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Agência Diap, 1º de
março de 2009
Conta-salário: desrespeitada;
trabalhador não pode escolher banco
Marcos Crivelaro*
A conta-salário é um tipo de conta bancária
destinada ao pagamento de salários, aposentadorias
e similares com algumas características especiais.
Seu titular estará isento da cobrança de tarifas
sobre os valores sacados - sejam estes realizados de uma única
vez ou de forma parcial, limitados a cinco saques por evento
de crédito e duas consultas em terminais de auto-atendimento
- e terá apenas um cartão magnético
de débito.
A conta-salário não admitirá outro
tipo de depósito além dos créditos da
entidade pagadora (empregador), não será movimentável
por cheques e não poderá realizar aplicações
financeiras. Este tipo de conta bancária começou
a valer a partir do dia 2 de abril de 2008, mas somente para
os contratos de pagamento de salário assinados a partir
de 6 de setembro de 2006. Para os contratos assinados anteriormente
a essa data, a conta-salário vale a partir de 2 de
janeiro de 2009. E para os servidores públicos, somente
valerá em 2012.
Muitos ainda não sabem se possuem conta-salário
e nem conhecem seu número. Os funcionários
de empresas que realizam o depósito dos salários
nesse tipo de conta bancária podem verificar o número
no holerite ou obtê-lo junto o gerente do banco.
Nem toda conta usada para recebimento de salário é uma
conta-salário. A abertura da conta-salário é prerrogativa
do empregador e não do empregado. O contrato é firmado
entre a instituição financeira e a entidade
pagadora (empregador), que também é responsável
pela identificação dos beneficiários
(empregados). Portanto, a conta-salário não
fica no banco escolhido pelo empregado, mas no banco que
o empregador decidiu se relacionar e no qual será depositado
o salário dos empregados.
O empregado tem o direito de transferir o seu salário,
automaticamente, da conta-salário para uma conta corrente
que pode ser do mesmo banco ou outro de sua preferência.
Isso ocorre no mesmo dia, se assim preferir, para outra instituição
financeira em que tenha conta corrente, desde que seja o
titular da conta e que seja no valor total creditado.
Pode ser cobrada uma tarifa no caso de transferência
parcial do crédito para outra instituição
financeira, mesmo que seja uma só transferência.
Para obter essa facilidade, o trabalhador interessado deverá procurar
o banco e comunicar sua decisão. O funcionário
não precisa efetuar a mudança no setor de Recursos
Humanos da empresa, que continua se relacionando com o banco
antigo.
Entidades de Defesa do Consumidor orientam o cliente a fazer
uma comunicação por escrito ao banco, com dados
sobre número da instituição, agência
e conta a que deverão ser transferidos os valores.
O banco deverá dar um comprovante de ciência,
com o compromisso de transferir os valores a partir de uma
determinada data, como o próximo pagamento. A partir
disso, o banco fica obrigado a transferir o valor total do
crédito salarial para a instituição
bancária escolhida pelo empregado.
O desrespeito que está ocorrendo é quando
a empresa não deposita o salário em uma conta-salário,
mas em uma conta corrente tradicional. Dessa maneira, se
a empresa não criar uma conta-salário para
o trabalhador, este fica impedido de aproveitar-se dessa
nova legislação e continuará escravo
do banco escolhido pela empresa.
(*) Professor PhD da Fiap e da Faculdade
Módulo, especialista em matemática financeira
e consultor em finanças. Co-autor do livro "Como
sair do vermelho e tornar-se um investidor de sucesso"
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Adital, 1º de março
de 2009
Mais de 50 milhões de
pessoas podem perder o emprego em 2009
Países devem adotar medidas
enérgicas para recuperar mercado de trabalho, recomenda
OIT
A crise econômica mundial vai provocar o aumento
no número de desempregados, trabalhadores pobres
e de empregos vulneráveis. Segundo uma estimativa
da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), o número de desempregados pode superar o
de 50 milhões de trabalhadores. A previsão
faz parte do relatório "Tendências Mundiais
do Emprego 2009", elaborado pelo organismo internacional.
A OIT acredita que, devido à eficácia dos
esforços de recuperação no mercado
de trabalho, o desemprego no mundo poderia aumentar entre
18 e 30 milhões de trabalhadores em 2009 em comparação
a 2007. No entanto, se a situação continuar
deteriorando-se, esse número pode ultrapassar os
50 milhões de pessoas. Neste último cenário,
cerca de 200 milhões de trabalhadores, especialmente
em economias em desenvolvimento, poderiam passar a integrar
as filas de pobreza extrema.
O diretor-geral da OIT, Juan Somavia, afirmou que o relatório
não é alarmista, mas traz uma mensagem realista
da situação. Para ele, é necessário
empreender ações mais enérgicas e
coordenadas para evitar uma recessão social mundial.
