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Vermelho, 23 de janeiro de 2009
Marcio Pochmann: Enfrentando a crise
como oportunidade
No balanço preliminar que já se
pode fazer a respeito do conjunto de políticas econômicas
adotadas para enfrentar a crise atual, destaca-se a existência
tanto de confluência de ações como distinção
de objetivos entre países. De maneira geral, percebe-se
a inegável convergência no padrão de políticas
públicas adotadas, quase todo elo comprometido com a defesa
e sustentação da produção, ocupação
e renda.
Por Marcio Pochmann*
Isso se tem traduzido no uso de medidas anticíclicas que se caracterizam
pelo afrouxamento de políticas fiscais e monetárias, pelo socorro
a empresas e bancos em dificuldades, pela ampliação do gasto
público e pela regulação das forças de mercado.
Na falta de melhor definição, poder-se-ia associar à tática
da reprodução de medidas consagradas pelo velho keynesianismo
bastardo, muito distinto da trajetória das duas últimas décadas
de tratamento das crises pela via recessiva e de reformas liberalizantes.
Por outro lado, nota-se também como uma minoria de nações
consegue conceber estratégias mais amplas a partir das opções
de políticas de combate à crise. Muitas vezes são medidas
que buscam ir além do papel meramente anticíclico de políticas
keynesianas, embutindo visão de longo prazo a respeito de como o país
deseja se colocar no cenário do após-crise mundial. Noutras palavras,
o desafio de enfrentar a crise se transforma numa oportunidade de renovação
e revigoramento de instituições, bem como na possibilidade de
avançar a reestruturação do setor produtivo e o padrão
de financiamento. Da mesma forma com que as decisões governamentais
rompem com as amarras do neoliberalismo, coloca-se no seu lugar um novo projeto
de nação que implica, inclusive, a reinserção econômica
global. Esse parece ser o caso de países como Rússia, China e Índia,
apenas para citar alguns. Por meio do acompanhamento sistemático das
ações formuladas e implementadas observam-se elementos de uma
perspectiva mais ampla do que a postura anticíclica de políticas
econômicas e sociais.
Para ir além, não se trata de somente evitar o pior, mas de transformar
a crise no amálgama das transformações mais profundas
que provocam a antecipação do novo a partir da fragmentação
do velho. Destaca-se nesse sentido que, frente ao surgimento do cenário
internacional cada vez mais multipolar que resulta da fase de decadência
dos Estados Unidos, alguns países adotam medidas que apontam para o
seu reposicionamento na geopolítica da produção, competitividade
e produtividade global. Entre as medidas nacionais encontram-se aquelas de
suporte e reforço à infra-estrutura interna que se alia à complementaridade
da estrutura produtiva e ao maior fortalecimento do mercado interno. Da mesma
forma, merecem atenções as ações que se direcionam
ao reposicionamento nacional e regional no espaço global, como as decisões
governamentais de apoio às forças militares, acordos supranacionais
regionais para a defesa do comércio externo e a atração
de maior quantidade de investimentos associados.
No caso da América Latina, ganha relevância a posição
do Brasil, detentor da maior população e vigor econômico.
Percebe-se que o país, assim como a região como um todo, vinha
registrando mais recentemente melhora econômica e social significativa à medida
que se afastava do receituário neoliberal. Não somente a estrutura
produtiva era recuperada, como os indicadores sociais melhoravam positivamente.
Tudo isso após ter passado por cerca de um quarto de século de
nítidos retrocessos, que fizeram encolher o peso relativo da América
Latina (e do Brasil) no mundo da produção, do emprego e da renda. É dentro
desse contexto que a crise econômica internacional está sendo
enfrentada. Para a maioria dos países latino-americanos, as políticas
adotadas não se voltam para a saída externa, como no passado
recente, de opção governamental pela redução do
papel do Estado, de elevação dos juros e demais medidas recessivas
e anti-sociais.
De maneira geral, as políticas econômicas e sociais anticíclicas
buscam evitar o pior, podendo se mostrar, todavia, insuficientes para o atendimento
do desafio de evitar a inflexão do ciclo de melhoras que a região
colhia até 2008. O curso do soerguimento das economias latino-americanas
fortemente abaladas pelas políticas ortodoxas das últimas duas
décadas conecta-se com a conformação de uma estrutura
econômica e social pós-neoliberal. Mas isso se encontra ainda
em fase inicial, cuja interrupção pela crise atual poderá terminar
recolocando novamente o cenário de aprofundamento da realidade brutal
de desigualdade na geração de oportunidades econômicas
e sociais ao conjunto das populações. Merece atenção,
portanto, uma maior reflexão sobre os principais pontos de contágio
da região com a crise internacional originada nos países desenvolvidos.
Inicialmente, destaca-se a dependência da região para com o crédito
externo, que coloca ênfase no avanço mais rápido na consolidação
do Banco Sul, capaz de contribuir na formulação de um novo padrão
de financiamento para a infra-estrutura, produção e consumo regional.
Imediatamente, ressalta-se a dependência da região no comércio
externo. O estreitamento do Mercosul com a Unasul pode permitir o reforço
de acordos supranacionais que agilizem a integração produtiva
e comercial entre os países, esvaziando a subordinação
das trocas para com os países desenvolvidos atualmente em recessão.
Por fim, constata-se também a dependência da estrutura produtiva
da região às grandes corporações transnacionais.
Nesta fase de crise elas terminam retransmitindo por meio das redes globais
de produção viabilizadas pelas filiais instaladas na região
os impactos negativos gerados pelas decisões nas matrizes. A opção
pela adoção de políticas de apoio comercial, financeiro
e produtivo supranacionais permitiria gerar confiança empresarial para
fazer avançar o investimento na região. Ou seja, a defesa comercial
e a sustentação da produção e do emprego pelo conjunto
dos países da região permitiriam emergir uma estratégia
de nova institucionalidade supranacional, contemporânea com as oportunidades
da economia pós-industrial. Ela já se impõe por meio da
renovação das elites, bem como pela reestruturação
da sociedade em novas bases e à mercê da conformação
de inovadora maioria política.
