
auditora informou que há suspeitas de que ainda existam peças
que foram produzidas com amianto, dentro da Avibrás, e que o
melhor destino para elas seria o lixo de materiais considerados perigosos.
A Avibrás foi procurada pela produção do Vanguarda
TV, mas até o momento, não se pronunciou sobre as mortes
dos ex-funcionários.
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Agência Diap, 11 de janeiro de 2009
Em 2008, ICV Dieese fica em 6,11%,
maior índice desde 2004
Em 2008, o ICV-Dieese, calculado para o município de São
Paulo, acumulou alta de 6,11%, enquanto em 2007 a variação
ficou em 4,80%. A taxa registrada no último ano representa a maior
elevação anual apurada desde 2004, quando correspondeu
a 7,70%.
No entanto, em comparação com o aumento acumulado para
o período de 12 meses encerrado em novembro, houve queda, uma
vez que naquele mês a variação acumulada entre
dezembro de 2007 e novembro de 2008 era de 7,16%.
Além do índice geral, o Dieese calcula mais três
indicadores de inflação, segundo tercis da renda das
famílias paulistanas. O estrato 1, que corresponde à estrutura
de gastos de 1/3 das famílias mais pobres (renda média
= R$ 377,49*), apresentou nos 12 meses de 2008, o maior aumento - de
6,75%.
Para o estrato 2 - que contempla os gastos das famílias com
nível intermediário de rendimento (renda média
= R$ 934,17*), a taxa ficou em 6,16%. Já o estrato 3, que reúne
as famílias de maior poder aquisitivo (renda média =
R$ 2.792,90*), registrou a menor variação, de 5,92%.
(Fonte: Dieese)
(*) Os níveis de rendimento referem-se aos valores definidos
para junho de 1996, quando da implantação da atual ponderação
do ICV
Clique aqui para
acessar a análise da taxa de 2008
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Agência Diap, 11 de janeiro de 2009
A crise e o emprego: onde estão
os socialmente responsáveis?
Leonardo Sakamoto*
Manifestações em Itabira (MG) reuniram centenas de pessoas
na última quinta-feira (8) para protestar contra a política
de empregos que a Vale vem adotando sob justificativa da crise. De
acordo com sindicatos, a gigante do setor de mineração
demitiu 76 pessoas (62 de acordo com a própria Vale) na região.
O problema é que as empreiteiras que prestam serviços
para a empresa teriam passado a navalha nos seus quadros, demitindo
centenas. À agência de notícias Reuters, a assessoria
da mineradora afirmou: "não podemos ser responsabilizados
pelo ajuste de outras empresas".
Ou, em outras palavras, "nós terceirizamos todo esse pessoal
exatamente para não ter esse tipo de dor de cabeça".
Empresas menores possuem menos recursos à disposição
em comparação com uma gigante como a Vale e, portanto,
menos capacidade de enfrentar crises.
Se esses trabalhadores estivessem sob responsabilidade da mineradora
talvez não fossem demitidos, mas seriam um "peso" no
ringue da globalização na opinião de alguns que
veem números e não pessoas.
Além disso, pequenas empresas que demitem dez aqui, 100 ali
não dão manchete em jornal de circulação
nacional como uma grande botando um milhar no olho da rua - o que é péssimo
para a imagem institucional. Mais dinheiro, significa mais poder (e
vice-versa), mas também mais responsabilidade. Pelo menos em
tese, porque na prática...
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Agência Diap, 11 de janeiro de 2009
Não houve inflação
de demanda, mas sim de juros
João Sicsu*
Em 2008, não houve inflação de demanda. Inflação
de demanda ocorre quando a capacidade de realizar compras de uma economia é maior
que a sua capacidade de produzir o que é desejado. Nessas condições,
os empresários elevam os preços diante da impossibilidade
de aumentar quantidades ofertadas.
Cabe ser observado, contudo, que a identificação de
uma situação de inflação de demanda deve
ser feita de forma agregada, ou seja, olhando-se o conjunto da economia.
Um fato isolado de aumento de preços por aumento de demanda
não pode caracterizar uma economia contaminada por inflação
de demanda. Aumento de preços em um setor de forma isolada é apenas
um sinal de mercado, necessário, que atrai investimentos para
aquele nicho.
