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Agência Diap, 20 de
janeiro de 2009
Lula promete em reunião com
centrais mínimo de R$ 465 em fevereiro
Depois de quase três horas de reunião com representantes de seis
centrais sindicais - CUT, Força Sindical, Nova Central, UGT, CGTB e
CTB - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu para os sindicalistas
manter o reajuste do salário mínimo em 5,7% , que passaria a
valer R$ 465 a partir de 1º de fevereiro. Segundo os sindicalistas, o
presidente também decidiu convidar para uma reunião a ser realizada
nesta quarta-feira (21) donos de bancos privados e representantes dos bancos
públicos.
De acordo com os líderes
sindicais, Lula vai pedir aos banqueiros a redução do ‘spread'
bancário (diferença entre o percentual que o banco paga
ao cliente investidor e o que o cliente paga pelo empréstimo)
e ainda tentar discutir alternativas para a redução dos
juros cobrados nos empréstimos.
Os líderes sindicais defenderam
junto ao presidente a redução imediata da taxa básica
de juros em até 2,5%. No entanto, Lula evitou emitir opinião
sobre o assunto que será decidido na próxima reunião
do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central,
que terá início amanhã (20), com previsão
de término nesta quarta-feira (21).
"Quarta-feira será o
primeiro teste do governo. Se a redução for acima de 1%
estamos satisfeitos", disse o presidente da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. "Lula disse
que essa [a questão do spread] é uma das questões
mais importantes para se discutir nesse momento, porque o problema do
Brasil é crédito e o dinheiro, do jeito que está caro,
não pode ser mantido", disse Paulinho da Força.
Os sindicalistas reclamaram com
o presidente que o spread do Banco do Brasil é o mais alto do
sistema financeiro nacional. Na última semana de dezembro, por
exemplo, o spread praticado pelo banco público foi de 25,9%. Houve
bancos privados que mantiveram essa diferença em 15%. "Mostramos
esse quadro ao presidente e ele se mostrou indignado", destacou
Antônio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil.
De acordo com os sindicalistas,
Lula se mostrou surpreso com os números do desemprego no país
registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e divulgados
hoje, pelo Ministério do Trabalho.
O Caged registrou o fechamento
de 654 mil postos de trabalho, mais que o dobro da média normalmente
registrada para o mês de dezembro, de 300 mil demissões. "O
presidente Lula não esperava um número tão alto.
Ele se mostrou muito assustado", disse José Gabriel dos Santos,
diretor da área industrial da Nova Central Sindical de Trabalhadores
(NCST).
O presidente Lula, de acordo
com os líderes sindicais, disse que deve anunciar nos próximos
dias um novo pacote de medidas de isenção fiscal para o
setor de construção civil, um dos que mais emprega no país.
Os detalhes desse pacote não
foram revelados pelo presidente durante a reunião, mas de acordo
com José Gabriel dos Santos, Lula considerou o setor estratégico
para conter a onda de demissões devido a crise financeira internacional.
O Governo já sinalizou que até o final do mês vai
anunciar mais medidas para conter os impactos da crise.
Dentre as reivindicações
apresentadas pelos sindicalistas está a de que o governo exija
um compromisso manutenção dos empregos por parte das empresas
que recebem financiamento público e benefícios fiscais. "O
ministro Mantega fez esmola com o chapéu dos outros. Deu a desoneração
fiscal para as montadoras e no outro dia elas começaram a demitir",
disse Paulinho da Força.
Segundo o presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) Artur Henrique dos Santos, o presidente Lula
se mostrou favorável a que os bancos públicos ofereçam
melhores condições nos empréstimos para os empresários
que se comprometam em não demitir. É uma proposta que não
pune quem demitiu, mas dá vantagens para quem não demitir",
afirmou.
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Folha de S.Paulo, 20 de janeiro
de 2009
Sindicatos pedem jornada de 4 dias e
reajuste do mínimo
Redução do juro e saque do FGTS
estão entre outras requisições ao governo | Para
presidente da CUT, falta "ousadia" na adoção
de medidas; Força Sindical cobra queda do "spread" cobrado
pelos bancos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
As centrais sindicais chegaram
ao Palácio do Planalto esperando medidas "ousadas" e
acusando empresários de fazerem "chantagem". Na lista
de reivindicações ao presidente Lula, havia até pedido
de aumento imediato do salário mínimo de R$ 415,00 para
R$ 476,00, e a edição de medida provisória que dispensa
licitação para contratações de empresas pelo
governo nos próximos seis meses.
O presidente da UGT (União Geral de Trabalhadores), Ricardo Patah, reivindicou
que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) dê preferência
a micro e pequenas empresas na concessão de crédito. Entre os
pedidos da UGT, estavam ainda autorização para que os trabalhadores
possam sacar pelo menos 20% do FGTS (Fundo de Garantia dor Tempo de Serviço)
e a edição de MP para que as contratações de empresas
pelo governo federal se deem por meio de pregão eletrônico, e
não licitação.
" Os empresários não se contentam [com as medidas anunciadas]
e se aproveitam do momento de crise para conseguir mais flexibilizações.
Há chantagem empresarial", disse.
