 |
Agência Diap, 2 de
março de 2009
'Folha' desperdiça pauta
para falar mal do sindicalismo
Bernardo Joffily
Ter uma boa pauta e fazer o dever
de casa nem sempre produz uma boa matéria jornalística.
Um exemplo é manchete da Folha de S.Paulo deste domingo (1º)
- Crise revela despreparo de sindicatos. A matéria das jornalistas
Fátima Fernandes e Claudia Rolli ouviu gente que entende de sindicalismo,
porém parece que não escutou o que têm a dizer. Sua
conclusão é a que deve ter sido encomendada pelo pauteiro:
as centrais são "despreparadas", "enferrujadas", "atreladas
ao Governo Lula"... e ganham dinheiro demais.
Os dois acadêmicos entrevistados
- Ricardo Antunes e Wilson Amorim - são estudiosos reconhecidos
do movimento sindical brasileiro. E as repórteres ouviram diligentemente
os presidentes de cada uma das centrais sindicais. Como então
o resultado saiu tão pobre e distante dos dramas reais que acometem
o sindicalismo?
Um tema
visto com binóculos ao contrário
Possivelmente é a redação da Folha que está "enferrujada" em
sua cobertura do movimento sindical. Décadas de menosprezo pelo tema
agravaram uma falta de intimidade com o tema que sempre existiu.
O resultado é uma reportagem
que não cumpre o que promete na manchete: "Crise revela".
O tema parece estar sendo visto através de binóculos ao
contrário, em que mal se consegue distinguir os personagens e
muito menos o cenário. As declarações entre aspas
parecem escolhidas a dedo para expressar, não a essência
do que pensa o entrevistado, mas as teses preconcebidas pela pauta.
Temas
candentes ignorados
Por exemplo: o tema "crise do movimento sindical" povoa há décadas
o debate entre as organizações de trabalhadores. Provocado por
uma síndrome que inclui mudanças no processo produtivo e em todo
o mundo do trabalho, um novo perfil da classe trabalhadora, a derrota da experiência
socialista soviética e a ofensiva neoliberal, ele tem dado o que falar
tanto no Brasil como no mundo inteiro. Na matéria da Folha, porém,
não merece uma palavra.
Tampouco há menção
ao fato - historicamente provado por incontáveis crises do capitalismo
aqui e alhures - de que a crise é um cenário desfavorável
para as lutas e organizações dos trabalhadores, roubando
suas energias através do mecanismo perverso dos desemprego. A
matéria repassa uma visão ingênua de que, se o trabalhador
está se dando mal, as lutas não pipocam por uma questão
de "despreparo".
A matéria é honesta
o bastante para registrar que "as centrais, assim como as empresas,
foram pegas de surpresa" pela atual crise mundial capitalista -
a idéia parece ser de Antunes. Mas a honestidade não chega
a ponto de completar a lista dos surpreendidos, agregando, por exemplo,
os economistas, a mídia em geral e a Folha de S.Paulo em particular.
Uma questão atualíssima é mencionada
de passagem em outra frase de Antunes: quem deve ser "penalizado
pela crise"? É um tema de real interesse econômico,
social e humano. O terrorismo patronal que se alastra pelas empresas
em nome da crise permitiria denúncias contundentes. O caso da
Embraer é apenas um entre muitos. Mas claro que também
não é esse o foco da Folha, já que levaria os patrões
e não os sindicatos para o banco dos réus.
O "atrelamento" ao
Governo Lula
Por fim, mas não por último, pois se trata de um ponto de evidente
interesse para a Folha, é o ''atrelamento'' das centrais ao Governo
Lula. Na matéria, ele aparece como uma atitude venal: a explicação
seria que as centrais receberam em 2008 uma fatia de R$ 56 milhões do
imposto sindical.
Também aqui há uma
boa pauta desperdiçada. Por que a Força Sindical, criada
em 1991 dentro da base sindical de apoio a Fernando Collor, adepta da
candidatura presidencial de José Serra em 2002 e de Geraldo Alckmin
em 2006, passou para a base de Lula?
