 |
Agência Brasil, 14
de janeiro de 2009
IBGE: desaceleração
industrial é sinal de que a crise chegou
A queda de 0,6% registrada em novembro no nível de emprego na atividade
fabril reflete o menor dinamismo que atingiu a produção industrial
no Brasil a partir de outubro. A avaliação é do economista
coordenadoria de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) André Macedo. Segundo ele, esse movimento ocorre em conseqüência
do agravamento da crise financeira internacional que dá sinais de
estar atingindo a atividade.
O resultado da Pesquisa Mensal
de Emprego e Salários, divulgada nesta terça-feira (13)
pelo IBGE mostra que em novembro o emprego na indústria teve o
pior desempenho desde outubro de 2003, quando houve queda de 0,7%.
De acordo com Macedo, o desempenho
foi prejudicado por paradas técnicas não planejadas e férias
coletivas concedidas nesse período. "Esses fatores já haviam
afetado a produção industrial nos meses de outubro e novembro
e agora se refletem nas variáveis do mercado de trabalho".
E arremata: "Sempre que
ocorre um menor dinamismo na atividade produtiva ocorrem reflexos num
primeiro momento no número de horas pagas e em seguida no pessoal
ocupado na atividade", afirmou.
Segundo a pesquisa do IBGE, em
novembro as horas pagas registraram queda de 1,7%, a maior retração
já observada desde o início da série, em janeiro
de 2001. O levantamento mostra, ainda, que o valor da folha de pagamento
do pessoal ocupado na atividade encolheu 2,7% frente a outubro.
Demissões
A GM anunciou nesta segunda-feira a demissão de 744 funcionários
da unidade de São José dos Campos, interior de São Paulo,
onde são produzidos modelos como Corsa, Meriva, Zafira, Montana e S10.
Desse contingente, 144
funcionários eram efetivados da GM, enquanto os outros 600 tinham
contrato temporário com vencimento em junho. Eles haviam sido
contratados para suprir o aumento acima das expectativas nas vendas
até setembro de 2008, mas com o desaquecimento do setor a partir
daí, a montadora viu-se obrigada a diminuir a produção
de veículos e reduzir o número de operários.
|
Agência Diap, 14 de janeiro
de 2009
Queda do emprego na indústria é reflexo
da crise internacional, avalia IBGE
A queda de 0,6% registrada em
novembro no nível de emprego na atividade fabril reflete o menor
dinamismo que atingiu a produção industrial no Brasil a
partir de outubro. A avaliação é do economista coordenadoria
de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) André Macedo. Segundo ele, esse movimento ocorre em conseqüência
do agravamento da crise financeira internacional que dá sinais
de estar atingindo a atividade.
O resultado da Pesquisa Mensal
de Emprego e Salários, divulgada hoje (13) pelo IBGE mostra que
em novembro o emprego na indústria teve o pior desempenho desde
outubro de 2003, quando houve queda de 0,7%.
De acordo com Macedo, o desempenho
foi prejudicado por paradas técnicas não planejadas e férias
coletivas concedidas nesse período.
"Esses fatores já haviam
afetado a produção industrial nos meses de outubro e novembro
e agora se refletem nas variáveis do mercado de trabalho. Sempre
que ocorre um menor dinamismo na atividade produtiva ocorrem reflexos
num primeiro momento no número de horas pagas e em seguida no
pessoal ocupado na atividade", afirmou.
De acordo com a pesquisa
do IBGE, em novembro as horas pagas registraram queda de 1,7%, a maior
retração já observada desde o início da
série, em janeiro de 2001. O levantamento mostra, ainda, que
o valor da folha de pagamento do pessoal ocupado na atividade encolheu
2,7% frente a outubro.
|
Folha
de S.Paulo, 14 de janeiro de 2009
Crise reduz emprego e renda na indústria
Setor registrou em novembro a maior queda no
nível de vagas desde 2003, aponta IBGE; ministro prevê dezembro
pior | Para economista, indicador deu "sinais muito rápidos" de
piora; setores que empregam mais e exportadores lideram corte de postos
de trabalho
Flávio Pereira/"Valeparaibano"

Funcionários da GM aguardam
assembleia em São José dos Campos, onde houve 744 cortes
anteontem
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Afetado pela crise, o emprego
na indústria não resistiu a dois meses consecutivos
de queda na produção: cedeu 0,6% de outubro para novembro
na série livre de influências sazonais, segundo o IBGE.
Foi o pior desempenho desde outubro de 2003 (-0,7%), quando o país
estava em recessão. Em outubro, o indicador havia recuado
apenas 0,1%, variação tida como estável pelo
IBGE.
Na comparação com novembro de 2007, o nível de ocupação
da indústria ainda registrou expansão -de 0,4%-, mas já mostra
sinais claros de desaceleração. Em outubro, a alta havia sido
de 1,6%. Até setembro, oscilou na faixa de 2,2% a 3,5%. Para essa pesquisa,
realizada diretamente com as empresas, o IBGE não divulga números
absolutos de empregos.
" O efeito da crise financeira internacional já chegou às
variáveis do mercado de trabalho, após dois meses seguidos de recuo
da produção industrial", afirma Denise Cordovil, economista
da Coordenação de Indústria do IBGE.
Além do emprego, a renda também sofreu os reflexos da crise.
A folha de pagamento do setor caiu 2,7% em novembro na comparação
com outubro.
No acumulado de janeiro a novembro, o emprego ainda registra expansão
-de 2,4%. A folha de pagamento também se manteve em alta -6,3%. Ambos
os indicadores mostraram, porém, uma tendência de arrefecimento
no final do ano.
Segundo Cordovil, o mercado de trabalho na indústria sofre com os efeitos
da secura do crédito, da retração das exportações
e da freada no nível de confiança de empresários e consumidores.
