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Mundo do Trabalho, 29 de janeiro de 2009
Para OIT, redução de salários é precarização
do emprego
A diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT),
Laís Abramo disse, nesta terça-feira (27), que as propostas de
redução da jornada de trabalho e a redução proporcional
dos salários representam a piora no mercado de trabalho. Segundo ela,
o risco de a América Latina e o Caribe passarem por um processo desses "é alto".
"A OIT defende o diálogo [entre empresas e trabalhadores]
para encontrar soluções para cada caso concreto. Mas, a
solução não pode ser a precarização
do trabalho. É preciso tomar cuidado para que medidas conjunturais
necessárias não tenham efeito contrário. É preciso
manter a capacidade de consumo para manter o mercado interno aquecido",
argumentou a diretora.
Segundo ela, se o salário do trabalhador é "insuficiente
para satisfazer um nível mínimo de necessidades básicas,
isso é inaceitável".
A diretora comenta ainda que há preocupação na
OIT com o prejuízo do emprego de alguns segmentos da sociedade
como negros, jovens e mulheres. Segundo dados do Panorama Laboral, divulgado
na última segunda-feira (26) pela Organização, o
desemprego no Brasil, na América Latina e no Caribe é 1,6
vezes maior entre as mulheres. Entre os jovens é 2,2 vezes maior
do que entre os mais velhos.
"Temos preocupação que o desemprego atinja primeiro
e mais fortemente aqueles extratos da sociedade que sempre foram mais
discriminados, como as mulheres e os negros", disse.
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Correio
Braziliense, 29 de janeiro de 2009
DF: seis mil novos empregos no mês
da crise, divulga Dieese
Taxa de desemprego no Distrito Federal passa
de 16,5% em 2007 para 15,4% em 2008. Apesar da redução,
cidades do Entorno enfrentam dificuldades na criação
de vagas de trabalho com carteira assinada
O desaquecimento que atingiu o mercado
de trabalho brasileiro em função
da crise econômica foi brando no Distrito Federal, que registrou
um fim de ano relativamente positivo para os trabalhadores.
No mês de dezembro, 6 mil pessoas conseguiram uma ocupação,
reduzindo o volume de brasilienses em busca de um posto de trabalho,
de acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada
ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese).
Em todo o ano, foram 64 mil novos postos
de trabalho. A taxa de desemprego, que começou 2008 em 16,5%, percentual registrado em dezembro
de 2007, caiu para 15,4% no mês passado. Em novembro ela correspondia
a 15,7% da População Economicamente Ativa (PEA).
Foi o segundo mês consecutivo de queda. Em outubro, quando começaram
a aparecer na economia brasileira os primeiros sintomas da turbulência
internacional, os empresários do DF reduziram seus quadros de
funcionários.
Apesar da melhora, o DF ainda possui
a terceira maior taxa de desemprego entre as seis regiões metropolitanas levantadas pelo Dieese.
Fica atrás apenas das duas capitais nordestinas que entram na
pesquisa - Recife e Salvador.
E em todo o ano de 2008, não conseguiu acompanhar o ritmo de
geração de emprego das outras cidades. Na média
das seis capitais, a taxa de desemprego caiu 9% ao longo de 2008. No
DF, a redução foi de 6,2%.
A principal explicação é a dificuldade de geração
de emprego nas cidades do Entorno, que acabam empurrando seus moradores
para procurar trabalho na capital federal, de acordo com o economista
do Dieese, Tiago Oliveira.
"O DF tem uma matriz produtiva muito concentrada e a PEA cresce
muito aqui, acima da média das outras cidades, em função
da pressão que o Entorno faz", afirma.
Reação
Para 2009, o Governo do DF não teme uma elevação do desemprego,
apesar dos sinais de desaceleração sentidos em todo o país.
"A economia do DF tem características próprias,
uma estrutura produtiva muito peculiar, com peso na administração
pública e em serviços, setores que têm mais facilidade
para reagir à crise", afirma o secretário de Trabalho
do DF, Robson Rodovalho.
Em dezembro, o comércio foi quem
mais contratou. O varejo do DF empregou 5 mil trabalhadores para
auxiliar nas vendas de Natal.
Foi nessa onda de contratações que a universitária
Chaianny Mendes, de 19 anos, pegou carona. Desempregada desde setembro,
a moradora do Guará conseguiu uma vaga como temporária
de uma loja de luxo apenas para dezembro. Com um bom desempenho, ela
garantiu sua contratação. Foi uma das poucas. Dos 15
funcionários que a loja manteve em dezembro, apenas nove continuaram
em 2009.
