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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Economia
Economia pode crescer de 1% a 4% em
2009
Agência Estado
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê, em simulações
incluídas em estudo divulgado nesta terça-feira (20) sobre a
crise financeira mundial, que o grau de contaminação do Brasil
pode interromper o recente ciclo de crescimento econômico e social. Com
as ressalvas de que ainda não é possível traçar
um quadro preciso dos efeitos da crise e de que, por isso, a simulações
são feitas "por meio de valores arbitrários", o Ipea
projeta três possibilidades para a evolução do Produto
Interno Bruto (PIB) em 2009: crescimento de 4%, ou de 2,5%, ou de 1%.
Segundo o estudo, não
existem "parâmetros precisos" para se medir o grau de
contaminação da economia brasileira pela crise internacional
e, por isso, as simulações de desempenho são "um
exercício técnico preliminar". O Ipea está vinculada
ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência
da República.
No pior cenário traçado
pelo estudo para este ano - crescimento do PIB de apenas 1% -, seriam
criados 320 mil novos empregos, mas, ao mesmo tempo, o universo de desempregados
aumentaria em 1,126 milhão de trabalhadores, ficando em 8,754
milhões, ou 8,6% da população economicamente ativa
(PEA).
No cenário mais otimista
- crescimento de 4% -, o instituto prevê que seriam criados cerca
de 1,3 milhão de novos empregos, e o universo de desempregados
seria ampliado em 154 mil trabalhadores, totalizando 7,782 milhões,
ou 7,7%.
No cenário intermediário
(2,5%), seriam criados 800 mil novas vagas, mas o número de desempregados
aumentaria em 806 mil, somando 8,272 milhões, ou 8,1%.
Segundo o Ipea, esses números
mostram que, em 2009, o contingente de trabalhadores empregados aumentaria,
mas não o suficiente para atender ao crescimento do total de trabalhadores
entrando no mercado, que poderá ser de cerca de 1,45 milhão
de pessoas.
O estudo prevê ainda que
a participação da renda do trabalho na renda nacional passará a
ser de 49,2% no caso de um crescimento de 4% do PIB; de 48,8% no caso
de 2,5%; e de 47,6% se o aumento do PIB for de apenas 1%.
Os técnicos do Ipea ressaltam
que a crise internacional afeta "de maneira mais intensa" o
mercado de câmbio, com a cotação do dólar
saltando de cerca R$ 1,60 para R$ 2,30 e que esse movimento, além
de prejudicar os exportadores, terá efeitos sobre os preços
domésticos e na inflação.
O estudo enfatiza, porém,
que o impacto do câmbio no comportamento futuro da taxa de inflação "é uma
grande incógnita" e que o repasse da desvalorização
cambial para os preços "é muito duvidoso".
Observam os técnicos, porém, que a mesma queda no preço
das commodities, de cerca de 40% entre agosto e outubro de 2008, "representa
um choque positivo de oferta, arrefecendo, provavelmente, as pressões
inflacionárias."
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Folha de S.Paulo, 21 de janeiro
de 2009
Construção "popular" terá desoneração
Governo cortará imposto de construtora
com projetos voltados para a baixa renda | Para reduzir os preços
dos imóveis e reativar mercado, pacote também deverá modificar
regras de registro, preços de cartórios e seguro
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo incluirá no
pacote habitacional que anunciará na próxima semana uma
redução nos impostos cobrados das construtoras que tiverem
projetos para a baixa renda.
O objetivo é baratear o preço final dos imóveis. Para
isso, a equipe econômica estuda reduzir os tributos que são cobrados
no regime especial a que as construtoras têm direto quando segregam a
contabilidade dos empreendimentos individualmente.
Conhecido como patrimônio de afetação, esse mecanismo permite
que as construtoras recolham 7% sobre o valor do empreendimento em substituição
a IR (Imposto de Renda), CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido) e PIS/Cofins, contribuições que financiam a seguridade
social.
O pacote também deve alterar regras de registro, preços de cartórios
e seguro para baratear a venda desses imóveis. A área técnica
do governo avalia o que é possível mudar na regulamentação
que tenha impacto em preços. Nesse caso, não deve haver custo
significativo nas contas do governo.
Em reunião da coordenação política do governo,
ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicou aos ministros
que deverá fazer o anúncio das medidas na próxima semana.
Ele quer resolver dois problemas: garantir financiamento e possibilidade de
compra de imóveis pela população de baixa renda e fazer
com que as empresas contratem mais. Neste pacote habitacional, o governo não
deverá ceder aos apelos das centrais sindicais de condicionar os benefícios à garantia
de emprego. Isso porque, na visão do governo, a necessidade de aumento
da mão-de-obra na construção civil virá em razão
da demanda, que, espera-se, aumenta com o estímulo governamental. A
Receita Federal está concluindo as estimativas de perda de arrecadação
com a queda da alíquota no regime especial de tributação.
A desoneração dependerá do impacto fiscal, mas o governo
vai restringir o benefício apenas aos empreendimentos para a baixa renda.
Dessa forma, a construtora não atingirá todos os empreendimentos
da empresa, apenas aqueles que forem considerados imóveis populares.
A definição de baixa renda inclui famílias que têm
renda de até cinco salários mínimos, ou R$ 2.075 em valores
de hoje A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
pediu ao governo a desoneração total desse tipo de imóvel.
" Dificilmente a tributação será zero. Mas as negociações
estão indo bem", disse o presidente da CBIC, Paulo Simão.
Segundo ele, a queda no imposto tem que ser de ao menos um ponto percentual para
tornar mais atraente o investimento por meio do patrimônio de afetação. É que,
pelo sistema tradicional de recolhimento de impostos, as construtoras pagam cerca
de 6,5% em tributos federais.