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique
da Silva, propôs que as fábricas fechem às sextas-feiras
e funcionários sejam dispensados sem corte de salários. "Dessa
forma, cria-se um banco negativo de horas extras e ninguém sai perdendo."
Para Silva, falta "ousadia" do governo nas medidas. Ele cobrou ainda
de Lula diálogo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "O ministro
conversa só com os empresários, e não com os trabalhadores",
disse.
O presidente da CUT criticou o governo, que ofereceu incentivos fiscais sem
cobrar a manutenção dos empregos. Apesar da reunião conjunta
com a Força Sindical na noite de ontem, a CUT havia criticado pela manhã a
central. "Estamos satisfeitos de estarmos na direção correta
[em relação às soluções para evitar demissões],
diferentemente de outros por aí."
A CUT propôs a redução do ICMS pelos governos estaduais,
desde que as empresas garantam o emprego e que o governo federal cobre das
empresas que se beneficiaram da redução ou isenção
do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que não demitam. Outro
pedido foi a desoneração temporária das empresas do recolhimento
de contribuições que compõem o Sistema S.
A Força Sindical, representada pelo seu presidente, o deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), reivindica a redução de dois pontos
percentuais da taxa Selic, de 13,75% para 11,75%; o aumento das parcelas do
seguro-desemprego, medida que deverá ser retroativa a dezembro; a redução
do "spread" cobrado pelos bancos; e o aumento do salário mínimo.
" Vamos quarta-feira [amanhã] para a frente das sedes dos bancos
centrais dos Estados exigir a redução dos juros."
A reunião dos sindicalistas com Lula não havia acabado até o
fechamento desta edição.
CENTRAIS PEDEM
Ampliação
do seguro-desemprego para 10 parcelas
Manutenção
de emprego das empresas que obtêm recursos público ou
redução de impostos
Redução
da jornada de trabalho sem redução dos salários
Autorizar saque de pelo
menos 20% da conta do FGTS
Reajuste do salário
mínimo em mais 12%
Negociar com as empresas
em dificuldades para impedir ao máximo demissões
Redução
imediata de dois pontos percentuais na Selic
Queda do superávit
primário
Suspensão temporária
do pagamento de ICMS pelos governos estaduais de setores com dificuldades
para manter os empregos, desde que a partir do benefício, os
empresários se comprometam a não demitir.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
janeiro de 2009 | Economia
Novo salário mínimo começa
a valer em 1º de fevereiro
Valor já aprovado pelo Congresso é de
R$ 464,72; quantia pode ser arredondada para R$ 465
O novo valor do salário mínimo deverá ser definido nos
próximos dias, para entrar em vigor em fevereiro, e poderá ser
maior do que o aprovado no Congresso, chegando a R$ 465. Está em estudo
no governo um arredondamento no valor apresentado na proposta de Orçamento,
de R$ 464,72, aprovado no fim do ano passado. Com isso, é possível
que o mínimo será de R$ 465 a partir do dia 1º de fevereiro.
Se for confirmada, a alta será de 12,05% em relação aos
atuais R$ 415. Em 2008, o reajuste foi de 9,21%.
Na prática, com o aumento,
o trabalhador que recebe o mínimo vai ganhar R$ 50 a mais. Pela
proposta original do governo para o Orçamento de 2009, o aumento
seria de R$ 49,72. Ao todo, 17,1 milhões de segurados do INSS
passarão a receber R$ 465 por mês de benefício. Esses
segurados representam 65,7% de todos os beneficiários do INSS
(26 milhões no país).
O valor do teto de pagamento
dos atrasados, para quem ganhou uma ação de revisão
da aposentadoria, também vai mudar.
Hoje, o pagamento é feito
por meio de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) para quem
ganha uma ação com valor de até R$ 24.900, ou seja,
60 salários mínimos. A partir do dia 1º de fevereiro,
o valor do teto será de R$ 27.900.
Agência Graffo
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Agência Diap, 20 de
janeiro de 2009
Brasil registra perda de 654 mil
empregos em dezembro, segundo Caged
A economia brasileira perdeu 654.946 postos de trabalho formal no mês
de dezembro de 2008, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged). O número corresponde a mais que o dobro da média histórica
de dezembro que, geralmente, registra o fechamento de 300 mil vagas no mês.
Esse desempenho negativo reflete uma piora brusca das condições
do mercado de trabalho e da produção industrial.
Apesar do resultado ruim de dezembro,
o ano de 2008 encerrou com um saldo de 1,4 milhão de empregos
formais criados - o terceiro melhor ano do levantamento do Ministério
do Trabalho, ficando atrás apenas de 2004 e 2007. No ano passado,
foram contratados 16,6 milhões trabalhadores com carteira e demitidas
15,2 milhões de pessoas.
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, disse que os números de dezembro de 2008 devem ser avaliados
com cautela, pois o pior momento da crise mundial já se refletiu
na economia brasileira: "O Brasil não viverá momentos
mais graves do que já viveu. Teremos os meses de janeiro e fevereiro
fracos na geração de empregos, mas positivos. Teremos,
em março, o começo da retomada forte na geração
de empregos."
As estatísticas do Caged
alimentaram uma discussão polêmica na semana passada, com
empresários pedindo mudanças na legislação
trabalhista. Lupi ressaltou que os problemas no mercado trabalho resultam
da alta da taxa de juros, promovida pelo Banco Central no ano passado.
