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Folha de São Paulo,
26 de janeiro de 2009 | Empregos
CORTE DE VAGAS
Construção civil prevê retomada
Qualificação é o principal
rumo para trabalhadores
Marcelo Justo/Folha Imagem

Carlos Guerra de Oliveira, que foi demitido do setor de construção
civil, diz que pretende buscar qualificação em cursos gratuitos
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Apesar de a construção civil ser um dos setores que mais demitiram
em dezembro -foram fechados 82.432 postos de trabalho, segundo o Caged (Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho-, sindicatos
patronais e de trabalhadores mantêm-se otimistas quanto à abertura
de vagas neste ano. Para os representantes do Sinduscon-SP (patronal) e do
Sintracon-SP (trabalhadores), o setor já está consolidado e
deve voltar a esquentar e a contratar em fevereiro.
"As construtoras já disseram
que vão retomar a todo o vapor a partir do mês que vem",
afirma Haruo Ishikawa, vice-presidente de relação capital-trabalho
do Sinduscon-SP. Ele avalia que o setor deverá crescer entre 3,5%
e 4% em 2009. "O país não está em recessão,
apenas crescendo menos", raciocina.
Além disso, apesar do
corte no final do ano, o balanço da abertura de vagas em 2008 é positivo
em 254 mil vagas, o que representa um crescimento de 12% sobre 2007,
diz Ishikawa, com base em levantamento feito pelos sindicatos do setor
em todo o país. "Não houve demissão em massa
[no setor] e, em 2009, o trabalhador não deverá sentir
falta de emprego", opina Antonio de Sousa Ramalho, presidente do
Sintracon-SP.
Qualificação
Por causa disso, a recomendação
a quem perdeu o trabalho -pedreiros e profissionais com baixa qualificação,
na maioria- é que invista tempo em cursos de aperfeiçoamento
sobre técnicas mais modernas em sua área de atuação.
"Deve-se aproveitar esse
período para a qualificação. Há quatro meses,
havia falta de mão-de-obra especializada", pontua Ishikawa. É o
que pretende fazer José Carlos Guerra de Oliveira, 47, que fazia
serviços gerais havia três anos para uma empresa especializada
em reformas e montagem de estandes de venda para construtoras.
Pai de dois filhos, de
10 e 12 anos, ele explica que vai procurar cursos gratuitos, pois não
pode arcar com outra despesa. "Eu e minha mulher estamos desempregados.
Tudo o que recebi usei para pagar contas e dívidas", conta
ele, demitido em dezembro com mais 30 colegas. "Estava ruim de
aparecer serviço para a empresa." (NCC)
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Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2009
Crise
Ganho real fica mais difícil
Várias categorias obtiveram aumentos
acima da inflação nos últimos anos – um
benefício que pode não se repetir em 2009
A crise promete pressionar as
negociações salariais em 2009. Se nos últimos quatro
anos grande parte das categorias conseguiu aumentos reais (acima da inflação),
nesse ano os empregados terão que travar um jogo duro para conseguir
reajustes. “Será um ano de muitas lutas e muitas greves”,
diz Roni Anderson Barbosa, presidente da Central Única dos Trabalhadores
(CUT) no Paraná. As categorias de maior peso – como bancários,
metalúrgicos, químicos e petroleiros – têm
data-base somente no segundo semestre. Mas quem negocia aumentos nesse
início de ano já sentiu que a batalha será árdua. “Teremos
uma diminuição do número de categorias com aumento
real, mas tudo vai depender dos efeitos da crise em cada setor”,
afirma Sandro Silva, economista do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Segundo o Dieese, o número
de trabalhadores que tiveram ganho real deu um salto nos últimos
anos: passou de 54,7% em 2004 para 87,7% em 2007. Silva chama atenção,
no entanto, para o fato de que no primeiro semestre do ano passado – portanto
antes do agravamento da crise – esse índice já havia
caído para 73,5% – em função da perspectiva
de redução do ritmo de crescimento e do avanço da
inflação. Dados do segundo semestre ainda não foram
fechados, mas mesmo com a turbulência financeira a partir de setembro,
categorias importantes conseguiram aumento real no fim do ano.
Os empregados da Volvo e da Renault
conseguiram aumento real de 2,66% e os da Volkswagen, de 3,59%. Os bancários
alcançaram ganhos de 2,66% acima da inflação, os
empregados da indústria da alimentação (1,73%) e
vestuário (2,66%) e os metalúrgicos (3%). “A data-base
reflete os números do ano anterior. O impacto da crise vai se
dar em 2009”, acrescenta Silva. No entanto, alguns setores que
tiveram data-base no fim do ano passado – como o de aves, carnes
e laticínios – as negociações emperraram e
ainda não foi fechado acordo. Para maior parte das categorias,
a crise vai ser um teste para as discussões salariais.
Os empregados do setor
de segurança privada e vigilantes do estado ameaçam entrar
em greve no próximo dia 2 de fevereiro contra a proposta de
reajuste apresentada pelo sindicato patronal, que prevê aumento
de 7,35%. Os empregados querem aumento real de 5% e reposição
da inflação pelo INPC, de 6,48%. Entre os setores que
vão discutir salários até o fim do primeiro semestre
estão comerciários, servidores municipais, construção
civil, transportes e hospitais.
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Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2009
Crise
Capital, trabalho e nenhum diálogo
Perda intensa de vagas obriga organizações
a retomar debate sobre a flexibilização das leis trabalhistas.
Difícil é encontrar algum consenso
O corte de 654 mil vagas formais
em dezembro no país – o maior dos últimos dez anos – e
a perspectiva de aumento do desemprego nos próximos meses ressuscitaram
discussões que há tempos não frequentavam a mesa
de negociação entre patrões e empregados: a redução
de jornada e de salários, a suspensão de contratos e até mesmo
a flexibilização das leis trabalhistas.
Indústria e entidades
sindicais vêm travando, nos últimos dias, uma queda-de-braço
em relação a medidas para conter uma eventual enxurrada
de cortes nos próximos meses. De um lado, empresários dizem
que não há como estancar o ritmo de demissões de
não forem adotadas medidas alternativas, com redução
da jornada e corte de salários. De outro, as centrais sindicais,
representadas principalmente pela Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e pela Força Sindical, não aceitam negociar sem garantia
de manutenção dos empregos.
“Não queremos que
o trabalhador pague a conta da crise. Não dá para negociar
redução de salário”, diz Roni Anderson Barbosa,
presidente da CUT no Paraná. A CUT e a Força Sindical,
apesar de baterem na tecla da garantia de empregos, divergem quando o
assunto é redução de salários. A Força
Sindical já aceita cortar salários e jornada para evitar
mais demissões. “A renda do trabalhador sustentou o crescimento
econômico nos últimos anos. Não vamos abrir mão
desse ganho”, rebate Barbosa.
Para o coordenador do conselho
temático de relações do trabalho da Federação
das Indústrias do Paraná (Fiep), Amilton Stival, as empresas
não têm como garantir empregos em uma época de crise. “Uma
empresa exportadora, por exemplo, não pode manter vagas se o ritmo
de encomendas lá fora diminuir. O que precisamos é negociar
um acordo que contemple governo, empregados e trabalhadores para evitar
um agravamento do quadro de desemprego”, afirma.
Um estudo do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA), ligado ao Ministério do Planejamento,
mostra que, no pior cenário – de um crescimento econômico
de apenas 1% – 1,126 milhão de trabalhadores podem ficar
sem trabalho em 2009. Nessa simulação, o desemprego pularia
de 7,9% para 8,6%.
“A questão da manutenção
do emprego vai centralizar as discussões em 2009. Se nos últimos
anos o embate se dava no campo dos repasses reais de salários,
esse ano o foco está na manutenção das vagas”,
prevê José Dario Krein, especialista em economia do trabalho
e pesquisador da Unicamp. Embora não seja uma discussão
nova, a flexibilização das leis trabalhistas perdeu força
nos últimos cinco anos em função principalmente
do avanço do emprego formal e do aumento da renda.
Mas, para a maior parte dos analistas,
não é hora de se discutir mudanças na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). “Mudar alguma coisa agora é temerário,
porque uma das pontas desse jogo, o trabalhador, está vulnerável”,
afirma o advogado Aramis de Souza Silveira, especializado em direito
do trabalho. De acordo com o professor de direito do trabalho da PUC-PR
e da Estação Business School Hélio Gomes Coelho
Júnior, não há o que ser “flexibilizado”. “O
que é necessário, sim, é o repensar do tributo cobrado
pelo Estado no negócio particular emprego. O que é fundamental é uma
clara política de investimentos e projetos públicos. O
que é inadiável é boa alocação dos
recursos transferidos ao Estado pela iniciativa privada”, afirma.
