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Folha de S.Paulo, 17 de janeiro de 2009
Lula diz que um dia Brasil
terá mais de uma reeleição
Na Venezuela, presidente defende
projeto de Chávez, mas nega candidatura em 2010
"O Chávez [54 anos] é novo ainda,
ele aguenta um novo mandato. Agora eu [63] já tô velho,
vou me retirar", disse Lula em tom de brincadeira
FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A EL DILÚVIO
Ao sair em defesa de Hugo Chávez, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse ontem que qualquer partido no Brasil tem o direito
de propor a reeleição indefinida caso o país tenha "instituições
consolidadas", mas voltou a negar nova candidatura. Na Venezuela,
os eleitores irão às urnas decidir sobre o tema em 15
de fevereiro.
" Estamos num processo de construção de fortalecimento das
instituições no Brasil. Isso não impede que daqui a um tempo
apareça um partido político com uma maioria de deputados que proponha
[a restrição a apenas uma reeleição]. Pode ter três,
quatro reeleições", disse Lula, durante entrevista enquanto
percorria o projeto agrícola "El Dilúvio" (800 km a oeste
de Caracas).
" Isso pode acontecer. Na hora em que você tiver instituições
consolidadas e tiver a liberdade política que o povo quiser, isso vai
acontecer." Segundo Lula, o seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, só não
buscou o terceiro mandato por causa da situação econômica
do Brasil na época.
" Certamente, se a economia brasileira estivesse bem, de 98 a 2002, se o
presidente Cardoso tivesse feito as "encuestas" [pesquisas, em espanhol]
de opinião pública, teria havido um deputado que teria proposto
uma emenda para que Cardoso tivesse mais um mandato. No Brasil é assim.
Só não é assim no meu governo", afirmou.
Em entrevistas, Lula tem descartado a possibilidade de apoiar uma mudança
na Constituição que lhe permita disputar nova reeleição.
Em abril de 2008, criticou governantes que se acham insubstituíveis: "Qualquer
pessoa que se ache imprescindível começa a colocar em risco
a democracia".
Mas ontem, sempre sob o olhar atento de Chávez, Lula citou o Reino
Unido, a Espanha e a Alemanha como países com governos longos,
fazendo a ressalva de que são regimes parlamentares. Citou o presidente
da Colômbia, Álvaro Uribe, para afirmar que as críticas
contra Chávez só acontecem porque se trata de um governo
de esquerda: "O Uribe estava querendo o terceiro mandato e ninguém
perguntava a ele".
Tramita no Congresso colombiano proposta de reforma que, se aprovada
em referendo, dará a Uribe a chance de concorrer ao terceiro mandato.
Lula disse que "cada país tem de viver o seu processo",
mas descartou concorrer a um terceiro mandato. "O Chávez
[54] é novo ainda, ele aguenta um novo mandato. Agora eu já tô velho,
vou me retirar", disse Lula [63], em tom jocoso.
Ontem, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela marcou para 15 de fevereiro
o referendo sobre a emenda constitucional que implanta a reeleição
indefinida para todos cargos eletivos. Há dez anos no poder, Chávez
já é o presidente há mais tempo no poder na América
Latina. O atual mandato acaba em 2013.
Entre os acordos assinados por Lula e Chávez está o aumento
da cooperação brasileira nas áreas agrícola,
industrial e elétrica. Lula anunciou que assistirá ao Carnaval
do Rio para torcer pela Beija-Flor. Brincando, Chávez disse que
irá, mas que sua escola é a Mangueira.
Durante a visita, Lula também concedeu uma entrevista ao cineasta
norte-americano Oliver Stone, que prepara um documentário sobre
Chávez e a onda de esquerda na América Latina. O diretor
já entrevistou Raúl Castro (Cuba), Fernando Lugo (Paraguai),
Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina), além
de Chávez.
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Folha de S.Paulo, 17 de janeiro de 2009
RUMO A 2010
FHC DIZ AO "EL PAÍS" QUE
PSDB É O FAVORITO PARA VENCER ELEIÇÃO
Em entrevista publicada ontem pelo "El País", o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso disse que, na eleição presidencial
em 2010, "o mais provável é que ganhe um candidato
do PSDB", já que "as pesquisas dão clara vantagem" a
José Serra, em primeiro, e a Aécio Neves, em segundo. FHC
disse que a política econômica e social não deve
mudar, mas será preciso "corrigir o clientelismo", que
cresceu sob Lula.