O que aconteceu recentemente na economia brasileira?
1) De 2006 a 2008, a taxa de crescimento do investimento
foi superior entre 2 e 3 vezes a taxa de crescimento do PIB. Isto significa
oferta crescendo mais velozmente que a demanda.
2) A massa salarial como proporção
do PIB vinha caindo de forma acentuada nos últimos anos. Cálculos
preliminares indicam um estancamento desta queda no ano de 2008. Em
outras palavras, a capacidade de compra dos trabalhadores (demanda)
relativamente ao que era produzido pela economia (oferta) estava diminuindo.
3) Houve a partir de 2004 um crescimento do crédito
como proporção do PIB. A trajetória de crescimento
tornou-se mais acentuada a partir de junho de 2007. De 2007 a 2008,
o crédito para pessoa física cresceu, como proporção
do PIB, de 10% para 12,5%. No mesmo período, o crédito
para pessoa jurídica mais o crédito direcionado (BNDES,
crédito agrícola etc.) cresceu de 20% do PIB para 25%.
Isto significa, grosso modo, que o crédito para o lado da oferta
crescia a uma velocidade muito maior que o crédito para o lado
da demanda.
4) O nível de utilização da
capacidade instalada da indústria (Nuci) atingiu, em 2008, seu
nível mais elevado 83,5%. Este foi um sinal positivo e necessário
para que novos planos de investimento fossem implementados. Isto não
significa, contudo, que a capacidade de produção da indústria
estava se esgotando. Cabe ser lembrado que a produtividade do trabalho
cresceu aproximadamente 10%, entre 2006 e 2008, uma taxa record. A
produção pode ser aumentada quando o Nuci e/ou a produtividade
aumentam. O Nuci, analisado isoladamente, não pode explicar
absolutamente nada sobre a capacidade de ofertar da indústria.
5) O saldo em transações correntes
tornou-se negativo em 2008. A conta de transações correntes é composta,
grosso modo, de duas grandes partes: saldo comercial com o exterior
e remessas de lucros e dividendos. O saldo comercial se reduziu drasticamente,
mas continua positivo. Isto significa que a economia brasileira exporta
parte do que produz. O que tornou o saldo em transações
correntes negativo foi um problema estrutural da economia brasileira:
a remessa de lucros para exterior de multinacionais é capaz
de ser maior que todo o esforço de exportações
da economia. Portanto, não é verdadeira a conclusão
de que se gasta tanto que se consome tudo que é produzido aqui
e ainda compra-se o que é produzido no exterior.
6) As despesas totais do Governo Federal, como proporção
do PIB, têm caído. Em 2006, eram 34,1%, e em 2007, foram
31,5%. Em 2008, as despesas realizadas entre janeiro e novembro totalizaram
25,5%. Sendo assim, o governo tem reduzido a sua demanda em relação à oferta
total de bens e serviços da economia.
A inflação que houve em 2008 foi causada principalmente
por um choque de efeito passageiro do item alimentos. A inflação
de 2008 foi de 5,9%. A inflação do item alimentos foi
de 11,1% e a inflação de todos os demais itens foi de
4,4%. Resumo da ópera: se os alimentos tivessem se comportado
como os demais preços, a variação do IPCA no ano
teria sido inferior ao centro da meta perseguida pelo Banco Central,
que é 4,5%. Os preços não subiram em 2008 por
excesso de demanda, os números comprovam. O que houve, em 2008,
foi "inflação" (aumento) de juros causada exclusivamente
por excesso de demanda por sua elevação.
A "inflação" (aumento) de juros de 2008 não
tinha justificativa técnica. Para 2009, há justificativas
técnicas evidentes para uma forte "deflação" (redução)
dos juros. Crises não são situações para
serem enfrentadas com conservadorismo que, neste momento, é sinônimo
do cúmulo da moleza: "correr sozinho e chegar em segundo".
Portanto, é hora de "deflacionar" (reduzir) rapidamente
os juros para que estes alcancem logo um dígito. Manter juros
de dois dígitos em tempo de crise é amar o risco de morrer.
