Informativo Eletrônico n.º 1.179  -   Ano 06   -   Curitiba (PR), 28 de janeiro de 2009.

 

Agência Senado, 28 de Janeiro de 2009
Marcha de abertura do Fórum reúne 50 mil em Belém

Acostumada com a grandiosidade do Círio de Nazaré, festa religiosa que costuma reunir na cidade em todo mês de outubro cerca de 1 milhão de visitantes, a população de Belém assistiu tranquila à passagem das 50 mil pessoas que participaram da marcha de abertura da 9ª edição do Fórum Social Mundial, na tarde desta terça-feira (27).

Nem poderia ser diferente: o clima do evento foi da mais absoluta descontração. Nem mesmo a chuva que despencou sobre as cabeças dos manifestantes de organizações de todo o mundo já no início da caminhada - diz a lenda que, em Belém, nessa época do ano, chove todos os dias, às 15h - foi capaz de silenciar os tambores que tocavam os mais diferentes ritmos.

A diversidade da marcha chamou a atenção da senadora Fátima Cleide (PT-RO).

- É uma emoção muito grande ver a diversidade cultural e política aqui representada. Eu tenho certeza que esse evento contribuirá, e muito, para que o mundo se dê conta da vida inteligente que existe na Amazônia e a necessidade que todos temos de formar uma grande corrente em defesa desse patrimônio - disse.

Entre homossexuais e religiosas de hábito que dançavam juntos sob a chuva, o clima era mesmo de festa. Porém, para além da celebração, o propósito do Fórum é chamar a atenção para algumas questões sobre as quais nada há para se comemorar. É o que lembrou o senador José Nery (PSOL-PA), que fazia parte da comitiva pela erradicação do trabalho escravo.

- Temos a esperança de que nossa participação nesse fórum se constitua num importante movimento de apresentação para o universo dessa tragédia que é a existência da escravidão no Brasil, no sentido de ampliar a mobilização para a erradicação dessa chaga social - disse.

O senador, presidente da Subcomissão Temporária de Combate ao Trabalho Escravo do Senado, explicou que um dos principais objetivos da Frente Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no FSM é ampliar o número de assinaturas de apoio à Proposta de Emenda à Constituição 438/2001, que prevê o confisco de terras onde sejam encontrados trabalhadores em situação análoga à de escravo. Até agora, o movimento reuniu cerca de 300 mil assinaturas.

Para o motorista de táxi Jorge Morais da Silva, o balanço do dia de trabalho foi positivo.

- Eu acho importante a sociedade civil se manifestar, reivindicar seus direitos, e se isso puder acontecer assim, de forma pacífica, melhor ainda. Nós vivemos em um mundo muito bonito, mas muito desigual - destacou.


Folha Online, 28 de Janeiro de 2009
Mínimo de R$ 465, a partir de fevereiro, está preservado, diz ministro

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo afirmou, nesta terça-feira (27), que o valor do salário mínimo, a partir de 1º de fevereiro, será de R$ 465. Segundo ele, este valor está preservado apesar da contenção prévia de R$ 37,2 bilhões do Orçamento Geral da União para 2009.

"Estamos preocupados com a manutenção da renda e do emprego. Se tiver que tomar medidas, vamos fazer", afirmou o ministro, lembrando que o Governo Federal vai intensificar para executar mais medidas que visam a preservação da qualidade de vida do trabalhador.

Bernardo destacou que nos próximos dias será anunciado um programa de habitação destinado aos trabalhadores que recebem até seis salários mínimos. O ministro disse ainda que os investimentos nas estatais, como a Petrobrás serão preservados também.

Por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Governo Federal também vai manter sem cortes os projetos incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No entanto, os números finais relativos ao contingenciamento em todos os setores do Governo só serão anunciados em abril. De acordo com o ministro, essa decisão foi tomada em decorrência das "incertezas' do momento atual em função dos impactos da crise financeira internacional.

