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Agência Diap, 18 de janeiro de 2009
Caixa prepara nova redução
de juros; crédito mais barato
A Caixa Econômica Federal prepara uma nova rodada de redução
de taxas de juros dos empréstimos aos seus clientes. O pacote
com taxas mais baratas, que será anunciado no prazo de 15 dias,
vai incluir também um novo corte de spreads bancários (diferença
entre o custo de captação e o custo do empréstimo)
em alguns produtos.
A medida faz parte da estratégia de política econômica
do Governo de estimular a concorrência e reduzir o custo do crédito
para as empresas e pessoas físicas com o objetivo de estimular
o crescimento econômico este ano. A redução dos
juros dos bancos oficiais será complementar ao novo pacote anticrise
que o governo prepara ainda para este mês.
O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival,
antecipou à Agência Estado que os estudos para o cálculo
das novas taxas levam em conta cenário de taxa Selic traçado
pela área econômica do banco federal, de 10,75% ao ano
no fim de dezembro de 2009.
Esse cenário está condicionado a uma queda de 3 pontos
porcentuais da Selic - hoje em 13,75% - até o fim do ano. "Nós
reprecificamos uma nova curva de juros", disse Percival. "É uma
decisão interna da Caixa, que está em linha com a política
econômica do Governo".
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Agência Diap, 18 de janeiro de 2009
Saques do FGTS crescem 62% em dezembro,
divulga Caixa
O esperado aumento brusco nos indicadores de desemprego em dezembro de
2008 já pode ser sentido nas contas do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS). A informação foi dada pelo vice-presidente
de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Wellington
Moreira Franco.
Ele disse que "o número de saques foi alto, acima da média",
no último mês de 2008, ante igual mês do ano anterior.
Segundo o vice-presidente, os saques do FGTS em dezembro somaram R$
5,2 bilhões, valor 62% superior aos saques de dezembro de 2007,
que somaram R$ 3,2 bilhões.
Há expectativa de que o número de demissões em
dezembro tenha sido, por força dos efeitos da crise financeira
internacional, muito superior à média de dispensas normalmente
registrada no período.
Além dos efeitos da crise, outro fator que teria influenciado
no aumento dos saques no mês passado foi a retirada dos saldos
do FGTS pelas famílias prejudicadas pelo desastre natural em
Santa Catarina.
Após vários trimestres de exuberância nos índices
de emprego, os números do fim do ano passado mostram uma reversão
da tendência do mercado de trabalho formal como efeito da menor
atividade econômica causada pela crise.
"Dezembro não foi nada que nos atormentasse, mas já é um
indicativo", alertou o vice-presidente da Caixa. Com o aumento
do desemprego, mais trabalhadores sacam recursos do FGTS por serem
demitidos sem justa causa.
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Agência Diap, 18 de janeiro de 2009
Economistas: crise atinge Brasil de
forma rápida, forte e inesperada, avaliam
O início de 2009 vem apresentando um cenário econômico
difícil para o Brasil, com a divulgação dos resultados
de dezembro. Os números indicam que a crise financeira internacional
chegou ao Brasil de forma repentina e bem mais forte do que as previsões
feitas pelo Governo e pelo mercado.
"A crise atingiu o Brasil de forma mais intensa e mais rápida
do que se esperava. Até que ponto isso vai nos afetar, ainda
não se sabe, mas todos os sinais indicam que ela é pior
do que se imaginava e já começa a apresentar seus efeitos
no mercado", afirmou o coordenador da Carta de Conjuntura Econômica
do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcelo
Nonemberg.
Alguns dados de dezembro ainda nem foram divulgados - como o quadro
de demissões, por exemplo - mas o Governo já tem uma
perspectiva pessimista e acredita que os números vão
superar muito a média de demissões para mês, que é de
300 mil.
Para os especialistas, diante do novo quadro, o governo terá que
se esforçar muito para continuar passando um clima de confiança
para a população. "O papel do governo é passar
essa confiança, até para não agravar a situação.
Imagine se o piloto do avião demonstrasse que está com
medo", disse Nonemberg.
No entanto, os dados indicam que o primeiro semestre de 2009 será muito
ruim e que essa crise deve demorar a passar, acrescentou o economista.
