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Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro
de 2009
Governo quer liberar FGTS e incentivar
acordo trabalhista
Saque ajudaria trabalhador a reforçar
renda perdida com reduções de jornada e salário
| Demissões em janeiro preocupam Planalto, que também
cogita reduzir tributos das empresas durante o prazo do acordo
KENNEDY ALENCAR
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Preocupado com o desemprego,
que continuou subindo em janeiro, o governo já estuda uma forma
de facilitar acordos coletivos com redução de jornada
de trabalho e de salário. Além de avaliar a possibilidade
de reduzir tributos sobre a folha de pessoal durante o prazo do acordo,
a equipe econômica analisa permitir que o trabalhador possa sacar
parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para complementar
a renda perdida.
Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta, próxima
ao que defende a Fiesp (Federação da Indústria do Estado
de São Paulo), começou a ser discutida ontem à noite em
reunião no Ministério da Fazenda.
Participaram os ministros Guido Mantega (Fazenda), Carlos Lupi (Trabalho) e
Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência da República), além
do assessor especial Bernard Appy, que coordena os estudos.
O governo já tem números preliminares indicando que o fechamento
de postos de trabalho no mercado formal continuou em janeiro, apesar de os
dados preliminares indicarem que foi menor que as 654 mil vagas fechadas em
dezembro. Oficialmente, Lupi tem dito que a situação vai melhorar
a partir de março, mas a queda registrada no nível de atividade
da indústria no final do ano passado traz dúvidas a essa projeção.
A proposta em estudo no governo -que ainda precisará de aprovação
de Lula- prevê que o governo reduza temporariamente tributos sobre a
folha de pessoal, o que diminui o custo de produção. Em troca,
apurou a Folha, as empresas beneficiadas pela medida devem se comprometer com
a manutenção dos empregos. A CUT (Central Única dos Trabalhadores),
ligada ao PT, já se manifestou contra essa medida.
No caso dos trabalhadores, a ideia é que parte do dinheiro depositado
no FGTS possa ser sacada mensalmente, durante o acordo, para complementar a
renda. A avaliação preliminar do governo é que esse tipo
de mudança pode ser feito sem mudança na atual legislação
trabalhista. O governo estuda ainda a ampliação no número
de parcelas do seguro-desemprego, uma reivindicação das centrais
sindicais.
Conforme a Folha publicou ontem, acordos prevendo flexibilização
do contrato de trabalho já atingem 40,6 mil metalúrgicos no Estado
de São Paulo desde o agravamento da crise. São funcionários
de 66 empresas, que adotaram, com o aval dos sindicatos, medidas como banco
de horas e redução de jornada de trabalho com queda proporcional
do salário.
Dados divulgados pelo IBGE na segunda-feira passada mostram ainda que o emprego
na indústria teve a maior queda em oito anos: recuou 1,8% em dezembro
na comparação livre de influências sazonais com novembro.
Foi a maior retração da série história do instituto
iniciada em 2001.
Foi o terceiro mês consecutivo de redução no nível
de emprego na indústria. Nesse período, impulsionado pelo impacto
da crise, a perda acumulada chega a 2,5%.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 11 de fevereiro de 2009 | Dinheiro
Trabalhador de setores mais afetados
pela crise terá seguro-desemprego maior
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O governo ampliou o seguro-desemprego
em mais dois meses para os trabalhadores demitidos dos setores mais afetados
pela crise econômica. A medida foi aprovada nesta quarta-feira
pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Hoje, o benefício varia
de três a cinco meses, dependendo do tempo em que o trabalhador
ficou no emprego --o seguro varia de R$ 465 a R$ 870, sendo o valor médio
pago de R$ 595,20. Agora, as parcelas serão de cinco a sete meses.
Segundo o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, a medida é temporária e ficará restrita
apenas aos setores que estão sofrendo mais com a crise e aos estados
que tiveram mais demissões nessas áreas. Em primeiro lugar,
só pode ser beneficiado quem perdeu o emprego a partir de 1º de
dezembro de 2008.
Benefícios para março
O governo ainda vai analisar
os dados sobre o desemprego entre dezembro de fevereiro. Isso significa
que a lista dos beneficiados só será divulgada em março.
O pagamento extra será feito a partir de abril e será automático.
Entre os setores que aparecem
hoje como candidatos ao benefício estão siderurgia, aço,
mineração, couro e calçados, que dependem mais das
exportações.
A análise será feita
por setor e por estado, a partir dos dados do Caged (Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados).
Por isso, é possível
que o seguro seja estendido para o trabalhador demitido de uma siderúrgica
em São Paulo, por exemplo, mas não para quem trabalhava
na mesma área em outra região do país.
Medida provisória
Hoje, a lei já permite
a ampliação do seguro-desemprego para até sete meses,
desde que a medida seja aprovada pelo Codefat (Conselho Deliberativo
do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Segundo Lupi, se a situação
piorar, o governo pode editar uma medida provisória para ampliar
o seguro desemprego para até dez meses.
"Se a gente perceber um
agravamento maior, e eu não acredito nisso, a gente pode fazer
uma medida provisória para ampliar para até dez meses."
Outros setores muito afetados
já apresentam recuperação e não devem ser
beneficiados nesse momento, segundo o ministro. Lupi citou como exemplo
agricultura, serviços, montadoras e construção civil.
Caged
Lupi afirmou que os números
do Caged de janeiro ainda vão mostrar queda no emprego com carteira
assinada. Os dados, no entanto, não serão tão ruins
como os divulgados em dezembro, quando se fechou o número recorde
de 650 mil vagas.
"O impacto da diminuição
de empregos será bem menor. Alguns estados já estão
com dados positivos. Não há possibilidade de se chegar,
nem de longe, perto do número de dezembro", afirmou Lupi.
O ministro disse também
que já há recuperação em alguns estados
(RS, PR SC, MS, MT e GO), principalmente nas áreas da agricultura,
construção civil e serviços. "Esses seis
já estão tendo resultados positivos."
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SINTRICOMU, 11 de fevereiro
de 2009
Reação do Bem
Trabalhadores defendem o salário
no braço
Jornal de Umuarama

Trabalhadores reagem a investida de assaltante; além de defenderem a
fábrica onde trabalham, garantiram os próprios salários
e nos lembraram que o bem tem de se impor sobre tudo
Cleverson E. Zanquetti
policia@ilustrado.com.br
Cerca de trinta funcionários de uma fábrica
de confecções localizada na avenida Ângelo Moreira
da Fonseca se revoltaram e acabaram defendendo os próprios salários
no braço. A revolta não foi contra os padrões, mas
contra Bruno César dos Santos, 20 anos. Acompanhado de um rapaz
em uma Twister vermelha, Bruno foi detido pelos operários quando
fugia com um malote onde estava o pagamento dos funcionários.
Ele só não foi espancado porque a polícia chegou
antes e acalmou os ânimos dos mais radicais.
Pedindo o anonimato a proprietária da empresa contou que havia acabado
de chegar do banco com o dinheiro. A ideia era efetivar o pagamento do ordenado,
no fim do expediente. "Ele invadiu a minha sala e mandou que eu entregasse
tudo. Me assustei e ele ainda me agrediu com três socos. Na seqüência
ele fugiu e foi interceptado pelo pessoal da fábrica", reforçou.
Uma das funcionárias disse que esta foi a segunda investida de ladrões
contra a fábrica. Ela revelou ainda que os rapazes da empresa só não
machucaram o acusado porque a polícia impediu. "O ladrão
sabia que hoje era dia de pagamento. Parece até que ele conhecia a empresa.
Se conseguisse levaria cerca de R$ 15 mil", cogitou.
