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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de janeiro de 2008 | Economia
Caixa espera de R$ 7 a R$ 10 bilhões
do FGTS em obras
Agência Estado
O vice-presidente de Administração de Ativos de Terceiros da
Caixa Econômica Federal, Bolívar Moura Neto, disse nesta sexta-feira
(9) que a instituição e o Ministério da Fazenda esperam
que entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) poderão ser investidos em projetos de
infraestrutura via FI-FGTS (Fundo de Investimentos do FGTS). A informação
foi divulgada após reunião de mais de uma hora entre o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho.
Moura Neto explicou que o valor
exato que poderá ser investido tende a ser aprovado pelo Conselho
Curador do FGTS em reunião que deve acontecer ainda neste semestre.
Ele acrescentou que a Caixa estará pronta para iniciar os investimentos
entre março e abril deste ano.
Ao ser questionado se o agravamento
da crise financeira alterou os planos de investimentos do FI-FGTS, o
vice-presidente afirmou que o cenário econômico conturbado
e a retração na oferta de crédito no mercado financeiro
fizeram com que o interesse pelos recursos dos trabalhadores aumentasse.
Segundo ele, atualmente, a Caixa analisa mais de 45 projetos que pedem
financiamento com os recursos do FGTS. A maioria desses empreendimentos é do
setor de energia. Moura Neto disse, contudo, que há projetos de
todos os setores de infraestrutura.
O FI-FGTS é um instrumento
criado pelo governo que utiliza os recursos dos trabalhadores para o
investimento em obras de infraestrutura. O benefício para o trabalhador é uma
rentabilidade maior do que a TR acrescida de 3% ao ano, taxa paga nas
contas tradicionais do FGTS. Segundo o vice-presidente da Caixa, o fundo
tem como meta o retorno de TR acrescida de 6% ao ano. Atualmente, já existem
55 projetos beneficiados com R$ 9,3 bilhões do FI-FGTS, que têm
gerado rentabilidade média que varia entre TR mais 7% e TR mais
8%, informou.
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Agência Diap, 12 de
janeiro de 2009
Pesquisa mostra efeitos da crise
nas contratações e nos salários
Dizem que as contratações estão diminuindo. E que os salários
estão acompanhando esse movimento. Para saber se os rumores são
certeiros, a Watson Wyatt realizou uma pesquisa junto a 245 executivos de Recursos
Humanos que atuam em países da América Latina, em empresas de
diferentes portes e ramos de atividade.
Descobriu-se que 44% das empresas
estão pessimistas em relação à crise financeira
global e muitas delas (75%) informaram que algumas ações
já foram implementadas buscando a prevenção de possíveis
impactos negativos a curto e a médio prazos.
Mudanças no RH
Os processos de Recursos Humanos que estão sendo mais afetados são "recrutamento
e seleção" (34%) e "remuneração" (33%).
Por outro lado, os menos abalados são "avaliação
de desempenho" (16%) e "planos de sucessão" (17%).
No geral, as principais mudanças
que o setor já começou a enfrentar foram o congelamento
de contratações - 44% dos participantes já realizaram
e 40% o farão nos próximos 12 meses - seguido pela eliminação
ou redução das ações de treinamento e desenvolvimento
- 23% dos entrevistados já efetuaram e 43% o farão em até um
ano, segundo a pesquisa.
Veja as mudanças que devem
ocorrer nas empresas:
- Não contratar mais novos
empregados: 44% já estão optando por isso, enquanto 40%
irão adotar a medida nos próximos 12 meses;
- Eliminar ou reduzir as ações
de treinamento e desenvolvimento: 23% já fizeram essa opção,
ao passo que 43% irão fazê-la nos próximos 12 meses;
- Reestruturar a empresa: 17%
e 43%, respectivamente;
- Aumentar a comunicação
do pacote de remuneração aos empregados: 12% e 48%, respectivamente;
- Reduzir a força de trabalho:
17% e 38%, respectivamente;
- Reforçar a remuneração
variável: 7% e 37%, respectivamente;
- Eliminar ou reduzir outros
programas oferecidos aos empregados: 13% e 29%, respectivamente;
- Reformular remuneração
variável da área de vendas: 11% e 31%, respectivamente;
- Revisar ou redesenhar planos
de saúde ou outros benefícios: 10% e 30%, respectivamente;
- Mudar o foco, a estrutura e
a função da área de Recursos Humanos: 9% e 28%,
respectivamente;
- Congelar os salários
dos empregados: 10% e 23%, respectivamente;
- Reduzir o matching -
contrapartida do empregador a cada depósito feito pelo funcionário
- dos planos de previdência privada: 3% e 8%, respectivamente.
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Agência Diap, 12
de janeiro de 2009
Efeitos da crise: CUT defende redução
da jornada, com salários iguais
A crise trouxe à tona a necessidade de as empresas reduzirem gastos.
A escassez de crédito e o menor nível de liquidez (dificuldade
em transformar um ativo em moeda corrente) são os motivos. Devido a
problemas de caixa, algumas empresas já começaram a demitir.
Por isso, esta semana, representantes
de empresários e sindicatos apresentaram propostas de redução
da jornada de trabalho, a fim de manter o nível de emprego.
O presidente da Fiesp e do Ciesp (Federação e Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, por
exemplo, defendeu a menor jornada de trabalho, mas acompanhada de cortes
nos salários.
Em resposta, a CUT, que, há cerca
de seis anos, pede a redução da jornada de 44 horas semanais
para 40 horas, afirmou que não há necessidade de reduzir
os ganhos dos trabalhadores.
Argumentos
Segundo a CUT, o lucro acumulado por setores econômicos nos últimos
anos, quando o cenário era de bonança, dá margem à redução
da jornada de trabalho sem necessidade de reduzir salários. "Temos
números consistentes que comprovam isso", afirma o secretário-geral
da CUT, Quintino Severo, para quem não haverá prejuízo
para as empresas, financeiros e de competitividade.
Em sua opinião, é fundamental
mencionar que o custo da mão-de-obra industrial brasileira,
por hora, é de US$ 4,9. Na Dinamarca, esse custo é de
US$ 35,5. Por sua vez, o economista Cássio Calvete lembra que
a redução da jornada de trabalho sem redução
de salário aumentaria o custo da mão-de-obra em 2%, o
que seria absorvido em apenas seis meses, mediante o ritmo de crescimento
da produtividade.