Colaborou SIMONE IGLESIAS,
da Sucursal de Brasília
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FOLHA DE SÃO PAULO,
21 de janeiro de 2009 | Opinião
Editoriais
editoriais@uol.com.br
Pacote da habitação
Reversão no ciclo de crescimento do
setor imobiliário requer, entre outras medidas, uma queda
nas taxas de juros
ENTRE 2006 e 2008, período
de maior crescimento na atividade econômica e no emprego, o crédito
imobiliário começou a deslanchar. Atingiu R$ 58,4 bilhões
em novembro de 2008, apresentando taxa de crescimento de 37,7% em relação
ao mesmo mês do ano anterior. O prazo médio das operações
aumentou 644 dias (21,5 meses), alcançando 89 meses (7,4 anos),
no mesmo período.
A despeito desse dinamismo, o crédito imobiliário continua muito
restrito, correspondendo a apenas 4,8% do estoque total de créditos
e 2% do PIB.
Infelizmente, esse processo incipiente de expansão do setor imobiliário
mostra sinais de reversão. A desvalorização das empresas
na Bovespa dificulta o lançamento de novos empreendimentos. A aversão
ao risco dos bancos e das famílias, diante da ameaça do desemprego,
induz uma contração do crédito.
Diante disso, o governo estuda propostas para estimular o setor. Entre as ideias
em discussão, destacam-se: fim do prazo mínimo de carência
para o mutuário utilizar os recursos depositados no FGTS no abatimento
de prestações; aumento dos atuais R$ 350 mil para até R$
600 mil, no valor do imóvel que poderia ser financiado com recursos
do FGTS; redução de tributos para o segmento da construção
civil.
Para famílias de baixa renda, discute-se ampliar (de 50% para 80%) a
parcela do lucro do FGTS destinada a operações, a fundo perdido,
de construção de moradias populares; instituir um fundo garantidor
que reduziria o risco atribuído pelos bancos a mutuários com
renda mensal até R$ 2.000; e implantar uma espécie de seguro
para cobrir temporariamente o pagamento das prestações em caso
de demissões. Discute-se, ainda, um sistema de bônus para desestimular
atrasos de pagamentos (a cada 15 ou 18 prestações pagas, o mutuário
ganharia uma).
Essas ações, embora pontuais, decerto ajudariam a arrefecer o
desalento na construção civil. O pacote, contudo, precisaria
agregar outro gênero de medidas a fim de ganhar em abrangência. É crucial,
por exemplo, favorecer uma queda substantiva nas taxas de juros desses financiamentos.
Pelas regras do Sistema Financeiro de Habitação, que canaliza
recursos da caderneta de poupança para a construção residencial,
os juros pagos pelos mutuários giram em torno de 14% ao ano. Nos EUA,
por exemplo, uma hipoteca de 30 anos cobra juros anuais de 5,4%.
A queda nas taxas ao mutuário reduziria o montante financiado e as parcelas.
Desse modo, ajudaria a atrair mais clientes e entidades financeiras para um
setor fundamental na geração de emprego, renda e bem-estar social.
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Agência Brasil, 21 de
janeiro de 2009
PIB precisa crescer mais de 4% para
que desemprego não aumente, mostra Ipea
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro precisa crescer mais de 4% este ano
para que a taxa de desemprego não aumente. É o que prevê uma
projeção apresentada hoje (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) sobre as possíveis repercussões da crise internacional
no Brasil.
No estudo foram apresentadas
três simulações de crescimento do PIB para este ano
e os reflexos nas taxas de emprego e desemprego. No primeiro, o mais
otimista, com o PIB de 4%, haveria a criação de 1,3 milhão
de novos postos de trabalho. Mas, 154 mil pessoas aumentariam a taxa
de desemprego.
No cenário mais pessimista,
o que prevê o crescimento de apenas 1% no PIB, seriam mais 320
mil postos de trabalho contra um total de 1,126 milhão de novos
desempregados. Na perspectiva de crescimento de 2,5%, seriam gerados
800 mil empregos e 806 mil novos desempregados.
O presidente do Ipea, Márcio
Pochmann, disse que as medidas tomadas pelo país até o
momento estão no caminho certo, mas não são suficientes
para que o Brasil ultrapasse os 4% de crescimento. "Todas as simulações
que temos feito indicam que um crescimento inferior a 4% implicará numa
possível inflexão nessa trajetória positiva que
o Brasil vinha registrando", disse.
Para ele, é preciso haver
uma redução drástica da taxa de juros, que hoje
está em 13,75%, em até quatro ou cinco pontos percentuais. "Os
juros reais estão muito elevados. Isso não contribui para
criar uma expectativa de maior investimento e da defesa do emprego e
da produção nacional. A taxa de juros que temos hoje está inadequada
para uma conjuntura de crise", disse.
Pochmann, no entanto, evitou
fazer previsões quanto à reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom), que amanhã (21) deve
anunciar a nova taxa de juros. "O Copom saberá tomar a
decisão olhando justamente o cenário de crise que temos
hoje, e a expectativa de interrompermos a trajetória que estamos
vivendo se não tiver crescimento econômico considerável",
disse.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Economia
Indústria pede corte na taxa
básica de juros
Newton Almeida
Daniel Caron
A crise no Paraná já alcançou uma intensidade moderada.
A conclusão parte de um grupo de empresários e representantes
da indústria que se reuniram ontem para um almoço na sede da
Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Além de traçar
um perfil da atual situação econômica do Estado,
os empresários relataram uma série de propostas para conter
os efeitos da crise que já afetam o consumo e emprego no País.
A ideia seria evitar a perda
de otimismo no setor produtivo para evitar demissões e a redução
da demanda. Dentre as principais medidas sugeridas está a redução
da taxa básica de juros do Banco Central (BC).
Para o presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha
Loures, a taxa de juros deveria ser reduzida em 4 pontos percentuais
até o final do primeiro semestre.