O delegado Fernando Ernandes Martins destacou que a prisão ocorreu a
cerca de 200 metros da delegacia. Ele explicou que os policiais militares efetivaram
a detenção do acusado e os policiais civis reforçaram
o trabalho. "Ouvi pelo rádio que a Polícia Militar atendia
um chamado nas proximidades da delegacia e então deixamos o trabalho
de investigações para tentarmos deter outros possíveis
envolvidos neste roubo". O delegado revelou que Santos não tem
antecedentes criminais, porém, quando menor teve uma apreensão
por ato infracional.
Quanto a reação das vítimas o policial salientou não
ser recomendável, entretanto, reconheceu o bom serviço prestado à comunidade. "Eles
perceberam que o rapaz não estava armado e reagiram. No contexto, tiveram
sucesso", reconheceu.
Certo ou errado a reação representa a insatisfação
geral com a situação de medo na qual a região de Umuarama
está envolvida. É, a revolução atual não é mais
contra a opressão mas em insatisfação a violência:
o mal do momento que aflige capitalista, proletários, ricos e pobres.
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GAZETA DO POVO, 11 de fevereiro
de 2009 | Vida e Cidadania/ Meio Ambiente
Floresta
Conama normatiza extração
de madeira
Uma nova instrução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)
torna mais claras as regras para extração de madeira e manejo
florestal na Amazônia. Segundo a agência oficial de notícias
do governo federal, a resolução estabelece parâmetros técnicos
para avaliação e execução de Plano de Manejo Florestal
Sustentável, além de ajudar a minimizar impactos ambientais e
a conservar a biodiversidade.
O diretor de Uso Sustentável
da Biodiversidade e Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel,
explica que a norma indica os critérios para se fazer manejo florestal
com base em índices técnicos como a intensidade de exploração,
o diâmetro mínimo para corte, entre outras regras. Ele informa
ainda que essa resolução unifica as normas estaduais de
manejo florestal.
“Tínhamos
alguns estados que, apesar da norma do Ministério do Meio Ambiente
e do Ibama citar a extração de 30 metros cúbicos
por hectare, estavam autorizando a extração de 50 metros
cúbicos. Essa norma veio estabelecer parâmetros”,
explicou. Hummel também disse que essa norma dá mais
garantias jurídicas para a exploração e manejo
florestal. “Uma resolução do Conama é muito
importante, porque ela tem uma força de norma, uma força
de lei, e esse é um aspecto muito forte”, disse.
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Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro
de 2009
Dilma critica demissões "além
do que a crise justificaria"
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Fazendo coro ao colega Carlos
Lupi (Trabalho), a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) criticou na noite
de anteontem o que classificou de demissões "além
do que seria justificável" na esteira da crise. Diante disso,
o governo priorizaria agora investimentos e desonerações
que resultem na manutenção ou criação de
empregos.
Dilma participou de reunião fechada com integrantes do Diretório
Nacional do PT. A versão sobre o que a ministra falou em seus 40 minutos
de discurso foi publicada no site do PT e dita à Folha por petistas
que participaram do encontro.
Segundo o site do PT, Dilma reclamou dos cortes "além do que seria
justificável". Participantes da reunião destacaram que a
ministra afirmou que o Planalto priorizará setores em que avalie que
a ajuda resultará em um grau maior de manutenção ou criação
de vagas. A assessoria da Casa Civil não respondeu à Folha até a
conclusão desta edição.
Lupi tem defendido que as desonerações ou financiamentos governamentais
tenham como condicionante a manutenção do emprego. A área
econômica do governo, entretanto, vê dificuldades para colocar
isso em prática.
Dilma teria dito que "um governo excepcional aproveita as oportunidades
da crise" e defendeu a opção do governo de não vender
bancos públicos. "A reação [à crise], nos
primeiros momentos só foi possível porque o governo tinha quatro
bancos [que usou para elevar a oferta de crédito]."
Ontem, o Diretório Nacional do PT aprovou resolução em
que defende a atuação do governo em relação à crise,
mas critica a política de juros do Banco Central. O texto, que não
havia sido divulgado até o fim desta edição, incluiria
grande parte dos argumentos usados por Dilma.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
fevereiro de 2009 | Economia
Agenda anticrise contra a recessão
Fiep cobra ações rápidas
do governo federal para evitar paralisia na produção
industrial
Empresários do Paraná estão
se mobilizando para exigir medidas do governo federal que mantenham o
consumo e a produtividade da indústria em todo Estado. O presidente
da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep),
Rodrigo Rocha Loures, anunciou ontem uma Agenda de Impacto Sistêmico,
que pretende exigir ações rápidas na economia brasileira
para evitar a paralisia na produção industrial. A iniciativa
visa obter a desoneração de impostos governamentais, a
redução da taxa Selic, diminuição da burocracia
e dos encargos pagos para importação e exportação.
O anúncio foi feito ontem
em Londrina, durante o Fórum Regional 2009 - Reflexões
sobre a Economia na Vida das Empresas. O evento teve por finalidade debater
aspectos da crise mundial e seus reflexos dentro do país e, mais
especificamente, no Paraná. Os econtros estão acontecendo
em várias regiões do Estado. ''Queremos mobilizar o empresariado
para cobrar do governo ações rápidas'', declarou
o presidente da Fiep.
Loures criticou o governo federal
por ter uma ação reativa diante da crise, esperando acontecer
algo ruim para depois tomar providências. Para ele, o governo precisa
começar a implementar políticas públicas para evitar
impactos mais perversos da crise, no sentido de preservar o sistema produtivo.
O presidente da Fiep defendeu
também que o governo necessita, de maneira urgente, reduzir a
taxa de juros básica, hoje em 12,75%. Os juros do spread cobrado
pelas instituições bancárias também foi duramente
criticado por parte do dirigente da Fiep. ''As empresas precisam de capital
para financiar a produção. A crise é de crédito.
Esta é uma questão emergencial, o governo precisa urgentemente
intervir nesta questão'', argumentou. Segundo ele, o crédito
ficou difícil e muito caro nos últimos meses. O representante
dos empresários disse também que o setor pretende cobrar
ações efetivas de infraestrutura.
Crédito
Durante o evento, o economista
Carlos Américo Pacheco fez uma análise sobre a economia
nacional e do Paraná. ''Há uma crise de credibilidade e
confiança por parte dos diversos setores da economia, principalmente,
do crédito'', fundamentou Pacheco, que é pesquisador e
professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas
(IE-Unicamp).
Para o estudioso, o consumo de
bens de consumo duráveis de alto custo, como moradias de alto
padrão, devem sofrer uma redução nas vendas devido
a falta de crédito bancário para este tipo de investimento.
Segundo ele, a massa salarial atual deve manter o consumo, dependendo
apenas que o governo sinalize com medidas que modifiquem a expectativa
negativa atual da população e do empresariado.
Edson Pereira Filho
Reportagem Local
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Gazeta do Povo, 11 de fevereiro
de 2009
Trabalho
Requião pede e Constituição
pode mudar para garantir emprego
Deputados apresentam proposta para que benefícios
fiscais só sejam concedidos a empresas que não demitirem.
Setor produtivo faz ressalvas
Os deputados da base governista
apresentaram ontem um projeto de emenda à Constituição
Estadual que estipula a criação ou manutenção
de empregos como uma condição para a concessão de
incentivos fiscais a empresas no Paraná. A proposta atende a um
pedido feito na semana passada pelo governador Roberto Requião,
que se mostrou incomodado com demissões em firmas que receberam
tratamento tributário especial para investir no estado.
A iniciativa foi encabeçada
pelo líder do governo da Assembleia Legislativa, Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB), e apoiada por outros 36 parlamentares que assinaram
o encaminhamento do projeto. Na justificativa, os deputados argumentaram
que o estado abre mão de arrecadação futura ao conceder
os benefícios, e que deve haver uma contrapartida do setor privado
através da manutenção dos postos de trabalho.
Segundo juristas ouvidos pela
Gazeta do Povo, a redação do projeto leva à interpretação
de que sua aplicação não será retroativa.
Assim, empresas que já receberam benefícios para investir
no Paraná não seriam obrigadas a manter empregos.