(*) Diretor de Estudos Macroeconômicos do
Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ. Publicado originalmente
no sítio Carta Maior
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Vermelho, 11 de janeiro de 2009
Dez instituições detêm
94% das agências bancárias no país
A união entre Banco do Brasil e Banco Votorantim representa mais
um passo na direção do aumento da concentração
desse mercado no país. Um dos sinais mais visíveis desse
movimento é a dificuldade cada vez maior de encontrar uma agência
bancária que não faça parte dos dez maiores grupos
financeiros do Brasil.
Atualmente, esse grupo de instituições financeiras responde
por 94% das 18,9 mil agências bancárias em funcionamento
no país. Esse cálculo foi feito a partir dos balanços
apresentados pelos bancos em setembro, mas já considera as fusões
anunciadas desde então.
Há dez anos, época em que Banespa, Banco Real e BankBoston
ainda estavam entre os líderes de mercado, essa proporção
estava em 76%. Se considerados apenas os cinco maiores bancos, a concentração
chega a 90,1%, contra 57,4% em 1999.
A lista dos dez maiores bancos do país no início de
1999 também revela como os clientes têm tido cada vez
menos escolha na hora de abrir uma conta. Há dez anos, esse
grupo era composto exclusivamente pelas chamadas instituições
de varejo, que se destacavam pela elevada capacidade em captar depósitos
por meio de contas correntes, poupança ou CDBs.
Dez anos depois, após as várias fusões ocorridas
no setor, o grupo dos dez maiores inclui o próprio Votorantim,
que ganhou mercado basicamente com operações como o financiamento
de veículos, e o francês BNP Paribas, que tem como ponto
forte a gestão de investimentos e possui, segundo o Banco Central,
apenas quatro agências no país.
Outro reflexo do processo de consolidação do setor
bancário é a maior concentração dos depósitos.
Em setembro, segundo levantamento do BC, o total de recursos depositados
nos bancos por seus clientes estava em R$ 1,082 trilhão, do
qual 91,4% estavam nas dez maiores instituições financeiras.
Há um ano – antes da união entre Itaú e
Unibanco e da compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, por exemplo-,
essa proporção estava em 83,7%.
Os números do BC mostram ainda que, apesar de não crescer
no mesmo ritmo da lucratividade do setor, o número de pessoas
empregadas pelos bancos não tem diminuído nos últimos
anos. Em tese, isso pode ser entendido como um sinal de que as fusões
que têm acontecido não se traduziram em demissões
em massa no setor.
Em setembro do ano passado, segundo o BC, as instituições
financeiras empregavam 550,8 mil pessoas, praticamente empatando com
os 550,4 mil registrados em dezembro de 2007. Os números não
incluem, porém, funcionários terceirizados pelos bancos.
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Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2009
Gasto com seguridade social caiu pela
1ª vez em 12 anos
Á rea deve ter absorvido de
12,6% a 12,9% do PIB em 2008, contra 13% no ano anterior
Queda do gasto em relação ao PIB indica
que governo deixou de ampliar políticas sociais e agora quer
acelerar as obras de infraestrutura
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Dados preliminares da execução do Orçamento apontam
que os gastos federais com a seguridade social caíram no ano
passado, como proporção da renda nacional, pela primeira
vez em 12 anos -ou, dito de outra forma, no período de três
mandatos presidenciais.
Definida pela Constituição, a seguridade compreende as
políticas públicas mais diretamente ligadas à subsistência
das famílias, como previdência, saúde, benefícios
assistenciais e seguro-desemprego, entre outras. Esse grupo de programas
e ações foi, de longe, o maior responsável pela
elevação contínua dos gastos do governo desde a
década passada.
No período, a conta da seguridade passou de menos de 10% para
o equivalente a 13% do PIB em 2007, e a despesa total da União
subiu de 14,5% para pouco mais de 18% do PIB. Em 2008, mesmo com recordes
sucessivos da arrecadação de impostos, a trajetória
do gasto social foi interrompida.
