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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de janeiro de 2009 | Economia
Empresários rejeitam exigência
de garantia de emprego
Agência Estado
Os empresários não pretendem aceitar a exigência de contrapartidas,
por parte do governo, que tenha como objetivo a manutenção dos
empregos em troca das ações que beneficiaram as empresas neste
momento de crise, como a desoneração de impostos e o aumento
das linhas de crédito oferecidas pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica
Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A informação é do presidente da Federação
das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, depois de se
reunir na manhã desta quarta-feira (14) com cerca de 30 empresários
do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, do qual fazem parte as maiores
empresas do País. Preocupado com a onda de demissões, o governo
estuda suspender o crédito dos bancos oficiais para as empresas que
insistirem em demitir trabalhadores.
Na reunião do Conselho
Superior Estratégico da Fiesp, que teve como tema central os
impactos da crise financeira internacional no País, os executivos
foram unânimes em defender alternativas como a redução
da jornada de trabalho associada à diminuição
de salários e a suspensão temporária dos contratos
de trabalho como alternativas às demissões motivadas
pela redução da demanda. Apesar disso, rejeitam a exigência
do governo e dos sindicatos, que querem em troca a estabilidade dos
trabalhadores.
"Sinto de diversos setores
e empresas que eles querem uma alternativa ao desemprego. É o
que mais querem. Eu destaco entre elas a redução de jornada
e de salários e a suspensão temporária dos contratos
de trabalho. Não ouvi uma única opinião contrária.
Não queremos fazer nada que exija uma nova legislação",
disse Skaf, após reunir-se com o presidente da Telefônica,
Antônio Carlos Valente da Silva; o da Fiat, Cledorvino Belini;
da Embraer, Frederico Fleury Curado; do grupo Votorantim, José Roberto
Ermírio de Moraes; da Vale, Roger Agnelli; e o copresidente
da AmBev, Victorio De Marchi, entre outros. A Fiesp corrigiu a informação
de que o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior,
participaria da reunião.
"Mas é preciso
separar bem a questão da estabilidade. Se houver entendimento
em reduzir a jornada e o salário em 25% por tempo determinado,
me parece coerente que haja manutenção dos empregos no
tempo em que isso ficar acordado. O bom senso tem que prevalecer. Mas
não estamos falando em estabilidade e manutenção
dos empregos. Isso não está na lei do País e em
nenhuma lei de qualquer país do mundo. A estabilidade é justamente
uma das coisas que mais engessam o serviço público",
acrescentou Skaf.
O presidente da Fiesp partiu
para o ataque aos que rejeitam a alternativa da redução
de jornada e salários para manter os empregos. "Quem é contra
a redução da jornada e salários nesse momento
está a favor do desemprego. Não adianta fazer média.
Esse é o momento da verdade", destacou. Ele chegou a citar
que há entendimentos jurídicos contrários ao limite
imposto pela lei, de no máximo 25% de redução
da jornada de trabalho e de salários.
Na avaliação
do dirigente da Fiesp, existem muitas empresas que precisam diminuir
a produção e a necessidade de capital de giro. Skaf recusou
a avaliação de integrantes do governo de que algumas
empresas que foram "salvas" pelas últimas medidas
continuam a demitir. "Quero uma lista das empresas que estão
sendo salvas, dos recursos públicos do orçamento que
estão sendo dados a elas e da pessoa que autorizou essa liberação.
A palavra salvar é imprópria. Dinheiro de financiamento
do Banco do Brasil não é recurso público",
ressaltou.
Ao ser questionado sobre
o desligamento de 744 empregados da GM, apesar de o setor automotivo
ter sido beneficiado pela redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, Skaf respondeu
que as demissões poderiam ter sido ainda maiores caso a medida
não tivesse sido adotada. "Não quero crer que
isso signifique que estão salvando empresas com recursos públicos." Skaf
relatou que muitos setores estão sentindo os efeitos da crise.
Entre os que fazem uso intensivo de mão-de-obra, estão
as indústrias automotiva, de autopeças, têxtil
e calçadista. Os mais prejudicados pela queda da demanda mundial
são os segmentos siderúrgico, mineração,
papel e celulose, petroquímico e bens de capital. "Para
esses, por mais que se faça algo na questão do emprego,
há a situação da redução da demanda",
admitiu.
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DEPACOM, 15 de janeiro
de 2009 | Eventos
Sindicatos
Movimento Sindical de Santa
Catarina se reúne com o PDT
Altamiro Perdoná

Em reunião
realizada na data de 12 de janeiro de 2008 (segunda-feira) com o PDT
de Santa Catarina, estiveram presentes Federações e Centrais
Sindicais com exceção da CUT, o presidente do PDT de Santa
Catarina e outras lideranças políticas, tratando de projeto
para trabalhadores como retirada da PEC 369, fator previdenciário,
discussão sobre sistema confederativo.



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FETRACONSPAR, 15 de janeiro de 2009
União da Vitória
Trabalhadores da empresa FORMACOMP
param por falta de pagamento
Trabalhadores da empresa FORMACOMP LTDA
em União da Vitória/PR, estão desde hoje (15/01)
com suas atividades paralisadas, por falta de pagamento dos salários. |
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O Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de União da Vitória, presidido
pelo companheiro JOSÉ ORLANDO DOS SANTOS, juntamente com
a FETRACONSPAR, protocolaram nesta quinta-feira, na SRTE/PR – Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego do Estado do Paraná, pedido
de mesa de negociação com a empresa.
A reunião
está marcada para a próxima segunda-feira (19/01) às
14:30 em Curitiba/PR.
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Vermelho, 15 de Janeiro de
2009
Centrais buscam unidade para definir
plano contra demissões
Representantes das seis maiores centrais sindicais brasileiras vão se
reunir, a partir das 10 horas de quinta-feira (15), na sede nacional da CTB
(Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), em São Paulo,
para debater os impactos sociais da crise econômica mundial e definir
uma estratégia unificada de luta em defesa do emprego e dos direitos
da classe trabalhadora.