Para ele, manter o otimismo é difícil. "As pessoas
estão perdendo o emprego. As notícias ainda estão
assustando as pessoas, que adiam as decisões de compra. A própria
notícia da crise contribui para agravar a crise".
Segundo Nonemberg, mesmo que o Banco Central (BC) resolva baixar bruscamente
os juros para estimular o crédito, o efeito da medida só seria
sentido no próximo semestre. Na próxima semana terça-feira
(20), o Comitê de Política Monetária (Copom) do
BC se reunirá para definir a taxa básica de juros, e
tanto o mercado quanto setores do governo esperam uma redução.
Atualmente, o Brasil pratica uma das maiores taxas de juros do mundo,
de 13,75%.
"Temos um efeito defasado. Ainda que o Banco Central decida cortar
radicalmente os juros, continuamos sofrendo a influência da política
adotada no ano passado, mais especificamente, a partir de abril, que
foi de elevação da taxa de juros. Isso vai demorar para
ter efeito", comentou.
De acordo com o economista Rogério César Souza, Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, um traço dessa
crise que não esteve presente em recessões anteriores é a
imediata queda no emprego.
"Normalmente, a produção industrial cai primeiro
e as empresas procuram cortar horas extras, ou cortar o terceiro turno
para depois pensar em demitir. Desta vez, porém, a intensidade
foi tão grande que em outubro os níveis de empregos estavam
firmes e em novembro já dava sinais de revés. Isso é sinal
que temos uma crise com elementos diferentes, inesperados e, por isso,
difíceis de lidar".
A análise de conjuntura feita por Rogério Souza para
o Iedi aponta forte retração econômica no mês
de dezembro, principalmente na produção industrial. "Os
resultados serão anda piores que os de novembro", diz o
estudo, que destaca a redução da atividade industrial
no estado de São Paulo.
"Os índices apontam uma queda na produção
no principal parque industrial do país [São Paulo], que
pode chegar a 13,5% em dezembro em relação a novembro.
No estado de São Paulo, em dezembro de 2008, a retração
seria de 12,6%", destacou.
A análise também destaca dados da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
mostrando que a produção de dezembro, de 102 mil unidades, é a
menor desde janeiro de 2000. A queda na produção de veículos
foi de 38% em relação a novembro, mês que já havia
registrado queda de 29,2% em relação a outubro.
Na comparação com dezembro de 2007, a produção
de veículos diminuiu mais 53,8%. "O desempenho no acumulado
do ano ainda pode ser considerado bom, 8,2%, embora muito abaixo dos
20,1% acumulados até setembro de 2008. Esse desempenho se deve
aos nove primeiros meses do ano, quando o setor registrou um crescimento
forte de produção".
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Vermelho, 18 de janeiro de 2009
Altamiro Borges: Empresários
e mídia detonam Lupi
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é o
novo alvo dos poderosos empresários e de sua mídia.
Quase todo dia, âncoras da televisão, como Carlos Nascimento,
o tucano enrustido da SBT, Boris Casoy, o ex-militante do Comando
de Caça aos Comunistas hoje hospedado na TV Bandeirantes,
para não falar do casal global do Jornal Nacional, procuram
desqualificá-lo. Diante de suas justas críticas às
empresas, que se aproveitam da crise mundial para demitir trabalhadores,
a campanha contra o ministro se intensificou. A intenção
evidente é derrubá-lo ou, no mínimo, domesticá-lo.
Por Altamiro Borges
Segundo fontes seguras, a Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp), liderada por Paulo Skaf – bastante
ativo no uso dos recursos do Sesi/Senai para a sua futura campanha
eleitoral – já teria pedido a cabeça do trabalhista
ao presidente Lula. A campanha de desgaste parece orquestrada. Nesta
semana, Luis Carlos Mendonça de Barros, economista-chefe da
Quest Investimentos e ex-ministro de FHC, escreveu artigo na Folha
de S.Paulo, intitulado "O governo precisa ter juízo",
acusando Lupi de atiçar "o confronto com empresas",
o que pode causar "resultados desastrosos" na economia. Na
sua lógica, o capital seria racional e bonzinho, já o
ministro seria um tresloucado.
