 |
Folha de S.Paulo, 5 de março
de 2009
Expansão do país
em 2008 favoreceu mais os homens
Estudo aponta que, em SP, cresceu a diferença
de rendimento em relação às mulheres | Segundo
Dieese/Seade, desemprego masculino teve queda maior (de 12,3%
para 10,7%) que o feminino (de 17,8% para 16,5%)
NATÁLIA PAIVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O crescimento econômico
em 2008 -alcançado antes da retração do último
trimestre- beneficiou mais os homens. De acordo com estudos do Dieese
e da Seade divulgados ontem, a queda na taxa de desemprego foi maior
entre eles (de 12,3% para 10,7%) do que entre elas (de 17,8% para 16,5%),
e a diferença entre as taxas chegou ao maior número em
20 anos. Aliado a isso, em 2008 cresceu ainda mais a diferença
entre os ganhos dos dois gêneros.
O rendimento médio real por hora das mulheres ocupadas apresentou variação
negativa de 0,9% em relação ao ano anterior -os R$ 5,76 por hora
passaram a equivaler a 76,4% do pago aos homens (R$ 7,53). Eles tiveram leve
aumento de ganhos (1%), o que ampliou ainda mais a discrepância.
Para a economista do Dieese Patrícia Lino, uma das responsáveis
pela pesquisa, o que justifica o aumento da diferença é o fato
de o crescimento econômico do ano passado ter sido puxado principalmente
pela indústria e pela construção civil, setores que empregam
mais mão-de-obra masculina.
" Então, o salário deles nesses setores puxou a média
dos rendimentos masculinos para cima. No caso da mulher, houve crescimento maior
no comércio e nos serviços, setores em que houve diminuição
de rendimento, que puxou sua média para baixo." No ano passado, o
crescimento da ocupação entre as mulheres (que, em geral, foi de
5,6%, ante 3,8% entre os homens) foi maior nos setores de serviços (7,6%)
e comércio (5,9%), em que a rotatividade é maior e os salários,
menores.
Neste ano, os ventos devem mudar. "Como em 2009 a gente imagina que a
desaceleração de comércio e serviços vai se dar
em menor proporção do que na indústria e na construção
civil, a mão-de-obra feminina deve ser favorecida", projeta o economista
Fábio Romão, da LCA. Romão vai ao encontro de estudo do
Ipea divulgado no mês passado, que indicou que em 2009 as mulheres devem
ser beneficiadas, por atuarem mais nos setores menos afetados.
Em 2008, a participação de mulheres no mercado de trabalho voltou
a crescer: atingiu 56,4%, ante 55,1% em 2007.
"Pobreza feminina"
Segundo o Dieese e a Seade, as mulheres sem marido e com filhos são
a ponta mais frágil do mercado de trabalho, apesar de terem participação
expressiva. Das famílias chefiadas por mulheres, 64,8% estiveram no
mercado de trabalho em 2008, mais de 1/4 como empregadas domésticas.
O estudo apontou que 62,5% dessas famílias estão entre os 50%
mais pobres.
A socióloga da Seade Márcia Guerra diz que essas famílias,
cujas mães têm inserção em postos de menor qualidade
e, muitas vezes, sem garantias trabalhistas, são as mais empobrecidas.
Mulheres sem marido e com filhos possuem a menor taxa de assalariamento (41,6%)
entre os quatro grupos analisados -casada e com filhos, casada e sem filhos
e sozinha- e o menor índice de emprego com carteira assinada (31,4%).
Quando, sem marido, Ana Cristina Carlos, 40, teve de sustentar a filha, recorreu
ao serviço doméstico -no qual se ocupa até hoje, 22 anos
depois. Ela está desempregada desde janeiro -quando se recusou a ter
carga horária aumentada e salário mantido em R$ 450, sem carteira
assinada. "É uma profissão que ninguém reconhece
e você se desgasta muito", diz.
|
InfoMoney, 5 de março
de 2009
Mulheres que moram sozinhas ganham
mais, aponta Dieese
Renda média de mulheres que vivem sozinhas é de
R$ 8,98/h; mulheres sem marido e com filhos ganham R$ 5,39
Mulheres sem filhos que moram
sozinhas podem ter rendimentos 60% superiores aos daquelas que têm
filhos, mas não contam com a ajuda de um companheiro para a manutenção
do lar, segundo revela a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) divulgada
pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socieconômicos) nesta quarta-feira (4), especialmente para o Dia
Internacional da Mulher.
Segundo o estudo, o rendimento
médio individual por hora das mulheres sozinhas é de R$
8,98, enquanto o daquelas que convivem com o cônjuge, mas não
têm filhos, é de R$ 6,91. Em seguida, estão as mulheres
com filhos e companheiros (R$ 5,89) e, em último lugar, aquelas
que possuem filhos, mas não contam com um parceiro (R$ 5,39).
Ainda segundo a pesquisa, a importância
da contribuição feminina na composição da
renda familiar total é de 31,8% nas famílias chamadas de
nucleares sem filhos, de 22,4% naquelas com filhos e de 58,6% nas famílias
sem cônjuge, mas com filhos, sendo que, neste caso, o restante
da renda vem dos filhos.
Salários
e ocupação
Em termos de salários brutos, os dados apurados mostram o seguinte:
as famílias que possuem mulheres como chefes e presença de filhos
apresentam, em média, renda familiar per capita de R$ 540, mostrando
que, provavelmente, essas mulheres tendem a se inserir em postos de trabalho
de menor qualidade, por conta de suas responsabilidades de provedoras únicas
da família.