E por que a Conlutas, situada
na extrema esquerda do espectro político-sindical, diante do facão
da Embraer saiu-se logo com um pouco usual pedido de audiência
no Planalto? Haverá quem sabe alguma relação com
o fato do presidente ser um torneiro-mecânico, um ex-líder
sindical e grevista? O que isso muda na prática concreta e no
imaginário da classe?
Não se espere muito
do jornal da "ditabranda" em matéria de cobertura
sindical. Mas até para quem adota a linha editorial do antissindicalismo
era de se esperar menos superficialidade na abordagem de uma pauta
que vale a pena e veio para ficar.
|
Folha
de S.Paulo, 2 de março de 2009
Crise reduz pressão de alimento
na inflação
Índice de preços no atacado da
agropecuária, que chegou a acumular alta de 40% em 12 meses,
registra agora avanço de apenas 3% | Desvalorização
das commodities já começa a ser sentida pelo consumidor;
analistas veem possibilidade maior de queda nos juros
MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO
A crise econômica mundial
diminuiu a pressão interna sobre os alimentos. Essa queda
se reflete na inflação, desacelerando principalmente
os índices de preços no atacado, que têm influência
das commodities agrícolas negociadas no mercado externo.
Aos poucos, essa queda chega ao bolso do consumidor. A soja, que recua na Bolsa
de Chicago, por exemplo, provoca queda nos preços do óleo para
os consumidores nos supermercados.
Além de pressão menor dos preços que têm influências
externas, a inflação também perde força por causa
de produtos com negociações apenas internas, como os cereais.
Com isso, alguns analistas preveem taxa de inflação próxima
de 4% para este ano, o que vai facilitar a ação do BC em reduzir
os juros.
A grande demanda mundial por alimentos em 2008, quando a economia ainda crescia,
levou a uma forte alta nos preços no atacado, empurrando os índices
inflacionários para cima.
Os produtos agropecuários chegaram a registrar alta de 40,25% no acumulado
de 12 meses em julho do ano passado no IPA (Índice de Preços
por Atacado) do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado
pela FGV.
Essa alta no atacado refletia a elevação recorde dos preços
das commodities nas principais Bolsas agrícolas espalhadas pelo mundo.
Em Chicago, por exemplo, a soja chegou a ser negociada a US$ 16,60 por bushel
(27,2 quilos) no início de julho de 2008, valor jamais registrado até então.
Menor
velocidade
Com a ocorrência da crise, a falta de crédito e as dificuldades
de empresas e de países em formar estoques de alimentos forçaram
a baixa nos preços das commodities. A queda não foi apenas da
soja mas do óleo de soja, do trigo, do milho etc. A mesma soja que chegou
a ser negociada a US$ 16,60 no ano passado está atualmente em US$ 8,70
em Chicago -queda de 48%.
A perda de preços das commodities fez com que o índice dos produtos
agropecuários acumulado em 12 meses até fevereiro recuasse para
apenas 3,17% no IPA do IGP-M.
Heron do Carmo, economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas), diz que "inflação é ritmo" e
os preços perderam velocidade com a desaceleração da economia.
Segundo ele, os índices que mostram os preços dos alimentos apontam
para essa desaceleração, que só não se transformou
em profunda deflação porque houve a recuperação
do dólar diante do real.
A alta do dólar fez com que, mesmo com a queda dos preços das
commodities, os produtores brasileiros perdessem menos. Com a alta da moeda
norte-americana, receberam mais reais pelas vendas.
Com isso, o consumidor paga menos pelos alimentos, principalmente pelos que
têm comercialização internacional, mas a queda não
afetou muito a renda dos produtores.
Tendência indefinida
O comportamento futuro dos preços dos alimentos está indefinido,
mas Heron acredita que eles poderão ser responsáveis por uma
taxa de inflação inferior a 4% neste ano. Para o economista,
a queda abre caminho até para a redução maior dos juros.
Apesar dessa pressão externa menor, os alimentos que são comercializados
apenas internamente mantêm o sobe-e-desce conforme a sazonalidade.
Paulo Picchetti, coordenador do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor
Semanal), índice do Ibre-FGV e pesquisado em sete capitais brasileiras,
diz que a "âncora verde" perdeu força a partir de 2007
e os alimentos começaram a subir.