Tal cenário rebateu nas fábricas. Em apenas dois meses, a indústria
viu seu nível de produção cair 7,8% -5,2% em novembro
e 2,8% em outubro, na taxa livre de influências sazonais.
Para Rogério Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o
Desenvolvimento da Indústria), o emprego respondeu negativamente à retração
da produção com uma defasagem temporal muito pequena, menor do
que o habitual.
Bastou apenas um mês de aprofundamento da crise global, diz, para o mercado
de trabalho se deteriorar. O economista prevê ainda novas quedas no nível
de emprego tanto em dezembro quando no primeiro trimestre de 2009. "Há muito
tempo a indústria não convivia com problema de emprego, como
se configura agora por causa da crise", afirma Souza.
Para Fábio Romão, da LCA, o emprego na indústria deu "sinais
muito rápidos" de piora, tendência que se manterá ao
longo de todo o primeiro trimestre. Uma recuperação gradual,
de acordo com ele, só terá início no segundo trimestre,
mas com maior intensidade no segundo trimestre.
Romão avalia que a folha de pagamento sofrerá menos do que o
emprego com a contração do mercado de trabalho neste ano. Segundo
ele, haverá o impacto positivo do reajuste real do salário mínimo
neste ano, indexador principalmente dos salários mais baixos e do mercado
informal.
Pelos dados do IBGE, setores tipicamente exportadores, na maioria dos casos,
e intensivos em mão-de-obra sentiram mais os efeitos do recuo do emprego. É o
caso de vestuário (queda de 9,8% ante novembro de 2007), calçados
(-8,2%) e madeira (-9,9%), que exerceram as maiores pressões.
Dezembro
pior
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse que não se surpreendeu com a
queda no emprego industrial. "Em dezembro, já tem uma queda grande,
normal, por causa do final dos contratos temporários e prevíamos
que ia aumentar. Deve ser um número bem maior do que habitualmente é",
afirmou. "Já era previsível que essa crise começasse
a afetar a área de empregabilidade de uma maneira mais forte em dezembro."
Para ele, janeiro e fevereiro normalmente não são meses de grande
empregabilidade. "Teremos janeiro e fevereiro fracos e março voltando
a ter crescimento da empregabilidade por causa do fortalecimento da economia
brasileira", disse.
--------------------------------------------------------------------------------
Colaborou a Sucursal de
Brasília
|
FOLHA DE LONDRINA, 14 de janeiro
de 2009 | Economia
Desemprego pode se agravar no 1º trimestre
Brasília - A perspectiva de crescimento do desemprego na indústria,
apontada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), pode se agravar ainda mais no primeiro trimestre do ano. A avaliação é do
economista Rogério Cezar de Souzado, do Instituto de Estudos para o
Desenvolvimento Industrial (IEDI).
Ele explicou que quando há redução
na produção, consequentemente o emprego fica prejudicado.
No entanto, as demissões ocorrem em espaço de tempo posterior à queda
da produtividade.
O fato é que entre o que
a empresa produz e o emprego há uma diferença. A evolução
desses dois agregados econômicos tem um comportamento diferenciado,
afirmou. Segundo Souza, acumulando outubro e novembro a produção
industrial já caiu cerca de 8%, enquanto o emprego registrou retração
de 0,6%.
O que chama atenção
para os próximos meses, contanto com essa idéia de defasagem
(em relação ao percentual de queda da produção
industrial e o ritmo de desemprego), é que a industria ainda está se
ajustando em dezembro e janeiro em relação à produção.
Com o emprego não será diferente, argumentou. Em dezembro,
o emprego ainda pode apresentar um comportamento estável ou uma
queda, mas o primeiro trimestre do ano não será bom para
o emprego, acentuou.
Para o economista, a industria
brasileira acusou de modo muito rápido o agravamento da crise
de meados de setembro. Em outubro, afirmou, a produção
industrial caiu em torno de 2,7%, em relação a setembro,
e no mês de novembro, segundo último dado oficial do IBGE,
houve queda da produção industrial de 5,2%.
Em novembro, a magnitude foi
maior, o tombo foi muito grande e se tornou preocupante e comprometeu
o desempenho que tínhamos em 2008, destacou. Souza avalia que
o quadro de crescimento do desemprego tende a se agravar também
porque os segmentos que estavam puxando a produção industrial
e o emprego já caíram.
Quem são esses segmentos?
São os de bens duráveis, de capital, máquinas e
equipamentos, meios de transporte, todos eles caíram, exemplificou
Souza, acrescentando que a redução ocorreu devido à redução
de crédito e queda nas venda e a consequente elevação
dos estoques. Os empregos nesses setores já haviam desacelerado
bastante, mas se mantinham positivos.
Agência
Brasil
|
O ESTADO DO PARANÁ,
14 de janeiro de 2009 | Economia
Foco de medidas do governo será a
baixa renda
Agência Estado
"Várias ações que o governo está preparando" para
enfrentar a crise terão foco na baixa renda, disse nesta terça-feira
(13) a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho.
A participação da Caixa no pacote se dará na área
de habitação, segundo a presidente.
Ela declarou que o valor do imóvel
que pode usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) para a sua compra vai subir e "poderá" chegar
a R$ 500 mil. "O valor ainda não está definido",
acrescentou. O mesmo aumento, ainda a ser decidido, valerá como
limite para a aquisição do imóvel com financiamento
habitacional pelos recursos da caderneta de poupança.
Maria Fernanda informou também
que a Caixa estuda permitir que os mutuários com dificuldades
para pagar prestações do financiamento habitacional tenham
um período de seis meses em que possam ficar sem realizar o pagamento.