O salário garantiu a Chaianny a oportunidade de continuar seus
estudos. "Preciso do dinheiro para pagar minha faculdade. Fica
pesado para meu pai pagar sozinho", conta.
Em todo o ano de 2008, o comércio abriu 16 mil vagas. O setor
de serviços foi o principal gerador de emprego em 2008 - 33
mil novos funcionários.
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Correio
Braziliense, 29 de janeiro de 2009
DF: terceirizados começam a receber
salários atrasados
Alívio para os funcionários da Conservo que prestam serviço
para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O Tribunal Regional do
Trabalho da 10ª Região (TRT 10) autorizou o pagamento direto dos
salários e demais benefícios aos trabalhadores via ministério
para estancar o problema de atraso de pagamento da remuneração
e outros encargos trabalhistas, como recolhimento do valor correspondente ao
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), situação que vem se arrastando há alguns
meses.
A juíza do trabalho substituta Érica de Oliveira Angoti
determinou o bloqueio de R$ 803 mil que o Ministério do Trabalho
teria que pagar à Conservo, referente ao mês de dezembro,
e a juíza substituta Nara Cinda Alvarez Borges concedeu liminar,
autorizando a liberação do montante para a liquidação
de todas as pendências de 244 funcionários que prestam serviço
ao ministério pela Conservo. As decisões foram consequência
de ação civil pública proposta pela União
contra a empresa prestadora de serviços.
"Como o Ministério do Trabalho alegou que a Conservo não
estava pagando o INSS e FGTS devidos, a União, por meio do Ministério
Público do Trabalho, requereu o bloqueio dos valores que seriam
pagos à Conservo. O dinheiro ficou parado e os funcionários
ficaram à míngua, sem 13º, vale-transporte, tíquete-alimentação
e salário".
"O próprio Ministério do Trabalho pediu o desbloqueio
do valor devido e condicionei a liberação para o órgão
fazer o pagamento direto dos salários e demais pendências",
explica a juíza Nara Cinda Alvarez Borges. "A própria
Conservo se manifestou nos autos para que fosse feita a liberação
não só dos R$ 605.954,39 correspondentes aos benefícios
dos trabalhadores, mas também do que sobrasse para resolver outras
pendências", afirma.
Audiência
Segundo o MTE, os valores estão sendo depositados na conta dos funcionários.
O contrato da Conservo com o ministério venceu terça-feira e
a diferença do valor liberado pela Justiça está sendo
usada para pagar verbas rescisórias e demais indenizações.
Está marcada uma audiência para 17 de fevereiro na 17ª Vara
do Trabalho de Brasília.
Porém, o MTE informou que "existe a preocupação
da retenção das faturas futuras para garantir o recebimentos
das verbas rescisórias dos trabalhadores" e que "a ação
preventiva do Ministério do Trabalho garantirá os direitos
trabalhistas (dos terceirizados), bem como evitará futuras ações
judiciais contra a União".
A juíza Nara Borges ressalta que se o julgamento do mérito
confirmar a decisão liminar, dará respaldo para todos os
funcionários que prestam serviço pela Conservo. A juíza
observa que cada instituição terá que fazer um requerimento,
com base na sentença, para liberação do montante
correspondente para pagamento direto dos trabalhadores. A previsão é que
o julgamento ocorra até o início de março.
Mesmo sem ação, órgãos públicos que
contrataram a Conservo estão autorizados pela Delegacia Regional
do Trabalho a fazer o pagamento direto aos funcionários. No Senado,
por exemplo, 77 motoristas e três mecânicos terão
o salário de janeiro pagos diretamente pelo Senado no próximo
dia 5.
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EFE,
29 de janeiro de 2009
Brasil tem 14 empresas "candidatas" a
multinacionais
Quatorze empresas brasileiras compõem a lista de 100 companhias
de economias emergentes classificadas como sérias concorrentes a
multinacionais de países desenvolvidos, publicada pela consultora
Boston Consulting Group e divulgada no Fórum Econômico Mundial,
em Davos, na Suíça.
A característica destas 100 empresas é que, juntas, elas
somaram, em 2007 (ano-base da lista) receitas de US$ 1,5 trilhão
e alcançaram ou superaram rivais muito mais antigas de EUA, Europa
e Japão.