Entre salários, custeio administrativo, compras de medicamentos,
repasses a Estados e municípios, investimentos e, principalmente,
transferências diretas de renda a sua clientela, a seguridade consumiu
R$ 372 bilhões no ano passado, segundo registros quase idênticos
do sistema de acompanhamento dos gastos federais oferecido pelo Senado
e da ONG Contas Abertas, especializada no setor.
O montante, ainda sujeito a ajustes, equivale a algo entre 12,6% e 12,9%
do PIB, dependendo das estimativas para o crescimento econômico
e a inflação consultadas pela Folha no Ministério
do Planejamento, na Confederação Nacional da Indústria
e nas empresas de consultoria Tendências, LCA e Rosenberg & Associados.
Mesmo medida em décimos de pontos percentuais, a variação
da despesa pode ter efeitos sociais e políticos decisivos. Quando
o governo Lula transformou o antigo Bolsa Escola no Bolsa Família,
por exemplo, o gasto público foi elevado em, exatamente, 0,25%
do PIB -e ao longo de seis anos.
A queda do gasto como proporção do produto não significa,
necessariamente, piora dos serviços sociais; as despesas, afinal,
continuam subindo acima da inflação. Trata-se, isso sim,
de um deslocamento de prioridades, uma vez que a receita e a despesa
dos governos sobem com o PIB e, no caso brasileiro, em ritmo até superior
ao da renda nacional. Em outras palavras, a seguridade, bandeira histórica
do PT, perdeu espaço no Orçamento.
Medidas para conter a escalada das despesas permanentes do Tesouro Nacional
começaram a ser discutidas pelo governo Lula em 2005, foram deixadas
de lado no ano reeleitoral de 2006 e acabaram reaparecendo, em versão
menos ambiciosa, no lançamento do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) em 2007.
Com dois projetos de lei, procurava-se controlar a expansão dos
dois principais gastos federais. Para limitar os benefícios previdenciários,
foi proposto que os reajustes do salário mínimo não
deveriam superar a inflação e o crescimento do PIB de dois
anos antes; para a folha de salários do funcionalismo, previu-se
que o aumento anual respeitaria um teto de 1,5% acima da inflação.
Em tese, a estratégia deveria permitir, sem aumento da carga tributária,
mais recursos para as obras de infraestrutura gerenciadas pela ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada por Lula como potencial candidata à sucessão
presidencial. Só parte do plano, porém, foi posta em prática.
Mesmo sem ter sido aprovada pelo Congresso, a regra do salário
mínimo foi usada pela primeira vez em 2008, o que resultou no
menor reajuste em quatro anos. Em contraste com os 13% no ano da reeleição,
o ganho real ficou na casa dos 4%, enquanto a economia se expandia a
mais de 5%.
Surtiu efeito ainda a política de endurecer os critérios
de concessão do auxílio-doença, benefício
que teve crescimento explosivo nesta década. Apresentado pelo
governo como alternativa a uma reforma previdenciária impopular,
o controle conseguiu reduzir essa despesa de R$ 17,7 bilhões,
em 2007, para R$ 16 bilhões.
Impulsionados pelo PAC, os investimentos cresceram como proporção
do PIB, embora abaixo das metas oficiais. E, ao contrário do que
previa o programa, o governo concedeu um pacote de reajustes salariais
ao funcionalismo -e os gastos com pessoal, assim como a carga tributária,
voltaram a crescer mais que a economia.
CPMF
Com R$ 50 bilhões disponíveis no Orçamento, a saúde
responde pela segunda maior fatia da seguridade e é o setor do
governo que mais destina dinheiro a Estados, municípios e empresas
privadas. Uma disputa política em torno dos recursos e de seu
financiamento levou a um impasse que evitou a prometida expansão
dos gastos.
Nos últimos dois anos, a bancada de parlamentares ligada à saúde,
uma das mais influentes do Congresso, fez avançar um projeto para
ampliar as despesas obrigatórias no setor. Nas negociações,
Lula e os governadores condicionaram a medida à prorrogação
da CPMF, que acabou derrubada no Senado, e, depois, à sua recriação.
