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Agência Diap, 30
de janeiro de 2009
Salário mínimo será de
R$465 a partir deste domingo (1º)
A partir deste domingo (1º), passa a vigorar no país o novo
salário mínimo, no valor de R$ 465. O reajuste sobre o
atual valor de R$ 415 é de 12% e inclui a inflação
dos últimos doze meses medida pelo INPC, mais um ganho real em
torno de 6%, baseado na variação do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2008. A fórmula de reajuste foi definida ainda em 2007,
em negociação com as centrais sindicais, para manter o
poder de compra do salário mínimo. O ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, fará o anúncio do novo valor hoje no Rio,
detalhando o reajuste.
O Governo deve editar uma medida
provisória com o novo valor, já que o PL 1, do Executivo,
encaminhado ao Congresso em 2007 com a política para o mínimo
até 2023 ainda não foi aprovado. A lei orçamentária
de 2009 prevê um mínimo de R$ 464,72 e o Governo vai apenas
arredondar esse valor para R$ 465.
O projeto negociado com as
centrais sindicais pretende manter o poder de compra do mínimo
até 2023 e garante ganhos reais atrelados à variação
do PIB. Prevê ainda que a partir de 2010 o mínimo será reajustado
sempre em 1º de janeiro.
O impacto maior do reajuste
do mínimo nas contas públicas decorre da correção
dos benefícios previdenciários, já que cerca de
20 milhões de aposentados e pensionistas recebem o equivalente
ao piso. Os demais benefícios da Previdência, acima do
salário mínimo, são reajustados apenas com base
na variação da inflação.
Na semana passada, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com representantes
de seis centrais sindicais para discutir a crise econômica
e prometeu manter o valor do salário mínimo previsto
no orçamento, apesar dos indicativos preocupantes sobre a
queda da arrecadação.
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OE STADO DO PARANÁ,
30 de janeiro de 2009 | Economia
Salário mínimo
acumula alta real de 46% desde 2003
Agência Estado
O salário mínimo registrou um aumento real (descontada
a inflação) de 46,05% desde o início do governo
Lula, em janeiro de 2003, até o último reajuste, anunciado
nesta sexta-feira (30) e que vai vigorar a partir de domingo, segundo
contabilizou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. Os aumentos
reais, ante ano anterior, foram de 0,53% em 2003; 2,18% em 2004; 7,19%
em 2005; 13,89% em 2006; 4,96% em 2007; 3,78% em 2008; e, por fim, 6,39%
em 2009.
O aumento divulgado hoje foi
garantido por medida provisória assinada pelo presidente Lula,
já que o Congresso ainda não aprovou o projeto de lei
encaminhado pelo governo em 2007 e que define a política para
o mínimo até 2023. "Faço um apelo ao Congresso
para que aprove logo o projeto", disse o ministro.
O projeto em tramitação
no Legislativo prevê que o mínimo será reajustado
pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior
somada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
acumulado em 12 meses.
De acordo com o ministro, o
reajuste do salário mínimo que começa a vigorar
no próximo domingo beneficia 42,1 milhões de brasileiros
com rendimento vinculado ao mínimo, incluindo R$ 17,8 milhões
de aposentados e pensionistas.
Emprego
Lupi disse que o governo vai
respeitar os acordos que estão sendo negociados entre empresas
e trabalhadores, desde que estejam dentro da lei. Indagado especificamente
sobre os acordos que estão sendo negociados pela Vale, Lupi
afirmou: "Acredito que o governo só deve intervir no que é chamado,
e não em acordos de trabalhadores e empregadores. Mas chamo
atenção para o momento que estamos vivendo, e para que
as empresas não levem mais infelicidade para os lares brasileiros".
Lupi ressaltou que "o Ministério do Trabalho não
vai homologar o que ferir a legislação".
O ministro foi questionado
também sobre a possibilidade de o BNDES financiar novos recursos
para as montadoras. "Sou favorável a tudo que for vinculado à garantia
de emprego do trabalhador, mas tem que ter compromisso das partes",
afirmou. Ainda segundo Lupi, setores ligados ao mercado internacional "podem
ter o agravamento de demissões, mas em outros setores é puro
aproveitamento da situação". Ele admitiu que os
dados de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) devem mostrar uma nova queda na geração de
vagas em relação a igual mês do ano anterior, "mas
nada que acompanhe o alarmismo de alguns". Ele concedeu entrevista
na sede do Ministério do Trabalho no Rio.
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Gazeta do Povo, 30 de janeiro
de 2009
Relações trabalhistas
Redução de jornada e salários
já atinge 11 mil
Acordos firmados com trabalhadores
incluem corte de 10% a 18% na remuneração e um dia a
menos de trabalho por semana. Nem todas as empresas garantem a manutenção
das vagas
Com os novos acordos anunciados
ontem pela indústria automotiva paulista, já passa de
11 mil o número de trabalhadores submetidos à redução
de jornada de trabalho com corte de salários em todo o Brasil.