A pedido de Lula deverão ser preservados os setores de saúde, educação, ciência e tecnologia, além de programas sociais. (Fonte: Folha Online)

 

Agência Diap, 28 de Janeiro de 2009
Antônio Augusto de Queiroz*: Oportunismo empresarial na crise

Os acordos só devem ser feitos em situações limites, em que ficar comprovado o prejuízo ou a inviabilidade da empresa e, ainda assim, com a garantia de emprego e direito à complementação da "bolsa qualificação"
A retração da atividade econômica em decorrência da crise financeira internacional, que afeta todos os países, inclusive o Brasil, interrompeu, momentaneamente, a trajetória de geração de empregos e renda e arrefeceu o movimento em favor da redução da jornada sem redução de salário.

Esse desaquecimento da atividade econômica, entretanto, tem estimulado alguns empresários gananciosos a proporem a suspensão do contrato de trabalho, transferindo a despesa de pessoal para o Governo, ou a flexibilização de direitos, mediante chantagem aos trabalhadores, que são ameaçados de demissão. Essa tática é triplamente vantajosa para esses oportunistas.

Em primeiro lugar porque cria a cultura da negociação para a redução de direitos ou transferência de despesa para o Governo, no caso da suspensão do contrato de trabalho para "qualificação".

Em segundo lugar porque evita os custos de demissão, já que, passada a crise - que se espera seja breve - teriam que recontratar esses empregados ou novos trabalhadores para retomar o nível de produção anterior à crise.

Em terceiro porque ideologicamente abriria um precedente importante na defesa da prevalência do negociado sobre o legislado, ganhando força a campanha para flexibilização ou mesmo a supressão de direitos trabalhistas.

Os trabalhadores, em geral, e as entidades sindicais, em particular, como bem advertiu o Ministério Público do Trabalho, devem estar atentos a essas manobras. E só devem admitir acordos em situações limites, em que ficar comprovado o prejuízo ou a inviabilidade da empresa e, ainda assim, com a garantia de emprego e direito à complementação da "bolsa qualificação" para que não haja redução de salário no período de afastamento.

A postura do Governo de condicionar os novos empréstimos subsidiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à geração de emprego deve ser apoiada e, se ficar comprovado que empresas beneficiadas com recursos do banco demitiram precipitada ou imotivadamente, apenas para manter suas margens de lucros, também devem ser punidas, com a suspensão de futuros empréstimos.

As empresas que demitem ou suspendem contratos apenas para preservar suas margens de lucros não estão cumprindo sua função social e, em consequência, não merecem receber qualquer ajuda financeira estatal nem creditícia nem tampouco tributária. Essas, egoisticamente, são adeptas da privatização dos lucros e da socialização dos prejuízos.

O momento, portanto, é de muita prudência e cuidado por parte das entidades sindicais para evitar prejuízos aos trabalhadores. Não se pode admitir qualquer negociação sem um exame minucioso de cada caso, inclusive em relação a eventuais ajudas do Governo nos campos tributário e creditício.

Poucas vezes na história do País as empresas lucraram tanto quanto nos últimos seis anos e é mais do que justo que evitem demissões nesse período de crise, cuja superação tem sido parte do esforço de todos os governos do mundo, com real destaque para o brasileiro, que tem diariamente anunciado medidas para aliviar essa tormenta da economia. É consenso que o País está em melhor situação para enfrentar a crise e, assim, espera-se que sua extensão e duração sejam menor e, portanto, passageira.

(*) Jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap


TERRA, 28 de janeiro de 2009
Economia Nacional
Lula adia anúncio de pacote para construção civil
Laryssa Borges
Direto de Brasília


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adiar, pelo menos por ora, o anúncio de um novo pacote de medidas para conter os efeitos da crise financeira mundial. A previsão era que o plano fosse anunciado nesta quarta-feira, em solenidade no Palácio do Planalto, e contemplasse principalmente o setor de construção civil.

Segundo auxiliares do presidente, Lula cobrou da equipe econômica mais garantia de que o Brasil possa colher mais rapidamente os efeitos dos anúncios. A avaliação é de que as propostas contra a crise apresentadas por Mantega, que incluiriam um programa de estímulo à construção da casa própria para população de baixa renda, ainda não estão "maduras" o suficiente para se tornarem públicas.