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Folha de S.Paulo, 17 de janeiro de 2009
HABITAÇÃO
Fazenda diz que anuncia medidas
até o carnaval
O secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ontem que o governo federal deve anunciar
e divulgar, até o Carnaval, uma série de balanços
e medidas que darão novo fôlego à economia nacional
para atravessar o momento de crise. Entre as principais ações
programadas, segundo ele, está o anúncio de novo pacote
de estímulo para o setor de habitação.
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Folha de S.Paulo, 17 de janeiro de 2009
FAT registra resultado recorde em 2008
Presidente do Codefat diz que ampliação
das parcelas do seguro-desemprego pode "quebrar" o fundo
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Influenciada pelo bom momento da economia antes de a crise mundial
afetar o Brasil, a arrecadação do FAT (Fundo de Amparo
ao Trabalhador) atingiu em 2008 o maior patamar de sua história
recente, levando o fundo a registrar um superávit de R$ 6,9
bilhões no ano passado. O valor supera as projeções
iniciais do próprio governo, que trabalhava com um valor de
R$ 4,4 bilhões.
O resultado, ao qual a Folha teve acesso, vem sendo motivo para o Palácio
do Planalto planejar a ampliação do seguro-desemprego para
até 12 parcelas como forma de atenuar os efeitos da crise no mercado
de trabalho. Atualmente, a lei prevê o pagamento de três
a cinco parcelas, além de mais duas extraordinárias em
casos de demissões em massa.
O presidente do Codefat (Conselho Deliberativo do FAT), Luiz Fernando
Emediato, alerta, no entanto, de que o aumento das parcelas pode "quebrar" o
fundo. Representante da Força Sindical no conselho, ele vê com
preocupação até a proposta das centrais sindicais
de elevar o número de prestações para dez.
" Se aumentar de cinco para dez parcelas, indiscriminadamente, a despesa
pode, no limite, dobrar. O FAT quebra. Se forem dadas parcelas adicionais a setores
específicos da economia, com desemprego mais alto e de longo prazo, a
despesa não dobra, mas aumenta consideravelmente", disse.
Emediato explica que o superávit foi obtido no ano passado graças às
receitas conseguidas pelo fundo com o retorno dos empréstimos
operados pelos bancos federais -BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica
Federal, entre outras instituições de pequeno porte. "A
partir de 2011, nem essas receitas cobrirão o déficit.
Isso com as parcelas mantidas no limite de cinco. Ao passar para até 12
parcelas, o orçamento do FAT estoura imediatamente", disse.
Em 2008, a arrecadação do FAT superou em 13,4% as previsões
iniciais do Ministério do Trabalho, chegando a R$ 45,7 bilhões.
Um dos motivos para isso foi o aumento da receita do PIS/Pasep -contribuições
recolhidas ao fundo e que incidem sobre o faturamento das empresas. Já as
despesas tiveram um crescimento de 2,1%.
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Gazeta do Povo, 17 de janeiro de 2009
Déficit
Bolsa não atende 2,2 milhões
de famílias com direito ao benefício
Falta de atualização
do cadastro dos beneficiários é um dos obstáculos à ampliação
do atendimento do programa
No Brasil, 2,2 milhões de famílias se enquadram nos
critérios do Bolsa Família e poderiam começar
a receber o benefício. Poderiam, mas não recebem. Esse é o
déficit estimado pelo Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome (MDS). Se as famílias que têm
direito fossem incluídas no programa, o aumento de beneficiários
seria de 20,6%. Cerca de 10,6 milhões de famílias recebem
o benefício no país.
Diante do déficit, as estatísticas de quantas famílias
de baixa renda existem no país estão sendo atualizadas.
O número que definiu quantos benefícios seriam distribuídos
foi baseado em dados de 2004. Passados cinco anos, muitas famílias
ficaram escondidas nas estatísticas defasadas. O MDS pretende
até o fim do mês apontar onde estão estas pessoas
para ampliar a cobertura, já que atualmente não se sabe
como estão distribuídas. O que se nota é um abismo
entre as famílias cadastradas que têm o perfil e as que
realmente são contempladas.