Tucano se diverte com a crise
Numa linguagem rancorosa, típica dos tucanos enxotados do
poder, o atual rentista disse que foi "muito divertido" ver
os ministros do governo Lula anunciando o corte de 600 mil empregos
em dezembro último. "Gaguejando, [Lupi] disse que os empresários
são os verdadeiros responsáveis pelas demissões
e reviveu a marolinha de Lula na imagem da ‘espuma'. Seguia o
padrão petista de sempre arranjar, fora do governo, um responsável
pelos problemas", atacou o tucano.
Mendonção, como era chamado no reinado de FHC, até se
soma aos que lutam pela redução da taxa de juros, mas
acha que o governo Lula deve promover outros ajustes na economia. Adepto
do neoliberalismo, o ex-ministro talvez pretenda jogar o ônus
da crise do capitalismo nas costas dos trabalhadores, com novas ondas
de demissões e novas medidas de precarizaçao do trabalho.
Como cupincha de FHC, ainda carrega a culpa pelo desmonte e privatização
do Estado brasileiro e pelos recordes seguidos de desemprego no país.
Ele deveria ser mais cometido em sua língua.
Noblat, adorador do deus-mercado
No mesmo diapasão, o jornalista Ricardo Noblat, no seu blog
no site da Globo, também atacou o ministro, esquecendo-se de
sua condição de classe, de instável empregado
da famíglia Marinho. Adorador do deus-mercado, afirmou que "o
ministro Lupi quer acabar com o capitalismo... No capitalismo, as empresas
demitem e contratam a seu gosto. Não devem satisfação
aos governos... Lupi está empenhado numa guerrilha verbal contra
as empresas atingidas pela 'marolinha' que começaram a demitir.
Defende que o governo puna de alguma forma... Lupi é um dos
políticos mais deslumbrados com o fato de ser ministro. Imagina
que é levado a sério".
Bem que o veterano jornalista Argemiro Ferreira já havia alertado
para as mudanças de posições do badalado colunista
global. Ele lembra que "o blog de Ricardo Noblat teve sucesso
ao nascer independente, depois dele deixar o Correio Braziliense e
ser cooptado pelo portal do Estadão e, depois, por O Globo.
Hoje o vínculo explícito (coluna no jornal e tudo) nega
a independência, como escancararam sua adesão à campanha
anti-Lula em 2006 e no caso Gilmar Mendes/Daniel Dantas". Ao atacar
com tanta veemência o ministro Carlos Lupi, Noblat dá inestimável
ajuda à ofensiva do capital para lançar nas costas dos
trabalhadores todo o ônus da atual crise capitalista.
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Congresso em Foco, 18 de janeiro de 2009
Elevação artificiosa
do imposto de renda
Osiris Lopes Filho*
Atualmente o tributo que, individualmente, apresenta a maior arrecadação
para a União é o imposto de renda, nas suas múltiplas
formas de incidência: pessoa física, pessoa jurídica
e fonte.
Atribui-se esse notável desempenho ao crescimento da nossa
economia nos últimos anos: elevaram-se os lucros das empresas,
melhoraram os rendimentos obtidos pelas pessoas físicas e houve
uma significativa expansão de hipóteses de incidência
definitiva na fonte sobre as aplicações financeiras.
Há, entretanto, um fator que tem sido decisivo para a obtenção
desse desempenho de proa do imposto de renda: a estagnação
das suas tabelas de incidência.
Em 1995, foram editadas duas leis, na mesma data, 26 de dezembro,
a de nº 9.249 e a de nº 9.250. A primeira, dispondo sobre
a pessoa jurídica, e a segunda, versando sobre a pessoa física.
Na Lei 9.249/95, foi estabelecida alíquota de 15%, para os lucros
apurados anualmente, até R$ 240.000,00, e, para os lucros acima
desse valor, foi instituída a alíquota adicional de 10%.
Já a Lei nº. 9.250/95 estabeleceu a chamada tabela progressiva
do imposto de renda para as pessoas físicas, que, no substancial,
aplica-se sobre os rendimentos do trabalho. Inicialmente, suas alíquotas
eram de 15% e 25%. Posteriormente, essa última foi elevada temporariamente
para 27,5%. Tantas prorrogações sofreu, que se tornou
definitiva. Durante os 13 anos de vigência dessa tabela progressiva
foram feitas algumas atualizações das faixas de rendimentos.
Poucas, sempre inferiores à inflação do período.