Na próxima semana, o presidente deve debater a possibilidade de anunciar novas medidas em uma reunião sobre reforma urbana e déficit habitacional com representantes da Central dos Movimentos Populares (CMP), da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), da União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e do Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU).

Apesar do adiamento das propostas, Guido Mantega relatou nesta segunda-feira ao presidente, durante a reunião semanal de Coordenação Política, os efeitos positivos do anúncio de capitalização de R$ 100 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), consolidado na semana passada, e da aprovação do plano de investimentos da Petrobras no valor de US$ 174 bilhões até 2013.

De acordo com interlocutores do governo, o efeito das medidas, se ainda não verificados na prática, já representa uma conseqüência "psicológica" favorável no combate à insegurança gerada pela crise mundial.

 

INFONET, 28 de janeiro de 2009 | Economia
Construção civil já sofre com a crise
Apesar do desaceleramento, muitos acham que não há motivos para preocupação, pelo menos até o momento

E então, a crise já chegou a que setores da economia em nosso Estado? Pelo menos um pouquinho dela já bate às portas da Construção Civil. O Presidente do Sinduscon, o sindicato da classe, sr. Ubirajara Madureira Rabelo, nos dizia que o mercado de imóveis de luxo está praticamente parado. O mercado para a classe média ou para os populares, ainda funciona bem. Não há obras paralisadas, mas o escriba pode constatar que os lançamentos estão mais lentos.

Mas, aí o sr. Tarcisio Teixeira, um dos dois homens fortes da Norcon, nos dizia que este período, entre dezembro e janeiro, é normalmente fraco para a área. Muitos operários entram de férias, as empresas estão fazendo as contas do ano anterior, de modo que o mercado só se aquece a partir de março. Ele acha que não há motivos para preocupação, pelo menos até o momento.

O Presidente do Sinduscon mostrava-se otimista porque o próprio governador declarou, em almoço na FIES, antes do natal, que o Estado tem 750 milhões de reais para investir em atividades produtivas. Mas chamou a atenção de Sua Excelência, o dr. Déda: "O governador tem que acelerar o seu programa de governo. É que a eleição é no próximo ano. E até as eleições de 2010 tem dois invernos pela frente, fora o período eleitoral onde não se pode contratar obras novas".

O escriba então questionou: "E por que o programa de construção do governo não anda?". "Há excesso de burocracia. Tudo vai parar na PGE (Procuradoria Geral do Estado). Logo...", afirmou Ubirajara Madureira.

Por Ivan Valença


DCI, 28 de janeiro de 2009
CONSTRUÇÃO
Construção civil defende menos impostos e mais crédito
Agência Brasil

BRASÍLIA - O pacote de medidas para alavancar a construção civil, que deve ser anunciado pelo governo no próximo mês, está gerando expectativas entre trabalhadores e empresários. Em entrevista à Rádio Nacional o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco), Cláudio Conz, disse que o setor espera a redução de impostos e acesso facilitado ao crédito.

De acordo com Conz, a geração de empregos é o maior incentivo para que o governo libere o pacote. "Tudo aquilo que envolve a indústria de material de construção civil necessita de mão-de-obra."

Conz lembra que “há dois anos o governo reduziu o IPI dos materiais de construção e o resultado foi extraordinário". Segundo ele, a continuidade da redução da carga tributária feita pelo governo federal ajudará o setor a se manter. Ressaltou ainda que os estados também precisam contribuir com a diminuição do ICMS, considerado por ele como o imposto mais pesado.

O presidente da Anamaco disse que a construção civil tem uma enorme capacidade de expansão. Isso porque, assinalou, o Brasil tem um déficit de quase 8 milhões de casas. Além disso, ressaltou, 77% das casas construídas precisam passar por reforma”.

 

Agência Informes, 28 de Janeiro de 2009
Juros devem encerrar o ano em 11%, menor patamar da história

Expectativa de analistas aponta que a taxa básica de juros deva encerrar 2009 em 11%, o que seria o patamar mais baixo desde que o Banco Central passou a divulgar meta para a taxa Selic (taxa básica de juros) para fins de política monetária, em março de 1999. Segundo o boletim Focus publicado, nesta segunda-feira (26), pelo BC, os analistas modificaram a previsão para os juros, que até o relatório anterior estava em 11,25%.

Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu o mercado ao cortar a taxa Selic em um ponto percentual, para 12,75% ao ano, diante do desaquecimento da economia interna e a onda de demissões na indústria brasileira. Para 2010, a projeção também caiu. O mercado espera juros em 10,75% no ano que vem, contra os 11% da estimativa anterior.

Os analistas diminuíram a perspectiva para a inflação em 2009 pela segunda semana seguida. A projeção é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se situe em 4,64% neste ano em vez dos 4,80% aguardados antes. Desta vez, a previsão está bem próxima do centro da meta, que é de 4,5%.

Para 2010, as projeções estão estacionadas no centro da meta do governo, em 4,50%, há 34 semanas. Para os demais índices de preços, a estimativa também foi reduzida. A expectativa para o IGP-DI de 2009 saiu de 4,91% para 4,49%, enquanto a projeção para o IGP-M caiu de 4,77% para 4,41%. Sobre o IPC-Fipe, os agentes estimam que o índice avance 4,50% em vez de 4,54%.

Segundo o Focus, os analistas esperam que o dólar comercial encerre o ano a R$ 2,30, sem mudança, e terminará janeiro em R$ 2,35, pouco acima da estimativa passada, de R$ 2,33. Para o encerramento de 2010, a mediana das expectativas dos analistas aponta dólar a R$ 2,28, repetindo o prognóstico contido no boletim anterior.

O mercado financeiro manteve estável a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 em 2%. Para o próximo ano, a previsão é de que a economia brasileira tenha expansão de 3,80%, pouco menos do que os 3,90% aguardados anteriormente.

Em termos de produção industrial, a projeção média foi reduzida de alta de 2,15% para 2% em 2009 e de 4,30% para 4,05% nos 12 meses à frente. Na balança comercial, a previsão é de superávit de US$ 14,5 bilhões em 2009, sem alteração. A conta de transações correntes do País deve encerrar este exercício com déficit de US$ 25 bilhões, também igual ao do levantamento precedente.

Na avaliação do deputado Pedro Eugênio (PT/PE), a análise do empresariado reflete um certo conservadorismo em algumas estimativas, como o crescimento da economia em 2%.

"O empresariado tende a ser mais pessimista no crescimento econômico. Se os empresários avaliarem mais objetivamente, considerando separadamente os setores exportadores, que são os que sofrem mais impacto direto da crise, verão que seus planos de investimento deverão continuar em 2009 e que nossa taxa de crescimento deverá ser maior do que 2%. Já ouvimos uma taxa de 4%, que é a estimativa da equipe econômica do governo", avaliou.

Outro ponto a ser destacado, disse, é a previsão de queda na taxa de juros. Segundo Pedro Eugênio, há espaço para uma redução ainda maior da taxa Selic.

"O BC tende a ser conservador, mas há espaço para uma redução maior da nossa taxa. Temos de ter referências na inflação, na qual a expectativa do mercado é correta - a inflação ficará dentro da meta, inclusive devido à redução do ritmo de expansão da economia - mas também temos de olhar as taxas de juros internacionais, que estão mais baixas do que nunca, se aproximando de zero em alguns países", afirmou. (Fonte: Agência Informes)


O ESTADO DO PARANÁ, 28 de janeiro de 2009 | Economia
Falta de crédito é o maior problema causado pela crise
Agência Brasil

A escassez de crédito na economia nacional foi apontada nesta terça-feira (27), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o principal problema do Brasil causado pela crise econômica internacional. Segundo ele, o país precisa ajustar seu nível de crédito para que o consumo esteja garantido.

"Ainda precisamos ajustar o crédito nos bancos públicos e privados para fazer a economia girar", disse Lula, em entrevistra coletiva, após visita ao Hospital Sírio-Libanês, onde esteve com a equipe médica que assiste o vice-presidente José Alencar, operado domingo (25).

De acordo com o presidente, a economia brasileira está melhor posicionada que outras economias no mundo, porém o momento atual "é excepcional e, por isso, todos precisam se adquar à atual situação, inclusive os bancos. É preciso adequar as taxas de juros ao momento do Brasil e do mundo".

