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Folha de S.Paulo, 27 de Janeiro
de 2009
Multinacionais anunciam 75 mil
demissões
Caterpillar e Pfizer lideram lista de cortes
no mundo; segundo estimativas, EUA perdem 600 mil empregos por
mês
| Na Europa, cortes de ontem ultrapassam 16 mil; diante dos anúncios,
Obama pede novamente aprovação de pacote de US$ 825
bilhões
DA REDAÇÃO
A crise global, nascida no mercado
financeiro, deu ontem mais um sinal de que já se estabeleceu na
economia "real".
Importantes companhias americanas e europeias, algumas com filiais no Brasil,
anunciaram que vão demitir mais de 75 mil funcionários pelo mundo
ao longo de 2009.
A primeira da lista é a americana Caterpillar, maior fabricante mundial
de equipamentos de construção e motores para veículos
pesados, que cortará 20 mil funcionários. A Caterpillar afirmou
que 2009 será um de seus anos mais fracos desde a Segunda Guerra.
O grupo farmacêutico Pfizer, que anunciou a aquisição da
rival Wyeth, planeja cortar, segundo o jornal "Financial Times",
15% da força de trabalho combinada das duas empresas -ou 19 mil trabalhadores-,
informação não confirmada pela assessoria de imprensa
da marca no Brasil.
Também nos Estados Unidos, a Sprint Nextel, terceira maior operadora
de telefonia celular americana, divulgou plano de 8.000 demissões (14%
do quadro). A Home Depot, a maior cadeia de lojas de material de construção
nos Estados Unidos, afirmou que cortará 7.000 funcionários.
A General Motors divulgou que demitirá 2.000 operários em duas
de suas linhas de montagem nos Estados Unidos. Já a fabricante de computadores
IBM cortou 1.400 postos na semana passada. Na Texas Instruments, que produz
aparelhos celulares, as demissões chegam a 3.400.
O presidente Barack Obama afirmou que os cortes mostram a urgência de
seu programa de estímulo econômico. O pacote, de US$ 825 bilhões,
incluiria redução de impostos, benefícios sociais de emergência
e investimentos públicos. "Não se trata apenas de números
em uma página", disse Obama. "Como no caso dos milhões
de empregos perdidos em 2008, estamos falando de homens e mulheres cujas vidas
foram perturbadas e cujos sonhos terão de ser adiados."
A economia americana eliminou 2,6 milhões de empregos desde o início
da recessão, em dezembro de 2007 -o pior resultado bruto desde 1945.
A taxa de desemprego no país subiu para 7,2% em dezembro. Os economistas
se preocupam com a possibilidade de que a economia esteja perdendo até 600
mil empregos ao mês. Os pedidos de seguro-desemprego haviam subido a
589 mil na semana encerrada em 17 de janeiro, repetindo o recorde de dezembro.
Europa
O banco holandês ING anunciou, ontem, que demitirá 7.000 de seus
130 mil funcionários em todo o mundo. A também holandesa Philips,
que opera no setor de eletrônica, anunciou o corte de 6.000 empregos à medida
que acelera seus planos de reestruturação.
No balanço publicado ontem, a empresa admitiu um prejuízo de
1,47 bilhão no último trimestre de 2008. A Corus, siderúrgica
britânica controlada pelo grupo indiano Tata, anunciou o corte de 3.500
do seu total de 41 mil funcionários.
Alemanha, Reino Unido, França e Espanha registraram queda acentuada
na produção industrial. Na sexta-feira, o governo espanhol anunciou
que a taxa de desemprego do país chegou a 13,91% no último trimestre
-a maior taxa na zona do euro. (MAURÍCIO MORAES)
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Com "Financial Times" e "New York Times"
Tradução de PAULO MIGLIACCI
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Vermelho, 27 de Janeiro de 2009
Centrais e federações
lançam 'Manifesto contra a Crise'
Com ataques dirigidos à elevadíssima taxa básica de juros
(Selic) adotada no Brasil, foi laçado nesta segunda-feira um Manifesto
contra a Crise, assinado por “centrais, federações e sindicatos
de trabalhadores e as federações de sindicatos empresariais”.
As entidades cobram a redução da Selic dos atuais 12,75% para “um
patamar de 8% ao ano”, além de um intervalo menor entre as definições
das taxas “enquanto perdurar a crise”.
O texto contém a assinatura de todas as centrais sindicais legalizadas
no Brasil, com exceção da CUT, que mais uma vez procura um caminho
alternativo e isolado. Em contrapartida, os presidentes das federações
paulistas da Agricultura, do Comércio e das Indústrias aderiram à carta.
Confira abaixo a íntegra
do texto.
MANIFESTO CONTRA A CRISE
Na Seqüência dos entendimentos que as Centrais, Federações
e Sindicatos de trabalhadores e as Federações de sindicatos empresariais,
têm promovido desde o ano passado no sentido de analisar a crise Internacional
e os seus efeitos negativos no Brasil — sempre objetivando oferecer sugestões
capazes de manter o nível de emprego no País —, as entidades
que assinam este documento estabelecem um histórico entendimento com
foco em quatro pontos principais:
– Que seja acelerada a queda na taxa básica de juros (Selic), alcançando,
o quanto antes, um patamar de 8% ao ano, (aproximadamente 3% de juros reais);
– Que as reuniões do Copom, do Banco Central (BC), destinadas a
debater e determinar a Selic, sejam a cada 15 dias – enquanto perdurar
a crise;
– Que sejam reduzidos drasticamente os spreads bancários, em especial
os dos bancos estatais que, hoje, estão entre os mais altos praticados
no País; e
– Que seja ampliado o número de integrantes do Conselho Monetário
Nacional (CMN), de três para sete membros, abrindo o órgão à participação
de outras áreas do Governo, da área acadêmica e das forças
produtivas.