Estão os governos da região conscientes da oportunidade histórica
de renovação latino-americana? Eis uma excelente questão
a ser acompanhada pelos seus desdobramentos nos próximos meses. Tais
como na década de 1930, quando a região aceitou o desafio de
mudar o velho modelo primário-exportador pelo padrão de desenvolvimento
urbano-industrial, os países da região podem agora consagrar
um grande acordo que permita manter os bons resultados econômicos e sociais
obtidos até o momento, a partir do abandono do neoliberalismo. Muito
há ainda de ser fazer, desde que o aprofundamento da crise não
venha a representar a defesa dos interesses historicamente dominantes na região.
* Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e professor licenciado do Instituto de Economia e pesquisador
do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual
de Campinas.
Artigo publicado originalmente no Valor Econômico (22/01)
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Gazeta do Povo, 23 de janeiro
de 2009
Trabalho
IBGE aponta o menor desemprego em
6 anos
Contrariando números do Ministério
do Trabalho, taxa apurada pelo órgão caiu para 6,8% em
dezembro, e ficou em 7,9% no ano passado
Sem refletir o impacto da crise,
a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas
do país ficou em 6,8% em dezembro de 2008, a menor marca desde
o início da série histórica da Pesquisa Mensal de
Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
em 2002. Em novembro, a taxa havia sido maior: 7,6%. Em dezembro de 2007,
ficara em 7,4%. O ano de 2008 fechou com taxa média de desemprego
de 7,9%, também a mais baixa da série. Em 2007, fora de
9,3%.
Talvez o único sinal da
crise tenha vindo do setor industrial, em que o emprego recuou 2,4% de
novembro para dezembro. No comércio e nos serviços prestados às
empresas, por sua vez, houve expansão: 2,7% e 2,2%, respectivamente.
Esse dado, porém, não
reflete a dimensão das perdas do emprego formal – com destaque
para o industrial – apontadas pelo Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que teve o
pior desempenho em dez anos. Foram fechadas em todo o país 654.946
vagas com carteira assinada em 2008 – 273.240 somente na indústria
de transformação.
Segundo Fábio Romão,
especialista da LCA, além da diferença metodológica
(o Caged registra só o emprego formal), o IBGE mostra menos o
impacto da crise por pesquisar apenas as metrópoles, onde o peso
do comércio e dos serviços é maior. Esses dois ramos,
diz Romão, são menos afetados pela crise. “Esse é um
fator que deve dar sustentação ao emprego metropolitano
neste ano.”
Menos procura
“Dezembro é um mês
no qual a taxa desocupação é sempre mais baixa por
componentes sazonais. Não houve uma entrada expressiva de trabalhadores.
O que fez a taxa cair foi o fato de que dezembro tem menos dias de procura
por trabalho. Ninguém procura emprego na última semana
do mês”, justificou Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa
do IBGE.
Um retrato da menor procura é a
queda de 11% do contingente de desocupados em dezembro – um recuo
de 199 mil pessoas em termos absolutos na comparação com
novembro. Por seu turno, a ocupação ficou praticamente
estável, com acréscimo de apenas 0,2% (ou 55 mil pessoas).
“Não houve um crescimento
expressivo do emprego como em outros períodos. O comércio
segurou um pouco, mas outros segmentos dispensam, como a indústria.”
Ao analisar a taxa de desemprego
com ajuste sazonal, Thaís Zara, da Rosenberg & Associados,
avalia que desde setembro o mercado de trabalho piora. A taxa é apurada
pela consultoria, e passou de 7,9% em novembro para 8% em dezembro. “Com
a parada brusca do nível de atividade, o mercado de trabalho
respondeu com uma defasagem menor à crise. E haverá uma
piora ainda mais intensa em janeiro.”
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de janeiro de 2009 | Economia
Renda cresce, mas mulher e negro ganham
menos
Agência Estado
O mercado de trabalho metropolitano registrou aumento na ocupação
e no rendimento e queda na taxa de desemprego desde o início do governo
Lula, mas as mulheres e os negros ainda ganham menos, segundo estudo divulgado
nesta quinta-feira (22) pelo IBGE. O levantamento mostra a evolução
desde 2003, quando a taxa média anual de desemprego chegou a 12,3%,
até o ano passado, que apresentou taxa de 7,9%.
A taxa média de desemprego
de 2002, ano em que teve início a nova série da Pesquisa
Mensal de Emprego do IBGE, não é utilizada como comparação
porque os dados daquele ano só levam em conta o período
de março a dezembro. Na média dos meses de março
a dezembro, a taxa de 2002 foi de 11,7%.
O estudo mostra também
que o número de desocupados caiu 29,4% em seis anos, passando
de 2,6 milhões de desempregados nas seis regiões na média
de 2003 para 1,9 milhão, em média, no ano passado. No que
diz respeito ao número de empregos gerados, houve um aumento de
3 milhões de vagas, passando de 18,7 milhões de ocupados
em 2003 para 21,7 milhões na média do ano passado.
No que diz respeito ao rendimento
médio real dos trabalhadores, houve aumento de 11,3% de 2003 a
2008, mas não foi o suficiente para recuperar as perdas dos dois
primeiros anos do governo Lula. Em 2003, a renda média foi de
R$ 1.132,13, chegando a R$ 1.260,74 na média do ano passado. Porém,
em 2002, levando-se em conta os dados disponíveis de março
a dezembro, a renda média chegava a R$ 1.284,50.