Paraná
Ninguém sabe ao certo quantas famílias paranaenses têm
direito ao programa e continuam excluídas. Há dois números
que dão uma noção do problema. Um deles é a
relação entre a quantidade de famílias cadastradas
e o total de beneficiados. Por esse critério, o Paraná tem
um atendimento pequeno: apenas 52,1% das famílias cadastradas
são beneficiadas. A diferença em Curitiba é mais
gritante: 43,7%.
Não se pode cravar que a culpa por não atender todas
as famílias cadastradas é do governo federal – muitas
vezes são as próprias famílias que não
atualizam o cadastro. A coordenadora do Núcleo de Assistência
Social da Secretaria de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção
Social, Denise Colin, explica que muitas vezes a família diz
que cumpre os critérios e uma verificação a campo
mostra o contrário. Outra dificuldade é localizar essas
pessoas.
Por outro critério, no entanto, o Paraná tem uma cobertura
de 91,62% de famílias atendidas. Explica-se: a conta, aqui, é feita
com base na estimativa de famílias que realmente precisam do
benefício no Paraná. Mas os números, que se baseiam
em estatísticas de cinco anos atrás, também podem
estar defasados.
Além de atualizar as estatísticas sobre as pessoas que
teriam direito ao Bolsa Família, o MDS revisará o benefício
de 5 milhões de famílias. A estimativa é que 10%
sejam excluídas. Por força de decreto federal, a cada
dois anos os benefícios são revisados. A previsão é que
os trabalhos comecem entre abril e maio.
Dificuldades
A gestora municipal do Bolsa Família em Curitiba, Denise Ferreira
Neto, diz que o programa tem uma grande porta de entrada – com
CPF e título de eleitor é feito o cadastro. Depois disso,
qualquer mudança na composição familiar ou no
endereço tem que ser comunicada. E para a família, que
muitas vezes mora longe do local do cadastro, manter os dados atualizados
não é fácil.
Denise não sabe apontar quantos cadastros estão invalidados
e quantos realmente precisam do benefício na capital. “Sabemos
que existem famílias que deveriam estar no Bolsa, mas o número
exato não teria validade porque quem seleciona a família é o
governo federal”. A gestora reconhece que há prioridade
para famílias de regiões carentes. Segundo ela, o governo
seleciona onde há mais gravidade “Tem uma cidade do Nordeste
que tem 200 mil habitantes e 35 mil famílias beneficiárias.
Temos 1,7 milhão de pessoas e 35 mil famílias. Olha a
disparidade!”
A prefeitura procura atender a família que não foi beneficiada
com o Bolsa Família incluindo-a em outros programas sociais,
como atividades no contraturno escolar, atendimento em Liceu de Ofícios,
qualificação para pedreiro e distribuição
de cesta básica em situações emergenciais.
Repasse
Em 2008, o Ministério transferiu R$ 10,6 bilhões para
os beneficiários do Bolsa Família. No ano passado, houve
a recomposição no valor do benefício, reajuste
de 8%, a partir de julho, por causa da elevação no preço
dos alimentos, o que gerou custo adicional de R$ 419 milhões.
Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais
e Econômicas (Ibase), o recurso é utilizado pelas famílias
principalmente para a compra de alimentos. Em seguida, aparecem material
escolar (46%), vestuário (37%) e remédios (22%).
O programa
Saiba mais sobre o Bolsa Família:
O que é
O Bolsa Família é um programa de transferência
direta de renda que prevê condicionalidades em troca do benefício.
Atende famílias em situação de pobreza (com renda
mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$ 120) e extrema pobreza (com renda
mensal por pessoa de até R$ 60).
Como funciona
A prefeitura cadastra as famílias e o Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome seleciona quais serão
beneficiadas.
Benefícios
São três tipos de benefício. O básico é concedido às
famílias em situação de extrema pobreza, no valor
de R$ 62 mensais. O benefício variável, no valor de R$
20, é concedido às famílias pobres e extremamente
pobres que tenham crianças e adolescentes. O benefício
variável para jovem, de R$ 30, é concedido às
famílias pobres e extremamente pobres que tenham adolescentes
entre 16 e 17 anos matriculados na escola.
Condições
- Manter em dia o cartão de vacinação das crianças
de 0 a 6 anos.
