 |
Folha Online, 7 de março de 2009
Recessão eliminou
2 milhões de empregos em 3 meses nos EUA
A economia norte-americana suprimiu 1,987 milhão postos de trabalho
entre dezembro e fevereiro, informou nesta sexta-feira (6) o Departamento
do Trabalho. Além de apresentar os números de fevereiro – 651
mil empregos a menos –, o órgão governamental revisou
para pior os dados de dezembro e janeiro. A taxa de desemprego no país
chegou a 8,1%, a maior desde dezembro de 1983.

Fonte: Departamento do Trabalho, EUA Em dezembro, foram liquidados 681
mil empregos e não 577 mil como se acreditava anteriormente. Foi
o pior nível desde 1949. Em janeiro desapareceram 655 mil vagas,
e não 598 mil como indicava a estimativa.
Veja o gráfico ao lado: nos cinco meses a partir de outubro,
quando a crise atingiu sua fase aguda, os EUA perderam cerca de 3 milhões
de empregos, em praticamente todos os segmentos da economia. Faz 14
meses que o número de postos de trabalho diminui sem cessar
na economia número um do capitalismo mundial.
O dado de fevereiro corrigiu ligeiramente, para pior, expectativa
dos analistas, que era de 640 mil postos de trabalho eliminados. A
taxa de desemprego prevista era de 7,9%.
Em números absolutos, a quantidade de desempregados nos EUA
subiu para 12,5 milhões no mês passado. Nos 12 meses até fevereiro,
o contingente de desempregados cresceu em cerca de 5 milhões
de pessoas, e a taxa de desemprego subiu 3,3 pontos percentuais, segundo
o departamento.
Cortes de empregos por setor
Entre os desempregados, o número de pessoas sem trabalho há pelo
menos 27 semanas cresceu em 270 mil, para 2,9 milhões, no mês
passado. O número de desempregados por esse período,
nos 12 meses até fevereiro, cresceu em 1,6 milhão.
O setor de serviços profissionais e comerciais teve queda
de 180 mil empregos no mês passado. O segmento de trabalho temporário
perdeu 78 mil vagas em fevereiro e, desde dezembro de 2007, o segmento
perdeu 686 mil postos de trabalho.
No setor manufatureiro foram fechadas 168 mil vagas. Nesta semana
o ISM (Instituto de Gestão de Oferta, na sigla em inglês)
informou que a atividade nas manufaturas dos EUA caiu para 35,8 pontos,
contra 35,6 pontos em janeiro, marcando o 13º mês consecutivo
de contração consecutivo.
Dentro das manufaturas, o segmento de bens duráveis perdeu
132 mil empregos, principalmente nos setores de produtos de metal (queda
de 28 mil postos) e maquinário (queda de 25 mil). No segmento
de bens não-duráveis, houve queda de 36 mil vagas no
mês passado.
O setor de construção, um dos mais afetados pela crise
em que os EUA se encontram, perdeu 104 mil vagas. Desde janeiro de
2007, esse segmento da economia já perdeu 1,1 milhão
de postos de trabalho, com as maiores perdas nos últimos quatro
meses.
Outras fontes confirmam desemprego em alta
Ontem, o departamento informou que o número de pedidos iniciais
de auxílio-desemprego no país caiu em 31 mil na semana
encerrada no último dia 28, ficando em 639 mil, segundo dados
divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho. O número
de pessoas recebendo o benefício há pelo menos duas semanas
teve ligeiro recuo, mas continua acima de 5 milhões, o maior
patamar desde o início das pesquisas, em 1967.
A consultoria de recursos humanos ADP Employer Services informou
nesta semana que o setor privado da economia americana cortou 697 mil
empregos em fevereiro.
As previsões do Livro Bege
Na semana passada, o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano),
Ben Bernanke, disse que o desemprego no país deve crescer "substancialmente" até o
início 2010. Mas agregou que mesmo então ele deve seguir
um "ritmo moderado de redução" ao longo do
ano.