O mecanismo para isso seria um seguro da operação ou um
fundo com este objetivo. "Tudo isso ainda está em estudo",
declarou. Com a criação deste mecanismo, quem não
precisar utilizá-lo ganhará algum tipo de compensação,
como um abatimento no valor do saldo devedor.
Ela afirmou ainda que este ano
o feirão de imóveis com financiamento da Caixa ocorrerá em
um mesmo final de semana de maio em todo o Brasil e terá novidades.
A presidente da Caixa participa
do lançamento de bilhete da Loteria Federal comemorativo dos
72 anos do Museu Nacional de Belas Artes.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
14 de janeiro de 2009 | Economia
Lupi quer contrapartida de empresas
no emprego
Agência Estado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, voltou a defender nesta terça-feira
(13) a exigência de contrapartidas sociais - como manutenção
dos empregos - das empresas que forem beneficiadas pelas ações
do governo, como desoneração de impostos e liberação
de recursos para empréstimos.
Diante das recentes notícias
de que empresas como a montadora GM estão demitindo trabalhadores,
apesar da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) até 31 de março na venda de veículos novos,
Lupi afirmou que "não há motivos para algumas empresas
demitirem". E completou: "Não pode o governo brasileiro
investir bilhões de dinheiro público para empresas saírem
de dificuldades e ainda assim essas empresas continuarem demitindo",
afirmou Lupi, em rápida entrevista na porta do Ministério
do Trabalho, após receber representantes da União Geral
dos Trabalhadores (UGT), que levaram ao ministro propostas de ações
por parte do governo para interromper o ritmo das demissões.
Uma das sugestões do central
sindical é a exigência de que as empresas que receberem
recursos ou benefícios públicos sejam obrigadas a garantir
contratualmente os empregos. Segundo Lupi, ainda não há uma
decisão sobre como isso pode ser feito, mas citou como exemplo
de "incentivo" a alternativa de suspensão do crédito,
caso ocorram demissões.
Caged
Lupi afirmou também que
não o assusta a informação do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), de que em novembro houve uma
queda de 0,6% no nível de emprego industrial, em relação
a outubro de 2008. Segundo ele, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), que registra as demissões e contratações
com carteira assinada, já havia sinalizado, em novembro, que o
volume de contratações foi menor. "Não me surpreendeu
(dado do IBGE). O governo está tomando medidas e teremos que tomar
outras para reverter isto", disse.
Sobre o resultado do Caged em
dezembro, que só deverá ser divulgado na próxima
semana, Lupi negou que já exista uma estatística de que
600 mil postos de trabalho teriam sido fechados, no último mês
de 2008. Segundo o ministro, essa estatística ainda não
está pronta, mas reconheceu que o dado "vai ser maior que
a média". Tradicionalmente, o mês de dezembro registra
em média o fechamento de 300 mil vagas no mercado de trabalho.
FAT e FGTS
O ministro informou que já foi
criado no Ministério do Trabalho, mas que ainda está sendo
formado, um comitê de acompanhamento integrado por representantes
do governo, empresários e sindicalistas, para monitorar o volume
de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS), que estão sendo liberados para
empréstimos às empresas. Segundo ele, o objetivo é ter
a informação sempre precisa do volume de recursos que estão
sendo liberados desses fundos para ajudar as empresas a lidar com os
reflexos da crise financeira internacional.
Lupi disse que se encontrará ainda
hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma "conversa
geral". O encontro, que não estava previamente agendado,
ocorre um dia depois de a montadora a GM anunciar demissões de
744 funcionários temporários, na fábrica em São
José dos Campos (SP).
|
Gazeta do Povo, 14 de janeiro
de 2009
Negociação
Sindicatos e patrões abrem diálogo
Diante da expectativa de que o desemprego se alastre ainda mais no Brasil,
sindicalistas e empresários reuniram-se ontem, na sede da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para discutir
propostas que possam conter as demissões. Mas a reunião, mais
uma vez, terminou sem acordo. Os números oficiais de dezembro ainda
não foram divulgados, mas a estimativa é de que possam mostrar
600 mil demissões – o dobro das 300 mil que tradicionalmente ocorrem
no último mês do ano. “Sabemos que janeiro poderá ser
muito pior”, disse Paulo Pereira da Silva, presidente da Força
Sindical, após a reunião na Fiesp.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp,
disse que esta foi apenas aprimeira iniciativa para abrir diálogo
entre os dois lados. “Se uma reunião só resolvesse
o problema ele não seria grande.”
Tanto Skaf como os sindicalistas
reiteraram que existem alternativas dentro da lei para lidar com o
momento de desaquecimento da economia e, assim, preservar os postos
de trabalho. “Não precisa flexibilizar a lei ou começar
uma nova”, salientou Skaf. Segundo ele, opções
como banco de horas, bolsa-qualificação (pelo qual o
empregado é colocado em licença e pode fazer cursos de
capacitação) e redução de jornada e salário
estão previstas na atual legislação.
|
Gazeta Mercantil, 14 de janeiro
de 2009
Mercado projeta expansão
de 2% do PIB e Selic a 11,75% em 2009
Analistas de mercado consultados pelo Banco Central (BC) reduziram de 2,4%
para 2% suas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) de 2009. A piora nas estimativas apuradas pelo BC reforça a perspectiva
de que ocorra um corte na taxa básica de juros, a Selic, na reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para a
próxima semana.
O Brasil deve registrar crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 2% em 2009. É o que mostra
a nova perspectiva dos agentes de mercado, consultados pela pesquisa
Focus, do Banco Central (BC), sobre o comportamento da economia brasileira.
Essa queda nas projeções acontece por duas semanas consecutivas.
Na semana anterior, o mercado
apontava para uma evolução de 2,4% do PIB em 2009. Tal
comportamento reforça a perspectiva do mercado de que haja corte
na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano,
na reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) marcada para a próxima semana.