Cursos
gratuitos
A Fiesp, através do Senai-SP, havia se comprometido a dar cursos gratuitos
aos trabalhadores que tiverem redução de jornada e de salário. "Vamos
levar os trabalhadores no tempo ocioso para nossas escolas ou treiná-los
nas próprias empresas, sem qualquer custo", afirmou o presidente
da instituição.
O Senai-SP criará, inicialmente,
100 mil vagas para cursos gratuitos profissionalizantes destinados
aos trabalhadores que aceitarem diminuição da jornada,
com redução proporcional de salário. "Uma
grande vantagem ao trabalhador é a possibilidade de reciclagem
e qualificação profissional em cursos que, em valores
de mercado, seria muito difícil pagar", enfatizou Skaf.
A Fiesp lembrou que a legislação
atual permite que, por meio de acordo com o sindicato, as empresas
possam reduzir a jornada de trabalho, com consequente redução
dos salários.
Negociação
A Fiesp e a Força Sindical iniciaram, nesta sexta-feira (9), discussões
para ajudar a conter a crise econômica e evitar demissões. O encontro
reuniu, na sede da Fiesp, Paulo Skaf, e o presidente da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva, além de representantes dos principais sindicatos
paulistas ligados à Força Sindical. Foi um primeiro passo na
busca conjunta por soluções para o setor.
"Nossa grande preocupação,
neste momento, é encontrar medidas rápidas, pragmáticas
e objetivas, para evitar que as empresas sejam obrigadas a demitir
funcionários. E há alternativas, dentro da lei, que podem
amenizar os efeitos nocivos da crise no que diz respeito ao aumento
do desemprego", ressaltou Skaf.
Propostas
Tanto Skaf quanto Paulinho da Força acreditam que a redução
da jornada de trabalho e dos salários pode ser uma das alternativas
para os setores que foram ou ainda serão afetados pela crise. Ambos
concordam que demissão é a última opção.
"Vamos oferecer um cardápio
de alternativas para que as empresas possam analisar, caso a caso,
e discutir com os respectivos sindicatos o quanto é necessário
e o que pode ser feito para resolver sua situação",
explicou Silva.
Segundo ele, a preocupação
dos sindicatos é o fato de muitas empresas terem dado férias
coletivas e licença remunerada aos funcionários. Na volta
deles ao trabalho, podem ocorrer demissões.
"Há o risco de
ocorrer uma enxurrada de demissões a partir da próxima
semana. Então, a ideia foi discutir, sem nenhum preconceito,
todas as alternativas dentro da lei que podem ser usadas pelas empresas
para evitar que isso aconteça", explicou.
Paulinho da Força lembrou
uma recente entrevista de Skaf à imprensa na qual ele ressaltava
a importância de não se mexer nos direitos dos trabalhadores.
Mas disse que, para encontrar a solução ideal, é necessário
que os dois lados, empresários e sindicatos, se sentem juntos
para chegar a um acordo.
Discussões
não param...
Skaf lembrou que, desde o início de outubro passado, o setor empresarial
já vinha sentindo o impacto da crise econômica mundial. Em primeiro
lugar, por conta da falta de crédito. Depois, devido ao custo do crédito
- problema que, em sua opinião, acabou se agravando porque o mercado
externo passou a usar o crédito interno.
Fiesp e Força Sindical
se comprometeram a retomar as discussões nesta terça-feira
(13). Desta vez, eles pretendem ampliar a reunião, com participação
de representantes do Ministério e da Justiça do Trabalho,
além da indústria e demais sindicatos.
O objetivo é chegar
a um consenso em prol da manutenção dos empregos. "Queremos
acalmar os empresários e pedir que esperem o acordo. De nosso
lado, não há ameaça de promover greves. Ao contrário,
vamos buscar alternativas para evitar o desemprego", tranquilizou
o presidente da Força Sindical.
"Se fizermos um
acordo em São Paulo, este poderá ser estendido para
outros estados do País e, assim, conseguiremos conter o desemprego",
completou Skaf.
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Agência Diap, 12 de
janeiro de 2009
PIS: 960 mil trabalhadores ainda
não sacaram benefício
Caixa registrou mais de 92% de abonos
pagos, chegando ao valor de R$ 4,99 bilhões em pagamentos
aos beneficiados
Até a última quinta-feira
(8), pouco mais de 960 mil brasileiros ainda não sacaram o PIS
(R$ 415) referente ao exercício 2008/2009, o que representa 7,24%
do total. Vale lembrar que ele estará disponível até 30
de junho de 2009.
De acordo com dados divulgados
pela Caixa Econômica Federal, foi realizado o pagamento de 92,76%
de abonos, chegando ao valor total de R$ 4,99 bilhões.
No exercício 2008/2009,
ainda segundo a CEF, ocorreu o maior pagamento da história dos
benefícios, com cerca de 13,2 milhões de abonos, 10,55%
a mais do que os do calendário anterior.
São
Paulo
No estado paulista, foi registrado um número de 163.445 trabalhadores
que ainda podem receber o benefício, o que representa 5,23% do total
da região.
Isso significa que, em São
Paulo, 94,77% dos trabalhadores (ou 2,961 milhões) já receberam
o abono, totalizando um valor de R$ 1,197 bilhão.
Os trabalhadores que ainda não
receberam
Antes de ir aos locais de atendimento, é importante o beneficiário
verificar primeiro se recebeu ou não os benefícios antecipadamente,
por meio de crédito em conta.
Para se certificar, basta olhar
os extratos bancários de julho e novembro de 2008 e também
os contracheques dos salários de julho, agosto ou setembro do
ano passado.
O trabalhador que tem direito
ao PIS e o Cartão do Cidadão pode fazer o saque nos caixas
eletrônicos da Caixa Econômica Federal, nas lotéricas
e nos postos Caixa Aqui.
Quem não tem o Cartão
do Cidadão deve procurar agência da Caixa e levar documentos
de identidade e comprovante de inscrição no PIS.
Regras
De acordo com as regras do programa do Ministério do Trabalho e Emprego,
todo trabalhador que estiver cadastrado no PIS/Pasep até 2003, que tenha
trabalhado, no mínimo, 30 dias em 2007 com carteira de trabalho assinada
pela empresa e tenha recebido, em média, até dois salários
mínimos mensais poderá sacar o benefício.
Além disso, o trabalhador
deve ter tido seus dados enviados pela empresa onde atuou à Rais
(Relação Anual de Informações Sociais)
do ano-base 2007.