Para representantes do setor
produtivo, o projeto precisa ser melhor debatido para que não
se transforme em um desincentivo ao investimento. “A princípio,
a ideia não é errada, porque se há incentivo o governo
pode exigir o que quiser”, diz Roberto Karam, presidente do Sindicato
da Indústria Metalmecânica do Paraná (Sindimetal). “O
problema é que o projeto criaria uma barreira para o uso dos benefícios.
Poucas empresas aceitariam correr o risco de não poder ajustar
o quadro de funcionários em um momento de crise econômica.”
Ardisson Akel, presidente da
Federação das Associações Comerciais e Industriais
do Paraná (Faciap), faz avaliação semelhante. Ele
diz entender a preocupação do governo, mas aponta que uma
regra muito rígida afastará investimentos disputados com
outros estados. “É preciso avaliar bem a regulamentação
dessa lei. Há momentos em que as empresas precisam adaptar a capacidade
produtiva para sobreviver.”
Na opinião de Benedicto
Kubrusly Júnior, presidente do Sindipeças, a proposta em
tramitação na Assembleia vai na direção contrária às
medidas que o setor precisa para enfrentar a crise, como a redução
de custos trabalhistas. “Esta crise exige muito equilíbrio
na condução da política econômica. É preciso
jogar mais para o time do que para a torcida”, critica.
A Federação das
Indústrias do Paraná (Fiep) informou, por meio de sua assessoria
de imprensa, que vai aguardar a tramitação do projeto para
então fazer comentários.
Lógica
A concessão de benefícios
fiscais ocorre em um contexto de competição entre os estados
para atrair investimentos. “A ideia é que o incentivo é compensado
pela geração de empregos dentro das empresas e em suas
fornecedoras”, explica Nelson Luiz Paula de Oliveira, vice-presidente
do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (Ibef-PR). “A
variação na mão-de-obra ao longo do tempo é normal,
não sei de que forma pode ser evitada pela Constituição
Estadual.”
O economista Sidnei Pereira do
Nascimento, professor da Universidade de Londrina (UEL) especializado
em guerra fiscal, aponta que os benefícios sempre são acompanhados
pela geração de empregos no longo prazo. “Mas geralmente
o incentivo a pequenas empresas tem um custo menor por vaga criada e é mais
eficiente”, afirma.
“Bondades”
Veja quais são os principais benefícios fiscais
existentes no Paraná, segundo a Secretaria de Indústria
e Comércio.
Bom Emprego
É um programa que dá mais
tempo para o pagamento do ICMS dos primeiros quatro anos de funcionamento
da empresa. O porcentual de imposto que pode ser pago no prazo maior
varia de acordo com a região onde a companhia investe. Cidades
com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo oferecem
condições melhores para a instalação das
empresas.
Microempresas
O estado reduziu o ICMS para
as micro e pequenas empresas inscritas no Simples Nacional. Vale para
firmas com faturamento de até R$ 2,4 milhões por ano – aquelas
com faturamento de até R$ 360 mil são isentas do imposto.
Compras internas
Há um diferimento de 6
pontos porcentuais no ICMS pago em transações dentro do
Paraná. Assim, o imposto que incide nas vendas cai de 18% para
12% e a diferença só é acrescentada quando o produto
chega ao consumidor final.
Importações
A legislação do
estado prevê isenção de ICMS para a importação
de bens de capital e insumos para a produção.
Energia
Há um diferimento
no pagamento do ICMS da energia elétrica usada nos primeiros
24 meses de operação das empresas. Assim, elas ganham
mais tempo para quitar o tributo.
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Gazeta do Povo, 11 de fevereiro
de 2009
Trabalho
Centrais pedem projeto similar em âmbito
federal
Ao que tudo indica, a votação
do projeto que condiciona a concessão de benefícios fiscais
por parte do governo à manutenção de empregos por
parte das empresas instaladas no Paraná será daquelas de
causar comoção entre a classe trabalhadora e representantes
sindicais. Tanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) quanto
a Força Sindical vêm cobrando do governo federal uma medida
dessa natureza, e agora aprovam a iniciativa paranaense.
“É o mínimo
que a empresa pode fazer. Toda empresa que recebe algum benefício
do Estado, seja em nível federal, estadual ou municipal, deve
dar a contrapartida de manter o nível de emprego. O que não
dá é registrar anos e anos de lucro e, no primeiro ‘vendaval’,
querer demitir os trabalhadores”, disse o diretor de mobilização
da Força no Paraná e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos,
Nelson Silva de Souza.
A diretora da CUT no Paraná Eliana
Maria dos Santos faz coro com Souza. “A elite empresarial está querendo
lucrar com a crise também. Estão pegando financiamento
público e aproveitando para demitir sem necessidade.”
Nelson Souza diz ainda não
acreditar que o projeto apresentado ontem na Assembleia Legislativa possa
causar “desincentivo” às empresas. “A gente
não quer que a empresa perca competitividade. Nós sabemos
que há uma crise. Mas qual é o papel do governo federal
e estadual em colocar recursos para empresários só para
eles terem lucro?”, questiona.
A CUT marcou para hoje, às
9 horas, na Boca Maldita, um protesto pela manutenção
dos empregos e salários no país, como parte do “Dia
Nacional de Luta em Defesa dos Empregos e Salários”. A
Central informou que o objetivo do protesto é “mostrar
a toda a sociedade que a classe trabalhadora não irá aceitar
as demissões como algo natural e inevitável”.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de fevereiro de 2009 | Economia
BNDES anuncia ampliação
de linhas de financiamento
Agência Estado
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Luciano Coutinho, anunciou nesta terça-feira (10) ampliação
e mudanças em algumas linhas de financiamento da instituição. "As
medidas têm por objetivo recompor o crédito e ajudar a economia
a atravessar o fundo do poço", explicou. Ele destacou que há indicações
de que a economia e as expectativas econômicas pararam de piorar. Coutinho
disse também que o BNDES está preparado para emprestar R$ 120
bilhões em 2009, acima dos R$ 110 bilhões inicialmente previstos.
"Neste ano, podemos ir para
R$ 120 bilhões em desembolsos, mas, se ficarmos em R$ 110 bilhões
porque o mercado deu conta da diferença dos R$ 10 bilhões, é bom
porque significa uma retomada do crédito", disse em entrevista
coletiva à imprensa. "O nosso papel é transitório",
acrescentou. Coutinho explicou que os R$ 166 bilhões mencionados
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando do anúncio do
aporte de R$ 100 bilhões do Tesouro no BNDES, é um limite
teórico para o banco emprestar. "Não é nosso
objetivo chegar a R$ 166 bilhões em 2009 porque ele inclui parte
de 2010 e esperamos que, até lá, o mercado já tenha
voltado ao normal", afirmou.
A primeira mudança anunciada
por Coutinho foi no Programa Especial de Crédito (PEC-BNDES).
Esta linha é para viabilizar capital de giro para as empresas.
Uma das principais alterações foi a redução
do custo financeiro básico, em 1,55 ponto porcentual. Dessa forma,
o custo básico fica em 14,5% anuais quando a operação é feita
diretamente com o BNDES e em 15% ao ano quando feita na rede bancária.
Além do custo básico,
as empresas pagam um prêmio vinculado ao seu nível de risco.
A linha, que tinha vigência até 30 de junho de 2009, teve
o prazo estendido para 31 de dezembro de 2009. O prazo das operações
passou de 13 meses para 36 meses. O limite de crédito por beneficiário
subiu de R$ 50 milhões para R$ 200 milhões. O BNDES também
aceitará garantias além de fiança bancária,
como recebíveis e penhor, entre outras. Segundo Coutinho, o BNDES
já emprestou, por meio dessa linha, R$ 1 bilhão e tem mais
R$ 5 bilhões disponíveis.