Na quarta-feira (21), o Comitê de Política Monetária
(Copom) do BC se reúne para definir se reduz ou não os
juros básicos que estão em 13,75% ao ano.
Segundo o ministro, "a queda
da taxa de juros irá ajudar a indústria da transformação" a
recuperar empregos. "Penso que o momento de crise não é de
se retirar direitos [como defendem os empresários]. É momento
de sentar, como pessoas civilizadas, sem acusação, e discutir
saídas que não tirem empregos e direitos do trabalhador",
afirmou.
O mercado de trabalho sofreu
impactos mais fortes em dezembro por conta da desaceleração
da produção industrial no final de 2008. Os dados do Caged
mostram que a indústria de transformação perdeu
273,1 mil postos de trabalho no mês passado, que é um número
bem acima da perda de 134 mil na agricultura e 117 mil no setor de serviços.
Apesar do recuo, os segmentos fecharam 2008 com saldo positivo.
O setor de serviços lidera
o ranking na criação de empregos formais, com mais de 648
mil novos postos de trabalho no ano passado. O comércio gerou
382,9 mil vagas; a construção civil, 197,9 mil; e a indústria
de transformação, 178,7 mil. Segundo o Caged, o setor agrícola
foi o que obteve o resultado mais modesto: 18,2 mil postos de trabalho
gerados no ano passado.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
janeiro de 2009 | Economia
Lupi: foco de novas medidas será a
indústria
Brasília - O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse ontem
que o foco das novas medidas do governo para estimular a economia será o
setor industrial. De acordo com o ministro, o resultado negativo na geração
de emprego em dezembro por este setor preocupou o governo. De acordo com os
dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o último
mês de 2008 registrou o fechamento líquido de 273.240 postos de
trabalho somente pela indústria. Particularmente, a indústria
paulista, de acordo com o ministério. ''A indústria é o
setor mais afetado pela crise e a que tinha o estoque mais alto de trabalhadores'',
afirmou Lupi durante entrevista coletiva em que anunciou os dados do Caged
de dezembro e de 2008.
Ainda de acordo com o ministro,
a expectativa é de que o mercado formal de trabalho permaneça
''fraco'' ainda em janeiro e fevereiro. ''Em março acredito que
teremos uma retomada (oferta de emprego)'', disse.
O ministro voltou a defender
queda na taxa Selic pelo Banco Central como forma de estimular o ritmo
de crescimento da economia. Ele chegou a arriscar uma aposta para a reunião
que se realiza hoje e amanhã. ''Acho que 0,50 ponto é o
mínimo que podemos esperar. Já estou sendo chamado de José Alencar
dois por cobrar tanto a queda do juro'', disse.
Isabel Sobral
Agência Estado
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Agência Diap, 20 de
janeiro de 2009
Contra a crise, CUT propõe
redução de juros e de impostos
Uma redução ousada da taxa básica de juros (Selic) e um
corte coordenado de impostos são duas das propostas de combate à crise
financeira que representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
levaram nesta segunda-feira (19) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
em reunião que aconteceu hoje à tarde em Brasília. A informação
foi dada pelo presidente nacional da central sindical, Artur Henrique, em entrevista
coletiva em São Paulo.
"Vamos levar a discussão
histórica que a CUT vem desenvolvendo sobre a redução
da taxa de juros", disse Artur, além de debater com a executiva
da central os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. "A
cada ponto percentual de queda na taxa, você tem R$ 15 bilhões
a mais disponíveis para desenvolver a produção no
País".
Artur afirmou, entretanto, que
só a redução dos juros não basta. A CUT vai
propor medidas para a queda dos juros cobrados pelos bancos e para uma
melhor distribuição do crédito já disponível
no mercado.
A central pedirá também
uma desoneração fiscal coordenada entre governos federal,
estaduais e municipais dos setores mais afetados pela crise. "O
ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
corresponde a 26% ou a 27% de toda a arrecadação de impostos
no país e é um imposto estadual." De acordo com a
proposta da CUT, empresas beneficiadas com as medidas teriam que garantir
a manutenção dos empregos de seus funcionários.
A central vai propor ainda uma
suspensão temporária do superávit primário;
mais investimentos do Banco do Brasil no mercado de veículos usados;
manutenção de investimentos de outras empresas estatais,
como Petrobras e Eletrobrás; e a garantia de aumento real do salário
mínimo, como havia sido acordado com as centrais.
"Nossas propostas
estão focadas na manutenção de emprego e geração
de renda", afirmou Artur. "Quarenta milhões de brasileiros
dependem do salário mínimo. Uma elevação
injeta recursos na economia e possibilita a continuidade do consumo".
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Folha de S.Paulo, 20 de janeiro
de 2009
Carência no uso do FGTS pode
acabar
Medida permitiria uso da contribuição
no mesmo mês em que foi paga para abater parte de prestações
de financiamento imobiliário | Hoje, já é possível
uso do fundo para pagar parcelas, mas há restrições;
vice da Caixa critica proposta, pois estimularia saques
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além de aumentar, de R$
350 mil para algo entre R$ 500 mil e R$ 600 mil, o valor do imóvel
que poderá ser financiado com recursos do FGTS, o governo também
discute acabar com o prazo mínimo de carência estabelecido
em lei para que o mutuário possa usar o dinheiro depositado no
fundo para abater parte das prestações mensais do financiamento
imobiliário.