O Brasil é o terceiro país com mais firmas na lista, atrás
da China (36) e da Índia (20). Em seguida, vêm México
(7) e Rússia (6).
Pela primeira vez, a lista inclui companhias do Oriente Médio,
com quatro dos Emirados Árabes Unidos e uma do Kuwait.
O destaque no Brasil vai para o conglomerado Camargo Corrêa, que
atua em setores que vão da construção ao têxtil
e foi incluído este ano na lista, por seu crescimento internacional
em 2007, em especial na América Latina, na África e na Espanha,
alcançando uma receita de US$ 6,4 bilhões naquele ano.
As outras 13 empresas brasileiras já faziam parte da lista, entre
elas a Petrobras, a mineradora Vale, a construtora Odebrecht, a siderúrgica
Gerdau, a aeronáutica Embraer, os frigoríficos Sadia e Perdigão,
a têxtil Coteminas - da família do vice-presidente José de
Alencar -, a cosmética Natura e o conglomerado Votorantim.
Também compõem a lista a montadora de ônibus Marcopolo,
a fabricante de motores elétricos WEG, a produtora de carne bovina
JBS-Friboi.
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Vermelho,
29 de janeiro de 2009
Medidas para construção
civil vão aumentar emprego e moradia
O anúncio de novas medidas para o setor da construção civil
e da habitação para enfrentar os efeitos da crise econômica
esperado para esta semana, não tem data prevista para acontecer. Segundo
a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, na próxima segunda-feira
(2), o presidente Lula presidirá uma reunião com ministros da equipe
econômica, a quem pediu que redesenhasse o projeto, concedendo mais vantagens
para o financiamento destinado a pessoas com renda familiar menor que cinco salários
mínimos.
O pacote de medidas quer atingir duas metas – aumentar os postos de trabalhos
em dos setores que mais emprega – o da construção civil – e
reduzir o déficit habitacional – um problema crônico brasileiro.
Atualmente, 17% dos empregos no Brasil estão ligados ao
segmento, que responde por 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar
de um recuo de 0,3% em relação a 2005, o déficit
habitacional brasileiro atingiu 7,964 milhões de residências
em 2006 ou 14,6%, de acordo com estudo realizado pela Fundação
Getulio Vargas (FGV), com base nos dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
Segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, estão
sendo discutidos critérios gerais para todas as categorias,
mas há uma preocupação do governo com pessoas
que têm renda familiar até cinco salários mínimos,
que hoje têm muita dificuldade em fazer financiamento. Estamos
desenhando uma parte do programa especificamente para essas pessoas
terem acesso a um financiamento, disse o ministro, referindo-se a
uma faixa de renda que vai até R$2.075.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Econômico,
Miguel Jorge, já havia adiantado que faz parte dos planos
do governo a construção de um milhão de casas
populares em 2009.
Mais crédito e menos burocracia
Uma das medidas que estão sendo estudadas é que permite
aos bancos utilizar 2% do depósito compulsório na abertura
de crédito para pessoas físicas que busquem empréstimos
para a compra de material de construção.
Outra medida visa a desburocratização para obtenção
do Construcard, instrumento da Caixa Econômica Federal (CEF)
específico ao financiamento de material de construção.
A proposta é eliminar a necessidade de um fiador para que
o consumidor obtenha o cartão. Também deve subir de
R$350 mil para algo entre R$500 mil e R$600 mil o valor do imóvel
que poderá ser financiado com recursos do FGTS.
Paulo Bernardo disse que além da facilitação
de financiamento para imóveis novos e usados, também
vai haver algum tipo de desoneração para o setor da
construção civil, mas ainda não está definido
o volume disso. Nas discussões iniciais sobre o pacote, o
governo havia descartado a possibilidade de isenção
fiscal para o setor, que já foi beneficiado por dois pacotes
anteriores.
De Brasília
Com agências
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Gazerta
do Povo, 29 de janeiro de 2009
Bolsa Família
Governo aumenta limite de renda dos beneficiados
O governo federal decidiu ontem aumentar o limite de renda das famílias
que podem ser beneficiadas pelo programa Bolsa Família. A partir
de agora, para serem atendidas, as famílias precisam ter uma
renda per capita máxima de R$ 137 mensais. Atualmente, essa
renda é de R$ 120. No total, isso significa a inclusão
de mais 1,8 milhões de famílias no programa.