O presidente do BNDES explicou
que não é o objetivo do banco trabalhar com capital de
giro, mas neste momento, em razão dos impactos da crise no sistema
financeiro, a atuação da instituição se faz
necessária.
Coutinho também anunciou
mudanças em uma linha de capital de giro vinculada a investimentos,
que terá um custo mais elevado porque os recursos (funding) virão
dos R$ 100 bilhões que serão repassados pelo Tesouro Nacional
ao banco. Segundo ele, a linha fornece capital de giro em volume equivalente
a 30% dos projetos de investimentos. Para ampliar o volume emprestado
nesta linha, o BNDES está expandindo o conceito de recursos voltados
para investimentos, como, por exemplo, importação. O custo
será de 11,25% ao ano (8,75% do Tesouro mais 2,5%). Antes, era
cobrada a taxa de juros de longo prazo (TJLP), atualmente em 6,25% ao
ano, mais 2,5%. "Aumentou o custo porque estamos com um funding
relativamente mais caro", afirmou.
O presidente do BNDES também
anunciou ampliação de 80% para 100% da participação
do banco em financiamentos de máquinas e equipamentos e também
para caminhões e ônibus novos e usados. Essa alta no volume
a ser financiado também implica em aumento no custo, uma vez que
a parcela adicional será vinculada ao funding que virá do
Tesouro, e não à TJLP, que financia a maior parte dessas
operações. No caso das máquinas e equipamentos,
esses 20% a mais de financiamento que não existiam terão
uma taxa de 11,25% ao ano. Mas Coutinho explicou que mesmo com um custo
um pouco maior o crédito para as empresas é mais barato
do que se elas fossem buscar isso no mercado.
O BNDES está viabilizando
financiamento de caminhões e ônibus usados com até oito
anos a uma taxa de 13,75% ao ano. Segundo Coutinho, o mercado de usados
perdeu muita liquidez e o BNDES está tentando contribuir para
a travessia desse momento mais difícil.
Coutinho anunciou ainda a redução
de taxas para linhas de pré-embarque para financiamento às
exportações, que passaram de 13% para 11,25% ao ano no
caso de bens de capital e de 15% para 13,75% para bens de consumo. O
prazo dessas operações passou de 18 meses para 24 meses
e o limite máximo por beneficiário, que era de R$ 150 milhões,
foi retirado. O objetivo dessa linha é amenizar o impacto da escassez
do crédito no mercado internacional.
A última mudança
anunciada por Coutinho foi a redução de 14,25% para 13,75%
ao ano do custo do empréstimo-ponte, que é o crédito
feito para a fase inicial das obras de infraestrutura. Segundo o presidente
do BNDES, havia uma demanda da Associação Brasileira de
Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) para a diminuição
desse custo.
Foco
Coutinho afirmou que a instituição
continua tendo como foco principal financiar os investimentos, mas que
neste momento de escassez de crédito por conta da crise é necessária
a ampliação do escopo do banco, incluindo atuação
forte no fornecimento de capital de giro. Ele destacou que a instituição
também está ampliando o volume de crédito voltado
diretamente para os investimentos já que o mercado de capitais
praticamente desapareceu desde 2008.
"Estamos desempenhando um
papel maior por conta da contração ou desaparição
do mercado", afirmou, em entrevista coletiva à imprensa. "O
BNDES cumpre o papel para que a economia não sofra desnecessariamente.
Se as empresas querem investir, é nossa obrigação
apoiar", acrescentou, destacando que espera que o mercado financeiro
volte à normalidade. Segundo Coutinho, a atuação
mais ampla do BNDES é transitória e vai durar enquanto
houver escassez de crédito. "O objetivo é ampliar
a cobertura dos empréstimos, a liquidez, substituindo o que o
mercado fazia, e com taxas mais baixas", disse ao acrescentar: "Estamos
substituindo temporariamente o mercado de crédito".
Para ele, há espaço
para a queda na taxa Selic, o que vai permitir uma redução
no custo do crédito e o retorno do mercado de capitais, já que
os investidores vão querer opções mais rentáveis
para aplicar seus recursos.
Infraestrutura
O presidente do BNDES destacou
ainda que a demanda por financiamentos para obras de infraestrutura
segue "firmíssima", e os projetos que estavam no banco
foram confirmados. "Devemos dobrar os desembolsos de infraestrutura
neste ano. A demanda está firme. Nossa missão principal é dar
suporte aos investimentos", disse.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
fevereiro de 2009 | Opinião
Sinais de melhora na economia brasileira
Se os pontos bons forem realçados
e for contido o pessimismo, confiança logo se restabelecerá
Se alguns males vêm para o bem, então não são propriamente
males. Fala-se da crise gerada pela quebra do banco norte-americano Lehman
Brothers, que no mínimo serviu de lição para as demais
instituições bancárias, agora mais precavidas e menos
tendentes a aventuras. E não apenas elas mas também os governos
e todos os setores da atividade produtiva mundial.
Demissões podem ser medidas
precipitadas, por tanger os trabalhadores, sinônimos de famílias
e outros dependentes que entram em situação de insegurança
e de pânico se de repente lhes falta a base de sustentação.
Férias coletivas e contenções em outros setores
da gestão empresarial são mais recomendáveis do
que a atitude radical de colocar pessoas na dramática situação
do desemprego. Ressalvados os casos de fechamento de empresas e outros
de gravidade extrema, segurar o impacto da crise significa também
preservar o ganho dos empregados.
O analista Celso Ming, que escreve
para este Jornal, afirma que há sinais de melhora da economia
brasileira. Janeiro mostrou um bom resultado na balança comercial,
embora sem reverter o déficit do mês. Houve reação
positiva dos exportadores, principalmente por estarem chegando aos portos
os produtos da substancial safra agrícola, mesmo um pouco diminuída
ante o que estava previsto. A redução do imposto que incide
sobre os produtos industrializados foi uma boa alavancagem para a produção
e venda de automóveis, embora a estagnação na comercialização
de caminhões e colheitadeiras. Se novembro e dezembro foram meses
ruins para os negócios em geral – ressalvadas as vendas
ditas natalinas – deve-se saber que para certos segmentos estes
são meses sempre críticos. O Governo precisa segurar os
níveis daquele imposto e conter a ganância em outros mais,
dessa forma propiciando que mais dinheiro fique no meio circulante e
dinamize a economia. E agora o Banco Central anuncia que as concessões
de crédito ‘‘já retornaram aos níveis
anteriores à crise’’.
A montadora japonesa de veículos
Nissan tem feito demissões em todo o mundo mas anuncia que não
fará isto no Brasil. Esta decisão se traduz por confiança
no País. A China se recupera, e pelo fato de ter 1 bilhão
e 600 milhões de consumidores, isto representa um alento. E no
Brasil tem havido uma boa reação nos negócios de
ações e o mercado interno continua ativo. Se os pontos
bons forem realçados e for contido o pessimismo próprio
dos descrentes, a confiança logo se restabelecerá.
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Agência
Brasil, 11 de fevereiro de 2009
Preço da cesta básica cai
em dez capitais, revela Dieese
O preço da cesta básica, em janeiro,
caiu em dez das 17 capitais estudadas pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
As capitais que apresentaram
quedas expressivas foram João Pessoa (-11,30%), Rio de Janeiro
(-6,27%) e Fortaleza (-5,12%). Dentre as sete localidades onde o
preço da cesta subiu, os destaques foram Belém (5,85%),
Goiânia (5,22%), Vitória (4,79%) e Salvador (4,48%).
Na média anual, contudo,
o preço aumentou 10% em dez capitais: Vitória (20,10%),
Florianópolis e Natal (ambas com 18,02%) e Salvador (16,59%)
foram as que se destacaram neste quesito.
Segundo o coordenador da
pesquisa, José Mauricio Soares, a queda no preço se
deve a certos produtos cujos preços estão caindo. "Como
não há muita demanda internacional, o preço
do óleo de soja está caindo", disse.