A inflação acumulada dos alimentos no IPC-S é de 21,4%
de fevereiro de 2007 até a terceira semana de fevereiro deste ano. Nesse
mesmo período, o índice médio de inflação
foi de 11,1%.
A pressão dos alimentos, no entanto, já não é tão
acentuada como foi em 2007 e em 2008. O IPC-S divulgado na semana passada mostrou
alta de 0,39% nos preços dos últimos 30 dias até 22 de
fevereiro, abaixo do 0,59% do índice anterior. Dessa queda de 0,20 ponto
percentual, pelo menos 0,15 ponto veio da baixa nos preços dos alimentos,
diz Picchetti.
O coordenador do IPC-S lembra, ainda, que a variação das commodities,
além de ter uma defasagem de tempo para chegar ao consumidor, não
segue os mesmos percentuais de aumento ou queda do atacado. Parte desses repasses é feita,
ainda, com base em outros custos e serviços, lembra Heron.
|
Gazeta do Povo, 2 de março
de 2009
Declaração de renda
Fiscalização tecnológica
transforma IR em “Big Brother tributário”
Informações do contribuinte
são comparadas com pelo menos outros dez informes,enviados
por bancos,empresas e outras instituições públicas
e privadas. Qualquer deslize pode levar à malha fina
A Receita Federal armou-se neste
ano com garras de leão e olhos de lince para vigiar os cerca de
25 milhões de brasileiros que, até 30 de abril, precisam
enviar sua declaração anual de Imposto de Renda Pessoa
Física. O contribuinte que omitir dados, ou informar algo incorreto,
tem grandes chances de ir parar na malha fina, e arcar com uma multa
que pode chegar a 150% do valor devido inicialmente. O prazo para entrega
dos dados começou ontem.
O avanço da tecnologia
faz com que a prestação de contas fique mais rigorosa ano
a ano. Hoje, o sistema da Receita Federal tem condições
de cruzar praticamente todos os campos do documento, inclusive com outras
fontes. O resultado é uma espécie de “Big Brother
tributário”, que é capaz de enxergar o cidadão
a partir de vários ângulos diferentes e foi programado para
procurar incosistências entre as informações disponíveis. “O
contribuinte não pode ter a ilusão de que rendimentos esquecidos
ou informados erroneamente passarão despercebidos. Ele tem de
estar consciente de que não existem mais brechas”, alerta
a advogada tributarista Betina Grupenmacher, professora da UFPR e diretora
do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (Ibet).
O presidente do Sindicato das
Empresas de Serviços Contábeis do Paraná (Sescap
PR), Mário Elmir Berti, também é categórico: “não
passa nada.”
Os dados de cada contribuinte
são comparados eletronicamente com pelos menos outros dez informes,
enviados por bancos, empresas e outras instituições públicas
e privadas, estima o gerente executivo da Ernst&Young, Frederico
Good God. O primeiro e mais óbvio é o cruzamento dos dados
de rendimentos enviados pelo declarante com aqueles informados pelas
fontes pagadoras. Mas, há muito mais.
As informações
sobre compras com cartão de crédito, por exemplo, são
informadas pelas instituições financeiras ao Banco Central,
que envia os dados também para a Receita Federal. Também
vêm dos bancos os dados sobre o saldo bancário no último
dia útil do ano. “Muita gente não checa a informação
e coloca o que lembra, um número aproximado. Isso, sem dúvida, é motivo
para cair na malha fina”, alerta o gerente da Ernst&Young.
Todas as informações
referentes às deduções também são
cruzadas com os dados declarados pelos beneficiários – escolas,
hospitais e também profissionais de saúde. “Era comum,
no passado, que as pessoas declarassem despesas médicas fictícias,
ou mesmo com valores maiores. Hoje, não existe mais espaço
para isso”, diz Berti, do Sescap. “Os números serão
comparados com a declaração do médico e, se houver
divergência, o contribuinte terá que apresentar os recibos
para a Receita.”