A organização reitera que, se um grande número
de países aplicarem políticas coordenadas
de acordo com a Agenda de Trabalho Decente da OIT, os efeitos
da recessão nas empresas, sobre os trabalhadores
e suas famílias poderiam ser amenizados.
Trabalho Decente
De acordo com Somavia, a Agenda de Trabalho Decente é um marco
político adequado para enfrentar a crise. Essa agenda inclui
uma mensagem de diálogo tripartite com as organizações
de trabalhadores e empregadores, desempenhando um papel essencial na
abordagem da crise econômica e no desenvolvimento de políticas.
O diretor-geral pediu aos representantes do G-20 que,
na próxima reunião no dia 2 de abril em Londres,
seja discutido um acordo sobre as medidas prioritárias
que devem ser adotadas para promover investimentos produtivos,
os objetivos de trabalho decente e proteção
social e a coordenação de políticas.
Entre os principais prognósticos do relatório
da OIT, há a previsão de que, caso a situação
econômica se deteriore além do previsto em
novembro de 2008, o que é provável, a taxa
de desemprego mundial poderia aumentar até 6,5%,
o que representa 30 milhões a mais de pessoas sem
emprego no mundo em relação 2007. A hipótese
mais pessimista é de que a taxa de desemprego alcance
7,1%, o que equivaleria a um aumento de mais de 50 milhões.
Dessa forma, o número de trabalhadores pobres -
isto é, de pessoas que não ganham o suficiente
para manter-se a si mesmos e a suas famílias além
do umbral da pobreza de 2 dólares ao dia por pessoa
- pode aumentar até alcançar um total de
1,4 bilhão, o que representaria 45% do total de
trabalhadores no mundo.
Empregos vulneráveis
Além disso, a OIT prevê que, em 2009, a proporção
de pessoas com empregos vulneráveis - ou seja, trabalhadores
que contribuem para o sustento familiar ou trabalhadores por conta
própria com menor acesso às redes de seguridade que protegem
contra a perda de renda durante tempos difíceis - poderia aumentar
de maneira considerável no pior dos cenários e afetar
até 53% da população com emprego.
Para amenizar os efeitos desses cenários, a OIT
recomenda uma maior cobertura do seguro-desemprego e dos
regimes de seguro, reconversão profissional dos
trabalhadores que perderam o trabalho e proteção
das pensões frente à queda catastrófica
dos mercados financeiros; investimento público em
infraestruturas e habitação, infraestruturas
comunitárias e empregos verdes, inclusive mediante
obras públicas de emergência; apoio às
pequenas e médias empresas; diálogo social
em escala nacional, setorial e empresarial.
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Agência Brasil, 1º de
março de 2009
Centrais estudam dia nacional
de protesto contra demissões
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
e as centrais sindicais estudam a realização de um dia
nacional de protesto contra a demissão de trabalhadores no Brasil.
A decisão foi anunciada na tarde desta sexta-feira, após
reunião na sede do sindicato.
"Hoje, o importante foi que todas as centrais, com
exceção da CUT [Central Única dos
Trabalhadores], vieram aqui para apoiar a luta dos companheiros
da Embraer [Empresa Brasileira de Aeronáutica] e
começar a pensar em ações unitárias
onde houver outras demissões e em ações
que levem em conta mudanças na política econômica
do país", disse o secretário-geral da
Força Sindical, João Carlos Gonçalves,
o Juruna.
Ele informou que na próxima semana as centrais
sindicais vão se reunir novamente para elaborar
um calendário de lutas para evitar mais demissões
no País. Segundo Juruna, a mudança proposta
pelas centrais passa pela diminuição da taxa
de juros, redução da jornada de trabalho
e aumento dos investimentos do Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Já o coordenador da Conlutas, José Maria
de Almeida, citou a decisão do desembargador Luís
Carlos Sotero, do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas,
aceitando o pedido de liminar e suspendendo as demissões
na Embraer, dizendo que vai "corrigir, pelo menos
provisoriamente, uma injustiça".
Segundo ele, além da reintegração
dos funcionários, a sentença permitirá a
abertura de uma negociação dos sindicatos
com a empresa. Almeida disse que, com a decisão
do desembargador, os funcionários reintegrados ao
quadro continuarão recebendo seus salários
normalmente, sem nenhum tipo de prejuízo.
"Se a empresa quiser reintegrá-los à produção
neste momento, ela pode fazê-lo, mas, se os mantiver
afastados, terá que pagar seus salários com
todos os encargos sociais devidos, como se fossem empregados
normais da empresa", disse.