Na prática, isso permitiria o uso da contribuição -que é recolhida
pela empresa mensalmente e equivale a 8% do salário do trabalhador-
no mesmo mês em que foi paga, em vez de ela aumentar o volume de dinheiro
na conta do trabalhador.
A proposta faz parte de um conjunto de medidas apresentado ao governo pela
Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança) e criou uma grande polêmica dentro
do grupo que prepara o pacote de estímulo ao setor da construção,
previsto para ser anunciado na última semana deste mês.
" Entre as medidas analisadas, essa da Abecip é a que traz mais complicação
de natureza legal, dificuldades operacionais e tecnológicas, além
de estimular os saques do FGTS num momento em que a conjuntura econômica
não é favorável", afirmou o vice-presidente de fundos
de governo e loterias da Caixa Econômica Federal, responsável por
gerir o FGTS, Wellington Moreira Franco.
Hoje, a legislação já permite que recursos do FGTS sejam
usados para ajudar na compra da casa própria de três formas: 1)
para pagamento total ou parcial do valor do imóvel; 2) para amortizar
ou liquidar um financiamento em andamento; e 3) pagar parte das prestações.
Em todos os casos, o trabalhador precisa estar no mercado formal de trabalho
há pelo menos três anos (na mesma empresa ou em empregos diferentes),
o financiamento tem que ser feito dentro das regras do SFH (Sistema Financeiro
de Habitação) e há exigências específicas
para cada uma das situações. O abatimento de parte das prestações é o
menos usado e, em 2008, somou R$ 96 milhões de um total de saques para
operações relacionadas à compra de imóveis de R$
5,7 bilhões.
Nesse caso, a lei diz que o valor usado está limitado a 80% do valor
da prestação, e, para dispor dos recursos, o trabalhador precisa
acumular um saldo equivalente a, no mínimo, 12 vezes a quantia mensal
que irá utilizar.
Com isso, o mutuário que tiver uma prestação de R$ 1.000
poderá requerer o uso de até R$ 800 por mês do FGTS desde
que tenha constituído uma reserva de, pelo menos, R$ 9.600.
Acúmulo
Se o saldo for menor, ele poderá abater uma parcela menor da prestação
e, no caso de a reserva não ser suficiente, será necessário
acumular mais dinheiro antes de fazer o saque. Supondo que o salário
desse mutuário seja de R$ 4.000, ele teria que esperar dois anos e meio
para dispor dos recursos com essa finalidade.
A regra, de acordo com técnicos do governo especializados na área, é uma
forma de manter a formação do patrimônio do FGTS. Justamente
por isso, a sugestão da Abecip é rejeitada por parte do governo.
O tema não é consenso nem no setor privado. Segundo o presidente
da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção),
Paulo Safady Simão, "soluções emergenciais" como
essa da Abecip podem se perpetuar "e atrapalhar um programa bem mais amplo
de habitação de interesse social que está sendo negociado
com o governo".
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
janeiro de 2009 | Economia
Juros e crise estimulam fundos imobiliários
Novas regras no segmento vai possibilitar
investimentos não só em unidades físicas, mas
também em papéis lastreados em imóveis
São Paulo - O mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs)
deve ganhar fôlego este ano em razão das mudanças nas regras
do segmento promovidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A tendência de investidores apostarem mais em ativos com lastro real
em momentos de crise e a perspectiva de redução da taxa básica
de juros (Selic) também contribuirão para o crescimento. A principal
alteração na legislação vai possibilitar que esses
fundos invistam não só em unidades físicas, mas também
em papéis lastreados em imóveis.
Com a nova legislação
(Instrução nº 472), os FIIs poderão comprar,
por exemplo, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs),
o que pode atrair investidores com apetite maior para o risco, segundo
o sócio da Brazil Partners, Sergio Belleza. O próprio mercado
de CRIs poderá ser fomentado com as novas possibilidades de aplicação
de recursos pelos fundos imobiliários, como a criação
de um fundo de CRIs. ''Isso poderá contribuir para a criação
de um mercado secundário de CRIs que não existe'', diz
o diretor da Brazilian Mortgages, Rodrigo Machado.
De acordo com o sócio
da Brazil Partners, os fundos imobiliários que já existem
não deverão se afastar do formato tradicional, mudando
seu foco. As alterações virão nas novas carteiras.
No momento, o escritório PMKA está estruturando contratos
de três fundos imobiliários. Segundo o sócio Alexandre
Assolini, um deles é uma carteira de recebíveis imobiliários,
que vai abranger ativos de base imobiliária com característica
de renda fixa, como CRIs e fundos de direitos creditórios (FDICs),
e terá valor de R$ 50 milhões. Esse fundo não poderia
ser criado pelas regras antigas.
Os outros dois poderiam existir
no formato anterior, mas não contariam com a facilidade do registro
automático, que se tornou possível com a nova legislação.
O registro automático permite economia de tempo de até 90
dias, segundo Assolini. O PMKA está estruturando o contrato de
um fundo de R$ 100 milhões que será destinado à compra
de participação em shopping centers. Outro FII, de R$ 25
milhões, será voltado para a compra de imóveis de
redes de varejo para aluguel.