O presidente garantiu que todos os investimentos públicos serão realizados e que, se houver algum de corte, será na despesa de custeio do governo.


Folha de S.Paulo, 28 de Janeiro de 2009
Carga tributária vai a 35,15% do PIB, estima especialista
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A carga tributária de 2008 somou 35,15% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo os cálculos do especialista em contas públicas Amir Khair, feitos a pedido da Folha. A carga tributária é uma estimativa do peso dos impostos sobre toda a produção nacional e o ganho dos trabalhadores em um ano.

Em 2007, a carga tributária foi de 34,79% do PIB. Se a estimativa de Khair se confirmar, o peso dos impostos sobre as riquezas do país terá crescido 0,36 ponto percentual no ano passado.

O resultado oficial da carga tributária de 2008 será divulgada pela Receita Federal, o que ainda não tem data para acontecer. A cada ano, a Receita posterga mais o anúncio desses números. A divulgação costumava ser feita entre abril e julho do ano seguinte. A carga tributária de 2007 só foi conhecida em dezembro do ano passado.

Desde 2003, a carga subiu mais de quatro pontos percentuais. No primeiro ano do governo Lula, o recolhimento de tributos federais, estaduais e municípios representava 31,41% do PIB.

Apesar da alta no resultado global de 2008, o especialista acredita que houve queda na carga tributária do governo federal ao longo do ano passado. Ele disse que, apesar do aumento no recolhimento de tributos federais, de 7,6% acima da inflação, o crescimento não superou a alta do PIB nominal no período. Com isso, a carga da União pode ter caído em 0,04 ponto, para 24,31% do PIB.

O vilão do peso dos impostos do ano passado, para Khair, foram os Estados, com aumento de recolhimento do ICMS. Ele estima que a carga dos Estados subiu de 8,90% em 2007 para 9,27% em 2008.

Os municípios, pelos cálculos, tiveram aumento de 0,04 ponto de carga, para 5,5%.

" A União registrou uma ligeira queda de carga no ano passado. Esse dado será um surpresa. Desta vez, o carro-chefe de aumento serão os Estados", afirmou Khair. (JR)


Folha de S.Paulo, 28 de Janeiro de 2009
AL perderá 2,4 milhões de empregos, diz OIT
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A crise internacional deverá anular a expansão do mercado de trabalho na América Latina e Caribe em 2008, fazendo com que a taxa de desemprego ao final deste ano retorne ao patamar de 2007.

Isso significa que o número de trabalhadores desempregados da região aumentará até 2,4 milhões pessoas em 2009.

A previsão faz parte da análise que a OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulga anualmente sobre o comportamento do mercado de trabalho. Segundo o Panorama Laboral de 2008, a taxa de desemprego caiu de 8,3%, em 2007, para 7,5% nos países da América Latina e Caribe no ano passado. Para 2009, projeta-se que o índice volte, no pior cenário, para 8,3%.

" Se isso se concretizar, será sem dúvida um retrocesso. Em 2008, chegamos ao nível mais baixo de desemprego na região desde 1992, depois de cinco anos contínuos de resultados positivos, com queda nas taxas. Infelizmente, detectamos sinais de que a crise chegou ao mercado de trabalho", afirmou a representante da OIT no Brasil, Laís Abramo.

Na avaliação da organização internacional, mulheres, negros e jovens são os mais expostos a riscos e, em um quadro de crise, são os primeiros a perderem suas vagas. "E os que mais têm dificuldades para depois recuperá-las", disse Abramo.

Além disso, afirmou ela, há uma tendência à precarização das relações de trabalho em situações turbulentas como a atual. "A solução para a crise não pode ser a precarização do trabalho. Isso tem um efeito mais negativo ainda para acentuar o processo de desaceleração da economia", disse a representante da OIT ao comentar a discussão entre empresários e trabalhadores brasileiros sobre a redução da jornada de trabalho e de salários.