O mercado reduziu ainda a projeção
de crescimento do PIB de 2010 para 3,8%. Há uma semana a projeção
era de avanço de 3,9%.
A tendência de queda da
Selic deve prosseguir para o fim de 2009. O novo prognóstico dos
analistas consultados pelo BC mostra que a taxa deverá chegar
ao fim deste ano em 11,75% anuais. Isso representa queda em relação às
consultas da semana anterior, a qual indicou Selic no fim deste ano em
12%.
Diante desse cenário,
a expectativa é de que a Selic apresente um ligeiro recuo em 2010,
pois a previsão dos analistas é de que o juro básico
da economia fique em 11,25% anuais no próximo ano.
Mesmo diante do reforço
nas previsões para a queda da taxa Selic em 2009, a estimativa
para a inflação, medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA), deste ano se manteve em 5%. Dessa forma,
a inflação este ano permanece dentro da banda de oscilação
estipulada pelo Banco Central.
A meta é de 4,5%, com
tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Nos últimos anos, o BC tem conseguido convergir a inflação
para as metas estipulados.
Em 2008, a inflação
oficial ficou em 5,9%, acima do foco central e abaixo do teto da meta.
Para 2010, o mercado aponta para IPCA de 4,5%, exatamente o centro da
meta estabelecida pelo Governo.
As estimativas apuradas pela
autoridade monetária, tanto a desta semana como a da semana passada,
são mais pessimistas do que as projeções oficiais
do governo.
O Banco Central prevê alta
de 3,2% do PIB em 2009, enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
prefere manter a previsão de um avanço econômico
este ano de 4% no ano.
A indústria deve acompanhar
a tendência de desaceleração da economia. A nova
pesquisa Focus indica alta de 2,5% na produção industrial
deste ano, contra 2,7% na semana anterior.
Outro ponto sob o qual pesou
o pessimismo é o câmbio. O mercado acredita que o dólar
fechará cotado a R$ 2,30 no final do ano. Uma semana antes a aposta
era de taxa de R$ 2,25.
Apesar da desaceleração
do nível de atividade da economia, o Brasil deve receber mais
recursos externos este ano. O mercado elevou as projeções
de entrada de recursos externos por meio de Investimento Estrangeiro
Direto (IED), para US$ 23,81 bilhões.
Há uma semana, as projeções
indicavam US$ 23 bilhões. Em 2010 o montante deve atingir US$
25 bilhões, conforme estimam os analistas.
O mercado manteve as estimativas
para o superávit da balança comercial em 2009, de US$ 14,5
bilhões. Para 2010, o saldo positivo deverá ser de US$
13,35 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior informou ontem que nos seis primeiros dias úteis
do ano, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 12 milhões.
A expectativa para a conta corrente é de
déficit de US$ 25 bilhões em 2009. O rombo deve subir para
US$ 30 bilhões no próximo ano, conforme os analistas.
|
MDS, 14 de janeiro de 2009
Delegação chinesa
está no Brasil para conhecer Fome Zero
Os chineses querem saber como o Brasil está conseguindo reduzir as desigualdades
sociais e a pobreza no País. Uma delegação de autoridades
de nove províncias da China foi recebida, nesta segunda-feira (12),
pela secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome, Arlete Sampaio, em Brasília (DF).
A iniciativa da missão
chinesa de conhecer o Fome Zero e os programas coordenados pelo Ministério
do Desenvolvimento Social - especialmente o Bolsa Família e o
Benefício de Prestação Continuada da Assistência
Social (BPC) - foi da Associação de Intercâmbio Econômico
e Cultural Brasil – China.
A secretária-executiva,
Arlete Sampaio, lembrou que o presidente Lula sempre buscou aproximação
com a China, um país complexo pela grandiosidade. “No Brasil,
desde 2003, se trabalha muito para redução das desigualdades
sociais, uma política que tem demonstrado êxito. Estamos
reduzindo a mortalidade infantil, a desnutrição infantil,
e as famílias das crianças pobres se alimentam pelo menos
três vezes ao dia”, comentou.
O assessor especial do ministro
Patrus Ananias, Frederico Guanais, explicou como funciona o Fome Zero,
uma estratégia do governo federal que envolve 19 ministérios
e 32 ações e é coordenada pelo Ministério
de Desenvolvimento Social de Combate à Fome (MDS).
O grupo chinês, chefiado
pelo vice-diretor do Departamento de Redução da Pobreza
da Província de Anhui (China), Zhao Hong, é composto
por dirigentes das províncias chinesas de Chongqing, Shaanxi,
Guizhou, Ningxia, Heilongjiang, Hebei, Henan, Oinghai e Guyuan.
|
Congresso em Foco, 14 de
janeiro de 2009
Doações: Origem ainda
desconhecida
Dos R$ 83,7 milhões recebidos por
parlamentares candidatos, R$ 41,1 milhões foram repassados
por diretórios partidários ou comitês de campanha
Mário Coelho
Metade das doações recebidas pelos deputados e senadores que
se candidataram nas eleições de 2008 teve origem oculta ou destino
incerto. Dos 79 parlamentares que estão com suas prestações
de contas na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 60 receberam
R$ 41,1 milhões dos diretórios dos partidos ou de comitês
de campanha. Isso equivale a 49% do valor total arrecadado pelo grupo de candidatos,
que foi de R$ 83,7 milhões.
Os demais R$ 42 milhões
foram doados por pessoas físicas ou jurídicas. A primeira
diferença entre as duas modalidades aparece na quantidade de repasses.
Enquanto os cidadãos e as empresas foram responsáveis por
7.408 doações, os comitês responderam por 518 transferências
de recursos. Ao todo, foram registradas 7.926 doações de
campanha para os parlamentares que disputaram as eleições
de outubro.