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Esquerda.net, 1º de
março de 2009
Nasce a Confederação
Sindical Internacional, com sede em Bruxelas
Nasceu uma nova confederação sindical, que agrupa 306 confederações
sindicais de 154 países. A Confederação Sindical
Internacional representa 168 milhões de trabalhadores e tem sede
em Bruxelas."Temos plena consciência da transcendência
histórica deste dia", afirmou em Viena LeRoy Trotman, presidente
do Grupo de trabalhadores da Organização Mundial do Trabalho.
O objectivo do CSI é unificar o movimento sindical
internacional para defender "com uma só voz" os
direitos dos trabalhadores perante dos desafios de uma
economia globalizada, segundo afirmou na passada segunda-feira
o secretário-geral da nova organização,
Guy Ryder. Ele era até agora líder da Confederação
Internacional dos Sindicatos Livres (CISL) que se dissolveu
esta semana para dar lugar à CSI, em que também
se integrou a Confederação Mundial do Trabalho.
Segundo declarações de Ryder, não
se trata de uma simples fusão, mas da constituição
de uma organização "completamente nova".
Esta fusão iniciou-se durante o Fórum Sindical
Mundial de 2004, que se realizou em Porto Alegre. De fora
desta organização ficam apenas alguns sindicatos
da Confederação Sindical Mundial (antiga
confederação sindical dos países do
socialismo real) com expressão na Ásia, América
Latina e África.
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AFP, 1º de março
de 2009
Brasil e França buscam
parceria para mudar ordem mundial
" Não queremos mudar tudo, mas queremos mudar substancialmente",
disse sobre a estrutura mundial o chanceler brasileiro, Celso Amorim, após
reunir-se nesta sexta-feira (27) com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Brasil e França articulam uma dobradinha em favor da reforma da ONU e
de outros organismos internacionais.
A colaboração entre os dois países
ganhou impulso em dezembro passado, em uma visita de Sarkozy
a Brasília. Ele e o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva assinaram um acordo que significou contratos
estratégico no terreno da defesa. O Brasil decidiu
comprar da França 50 helicópteros de transporte
EC-725 e de quatro submarinos de ataque da classe Scorpene.
A França se comprometeu a cooperar com o Brasil
na construção de um submarino à propulsão
nuclear.
A visita oficial de Amorim a Paris busca estender a cooperação
ao difícil terreno da estrutura multilateral. "Falamos
sobre como reforçar as relações França-Brasil,
não para seguir avançando em um plano bilateral,
mas para trabalhar junto com outros países",
disse o chefe da diplomacia brasileira, após encontrar-se
com Sarcozy.
França e Brasil advogam por modificações
em organizações internacionais como, por
exemplo, o Conselho de Segurança das Nações
Unidas e o G8 (o grupo dos países mais industrializados)
para ampliar o número de seus membros.
Os dois países "querem que haja uma mudança
real (...) que essas mudanças se façam de
maneira lógica e que cheguem naturalmente como ocorreu
depois da 2ª Guerra Mundial", explicou o chanceler
brasileiro.
Sobre a intenção de "mudar substancialmente",
Amorim especificou que "Isso foi mencionado pelo presidente
francês", e que Lula concorda, assim como outros
atores poderosos como a Índia e a Rússia.
" Pensamos que temos que buscar soluções
em conjunto e não tratar de questões financeiras
aqui, ou de outras relacionadas com a mudança climática
ou de assuntos relativos à segurança em outro
lugar", assegurou.
Amorim chegou na quinta-feira à noite à Paris
para examinar com o presidente francês as relações
bilaterais e internacionais e a preparação
do G20 que se reunirá em Londres em 2 de abril próximo.
O G20, que reúne o G7 (países mais ricos
do mundo) e mais 13 nações em desenvolvimento,
reuniu-se pela primeira vez em novembro passado, a convite
do então presidente George W. Bush, para tratar
da crise econômica mundial. Sua constituição é uma
confissão muda de que as metrópoles do capitalismo
precisam das pujantes economias periféricas para
sair da crise.
Celso Amorim também falou com Sarkozy sobre a
recente visita do ex-ministro socialista francês
Jack Lang a Cuba, como emissário do Palácio
do Eliseu. O chanceler classificou o passo de "passo
muito positivo". "Consideramos que é um
passo extremadamente importante para que as relações
de Cuba com o mundo voltem ao normal o quanto antes",
comentou.
Da redação, com
informações da AFP
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Agência Brasil, 1º de
março de 2009
Volkswagen demitirá 16
mil no mundo; Brasil escapa
O presidente mundial da montadora alemã Volkswagen, Martin Winterkorn,
afirmou para a revista Der Spiegel que despedirá ainda neste ano
todos os 16,5 mil trabalhadores temporários contratados, devido à crise
que afeta o setor automotivo. Os cortes ocorrerão em todo o mundo,
porém os 1.600 temporários da Volks no Brasil escaparão,
pois não são terceirizados.