A decisão foi tomada em reunião entre o presidente Lula
e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Com base em
estudos do Institutos de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
governo federal conclui que era necessário ampliar o número
de famílias atendidas como forma de minorar os efeitos da crise
econômica entre os mais pobres.
Atualmente, o programa atende 11,1 milhões de famílias.
A previsão é de que, com o reajuste do teto de renda,
esse número chegue a 12,9 milhões. No entanto, neste
ano deverão ser atendidas apenas 1,3 milhão: 300 mil
já serão incluídas em maio, outras 500 mil em
agosto e as restantes 500 mil em outubro.
Essas famílias já estão hoje no Cadastro Único
do Bolsa Família, que tem o levantamento de famílias
pobres do país e no qual o ministério baseia a seleção
para o programa. As 500 mil famílias que faltam ainda terão
que ser cadastradas por estados e municípios, em um trabalho
que deverá ser feita ao longo de todo este ano.
O reajuste do teto significa que famílias hoje consideradas
não pobres o suficiente passarão a entrar no programa.
Levando-se em conta uma família média, formada por quatro
pessoas, agora poderá ser beneficiada uma família com
renda mensal de apenas de R$ 548. O teto para ser considerado extremamente
pobre também muda, passando de R$ 60 para R$ 68,5 – ou
seja, famílias com renda de R$ 274 mensais para quatro pessoas.
Levando-se em consideração o valor médio pago
por família hoje, de R$ 85, o Orçamento do programa poderá crescer
em até R$ 1,8 bilhão por ano. No entanto, a maior possibilidade é que
essas novas famílias não sejam todas enquadradas entre
as extremamente pobres, o que pode reduzir esse valor. Este ano, o
Orçamento do programa, de R$ 12 bilhões, já é 10%
maior do que em 2008.
O Bolsa Família paga, hoje, para as famílias extremamente
pobres, um benefício fixo de R$ 62 mais R$ 20 por criança
entre 0 e 15 anos, em um limite de três por família, além
de mais R$ 30 por jovens de 16 e 17 anos, em um máximo de dois.
Para as famílias com renda per capita agora entre R$ 68,50 e
R$ 137, são pagos apenas os valores variáveis por crianças
e jovens. Os valores dos benefícios, já reajustados em
junho do ano passado, não serão aumentados agora.
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Gazerta
do Povo, 29 de janeiro de 2009
Trabalho
Fechado acordo com corte de jornada e
salário
O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a Valeo
Sistemas Automotivos e os trabalhadores fecharam ontem um acordo
para reduzir a jornada de trabalho com diminuição do
salário. Esse foi um dos primeiros acertos do gênero
a ser fechado no país durante a atual crise econômica
global, que tem provocado a perda de postos de trabalho em diversas
empresas. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, filiado à Força
Sindical, a redução de jornada e salários é o último
recurso para evitar demissões.
O acordo vale por 90 dias e prevê uma redução
de salários de 15% Em troca, os funcionários ganham
a garantia de que seus empregos serão preservados pela diretoria
da empresa por 135 dias – quatro meses e meio.
Acordos desse gênero são um ponto sensível para
os sindicatos, que relutam em aceitar o corte dos salários.
Um caso extremo é o da unidade da fabricante de autopeças
Schrader Bridgeport em Jacareí, no Vale do Paraíba.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos
Campos e Região, uma comissão de funcionários
mostrou-se favorável à proposta de reduzir jornada
e salários, mas a entidade não aceitou a proposta,
alegando que “a massa dos trabalhadores é contrária à ideia”. “Não
vamos aceitar as reduções de salário. Os próprios
trabalhadores são contrários a essa medida, mas estão
assinando o acordo sob pressão. A ordem da empresa é:
ou aceita a redução ou é demitido. Não
podemos aceitar este tipo de prática”, afirmou o diretor
da entidade, José Gonçalves Mendonça.
Necessidade absoluta
Segundo o Ministério Público, antes de ser fechado
um acordo de redução de jornada e salário, a
empresa precisa comprovar a “absoluta necessidade da redução
salarial”, abrindo seus balanços para comprovar a dificuldade
econômica. Além disso, o corte dos salários não
pode ser maior do que 25% e deve haver um corte equivalente dos salários
de sócios, diretores e gerentes. Da mesma forma, a redução
tem um prazo de três meses, podendo ser prorrogada. Se fechados,
estes acordos devem prever uma garantia no emprego e proibir a realização
de horas extras.