Para Rocha Loures, a redução
dos juros poderia firmar uma expectativa positiva no empresariado. “Se
a Selic caísse 1,5% ou 2% e que sinalizasse que vai cair mais,
isso seria uma sinalização forte”, afirma. Loures
comenta que “o mundo todo baixou os juros e o Brasil, mesmo com
o risco de inflação baixo, criou uma expectativa recessiva”.
O presidente da Fiep confirmou
que as empresas são unânimes em afirmar que é preciso
dar uma ênfase diferente para a atual política monetária
do governo federal. As ações teriam o intuito de frear
uma possível redução de demanda e de consumo, por
conta do desemprego.
“É um círculo
vicioso que pode terminar numa recessão. O desemprego diminui
a demanda e a demanda contribui para o desemprego”, disse Loures,
que ressaltou que é preciso combater a recessão com senso
de urgência. Para ele, a redução na taxa de juros
pode criar uma expectativa positiva, para romper com esse círculo
vicioso.
Para Loures, o modelo do plano
econômico do governo precisa ser revisto. “Essa receita de
economia, que é a mesma desde o plano real, ficou anacrônica
e já deveria ter sido revista há quatro anos”, afirma.
De acordo com Rocha Loures, durante
a reunião de ontem, o setor ligado à agricultura relatou
que a estiagem fez com que os custos operacionais do produtor tivessem
uma elevação de cerca de 35%.
Já na indústria,
onde os empresários relatam ajustes do quadro de funcionários,
um dos principais entraves para a superação da crise seria
a falta de crédito no mercado, o que, segundo Loures, também
provoca uma desaceleração da economia.
Outro tópico abordado
pelos empresários seria a questão do câmbio. A instabilidade
do dólar estaria abrindo brechas para uma concorrência desleal
por conta de importados que chegam a preços muito competitivos
no País.
Manifestações
pedem a queda na taxa de juro
A queda no nível de atividade
da economia e as demissões recorde mobilizarão sindicatos
e trabalhadores em protestos contra os juros altos em pelo menos cinco
capitais hoje, dia em que o Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central (BC) decide sobre o nível dos juros básicos
da economia. Em Curitiba, a Força Sindical espera pelo menos 300
pessoas em passeata que sairá pelo centro da cidade e vai até a
sede do Banco Central.
Participarão do evento
a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a Central Única dos
Trabalhadores (CUT), a Força Sindical do Paraná e a União
Geral dos Trabalhadores (UGT).
Além disso, o Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba vai organizar, também
hoje, uma paralisação de 2 horas nas grandes empresas metalúrgicas
da cidade: Bosch, New Holland, WHB, Renault/Nissan, Volvo e Volkswagen/Audi. “Essas
paralisações são um protesto à ameaça
de demissões”, disse.
Os atos serão promovidos
pelas centrais sindicais ao longo do dia. Em São Paulo, o ponto
final da manifestação será a sede do Banco Central,
na Avenida Paulista, às 10h. Em Brasília, os manifestantes
se reúnem também a partir das 10h, em frente à sede
do BC. No Rio, a mobilização acontece, a partir das 16h,
na Central do Brasil, e, em Belo Horizonte, às 11h, na Praça
Sete.
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Gazeta do Povo, 21 de janeiro
de 2009
Política monetária
Piora no cenário econômico
pressiona BC a baixar juros
Desaceleração do consumo e
aumento no desemprego forçam o Copom a iniciar hoje um novo
ciclo de cortes. Mercado aposta em redução de 0,5 a
1 ponto porcentual
O aumento do desemprego e o recuo
da inflação reforçaram entre analistas a expectativa
de que o Comitê de Política Monetária (Copom)
inicie um ciclo de queda da taxa de juros básica (Selic) na
primeira reunião do ano, que termina hoje. A aposta recorrente é de
um corte de 0,50 a 0,75 ponto porcentual, mas em função
da piora do quadro econômico já há quem acredite
que o Banco Central possa ser mais agressivo, com um uma redução
de até 1 ponto. Será a primeiro recuo da Selic, hoje
em 13,75% ao ano, desde setembro de 2007.
Apesar do dólar forte
representar uma ameaça à inflação – uma
vez que encarece os custos de importados e de insumos das empresas –,
essa pressão ainda não provocou uma onda de repasses, segundo
Arthur Carvalho Filho, economista-chefe da Ativa Corretora, que projeta
uma queda de 0,5 ponto na Selic. “O dólar permanece como
um fator de pressão inflacionária para os próximos
meses, mas a queda dos preços das commodities e o desaquecimento
da economia e do consumo estão barrando esse movimento”,
diz.
A piora do resultado da produção
industrial e o aumento do número de demissões já sinalizam
um crescimento menor do que se esperava para 2009. A Ativa prevê dois
cenários dependendo do ritmo de retomada do crédito. “Se
for rápido, teremos um avanço do PIB (Produto Interno Bruto)
de 2,8%. Se for lento, a economia cresce 1,7%”, diz.
O mercado de juros futuros, que
balizam a expectativa de mercado, vem trabalhando, nos últimos
dias, com um corte de 0,75. Algumas consultorias, como a Tendências
e o banco Credit Suisse, acreditam, porém, que o ambiente ruim
favorece uma agressividade maior do BC e estimam uma queda de 1 ponto
porcentual. De acordo com a Tendências, o impacto da crise no último
trimestre sobre o crédito, as exportações e a confiança
dos investidores gerou um quadro de retração de demanda
e queda na produção muito maior do que se esperava.
Para Thais Marzola Zara, economista
da Rosenberg Consultores Associados, a melhora dos índices de
inflação é suficiente para o BC promover uma queda
mais forte na taxa. A Rosenberg, que previa um corte de 0,50, agora projeta
uma redução de 0,75 e que a Selic encerre 2009 em 10,75%
ao ano. “O quadro mudou. Mesmo com a pressão de alta dos
preços administrados e dos efeitos do câmbio, a demanda
desaquecida deve segurar os preços”, diz ela, que estima
uma inflação de 4,5% para 2009, no centro da meta do governo.