Outro erro comum é não
informar os rendimentos recebidos pelos dependentes ou referentes a aluguéis. “A
imobiliária é obrigada a passar os dados para a Receita
Federal. O mesmo vale para compra de imóveis. O próprio
cartório precisa passar as informações quando faz
um registro”, explica o consultor da Ernst&Young.
Correção
Assim que terminar o prazo para
envio dos dados, a Receita Federal começará o processamento
das declarações. No site do órgão (www.receita.fazenda.gov.br),
o contribuinte poderá saber se foi encontrada alguma divergência
e, se for o caso, corrigir a informação.
A Receita Federal tem até cinco
anos para chamar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre a sua
declaração. “Por isso é fundamental guardar
todos os documentos e recibos durante este período”, explica
Frederico Good God. Caso a declaração conste no site
com algum divergência mas o contribuinte tenha certeza dos dados,
o consultor recomenda paciência. “Neste caso, é preciso
esperar a notificação da Receita, porque ela também
vai checar o outro dado.”


|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2009 | Economia
Para Sarney, o PEC do Emprego é eficiente
AE Notícias
"A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) é uma das mais eficientes
possíveis diante da amplitude da crise. Gostaria de vê-la implementada",
disse nesta sexta-feira (27) o ex-presidente da república e presidente
do Senado, José Sarney, sobre a medida que vincula incentivos fiscais à manutenção
de empregos.
Segundo o senador as projeções
sobre a evolução da crise se mostraram equivocadas, e uma
das grandes dificuldades em combatê-la é o seu desconhecimento. "A
face mais dolorosa da crise financeira internacional é que, ao
atingir a economia real, ela provoca desemprego. Sempre fui a favor de
priorizar a manutenção de empregos", destacou.
"Ao longo de meu governo
como presidente da República, o Brasil manteve as mais baixas
taxas de desemprego de sua história, mesmo nos momentos de maior
dificuldade econômica. Naqueles tempos, nunca admiti medidas macroeconômicas
que resultassem em desemprego. Nessa mesma direção, vai
a proposta do governador Requião, que louvo muito", ressaltou
Sarney.
Para José Sarney embora
a PEC seja essencial para combater a crise, são necessárias
outras medidas para evitar o desemprego. "Constituí no Senado
Federal uma Comissão Especial para Acompanhamento da Crise e da
Empregabilidade, constituída por senadores com larga experiência
na área econômica. Uma das atribuições da
Comissão é sugerir encaminhamentos e sugestões de
medidas a serem tomadas no âmbito dos Poderes Executivo e Legislativo",
explicou.
No Paraná, 70% dos
empregos oferecidos à população paranaense são
gerados pelas pequenas e médias empresas. Medidas como a redução
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) beneficiam 169 mil empresas.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2009 | Política
Lula diz que seu governo estabeleceu
novo 'paradigma'
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (27),
em Florianópolis, que seu governo estabeleceu um novo "paradigma" para
os que o sucederão. "Até outro dia quem entrava no governo
olhava o que foi feito no outro: nada", afirmou. "Quem vier depois
de nós vai dizer: 'Eu vou ter que trabalhar porque o paradigma é outro'." A
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticada por opositores de estar fazendo
campanha presidencial antecipada ao viajar com o presidente, disse que não
vai deixar de percorrer o País e também acompanhou Lula a Santa
Catarina.
O presidente participou da inauguração
de uma linha de transmissão de energia submarina ligando o continente à ilha
de Florianópolis, o que aumentará em 150% a capacidade
de recebimento de energia na cidade, evitando problemas por pelo menos
30 anos. A obra faz parte do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) e é fruto de investimentos de R$ 172 milhões. "Fico
feliz por passar para a história como o presidente que, junto
com o governo do Estado e a Eletrobrás, garantiu que Florianópolis
não terá mais apagão", afirmou. "Se o
governo não vier nas coisas boas, nas ruins ele vem mesmo que
não esteja presente."