Em situação não
muito melhor, encontram-se as famílias nucleares com filhos, cuja
renda familiar per capita foi estimada em R$ 655. Por outro lado, nas
famílias com ausência de filhos, portanto, menos extensas,
o rendimento familiar per capita tende a ser mais elevado, de aproximadamente
R$ 1.102, para casais sem filhos, e de R$ 1.154, para as mulheres que
moram sozinhas.
No caso destas últimas,
aponta o estudo, os resultados sugerem uma inserção mais
qualificada no mundo do trabalho, especialmente entre as mais jovens,
podendo expressar a postergação ou mesmo o abandono de
projetos de vida familiar em função de uma carreira profissional.
|
UMUARAMA ILUSTRADO, 05 de
março de 2009 | Geral
Estatística
Dieese afirma que reajuste do piso
regional vai fortalecer empresas
Curitiba/AEN
cidades@ilustrado.com.br
O economista do Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)
Cid Cordeiro afirmou, nesta quarta-feira (4), que o reajuste do piso
regional do Paraná em 14,9% não traz risco para as empresas. “Em
média, o salário de contratação no Paraná é de
1,35 salário mínimo, o que se aproxima do maior valor
da proposta, que é R$ 629,65. Por isso, os empresários
não terão dificuldades para pagar o novo piso regional”,
explicou.
Cordeiro disse ainda que as empresas serão beneficiadas porque haverá aumento
na produção. Ele afirmou que o reajuste aquece a economia, porque
promove aumento no poder aquisitivo e distribuição de renda,
o que aumenta o consumo e a produção. O economista acrescentou
que esse aumento de salário é direcionado para o consumo, porque
o perfil de quem ganha em torno de um salário mínimo é de
não poupar dinheiro.
Além disso, o reajuste do piso regional paranaense também influencia
na geração de empregos porque, se há aumento de produção,
as empresas precisam contratar mão-de-obra. “Quando o piso regional
foi instituído, em 2006, muitas pessoas falavam que ele ia gerar desemprego,
e o que vemos são recordes de novos postos de trabalho”, constatou.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
05 de fevereiro de 2009 | Economia
Brasil será o primeiro país
a sair da crise, diz Mantega
Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, num discurso otimista feito nesta quarta-feira
(4), afirmou que a economia brasileira foi a última a desacelerar seu
ritmo de crescimento na atual crise econômica mundial e será a
primeira a sair dela. Ao dar posse ao presidente do Conselho Administrativo
de Recursos Fiscais (Carf), Carlos Alberto Barreto, o ministro disse que o
Brasil tem o grande desafio de impedir que a crise "que bateu nas nossas
praias" aborte o ciclo de desenvolvimento econômico e social que
o País viveu nos últimos anos e reduza os empregos.
Mantega reiterou que o Brasil
tem conseguido se diferenciar, mas depende da ação do governo
para ser o primeiro país a sair da crise.
Sobre o Carf, colegiado que
julga recursos apresentados por contribuintes contra decisões
da Receita Federal, o ministro informou que a determinação é agilizar
a análise dos recursos. Segundo ele, o conselho, que foi reestruturado,
tem hoje um estoque de 56 mil processos aguardando julgamento, número
considerado muito elevado. O novo presidente quer reduzir a meta de 38
meses de análise para cada processo, em média, para seis
meses. Segundo Mantega, o conselho tem a missão de agilizar as
análises, com eficiência e imparcialidade.
A Medida Provisória
449, ainda em tramitação no Congresso, reestruturou o
antigo conselho de contribuintes, unificando as três câmaras
de recursos e a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Porém,
há resistências no Congresso em relação às
mudanças. O setor empresarial teme que haja menos independência
do conselho para analisar os recursos.
|
Blog Outro Lado da Notícia,
5 de março de 2009
Empresas brasileiras demitem por
precaução e não por crise, diz Ipea
" (...) o agravamento da
crise no Brasil parece ser a de que os agentes econômicos estão
atemorizados e, em consequência, tomam a decisão mais racional
do ponto de vista individual: reduzem de forma drástica suas despesas"
As empresas brasileiras estão
demitindo pelo temor de que a situação da economia se agrave
e não necessariamente por estar enfrentando dificuldades provocadas
pela crise financeira internacional, segundo análise do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A velocidade com que as indústrias
têm demitido funcionários e reduzido produção "não
parece ser totalmente explicada pelas dificuldades no mercado de crédito",
afirma o estudo.
"A explicação
mais plausível para o agravamento da crise no Brasil parece ser
a de que os agentes econômicos estão atemorizados e, em
consequência, tomam a decisão mais racional do ponto de
vista individual: reduzem de forma drástica suas despesas",
diz o Ipea.
"Por um lado, os empresários
arquivam projetos de investimento, reduzem custos e diminuem a produção
e, pelo outro, os trabalhadores, com o temor do desemprego, reduzem o
consumo para aumentar sua economia", acrescenta o documento.
Segundo o estudo, esse fenômeno
deixou em terreno muito negativo tanto o crescimento econômico
como o nível de emprego no primeiro trimestre do ano. O Brasil
perdeu apenas em dezembro e janeiro cerca de 755 mil empregos formais.
O Ipea afirmou que, em uma conjuntura
em que tanto empresas como trabalhadores reduzem suas despesas e comprometem
o crescimento futuro, a única alternativa é elevar os gastos
públicos.