Na avaliação
de Soares, a cesta deve continuar caindo. "O resultado está sendo
positivo e deve continuar assim nos próximos meses".
Dez cidades registraram redução
no preço do arroz, produto que se encontra em período
de colheita. A queda mais significativa foi observada em Florianópolis
(-4,87%). Das sete localidades com alta, a maior ocorreu em Goiânia,
com 3,96%. A variação em 12 meses é significativa
em todas as regiões, situando-se entre 22,86%, em Salvador,
até 46,17%, em Fortaleza.
Em São Paulo, o custo
da cesta básica na capital teve elevação de
0,85% em comparação com dezembro, o sexto maior aumento
entre as 17 capitais pesquisadas.
Em relação
a janeiro de 2008, a alta é de 5,43%, a menor elevação
em 12 meses, no conjunto de 16 localidades para as quais o Dieese
dispõe de dados para o período. O custo dos 13 itens
essenciais ficou em R$ 241,53.
O Diesse concluiu, ainda,
com base no maior custo apurado para a cesta básica (que,
em janeiro, foi registrado em Porto Alegre), que o valor do salário
mínimo necessário para cumprir a determinação
constitucional de cobrir as despesas de uma família com gastos
básicos (alimentação, moradia, saúde,
lazer, previdência, transporte, higiene, educação
e vestuário) deveria ser R$ 2.077,15.
O valor equivale a
cinco vezes o piso em vigor até janeiro, de R$ 415. Em 1º de
fevereiro, o salário mínimo foi reajustado para R$
465.
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Agência Brasil, 11
de fevereiro de 2009
Márcio Pochmann defende antecipação
da reunião do Copom
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann, defendeu a antecipação da reunião do Comitê de
Política Monetária do Banco Central (Copom) para reduzir ainda
mais a taxa de juros Selic.
De acordo com Pochmann, o cenário
da economia já se alterou "drasticamente" desde a última
reunião do Copom, quando a taxa de juros foi reduzida em um ponto
percentual.
Pochmann participou, nesta segunda-feira
(9), de uma reunião do Diretório Nacional do PT com prefeitos
e que também contou com a presença da ministra-chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff.
Cenário
No encontro, o economista fez uma avaliação do cenário
econômico e dos efeitos no Brasil da crise financeira mundial. Segundo
ele, "frente a um quadro que mostra um sentido recessivo nos dados do último
trimestre, seria bastante plausível uma reunião extraordinária
do Copom reduzindo a taxa de juros mais rapidamente".
O presidente do Ipea defende
a redução dos juros Selic, até o fim de ano, de
quatro a cinco pontos percentuais para manter a economia aquecida e reduzir
os efeitos da crise. Pochmann lembrou que a maioria dos países
já opera com taxas de juros negativas, ou seja, taxas praticadas
que se encontram em patamar inferior à inflação.
Selic
2%
Analistas do mercado trabalham com a perspectiva de redução da
taxa Selic, até dezembro, de dois pontos percentuais. Para Márcio
Pochmann este é um patamar de juros reais extremamente elevado para
um cenário que se está vivendo de crise econômica internacional.
Na reunião, a ministra
Dilma Rousseff reafirmou a importância que tem os bancos públicos
para reduzir "um dos focos da crise" que é a falta
de crédito, segundo informou o líder do governo na Câmara,
Henrique Fontana (PT/RS).
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Congresso em Foco, 11 de
fevereiro de 2009
Ao lado de Dilma, Lula defende mulheres
no poder
Presidente defende maior participação
feminina na política, critica preconceito e diz que mulheres
são mais destemidas e ousadas do que os homens
Rodolfo Torres
Surfando em sua popularidade recorde e na companhia da ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, o presidente Lula não poupou elogios às mulheres
durante discurso para as prefeitas e primeiras-damas municipais que participam
do Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, evento que será encerrado
hoje.
Ao lado de três ministros,
entre eles Dilma – cotada como candidata do PT à Presidência
da República em 2010 –, Lula destacou ontem (10) que apenas
9,8% das prefeituras são administradas por mulheres.
"Daqui a alguns anos, quando
um outro presidente da República estiver conversando com vocês,
a gente pode ter 50% de prefeitos e 50% de prefeitas, a gente pode ter
mais mulheres do que homens na administração pública",
afirmou Lula, complementando que as mulheres ainda sofrem preconceito.
"Nós sabemos que
não é fácil a mulher entrar na política,
porque ainda tem muito preconceito no Brasil e em outros lugares",
argumentou.
O petista classificou como uma "evolução" a
chegada das mulheres ao poder em dois países da América
do Sul: Michelle Bachelet no Chile, e Cristina Kirchner, na Argentina.
"Hoje, na verdade, muitas
vezes as mulheres até no seu anonimato estão na frente,
porque elas são mais corajosas quando precisam ser corajosas,
elas são mais ousadas quando precisa de ousadia, elas são
mais, eu diria, destemidas do que nós, homens."
Enquanto Lula discursava, a platéia
que participava do painel “Direitos das Crianças e dos Adolescentes” registrava
o momento com câmeras de celulares e respondia ao presidente com
aplausos e palavras de incentivo.
Lula pediu às primeiras-damas
municipais que acompanhem os programas federais pela internet, parte
deles geridos por Dilma, e os levem às suas cidades. "Vocês
podem mudar a lógica do papel da primeira-dama no país",
afirmou. "Não tenho dúvida nenhuma da importância
de uma companheira na vida de um administrador", complementou.
O tom de aconselhamento adotado
no discurso dirigido aos prefeitos em nada lembrava as duras críticas
feitas momentos antes pelo presidente à imprensa. Na abertura
do evento, Lula atacou os veículos de comunicação
que associaram o encontro com os prefeitos a uma promoção
da ministra Dilma, apontada como principal nome no PT para a sucessão
presidencial em 2010.
"São pessoas pequenas.
Eu, graças a Deus na minha vida, nunca tive bondade. Nunca tive
um favor, nunca fui eleito porque a imprensa brasileira me ajudou",
disparou o petista. "Não posso permitir insinuações
grotescas com uma reunião que tem objetivo de mudar o patamar
definitivo das relações entre os entes federados",
emendou.
Prefeitos querem mais
Enquanto Lula falava para as
mulheres, prefeitos de todo o país discutiam paralelamente o pacote
anunciado pelo governo para as prefeituras.
O presidente assinou um pacote
de bondades em favor dos municípios. São duas medidas provisórias,
três decretos e um projeto de lei encaminhado ao Congresso – uma
delas abre uma linha de crédito para compra de ônibus que
fazem transporte escolar (leia
mais).
De acordo com o petista Francisco
Costa, prefeito da cidade de São Francisco (PI), o parcelamento
em até 20 anos das dívidas dos municípios com o
Instituto Nacional de Serviço Social (INSS) merece destaque. Atualmente,
esse montante chega a R$ 14 bilhões.
"Vai dar uma desafogada",
previu o petista, que tem 29 anos e está na sua primeira gestão
no município piauiense de 6,4 mil habitantes.
Francisco Costa disse que o próximo
passo dos prefeitos é pedir ao governo o perdão das dívidas
com o INSS anteriores a 2004.
O presidente da Câmara
Municipal de Jacutinga (RS), Lainor Erculano de Maman (PMDB), concorda
o petista do Piauí. Para ele, o pagamento dilatado das dívidas
com o INSS vai "desafogar” as contas das prefeituras.
O peemedebista explicou que três
representantes de sua cidade, que possui 4 mil habitantes, vieram ao
encontro em Brasília para tentar entrar no "rol de distribuição
dos recursos" do governo federal.
O financiamento para as pequenas
prefeituras foi tratado pelo presidente Lula mais de uma vez na abertura
do encontro. Segundo Lula, é frustrante saber que recursos destinados
aos pequenos municípios voltam aos cofres públicos.