Segundo o presidente, a "presença" nos
fatos ruins se dá por meio dos órgãos de comunicação. "Quando
acontecem coisas erradas tem que encontrar um culpado rapidamente, começa
com o prefeito, passa para o governador e passa para o presidente, que
não tem para quem repassar", disse. "Eu nem para o Obama
(Barack Obama, presidente dos Estados Unidos) posso passar porque ele é mais
novo que eu, mais inexperiente que eu." Aos opositores, Lula criticou: "Tem
gente torcendo: 'Graças a Deus vai ter um desempregozinho e o
governo vai se ferrar'", afirmou.
Elogios
Antes de discursar, Dilma
Rousseff recebeu elogios de seu colega de Minas e Energia, o ministro
Edison Lobão. "Sem Dilma Rousseff à frente do PAC
seguramente os resultados não seriam tão bons como são
hoje", disse. Ela preferiu criticar os governos anteriores. "Quando
tinha problemas internacionais cortavam investimentos, até por
que o FMI (Fundo Monetário Internacional) exigia", afirmou.
Segundo a ministra, a intenção do governo anterior ao
de Lula era privatizar a Eletrobrás. "E por isso ela foi
proibida de investir em transmissão", criticou. "Nós
mudamos o padrão."
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2009 | Política
Especialistas afirmam que campanha
de 2010 já começou
Agência Estado
A campanha presidencial de 2010 já começou e os pré-candidatos
ao Palácio do Planalto já estão em plena campanha eleitoral,
sobretudo porque exercem cargos públicos. A avaliação é de
cientistas políticos ouvidos pela Agência Estado, com base no
fato de que os principais postulantes ao cargo, a ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff (PT), e os governadores tucanos de São Paulo e Minas
Gerais, José Serra e Aécio Neves, respectivamente, ocupam funções
de destaque nas administrações federal e estadual.
Na avaliação desses
especialistas, é difícil separar o exercício da
administração pública da política, pois qualquer
ação política pode ser interpretada como estratégia
eleitoral. Além disso, eles acreditam que é impossível
proibir os governos de usar os artifícios da propaganda para divulgar
os feitos de suas administrações.
O cientista político e
professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Fábio Wanderley Reis afirma que a comunicação é fundamental
para os governantes, uma vez que não só informa sobre as
ações de governo como serve de parâmetro na avaliação
dos eleitores. "Um governo deve se comunicar com o eleitorado e
a ideia da reeleição contempla isso", defende. Ele
alega que administração pública e política
são inseparáveis e, por isso, vê com naturalidade
as ações do governo federal. "Isso é parte
da dinâmica da democracia. Estamos com mania de encontrar pecados
na democracia", critica.
Na opinião dele, o encontro do governador tucano José Serra (PSDB)
com prefeitos do Estado de São Paulo, suas viagens pelo País
(Serra esteve recentemente numa feira de agronegócio no Paraná)
e a divulgação em rede nacional dos trabalhos da Sabesp também
podem ser entendidos como indícios de campanha. "Aí fica
mais claro o desígnio eleitoreiro", conclui. Embora não
veja "pecados" em se fazer campanha, o professor chama a atenção
para a necessidade de comedimento no uso de recursos públicos na divulgação
das ações governamentais.
Na avaliação de
Humberto Dantas, cientista político e integrante do Movimento
Voto Consciente, ao fazer propaganda da Sabesp, Serra tem como objetivo
firmar seu nome num cenário eleitoral para 2010. No entanto, ele
acredita que os tucanos são mais cautelosos em não ultrapassar
os limites da legislação eleitoral. "A propaganda é uma
estratégia muito utilizada, é legal, mas o grande problema é ir
além da propaganda legal e dizer: 'ela (Dilma Rousseff) é minha
candidata'. O presidente chutou a regra", reitera.
Para os especialistas, a representação
do DEM e do PSDB ao TSE poderá resultar, no máximo, em
multa ao presidente e sua ministra/candidata.
"Dilma poderá continuar
inaugurando obras, só não poderá dizer que ela é candidata",
reforça Dantas. Fábio Wanderley lembra que a Justiça "não
pode restringir o presidente de manifestar sua preferência",
mas pode fazer um julgamento político nesta ação: "As
decisões do Judiciário têm sido políticas.
Acho que o TSE tem sido muito ativista, equivocado e predisposto ao falatório.
Tem havido impropriedade na conduta da Justiça Eleitoral, o que é indesejável."
