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Agência Diap, 6 de março
de 2009
Entidades denunciam ameaça da
reforma tributária ao trabalhador
A proposta de reforma tributária
(PEC 233/08), do Executivo, traz graves conseqüências às
políticas sociais no Brasil, ameaçando as fontes exclusivas
de financiamento às ações de saúde, assistência
social, educação e trabalho. A denúncia foi feita,
nesta quarta-feira (4), por 61 entidades representativas da sociedade
civil, das organizações populares, dos movimentos sociais
e dos sindicatos de trabalhadores, em documento entregue ao presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP).
O deputado Chico Lopes (PCdoB/CE)
disse, em pronunciamento no plenário da Câmara, que como
titular da Comissão de Reforma Tributária, já havia
denunciado a medida como "um total desrespeito com o trabalhador
brasileiro". Ele concorda com as entidades que manifestaram preocupação
com a retirada de recursos próprios da previdência social
para colocá-los no Orçamento Geral.
A reforma tributária,
proposta pelo Governo, já aprovado na Comissão Especial
da Câmara dos Deputados, retira recursos de benefícios e
programas sociais e serviços públicos, garantidos na Constituição
de 1988. "Desconstruída a capacidade de financiamento da
Seguridade Social, desmoronam a construção e a efetividade
de direitos declarados em várias partes do texto constitucional",
diz o texto.
Na prática, o projeto
prejudicará ainda mais a capacidade de atendimento do SUS (Sistema Único
de Saúde) e afetará diretamente a vida de 26 milhões
de aposentados e pensionistas do INSS e de cerca de 6 milhões
de trabalhadores que recebem o Seguro Desemprego. Também são
afetados os recursos das 11 milhões de famílias que participam
do "Bolsa Família".
Sem exclusividade
O modelo de Seguridade Social construído pela Constituição
de 1988 garante recursos exclusivos e vinculados para a Saúde, Previdência,
Assistência Social e Seguro Desemprego. "Esse foi um compromisso
social construído em 1988, para resgatar os princípios de equidade
e de justiça social, subjacentes à idéia de cidadania,
com proteção social aos mais pobres", destaca o documento.
Segundo as denúncias das
entidade signatárias do documento, "sob o manto da simplificação
tributária, (a reforma tributária) extingue as contribuições
sociais e incorpora esses recursos a impostos. Com isso, a Seguridade
Social perderia essas fontes vinculadas e de uso exclusivo, em troca
da receita de uma fração da arrecadação desses
novos impostos".
A avaliação deles é de
que "as políticas sociais passariam a disputar no bolo do
orçamento fiscal recursos com os governadores e prefeitos, Forças
Armadas e dos Poderes, enfrentando ainda forte pressão de setores
empresariais pelo aumento dos gastos com investimentos em infra-estrutura
ou por maior desoneração tributária".
Jugo
financeiro
As entidades também destacam que além disso, um terço
do orçamento fiscal é destinado ao pagamento de juros e amortização
da dívida, que não passa por qualquer auditoria. Sem as contribuições
sociais a prioridade de praticamente todos os gastos públicos fica nivelada,
alertando que não se pode submeter todas as políticas ao jugo
predominante dos interesses financeiros.
A Constituição
de 1988 criou o Orçamento da Seguridade Social que passou a ser
financiada principalmente com as contribuições sociais.
Essas contribuições possuem vantagens e garantias que não
estão presentes nos impostos.
Se aprovada a reforma,
a Seguridade vai ficar dependendo de recursos de impostos, perdendo
a possibilidade de rápida atenção às demandas.
Ao contrário das contribuições sociais, os impostos
somente podem ser criados ou majorados para o ano seguinte.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 06 de março de 2009 | Dinheiro
Produção industrial
se recupera e sobe 2,3% em janeiro ante dezembro, diz IBGE
JULIANA ENNES
colaboração para a Folha Online, no Rio
Puxada pela indústria automobilística, a produção
industrial brasileira registrou recuperação em janeiro na comparação
com dezembro do ano passado, com um crescimento de 2,3%, segundo dados divulgados
nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
--em dezembro, havia sido registrada queda de 12,4%. Trata-se da primeira alta
neste tipo de comparação após três meses de queda.
Na comparação com
janeiro do ano passado, no entanto, houve recuo de 17,2%, a maior queda
desde o início da série histórica, em janeiro de
1991. "Esse resultado evidencia o aprofundamento do ritmo de queda" em
janeiro, diz a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.
Na comparação com
janeiro do ano passado, houve redução da produção
em 26 das 27 atividades analisadas --a exceção foi o segmento
de outros equipamentos de transporte, com alta de 39,2%.