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Agência Diap, 12 de
janeiro de 2009
PIS/Pasep: saiba qual a diferença
e para que servem
Grande parte dos trabalhadores tem dúvidas sobre qual a diferença
(ou relação) entre o Programa de Integração Social
e de Formação do Patrimônio do Servidor Público,
famoso PIS/Pasep.
Se este é o seu caso,
não se preocupe, pois tudo é mais simples do que você imagina.
A principal diferença entre eles é que o PIS é um
benefício pago aos funcionários de empresas privadas através
da Caixa Econômica Federal, enquanto o Pasep é um benefício
pago aos servidores públicos através do Banco do Brasil.
Objetivo é constituir
fundo de ajuda ao trabalhador
Ambos são formas de contribuição pagas mensalmente pelas
empresas, cujo objetivo é constituir um fundo de ajuda ao trabalhador,
inclusive na perda do emprego. Em outras palavras, o benefício é garantido
apenas quando o empregador contribui para o PIS/Pasep.
Parte desta contribuição
vai para o Governo Federal com o intuito de financiar programas de desenvolvimento
econômico, e o restante da arrecadação é usado
no financiamento de benefícios ao trabalhador, como o seguro desemprego
e o abono salarial.
Seguro
desemprego e abono
Talvez você não saiba, mas nem todas as pessoas desempregadas
têm direito ao seguro desemprego. Se você está nesta situação
e pensando em pedir este benefício, saiba que é preciso ter trabalhado
no mínimo seis meses com registro em carteira.
Além disto, você deve
ter trabalhado pelo menos seis meses nos últimos 36 meses; não
deve estar recebendo nenhum benefício da Previdência Social
de prestação continuada (exceto auxílio-acidente
ou pensão por morte) e não pode ter outro registro na carteira
de trabalho.
Já o abono do PIS/Pasep
funciona como uma espécie de 14º salário, pago aos
empregados em uma data fixada pela Caixa Econômica Federal (CEF)
ou Banco do Brasil (BB), e equivalente ao valor do salário mínimo
vigente. (Fonte: InfoMoney)
Como no caso do seguro desemprego,
existem alguns requisitos exigidos por lei para que você tenha
direito a este benefício:
- A média da sua remuneração
durante o ano anterior deverá ser de no máximo dois salários
mínimos mensais;
- No ano anterior precisa ter
trabalhado pelo menos trinta dias com vínculo empregatício;
- Deve ser cadastrado no PIS/Pasep
há pelo menos cinco anos;
- Seu empregador deverá ter
informado os seus dados corretamente na Rais (Relação
Anual das Informações Sociais) durante o ano anterior
ao pagamento do benefício.
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Vermelho, 12 de janeiro de
2009
Um terço das indústrias
pretende demitir até fevereiro
Pressionada por estoques elevados e queda nas vendas, quase um terço
da indústria brasileira pretende reduzir o número de empregados
até o mês que vem. O índice de empresas que planejam demitir é o
maior dos últimos dez anos.No mês passado, 32,5% de 1.086 indústrias
que, juntas, têm perto de 1,3 milhão de trabalhadores, informaram à Fundação
Getúlio Vargas (FGV) que pretendem demitir até fevereiro.
Esse índice é superior à média
de 15 anos de empresas que planejam cortar pessoal, que foi de 19,5%.
O pico mais recente de demissões na indústria ocorreu em
janeiro de 1999, quando houve a mudança do câmbio fixo para
flutuante e 32,7% das companhias informaram que iriam cortar o emprego.
"A situação é mais
preocupante hoje do que dez anos atrás: a crise é global
e não tem para onde correr", diz o coordenador técnico
da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação
da FGV, Jorge Ferreira Braga.
Além disso, a situação
se deteriorou rapidamente por causa da crise. Há apenas seis meses,
a tendência era exatamente inversa. Isto é, 35,7% dos empresários
consultados previam contratações nos próximos três
meses. Os dados da pesquisa são livres das influências típicas
de cada época do ano.
A perspectiva de demissão
crescente na indústria faz soar o sinal de alerta porque o nível
de emprego nas fábricas tem efeito multiplicador no número
de postos de trabalho nos demais setores, apesar de comércio e
serviços ocuparem mais da metade (64,4%) das vagas formais abertas
em 12 meses até novembro de 2008, segundo o Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged).
Para cada vaga aberta nas fábricas
são criados três empregos diretos ou indiretos no setor
de serviços, calcula o sócio diretor da RC Consultores,
Fabio Silveira. "Uma trava na indústria puxa o freio no emprego
em outros setores."
O professor de Economia da Unicamp,
Julio Gomes de Almeida, acrescenta que o desemprego industrial tem impacto
maior na economia porque o salário é maior que nos demais
setores. Além disso, as vagas são formais, o que abre as
portas para o trabalhador comprar a prazo.
A pesquisa da FGV revela que
os setores da indústria de transformação com maior
intenção de demitir entre dezembro e fevereiro são
aqueles cujas vendas dependem do crédito, como automóveis,
eletrodomésticos e eletrônicos; e ligados aos planos de
investimentos, como máquinas e equipamentos; e relacionados à exportação,
como celulose e siderurgia.
Quem lidera o ranking dos cortes é a
indústria mecânica, com 68,3% das empresas planejando demissões,
mais que o dobro de novembro (32,5%). Na vice-liderança está a
indústria de material de transporte, com 62,9% das empresas decididas
a demitir, seguida pelos segmentos de matérias plásticas
(39,4%), metalurgia (35,8%) e celulose (35,8%).
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Folha de S.Paulo, 12 de janeiro
de 2009
Campanhas de 2008 são 57%
mais caras do que as de 2004
Doações ocultas somam cerca
de R$ 259 milhões, o que equivale a 12% do total | Candidatos
gastam R$ 2,4 bi; para Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil,
custo não aumentou, mas cresceu a declaração dele
RUBENS VALENTE
ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL
A campanha eleitoral de 2008
em todo o país custou pelo menos R$ 2,43 bilhões, segundo
levantamento realizado pela Folha nos registros oficiais do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral). As despesas da primeira disputa municipal depois
do escândalo do mensalão (em 2005) foram 56,77% maiores
do que o total da campanha municipal anterior, de 2004, que custou declarados
R$ 1,55 bilhão -já considerada a inflação
do período 2004-2008.
A cifra de R$ 2,43 bilhões foi obtida após a exclusão
de erros cometidos por pelo menos seis candidatos em suas declarações.