Apesar dos avanços ocorridos
nos últimos seis anos, em 2008 as mulheres ainda ganhavam apenas
70% dos salários dos homens nas seis regiões, enquanto
o rendimento dos negros e pardos ainda era metade do dos brancos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de janeiro de 2009 | Economia
Crédito público estará condicionado
a emprego
Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta quinta-feira (22) que,
a partir de agora, a oferta de crédito público para as empresas
estará condicionada à manutenção do emprego. Segundo
o ministro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
já exige na assinatura do contrato de financiamento que as empresas
informem o volume de empregos que aquele investimento vai gerar.
Ele não explicou detalhadamente
como será implementada essa regra. Disse apenas que o banco público
que repassar os recursos terá que fazer a fiscalização.
Questionado como seria a punição da empresa, o ministro
respondeu apenas que não acredita na hipótese de um investimento
não gerar empregos na empresa tomadora do crédito e também
disse que não há riscos do desvio do dinheiro para outras
finalidades, como capital de giro.
Com a experiência de ex-presidente
do BNDES, Mantega contou que o banco, ao emprestar recursos para o investimento,
cobra da companhia a comprovação da compra do bem, como,
por exemplo, um alto-forno. Ele reconheceu, no entanto, que o governo
não tem como impedir que as empresas que não acessam crédito
público demitam. Mantega disse não acreditar também
que as empresas que tomaram crédito no BNDES para investimentos
estejam demitindo.
PIB
Mantega avaliou que, com a nova
oferta de crédito ao BNDES, não haverá recessão
na economia brasileira em 2009 e que o País manterá taxas
de crescimento positivas. Segundo Mantega, o governo tem instrumentos
para garantir a expansão da economia. Ele disse acreditar que
a economia brasileira "poderá ter desempenho bastante bom
em 2009, melhor do que a maioria dos países". O ministro
reafirmou a meta de crescimento de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB)
do Brasil este ano.
"É uma meta que implica
esforço do setor público e do setor privado. É preciso
que o setor privado vista esta camisa, que ele confie que o País
tem condições de manter esse crescimento, que as pessoas
continuem investindo, comprando, enfim, agindo naturalmente", afirmou. "Se
todos agirem assim, poderemos manter a taxa de crescimento em torno de
4%." Mantega destacou que as previsões dos analistas econômicos
são muito voláteis, especialmente em momentos de maior
instabilidade.
Mantega disse que a liberação
de R$ 100 bilhões ao BNDES vai garantir o financiamento dos projetos
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) realizados
por empresas privadas. Ele classificou a medida como de "grande
impacto e magnitude". "Eu repito: são R$ 100 bilhões
colocados à disposição", afirmou.
Mantega informou que a medida
provisória autorizando a liberação será publicada
nesta sexta-feira (23) no Diário Oficial da União. Segundo
ele, a engenharia financeira da operação levará em
conta a liberação de títulos para o BNDES e parte
do superávit financeiro das contas do governo federal. Ele disse
que o volume de cada parte (títulos ou superávit) ainda
não está definido.
Questionado se a equipe
econômica havia avaliado errado o impacto da crise sobre o País,
Mantega disse que a análise foi adequada ao comportamento da
economia e recomendou a leitura de suas declarações feitas
há três meses. À época, ele apontava a previsão
de desaceleração do ritmo do crescimento econômico
no último trimestre do ano passado e nos primeiros três
meses de 2009.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 23 de janeiro de 2009 | Economia
Despesa com seguro-desemprego cresceu
15% em 2008
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, informou nesta quinta-feira (22)
que as despesas com o seguro-desemprego em 2008 cresceram 15,6% em relação
ao ano anterior, somando R$ 14,7 bilhões. O Fundo de Amparo ao Trabalho
(FAT) é a fonte de recursos que financia o pagamento do seguro-desemprego.
Segundo Lupi, o saldo do FAT em 2008 ficou
positivo em R$ 13,589 bilhões, significando um aumento de
28,1% em relação ao saldo registrado em 2007, impulsionado
pelo crescimento das receitas do FAT (que vêm da arrecadação
do PIS/Pasep) de 20,4%, totalizando R$ 35 bilhões em relação
ao ano anterior.
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Agência Câmara,
23 de janeiro de 2009
Projeto cria financiamento habitacional
para família de baixa renda
Bernardo Hélio
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4328/08, do deputado Fernando Chucre
(PSDB-SP), que cria modalidade de financiamento para famílias de baixa
renda a ser utilizada nos contratos firmados com recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social (FNHIS).
Inserido no âmbito do Sistema
Nacional de Habitação de Interesse Social - SNHIS (Lei
11.124/05), o financiamento social proposto por Chucre prevê, entre
outras regras:
- taxa de juros de 6% ao ano;
- atualização monetária na mesma periodicidade e índice
aplicados às contas vinculadas do FGTS;
- quota de financiamento de até 100% do valor necessário à complementação
do pagamento do imóvel, limitado à capacidade de pagamento do
mutuário; e
- prazo de até 240 meses.
Os encargos mensais relativos às
operações de financiamento serão, obrigatoriamente,
consignados em folha de pagamento. As operações de financiamento
social poderão contar, ainda, com subsídios destinados
a complementar a capacidade de pagamento das famílias beneficiadas.
A proposta também permite a concessão de subsídios
complementares, por meio da doação total ou parcial do
valor do terreno, da infraestrutura, do material de construção
ou de serviços ou recursos financeiros.
Déficit
habitacional
De acordo com Chucre, mais de 90% do déficit habitacional brasileiro,
estimado em quase sete milhões de unidades, atinge essencialmente famílias
com renda mensal de até cinco salários mínimos.
"Essa constatação
deixa claro que o sucesso de qualquer medida visando a enfrentar o déficit,
mais do que o simples aumento da produção de novas moradias,
exige que as unidades produzidas estejam compatíveis com o perfil
da demanda", defende ele.