Ilegalidade - Já o cientista
político da Unicamp Roberto Romano questiona o uso da máquina
pública para campanha eleitoral tanto da parte do governo federal
quanto da oposição, mais precisamente do governador José Serra. "Já estão
fazendo campanha e levando o Estado para a ilegalidade. Nenhum dos dois
(lados) têm razão", diz.
Para Romano, como no País
se tornou rotineiro atos de governo se transformarem em atos eleitorais,
seria mais apropriado que os pré-candidatos deixassem os cargos
que ocupam, evitando assim a "partidarização" do
Estado. "As diferenças entre oposição e governo
se diluíram porque eles fazem a mesma coisa. É uma guerra
de todos contra todos. Chegamos no limite entre a legalidade e a ilegalidade",
lamenta.
|
FOLHA DE LONDRINA, 02 de
março de 2009 | Política
Parlamentares querem incorporar verba
indenizatória à salário
A medida – já proposta no Senado
e em discussão pelos deputados federais – deve equiparar
os vencimentos aos dos ministros do STF
Curitiba - Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
que tramita no Senado pretende incorporar os recursos da verba indenizatória
ao salário dos parlamentares, medida que também já é discutida
na Câmara Federal. Se aprovada, recursos que deveriam ser aplicados com
despesas como manutenção de escritórios, deslocamento
e hospedagem passarão a ser destinados ao uso particular dos parlamentares.
Entre os argumentos utilizados
para defender a medida está a redução nos custos,
uma vez que a verba que hoje é de R$ 15 mil não poderia
ser incorporada integralmente ao salário por restrição
legal. Na prática, a medida pretende equiparar o salário
- R$ 16,5 mil-, ao limite previsto pela Constituição -
R$ 24,5 mil -, pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A proposta vem na contramão
de medidas de transparência anunciadas pela própria Câmara
e de um projeto que tramita no Senado. A Câmara deve passar a divulgar,
em 45 dias, o uso dos recursos com o número da nota fiscal relativa
ao serviço, nome e CNPJ do fornecedor, além da descrição
completa da despesa. No Senado, a divulgação pode incluir
cópias das notas fiscais.
As novas diretrizes de transparência
devem trazer mudanças uma vez que, apesar de oficialmente a Câmara
afirmar que apenas notas fiscais quitadas são aceitas na prestação
de contas, um funcionário da Casa que preferiu não ser
identificado afirmou que recibos em que constem o nome e o CPF de prestadores
de serviços também são ressarcidos. Ele confirmou
também que não há qualquer exigência de justificativa
para as despesas, desde que elas não sejam vedadas pela Câmara
e informou que apenas limites como o de 30% para compra de combustíveis
seriam observados.
De acordo com levantamento feito
pela FOLHA com base nos dados divulgados no site da Câmara Federal,
somente os deputados federais do Paraná receberam mais de R$ 9,4
milhões em verba indenizatória em 2007 e 2008. A grande
maioria deles utiliza valores próximo ao limite, que é de
R$ 90 mil por semestre.
Entre os deputados que utilizam
o total da receita, Chico da Princesa (PR) apresentou 24 prestações
mensais iguais de R$ 15 mil, nas quais declara ter gasto R$ 5 mil em
consultorias e assessorias, R$ 7 mil para locomoção, hospedagem
e alimentação e outros R$ 3 mil para serviço de
segurança. Ele defende que a verba é necessária
para o desempenho da atividade parlamentar, apesar de afirmar que seria
favorável a incorporação dos valores ao salário.
''Eu faço política em 70 municípios e isso tem um
custo.''
O deputado não vê problemas
em utilizar o valor total dos recursos. ''Não adianta fazer demagogia,
existe um custo para isso e se não houver verba não há como
trabalhar'', afirma.
Ele esclarece que não é contra
a divulgação de qualquer dado relativo ao uso da verba.
''Para mim não há problema, se o deputado usa o recurso é porque é autorizado.
Pode até ser imoral, mas que é legal é.''