A medida sinaliza um revés para as centrais sindicais, que historicamente
sempre defenderam a diminuição de jornada sem redução
salarial e rechaçavam a possibilidade de flexibilização
mesmo diante dos efeitos da crise.
De acordo com a Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE-PR), até o
momento nenhum acordo deste tipo foi registrado no estado. No entanto,
quatro empresas com sede no Paraná – Renault, Yazaki,
Maflow e Alusur – formalizaram acordos de suspensão temporária
de contratos de trabalho, atingindo cerca de 1,8 mil trabalhadores.
Mais de 1,3 mil pessoas foram demitidas no estado desde setembro em
cortes relacionados à crise econômica.
O presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, afirma que
a entidade já foi procurada por 120 empresas buscando consolidar
acordos de flexibilização – 99% delas do setor
de autopeças. “O sindicato tem autonomia sobre suas bases,
mas é o trabalhador que sabe a hora de decidir. Um operador
que não liga o torno há três meses sabe que o emprego
corre risco e tem medo do fantasma de desemprego”, diz Torres.
A Valeo, fabricante de faróis
e lanternas para veículos, em São Paulo, foi a primeira
a anunciar, na quarta-feira, a redução de 1 dia na jornada
semanal com redução de 15% nos salários de cerca
de 800 trabalhadores. O acordo prevê a estabilidade dos empregos
por 135 dias.
Ontem, foi a vez de os trabalhadores
da MWM Motores aprovarem a proposta da empresa de reduzir a jornada
em 20% e os salários em 17,5%. A medida valerá por 90
dias. Os cerca de 2,8 mil trabalhadores receberam a garantia de estabilidade
no emprego por até 45 dias após o final do período.
Os trabalhadores da fabricante
de autopeças Sabó, também em São Paulo,
aprovaram em assembleia na tarde de ontem a redução de
um dia na jornada semanal, com corte de 12% nos salários. A
medida atinge 1,6 mil trabalhadores da empresa e é válida
por 90 dias, com a garantia de estabilidade dos funcionários
por mais três meses após o término do acordo.
A indústria de autopeças
gaúcha GKN, depois de conceder férias coletivas, fechou
um acordo que prevê a redução de um dia de trabalho
por semana com diminuição de 14,6% no salário
de 1,4 mil empregados.
O maior acordo, no entanto,
vem de outra empresa gaúcha. O grupo Randon – que reúne
fabricantes de autopeças, implementos rodoviários e
veículos, além de uma empresa de consórcios – vai
reduzir entre 8% e 10% os salários e a jornada de 4,7 mil
funcionários. O acordo tem três meses de vigência
e não prevê a estabilidade dos funcionários nem
durante nem após o período.

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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de janeiro de 2009 | País
Lupi diz que ministério
estuda criar seguro-emprego
Agência Estado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse nesta sexta-feira (30) que
o ministério estuda a criação de um seguro-emprego. "É um
seguro focado no emprego, não no desemprego, que pretende garantir
a empregabilidade", afirmou. O ministro não quis detalhar
a iniciativa com o argumento de que a fase ainda é de estudos,
mas adiantou que o seguro-desemprego permanece. Segundo ele, o seguro
para o mercado de trabalho não pode enfocar apenas o desemprego
no País.
Lupi disse que não
vê razões para demissões no setor automotivo e
confirmou que o governo está fechando um acordo com revendedores
de automóveis usados com o objetivo de aquecer o mercado e evitar
demissões. "O setor automotivo não tem razão
para demitir porque está vendendo e bem", disse Lupi. Ele
avalia que a redução do IPI sobre as vendas de automóveis
novos foi suficiente para manter o mercado, em janeiro deste ano, tão
aquecido quanto no início do ano passado.
Segundo o ministro, na
próxima semana, o governo deverá fechar um acordo que
envolverá o Banco do Brasil, junto a revendedores de automóveis
usados que, segundo ele, representam 42 mil empresas, geradoras de
600 mil empregos. De acordo com Lupi, essas medidas envolvem recursos
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e deverão aquecer
as vendas.
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Jornal do Brasil, 30 de janeiro
de 2009
Expectativa: juros do Banco
Central devem cair a 9% este ano
A taxa básica de juros (Selic), definida pelo Banco Central, vai
cair mais depressa ao longo deste ano. Especialistas ouvidos pelo JB
projetam, até dezembro, um índice de 9% - se confirmado,
será o menor patamar da História. Mas advertem que o BC
demorou a interpretar os sinais de recessão. A tendência
de corte foi confirmada ontem, com a divulgação da ata
da última reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom). A desaceleração da economia ajuda a queda. No
ano passado, a indústria teve o pior trimestre dos últimos
10 anos: desabou 17 pontos percentuais em relação ao mesmo
período de 2007.
A senha foi dada na última
reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom), no dia 21 de janeiro, e a ata divulgada ontem pelo Banco Central
só confirma: a taxa básica de juro (Selic) vai cair mais
depressa ao longo deste ano, provavelmente para o menor nível
da história, de acordo com especialistas ouvidos pelo Jornal
do Brasil.