Baixa
renda
O projeto determina que será considerada família de baixa renda
aquela assim qualificada pela Lei 11.124/05. Não há na lei que
criou o SNHIS, no entanto, um critério que defina baixa renda. O decreto
que regulamenta o sistema (5.796/06) atribui às instâncias deliberativas
dos recursos do sistema a definição da faixa de renda a ser atendida,
considerando, no mínimo, a renda familiar mensal bruta, além
de outros critérios que possam caracterizar as condições
socioeconômicas da população-alvo.
O limite de renda para o benefício
só é definido na Lei 11.888/08, que regula o acesso à assistência
técnica pública e gratuita para o projeto e a construção
de habitação de interesse social para sua própria
moradia. Nesse caso, o benefício é limitado às famílias
com renda mensal de até três salários mínimos.
Engenharia
financeira
O deputado paulista explica que sua proposta aproveita a engenharia financeira
constante do substitutivo originalmente proposto para o PL 7219/06, que pretende
criar um programa de financiamento habitacional específico para os profissionais
da área de segurança pública e foi rejeitado pela Comissão
de Desenvolvimento Urbano.
"A discussão da matéria
mostrou que a formulação de programas particulares, sem
vínculo com uma Política Nacional de Habitação,
acaba tendo efeitos deletérios, não contribuindo para efetivamente
melhorar o panorama da habitação popular no Brasil. Concluímos
que o melhor critério para a definição de programas
de concessão de financiamentos ou benefícios para a aquisição
da casa própria não é a categoria profissional,
mas a renda familiar", destaca Chucre, que foi relator do projeto.
Articulação
de esforços
Considerando que os recursos disponíveis para o setor habitacional são
bastante escassos, Chucre defende a articulação das três
esferas de governo - União, estados e municípios.
"A criação
do sistema e do fundo representa um grande avanço, porque, de
um lado, o SNHIS articula e coordena a ação de instituições
e órgãos que desempenham funções no setor
da habitação e, de outro, o FNHIS centraliza os recursos
destinados ao subsídio habitacional, facilitando a gestão
de tais recursos, cuja utilização pode tornar-se mais produtiva
dessa forma."
Para Chucre, a política
habitacional, para ser sustentável, deve reconhecer a existência
de três segmentos a serem atendidos: famílias sem capacidade
de pagamento; famílias com capacidade parcial de pagamento; e
famílias com plena capacidade de pagamento. O financiamento social
proposto volta-se para a segunda faixa mencionada.
Tramitação
A matéria, que tramita em caráter conclusivo, foi distribuída
para as comissões de Desenvolvimento Urbano; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
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PL-4328/2008
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Vermelho, 23 de janeiro de
2009
Incra acredita que demissões
vão aumentar demanda por terra
O presidente do Incra, Rolf Hackbart, acredita que o fechamento de postos de
trabalho nas cidades, em conseqüência da crise financeira internacional,
pode gerar um fluxo migratório rumo ao interior e exigir um esforço
ainda maior do governo para atender à demanda por terra.
“As pessoas vão
buscar alternativas. Isso vai engrossar o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra ou criar outro. A demanda por terra vai aumentar em
2009 e 2010”, avaliou Hackbart, em entrevista à Agência
Brasil, nesta quinta-feira (22).
Hackbart afirmou que o Incra
começa 2009 com “um orçamento bom” e adiantou
que o número de famílias assentadas em 2008 deve passar
de 70 mil, superando as previsões dos movimentos sociais que consideraram
o ano passado “o pior para a reforma agrária”. Para
ele, o MST, que completa 25 anos de existência este ano, “não
reconhece o que já fizemos”, apontou.
“Um erro”
Hackbart, que participa nesta
quarta-feira, de reunião com o Presidente Lula e representantes
dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, Meio Ambiente
e Agricultura para discutir a regularização fundiária
do país, em especial de uma área de 100 milhões
de hectares da Amazônia Legal, manifestou-se contrário a
proposta de criação de um órgão específico
para cuidar de todas as questões que envolvam terras na Amazônia
Ele disse que a sugestão
do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira
Unger, “é um erro” e defendeu o fortalecimento do órgão
para dar conta do caos fundiário da região.
“ Criar uma agência
agora é um erro. Nem a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)
permite, porque teria que criar cargos e outras medidas. Se a agência
for criada agora, só vai começar a funcionar, se tudo correr
bem, em 2010. E o tempo é contra nós”, disse.
Mercado de terras
Na avaliação de
Hackbart, a identificação e solução de problemas
fundiários na região é “um processo, não
um estoque” e por isso não podem ser conduzidas visando
apenas ao repasse das terras.
“A regularização
fundiária é fundamental, desde que vinculada à reforma
agrária e à proteção do meio ambiente. A
grande diferença entre o que Incra acredita e uma outra proposta é que
o Incra não quer só criar um mercado de terras.”
Como alternativa à criação
de uma agência executiva, Hackbart defende o fortalecimento do
instituto, inclusive com a criação de uma diretoria ou
de uma superintendência regional na Amazônia Legal para tratar
especificamente da regularização de terras. Segundo ele,
essa será a proposta que o Ministério do Desenvolvimento
Agrário vai levar à reunião com Lula.
De Brasília
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Folha de S.Paulo, 23 de janeiro
de 2009
Imposto de construtoras será reduzido
para até 1%
Pacote prevê tributação
menor para projeto imobiliário destinado à baixa renda
| Nas demais obras, imposto cai a 6%; empreendimentos precisam ter
contabilidade individualizada para que benefício seja concedido
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo vai reduzir de
7% para 1% os impostos pagos pelas construtoras em projetos imobiliários
destinados à baixa renda e para 6% nas demais obras, desde que
sejam feitas por meio do sistema conhecido como patrimônio de
afetação.
Esse mecanismo permite individualizar a contabilidade do empreendimento e evitar
que eventuais problemas financeiros da construtora contaminem a obra.