A Volkswagen do Brasil, emprega mil temporários na unidade de
São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e 600 na fábrica
de Taubaté, no interior de São Paulo, com contratos que
vencem na maioria entre setembro e novembro. Mas os contratos temporários
desses trabalhadores são firmados diretamente com a Volks e não
com intermediárias, e portanto não entram no critério
do facão mundial da empresa, segundo informou a assessoria de
imprensa da montadora em São Paulo.
Em janeiro, a Volks dispensou 150 temporários da
unidade de Taubaté. Ela não descarta que
outros contratos possam ser cortados antes do prazo estipulado,
mas diz que ainda está estudando a evolução
do mercado brasileiro ao longo deste ano para determinar
o futuro dos trabalhadores.
Os outros estão seguros ''no
momento''
Na entrevista, Winterkorn admite que a demissão
de 16 mil não é ''agradável'', mas
sustentou que as demissões são ''inevitáveis''.
Ele agregou que não vê alternativa para esta
decisão.
Winterkorn disse ainda que os empregos do pessoal efetivo
da maior montadora de automóveis da Europa ''no
momento'' estão seguros e não vê ''nenhum
problema''. Mas admitiu que, se a crise perdurar ,se ''pensará em
outras coisas''.
Na Alemanha, a Volkswagen empregava no fim de 2008 cerca
de 4.500 temporários. Muitas das demais vagas estão
na Europa Oriental. A VW emprega no total aproximadamente
330 mil pessoas no mundo.
As vendas do primeiro construtor automobilístico
europeu caíram 15% em janeiro e a Volkswagen prevê ainda
um recuo de 10% em 2009, enquanto suas ações
sofrem fortes quedas , embora não tão dramáticas
como as das americanas GM e Chrysler. A empresa alemã não
exclui a possibilidade de registrar prejuízo no
primeiro trimestre.
Polêmica com a ajuda à Opel
Na mesma entrevista o presidente da Volkswagen polemizou
com a idéia de ajuda oficial a seu concorrente,
a Opel -- filial da General Motors na Europa. GM e a Chrysler
obtiveram nos Estados Unidos um pacote bilionário
de ajuda, nos estertores do governo Bush, para evitar a
falência. Agora a GM defende uma solução
similar para suas filiais européias.
Winterkorn disse na entrevista que o Estado não
deve se converter em ''uma sociedade de resgate para empresas
que possivelmente estão próximas da bancarrota''.
Há quem acredite que a demissão em massa
visou dissuadir o governo de Angela Merkel de ajudar a
Opel.
Winterkorn admite que é ''legítimo'' que
governo alemão outorgue avais financeiros de forma
''pontual'' a uma empresa, mas ''só durante um tempo
de transição''. Ele ainda assinalou que não
se pode calcular se a Opel está ameaçada
pela falta de liquidez, mas afirma que, se a empresa se
declarar insolvente, seria algo ''lamentável''.
Para sindicatos, jogo político
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirmou neste
sábado (28), por meio da assessoria, que não
vê com preocupação com a declaração
do presidente mundial da Volkswagen. Segundo o Sindicato,
vale o acordo firmado entre empresa e sindicato, de que
ao término dos contratos será analisada a
necessidade de renovação. Para a entidade
do ABC, a declaração de Winterkorn foi política,
ligada à disputa da montadora alemã contra
a ajuda à Opel.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e
Região concorda. ''É lógico que tem
o peso da declaração do presidente da Volkswagen
mundial, mas precisamos antes saber qual o reflexo disso
no mundo. O Brasil passa por uma reação no
setor automotivo. Em Taubaté tivemos negociação
positiva dos contratos temporários. Acho que a economia
do Brasil não está sujeita a esse impasse'',
disse o presidente do sindicato, Isaac do Carmo.
Protesto diante da Opel
Cerca de 15 mil trabalhadores das unidades da Opel na
Alemanha participaram de um protesto diante da sede da
empresa nesta quinta-feira (26), para pedir a imediata
separação da montadora alemã da matriz
General Motors. Também os funcionários de
outras subsidiárias da GM na Europa, Saab e Vauxhall,
fizeram manifestações pela manutenção
de seus empregos.
A chanceler federal alemã, Angela Merkel, vem tratando
o assunto com luvas de pelica. Entre pressões desencontradas
das empresas, que às vezes se entrecuzam, a chefe
de governo disse que iria pensar.
Da redação, com agências
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Congresso em Foco, 1º de
março de 2009
A ministra larga na frente
Marqueteiros chamam a atenção
para o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff ao Planalto.