Um deles apontou o gasto absurdo de R$ 22 bilhões.
A reportagem também teve de eliminar os repasses realizados às
contas dos candidatos pelos comitês financeiros de campanha -sem a exclusão,
esses valores seriam contados, equivocadamente, em dobro. Por lei, os comitês
estavam autorizados tanto a fazer gastos próprios quanto a efetuar repasses
para os candidatos. A reportagem analisou CDs enviados pelo TSE, a pedido,
com a íntegra dos dados das eleições.
Entre os partidos, o PMDB, com R$ 422 milhões, encabeçou o ranking
em 2008. A liderança não surpreende, já que foi a sigla
que mais lançou candidatos, com 2.660 nomes para prefeitos, dos quais
elegeu 1.200, incluindo os de cinco capitais, e outros 39.090 candidatos a
vereador, dos quais foram eleitos 8.466.
O PSDB apareceu em segundo lugar, com R$ 364 milhões, seguido de perto
pelo PT, com R$ 359,2 milhões.
Dinheiro
oculto
O levantamento também dimensionou as doações chamadas
ocultas. São aquelas realizadas pelos diretórios dos partidos
-municipais, estaduais e nacionais- nas contas dos candidatos ou dos comitês
financeiros. A maior parte desse dinheiro vem de doadores privados, pessoas
físicas e jurídicas que escolheram esse método legal como
uma forma de não manter vínculos públicos com os candidatos
que apoiavam. A menor parte dos repasses é oriunda do Fundo Partidário.
Em 2008, os partidos investiram por esse caminho R$ 258,9 milhões nas
campanhas eleitorais em todo o país - 11,73% do total. A origem desse
dinheiro só poderá ser conhecida no último dia de abril
próximo, quando os diretórios dos partidos devem entregar suas
prestações de conta de 2008.
O PT foi o partido que mais utilizou o expediente, ao repassar R$ 73,9 milhões
por meio de seus diversos diretórios. Desse total, R$ 34,8 milhões
partiram do Diretório Nacional do partido, em Brasília.
O segundo lugar coube ao PSDB, com R$ 47,2 milhões, seguido pelo DEM,
com R$ 40,2 milhões. O Diretório Nacional tucano destinou R$
1,6 milhão para o candidato Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e R$ 1,88 milhão
para o candidato Sebastião Madeira (PSDB-MA), ex-deputado federal que
se candidatou a prefeito em Imperatriz (MA).
O principal destino do caixa dos democratas foi a candidatura vitoriosa de
Gilberto Kassab e os comitês eleitorais da cidade de São Paulo,
num total de R$ 18,2 milhões.
Efeito
" As evidências são as de que as declarações
de 2004 é que foram baixas. Não houve um aumento real dos custos
da campanha de 2008, mas um aumento das declarações dos custos",
disse o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, o matemático
Claudio Weber Abramo. "É um efeito do mensalão. Apesar de
toda a cortina de fumaça que se criou em torno do mensalão, acho
que os partidos foram mais cuidadosos em 2008."
O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que chefiou o comitê financeiro
eleitoral da candidata derrotada à Prefeitura de São Paulo, Marta
Suplicy (PT), disse que parte dos custos de 2008 deve-se a despesas indiretas,
como cessão de imóveis. "São coisas que não
implicaram desembolso de dinheiro propriamente dito. Um imóvel emprestado,
por exemplo, é preciso ser contabilizado como doação em
dinheiro", disse ele.
Zarattini também faz críticas à atual sistemática
de prestação de contas, que prevê contas bancárias
para comitês, candidatos e partidos, umas misturando-se às outras. "Quem
inventou todo esse sistema foi o tribunal [TSE], isso não é bom
para os partidos. Deveria ser simplificada. É interminável essa
prestação de contas."
Por outro lado, ele não concorda que as doações de campanha
sejam divulgadas ao tempo das eleições -hoje os dados são
liberados ao eleitorado sempre depois da disputa.
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Vermelho, 12 de janeiro de
2009
Eleição na Câmara
Federal abre disputa por comando do PMDB
O crescente favoritismo do deputado
Michel Temer (PMDB-SP) na eleição para a presidência
da Câmara Federal precipitou o debate sobre a disputa pelo comando
do PMDB. O cargo, atualmente ocupado pelo parlamentar, é considerado
estratégico nas negociações para a formação
das coligações partidárias de 2010.
As eleições para as presidências da Câmara e do Senado
estão marcadas para o dia 2 de fevereiro. Além de Temer, os deputados
Osmar Serraglio (PMDB-PR), Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) concorrem
ao cargo. Temer, entretanto, já conquistou o apoio de 11 partidos (PMDB,
PT, PSDB, DEM, PPS, PTB, PR, PV, PSC, PHS e PMN) e pode conseguir ainda a adesão
do PDT — que sinaliza com o rompimento do Bloco de Esquerda, responsável
pelo lançamento da candidatura de Aldo.
No fim do ano passado, a Executiva
Nacional do PMDB prorrogou os mandatos dos dirigentes da legenda até março
de 2010. Crescem, entretanto, os rumores de que Temer poderia se licenciar
da presidência do partido se voltar a presidir a Câmara. “Só vou
decidir isso depois da eleição. Vou reunir a Executiva
e nós vamos discutir”, desconversou Temer.
Candidatos para sucedê-lo
não faltam. Até agora, a primeira vice-presidente do partido,
deputada Íris de Araújo (GO), é a única a
assumir publicamente a intenção. “Ele (Temer) acha
que terá dificuldades de cumprir as duas obrigações
(acumular as presidências do PMDB e da Câmara)”, disse Íris. “Eu
me preparo para assumir. O caminho racional e lógico é esse”,
acrescentou.
Se substituísse Temer, Íris
permaneceria no cargo até o fim do mandato ou convocaria uma nova
eleição. Com a vice na presidência, a influência
de Temer no comando do partido permaneceria. “A gente tem uma sintonia
muito grande. A gente vai se completar. Se houver outra eleição,
me coloco como candidata.”
Quércia — que atualmente
preside o diretório do PMDB em São Paulo — também
foi apontado como interessado no cargo, mas negou o propósito. “O
Michel vai continuar na presidência. Fica a mesma coisa”,
afirmou, lembrando que Ulysses Guimarães acumulou as presidências
da Câmara e do partido no fim da década de 1980.