Pela atual legislação,
o partido pode repassar a quantia que quiser aos seus candidatos sem
justificar a origem do dinheiro no prazo eleitoral. Já a formação
de comitês, segundo os próprios parlamentares, diminui a
burocracia.
O problema é que o artifício
impede o eleitor de saber quem realmente recebeu o dinheiro de quem.
Isso porque inclui no mesmo pacote recursos destinados a candidatos a
vereador e prefeito. A formação de uma espécie de
caixa único permite que o dinheiro seja disseminado para outros
candidatos que disputam a eleição pela coligação.
Os diretórios nacionais
e regionais dos partidos foram responsáveis por repassar R$ 25.892.799,71
aos seus candidatos. Essa quantia corresponde a cerca de 30% do total
que os parlamentares candidatos receberam durante todo o período
de disputa. Dos 89 que participaram das eleições, em julho,
somente 18 acabaram eleitos.
Maluf e ACM Neto
Proporcionalmente, o parlamentar
que teve maior financiamento por meio de um comitê foi Paulo Maluf
(PP-SP). Candidato derrotado à prefeitura de São Paulo,
Maluf teve uma arrecadação total de R$ 1.312.265,38. Desse
total, 99% – R$ 1.300.691,73 – vieram camuflados como recursos
do comitê ou do diretório do partido. O Congresso em Foco
tentou o contato com o deputado por meio do seu gabinete, mas não
obteve resposta.
Em valores brutos, entretanto,
quem mais usou o expediente foi o deputado ACM Neto (DEM-BA). Ele recebeu
R$ 3.967.392,35 por outras fontes. O valor equivale a 70% dos R$ 5.696.003,18
que o candidato derrotado em Salvador conseguiu arrecadar na campanha.
Veja
a lista completa dos doadores
Os
que mais receberam de comitês ou diretórios
Comparação
Levantamento feito pelo TSE mostra
que, em 2008, as doações ocultas chegaram a R$ 192 milhões.
Isso é mais de três vezes o que os maiores partidos do país
receberam e distribuíram aos seus candidatos em 2006, durante
as eleições para deputados, senadores, governadores e presidente,
que foi de R$ 60 milhões.
Especialistas ouvidos pelo site
acreditam que as empresas preferem se esconder para não ficaram
marcadas como apoiadoras de determinados candidatos ou para não
pagarem o preço do “não”. “Quando uma
empresa dá uma contribuição acaba recebendo outros
candidatos. E são poucas que podem doar para muitos candidatos”,
afirma o cientista político Leonardo Barreto, professor da Universidade
de Brasília (UnB).
Na prática, os eleitores
ficam sem, saber quem financiou os R$ 25,8 milhões que chegaram
aos candidatos por meio dos diretórios. A causa disso é que
o TSE analisa as contas dos partidos em maio, enquanto os candidatos
a prefeito tiveram até dezembro para apresentar à corte
eleitoral quanto receberam e gastaram no pleito. Somente durante a análise
dos números dos partidos é que os doadores vão aparecer.
Transparência
O presidente do TSE, ministro
Carlos Ayres Britto, demonstrou diversas vezes que, para acabar com essas
doações ocultas, seria necessário que o processo
fosse totalmente feito pela internet. “[É] possível
trabalhar com financiamento via internet, porém com plena identificação
dos doadores, dos destinatários, o modo pelo qual a quantia foi
doada e a prestação de contas”, disse o ministro
em entrevista dada ao site antes do segundo turno das eleições
(leia aqui).
“É um desafio nosso
regulamentar esse tipo de financiamento, conhecer na plenitude os financiadores
e os destinatários de financiamento. A quantia financiada, o modo
pelo qual se deu o financiamento, o futuro aponta para essa direção”,
completou.
A opinião é compartilhada
pelo membro fundador do Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral (MCCE), o juiz Marlon Reis. Para ele, a legislação
eleitoral brasileira é muito permissiva. O magistrado acredita
que é preciso, além de controlar a origem da doação,
mudar os prazos e aplicar sanções administrativas. “As
informações chegam tarde”, criticou.
“Hoje os eleitores não
têm as informações que devem ter para embasar suas
escolhas”, afirmou o magistrado. Ele defende que, a exemplo do
que existe parcialmente nos Estados Unidos, todas as doações
sejam feitas on-line no país. “Quem tem conta bancária
tem cartão magnético e poderia fazer doação
por meio de transferência imediata.”
O MCCE é composto por
40 entidades, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) à Associação
Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), passando pela Central Única
dos Trabalhadores (CUT) e a Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB). A idéia do movimento é acompanhar a atuação
do TSE e sugerir adoção de medidas que favoreçam
a lisura do processo eleitoral.
Aberração
Além de acreditar que
a doação oculta é uma forma de evitar o “custo
do não”, o professor Leonardo Barreto, da UnB, diz que a
internet não é, por enquanto, a solução para
o problema. Segundo o cientista político, é preciso fazer
uma discussão mais aprofundada. “O nosso sistema é uma
aberração, temos que jogar luz dentro dele”, opinou.
Para o especialista, mesmo que
a declaração seja feita exclusivamente on-line, o caixa
2 vai continuar enquanto a legislação não for fortalecida. “Precisamos
de uma discussão ampla. Temos de endurecer a legislação
penal, já o caixa 2 não causa risco para o mandato e para
a empresa que contribui ilegalmente”, disse.
O Congresso em Foco entrou
em contato com os casos mais representativos apresentados na reportagem.