A sociedade brasileira espera do Governo medidas práticas e imediatas
para combater a crise, evitando a ampliação de suas conseqüências
sobre o nosso país. Precisamos impedir o desemprego e defender o futuro
do Brasil.
São Paulo, Capital, 26 de janeiro de 2009.
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB
Antonio Fernandes dos Santos Neto – Presidente
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Wagner Gomes – Presidente
Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – FAESP
Fabio Meirelles – Presidente
Federação do Comércio do Estado de São Paulo – Fecomercio
Abram Szajman – Presidente
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp
Paulo Skaf – Presidente
Força Sindical
Paulo Pereira da Silva (Paulinho) – Presidente
Nova Central Sindical de Trabalhadores
José Calixto – Presidente
União Geral dos Trabalhadores
Ricardo Patah - Presidente
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Folha de S.Paulo, 27 de Janeiro
de 2009
Multinacionais
Fórum Social Mundial reunirá cinco
presidentes da AL no Pará
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
DA ENVIADA A BELÉM
A nona edição do
Fórum Social Mundial, que começa hoje em Belém (PA),
reunirá os cinco principais presidentes de esquerda da América
Latina. Mas eles devem encontrar um clima de cobranças sobre a
crise econômica global e a preservação da Amazônia,
afirmam os organizadores do encontro.
Estão confirmados, além do presidente Lula, Hugo Chávez
(Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando
Lugo (Paraguai). Eles devem ficar na capital paraense entre quinta e sexta-feira
desta semana.
A organização informou ainda que outros dois chefes de Estado
latino-americanos podem participar do encontro: Óscar Arias, da Costa
Rica, e Ronald Venetiaan, do Suriname.
Antes, o maior número de presidentes reunidos no fórum ocorreu
em 2005, em Porto Alegre (RS), com Lula e Chávez.
" Mas não são eles que dão legitimidade a nós",
disse Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas), um dos idealizadores do evento. "Nós
que damos legitimidade a eles."
Segundo ele, os presidentes foram convidados para responder o que planejam
fazer di ante dos dois principais temas do fórum deste ano: a "falência" do
sistema financeiro mundial e a busca de alternativas de desenvolvimento sustentável.
Para Oded Grajew, também idealizador do evento, os governantes sempre
atraem a mídia, o que gera visibilidade.
Além dos presidentes, 12 ministros de Lula devem comparecer -dentre
eles, Dilma Rousseff (Casa Civil), possível candidata à sucessão
em 2010.
O problema de estadia para os participantes do fórum atingiu até a
comitiva do presidente venezuelano Hugo Chávez.
Devido à demora da confirmação da vinda de Chávez,
os assessores e os seguranças que prepararam sua chegada não
encontraram vagas em hotéis, e por isso foram obrigados a alugar um
imóvel em Benevides, a 34 km da capital paraense. (JOÃO CARLOS
MAGALHÃES e ANA FLOR)
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Folha de S.Paulo, 27 de Janeiro
de 2009
Governo cria barreira contra importações
Ministério do Desenvolvimento impõe
exigência de licença prévia a quase todos os
produtos e retoma política abandonada nos anos 90 | Nova medida
burocrática pode atrasar importação em até 60
dias; ministério afirma que a intenção é realizar
acompanhamento estatístico
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
Em uma decisão que pegou
de surpresa as empresas de comércio exterior, o governo passou
a adotar desde ontem uma série de barreiras não-tarifárias
ao ingresso da grande maioria de produtos importados. Na prática,
a medida significa a volta do sistema de controle das importações
adotado pelo país nas décadas de 70 e 80, quando o Brasil
era um pequeno exportador e importava 80% do petróleo que consumia.
O que mais chamou a atenção foi a forma com que o governo comunicou
a decisão ao setor. Em vez de uma portaria ou uma comunicação
formal, o Ministério do Desenvolvimento anunciou a nova medida por meio
de uma nota publicada na sexta-feira passada no Siscomex, o sistema usado para
controlar o comércio exterior.
A nota no Siscomex informa que será exigida a partir da data de ontem
a apresentação da licença de importação
prévia, a chamada LI, para quase todos os produtos que entram no país.
A lista é ampla e abrange praticamente toda a pauta de importações
do país: produtos de moagem (trigo), plásticos, cobre, alumínio,
ferro, bens de capital, material eletroeletrônico, autopeças,
automóveis e material de transporte em geral, entre outros.
A exigência da LI tinha sido abolida no país nos últimos
anos. A importação era praticamente automática. A única
exigência era de uma declaração de importação
(DI), que era feita pelo próprio importador, apenas para efeitos estatísticos.
Já as LIs podem demorar até 60 dias para serem concedidas pela
Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e se assemelham muito às
guias de importação da época da Cacex (Carteira de Comércio
Exterior), o órgão que era responsável pelo controle da
entrada de produtos no país nas décadas de 70 e 80. A Cacex foi
extinta em 1990 e, desde então, o Brasil sempre tem atuado no sentido
de liberalizar o comércio exterior.
De acordo com o que a Folha apurou, a medida adotada pelo Ministério
do Desenvolvimento não conta com o apoio dos técnicos da Fazenda.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, irá se reunir hoje com o ministro
interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, para discutir a decisão.
No início da noite de ontem, a assessoria do Ministério do Desenvolvimento
ligou à Folha para informar que o objetivo da medida foi fazer um "acompanhamento
estatístico" de uma série de produtos importados pelo país,
e as importações barradas ontem seriam liberadas rapidamente.
A decisão de barrar as importações com a adoção
de medidas burocráticas demonstra, no entanto, uma preocupação
evidente do governo com a acentuada desaceleração das exportações
brasileiras no início deste ano. Segundo a Folha apurou, o governo chegou
a promover reuniões na semana passada com o objetivo de estudar medidas
para reverter o quadro, entre elas adotar algumas barreiras à importação.