Serra e Aécio precisam superar divergências
no PSDB
Mais exposta na mídia, Dilma
está à frente dos governadores de São
Paulo e de Minas
Daniela Lima
Com dois nomes de peso na política nacional, o PSDB parecia
ser um oponente imbatível na corrida presidencial em 2010. Mas
o que deveria contar pontos a favor do partido, engessou as potenciais
candidaturas dos governadores José Serra, de São Paulo,
e Aécio Neves, de Minas Gerais. Enquanto os tucanos patinam
nas divergências internas, o presidente Lula emplaca a ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Cada vez mais exposta na mídia, Dilma largou
na frente. Aproveitou a inércia tucana e iniciou
a construção de um personagem que se apresenta
ao eleitor à imagem e semelhança do presidente.
Três dos marqueteiros mais conhecidos do país
são unânimes ao admitir que, hoje, a candidata
do PT à presidência da República
em 2010 já é uma possibilidade para o eleitor. “O
PSDB tem uma enorme chance de ganhar, mas está fazendo
força para perder. Hoje, para o eleitor, ela (Dilma)
já tem cara de possibilidade, e isso é muita
coisa”, avalia Carlos Brickmann, homem responsável
pela campanha vitoriosa de Paulo Maluf à prefeitura
de São Paulo em 1992.
Há cerca de um ano, quando Dilma foi lançada
como a opção de Lula à sucessão,
poucos acreditaram que ela poderia alçar vôo.
Ela era considerada uma mulher séria, eficiente
e confiável, mas com pouquíssimas chances
de substituir a figura idolatrada do presidente que bateu
todos os recordes de popularidade da história
do país. Mas a indefinição tucana
abriu espaço para a petista. “O PSDB não é obrigado
a ter um candidato agora, mas tem que ter uma estratégia”,
completa Brickmann.
Blindada pelo presidente Lula, Dilma se dedica a tornar-se
uma figura conhecida. “Em política os espaços
não ficam vazios por muito tempo, e ela está ocupando
esses espaços. Acho que o Lula tem força
para fazer um candidato passar pelo primeiro turno, mas
ganhar é outra coisa”, pondera o publicitário
Edson Barbosa, que fez a pré-campanha do presidente
em 2006.
E se é preciso mais para ganhar, Dilma tem feito
o dever de casa. Aparições públicas,
reforços no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), um presente do presidente Lula
para a ministra candidata, tudo isso sem deixar de lado
a imagem de eficiência que a fez conquistar o respeito
no cenário político. “A Dilma é um
personagem muito interessante. É uma mulher, o
eleitorado é simpático à mulher
como gerente, e ela é eficiente. Na hora que o
eleitor perceber quem é essa personagem, ela vai
virar uma heroína, e vai dar muito trabalho aos
adversários”, acredita Lucas Pacheco, marqueteiro
responsável por parte da campanha de Geraldo Alckmin
(PSDB) à prefeitura de São Paulo.
De dentro para fora
E, enquanto a ministra tenta aparecer para fora, já que conta
com a total confiança do homem mais forte de seu partido, Serra
e Aécio tentam equilibrar as forças dentro do PSDB. O
governador mineiro quer prévias no partido para a escolha do
candidato ao Planalto. Serra diz aceitar a consulta interna, mas ainda
trabalha para evitar o confronto com Aécio.
Serra costura acordos políticos desde que se
elegeu governador. Aécio tenta provar que apostar
no novo seria bom para os tucanos e que o partido deve
discutir projetos políticos e não nomes.
Uma tentativa de amenizar a força que José Serra
já tem na legenda.
Outro empecilho para os dois candidatos, segundo os
marqueteiros, é a gestão da máquina
pública. “Eles têm um problema enorme:
ainda não podem fazer campanha. Ficam mal com
o eleitor. O povo elege um governador e ganha um candidato”,
opina Carlos Brickmann.
Mas se ainda é cedo para dar o pontapé oficial
na campanha tucana, nos bastidores, as negociações
estão muito adiantadas. Serra atua fortemente
em seu estado. Fechou um acordo com o PMDB paulista,
contando com o apoio de Orestes Quércia. Além
disso, tem ao seu lado o prefeito da capital paulista,
Gilberto Kassab (DEM). “Ele, com essa postura,
sinaliza para o partido que é um homem capaz de
agregar. O PMDB paulista (Quércia) ajuda o Serra
aqui, assim como a proximidade do governador Sérgio
Cabral com o governo federal ajuda a Dilma no Rio”,
compara Lucas Pacheco.
Outra estratégia dos pré-candidatos tucanos é apostar
na propaganda de uma gestão de sucesso em seus
respectivos estados. Hoje o governo de São Paulo
veicula nacionalmente a campanha da Companhia de Saneamento
Básico (Sabesp), mostrando ao país como
a gerência tucana está investindo da despoluição
do rio Tietê. A mensagem é simples: a preocupação
ambiental é uma marca que rende votos. “Hoje,
todos os atos dos pré-candidatos são extremamente
ensaiados. Nada é ao acaso. O Serra está se
mexendo muito em São Paulo. A idéia dele é passar
o rolo compressor no estado”, indica Pacheco.