- Garantir frequência mínima de 85% na escola, para crianças
e adolescentes de 6 a 15 anos.
- Garantir frequência mínima de 75% na escola, para adolescentes
de 16 e 17 anos.
- Participar, quando for o caso, de programas de alfabetização
de adultos.
Fontes: MDS e Caixa Econômica Federal.
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Gazeta do Povo, 17 de janeiro de 2009
Ajuda de R$ 36 mudaria vida de dona
de casa do Umbará
Na vida apertada da dona de casa Soeli do Carmo dos Santos, de 46 anos,
os R$ 36 a que ela teria direito por mês pelo Bolsa Família
fariam uma diferença e tanto. Soeli mora com os dois filhos, de
23 e 7 anos, a nora e o neto de 3 meses numa casa alugada no bairro do
Umbará, zona sul de Curitiba. A casa é pequena – cozinha
junto com a sala, banheiro e dois quartos –, mas é o que
dá com o salário mínimo do filho mais velho, o único
que trabalha na casa. Mas numa emergência, como falta de alimento,
de gás, de fralda, tem que pedir ajuda na igreja e na unidade
de atendimento da prefeitura.
Soeli aguarda a um ano pelo Bolsa Família. Assistentes sociais
dizem que a família tem o perfil e não se sabe porque
ainda não foi beneficiada. Um vizinho da dona de casa, por exemplo,
se cadastrou depois da família Santos e recebeu o benefício
antes. E eram os Santos que mais precisavam. O Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) diz que têm
preferência famílias com menor renda.
Esperança
Soeli está confiante que um dia receberá os R$ 36 mensais
a que tem direito. “Tenho esperança que vai chegar. A
esperança é grande. Sempre digo para meu filho mais novo
quando ele me pede as coisas: tenha calma”, diz, enquanto traça
planos do que fazer com o dinheiro. A ideia é caprichar no material
escolar e no uniforme do filho, caso o benefício venha a tempo.
(BMW)
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Gazeta do Povo, 17 de janeiro de 2009
Trabalho
HSBC e Santander demitem 500 trabalhadores
Demissões do banco britânico
ocorrem nos centros administrativos do Xaxim e da Kennedy, em Curitiba.
Sindicatos organizam protestos contra as dispensas
Após várias semanas de grandes demissões nos
setores metal-mecânico e de siderurgia, ontem foi a vez de os
bancos anunciarem cortes de pessoal. O HSBC dispensou cerca de 100
funcionários em Curitiba e o Santander mandou 400 trabalhadores
embora, principalmente nos centros administrativos do grupo, em São
Paulo.
O banco britânico, cuja sede no Brasil fica na capital parananense,
divulgou uma nota dizendo que “está realizando alguns
desligamentos para adequar seus negócios ao nível de
atividade econômica neste início de ano”. O secretário-geral
do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Carlos
Alberto Kanak, conta que os cortes ocorreram nos centros administrativos
dos bairros Xaxim e Guaíra (na avenida Kennedy). Segundo ele,
o encerramento das atividades de dois setores resultaria em 180 demissões,
mas até a tarde de ontem não era possível saber
o número exato de dispensas. Na nota, o HSBC, afirma que os
trabalhadores demitidos são “menos de 100”.
Kanak diz que o banco não justificou a decisão para
o sindicato. “A razão que está sendo apresentada
para os demitidos é que no momento trata-se de um corte de despesas.
Alguns gestores alegam que isso é reflexo da crise”, afirma.
De acordo com o dirigente sindical, somadas às cerca de 300
demissões promovidas no ano passado, o HSBC já teria
cortado 400 funcionários desde 2008 em Curitiba e região. “O
HSBC vem num processo de redução de trabalhadores”,
afirma Kanak.
Santander
Cinco meses após o início da fusão das operações
com o Banco Real, o Santander anunciou a demissão de cerca de
400 funcionários do grupo. Segundo o Sindicato dos Bancários
de São Paulo, Osasco e região, as dispensas são
nos centros administrativos do Santander e do Real. De acordo com o
banco, as demissões não têm relação
com a crise, mas são resultado da incorporação
feita pelo grupo espanhol.
Em outubro de 2008, o Santander anunciou seu plano estratégico
para 2008-2010, quando o presidente mundial, Emílio Botin, afirmou
que a integração Santander-Real não era uma reestruturação,
mas um projeto de crescimento, com a ampliação do número
de agências em 400.