O Ministério do Desenvolvimento pode ter até se precipitado e
exagerado na dose e, por isso, poderá ser obrigado a voltar atrás,
mas a medida não deixa dúvidas de que o governo está preocupado
com a deterioração da balança comercial.
Ontem foram divulgados os números da balança comercial de janeiro
até a semana passada. Pela terceira semana consecutiva, a balança
registra déficit. Até o dia 25, o saldo negativo chegava a US$
645 milhões.
Nesse mesmo período, as exportações somaram US$ 7,5 bilhões,
uma queda de 21,8% em relação ao ano passado. Já as importações
totalizaram US$ 8,2 bilhões, uma queda de 8,8% em relação
a 2008.
Segundo o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio
Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, o déficit de janeiro
ficou bem acima das previsões. Ele mesmo esperava um pequeno superávit,
mas isso não justifica a adoção pelo Brasil de medidas
protecionistas, segundo ele, já que o país possui reservas de
US$ 202 bilhões, mais do que suficientes para cobrir esse déficit.
De acordo com Castro, até se esperava que essas medidas fossem adotadas
por alguns países, como a Argentina e o Equador, mas nunca pelo Brasil.
Ele teme que, a partir dessas medidas, os outros países adotem medidas
de retaliação contra a exportação brasileira. "Essa
medida significa uma mudança significativa de rota da política
de comércio exterior do Brasil", afirma.
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Folha de S.Paulo, 27 de Janeiro
de 2009
BANCOS 2
Lula defende compra do Votorantim
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse ontem que é preciso reduzir a burocracia dos
bancos e do governo para que a concessão de crédito no
país se normalize e defendeu a compra do Banco Votorantim pelo
Banco do Brasil para "fazer com que a cadeia de carros usados volte
a funcionar".
Lula também disse, em seu programa semanal de rádio, que o governo
irá focar no capital de giro para pequenas e médias empresas, "grandes
geradoras de emprego." "É preciso diminuir a parte burocrática
do governo e dos bancos, para que voltemos à normalidade no crédito
brasileiro, sobretudo se nós levarmos em conta a micro e a pequena empresa,
a média empresa e o setor automobilístico, sobretudo o de carros
usados."
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Folha de S.Paulo, 27 de Janeiro
de 2009
JUROS
Força e Fiesp pedem decisão
a cada 15 dias
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Força
Sindical divulgaram manifesto pedindo juros menores e ampliação
do Conselho Monetário Nacional, formado pelo presidente do Banco
Central e pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, para incluir
empresários e trabalhadores. O documento sugere que as reuniões
do Copom sejam quinzenais.
Desde o início do mês, a federação e a central sindical
-a segunda maior do país- se reúnem para discutir a crise. A
princípio, debateram formas de flexibilizar o emprego, mas essas negociações
estão suspensas desde o dia 15. Paulo Pereira da Silva, presidente da
Força, disse que a central agora vai aumentar a pressão para
que o governo anuncie medidas para gerar empregos.
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Folha de S.Paulo, 27 de Janeiro
de 2009
Petrobras investirá até 2020
US$ 111 bilhões no pré-sal
BNDES oferece à estatal crédito
de US$ 10 bi para 2010
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Principal foco da Petrobras nos
próximos anos, o pré-sal receberá investimentos
de US$ 111 bilhões até 2020, quando serão produzidos
1,8 bilhão de barris diários de petróleo na nova
e promissora fronteira exploratória do país -volume que
dobra a atual produção.
Em 2020, a Petrobras espera produzir 3,9 bilhões de barris/ dia de petróleo
no Brasil. Considerando também a extração de gás
e a produção internacional, a estimativa sobe para 5,7 milhões
de barris/dia. Atualmente, a estatal produz 1,85 bilhão de barris/dia.
Até 2013, a estatal aplicará US$ 28 bilhões no pré-sal.
Desse total, US$ 18 bilhões vão para a bacia de Santos, onde
estão as maiores reservas. Os outros US$ 10 bilhões serão
destinados à bacia do Espírito Santo.
Parte do dinheiro virá de uma linha de crédito adicional do BNDES
anunciada ontem pela Petrobras, que disponibilizaria US$ 10 bilhões
para 2010.
Segundo o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o novo
plano estratégico viabiliza os recursos necessários para desenvolver
a produção de petróleo no pré-sal.
Para dimensionar a importância das descobertas do pré-sal, Gabrielli
ressaltou que a Petrobras levou 45 anos para chegar a uma produção
de 1 milhão de barris/dia, marca que será atingida no pré-sal
em 2015 -ou seja, em apenas nove anos, considerando a descoberta de Parati
em 2006.
Se as reservas das três áreas já delimitadas do pré-sal
(Tupi, Iara e Jubarte) já pudessem ser contabilizadas, a Petrobras elevaria
suas reservas dos atuais 14 bilhões de barris/dia para até 28
bilhões de barris/dia.
O executivo disse, porém, que os desafios do pré-sal "são
gigantescos" e demandarão novos modelos logísticos. Gabrielli
mandou ainda um recado a analistas de mercado, que, segundo ele, sempre superestimam
as necessidades de investimentos no pré-sal. Com o atual nível
de preço do petróleo, diz, as reservas são viáveis.
Em seu plano de negócios, a Petrobras usa como referência a cotação
do petróleo a US$ 37 o barril. Acima desse valor todos os projetos são
viáveis. "Se o preço ficar abaixo disso, temos duas opções:
ou buscamos mais recursos no mercado ou postergamos os projetos."
Mas Gabrielli diz não trabalhar com nenhum dos dois cenários.
A estatal acredita que o petróleo vai oscilar entre US$ 37 e US$ 60
o barril nos próximos anos, ficando mais próximo do piso neste
ano e em 2010. Ele ressaltou ainda a importância de reduzir custos.