Aécio parece apostar no discurso da jovialidade,
renovação. Em duas palavras: gestão
moderna. Para isso, conta com sua capacidade de convencimento
e carisma. Quer ter oportunidade de debater seu projeto
político. “Os dois são completamente
diferentes: o Aécio é um admirador dos
prazeres da vida, já o Serra adora sanduíche
de pão integral, com uma fatia de queijo ligth
e alface”, compara, com humor, Carlos Brickmann.
Mesmo com vários personagens em cena, o fato é que
o palco das próximas eleições presidenciais
ainda não está totalmente montado. “O
astral da eleição ainda está longe
de se desenhar. É um mosaico bastante complicado.
Temos de um lado o presidente dos programas sociais fortíssimo
e, do outro, ninguém. Vejo que o que os partidos
estão tentando é cravar as suas referências
maiores, e acredito que isso se estenda por todo o ano”,
aposta Edson Barbosa.
A imagem dos candidatos, segundo
os marqueteiros
Dilma Rousseff
- Conta com o apoio incondicional do presidente Lula
- Será apresentada como personagem heróico para o eleitor,
por conta de seu histórico de resistência à ditadura
- Será a candidata da continuidade do governo do “maior
presidente que o país já teve”
José Serra
- Já possui uma imagem consolidada para o eleitor, o que pode
ser um obstáculo: eficiente, porém frio, sem apelo popular
- Conta com o apoio do PMDB de São Paulo e vai usar sua gestão
no estado para alavancar a campanha
- Conta com mais apoio dentro do partido do que Aécio Neves
Aécio Neves
- Aposta na jovialidade e no discurso de uma gestão moderna
- Tenta amenizar o peso do nome de José Serra no partido, chamando
atenção tucana para o que seria um projeto político
novo
- Mantém boas relações com o governo federal,
inclusive com o presidente Lula e a ministra Dilma.
- Pode trabalhar junto ao PMDB para desestabilizar a campanha de Serra.
Já foi, inclusive, convidado a mudar de partido
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Gazeta do Povo, 1º de
março de 2009
Sucessão de Lula
Novo partido pode ser a saída
para Aécio
Com poucas chances de ser o candidato
do PSDB em 2010, o governador mineiro tem interesse no resultado
da consulta ao TSE sobre os limites da fidelidade partidária
A criação de um novo partido pode se transformar
no principal ingrediente da composição eleitoral
de 2010. Uma consulta formulada em dezembro do ano passado
pelo deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) tenta esclarecer os limites da
fidelidade partidária no caso de fusão ou
de fundação de uma nova legenda. A dúvida é saber
se políticos que se transfiram para partidos recém-criados
correm o risco de perder o mandato.
A Consulta 1.670 é tratada nos corredores do Congresso
Nacional como um dos caminhos para burlar a Resolução
22.610/2007 do TSE, que definiu que os mandatos pertencem
aos partidos. O outro é a aprovação
de uma lei que crie a “janela de infidelidade”,
período em que os candidatos possam trocar de legenda
sem punição. A proposta é o único
ponto da reforma política que deve ser apreciado
pelo Congresso Nacional neste ano.
A possibilidade de fundar ou fundir partidos para driblar
a Justiça Eleitoral ganhou força a partir
de uma análise feita na semana passada pelo presidente
da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP).
Segundo ele, a proposta de criar uma janela por meio de
um projeto de lei (PL), como sugere o governo federal, é inconstitucional.
A solução seria a aprovação
de uma proposta de emenda constitucional, o que é mais
complicado porque exige os votos de dois terços
dos 594 congressistas contra apenas a maioria simples de
um PL.
Além dos interesses de cerca de 80 parlamentares,
um novo partido seria uma alternativa para o governador
de Minas Gerais, Aécio Neves, viabilizar sua candidatura
ao Palácio do Planalto. Aécio está atrás
do governador de São Paulo, José Serra, na
briga pela indicação do PSDB. Deputados da
legenda, que preferem não se identificar, garantem
que parte da consulta foi formulada a pedido de assessores
do político mineiro.
Autor “oficial” do texto remetido ao TSE,
Miro Teixeira admite que o questionamento quanto à fundação
e fusão não partiu dele. “Apenas construí a
questão para pessoas que estão fazendo as
suas articulações. Eu mesmo não tenho
interesse nisso.”
O parlamentar não revela o nome dos verdadeiros
mentores da ideia, nem confirma a participação
de alguém ligado à equipe de Aécio. “Mas
tem muita gente interessada, já fui procurado informalmente
por uns 60 colegas.”