No acumulado dos 12 meses até janeiro,
a produção manteve a trajetória descendente: o avanço
no período foi de 1%, menor índice desde fevereiro de 2004
nessa comparação, quando foi registrada alta de apenas
0,2%.
Na comparação com
o mês imediatamente anterior, a pesquisa demonstra que houve avanço
na produção em 15 dos 27 ramos pesquisados em janeiro.
A principal influência veio da indústria automobilística,
cuja produção se recuperou e reverteu a tendência,
passando de uma queda de 39,7% para uma expansão de 40,8%.
Entre as categorias de uso, os
bens de consumo duráveis registraram avanço de 38,6%%.
A produção de bens de capital subiu 8,4% e a de bens intermediários
subiu 0,8%. A de bens de consumo semi e não-duráveis, no
entanto, caiu 0,6%, registrando recuo pelo quarto mês consecutivo.
Um primeiro sinal da recuperação
já havia sido divulgado nesta semana, pela Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) e pelo Ciesp (Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo). O INA, indicador
do nível de atividade da indústria paulista, continua fraco,
mas teve alta de 6,2% em janeiro contra dezembro do ano passado, já considerado
o ajuste sazonal. Nos dados sem ajuste, houve acréscimo de 0,9%.
Na comparação
com janeiro do ano passado, porém, o indicador apresentou perda
de 15,9%. Nos últimos 12 meses, segundo a Fiesp, a produção
industrial registra avanço de 2,2%.
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FOLHA DE LONDRINA, 06 de
março de 2009 | Economia
Mesmo mais instruídas, mulheres
ganham menos
Dados do Dieese apontam que, no Paraná elas
ocupam mais de 43% dos mercados formal e informal, a diferença
salarial é de 42%
Curitiba - As mulheres ocupam hoje 43,49% dos mercados formal e informal de
trabalho no Paraná, mas ainda ganham 42,57% a menos que os homens. O
salário médio da mulher no Estado é R$ 684,00 enquanto
dos homens chega a R$ 1.191,00, apesar de o grau de instrução
ser maior. Segundo dados divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e referentes a
2007, os homens com curso superior incompleto e completo têm participação
de 13,35% e as mulheres chegam a 27,62%. Neste patamar de instrução,
elas ganham, em média, R$ 1.922,99 e eles R$ 3.345,58, o que representa
uma diferença de 42,52%.
As mulheres de 29 a 49 anos têm
a maior participação no mercado de trabalho que atinge
quase 90%. Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam
que a maior parte das trabalhadoras, ou seja, 85,93% ganham até cinco
salários mínimos.
Um dado interessante é que
a participação das mulheres com carteira assinada, que
fazem parte do mercado formal, aumentou de 33,73% em 1991 para 41,87%
em 2007. Segundo o economista do Dieese, Sandro Silva, isso demonstra
o aumento da inserção da mulher no mercado para ajudar
a melhorar a renda familiar.
No entanto, com a maior participação
delas no mercado, a taxa de desemprego também é mais elevada
e, em 2007, atingiu 7,34% contra 4,25% dos homens. Silva disse que outros
fatores que determinaram o aumento da participação da mulher
foram o desemprego maior dos homens e a mudança de comportamento
cultural na sociedade.
O grande problema é que
elas ainda ocupam setores que possuem renda menor como os segmentos têxtil,
de alimentação, serviços, ensino e saúde.
Silva destacou ainda que a mulher está mais vulnerável à informalidade
porque ocupa setores nos quais é maior o número de trabalhadoras
sem carteira assinada como os empregos domésticos e na área
têxtil, com a presença de muitas costureiras, por exemplo.
Na população do
Paraná de 10,535 milhões de habitantes, as mulheres são
51,13% do total. Na População Economicamente Ativa (PEA),
que considera mercado formal, informal e quem está buscando emprego,
elas representam 44,30% do total.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2009
TRABALHO
OIT diz que crise vai afetar mais
as mulheres
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A crise global será mais
perversa para a mão-de-obra feminina, que representa 40% do total,
disse ontem a OIT (Organização Mundial do Trabalho). Segundo
o órgão, 22 milhões de mulheres devem perder o emprego
em 2009 -44% dos dispensados.
O órgão crê que a crise do emprego vai "piorar de
forma drástica" em 2009, para ambos os sexos. Mas, como a mão-de-obra
feminina tem maiores taxas de desemprego, salários mais baixos e menos
garantias, deve ser mais afetada.