Na opinião de Wagner Gomes, presidente da CTB, a unidade do movimento
sindical e das centrais (CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central, UGT
e CGTB) “é indispensável para evitar que o ônus da
crise recaia sobre os assalariados”.
“Uma das propostas que vamos apresentar para a discussão é a
paralisação de todas as empresas que demitirem”, adiantou
Gomes. “Demitiu, parou. Penso que a resposta conjunta dos movimentos sindicais
deve ser esta”. Os sindicalistas também deverão convocar
outros segmentos da sociedade civil para a mobilização, assim como
definir outras iniciativas e formas de luta contra as demissões e em defesa
dos trabalhadores e trabalhadoras.
“Estamos presenciando uma crise do capitalismo, provocada principalmente
pela ganância ilimitada do capital financeiro. O movimento sindical tem
propostas para preservar o emprego sem ferir os direitos sociais. Os ricos são
responsáveis pela crise e devem pagar por ela”, arrematou o presidente
da CTB.
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Folha de S.Paulo, 15 de
Janeiro de 2009
Centrais sindicais exigem contrapartidas
para negociação
PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Ao propor a flexibilização
do trabalho sem garantir manutenção de empregos, os empresários
vão provocar um estremecimento nas relações com
os trabalhadores, avalia o presidente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), Artur Henrique. Para ele, a crise fez levantar
no país uma série de "propostas oportunistas".
" Esse tipo de colocação [de que mesmo a flexibilização
não garantirá os postos de trabalho] vai acabar acirrando a resistência
de nossos sindicatos ao processo de demissões e colocar a manutenção
de empregos no centro do debate", afirma.
A CUT defende a limitação das horas extras e a desoneração
da folha de pagamentos, mas se opõe à Bolsa-Qualificação
-suspensão do trabalho com a realização de um curso pelo
trabalhador- e à redução de jornada com redução
de salários. A central também é contra um acordo genérico,
que possibilite a flexibilização em todos os setores da economia.
Segundo Artur Henrique, a generalização dos acordos traria "para
a crise empresas que não foram afetadas". "Não podemos
aceitar que a única proposta é que o trabalhador pague a conta
dessa crise."
Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos
Gonçalves, o Juruna, as centrais não podem permitir a flexibilização
sem uma contrapartida firme por parte dos empresários. "Aí seria
ceder demais. Os empresários precisam nos apresentar garantias."
De acordo com Juruna, a redução da jornada com redução
de salário seria aceitável desde que houvesse estabilidade pelo
dobro do período. "Assim, se a redução ocorresse
por três meses, o trabalhador teria seis meses de estabilidade",
afirma.
Como alternativa às dispensas, a Força e a CGTB negociam férias
e licença remuneradas, banco de horas e suspensão do contrato
de trabalho. No caso da flexibilização da jornada, a condição é que
a redução máxima seja de 25% com diminuição
de 15% nos salários.
Para o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah,
ainda há espaço para garantir empregos. "Ocorre que as empresas
querem a flexibilização de qualquer jeito. Não é só pela
crise."
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Agência Diap, 15
de Janeiro de 2009
Lupi: empresa não pode
usar crise para "dar uma de esperta"
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse hoje (14) que as empresas não
podem usar a crise "para dar uma de esperto". "Apesar da crise,
o saldo [de empregos durante o ano] é muito positivo. Não podemos
pegar uma empresa e dizer que ela teve prejuízo em dezembro, mas, e
até novembro, esquece? Não é assim a vida, e não
podemos aproveitar a crise para, em cima da crise, fazer um jogo de esperto",
afirmou.
Lupi reiterou que as empresas
que não derem garantia de que irão manter o emprego dos
trabalhadores não terão mais acesso a empréstimos
com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)
e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
"As liberações
de recursos que tínhamos que fazer já foram colocadas.
O saldo do FGTS e do FAT estão acima da previsão, por
causa da grande empregabilidade que tivemos em 2008. Agora, aqui no
Ministério do Trabalho [empréstimos] com recursos do
FGTS e do FAT têm que estar amarrados com a garantia dos empregos.
Se não tiver, isso eu garanto, não sai mais um centavo",
afirmou Lupi.
O ministro reafirmou que um
grupo de trabalho dos Conselhos Deliberativos dos dois fundos acompanharão
se as empresas que tomaram financiamento com recursos públicos
estão ou não realizando contrapartidas sociais.
Esse monitoramento será feito,
de acordo com Lupi, por meio do cruzamento dos dados de empréstimo
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES)
e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
"Se está recebendo
do fundo, como pode estar mandando embora? Para quê serve esse
dinheiro público? Nossa intenção, além
de ajudar a empresa a passar pela fase de dificuldade, é garantir
o emprego do trabalhador", ressaltou o ministro.
Lupi não descartou a
possibilidade de aumento do número de parcelas do seguro-desemprego
em setores com altos índices de desemprego. "Poderá acontecer
em áreas em que o desemprego for maior. Estamos em um momento
em que temos que ter muita tranquilidade. Acho que estamos atravessando
o pior momento da crise", avaliou.
De acordo Lupi, os dados
do Caged serão divulgados na próxima segunda-feira
(19) e devem vir, nas palavras do ministro, com números bem
maiores do que a média do mês de dezembro, que costuma
ser de menos de 300 mil postos de trabalho.
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Folha de S.Paulo, 15 de
Janeiro de 2009
FAT e FGTS saem só com
emprego mantido, diz Lupi
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, reafirmou ontem que as empresas não podem usar a crise
para demitir e que não haverá mais liberação
de recursos para empresas sem garantia de emprego. "Apesar da
crise, o saldo [de empregos durante o ano] é muito positivo.
Não podemos pegar uma empresa e dizer que ela teve prejuízo
em dezembro. E até novembro, esquece? Não é assim
a vida, e não podemos aproveitar a crise para, em cima da crise,
fazer um jogo de esperto."
As declarações de Lupi foram dadas antes de o presidente da Fiesp,
Paulo Skaf, dizer que as empresas terão de demitir se os sindicatos
de trabalhadores não fecharem acordos de flexibilização
do emprego e de rebater as críticas que o ministro já havia feito
anteontem às empresas que cortaram após receber ajuda do governo.