Essa manipulação, realizada com a complacência
do Congresso, tem acarretado a elevação da carga tributária
sobre as pessoas físicas, pois os rendimentos das pessoas físicas
tendem a elevar-se, por correção de seu valor em face
da inflação ou por decorrência do desempenho profissional
do contribuinte, que com a experiência e o conhecimento pessoal
passa a ter maiores rendimentos. Dessa forma, estagnada a tabela, ou
corrigida insuficientemente em face da inflação, acarreta
que os rendimentos vão passando de uma faixa menos elevada,
para a seguinte, mais alta.
Até a edição da Medida Provisória nº 451/2008,
continuava-se com as alíquotas de 15% e 27,5%. Essa medida provisória
criou as alíquotas de 7,5% e 22,5%, embora apenas para a tabela
mensal de fonte, vale dizer, como antecipação do que
será apurado na declaração anual de ajuste.
Tem-se, portanto, uma tabela de fonte mensal que consagra as alíquotas
de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. A crítica é não ter
sido estabelecida a tabela anual e os intervalos de renda serem diminutos,
de modo que vai continuar a existir o empréstimo compulsório
inconstitucional de a antecipação do imposto na fonte
ser tão elevada que a maioria dos contribuintes vai ter na declaração
anual direito à restituição do imposto pago a
maior. Forma elíptica de obtenção de empréstimo,
já que a restituição do imposto pago a maior demora
a ser realizada, havendo casos em que, retida a restituição
na malha, há anos os contribuintes aguardam essa devolução.
Tem-se, assim, que há 13 exercícios financeiros não
se corrige a incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas
e, com relação às pessoas físicas, as raras
correções têm sido insuficientes em face da inflação.
Vulnera-se o princípio constitucional da capacidade contributiva,
fundamental para o equacionamento da intensidade do imposto. Ao não
se fazer a correção devida das incidências, ocorre
vergonhosa e espoliativa manipulação de sua majoração,
a comprometer a lealdade e boa-fé que devem orientar a calibragem
do imposto de renda. Vulnera-se também o princípio da
legalidade, pois, ao não corrigirem as tabelas, ocorre majoração
da sua incidência sem lei que a estabeleça. Artifício
que vai sangrando os bolsos dos nossos contribuintes.
*Osiris de Azevedo Lopes Filho, advogado e professor
de Direito na Universidade de Brasília (UnB), foi secretário
da Receita Federal.
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Gazeta do Povo, 18 de janeiro de 2009
Imposto de Renda
É hora de achar os papéis
para a declaração
Especialistas orientam o contribuinte a organizar
desde já os documentos para acertar as contas com o Leão
Pelas “pistas” já dadas pela Receita Federal, pouca
coisa deve mudar na declaração de Imposto de Renda 2009
(ano-base 2008). As regras para este ano devem ser anunciadas em fevereiro
e o programa, liberado no início de março. Mas quem começar
a se organizar desde já pode ter um acerto de contas mais tranquilo
com o Leão. “A questão principal do IR é planejamento,
para evitar transtornos depois por informações erradas
ou esquecidas”, orienta o vice-presidente de fiscalizações
do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Enory Luiz Spinelli.
O primeiro passo, orienta o contador, é organizar os documentos.
E a lista é longa: dados pessoais, comprovantes de rendimentos,
informações sobre aplicações financeiras
e de conta corrente, recibos de pagamentos médicos, odontológicos
e referentes a educação, comprovantes de valores recebidos
de outras pessoas físicas ou de aposentadoria, se for o caso,
entre outros. “É importante coletar toda a documentação,
para usar todas as deduções a que você tem direito.”
Spinelli sugere atenção especial para dois tipos de
contribuintes: aqueles que recebem aluguel de terceiros e aqueles que
têm investimentos. Neste último caso, o modelo de tributação
varia bastante entre os diversos tipos de aplicação.
Por isso, cuidado para não pagar coisa demais. “Alguns
são tributados exclusivamente na fonte, outros têm imposto
retido ou são isentos. O melhor é procurar o gerente
do seu banco para ter todas as informações.”
CPF
A especialista em Imposto de Renda da KPMG, Patrícia Quintas,
lembra ainda que, desde o ano passado, tornou-se obrigatória
a indicação do número do CPF dos dependentes maiores
de 18 anos. Por isso, para entrar na declaração, é preciso
que o filho já tenha o documento. “O processo para emissão é simples.