Essa medida faz parte do pacote que será anunciado na próxima
semana pelo presidente Lula para estimular o setor da construção
civil. O objetivo do governo é evitar um desaquecimento muito grande
da economia e, ao mesmo tempo, gerar empregos, já que o setor é intensivo
em mão-de-obra.
Ontem, o presidente se reuniu com cinco ministros e a presidente da Caixa Econômica
Federal, Maria Fernanda Coelho, para acertar detalhes das medidas. Lula, que
já havia analisado uma primeira versão das propostas, pediu aos
ministros um plano de maior impacto na economia.
Com isso, voltaram a ser discutidos temas que não eram consenso na equipe
técnica, como a dedução dos juros pagos nos financiamentos
habitacionais do IR (Imposto de Renda) das pessoas físicas e a entrega
de moradias equipadas com eletrodomésticos, como fogão e geladeira
-tudo já incluso no preço que será financiado.
O governo espera que, com a desoneração das construtoras, consiga
baixar também o preço final dos imóveis para a baixa renda
e estimular a oferta. No caso dos projetos para as classes média e alta,
o corte no imposto corrigirá uma distorção.
Hoje, as construtoras que desenvolvem projetos com patrimônio de afetação
pagam 7% sobre o valor do empreendimento. Essa alíquota substituiu o
IR (Imposto de Renda), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido), o PIS e a Cofins, contribuições que financiam
a seguridade social.
Mas, quando os projetos não são feitos por meio do patrimônio
de afetação, a construtora declara os tributos federais por meio
de um sistema conhecido como lucro presumido. Esse sistema, atualmente, implica
uma carga de aproximadamente 6%.
Isso faz com que o patrimônio de afetação seja pouco usado,
já que acaba saindo mais caro para a construtora. Com a queda no imposto,
o governo espera corrigir esse problema.
O pacote habitacional também trará mudanças nas regras
do uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Imóveis
de até R$ 500 mil poderão ser comprados com saque dos recursos
do fundo. O limite atual é de R$ 350 mil.
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Folha de S.Paulo, 23 de janeiro
de 2009
China cresce à menor taxa
em sete anos
Economia do país avança 9%
em 2008, abaixo dos 9,7% esperados -alta menor que 8% neste ano pode
trazer desemprego | Para Nouriel Roubini, primeiro economista a alertar
para a crise nos EUA, números são manipulados e China "já está em
recessão"
RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM
A economia da China cresceu 9%
em 2008, a pior taxa em sete anos. No último trimestre, o crescimento
foi de 6,8% em relação a 2007.
A terceira maior economia do mundo, a única entre as grandes que deve
crescer em 2009, está sob uma desaceleração bem maior
que a prevista pelo governo. A estimativa oficial era que em 2008 o PIB crescesse
9,7%, e, em 2009, 8%.
Economistas têm dito que a China só deve crescer entre 5% e 6%
neste ano. A média de crescimento do PIB nos últimos 30 anos
foi de 9,8%.
Como a China é responsável por 20% do crescimento mundial, a
desaceleração afeta diversas economias do mundo, como a brasileira.
A China é o segundo principal parceiro comercial do Brasil e importou
no ano passado US$ 16,4 bilhões em produtos brasileiros.
Também há temores de que a China "inunde" o mercado
brasileiro com os produtos que ficaram sem compradores pela recessão
de EUA e Europa.
Recessão
para Roubini
Para o economista Nouriel Roubini, que ficou célebre ao ser o primeiro
a prever a crise financeira e imobiliária nos Estados Unidos, a China
já está em recessão.
"A China está em uma recessão, independentemente do que os
altamente manipulados números oficiais digam", escreveu o professor
da Universidade de Nova York em sua página na internet.
"Quando o crescimento está se reduzindo de forma tão agressiva,
a maneira chinesa de se medir o PIB pode despistar."
Diferentemente de Estados Unidos e União Europeia, as estatísticas
chinesas do PIB comparam o trimestre com o mesmo período do ano passado,
e não com o trimestre imediatamente anterior.
A comparação ano a ano não registra a desaceleração
no final de 2008 porque o crescimento foi maior em trimestres anteriores, diz
o economista.
A queda no consumo de energia e a crise na indústria manufatureira sugerem
que a economia está em recessão, afirma Roubini.
Em outubro e novembro, o consumo de energia elétrica caiu 3% e 7%, respectivamente,
em relação a 2007. Indústrias de alto consumo energético,
como siderúrgicas e de cimento, estiveram trabalhando em capacidade
mínima, por conta da crise imobiliária e pela queda das exportações
-que encolheram 2,8% em dezembro.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou apenas 1,2% em
dezembro em relação ao mesmo mês de 2007, depois de subir
2,4% em novembro. Em fevereiro, havia subido 8,7%. A média anual do
IPC foi de alta de 5,9%.
Governo otimista
Ainda que o crescimento de 6,8% no último trimestre possa parecer vigoroso
na maior parte do mundo, o governo chinês costuma dizer que precisa de
um crescimento do PIB de 8% ao ano para conseguir gerar empregos para os 10
milhões de chineses que migram anualmente do campo para as grandes cidades
atrás de ocupação.
" A China está certa de que conseguirá manter seu crescimento
anual acima de 8%", disse em entrevista coletiva Ma Jiantang, diretor do
Escritório Nacional de Estatísticas, ontem em Pequim.
Para evitar a desaceleração mais brusca, o governo chinês
anunciou um pacote de estímulo de US$ 586 bilhões, principalmente
em obras de infraestrutura, como novos portos, aeroportos, ferrovias e estradas.
O Conselho de Estado chinês anunciou ontem que investirá US$ 124,26
bilhões em políticas de saúde nos próximos três
anos. Um dos motivos apontados pelo baixo consumo doméstico é que
as famílias chinesas poupam muito pela inexistência de um sistema
de saúde público gratuito.