Lupi reiterou que as empresas que não derem garantia de que irão
manter o emprego não terão mais acesso a empréstimos com
novos recursos do FGTS e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
" Se não tiver [emprego], isso eu garanto, não sai mais um
centavo", afirmou Lupi.
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Com informações da Agência Brasil
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Folha de S.Paulo, 15 de
Janeiro de 2009
Empresa propõe só pagar
hora extra após a crise
LUCAS REIS
DA FOLHA RIBEIRÃO
A indústria de base
Dedini, uma das que integram o polo sucroalcooleiro de Sertãozinho
(interior paulista), propôs aos quase 1.800 funcionários
a implantação de um banco de horas futuro para compensar
as horas extras.
A medida, recusada em assembleia pelos funcionários, previa que as horas
extras continuariam a ser realizadas, mas só seriam compensadas, por
meio de folgas, após a passagem do "furacão" da crise
econômica.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ribeirão
Preto e Região, a proposta não foi aceita porque a empresa não
deu garantias de manutenção dos empregos. "A Dedini não
quis incluir essa cláusula. Sem a garantia de manutenção
das vagas, seria como financiar a própria dispensa", disse Elias
Gaúcho Camargo, vice-presidente do sindicato.
A Dedini, uma das indústrias de Sertãozinho que deu férias
coletivas, confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que propôs
a implantação do banco de horas, mas não deu detalhes.
De acordo com o Ceise-BR (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro
e Energético), medidas para amenizar os efeitos da crise serão
debatidas com o sindicato e as indústrias. No entanto, a melhor saída é,
segundo ele, reduzir a jornada, o que, consequentemente, provocaria queda salarial.
Desde outubro, segundo o sindicato da categoria, o saldo no quadro de trabalhadores é negativo:
600 postos de trabalho foram extintos. "A média é de 200
por mês", diz Élio Cândido, presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ribeirão Preto e Região.
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Folha de S.Paulo, 15 de
Janeiro de 2009
Fiesp pressiona por corte de jornada
e salário
Conselho de empresários cobra acordo
com sindicatos para flexibilização do trabalho, mas
não se compromete a manter vagas | Skaf rebate crítica
do ministro Carlos Lupi a empresas que demitem após receber
ajuda do governo e diz que "não é o momento de
acusar ninguém"
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Após reunião
do Conselho Superior Estratégico da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo), que reúne
representantes das maiores empresas do país, o presidente da
entidade, Paulo Skaf, disse que as companhias terão que demitir
se os sindicatos de trabalhadores não fecharem acordos de flexibilização
do emprego. Mas, mesmo com o entendimento, as empresas não se
comprometem a manter vagas.
Segundo Skaf, os setores afetados pela crise foram unânimes em apontar
a flexibilização, especialmente a redução de jornada
de trabalho com respectiva diminuição de salário, como
alternativa aos cortes.
Algumas das empresas que participaram da reunião de ontem já começaram
a dispensar funcionários, mas Skaf diz que elas tentarão esgotar
todas as possibilidades de acordos antes de demitir os empregados.
Desde a semana passada, a Força Sindical se reúne com a Fiesp
para elaborar modelos de acordos que possam ser reproduzidos em cada empresa.
A conclusão das discussões será divulgada na semana que
vem.
A princípio, a central sindical diz que aceita soluções
permitidas pela legislação brasileira desde que as empresas garantam
a manutenção das vagas em troca das concessões.
Entretanto, Skaf disse ontem que as companhias não estão dispostas
a garantir a estabilidade dos empregos. "Precisa ficar bem entendido que
nós não estamos falando de garantia de emprego porque isso não
está na lei do país e isso não está na competitividade
do mundo. A estabilidade engessa, e nós não queremos andar para
trás."
O presidente da Fiesp disse, no entanto, que, apesar da falta de estabilidade, "não
seria de bom senso fazer um acordo que vigora por um tempo determinado em certas
condições e, no momento seguinte, a empresa toma um outro caminho".
Segundo a Constituição Federal, é possível reduzir
o salário dos trabalhadores mediante acordo coletivo (negociação
entre sindicatos de trabalhadores e empresa) ou convenção coletiva
(conciliação entre sindicato patronal e sindicato de trabalhadores).
Desde a Carta de 1988, não há limite para reduções
de salário. Em leis anteriores, o limite proposto era de 25% -percentual
que foi citado por Skaf, embora o presidente da Fiesp tenha destacado que não
há consenso sobre o tema.
O juiz do trabalho e professor da Universidade de São Paulo Jorge Luiz
Souto Maior explica que os trabalhadores podem mover ações individuais
se não concordarem com as alternativas adotadas. "Entendo que os
acordos de flexibilização só são possíveis
havendo prova contundente da dificuldade da empresa", diz Souto Maior.
O Ministério Público do Trabalho pode questionar os acordos e
convenções se julgá-los abusivos ou desnecessários
diante das condições da empresa.
Ajuda do governo
Skaf também rebateu a crítica do ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, às empresas que demitiram após receber ajuda do governo.
Lupi havia dito que "não pode o governo brasileiro investir bilhões,
colocar dinheiro público, que é do povo, para ajudar as empresas
e elas continuarem demitindo".
Skaf citou o caso das montadoras, que receberam redução de IPI
para reativar as vendas. "Todos os preços foram reduzidos na proporção
da redução do IPI." "Não é o momento
de acusar ou agredir ninguém", disse.
O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio
Exterior e membro do conselho de empresários reunido ontem, relatou
que o clima foi de entendimento, e não de acusações. "Os
principais problemas [relacionados com a crise] foram discutidos, mas em um
ambiente construtivo, no sentido de somar esforços para não deixar
o nível de atividade cair como está caindo nos outros países
e para preservar, na medida do possível, o emprego no Brasil."