Pela primeira vez, projetam
esses economistas, a Selic deverá alcançar o patamar
de um dígito, provavelmente em dezembro, quando deverá fechar
entre 9% e 9,75%. A má notícia, no entanto, é que,
embora tão esperada pelo mercado, a queda chegou tarde. A grande
maioria dos especialistas adverte que, além de demorar a interpretar
os sinais de gravidade da crise, o BC dispõe hoje de uma espécie
de faca sem fio. A Selic, por si só justificam ,
perdeu o poder de fogo.
Se quiser estimular a atividade
econômica e destravar o crédito, o Governo terá que
auxiliar a autoridade monetária com outros instrumentos, principalmente
fiscais. "A Selic não é determinante, neste momento,
para expandir o crédito no país", afirma Antonio
Carlos Pôrto Gonçalves, professor da Fundação
Getulio Vargas, que prevê uma redução da taxa básica
a menos de 10% até dezembro. "Os cortes nos juros precisam
vir acompanhados de uma política fiscal mais expansionista neste
momento. A política monetária perdeu os dentes".
A economista-chefe do Banco
ING, Zeina Latif, acredita que não há dúvidas
de que o Banco Central dará continuidade à tendência
de cortes nos juros, mas é comedida ao avaliar a intensidade
da redução. Para Zeina, a Selic deve encerrar o ano ainda
na casa dos dois dígitos. "Haverá um alívio
no aperto monetário do ano passado, mas ainda temos uma inflação
resistente, embora não gere preocupação significativa
no momento", avalia a economista, que projeta um patamar entre
11,25% e 10,50% para a taxa básica de juros até o fim
de 2009.
Crítico do que classifica
de lentidão na resposta do BC à crise, Antônio
Corrêa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP), prevê uma queda
da Selic para 9,75% no fim deste ano. Para 2010, prevê a continuidade
do movimento de baixa.
"O BC deveria ter iniciado
o movimento de baixa já na reunião de dezembro",
lamenta Lacerda. "Os sinais de agravamento da crise já estavam
claros, na ocasião, para quem lida com a economia real. A autoridade
monetária precisa agir mais preventivamente, e não reativamente".
O economista identifica, no
entanto, um arsenal diversificado do Governo para combater os efeitos
da crise, que não só a Selic. Além da queima de
parte do superávit primário, também poderá recorrer
aos recursos do BNDES para reativar a economia. Júlio Gomes
de Almeida, professor da Unicamp e diretor do Instituto de Estudos
para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), é incisivo na análise
do espaço que o BC tem disponível para reduzir os juros.
"O ideal seria que
chegássemos a um patamar de 7%, ou seja, praticamente a metade
do que tínhamos até pouco tempo", diz o economista,
ex-secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda. "Mas acho difícil percorrermos esse caminho
em 2009. A Selic deve encerrar o ano entre 9% e 10%, o que já é uma
queda expressiva, de quase cinco pontos percentuais". (Fonte:
Jornal do Brasil)
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Folha de S.Paulo, 30 de janeiro
de 2009
Governo pretende comprar casas
para repassar a famílias
Pacote habitacional prevê licitação
para governo adquirir diretamente de construtoras imóvel
a ser financiado ao comprador de baixa renda | Plano é financiar
1 milhão de novas moradias até o final de 2010
nas diversas modalidades previstas para reaquecer o mercado
Jorge Santos - 7.jul.07/Oeste
Notícias

Casas populares no interior do Estado de São Paulo
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Por meio de licitação,
o governo pretende comprar, diretamente de grandes, médias
e pequenas construtoras, moradias para famílias de baixa renda
e refinanciá-las pela Caixa Econômica Federal. Segundo
a Folha apurou, deve ser uma das modalidades do pacote de habitação
que deverá ser fechado na semana que vem.
Pelas várias modalidades do pacote, o governo quer financiar a
construção de 1 milhão de novas moradias até o
final de 2010 -metade até dezembro deste ano, metade até dezembro
do próximo ano.
Não há estimativa ainda de quantas moradias serão
contratadas diretamente das construtoras. O governo também reduzirá impostos
da área de construção para baratear os financiamentos.
O principal objetivo do pacote é manter aquecido o mercado de
construção civil e atender a uma faixa de baixa renda que
não consegue financiamentos a juros subsidiados e tampouco arcar
com os financiamentos tradicionais. É uma faixa que tem renda
mensal entre R$ 1.200 e R$ 2.200.
O governo está negociando diretamente com as grandes construtoras
e com entidades de representação do setor a redução
do preço médio do metro quadrado construído. As
empresas pediram um valor entre R$ 1.500 e R$ 1.600 por metro quadrado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva achou caro e pediu a redução
do valor e a decomposição do preço para a construção
de moradias de 40 m2, 60 m2 e 80 m2.
Nas planilhas apresentadas ao governo, constatou-se que, em média,
a construção representa cerca de 50% do financiamento.
O terreno, 10%, Os demais 40% se referem a taxas, impostos, seguros e "spread" (diferença
entre o que o banco paga para captar recursos e o quanto cobra do cliente).