Senado
Outra ala da legenda também
se articula. Se não conquistarem a presidência do Senado,
os senadores peemedebistas tentarão obter outro canal direto de
comunicação com o governo e demais partidos. O presidente
do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), tenta se reeleger, mas o
senador José Sarney (PMDB-AP) pode entrar na disputa.
Se o PMDB perder a presidência
do Senado e Temer vencer na Câmara, os senadores do partido podem
tentar acelerar o processo de sucessão do deputado. O líder
do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), deve ser então
o candidato da bancada.
Para o líder do PMDB no
Senado, Valdir Raupp (RO), se Temer de fato se licenciar, a vice-presidente
deveria assumir um mandato tampão e convocar uma convenção
nacional do partido para que o próximo presidente da sigla seja
escolhido. “Poderia antecipar a convenção, já que
houve essa prorrogação (do mandato do atual presidente).
Pode se estabelecer um entendimento para encurtar essa prorrogação
e fazer uma convenção”, argumentou Raupp.
Outro potencial candidato à presidência
do PMDB é o deputado Eunício Oliveira (CE), que está em
viagem aos Estados Unidos. O parlamentar foi ministro das Comunicações
no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Como o PMDB é o maior
partido do país, o presidente terá um papel importante
nas negociações com outras siglas para a formação
das coligações nas eleições de 2010. PT e
a oposição — PSDB, DEM e PPS — já começaram
a assediar o PMDB, que, apesar de integrar a coalizão governista,
tem políticos alinhados à oposição. Um deles é Quércia.
“Vou trabalhar no
sentido de o partido apoiar o Serra (José Serra, governador
de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência)” adiantou
Serra. Já Íris deixa a decisão de quem o PMDB
deve apoiar em 2010 em aberto. “Não dá para a gente
fazer qualquer análise precipitada.”
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de janeiro de 2008 | Política
Benefício para senadores custou
R$ 11 milhões em 2008
Agência Estado
Os 81 senadores e outros 5 suplentes gastaram R$ 10,9 milhões em 2008
com despesas extras de locomoção, hospedagem, contratos de consultorias,
locação de escritórios, entre outros gastos, graças à chamada
verba indenizatória - que funciona, na prática, como complemento
salarial de R$ 15 mil a que todo parlamentar tem direito.
Considerada uma caixa-preta,
a aplicação da verba indenizatória só começou
a ser divulgada em 2008, no site do Senado, mas pouco contribuiu para
a transparência. No site, as despesas são justificadas de
forma genérica, em cinco categorias: 1) locomoção,
hospedagem e combustível; 2) compra de materiais de escritório;
3) locação de imóvel; 4) contratação
de pesquisas e consultorias; 5) divulgação da atividade
parlamentar.
Não há especificação
de quem recebeu os recursos nem o que foi pago. As notas fiscais ficam
com a Secretaria de Fiscalização e Controle. Cabe ao Tribunal
de Contas da União (TCU) a conferência das prestações
de contas, mas isso é feito apenas por amostragem.
Criado em 2003 pelo então
presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o benefício
na prática complementa os salários dos parlamentares, de
R$ 16,5 mil, e serve para custear atividades em seus Estados de origem.
A maior parte é usada com passagens, combustível e hospedagem.
Nem todos os senadores, porém, usam a verba. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de janeiro de 2008 | Política
Disputas na Câmara e no Senado
definirão votações
Agência Brasil
A disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, já no dia da reapresentação de deputados e senadores,
será o ponto de partida de uma agenda parlamentar com vários
projetos importantes a serem votados em 2009. Como este ano o 1º de fevereiro
(dia constitucional da reabertura do Congresso Nacional) cai em um domingo,
os parlamentares voltam ao trabalho no dia seguinte, segunda-feira (2).
Além da escolha dos representantes
para os cargos mais importantes do Congresso, a pauta do Legislativo
será marcada pelas discussões em torno da medida provisória
(MP) que destina recursos da ordem de R$ 14,2 bilhões para o Fundo
Soberano, a proposta da reforma tributária, a votação
em segundo turno da proposta de emenda à Constituição
(PEC) que altera o rito de edição das medidas provisórias
e a promulgação da PEC dos Vereadores. Também devem
voltar a ser debatidas a regulamentação da Emenda 29, que
destina mais recursos à saúde, e o projeto de lei que põe
fim à cobrança da assinatura básica na telefonia.
Para o líder do PSDB,
José Aníbal (SP), 2008 foi um ano "muito positivo" para
a Câmara e, em 2009, há a perspectiva de uma agenda positiva
de votações. "Se houver convergência, se houver
disposição, e não apenas a retórica do governo
e da sua base de sustentação, poderemos evoluir na reforma
tributária, na reforma política, que está caindo
de madura e é tão necessária. E temos matérias
relativas às agências reguladoras. É importante que
elas funcionem bem, para atrair investimentos na infra-estrutura e logística
brasileiras. Além de matérias para evitar os impactos da
crise", disse o deputado tucano à Agência Brasil.
Ele afirmou ter sido contra a
PEC dos Vereadores e acrescentou que continuará a luta na Justiça
para que a MP do Fundo Soberano, aprovada no Senado ao apagar das luzes
da sessão legislativa de 2008, seja considerada inconstitucional.
Em relação à disputa pela Presidência da Câmara,
Aníbal acredita que deve prevalecer a tradição da
eleição pela proporcionalidade e, com isso, Michel Temer
(PMDB-SP) deverá ser eleito.
"Há uma certa convergência,
ao meu ver. Acredito muito na idéia, que está prevalecendo
na Câmara, da proporcionalidade, cabendo, portanto, ao PMDB, a
Presidência. Em seguida, de acordo com a expressão de cada
bancada, as posições equivalentes na Mesa. Acho que se
essa idéia prevalecer, e tudo indica que vai, poderemos fazer
essa boa agenda para o Parlamento", argumentou.
Até o início
do recesso, em 22 de dezembro, quatro candidatos entraram na briga
pela Presidência da Câmara. Michel Temer, que tem conseguido
apoio formal de várias legendas, inclusive do PT, que tem a
segunda maior bancada. O primeiro-secretário da Câmara,
Osmar Serraglio (PMDB-PR), que sairá como candidato avulso,
já que o PMDB lançou oficialmente a candidatura de Temer,
Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de janeiro de 2008 | Política
Prefeitos herdam armadilhas de derrotados
nas urnas
Agência Estado
O dia 1º de janeiro não foi de comemoração para centenas
de prefeitos que tomaram posse em todo o País. Mesmo com o rigor da
Lei de Responsabilidade Fiscal, muitos administradores, ao assumirem os novos
mandatos, se depararam com prefeituras devastadas e falidas, sem qualquer condição
de trabalho.