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Folha de S.Paulo, 15 de Janeiro
de 2009
Crise aumenta procura por seguro-desemprego
no país
Alta foi de 4,6% em dezembro de 2008 em relação
ao mesmo período de 2007 | Governo estuda elevar de cinco
para sete o número máximo de parcelas do benefício
nos setores mais atingidos por turbulências
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O agravamento da crise mundial
e seus reflexos no mercado de trabalho brasileiro nos últimos
meses de 2008 elevou em mais de 20 mil o número de pedidos de
seguro-desemprego registrados pelo Ministério do Trabalho em dezembro.
Dados parciais obtidos pela Folha revelam que no mês passado foram
requeridos 513.006 benefícios -4,6% mais do que em dezembro de
2007.
O volume de pedidos do seguro acumulado em 2008 também superou o número
verificado em 2007. O crescimento foi de 8,1% no ano passado. De janeiro a
dezembro, 6,8 milhões de trabalhadores requereram o benefício.
No ano anterior, foram 6,3 milhões.
Com isso, também cresceram as despesas do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)
com o pagamento do benefício. Os gastos com a proteção
aos desempregados em 2008 atingiram R$ 16,2 bilhões, mais de R$ 2 bilhões
acima do valor de 2007 (alta de 15%). Para este ano, sem considerar os impactos
da crise, a previsão é gastar R$ 18 bilhões.
" Houve o efeito da crise em dezembro. Ainda não podemos falar em
tendência porque se trata de um mês de aumento. Mas estamos alertas.
Eu não sei a cor da luz, se é amarela ou vermelha", disse
o secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel
Nascimento.
Ele explica que o aumento do número de pedidos em 2008 na maior parte
do ano se deve a outro fator: rotatividade. Com a expansão registrada
no mercado de trabalho nos dez primeiros meses do ano, também cresce
a base de trabalhadores atendidos pelo benefício, já que no país
ainda "reina a cultura" da rotatividade, avalia.
Considerando isso, o elevado saldo de contratações significa
que um número expressivo de trabalhadores entrou no mercado, mas outra
parcela saiu.
Mudanças
Para elevar a proteção aos demitidos pela crise, o governo estuda
ampliar o número de parcelas do seguro-desemprego para alguns setores.
A lei já permite a ampliação em duas prestações
adicionais a partir de aprovação pelo Codefat (Conselho Deliberativo
do FAT), elevando para até sete o número de parcelas, que variam
de três a cinco.
As centrais sindicais, no entanto, querem mais e pediram que o benefício
seja estendido para dez meses. Isso, porém, exige mudanças legais
-por meio da aprovação de um projeto de lei no Congresso ou da
edição de uma medida provisória pelo presidente.
Até o momento, o governo argumenta que não há motivos
para elevar as parcelas nem sequer pelo limite já estabelecido legalmente.
Para que haja a ampliação, a lei define que é necessário
haver um número de demissões acima do padrão histórico
de determinado setor.
Mas a divulgação do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)
na próxima segunda-feira deverá mudar a avaliação
do ministério. O governo está preocupado porque espera um número
muito elevado de demissões no mercado formal em dezembro.
Ontem, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) reafirmou que sua pasta estuda a suspensão
de linhas de crédito e incentivos fiscais para empresas beneficiadas
que venham a demitir.
Isso valeria para novas operações realizadas com recursos públicos
ou de fundos vinculados aos trabalhadores. A medida não encontra respaldo
no Palácio do Planalto.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de janeiro de 2009 | País
Força Sindical apresenta proposta
que garante emprego
Agência Estado
A Força Sindical apresentou hoje à Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) uma proposta para manter
o emprego dos trabalhadores durante o período de dificuldades pelas
quais as empresas passam em função da crise financeira internacional.
Apesar da rejeição dos empresários, os trabalhadores insistem
na garantia dos empregos.
Em reunião de mais de
quatro horas realizada nesta tarde, a Força Sindical propôs
as seguintes alternativas às demissões: férias remuneradas,
licença remunerada, banco de horas, suspensão temporária
do contrato de trabalho e redução da jornada de trabalho
associada à diminuição de salários. Em todas
elas os sindicalistas exigem a garantia dos empregos. As entidades voltam
a se reunir na próxima terça-feira para fechar um acordo
definitivo sobre o assunto.
"Essa foi a primeira reunião
para detalhar a proposta. A recepção dos empresários
foi boa. Eles pediram um tempo para avaliar a proposta e apresentá-la
a outros empresários, mas não reclamaram e nem disseram
que estávamos exagerando", disse o presidente da Força
Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho.
Paulinho avalia que a rejeição
dos empresários a propostas que exijam a garantia do emprego dos
trabalhadores não é um problema. "Quando falamos em
garantia de emprego, os empresários entendem como estabilidade
de emprego. Não é a mesma coisa, queremos deixar isso claro.
Não é estabilidade eterna. É garantia de emprego
por tempo determinado, pelo tempo que vigorar o acordo", explicou.
Férias remuneradas
No caso das férias e da
licença remunerada, o trabalhador ficaria em casa e receberia
o mesmo salário que ganha normalmente. As empresas poderão
utilizar o banco de horas de forma ilimitada, mas a reposição
das horas acumuladas seria limitada a, no máximo, 12 horas semanais.
No caso da redução da jornada de trabalho, ela fica limitada
a 25%, e os salários não poderão cair mais que 15%
- essa proporção deve ser mantida caso as reduções
sejam menores.
Suspensão do contrato
Se optar pela opção
da suspensão temporária dos contratos de trabalho, a empresa
ficaria obrigada a garantir o emprego dos trabalhadores pelo dobro do
período de afastamento - por exemplo, se a suspensão do
contrato durar três meses, haverá garantia de emprego por
seis meses.
Além disso, os empresários
se comprometeriam a complementar o salário dos trabalhadores com
contrato suspenso para que eles recebam o mesmo valor que ganhavam na
ativa. Pela lei, têm o direito de receber por mês o valor
referente à parcela do seguro-desemprego, que pode variar de R$
415 a R$ 776, pagos com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT).
Essa é a única das alternativas da proposta que já estabelece
o tempo em que a garantia do emprego deve vigorar. Nas demais, os trabalhadores
propõem que a garantia seja negociada com os empresários.