" Vamos endurecer nas negociações com os fornecedores. Já cancelamos
a licitação da P-61 e da P-63 e provavelmente vamos cancelar licitações
da refinaria Abreu e Lima [PE]."
Orçado em US$ 174,4 bilhões, o novo plano estratégico
da Petrobras incorporou um aumento de custos de US$ 17 bilhões. "Mas
não é só isso que pretendemos cortar", ressalta.
Do total do plano, 35% são de projetos ainda em fase de elaboração
conceitual, nos quais é mais fácil reduzir custos, segundo Gabrielli.
O plano, diz, não foi feito à luz da atual crise econômica,
mas visa dar sustentação aos negócios da companhia a longo
prazo.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
janeiro de 2009 | Política
TSE remarca eleições
em 21 municípios
Brasília - Até o próximo dia 22 de março, eleitores
brasileiros de pelo menos 21 cidades do interior do país terão
de voltar às urnas para escolher os novos prefeitos. Nesses municípios,
os candidatos eleitos (com mais de 50% dos votos válidos) em 5 de outubro
do ano passado tiveram suas candidaturas impugnadas e os &votos anulados.
Quando mais da metade dos votos
são anulados, a Justiça Eleitoral deve convocar nova votação.
No caso das cidades em que o primeiro colocado não teve mais de
50% dos votos válidos, o segundo colocado é empossado como
prefeito. Nos municípios onde está marcado novo pleito,
os presidentes das câmaras de vereadores assumem a prefeitura provisoriamente.
Em muitas cidades onde ocorre
nova votação, os eleitos já estavam com a candidatura
indeferida pelo juiz da comarca, mas, como tinham direito à recurso,
mantiveram-se em campanha. Esse é o caso, por exemplo, de Pimenteiras,
no nordeste do Piauí onde domingo houve nova eleição.
O candidato eleito em outubro,
Francisco Antão Arraes de Carvalho (PMDB), teve sua vitória
impugnada, porque o Tribunal de Contas do Estado não aprovou as
contas referentes ao período em que ele foi secretário
municipal de Saúde. No dia da eleição, a candidatura
já estava indeferida, mas, como havia um recurso pendente, Francisco
Antão pode disputar o pleito.
A possibilidade de permanecer
na disputa decorre do direito que é assegurado pelo sistema jurídico
brasileiro de se fazer uso de todos os recursos que são previstos,
diz o juiz José Aírton Medeiros, responsável pela
eleição em Pimenteiras.
Ele explica que um candidato
impugnado pode recorrer da decisão de uma comarca em várias
instâncias: Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) e até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) se
houver matéria constitucional.
Segundo José Aírton
Medeiros, a prática não é abusiva porque a lei permite.
''Deveríamos ter uma solução legislativa que atribuísse
mais importância a nós juízes de 1º grau'',
opina.
Para Cláudio Weber Abramo,
diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, episódios
como o dos 21 municípios onde ocorrerão novas eleições
até o final de março refletem a extraordinária lentidão
da Justiça brasileira. Em sua avaliação, os eleitores
desconhecem que há candidaturas impugnáveis. ''A informação
chega muito poluída pelas defesas e ataques (da campanha eleitoral).
Não há órgãos de comunicação
(locais) independentes o necessário'', lamenta Abramo.
De acordo com a Associação
de Magistrados Brasileiros (AMB), um terço dos candidatos a prefeito
que estava na lista suja conseguiu ser eleito ou ir disputar o segundo
turno no ano passado (45 entre 125 políticos que disputavam a
eleição).
Agência Brasil
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
janeiro de 2009 | Política
Lula não vai interferir na
eleição do Congresso
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu
ontem, durante reunião da coordenação política
do governo, que seria melhor para os partidos que integram a sua base de apoio
o lançamento de apenas um candidato na disputa pelos comandos da Câmara
e do Senado. Apesar de ter decidido se manter neutro na disputa, o presidente
teme rachas entre os aliados com as múltiplas candidaturas da base na
Câmara e no Senado.
Lula disse aos ministros que
integram a coordenação do governo que as eleições
no Congresso fazem parte de uma ''dinâmica própria'' do
Legislativo - por isso não está disposto a interferir no
processo.
O presidente afirmou que vai
respeitar o resultado das disputas na Câmara e no Senado, independentemente
de quem venha a ser eleito. A avaliação do governo é que
os resultados serão consequência da dinâmica do Legislativo
e dos partidos políticos.
No Senado, o petista Tião
Viana (AC) disputa com o senador José Sarney (PMDB-AP) o comando
da Casa Legislativa. O PT esperava o apoio de Lula ao candidato do partido,
mas o presidente decidiu manter-se neutro na disputa para não
desagradar diretamente o PMDB - partido com as maiores bancadas na Câmara
e no Senado, além de um possível aliado na chapa que vai
disputar a sucessão no Palácio do Planalto.
Em encontro com Sarney, Lula
revelou sua disposição de manter-se neutro na disputa,
o que na avaliação de peemedebistas abriu caminho para
a candidatura do ex-presidente.
Câmara
Na Câmara, o deputado Michel
Temer (PMDB-SP) também disputa com parlamentares da base aliada
o comando da Casa Legislativa. Ao lado do peemedebista, estão
no páreo os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), Osmar Serraglio
(PMDB-PR) e Ciro Nogueira (PP-PI).
O PT fechou acordo para apoiar
a eleição de Temer, mas parlamentares da legenda ameaçam
migrar para as candidaturas de Aldo ou Nogueira depois que Sarney decidiu
ingressar na disputa. Os petistas temem que o PMDB fique com o comando
das duas Casas Legislativas, reduzindo o poder da legenda no Congresso.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de janeiro de 2009 | Política
Partidos buscam articuladores para
sucessão de Lula
Agência Estado
De olho nos palanques e nas alianças que darão combustível
para a eleição de 2010, os maiores partidos do País aproveitarão
2009 para definir os nomes que vão liderar as negociações.