Ao todo, o texto da consulta é dividido em três
partes. Na parte sobre fundação e fusão,
também é questionada a possibilidade de os
políticos eleitos levarem para a nova legenda o
tempo de exibição no horário eleitoral
e participação no fundo partidário
adquiridos com o resultado das eleições de
2006. As outras duas indagam a relação de
fidelidade do partido com seus filiados e eleitores no
caso de formação de blocos partidários
e a viabilidade de filiação de novos membros
da legenda por meio da internet.
“Como já disse o ministro Joaquim Barbosa,
não podemos criar no Brasil uma ‘partidocracia’ do
jeito que tantos querem”, ressalta o parlamentar
carioca. Teixeira é um dos deputados mais respeitados
da atual legislatura. Foi ministro das Comunicações
(2003-2004) e em 2002 foi o autor de outra famosa consulta
ao TSE que resultou no sistema de verticalização
das alianças estaduais e nacionais em eleições.
Histórico
O cientista político Leonardo Barreto, da Universidade
de Brasília, afirma que Aécio usará uma
cartada familiar caso realmente encabece a criação
de um novo partido. “Ele está se inspirando
no avô”, explica o professor. Em 1979, Tancredo
Neves fundou o Partido Popular (PP), uma alternativa de
centro-direita para disputar a Presidência da República
após o final do regime militar.
Entre os criadores da legenda, também estava Teixeira. “O
PP acabou incorporado ao PMDB logo depois (1981), mas o
Tancredo conseguiu o que queria e foi eleito presidente
(1984)”, diz Barreto. Para ele, o panorama das eleições
presidenciais muda completamente com a entrada de Aécio
em uma provável disputa contra a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff (PT), e José Serra.
O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), entretanto,
vê pouquíssimas chances de Aécio deixar
o partido. “Não há tempo hábil
para formar uma nova legenda, seria uma alternativa kamikaze.” Fruet
admite que a disputa entre Aécio e Serra fica cada
vez mais pesada, mas não vê outra solução
para o mineiro.
“O Serra topou as prévias que o Aécio
tanto queria, agora não tem mais volta.” Segundo
o paranaense, a consulta acabará sendo colocada
em segundo plano. “Os dois agora dependem da escolha
interna. Só não se sabe quando ela ocorrerá e
qual será o tamanho.”
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Gazeta do Povo, 1º de
março de 2009
Sucessão de Lula
Consulta teria pouca chance
de surtir efeito, dizem cientistas
Dois paranaenses especialistas em Direito Eleitoral
acreditam que há pouca chance de a Consulta 1.670
surtir o efeito esperado em relação à possibilidade
de transferência para um novo partido sem a perda de
mandato. Na opinião deles, grande parte do texto não
será nem respondida porque depende de casos concretos.
Além disso, afirmam que o TSE deve manter a postura
restritiva aos limites de fidelidade partidária estipulados
por resolução em 2007.
“A intenção dessa consulta é consolidar
um entendimento que mostre se vale a mesma regra para
os casos de fusão de fundação de
partidos. A meu ver, isso já consta da resolução
quando se fala em justa-causa para deixar a legenda”,
diz o advogado e professor das Faculdades Curitiba, Luiz
Fernando Pereira. A regra de 2007 permite a migração
para partidos recém-fundados sem perda de mandato. “Só que
a fusão é um procedimento mais simples,
que pode ser mais interessante já que falta pouco
tempo para as eleições de 2010.”
O professor de Direito Eleitoral da Universidade Federal
do Paraná, Guilherme Gonçalves, explica
que a consulta é muito mais política do
que jurídica. Para ele, as atuais regras de fidelidade
partidária já permitem a migração
para um novo partido. “Se um cliente me procurasse
nessa situação, diria que a mudança
nesse caso é 99,8% segura. Só não
digo 100% porque nunca se sabe como podem reagir os tribunais.”
Em resumo, a consulta é um instrumento utilizado
genericamente pelo TSE para orientar decisões
da Justiça Eleitoral em Brasília e nos
estados. Apenas partidos políticos, senadores,
deputados federais e os TREs têm o direito de fazê-las.
Elas não podem ser realizadas a partir de casos
concretos e também não têm efeito
vinculante, ou seja, não consistem em uma orientação
obrigatória.
Um exemplo prático do uso dessa ferramenta atingiu
o Paraná há dois meses. Graças à resposta
do TSE à Consulta 1.657, formulada em outubro
de 2008 pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí,
a Justiça Eleitoral paranaense teve subsídios
para marcar um novo segundo turno na disputa municipal
de Londrina. A Consulta 1.670 tem como relator o ministro
Fernando Gonçalves e ainda não tem data
para entrar na pauta do TSE. (AG)
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Folha de S.Paulo, 1º de
março de 2009
Centrais sindicais têm
reação tímida à crise
Entidades "enferrujaram" durante
ciclo de crescimento econômico e se atrelaram ao governo
Lula, criticam especialistas
Divergências sobre medidas como
redução de salários expõem racha
entre centrais como CUT e Força; disputa pode prejudicar
trabalhador
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A atuação das centrais sindicais para enfrentar
os efeitos da crise mundial no mercado de trabalho revela
despreparo para defender o trabalhador, falta de sintonia
com o cenário econômico e social e atrelamento
de parte do movimento sindical ao governo Lula -caso da CUT
e da Força Sindical, as duas maiores representantes
dos trabalhadores do país.