Mas, na correria, ele pode acabar não conseguindo fazer. Então,
o melhor é providenciar isso desde já”, recomenda.
Declare
Para quem ainda tem alguma pendência com a Receita Federal referente
ao ano passado, a especialista da KPMG sugere um acerto já. “Não
espere ser notificado pela Receita.” No site do órgão
(www.receita.fazenda.gov.br) o contribuinte pode verificar qual o problema
e, se for o caso, enviar uma declaração retificadora.
Em março, mesmo que a pendência não tenha sido
resolvida, o contribuinte deve fazer a declaração deste
ano normalmente.
Programe-se
Organize já os documentos de que você vai precisar
na hora de fazer a declaração de Imposto de Renda:
– Documentos pessoais (RG, CPF e título de eleitor).
– Comprovantes de rendimentos do contribuinte e dos dependentes.
– Recibos de despesas médicas e odontológicas.
– Demonstrativos de aplicações financeiras.
– Comprovantes de pagamentos relativos a educação.
– Recibos de aluguel.
– Despesas escrituradas em livro caixa.
– Recibos de pagamento de previdência privada.
– Comprovante do INSS de empregado doméstico.
– Documentos da aquisição e venda de bens e direitos.
– Comprovante de pagamento de pensão alimentícia.
– Número do recibo da declaração passada,
que pode ser recuperado no site da Receita (www.receita.fazenda.gov.br).
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Folha de S.Paulo, 18 de janeiro de 2009
MOVIMENTO SEM TERRA, 25 ANOS
MST perde adeptos e recursos
e procura identidade sob Lula
Para especialistas, expansão
do Bolsa Família ajudou a esvaziar o movimento, já que
a principal razão para adesão é econômica
ONGs ligadas aos sem-terra, que tiveram R$ 39,9
mi de 2003 até 2006, perderam verba em 2008; acadêmicos
veem importância histórica
DA REPORTAGEM LOCAL
Após a chegada do PT ao poder em 2002, o MST (Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra) mantém sua importância histórica,
mas perdeu adeptos, receitas e, ao comemorar seu aniversário
de 25 anos neste mês, busca novas formas de se adaptar ao Brasil
da era Lula.
É o que apontam dados levantados pela Folha que coincidem com a opiniões
de especialistas sobre o tema da reforma agrária no país e no mundo.
O número de famílias invasoras caiu de 65.552, em 2003 -primeiro
ano do governo Lula-, para 49.158, em 2007. O de novas famílias acampadas
foi de 59.082 para 6.299-menos 89,34%. No período, a ocorrência
de invasões oscilou de 391 para 364, afirma a CPT (Comissão da
Pastoral da Terra).
" O pessoal, tendo pequenas ajudas, como a do Bolsa Família, não
vai se inscrever nos batalhões de luta pela terra", diz dom Tomás
Balduino, bispo de Goiás e conselheiro da CPT. De 2003 a 2008, o número
de inscrições no Bolsa Família saltou de 3,5 milhões
para 11 milhões. Uma pesquisa feita pelo Datafolha com membros do MST
em 1996 já demonstrava que a principal razão para a entrada no
movimento era econômica.
Para 62% dos entrevistados, a vantagem atribuída ao assentamento
era "independência financeira", sendo citados como exemplos "deixar
de ser empregado", "poder negociar a própria produção" e "lucros
com a venda da produção". Os principais problemas
sobre os assentamentos eram "falta de infraestrutura" (22%), "falta
de ajuda do governo" (19%) e "falta de recursos" (10%).
A despeito do momento de transição, o geógrafo da
USP Ariovaldo Umbelino diz que o MST ainda é importante. "Com
ele, a luta pela reforma agrária ganhou sua dimensão política
e passou a se fazer nos fóruns políticos do país.
A história dos primeiros anos mostrou a setores da sociedade que
só através da luta é que se conseguiria a reforma
agrária no Brasil", diz.
Umbelino também vê uma retração do MST e diz
que ele passa por uma mudança de discurso, ao colocar a "luta
contra o agronegócio" como principal bandeira. "Lula
não cumpriu todas as metas [da reforma agrária], menos
de 30% da meta foi atingida. O que fica demonstrado nos primeiros anos
do governo Lula é que ele fez a opção pelo agronegócio."