Todas as consultas e tratamentos simples são pagos nos hospitais públicos.
Mas alguns economistas já veem alguma reação chinesa. "Houve
mais vendas de imóveis em dezembro, o consumo no varejo cresceu 17%
em relação a 2007 e algumas medidas fiscais para facilitar o
crédito começam a surtir efeito", escreveu o economia Stephen
Green, do Standard Chartered Bank, em Xangai, em relatório divulgado
ontem.
Para a economista chinesa Jing Ulrich, diretora de China Equities do banco
JP Morgan, o futuro da economia dependerá dos resultados do plano de
estímulo e se o governo consegue recuperar a confiança da sociedade
chinesa.
" O governo chinês quer reorientar o crescimento econômico,
das exportações para o consumo doméstico, mas o comportamento
do consumidor não muda do dia para a noite", disse à Folha
Ulrich. "Espero alguma recuperação só no segundo semestre."
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Folha de S.Paulo, 23 de janeiro
de 2009
PIB de 2008 do Japão vai
encolher 1,8%, diz BC do país
DA REDAÇÃO
O banco central do Japão
rebaixou, ontem, a estimativa do PIB referente a 2008, que deverá encolher
1,8% (a previsão anterior era de -0,1%). O resultado oficial
será publicado ao fim do ano fiscal, em março. As exportações
do país também tiveram retração recorde,
de 35% em dezembro, ante igual período de 2007.
Como já era esperado, o BC manteve a taxa anual de juros em 0,1%. O
BC japonês anunciou ainda que irá comprar o equivalente a US$
33,6 bilhões em "comercial papers" (títulos de crédito
de curto prazo que as empresas usam para financiar despesas diárias),
numa injeção direta de liquidez no setor privado.
A queda de 35% nas exportações em dezembro é resultado
da baixa demanda europeia e americana. O BC ainda revisou para baixo as estimativas
de crescimento econômico do ano fiscal de 2009/2010. Em vez de se expandir
em 0,6%, como se previa em outubro, o Japão deve se retrair em 2%, sinalizando
um alongamento da recessão.
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Folha de S.Paulo, 23 de janeiro
de 2009
Presidente do PSDB afirma a Aécio
que partido quer Serra
Mineiro respondeu que ainda está na
disputa para 2010 e vai tentar viabilizar seu nome | Sérgio
Guerra defendeu acordo para evitar prévias; reação
de Aécio à nomeação de Alckmin por governador
paulista causou mal-estar
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente do PSDB, senador
Sérgio Guerra (PE), disse anteontem ao governador de Minas,
Aécio Neves, que a maioria da cúpula do partido deseja
que o governador de São Paulo, José Serra, seja o candidato
da legenda em 2010. O principal argumento é que o agravamento
da crise econômica indica ser a vez de Serra.
Segundo apurou a Folha, Guerra disse que o PSDB quer patrocinar acordo para
evitar prévias, unir esforços para eleger Serra e bancar o fim
da reeleição com um único mandato presidencial de cinco
anos para Aécio concorrer em 2015.
Em conversa reservada antes da reunião de anteontem em Belo Horizonte
com Aécio, Guerra disse que recebera da cúpula do partido uma
das missões mais difíceis de sua vida.
Após conversa com dirigentes, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, senadores, governadores e prefeitos, Guerra encontrou mais apoio a
Serra do que a Aécio.
Guerra ouviu da maioria desses dirigentes que as prévias não
seriam boa alternativa, porque resultariam numa luta interna que deixaria sequelas
para a campanha. Para eles, os tucanos se dividiriam em hora econômica
difícil para o governo Lula, na qual deveriam se unir contra a ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil).
A Folha apurou que Aécio reagiu mal. Disse a Guerra que ainda está no
jogo, que fará campanha pelo Brasil para tentar se viabilizar e que
a realização de prévias lhe daria saída honrosa
da disputa com Serra.
Um acordo político passaria a imagem, crê o mineiro, de ter sido
atropelado. Aécio avalia que, se crescer nas pesquisas, reverteria a
tendência pró-Serra majoritária hoje.
Na última pesquisa Datafolha, Serra alcançou 41%. Aécio
passou de 4% no final de março para 17% ao final de novembro, quando
foi realizado o levantamento. Mas a maioria dos tucanos avalia que Aécio
não conseguirá superar Serra.
O principal defensor de Serra é FHC, que gosta de falar que "política
tem fila". Ele tem dito reservadamente que Aécio é jovem
e que precisaria entender que é a vez de Serra. Aécio fará 49
anos em 10 de março. Serra completará 67 anos no dia 19 do mesmo
mês. FHC tem afirmado que Serra é mais preparado para fazer o
debate econômico com o governo Lula, que o paulista lidera as pesquisas
e que prévias só ajudariam o PT.
FHC aconselhou Serra a fazer um compromisso com Aécio para acabar com
a reeleição, caso o paulista se eleja em 2010. Segundo o ex-presidente,
deveriam ser dadas as garantias a Aécio de que ele será o próximo
postulante do PSDB à Presidência e de que teria forte influência
na formação do governo. Sem essas garantias, diz o ex-presidente,
o mineiro recusará o acordo, e Serra poderia ficar sem apoio político
vital em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. A
Folha apurou que Serra está disposto a dar essas garantias.
O governador paulista tem feito acordos com desafetos políticos para
viabilizar seu voo presidencial. Foi assim no ano passado com o peemedebista
Orestes Quércia e agora com o tucano Geraldo Alckmin. O PSDB nasceu
em 1988 com o discurso anti-Quércia. Alckmin foi abandonado em 2008
por Serra na disputa contra o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab
(DEM), mas assumirá secretaria do Estado.
A reação ruim de Aécio à indicação
de Alckmin para o governo Serra também pesou na avaliação
de dirigentes de que ele não deve ser o candidato.