O desemprego entre as mulheres deve chegar neste ano a 7,4%, ante 7% entre
os homens, diz a OIT. A taxa de subemprego deve ficar em até 54,7% para
elas e em 51,8% para eles.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de março de 2009 | Economia
Crédito imobiliário da
Caixa cresce 119% no 1º bimestre
Agência Estado
A Caixa Econômica Federal já liberou neste ano, até fevereiro,
R$ 4,2 bilhões para operações de financiamento habitacional,
um crescimento de 119% em relação às liberações
feitas no mesmo período do ano passado. O número de unidades
financiadas chegou a 94,68 mil, o que indica um aumento de 130% na mesma base
de comparação. Os números são recorde da instituição
financeira para o período. A Caixa pretende chegar ao final do ano com
R$ 27 bilhões em financiamentos nessa área.
Em janeiro e fevereiro, os empréstimos com recursos das cadernetas de
poupança, dentro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
(SBPE), totalizaram R$ 2,4 bilhões, o equivalente a 57% do volume contratado
até o dia 28 de fevereiro. Ao todo foram 54,75 mil unidades financiadas
nessa modalidade. Já o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), R$ 1,7 bilhão, serviu para o financiamento de 35,96 mil imóveis.
A média diária
de contratação nacional ficou em R$ 108 milhões,
para 2,39 mil contratos. Em igual período de 2008, a média
diária desses negócios foi de R$ 49,4 milhões e
1,039 mil contratos.
O Estado de São
Paulo lidera o volume de contratações. No primeiro bimestre
a liberação foi de R$ 1,2 bilhão, o equivalente
a 28,6% do total liberado. O valor representa um avanço de 210%
sobre o mesmo período do ano passado. Os imóveis financiados
somara 28,239 mil unidades no Estado.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de março de 2009 | Economia
Admissões podem superar demissões
este mês, diz Mantega
Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira (5) que há sinais
de melhora na economia brasileira. "São sinais incipientes e em
comparação com o final do ano. Isso não significa que
a crise acabou", disse ele ao mencionar entre esses sinais a melhora nos
preços das commodities (matérias-primas), a recuperação
da bolsa de valores, o fluxo cambial positivo, as vendas no setor automotivo
e o aumento no índice de confiança, além de uma desaceleração
no ritmo de demissões captadas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), do Ministério do Trabalho. "Em janeiro, as contratações
já aumentaram. O importante é que estão havendo contratações.
Talvez em março as admissões superem as demissões."
Mantega afirmou que, apesar
da melhora, o Brasil ainda tem problemas a equacionar em decorrência
da crise, entre eles a falta de crédito que ainda persiste,
sobretudo para pequenas e médias empresas, a necessidade de
baixar os juros e os spreads bancários e também a necessidade
de se reverter a retração no comércio, sobretudo
com os países do Mercosul. "Temos que criar um mecanismo
de financiamento para que os países (Argentina, Uruguai, Paraguai
etc) continuem comprando nossos produtos", afirmou Mantega, destacando
que esses países, especialmente Argentina, têm uma participação
importante no comércio exterior brasileiro.
O ministro mais uma vez afirmou
que o Brasil está mais preparado para enfrentar essa crise e
fez algumas provocações à resistência dos
Estados Unidos em estatizar bancos e também às projeções
mais pessimistas dos economistas. No primeiro caso, Mantega disse que
os bancos públicos brasileiros são um exemplo de que
não há problema em se ter bancos estatais e eles podem,
inclusive, ajudar no enfrentamento da crise. No caso dos economistas,
o ministro tinha acabado de mencionar a expectativa de queda de 1,9%
na economia mundial deste ano ao dizer que, no passado, os economistas
costumavam fazer três cenários: bom, regular e ruim. "Hoje,
os cenários feitos são ruim, péssimo e catastrófico."
Política fiscal
O ministro da Fazenda afirmou
hoje que o governo brasileiro vai continuar praticando uma política
fiscal "séria e equilibrada" e cortar gastos correntes
para poder compensar a queda nas receitas derivada da crise econômica.
Ele afirmou que, com o acúmulo
de solidez fiscal nos últimos anos, o governo pode adotar nesta
crise uma política fiscal anticíclica. Ele lembrou que,
no passado, quando a economia brasileira tinha condições
mais frágeis, em períodos de crise o governo tinha que
subir os juros para conter a saída de capitais e era forçado,
por isso, a realizar uma política fiscal contracionista, que
gerava aumento no desemprego e menor crescimento econômico.
"Antes a política
econômica agravava a crise. Hoje, nós podemos fazer política
monetária expansionista e política fiscal também
expansionista, com desoneração tributária e ampliação
dos investimentos públicos", afirmou.
Juros
A menos de uma semana da reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom), o ministro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel
Jorge, disse hoje que "há um consenso nacional" de
que haverá nova redução das taxas de juros. Miguel
Jorge não quis fazer prognósticos, mas reiterou que espera
que as taxas caiam.