O professor da Unesp Bernardo Fernandes afirma que "o papel atual
[do MST] é seguir lutando para o desenvolvimento a partir dos
paradigmas que defendem o campo como lugar de vida, onde as pessoas possam
produzir alimentos saudáveis, recuperando ambientes degradados
pela produção monocultora de grande escala."
Para frei Sérgio Görgen, militante desde a criação
do MST, o foco do movimento no agronegócio resulta de uma mudança
no perfil de seus participantes. "Hoje o MST mexe com um número
significativo de produtores agrícolas e as questões dessa
cadeia produtiva estão no movimento". Görgen diz que
isso traz a preocupação com empresas transnacionais, como
as que "controlam as sementes e insumos", e com questões
produtivas mundiais.
Apesar das novas bandeiras do MST, o apoio popular não é expressivo
no Brasil. Uma pesquisa feita em 2008 pelo Ibope a pedido da mineradora
Vale do Rio Doce, um dos alvos dos sem-terra, mostrou que apenas 31%
dos entrevistados diziam confiar no movimento, contra 65% que diziam
não confiar.
A desconfiança aumentava quanto maior a escolaridade. Entre os
que tinham estudado até a quarta série do ensino fundamental,
a confiança era de 35%, e a desconfiança, de 60%. Entre
aqueles com ensino superior, a confiança era de 19%, e a desconfiança,
de 75%. Zander Navarro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
diz que o MST "perdeu a razão de ser". "Seria inevitável
que a industrialização e a urbanização reduzissem,
fortemente, a demanda social por terra em nosso país. É o
que ocorre atualmente. Mas há o lado político, ou seja,
o formato organizacional autoritário."
O professor, no entanto, diz que as invasões são um "instrumento
de pressão histórico de trabalhadores rurais sem terra,
em todo o mundo" e que as realizadas pelo MST são, em geral,
pacíficas e não produzem danos materiais consideráveis.
Financiamento
O governo Lula repassou apenas R$ 1,4 milhão às principais
entidades ligadas ao MST em 2008, segundo dados do Siafi. O número é muito
diferente daquele registrado no primeiro mandato do petista. Entre 2003
e 2006, foram R$ 39,9 milhões repassados às três
principais ONGs ligadas ao MST. No segundo mandato de Fernando Henrique
Cardoso (PSDB), foram R$ 9,6 milhões.
Historicamente, as ONGs Anca (Associação Nacional de Cooperação
Agrícola), Concrab (Confederação das Cooperativas
de Reforma Agrária do Brasil) e Iterra (Instituto Técnico
de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária) são
apontadas como as que têm maiores ligações com o
MST.
O movimento, porém, diz que nunca recebeu dinheiro de nenhum governo
e que se sustenta com "a ajuda dos próprios trabalhadores
acampados e assentados, com a solidariedade da sociedade brasileira e
com o apoio solidário de entidades e comitês de amigos no
exterior, que acreditam nas experiências do MST". (FERNANDO
BARROS DE MELLO, JOSÉ ALBERTO BOMBIG e ANA FLOR)
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Folha de S.Paulo, 18 de janeiro de 2009
Cortes podem zerar saldo de vagas em
2008
Os 123 mil postos criados até novembro
na indústria de SP devem ter sido zerados com 120 mil demissões
em dezembro
Número de demissões no último
mês de 2008 é o maior já registrado na década;
dados oficiais da Fiesp serão divulgados na quinta
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
O desemprego em São Paulo se acelerou no final de 2008. A indústria
paulista fechou de 100 mil a 120 mil postos de trabalho com carteira
assinada em dezembro, número superior ao que ocorre tradicionalmente
no mês. Com esse resultado, a geração líquida
de emprego na indústria em São Paulo deve ter praticamente
zerado no ano passado. No ano, até setembro, a geração
líquida havia sido de 167 mil empregos. Em 2007, foram geradas
104 mil vagas.
Os efeitos da crise mundial começaram a ser sentidos com mais
força na indústria paulista a partir de outubro. Naquele
mês, foram cortadas 10 mil vagas; em novembro, 34 mil; em dezembro,
o total de cortes é estimado entre 100 mil e 120 mil. Em novembro,
a geração líquida era de 123 mil vagas. Os números
de dezembro são o resultado preliminar da pesquisa de nível
de emprego industrial feita pela Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo). O resultado final será divulgado
na quinta.