Nos próximos meses, PT, PSDB, PMDB e DEM vão colocar ordem na
própria casa e, em alguns casos, até reorganizar as direções
partidárias tendo em vista a disputa eleitoral.
O PT agendou para novembro a
sua eleição interna. Embora esteja impedido pelo estatuto
de disputar um novo mandato, o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini
(SP), terá papel fundamental ao pavimentar o caminho para que
sejam fechadas alianças e formatado o esboço do programa
de governo.
O sucessor de Berzoini terá tarefa árdua:
apaziguar as correntes da sigla, a fim de impedir que conflitos atrapalhem
a corrida eleitoral. Para petistas, o chefe de gabinete do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, que tem tratado
de arrefecer os ânimos do partido, poderia cumprir a tarefa. Mas
o próprio Carvalho evita o assunto e só aceita entrar na
disputa com o respaldo do presidente e de parte importante do partido.
No PMDB, o mandato do presidente
da sigla, deputado Michel Temer (SP), termina em março de 2009.
Mas o comando partidário poderá entrar em discussão
após a eleição para a presidência da Câmara,
em fevereiro. Se vencer, Temer não descarta a possibilidade
de abrir mão da condução do partido. "A função
de presidente da Câmara absorve demais quem a exerce. Mas ainda
não parei para avaliar esse cenário." Já nos
dois principais partidos de oposição, o PSDB e o DEM,
a tendência hoje é de que sejam mantidos no cargo os atuais
presidentes.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
janeiro de 2009 | Política
Dilma inicia campanha à sucessão
O ministro Patrus Ananias ainda têm
esperança de conseguir o apoio de Lula para a disputa à sucessão
presidencial e considera que tem cartas para mostrar
Brasília - A ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, inicia sua campanha à sucessão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 dias. Sem a presença
do seu padrinho - que ainda não fez o convite oficialmente, mas
já espalhou para meio mundo que a candidata é ela -, Dilma
acionará no dia 6 a perfuradora que cavará o túnel
para a extensão do metrô entre Novo Hamburgo e São
Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Manterá o périplo, também
sem a presença de Lula, em inaugurações ao longo
do ano de obras do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), do qual é a comandante. Ela segue um conselho de Lula:
''Torne-se mais conhecida.''
A ideia de Dilma, de fazer inaugurações
sem a presença de Lula, porém, não é só dela.
Como Lula ainda não fez o convite oficialmente, os ministros da
Educação, Fernando Haddad, e do Desenvolvimento Social,
Patrus Ananias, guardam alguma esperança de que o presidente lhes
dê uma chance de entrar na disputa. Haddad, por exemplo, montou
um cronograma de inauguração de escolas técnicas
federais este ano. Serão 89 estabelecimentos no Nordeste, 19 no
Sudeste, 16 no Sul, 12 no Norte e nove no Centro-Oeste.
Se a condição de
reserva da preferida não der resultado, Haddad tem um plano B
- a candidatura ao governo de São Paulo, pretensão à qual
tem sido incentivado pelo presidente Lula. Um ministro que costuma ouvir
do presidente Lula palavras em defesa da candidatura de Dilma, confirmou
que ela é, de fato, a favorita, embora não tenha mesmo
recebido o convite pessoalmente. E que Lula sonha com as candidaturas
de Haddad ao governo de São Paulo e de Patrus ao governo de Minas
Gerais.
O ministro Patrus, no entanto,
considera que tem cartas para mostrar. Deverá fazer uma ampliação
do programa Bolsa-Família nos próximos meses, com adaptações
cadastrais que poderão elevar para cerca de 13 milhões
o número de famílias atendidas. Atualmente, são
11 milhões as famílias beneficiadas. Também são
atendidas pelo programa as famílias de 1.156.958 adolescentes.
Num encontro sobre segurança
alimentar que começou ontem, em Madri, e continua hoje, Patrus
vendeu o Bolsa-Família por lá como um dos mais fantásticos
programas de combate à fome em todo o mundo. Ele repetiu o que
tem dito em suas viagens pelo Brasil, sempre à frente do Bolsa-Família.
Numa entrevista ao Estado, no mês passado, Patrus comentou, a respeito
dos resultados eleitorais do Bolsa-Família. ''Bons programas rendem
bons votos.''
De acordo com as declarações
de Patrus, em Madri, os programas sociais brasileiros estão diminuindo
a desnutrição e a desigualdade e mudando a realidade das
famílias no Brasil. ''Está na hora do mundo, como fez América
Latina e Caribe, assumir esse compromisso explícito de erradicar
a fome e agir energeticamente para alcançá-lo, traduzindo
em ações e recursos efetivos'', disse Patrus.
Patrus está na Espanha
representando o presidente Lula. ''Dou meu apoio pessoal e o do governo
brasileiro à convocação de uma nova uma Cúpula
Mundial de Chefes de Estado e de Governo sobre Segurança Alimentar,
neste ano. Queremos uma cúpula com compromissos explícitos,
acompanhamentos periódicos, metas e objetivos claros'', afirmou
o ministro. O economista Jeffrey Sachs, diretor da ONU para os acordos
internacionais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, também
participou da reunião.
João Domingos
Agência Estado
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Reuters, 27 de Janeiro de 2009
Contas externas: Brasil registra
1º déficit desde 2002
O Brasil registrou em dezembro do ano passado um déficit em transações
correntes de US$ 2,922 bilhões, o que fez com que as contas externas
brasileiras encerrassem o ano com um déficit de US$ 28,3 bilhões,
o primeiro resultado negativo anual desde 2002 e o maior déficit desde
1998, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (26).
A informação seguiu o esperado pelo mercado, mas os investimentos
diretos superaram os prognósticos da própria autoridade monetária.