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Folha
de S.Paulo, 29 de janeiro de 2009
Patrocínio de estatais para Fórum
Social é de R$ 850 mil
Evento não ocorreria no Brasil sem apoio
de empresas do governo, diz fundador | Para participantes, ligação
com as instituições pode direcionar politicamente o encontro;
contrapartida para empresas é publicitária
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A BELÉM
Quatro empresas estatais contribuíram com R$ 850 mil para a
organização do Fórum Social Mundial deste ano,
que acontece até o dia 1º de fevereiro em Belém
(PA).
Petrobras (R$ 200 mil), Banco do Brasil (R$ 150 mil), Caixa Econômica
(R$ 400 mil) e Eletronorte (R$ 100 mil) afirmam que a contrapartida do patrocínio
foi publicitária -anúncios no material impresso do encontro e
nos locais onde as palestras são realizadas.
No caso do Banco do Brasil, houve também o acerto para que a instituição
fosse o banco oficial do evento.
Nas placas espalhadas pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e pela
UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), os dois principais locais
onde o encontro acontece, a reportagem viu os logotipos da Petrobras e da Caixa,
mas nenhum da Eletronorte.
A questão de como bancar o fórum é polêmica. Como
o encontro se pretende apartidário, há participantes que dizem
que a vinculação com empresas gerenciadas pelo governo federal
cria a possibilidade de que ele seja, do ponto de vista político, "chapa
branca".
Em 2003, por exemplo, o evento conseguiu arrecadar R$ 1,8 milhão com
Petrobras e Banco do Brasil -valor já corrigido pelo IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Amplo).
Para as edições de 2004 e 2005 do fórum, a Abong (Associação
Brasileira de Organizações Não-Governamentais) recebeu,
em valor também corrigido, cerca de R$ 640 mil dos Correios por meio
da SMPB Comunicação, agência de publicidade de Marcos Valério.
O publicitário é acusado de ser o articulador financeiro do esquema
do mensalão.
À época, a associação se disse "perplexa" e
afirmou que desconhecia a possibilidade de que o dinheiro pudesse ter uma origem
irregular.
Autofinanciamento
Para Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas), fundador do evento, "não haveria fórum
no Brasil" se não houvesse apoio de estatais.
" Mas este ano foi o que teve o menor valor [das estatais]", disse.
Segundo Grzybowski, a "pequena" ajuda das empresas ligadas ao governo
federal é resultado de uma maior eficiência do autofinanciamento
-pelo qual as próprias entidades que compõem o Fórum Social
o financiam por meio, por exemplo, do pagamento de taxas de participação.
Grzybowski nega que os investimentos feitos pelas estatais direcionem a orientação
política do encontro. "Não há condicionamento. Nunca
me impuseram nada como agenda. A Petrobras não faz outros patrocínios?",
afirmou.
Além dos valores das estatais, o Fórum Social atraiu para cidade
de Belém investimentos públicos -dos governos federal e estadual-
recordes, de aproximadamente R$ 145,3 milhões para as áreas de
infraestrutura, segurança e saúde.
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Folha de S.Paulo, 29 de janeiro de 2009
FMI prevê menor crescimento em
60 anos
Fundo revê projeção
pela 3ª vez em quatro meses, estima que o mundo vai crescer
0,5% e deixa recuperação para 2010 | Países
com economia considerada avançada vão ter retração
de 2% neste ano; crescimento do Brasil deve ficar em 1,8%, diz FMI
DE NOVA YORK
O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta para 2009 a menor
taxa de crescimento global em mais de 60 anos. Após novo corte
nas suas previsões (o terceiro em quatro meses), o Fundo estima
agora que o mundo crescerá só 0,5% e que há alguma
chance de maior recuperação em 2010.
Na estimativa do FMI, as economias avançadas atravessarão longa
recessão. Ela resultará em uma retração nesses
países de 2%. O fraco desempenho global ficará, portanto, "nas
costas" dos emergentes.
Para o Brasil, o Fundo projetou aumento do PIB (Produto Interno Bruto) de 1,8%
em 2009, acima da média da América Latina (1,1%), mas abaixo
dos estimados 5,5% de 2008.
China e Índia devem ver o ritmo de seu crescimento cair à metade
do desempenho de 2007. Os dois países devem crescer 6,7% e 5,1%, respectivamente.