Somente a assessoria do deputado Mauro Mariani (PMDB-SC), que disputou
a prefeitura de Joinville (SC), retornou. Segundo assessores do parlamentar,
o uso da rubrica comitê se justifica por uma “facilidade
contábil”. Dessa maneira, fica mais fácil, afirmam
os assessores, repassar a verba doada a candidatos a vereador.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
14 de janeiro de 2009 | Política
Câmara recua e anula nova leva
de gastos
Redação
A mesa diretora da Câmara anulou ontem as decisões polêmicas
da reunião do último dia 7 referentes à mudança
no plano de saúde dos servidores e ao pagamento do adicional de especialização.
Assim, não haverá mais, ao menos por enquanto, um plano de saúde
extra para 12 mil funcionários comissionados e gratificação
mensal para os que têm cargos de chefia.
De acordo com as decisões
da semana passada, foi instituída uma bolsa-chefia segundo a qual
a partir de fevereiro, os funcionários efetivos em postos de chefia
e diretoria - que já recebem extra pelas funções
- e os que possuem cursos de mestrado e pós-graduação,
passariam a receber também adicional de até R$ 1.800 mensais.
O custo da generosidade para os cofres públicos seria de aproximadamente
R$ 4 milhões mensais.
Já no caso dos planos
de saúde, aproximadamente 12 mil funcionários comissionados
- em sua maioria indicada por critérios políticos e não
através de concursos públicos - passaria a ter direito
a plano de saúde, que seria administrado pelo sindicato da categoria
em parceria com a Amil que por sua vez seria contratada sem licitação.
Em nota divulgada ontem, a Câmara
Federal afirma que o adicional - bolsa-chefia - foi instituído
pela Lei 11.335/06. Segundo a lei, sua implantação deveria
ter ocorrido no percentual de 50% em janeiro de 2006 e o restante até janeiro
de 2007, o que não se deu. Segundo a Câmara, a reunião
da semana passada regularizava o pagamento.
Ainda segundo a Câmara
Federal, em relação ao plano de saúde, a mesa havia
decidido extinguir o plano atual, que só atende aos servidores,
e criar um novo plano para abarcar os cerca de 12 mil secretários
parlamentares e cargos comissionados (CNEs). O novo plano seria operado
por empresa privada e administrado pelo sindicato da categoria. O plano
atual dos servidores é operado pelo Pró-Saúde, da
Caixa Econômica Federal, sem fins lucrativos e sem cobrança
de taxa de administração. É fiscalizado pela Câmara
e pelo Tribunal de Contas da União.
A nota da Câmara é a
seguinte: “A mesa diretora da Câmara dos Deputados deliberou
nesta terça-feira anular as decisões de reunião
realizada na semana passada (dia 7) referentes ao pagamento do adicional
de especialização e às alterações
no plano de atendimento à saúde dos servidores.
No que diz respeito ao adicional
de especialização, a decisão foi anulada porque
naquela ocasião, após negociação com o Sindicato
dos Servidores do Legislativo (Sindilegis), a mesa decidiu que não
faria o pagamento retroativo. Porém, entidades e funcionários
anunciaram que iriam à Justiça contra a Câmara dos
Deputados, o que poderia acarretar mais gastos.
Quanto ao plano de saúde,
a mesa mantém sua posição de que os recursos orçamentários
devem ser utilizados para atender tanto os servidores efetivos quanto
os comissionados, o que não vinha ocorrendo até o momento.
O encaminhamento da mesa referente
a plano de saúde vai ficar na dependência de uma proposta
fundada em números por parte do Sindilegis e das consultas que
a Câmara já vem fazendo em órgãos de controle,
como o Tribunal de Contas da União e a Agência Nacional
de Saúde”.
|
Folha de S.Paulo, 14 de janeiro
de 2009
Por Dilma-2010, Lula articula apoio
a Sarney
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Se José Sarney (PMDB-AP)
declarar hoje que deseja ser candidato à presidência do
Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulará um
acordo para que o PT apoie o peemedebista. Segundo a Folha apurou, em
troca, Lula incluirá no acordo PT-PMDB o suporte peemedebista à eventual
candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência,
em 2010.
Lula estudará ainda eventual acomodação da ala petista
do Senado no ministério.
Segundo a Folha apurou, Lula recebeu a informação de que Sarney
quer ser candidato para fortalecer o seu clã político no Maranhão
e o grupo peemedebista do Senado. A presidência da Casa também
daria ao ex-presidente da República força para tentar frear eventual
operação da Polícia Federal contra um filho dele. A PF
investiga suposto caixa dois nas eleições de 2006 de empresa
comandada por Fernando Sarney.
Lula deseja uma conversa definitiva com José Sarney. Se ele disser sim,
Lula falará com o senador Tião Viana (AC), candidato do PT a
presidente do Senado, para que ele desista da candidatura. Se Sarney disser
não, Lula pedirá que o peemedebista convença o seu partido
a apoiar Tião e a retirar a candidatura de Garibaldi Alves (RN), atual
presidente da Casa.
A Folha apurou que Lula passou a ver as eleições para as presidências
da Câmara e do Senado como uma oportunidade para reforçar a eventual
candidatura de Dilma à sua sucessão. Para isso, Lula incluirá no
acordo a confirmação do apoio do PT ao peemedebista.
Tião e Garibaldi se uniram ontem numa tentativa de constranger as articulações
em torno de Sarney. Ambos tiveram um encontro reservado, no início da
tarde. Ao fim do dia, numa entrevista lado a lado, os dois reafirmaram que
são candidatos e vão permanecer na briga pelo comando da Casa.
" Não há recuo", disse Garibaldi. "Minha candidatura
vai até 2 de fevereiro. Tenho compromisso com cinco partidos desta Casa,
que me apoiam", prosseguiu Viana. Lula, segundo interlocutores no Planalto,
voltou de férias disposto a interferir na escolha da presidência
do Senado. "O presidente acha que é conveniente começar [as
conversas] por Sarney", afirmou o ministro José Múcio Monteiro
(Relações Institucionais).