Na quarta-feira o Fed divulgou o Livro Bege, documento com dados
econômicos coletados nas suas 12 divisões regionais. O
texto avalia que as condições econômicas americanas
continuaram a se deteriorar entre janeiro e fevereiro. Destaca que,
com a elevação das demissões e a interrupção
em contratações, o desemprego cresceu em todas as regiões,
reduzindo as pressões por elevação de salários.
Não são só os salários. As pressões
inflacionárias continuam a diminuir em uma parte considerável
nos setores de bens finais e serviços, com redução
de preços da energia e de commodities, forçadas pela
queda na demanda. O que coloca para os EUA o perigo da deflação,
que dificultaria e atrasaria ainda mais a retomada econômica.
Da redação, com Folha Online e Departamento
do Trabalho
|
TST, 7 de março de
2009
TST começa a
discutir terceirização nas telecomunicações
A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1)
do Tribunal Superior do Trabalho (TST) iniciou, nesta quinta-feira (5),
o julgamento de processo que envolve a regularidade da terceirização
de serviços no ramo das telecomunicações. O
debate principal se dá em torno da aplicação, ou
não, da Súmula 331 do TST, que trata do tema, às
empresas de telecomunicações. A jurisprudência do
TST, desde 1994, admite terceirização apenas nas atividades
de vigilância, conservação e limpeza e em serviços
especializados ligados à atividade-meio do tomador de serviços.
A Lei Geral das Telecomunicações (Lei 9.475/97), por
outro lado, permite "contratar com terceiros o desenvolvimento
de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço".
Unificação de jurisprudência
A SDI-1 - órgão responsável pela unificação
da jurisprudência do TST - não chegou a concluir o julgamento,
diante do pedido de vista regimental formulado pelo ministro Horácio
de Senna Pires. Mas o presidente do Tribunal, ministro Milton de Moura
França, alertou que a matéria "é relevantíssima,
e o TST deve se manifestar logo porque o tema tem repercussão
em todo o País".
O processo que deu origem à discussão teve origem numa
ação civil pública ajuizada pelo Ministério
Público do Trabalho da 21ª Região (RN) contra a
contratação de trabalhadores terceirizados pela Telemar
Norte Leste, considerada regular pela Justiça do Trabalho da
21ª Região, com base na Lei Geral das Telecomunicações.
Os embargos em recurso de revista são do Ministério Público,
visando à reforma da decisão.
O relator da ação no TST, ministro João Batista
Brito Pereira, votou pela rejeição dos embargos em recurso
de revista do Ministério Público, que busca a reforma
da decisão e a declaração da ilegalidade da terceirização.
A ministra Maria de Assis Calsing abriu divergência, sinalizando
neste sentido.
A favor da terceirização
O advogado da Telemar, Luiz Alberto Couto Maciel, argumentou que a Súmula
331 do TST "parou no tempo", pois entre 1994 e 2009 o mundo
se globalizou e a legislação avançou. Para o advogado,
a Índia e a China são exemplos bem sucedidos de terceirização.
Essa argumentação foi rejeitada pelo ministro Lelio
Bentes Corrêa, que seguiu a divergência. "Estamos
cogitando a possibilidade de terceirizar toda a estrutura de uma empresa",
alertou.
Morte do Direito Trabalhista
Para o ministro Lelio, "não é possível dar
a amplitude que se pretende à Lei Geral das Telecomunicações,
pois estaremos decretando a morte do Direito do Trabalho e consagrando
um precedente que seguramente ensejará a edição
de outras legislações para viabilizar a terceirização
em quaisquer circunstâncias".
Ele destacou a imprecisão dos termos usados na LGT (atividades "inerentes")
e afirmou que "não cabe ao TST interpretar uma lei mal
formulada, num momento em que se busca o reconhecimento de garantias
aos trabalhadores". E rebateu a sustentação da empresa
afirmando que, na Índia, os trabalhadores vivem em condições "absolutamente
miseráveis".