Os investimentos estrangeiros diretos no País somaram US$ 8,117 bilhões
no mês passado, frente a uma projeção de US$ 3,1 bilhões
feita pelo BC há um mês. Em dezembro de 2007, esses investimentos
foram de US$ 886 milhões.
Em 2008 como um todo, esses investimentos no país somaram US$ 45,060
bilhões, um recorde histórico, frente a um fluxo de US$ 34,585
bilhões de 2007.
No mês passado, as remessas líquidas de lucros e dividendos somaram
US$ 3,146 bilhões, pouco acima dos US$ 3,120 bilhões remetidos
em dezembro de 2007. No acumulado de 2008, as remessas totalizaram US$ 33,875
bilhões, ante US$ 22,435 bilhões em 2007.
Em dezembro de 2007, as contas externas brasileiras tiveram um déficit
de US$ 498 milhões. Naquele ano, como um todo, a conta fechou com saldo
positivo de US$ 1,551 bilhão.
Em 12 meses até dezembro, o déficit em transações
correntes correspondeu a 1,78% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,65% do
PIB em 12 meses até novembro.
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Agência Senado, 27
de Janeiro de 2009
Senadores decidirão após
o recesso se aceitam flexibilizar a Lei de Responsabilidade Fiscal
Os senadores decidirão logo
após o recesso parlamentar se aceitam fazer a primeira mudança
na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000), em vigor
há mais de oito anos. Esta lei obriga os estados e os municípios
a equilibrarem suas finanças, exigindo que eles limitem os gastos
com pessoal e com dívidas, além de impor transparência
nos gastos públicos.
Estará em debate no Senado
um projeto votado pelos deputados (PLC 92/08 - Complementar) em maio
do ano passado, que flexibiliza a exigência de que a União,
os estados e os municípios só tomem empréstimos
se todos os seus órgãos e Poderes estiverem cumprindo os
limites de gastos com o funcionalismo. A LRF determina que os estados
e municípios não podem destinar à folha salarial
mais que 60% de suas receitas correntes líquidas, enquanto na
União o limite é de 50%. Há sub-limites para o Judiciário
(6%) e para o Legislativo (3%) dos estados. Nos municípios, as
câmaras de vereadores não podem gastar com pessoal mais
que 6%.
A iniciativa de mudança
foi do Palácio do Planalto, por acreditar que há "excesso" nas
exigências. Na verdade, o governo enviou o projeto ao Congresso
depois que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF),
concedeu liminar em uma ação cautelar, entendendo que,
se o Legislativo ou o Judiciário extrapolam seus gastos com pessoal,
o Executivo não pode ser punido e impedido, por exemplo, de tomar
um empréstimo ou receber transferências voluntárias
da União.
As oposições não
dificultaram a votação do projeto na Câmara, mas,
no último momento, ele ganhou algumas emendas dos deputados que
foram mal recebidas por alguns senadores e pela imprensa. Uma delas autoriza
operações de reestruturação de dívidas,
mesmo quando excedidos os limites de gastos com pessoal e os limites
de endividamento fixados pelo Senado.
O senador pernambucano Jarbas
Vasconcelos (PMDB) sustenta que o Executivo está propondo "um
verdadeiro estupro" da Lei de Responsabilidade Fiscal. Já o
senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) alertou que o projeto pode "abrir
a porteira" para "mudanças casuísticas" que
acabem por "trazer de volta os tempos da gastança descontrolada
e irresponsável" dos governos.
Apesar das primeiras críticas,
alguns senadores acreditam que muitos governadores e prefeitos irão
pressionar pela aprovação da proposta, pois eles veem nela
a solução para alguns de seus problemas. Em vários
estados, o Judiciário e o Legislativo não têm cumprido
a sua parte nos limites de gastos com pessoal, argumentando que a exigência
fere a independência dos Poderes. Isso tem impedido que os estados
recebam transferências voluntárias da União.
No ano passado, o Tribunal de
Contas da União (TCU) manifestou-se contra o projeto, alertando
que ele fere outros artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal e que a
alteração pode elevar o endividamento dos estados e municípios
acima dos limites legais.
Neste momento, o projeto está na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ), onde receberá parecer do senador Tasso
Jereissati (PSDB-CE). O senador já afirmou que não pretende aceitar
mudanças que mexam nos princípios básicos da LRF e que
possam levar qualquer risco à estabilidade fiscal dos estados e municípios.
Para diminuir a resistência
das oposições ao PLC 92/08, o senador Romero Jucá (PMDB-RR),
líder do governo no Senado, apresentou emenda que prevê prisão,
de um a quatro anos, para quem extrapolar seus gastos com pessoal, em
qualquer poder. Ele quer acrescentar um artigo ao Código Penal
com essa finalidade.
Hoje, a punição é considerada
irrisória, prevendo que o gestor responsável receberá multa
de até 30% de seus salários anuais. Fora isso, lembra o
senador Romero Jucá, a punição atinge o ente federativo
como um todo, o qual fica proibido de receber transferências voluntárias
do governo federal ou de tomar novos empréstimos. Na prática,
só o Executivo é punido, pois Judiciário e Legislativo
raramente tomam financiamentos e dificilmente contam com transferências
voluntárias da União.
- Como está, pune-se,
em última análise, a população. É imperioso
impor sanções diretas aos responsáveis pelo descumprimento
desses limites - defende Romero Jucá.
Eli Teixeira / Agência Senado
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
janeiro de 2009 | Política
Projeto prevê redução
da burocracia
Brasília - O Ministério do Planejamento preparou um pacote jurídico
para reduzir a burocracia nos órgãos públicos. Reconhecimento
de firma em cartórios e a exigência de apresentação
pela administração de documentos emitidos por órgãos
públicos serão abolidos, segundo a proposta do governo.