Eduardo Sciarra (DEM), que também
utiliza o total dos recursos, afirma que muitas vezes o dinheiro é insuficiente
para pagar as atividades desenvolvidas e diz ser contra a incorporação
ao salário. Sciarra defende a transparência e acredita que
existem poucos casos de uso inadequado da verba. ''A própria Câmara é bastante
rigorosa na análise dos documentos. Não há porque
não tornar estes gastos públicos.''
Para Gustavo Fruet (PSDB) a verba é importante
porque ajuda a manter estruturas de atendimento, além de assessorias
e divulgação da atividade. Ele diz que as dúvidas
sobre o uso dos recursos serão menores após as novas medidas
de transparência. ''Será possível por um lado um
maior controle da legalidade e por outro da qualidade dos gastos'', afirma.
Fruet é contrário
a incorporação da verba ao salário. Para ele a discussão
central é a finalidade pela qual foi instituída a verba.
''Essa verba foi feita para complementar salários ou ampliar a
estrutura do deputado?''
Já Osmar Serraglio (PMDB),
que também não utiliza o valor total da verba, diz que
o dinheiro é importante para a locomoção e outras
atividades parlamentares e que não deveria ser incorporado ao
salário. Ele afirma que é favorável a total divulgação
das informações.
Karla Losse Mendes
Equipe da Folha
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2009 | Política
Deputado pode deixar o PSB por justa
causa
Agência Estado
A Procuradoria-Geral Eleitoral encaminhou parecer ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) considerando que há justa causa para o deputado Rogério
Marinho (PSB-RN) deixar a legenda sem perder o cargo.
O deputado pediu a declaração
de justa causa alegando que, após apresentar sua pré-candidatura à Prefeitura
de Natal nas eleições de 2008, entrou em conflito com os
líderes locais do partido, que decidiram apoiar a candidata do
PT e não lançar candidato à prefeitura. Marinho
argumentou, ainda, que a legenda não permitia que ele concorresse à reeleição
para deputado. Ainda não há data para o TSE julgar o processo.
|
Agência Diap, 2 de
março de 2009
Projeto suspende contribuição
previdenciária sobre aviso prévio
Desde o dia 12 de janeiro, quando o Decreto 6.727 passou a vigorar, o empregado
que recebe o aviso prévio indenizado ou outras verbas rescisórias,
a empresa na qual trabalhava têm de recolher para a Previdência
o valor que incide sobre essa indenização. O deputado Antonio
Carlos Mendes Thame (PSDB/SP) é autor de projeto que suspende o decreto
e exime o trabalhador e a empresa de mais esse encargo.
O Projeto de Decreto Legislativo
(PDC) 1.374/09 susta o decreto do Poder Executivo, que alterou artigos
do Regulamento Geral da Previdência Social. O projeto será analisado
pelas comissões de Seguridade Social e Família, onde aguarda
designaçãode relator; e de Constituição e
Justiça e de Cidadania, para depois passar por votação
no plenário.
Sem vínculo
O deputado argumenta que o valor recebido como indenização "não
se caracteriza como rendimento do trabalho, uma vez que não há prestação
laboral vinculada à verba paga pela empresa ao empregado", ou seja,
não se pode cobrar tributo sob um valor que não está vinculado
ao trabalho.
Ele afirma, ainda, que "a
verba é revertida ao trabalhador demitido, após consumado
o ato da rescisão contratual".
Demissões
A decisão de permitir a incidência de contribuição
previdenciária sobre os valores indenizatórios foi uma das formas
encontradas pelo Governo para limitar demissões. No entanto, para o
vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH
(Associação Brasileira de Recursos Humanos), Carlos Pessoa, a
medida não é efetiva.
"As empresas terão
que arcar com um pagamento adicional de 28% sobre o valor do aviso prévio
e o trabalhador vai arcar com um pagamento adicional entre 8% e 11%,
dependendo de sua faixa salarial". Segundo ele, a medida confunde
indenização com salário. "A lei determina que
os descontos de INSS aplicam-se sobre o salário. Aviso prévio é indenização".