Desrespeito à dignidade humana
Seguindo o voto do relator, o ministro Aloysio Corrêa da Veiga
acredita que existe um "pânico da terceirização
absoluta, cruel, sem qualquer critério de respeito à dignidade
humana" e mostrou preocupação com as ações
civis públicas que, "independentemente de haver precarização,
fraude ou desvio, tenta impedir as terceirizações".
Para o ministro, há que se preservar o trabalhador da precarização
- que, admite, muitas vezes acompanha a terceirização
-, mas não se deve generalizar. "Presumir fraude em qualquer
contratação me parece um extremo que não seria
conveniente diante da nossa realidade social", ressaltou. "A
inviabilização da terceirização, muitas
vezes, resulta em desemprego, por isso o tema é complexo e exige
de nós uma reflexão."
O ministro Horácio Pires, ao pedir vista regimental, pretende
esperar que a SDI-1 aprecie outro processo sobre o mesmo tema, da relatoria
do ministro Vieira de Mello Filho, que deve colocá-lo em pauta
na sessão do dia 19 de março. ( E-RR - 4661/2002-921-21-00.4)
|
Gazeta do Povo, 7 de março
de 2009
Administração
pública
Governo Federal afasta
2 mil servidores por corrupção
CGU colocou corregedores nos
ministérios para combater irregularidades
Cerca de 2 mil servidores federais foram afastados do serviço
público nos últimos seis anos, por envolvimento em casos
de corrupção. Segundo dados divulgados ontem pela Controladoria-Geral
da União (CGU), o governo afastou 2.031 pessoas entre janeiro
de 2003 e fevereiro deste ano. Desse total, 166 ocupavam cargos estratégicos
e considerados de alto grau de importância, como a direção
de empresas estatais, subsecretarias de administração,
promotorias e assessorias jurídicas.
Servidores que se valeram do cargo para obter vantagens pessoais
responderam pelo maior número de expulsões: 1.013 casos
ou 33,82% do total. Em seguida, vieram atos de improbidade administrativa,
abandono da função, recebimento de propina e lesões
aos cofres públicos (veja texto ao lado). De acordo com a CGU,
1.759 agentes públicos demitidos ocupavam cargos efetivos na
esferal federal. Outros 150 foram destituídos de cargos comissionados
e, por fim, 122 tiveram a aposentadoria cassada. A entidade destaca
que menos de 10% dos servidores afastados conseguiram retornar ao serviço
público por meio de decisões judiciais.
O ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, afirma que o governo tem intensificado
o combate à impunidade na administração pública
ao longo dos últimos anos. Para coibir a prática de atos
ilícitos, cada ministério passou a ser supervisionado
de perto por um corregedor. Nas situações mais graves,
a própria Controladoria instaura um processo para investigar
o caso. “Isso evita as pressões do corporativismo e o
constrangimento natural que decorre das relações de amizade
e coleguismo”, afirma Hage. “É por isso que conseguimos
alcançar dirigentes públicos e funcionários de
altos escalões”. Segundo ele, antes da medida ser adotada,
centenas de processos acabavam prescrevendo ou sequer eram instaurados. “Muita
coisa se acumulou durante esse período. Daí o grande
número de punições ocorridas recentemente”,
explica.
Na avaliação de Renato Perissinotto, professor de Ciência
Política da UFPR, os números refletem um aumento na vigilância
e no combate aos casos de corrupção. Para ele, a sociedade
civil tem se organizado em torno do tema, por meio de ONGs, sindicatos
e da imprensa, e contagiado o poder público para que siga o
mesmo caminho. “Não é que as coisas pioraram e
a corrupção tenha necessariamente aumentado”, alerta. “O
fato é que os casos passaram a vir a público e ser mais
divulgados.” Além disso, como a CGU foi criada apenas
em 2001, não havia levantamentos específicos como o divulgado
ontem.