Debate
Ao longo desta e da próxima
semana, os dirigentes empresariais e sindicais vão debater as
melhores alternativas para cada setor. Participaram da reunião
o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o diretor-titular sindical da Fiesp,
Roberto Della Manna, o vice-presidente do Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo (Ciesp), Nildo Masini, e os presidentes
dos sindicatos dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel
Torres, dos Trabalhadores da Construção Civil de São
Paulo, Antonio de Souza Ramalho, e das Costureiras e Trabalhadores
nas Indústrias de Vestuário de São Paulo e Osasco,
Eunice Cabral.
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Folha de S.Paulo, 15 de Janeiro de 2009
Empresários dizem esperar
acordo inédito
DA REPORTAGEM LOCAL
Empresários ouvidos pela Folha acreditam que a forte crise que se abateu
sobre a indústria levará empresas e sindicatos a um acordo inédito
para redução de jornada com diminuição proporcional
de salário. A medida encontra resistência principalmente na CUT
(Central Única dos Trabalhadores), que tem defendido a redução
de jornada sem diminuição de salários.
Para Lawrence Pih, proprietário do Moinho Pacífico, a medida é a única
capaz de minimizar os efeitos da crise no mercado de trabalho. "Uma redução
de jornada com redução proporcional de salário pode restringir
ao mínimo o número de demissões na indústria",
diz. Para ele, os empresários não têm como garantir estabilidade
no emprego.
" A Fiesp não representa o país inteiro, mas a maioria das
indústrias de São Paulo, e poderá influenciar as empresas
a adotar a redução de jornada com redução de salário
em vez da demissão", afirma Pih.
Segundo Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit (Associação
Brasileira da Indústria Têxtil), a medida não significará precarização
do trabalho, mas um ajuste a um novo cenário internacional muito crítico
para a manutenção do nível de emprego.
Já José Antônio Martins, vice-presidente do conselho da
Marcopolo, acredita que os sindicalistas não endurecerão as negociações
porque os "sindicalistas atualmente são bastante racionais e inteligentes".
" A esta altura, não adianta brigar. Somos todos participantes de
uma guerra e temos de vencê-la, tentando de todas as maneiras manter a
empregabilidade."
Para isso, segundo Martins, os sindicalistas deveriam unir-se aos empresários
para pressionar o governo a adotar medidas de isenção tributária,
de aumento do crédito e de proteção a alguns setores.
A Marcopolo não pensa em fazer demissões no Brasil, uma vez que
o programa Caminhos da Escola, do governo federal, comprará mais de
6.500 ônibus neste ano. No exterior, no entanto, a empresa ainda avalia
a manutenção das vagas.
(AGNALDO BRITO E CRISTIANE BARBIERI)
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Folha de S.Paulo, 15 de Janeiro
de 2009
"Quem garante emprego é o
mercado", diz GM
GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
O vice-presidente da GM do Brasil,
José Carlos Pinheiro Neto, disse ontem ser contrário à adoção
de mecanismos de preservação de empregos durante a crise
vivida pelas montadoras, como querem os sindicatos de trabalhadores. "Quem
garante emprego é o mercado", declarou.
Na segunda-feira, a GM demitiu 744 funcionários contratados por tempo
determinado na unidade de São José dos Campos (SP). Mas, segundo
Pinheiro Neto, a montadora não planeja novos cortes.
O executivo disse ainda que as montadoras não estão "embolsando" o
dinheiro da redução do IPI, uma das medidas do governo federal
para estimular o setor automobilístico depois da crise internacional.
" O benefício fiscal que alegadamente as montadoras tiveram não
foi embolsado pela indústria. O consumidor é que embolsa, 100%
dele [da redução do IPI] é transferido. A GM não
se apropria", disse.
A crise financeira atingiu a indústria automobilística no último
trimestre de 2008, depois que as linhas de crédito ao consumidor se
retraíram, ficando mais difíceis e caras.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de janeiro de 2009 | Economia
BC emprestará US$ 20 bilhões
a empresas
Agência Estado
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira
(14) que será atendida toda a demanda das empresas brasileiras por recursos
para rolagem de dívida externa. Os recursos utilizados para isso serão
os das reservas internacionais acumuladas pelo BC, que vai oferecê-los "para
suplementar o crédito externo que foi cortado para todos os países,
inclusive para o Brasil", disse Meirelles para jornalistas em Nova York.
O compromisso do BC é repor
a parcela de crédito internacional que foi cortada com o agravamento
da situação internacional em setembro de 2008, com a falência
do Lehman Brothers. Terão acesso aos recursos qualquer empresa
brasileira com dívida externa vencendo até dezembro de
2009, disse o presidente do BC em Nova York. A demanda é estimada
em US$ 20 bilhões, mas Meirelles indicou que não há um
limite, ao enfatizar que o compromisso é de que toda a demanda
para rolagem de dívida externa será atendida pelo BC.
Os recursos das reservas internacionais
do BC irão para os bancos que vão atender estas empresas. "Uma
postura competitiva dos bancos oficiais deve acontecer durante o ano",
acrescentou. O início destas operações está previsto
para o fim deste mês. O presidente do BC estimou que, "na
medida em que o BC vai oferecer linhas para suplementar o crédito
externo, então a oferta total quantitativa de crédito já deve
ser normalizada. Aí vamos olhar com muita atenção,
e já estamos olhando, a questão dos preços. "Nesse
momento, a questão competitiva é fundamental".
Com estes empréstimos
direcionados, o objetivo é "mitigar e preservar a economia
brasileira deste efeito da crise internacional", ponderou Meirelles,
depois de fazer palestra em evento da Câmara de Comércio
Brasil-EUA. "Todas as empresas brasileiras que têm empréstimo
vencendo no mercado externo vão ter também acesso aos recursos
das reservas, que serão aplicados em bancos que emprestarem para
essas empresas, exclusivamente", afirmou.