--------------------------------------------------------------------------------
Colaboraram LETÍCIA SANDER , ADRIANO CEOLIN
e SIMONE IGLESIAS , da Sucursal de Brasília
|
Gazeta do Povo, 14 de janeiro
de 2009
Habitação
Desempregado poderá ter
casa garantida por fundo
O governo estuda a criação
de um fundo garantidor para quem tiver financiamento da casa própria
e ficar desempregado. Uma das discussões em torno do fundo envolve
o prazo que o seguro cobriria. A presidente da Caixa Econômica
Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, deu como exemplo um trabalhador
que fique por até seis meses sem renda. Hoje, a Caixa pode retomar
o imóvel caso as prestações deixem de ser pagas
durante três meses.
A executiva destacou que um
dos objetivos do Plano Nacional de Habitação (PlanHab),
que está sendo fechado pelo governo, é criar mecanismos
que garantam que o trabalhador não perca seu imóvel,
mesmo que fique desempregado por um período. “A discussão
que está havendo é a criação de alguns
mecanismos que garantam, em caso de o cidadão ficar uma parte
do período de seu financiamento sem uma renda estável,
que ele tenha condições de continuar com o financiamento”,
afirmou.
Classificado por Maria
Fernanda de seguro-fundo, ele permitiria ainda, ao mutuário
que não precisou fazer uso desse recurso, que houvesse uma
compensação no final do período.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
14 de janeiro de 2009 | Economia
Ação na Justiça
para ressarcimento das férias
Joyce Carvalho
Os contribuintes que pagaram Imposto de Renda sobre a venda de 10 dias de férias,
nos últimos cinco anos, podem obter ressarcimento na Justiça.
Na semana passada, a Receita Federal comunicou que o valor obtido pelo contribuinte
com a venda das férias não é mais tributável.
O entendimento da Receita Federal
era o contrário, mas diante de inúmeras decisões
da Justiça a favor dos empregados, o órgão decidiu
eliminar a retenção do imposto neste caso. O mesmo também
vale no pagamento das férias não tiradas pelo empregado,
no momento de recisão do contrato de trabalho, por possuir caráter
indenizatório.
O advogador Jorge Faiad, consultor
do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações
de Consumo (Ibedec), conta que esta foi uma consequência natural
da Receita em relação ao que já havia sendo decidido
pela Justiça. “Inicialmente, a Procuradoria da Receita Federal
começou a não recorrer mais destas decisões. Mas
as empresas continuavam obrigadas a reter o imposto na fonte nestas duas
situações”, explica Faiad. Com a decisão,
a Receita Federal padronizou o procedimento e as empresas estão
orientadas a não recolher Imposto de Renda sobre estes valores.
Quem quiser o ressarcimento do
imposto cobrado, no período de novembro de 2006 até agora,
deve procurar o órgão empregador para saber se o imposto
foi retido. Em caso afirmativo, a empresa vai alterar a declaração
de ajuste anual do Imposto de Renda. “Se houver o direito de ressarcimento,
esse valor entra no lote de restituição da Receita”,
afirma Faiad.
Para obter o ressarcimento de
valores no período entre janeiro de 2004 e novembro de 2006, será necessário
ingressar com uma ação na Justiça. “O empregado
terá que levar os documentos que realmente comprovem que houve
a cobrança. No caso da venda das férias, esta informação
pode estar no holerite”, comenta o advogado. Já para as
férias não tiradas, os dados constam no termo de recisão
de contrato de trabalho. “Se o empregado não tiver nada,
a empresa pode levantar para ele”, esclarece Faiad.
Se você tirer críticas
ou sugestões, envie e-mail para consumidor@oestadodoparana.com.br.
|
Folha de S.Paulo, 14 de janeiro
de 2009
Estabilidade do trabalhador poderá ser
ampliada
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, afirmou ontem que levará à próxima reunião
do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador)
a proposta de ampliar o período de estabilidade do trabalhador
na empresa após usufruir da Bolsa-Qualificação -suspensão
temporária do contrato de trabalho. O novo prazo pode chegar a
dez meses.
A medida será discutida de forma casada com a prorrogação
do número de parcelas do seguro-desemprego para até dez meses,
de acordo com o Ministério do Trabalho.
" Queremos que a estabilidade, que hoje a lei define que é de apenas
três meses, seja ampliada para o tempo de duração da bolsa.
Se for cinco meses, a estabilidade será de cinco meses", disse Lupi
pouco antes de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para
tratar de medidas antidesemprego.
Como a Bolsa-Qualificação é uma modalidade do seguro-desemprego,
a ampliação do benefício consequentemente elevaria a estabilidade
do trabalhador para até dez meses.
A ampliação das mensalidades do seguro-desemprego é uma
reivindicação das centrais sindicais. Hoje, a legislação
prevê o pagamento de três a cinco parcelas e permite a ampliação
para até sete meses desde que seja verificado um comportamento anormal
do nível de emprego em um setor.
O secretário de Emprego e Relações do Trabalho de São
Paulo, Guilherme Afif Domingo, também encaminhou ao governo a ampliação
do prazo, mas exclusivamente para a Bolsa-Qualificação -também
conhecida como "lay off". Com base em um estudo elaborado pela Fipe,
ele pediu ao governo federal a adoção do "lay off" por
um prazo de dez meses.
Para ampliar as parcelas para dez meses, no entanto, mais do que a aprovação
do Codefat, o governo precisa inicialmente mudar a lei do seguro-desemprego
no Congresso -o que pode ser feito por projeto de lei ou via medida provisória.
Lupi reafirmou que as mudanças na Bolsa-Qualificação buscam
criar critérios para a concessão do benefício, evitando
abusos por parte das empresas. Apesar de ter sido criado em 1999, o benefício
não tem regras claras para aplicação.