No olho da rua
Desde janeiro de 2003, o governo federal expulsou 2.031 agentes públicos
acusados de envolvimento em práticas ilícitas.
Desse total:
1.759 eram funcionários efetivos
150 ocupavam cargos comissionados
122 já estavam aposentados
Os motivos para as punições foram:
– valer-se do cargo para obter vantagens: 1.013 casos (33,82%)
– improbidade administrativa: 599 casos (20%)
– abandono de cargo: 305 casos (10,18%)
– recebimento de propina:
188 casos (6,28%)
– lesão aos cofres públicos:
159 casos (5,31%)
Segundo a CGU, o número de servidores que retornaram aos cargos
por meio de decisão judicial não chega a 10% do total
de expulsões.
|
Gazeta do Povo, 7 de março
de 2009
Presidência
Corrente do PT já articula
campanha de Dilma
Indicar à Direção Nacional do
PT a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata à sucessão
de Lula em 2010 será o destaque do seminário
que será promovido hoje pelo grupo petista “Um
Novo Rumo para o PT”. A corrente pretende iniciar a
consolidação da candidatura presidencial de
Dilma num momento em que ela tenta se apresentar ao eleitorado
com aparições mais frequentes em eventos públicos.
No encontro deste sábado, essa ala petista promete reunir os
principais nomes do partido, como a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy,
os ex-prefeitos de Belo Horizonte Fernando Pimentel e do Recife João
Paulo Lima e Silva, os deputados federal Antonio Palocci e estadual
Rui Falcão e o senador Aloizio Mercadante, entre outros.
Em princípio, a legenda não discutirá as eleições
estaduais, mesmo porque os petistas estão com dificuldades para
fechar consenso em torno de um nome forte. Dentre esses nomes estão
o da ex-prefeita Marta Suplicy, derrotada nas últimas eleições
municipais e Antonio Palocci, que está na dependência
da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da violação
do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Ontem Dilma iniciou a participação em uma série
de eventos na Bahia. No lançamento das obras da Via Expressa
Baía de Todos os Santos, tida como a mais importante intervenção
na capital baiana em três décadas, o ministro dos Transportes,
Alfredo Nascimento, a chamou de “a melhor administradora pública
da história do país”.
|
Gazeta do Povo, 7 de março
de 2009
Previdência Social
Paraná vai ganhar
38 novas agências do INSS
Ampliação da rede
será feita em até três anos e prevê a
instalação de 715 unidades em todo o Brasil.
Cidades com mais de 20 mil habitantes têm prioridade
O Paraná deve ganhar ainda neste ano 38 novas agências
da Previdência Social – com isso, o número de estabelecimentos
passaria dos atuais 50 para 88. O anúncio foi feito ontem pelo
ministro da Previdência, José Pimentel, que esteve em
Curitiba. A implantação dos novos pontos faz parte do
Plano de Expansão da Rede de Agências da Previdência
Social (PEX), que prevê a instalação, em três
anos, de 715 agências em municípios de todo o país,
totalizando 1.825 locais de atendimento.
As cidades que receberão as novas agências ainda não
foram escolhidas, mas a preferência, contou o ministro, são
aquelas com mais de 20 mil habitantes. O ministério aguarda
agora uma contrapartida dos prefeitos. “Estamos no compasso de
espera sobre a doação dos terrenos por parte das prefeituras”,
contou Pimentel. A previsão é que até novembro
de 2009 as agências estejam em funcionamento.
“A nossa intenção é melhorar ainda mais
o atendimento ao cidadão e evitar que eles se desloquem para
outras cidades”, explicou. Cada nova unidade da Previdência
Social deve contar com cinco funcionários, que, segundo o ministro, é o
número mínimo necessário para garantir a liberação
dos pedidos de aposentadoria em 30 minutos. A medida entrou em vigor
no início deste ano. José Pimentel disse ainda ver com
bons olhos a medida provisória baixada pelo presidente Lula
que prevê a renegociação das dívidas das
prefeituras com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para
pagamento em até 20 anos (240 meses). Segundo o governo federal,
há cerca de R$ 14 bilhões de débitos de prefeituras
para serem negociados. “Não é a primeira vez que
a União faz isso. Em 2001 e 2005 aconteceu a mesma coisa. É excelente
para a Previdência porque vamos receber esse montante”,
contou o ministro. Com débito junto ao INSS, as prefeituras
não emitem a certidão negativa de débito e ficam
impedidas de receber repasses da União.