A reunião do Copom que
começou ontem é cercada de expectativa porque ela servirá também
para o mercado interpretar como a autoridade monetária vê a
crise. Com a divulgação dos números de desemprego,
cresceu a preocupação do governo em relação
ao desempenho do PIB para 2009. “Um corte de 1 ponto pode sinalizar
que a crise é muito mais grave do que se esperava e que o BC admite
que foi muito lento em responder à gravidade do cenário.
Em compensação, indica que há uma disposição
em acelerar a recuperação da economia, o que é positivo
para o setor produtivo”, diz Miguel José Ribeiro de Oliveira,
vice-presidente da Associação Associação
Nacional de Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade (Anefac). Mas o executivo não acredita que o corte
ultrapasse 0,75 ponto. “O BC é conservador”, resume.
Em média, a redução
da taxa de juros leva de seis a nove meses para chegar à economia
real. Um estudo da Anefac mostra que uma queda 0,75 ponto reduzirá de
6,30% para 6,24% os juros mensais no comércio, de 10,56% para
10,50% os do cartão de crédito e de 7,91% para 7,85% no
cheque especial. O consumidor que vai comprar uma geladeira que custa
R$ 1,5 mil financiada em 12 vezes, por exemplo, teria, ao fim do prazo,
uma redução do valor pago de R$ 2,182,44 para R$ 2.175,36.
Reversão
Se optar pela redução,
o Banco Central inverte o ciclo de alta iniciado em abril de 2008. Na época,
a preocupação da autoridade monetária era com o
avanço da inflação, pressionada pelos preços
dos alimentos. Foram quatro aumentos seguidos, que fizeram a Selic chegar
a 13,75% ao ano em setembro.
Com a piora na crise, a
partir de setembro, o BC optou por manter a taxa inalterada nas duas últimas
reuniões de 2008, posição criticada até mesmo
pelo presidente Lula, que chegou a pedir ao presidente do BC, Henrique
Meirelles, que cortasse os juros.

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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Economia
Sindicatos realizarão protesto
contra nível da taxa Selic
Redação
Em reunião realizada às 15h30, as centrais sindicais anunciaram
que realizarão um protesto emfrente às seis maiores montadoras
de estado, assim como na sede do banco Central, em Curitiba. A ação
faz parte de uma campanha nacional para manutenção dos empregos,
demonstrando preocupação com as demissões que vem acontecendo
em grande empresas.
Um dos focos principais
da manifestação é chamar a atenção,
da taxa de juros praticada no País, considerada alta. No entendimento
das entidades, a redução da taxa é importante
para aumentar o crédito e assim, promover o consumo e assim,
aquecer a economia. O protesto está marcada para ás 10h.
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Reuters, 21 de janeiro de
2009
CUT: passeata contra demissões
reúne milhares de metalúrgicos no ABC
Uma manifestação realizada, nesta terça-feira (20), reuniu
cerca de 15 mil trabalhadores do ABC paulista em protesto contra demissões
e propostas de redução de jornada e de salário decorrentes
da crise econômica mundial, segundo informou a CUT.
A passeata, realizada na Avenida
31 de Março em São Bernardo do Campo, na Grande São
Paulo, se seguiu a assembléias na porta das fábricas de
veículos Ford, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, além
de indústrias de autopeças. A mobilização
teve início às 6h e durou até 10h.
"A única maneira
de atravessarmos este momento difícil é lutar pela garantia
de empregos e salários. Por isso é preciso tomar as ruas,
literalmente, como estamos fazendo agora", disse Artur Henrique
da Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores, durante
o ato.
Anunciando novas mobilizações,
ele argumentou que nos últimos anos a indústria automobilística
trabalhou a todo vapor e bateu recordes de produção e que,
assim, teria condição de absorver a retração
atual nas vendas.
A passeata acontece um dia após
a reunião de centrais sindicais com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, no Palácio do Planalto, quando foram debatidas
saídas para manter o consumo - como corte nos juros e redução
no spread bancário - mas nenhuma medida foi anunciada.
Também na segunda-feira
(19), o Governo divulgou que foram fechados mais de 650 mil postos de
trabalho com carteira assinada em dezembro, número bem superior
aos 300 mil tradicionalmente perdidos no mês.
O sinal de alerta veio da General
Motors, que cortou 744 funcionários temporários no dia
12. Neste cenário, a Força Sindical iniciou negociações
com a Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) que preveem corte de jornada e de salários sem garantia
de emprego. Por pressão de outras centrais, a Força suspendeu
as conversas.
Contrária às propostas,
a CUT não participa das reuniões.
Nesta quarta-feira (21), o presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, leva
ao presidente Lula em Brasília uma proposta para os trabalhadores
do setor com a fixação de metas de produção
e de emprego, precedidas de debates setoriais entres trabalhadores, empresários
e governos.
O prefeito de São
Bernando do Campo, Luiz Marinho (PT), ex-presidente da CUT, não
compareceu à manifestação. A presença chegou
a ser anunciada por sindicalistas, mas, segundo sua assessoria, ele
cumpriu atividade na prefeitura.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Economia
Orçamento do BNDES deve ganhar
reforço de R$ 100 bilhões
Agência Estado
O governo está montando uma engenharia financeira para reforçar
em até R$ 100 bilhões o orçamento do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico (BNDES) para 2009 e 2010. A estratégia é tornar
o banco o braço financeiro dos investimentos no momento de retração
de crédito e de elevado custo financeiro para as empresas. Os recursos
vão se somar aos já assegurados pelo BNDES para este ano e permitirão,
inclusive, maior participação do banco nos investimentos da Petrobras.