Ao deixar o seminário
promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
(CDES), do qual também participou Mantega, Miguel Jorge disse
que as indicações que o governo tem sobre a atividade
econômica "são boas". "As indicações
que nós temos é que começa um movimento. Ainda
não se pode dizer que estamos saindo da crise, mas as indicações
são boas, de varejo, linha branca, venda de alimentos",
disse.
Questionado se as medidas
já adotadas pelo governo para reduzir o impacto da crise são
suficientes, Miguel Jorge disse que "por enquanto são
as medidas que podemos tomar". Segundo ele, o crédito
já voltou a patamares importantes. "Já voltou
ao mesmo padrão do ano passado, embora concentrado nas grandes
empresas que voltaram para o mercado interno", avaliou. A uma
pergunta sobre se haveria espaço para mais incentivo, Miguel
Jorge disse que "o governo tem outras ferramentas que não
são só a de redução de impostos".
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de março de 2009 | Economia
Lula cobra atuação mais
ativa para conter a crise
Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (5)
que os presidentes do outros países ajam de forma de mais ativa para
conter os reflexos da crise internacional. Para ele, é fundamental que
o Estado assuma a liderança no gerenciamento econômico.
"Estou convencido de que
a saída para esta crise que estamos vivendo acontecerá se
os governantes do mundo assumirem seu papel", disse. "A decisão
que temos que tomar daqui para frente é saber se o Estado voltará a
gerenciar a economia, mas com boas políticas que devem ser colocadas
em prática no mundo inteiro", completou.
Lula falou durante o Seminário
Internacional sobre Desenvolvimento, do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES), que ocorre até esta sexta-feira
(6) na capital federal.
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Congresso em Foco, 6 de março
de 2009
Habitação
Governo do estado propõe
construção de 200 mil casas
Cohapar tenta incluir projeto no plano nacional
que prevê subsídios para moradias populares
O governo estadual apresentará na
próxima semana à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
um projeto para a construção de 200 mil casas populares
com os recursos do pacote habitacional do governo federal – que
pretende construir 1 milhão de residências até o
fim de 2010 e deve ser anunciado em duas semanas.
De acordo com Rafael Greca, presidente
da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), seriam
construídas 100 mil residências até o fim de 2009
e o restante no próximo ano. Seriam necessários R$ 4,4
bilhões para construir casas de 40 metros quadrados que custam
R$ 22 mil cada uma.
O governo estadual apresentará o
projeto apostando que o Planalto fará contratos apenas com as
companhias de habitação estaduais. “De 2003 a 2008
a Cohapar entregou 23 mil casas no Paraná. Se os recursos do pacote
forem transferidos para o estado, temos capacidade para produzir as casas
no prazo estimado”, garante Greca.
Contrapartida
O governo federal espera, em
contrapartida, o apoio dos estados e municípios para desonerar
a construção civil – pedido feito em uma reunião
com governadores na terça-feira. A intenção é reduzir
o ICMS, imposto estadual, que incide sobre os materiais de construção,
e tributos municipais, como ITBI. “Este é um pedido antigo
do setor que precisa ser atendido”, diz o presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR),
Hamilton Franck. De acordo com a entidade, os impostos federais representam
7% do custo do imóvel, enquanto os estaduais e municipais respondem
por até 17%.
O governo federal estuda zerar
o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os materiais de
construção, mas o ICMS depende do acerto com os governadores.
No caso do Paraná, o governador Roberto Requião afirmou
durante a reunião com a ministra que todas as desonerações
possíveis já foram realizadas. Segundo Greca os materiais
utilizados pela Cohapar são livres do imposto.
O governo federal deve começar
a negociar com os municípios na próxima semana, mas de
acordo com José do Carmo Garcia, presidente da Associação
Brasileira de Municípios (ABM) os prefeitos estão dispostos
diminuir tributos municipais, desde que haja garantia de que as cidades
menores não serão negligenciadas.
Principais
medidas
O principal ponto do pacote da habitação é a concessão
de subsídios para quem ganha entre um e 10 salários mínimos.
Famílias com renda de até três salários (R$ 1395)
pagarão parcelas entre R$ 15 e R$ 20. Ainda não há definição
de valores para as outras faixas de renda.
Seguro
Com o objetivo de reduzir o valor
final das prestações, o governo vai bancar o seguro contra
morte, invalidez e danos ao imóvel nos financiamentos para os
trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos
(R$ 2.325). Estima-se que, sem o seguro, a prestação caia
até 4%. A taxa também será reduzida para as famílias
com renda acima deste teto. O seguro varia conforme a idade do mutuário
e hoje representa até 40% do valor do imóvel.