Conhecida por atrair milhares
de turistas estrangeiros, Armação de Búzios, no
litoral norte fluminense, viveu dias de abandono. A cidade de 23 mil
habitantes - que no período de férias chega a comportar
200 mil pessoas - teve de conviver, nas festas de fim de ano, com o acúmulo
de lixo nas ruas porque o contrato com a empresa de coleta venceu no
dia 20 de dezembro. "Abandonaram a cidade na coleta e na varrição.
Então minha primeira medida foi essa, a urgência era a limpeza
da cidade", disse o novo prefeito Mirinho Braga (PDT).
O prefeito de Búzios teve
ainda de enfrentar o corte de luz, água e telefone do prédio
da prefeitura, por falta de pagamento, o que adiou a volta dos funcionários
ao trabalho para a próxima segunda-feira. Braga também
fez boletim de ocorrência para denunciar o desaparecimento de computadores
e abriu inquérito administrativo para apurar o sumiço de
processos do governo.
"O que vi foi assustador.
Foi um desmonte total da administração e da cidade",
desabafou Mirinho Braga, que prevê mais um mês para colocar
a "casa em ordem". Segundo ele, seu antecessor, Toninho Branco
(PMDB), deixou uma dívida de R$ 6 milhões e quatro cheques
devolvidos. No ano passado, a cidade recebeu R$ 74 milhões de
repasses do governo federal.
"Retribuí tudo o
que ele (Braga) me fez. Quando ele me entregou o governo (em janeiro
de 2005), não deixou nem a chave da prefeitura", alega o
ex-prefeito de Búzios. O peemedebista nega as dívidas e
o sumiço de computadores e processos. "Cabe a ele fazer uma
sindicância e ir à Justiça reclamar. Ele tem que
provar", rebateu.
Luciano Bispo (PMDB), prefeito
eleito de Itabaiana - a quarta cidade mais importante de Sergipe, com
100 mil habitantes - também enfrentou problemas de lixo acumulado,
equipamentos quebrados e sumiço de listas de servidores e beneficiários
de programas sociais. "Apagaram todos os programas dos computadores",
conta. Só no ano passado, Itabaiana recebeu R$ 46 milhões
do Governo Federal.
Bispo calcula que tenha herdado
uma dívida de R$ 1 milhão da ex-prefeita Maria Mendonça
(PSB) e espera pelo menos três meses para organizar a administração.
O novo prefeito preferiu não comentar a postura da sua antecessora. "Ela
já foi julgada pela população e perdeu as eleições".
A ex-prefeita não respondeu às ligações da
reportagem da Agência Estado.
Inusitado
Situação inusitada
viveu a nova prefeita de Mimoso de Goiás (GO), Miriã de
Souza Vidal (PRB). Além de assumir uma cidade que não tinha
coleta de lixo desde o período eleitoral, contas atrasadas desde
outubro de 2008, falta de repasse de verbas à Câmara Municipal
e sumiço de arquivos dos computadores, a prefeita afirma que,
desde sua posse o ex-prefeito Antonio da Costa Tavares (PTB) continua
movimentando as contas da Prefeitura, com retiradas que somam R$ 60 mil.
"Vou mover uma ação
contra o banco porque eles continuam pagando os cheques dele até hoje",
reclama Miriã. De "lembrança", o ex-prefeito
deixou no cofre do gabinete apenas R$ 1,25. "E o que tem em conta
ele ainda está utilizando", completou o novo secretário
de Finanças do município, Décio Vidal.
A nova administração
de Mimoso de Goiás, cidade de 2,9 mil habitantes que recebeu mais
de R$ 3 milhões do governo federal em 2008, reclama ainda da falta
de transição e da falta de informação sobre
as contas do município, citando que não há dinheiro
nem mesmo para os serviços básicos, como o abastecimento
das ambulâncias da cidade. "Não usamos até agora
1 centavo da Prefeitura, estamos arcando com os custos do nosso próprio
bolso", disse Miriã.
A nova prefeita do município
enfrenta agora o "desafio" de descobrir quem são seus
servidores e quanto ganham, já que a lista de funcionários
desapareceu. "Estamos pesquisando para montar nossa folha de pagamento",
relata o secretário de Finanças. O ex-prefeito não
foi encontrado pela reportagem para responder às denúncias.
Seu celular está programado para não receber chamadas.
Caráter
O comportamento de certos políticos
derrotados nas urnas, que abandonam suas cidades após as eleições,
chama a atenção do cientista político e consultor
da ONG Transparência Municipal, François Bremaeker. "Isso
não tem nada a ver com a Lei de Responsabilidade Fiscal, tem a
ver com o caráter das pessoas", diz. A Lei de Responsabilidade
Fiscal, em vigor desde maio de 2000, foi criada para evitar que prefeitos
e governadores gastem mais do que arrecadam, ou seja, que não
deixem administrações falidas para seus sucessores.
Bremaeker explica que a rejeição
das urnas já reflete o descontentamento da maioria da população
diante da administração de seus prefeitos e acredita que
o comportamento de final de mandato destes políticos provocará uma
mancha definitiva em suas carreiras. "Dificilmente eles voltarão
ao poder", prevê.
Como "abandono de administração" não
se enquadra na Lei de Responsabilidade Fiscal, cabe aos novos prefeitos
denunciarem seus antecessores à Controladoria Geral da União
(que só investiga os municípios em casos de denúncia
ou quando estes entram no grupo de municípios sorteados anualmente
para investigação), ao Ministério Público
ou ao Tribunal de Contas de seu Estado. "Eles (ex-prefeitos) atrapalham
no começo, mas lá na frente vão ter de responder
pelo que fizeram", lembra Bremaeker.
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de janeiro de 2008 | Economia
Mutirão para pagar o seguro-desemprego
Cintia Végas
Ao longo da última semana, a fila de pessoas em busca de seguro-desemprego
foi grande nas sete unidades da Agência do Trabalhador de Curitiba (uma
unidade central e seis localizadas em Ruas da Cidadania). Para evitar que a
situação se repita nos próximos dias, a entidade promoveu
um mutirão para concessão do benefício no decorrer do
dia de ontem. Das 8 horas às 16h30, foram atendidos cerca de 1.600 usuários.