O "choque" de investimento,
como está sendo chamado pelo Palácio do Planalto, é o
principal "ingrediente" do novo pacote de medidas que o governo
vai lançar até o final do mês para enfrentar a onda
de demissões que já afeta a economia brasileira, devido à crise
financeira internacional. "O BNDES terá o dinheiro necessário
para bancar os investimentos e manter a atividade econômica",
disse uma fonte. O detalhamento da proposta resultará na edição
de uma medida provisória. Essa MP autorizará a emissão
de títulos que vão reforçar o caixa do banco.
Segundo fontes do governo ouvidas
pela Agência Estado, na prática, esses títulos vão
dar respaldo à utilização do superávit financeiro
das contas do governo federal no ano passado, que ficou elevado, e ao
aporte ao BNDES. O repasse dos recursos do superávit financeiro
poderá ser feito em cota única, mas os títulos serão
emitidos de forma gradativa, dependendo da necessidade do banco.
O superávit financeiro é resultado
de despesas previstas no Orçamento que não foram gastas
e de receitas maiores (excesso de arrecadação) que não
tinham gastos correspondentes previstos. Esse superávit só poder
ser usado para abatimento de dívida pública. Com a MP
que o governo pretende editar será aberta uma exceção.
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Folha de S.Paulo, 21 de janeiro
de 2009
Madeira ilegal dribla "fiscal" eletrônico
Falta de integração entre sistemas
de rastreamento do Ibama e de Estados permite "esquentamento" do
produto na origem | Ibama não tem acesso a dados sobre estoque
de empresas dos principais Estados madeireiros, o que dificulta a fiscalização
AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL
O uso de um sistema eletrônico
para fazer a gestão florestal no Brasil foi oficializado em agosto
de 2006, mas em dois anos teve pouca eficácia no combate ao comércio
ilegal de madeira da Amazônia. Até hoje não foi feita
a integração completa dos dados florestais entre os Estados
brasileiros, o que aumenta a chance de fraudes e dificulta a fiscalização.
Apenas Minas Gerais ainda não instituiu um sistema eletrônico.
Nos demais Estados brasileiros, já houve a substituição
da ATPF (Autorização de Transporte de Produtos Florestais) -que
era em papel e mais fácil de falsificar.
Hoje, a maioria dos Estados usa o sistema eletrônico DOF (Documento de
Origem Florestal), mas quatro Estados da Amazônia -Pará, Mato
Grosso, Rondônia e Maranhão- adotaram um tipo diferente de rastreamento
online, o Sisflora. Os sistemas ainda não compartilham todas as informações,
e um Estado tem dificuldade para obter dados de outro.
Uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente)
obrigava que a integração fosse concluída até abril
de 2007. No entanto, a determinação não foi cumprida.
" São praticamente dois anos de briga, de batalha tentando fazer
cumprir a resolução", diz José Humberto Chaves, diretor
substituto de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama (Instituto
Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
De acordo com ele, hoje as guias interestaduais estão interligadas ao
DOF. Isso significa que uma madeira que sai de Mato Grosso para São
Paulo aparece no sistema. Porém, o mesmo não ocorre com as guias
que circulam internamente nesses quatro Estados.
" Também não temos acesso aos saldos de produtos das empresas
que operam nos quatro Estados, mostrando o que elas têm de estoque. Isso
complica a fiscalização", diz Chaves.
Questionado sobre o que o Ibama tem feito para reverter a situação,
Chaves afirmou que "a União não pode obrigar que todos usem
o DOF", pois a gestão florestal é responsabilidade dos governos
estaduais.
Então, a única saída é cumprir a resolução.
Segundo ele, o Ibama tem informado o Ministério Público Federal
das dificuldades de integrar os sistemas, "justamente para ter apoio para
forçar e acelerar o processo de integração."
"Esquentamento"
ONGs como o Greenpeace e autoridades dizem que as falhas do sistema ajudam
quadrilhas a fazer o "esquentamento" -eliminação das
evidências de extração ilegal da mercadoria.
Essa é a opinião do secretário estadual de Meio Ambiente
de SP, Xico Graziano. "Das duas uma: ou não há tanta madeira
ilegal assim ou ela é esquentada antes de entrar em São Paulo."
Para tentar melhorar a fiscalização, o secretário quer
fazer parcerias com os Estados da Amazônia Legal, e ter acesso irrestrito
aos seus dados.
A madeira pode ser "esquentada" da seguinte maneira: para cada m3
de toras que entram numa serraria, saem 40% a 50% de madeira serrada. Mas,
se o Estado adota um coeficiente de rendimento superior a essa média,
a indústria tem como incluir madeira cortada sem autorização
nesse bolo.
O sistema DOF adota 50% de aproveitamento hoje. "O Pará, por exemplo,
adota cerca de 60% de rendimento", disse Chaves. E a proposta do Ibama é reduzir
para algo entre 40% e 45%, "justamente para melhorar esse controle".
Uma resolução sobre a questão está em andamento
no Conama.
A reportagem questionou governos dos Estados de Pará, Mato Grosso, Maranhão
e Rondônia para saber o que têm feito para concluir a integração
e evitar as fraudes. Só um deles encaminhou resposta.
Em Rondônia, uma mensagem da assessoria de imprensa da Secretaria Estadual
do Desenvolvimento Ambiental diz que "a disponibilização
dos dados das guias florestais já é realidade" e que "foram
liberadas seis senhas para o Ibama, sem nenhuma restrição".
Mas o Estado reconhece ter lacunas. "O sistema já está integrado,
o que pode estar acontecendo é as empresas de pequeno consumo não
estarem registradas no Cadastro Técnico Federal, tornando impossível
o sistema ler a operação."
E, para evitar o esquentamento de madeira, Rondônia está reduzindo
o índice de rendimento de tora para madeira serrada de 60% para 40%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Política
Senadores se licenciaram sete vezes
mais em 2008
Congresso em Foco
Preocupados com o maior controle das atividades parlamentares e com os descontos
na folha de pagamento, os senadores estão justificando mais as suas
ausências. Levantamento exclusivo realizado pelo Congresso em Foco
revela que aumentou mais de sete vezes, de 2007 para 2008, o número
de senadores licenciados em sessões deliberativas.