Bancários protestaram ontem contra o corte na Avenida Paulista
(região central de São Paulo), em frente a uma agência
do Banco Real. Além de faixas, os manifestantes levaram ao ato
uma galinha, para representar o que chamaram de “a galinha dos
ovos de ouro”, expressão usada pelo Santander por ocasião
da compra do Real.
Segundo a diretora do sindicato e funcionária do Santander,
Rita Berlofa, a situação é “inadmissível”. “O
banco está em excelente situação no Brasil e no
mundo, anuncia ‘sinergias de integração que devem
atingir R$ 2,7 bilhões’. Ou seja, para os banqueiros,
brasileiros ou espanhóis, a fusão trará ganhos,
mas para os bancários, pais e mães de família,
sobra a tragédia do desemprego”, diz Rita.
Na segunda-feira, o sindicato fará uma plenária com
trabalhadores para falar sobre as demissões e mobilizar os bancários
para protestar contra as dispensas. “Algum executivo está descumprindo
o que nos falou o presidente mundial do Santander, Emilio Botin”,
disse a diretora-executiva do sindicato, Rita Berlofa.
Peugeot estende férias de 2,6 mil
empregados
Menos de um mês após ter concedido férias coletivas
a seus funcionários, o grupo francês PSA Peugeot Citroën
anunciou ontem que vai estender a suspensão temporária
de sua produção em Porto Real, região sul do estado
do Rio, por um mês, a partir de 26 de janeiro. A medida envolve
os 2,6 mil empregados que retornaram ao trabalho no dia 5 de janeiro,
depois de paralisarem a produção desde 8 de dezembro. Cerca
de 700 funcionários manterão um turno da fábrica
funcionando.
Pelo mundo
Ao redor do mundo, a sexta-feira foi marcada pelo anúncio de demissões
em massa. Apenas 5 grandes empresas podem dispensar até 40 mil
empregados nos próximos dias.
Circuit City - Com anúncio de falência,
30 mil empregos estão ameaçados na segunda maior rede
de eletroeletrônicos dos Estados Unidos.
Hertz - A líder mundial no mercado de locação
de veículos anunciou corte de mais de 4 mil empregos até o
fim de março por conta da queda na demanda.
Honda - A segunda maior fabricante japonesa de automóveis
anunciou a demissão de 3,1 mil funcionários temporários
no Japão.
Pfizer - A gigante farmacêutica planeja dispensar
até 2,4 mil representantes de vendas. Desde 2007, 15 mil vagas
já foram eliminadas.
AMD - A fabricante de microprocessadores e rival
da Intel planeja um corte de 1,1 mil empregos.
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Última Instância, 17 de janeiro
de 2009
Dirigente sindical mantém
estabilidade mesmo aposentado, decide TST
O dirigente sindical que se aposenta espontaneamente e continua trabalhando
permanece com sua estabilidade sindical e, portanto, não pode
ser dispensado. A 3ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho)
rejeitou recurso da Artefatos de Plástico Sobplast e manteve decisão
que condenou a empresa à reintegração de trabalhadora
demitida nessas condições.
De acordo com informações do TST, a empregada, admitida
em fevereiro de 1985, aposentou-se em fevereiro de 2002 mas continuou
trabalhando na empresa. Em junho daquele ano, embora integrasse a diretoria
de seu sindicato de classe, foi demitida.
A funcionária ajuizou reclamação trabalhista
contra a demissão. A reintegração foi determinada
pela Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP), sob
o fundamento de que a empregada manteve com a empresa um único
contrato de trabalho. O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) paulista,
no julgamento do recurso ordinário da empresa, converteu a reintegração
em indenização, pois o período de estabilidade
já se havia esgotado.
Ao recorrer ao TST, a empresa alegou que a aposentadoria extingue
o contrato de trabalho. “Como não é condição
essencial que o dirigente sindical mantenha o vínculo, podendo
optar entre permanecer ou não em serviço, isto significa
que a empregadora não é obrigada a manter o contrato
para lhe garantir o pleno exercício da atividade sindical”,
sustentou a empresa.
A Sobplast ainda alegou que tanto quanto o empregado, a empresa pode
optar por manter seu vínculo ou não, dispensando-o sem
justa causa com o pagamento dos direitos devidos pela rescisão.