"Neste início de
ano, a agência tem atendido quase o dobro de pessoas do que normalmente
costuma atender. A unidade central (na Rua Pedro Ivo), por exemplo, tem
capacidade para atender duzentas pessoas a cada dia. Porém, tem
sido procurada por cerca de quatrocentas, o que acaba gerando um saldo
negativo de atendimento. Com o mutirão, a intenção é minimizar
o problema", comentou o coordenador estadual do Sistema Nacional
de Empregos, Messias da Silva.
Nos dois primeiros dias úteis
de 2009, a Agência do Trabalhador da capital atendeu 2,7 mil pessoas.
Na primeira segunda-feira de janeiro (5), foram atendidos 1,14 mil trabalhadores,
sendo seiscentos só na unidade central. No dia seguinte, 1,56
mil cidadãos procuraram o serviço. Em relação à oferta
de emprego, a agência tem cadastradas cerca de 1.700 vagas, em
diversas áreas.
"As rescisões de
contratos de trabalho têm sido grandes neste início de ano.
Um dos motivos disto tem sido a crise internacional, que acaba afetando
a economia como um todo", disse o coordenador. "No mutirão,
todos os funcionários da Agência estão em atividade
para atender o cidadão. Os atendimentos foram agendados ao longo
da última semana."
Trabalhadores
Quem passou ontem pelas
unidades da Agência do Trabalhador aprovou o mutirão.
Era o caso do pizzaiolo Ronaldo Ferreira de Moraes, que perdeu o emprego
no último mês de dezembro. "O atendimento no sábado é bastante
prático. Além disso, a fila está bastante rápida.
Cheguei agora (às 9 horas) e peguei a senha 260. Porém,
em uma hora, o atendimento já está no número 93."
A atendente de lanchonete Elza de Almeida Nogueira comemorou o fato de não
precisar acordar de madrugada para entrar na fila do seguro. "Moro longe,
na Vila Oficinas, e seria complicado chegar aqui (na unidade central) de madrugada.
Tenho duas filhas pequenas para cuidar", afirmou.
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FOLHA DE LONDRINA, 12 de
janeiro de 2009 | Opinião
Os ônus e os bônus de se
trabalhar em casa
Mercado para os freelancers está aquecido,
diz especialista; disciplina é fundamental
Ter a carteira assinada ou poder
trabalhar em casa? Férias remuneradas ou pagas do próprio
bolso? Reportar-se ao chefe ou ser dono do próprio nariz? Essas
são algumas das principais diferenças de quem possui um
registro de trabalho ou trabalha por conta própria, fazendo o
seu próprio horário, os chamados freelancers.
A independência e a liberdade
são os fatores que mais fizeram crescer o número de profissionais
autônomos. Não ter hora para levantar, não ter uma
cobrança direta e poder montar o escritório dentro de casa
parece um sonho para muitos, mas é a realidade destes profissionais.
''O mercado está bastante
aquecido, ainda mais agora com a atual crise econômica e a incerteza
da estabilidade no emprego, além da necessidade de complementação
de renda. Do outro lado, as altas cargas tributárias fazem com
que as empresas que precisam de profissionais qualificados possam encontrar
no freelancer a solução ideal para realizar projetos específicos,
que durem poucos dias ou meses'', comenta o diretor do Cathonegócios,
Marco Soraggi, de São Paulo.
É difícil saber
o número exato de profissionais que atuam nesta modalidade, uma
vez que muitas contratações não são anunciadas,
a maioria é feita por indicação ou experiência
prévia. ''Também é importante ressaltar que não
devemos comparar o mercado de trabalho formal com o de freelancer nas
mesmas bases. Uma vaga no mercado de trabalho formal é preenchida
por um profissional por um longo período, ao passo que um profissional
freelancer pode prestar vários serviços para vários
contratantes simultaneamente em período relativamente curto'',
explica Soraggi.
Para o designer gráfico
Felipe Ledier, o primeiro ''freela'' surgiu ainda na faculdade com o
desenvolvimento de uma identidade visual para a empresa de um amigo.
Ele afirma que a flexibilidade de horários é a grande aliada
e vilã.
''Trabalhar no momento em que
for mais conveniente dentro do seu dia é muito bom, mas, ao mesmo
tempo, exige uma disciplina muito grande, afinal, o freelancer pode até não
ter horário fixo para trabalhar, mas os clientes têm prazos
que devem ser rigorosamente respeitados'', justifica.
Poder discutir e negociar os
projetos diretamente com quem aprova, sem intermediários, também
conta pontos. Mas o mais importante, na opinião de Ledier, é ter
em mente que ''o cliente tem sempre razão'' e que para bem atendê-lo é importante
entendê-lo e assim superar suas expectativas.
Para o diretor do Cathonegócios,
as principais preocupações que rondam os freelancers são
a incerteza de ter uma renda garantida, a falta de benefícios
trabalhistas como FGTS, INSS, férias e 13º, além de
terem que arcar com custos que muitas vezes são dados como benefícios
por empresas, como plano de saúde, vale-refeição,
entre outros.
A grande sacada é conseguir
unir o emprego formal com trabalhos extras, os famosos bicos, que podem
complementar a renda durante o tempo ocioso do profissional. Com isso,
eles não deixam de ter os benefícios e conseguem obter
ganhos muitos maiores no final do mês. ''Mesmo para os profissionais
que não trabalham com carteira assinada, o trabalho freelancer é uma
opção mais vantajosa quando consegue ter um portfólio
de qualidade e um networking efetivo.''
Bruna Martinho
Carreira & Sucesso
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Agência Diap, 12 de
janeiro de 2009
Amazônia concentra maior parte
de casos de trabalho escravo no Brasil
Atividades econômicas que
destroem floresta estão ligadas ao crime. Pará, Mato
Grosso e Maranhão são estados mais afetados pelo
problema
Eles não vivem presos
a correntes, não são transportados em navios féditos
e nem são vendidos em mercados, mas são considerados escravos.
Muitos trabalhadores brasileiros ainda são chamados assim porque
bebem água suja, dormem em alojamentos superlotados, são
obrigados a comprar equipamentos de trabalho e muitas vezes não
podem deixar o emprego porque têm dívidas com patrão.
E a maior parte desses casos acontece na Amazônia.
Segundo o último cadastro
de empregadores que utilizaram mão-de-obra escrava divulgado pelo
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 66% dos flagrantes do
crime ocorreram em estados pertencentes à Amazônia Legal,
região que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso,
Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
O cadastro, divulgado semestralmente pelo Governo desde 2003, é conhecido
popularmente como "lista suja" e reúne 201 nomes de
fazendeiros e de empresas.