Reforma
Sobre a reforma previdenciária, o ministro mantém a
postura de achá-la desnecessária por enquanto. “A
preocupação agora não é a reforma previdenciária. É garantir
o direito aos cidadãos e melhorar o atendimento. Até 2015
a Previdência vai ser superavitária (quando a receita é maior
que a despesa)”, diz.
Os números em 2009, no entanto, mostram uma outra realidade.
No primeiro mês do ano, a Previdência fechou com um déficit
de R$ 6,3 bilhões – 17% maior se comparado com janeiro
de 2008. Desse montante (R$ 6,3 bilhões), explica José Pimentel,
R$ 3,7 bilhões foram usados para quitar parte do passivo trabalhista
que se arrasta desde 1990. “A nossa arrecadação
em 2009 foi 1% superior a do ano passado. Seremos nos próximos
anos superavitários”, ressaltou.
|
Gazeta do Povo, 7 de março
de 2009
Produção
Indústria tem
recuo anual recorde de 17,2% em janeiro
Setor apresentou, na comparação
com o mesmo mês de 2008, a maior desaceleração
da série histórica
A produção da indústria brasileira recuou 17,2%
em janeiro na comparação com igual mês de 2008,
o pior resultado em 19 anos nessa base de comparação,
segundo o IBGE. Já na comparação de janeiro com
dezembro, a produção cresceu 2,3%, interrompendo três
meses de queda – a tímida retomada foi puxada pela recuperação
das montadoras graças à redução do IPI.
“A indústria não ia tão mal desde 1990,
quando o país vivia os efeitos do confisco da poupança
decretada pelo presidente Fernando Collor”, diz Sílvio
Sales, coordenador da pesquisa do IBGE. “Mesmo que o resultado
mensal seja positivo, os indicadores de longo prazo, que mostram a
tendência do setor, vão mal.”
Na comparação com dezembro, a alta de 2,3% foi puxada,
principalmente, pela indústria automotiva. A produção
de veículos cresceu 40,8% em janeiro ante o mês anterior.
Apesar do desempenho pontual de alguns segmentos em janeiro, a queda
na produção segue se ampliando. De 755 itens pesquisados
pelo IBGE, só 25% avançaram em janeiro. Entre janeiro
e setembro, 60% da lista de produtos vinha em produção
crescente.
Na comparação anual, o setor de bens de consumo duráveis,
como automóveis e eletrodomésticos, encolheu 31%. O setor
de bens intermediários caiu 20,4%. “O segmento, que inclui
insumos, já vinha sofrendo antes da crise porque perdeu a competitividade
com a queda do dólar. Agora, o dólar subiu, mas a demanda
externa caiu”, diz o economista Rogério César Souza,
do Iedi.
A indústria de máquinas e equipamentos, cujo crescimento
indica tendência de expansão da capacidade produtiva do
país, encolheu 13%. O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis,
que engloba as indústrias de alimento e vestuário, entre
outras, apresentou a menor queda, de 8,3%.
Acumulado
A alta acumulada na produção em 12 meses até janeiro,
de apenas 1%, é a pior para esse indicador desde fevereiro de
2004. Em apenas quatro meses, entre outubro e janeiro, o setor industrial
registrou um recuo acumulado de 18,2%.
“Pior seria se ainda houvesse queda ante mês anterior,
mas não se sabe se a indústria iniciou um processo de
inflexão e, se iniciou, se será suficiente para uma recuperação”,
observou Sales. A alta ante mês anterior interrompeu um ciclo
de três meses de queda.