"Nós precisamos garantir
uma parte para as cidades mais pobres deste país, para as menores.
Senão, serão sempre os mesmos", disse Lula, em referência à liberação
de uma linha de crédito de R$ 980 milhões, via BNDES, aos
municípios para que eles comprem máquinas, caminhões
e tratores (leia
mais).
Por sua vez, o tucano Demerval
Germano, prefeito do município de Taiobeiras (MG), reclama das
condições para que sua cidade (com 30 mil habitantes) possa
adquirir o crédito do BNDES.
Segundo ele, enquanto que
o governo federal só emprestará a Taiobeiras R$ 1,5 milhão,
a juros de 11% ao ano, o governo do Paraná emprestou R$ 2 milhões
a um município paranaense a juros de 6% ao ano. "Eu esperava
um atendimento mais direto aos prefeitos. Não achei que fosse
tão coletivo", criticou o prefeito mineiro.
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Gazeta do Povo, 11 de fevereiro
de 2009
Acerte os ponteiros
Horário de verão acaba sábado
O próximo fim de semana
terá uma hora a mais para os moradores do Paraná e de outros
nove estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país,
além do Distrito Federal, por causa do fim do horário de
verão, que teve início em outubro de 2008. De acordo com
a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a estimativa é que,
ao fim dos quase quatro meses de alteração no relógio,
a média de redução na demanda máxima simultânea
por energia deve ficar em 5,5%.
À meia-noite de sábado,
os relógios deverão ser atrasados em uma hora, voltando
a marcar 23 horas. De acordo com a Copel, diferentemente do entendimento
de boa parte da população, a principal finalidade do horário
de verão não é o de proporcionar redução
no consumo geral de energia elétrica. Os efeitos práticos
dessa medida, de acordo com registros da companhia, não ultrapassam
a 0,5% sobre os níveis habituais de consumo e decorrem fundamentalmente
do menor tempo de uso de iluminação artificial.
A importância do horário
de verão está na folga que a mudança gera para as
instalações do sistema elétrico, já que os
picos máximos de demanda por energia nas residências e na
iluminação pública deixam de coincidir. Com a mudança
temporária nos relógios, a redução de 5,5%
na demanda máxima simultânea por energia significa dispensar
o uso de 220 megawatts de potência no horário de pico, entre
18 e 21 horas. Essa redução, segundo a Copel, equivale
a desligar todas as fontes de energia durante o período crítico
em uma cidade do tamanho de Londrina, no Norte, que tem quase 190 mil
ligações elétricas.
História
Esta foi a 34ª vez que o
horário de verão foi instituído no Brasil – a
24ª de maneira consecutiva. No ano passado, a medida foi tornada
permanente por um decreto do presidente da República Luiz Inácio
Lula da Silva.
A história do horário
de verão no Brasil começou na década de 30, pelas
mãos do então presidente Getúlio Vargas: sua versão
de estreia durou quase meio ano, vigorando de 3 de outubro de 1931 até 31
de março de 1932. Nos 35 anos seguintes, a medida foi instituída
em nove oportunidades: em 1932, de 1949 a 1952, em 1963 e de 1965 a 1967.
Depois de muitos anos esquecido,
o horário de verão ressurgiu em 1985 e desde então
não deixou mais de ser adotado.
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Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro
de 2009
Vago, plano do governo Obama desaponta
Bolsa dos EUA cai 4,6% após anúncio
do Tesouro de socorro a bancos; Senado aprova pacote de estímulo
de US$ 840 bi | Presidente fala em "bom começo" com
aprovação no Congresso, mas incerteza sobre ajuda a
instituições financeiras azeda mercado
FERNANDO CANZIAN
DE NOVA YORK
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
O governo do presidente
dos EUA, Barack Obama, avançou ontem na direção
de concluir os dois principais pacotes de medidas para tentar tirar
o país da maior crise econômica desde os anos 1930.
A aprovação no Senado do novo plano de recuperação
de quase US$ 840 bilhões após vários adiamentos e que
exigiu a pressão pessoal do presidente, porém, não encobriu
a decepção do mercado com o segundo vetor anticrise: o também
novo pacote de socorro aos bancos.
Delineado de forma vaga, o plano frustrou o mercado. Logo após seu anúncio,
o índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York começou a
cair, até fechar em forte baixa de 4,6%.
A principal dúvida permanece: como o Tesouro tratará os chamados
ativos "tóxicos" dos bancos que estão no centro da
crise e que têm provocado rombos bilionários nessas instituições.
A resposta a essa pergunta não foi conhecida ontem.
Embora o pacote para o setor financeiro possa movimentar, segundo o Tesouro,
até US$ 2 trilhões (ou 14% do PIB dos EUA), apenas US$ 500 bilhões
desse total foram minimamente detalhados. O plano foi apresentado de forma
genérica e em um documento público de menos de sete páginas.
Ao saber da aprovação do pacote pelo Senado, Obama afirmou que
era "uma grande notícia". Já o secretário de
Tesouro, Timothy Geithner, disse no Senado: "Honestamente, acho que esse
plano pode custar mais e que precisará de recursos maiores".
O plano é considerado por sua administração como fundamental
para estancar o aumento do desemprego, que chegou a 20 mil demissões
por dia em janeiro. Do total, cerca de 35% serão usados em cortes de
impostos. O resto será gasto em obras de infraestrutura, ajuda a governos
estaduais e municipais e assistencialismo.
" Ainda temos de fundir os planos da Câmara com o do Senado antes
de chegar à minha mesa, por isso teremos de trabalhar um pouco mais nisso
nos próximos dias", disse Obama. "Mas é um bom começo."
No pacote, à emenda protecionista "Buy American" (compre produtos
americanos), que exige que todo aço, ferro e manufaturados das obras
financiadas pelo plano sejam dos EUA ou parceiros de tratados, foi adicionada
a "Employ American" (empregue americanos).
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Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro
de 2009
Após registrar perdas, UBS decide
fechar 2.000 vagas
No Reino Unido, Royal Bank of Scotland cortará 2.300
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O UBS, maior banco da Suíça,
anunciou ontem que irá fechar 2.000 postos de trabalho neste ano,
após registrar perdas de 8,1 bilhões de francos suíços
(US$ 7 bilhões) no quarto trimestre de 2008 em decorrência
das operações para se livrar de ativos podres.
O prejuízo foi maior do que o estimado por analistas. No ano passado,
as perdas chegam a 19,7 bilhões de francos suíços (US$
17,03 bilhões).
Em resposta ao resultado negativo, o UBS decidiu separar sua área de
gestão de fortunas em duas unidades, uma voltada para as Américas
e a outra para a Suíça e demais países. O banco informou
que foi capaz de atrair fluxo de capital em janeiro e que deve voltar a registrar
lucratividade neste ano.
" O UBS teve um começo de ano encorajador", disse a jornalistas
o executivo-chefe do banco, Marcel Rohner. "Entretanto, as condições
dos mercados financeiros continuam frágeis, uma vez que os fluxos de caixa
continuam a se deteriorar. Nosso cenário de curto prazo continua sendo
de cautela", afirmou o executivo.
O banco suíço está encolhendo sua área de banco
de investimento, onde se concentraram as maiores perdas, ao cortar milhares
de postos de trabalho. Com as mudanças estruturais, o UBS volta a focar
no núcleo de suas atividades na Suíça, a divisão
de gestão de fortunas. Essa operação é a maior
do tipo no mundo.
O banco planeja agora cortar sua força de trabalho na área de
investimento para 15 mil, ante 17.171 em dezembro.
As ações do UBS chegaram a subir 7% ontem após o anúncio
das medidas, mas perderam a força e fecharam com valorização
de 2,95%. Rohner afirmou que a instituição não pagará dividendos
sobre 2008.
RBS
O RBS (Royal Bank of Scotland) disse ontem que pretende fechar até 2.300
empregos, ou cerca de 2% de seu pessoal no Reino Unido.