O total de cortes em dezembro foi o maior já registrado na década.
A pesquisa da Fiesp é realizada desde 1981, mas já sofreu
várias mudanças metodológicas, e por isso é difícil
fazer uma comparação tomando por base toda a série
histórica.
O universo abrange cerca de 3.000 empresas e o levantamento é feito
com base no número de empregados no último dia do mês.
Em relação a novembro, o número de dezembro representa
queda de cerca de 5,5% no total de postos de trabalho na indústria
paulista. Dezembro normalmente é um mês de retração
do emprego na indústria, mas a queda nunca passa de 3,5%, percentual
já considerado alto pelos técnicos.
Em dezembro de 2007, foram fechadas 76 mil vagas na indústria,
um número elevado, mas que tinha sido inchado pelo fato de as
empresas terem adiado as demissões de novembro. Mesmo assim, a
indústria paulista fechou 2007 com expansão de 5,01% na
oferta de emprego, o que significou a geração líquida
de 104 mil vagas.
O total de cortes na indústria paulista em dezembro explica em
parte o recorde de demissões com carteira assinada no Brasil na
pesquisa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que
será anunciada amanhã pelo governo. A previsão é que
tenham ocorrido 600 mil demissões, o dobro do que normalmente é registrado
em dezembro. " O aumento do desemprego é lastimável
e, por isso, temos de quebrar paradigmas para evitar a escalada desse
processo", afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Menos jornada e salário
Desde o início do ano, com a piora do quadro principalmente na
indústria, Skaf tem defendido a proposta de menor jornada de trabalho
com a respectiva redução do salário para evitar
o desemprego. Um acordo chegou a ser costurado durante a semana com a
Força Sindical, mas os entendimentos foram suspensos.
Segundo Skaf, trata-se de uma interrupção temporária
para que tanto os trabalhadores como as entidades empresariais pressionem
o governo a tomar medidas urgentes para conter a alta do desemprego.
O presidente da Fiesp diz que, na segunda-feira da próxima semana,
já está marcada uma nova reunião com as centrais
para que sejam retomadas as negociações.
Skaf está confiante em fechar um acordo com as centrais. Ele diz
que as empresas irão aceitar manter o nível de emprego
enquanto vigorar o acordo. Se uma empresa tem cem funcionários,
ela terá de manter esse mesmo patamar, o que não significa
que não poderá haver demissões, mas as vagas cortadas
terão de ser repostas.
Manifestações
Nesta semana, no entanto, a Fiesp e as centrais vão direcionar
sua artilharia para Brasília. O principal alvo é a reunião
do Copom na quarta (leia texto à pág. B6). Skaf defende
redução agressiva na taxa de juros. "O juro tem de
cair de 5 a 6 pontos em curto espaço de tempo." Uma queda
dessas, segundo Skaf, poderia representar economia de R$ 80 bilhões
em juros da dívida pública, dinheiro que poderia ser aplicado
em investimentos. A Selic, a seu ver, poderia estar hoje em 8%.
Skaf também defende igualmente a queda nos "spreads" (a
diferença entre o juro cobrado nos empréstimos e as taxas
pagas pelos bancos aos investidores). Para isso, ele sugere a redução
tanto do compulsório dos depósitos à vista como
das taxas que incidem sobre as operações financeiras. "O
governo tem instrumentos para minimizar os efeitos da crise."
Entre as diversas ferramentas, o presidente da Fiesp propõe a
ampliação do prazo para o recolhimento de tributos; a adoção
da Bolsa-Qualificação, que possibilita que o trabalhador
se ausente de dois a cinco meses do trabalho para fazer cursos de qualificação
profissional, e outras medidas. " Vamos partir para cima do Lula
nesta semana", diz o presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira da Silva. "O governo tem de tomar medidas concretas para
evitar a crise."
O sindicalista diz que, nesta semana, serão organizadas diversas
manifestações de trabalhadores para pedir um corte maior
na taxa de juros. Segundo Silva, as informações que ele
tem são de que a situação do desemprego se agravou
mais neste mês. "Se em dezembro foram cortados 600 mil empregos
no país, em janeiro esse número deve dobrar."