Sem as verbas adicionais prometidas no "PAC da Saúde",
prevaleceu a regra em vigor desde 2000, que determina a correção
anual dos gastos pelo crescimento nominal, incluindo a variação
da inflação, do PIB do ano anterior -e, como a inflação
de 2008 superou a de 2007, o gasto em saúde teve, em vez de alta,
uma pequena queda como proporção do produto.
O crescimento econômico acelerado contribui para estabilizar ou
reduzir os gastos públicos em relação ao PIB. Nos
anos de mais prosperidade, como 2000, 2004 e 2007, o custo da seguridade
subiu menos. Por isso os resultados dos ajustes feitos pelo governo na
Previdência estarão em xeque em 2009 devido à crise
econômica.
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Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2009
Governo poderá financiar imóveis
de até R$ 500 mil
Pacote habitacional pode elevar teto
do valor de bem adquirido com recurso do FGTS
Hoje, limite é de R$ 350 mil; ideia encontra
resistência da Caixa, pois deve acelerar saques num momento em
que depósitos podem cair
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O pacote habitacional que o governo está montando para tentar
evitar uma queda brusca no crescimento poderá elevar o teto
do valor dos imóveis a serem financiados pelo FGTS (Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço) dos atuais R$ 350 mil para cerca
de R$ 500 mil.
A equipe econômica está dividida entre a necessidade de
estimular a construção civil com medidas voltadas às
classes média e alta ou focar os segmentos de renda mais baixa,
mas o aumento deverá ocorrer. Tudo começou com uma proposta
apresentada pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades
de Crédito Imobiliário e Poupança), que criava o
teto de R$ 800 mil. Pela proposta, a nova faixa valeria só para
imóveis adquiridos até o final de 2010 e destinados a residência
própria. Mas a ideia encontra resistências na Caixa Econômica
Federal, gestora do FGTS, pois pode acelerar os saques num momento em
que a economia deverá crescer menos, reduzindo o emprego com carteira
assinada e, como consequência, os depósitos das empresas
para o fundo.
Por isso, a proposta foi bombardeada dentro do governo. O secretário
de reformas econômico-fiscais do Ministério da Fazenda,
Bernard Appy, propôs que o novo teto temporário seja menor
e estabelecido pela correção do limite anterior por algum índice
de preços, como o IPCA. Com isso, o valor poderia ficar em torno
de R$ 500 mil.
O dinheiro dos trabalhadores depositado no FGTS está no centro
do debate no governo. Com orçamento para investimentos em 2009
de R$ 27,4 bilhões e patrimônio de R$ 215 bilhões,
o FGTS é uma fonte de recursos cobiçada. Recentemente,
o fundo -destinado, por lei, para financiar projetos de habitação
e saneamento que aumentem a rentabilidade dos recursos dos trabalhadores-
já foi usado para estimular infraestrutura, socorrer construtoras
e o BNDES.
Agora, o novo Plano Nacional de Habitação (PlanHab), base
do pacote em discussão entre os ministérios da Fazenda
e das Cidades para tentar turbinar a construção civil e
evitar a queda no crescimento, prevê a concentração
de recursos orçamentários e, principalmente, do FGTS para
famílias com renda mensal até R$ 2.000.
Mas a demanda das empresas de construção, que têm
a simpatia da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e de parte da equipe
da Fazenda, é voltada para imóveis direcionados a pessoas
com renda maior, bem acima do teto de R$ 2.000.
Apesar de representarem só 4% do déficit habitacional atual
e 29% da demanda futura, segundo levantamento do governo, a avaliação é que
esse segmento de renda mais elevada tem uma repercussão maior
na economia, atraindo o interesse de bancos e de construtoras num momento
em que todos os esforços da União são para manter
empresas produzindo e trabalhadores consumindo.
Já as famílias de menor renda representam 96% do déficit
habitacional atual e 71% da projeção de demanda futura
e dependem de recursos do Orçamento e de dinheiro a fundo perdido
do FGTS. Nesse grupo está a "nova classe média",
famílias com renda até R$ 2.000, que entraram no mercado
de consumo nos últimos anos e são a base eleitoral de Lula.
O desejo do presidente de atender a essa camada tem dado força
nos debates do governo aos defensores da tese de concentrar os recursos
em ações para quem ganha menos, deixando o restante para
ser atendido com financiamentos de mercado, que têm como principal
fonte a poupança.