A lei trabalhista brasileira
não é das mais rígidas, segundo o professor do departamento
de economia da Universidade Federal do Paraná, Luiz Alberto Esteves. “Em
países da Europa, por exemplo, não há a possibilidade
de demissão sem justa causa”, diz. Para o economista, porém,
a rápida deterioração do nível de emprego
vai forçar mudanças. “Alguns setores terão
que ceder mais que outros e a redução de salário é uma
possibilidade. Essa crise não vai passar tão cedo”,
afirma ele, que prevê o crescimento da informalidade e do número
de pessoas que terá que apelar para o empreendedorismo para driblar
o desemprego. “Muita gente vai abrir barraquinha de cachorro-quente”,
diz.
Suspensão de contratos
Enquanto o debate sobre flexibilização
dos direitos trabalhistas ganha corpo, a redução da jornada,
o adiamento de reajustes e o “layoff” – suspensão
do trabalho com manutenção do vínculo empregatício – já estão
sendo discutidos por empresas e sindicatos. Companhias como Renault,
Philips e ArcelorMittal suspenderam recentemente contratos de trabalho
de funcionários. Na semana passada, a Vale anunciou aos sindicatos
de mineração de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul proposta
de licença remunerada com redução de 50% no valor
do salário-base para garantir empregos na empresa até 31
de maio deste ano. “O problema é que muita empresa que está demitindo
e suspendendo contratos recebeu ajuda e incentivos do governo”,
diz Barbosa, da CUT.
Para o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, algumas empresas estão exagerando na dose de demissões
e terão que recontratar em março. Para evitar mais dispensas,
o governo federal já anunciou que condicionará os empréstimos
do Banco Nacional de
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de janeiro de 2009 | Economia
Situação do emprego
se estabilizará até março
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse neste sábado (24)
não acreditar no agravamento do desemprego após o mês de
março e que o governo federal deve anunciar em breve novas medidas no
sentido de evitar novos corte de vagas. "O foco (das medidas) não
será amparar o desempregado e sim garantir e gerar empregos", afirmou
durante a festa de comemoração do Dia Nacional dos Aposentados,
no Parque Esportivo do Trabalhador, antigo Ceret, na zona leste de São
Paulo.
Lupi também voltou ameaçar
com punições as empresas que receberam recursos para investir
em produção e mesmo assim promoveram demissões nos últimos
meses. "(As empresas) serão punidas de acordo com a lei",
afirmou. Segundo Lupi, o ministério tem todo o controle de quem
demitiu, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged).
No evento comemorativo, o ministro
entregou ao Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos
da Força Sindical a carta sindical, o que permitirá à entidade
abrir ações coletivas em nome de seus associados. Isso
vale como um reconhecimento oficial da entidade sindical. "É um
marco", anunciou Lupi.
Também presente ao evento,
o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), o Paulinho, disse ter expectativas menos otimistas sobre o
desemprego. Para ele, os índices oficiais serão piores
em janeiro do que em dezembro (segundo o IBGE, o índice de desemprego
no País fechou o ano em 6,8%) e a estabilidade só deve
chegar em abril, com a recuperação dos índices prevista
para maio.
Juros
Paulinho disse que o governo
tem de enfrentar a crise e voltou a defender a redução
dos juros e do spread bancário, além de corte dos impostos.
Sobre os juros, Paulinho propõe que as reuniões do Comitê de
Política Monetária (Copom), que decide sobre a taxa básica
Selic, passem a ocorrer a cada 15 dias. As reuniões neste sábado
acontecem a cada 45 dias. Paulinho também quer que os trabalhadores
passem a fazer parte do Conselho Monetário nacional (CMN).
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Agência Brasil, 26
de janeiro de 2009
Governo punirá empresas que
receberam recursos e demitiram
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou neste sábado
(24) que o Departamento Jurídico do ministério está estudando
formas de punir empresas que receberam recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e mesmo assim
demitiram funcionários.
Segundo ele, as leis que criaram
os dois fundos prevêem que companhias beneficiadas por empréstimos
devem garantir o emprego dos contratados. As sanções cabíveis
serão divulgadas na próxima semana.
"A lei que criou o FAT e
a lei que criou o FGTS já dizem sobre essa garantia do emprego.
Eu só vou cumprir", disse ele, em entrevista coletiva, após
discursar na festa do Dia do Aposentado organizada pelo sindicato da
classe. "Na semana que vem, o [departamento] jurídico [do
ministério] vai me dar um parecer jurídico informando tudo
o que pode ser feito".
De acordo com o ministro, saber
quais as empresas receberam dinheiro dos fundos e demitiram é muito
fácil. Ele afirmou inclusive que já sabe quais são
as companhias que se enquadram nesta situação. "Eu
já tenho tudo o que foi investido, já tenho a lista de
todo mundo que contratou e demitiu, e agora nós vamos ver o que
pode ser feito".
Lupi disse também que
a análise das sanções está sendo feita caso
a caso. Disse ainda que há possibilidade de punir até as
companhias que já tomaram empréstimos há tempos
e que começaram a demitir recentemente. "A lei não
retroage, mas tem validade a partir do momento de sua edição.
Eu vou me basear na lei".
Segundo o ministro, caso
sejam necessárias regulamentações adicionais para
que sejam aplicadas as punições, ele mesmo vai reivindicá-las
aos conselhos curadores do FAT e do FGTS e também ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
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Folha de S.Paulo, 26 de janeiro
de 2009
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
Auxílio-desemprego e "flexisseguridado"
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O aumento do valor e do tempo de cobertura do auxílio-desemprego é urgente
no Brasil
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AS NOTÍCIAS sobre o aumento do desemprego no Brasil em decorrência
da crise econômica global não são surpreendentes, mas são
alarmantes. Os trabalhadores brasileiros, inclusive suas classes médias
profissionais, devem se preparar para dias difíceis pelo menos neste
ano de 2009. Teremos que ter muita competência e alguma sorte para que,
em 2010, a economia brasileira já esteja começando a se recuperar.
A demonstração de que não houve surpresa nos números
publicados na semana passada está no fato de que, há duas semanas,
empresários da Fiesp propuseram a flexibilização das relações
de trabalho, e a Força Sindical decidiu aceitar a proposta de negociação.
Entretanto, quando as empresas informaram que, mesmo chegando a um acordo,
não poderiam garantir o emprego porque não sabiam qual a profundidade
da crise, a Força Sindical suspendeu muito compreensivelmente a negociação.
Aqui no Brasil, já no quadro da crise global, talvez o acordo mais interessante
a que chegaram empresas e trabalhadores foi aquele celebrado pela Renault do
Paraná com seus trabalhadores. Segundo esse acordo feito com o sindicato
local, o trabalhador cujo contrato de trabalho for suspenso receberá o
auxílio-desemprego. Se, em um exemplo apresentado por Walter Barelli,
o funcionário ganhava R$ 680, ele receberá o auxílio-desemprego
de R$ 400 e a Renault completa seu salário líquido pagando R$
280. Essa é uma boa solução para os 1.300 trabalhadores
da Renault, mas não creio que poderá ser generalizada.
O que fazer diante desse quadro? Quando as empresas falam em "flexibilização",
elas estão falando em redução para elas dos custos trabalhistas
de demitir pessoal. Essa é uma demanda clássica das empresas
e foi incluída na agenda neoliberal. Neste momento em que ficou claro
que o neoliberalismo é o principal responsável pela crise, nossa
resposta deverá ser um "não" radical a ela? Diante
do grave problema do desemprego, a solução terá que vir
do Estado. Dadas as altas taxas de desemprego nos países europeus, a
solução encontrada principalmente na Alemanha foi mais radical
-a baixa acordada dos salários, o que se explica pela competição
dos bens exportados pelos países em desenvolvimento. E, em quase todos
os países europeus, porém, a política adotada foi a da "flexisseguridade".
Houve redução dos custos de demissão, mas, em compensação,
a outra demanda da ideologia neoliberal -a redução do tamanho
do Estado- foi rejeitada. Mais do que rejeitada, foi invertida. Os países
mais avançados da Europa, onde o Estado é democrático-social
(independentemente de ser governado por partido social-democrático ou
não), decidiram aumentar os impostos e, portanto, o tamanho do Estado,
para que ele pudesse arcar com um auxílio-desemprego mais generoso tanto
em termos de valor quanto de tempo de cobertura, e também com os custos
de retreinamento dos trabalhadores. No Brasil, seria importante que o governo
caminhasse rapidamente na mesma direção. Os programas de retreinamento
não são prioritários, porque as demissões não
decorrem de avanço tecnológico, mas de crise.
Já o aumento do valor e do tempo de cobertura do auxílio-desemprego é urgente,
poderá ser um fator anticíclico importante e se constituirá também
em uma resposta adequada à responsabilidade que o Estado tem para com
seus cidadãos em um quadro econômico tão preocupante quanto é o
atual.
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
, 74, professor emérito da Fundação Getulio Vargas,
ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração
e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia
(segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação:
Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994".
Internet: www.bresserpereira.org.br
lcbresser@uol.com.br
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de janeiro de 2009 | Economia
Investimento em produção
deve ser o menor desde 2005
Agência Estado
O encolhimento expressivo das linhas de crédito dos bancos às
empresas e a queda brutal da demanda agregada são os principais fatores
que estão levando muitas companhias a adiarem ou suspenderem bilhões
de reais de investimentos no Brasil.