Se em 2007 - ano em que o site
realizou o primeiro levantamento sobre assiduidade parlamentar - , os
senadores apresentaram apenas 193 justificativas para faltas em sessões
deliberativas, no ano passado esse número pulou para 1.442. Dessas,
menos de 10% são licenças por motivo de saúde.
Nesse mesmo período, o
número de ausências injustificadas caiu na mesma proporção.
De acordo com o levantamento do site - cujo ranking dos parlamentares
mais ausentes será publicado amanhã (21) -, no ano passado,
os senadores somaram 340 faltas injustificadas, número consideravelmente
menor que o registrado em 2007, cujo total de ausências dessa natureza
chegou a 1.545.
Entre os senadores que mais estiveram
licenciados em dias de sessões deliberativas no ano passado -
desconsiderando-se aqueles que estiveram ausentes por problemas de saúde
ou suplência -, Marcelo Crivella (PRB-RJ), Magno Malta (PR-ES),
Fátima Cleide (PT-RO), Patrícia Saboya (PDT-CE) e Lobão
Filho (PMDB-MA) despontam entre os primeiros. As ausências deles
se justificam por missões políticas ou licença de
interesse particular.
Para o cientista político
Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB), esse aumento
no número de justificativas revela uma maior preocupação
do parlamentar com o bolso. De acordo com o Regimento Interno da Casa,
as faltas injustificadas são descontadas do salário, enquanto
as ausências justificadas por meio de licenças (com exceção
da licença para interesse particular) não são deduzidas
da remuneração.
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Gazeta do Povo, 21 de janeiro
de 2009
Eleição 2010
Analista diz que Serra pode ter “empurrado” Aécio
para fora do PSDB
A decisão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB),
de nomear o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) para a Secretaria
de Desenvolvimento foi “uma jogada estratégica das mais inteligentes” e
deixa o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), sem aliados
em São Paulo para seu projeto de concorrer à Presidência
da República em 2010. A opinião é do cientista político
e integrante do Movimento Voto Consciente Humberto Dantas. Na sua avaliação,
o anúncio pode precipitar a saída de Aécio do PSDB.
“Talvez ele tenha empurrado
o Aécio para fora do partido, talvez tenha ganho força
a tese de que efetivamente o Aécio possa ir para o PMDB”,
avaliou Dantas, ressaltando, entretanto, que é muito pouco provável
que isso aconteça no curto prazo.
Para o especialista, a adesão
de Alckmin ao governo paulista foi um “tiro de canhão” em
Aécio, pois, ao nomear o ex-governador, Serra trouxe para si um
dos principais aliados partidários de Aécio em São
Paulo. Além disso, Serra aumenta seu grau de controle sobre a
disputa para o governo de São Paulo, ampliando ainda mais sua
influência na legenda.
Dantas diz acreditar que a nomeação
de Alckmin foi “a melhor das respostas” ao anúncio
de Aécio de que iria viajar pelo país para discutir o cenário “pós-Lula” no
Brasil. “Não adianta sair visitando o país em 2009.
A resposta do Serra é uma resposta política a um ato mais
demagógico”, apontou.
Um dia após o anúncio
de Serra, Aécio procurou minimizar seu prejuízo político.
Segundo o mineiro, a escolha de Alckmin não deixa de ser uma homenagem
a ele próprio, Aécio, na medida em que o ex-governador
de São Paulo é seu amigo. “Me sinto também
homenageado por essa indicação”, declarou.
O governador de Minas contou
que Alckmin lhe telefonou ontem pela manhã, para explicar as “circunstâncias” em
que ocorreu o convite de Serra e a importância da união
do partido.
O bom relacionamento com Geraldo
Alckmin era um dos trunfos com o qual Aécio Neves contava para
tentar conquistar aliados paulistas na disputa interna que definirá o
candidato dos tucanos à Presidência da República.
Questionado sobre o fortalecimento
de Serra como possível candidato do PSDB à sucessão
de Lula, Aécio tentou demonstrar despreocupação. “Se
o Serra ganha, ganham todos”, afirmou. Mais uma vez, o tucano defendeu
a utilização das prévias pelo partido.
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Congresso em Foco, 21 de
janeiro de 2009
Obama: "O mundo mudou, precisamos
mudar com ele"

Em frente a 2 milhões de pessoas, o democrata Barack Hussein Obama,
47 anos, tomou posse como o 44º presidente dos Estados Unidos da América.
Após fazer o juramento de 35 palavras sobre a mesma Bíblia usada
por Abraham Lincoln, que comandou a nação de 1861 a 1865, o novo
presidente, em discurso de 20 minutos, ressaltou a necessidade de os EUA mudarem
sua relação com outros países e nações.
"Viemos proclamar o fim
das discussões mesquinhas e falsas promessas que impediram de
funcionarmos melhor. Chegou a hora de deixarmos de lado diferenças
infantis", afirmou Obama. Segundo o democrata, os norte-americanos
não podem ficar indiferentes com os "sofrimentos além
fronteira". "O mundo mudou, precisamos mudar com ele."
Ele disse também que é preciso
estender a mão às nações mais pobres e ajudar
quem estiver disposto a ser ajudado. "Faremos isso para que as plantações
floresçam, os rios tenham águas limpas", discursou.
Obama disse que o mundo exige uma nova era de responsabilidade dos EUA,
e que o país tem obrigações "a nós mesmos
e ao mundo".
Crise
No começo de seu discurso,
Obama disse que aceitava a tarefa de conduzir os Estados Unidos durante
a maior crise econômica dos últimos anos com humildade.