De acordo com a proposta do Ministério
do Planejamento, ficará dispensado o reconhecimento de firma em
qualquer documento produzido no Brasil, quando apresentado para fazer
prova perante órgãos e entidades da Administração
Pública, quando assinado perante o servidor público a quem
deva ser apresentado.
Pela legislação
proposta, a autenticação poderá ser feita, mediante
confronto da cópia com o original, pelo próprio servidor
a quem o documento deva ser apresentado, se não houver sido anteriormente
feita por tabelião.
O Ministério pretende,
ainda instituir, no âmbito do Poder Executivo Federal, o princípio
da inversão do ônus da prova em favor do cidadão
que deva prestar informação que já conste de banco
de dados da Administração Pública. Se determinada
repartição exigir do cidadão um comprovante do INSS,
o próprio órgão terá que obter o documento.
''Os órgãos e entidades
do Poder Executivo Federal que necessitarem de documento comprobatório
da regularidade de situação do cidadão, que já conste
em banco de dados oficial da Administração Pública
Federal, deverão obtê-lo diretamente do respectivo órgão
ou entidade'', diz a minuta da proposta do Planejamento. O pacote, composto
de um projeto de lei e de um decreto, será submetido à consulta
pública antes de enviado ao Congresso Nacional.
''Ao atribuir aos órgãos
ou entidades do Poder Executivo Federal a obrigatoriedade de não
mais exigir do cidadão informações que já são
de seu conhecimento, mas que estão dispersas em banco de dados
oficiais de outros órgãos e entidades, a proposta cria
benefícios inestimáveis para a sociedade, especialmente
para o povo, que verá que a necessidade, o tempo e o custo do
deslocamento às repartições federais serão
progressivamente reduzidos e minimizados'', diz o projeto.
Agência
Estado
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Infomoney, 27 de Janeiro
de 2009
PIS: mais de 810 mil trabalhadores
ainda não sacaram
Caixa Econômica registrou cerca de
93,88% de abonos pagos, chegando ao valor de R$ 5,053 bi em pagamentos
aos beneficiados
Até o dia 16, aproximadamente
810.850 brasileiros ainda não haviam sacado o PIS (R$ 415) referente
ao exercício 2008/2009, o que representa 6,12% do total. Vale
lembrar que ele estará disponível até 30 de junho
de 2009.
De acordo com dados divulgados
pela Caixa Econômica Federal, foi realizado o pagamento de 93,88%
de abonos, chegando ao valor total de R$ 5,053 bilhões.
No exercício 2008/2009,
ainda segundo a CEF, ocorreu o maior pagamento da história dos
benefícios, com cerca de 13,2 milhões de abonos, 10,55%
a mais do que os do calendário anterior.
São
Paulo
No estado de São Paulo, foi registrado um número de 129.811 trabalhadores
que ainda podem receber o benefício, o que representa 4,15% do total
da região.
Isso significa que, em São
Paulo, 95,85% dos trabalhadores (ou 2,994 milhões) já receberam
o abono, totalizando um valor de R$ 1,210 bilhão.
Os trabalhadores
que ainda não receberam
Antes de ir aos locais de atendimento, é importante o beneficiário
verificar primeiro se recebeu ou não os benefícios antecipadamente,
por meio de crédito em conta ou pelo convênio Caixa PIS-Empresa.
Para se certificar, basta olhar
os extratos bancários de julho e novembro de 2008 e também
os contracheques dos salários de julho, agosto ou setembro do
ano passado.
O trabalhador que tem direito
ao PIS pode fazer o saque nos caixas eletrônicos da Caixa Econômica
Federal, por meio do Cartão do Cidadão, nas lotéricas
e nos postos Caixa Aqui.
Quem não tem o Cartão
do Cidadão deve procurar agência da Caixa e levar documentos
de identidade e comprovante de inscrição no PIS.
Regras
De acordo com as regras do programa do Ministério do Trabalho e Emprego,
todo trabalhador que estiver cadastrado no PIS/Pasep até 2003, que tenha
trabalhado, no mínimo, 30 dias em 2007 com carteira de trabalho assinada
pela empresa e tenha recebido, em média, até dois salários
mínimos mensais poderá sacar o benefício.
Além disso, o trabalhador
deve ter tido seus dados enviados pela empresa onde atuou à Rais
(Relação Anual de Informações Sociais)
do ano-base 2007.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
janeiro de 2009 | Economia
INSS amplia concessão automática
de direitos
Agilidade será estendida também
para aposentadorias por tempo de contribuição e salário-maternidade
Brasília - A partir de hoje, as agências da previdência
social prometem estender o reconhecimento automático de direitos para
a concessão de aposentadorias por tempo de contribuição
e do salário-maternidade. Com isso, os postos de atendimento do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) também terão condições
de conceder esses dois tipos de benefícios em até 30 minutos.
Desde o início deste mês, essa nova forma de análise dos
pedidos já está vigorando nas concessões de aposentadorias
por idade dos trabalhadores urbanos.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e o ministro da Previdência Social, José Pimentel,
lançarão amanhã oficialmente a nova etapa desse
tipo de análise em cerimônia numa agência da previdência
em São Paulo. A implantação do sistema mais rápido
de concessão para esses dois tipos de benefícios estava
prevista para março, mas está sendo antecipada porque todos
os ajustes tecnológicos já foram concluídos, de
acordo com a assessoria de imprensa do ministério.
Ao antecipar a informação
sobre as concessões mais rápidas para outros benefícios
na semana passada, o ministro José Pimentel explicou que, por
conta da alta rotatividade no mercado de trabalho, as concessões
em meia hora para aposentarias por tempo de contribuição
só deveriam ser aplicadas à metade dos possíveis
beneficiários, aqueles que têm todas as informações
disponíveis no cadastro da previdência. A outra metade continuará tendo
que apresentar todos os documentos para obter o benefício. No
caso do salário maternidade, Pimentel disse que a concessão
em meia hora ocorrerá em 100% dos casos.