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Folha de S.Paulo, 18 de janeiro de 2009
Pedidos de seguro-desemprego sobem
60% em postos estaduais
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Os pedidos de seguro-desemprego nos 210 PATs (postos de atendimento
ao trabalhador) de São Paulo cresceram quase 60% em dezembro,
em comparação com o mesmo mês em 2007, segundo
a secretaria estadual do Emprego e Relações do Trabalho.
As solicitações somaram 83.316 em dezembro e 28.359 nos
sete primeiros dias úteis de janeiro -alta de 29% ante o mesmo
período de 2008.
Os pedidos nos PATs não representam todas as solicitações
no Estado -segundo o Ministério do Trabalho, a média mensal é de
140 mil, volume que deve crescer com as demissões já anunciadas.
" Os dados refletem um ajustamento no emprego. Quando uma empresa tem a
notícia de que vai ter um primeiro trimestre ruim, a primeira coisa que
faz é eliminar custos", diz Guilherme Afif Domingos, secretário
estadual do emprego.
Segundo Afif, a alta do desemprego no Estado era esperada em dezembro,
quando entregou ao governo federal proposta de ampliação
da suspensão do contrato de trabalho para qualificação
do trabalhador, hoje limitada em cinco meses.
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Folha de S.Paulo, 18 de janeiro de 2009
Análise
"Acordos para reduzir
salário são prematuros"
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
A queda-de-braço entre sindicatos e empresas para flexibilizar
relações de trabalho será infrutífera se
os trabalhadores e os empresários não discutirem soluções
para preservar o crescimento da economia e a geração
de empregos, diz Cláudio Dedecca, professor de economia da Unicamp
especializado em relações de trabalho.
Durante a semana passada, a Força Sindical começou a negociar
com a Fiesp (Federação da Indústria do Estado de
São Paulo) modelos de acordos que previam, por exemplo, redução
de jornada com diminuição do salário. A Força,
entretanto, suspendeu as reuniões depois que empresários
disseram que não podiam garantir o nível de emprego mesmo
se os acordos fossem fechados.
Dedecca afirma que a iniciativa das entidades é prematura. "Pesquisas
sobre mercado de trabalho estão mostrando um sinal amarelo, mas
em termos objetivos temos desemprego somente em alguns setores." O
economista defende que, em vez de costurar acordos de redução
de jornada e de salário, empresários e centrais debatam
com o governo um conjunto de medidas para buscar um crescimento de, pelo
menos, 3% neste ano.
" Caso a Fiesp e a Força consigam uma generalização
dos acordos trabalhistas, o resultado será a diminuição
na renda dos trabalhadores, o que deverá provocar redução
do consumo e deve retrair ainda mais a atividade econômica", diz ele.
Para o professor da Unicamp, com o aumento do salário mínimo marcado
para este ano, haverá impactos positivos no consumo, principalmente para
os setores de vestuário e alimentação. "O lado positivo é que
o governo não abraçou a ideia de que nada mais pode ser feito [para
salvar o emprego], mas os empresários e os sindicalistas têm que
ter propostas convergentes."
Dedecca destaca que a redução dos juros e a flexibilização
temporária do superávit primário como medidas possíveis
para estimular a geração de empregos, caso o governo se
mostre disposto a incorporá-las na sua política econômica.
Para o pesquisador, as centrais sindicais devem indicar, em conjunto
com os empresários, políticas públicas que possam
beneficiar diferentes setores. "A iniciativa costurada pela Fiesp
e pela Força Sindical pode ter alguma aderência no setor
industrial, mas é inviável na agricultura e nos serviços",
diz o professor da Unicamp.
Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica
do Ministério da Fazenda, concorda que a principal discussão
neste momento deveria ser a de encontrar alternativas para o crescimento
econômico.
" Nós temos que ver a hierarquia das medidas e das ações
para não cairmos em falsas tentações. A medida principal,
que o governo está devendo, é criar políticas para reativar
a economia", diz.
Para Gomes de Almeida, o governo federal deve retomar o processo de redução
dos juros. "É muito difícil incentivar o consumo e
o investimento privado, mas o governo tem que procurar minimizar a queda
com medidas, principalmente, nas áreas monetária e fiscal."
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