Na média, os emergentes devem evoluir 3,3% em 2009. Em 2008, foram 6,3%.
" A redução no ritmo da atividade econômica foi dramática.
Nas economias avançadas, o impacto maior veio da queda no consumo e de
uma brutal diminuição na confiança de empresas e consumidores.
Entre os emergentes, o impacto foi externo, com um colapso nas exportações,
na oferta de crédito de fora, que tende a piorar, e com a diminuição
dos preços das commodities", resumiu o economista-chefe do FMI, o
francês Olivier Blanchard.
Comércio mundial
Depois de ter crescido 4,1% no ano passado, o volume de comércio mundial
deve recuar 2,8% neste ano, impactando principalmente as economias mais dependentes
das exportações, como a chinesa.
A única boa notícia nas previsões do Fundo é que
a inflação parece estar completamente sob controle, havendo até o
risco de deflação em alguns países. A alta de preços
nas economias avançadas ficará em 0,3%. Entre os emergentes,
em 5,8% (ante 9,2% em 2008).
A inflação em queda, segundo Blanchard, vem permitido atacar
a crise com uma combinação agressiva de corte nos juros e aumento
dos gastos estatais, via déficit público.
" O ajuste daqui em diante ainda será bastante doloroso. O quadro
atual se converteu também em uma crise de confiança, em uma atitude
de esperar para ver como as coisas vão ficar. Quando a chave é a
confiança, é essencial que as políticas adotadas sejam amplas
e fortes para que ela retorne."
Dentro desse quadro de "ajuste doloroso" e de "esperar para
ver", Blanchard afirmou que parte essencial do novo plano econômico
em gestação pelo governo de Barack Obama, o corte de impostos,
pode ter um efeito "muito limitado" sobre a economia.
O plano prevê reduzir impostos de quase US$ 300 bilhões para a
classe média e as famílias mais pobres nos EUA. Mas Blanchard
avalia que grande parte do dinheiro a mais tenderá a ser poupado ou
usado para pagar dívidas, e não direcionado ao consumo.
" O mais efetivo é o governo aumentar ele mesmo seus gastos na economia
via investimentos em infraestrutura, por exemplo", disse. (FCZ)
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Folha
de S.Paulo, 29 de janeiro de 2009
Crise deixará 51 milhões
sem trabalho, diz OIT
DA REDAÇÃO
Mais de 51 milhões de pessoas podem perder o emprego em 2009
em decorrência da crise, segundo relatório da OIT (Organização
Internacional do Trabalho).
O estudo do órgão das Nações Unidas estima que
o número de desempregados pode aumentar entre 18 e 30 milhões
e pode chegar a "51 milhões se a situação seguir
se deteriorando".
No melhor dos cenários, a taxa média de desocupação
passaria de 5,7% em 2007 para 6,1% em 2009, o que significa 191 milhões
de pessoas sem trabalho. "A mensagem da OIT é realista, não
alarmista. Nós enfrentamos uma crise global do emprego", afirmou
o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.
A previsão anterior da OIT, divulgada em outubro, era de que 20 milhões
de empregos iriam desaparecer ao fim de 2009. No pior dos casos previstos pela
OIT, a crise pode ainda fazer com que 200 milhões de trabalhadores sejam
levados para abaixo da linha da pobreza, principalmente nos países em
desenvolvimento.
Na América Latina, as previsões sugerem que a taxa de desemprego
na região pode chegar a 8,3% neste ano.
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Folha
Online, 29 de janeiro de 2009
Metalúrgicos aprovam acordo para
reduzir jornada e salário
Foi fechado na manhã desta quarta-feira (28), em São Paulo, o primeiro
acordo de redução de jornada de trabalho e salário para
evitar demissões no setor de metalurgia.
Os 800 trabalhadores da fabrica de autopeças Valeo Sistemas Automotivos
aceitaram, durante assembléia, a proposta da empresa, que vinha sendo
negociada com o sindicato da categoria e uma comissão de funcionários.
Segundo a assessoria de imprensa do sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo e Mogi, os funcionários aceitaram trabalhar um dia a menos na
semana e terem o salário reduzido em 15%.
acordo vale por 90 dias. Em troca, quando voltarem às atividades, os
trabalhadores terão estabilidade de três meses.
Ainda de acordo com a assessoria, o presidente do sindicato, Miguel Torres,
parabenizou, durante a assembléia, os trabalhadores pela decisão
e por seu envolvimento nas negociações.