O organismo sugere até mesmo
que o Banco Central reduza a taxa básica de juros de 12,75% por
ano para 7%, a fim de economizar recursos que poderiam ser destinados
a investimentos.
Segundo o Ipea, com taxas
de juros de 7% ao ano o Governo economizaria entre R$ 30 e R$ 43 bilhões
que atualmente se destinam ao pagamento de juros por sua dívida
pública.
|
The New York Times, 5 de março
de 2009
Nouriel Roubini: Recessão
em forma de V, de U ou de L?
O professor de economia na Universidade
de Nova York Nouriel Roubini, que era chamado de catastrofista, e hoje é celebrado
como o sábio que previu a crise, discute como será o recuo
da economia nos Estados Unidos. E adverte que "as coisas podem piorar",
adquirindo "um formato mais virulento, próximo da depressão
ou da estagdeflação". Confira o artigo A curva em
L, publicado no New York Times.*
No ano passado, o debate sobre
quanto tempo a recessão duraria era entre os partidários
do consenso de que ela seria em forma de V - apenas cerca de oito meses
de duração como aquelas de 1990-1991 e de 2001 - e aqueles
que, como eu, argumentaram que a recessão seria pelo menos três
vezes longa, 24 meses, e mais de três vezes mais profunda que as
duas anteriores.
Hoje, como entramos no 15º mês, é óbvio
que já estamos em uma dolorosa recessão em forma de U que
se tornou global e irá durar pelo menos até o final do
ano - 24 meses, a mais longa desde a Grande Depressão. Mesmo que
o produto interno bruto cresça em 2010, é provável
que não supere 1%. E a essa taxa, com a taxa de desemprego subindo
para 10%, continuaremos a estar, substancialmente, em uma recessão.
Mesmo que ações
de uma apropriada política agressiva sejam adotadas – estímulo
monetário e fiscal, faxina nos bancos e recuperação
do crédito, redução das dividas das famílias
com hipotecas insolventes – a taxa de crescimento não se
aproximará de 2% antes de 2011. Então, esta recessão
pode durar 36 meses.
E as coisas podem piorar.
Enfrentamos agora uma chance de um em três de, se políticas
adequadas não forem postas em prática, esta feia recessão
em forma de U pode se adquirir um formato mais virulento, um L – próximo
da depressão ou da estagdeflação (uma mortífera
combinação de estagnação econômica
e deflação dos preços), como o Japão experimentou
na década de 1990, depois que suas bolhas imobiliária
e bursátil estourarem.
|
Blog Outro Lado da Notícia,
5 de março de 2009
Juro a 7% no fim do ano geraria
economia de R$ 30 bi, diz Ipea
Como alternativa para minimizar
os efeitos da crise financeira mundial no Brasil mantendo os gastos do
Governo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou,
nesta quarta-feira (4), nota técnica apontando que uma redução
da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 12,75% para 7% nominais
ao ano até a última reunião do Comitê de Política
Monetária do Banco Central (Copom) de 2009 poderia produzir uma
economia fiscal de R$ 30 bilhões.
Para enfrentar as turbulências
econômicas, o Ipea indicou que o governo federal precisaria aliar
a derrubada dos juros com a ampliação dos gastos sociais
e dos projetos de investimento - fundamentais para garantir que empreendimentos
privados ocorram.
"A política ideal,
do ponto de vista fiscal, para o enfrentamento da crise é aquela
que combina redução da taxa de juro Selic, porque reduz
uma despesa que tem baixa capacidade de gerar renda e novos empregos,
com ampliação dos gastos sociais, na medida em que a velocidade
da crise exige a utilização de instrumento cujo efeito
seja rápido, e dos gastos de investimento, que melhoram as condições
para que novos investimentos privados ocorram", disse o diretor
da Diretoria de Estudos Macroeconômicos do Ipea, João Sicsú.
"(A Selic de 7%) não é algo
considerado despropositado para a realidade que estamos vivendo, já que
a taxa Selic média nesse cenário seria de aproximadamente
10% (ao ano). É uma taxa considerável, particularmente
para o momento de crise", afirmou.
Além do cenário
de redução dos juros, "a manutenção
ou ampliação dos gastos públicos deve ser rápida",
avalia Sicsú.
"(Os gastos públicos)
são remédios complementares de enfrentamento da crise",
destacou, lembrando que sua ampliação teria o papel de
estimular a demanda privada e reconstruir a base sobre a qual os empresários
formam suas expectativas.
O diretor do Ipea avalia que
a velocidade da queda de emprego e da atividade industrial não
pode ser explicada apenas pelos problemas no mercado de crédito,
e sim pela apreensão e receio dos empresários, que "engavetam
investimentos", e dos trabalhadores, que reduzem seu consumo por
precaução.
Sicsú observou que o cenário
de pessimismo está tão acirrado que os investimentos do
setor privado não aumentariam de patamar apenas com a queda da
taxa básica de juros.
"Tanto faz uma taxa de juros
de 12%, 11% ou 10% em termos de reação para a economia
privada, mas em termos fiscais isso faz toda a diferença possível.
Ouso dizer que os empresários não passariam a investir
de a taxa de juros caísse 3 pontos, porque a expectativa está muito
deteriorada", afirmou.
Em sua avaliação,
se a redução desejada - de 5,75 pontos percentuais - ocorresse
logo na próxima reunião do Copom, nos dias 10 e 11 de março,
por exemplo, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões.