A implantação
do novo serviço este ano foi possível a partir de mudanças
na legislação que permitiram a ampliação
da base de dados certificada do Cadastro Nacional de Informações
Sociais (CNIS). Ainda de acordo com a assessoria, o tempo médio
de espera para obter um benefício é de 21 dias.
Isabel
Sobral
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
janeiro de 2009 | Economia
INSS comemora Plano Simplificado
A Previdência Social completou
86 anos no último final de semana e para comemorar a data a agência
regional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Londrina decidiu
homenagear um segurado e promover o Plano Simplificado (PS), que foi
implantado no País em abril de 2007.
O contribuinte José Carlos
da Cruz foi um dos primeiros a se filiar ao plano na região e
também a se beneficiar. Atualmente ele está afastado de
suas atividades como pedreiro autônomo por questões de saúde
e, pelo fato de ser filiado ao PS, tem conseguido se manter com o pagamento
do auxílio-doença.
‘‘Tem sido muito
bom porque eu só ganho se trabalhar e há dois meses tive
que me afastar da profissão. Com o auxílio, consigo pagar
as contas básicas e os remédios’’, contou Cruz,
que recebeu uma cesta de fruta das mãos do pessoal da agência
do INSS, localizada no Shangri-lá.
Segundo o gerente executivo do
INSS em Londrina, Altamir da Silva Cardoso, o PS visa à inclusão
social. É a possibilidade, acrescentou, de pessoas que trabalham
como autônomas, que estão desempregadas ou até mesmo
estudantes, a partir de 16 anos, terem acesso à previdência.
Pelo PS o contribuinte paga 11% do salário mínimo, o que
soma R$ 46,65 mensais, e tem os mesmos direitos das pessoas que contribuem
pelo sistema tradicional, com alíquota de 20%, menos o direito
de se aposentar por tempo de serviço. O benefício do PS é de
um salário mínimo.
A cada cinco anos, explicou Cardoso,
a Previdência faz uma grande festa e nos outros anos a comemoração
fica por conta de cada gerência. ‘‘Este ano a gente
decidiu homenagear alguém que está filiado ao PS para promover
o plano’’, disse. Cruz foi escolhido, contou Cardoso, porque
foi feito um levantamento no sistema e a história dele era bastante
interessante. ‘‘Ele parou de pagar a previdência tradicional
em 1993 porque não tinha recursos e voltou a contribuir quando
foi implantado o PS e, em menos de um ano, pode ser beneficiado’’,
justificou. Conforme Cardoso, o INSS encerrou o ano de 2008 com 38 milhões
de segurados dentro da alíquota de 20% e 8 milhões filiados
no PS.
Erika Zanon
Reportagem Local
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de janeiro de 2009
Força do acordo
Conciliação extrajudicial
não pode ser anulada
O termo assinado na comissão de conciliação prévia
tem eficácia plena e não pode, assim, ser anulado. Com esse entendimento,
a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou o pedido de Jacques
Araujo Netto, ex-técnico de vôlei do Flamengo, que entrou na Justiça
para anular a conciliação.
De acordo com o processo, o técnico
foi demitido, sem justa causa, em dezembro de 2004, quando coordenava
as equipes infanto-juvenil, juvenil e adulto da seleção
de vôlei do clube. Na reclamação trabalhista, disse
que exerceu essa função por mais de 10 anos, desde que
fora contratado, em 1995, como auxiliar técnico de voleibol feminino.
Alegou trabalhar mais do que a jornada contratual e de participar dos
jogos em todas as categorias nos fins de semana, sem que o Clube o remunerasse
com horas extras.
O técnico disse que soube
de sua demissão por meio da imprensa no dia 3 de dezembro de 2004.
Segundo ele, a demissão foi decidida “de forma leviana” por
um diretor do clube, a partir de acusações infundadas feitas
por pessoas ligadas ao voleibol. Isso teria trazido sérios abalos
de ordem moral e profissional porque “sempre trabalhou na formação
de atletas com boa conduta, desenvolvendo um trabalho inquestionável
de descobrir novos talentos”. A rescisão foi feita extrajudicialmente
na comissão de conciliação prévia. Posteriormente,
ele ajuizou a reclamação trabalhista na 11ª Vara do
Trabalho do Rio de Janeiro pedindo a nulidade do acordo extrajudicial
e o pagamento de diversas verbas que considerava devidas, mais indenização
por dano moral de mais de R$ 100 mil.
Em seu depoimento, afirmou que
fez o acordo com base em experiências passadas por outros colegas
de trabalho. Disse que “deveria receber naquele momento ou então
não receberia mais, uma vez que só poderia receber se entrasse
na Justiça”. A primeira instância extinguiu o processo
sem julgar o mérito. O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de
Janeiro analisou seu recurso e observou que ele não ressalvou,
no termo de conciliação, o direito de postular qualquer
pedido na Justiça, e manteve a decisão de primeiro grau.
No recurso ao TST, sustentou
que a quitação ampla, incluindo até mesmo parcelas
não constantes no contrato, esbarra nos princípios da irrenunciabilidade
dos direitos trabalhistas e da inafastabilidade da jurisdição,
previstos no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição
Federal. O relator, ministro Horácio de Senna Pires, manteve as
decisões anteriores. Afirmou que, “quando as partes procuram
solucionar o conflito através de foro extrajudicial, suas manifestações
de vontade devem ser respeitadas”.
O ministro fundamentou sua decisão
no artigo 625-E da CLT que, em seu parágrafo único, afirma
que “o termo de conciliação [perante comissão
de conciliação prévia] é título executivo
extrajudicial e terá eficácia liberatória geral,
exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas”. Os
Embargos de Declaração interpostos pelo técnico
contra esta decisão aguardam julgamento pela 6ª Turma.
RR-6/2006-011-01-00.9
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