Pico

Embora desde setembro a crise venha causando estragos no mercado de trabalho latino-americano -no Brasil, em especial nos meses de novembro em dezembro-, a OIT avalia que ainda não é possível afirmar se o pico das demissões já passou. Em dezembro, o Brasil perdeu mais de 654 mil postos com carteira assinada.

As projeções do Panorama Laboral referem-se ao mercado de trabalho formal e informal, mas não há dados por país. Para a organização, porém, o Brasil se encontra em situação mais favorável do que seus vizinhos para atravessar a crise.

Ontem Abramo se reuniu com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para apresentar o Panorama Laboral e discutir medidas anticrise.


O ESTADO DO PARANÁ, 28 de janeiro de 2009 | Economia
Japão aprova pacote que inclui distribuição de dinheiro
Agência Estado

O parlamento japonês aprovou um plano de estímulo extra de 4,786 trilhões de ienes (US$ 54 bilhões, ou R$ 125 bilhões) após diversas semanas de impasse político a respeito do pacote, mas grande parte dos recursos dependerá da formulação de uma legislação que deve levar mais algumas semanas para ser aprovada.

Qualquer atraso na execução das medidas, que incluem um plano controverso de distribuição de 2 trilhões de ienes (US$ 22,5 bilhões, ou R$ 52 bilhões) em dinheiro, seria prejudicial para o impopular governo do primeiro-ministro Taro Aso. Oposicionistas afirmam que isso seria um desperdício de recursos, que poderiam ser aproveitados em outras áreas.

A aprovação do pacote permite que o governo execute algumas medidas que não requerem novos recursos imediatamente ou mudanças na lei, como por exemplo a distribuição de 250 bilhões de ienes para os governos locais com o objetivo de incentivar a criação de empregos, o aumento da capacidade de garantir e de conceder empréstimos a pequenas empresas e a ampliação do limite de recursos públicos que o governo pode injetar em bancos.

No entanto, sem a aprovação de outras quatro leis para regular os gastos, o governo não pode colocar em prática o sistema de distribuição de dinheiro, um corte de 500 bilhões de ienes nos pedágios de rodovias e outras medidas que seriam financiadas pelo pacote, como uma provisão que prevê o acesso a reservas de 4,158 trilhões de ienes de uma conta especial.

As contas especiais, que são gerenciadas separadamente do orçamento nacional, geralmente são designadas para projetos especiais e que utilizam fontes de recursos específicas e precisam de emendas legais que permitam ao governo utilizar os recursos como bem entender.


BEM PARANÁ, 28 de janeiro de 2009 | Economia
Mercado
Saiba como garantir o seu emprego em tempos de crise
Especialista dá dicas para trabalhadores, que cada vez têm mais medo
Ana Paula Ehlert

A crise econômica mundial deverá atingir com mais força que o esperadoos empregos urbanos na América Latina e no Caribe em 2009. De acordocom o Panorama Laboral, estudo divulgado anualmente pela OrganizaçãoInternacional do Trabalho (OIT), a expectativa é de que cerca de 2,4milhões de pessoas percam os empregos na região em 2009.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do mês de dezembro de2008, apontam o fechamento de 654 mil vagas no País. Ainda assim, oestoque de empregos formais do Brasil está em 30.418.394 postos.

No Paraná foram 49.822 postos a menos. As demissões foram maiores naindústria da transformação, que no Estado fechou o ano com o fechamentode 25,4 mil postos.

O estudo, apresentado ontem em Brasília, mostra que o ciclo de reduçãodo desemprego, que vinha se desenhando nos últimos cinco anos, vaichegar ao fim em 2009. Desde 2003, quando o nível de desocupação naAmérica Latina e no Caribe atingiu o patamar de 11,2%, o indicadorvinha caindo e chegou a 7,5% no último ano.

Dicas — Apesar destas notícias que tem circulado sobre o mercado detrabalho, Marcelo Albrileri, presidente da Curriculum.com.br, afirmaque o brasileiro da classe média e da classe baixa não depende decrédito financeiro na sua vida pessoal como os americanos e oseuropeus. Ele cita ainda o consumo de fim de ano como outro fatorimportante para ajudar o Brasil a lidar com os reflexos da crisemundial.