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Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2009
Plano habitacional aposta na expansão
da "nova classe média"
Famílias com renda entre R$
600 e R$ 1.600 totalizam 47% da demanda imobiliária
futura estimada pelo governo
Proposta prevê que FGTS se concentre no déficit
de moradias para renda até R$ 2.000, que é menos atendida
pelo mercado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Elaborado a partir de cenários de crescimento que vão
de 2,5% a 4% anuais nos próximos 15 anos, juros em queda (estabilizando
numa taxa real de 4,5%, metade do valor atual) e manutenção
da carga tributária atual, o esboço do novo Plano Nacional
de Habitação (Plan- Hab) aposta no poder de consumo da "nova
classe média" (com renda até R$ 2.000).
Para atender à demanda, conta com mais dinheiro orçamentário
e, sobretudo, mais subsídios com recursos do FGTS, superiores
ao R$ 1,6 bilhão já proposto no orçamento do fundo
para 2009.
Além de promover uma ampla reformulação na estrutura
de subsídios para a habitação distribuída
por várias fontes diferentes e classificar tudo sob a logomarca
de carta-subsídio, o plano propõe a criação
de um fundo garantidor para reduzir o risco de trabalhadores de menor
renda e permitir que eles tenham acesso a financiamentos, um bônus
para estimular o pagamento em dia, evitando que o fundo se torne um mico,
e o estímulo para a criação de fundos estaduais
e municipais destinados a financiar projetos de habitação.
Para isso, a população foi dividida em cinco grupos distintos,
conforme a renda. No primeiro estão famílias com renda
mensal até R$ 600, que precisam integralmente de subsídios
do governo e serão atendidas com recursos orçamentários
alocados no FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse
Social).
Estima-se que essas famílias representem 40% do déficit
habitacional atual, calculado em 7,9 milhões de unidades, e 15%
da demanda nos próximos 15 anos, projetada em 28,9 milhões
de domicílios.
Já a faixa de renda entre R$ 600 e R$ 1.600 soma 54% do déficit
e 47% da demanda futura estimada pelo governo. Essas famílias
precisam de subsídios não apenas via taxa de juros, mas
também para diminuir o montante financiado, sendo atendidas com
dinheiro do FNHIS e do FGTS.
As pessoas com renda entre R$ 1.600 e R$ 2.000 -que representam 2% do
déficit e 9% da demanda futura- precisam de subsídios do
FGTS apenas para diminuir os juros cobrados. Enquanto isso, as faixas
entre R$ 2.000 e R$ 4.000 e acima de R$ 4.000 podem assumir financiamentos
sem auxílio governamental, seja com dinheiro do FGTS ou da caderneta
de poupança. Juntos, esses dois grupos são 4% do déficit
atual e 29% da procura futura por habitação.
Baixa renda
Apesar de formarem o grupo mais numeroso, as famílias enquadradas
nas categorias de renda até R$ 2.000 não são o foco
das construtoras e dos bancos, que nos últimos anos aumentaram
o lançamento de unidades novas para as classes média e
alta. Daí a polêmica sobre onde focar o direcionamento dos
recursos no pacote em discussão no governo para estimular a construção
civil e tentar minimizar os efeitos da crise financeira internacional
na economia brasileira.
Sem citar valores específicos, o PlanHab propõe que o FGTS
se concentre nessa camada da população e, para isso, o
fundo precisaria aumentar a parcela destinada a operações
a fundo perdido, além de abrir mão de parte da receita
com juros em determinados financiamentos para reforçar os subsídios
ao setor de baixa renda.
A União também teria que alocar mais dinheiro para subsídios,
não apenas no FNHIS mas também para compor o novo fundo
garantidor. Além de servir para diminuir a avaliação
de risco da população de baixa renda, esse fundo também
seria fonte de recursos para cobrir bônus dados a bons pagadores.
Uma proposta é que a cada 15 ou 18 prestações pagas
em dia o mutuária ganhe uma, coberta pelo governo. Além
disso, em caso de desemprego, o fundo seria usado para cobrir as prestações
vencidas no período.