Lula pediu à Caixa que fizesse estudos para reduzir "spread",
taxas e seguros. Numa simulação, foi informado de que uma
pessoa com mais de 50 anos chega a pagar cerca de um terço do
financiamento como seguro de vida. Ou seja, um terço do valor
do empréstimo para que a moradia fique com a família em
caso de morte do tomador do financiamento.
O governo quer parcerias com Estados e municípios para a compra
direta de moradias das construtoras. A ideia é que Estados e municípios
deem os terrenos, o que já reduziria os custos. Uma preocupação é tentar
uniformizar nacionalmente a forma de compra da moradia, pois há leis
diferentes por Estados e cidades.
Um auxiliar direto do presidente diz que o estrato social com renda mensal
entre R$ 1.200 e R$ 2.200 tem dificuldade de obter financiamentos imobiliários.
Para quem ganha até R$ 1.200, há financiamentos com juros
subsidiados.
A ideia é dar a faixa de até R$ 2.200 juros menores do
que os de mercado. Quem tem essa renda e possuir o terreno receberá financiamento
para construir por sua conta a casa.
O pacote de habitação será mais uma medida que prevê gastos
públicos para tentar minimizar os efeitos da crise econômica.
Na faixa da população de baixa renda, Lula colhe alto índice
de popularidade.
Grandes construtoras já começaram projetos próprios
de venda de moradias financiadas a compradores de baixa renda. O governo
avalia que sua entrada como intermediador produzirá dois efeitos:
barateará o custo para o comprador e manterá aquecido o
setor de construção, que gera empregos.
Além de ajudar a compra de casa própria para trabalhadores
de baixa renda, o governo também estuda medidas para estimular
a venda de imóveis para a classe média.
A pedido das construtoras, como a Folha já publicou, deverá elevar
o valor do imóvel que pode ser financiado com recursos do FGTS
(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que pode passar dos atuais
R$ 350 mil para um valor entre R$ 500 mil e R$ 600 mil.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de janeiro de 2009 | Economia
Paraná obtém a
melhor avaliação de crescimento no Sul
Newton Almeida
Entre os três estados da região Sul, o Paraná é o
que tem a melhor expectativa de crescimento, conforme a avaliação
de executivos e funcionários de empresas com faturamento anual
acima de R$ 100 milhões.
De acordo com uma sondagem
da empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers, em parceria com a
Amcham Porto Alegre (Câmara Brasil/Estados Unidos), para 55,6%
dos entrevistados, o Paraná teria as melhores perspectivas para
os próximos dez anos. O resultado do levantamento poderia ser
ainda mais positivo não fossem itens ligados à gestão
pública do Estado.
Para os empresários,
a pouca agilidade e a burocracia no tramite de documentos, a política
tributária e a falta de segurança pesam contra a competitividade
econômica do Paraná. Por outro lado, a localização
geográfica estratégica e a qualidade de vida atuam a
favor do Estado.
De acordo com o sócio-diretor
da PwC na Região Sul e membro do Conselho Regional da Amcham-Porto
Alegre, Carlos Biedermann, para 40% dos entrevistados, a grande vantagem
competitiva do Paraná é a localização,
ratificando a proximidade do Estado com os grandes centros do Mercosul
e do pontos importantes de logística como o grande diferencial
para o desenvolvimento econômico do Paraná.
“Para 35% dos executivos,
a qualidade de vida paranaense é a segunda grande vantagem do
Estado”, afirma. Em contrapartida, para outros 35% dos entrevistados,
a falta de incentivos fiscais seria um dos principais entraves para
o crescimento.
Na pesquisa, os executivos
também apontaram os segmentos mais promissores, considerando
o cenário de instabilidade. Nesse caso, o destaque do Paraná são
os segmentos do agronegócio, do ramo automotivo e os de energia
elétrica.
A carga tributária,
segundo 66,7% dos entrevistados, é o item que mais afeta negativamente
os negócios, seguido pelos elevados custos financeiros (33,3%),
pela competitividade desleal (29,6%) e pelas baixas margens de lucro
(27,8%). A saída é, apontam os executivos, é explorar
novos mercados (59,3%) e segmentos de produtos específicos (42,6%).
Na área governamental,
a prioridade apontada por 75,9% dos entrevistados se refere à necessidade
de investimentos em infraestrutura. Para outros 48,1%, as áreas
de educação e formação profissional deveriam
estar em primeiro plano.
A pesquisa também avaliou
a competitividade das capitais dos três Estados do Sul na relação
com as demais brasileiras. Curitiba lidera as indicações
(50%), com Florianópolis (44,4%) e Porto Alegre (40,7%) logo
atrás.