O relator do processo na 3ª Turma, ministro Alberto Bresciani,
rejeitou as alegações da empresa. “O entendimento
no sentido de que a aposentadoria espontaneamente requerida, pelo empregado,
não põe termo ao pacto laboral já está pacificado
no TST, na Orientação Jurisprudencial 361”, explicou.
“Afastada a extinção, é certo que a empregada
manteve com a empresa um único contrato, pelo qual usufruía
da estabilidade sindical”, concluiu o ministro, que determinou
a reintegração da empregada ao cargo.
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Última Instância, 17 de janeiro
de 2009
Herança das contas
Liminar permite que Gol não
pague dívidas da Varig
A Gol Linhas Aéreas Inteligentes não precisa pagar dívida
trabalhista da Varig, herdada junto com a compra da empresa. Isso é o
que determina a liminar concedida pela presidência do Superior
Tribunal de Justiça. A ação trabalhista está em
curso na 13ª Vara do Trabalho de Goiânia.
Na verdade, a ação é movida contra a Varig S/A,
mas como a Gol venceu o leilão de alienação da
Unidade Produtiva Varig (UPV), ocorrido em março de2007, foi
declarada como sucessora na obrigação da dívida
trabalhista. A Varig está em recuperação judicial
na 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
O presidente do STJ explicou que a jurisprudência do STJ é no
sentido de que os atos de execução dos créditos
individuais contra empresas falidas ou em recuperação
devem ser julgados em juízo universal.
Como a execução provisória de bens da Gol na
ação trabalhista está pendente, a liminar do STJ é para
que as medidas urgentes do caso sejam resolvidas pela justiça
estadual. O conflito de competêncoa será julgado pelo
STJ.
A Gol defende que a transferência do patrimônio da Varig
não a obrigaria a assumir o passivo trabalhista daquela empresa.
O relator é o ministro João Otávio de Noronha.
CC 102.048
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Consultor Jurídico, 17 de janeiro
de 2009
Permissão para demitir
Demissão coletiva precisa de
negociação coletiva
Despedida coletiva não é proibida, mas está sujeita
a negociação coletiva. O entendimento é da Seção
Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo), que declarou nula a demissão
de 600 funcionários da empresa Amsted Maxion Fundição.
O sindicato dos metalúrgicos de Osasco e região organizou
uma greve depois que a empresa demitiu 450 trabalhadores na primeira
leva e 150 na segunda. Segundo a empresa, a redução do
quadro de funcionários foi motivada pela crise econômica.
Para ela, a greve era ilegal e abusiva porque as negociações
ainda eram possíveis. Além disso, o sindicato não
fez assembleia e não notificou a greve com 48 horas de antecedência,
diz a empresa.
Segundo a juíza Ivani Contini Bramante, relatora, “a
greve é maneira legítima de resistência às
demissões unilaterais em massa, vocacionadas a exigir o direito
de informação da causa do ato demissivo massivo e o direito
de negociação coletivo diante das demissões feitas
de inopino, sem buscar soluções conjuntas e negociadas
com sindicato”.
Para ela, “a greve, portanto, é legal e não abusiva.
A empresa deu causa à greve com a conduta unilateral e arbitrária
de dispensa em massa e ofensiva aos ditames constitucionais e legais”.
Ivani lembra que “a despedida individual é regida pelo
Direito Individual do Trabalho, e, assim, comporta a denúncia
vazia, ou seja, a empresa não está obrigada a motivar
e justificar a dispensa, basta dispensar, homologar a rescisão
e pagar as verbas rescisórias. Quanto à despedida coletiva é fato
coletivo regido por princípios e regras do Direito Coletivo
do Trabalho, material e processual. Portanto, deve ser tratada e julgada
de acordo com os princípios e regras do Direito Coletivo do
Trabalho”.
Dessa forma, a desembargadora observou que “a despedida coletiva
não é proibida, mas está sujeita ao procedimento
de negociação coletiva. Portanto, a dispensa coletiva
deve ser justificada, apoiada em motivos comprovados, de natureza técnica
e econômicos e, ainda, deve ser bilateral, precedida de negociação
coletiva com o Sindicato, mediante adoção de critérios
objetivos.”
Processo: 20.281.200.800.002.001
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