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Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2009
Setor imobiliário pede limite
maior de financiamento
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O foco do governo neste momento deve ser onde está a demanda,
avalia o presidente da Abecip (Associação Brasileira
das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança),
Luiz Antônio França. Segundo ele, é preciso separar
os problemas estruturais do setor de habitação, concentrados
na população de menor renda, das dificuldades conjunturais
atuais.
" Se esse segmento de mercado é o que vai fazer a indústria
girar, faz todo sentido que ele seja atendido agora", defendeu, referindo-se
aos trabalhadores que ganham mais, são financiados principalmente com
recursos da caderneta de poupança, mas usam o dinheiro que têm no
FGTS para abater as prestações ou reduzir o valor do financiamento.
" Não se trata de defender A, B ou C, mas aumentar o PIB da construção
civil", argumentou. Segundo ele, para novas obras começarem, é necessário
que a demanda volte, e ela ainda está caindo. Por isso, há necessidade
de medidas neste momento, afirma. Ainda assim, ele diz que as mudanças
seriam temporárias. Valeriam apenas para 2009 e para 2010.
Além de permitir que imóveis até o valor de R$ 800
mil possam ser adquiridos com recursos do FGTS, as propostas entregues
pela Abecip para o governo preveem ainda a possibilidade de abater do
Imposto de Renda os juros pagos no financiamento habitacional.
Essa dedução iria variar de acordo com a renda e o valor
do financiamento, chegando a 100% dos encargos desembolsados para quem
ganhar até R$ 5.000 mensais e tomar um financiamento de até R$
95 mil. O abatimento seria de 50% para quem tiver salário acima
de R$ 20 mil e financiar acima de R$ 385 mil.
Além disso, a Abecip também propõe a criação
de um fundo para cobrir as prestações no caso de o mutuário
ficar desempregado, incentivos para que compradores de imóveis
na planta não desistam da operação e estímulos
para novas aquisições.
A maior resistência às propostas de uso do FGTS vem do próprio
Conselho Curador do fundo e conta com o apoio de parte dos técnicos
do Ministério da Fazenda. A preocupação em relação
a aumentar o valor do imóvel que pode ser comprado com a ajuda
do fundo é o aumento dos saques num momento em que os depósitos
também devem cair.
Também há críticas às propostas para aumentar
os subsídios para a baixa renda com recursos do FGTS. O argumento
nesse caso é que política de subsídios deve ser
feita com dinheiro do Orçamento da União -e não
dos trabalhadores. O fundo, argumentam, não pode abrir mão
de suas receitas, sobretudo neste momento de crise econômica.
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Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2009
Verba do FGTS é desviada para
usos não previstos
LEANDRA PERES
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo já autorizou o uso de R$ 23 bilhões de recursos
do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para finalidades
que não têm nenhuma relação com habitação
e saneamento, aplicações previstas originalmente na lei
que criou o fundo em 1966. O valor desviado para outros projetos já supera
1% do patrimônio total do FGTS, que é de R$ 215 bilhões.
Esse desvio de funções tem uma explicação:
turbinado pelo crescimento do emprego e pelos ótimos resultados
nos últimos anos, o FGTS tornou-se uma das únicas fontes
de dinheiro para financiar projetos de longo prazo a um custo barato,
especialmente depois que o mercado internacional foi afetado pela crise
econômica.
Somente para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), o FGTS já repassou R$ 13 bilhões. Uma parcela
de R$ 6 bilhões foi retirada diretamente do patrimônio do
fundo, que tinha títulos do governo em caixa e os repassou para
o banco.
Para ficar com os recursos, o banco se comprometeu a pagar aos trabalhadores
com a mesma taxa de juros e nos mesmos prazos que o governo. A aplicação
desse dinheiro está nas mãos do BNDES, que financia desde
pequenas empresas até grandes projetos industriais e a construção
de novas fábricas.
Infraestrutura
A outra parte do dinheiro está sendo usada em obras de infraestrutura.
Mas, em vez de financiar diretamente as empresas, como havia anunciado
quando criou um fundo com recursos do FGTS para financiar obras pelo
país -o FI-FGTS-, o governo destinou R$ 7 bilhões para
o banco de fomento investir por conta própria.