Realizada com empresas
do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a pesquisa
engloba os segmentos financeiro, automotivo e de agronegócio,
indústria, varejo, energia elétrica, saneamento, petróleo
e gás, saúde e serviços.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de janeiro de 2009 | Economia
Confiança da indústria
sobe 0,5% em janeiro
Agência Estado
O Índice de Confiança da Indústria (ICI), indicador
da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação,
subiu 0,5% em janeiro ante dezembro, após registrar queda de 11%
em dezembro ante novembro de 2008, segundo a Fundação Getúlio
Vargas (FGV). O resultado foi considerado praticamente uma estabilidade
pela fundação. O ICI é um indicador que utiliza
para cálculo uma escala que vai de zero a 200 pontos, sendo que
o resultado do índice é mais favorável quanto mais
o seu nível se aproxima de 200 pontos. De dezembro de 2008 para
janeiro de 2009, o indicador subiu de 74,7 pontos para 75,1 pontos, nos
dados com ajuste sazonal.
Em comunicado, a FGV afirmou
que "apesar de registrar a primeira variação positiva
após quatro recuos mensais consecutivos, a leitura do resultado
de janeiro ainda não pode ser considerada favorável.
O índice de janeiro é o terceiro menor da série
iniciada em abril de 1995, superando apenas os níveis de outubro
de 1998 (71,2 pontos) e dezembro de 2008 (74,7), considerando-se dados
com ajuste sazonal", informou a instituição.
Na comparação
com janeiro do ano passado, o ICI registrou queda de 36,7% nos dados
sem ajuste sazonal - recuo menos intenso do que o registrado em dezembro,
no mesmo tipo de comparação (-37%).
O ICI é composto por
dois indicadores. O primeiro é o Índice da Situação
Atual (ISA), que subiu 2,6% em janeiro, após cair 10,8% em dezembro
na série com ajuste sazonal. O segundo componente do ICI é o Índice
de Expectativas (IE), que apresentou queda de 1,5% em janeiro em comparação
com o recuo de 11,2% em dezembro, também na série com
ajuste sazonal. Na comparação com janeiro do ano passado,
nos dados sem ajuste sazonal, houve quedas de 36,4% e de 36,9%, respectivamente
para o ISA e para o IE, em janeiro deste ano. O levantamento para cálculo
do índice foi entre os dias 5 e 26 desse mês, em uma amostra
de 1.104 empresas informantes.
Uso da capacidade
O Nível de Utilização
de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria sem ajuste sazonal
caiu para 76,7% em janeiro, após atingir nível de 80,6%
em dezembro, segundo a FGV). Ao consultar a série histórica
do indicador, fornecida pela fundação em divulgações
anteriores, o Nuci sem ajuste sazonal atingiu em janeiro deste ano
o menor nível desde janeiro de 1993, quando registrou patamar
de 72%.
Ainda de acordo com a
FGV, na série de dados com ajuste sazonal, o nível
de uso de capacidade em janeiro ficou em 78%, abaixo do Nuci de dezembro
nessa série (79,9%). Esse patamar é o menor da série
histórica disponível para esse tipo de índice,
com ajuste sazonal, desde outubro de 2005.
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Folha de S.Paulo, 30 de
janeiro de 2009
RUMO A 2010
Serra discute com presidente do PSDB
palanques estaduais
DA REPORTAGEM LOCAL
DO PAINEL
Potencial candidato à Presidência,
o governador José Serra se reuniu com o presidente do PSDB,
Sérgio Guerra, para planejar a montagem de palanques estaduais
com vistas às eleições de 2010.
Na conversa, da qual participaram outros três tucanos, foi fixado
como meta o lançamento de um único candidato por Estado
-seja ele do PSDB, DEM ou PPS- para driblar constrangimentos durante
a campanha.
Ideal, avaliam, é atrair o PMDB, na tentativa de evitar a formalização
de aliança nacional do partido com o PT.
Não é à toa que Serra investe nos governadores do
PMDB. Semana passada, convidou Paulo Hartung (ES) para um almoço.
Segundo tucanos, os dois discutiram a construção de uma
aliança no Espírito Santo, com lançamento de Hartung
para o Senado. Hartung jura que não chegou a tanto.
A convite do governador do Paraná, Roberto Requião, Serra
participou de um seminário no Estado.
" Serra foi elogiado por Requião", conta o prefeito de Curitiba,
Beto Richa (PSDB).
Num mapeamento que invadiu a madrugada de terça-feira, os tucanos
identificaram os Estados onde há trepidações entre
aliados. É o caso de Sergipe, de Rio Grande do Norte e da Bahia.
Serra até deixou de participar de uma festa em Aracaju para não
contrariar o democrata João Alves, incomodado com a relação
entre PSDB e PT em Sergipe. Mas mereceu afagos do petista Marcelo Déda,
com quem se reuniu recentemente.
" Serra se transformou num político habilidoso", disse Déda.
Guerra viajará pelo país para debelar essas crises. Serra
disse que essa tarefa cabe ao partido porque não considera oportuno
precipitar a ideia de candidatura.
Até por isso, Guerra fez questão de minimizar a imagem
de que Serra prepara, desde já, os alicerces de sua candidatura.