Essa é a avaliação de parte de líderes
sindicais e de especialistas que estudam o movimento no país.
Para eles, a reação das centrais e de sindicatos é tímida
diante da onda de demissões que ocorre no país desde
dezembro. O Brasil perdeu 797,5 mil empregos com carteira assinada
desde novembro, segundo o Ministério do Trabalho.
Para outra parcela de estudiosos do movimento sindical, as centrais,
assim como as empresas, foram pegas de surpresa com a intensidade da
crise e tiveram até de aceitar a redução de jornada
e de salários para manter empregos -posição defendida
pela Força Sindical.
" As centrais sindicais estão enferrujadas. Até setembro do
ano passado, o Brasil vivia fase de crescimento econômico e a atitude das
centrais era conseguir algo mais para o trabalhador num contexto de expansão.
A crise pegou os sindicatos e as centrais desprevenidos para preservar os direitos
trabalhistas em uma fase de retração econômica", afirma
Ricardo Antunes, professor de sociologia do trabalho da Unicamp.
O que pesa ainda contra o trabalhador, diz ele, é o fato de
a Força e a CUT serem "prisioneiras" do governo Lula
-cutistas ocupam cargos no governo petista, e sindicalistas ligados à Força,
no Ministério do Trabalho. "As centrais ficam também
acuadas porque conseguiram vantagens desse governo, como o imposto
sindical, que foi estendido a elas."
Em 2008, entrou no caixa de sindicatos, federações, confederações
e centrais cerca de R$ 1 bilhão arrecadado com o imposto sindical
recolhido de forma obrigatória dos trabalhadores -o valor corresponde
a um dia de trabalho. Ao mudar a lei e reconhecer as centrais, o governo
Lula permitiu, em 2008, pela primeira vez, que elas recebessem uma
fatia no imposto. Até agosto, as centrais receberam R$ 55,6
milhões.
Quando os empresários sentiram o agravamento da crise, diz Antunes,
fizeram ajustes, como corte de investimentos, produção
e emprego. "Como os sindicatos estavam dessintonizados com o movimento
da economia, acreditaram, equivocadamente, que era hora de preservar
o mínimo, como aceitar a redução de jornada e
de salário. Mas o trabalhador não pode ser penalizado
pela crise. E o corte nos lucros das empresas, como fica?"
Posição defensiva
A brusca mudança no cenário econômico, ressalta
Wilson Amorim, coordenador de pesquisas da FIA (Fundação
Instituto de Administração), levou os sindicatos e as
centrais a mudarem rapidamente da posição propositiva
para a defensiva.
" Em vez de pressionar por aumento de salário, tentam evitar demissões.
Se há algo que o movimento sindical no Brasil sabe fazer é negociar.
E a negociação, em um momento de crise como este, tem de ser feita
de forma descentralizada, já que a crise atinge setores econômicos
de maneiras diferentes", afirma Amorim.
A crise deve contribuir para que o movimento sindical passe por um
processo de "amadurecimento", segundo avaliam os especialistas
e reconhecem os próprios líderes sindicais. O que pode
ocorrer é uma reestruturação no cenário
sindical, com o crescimento de centrais mais ligadas à esquerda
e de organizações até então consideradas
inexpressivas.
Com o agravamento da crise, as centrais podem ir às ruas para "marcar
presença" -e até com certo "atraso", na
avaliação de alguns especialistas. Até então,
não houve nos dois mandatos de Lula tantas manifestações
e críticas ao governo.
" No governo FHC sequer éramos recebidos. No governo Lula, conseguimos
construir uma política para o salário mínimo, a correção
da tabela do Imposto de Renda, a legalização das centrais e discutir
o Bolsa Família. Houve ganhos para o movimento sindical", diz Artur
Henrique, presidente da CUT. "Mas criticamos quando é preciso criticar.
O governo reduziu o IPI para os carros, só que faltou cobrar a contrapartida
de garantia de empregos."
A discussão em torno da redução de jornada e salários,
para evitar demissões, encampada pela Força e pela Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo), reforçou, segundo estudiosos, o racha que existe entre
as centrais sindicais -o que é ruim, neste momento, para o trabalhador.
CUT, Conlutas, CTB e CGTB não aceitam a redução
salarial. Enquanto Força e UGT aceitam medidas previstas na
lei.
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