Meirelles observou que
o BC também está atendendo toda a demanda das empresas
para crédito à importação e vai continuar
assim. O presidente avaliou que a oferta de crédito doméstico
está normalizada, mas "o preço e as condições
estão muito elevados". Uma das razões importantes
para isso, acrescentou ele, é que o crédito externo não
está normalizado, e, portanto, "o crédito doméstico é pressionado
pelas empresas que não conseguem fazer rolagem no exterior e
tomam empréstimo no Brasil".
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Gazeta do Povo, 15 de Janeiro
de 2009
PIB
China já é a 3.ª maior
economia do mundo
País asiático revisa
para cima o crescimento econômico de 2007, ultrapassa Alemanha
e fica atrás apenas de EUA e Japão. Agora, no entanto,
a crise afeta o desempenho chinês
O governo da China revisou a
taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2007 para 13%,
ante os 11,9% previstos inicialmente, superando assim a Alemanha como
a terceira maior economia do mundo. Na sua frente, estão apenas
os Estados Unidos e o Japão.
Segundo novos dados divulgados
pelo Departamento Nacional de Estatísticas, o PIB chinês
alcançou US$ 3,764 trilhões há dois anos, acima
dos US$ 3,32 trilhões da Alemanha. Os EUA, a maior economia do
mundo, tinham um PIB de US$ 13,8 trilhões, seguido pelo Japão,
que registrava um PIB de US$ 4,38 trilhões.
O avanço no PIB chinês
foi impulsionado principalmente pelo forte crescimento do setor industrial
e dos serviços, que se expandiram 14,7% e 13,8%, respectivamente,
em 2007. A taxa de crescimento revisada, divulgada pela agência
nacional de estatísticas, é a maior desde 1993, quando
a economia chinesa teve expansão de 13,5%.
Apesar do forte crescimento de
2007, as previsões para o PIB do ano passado, a serem divulgados
na próxima semana, são bem menos otimistas. Devido à crise
financeira global, que atinge em cheio a demanda chinesa, o país
oriental já vem mostrando desaceleração. Nos nove
primeiros meses de 2008, a China teria crescido 9,9%, abaixo dos dois
dígitos pela primeira vez em cinco anos.
Além disso, a agência
oficial de notícias também divulgou uma pesquisa do Deutsche
Bank que mostra que o avanço do PIB da China pode cair de 9%
em 2008, para 7% em 2009. A instituição alemã acredita
que a queda na demanda externa e a desaceleração dos
investimentos nos setores imobiliário, fabril e de minérios
pode afetar os resultados chineses neste ano. Há também
a expectativa de que o país sofra com uma deflação.

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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
janeiro de 2009 | Política
Presidente vai reunir base para escolher
sucessor
Encontro, que será agendado até o
final do mês, discutirá as pretensões de partidos
aliados à sucessão em 2010
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dar início às
articulações com os partidos da base aliada para sua sucessão
em 2010. Ele pediu a lideranças do bloquinho de esquerda - formado pelo
PSB, PDT, PC do B, PMN, entre outros partidos - que preparem um encontro até o
final do mês para discutir as pretensões do grupo para a troca
de comando no Palácio do Planalto.
A ideia é discutir com
os líderes dos partidos a disposição de manter a
candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência
da República, que vinha sendo discutida pelo bloquinho, além
de avaliar qual seriam as chances das legendas apoiarem uma candidatura única
da base aliada em 2010.
No encontro, o presidente Lula
quer saber como ficam os anseios do grupo, uma vez que o PDT deve confirmar
no próximo dia 21 a saída do bloco. O presidente em exercício
e líder do partido na Câmara, deputado Vieira da Cunha (RS),
e o presidente licenciado, ministro Carlos Lupi (Trabalho), teriam confirmado
a integrantes do governo que não há mais intenção
em permanecer no bloquinho. Argumentam falta de espaço.
Lupi já declarou publicamente
que o grupo se ''esvaziou'' e que não vê mais sentido para
que o bloco político continue atuando junto no Congresso. O ministro
tornou público o desentendimento entre os partidos do bloco ao
declarar que o PDT abandonaria o deputado Aldo Rebelo (PC do B) na corrida
pela presidência da Câmara e repassaria o apoio para o deputado
Michel Temer (PMDB-SP), favorito na disputa.
Em meio à campanha dos
líderes do PDT contra o bloquinho, lideranças do PSB e
PC do B se esforçam nos bastidores para convencer os pedetistas
a continuarem no bloco. Dirigentes do PSB e do PC do B já estão
com discurso pronto para o presidente Lula. Os líderes vão
reforçar a intenção de lançar uma candidatura
própria. Segundo pessebistas, os partidos devem mostrar que mais
de uma candidatura da base pode fortalecer o nome escolhido pelo presidente
-até agora o mais cotado é o da ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil).
O entendimento do bloquinho é de
que como os principais partidos da oposição, PSDB, DEM
e PPS, devem estar unidos em torno de uma única candidatura, com
mais de uma chapa governista no ataque, o candidato oposicionista estaria
mais fragilizado e sem grandes oportunidades de aliança em um
possível segundo turno.
Desentendimentos
O desentendimento entre os integrantes
do bloquinho começou com a falta de sintonia nas eleições
municipais de 2008. Líderes do PDT começaram a argumentar
que a formação do bloquinho não cumpriu seu objetivo
de estabelecer uma frente unida, independente da base aliada ao governo
Lula e com maior espaço no Congresso.
Durante as eleições,
o bloquinho só conseguiu patrocinar a tentativa de reeleição
do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B), que agregou ainda
o apoio do PT e do PSDB.
Em outras sete capitais, só candidatos
do PT conseguiram unir o bloquinho na mesma coligação -
como em São Paulo, Natal, Palmas, Recife, Rio Branco, Vitória
e Teresina.
Márcio Falcão
Folhapress
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
janeiro de 2009 | Geral
Pedreiro de 61 anos morre eletrocutado
em construção
Pedreiro estava terminando de construir
a casa para alugar
O pedreiro Antonio Bernardo da Silva, 61 anos, morreu na tarde de ontem após
uma descarga elétrica no Residencial do Café, Zona Norte de Londrina.