Tucanos dizem que Serra jogou dentro das regras, ao contrário do que
afirmam os aecistas.
O mal-estar foi tamanho que Serra telefonou para Aécio na noite de quarta-feira,
antes de embarcar para a Colômbia, para justificar o sigilo que envolveu
o convite a Alckmin. Ele alega que não queria que a conversa vazasse
antes da resposta do ex-governador.
Para FHC, houve uma reação exagerada. "Não acho que
deveria ter reação nenhuma. É uma decisão do governador
de São Paulo. Achei uma coisa magnânima e madura. Imagine se o
governador de Minas resolve botar alguém no secretariado lá.
O que o Serra tem a ver com isso? E eu? Nada", disse o ex-presidente à Folha.
Tucanos serristas argumentam que Aécio, quando fez aliança na
eleição municipal de 2008 com o PT, tentou criar um fato político
embaraçoso para Serra. O mineiro tentou se mostrar como mais conciliador,
apostando na fama de trator e desagregador de Serra.
Mas o governador paulista surpreendeu o colega mineiro.
Aproximou-se de Lula e criou pontes com antigos inimigos.
Serra vai apoiar nos bastidores a eleição do ex-presidente José Sarney
(PMDB-AP) para presidente do Senado. O senador responsabiliza politicamente
Serra por uma operação da Polícia Federal em 2002 que
detonou a candidatura presidencial de sua filha, a senadora Roseana Sarney
(PMDB-MA).
Agora, Serra acena a Sarney, que precisa dos votos do PSDB.
Serra também fez as pazes com o líder do PSDB no Senado, Arthur
Virgílio (AM). Virgílio e Serra se desentenderam no final de
2007, quando o senador liderou movimento para enterrar a CPMF.
Hoje, no Senado e no PSDB, o mais destacado aliado tucano de Aécio é Tasso
Jereissati (CE), que perdeu peso político no partido e no Estado.
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Folha de S.Paulo, 23 de janeiro
de 2009
Microsoft demite 5.000 no maior corte
de sua história
Lucro da companhia cai 11%; rival Google
tem crescimento de 18% na receita | Vendas do sistema operacional
Windows recuaram 8% no trimestre passado; unidades do Brasil não
devem ser afetadas
DA REDAÇÃO
DA REPORTAGEM LOCAL
A Microsoft anunciou que vai
demitir, nos próximos 18 meses, 5.000 funcionários, dos
quais 1.400 já foram dispensados ontem. É o maior corte
de pessoal em toda a história da companhia. Em comunicado, o presidente-executivo
Steve Ballmer disse que a empresa "não é imune aos
efeitos da economia", mas indicou que não haverá mudanças
de estratégia. As demissões vão atingir todas as áreas
da empresa, hoje com 96 mil funcionários.
A Microsoft disse ainda que sua receita cresceu apenas 2% no segundo trimestre
fiscal, ante igual período no ano anterior, para US$ 16,6 bilhões.
Analistas previam que o valor chegaria a US$ 17,1 bilhões. Os lucros
da companhia também vieram abaixo do esperado no período: US$
4,17 bilhões, ou 11% menos que os do mesmo trimestre no ano anterior.
O desempenho inferior às expectativas reflete uma queda na demanda mundial
por computadores pessoais desde o fim do ano passado, com o corte dos gastos
empresariais em tecnologia da informação e uma temporada de consumo
natalino que não mostrou o vigor costumeiro.
Segundo a Microsoft, os resultados também refletem a demanda crescente
por "netbooks", muitos dos quais equipados com o sistema operacional
mais antigo da empresa, o Windows XP, e não com o Windows Vista, o modelo
atual -além de muitos outros que não usam software da empresa.
Como resultado, as vendas da divisão de sistemas operacionais da companhia
caíram 8% no trimestre.
A empresa passou pela contração do setor de tecnologia em 2001
com poucos danos, graças ao crescimento continuado dos negócios
de informática. No passado, teve de recorrer a demissões apenas
como resultado de reorganizações limitadas de porções
de suas operações ou para integrar empresas adquiridas.
Ontem, as ações da empresa chegaram a cair 12% no pregão
de Nova York, o pior desempenho desde 1998. Ao fim do dia, fecharam com queda
de 11,7% no pregão eletrônico Nasdaq. Em e-mail aos funcionários,
Ballmer disse que a Microsoft estava tomando diversas medidas de redução
de despesas, entre as quais a diminuição de seu orçamento
de viagens em 20%, a suspensão dos aumentos salariais por mérito
neste ano e uma redução na escala de seus planos para ampliar
a sede corporativa em Redmond, no Estado de Washington.
Microsoft
Brasil
A Microsoft afirma que não fará cortes no Brasil, onde ela tem
570 funcionários contratados em 13 escritórios. A companhia opera
por um esquema de venda indireta. São as empresas-parceiras que fazem
os negócios como representantes da Microsoft. Ao todo, são 18
mil empresas. Estimativas do IDC (International Data Corporation) mostram que
45% dos profissionais do setor de tecnologia da informação trabalham
para a companhia de forma direta ou indireta, o equivalente a 495 mil pessoas.
Ainda segundo o IDC, para cada dólar de receita gerada pela Microsoft
no Brasil, outros US$ 12,57 são injetados diretamente na economia do
país. Alguns especialistas estimam que o faturamento da companhia no
país deva ficar próximo de R$ 1 bilhão. A Microsoft não
divulga esse número.