O banco já havia anunciado 3.000 demissões em outubro passado
e afirmou que espera perdas entre 7 bilhões e 8 bilhões de libras
(de US$ 10,2 bilhões a US$ 11,7 bilhões).
O executivo-chefe do banco, Alan Dickinson, disse que os cortes foram necessários
para operar com maior eficiência em meio à crise global.
" O RBS iniciou um processo de consultas sobre uma reestruturação
que poderá levar a uma redução de até 2.300 empregos",
afirmou o banco por meio de comunicado.
O banco já recebeu injeção de US$ 35 bilhões do
governo britânico.
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Agência Câmara,
11 de fevereiro de 2009
Projeto dobra parcelas do seguro-desemprego
e da CSLL de bancos
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4531/08, da deputada Luciana Genro
(PSOL-RS), que dobra o número de parcelas do seguro-desemprego. Para
financiar a medida, a proposta duplica a alíquota da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras
- de 15% para 30%.
"Os bancos têm sido
as instituições mais beneficiadas pela atual política
econômica e pelas medidas anticrise executadas. Nada mais justo
do que fazer com que contribuam com uma pequena parte de seus ganhos
extraordinários para garantir a sobrevivência da classe
trabalhadora", defende a deputada.
De acordo com o projeto, o trabalhador
demitido terá direito a seis parcelas do seguro-desemprego se
tiver trabalhado entre 6 e 11 meses; a 8 parcelas, se esse período
ficar entre 12 e 23 meses; e a 10 parcelas, se tiver trabalhado por mais
tempo. Hoje, o número de parcelas correspondente a cada uma dessas
faixas é a metade.
Luciana Genro ressalta que, em
razão da atual crise internacional, o governo adotou medidas para
socorrer instituições financeiras e empresários
que já custaram mais de R$ 200 bilhões. "Por outro
lado, faltam medidas no sentido de proteger a classe trabalhadora, a
mais ameaçada pela crise, uma vez que corre o risco de ficar sem
seus empregos", disse.
Tramitação
A proposta foi apensada ao PL 4974/05, que tramita em regime de urgência,
em conjunto com diversas outras. Todas serão analisadas pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
Finanças e Tributação; e Constituição e
Justiça e de Cidadania. Depois, seguirão para o Plenário.
Íntegra
da proposta:
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PL-4531/2008
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Gazeta do Povo, 11 de fevereiro
de 2009
Afastamentos
Cresce o número de casos de
depressão no trabalho
Empresas precisam estar atentas ao comportamento
do funcionário, que nem sempre aceita que está com
problemas. Para psicóloga, números do INSS estão
subestimados
A depressão tem levado
cada vez mais trabalhadores a pedir licença de seus empregos para
tratamento. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social referentes ao
primeiro semestre do ano passado mostram crescimento de 16,57% no número
de empregados afastados por este motivo das empresas, em comparação
com igual período anterior – foram 1.955 casos de auxílio-doença
por depressão em 2007 e 2.279 nos primeiros seis meses de 2008.
Só em junho passado, o montante gasto com o pagamento dos benefícios
chegou a R$ 12,1 milhões.
Mas é preciso fazer uma
ressalva quanto aos números, que podem estar subestimados, de
acordo com a professora Fernanda Renata Mendonça, especialista
em psicologia do trabalho. O porcentual poderia ser maior, pois muitas
pessoas não se afastam do trabalho com medo da exposição,
ou ainda porque não conseguem aceitar o próprio problema. “Existe
muito preconceito em relação aos tratamentos psicológicos”,
diz Fernanda. “Outro fator é o receio de pedir licença
e ser demitido”, complementa.
Para ela, a empresa deve se sentir
responsável pela identificação dos casos, realizando,
por exemplo, entrevistas para verificar os motivos de frequentes ausências – faltas
recorrentes podem indicar que algo possa estar errado com o funcionário. “Talvez
o responsável pelos recursos humanos não tenha condições
de identificar um quadro de depressão, por isso deve encaminhar
o funcionário para um psicólogo clínico”,
afirma Fernanda.
Na Companhia Paranaense de Energia
(Copel), os chamados transtornos mentais e de comportamento – que
incluem, além da depressão, estresse, alcoolismo, fobias
e ansiedades – são a terceira maior causa de afastamentos,
conta Anízio Calazans, médico do trabalho da companhia.
Dados de 2006 mostram quem são os mais propensos a esse tipo de
doença. Entre os casos de afastamentos, 48% trabalham na área
administrativa da Copel, 25% são de carreiras operacionais, 13%
de carreiras técnicas e 12% são profissionais com nível
superior. “Além da orientação médica,
procuramos acompanhar os casos de afastamentos”, diz Calazanz.
Ele aponta ainda a época do ano em que os casos são mais
frequentes. “No fim dos semestres, muitos profissionais que estudam
acabam acumulando as tarefas do trabalho e da faculdade”, afirma.
Homens e mulheres reagem
de formas diferentes quando se encontram em estado depressivo e precisam
procurar ajuda médica. Segundo a psicóloga Fernanda,
existe uma cobrança social sobre os homens, que ainda são
vistos como os provedores da família. Ele é mais resistente
do que a mulher na hora de buscar auxílio médico. Elas,
por outro lado, visitam os profissionais de saúde com mais frequência
e adotam uma postura mais preventiva. De qualquer forma, a psicóloga
recomenda que, caso exista a suspeita, o tratamento deve ser procurado
o quanto antes.
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Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro de 2009
Crise:
Nike deve cortar 1.400 empregos dentro
de plano de reestruturação
A fabricante de artigos esportivos norte-americana Nike deve cortar cerca de
1.400 postos de trabalho, o que representa 4% dos 35 mil funcionários
que a companhia emprega em todo o mundo. A medida faz parte do plano de reestruturação
que teve início há dois anos. Segundo a empresa, o número
exato, quando e onde os cortes serão feitos não serão
divulgados até o final de maio, quando o ano fiscal termina.
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Folha de S.Paulo, 11 de fevereiro
de 2009
GM vai demitir 10 mil no mundo e
reduzir salários
Medida faz parte do plano de reestruturação
que será apresentado ao governo americano | Cortes atingem
14% da mão-de-obra da empresa; no Brasil, General Motors disse
não ter informação sobre impactos da medida
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A General Motors decidiu cortar
10 mil postos de trabalho na área administrativa ao redor do mundo
e impor reduções salariais a parte de seus funcionários
nos Estados Unidos no decorrer deste ano.
A medida faz parte do programa de reestruturação da montadora
que será apresentado ao governo dos EUA na semana que vem. O plano será decisivo
para a GM garantir a continuidade da ajuda bilionária do governo daquele
país.
Ao longo de 2009, a montadora deve diminuir de 73 mil para 63 mil seu quadro
de funcionários administrativos -um enxugamento de 14%. Já o
pagamento de seus executivos nos EUA sofrerá corte de 10%, enquanto
outros empregados terão uma redução de 3% a 7% no país.
Haverá também revisão de pagamentos e benefícios
fora dos Estados Unidos.
A assessoria de imprensa da GM do Brasil disse que ainda não há informações
sobre os impactos da medida no país.
" Essas duras ações são necessárias por conta
da severa queda nas vendas de veículos no mundo e da necessidade de reestruturação
da GM para garantir viabilidade a longo prazo", afirmou a montadora, por
meio de comunicado.
Em janeiro, as vendas da GM caíram 49% nos EUA. Como resultado, os executivos
da GM vêm afirmando que a companhia fará um corte de custos mais
profundo sob o plano de reestruturação que será submetido
ao governo dos EUA e que poderá garantir mais empréstimos dentro
do pacote de socorro às montadoras.
Detalhes
Na semana passada, a GM abriu um programa de demissão voluntária
e ofereceu aposentadoria antecipada a seus trabalhadores horistas. Há três
meses, a montadora eliminou 5.100 postos também por meio de demissão
voluntária.