Mesmo assim, a eventual
nova Selic de 7% ainda seria "demasiadamente alta para tempos
de crise" e corresponderia a patamar maior que as atuais taxas
básicas de juros de países como China, Austrália,
Coréia do Sul, Canadá, Reino Unido, Japão, Estados
Unidos e do bloco da União Européia.
|
Gazeta do Povo, 5 de março
de 2009
Pacote
Prestação da casa pode ser
de R$ 15
O governo vai subsidiar quase
integralmente a compra da casa própria para mutuários de
baixa renda. O programa habitacional, que será lançado
neste mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê prestações
mensais simbólicas, de R$ 15 a R$ 20, para famílias que
ganham até três salários mínimos (R$ 1.395)
por mês. Direcionado aos menos favorecidos, o plano tem um perfil
de “Bolsa Habitação”: a ideia do governo é conceder
um pacote de benefícios para baratear a construção
e estimular a compra da casa própria.
|
Folha de S.Paulo, 5 de março
de 2009
Centrais pressionam governo para
vincular IPI a emprego
CUT já mandou carta a Lula pedindo
que isenção do imposto tenha contrapartida social
| Força Sindical diz que vai negociar com o governo até o
fim do mês e que, sem resultado, proporá partir para
mobilização de rua
PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
As centrais sindicais já começaram
a pressionar o governo para que a prorrogação do IPI reduzido
ao setor automotivo seja condicionada à garantia de manutenção
de empregos por parte das montadoras.
Conforme a Folha antecipou na edição de ontem, o governo decidiu
estender a isenção fiscal até o fim de junho. Inicialmente,
o corte do IPI estava previsto para terminar no dia 31 de março.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) encaminhou ontem carta ao presidente
Lula e aos ministros Guido Mantega (Fazenda), Carlos Lupi (Trabalho), Miguel
Jorge (Desenvolvimento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência)
solicitando que a manutenção de empregos conste dos termos da
medida, que deve ser confirmada somente no fim deste mês.
" Não queremos que o mesmo erro seja cometido pela segunda vez",
disse o presidente da CUT, Artur Henrique. Para ele, o governo acertou ao conceder
a isenção do IPI, já que a medida propiciou o reaquecimento
do setor automotivo. Mas falhou ao não ter exigido uma contrapartida social
das empresas.
Artur Henrique se queixa do fato de o governo não consultar o movimento
sindical antes de definir ações para combater a crise. Ele diz
ter tomado conhecimento da prorrogação do corte do IPI pelo jornal. "O
governo montou uma comissão de gestão da crise só com
gente do empresariado. Os trabalhadores simplesmente não participam",
afirma.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho,
disse que vai procurar negociar com o governo até o fim do mês.
Ele diz ter conversado ontem com Lupi e Dulci a respeito do assunto.
" Vamos tentar até o final. Se percebermos que não vão
adotar [a cláusula de garantia de manutenção de emprego],
vamos para a rua", afirmou.
Segundo Artur Henrique, da CUT, a entidade não prevê uma mobilização
específica direcionada ao governo, que conta com vários ex-integrantes
da central. Ele diz, porém, que a CUT vai intensificar as ações
de paralisação nas fábricas se houver ameaça de
demissão.
Em fevereiro, as vendas de carros já superaram o nível do mesmo
mês de 2008. Foram vendidos 191.343 automóveis e comerciais leves,
volume 0,15% superior ao de um ano antes.
Porém, ainda há cortes de vagas. Na fábrica da GM de São
Caetano do Sul (SP), por exemplo, 210 funcionários perderam o emprego
desde a semana passada, segundo o sindicato local. Eles fazem parte de um grupo
de 1.633 trabalhadores temporários cujos contratos não foram
renovados.
Montadoras
O diretor de Assuntos Corporativos da Ford, Rogelio Golfarb, afirma que aguarda
um posicionamento oficial do governo em relação ao IPI. Procurada,
a Anfavea (associação das montadoras) não quis comentar
o assunto.
|
Folha de S.Paulo, 5 de março
de 2009
Planalto nega decisão sobre
prorrogação
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo federal deu duas negativas
diferentes ontem a respeito da prorrogação da isenção
do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) por mais três
meses sobre a venda de veículos, como revelou ontem a Folha.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, "o
governo não prorrogará a redução" do imposto.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não foi tão categórico. "Não
existe nenhuma decisão em relação ao IPI." De acordo
com Mantega, "a isenção vai até 31 de março". "Se
você quiser comprar seu carro, não perca a oportunidade."
Apesar das negativas, o governo decidiu prorrogar, do início de abril
ao final de junho, a isenção do IPI. A Folha apurou que o governo
pretende confirmar a medida apenas na última hora.
A razão é que a isenção tem caráter de "promoção
por tempo limitado". Se o consumidor souber que poderá comprar
um carro com isenção por mais três meses, poderá adiar
a compra, o que afetaria as vendas deste mês.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
05 de fevereiro de 2009 | Economia
Japão aprova distribuição
de dinheiro à população
Agência Estado
O parlamento do Japão aprovou nesta quarta-feira (4) uma legislação
necessária para seguir adiante com o plano controverso de conceder 2
trilhões de ienes (US$ 22 bilhões) à população
do país para combater a recessão e estimular o consumo. A distribuição
de dinheiro para os cidadãos faz parte do orçamento extra de
4,8 trilhões de ienes, que também inclui empréstimos para
desempregados e apoio financeiro para bancos com problemas.