" Estive com Aécio
[Neves] em Minas. Agora, conversei com Serra." (CATIA
SEABRA e SILVIO NAVARRO)
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Folha de S.Paulo, 30 de
janeiro de 2009
Obama cria lei por justiça
salarial a mulheres
Medida amplia prazo para funcionárias
processarem empresas por discriminá-las em relação
a colegas no mesmo posto | Legislação inspirada
por ex-supervisora da Goodyear era promessa de campanha do
presidente e bandeira de sua mulher, presente no ato
ANDREA MURTA
DE NOVA YORK
Barack Obama assinou ontem
sua primeira lei como presidente dos EUA: a que amplia as garantias
jurídicas para que as mulheres exijam equiparação
salarial em relação aos homens no mesmo cargo -em suas
palavras, "uma clara mensagem de que fazer a economia funcionar
significa garantir que ela funcione para todos".
O nome da lei, Lilly Ledbetter, vem de uma mulher do Alabama que trabalhou
por 19 anos como supervisora da fabricante de pneus Goodyear e diz ter
sido discriminada em relação aos colegas do sexo oposto.
Hoje com 70 anos, Lilly descobriu pouco antes de se aposentar que ganhava
muito menos do que homens na mesma função.
Inicialmente, um júri condenou a Goodyear, mas a decisão
foi revertida em 2007 pela Suprema Corte dos EUA porque Lilly extrapolou
o período permitido para processos -de 180 dias após o
primeiro pagamento discriminatório.
O Congresso tentou aprovar uma lei que invalidaria a decisão da
Suprema Corte, mas a Casa Branca do ex-presidente George W. Bush se opôs.
A argumentação contrária era a de que a lei encorajaria
mais processos e poderia estimular empregados a procrastinar ações
civis na esperança de conseguir acordos vantajosos.
Mas o novo Congresso, sob Obama, aprovou o texto. A partir de agora,
será permitido o início de processos até seis meses
após cada pagamento discriminatório -e não apenas
após o primeiro.
A assinatura da lei tem importância especial para Obama porque
ele mencionou o caso de Lilly Ledbetter incontáveis vezes durante
sua campanha à Presidência. "Faz muito sentido que
a primeira lei que eu assino -a Lei Lilly Ledbetter de Pagamento Justo-
assegure um dos primeiros princípios deste país: que todos
somos criados iguais e merecemos uma chance de perseguir nossa própria
versão da felicidade", disse o presidente.
Presente na cerimônia de assinatura da lei, Lilly disse não
se importar com o fato de que nem assim será recompensada financeiramente.
" A Goodyear nunca vai pagar o que me roubou", disse. "Nunca verei
um centavo. Mas com a assinatura do presidente hoje, tenho uma recompensa ainda
mais rica."
Michelle
A assinatura da Lei Lilly Ledbetter marcou também a primeira atuação
política da primeira-dama Michelle Obama, além de sua primeira
cerimônia pública desde a posse, no último dia 20.
Advogada que deixou a carreira, Michelle disse durante a cerimônia
que a lei simboliza seu compromisso e o do presidente em garantir que
sejam aprovadas políticas para "ajudar mulheres e homens
a equilibrar o trabalho e as obrigações familiares sem
colocar seus empregos ou segurança financeira em risco".
" O pagamento igualitário é uma prioridade crucial para mulheres
de todas as raças e etnias, idosas, jovens, mulheres com deficiências
e suas famílias", afirmou.
Michelle e Lilly Ledbetter haviam comparecido juntas a atos públicos
durante a campanha de Obama, e ontem voltaram a se unir diante de membros
de mais de 150 organizações que pressionavam pela aprovação
da lei.
A primeira-dama disse que, daqui para frente, pretende focar sua atuação
no apoio a pais e mães que trabalham fora e famílias de
militares.
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Agência Câmara,
30 de janeiro de 2009
Projeto estabelece novo modelo
de organização sindical
Edson Santos
O Projeto de Lei 4430/08, do deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS),
estabelece nova regulação para toda a organização
sindical, tanto urbana como rural. Os elementos principais da proposta
são:
- liberdade de associação aos sindicatos e a soberania
da base na filiação destes às federações,
confederações e centrais sindicais;
- garantia de igualdade nas eleições sindicais para todos
os candidatos e também para os candidatos da representação
no local de trabalho;
- normas democráticas para a sustentação financeira;
- amplo acesso de sindicalizados e representados às informações
relativas à sua entidade sindical;
- fortalecimento das centrais sindicais, mantida a base do poder sindical
nas mãos dos sindicatos;
- garantia da não-intervenção do Estado na organização
sindical.
Contribuição
sindical
O projeto prevê a substituição do chamado imposto
sindical, com valor determinado em lei, por uma contribuição
sindical com valor deliberado pela assembleia geral dos sindicalizados.
Fica também com a assembleia
a decisão sobre que entidades sindicais de grau superior - federações
ou confederações - devam receber parcela da contribuição.
Como regra de transição, é estabelecido
um período de três anos de convivência dos dois
sistemas, cabendo a cada sindicato, em assembleia geral, definir sua
adesão ao novo sistema. Depois de adotá-lo, o sindicato
não poderá mais se valer do anterior imposto sindical.