Ele agradeceu ao ex-presidente George W. Bush pelo serviço prestado à nação, "bem
como à generosidade e à cooperação dada durante
a transição".
Mas o novo presidente não
deixou de fazer críticas à administração
passada por deixar os EUA entrarem na crise, que depois se alastrou pelo
mundo inteiro. "Estamos no meio de uma crise que é conseqüência
da ganância e do fracasso de alguns. Mas nós escolhemos
mal alguns caminhos", disse Obama.
Ele comentou que a atual situação
econômica pode crescer se os norte-americanos não "ficarem
de olho". "O sucesso da nossa economia é o alcance que
ela tem", opinou. "Hoje eu digo a vocês que os desafios
são reais. Eles não serão enfrentados em pouco tempo,
mas serão enfrentados."
O democrata deu pistas de como
ele e sua equipe pretendem enfrentar a crise. Obama disse que a ação
do novo governo não será concentrada apenas em criar novos
empregos. A idéia, de acordo com o presidente dos EUA, é gerar
uma "nova fundação para o crescimento". "Vamos
construir pontes, estradas. Vamos investir na ciência, trazer as
maravilhas da tecnlogia para perto. Vamos usar o vento e o sol para abastecer
nossos carros. Queremos atender as demandas de uma nova era", discursou.
Emoção
Ao entrar no púpito do
Capitólio, em Washington, Obama foi saudado pela multidão
de 2 milhões de pessoas com muita festa. O público presente
superou o recorde anterior, do democrata Lyndon Johnson, em 1965. Durante
seu discurso, citou várias vezes os fundadores do país
e o fato de terem escrito a constituição norte-americana
em um "pedaço de papel".
"Nossos pais fundadores
passaram por perigos que nem podemos imaginar. Em um inverno rigoroso,
com a neve suja de sangue, eles escreveram nossa declaração
de independência", disse. "Estamos prontos para liderar
mais uma vez. Vamos trabalhar incessamente contra as ameaças
globais. Mas não vamos nos desculpar pelo nosso estilo de vida,
nosso espírito é mais forte, não pode ser quebrado",
adiantou. (Mário Coelho)
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FOLHA DE LONDRINA, 21 de
janeiro de 2009 | Opinião
A afronta de organizações
lucrativas demitirem
Lei nacional de protecionismo deveria ser
criada como forma de impedir que multinacionais e bancos demitam
sem uma razão
Pela convenção da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) as empresas e instituições lucrativas são
proibidas de despedir empregados, a não ser por razão justificada.
Mas não aleatoriamente, como agora ocorre no Brasil, onde organizações
sólidas estão despedindo. A multinacional General Motors acaba
de mandar embora 744 operários, com a previsão sinistra de que
no embalo da crise o número suba para três milhões só na
Grande São Paulo. O presidente Lula foi informado que já há 650
mil novos desempregados desde setembro.
Os bancos estrangeiros Santander
e HSBC demitiram 400 empregados. Bancos auferem lucros fantásticos
e tomam medida drástica como esta, sem nenhum motivo, mas aproveitam
a onda alarmista que está no ar e assim imaginam justificar à opinião
pública uma tal atitude. A indústria automobilística
acaba de receber substancial socorro do Governo para incentivo às
vendas, para dessa forma não faltar capital de giro, mas a mesma
postura não existe com relação à segurança
de centenas de trabalhadores e suas famílias.
Quando empresas estrangeiras
se instalam no Brasil são cercadas de muitas concessões,
mas não proporcionam sua cota correspondente em momentos críticos
do País. Leis de protecionismo deveriam ser criadas para não
facilitar tanto as coisas para os de fora que aqui chegam, porque se
também trazem benefícios, igualmente ganham. E não
titubeiam em dar socorro às matrizes – como agora acontece – ante
necessidades de capital. Ao invés de o dinheiro ficar no Brasil, é remetido
para fora nessas horas, se já não bastasse a regular remessa
de lucros. Não se pode chegar ao ponto do nacionalismo exacerbado
mas deveria haver no mínimo um critério de contenção.
A compra do Banco Real pelo espanhol Santander só trouxe vantagem
para ambos, mas os bancários demitidos amargam dura situação,
com agravos também na estabilidade familiar neste Brasil de escassas
vagas de trabalho. Nem o bom senso prevalece e nem a convenção
da OIT, e no caso das multinacionais nem o respeito ao povo que as acatam.
Ao invés de um esforço
conjunto para amenizar essa corrente nefasta de insegurança, as
instituições lucrativas que demitem – e outras de
relativa solidez – mais a agravam. O presidente Luiz Inácio
afirma que ‘‘o Governo tomará todas as medidas necessárias
para garantir o emprego’’, mas não intervem para impedir
demissões, e assim possibilita que a onda se propague ainda mais,
porque não há nenhum freio oficial.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Economia
Vale dará férias a mais
trabalhadores, diz sindicato
Agência Estado
Os Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria de Extração
de Ferro e Metais Básicos (Metabase) de Mariana e de Congonhas, na região
central do Estado de Minas Gerais, informaram hoje que a Vale irá conceder
férias coletivas para os trabalhadores da mina de Fábrica, em
Congonhas, a partir do dia 16 de fevereiro pelo período de um mês.
Nesta mina, conforme o sindicato,
atuam 1,7 mil empregados. Uma parte destes funcionários, segundo
o Metabase, deverá ser remanejada para as minas de Vargem e
do Pico, mas não há confirmação do número
de empregados que terão descanso remunerado. A Vale informou,
por meio da assessoria de comunicação, que não
confirma a concessão de férias coletivas por mina.
Em Mariana, conforme o Metabase,
as férias deverão envolver outros 265 funcionários
da mina de Fazendão, a partir de 21 de fevereiro, com volta
prevista para março. O sindicato informou ainda que mais 125
trabalhadores da mina do Andrade, arrendada pela Vale e localizada
a 80 quilômetros de Itabira, também entraram em férias
ontem.