Economistas de mercado, empresários
e acadêmicos ouvidos pela Agência Estado ponderam que nesta
conjuntura a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deverá registrar
uma expansão ao redor de 3% neste ano, o menor crescimento desde
2005. Para ilustrar o tamanho da desaceleração prevista,
dados do IBGE mostram que os investimentos em produção
avançaram 19,7% na comparação dos terceiros trimestres
de 2007 com 2008. Para o ano fechado de 2008, as projeções
são de uma alta de 13%. Segundo os analistas, para 2010, a retomada
do consumo interno e dos financiamentos pelos bancos devem estimular
novamente o incremento da FBCF, para algo entre 5% e 10%.
Um dos casos emblemáticos
de cancelamento de investimentos foi a decisão anunciada na semana
passada, quando a Vale e a estatal chinesa Baosteel decidiram liquidar
o projeto siderúrgico do Pólo de Anchieta, no Espírito
Santo, onde seria implantada uma usina integrada de produção
de placas de aço. O empreendimento envolveria o desembolso de
US$ 5 bilhões e criaria três mil empregos diretos. Segundo
a Vale, a crise econômica global, que provocou a um forte declínio
da produção de aço, levou a Baosteel a propor o
cancelamento do complexo e a liquidação da Companhia Siderúrgica
de Vitória (CSV).
Em função da redução
drástica do consumo mundial, a Aracruz decidiu adiar investimentos
de US$ 900 milhões neste ano, o que provocou a suspensão
temporária do dispêndio de recursos em três projetos.
Um deles é o aumento da capacidade produtiva da fábrica
de celulose em Guaiba, Rio Grande do Sul, que subiria de 1,3 milhão
para 1,8 milhão de toneladas por ano. Também foram postergados
dois programas de formação de florestas de eucalipto, um
deles relacionado à Veracel, na Bahia, e um outro que seria implementado
em Minas Gerais.
Depois de ter registrado um
passivo de US$ 2,1 bilhões com bancos por causa de operações
de derivativos de câmbio realizadas no final do ano passado, a
Aracruz fechou um acordo com as instituições financeiras
nesta semana. Logo em seguida, foi anunciada a compra da companhia pela
VCP, em associação com a BNDESPar, braço de investimentos
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Projetos adiados
De acordo com o diretor técnico
da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica),
Antônio de Pádua Rodrigues, o drástico encolhimento
das linhas de crédito às empresas do setor deve provocar
o adiamento de vários projetos neste ano, cujo montante total
deve ficar próximo a US$ 4 bilhões. Segundo ele, esta postergação
não permitirá a criação de cerca de 8.500
postos de trabalho. Na sua avaliação, a escassez de financiamentos
pode prejudicar de forma expressiva a safra deste ano, que deve ser colhida
a partir do final de março até novembro. "Há um
problema de funding muito sério no mercado financeiro para a colheita
da cana pelas companhias do setor, que para ser sanado deve requerer
uma soma próxima a R$ 10 bilhões", comentou.
A decisão de dezenas de
empresas de todos os tamanhos de adiar investimentos no País em
2009 está prejudicando as vendas de máquinas e equipamentos.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Nogueira, os efeitos
da crise devem repercutir na queda de R$ 17 bilhões do faturamento
do setor este ano, que em 2008 chegou a R$ 85 bilhões. "O
setor passa por uma turbulência muito grave. Um termômetro
disso é que até outubro registramos 24 meses seguidos de
contratações. Porém, em novembro e dezembro, o quadro
piorou muito e foram registradas perto de cinco mil demissões
no total, 2% da mão de obra de 250 mil pessoas", comentou.
Segundo Nogueira, como muitas
empresas de diversos segmentos apresentam estoques elevados, entre elas
as indústrias de automóveis, as dispensas devem continuar
em janeiro e registrar um corte de pelo menos mais cinco mil empregos.
O vice-presidente da Abimaq relata que a situação do crédito
está muito ruim, o que está provocando uma onda de demissões
pulverizadas por todo o setor que não tem visibilidade nos jornais,
pois três quartos das empresas que atuam no ramo são pequenas
ou médias. "Os juros cobrados pelos bancos estão muito
elevados. Se uma empresa precisar fazer o desconto de duplicatas para
ter recursos de capital de giro terá que pagar 3,25% de juros
ao mês", comentou. O valor representa uma taxa de 46,7% ao
ano, nível 3,6 vezes maior que a Selic.
Sem interferência
As indústrias químicas
compõem um dos poucos setores que não registraram a postergação
de investimentos neste ano. De acordo com Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente
executivo da Abiquim, entidade nacional que representa as empresas que
atuam neste segmento, não ocorreram alterações relevantes
no cronograma dos US$ 3,86 bilhões que deverão ser aplicados
pelas companhias que atuam no País em 2009. Ele explica que o
setor atua com um horizonte de planejamento muito longo, que não
leva em consideração movimentos temporários de retração
do mercado.
De 2007 a 2013, as companhias
químicas têm programado o investimento total de US$ 22 bilhões,
montante que não foi alterado por causa da crise. "Pode ser
que uma parte bem pequena de alguns projetos que estão em estudo
seja adiada", disse Reis. "As empresas olham o longo prazo
e avaliam que nos próximos anos o País tem boas perspectivas
de crescimento, num ambiente político de plena estabilidade",
afirmou.
Segundo ele, a crise deve
reduzir em 3% o volume de produtos fabricados pelo setor neste ano
ante 2008, mas para 2010 há um cenário de expansão
de 5%. Essa recuperação embute a expectativa de que o
PIB deve registrar um avanço maior do que em 2009. O superintendente
da área de Pesquisa Econômica do BNDES, Ernani Torres,
trabalha com a hipótese de que o Brasil deve crescer 3% neste
ano e entre 3,5% e 4% em 2010.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de janeiro de 2009 | Economia
Retomada do crédito deve revigorar
investimento em 2010
Agência Estado
O quadro de demanda fraca e crédito raro deve prevalecer para as empresas
brasileiras em 2009, levando-se em conta a avaliação generalizada
de que a economia mundial deve sair da recessão no segundo semestre,
com mais certeza nos últimos três meses do ano. O banco JP Morgan
acredita que a expansão da Formação Bruta de Capital Fixo
(FBCF) ficará estável na média destes 12 meses ante uma
previsão de crescimento perto de 15% em 2008. De acordo com o banco
WestLB, a FBCF deve desacelerar de um incremento próximo a 13% em 2008
para um patamar ao redor de 4%. Para 2010, as expectativas dos especialistas
apontam para uma melhora expressiva, variando de uma alta de 5%, segundo a
MB Associados, para uma elevação de 10,8%, segundo a LCA.
Na avaliação do
economista do JP Morgan, Júlio Callegari, os investimentos normalmente
caem quando há uma desaceleração expressiva do Produto
Interno Bruto (PIB). Para ele, a crise levará o País a
registrar uma retração de 1,3% no último trimestre
de 2008 ante o anterior e mais uma queda de 0,6% nos três primeiros
meses deste ano em relação ao registrado entre outubro
e dezembro passados.
Assim, a economia deve desaquecer
de forma abrupta, pois deve ter avançado 5,5% no ano passado,
mas deve crescer somente 1,5% em 2009. "Num ambiente marcado pelas
expectativas desfavoráveis de empresários e consumidores
para o nível de atividade, ocorrerá uma retração
forte da Formação Bruta de Capital Fixo no primeiro semestre",
afirmou Callegari. "O mundo deve começar a se recuperar a
partir da segunda metade deste ano, mas a melhora será gradual
e não deve permitir que a FBCF avance neste ano."
Os investimentos produtivos devem
registrar queda de 10,9% no quarto trimestre de 2008 em relação
ao trimestre anterior, prevê o economista-chefe da MB Associados,
Sérgio Vale. Se isso for confirmado, será a maior queda
desde 1996. Para ele, as dificuldades de acesso ao crédito pelas
empresas devem perdurar até o terceiro trimestre deste ano, quando
os países desenvolvidos estarão mais próximos do
fim da recessão que enfrentam e os bancos internacionais terão
também informações mais detalhadas sobre a qualidade
de seus ativos e poderão voltar a emprestar aos poucos. A melhora
do humor no mercado deve estimular as instituições nacionais
a emprestar, o que ajudará a retomar os investimentos.
E é no terceiro trimestre
que as empresas realizam o planejamento estratégico para o ano
seguinte, o que deve movimentar seus caixas para a continuidade de projetos
que foram temporariamente adiados pela crise. "O consumo das famílias
deve ganhar maior fôlego no quarto trimestre, pois o Natal deve
ser melhor do que o do ano passado", afirmou. O economista-chefe
da MB acredita que a FBCF deverá registrar um incremento de apenas
1,3% em 2009, marca distante da alta de 13,3% que ele estima para 2008.