Legislação anacrônica
"As regras vigentes da organização sindical, no essencial,
vêm de um período em que a sociedade era muito menos complexa, são
de antes da revolução tecnológica, da desregulamentação,
da restrição de direitos trabalhistas, da terceirização
e de outras formas mais precárias de contratação",
argumenta o parlamentar.
O deputado explica que o projeto
valoriza a negociação coletiva - "principal função
das entidades sindicais". Ao mesmo tempo, o projeto reconhece
as centrais sindicais.
Pelo projeto, as centrais passarão
gradualmente a ser financiadas pela contribuição sindical, à medida
em que as assembleias dos sindicatos forem aprovando esta nova fórmula.
O projeto pretende aumentar
a representatividade do movimento sindical, garantindo plena liberdade
de associação, inclusive de uma entidade à outra,
e pela discussão e votação de propostas de negociação
e contribuição por todos os integrantes da categoria.
"Qualquer que seja a alteração
no ordenamento trabalhista, o direito ao trabalho digno deve ser a
principal preocupação", sustenta o deputado. A proposta
vincula ainda o trabalhador terceirizado ao sindicato da categoria
profissional preponderante na empresa, independente da forma de contratação.
Tramitação
O projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação (inclusive no mérito);
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
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PL-4430/2008
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PGR, 30 de janeiro de 2009
Contribuição sindical
não deve ser suspensa, se manifesta PGR
A contribuição sindical realiza o princípio da igualdade
no âmbito do Direito Coletivo do Trabalho. Isso porque, quando
o sindicato obtém vantagem negociada para os empregados de uma
empresa, o benefício acaba sendo estendido a todos
Em parecer enviado ao Supremo
Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Antonio
Fernando Souza, se manifestou contra a suspensão da obrigatoriedade
da cobrança da contribuição sindical.
O pedido foi feito na arguição
de descumprimento de preceito fundamental (ADPF 126), proposta pelo
Partido Popular Socialista (PPS), tendo por objeto os artigos 579,
582, 583 e 587 da Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei
5.452/1943), com as redações dadas pelo Decreto-Lei 229/67
e Lei 6.386/76.
De acordo com o partido, os
dispositivos contestados violam a liberdade de associação,
garantida pelos artigos 5°, XX, e 8°, V, da Constituição
da República. Isso porque eles instituem a cobrança compulsória
de contribuição sindical, independentemente de os empregados
serem ou não filiados à entidade de classe.
Por isso, a arguição
pede que seja suspensa a obrigatoriedade da cobrança da contribuição
sindical, em caráter liminar, e que, no mérito, seja
declarada a não-recepção, pela Constituição
de 1988, dos artigos contestados.
Benefícios
extensivos a todos
O procurador-geral da República explica que, à primeira
vista, a contribuição sindical realiza o princípio
da igualdade no âmbito do Direito Coletivo do Trabalho. Isso porque,
quando o sindicato obtém vantagem negociada para os empregados
de uma empresa, o benefício acaba sendo estendido a todos os trabalhadores.
"Portanto, teria caráter
discriminatório a não-obrigatoriedade da contribuição
ou a sua restrição somente aos membros dos sindicatos,
tendo em vista a amplitude dos beneficiados. Outrossim, a não-obrigatoriedade
incentivaria a inércia dos trabalhadores que optassem por não
se filiar, visto que muitos desfrutariam dos benefícios das
negociações sindicais sem contribuir com o processo que
lhe serve", argumenta.
Antonio Fernando ressalta também
que pronunciamentos anteriores do STF seguem o entendimento de que é constitucional
a exigência da contribuição sindical instituída
no interesse das categorias profissionais ou econômicas, obrigatória
para todos os membros da categoria, filiados ou não ao sindicato.
Ele explica que o STF tem identificado
a parte final do inciso IV do artigo 8º da Constituição
Federal como uma exceção à regra da liberdade
de associação, com o objetivo de se manter em funcionamento
o sistema de representação sindical. Por esses motivos,
não estaria preenchido um dos requisitos para a concessão
da medida cautelar, que é a plausibilidade jurídica no
pedido (fumus boni iuris).
Questionamentos
constantes
O procurador-geral também defende que não há risco
na demora em esperar o resultado final do julgamento (periculum in mora).
Ele destaca que os dispositivos atingidos por essa arguição
vêm sendo objetos de constantes questionamentos desde a promulgação
da Constituição de 1988, que institui como princípio
regente das relações sindicais a liberdade de associação
profissional.
Além disso, "ao
contrário do que se possa alegar, a recente Lei 11.648/08, que
dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais,
em nada interfere na cobrança dos empregados, tratando apenas
da forma de sua repartição".
O parecer vai ser analisado
pelo ministro Celso de Mello, relator do caso no STF.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de janeiro de 2009 | Economia
Bosch é denunciada no
Ministério Público
Helio Miguel
Supostas pressões excessivas sobre trabalhadores fizeram com que
o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) protocolasse,
ontem, na capital, um pedido de providências contra a Bosch, no
Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo o SMC, a empresa vem
assediando moralmente os funcionários, na tentativa de impor
uma proposta de redução de salários e de jornada
de trabalho em 20%, sem garantia de emprego. Já a Bosch defende
a tomada de medidas, afirmando que são necessárias para
se adequar à demanda atual.