Google
Apesar da crise, os negócios do Google continuam firmes, a julgar pelos
resultados do quarto trimestre divulgados ontem. A receita operacional cresceu
18% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo
US$ 5,7 bilhões. Em relação aos três meses anteriores,
o ganho foi de 3%. O lucro chegou a US$ 382,4 milhões. Os resultados
se situaram dentro do esperado pelos analistas. Um dos principais responsáveis
pelos ganhos do Google foi o sistema de "clique pago", pelo qual
os anunciantes pagam para aparecer em sua página de busca. O crescimento
foi de 18% em relação ao ano anterior. As buscas no portal aumentaram
21% ao longo de 2008. Um dia antes, a Apple também apresentou resultados
positivos. As vendas cresceram 5,8% ao longo de 2008, graças, sobretudo,
ao desempenho dos laptops MacBook.
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Agência Câmara,
23 de janeiro de 2009
Projeto permite terceirização
de atividade-fim
Tramita na Câmara o Projeto
de Lei 4059/08, do deputado Eduardo Moura (PPS-MT), que autoriza as
empresas a terceirizarem atividades-fim. Hoje, a legislação
admite que sejam contratadas empresas para prestar serviços
de limpeza, segurança e outras não ligadas diretamente à atividade
final da empresa contratante.
De acordo com o autor, a Justiça
do Trabalho tem considerado que, quando ocorre prestação
de serviços na atividade-fim, caso, por exemplo, de engenheiros
terceirizados, produzindo projetos ou estudos para uma construtora,
configura-se vínculo empregatício entre eles e a construtora
porque seu trabalho faz parte da atividade final da empresa.
Dessa forma, a empresa que
contratou os serviços terá todas as obrigações
trabalhistas que teria se contratasse diretamente esses funcionários.
O contrato que ela tem com a empresa prestadora de serviços,
que efetivamente tem vínculo com os profissionais, é desconsiderado.
Eduardo Moura questiona se
essa posição é tomada mesmo quando, na relação
desses profissionais com a empresa, não existem a pessoalidade
e a subordinação, que são requisitos do contrato
de trabalho. A pessoalidade quer dizer que o serviço só pode
ser prestado por aquele profissional específico - sem a possibilidade
de substituição por outro. A subordinação
ocorre quando os profissionais recebem ordens diretamente dos funcionários
da empresa que contratou os serviços.
O parlamentar afirma que a
lei não vincula o contrato de trabalho ao tipo de atividade,
mas aos requisitos do contrato (entre eles, a presença da pessoalidade,
subordinação e habitualidade). Isso, em sua opinião,
tornaria incoerente a limitação hoje existente. Ele argumenta
que, de acordo com a legislação civil, o contrato de
prestação de serviço só se configura se
não estiverem presentes os requisitos do contrato de trabalho.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas
comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio;
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O projeto
altera o Código Civil (Lei 10.406/02).
Íntegra da proposta:
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PL-4059/2008
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
23/01/2009
Portador de deficiência não
tem reintegração ao emprego assegurada
Após 14 anos de serviços
prestados à Sociedade Anônima de Eletrificação
da Paraíba – Saelpa, um motorista portador de deficiência
foi dispensado sem justa causa e pleiteou na Justiça do Trabalho
a reintegração ao emprego, alegando que a empresa contratou
para substituí-lo um eletricista (deficiente visual), e não
um profissional para o mesmo cargo, de motorista. Segundo ele, isso seria
contrário à Lei nº 8.213/91, o que permitiria a sua
reintegração. No entanto, a Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento do trabalhador por
considerar que não há estabilidade para o portador de deficiência.
O artigo 93 da Lei nº 8.213/91
obriga empresas com mais de 100 empregados a preencherem seus cargos,
no percentual de 2% a 5%, com portadores de deficiência ou beneficiários
reabilitados. Em seu parágrafo 1º, a lei determina, ainda,
que a dispensa imotivada de trabalhador reabilitado ou deficiente habilitado
só poderá ocorrer após a contratação
de substituto de condição semelhante. Foi essa expressão, “condição
semelhante”, que permitiu divergência de interpretações.
A 1ª Vara do Trabalho de
João Pessoa (PB) declarou nula a dispensa do motorista, fundamentando
a sentença com o fato de a empresa não ter contratado outro
deficiente para o mesmo cargo. O Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região
(PB), porém, ao apreciar o recurso da Saelpa, reformou a sentença
e julgou improcedente a reclamação. De acordo com o TRT
da Paraíba, não existe na lei a obrigatoriedade de vinculação
do novo contratado (eletricista) ao mesmo cargo anteriormente exercido
pelo dispensado (motorista). A decisão ressaltou que “não
cabe ao intérprete diferenciar onde o legislador não diferenciou”.
Na avaliação do
Regional, não parece razoável que o legislador tivesse
como intenção, ao editar a norma, intrometer-se na conveniência
eminentemente administrativa do empregador, que é contratar o
trabalhador deficiente para desempenhar funções que considere
de maior carência na empresa. Segundo a análise do TRT,
a finalidade da norma é assegurar o percentual estabelecido em
lei para os portadores de deficiência e reabilitados nos quadros
das empresas, “a fim de garantir-lhes uma atividade profissional
diária, onde possam obter condições de vida mais
digna, além de uma maior interação social”.
No TST, ao apresentar o recurso
de revista, o motorista alegou fazer jus à reintegração
por possuir garantia de emprego, devido à sua condição
de deficiente físico. Como argumentação, indicou
a violação do Decreto nº 3.298/1999, da Lei nº 8.213/1991
e outras decisões que entendeu se aplicarem a sua defesa. A Primeira
Turma, porém, manteve a decisão regional, entre outras
razões, devido ao fato de as decisões supostamente divergentes
serem inespecíficas, e por não verificar violação à lei.
Segundo o ministro Walmir Oliveira
da Costa, relator do agravo, a Lei nº 8.213/1991 não assegura
estabilidade ao empregado portador de deficiência, nem impõe à empresa
que contrate substituto para o mesmo cargo do substituído. Ela
exige apenas que o novo empregado também seja deficiente físico.
( AIRR-872/2002-001-13-00.3)
(Lourdes Tavares)
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