Mais cedo, a Câmara Alta
do Japão, controlada pela oposição, havia rejeitado
a legislação necessária para o governo transferir
recursos da conta de investimentos para a conta geral, que permitiria
o esquema de distribuição. Mas a Câmara Baixa, onde
a coalizão governante tem maioria, usou seu poder constitucional
para aprovar a legislação, disseram autoridades do parlamento.
O primeiro-ministro do país,
Taro Aso, que enfrenta queda no apoio do público, acredita que
a distribuição de dinheiro vai ajudar a recuperar os gastos
dos consumidores na maior economia asiática, que sofre a primeira
recessão em sete anos. Mas pesquisas de opinião mostram
que os japoneses acreditam que os recursos - uma média de US$
120 por pessoa - seriam desperdício de dinheiro.
O plano de gastos é a
segunda rodada de financiamento suplementar para o ano fiscal até março,
depois de uma injeção inicial de 1,81 trilhão
de ienes. As informações são da Dow Jones.
|
FOLHA DE LONDRINA, 05 de
março de 2009 | Cidades
Câmara tem 100 projetos para
alterar Código Civil
Mudanças nas áreas de família,
direitos individuais e de consumidor estão entre as propostas
dos deputados
O novo Código Civil (Lei
nº10.406/02), conjunto de normas que regulam a vida e o funcionamento
da sociedade brasileira, completou seis anos em janeiro. Ele foi sancionado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 10 de janeiro
de 2002, em substituição ao que vigorava desde 1916, criado
com base nos códigos francês e alemão. Apesar da
pouca idade, o código já sofreu reformulações.
Atualmente, existem mais de 100 projetos em tramitação
na Câmara dos Deputados que pretendem alterá-lo.
Somente um dos deputados é autor
de seis projetos (504, 505, 506, 507, 508 e 2285, todos de 2007) de alteração
do código. Os temas incluem pensão alimentícia,
direitos sucessórios iguais para companheiros de união
estável, paternidade e solução de conflitos durante
a separação. Um dos mais polêmicos é o PL
1151/95, que disciplina a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Apresentada antes da elaboração do novo Código,
a proposta volta a ser debatida todos os anos.
Em 2008, a Câmara aprovou
modificações importantes no Código Civil, como a
guarda compartilhada dos filhos de pais separados (PL 6350/02); o uso
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quitar consórcio
de imóvel (PL 7161/06); cadastros e novas regras para a adoção
de crianças e adolescentes (PL 6222/05); e revisões periódicas
das interdições judiciais por doença ou deficiência
mental (PL 2439/07).
Segundo o diretor do Núcleo
de Práticas Jurídicas da Pontifícia Universidade
Católica (PUC) e vice-chefe do Departamento de Direito Privado
da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Adauto de Almeida Tomaszewski,
as alterações no Código Civil não são
uma situação nova, recordando que já na legislação
de 1916 foram propostas 204 modificações. ''O fato social
surge no seio da sociedade. Esta leva-o aos seus representantes por meio
do Legislativo e até a entrada em vigor é demorado. Muitos
assuntos acabam se desatualizando'', explica.
Tomaszewski ressalta que o Código
Civil de 2003 trouxe a realidade de 1970, visto que o projeto de alteração
deste foi apresentado em 1969. ''Mesmo quando o Fernando Henrique (Cardoso,
ex-presidente) deu a promulgação final do código
ficou definida a necessidade de atualização. Em 69 as alterações
no Código foram propostas conforme os interesses da época,
marcada por uma sociedade militarista, menos consumerista e industrializada,
cujos conceitos e preconceitos de direitos de famílias eram diferentes'',
afirma.
O professor avalia que o novo
Código Civil apresentou avanços em relação
ao anterior, principalmente no que se refere a ideia de despatrimonialização
do direito civil, e dos direitos da personalidade (nome, corpo, imagem
do indivíduo), sendo em grande medida reflexo dos princípios
da Constituição Federal no que tange a igualdade, a uma
sociedade mais justa e livre.
Entretanto, na opinião
de Tomaszewski, o novo código ainda apresenta algumas deficiências
como a falta de detalhamento sobre a união estável, ausência
de menção a adoção de crianças por
casais homossexuais e a sucessão homoafetiva. ''O novo Código
Civil possui apenas cinco artigos que tratam da união estável
e estão direcionados praticamente a um único aspecto -
patrimonial. E na verdade, sabemos que a família é mais
do que isso'', reflete.
Consorte
Entre as propostas apresentadas
para a organização familiar está o PL 1779/03, que
institui um novo tipo de estado civil: o ''convivente'', para quem participa
de uma união estável fora do casamento formal. E o PL 674/07
que estabelece o estado civil dos participantes de união civil
como ''consorte''.
''Esta proposta visa reconhecer
de forma mais ampla a noção de união estável
porque ela dá uma espécie de status. Creio que este estado
'convivente' traz um pequeno problema para o registro de imóveis.
Aparece lá: indivíduo é solteiro, proprietário
do bem tal. Ele pode vender este imóvel. Em princípio sim,
porque continua solteiro e não precisaria do consentimento do
outro cônjuge para vender o bem. Ele precisaria, de acordo com
as normas da corregedoria, informar se vive ou não uma união
estável. Porém, a pessoa não é obrigada a
dizer se vive ou não uma união estável porque isso é privativo'',
argumenta.
Na Câmara também
tramitam projetos de lei que afetam o consumidor, como o
PL 2876/08, que obriga as empresas
de transporte terrestre a restituir 60% do valor da passagem ao usuário
que não embarcar. Caso comprove que outra pessoa foi transportada
em seu lugar, o passageiro terá direito à restituição
do valor integral do bilhete.