Para o ano que vem, os investimentos devem subir 5%, taxa puxada pela
retomada do PIB, que deve avançar de 2% neste ano para 3,8% no
próximo.
Fator BNDES é positivo
Na avaliação do
estrategista do banco WestLB, Roberto Padovani, a desaceleração
da Formação Bruta de Capital Fixo de uma elevação
prevista em 2008 de 13% para 4% em 2009 não é um resultado
desastroso, pois a economia mundial registra uma forte retração,
provocada pela crise de confiança atingindo bancos e investidores
junto com a demanda em queda acentuada. Ele ressalta que as dificuldades
de crédito são muito sérias, mas os bancos no Brasil
não estão parados, com destaque para o BNDES. "O primeiro
semestre será difícil, com o pico da queda da produção
industrial ocorrendo até o final de março, pois os estoques
das empresas vão levar um bom tempo para diminuírem bem",
comentou.
Para Padovani, entre abril e
junho ocorrerá o pico dos efeitos da crise sobre o comércio,
que sofre as consequências de turbulências pouco depois da
indústria. Será um período que marcará a
alta do desemprego. Contudo, ele destaca que este cenário começará a
reverter no segundo semestre, pois a distensão da política
monetária e a política fiscal expansionista não
deixarão o País mergulhar numa recessão.
"A confiança dos
agentes econômicos vai ser resgatada de forma paulatina e com isso
o consumo deve melhorar, o que deve ampliar a concessão de crédito
e revigorar os investimentos no final deste ano", afirmou. Na sua
avaliação, como a economia vai acelerar e subir de 2% neste
ano para um nível próximo a 3,5% em 2010, ele espera que
a FBCF aumente de 5% a 10% no ano que vem.
Financiamentos
Com o surgimento da crise, subiu
a demanda de financiamentos junto ao BNDES pelas empresas no Brasil.
O superintendente da área de Pesquisa Econômica da instituição,
Ernani Torres, estima que as aprovações de projetos envolveram
o montante próximo a R$ 44 bilhões no último trimestre
de 2008, perto de 10% acima dos R$ 40 bilhões registrados no mesmo
período de 2007.
No ano passado, o orçamento
da instituição atingiu R$ 90 bilhões, mas de acordo
com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, há condições
de atender financiamentos em até R$ 110 bilhões. "Do
total de crédito concedido no País, o BNDES foi responsável
por 16% em setembro, patamar que subiu para 17% em dezembro. É possível
que tal participação suba para 19% ao final deste ano",
comentou Torres. Ele estima que a FBCF deve subir 6% em 2009 e avançar
de 8% a 9% em 2010.
O professor da Fundação
Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) Ricardo Antunes ressalta
que a recuperação dos investimentos requer também
uma ação mais firme do governo para que os bancos reduzam
os spreads dos financiamentos as empresas e famílias, dado que
a FBCF só avança se há aumento da demanda. "Não
faz sentido que os juros do cheque especial e do cartão de crédito
alcancem 9% ao mês. Se a taxa ficar em 3%, já representará um
lucro de 200% sobre a taxa básica, que está em 1% no
período (12,75% ao ano)", frisou.
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Folha de S.Paulo, 26 de janeiro
de 2009
Força cogita encerrar negociação
com Fiesp
Líder da central diz que acordos de
flexibilização do emprego já ocorrem na prática
e que continuar diálogo é "chover no molhado" |
Sindicato dos Metalúrgicos de SP diz que 110 empresas já procuraram
a entidade para negociar alternativas às demissões
desde o dia 12
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho,
presidente da Força Sindical, disse que ainda avalia se retomará as
discussões com a Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo) sobre flexibilização do
emprego. As negociações deveriam ser retomadas nesta semana,
após uma interrupção de cerca de dez dias motivada
pela afirmação de empresários de que não
seria possível garantir empregos mesmo se os trabalhadores aceitassem
flexibilizar seus contratos de trabalho.
" O que se queria a gente já conseguiu, que era criar uma condição
de negociação, e não de demissão. Acordos já estão
acontecendo. O acordo que nós estávamos discutindo com a Fiesp,
na verdade, não era um acordo. É um protocolo, que iria orientar
os sindicatos do Brasil inteiro. Só oficializaria o que já está acontecendo,
seria chover no molhado", disse ele.
O líder da Força destacou que a central sindical deve começar
a pressionar mais o governo para que sejam anunciadas medidas como a ampliação
do seguro-desemprego e outras ações que possam estimular o crescimento
da economia e a geração de postos de trabalho. "Já conversei
com o [ministro do Trabalho, Carlos] Lupi, mas ele está misterioso.
Ele está com um projeto para o seguro--desemprego e não quer
me contar", brincou o sindicalista.
O ministro afirmou, no fim de semana em São Paulo, que a pasta estuda
medidas para amparar os trabalhadores demitidos. "Quero anunciar [as ações]
ainda neste mês, mas dependemos de cruzamentos de informações.
O mais provável é que saiam na primeira semana de fevereiro." Segundo
Lupi, o ministério prevê que janeiro e fevereiro sejam meses difíceis
para os trabalhadores e o governo estuda meios de estimular a geração
de emprego.
Pressão por acordos
Segundo sindicatos de trabalhadores, cresce a pressão de empresários
para adotar medidas de flexibilização do emprego, tais como redução
de salário e suspensão do contrato.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, 110 empresas
procuraram a entidade para negociar alternativas às demissões
desde o dia 12 de janeiro, quando muitas das empresas em férias coletivas
no Estado retomaram a produção.
" Desde que detectamos possibilidade de demissões e buscamos o entendimento,
as empresas têm nos consultado, mas isso não significa que todas
fecharão acordos", afirma Miguel Torres, líder do sindicato,
ligado à Força Sindical, que defende acordos entre empresários
e sindicatos para evitar demissões de funcionários.
A entidade representa 260 mil trabalhadores em 11 mil empresas. De acordo com
Torres, cerca de 20 companhias em São Paulo e Mogi das Cruzes estão
prestes a firmar acordos. Ele afirma que em todas as negociações
o sindicato conseguiu garantir benefícios além dos que estão
previstos na legislação. "Não existe flexibilização.
Até melhoramos o que está na CLT", afirma.
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Folha de S.Paulo, 26 de janeiro
de 2009
Cortes crescem em janeiro, dizem sindicatos
COLABORAÇÃO PARA
A FOLHA
A onda de demissões que
começou no final do ano passado se repete nas primeiras semanas
de janeiro, de acordo com um levantamento com 30 sindicatos de trabalhadores
ouvidos pela Folha. Os cortes crescem em diversas regiões do país
e se espalham por setores como metalurgia, construção,
mineração e alimentação.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Município do Rio
de Janeiro, Alex dos Santos, diz que as demissões homologadas no sindicato
avançaram 35% em janeiro deste ano sobre o mesmo período de 2008.
Até quarta-feira, foram 473 dispensas.
Apenas trabalhadores com pelo menos um ano de tempo de serviço têm
que homologar a demissão no sindicato da categoria à qual pertence.
As demissões homologadas em janeiro não significam que as dispensas
foram feitas somente neste mês. Segundo o Ministério do Trabalho,
não há prazo para que as empresas agendem a homologação
nos sindicatos.
Os desligamentos de empregados temporários também não
são registrados pelos sindicatos. Apesar da falta de controle, a estimativa
do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas -com 53 mil trabalhadores
na base- é que o dobro de metalúrgicos foi dispensado entre novembro
e janeiro, incluindo os temporários. "De novembro até agora,
há cerca de 2.500 trabalhadores demitidos na região", destaca
Jair dos Santos, presidente da entidade.
Em janeiro deste ano, Santos afirma que as demissões também dobraram
em relação ao mesmo mês de 2008, puxadas principalmente
pelos cortes no setor de autopeças. Neste mês, 790 funcionários
efetivos foram desligados na região.
" Os motivos que os empresários alegam para demitir não são
reais. Não há motivo para demitir nessas proporções.
Eles estão criando pânico entre os trabalhadores", diz ele.
Os desligamentos de metalúrgicos também aumentaram em Minas Gerais.
Em Belo Horizonte e Contagem, o sindicato da categoria, que representa 50 mil
trabalhadores, homologou 800 dispensas até a semana passada. O número
supera a média dos últimos quatro meses de 2008. Em setembro,
foram 623 dispensas, contra 712 em outubro, 601 em novembro e 631 em dezembro.
Construção civil
Representantes da construção civil, embora não relatem
cortes recordes de postos de trabalho, preveem avanço das demissões.
No Maranhão, o presidente do sindicato da categoria Humberto Mendes
destaca que, até terça passada, 870 trabalhadores homologaram
demissões no sindicato.
Segundo ele, empreiteiras contratadas em obras de expansão industrial
ficarão sem contrato após o término das obras que estão
em curso. "A partir de junho, vamos ter mais gente desempregada. Muitos
trabalhadores precisam procurar serviço em outros Estados."