O MPT confirmou o recebimento
do pedido do sindicato. O procurador do trabalho Luercy Lino Lopes,
responsável pelo procedimento, já designou, para o dia
2 de fevereiro, uma audiência com representantes dos trabalhadores
e da Bosch, para mediar a questão.
Para o presidente do sindicato,
Sérgio Butka, a proposta da empresa deve ser tomada somente
em último caso, depois de esgotadas outras alternativas, como
a adoção de banco de horas ou de lay-off (suspensão
temporária). Segundo ele, a Bosch já demitiu cerca de
800 funcionários no ano passado, sendo 250 só em dezembro.
Butka acredita que propostas
como a da Bosch são “um atraso” e que apontar a
crise como motivo para medidas mais drásticas é um “exagero”.
Para ele, sindicatos que aceitem acordos que reduzem jornadas e salários
apenas ajudam a crise a aumentar.
Anteontem, foi anunciado um
acordo, em São Paulo, entre o Sindicato dos Metalúrgicos
local, a empresa Valeo Sistemas Automotivos e os trabalhadores, para
redução dos salários em 15%, em troca de manutenção
dos empregos por 135 dias.
Ainda ontem, a Bosch defendeu
sua posição. Em um comunicado, apontou que a redução
das jornadas de trabalho e dos salários é prevista em
lei e “necessária para adequar o grau de ocupação
de pessoal à demanda atual”, que reduziu significativamente.
A empresa ressaltou, ainda,
que adota o princípio de transparência, mantendo seus
colaboradores informados “sobre a situação dos
negócios e as medidas que considera necessárias”,
e que está aberta ao diálogo com o sindicato.
Mas o SMC avisa que seu
objetivo é evitar novas demissões e flexibilização
de direitos. O sindicato informa que também está convocando
as três maiores indústrias do setor em Curitiba e Região
Metropolitana, para discutir alternativas às demissões
junto ao MPT. Nos últimos três meses de 2008, de acordo
com o SMC, a New Holland demitiu 370 metalúrgicos, a Volvo,
430, e a Volkswagen-Audi, 250.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/01/2009
Pedreiro será indenizado
depois de 19 dias de serviço
Por ter sido contratado por
prazo determinado, e não por período de experiência,
um servente de pedreiro será indenizado em R$2.518,10 depois
de trabalhar 19 dias para a empresa Consercon Construções
Ltda. e ser demitido sem justa causa. Na prática, esse é o
resultado do julgamento da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que negou provimento ao agravo de instrumento apresentado pela empresa.
O empregado entrou com ação
na Vara do Trabalho de Guaxupé, em Minas Gerais, alegando ter
sido contratado por prazo determinado para a realização
de obra certa pela Consercon, em 11/09/2007, com salário de
R$20,00 por dia. Em 30/09/2007, ou seja, 19 dias depois, foi demitido
sem justa causa. Ele afirmou ainda que a empresa não formalizou
o contrato com a anotação na carteira de trabalho nem
lhe pagou as diferenças salariais devidas. A empresa se defendeu
afirmando que o contrato firmado era de experiência, e não
até o término da obra. Além disso, o servente
de pedreiro não teria apresentado os documentos necessários
para a contratação.
O juiz de primeira instância
entendeu verdadeiras as alegações do servente e condenou
a Consercon ao pagamento das verbas trabalhistas. Para o caso de descumprimento,
uma segunda empresa participante do empreendimento - a Companhia de
Habitação do Estado de Minas Gerais - também foi
responsabilizada, subsidiariamente, pelo débito com o empregado.
No Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG), a empresa apresentou os mesmos argumentos.
A conclusão do TRT/MG foi de que cabe ao empregador provar a
inexistência do contrato de trabalho – o que não
havia ocorrido no processo. Portanto, o tribunal manteve a condenação
de pagamento de descanso semanal remunerado, horas extras, FGTS e a
indenização prevista no artigo 479 da CLT. Essa norma
estabelece que o empregador é obrigado a indenizar o trabalhador
contratado por prazo determinado em caso de despedida antecipada sem
justa causa. Pelos cálculos do Regional, a quantia devida ao
servente de pedreiro chega a R$2.518,10.
Quando interpôs
agravo de instrumento no TST, a Consercon esperava rediscutir o assunto
por meio de recurso de revista que foi desautorizado pelo TRT mineiro.
Mas para o relator do agravo, ministro Walmir Oliveira da Costa,
não houve desrespeito a normas trabalhistas ou à Constituição
que justificassem o reexame da questão no Tribunal. O relator
defendeu o não-provimento do agravo e foi seguido pelos demais
ministros da Primeira Turma. Desse modo, a decisão do Regional
foi mantida, uma vez que a matéria não será mais
analisada no TST. ( AIRR – 1000/2007-081-03-40.4)
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