O homem, que há 25 anos morava na região, estava terminando a
construção de uma casa, para então alugar. Antonio caiu
de bruços segurando um alicate numa mão e um fio na outra. No
local, o cimento do chão ainda estava úmido, o que talvez teria
contribuído com o acidente.
Segundo informações
do Corpo de Bombeiros, provavelmente ele estava cortando o fio de 110
volts no momento. ''Ele sofreu queimaduras de terceiro grau no antebraço
e peito. A marca do alicate ficou no tórax da vítima'',
disse o aspirante Jeferson José Rossato, que atendeu a ocorrência.
O corpo foi achado por um vizinho
que foi até a construção chamar por ele. ''Não
sabemos o horário da morte, mas possivelmente ele já estava
aqui há algum tempo'', completou.
O filho do pedreiro, Marcos da
Silva, disse que o pai construía casas há muitos anos.
''Ele sempre mexeu com contrução e nunca havia acontecido
nada. Faz um ano que ele estava trabalhando aos finais de semana para
terminar essa casa e poder alugar. Foi uma fatalidade'', lamentou.
O Corpo de Bombeiros recomenda
que profissionais capacitados façam esse tipo de serviço.
''Caso seja realmente necessário o morador mexer com fiação
ou algo do tipo, ele deve desligar o relógio, a chave-geral da
casa. Até mesmo para a troca de uma lâmpada, por exemplo.
Evite andar descalço ou perto de local molhado no momento, já que
isso facilita a descarga elétrica'', aconselha Rossato.
Marian Trigueiros
Reportagem Local
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Agência Senado, 15
de Janeiro de 2009
Projeto de Zambiasi permite ao empregado
usar FGTS para comprar ações da empresa onde trabalha
O Senado poderá aprovar norma autorizando o trabalhador brasileiro a
aplicar parte da conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) em programa de participação no capital da empresa em que
trabalha. O projeto (PLS 273/03), pronto para votação na Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), é do senador Sérgio Zambiasi
(PTB-RS), que vê na iniciativa a possibilidade de novo compromisso entre
empresas e empregados, assim como uma opção de investimento capaz
de melhorar a rentabilidade do fundo.
Hoje, a lei que normatiza o FGTS
autoriza o empregado a movimentar essa conta vinculada, entre outras
situações, para aplicar em cotas de fundos mútuos
de privatização de empresas estatais, permitindo o uso
máximo de 50 % do saldo existente. O projeto de Zambiasi mantém
esse limite no caso de o empregado resolver utilizar-se do fundo para
comprar ações da empresa em que trabalha. Na justificação
do projeto, o parlamentar ressalta o caráter inovador dessa mudança
legislativa.
"O novo conceito de empresa
ultrapassa os limites rígidos da antiga estrutura patronal e autoritária
para encontrar um regime de colaboração com os trabalhadores
em que a importância do fator humano esteja em primeiro plano",
disse.
De acordo com o senador,
o investimento em ações da própria empresa não
compromete os objetivos centrais da constituição do FGTS,
que são a indenização em casos de desemprego involuntário,
aposentadoria ou morte, assim como a utilização dos recursos
na aquisição da casa própria. A alegação
básica de Zambiasi é que o trabalhador estará realizando
um investimento que reverterá em benefício próprio.
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Agência Senado, 15
de Janeiro de 2009
Projeto de Roseana garante indenização
trabalhista a portadores de AIDS e Hepatite C
Os empregados portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
(AIDS), da Hepatite C e de outras doenças contagiosas de natureza grave
aguardam desde julho de 2006 a votação do projeto de lei (PLS
nº 145/06) que lhes garante o salário e o impedimento da dispensa
sem justa causa até a concessão definitiva de benefício
previdenciário. O PLS é de autoria da senadora Roseana Sarney
(PMDB-MA) e aguarda inclusão na Ordem do Dia para ser votado em Plenário.
A proposta estabelece critérios
de indenização em caso de descumprimento da lei e determina
que o pedido de demissão de empregados protegidos somente será válido
com a interveniência do respectivo sindicato e do Ministério
Público. O relator da matéria na Comissão de Assuntos
Sociais (CAS), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), lembrou em seu parecer
que o sistema jurídico brasileiro não admite a discriminação
do ser humano com base em atributos inatos ou adquiridos.
- Tanto a AIDS quanto a Hepatite
C são doenças graves, mas não transmissíveis
por meio do contato social. Os avanços havidos nos últimos
anos conseguiram retardar a progressão da doença, ensejando
aos portadores se manterem produtivos por largo período de tempo.
A discriminação, portanto, é inadmissível
- afirmou o senador.
Roseana Sarney estabeleceu em
sua proposta que o descumprimento da nova regra asseguraria ao empregado
o pagamento de indenização correspondente ao dobro do valor
dos salários a que teria direito no período compreendido
entre a data da rescisão do contrato de trabalho e a concessão
do benefício previdenciário, observado o limite máximo
de 60 meses.
Em sua justificação,
a senadora assinalou que ainda não foi votada pelo Congresso
Nacional a lei complementar que trata da relação de emprego
protegida contra a despedida arbitrária e sem justa causa. Roseana
disse que, embora ainda não tenha amadurecido a ideia e a decisão
política de votar a lei complementar referida no art. 7º,
inciso I da Constituição, é preciso resolver,
como exceção, a situação dos empregados
portadores de AIDS e Hepatite C.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/01/2009
Estouro de pneu causa lesão em funcionário
e empresa é responsabilizada
A empresa Minas Pneus Ltda.,
especializada, no comércio e conserto de pneus e câmaras
de ar, foi condenada ao pagamento de R$ 15 mil pelas lesões causadas
a um funcionário pela explosão de um pneu ocorrida durante
um teste de produto. O acidente causou a diminuição da
percepção auditiva do empregado, que ajuizou ação
de indenização por danos morais e materiais. A Primeira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho entendeu que o estouro de pneus é um
risco da atividade empresa e, reformando decisão da Justiça
do Trabalho da 5ª Região (BA), deferiu indenização
por danos morais ao trabalhador.