Na avaliação de
Tomaszewski toda a matéria que já está sujeita a
legislação especial - no caso o Código de Defesa
do Consumidor - deve ficar adstrita a esta regulação. ''O
congressista sempre é um indivíduo que se elege com muitos
votos mas não quer dizer que seja alguém com boa percepção
da legislação, da sistemática civilista'', critica.
(Com informações da Agência Câmara)
Caroline Vicentini
Reportagem Local
|
Agência Câmara,
5 de março de 2009
Relator propõe inclusão
de 13º e descanso remunerado na CLT
O relator do Projeto de Lei
1987/07, que revisa e atualiza a Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT - Decreto Lei 5.452/43), deputado Arnaldo Jardim
(PPS-SP), apresentou nesta quarta-feira seu substitutivo e destacou
que o texto inclui na lei pontos como o 13º salário e o
repouso remunerado aos domingos e feriados.
Em reunião do Grupo de
Trabalho de Consolidação das Leis, Jardim explicou que
os benefícios estavam previstos em normas diferentes e agora passarão
a constar de um único texto. O relator avalia que a consolidação
vai dar mais transparência e garantir o respeito aos direitos dos
trabalhadores, além de permitir a eles conhecimento desses direitos
de uma forma mais rápida e clara.
"A minha esperança é que,
com isso sistematizado, possamos diminuir as demandas judiciais, porque
elas muitas vezes surgem e prosperam exatamente por zonas cinzentas ou
contradições que agora ficam buriladas neste texto",
ressaltou. Jardim também espera que, com a consolidação,
as demandas trabalhistas que chegarem ao Judiciário tenham muito
mais celeridade na sua análise.
Comissão
geral
Durante a reunião, o presidente do grupo de trabalho, deputado Cândido
Vaccarezza (PT-SP), que também é autor do projeto de atualização
da CLT, anunciou que vai solicitar ao presidente da Câmara, Michel Temer,
a constituição de uma comissão
geral para discutir o relatório no Plenário.
Ele explicou que a ideia é realizar
uma reunião aberta ainda neste mês ou em abril, com a participação
de deputados e representantes da sociedade. "É mais um debate
sobre a consolidação das leis do trabalho, área
em que o Brasil, infelizmente, está defasado. A CLT hoje não
incorpora uma série de leis que já foram aprovadas, e tem
uma parte revogada. Então, precisamos fazer uma nova consolidação",
afirmou.
Vaccarezza também anunciou
que vai deixar a presidência do grupo de trabalho por ter assumido
a liderança do PT.
|
Gazeta do Povo, 5 de março
de 2009
Imposto de renda
Receita estuda como devolver IR das férias
A Receita Federal confirmou que
estuda uma medida legal para devolver ao contribuinte o IR cobrado sobre
férias vendidas ao empregador nos últimos cinco anos. A
decisão de ressarcir o cidadão sem que ocorra o pedido
retroativo ocorre por orientação da Procuradoria Geral
da Fazenda.
Entendimento anterior da Receita
dava conta de que o contribuinte deveria entregar declaração
retificadora do IR dos últimos três anos (2006, 2007 e 2008)
para reaver o valor pago. Para o IR de 2004 e 2005 seria preciso entrar
na Justiça.
A explicação
para a criação de outro meio de ressarcimento é que,
ao fazer a retificadora, o cidadão iria diretamente para a malha
fina, o que aumentaria a demora do processo para até cinco anos.
A medida legal deve ser publicada em breve. O trabalhador que vendeu
parte das suas férias em 2008 irá receber o dinheiro
de volta quando entregar sua declaração neste ano – as
empresas já entregaram o comprovante de rendimentos a seus empregados
contando a isenção sobre a venda das férias.
|
G1, 04 de março de
2009 | Concursos e Emprego / Justiça
Justiça dá ganho de causa
a trabalhador que usou e-mail para provar hora extra
Valor estimado do processo é de R$
500 mil | Empresa entrou com recurso contra decisão e caso
seguirá na 2ª instância.
Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo
A Justiça do Trabalho
do Rio de Janeiro deu ganho de causa a um funcionário da Nokia
Siemens, no Rio, que usou e-mails para comprovar que fazia horas extras
e que o trabalho em excesso lhe trouxe problemas pessoais e de saúde.
A empresa já entrou com
recurso e o processo aguarda distribuição no Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª região.
A decisão foi do juiz
Gustavo Farah Corrêa, da 54ª Vara do Trabalho do Rio, e publicada
em dezembro do ano passado. A Justiça concedeu todos os direitos
trabalhistas referentes ao período de trabalho, indenização
por danos morais para o empregado e punição para a empresa
por tentativa de postergar o processo. A estimativa é de que o
valor final chegue a R$ 500 mil.
As principais provas do processo,
segundo a Justiça, foram e-mails trocados entre o empregado e
seus supervisores.
Versão do empregado
Carlos Henrique Ferreira da Costa,
36 anos, morador do Rio, trabalhou dois anos na Nokia, entre março
de 2007 e julho de 2007, como analista de negócios, de acordo
com o advogado dele, Theotonio Chermont de Britto. Na empresa, Costa
era responsável pelo controle de contas das operadoras de telefonia.
Conforme o advogado, durante
o período em que Costa trabalhou na empresa requisitou diversas
vezes, por e-mail, um auxiliar, em razão do grande volume de trabalho.