Participantes desse mercado veem
também a possibilidade de criação de fundos imobiliários
para o investimento em incorporação. Na avaliação
de Belleza, da Brazil Partners, o segmento será fomentado também
porque os bancos poderão administrar ativos imobiliários
que ocupam como inquilinos.
De acordo com o diretor da Oliveira
Trust, Alexandre Freitas, as novas regras já elevaram o número
de consultas sobre a possibilidade de lançamentos de novos FIIs.
''Na 472 a política de investimento é mais ampla. Pode
comprar o imóvel diretamente ou não. Vai ser um catalisador
para o segmento imobiliário. Isso aumenta a liquidez'', disse.
As perspectivas da indústria
de fundos imobiliários são positivas, mas o porcentual
de expansão neste ano vai depender também da liquidez do
mercado. ''Enquanto o mercado não se normalizar, não deverá buscar
novos papéis'', diz um representante do setor.
Agência Estado
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 20 de janeiro de 2009 | Brasil
Novos prefeitos se deparam com cidades
quase falidas após posse
da Agência Folha
KAMILA FERNANDES
da Agência Folha, em Fortaleza
Dias após tomar posse,
o prefeito de Araguacema (TO), João Paulo Ribeiro (DEM), não
sabia quantos servidores havia na prefeitura, qual o patrimônio
do município nem quais eram as dívidas da administração.
Ribeiro disse ter encontrado os computadores da prefeitura com os arquivos
apagados e nenhuma documentação nas prateleiras e gavetas.
O caso de Araguacema não é isolado.
Prefeitos de todo o país se depararam com cidades quase falidas
neste início de mandato. O cenário se repete a cada quatro
anos, quando prefeitos têm de entregar a administração
para seus adversários.
Em Caucaia, na região
metropolitana de Fortaleza, segunda maior cidade do Ceará, o prefeito
Washington Góis (PRB) disse ter recebido a cidade com uma dívida
de R$ 14 milhões. A cidade está com a coleta de lixo cortado,
sem atendimento nos postos de saúde, escolas demolidas e um almoxarifado
com 290 mil rolos de papel higiênico.
Moradores de Mineiros do Tietê (268
km de São Paulo) que procuram a prefeitura no início de
janeiro encontraram o prédio fechado, apenas com expediente interno.
A medida foi determinada por um decreto do prefeito João Sanchez
(PPS). Segundo a prefeitura, a administração anterior entregou
os computadores formatados (com dados apagados) e não havia sido
possível organizar os documentos.
Na rede municipal de Jaboatão
dos Guararapes, na região metropolitana de Recife, não
foram feitas reformas nas escolas e os salários dos professores
estão atrasados há mais de um mês.
Em Barra de São Miguel
(AL), a prefeita Rosinha Cavalcanti (PHS) recebeu as chaves da prefeitura
de um vereador no dia da posse. Ao abrir os gabinetes, não encontrou
documentos sobre obras ou licitações nem os balancetes
(registro bimestral das receitas e despesas).
Segundo a prefeita, a administração
anterior levou todos os carnês de IPTU que seriam distribuídos
e deu férias para a maioria dos servidores que fariam a matrícula
escolar. No município, não houve processo de transição.
Atualmente, não há no
país uma legislação que defina como deve ser a transição
em prefeituras. O que existe são resoluções dos
tribunais de contas dos Estados, sugerindo a criação de
comissões de transição. A disputa acirrada, principalmente
em cidades pequenas, muitas vezes inviabiliza o diálogo entre
os grupos.
Em fevereiro, o governo federal
deve enviar ao Congresso um projeto de lei que disciplina a transição.
Os prefeitos que deixarem aos
sucessores um legado de caos administrativo, no entanto, estão
sujeitos a processos de improbidade administrativa e ações
por crime de responsabilidade, segundo Doris Coutinho, presidente do
Tribunal de Contas do Tocantins.
"Vale ação
regressiva contra o gestor anterior, mas as dívidas de salário,
de 13º e com fornecedores deve ser saldada pela atual administração",
diz.
Para o presidente do TCM (Tribunal
de Contas dos Municípios) do Ceará, Ernesto Sabóia,
a legislação que coíbe abusos dos gestores, como
a Lei de Responsabilidade Fiscal, tem falhas, assim como a legislação
processual, que protela a punição ao máximo.
No Ceará, logo após
o primeiro turno das eleições passadas, três prefeitos
chegaram a ser afastados pela Justiça a pedido do TCM, que constatou
indícios do chamado "desmonte". A reportagem não
conseguiu localizar os ex-prefeitos dos municípios citados.
Colaborou JOSÉ EDUARDO RONDON,
da Agência Folha
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de janeiro de 2009 | Política
Eleições de 2010 já influenciam
alianças regionais
Agência Estado
Os ventos eleitorais de 2010 já começam a influenciar na montagem
das alianças regionais que estão definindo a nova direção
das Câmaras de Vereadores de capitais importantes. Em São Paulo,
cidade do maior colégio eleitoral do País, PSDB e PMDB caminham
juntos. A parceria preferencial do governador do Estado, José Serra
(PSDB), um dos principais nomes tucanos para a disputa à sucessão
do Executivo federal, é com o DEM de Gilberto Kassab, prefeito da cidade,
que conseguiu atrair o PMDB para sua chapa na campanha pela reeleição,
ampliando a aliança com os tucanos.