Antonio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato da Construção
Civil de São Paulo, que tem 300 mil trabalhadores na base, acrescenta
que ainda há empresas contratando em janeiro, o que ameniza o efeito
das demissões. Na entidade, as demissões homologadas neste mês
mantêm a proporção registrada no ano passado. Até terça-feira,
foram aproximadamente 550 dispensas, o que significa 71% das 778 demissões
homologadas na entidade em todo o mês de janeiro de 2008.
Apesar do otimismo do sindicalista paulista, o Sinduscon-SP, que representa
as empresas do setor, já procurou os trabalhadores para discutir alternativas
como redução de salário e suspensão de contratos.
Acordos de flexibilização das relações de trabalho
também são discutidos por trabalhadores do setor de alimentos
e bebidas. Na categoria, perderam o emprego, principalmente, funcionários
de frigoríficos dependentes das exportações.
Em Campo Grande (MS), cerca de 400 trabalhadores homologaram demissões
em janeiro, segundo o sindicato dos trabalhadores da indústria da carne,
que tem cerca de 2.000 trabalhadores na base.
Em Chapecó (SC), empregados do setor se reuniram na semana passada para
discutir propostas de flexibilização do emprego.
Miguel Padilha, presidente da federação que reúne 13 mil
trabalhadores trabalhadores da indústria de carnes e derivados de Santa
Catarina, destaca que há empresas pedindo diminuição de
horas trabalhadas e de salário. "Não aceitamos isso. O trabalhador
não ganha muito. Imagine se abaixar o salário." (VERENA
FORNETTI)
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Folha de S.Paulo, 26 de janeiro
de 2009
Inflação e juros vão
ser conhecidos na semana
Fed definirá taxa nos EUA; no Brasil,
sai a ata do Copom
DA REPORTAGEM LOCAL
Após a redução
dos juros mais forte que a esperada pela maioria dos investidores, a
ata da reunião do Copom da semana passada, que vai ser divulgada
na quinta-feira, vai estar no centro das atenções do mercado
doméstico. A semana também trará a decisão
do banco central dos Estados Unidos para a taxa de juros do país.
Na quarta-feira, o Fomc (comitê do BC dos EUA que define os juros) vai
se reunir e anunciar como ficam os juros na maior economia do mundo. A expectativa é que
a taxa seja mantida no atual patamar. Em seu último encontro, o Fomc
decidiu colocar sua taxa em uma banda entre 0% e 0,25%.
Já o Copom (Comitê de Política Monetária do BC brasileiro)
reduziu sua taxa básica, a Selic, de 13,75% para 12,75% anuais. A maioria
do mercado esperava que os juros fossem cortados para 13%. Com essa decisão
mais ousada por parte do Copom, é grande a expectativa em torno da ata
do encontro, a ser conhecida na quinta, que trará explicações
sobre a decisão e, possivelmente, sinais sobre o futuro da Selic.
Para a Bolsa de Valores, uma boa notícia será a sinalização
de que os juros ainda vão recuar bastante durante o ano. Isso porque,
quanto menores os juros, maiores as possibilidades de os investidores aceitarem
correr riscos -como o representado pelo mercado de ações- para
tentarem retornos mais interessantes.
"
O Copom deu início ao processo de flexibilização
da política monetária, alertando, entretanto, que considera
que o passo inicial representa parte relevante do movimento da taxa
básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da
meta para a inflação", diz Elson Teles, economista-chefe
da corretora Concórdia.
"
Ao iniciar o processo de alívio monetário com um corte
mais ousado, acima da aposta majoritária do mercado, o Copom
sinaliza sua maior preocupação com a forte desaceleração
da atividade econômica", completa o economista.
A agenda semanal estará carregada de dados econômicos, com destaque
para os EUA.
Hoje haverá a divulgação do índice de atividade
do Fed (banco central dos EUA) regional de Chicago, relativo a dezembro. O
dia também conta com os dados de vendas de imóveis usados e os
indicadores econômicos antecedentes -que costumam ser acompanhados de
perto por analistas e investidores.
Amanhã haverá os indicadores de confiança do consumidor
americano e o índice que mede o desempenho do setor manufatureiro, levantado
pelo Fed de Richmond.
Na quinta-feira vão ser conhecidos nos EUA os números de encomendas
de bens duráveis, os novos pedidos de seguro-desemprego e as vendas
de imóveis novos.
A semana fecha com a divulgação da primeira prévia do
resultado do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no 4º trimestre de 2008.
No Brasil, além da ata do Copom, será relevante a divulgação
de índices de inflação. Se os dados continuarem mostrando
arrefecimento dos índices de preços, o Copom tende a manter o
ciclo de cortes da taxa básica de juros brasileira.
Os dados do IPC da Fipe da terceira quadrissemana de janeiro vão ser
apresentados amanhã. O mercado projeta que o índice mostre elevação
de 0,38%. Na quinta-feira, será a vez de o IGP-M de janeiro, medido
pela FGV, ser apresentado. A expectativa é que o índice apresente
deflação de 0,40%.
Por ser o primeiro a ser conhecido, o IGP-M é relevante por indicar
os rumos da inflação brasileira no mês.
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Vermelho, 26 de janeiro de
2009
Luis Nassif: As barbeiragens do
Banco Central
A redução da taxa Selic em um ponto
foi pouco e chegou atrasada. Em dezembro havia sinais claros de que a
economia estava em queda livre. E mesmo assim o Copom (Comitê de
Política Monetária) manteve a taxa de juros inalterada.
A incapacidade do Banco Central de perceber o que estava acontecendo
em tempo real na economia foi completa.
Por Luis Nassif, em seu blog
Em relação à atividade industrial, o Relatório
de Inflação de dezembro enxergou um “relativo arrefecimento”,
mas destacou que “se manteve em crescimento no trimestre encerrado em
outubro”. A autoridade monetária apontou, ainda, que a atividade
deverá seguir em desaceleração nos próximos meses.
Os dados da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) referentes a novembro do ano passado
mostraram um tombo de 9,9% frente a outubro e de 7% na comparação
com igual mês de 2007.
Em relação ao
emprego, o Banco Central foi “traído” pela defasagem
dos números. O Relatório de Inflação apontou
que “As condições do mercado de trabalho não
evidenciaram de forma expressiva, até outubro, os impactos da
intensificação da crise nos mercados financeiros internacionais,
persistindo as trajetórias de redução na taxa de
desemprego, substituição de empregos informais por postos
com carteira assinada e continuidade da incorporação de
ganhos reais aos rendimentos.”
Dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) de dezembro apontaram para 0 fechamento de 654,9
mil vagas formais no Brasil no mês de dezembro, o dobro da média
para o mês.
Esses dados já seriam
suficientes para justificar o início da queda da Selic. Havia
outros, bastante concretos.
O pior impacto da Selic é sobre
as contas públicas e sobre o câmbio. Quando as taxas internas
estão muito mais elevadas que as externas, há um aumento
do ingresso de dólares apreciando o real e tornando as exportações
mais caras e as importações mais baratas.
Mas sobre o nível de
atividade o efeito é indireto. Teoricamente, a alta dos juros
aumenta o custo do dinheiro na ponta, reduzindo as vendas a prazo, a
formação de estoques e o nível de atividade. O custo
do dinheiro é formado pela taxa básica mais um spread -
em geral tão elevado que acaba fazendo com que a taxa final seja
pouco sensível aos movimentos da Selic.
A exceção eram
as grandes empresas. Nos meses imediatamente anteriores à crise,
o spread era quase negativo. Depois, da crise, aumentou substancialmente.
Logo, já havia um efeito adicional de aumento de juros na ponta
do spread, permitindo reduzir na ponta Selic.
Desde outubro, sinais claros
de que a atividade estava desabando. Em dezembro, o BC continua insistindo
em atividade econômica robusta, no momento em que ocorria a maior
leva de demissões dos últimos anos.
Os estoques aumentaram substancialmente
e caiu o Nível de Utilização da Capacidade Instalada
(NUCI), dois indicadores que serviam de álibi para a manutenção
de Selic elevada.
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Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2009
Arrecadação com o ICMS
cai 3,7%
Receita do principal tributo estadual recuou
de R$ 19,7 bi em outubro para R$ 19 bi em novembro | Repasses da
União tiveram queda de 1% em dezembro de 2008 sobre igual
período de 2007; Rio prepara corte de R$ 500 mi no orçamento
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A crise financeira internacional
chegou ao caixa dos Estados. A arrecadação do ICMS, principal
tributo estadual, caiu 3,7% -de R$ 19,727 bilhões em outubro para
R$ 19,007 bilhões no mês de novembro.
Os repasses constitucionais feitos pela União, outra fonte importante
de recursos, ainda registraram crescimento em dezembro -5,2% em relação
a novembro. Mas, quando comparados a dezembro de 2007, há uma queda
de quase 1%, o pior resultado do ano.
E os dados preliminares do ICMS de dezembro e janeiro não são
animadores. Na Bahia, o imposto caiu cerca de 10% em relação
a janeiro de 2008. Em Minas Gerais, o recolhimento em dezembro foi 3% inferior
a novembro. No Rio de Janeiro, o corte no orçamento será superior
a R$ 500 milhões. No Rio Grande do Sul, as metas de arrecadação
não foram alcançadas pela primeira vez no ano em dezembro.