O funcionário teria inclusive enviado e-mails dizendo que o trabalho
em excesso estava causando problemas de saúde.
"Ele trabalhava não
só durante a semana, mas diante da alta carga de trabalho, à noite,
fins de semana e feriados. No fim de semana, tinha que levar a filha
pequena para o trabalho, porque não tinha com quem deixar. Certa
vez, teve que trabalhar com braço quebrado porque não tinha
ninguém para substituí-lo", disse Chermont de Britto.
O advogado diz que o contrato
de trabalho de Costa previa o pagamento de horas extras. "Ele chegou
a requerer aos supervisores que fossem pagas as horas extras que fazia." Segundo
ele, seu cliente trabalhou durante as férias em casa e na própria
empresa.
"Depois de dois anos trabalhando
nesse ritmo, se submetendo a uma série de irregularidades sem
que a empresa tomasse medidas para saná-las, ele não agüentou
mais e rescindiu indiretamente o contrato de trabalho", narrou o
advogado.
A rescisão indireta é prevista
na legislação trabalhista quando a empresa não cumpre
o contrato de trabalho. Nesse caso, o empregado pode requerer judicialmente
todos os direitos que receberia se fosse demitido sem justa causa, como
multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Uso de e-mails
O advogado afirma que quase todo foi fundamentado nos e-mails. "Eu já tinha
me utilizado de e-mails como prova complementar, mas nunca como prova principal
de quase todo o processo. Fora a prova testemunhal, que comprovou trabalho
fora de horário, o restante das provas foram e-mails e cartas."
O juiz federal do trabalho Gustavo
Farah Corrêa afirmou que a empresa não contestou o conteúdo
dos e-mails, mas sim o fato de eles serem usados como prova. "Os
e-mails hoje são uma prova de comunicação que as
pessoas usam toda hora. É de se estranhar que uma empresa como
a Nokia, que fabrica celular, não aceite esse mecanismo."
Segundo o juiz, os e-mails já são
aceitos pela Justiça há algum tempo, mesmo assim as pessoas
têm receito de usá-los como prova. "Se a empresa descobre
que o empregado usa o e-mail corporativo para fins libidinosos, como
pornografia, isso pode ser usado como prova para demissão por
justa causa. Da mesma forma o trabalhador também pode usar a ferramenta
para comprovar o que é feito em seu trabalho."
Outro lado
O G1 entrou em contato com a
Nokia Siemens, mas não obteve resposta.
Trecho da sentença proferida
pela Justiça do Trabalho

|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/03/2009
Empresa de segurança indenizará companheira
de vigilante assassinado em escola
A Justiça do Trabalho
condenou a empresa Back Serviços de Vigilância e Segurança
Ltda., de Chapecó (SC), a indenizar em R$ 28 mil o espólio
de um vigilante vítima de disparos de arma de fogo quando trabalhava
numa escola pública. A condenação, determinada pela
Justiça do Trabalho da 12ª Região (SC), foi mantida
pela Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou embargos da empresa.
O vigilante trabalhava no CAIC
do bairro São Pedro, quando foi morto no dia 29 de fevereiro por
volta das 15 horas, após uma discussão. Testemunhas dizem
que o vigia tomava chimarrão, e que após uma série
de desentendimentos, recebeu os disparos e morreu no local. Segundo os
relatos, ele e o agressor – um menor de idade – travaram
luta corporal, enquanto o vigia desesperadamente pedia que o largasse.
Em autodefesa, tentou sacar sua arma mas não conseguiu retirá-la
a tempo. O agressor, também armado, efetuou disparos contra o
trabalhador.
A companheira do vigilante ajuizou
a ação trabalhista em que pedia indenização
por danos morais em decorrência de acidente do trabalho e pensão
vitalícia. A empresa, na contestação, alegou que
até então não se sabia a autoria nem os motivos
do crime. Sustentou que o vigilante recebera treinamento adequado e que
não usava colete à prova de bala por “fugir à normalidade”,
pois nem mesmo os policiais usavam esse tipo de proteção,
e que a atividade da empresa não era de risco. Na fase de instrução
do processo, testemunhas revelaram que a criminalidade no bairro era
elevada, e que muitos jovens infratores entravam na escola para discutir
com alguém ou para praticar algum delito, e por isso a segurança
foi terceirizada.
A 1ª Vara do Trabalho de
Chapecó considerou amplamente comprovado o fato de a atividade
ser de risco, acarretando, assim, a culpa presumida do empregador. Descartou,
porém, a pensão vitalícia. O Tribunal Regional do
Trabalho da 12ª Região (SC), ao julgar recurso ordinário,
considerou o pedido improcedente e isentou a empresa da indenização,
mas a sentença foi restabelecida pela Oitava Turma do TST, no
exame do recurso de revista. A Back interpôs então embargos à SDI-1
insistindo na ausência de comprovação de sua culpa
no acontecido.