Desde dezembro do ano passado,
em função da retração da demanda por minério
e produtos siderúrgicos, a companhia concedeu férias
coletivas a 5 mil trabalhadores em todo o mundo, sendo que 80% deste
contingente está em Minas Gerais.
Ontem, de acordo com dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério
do Trabalho, relativo aos dados de dezembro, Minas Gerais foi o segundo
Estado com maior número de demissões, atrás apenas
de São Paulo, e atingiu um total de 88 mil trabalhadores. A
região metropolitana de Belo Horizonte, concentrou a maior parte
dos demitidos, com aproximadamente 25% do total, ou 21 mil trabalhadores.
Por conta das demissões
que vêm sendo realizadas em diversas regiões do Estado,
os trabalhadores vinculados ao Metabase Inconfidentes, que atua nas
regiões de Congonhas e Ouro Preto pretendem realizar uma manifestação
em Congonhas amanhã, às 16 horas, reunindo trabalhadores
de outros municípios da região como Ouro Branco, Conselheiro
Lafaiete, São Brás do Suaçuí, Entre Rios
de Minas, além de delegações de Ouro Branco e
Ouro Preto.
Desde o ano passado,
o Metabase Inconfidentes registrou a homologação de
mais de 900 demissões entre trabalhadores da área de
mineração na região. Entre estes estão
150 funcionários das minas da Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN), Vale e Gerdau-Açominas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de janeiro de 2009 | Economia
Sadia demitirá 350 pessoas em
cargos administrativos
Redação com Agência
Estado
A assessoria de imprensa da Sadia informou que a companhia vai demitir 350
funcionários que ocupam cargos administrativos em diversos Estados.
O principal setor administrativo fica em Curitiba, de onde, segundo a assessoria
de imprensa da empresa, 20 funcionários devem ser demitidos.
As demissões vão
proporcionar uma economia de R$ 44 milhões por ano. A Sadia informa
que a decisão foi tomada com o objetivo de readequar custos e
dar mais agilidade aos processos da companhia.
Em nota à imprensa a
empresa se pronunciou a respeito do seu posicionamento. "Diante
da nova realidade mundial, a iniciativa visa readequar custos, dar mais
agilidade e velocidade na tomada de decisão, tornando a Sadia
mais bem preparada e mais competitiva para enfrentar os atuais desafios
do mercado."
A medida não terá impacto
no volume de produção, já que os cortes não
atingirão os trabalhadores do "chão de fábrica".
A empresa tem aproximadamente 63 mil funcionários, no quadro
total. No último trimestre de 2008, a companhia apresentou perdas
recordes de R$ 760 milhões.
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UOL ECONOMIA, 21 de janeiro
de 2009
Gigante da mineração
da Austrália demitirá 6 mil por crise
Sydney (Austrália), 21
jan (EFE).-A mineira anglo-australiana BHP Billiton anunciou hoje que
cortará seis mil empregos no mundo todo, o que representa 6% de
seu corpo de funcionários, devido à crise financeira.
Aproximadamente 2.550 trabalhadores
da divisão de metal da BHP perderão seus postos de trabalho
no Chile e em Pinto Valley nos Estados Unidos, enquanto 3.400 dos despedidos
serão da Austrália, onde a empresa fechará também
uma instalação especializada em níquel.
"São decisões
muito graves e não as tomamos superficialmente" advertiu
o diretor financeiro da BHP, Alex Vanselow.
O corte de postos de trabalho
custará à empresa US$ 500 milhões.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/01/2009
TST não analisa recurso assinado
por eletricista
A Sessão Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
nem chegou a analisar o recurso ordinário assinado por um eletricista.
Os ministros entenderam que o empregado não tinha capacidade para
apresentar ações desse tipo, pois não era advogado
habilitado para exercer a profissão.
Depois de esperar mais de 12
anos pelo julgamento de ações trabalhistas em que ele e
a empresa Celulose Nipo Brasileira S.A. (Cenibra) são partes na
Vara de Coronel Fabriciano, o eletricista entrou com mandado de segurança
no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), assinado
por ele próprio, no qual requeria que a Corregedoria Regional
analisasse os pedidos de correição feitos por ele sobre
a demora no exame dos referidos processos. O eletricista também
pediu que os juízes responsáveis pela Vara fossem obrigados
a julgar o mérito das suas ações.
Para o relator da matéria
no TRT/MG, o empregado não apontou a qual reclamação
correicional se referia o mandado nem juntou documentos indispensáveis à ação.
Assim, o juiz entendeu que não havia condições para
prosseguir com o julgamento do caso e decidiu arquivá-lo. O eletricista
recorreu mais uma vez com agravo regimental, mas sem sucesso. Tanto o
Ministério Público do Trabalho, em seu parecer, quanto
os juízes que analisaram o recurso concluíram que o empregado
não tinha capacidade para apresentar ações que exigem
tramitação especial, como é o caso do mandado de
segurança, porque não era advogado habilitado.
No recurso ordinário apresentado
ao TST, o eletricista perdeu a paciência. Alegou que os juízes
do Regional eram suspeitos para analisar a matéria e pediu a transferência
de todos os processos relacionados a ele para outro tribunal – de
Santa Catarina ou do Rio Grande do Sul. Também acusou o senador
José Sarney (PMDB-MA) de revanchismo e ser o responsável
pelo descaso com que vem sendo tratado pela justiça, pois teria
proposto o impeachment do político no Congresso Nacional.
O relator do recurso, ministro
Ives Gandra Martins Filho, lamentou o conteúdo do recurso do empregado.
Para o ministro, de fato, o eletricista não tinha capacidade postulatória
e, assim, o recurso nem podia ser analisado. A decisão foi acompanhada
pelos demais ministros da SDI-2. ( ROAG – 1.144/2007-000-03-00.1)
(Lilian Fonseca)
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