No Legislativo estadual, o cenário
se repete. O PSDB e o PMDB paulistas andam juntos, ao contrário
do que ocorre no plano nacional. Mas não é só a
oposição que tem conseguido abocanhar apoios de aliados
do governo federal. Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista,
o PT conseguiu trazer o DEM para eleger o pupilo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, o ex-ministro Luiz Marinho, à prefeitura da cidade.
Em Belo Horizonte, capital
do segundo maior colégio eleitoral do País, encerrou-se
o ciclo de 15 anos de comando petista ou de aliados do presidente Lula.
A presidência da Câmara Municipal ficou com o PPS da vereadora
Luzia Ferreira que, embora tenha sido eleita com o apoio do PT, pertence à legenda
que mantém um discurso anti-Lula no Estado e, no plano nacional,
trabalha para levar a oposição ao Palácio do Planalto.
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Vermelho, 20 de janeiro de
2009
Pensando em 2010, Serra chama Alckmin
para seu secretariado
Meses depois de ser traído pelo governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), na disputa para a Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo
Alckmin (PSDB) é o novo secretário estadual de Desenvolvimento.
A vaga atualmente é ocupada pelo vice-governador, Alberto Goldman.
" Essa é uma demonstração da união do PSDB,
da liderança do governador Serra e do espírito partidário
e de cooperação de Alckmin", declarou o presidente do PSDB
paulista, deputado federal Mendes Thame, procurando fazer tabula rasa do passado.
Ao comentar "o desprendimento de Alckmin", Thame deixou no ar um ensaio
para 2010. “Isso mostra que o PSDB vai caminhar junto. Todos saem ganhando."
Alckmin, apesar de ponderar insistentemente
que ainda há muito tempo até as próximas eleições,
esforçou-se para mostrar unidade com o governador: "Serra
desponta como um importante candidato do nosso partido a 2010".
E acrescentou: "Vim para unir, somar e trabalhar. Estamos juntos
em um esforço para que o governo de São Paulo seja um grande
governo."
A verdade é que Serra
e Alckmin estavam afastados desde as eleições municipais
em São Paulo, no ano passado. O prefeito reeleito Gilberto Kassab
e Alckmin dividiram o PSDB no primeiro turno. Enquanto uma parte da legenda
ficou com o seu candidato oficial, outra parte, comandada pelo governador
José Serra, esteve ao lado do prefeito. Kassab sucedeu Serra na
prefeitura e manteve vários tucanos em secretaria municipais.
Candidato derrotado, Alckmin
estava sem cargo público desde que deixou o governo para se candidatar
a presidente em março de 2006. Na ocasião, ele disputou
a vaga com Serra e "rachou" o PSDB. O convite para o novo cargo — que
partiu de Serra — é uma tentativa de reaproximação
dos dois e de união do dividido PSDB paulista.
Uma reportagem publicada pela
Folha de S.Paulo neste mês de janeiro informava que Alckmin vinha
sendo cobiçado por uma ala do PSB para ser candidato pelo partido
ao governo de São Paulo em 2010 caso não conseguisse a
indicação dentro de seu PSDB. A reportagem informava ainda
que a idéia agradava a uma ala do PT — que via no estratagema
a possibilidade de enfraquecer Serra em seu território.
A nova pasta
A Secretaria de Desenvolvimento
(SD) é considerada uma área estratégica no governo
estadual, sobretudo neste momento de crise financeira global. Trata-se
do órgão responsável pela formulação
de medidas que propiciem o desenvolvimento econômico de São
Paulo. Uma de suas principais funções é diagnosticar
e atuar para melhorar a competitividade dos diversos setores da indústria
já instalados no Estado.
Além disso, a secretaria
cuida da atualização do quadro regulatório existente
e da criação de novos instrumentos de fomento necessários à efetiva
promoção do desenvolvimento econômico de São
Paulo. A secretaria é responsável também pelo Centro
Paula Souza, que administra 151 Escolas Técnicas (Etecs) e 47
Faculdades de Tecnologia (Fatecs) em 127 cidades do Estado de São
Paulo.
As Etecs atendem a 123 mil estudantes,
sendo cerca de 30 mil no Ensino Médio e mais de 90 mil no Ensino
Técnico, para os setores Industrial, Agropecuário e de
Serviços, em 86 habilitações. Nas Fatecs, o número
de alunos matriculados nos 39 cursos superiores ultrapassa 28 mil (números
referentes ao 2º semestre de 2008.
Da redação, com
agências
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Folha de S.Paulo, 20 de janeiro
de 2009
SOB NOVA DIREÇÃO / O DIA DA
POSSE
Obama chega "mais negro" à Presidência,
e EUA, mais tolerantes
Um negro na Casa Branca "é uma
coisa radical", disse o democrata, que assume hoje para mandato
de quatro anos | Para 26% dos ouvidos em pesquisa feita pelo jornal "Washington
Post", questão racial não é mais problema
nos EUA; índice é recorde
Jim Young/Reuters

Obama pinta parede de abrigo para sem-teto em Washington
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
Entre as várias correções
de curso que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, vem fazendo em
relação ao candidato Barack Obama figura a questão
racial. Conforme se aproxima o momento da posse, perto das 12h locais
em Washington de hoje (15h de Brasília), o democrata se torna
mais negro e menos "pós-racial", epíteto com
o qual sua campanha acalmou a maioria branca do eleitorado americano.