Desta vez, porém, o corte se dá por meio de dispensas involuntárias. "Pode
ser que haja oportunidades para saídas voluntárias, mas [as demissões]
são essencialmente involuntárias", afirmou o porta-voz da
GM, Tom Wilkinson.
Nos EUA, serão fechados 3.400 dos 29.500 cargos administrativos da GM
até maio.
Wilkinson explicou que os cortes não serão lineares, pois estarão
baseados nas necessidades de pessoal em cada departamento. A General Motors
poderá, por exemplo, contratar mais engenheiros para o desenvolvimento
de veículos que são movidos a bateria.
De acordo com ele, alguns países poderão sofrer cortes mais significativos,
a depender do comportamento das vendas nesses mercados.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
11/02/2009
Vinte minutos na fila do refeitório
não compõem horas extras
Tempo à disposição
do empregador ou comodidade concedida pela empresa ao trabalhador? Este
questionamento permeou a discussão da Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho ao julgar recurso de revista do Consórcio
AG Mendes a respeito dos minutos gastos por um funcionário na
fila do refeitório do consórcio em um canteiro de obras
em Canoas (RS). Após análise e debate sobre a situação
exposta pelo acórdão regional, a decisão da Turma
foi a de excluir o pagamento dos 20 minutos como tempo extraordinário
concedido pela Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul.
Para o ministro Pedro Paulo Manus,
relator do recurso no TST, não se pode considerar que o funcionário
está à disposição do empregador, aguardando
ou executando ordens, durante o tempo em que permanece na fila do refeitório
da empresa, para servir-se do almoço. O ministro ressalta seu
entendimento pelo fato de que “20 minutos de espera é um
tempo razoável, aplicável a boa parte das pessoas que fazem
suas refeições em sistemas de auto-atendimento”.
O processo foi destacado pelo
presidente da Turma, ministro Ives Gandra Martins Filho, que questionou
se realmente não trataria de tempo à disposição
do empregador. O ministro Caputo Bastos, no entanto, salientou que o
TRT/RS registrou o tempo despendido como “até” vinte
minutos, e que as horas extras foram concedidas pelo tempo máximo.
Observou, ainda, que o empregado poderia almoçar fora do local
de trabalho, e a possibilidade de almoçar no refeitório
do canteiro de obras era um benefício concedido pela empresa,
uma comodidade para o trabalhador.
Na fila e à disposição?
O empregado trabalhou, de fevereiro
a julho de 2005, para o Consórcio AG Mendes, composto pela Construtora
Andrade Gutierrez S.A. e pela Mendes Júnior Trading e Engenharia
S.A., como ajudante nas obras de ampliação da refinaria
Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas. Na reclamação trabalhista,
afirmou que, pela manhã, dirigia-se ao local de registro de ponto
quinze minutos antes do início da jornada. No intervalo de almoço,
não usufruía do intervalo legal de uma hora porque enfrentava
filas na entrada e na saída do refeitório, ficando só com
quinze minutos para repouso e alimentação. Ao fim da jornada,
contou que tinha de se deslocar para entregar materiais, bater ponto
e submeter-se a outras exigências do empregador. Nesses procedimentos,
sempre enfrentava filas e não podendo sair espontaneamente do
canteiro de obras até ser transportado em ônibus para fora
da refinaria, o que demandava trinta minutos até o início
do transporte.
A 2ª Vara do Trabalho de
Canoas deferiu parcialmente o pagamento das horas extras. Pelas provas
contidas nos autos, entendeu que, no início da jornada, não
havia necessidade de chegar quinze minutos antes. Concedeu os 20 minutos
gastos na fila do refeitório no almoço e dez minutos para
o cumprimento de formalidades após anotação do horário
de saída. O consórcio recorreu ao TRT da 4ª Região
(RS), que manteve a sentença. Em mais uma tentativa, o empregador
buscou o TST com o intuito de reformar a decisão. Nesse momento,
o trabalhador não apresentou argumentação para se
opor ao recurso do consórcio.
Ao analisar a revista, o relator
no TST verificou contradição dos fundamentos adotados pelo
Regional, que negou provimento ao recurso das empresas quanto aos 20
minutos no horário de almoço. No entanto, ressaltou o ministro
Manus, o TRT, ao apreciar e rejeitar o recurso ordinário do trabalhador – que
pretendia o reconhecimento de que o intervalo intrajornada não
era usufruído, tema não deferido pela Vara – declarou
que, “ainda que o reclamante despendesse alguns minutos para o
seu deslocamento e para a refeição no refeitório
da empresa, este tempo não pode ser considerado como tempo à disposição
do empregador, na forma estabelecida no artigo 4º da CLT”.
Diante disso, a Sétima Turma considerou que houve afronta ao artigo
4º da CLT e deu provimento ao recurso do consórcio para excluir
da condenação o pagamento. (RR –1376/2005-202-04-40.6)
(Lourdes Tavares)
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11/02/2009
Auxílio-alimentação
integra salário do trabalhador
O auxílio-alimentação,
concedido espontaneamente pelo empregador, integra o salário do
empregado. Mesmo que haja acordo coletivo ou adesão ao Programa
de Alimentação do Trabalhador (PAT) estabelecendo a natureza
indenizatória da parcela, o caráter salarial não
muda para os empregados que recebiam o benefício antes das novas
regras. A decisão é da Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho.
Os ministros analisaram agravo
de instrumento da SAELPA - Sociedade Anônima de Eletrificação
da Paraíba – contra decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 13ª Região (PB) que confirmou a natureza remuneratória
do auxílio-alimentação pago a ex-empregado. A empresa
argumentou que a natureza jurídica do benefício foi alterada
com o acordo coletivo que vigorou entre 2000/2001 e expressamente fixou
seu caráter indenizatório. Ainda segundo a SAELPA, como
depois houve adesão ao PAT, que também estabelece natureza
indenizatória para o vale refeição, o TRT errou
ao julgar de forma diferente.
Mas, segundo o relator do processo,
ministro Lelio Bentes, a decisão do TRT estava de acordo com a
jurisprudência do TST. Para o relator, o auxílio-alimentação
já havia sido incorporado ao salário do empregado há mais
de dois anos quando sobreveio a negociação coletiva e a
adesão ao PAT. O ministro também concordou com o entendimento
do Regional de que a natureza indenizatória do benefício
só poderia valer para os empregados admitidos no período
de vigência dessas novas regras.
No mais, para o ministro,
a decisão não ofendeu nenhum artigo da Constituição
ou da CLT que justificasse o reexame da matéria pelo TST por
meio de recurso de revista. Por todas essas razões, o relator
negou provimento ao agravo de instrumento da empresa e manteve o reconhecimento
da natureza salarial do auxílio-alimentação. Os
demais ministros da Primeira Turma acompanharam esse entendimento.
(AIRR – 860/2002-005-13-40.9)
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DEPACOM, 11 de fevereiro
de 2009 | Eventos
Curitiba/PR
Presidente do DEPACOM entrega ANAIS do
XV Congresso Nacional as Federações
do Paraná
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Ramthun entrega
os ANAIS do XV CONGRESSO NACIONAL DO DEPACOM aos dirigentes presentes. |
O presidente do DEPACOM – Departamento Profissional da Construção
e do Mobiliário, GERALDO RAMTHUN, esteve na
manhã de hoje
(11/02), reunido com o Comitê Coordenador e as Federações
filiadas a CFT/PR – Coordenação Federativa de Trabalhadores
do Estado do Paraná, e aproveitou a ocasião para entregar
os ANAIS (documento que reúne os detalhes e
teses aprovadas) do XV CONGRESSO NACIONAL DO DEPACOM,
realizado dias 13, 14 e 15 de agosto de 2008, em Brasília/DF.
As entidades sindicais do terceiro grupo
do plano da CNTI em todo Brasil começarão a receber a
revista.
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