Fundo Garantidor
Um fundo garantidor será formado
com recursos da União e garantirá o pagamento das prestações
em caso de inadimplência por desemprego. Os mutuários com
renda de até cinco salários mínimos e que têm
um financiamento de 20 anos poderão ficar até 36 meses
pagando uma fração de 5% das prestações – desde
que já tenham pago seis parcelas. Famílias com renda entre
cinco e oito salários terão garantia de pagamento de 24
prestações e de oito a 10 salários serão
garantidos um ano de prestações. O valor não pago
será acrescido no fim do contrato.
FGTS
O valor do imóvel que
poderá ser financiado com recursos do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) passará dos atuais R$ 350 mil para R$
500 mil ou até R$ 600 mil.
Desoneração
Este é um antigo pedido
dos empresários do setor. A pretensão do governo é zerar
o IPI e o ICMS dos materiais de construção, além
de rever valores do ITBI e do ISS. A medida depende de acordos entre
governo federal, estados e municípios e do desempenho da arrecadação
federal. É provável que o governo aguarde a divulgação
do desempenho do mês passado antes de definir este ponto.
Início do pagamento
O mutuário começará a
pagar as prestações do financiamento depois que pegar
as chaves do imóvel, evitando o pagamento de aluguel e prestação
ao mesmo tempo. Além disso, as famílias que ganham até 10
salários mínimos não precisarão desembolsar
dinheiro para dar entrada.
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Gazeta do Povo, 6 de março
de 2009
Habitação
Indústria pede pacote para o longo
prazo
O setor da construção civil vem reclamando da demora na definição
do pacote habitacional e já contesta alguns pontos, como os subsídios
de quase 100% para as famílias de baixa renda e a duração
do plano.
De acordo com o governo, famílias
com renda de até três salários mínimos (R$
1.395) pagarão parcelas entre R$ 15 e R$ 20. “Isso criará uma
indústria assistencialista e sabemos que o governo não
tem controle sobre este tipo de benefício”, declara Hamilton
Franck, presidente do Sinduscon-PR.
Para Ramiro Gonçalez,
engenheiro de produção e professor de gestão de
empreendimentos imobiliários da Universidade Positivo, o governo
precisa aprovar o pacote rapidamente para que o programa tenha o efeito
esperado de minimizar o impacto da crise econômica. “Por
enquanto o mercado imobiliário não foi afetado, mas ainda
temos reflexos dos bons momentos antes da explosão da crise”,
diz.
Para o presidente da Associação
de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR),
Gustavo Selig, o mais importante é que o pacote habitacional não
seja apenas “para apagar o incêndio da crise” mas se
mostre completo e eficiente para os próximos governos.
“Um milhão de casas
não se faz com um pacote, mas com um programa longo e planejado”,
afirma o presidente do Sinduscon. “Nenhuma empresa vai se mobilizar
se não vislumbrar continuidade”, garante.
Outro ponto questionado pelos
dirigentes do Sinduscon e da Ademi é a estrutura para financiamento
de imóveis. Segundo Franck, mesmo que sejam construídas
500 mil residências até o fim do ano, nem todas poderão
ser vendidas. “A Caixa Econômica Federal consegue atender
250 mil unidades por ano”, diz.
Apesar das contestações,
entidades e analistas reconhecem que, sem o pacote, o setor sentirá rapidamente
os efeitos da crise. “O investimento será perto de R$
100 bilhões e a crianção de emprego e geração
de renda é inquestionável. Estima-se pelo menos 750 mil
empregos”, afirma o economista da Go4 consultoria, Marcelo Salmaso.
(DN)
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2009
Mutuário deve ter prestações "simbólicas"
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No pacote habitacional que está sendo
elaborado pelo governo, todos os mutuários terão que desembolsar
uma quantia mensalmente para adquirir os imóveis. Isso inclui
até mesmo as famílias de baixíssima renda que hoje
são atendidas em programas com dinheiro do Orçamento da
União a fundo perdido, como o FNHIS (Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social).
Segundo a Folha apurou, a decisão é ampliar uma determinação
que já estava prevista para ser implementada neste ano na parcela do
FNHIS direcionada a cooperativas e movimentos sociais. O valor mensal só será desembolsado
quando o trabalhador ocupar o imóvel, e o pagamento, nos casos das famílias
mais carentes, será "irrisório".
A demanda partiu dos próprios movimentos sociais, que afirmam que, ao
pagarem uma quantia, mesmo que pequena, as famílias sentem o prazer
de ter conquistado um bem com o seu trabalho.
A ideia do governo é que esses recursos que serão desembolsados
recomponham, ao menos em parte, os fundos criados pelos Estados e pelos municípios
para poderem se habilitar e ter acesso aos recursos do FNHIS a partir deste
ano.