Na semana passada, em encontro com o comando editorial do jornal "Washington
Post", o presidente eleito falou pela primeira vez de maneira realmente
clara sobre o significado de os Estados Unidos estarem a momentos de terem
seu primeiro presidente negro -não pós-racial ou birracial, ambos
rótulos legítimos, já que ele é filho de um queniano
negro e uma americana branca.
" Há uma geração inteira que vai crescer achando normal
que o posto mais elevado do planeta seja ocupado por um afroamericano",
disse ele. "É uma coisa radical. Muda como as crianças negras
olham para elas mesmas. Também muda como crianças brancas olham
para crianças negras. E eu não subestimaria a força disso."
A tomada de posição tardia de Obama, 47, chega num dia historicamente
relevante e num momento histórico único. Ontem, data da publicação
da entrevista, foi também o Dia de Martin Luther King, um dos três
feriados nacionais norte-americanos dedicados a uma pessoa -os outros são
ao descobridor Cristóvão Colombo e ao primeiro presidente do
país, George Washington.
A véspera da posse foi marcada por eventos que lembravam o aniversário
do ativista negro (1929-1968). "Amanhã [hoje], nós vamos
nos unir como uma só pessoa no mesmo local em que o sonho de dr. King
ainda ecoa", disse o presidente eleito, referindo-se ao discurso "Eu
Tenho Um Sonho", feito em 1963, e ao passeio que liga o monumento a Washington
ao Capitólio, sede do Legislativo.
Pela manhã, Obama e a mulher, Michelle, visitaram um hospital para feridos
de guerra na região de Washington, onde se encontraram com Martin Luther
King 3º, primogênito do líder religioso assassinado aos 39
anos por um supremacista branco. Depois, realizaram trabalhos voluntários,
entre eles a pintura de uma parede de um abrigo para sem-teto pelo presidente
eleito, para incentivar o voluntariado.
Mais tolerante
No mesmo dia, foi divulgada pesquisa feita pelo "Post" e o departamento
jornalístico da emissora ABC em que os que responderam que a questão
racial não era mais um problema no país chegaram a porcentagem
recorde. Foram 26% dos ouvidos, índice 2,5 vezes maior do que os que
responderam da mesma maneira no início de 1996, último ano do
primeiro mandato de Bill Clinton.
Apesar de os brancos serem mais otimistas -28% não veem mais problema
racial nos EUA-, o número de negros que pensam da mesma maneira mais
do que triplicou, pulando de 4% em fevereiro de 1996 para 15%. Os índices
melhoraram em todos os quesitos: os negros atingiram ou atingirão igualdade
racial para sete em cada dez ouvidos em geral e para seis em cada dez entre
os negros.
A pesquisa ouviu 1.079 adultos não identificados por raça e 204
negros entre 13 e 16 de janeiro e tem margem de erro de três pontos percentuais.
No levantamento dos dois veículos de comunicação, a maior
discrepância entre os grupos aparece quando se pergunta se brancos e
negros têm a mesma chance de conseguir o emprego para o qual são
qualificados.
No geral, 76% diz que sim, mas o número despenca para 38% entre os negros,
ante 83% entre os brancos. A noção de que a cor da pele mais
escura exige mais empenho foi resumida com singeleza pela filha mais velha
do casal presidencial. Segundo disse Obama à CNN no fim de semana, depois
de olhar os discursos de Lincoln no memorial ao 16º presidente, Malia,
10, disse ao pai: "Primeiro afroamericano. Melhor [o discurso] ser bom".
Obama, que montou um gabinete com 20% de negros -ante 12,7% da população
dos EUA em geral-, acha que o maior desafio para a comunidade afrodescendente,
e mesmo latina, passa antes pela situação econômica. "Se
nós acertarmos na economia, esse será um mecanismo para melhorar
as relações raciais", disse, na mesma entrevista ao "Post".
A partir de hoje, esse mecanismo estará nas mãos de um negro,
o primeiro na história a ocupar o cargo.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
janeiro de 2009 | Economia
Aviso prévio vai ter desconto
de INSS
O governo determinou que, a partir de agora, deve haver o desconto da contribuição
previdenciária sobre o valor do aviso prévio. O desconto varia
de 8% a 11%, dependendo da faixa de salário do trabalhador – limitado
a R$ 334,18, que é a contribuição referente ao teto do
INSS (R$ 3.038,99).
O decreto nº 6.727, assinado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro Guido
Mantega (Economia), foi publicado na última terça-feira
(13) no ‘‘Diário Oficial’’ da União
e já está valendo.
Segundo a regra, o aviso prévio
indenizado não faz mais parte da lista de verbas que não
integram o salário de contribuição - que serve de
base para o cálculo dos benefícios do INSS. Assim, entrará para
a conta das contribuições na hora da aposentadoria ou de
outros benefícios.