O relator, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, destacou que a Lei nº 8.213/1991, que dispõe sobre
a Previdência Social, considera como acidente de trabalho aquele
que “ocorre pelo exercício do trabalho a serviço
da empresa (...), provocando lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente
ou temporária, da capacidade para o trabalho”. Para o relator,
a alegação da empresa de não existir culpa presumida
pelo acidente não encontra respaldo na teoria do risco profissional,
que considera que o dever de indenizar decorre da própria atividade. “São
as hipóteses em que a atividade desenvolvida pelo empregado constitui-se
em risco acentuado ou excepcional pela natureza perigosa, de modo que
a responsabilidade incide automaticamente”, explicou. “No
caso, remanesce a responsabilidade objetiva em face do risco sobre o
qual o empregado realizou suas funções, pois adota-se a
teoria com o fim de preservar valores sociais e constitucionais fundamentais
para a relação jurídica”, concluiu. (E-RR-1538/2006-009-12-00.7)
(Carmem Feijó e Fernando Guimarães
de Freitas)
|
05/03/2009
SDI-2: intimação por via postal
não altera prazo legal de recurso
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou, por maioria de votos, agravo apresentado pela defesa da empresa
Infinity Empregos em Navios de Cruzeiros Ltda., que perdeu o prazo para
recorrer de decisão que a impediu de cobrar qualquer quantia de
candidatos interessados em vagas de emprego nas companhias marítimas
com as quais mantém relação.
A defesa da Infinity alegou que,
pelo fato de ter sede em São Paulo, seus advogados eram informados
por via postal dos atos processuais e decisões da Justiça
do Trabalho do Rio Grande do Sul nos processos em que é parte.
Segundo a defesa, o procedimento foi adotado tanto pela 3ª Vara
do Trabalho de Porto Alegre (RS) - onde foi iniciada a ação
civil pública ajuizada pelo Ministério Público do
Trabalho -, quanto pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região.
Por esse motivo, segundo a empresa, o prazo para apresentação
de recurso deveria ser contado da data constate do aviso de recebimento
(AR) emitido pela ECT, e não da data da publicação
da decisão no Diário de Justiça do Estado.
O argumento, entretanto, não
convenceu o relator do agravo, ministro Barros Levenhagen. Segundo ele,
o Código de Processo Civil (CPC, artigo 236) é claro ao
dispor que, no Distrito Federal e nas capitais dos Estados, consideram-se
feitas as intimações pela simples publicação
dos atos no órgão oficial. O privilégio processual
da intimação pessoal é prerrogativa apenas do Ministério
Público.
O ministro Levenhagen assinalou que a realização de posterior
intimação via postal não tem o efeito de dilatar o prazo
para recurso. “Diante da expressa disposição do CPC, à qual
está jungido o julgador, por tratar-se de preceito de ordem pública,
mostra-se irrelevante a circunstância de a intimação de
todos os atos processuais ter sido realizada também mediante avisos
de recebimento dirigidos ao advogado da empresa, domiciliado fora da jurisdição
do TRT da 4ª Região”, afirmou em seu voto.
O Ministério Público
do Trabalho do Rio Grande do Sul ajuizou ação civil pública
contra a Infinity e obteve antecipação de tutela para impedir
que a empresa cobrasse de candidatos interessados em trabalhar nas companhias
marítimas valores para participar de processo seletivo, palestras
informativas, preparação para entrevistas e custeio do
treinamento necessário ao desempenho das funções.
( A-ROMS 3248/2007-000-04-00.5)
(Virginia Pardal)
|
05/03/2009
SDI-1 confirma vínculo de emprego
entre professora de dança e academia
Uma professora que ministrava
aulas de dança conseguiu comprovar, por meio de testemunhas e
documentos, a relação de emprego com a DOM – Danças
Orientais e Místicas, de Belo Horizonte (MG). A Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho manteve a decisão da Quarta Turma do Tribunal e rejeitou
os embargos da empresa.
Sem ter sua carteira de trabalho
assinada, a professora trabalhou na academia de março de 1996
a agosto de 1997, quando foi dispensada sem receber aviso prévio
nem verbas rescisórias. Na inicial, informou que trabalhava de
segunda-feira a sexta-feira de 19h às 21h e aos sábados
de 8h às 12h. Para que o vínculo empregatício fosse
reconhecido, interpôs ação na 23ª Vara do Trabalho
de Belo Horizonte, mas seus pedidos foram julgados improcedentes.
Inconformada, a professora recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), mas a
Academia de Dança argumentou que ela tinha sua própria
escola de danças, situada no bairro Barro Preto, e jamais teve
qualquer vínculo empregatício, realizando trabalho autônomo.
Alegou, que, pelo contrário, a professora firmara contrato de
locação, em março de 1996 para utilizar uma de suas
salas, com o pagamento de aluguel de R$ 100, e anexou os recibos ao processo.
A professora contestou a documentação
e disse que os recibos foram adulterados, pois o contrato de locação
tinha sido assinado apenas em janeiro de 1998. Ex-alunos foram chamados
como testemunhas e confirmaram suas afirmações, dizendo
que pagavam suas mensalidades na secretaria da academia. Em depoimento,
a secretária do estabelecimento confirmou que todas as professoras
que ali ministravam aulas firmaram contrato de locação
nos mesmos moldes.
Diante dos depoimentos e das
provas documentais, o Regional reconheceu o vínculo empregatício,
fundamentando sua decisão ante a conclusão de que o trabalho
realizado pela professora era remunerado, pessoal e subordinado, com
horários de aulas previamente definidos, e ainda por fazer parte
da atividade-fim da empresa. A DOM foi então condenada ao pagamento
verbas pleiteadas e recorreu sucessivamente à Quarta Turma do
TST, com recurso de revista, e à SDI-1, com embargos. O relator
na SDI-1, ministro Brito Pereira, destacou que “o reconhecimento
da relação de emprego decorreu do exame da prova, cuja
revisão é vedada no TST”, de acordo com a Súmula
nº 126. ( E-RR 664940/2000.1)
(Lourdes Côrtes)
|