O valor de cada parcela a ser desembolsada irá variar não apenas
de acordo com a renda das pessoas mas também com as condições
de lançamento dos projetos.
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FOLHA DE LONDRINA, 06 de
março de 2009 | Política
Senado detalha verba indenizatória
na internet
''Nós colocaremos todas as informações
necessárias para dar maior transparência possível'',
afirma o presidente do Senado José Sarney decide divulgar
o que os 81 senadores fazem com os R$ 15 mil que recebem mensalmente
para suas despesas
Rio - Desgastado pela crise
que envolveu o ex-diretor Agaciel Maia, o Senado resolveu, com atraso
em relação à Câmara dos Deputados, colocar
na internet os gastos detalhados dos 81 senadores com a verba indenizatória.
Mensalmente, eles têm direito a R$ 15 mil para gastos administrativos
em seus estados, nos quais se incluem despesas com combustíveis,
gráfica e hospedagem. A decisão foi tomada ontem durante
reunião da Mesa Diretora e comunicada pelo presidente da Casa,
senador José Sarney (PMDB-AP).
A decisão da divulgação
detalhada dos gastos no Senado ocorreu à reboque da Câmara,
que decidiu dar transparência depois que o deputado Edmar Moreira
(sem partido-MG) teve de renunciar ao cargo de corregedor por suspeita
de uso irregular da verba indenizatória. O impacto negativo do
caso Agaciel - forçado a pedir demissão depois da revelação
de que possui uma casa de R$ 5 milhões não registrada em
seu nome - precipitou a decisão.
Segundo Sarney, a exemplo da
Câmara, a divulgação no Senado vai incluir os dados
do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) das empresas mencionadas
pelos senadores nas notas fiscais apresentadas para justificar o uso
da verba indenizatória. Valores das despesas executadas pelos
parlamentares e o número da nota fiscal também deverão
constar na prestação de contas, disse o presidente.
''Nós colocaremos todas
as informações necessárias para dar maior transparência
possível'', afirmou Sarney.
A divulgação dos
gastos com a verba indenizatória, porém, não será retroativa,
disse ele. Assim, como na Câmara. Ou seja, eventuais irregularidades
no uso da verba permanecerão em sigilo. ''Do passado não
temos condições de fazer. Eu não posso censurar
aqueles que me antecederam'', justificou o presidente da Casa. Em abril,
estarão disponíveis os gastos realizados pelos senadores
em março.
Atualmente, o Senado divulga
na internet os valores mensais gastos por cada um dos 81 senadores com
a verba, mas sem detalhamento.
Sarney avisou que vai conversar
com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), sobre
a proposta de incorporar o valor da verba indenizatória aos salários
dos congressistas. O objetivo é coibir abusos na sua utilização.
''Eu acho que nós devemos encontrar uma maneira de extinguir,
mas isso depende de uma ação conjunta entre Câmara
e Senado. É necessário uma articulação política
para isso'', observou.
De olho na crise financeira mundial,
Sarney voltou a falar em cortes administrativos no Senado. Ele reiterou
ter contratado um estudo da Fundação Getúlio Vargas
(FGV) para apontar em quais áreas podem ser reduzidas as despesas
na Casa. No mês passado, o peemedebista determinou corte de 10%
no orçamento, custeio e investimento. ''Eu acho que tem gordura
bastante no serviço público, e aqui também. Vamos
fazer o que for necessário para cortes. O estudo vai ser técnico
e vai determinar o melhor número para cortarmos os serviços'',
explicou.
Ana Paula Scinocca
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de março de 2009 | Política
Comissão da AL aprova PEC de
incentivo ao emprego
Elizabete Castro
A Comissão Especial de Reforma da Constituição da Assembleia
Legislativa aprovou ontem, 5, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que
vincula a concessão de incentivos fiscais para empresas à manutenção
e ampliação dos empregos.
Agora, a PEC segue para
votação em plenário. A comissão, formada
por seis deputados, reuniu-se ontem, quando não houve sessão
plenária. O líder do governo, deputado Luiz Claudio Romanelli
(PMDB), pediu a inclusão da proposta na pauta de votação
da Assembleia da próxima semana. São necessários
três quintos dos votos 33 deputados para aprovar a emenda, apresentada
por um grupo de deputados do PMDB.
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Agência Diap, 6 de março
de 2009
FGTS-Petrobras rendeu 7%, aplicação
liderou ganhos em fevereiro
Os fundos FGTS-Petrobras foram
a melhor aplicação de fevereiro: eles renderam 7,31%, acompanhando
a alta das ações ordinárias (ON, com direito a voto)
da estatal no período. Os dados são da Associação
Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), que por causa do Carnaval,
só nesta quarta-feira (4) consolidou os dados do mês. O
pior desempenho foi dos fundos FGTS-Vale, que tiveram perda de 5,06%
em fevereiro.