Segundo ele, a empresa tem de reconhecer que os funcionários estão
fazendo um sacrifício, porque estão emprestando dinheiro para
que ela não seja tão prejudicada pela crise econômica global.
Torres cobrou o Governo e disse que os esforços devem ser feitos por
todos. Afirmou também é necessária a adoção
de medidas para reduzir os efeitos da crise.
Nesta sexta-feira (30), outra empresa do setor automotivo, a MWM Motores,
na zona sul da capital, fará uma assembléia para tentar um acordo
semelhante. A empresa tem cerca de 1.600 trabalhadores.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/01/2009
Família não consegue
indenização por morte de trabalhador em serviço
Os herdeiros de um operador de motobombas morto em serviço, empregado
da Companhia Agrícola Luiz Zillo e Sobrinhos, de São Paulo,
tentaram mas não conseguiram ver reconhecido o direito de receber
indenização por danos morais e materiais relativos ao sinistro.
A fatalidade não decorreu de culpa do empregador, informou o ministro
Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, relator do recurso interposto
pela esposa e pelos filhos do empregado falecido contra decisão
do Tribunal Regional da 15ª Região (Campinas/SP) que manteve
o indeferimento do pedido pela sentença de primeiro grau.
O acidente aconteceu quando o empregado estava dentro de uma vala, em área
de plantio da empresa açucareira, para consertar vazamento na
tubulação de água de uma rede que estava fora de
operação há quatro meses, pois era tempo de entressafra.
Ele ordenou a um auxiliar que fosse até os registros, a cerca
de 150m de distância, e abrisse as válvulas para o esgotamento
da água, para que o reparo pudesse ser feito. Não suportando
a pressão, a válvula estourou, inundou rapidamente a vala
e trabalhador morreu afogado.
De acordo com a testemunha que abriu a válvula, o empregado era
o chefe, homem experiente, trabalhava na empresa há mais de dez
anos, mas incorreu no erro de ficar dentro da vala quando havia orientação
contrária da empresa, no sentido de que ninguém deveria
ficar dentro da vala no momento da abertura da válvula. Contou
que ele o ordenou que fosse abrir as válvulas e, em seguida, entrou
na vala. Para a perícia, o acidente decorreu de um fenômeno
denominado “golpe de aríete”: uma onda de pressão,
devido ao fechamento brusco de um registro, causou o rompimento da adutora, “enchendo
rapidamente a vala onde o trabalhador estava”.
O TRT de Campinas entendeu que nenhum fato responsabilizava a empresa
pelo acidente. Ela não induziu o empregado a erro, não
houve negligência ou imperícia de sua e nem mesmo o trabalhador
estava cumprindo ordens, determinação ou regulamento da
empresa capazes de gerar e justificar acidente de trabalho. Desta forma,
não existiu nexo de causalidade entre o acidente e a conduta da
empregadora. O Regional concluiu que o “único causador do
acidente de trabalho foi o próprio reclamante”.
Os herdeiros sustentaram que, de acordo com o laudo pericial, houve
erro de procedimento, e que a decisão regional não levou
em conta fatores como a teoria do risco, inerente à atividade
da empresa. O relator, porém, observou que o recurso apresentava “vícios
formais intransponíveis” para que pudesse ser aceito: as
decisões apontadas como divergentes não eram válidas,
como determina o artigo 896, alínea “a”, da CLT, e
a alegada violação do artigo 927, parágrafo único,
do Código Civil, não foi prequestionado, como determina
a Súmula 297 do TST.
Ainda que se pudessem transpor essas formalidades, “melhor sorte
não socorreria à parte”, explicou o relator, porque,
então, seria necessária a evidência de que a empresa
desenvolvia atividade de “risco para os direitos de outrem”,
o que não era o caso. Além de suas atividades não
envolverem evidentes riscos para seus empregados, as tarefas do operador
de motobombas, próprias do empregado falecido, não eram “potencialmente
ameaçadoras à sua integridade”, esclareceu. De forma
que não há como condenar a empresa nem por responsabilidade
objetiva (quando há atividade de risco) nem subjetiva (quando
há culpa direta pelo ocorrido). ( RR-1192-2005-074-15-00.9)
(Mário Correia)
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29/01/2009
Aumento de servidor não pode ser
objeto de negociação coletiva
A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento o recurso
de um servidor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que pretendia
ter seu salário reajustado com base em normas coletivas. Com essa
decisão, os ministros mantiveram o entendimento do Tribunal Regional
da 3ª Região (MG) de que não é possível
conceder aumento salarial a servidor por meio de negociação
coletiva.