" A empresa não paga salário, não paga os encargos
e depois demite o trabalhador após três meses", declarou, acrescentando
que o governo também definirá normas para a realização
dos cursos de qualificação.
Para este ano, o governo conta com um "colchão" de R$ 1,1
bilhão para pagar parcelas adicionais de seguro-desemprego a até 1
milhão de trabalhadores. O ministério já criou um mecanismo
para monitorar o nível de desemprego para detectar movimentos do mercado
de trabalho mais rapidamente.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/01/2009
Transportadora terá de reembolsar
gasto com descarregamento de mercadorias
A Peixoto Comércio, Indústria,
Serviços e Transportes Ltda. foi condenada pela Justiça
do Trabalho a reembolsar os gastos feitos por um de seus motoristas-entregadores
com a contratação de “chapas” – mão
de obra para o descarregamento de mercadorias. A Sétima Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento da empresa
contra a condenação, imposta pelo Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região (MG).
Na reclamação trabalhista,
o motorista explicou que era obrigado a contratar ajudantes para descarregar
o veículo e não recebia da empresa reembolso dessa despesa. “Tinha
de usar o ‘chapa’ porque tinha muita mercadoria pesada e
porque na descarga poderia ser roubado”, afirmou outro motorista,
que prestou depoimento como testemunha. “Para pagar o ‘chapa’,
lançava mão da sua própria comissão, porque
sem ele não cumpria a previsão.”
O TRT/MG, ao rejeitar recurso
ordinário e negar seguimento a recurso de revista da empresa,
entendeu que o pagamento dos chapas era de responsabilidade da empresa,
e não poderia ser transferido aos empregados. A transportadora
interpôs então agravo de instrumento para o TST, sustentando
que o empregado, admitido como motorista e entregador, era responsável
pela entrega das mercadorias, “sem a necessidade de contratar auxiliares”.
Alegou, também, que o próprio motorista admitiu ser também
entregador, e que caberia a ele, empregado, comprovar suas alegações.
O relator do agravo de instrumento,
ministro Pedro Paulo Manus, destacou que o TRT/MG, ao analisar os fatos,
as provas e os testemunhos apresentados, concluiu pela veracidade das
alegações do trabalhador. Para firmar entendimento contrário,
seria necessário reexaminar aspectos como a confissão do
motorista, os depoimentos das testemunhas e a não-juntada dos
recibos que comprovassem a contratação. Este procedimento,
porém, é vedado pela jurisprudência do TST (Súmula
nº 126). ( AIRR 36245/2002-900-03-00.2)
(Carmem Feijó)
|
14/01/2009
Empresa pagará horas extras por não
conceder repouso semanal
A concessão de dia de
descanso após transcorridos oito dias consecutivos de trabalho
viola a Constituição Federal, que garante ao trabalhador
o repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos.
Este foi o fundamento adotado pela Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao condenar a Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA)
a pagar como extraordinárias as horas trabalhadas além
das 36 horas semanais a um ex-empregado que trabalhava oito dias e descansava
dois.
Condenada em primeiro grau, a
empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região
(PA/AP), que excluiu o pagamento das horas extras ao examinar recurso
ordinário. O TRT baseou-se no fato de haver cláusula na
convenção coletiva da categoria que previa a jornada de
seis horas diárias e 180 mensais e o pagamento de horas extras
somente quando se ultrapassassem as 180 horas mensais. De acordo com
o processo, o empregado trabalhava em turno ininterrupto de revezamento
e cumpria jornada de seis horas diárias. Como trabalhava oito
dias consecutivos e tirava dois de folga, o TRT considerou que sua jornada
mensal era de 144 horas.
Ao recorrer ao TST, o empregado
alegou que, se a CLT estabelece descanso semanal de 24 horas consecutivas, “obviamente é porque
limita o trabalho em apenas seis dias da semana”. Sustentou também
que na jornada de 180 horas estariam incluídos os dias de repouso.
Para o relator do recurso, ministro
Alberto Bresciani, a fórmula adotada pela COSANPA violou o artigo
7º, inciso XV da Constituição Federal e o artigo 67
da CLT. “Há que ser garantido semanalmente um período
de 24 horas de descanso ao trabalhador, com o fim de proteger-lhe a saúde
física e mental”, afirmou em seu voto. “Semanalmente,
ou seja, após seis dias consecutivos de atividade prestada ao
empregador”, frisou. Trata-se, portanto, de norma de ordem pública. “Conforme
o entendimento consolidado no TST, a permissão constitucional
para flexibilização da jornada em turnos de revezamento
admite a majoração da jornada diária para oito horas,
mas não se estende à redução ou supressão
dos intervalos intra ou inter jornadas e, menos ainda, do descanso semanal
remunerado.”
O relator explicou que, no caso
dos turnos de revezamento, deve-se conceder descanso semanal mínimo
de 35 horas entre o final do turno do último dia da semana e o
início do turno no primeiro dia de trabalho da semana seguinte.
E mencionou a Súmula nº 110 do TST, segundo a qual “no
regime de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal
de 24 horas, com prejuízo do intervalo mínimo de 11 horas
consecutivas para descanso entre jornadas, devem ser remuneradas como
extras”.
Com relação à cláusula
da convenção coletiva, o ministro Bresciani assinalou que
não é possível extrair dela o entendimento de que
só as horas excedentes às 180 mensais seriam tidas como
extras porque a mesma cláusula fazia referência a “jornada
diária de seis horas – 180 mensais”. O texto aponta,
portanto, para o divisor 180, que equivale a seis horas de trabalho por
dia considerando-se os 30 dias do mês. “Por óbvio,
inclui-se nas 180 horas a remuneração dos dias de descanso
semanal”, concluiu. ( RR 1988/2005-009-08-40)
(Carmem Feijó)
|