" O Rio de Janeiro abastece alguns insumos para a indústria automotiva
e se ressentiu um pouco [da queda nas vendas do setor]. Vamos continuar observando
o comportamento da economia. É possível que façamos alguns
contingenciamentos", afirma o secretário da Fazenda, Joaquim Levy.
" A crise está chegando. A arrecadação perdeu fôlego
nos últimos meses. Já vimos reflexos na indústria do Estado,
especialmente de mineração e automóveis. No comércio, é possível
que chegue em janeiro", diz o secretário de Fazenda de Minas Gerais,
Simão Cirineu.
Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se
com os governadores das regiões Norte e Nordeste, os mais afetados pela
queda nos repasses da União. O governo federal quer que os Estados mantenham
o ritmo de investimentos para evitar um impacto ainda maior da crise na economia.
" Ainda é cedo para saber a magnitude da perda na arrecadação,
mas o cenário de recuperação dos investimentos dos Estados
nos próximos dois anos não deve se confirmar", diz o economista
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Marcelo Piancastelli,
que renegociou a dívida dos Estados quando era secretário-adjunto
do Tesouro Nacional.
Em São Paulo, de acordo com números do Confaz (Conselho Nacional
de Política Fazendária), a arrecadação do ICMS
caiu 12,9% em novembro em relação a outubro, mas ainda continuava
mais alta do que em 2007. Naquele ano, o Estado recebeu R$ 63,2 bilhões
do tributo. Até novembro, já acumulava R$ 69,6 bilhões.
Desaceleração
A queda no ritmo de crescimento das receitas estaduais também se confirma
quando a comparação é feita com 2007. O recolhimento do
ICMS no ano passado, por exemplo, aumentava em média 16% a cada mês
na comparação com os mesmos períodos de 2007. Em novembro,
a taxa de crescimento da arrecadação foi a mais baixa de todo
o ano: 10% sobre o mesmo mês de 2007.
Apesar de ser um crescimento ainda considerável, essa taxa mostra a
velocidade com que os Estados estão sendo afetados.
" Perdemos R$ 40 milhões de arrecadação no setor petroquímico
e outros R$ 7 milhões no setor atacadista em dezembro. O comércio
está queimando estoque e não compra. Além disso, não
houve aumento na demanda de matéria-prima no setor petroquímico,
o que para uma cadeia produtiva que responde por 25% do ICMS aqui", afirma
o coordenador de tributação da Secretaria de Fazenda da Bahia,
Luis Henrique Alexandre.
Repasses
Os repasses feitos pela União foram ainda mais afetados nessa comparação.
As transferências aumentavam num ritmo de 13% em relação
a 2007. Mas em dezembro de 2008 houve queda de quase 1% na comparação
com o mesmo mês do ano anterior, o pior resultado do ano. Ou seja, os
Estados receberam menos em dezembro de 2008 do que haviam levado em dezembro
de 2007.
" Vamos ter que acabar compensando a queda nos repasses com receita própria",
diz o secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, Ricardo Englert. O Estado
esperava receber R$ 1,2 bilhão neste ano, mas já estima uma diminuição
de R$ 100 milhões.
No Rio Grande do Sul, o sintoma mais claro da crise foi no aumento das empresas
que declaram dever ICMS ao Estado, mas não fazem o recolhimento.
Em setembro do ano passado, antes da crise, de cada 100 declarantes, 3,9 não
pagavam o imposto. Em dezembro, o percentual dos inadimplentes já havia
subido para 5%.
Além de perder com o desaquecimento da economia, que reduzirá o
IR (Imposto de Renda), uma das fontes dos repasses aos Estados, os governadores
também terão que arcar com parte das desonerações
tributárias que a União fez.
As reduções de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),
uma das medidas mais importantes para beneficiar o setor automotivo, reduzem
o valor do Fundo de Participação dos Estados, que é composto
também por esse tributo.
O secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, por meio
da assessoria, disse que só falaria sobre o desempenho da arrecadação
do Estado após receber os dados do recolhimento setorial do ICMS, cuja
divulgação acontece nesta semana.
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Vermelho, 26 de janeiro de
2009
FSM: cobranças à vista
para a política ambiental brasileira
Ator relevante nas negociações
ambientais multilaterais travadas ao longo dos últimos anos,
o Brasil será objeto de cobranças internas e externas,
e caberá ao governo a complexa tarefa de demonstrar para ambos
os públicos que as políticas ambientais seguem se fortalecendo
no país.
Por Maurício Thuswohl, para a Carta
Maior*
A realização do próximo Fórum Social Mundial (FSM)
em Belém colocará autoridades públicas e ativistas sociais
de todas as partes do mundo, literalmente, no centro da problemática
amazônica. Ator relevante nas negociações ambientais multilaterais
travadas ao longo dos últimos anos, o Brasil será objeto de cobranças
internas e externas, e caberá ao governo brasileiro a complexa tarefa
de demonstrar para ambos os públicos que as políticas ambientais
seguem se fortalecendo no país.
No primeiro FSM a se realizar
sem a simbólica presença de Marina Silva no Ministério
do Meio Ambiente (MMA), todas as atenções e cobranças
sobre temas como aquecimento global e desmatamento da Amazônia,
entre outros, serão provavelmente dirigidas ao atual ministro.
Durante o Fórum, Carlos Minc terá que, ao mesmo tempo,
divulgar as ambiciosas metas do recém-lançado Plano Nacional
de Mudanças Climáticas, pedir doações para
o Fundo Amazônia e tranqüilizar a todos sobre o racha público
do governo federal em pontos sensíveis como as alterações
no Código Florestal e o caráter do Plano Amazônia
Sustentável (PAS).
A comunidade internacional tem
ciência de que o resultado da disputa em torno do Código
Florestal será um indicativo dos rumos que tomará a política
ambiental brasileira nos últimos anos do governo Lula. A poucos
dias do início do FSM, o impasse permanece dentro do governo,
fato que aumenta a inquietação geral frente a essa questão.
Apoiado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Minc quer
evitar que as alterações no Código permitam a diminuição
de 80% para 50% da área mínima obrigatória de Reserva
Legal nas propriedades situadas dentro do bioma amazônico.
A oposição ao
MMA parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa), que, alinhado aos anseios do agronegócio e da bancada
ruralista no Congresso Nacional, defende a redução da Reserva
Legal. Hostilizado por representantes do movimento socioambientalista,
o ministro Reinhold Stephanes chegou a abandonar as negociações
sobre o Código Florestal, e agora passa por um processo de convencimento,
capitaneado pela Casa Civil, para voltar ao diálogo com o MMA.
Curiosamente, outro foco de
oposição às alterações propostas para
o Código Florestal vem de um dos setores mais progressistas do
governo: o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O ministro Guilherme Cassel já avisou ao colega Minc que, da maneira
como estão propostas, as alterações no Código
colocarão na ilegalidade milhares de agricultores familiares que
plantam alimentos em áreas de encostas.
Por trás das divergências
entre o MMA e o MDA, no entanto, existe uma questão de grande
importância, que é a adequação dos assentamentos
da reforma agrária às metas ambientais traçadas
pelo governo. Durante o FSM, caberá às equipes dos dois
ministérios, em sintonia com os movimentos sociais, virar a página
do episódio em que os assentamentos do Incra foram responsabilizados
pelo aumento do desmatamento na Amazônia e chegar a um entendimento
comum sobre as falhas e dificuldades de aplicação das políticas
públicas na região. É fundamental que, “vitaminados” pelos
movimentos sociais em Belém, o MMA e o MDA se unam contra os setores
mais atrasados do governo.
Questão fundiária
Outra questão que será alvo
da inquietação de governos e de organizações
não-governamentais do Brasil e do exterior durante o próximo
FSM é a regularização fundiária na Amazônia.
Comandado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, o
PAS, que ainda não saiu da gaveta, prevê a venda sem licitação
de terras públicas com até 1,5 mil hectares na região,
fato que já rendeu à Medida Provisória que criará o
fundo o apelido de “MP da Grilagem”.
No que se refere à posse
de terras na Amazônia, quem terá de sofrer pressões
em Belém, além de Carlos Minc, é um estreante nesse
tipo de contato com os movimentos sociais: o ministro Mangabeira Unger.
Em busca de resultados a apresentar durante o Fórum, Mangabeira
já fez um périplo pelos estados do Pará, Amazonas,
Acre e Mato Grosso, onde negociou com os governadores questões
ligadas à regularização fundiária e à transferência
de terras da União para os governos estaduais.
Mudanças climáticas
Também não faltarão
durante o FSM cobranças ao governo brasileiro no que se refere
ao aquecimento global e ao desmatamento da Amazônia. Na última
conferência da ONU sobre as mudanças climáticas,
recentemente realizada em Poznan (Polônia), o Brasil assumiu posição
de destaque ao pedir doações para o Fundo Amazônia
e ao apresentar seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas,
que prevê a redução de 73% do desmatamento da floresta
amazônica até 2017.