“ No entanto, do outro lado, as exportações continuam caindo e setorescomo o automobilístico e o de eletroeletrônicos, por exemplo, jádemonstram grande queda de faturamento. Tudo isso faz com que a cadeiaprodutiva sofra, causando desaceleração e, conseqüentemente,desemprego”, argumenta.

O executivo acredita que muitas demissões ainda estão por vir,ressaltando que o cenário para o início de março é preocupante, sendoque após o Carnaval a situação fique ainda mais complicada. Por isso,Albrieri dá as dicas do quadro ao lado.

Dicas Para manter o emprego

1. A primeira de todas é em relação às suas finanças pessoais. Cuidadocom seus gastos. Evite adquirir coisas supérfluas neste período.Cuidado com as promoções e liquidações: é normal haver muitas emperíodos de crise, pois há dificuldade em vender. Planeje seus gastos etente manter-se coerente com o que foi planejado o máximo possível.

2. Se você ainda está empregado e tem uma entrada de caixa periódica,crie reservas e tente criar entradas de caixa alternativas. Guardequalquer quantia de dinheiro.

3. Em épocas de crise, as idéias acontecem. Enquanto alguns choram,outros vendem lenços. Coloque sua imaginação e criatividade parafuncionar, analise as oportunidades que podem aparecer e veja como vocêpode se beneficiar delas. Faça este exercício de verdade e verá, porincrível que pareça, que elas existem e estão ao seu alcance.

4. Nunca desanime. Deixe o lado negativo do lado de fora e não o deixeentrar. Leve otimismo para quem contrata e para seus contatos.

5. Mantenha-se informado. Jornal é barato e ler notícias pela Internet,se você já tiver uma conexão, não custa nada. Informação nestesmomentos é muito importante e pode ser uma fonte de inspiração, além deajudar a manter-se informado sobre o mercado e as vagas anunciadas.

6. Considere as hipóteses de trabalho em regime de prestação deserviços ou em outros ramos de atividade ou segmentos do mercado. É umaforma de manter o custo fixo em dia e não entrar em dívidas. Isso podeser apenas temporário.

7. Se ainda está empregado, mantenha sua empregabilidade em alta.Busque atualizar-se sempre, principalmente com assuntos relacionados aoseu cargo, profissão ou ramo de atividade. Seja conhecedor dasnovidades do meio e participe de feiras, workshops e palestras. Leialivros e periódicos relacionados e acesse sites relacionados, bem comofóruns e grupos de discussão. Busque tornar-se uma referência em seumeio.

8. Mantenha seu networking ativo e em expansão.

9. Quando estiver diante de uma oportunidade real de emprego, demonstreflexibilidade na hora da negociação salarial. Há outros candidatos quepodem estar dispostos a aceitar a vaga por um salário menor. Talveznesta hora possa tentar um acordo para renegociar o salário após umperíodo de experiência ou um período mais longo.

10. Demonstre energia, proatividade e foco em resultados. Empresastambém passam por dificuldades e precisam conseguir resultadospositivos para se manterem. Mostrar essas qualidades demonstrará umapostura totalmente alinhada com o momento dela.

11. Se estiver empregado, ao perceber que sua empresa passa pordificuldades, procure pensar o que sua empresa poderia fazer dediferente. Às vezes você se encontra numa posição que lhe permite vercoisas que seus superiores não estão vendo. Uma boa idéia podesignificar uma redução de custos ou uma oportunidade de ganho ainda nãopercebida. Crie uma comunicação educada, bem-estruturada e comuniqueseu superior. Isso pode melhorar sua posição dentro da empresa ou atémesmo salvá-la.

12. Não negligencie sua saúde. Você precisará de muita energia edisposição. Lembre-se que esse momento é muito comum. Evite osentimento de culpa. Utilize o passado apenas como referência paramelhorar, e não para se culpar.

Fonte: Curriculum.com.br

 

Agência Brasil, 28 de Janeiro de 2009
Lula: trabalhador será avisado sobre direito de aposentadoria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira (27), que o Ministério da Previdência Social passará a enviar, em junho próximo, comunicados aos trabalhadores informando sobre o direito de aposentadoria.