Na segunda colocação
no ranking dos mais rentáveis aparecem os fundos setoriais que
aplicam em ações de empresas de telecomunicações,
com rentabilidade acumulada de 4,91%, e de energia, com ganho de 4,77%
no mês.
Os fundos cambiais, que acompanham
a variação do dólar, renderam 2,87%, e os fundos
multimercados (que aplicam em diferentes modalidades do mercado financeiro)
proporcionaram ganho de 2,29%.
Quase na lanterninha das aplicações
financeiras ficaram os investimentos mais conservadores. Os fundos de
renda fixa, que apostam na queda dos juros, tiveram ganho de 0,91% no
mês. E os DI, que aplicam em títulos públicos que
acompanham a taxa básica de juros (Selic, em 12,75% ao ano), renderam
0,87%.
O FGTS-Petrobras é mais
que o dobro dos rendimentos do FGTS, cuja atualização
anual é de 3%, mais TR (Taxa Referencial).
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2009
Receita criará programa de
IR sobre férias
Contribuintes terão restituição
de valores cobrados, desde 2004, sobre férias vendidas |
Nesta declaração só será possível
recuperar o valor descontado em 2008; para 2004/7, será preciso
esperar o programa ficar pronto
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Receita Federal vai devolver
o Imposto de Renda retido na fonte dos empregados que venderam dez dias
de férias desde 2004 e sofreram indevidamente o desconto do tributo.
Mas o fisco orienta os contribuintes que esperem as normas que serão
editadas para facilitar a restituição.
Segundo o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, a equipe técnica
da Receita ainda está discutindo uma forma de fazer a devolução
de forma mais ágil. Os técnicos da área de tecnologia
trabalham em um programa para fazer a devolução sem burocracia.
Adir alerta de que, enquanto esse programa não estiver pronto, os contribuintes
só conseguirão pedir a restituição do IR cobrado
sobre as férias vendidas em 2008, quando preencherem a declaração
de ajuste do IR deste ano.
Os contribuintes que venderam férias nos últimos cinco anos,
exceto o ano passado, terão de esperar o novo programa ficar pronto.
Isso porque a Receita não está aceitando apenas a retificação
das declarações do IR de anos anteriores, como havia informado.
Em janeiro, um parecer interno da Receita acatou uma decisão do Ministério
da Fazenda de que a venda de férias não estava sujeita à cobrança
do IR. A decisão era retroativa a 2006, mas os contribuintes que quiserem
a devolução retroativa a cinco anos, como é a regra geral
da Receita, deveriam entrar na Justiça.
Na semana passada, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional soltou novo parecer
com o aviso de que a União não vai mais discutir esse caso na
Justiça. Assim, quem pedir a restituição retroativa a
cinco anos terá o pedido atendido.
O problema é que a Receita percebeu que não era possível
fazer a retificação nas declarações anteriores.
Por isso, editará uma instrução normativa quando a tecnologia
para permitir a restituição estiver pronta. A instrução
deve sair "nos próximos dias", segundo Adir.
Despesa com dependentes
Quem já estiver fazendo a declaração do IR deste ano notará uma
novidade quando for informar alguma despesa médica no modelo completo.
A partir deste ano, o programa na internet pede que o contribuinte indique
para qual dependente (ou se para ele mesmo) foi gasto o dinheiro.
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2009
INSS
Segurado saberá tempo de contribuição
na caixa
Os segurados do INSS poderão,
a partir de 1º de maio, conseguir o extrato do tempo de contribuição
para a Previdência Social na Caixa Econômica Federal ou no
Banco do Brasil, utilizando o cartão de cliente ou o Cartão
Cidadão, que serve para conferir o saldo do FGTS.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/03/2009
Advogado não terá de
devolver honorários em ação rescindida
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
assegurou a um advogado os honorários advocatícios recebidos
de um cliente, ameaçados de penhora por decisão da 3ª Vara
do Trabalho de Vitória (ES), caso não fossem devolvidos.
A penhora seria por meio do sistema BACEN-JUD, que permite ao juiz bloquear
recursos de conta bancária para pagamento de condenação.
A questão teve início
quando um ex-operador de equipamentos da Companhia Siderúrgica
de Tubarão – CST contratou o advogado para defender a sua
causa. Pretendia receber verbas que alegava não ter recebido,
como a concessão de quinquênios e diferenças salariais
dos chamados planos econômicos Bresser e Collor. Sua demissão
ocorreu em 1993, depois de nove anos de trabalho na empresa.