Apesar de ter saído bem
na foto em Poznan, caberá ao Brasil, como anfitrião do
FSM, reconhecer que o encontro na Polônia em pouco avançou
e postergou todas as resoluções com vistas a um “Pós-Kyoto” para
a próxima conferência sobre o cima, que acontecerá no
segundo semestre em Copenhague (Dinamarca). O ano de 2009, portanto,
será fundamental para a luta contra o aquecimento global. Por
isso, o movimento socioambientalista brasileiro e internacional espera
no FSM um posicionamento do governo brasileiro que vá além
das boas intenções e do estabelecimento de metas.
O próprio MMA reconhece
que, para cumprir a meta de reduzir em 40% a média de desmate
no período 2006-2009 em relação à média
dos dez aos anteriores (1996-2005), será preciso fazer com que
2009 seja o ano com o menor desmatamento da história. Como se
vê, as responsabilidades da política ambiental brasileira
são imensas, e as cobranças sobre elas começarão
já no mês de janeiro, na amazônica cidade de Belém.
* Maurício Thuswohl é jornalista.
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Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2009
Dinheiro público
Se Brasil congelasse os salários,
como Obama, mais gente seria atingida
A decisão do presidente norte-americano Barack Obama de congelar os
salários de servidores do alto escalão que recebem acima de US$
100 mil anuais (cerca de R$ 18 mil mensais), se fosse adotada pelo governo
brasileiro, atingiria um número maior de funcionários do que
nos Estados Unidos.
No Brasil, acima do teto de Obama
estão carreiras da elite do serviço público, como
a Polícia Federal, e um grupo de privilegiados que se beneficia
de decisões judiciais para receber salários milionários.
Nesse grupo, os vencimentos de pelo menos 94 servidores da ativa extrapolam
até o teto local, bem mais generoso, chegando a R$ 24,5 mil.
A lista com as maiores remunerações
da administração pública federal mostra que 50 órgãos
pagam salários acima de R$ 18 mil. Nos Estados Unidos, a medida
adotada por Obama no primeiro dia de gestão deve atingir cerca
de 100 assessores do presidente – um sinal claro de que a política
de contenção de gastos do governo é um dos remédios
para enfrentar a crise econômica.
No Brasil, os altos salários
resultam de uma combinação de fatores. De um lado, o governo é forçado
a respeitar as liminares que garantem a 647 servidores do Executivo — considerando
ativos, aposentados e pensionistas — salários acima do teto
de R$ 24,5 mil, fixado pelo Supremo Tribunal Federal para os três
poderes. Do outro, o governo Lula, desde 2003, vem concedendo reajustes
expressivos aos servidores, e colocou em prática uma política
de valorização das carreiras de Estado. Um delegado ou
perito da PF em fim de carreira recebe R$ 19 mil, mas a remuneração
pode chegar a R$ 24,1 mil, somadas gratificações e vantagens
pessoais. A carreira de policial federal está no topo da elite
do serviço público, com salário inicial de R$ 12,9
mil.
Outras carreiras de Estado que
se destacam pelos altos salários são as de auditor fiscal
e de gestor. No caso dos auditores da Receita Federal e da Previdência,
a remuneração inicial aumentou 150% entre 2003 e 2008 – de
R$ 5 mil para R$ 12,5 mil. Já o salário final cresceu 125%,
passando de R$ 7,4 mil em 2003 para R$ 16,7 mil em 2008. Mas o plano
de reestruturação só será concluído
em 2010, quando o salário final da carreira passará a R$
19,5 mil.
No caso dos gestores, o
aumento é ainda maior. O salário inicial passou de R$
3,5 mil, em 2003, para R$ 10, 9 mil em 2008, crescimento de 211%.
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
janeiro de 2009 | Política
Tudo pela Democracia - Poder e verba
de R$ 6 bi movem disputa na Câmara e Senado
Os eleitos poderão ainda mexer na
gigante estrutura administrativa das duas Casas, que, se bem montada,
lhes será fiel até depois de deixarem o poder
Brasília - A eleição
dos novos presidentes do Senado e da Câmara garantirá aos
escolhidos não só o imenso poder político dos dirigentes
do Legislativo, mas também um Orçamento de R$ 6,27 bilhões,
daí a grande disputa pelo cargo, o jogo de rasteiras de última
hora e traições que deixam marcas para sempre. Juntos,
Senado e Câmara têm mais de 20 mil funcionários bem
pagos, hospitais, gráfica, TVs, rádios e centros de informática
de última geração.
Os eleitos terão ainda
o livre arbítrio de mexer ou não na gigante estrutura administrativa
das duas Casas, que, se bem montada, lhes será fiel por muito
tempo, até mesmo depois de deixarem o poder.
O Senado tem 44 diretorias, pouco
mais de uma para cada dois senadores. Cerca de 400 funcionários
garantiram, ao longo dos anos, salários iguais aos de diretor
- R$ 16.252 -, apenas R$ 260,09 a menos que o dos senadores, de R$ 16.512,09.
Ou seja: 444 funcionários da Casa têm salário praticamente
igual ao dos 81 senadores.
O Senado tem 6.570 servidores
ativos, dos quais 3.535 são concursados e 3.035 comissionados,
aqueles que podem ser nomeados livremente, por critérios políticos,
não técnicos. O salário médio mensal do servidor
da ativa é de R$ 12.879.
Gratificações
A Câmara, ainda maior,
tem 27 diretorias, cujos titulares recebem salário de cerca de
R$ 15 mil, mais as gratificações, que para esses cargos
variam de R$ 1.490 a R$ 1.908. Ali trabalham cerca de 14.750 funcionários,
mas apenas 3.600 são concursados.
Os outros 11.150 ocupam cargos
de confiança - 10 mil secretários parlamentares, que atuam
nos gabinetes, e 1.150 que exercem cargos de natureza especial, os CNEs.
A nomeação dos mais de 11 mil servidores se dá quase
sempre por critério político.
De acordo com informações
da Diretoria do Senado, as despesas anuais com pessoal - incluindo os
4.404 aposentados e pensionistas - são de R$ 2,33 bilhões.
Na Câmara, também segundo as informações oficiais,
os gastos com pessoal, anualmente, são de R$ 2,64 bilhões.
Os números bilionários
representam uma bem montada estrutura que costuma sobreviver por muito
tempo. O atual diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, por exemplo, foi
nomeado para o cargo em 1995, no primeiro mandato de José Sarney
(PMDB-AP) como presidente da Casa.
Sarney pode retornar ao posto,
14 anos depois, com uma estrutura burocrática e administrativa
praticamente igual à que montou. Depois dele, passaram pelo cargo
Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), Jader Barbalho (PMDB-PA), Ramez
Tebet (PMDB-MS), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Nenhum deles ousou fazer mudanças.
Só Raimundo Carreiro,
secretário-geral da Mesa escolhido por Sarney, foi contemplado
com um cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU),
sendo substituído por Cláudia Lyra, segunda nesse posto-chave,
da confiança de todos os que passaram pela presidência do
Senado.
João Domingos e
Rosa Costa
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
janeiro de 2009 | Política
Lula ficará fora da briga
pelo Congresso
Brasília - O governo decidiu lavar as mãos na briga entre PT
e PMDB pelo controle das presidências do Senado e da Câmara. Não
vai se envolver na disputa entre José Sarney (PMDB-AP) e Tião
Viana (PT-AC), ambos candidatos a comandar o Senado. Também não
vai interferir em favor da candidatura do presidente do PMDB, Michel Temer
(SP), na Câmara.
O movimento do governo surpreendeu
os peemedebistas e torna indefinida até a situação
de Temer, que, com o apoio do Palácio do Planalto, tinha posição
confortável para presidir a Câmara. Essa mudança
não representa um movimento aberto contra o PMDB. Mas, no governo,
vários auxiliares diretos do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva consideram um erro estratégico permitir que o partido
controle tanto Câmara como Senado, ainda mais sem a certeza de
que o PMDB estará alinhado ao PT na campanha presidencial de 2010.
O desembarque do governo desse
processo sucessório chegou a tal ponto nos últimos dias
que, irritado com a perspectiva de o PMDB assumir a direção
das duas Casas, um petista do alto escalão do governo disse à ''Agência
Estado'' que, se fosse deputado, votaria em Aldo Rebelo (PC do B-SP)
na Câmara.
O mesmo governo que vinha trabalhado
abertamente para eleger Temer agora decidiu cruzar os braços.
Diz que acredita na vitória do peemedebista, mas considera que
o acordo entre o PMDB e o PT do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia
(SP), pelo qual Temer deve sucedê-lo, é questão dos
partidos, não do Planalto. Lula tem lembrado a interlocutores
que nem sequer foi consultado sobre o acordo, até porque, à época,
apoiava Aldo, não Chinaglia.