Pessoa argumenta ainda que onerar
a folha de pagamento é um caminho que leva as empresas a não
contratarem. "O Governo Federal está indo na direção
oposta, ou seja, criando mais encargos e reduzindo interesse das empresas
pela contratação de trabalhadores. Isso fortalece, justamente,
o emprego informal". (Com agências)
Clique aqui e
conheça a integra do projeto. Conheça o parecer
técnico do DIAP sobre o decreto.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
02/03/2009
Membro da CIPA: mudança de endereço
de empresa não legitima demissão
A simples mudança de endereço
do estabelecimento em que trabalhava o empregado, e não sua extinção,
não é argumento para legitimar a demissão de membro
da CIPA, detentor de estabilidade provisória. Com este fundamento,
a Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1)
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou embargos da empresa Martins
Comércio e Serviços de Distribuição S/A contra
decisão da Sexta Turma.
O que motivou o empregado a acionar
a Justiça do Trabalho foi o fato de ter sido demitido quando detinha
estabilidade provisória por ser membro da CIPA – Comissão
Interna de Prevenção de Acidentes, eleito para o biênio
2003/2004. Contratado como ajudante de motorista em janeiro de 1997,
foi demitido em março de 2004, quando exercia a função
de operador. Pelo Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT, artigo 10, inciso II, alínea ‘a’), o empregado
não poderia ser demitido até agosto de 2005, o que foi
ressalvado pelo sindicato de classe, na época da homologação
da rescisão.
A Martins alegou como motivo
para despedi-lo a ‘extinção da empresa’. Mas
para o juiz da Terceira Vara do Trabalho de Osasco (SP), o que ocorreu
foi somente o fechamento dessa filial (onde o empregado prestou serviços),
com a abertura de outra filial em Guarulhos, o que não poderia
justificar a demissão. A empresa foi condenada ao pagamento dos
salários desde a dispensa até um ano após o término
do mandato. A condenação foi mantida pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (SP).
Insatisfeita, a Martins recorreu
ao TST defendendo a legalidade da dispensa do empregado devido à extinção
do estabelecimento. O recurso foi rejeitado. No julgamento dos embargos à SDI-1,
o relator, ministro Guilherme Caputo Bastos, observou que o item II da
Súmula nº 339 do TST apenas reconhece a validade da dispensa
do cipeiro quando extinto o estabelecimento, “situação
que não equivale à mera mudança de endereço
para outro município”. ( E-RR-2411/2004-383-02-00.2)
(Lourdes Côrtes, com colaboração
de Dirceu Arcoverde)
|
02/03/2009
Empregado queimado com soda cáustica
receberá indenização
A Têxtil Renaux, de Brusque
(SC), foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar indenização
por danos morais, estéticos e lucros cessantes a um auxiliar de
tinturaria de fios vítima de acidente de trabalho. O funcionário
adicionava produtos químicos em uma máquina quando uma
explosão o atingiu com soda cáustica, causando queimaduras
de primeiro, segundo e terceiro graus em sua cabeça, tórax,
membros superiores, vias aéreas e olhos.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC) condenou a empresa ao pagamento de danos
morais no valor de R$ 20.000,00, danos estéticos no valor de R$
80.000,00, e lucros cessantes no valor de R$ 50.000,00, por entender
que o funcionário não recebeu treinamento adequado para
a operação da máquina. As quantias foram estabelecidas
a partir dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade,
considerando as sequelas que o acidente deixou no trabalhador, sua idade
reduzida (o empregado tinha 19 anos), e a necessidade de realização
de cirurgias reparadoras.
A empresa recorreu ao Tribunal
Superior do Trabalho. O relator, ministro Ives Gandra Filho, negou provimento
ao recurso da empresa, afirmando que os direitos à vida, integridade
física, liberdade, igualdade, imagem e honra do trabalhador foram
violados. O ministro lembrou ainda que, de acordo com a perícia
médica, a cicatrização foi inadequada, “com
cicatrizes inestéticas que permanecerão para sempre, de
forma visível”, o que reduziu a sua capacidade de trabalho
e o impediu de continuar a exercer qualquer atividade até que
sejam realizadas cirurgias e tratamentos estéticos de longo prazo.
A Sétima Turma do TST seguiu por unanimidade o despacho do relator.
(A-RR 969/2005-010-12-00.5)
|