Na 18ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, o funcionário
conseguiu sentença favorável a suas pretensões.
Mas o TRT/MG aceitou os argumentos da Universidade de que não
poderia realizar negociação coletiva de natureza econômica
por ser autarquia federal e estar sujeita às regras impostas à Administração
Pública pela Constituição Federal. Ainda segundo
o Regional, a Constituição atribui ao Presidente da República
a iniciativa para propor aumento de remuneração de servidor
federal, sendo necessários, para tanto, previsão orçamentária
para a despesa e aprovação da medida por lei específica.
Por consequência, o TRT/MG revogou todos os reajustes salariais
decorrentes de norma coletiva de trabalho recebidos pelo funcionário.
O empregado trouxe então a discussão para o TST. Entrou
com um agravo de instrumento pedindo que o Tribunal apreciasse a questão
novamente num recurso de revista, que não tinha sido acolhido
pelo Regional. No entanto, a relatora do agravo, ministra Dora Maria
da Costa, concluiu que o assunto não deveria ser reexaminado porque
a decisão do TRT/MG não desrespeitou a lei ou a Constituição.
De acordo com a ministra, já está consolidado o entendimento
de que a Administração Pública não pode firmar
convenção ou acordo coletivo de trabalho, uma vez que não
possui autonomia para definir despesas. Os ministros da Oitava Turma
concordaram em negar provimento ao agravo de instrumento, o que significa
que a matéria não será mais analisada pelo TST e
vale a decisão do Regional. (AIRR – 1035/2005–018– 03–40.5)
(Lilian Fonseca)
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29/01/2009
JT nega estabilidade a empregado que não
comprovou doença ocupacional
A ausência de relação entre um acidente de trabalho
e o problema de saúde que motivou o recebimento de auxílio-doença
levou a Justiça do Trabalho da 24ª Região (MS) a rejeitar
pedido de indenização por estabilidade provisória
de empregado da Copagaz Distribuidora de Gás Ltda. A decisão
foi mantida pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, cujo
entendimento foi o de que o empregado não provou que a doença
por ele adquirida era ocupacional e não usufruía, na época
da demissão, do auxílio-doença acidentário.
O trabalhador foi contratado pela Copagaz como ajudante de carga e descarga
de botijões de gás em fevereiro de 2000, e demitiu-o em
outubro de 2001. Em ação trabalhista ajuizada na 5ª Vara
do Trabalho de Campo Grande, o carregador alegou que não poderia
ter sido demitido porque, na ocasião, recebia benefícios
do INSS e detinha, assim, estabilidade provisória em virtude de
acidente de trabalho – de acordo com documento apresentado, foi
atingido no pé por um botijão de gás. Requereu,
então, a reintegração ao emprego ou o pagamento
dos salários relativos a um ano, acrescidos de horas extras, férias
mais um terço, 13º, FGTS e reflexos.
O juiz constatou que o empregado gozou de auxílio previdenciário
de janeiro a junho de 2001, mas o afastamento não decorreu da
queda do botijão em seu pé direito, e sim de lesão
na coluna. Considerou, porém, que o trabalhador foi vítima
de doença profissional, em função da atividade desempenhada.
Com base nisto, declarou a estabilidade a contar de 01/07/2001 e condenou
a Copagaz ao pagamento das verbas relativas ao período estabilitário,
de 21/10/2001 a 30/06/2002.
A empresa contestou a decisão e afirmou que o acidente não
gerou a percepção de auxílio-acidentário,
e sim do auxílio-doença – que não dá direito à estabilidade.
O TRT/MS reformou a sentença, absolveu a empresa da indenização
e negou seguimento ao recurso de revista do empregado – que interpôs
então agravo de instrumento para o TST.
O relator do agravo, ministro Walmir Oliveira da Costa, ressaltou que
não houve violação da Lei nº 8.213/1991, como
alegava o trabalhador, e que o TRT/MS, ao valorar a prova produzida,
concluiu pela ausência dos requisitos necessários à configuração
da estabilidade provisória concedida em lei ao empregado acidentado:
afastamento superior a quinze dias e a consequente percepção
do auxílio-doença acidentário. ( AIRR-638/2002-005-24-40.6)
(Lourdes Côrtes)
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