O presidente também já tratou
de mandar um recado claro ao PMDB e ao PT: disputem e assumam o resultado,
porque não haverá compensação. Um colaborador
do governo acrescenta que Lula foi claro na conversa com Sarney, na semana
passada, quando teria dito: ''Vocês não vão jogar
isto no meu colo.'' Segundo o colaborador presidencial, a mesma advertência
foi feita mais tarde a Tião Viana, com o aviso de que ''não
vai ter cargo para compensar nenhum derrotado''.
Um dos conselheiros do presidente
afirma que governo vai enfrentar o resultado desta eleição,
seja ele qual for, sem cair na barganha, porque não quer ficar
refém.
Christiane Samarco
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de janeiro de 2009 | Política
Altos salários de prefeitos
destoam no cenário de crise
Agência Estado
No momento em que governantes preocupados com a crise econômica mundial
tentam ajustar seus orçamentos, algumas prefeituras do País ainda
convivem com salários que ultrapassam até a remuneração
do presidente da República. Enquanto o novo presidente dos Estados Unidos,
Barack Obama, decide congelar os salários dos altos funcionários
da Casa Branca para dar "o bom exemplo", no Brasil alguns mandatários
não se adaptaram à nova realidade. A Constituição
Federal não impede que prefeitos ganhem mais que o presidente, mas especialistas
defendem limites.
Em Angra dos Reis (RJ), cidade
localizada a 150 quilômetros da capital fluminense e com 148 mil
habitantes, a Câmara Municipal ignorou a crise mundial e concedeu
um reajuste de 39% ao novo prefeito, Tuca Jordão (PMDB). Em dezembro,
os vereadores elevaram o salário do peemedebista de R$ 16,5 mil
para R$ 23 mil. Tuca Jordão ganha hoje mais do que o prefeito
de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que recebe R$ 12.384,06.
A assessoria do prefeito de Angra dos Reis informa que ele não
abre mão do aumento.
Mesmo com a redução
do orçamento do Poder Executivo municipal de Angra dos Reis (de
R$ 470 milhões para R$ 460 milhões), os vereadores ampliaram
também os subsídios parlamentares, aumentando de R$ 36.000,00
para R$ 43.800,00 o limite de gastos com assessores. A justificativa é que
a Câmara ganhou mais um parlamentar.
Em Belford Roxo, na Baixada Fluminense,
a Câmara teve uma iniciativa oposta. Os parlamentares revogaram
o aumento aprovado pela legislatura anterior e reduziram os próprios
salários de R$ 7.430,00 para R$ 5.400,00, o que deve representar
uma economia de R$ 500 mil anuais, calculam. "Nossos salários
não coincidem com a realidade da cidade. Conversamos e chegamos
a um entendimento de que era um absurdo", justifica o presidente
da Casa, Wagner Carneiro (PRTB). Os 19 vereadores querem agora reduzir
o salário do prefeito Alcides Rolim (PT), que ganha, aproximadamente,
R$ 19 mil e tem minoria no Legislativo.
Considerado um dos mais elevados
salários entre os prefeitos do País, Beto Richa (PSDB),
de Curitiba (PR), recebe mensalmente R$ 23.904,81, mais que o dobro do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que ganha R$ 11.420,21).
Segundo a assessoria de Beto Richa, ele já buscou meios legais
para reduzir a remuneração. "Desde que assumiu (em
janeiro de 2005 - ele foi reeleito para o novo mandato já no primeiro
turno das eleições do ano passado), ele achava que o salário
era elevado", afirma um assessor. Como só a Câmara
Municipal pode definir o ordenado do prefeito, em abril de 2007 Beto
Richa passou a doar 20% do pagamento bruto à administração
municipal.
Sem intervenção
A Constituição
Federal, lei fundamental do País, não proíbe que
prefeitos recebam mais que o presidente. O salário de um prefeito
deve ser aprovado pela Câmara Municipal e não pode ultrapassar
o de um ministro do Supremo Tribunal Federal (hoje R$ 24.500,00). O prefeito
não pode, por iniciativa própria, aumentar ou reduzir a
própria remuneração. "O Executivo não
tem como intervir na questão", afirma o procurador-geral
de Angra, André Gomes. Segundo ele, é preciso levar em
conta a estrutura à disposição do presidente da
República e os gastos de cada prefeito para fazer tal comparação. "Tudo é pago
pela Presidência da República, ao contrário do que
acontece nos municípios", justifica.
Para o advogado Antônio
Sérgio Baptista, especialista em Direito Administrativo, cabe
aos vereadores avaliar o custo-benefício na hora de decidir sobre
o salário do prefeito, principalmente em tempos de turbulência
econômica. "Não se justificam remunerações
como estas", criticou, ao comparar os ordenados dos prefeitos de
Angra dos Reis e de Curitiba.
Baptista defende a criação
de uma regra para o Executivo nos moldes da que limita os salários
dos legisladores. A Constituição Federal prevê que
os vereadores tenham como teto salarial 75% do salário de um deputado
estadual, que, por sua vez, pode ganhar, no máximo, 75% do pagamento
de um deputado federal.
Abuso
O advogado Adilson Dallari, professor
de Direito Administrativo, também é favorável à criação
de limites aos salários de prefeitos. "Há muito abuso",
afirma. Dallari culpa a relação de "compadres" entre
parlamentares e prefeitos na esfera municipal e o descontrole no gasto
dos recursos federais. "Quando (as prefeituras) funcionavam com
receita própria, havia mais cuidado com os salários. Como
boa parte dos recursos das prefeituras agora vêm do governo federal..."
O vice-prefeito de Diadema, no
Grande ABC (SP), Gilson Menezes (PSC), já ganhou bem mais que
os atuais R$ 8.122,09 quando foi prefeito entre 1997 e 2000. No último
ano de gestão, a Justiça reduziu o salário dele
de R$ 22.752,42 para R$ 8.500,00. Menezes recorreu para não devolver
a diferença salarial dos três anos anteriores. O atual prefeito
de Diadema, Mário Reali (PT), recebe bem menos que ele ganhava
em 2000: R$ 14.472,21.
Para Menezes, que já foi
do PT, o salário que recebia no último mandato como prefeito
era compatível com as responsabilidades. "Eu pagava meu
partido, aliás, ajudei muito meu partido. Sempre tive um coração
liberal, ajudei muitas pessoas", afirma. O vice-prefeito de Diadema
considera "injusto" questionar os prefeitos sobre os salários,
uma vez que as Câmaras determinam os reajustes. "O prefeito
tem é de ser honesto, competente e fazer uma bela administração",
desconversa.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de janeiro de 2009 | Política
Em meio à crise, estados cortam
Orçamento em R$ 5 bilhões
Agência Estado
Em época de turbulência financeira e rigor fiscal, nove governadores
já efetuaram cortes no Orçamento de 2009 ou decidiram contingenciar
recursos, condicionando a liberação à melhoria do cenário
no Brasil e no mundo. De acordo com levantamento feito pelo Estado com os secretários
de Planejamento de todos os Estados e do Distrito Federal, o aperto nos Orçamentos
estaduais totaliza R$ 4,96 bilhões, mas deve aumentar, já que
pelo menos outros cinco governadores ainda podem adotar medidas de contenção.
Com uma tesourada de 25% nas
despesas de custeio da máquina e 15% nos investimentos, a governadora
Wilma de Faria (PSB) espera proteger o Rio Grande do Norte das intempéries.
O governo de Goiás chegou a retirar a proposta orçamentária,
elaborada antes da quebra do banco Lehman Brothers, em setembro. Quando
sentiu que a crise americana ganharia o mundo e teria impacto no caixa
local, o governador Alcides Rodrigues (PP) enviou outro projeto, no início
de dezembro, desta vez 8% menor. A projeção inicial, de
R$ 13,6 bilhões, caiu para R$ 12,5 bilhões. Oficialmente,
porém, a maioria dos investimentos está preservada.
Peso Menor
No dia 8, o governador José Serra
(PSDB) anunciou o maior contingenciamento dos Estados, R$ 1,57 bilhão.
O governo de Rondônia cortou 2% nas previsões de receita
e contingenciou 5% dos gastos. Em Roraima, está certo que haverá impacto
da crise, embalado pela queda na arrecadação, mas a tesourada
não está definida - o secretariado se reuniu na sexta-feira
para começar a estudar a dose do remédio. No Piauí,
ao voltar das férias, na semana passada, o governador Wellington
Dias (PT) decidiu ordenar um enxugamento imediato de R$ 60 milhões
no custeio da máquina. Mais três Estados anunciaram medidas
similares - Amazonas, Bahia e Espírito Santo. O primeiro reviu
as estimativas de receita em R$ 144 milhões.
Já a Bahia prevê uma "possível
redução" de R$ 200 milhões. "Estamos
iniciando o ano atentos e, em cima dos dados, vamos decidir o que é melhor",
avisa o titular do Planejamento, Ronald Lobato. De todos, o Distrito
Federal foi o mais cauteloso: efetuou "ajuste preventivo" de
R$ 500 milhões no Orçamento, antevendo que o crescimento
anual não seria de 10%, mas de 3%. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo
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