Com isso, trabalhadores, governo e empresários -que hoje são
responsáveis pela gestão compartilhada do fundo- perdem
poder de decisão sobre os recursos. O FI-FGTS foi criado pelo
governo no lançamento do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), em 2007. Para o fundo de investimento, foram reservados
R$ 17 bilhões, do quais R$ 7 bilhões ficaram com o banco
de fomento.
Os outros R$ 10 bilhões são operações diretas
do fundo com as empresas. Até agora, o governo já assinou
contratos emprestando R$ 11,3 bilhões do total, sendo a maior
fatia para o setor de energia.
Dinheiro barato
Os recursos obtidos por meio do FGTS são sempre bem mais baratos.
Isso porque os trabalhadores, a quem o dinheiro do fundo pertence, recebem
juros de apenas 3% ao ano, além da TR (Taxa Referencial).
No fundo que empresta para infraestrutura, o governo estabeleceu que
o rendimento mínimo dos empréstimos será de 6%,
acima da TR. Ainda assim, essas taxas não se comparam ao que é cobrado
no mercado financeiro, em que a Selic, que é a referência
mínima para os juros, está em 13,75% ao ano.
"É preciso haver muito cuidado com as iniciativas que usam recursos
do FGTS. Esse dinheiro tem dono. O FGTS carrega um passivo, isto é, é preciso
haver o dinheiro caso o trabalhador tenha de sacá-lo", afirma o vice-presidente
para fundos da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco.
A área técnica da Caixa Econômica -banco que administra
o FGTS- mostra preocupação com o desvirtuamento do FGTS
para uso em infraestrutura porque isso pode abrir caminho para outras
medidas que descapitalizem o patrimônio do trabalhador. O governo
argumenta, porém, que o dinheiro direcionado para infraestrutura
vem do superávit do FGTS. Ou seja, se todos os trabalhadores pudessem
sacar, o fundo teria como quitar a dívida e ainda registraria
sobra de caixa.
" Concordamos em usar o dinheiro do superávit do FGTS, mas somos
contrários a qualquer outro uso dos recursos da conta vinculada de cada
trabalhador que não em habitação e em saneamento",
diz o secretário-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores),
Quintino Severo. Os sindicalistas foram contrários à troca de títulos
que o FGTS fez com o BNDES.
O presidente do Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino, diz que o
financiamento da infraestrutura foi positivo porque garante um rendimento
mínimo para o dinheiro do fundo, mas defende mais facilidade de
saque por quem possui a conta vinculada.
"É preciso facilitar o uso do dinheiro pelo trabalhador, e não
pelo setor privado", afirma Avelino.
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Última Instância, 11 de janeiro
de 2009
Não cabe mais às
procuradorias atuarem em ações trabalhistas
de até R$ 3 mil
Medida do Ministério da Fazenda determina que a atuação
em decisões da Justiça do Trabalho que envolvam valores
iguais ou menores a R$ 3.038,99, atual teto das contribuições
sociais não compete mais às unidades da PGF (Procuradoria-Geral
Federal), que integra a AGU (Advocacia-Geral da União).
A Portaria nº 283 do Ministério da Fazenda dispensa a
PGF de apresentar manifesação em dois casos: quando o
valor do acordo entre empregado e empregador for inferior ao valor
teto de contribuição (R$ 3.038,99) ou quando o valor
total das parcelas que integram o salário de contribuição
constantes do cálculo de liquidação de sentença
for inferior ao valor do teto de contribuição.
Atualmente, a titularidade dos créditos previdenciários é da
PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), que repassou à PGF
a competência da cobrança. O objetivo da decisão é tornar
mais ágil a atuação da PGF e evitar que cheguem
aos tribunais ações com valores inferiores aos custos
de tramitação.
“Os objetivos maiores desse ato foram possibilitar um tratamento
diferenciado para os créditos de maior repercussão econômica
e colaborar com a celeridade da Justiça do Trabalho”,
explicou o Advogado-Geral da União, ministro José Antonio
Dias Toffoli.
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