Condenada parcialmente pelas
verbas reclamadas pelo empregado, a companhia, após o trânsito
em julgado, entrou com ação rescisória e conseguiu
a devolução dos valores a que fora condenada. O empregado,
por sua vez, já havia pago o valor contratado com o advogado.
O juiz da execução determinou então que também
o advogado devolvesse os honorários recebidos, porque foram retirados
dos valores pagos ao empregado, sob pena da penhora.
Diante do iminente prejuízo
que a decisão lhe causaria, o advogado ingressou com mandado de
segurança, e obteve êxito no julgamento do recurso ordinário
pela SDI-2. O relator do processo na SDI-2, ministro Barros Levenhagen,
esclareceu que, “embora a princípio se devesse prestigiar
o agravo de petição em detrimento do mandado de segurança”,
como estabelece a Orientação Jurisprudencial nº 92
da SDI, o recurso foi admitido, em caráter excepcional, porque
o seu indeferimento prejudicaria iminentemente o advogado.
O relator verificou ainda que
a verba paga ao advogado não se referia “a honorários
sucumbenciais [em que a parte perdedora é obrigada a arcar com
os honorários da parte vencedora], e sim contratuais”. Explicou
que os honorários da sucumbência deferidos na primeira instância,
e que estavam sido reclamados pela empresa, já haviam sido excluídos
da condenação pelo Tribunal Regional e nem chegou a ser
julgado no recurso no TST, “por falta de interesse recursal”.
A parte legítima para
responder pela devolução é o empregado e nunca o
advogado, esclareceu o relator ao expor seu voto na SDI-2, porque o serviço
foi prestado. “Se, afinal, foi julgada procedente a ação
rescisória, o advogado não tem nada a ver com isso; ele
recebeu em razão do contrato firmado com o cliente”.
Por unanimidade, a seção
seguiu o voto do relator e concedeu a segurança para cassar a
ordem de devolução, “preservando-se assim o direito
líquido e certo do advogado à manutenção
da importância legalmente recebida a título de honorários
contratuais”. (ROMS-178-2006-000-17-00.1)
(Mário Correia)
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06/03/2009
JT reconhece validade de acordo firmado
em comissão de conciliação prévia
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em processo relatado pela ministra Dora Maria da Costa,
manteve decisão que considerou válido e sem vícios
o acordo firmado por um ex-empregado do restaurante México Grill
Ltda., do Rio de Janeiro, com seu empregador perante comissão
de conciliação prévia. Após fazer a conciliação
no Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista
(Ninter) e receber as verbas conciliadas, o trabalhador ingressou na
Justiça do Trabalho pleiteando a nulidade total do acordo ou sua
eficácia restrita às “verbas irrisórias” que
recebeu (R$ 3 mil divididos em duas parcelas).
Na ação em que
pediu o pagamento de horas extras e reflexos nas verbas trabalhistas
de valores que recebeu “por fora”, a defesa do trabalhador
qualificou-o como “pessoa leiga”, portanto, sem noção
dos efeitos jurídicos do ato que praticou. Além disso,
ele teria sido orientado pela empresa a procurar o Ninter, e só aceitou
o acordo porque precisava de dinheiro. A empresa contestou a versão,
afirmando que foi o trabalhador quem, “de livre e espontânea
vontade”, procurou seu sindicato para fazer sua demanda, e foi
devidamente assistido por advogado, tanto na formulação
da inicial quanto na audiência no Ninter.
Em primeira instância,
o acordo foi declarado nulo, embora o juiz tenha determinado que a verba
recebida fosse deduzida de posterior condenação. O Tribunal
Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), no entanto,
acolhendo recurso do restaurante, declarou a eficácia do acordo.
Segundo o TRT/RJ, não ficou evidenciado nenhum vício de
consentimento do trabalhador capaz de justificar a nulidade da transação
perante a comissão de conciliação prévia,
uma vez que ele foi regularmente assistido pelo sindicato da categoria
e recebeu todos os valores ali consignados, inclusive as verbas que agora
requeria.
No TST, a relatora do recurso,
ministra Dora Maria da Costa, afirmou que o TRT/RJ não constatou
ocorrência de nenhuma fraude ou coação na contenda,
tendo em vista que a composição celebrada entre as partes
contou com a assistência sindical e que foram pagos todos os valores
acordados. “Entender o contrário, ou seja, que as diferenças
postuladas na tentativa de conciliação prévia não
decorreram do salário pago ‘por fora’, demandaria
análise por fora, obstada pela Súmula nº 126 do TST,
já que o Tribunal Regional é incisivo em afirmar que o
pedido da demanda foi exatamente este”, concluiu a relatora. (RR
1669/2006-012-01-00.7)
(Virginia Pardal)
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