De acordo com dados levantados
pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), 51% dos casos de trabalho
escravo ocorridos em 2008 estavam ligados à pecuária. "Os
trabalhadores [encontrados nessa situação] fazem limpeza
e manutenção dos pastos, além de instalarem cercas",
explica o frei Xavier Plassat, coordenador da campanha contra o trabalho
escravo da CPT.
A segunda atividade que mais
concentrou casos de trabalho análogo à escravidão
em 2008 foi a produção de carvão, que respondeu
a 17% do total. Segundo Plassat, esses casos são comuns nos arredores
do pólo siderúrgico de Marabá, no Pará, onde
o carvão é utilizado para a produção de ferro.
Trabalhadores libertados
desde 1995
Pará: 10.951 (33,3%)
Mato Grosso: 5.154 (15,7%)
Maranhão: 2.534 (7,7%)
Bahia: 2.420 (7,3%)
Goiás: 2.407 (7,3%)
Tocantins: 1.982 (6,0%)
Mato Grosso do Sul: 1.946 (5,9%)
Minas Gerais: 944 (2,9%)
Rio de Janeiro: 792 (2,4%)
Alagoas: 755 (2,3%)
Paraná: 582 (1,8%)
Rondônia: 485 (1,5%)
São Paulo: 429 (1,3%)
Piauí: 426 (1,3%)
Espírito Santo: 346 (1,1%)
Ceará: 299 (0,9%)
Santa Catarina: 221 (0,7%)
Amazonas: 103 (0,3%)
Rio Grande do Sul: 86 (0,3%)
Rio Grande do Norte: 36 (0,1%)
Acre: 24 (0,1%)
Pernambuco: 9 (0,1%)
Total: 32.931 (100,0%)
Fonte: Comissão Pastoral da Terra
Desmatamento
e trabalho escravo
Além da coincidência geográfica e das atividades econômicas
- a produção de carvão e a pecuária são
apontadas como umas das principais atividades causadoras do desmatamento -
as causas do trabalho escravo também são próximas às
do desmatamento.
"São regiões
inóspitas, onde não há infraestrutura material quanto
institucional. Não há presença do estado fiscalizador.
O campo é aberto para práticas incontroláveis. Temos
muita dificuldade para levar a fiscalização para a Terra
do Meio [região do sudeste paraense], por exemplo, onde há muitas
denúncias", relata Plassat.
Os produtos resultantes da utilização
desse tipo de crime também revelam proximidade com atividades
que causam impacto à floresta. De acordo com o cientista político
Leonardo Sakamoto, coordenador Repórter Brasil, ONG que atua no
combate ao trabalho escravo, mercadorias com essa origem são consumidas
dentro e fora do Brasil.
"Carne bovina, soja, madeira,
carvão vegetal - usado na siderurgia -, produção
de frutas, como o cacau, e cana-de-açúcar", enumera
Sakamoto, que pesquisa as cadeias produtivas em que é recorrente
esse tipo de crime.
Grupo
móvel
Quase a totalidade dos flagrantes de trabalho escravo são realizados
em operações do grupo móvel de fiscalização
do MTE. Além de fiscais do trabalho, participam dessas ações
membros do Ministério Público do Trabalho e da Polícia
Federal.
Em 2008, o grupo fiscalizou 255
fazendas, libertando 4.634 pessoas. Segundo nota divulgada pelo MTE,
o trabalho escravo ocorre em "situações de trabalho
forçado, jornada exaustiva, servidão por dívida
e trabalho degradante, que significa ausência dos direitos relacionados à saúde
e segurança."
Segundo Sakamoto, poucas pessoas
vão para a cadeia por cometerem esse tipo de crime, pois praticamente
não existem condenações criminais. Há, contudo,
algumas sansões econômicas. Além da fiscalização
gerar multas, a empresa ou fazendeiro pode entrar para a ‘lista
suja', deixando de receber financiamento de bancos e agências públicas.
Quem entra para a lista também
pode perder os clientes que assinaram o Pacto Nacional pela Erradicação
do Trabalho Escravo, documento em que empresas se comprometem a não
comprar de quem cometeu o crime. "Há também ações
civis públicas do Ministério Púbico do Trabalho",
relata o pesquisador.
Para sair da lista do governo,
os fazendeiros precisam esperar dois anos e pagar todas as dívidas
trabalhistas e multas geradas no momento da fiscalização.
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CONSULTOR JURÍDICO,
12 de janeiro de 2009
Dinheiro da refeição
Vale-Refeição tem natureza
salarial se o valor pago for simbólico
Para que seja reconhecido como salário in natura, o vale-refeição
deve ser fornecido pela empresa sem qualquer custo para o trabalhador. Desse
modo, se o valor pago pelo funcionário for simbólico, o vale
continua sendo integrado ao salário. Para a 7ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, outro entendimento é uma forma de estimular jogada
da empresa para desvirtuar a lei.
Com isso, a Turma reformou decisão
da Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP) e determinou
a integração ao salário do valor pago para alimentação
de um trabalhador da empresa Potencial Engenharia e Construções.
Segundo o artigo 458 da CLT, a refeição fornecida pelo
empregador, por força do contrato de trabalho ou do costume, integra-se
ao salário. Para o ministro Guilherme Caputo Bastos, relator,
o desconto simbólico equivale à concessão gratuita
da alimentação.
O ministro concluiu que, embora
se admita que a participação do trabalhador no pagamento
da alimentação descaracteriza o salário in natura, “não
há como prevalecer tal entendimento se o custeio é feito
de forma simbólica, como ocorreu no presente caso”.
O trabalhador teve o reconhecimento
da natureza salarial do valor pago para alimentação, considerando-o
para cálculo de férias, feriados, décimo terceiro,
aviso prévio e depósitos de FGTS. Alegou que a quantia
descontada de seu salário era, na verdade, uma tentativa de descaracterizar
a gratuidade e, assim, afastar a aplicação do artigo 458
da CLT.
Guilherme Bastos acolheu a argumentação. “Caso
contrário, bastaria para as empresas, a fim de burlar o artigo
458 da CLT, lançar uma quantia ínfima no salário
do empregado sob essa rubrica e, assim, desonerar-se das conseqüências
ali contidas”, afirmou.
RR 1.494/2005-444-02-00.9
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