Segundo Lula, quem trabalha na área rural também poderá obter em 30 minutos a aposentadoria nos postos de atendimento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A concessão de benefícios em 30 minutos começo a funcionar neste mês.

"A partir de junho vocês vão receber em casa, quem atingir o direito de se aposentar, um comunicado da Previdência dizendo que o cidadão já atingiu a idade de se aposentar, já atingiu o tempo de contribuição, que o seu salário será ‘tanto' e, portanto, ele tem a opção de querer ou não se aposentar, ou querer continuar trabalhando um pouco mais. Esse já é um comprometimento público que eu estou fazendo aqui para os companheiros da Previdência Social", afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em São Paulo para inaugurar uma agência da previdência social, em cerimônia pelos 86 anos do sistema previdenciário do Brasil. Acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e do ministro da Previdência, José Pimentel, Lula afirmou que o sistema de previdência só tende a melhorar.

Lula classificou o antigo sistema da Previdência como um "sacrifício". "Investimos R$ 280 milhões para modernizar a Dataprev [Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social]. Criamos um call center [serviço de atendimento ao usuário] e contratamos mais de cinco mil peritos".

Segundo Lula, o governo está apenas "retribuindo ao contribuinte a cidadania a que ele tem direito. Se, para cobrar, nós somos tão precisos, temos que chegar próximo à perfeição para prestar os nossos serviços", disse o presidente. (Fonte: Agência Brasil)

 

Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

27/01/2009
Consulado americano não consegue reverter bloqueio de conta no TST

O Tribunal Superior do Trabalho negou provimento ao recurso ordinário da Missão Diplomática dos Estados Unidos da América em Pernambuco, que pretendia suspender penhora de bens para o pagamento de débitos trabalhistas. Na prática, a Sessão Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do TST manteve a extinção do mandado de segurança impetrado pelos EUA e o bloqueio de contas-correntes determinados pela Justiça do Trabalho de Pernambuco.

Por decisão do juiz da 7ª Vara do Trabalho de Recife (PE), foram bloqueados R$ 766.425,37 de contas-correntes da missão diplomática com o objetivo de assegurar o pagamento de condenação em ação trabalhista contra o Consulado americano na capital pernambucana. No Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, os Estados Unidos alegaram que esse dinheiro era destinado à manutenção das atividades essenciais da missão no Brasil e, portanto, seriam impenhoráveis. Pediram o desbloqueio das contas, a liberação dos valores e a cassação da decisão de primeiro grau por desrespeito às regras internacionais.

O juiz relator do caso entendeu que a procuração do advogado no mandado de segurança era irregular, redigida em língua estrangeira e sem versão em português firmada por tradutor juramentado. Além disso, a parte não indicou o litisconsorte necessário. Por essas razões, o relator extinguiu a ação sem analisar o mérito. A missão diplomática ainda tentou reverter a decisão no próprio TRT/PE. Mas, ao julgarem o agravo regimental, os juízes concordaram com o relator de que os requisitos citados são imprescindíveis para o processamento do mandado de segurança.

No recurso ordinário contra o agravo regimental apresentado ao TST, os Estados Unidos insistiram na ilegalidade da penhora e na necessidade de liberação dos valores – sem sucesso. Para o relator, ministro José Simpliciano Fernandes, o mandado de segurança da missão americana possui, de fato, falhas que não podem ser ignoradas pelo julgador. Inicialmente, a parte não juntou documentos considerados fundamentais para o exame da ação, a exemplo do ato contestado e da prova do referido bloqueio bancário, além de anexar cópia de despacho não autenticada.

De acordo com o ministro, se o julgador constatar irregularidades como essas, deve extinguir o processo, sem analisar o mérito, por faltarem elementos essenciais para prosseguir a ação. Ainda segundo o relator, esse entendimento não ofende princípios constitucionais nem tratados internacionais. Por fim, os ministros da SDI-2 decidiram negar provimento ao recurso ordinário dos Estados Unidos, já que o mandado de segurança em discussão deve ser considerado extinto. ( ROAG – 628/2007 – 000-06-00.7)