O TRT/BA, ao julgar o caso, considerou
que a empresa não poderia ser responsabilizada pela lesão
sofrida pelo empregado. Para o TRT, não era aplicável nem
a responsabilidade subjetiva, em que se tem que comprovar a culpa da
empresa - pois o trabalhador não apresentou provas neste sentido
-, nem a responsabilidade objetiva, associada à atividade de risco
e que não exige a comprovação da culpa. De acordo
com o Regional, a atividade da Minas Pneus não era de risco.
O entendimento que prevaleceu
na Primeira Turma, porém, foi diferente: a decisão do TRT/BA
violou o parágrafo único do artigo 927 do Código
Civil, que estabelece a “obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando
a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por
sua natureza, risco para os direitos de outrem”. Segundo a análise
do ministro Lelio Bentes, a empresa pode ser responsabilizada pela deficiência
que o acidente provocou no trabalhador devido à “dinâmica
laborativa”, ainda que a atividade empresarial não seja
considerada de risco.
De acordo com o ministro Lelio,
redator do acórdão da Primeira Turma, a expressão “riscos
da atividade econômica” deve ser compreendida de forma ampla.
Assim, “não estão englobados apenas os riscos econômicos
propriamente ditos, como o insucesso empresarial ou dificuldades financeiras,
mas também o risco que a atividade representa para a sociedade
e, principalmente, para seus empregados”. O ministro ressaltou
que o princípio da responsabilidade objetiva, quando se trata
de dano ligado à integridade física do trabalhador, “se
justifica plenamente”. “A prova da culpa depende do próprio
fato”, concluiu.
Analogia
Na defesa da aplicação
da responsabilidade objetiva para o caso, o ministro Vieira de Mello
construiu uma analogia com o Código de Defesa do Consumidor (CDC),
em que a responsabilidade objetiva é atribuída à empresa
no caso de um produto que oferece risco ao consumidor pela sua elaboração,
confecção e utilização. Ele argumentou que
se o consumidor compra o pneu, o pneu fura e provoca um acidente, a empresa
vai responder objetivamente. No entanto, se o empregado trabalha nessa
linha de produção, fazendo o teste desses produtos, correndo
o risco de um dano físico, pela teoria da responsabilidade subjetiva
teria que provar a culpa da empresa. “Seria um contrassenso exigir
a prova da culpa da empresa quando se trata do trabalho humano e, ao
contrário, não haver essa exigência quando se trata
do risco pela simples utilização do produto”, afirmou.
Para o ministro Vieira de Mello,
a perda da audição do trabalhador ocorreu durante o manuseio
de produto comercializado pela Minas Pneus e, portanto, o fato insere-se
na atividade empresarialmente explorada pela empregadora. Por este motivo,
o empreendimento em questão foi a causa determinante da lesão. “Fugir
de tal conclusão seria equivalente a negar ao consumidor, caso
fosse vítima do mesmo dano suportado pelo trabalhador, a incidência
da responsabilidade objetiva prevista no artigo 12 do CDC”, concluiu.
(RR –422/2004-011-05-00.3)
(Lourdes Tavares)
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15/01/2009
TST rejeita nulidade de decisão por
quebra de sigilo bancário
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso de bancária que pretendia anular
decisão da Justiça do Trabalho da 12ª Região
(SC) por ter tido seu sigilo bancário quebrado, por determinação
judicial, na fase de instrução do processo, a fim de comprovar
falsidade (alegada por ela própria) de documentação
apresentada pelo Banco Itaú S.A. Para a relatora, ministra Dora
Maria da Costa, a determinação ocorreu para atender interesse
direto da Justiça, e não houve, no caso, violação
do artigo 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal.
A bancária foi contratada
pelo Itaú em dezembro de 1989 como atendente de agência.
Após a demissão, em 1996, ajuizou reclamação
trabalhista pedindo horas extras e comissões sobre venda de seguros
alegando, entre outros aspectos, que atuava como recepcionista em coquetéis
e eventos culturais promovidos pelo banco sem receber horas extras ou
adicional noturno.
Na fase de instrução
do processo, a bancária alegou a falsidade das fichas financeiras
apresentadas pelo banco para comprovar o pagamento das horas extras.
O juiz da 5ª Vara do Trabalho de Florianópolis (SC) determinou
então que o Itaú juntasse aos autos os extratos da conta
corrente da empregada, para a realização de perícia
contábil. Com base na perícia, a sentença deferiu
apenas parcialmente os pedidos, levando a trabalhadora a recorrer ao
Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) alegando
nulidade da decisão em virtude da quebra de seu sigilo bancário.
No recurso, sustentou que a ordem foi tomada “sem qualquer motivação
ou fundamento”, e só se justificaria em caráter excepcional.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC), ao julgar a matéria, entendeu
que a quebra do sigilo não foi abusiva nem ilegal, mas necessária “diante
da profunda controvérsia que se instalou”. Sua finalidade
não era servir de prova cujo ônus era do banco, e sim comprovar
a alegação de falsidade das provas formulada pela própria
empregada. “Trata-se, portanto, de ato judicial que teve em vista
a obtenção da verdade real em proveito da prestação
jurisdicional”, afirmou o TRT/SC. “O fato de o resultado
da prova ter sido desfavorável à bancária não
tem o condão de gerar a nulidade do processo.”
Ao recorrer ao TST, a trabalhadora
insistiu na irregularidade da quebra do sigilo e defendeu que a comprovação
do pagamento das horas extras poderia ser feita de outra forma. Mas a
ministra Dora Maria da Costa, relatora do recurso de revista, assinalou
que as informações foram prestadas pelo Itaú em
virtude de expressa determinação judicial, e se mesmo assim
a bancária entendesse que houve quebra e violação
de seu direito individual, “este aconteceu somente para atender
interesse direto da Justiça e para esclarecer a verdade sobre
dúvidas que surgiram a partir de alegações suscitadas
pela própria reclamante”. (RR 724571/2001.3)
(Lourdes Côrtes)
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