O valor do aviso prévio
corresponde a 30 dias de trabalho do segurado e não tem desconto
de Imposto de Renda. Para um trabalhador que recebe R$ 415, a alíquota
para o INSS é de 8%. Nesse caso, o desconto no valor do aviso
prévio será de R$ 33,20. Já para os segurados
com remuneração entre R$ 911,71 e R$ 1.519,50, o desconto
será de 9%. A contribuição sobre o aviso prévio
aumenta o número e o valor das contribuições feitas.
Agência Graffo
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/01/2009
Empresa é condenada a indenizar vale
transporte a menor
A Justiça do Trabalho
condenou a empreiteira Krahe e Sommer Ltda. a pagar indenização
relativa ao vale transporte a empregado menor, por ter sido comprovada
a existência do vínculo empregatício. A Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou o agravo da empresa e manteve
a decisão da Justiça do Trabalho da 4ª Região
(RS) ao concluir pela incidência da Súmula nº 126 do
TST, que prevê a impossibilidade de reexaminar fatos e provas pelo
TST.
O menor, representado por seu
pai, interpôs reclamação para ter reconhecido o vínculo
de emprego do período contratual, de janeiro de 2004 a março
de 2005, pois a empresa não realizou as corretas anotações
em sua Carteira de Trabalho. Contratado como servente, também
fez serviços de pedreiro e eletricista, com jornada que ia das
7h30 às 17h de segunda a sábado. Mas, segundo ele, seu
trabalho começava às 7h e ia até às 19h sem
intervalo, inclusive nos feriados, e jamais recebeu da empresa os valores
correspondentes ao vale-transporte. Segundo informou, eram necessários
quatro vales diários para chegar até o local da obra. Na
reclamação, pediu ainda adicional de insalubridade, férias
e adicionais, aviso prévio e verbas rescisórias.
A 25ª Vara do Trabalho de
Porto Alegre reconheceu o vínculo trabalhista e condenou a empresa
a pagar o vale transporte, aviso prévio com repercussão
no FGTS, férias vencidas, 13º, horas extras, adicional de
insalubridade em grau médio (20%) e o FGTS. A Krahe não
aceitou a condenação referente ao vale transporte e alegou,
no seu recurso ao TRT/RS, que o empregado não solicitou o benefício,
não informou a linha de ônibus que utilizava e, portanto,
não comprovou os requisitos para sua concessão. Justificou,
também, que não tinha a obrigação de documentar
a recusa do empregado em oferecer os dados necessários.
Mas o Regional manteve a condenação
sob o entendimento de que cabe ao empregador colocar o vale-transporte à disposição
de seus empregados, “No caso, é evidente que tal não
ocorreu, já que a reclamada não reconhecia o reclamante
como seu empregado”, afirma o acórdão. Apenas ressalvou
que a indenização era devida até novembro de 2004,
data em que o empregado começou a se locomover de bicicleta para
o trabalho.
Em seu voto como relator do agravo
de instrumento no TST, o ministro Horácio Senna Pires explicou
que, para se concluir de forma diversa da do TRT/RS, seria necessário
o reexame dos fatos e provas, e tal procedimento é incabível
em sede extraordinária de recurso de revista. ( AIRR-489/2005-025-04-40.1)
(Lourdes Côrtes)
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20/01/2009
Falência posterior a demissão
não isenta empresa de multas rescisórias
A extinção do contrato
de trabalho anteriormente à decretação da falência
não isenta a empresa do pagamento das multas do artigo 477 da
CLT (por atraso na quitação das verbas rescisórias)
e de 40%sobre o FGTS, uma vez que, na data da rescisão, esta não
estava ainda sujeita ao regime falimentar. Com este entendimento, a Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento
da Massa Falida de Takano Editora Gráfica Ltda., de São
Paulo contra decisão que a condenou ao pagamento dessas verbas.
A condenação foi
imposta pela Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP).
No julgamento do primeiro recurso da empresa contra a sentença
de primeiro grau, o TRT/SP constatou que a rescisão do contrato
de trabalho do ex-funcionário que ajuizou a ação
ocorreu em agosto de 2004, e a falência foi decretada em maio de
2005. O Regional que, por este motivo, não seria cabível
a isenção das multas.
Ao recorrer ao TST, a massa falida
sustentou que a decretação da falência alcançava
a data de distribuição da ação e, assim,
por efeito jurídico, a rescisão contratual não teria
se dado “de forma arbitrária ou sem justa causa, mas sim
por motivo de força maior”. Alegou também que, com
a falência, deixou de dispor livremente de seus ativos e ficou
impossibilitada de cumprir as obrigações trabalhistas,
sendo indevidas, portanto, as multas aplicadas. Finalmente, defendeu
que a condenação contrariava a Súmula nº 388
do TST, que isenta a massa falida dessas verbas.
O relator do agravo de instrumento,
ministro Guilherme Caputo Bastos, porém, observou que a orientação
contida na Súmula nº 388 não se aplica ao caso, devido
ao fato de a extinção do contrato ser anterior à falência. “Na época,
portanto, não havia indisponibilidade de bens para pagamento de
verbas trabalhistas”, concluiu. ( AIRR 88/2005-020-02-40.0)
(Carmem Feijó)
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