Para o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu de
Freitas Filho, a baixa da indústria nacional apresentou um padrão
parecido com o desempenho de outros países, como China e Austrália.
A queda a se destacar, de acordo com ele, é o do segmento de
bens intermediários (20,4%), principalmente em relação à extrativa
mineral. “Vimos um padrão parecido na Austrália
e em outros países que são exportadores de commodities”,
considerou, lembrando que o segmento representa mais de 60% da indústria.
Do lado doméstico, o economista da SLW salientou que a indústria “está estocada
até o teto”, o que é um comportamento proveniente
de um ciclo de expansão muito forte. “Em dezembro e janeiro,
eles pararam de produzir para desovar os itens”, comentou. Freitas
Filho ainda conta com números negativos para fevereiro, mas
não na mesma magnitude vista nos resultados dos dois últimos
meses. “Essa intensidade não se repetirá.”
|
Gazeta do Povo, 7 de março
de 2009
Moradia
Pacote da habitação
vai movimentar R$ 70 bilhões
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem
que o pacote habitacional que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vai lançar movimentará R$ 70
bilhões. Ele esclareceu que nem todo o dinheiro será bancado
pelo governo federal. “Esse é o montante de
recursos estimado que as medidas vão movimentar na
economia brasileira”, disse Mantega, por meio de sua
assessoria.
Uma das principais medidas do pacote será um programa de construção
subsidiada de casas populares para famílias de baixa renda.
Dentro do governo, fala-se que a prestação dos imóveis
poderá ficar entre R$ 15 e R$ 20 por mês. Ontem, o presidente
Lula disse que quem comprar uma casa pelas regras do plano de habitação
só começará a pagar as prestações
depois que estiver morando no imóvel. Até que a chave
seja entregue, será paga apenas uma taxa simbólica.
“Ele só vai começar a pagar a prestação
quando entrar na casa, porque uma pessoa que trabalha e ganha dois
salários mínimos e paga aluguel não pode pagar
aluguel e prestação da casa ao mesmo tempo. Então,
ele pagará uma taxa simbólica até receber a chave.
Quando receber a chave e deixar o aluguel, vai pagar a prestação
da casa”, explicou Lula ao falar com a imprensa ontem, após
participar de cerimônia em Vitória (ES).
Segundo o presidente, o plano será anunciado após seu
retorno da viagem aos Estados Unidos, no final da próxima semana.
Ele negou que haja desentendimentos entre ministros sobre o plano e
disse que a demora para fechar o projeto se deve à sua ampliação
e a negociações em torno de questões como juros
e subsídios.
“Hoje eu vi a imprensa dizendo que tem uma divergência
no governo entre Dilma (Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil) e Guido
(Guido Mantega, ministro da Fazenda). Não há hipótese
de ter divergência entre Dilma e Guido Mantega. O que acontece é que
você está discutindo um programa, primeiro alguém
propôs que fizéssemos 200 mil casas, eu disse ‘nós
vamos fazer 1 milhão de casas’. Agora estamos discutindo
taxa de juros e subsídio”, afirmou.
Na quinta-feira, a ministra da Casa Civil já havia dito que
o plano de habitação terá três pilares:
subsídio, fundo garantidor e redução do seguro
nas prestações. As medidas serão direcionadas
a pessoas de baixa renda e a meta do governo é construir 1 milhão
de casas até 2010.
|
Gazeta do Povo, 7 de março
de 2009
Preços
Inflação
para famílias de baixa renda cai para 0,16%
O Índice de Preços ao Consumidor - Classe
1 (IPC-C1), que mede a inflação das famílias
com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais,
teve uma desaceleração acentuada em fevereiro
e ficou em 0,16%, contra alta de 0,72% em janeiro. Trata-se
do menor resultado desde setembro de 2008, quando o indicador
registrou queda de 0,57%. Os dados foram divulgados ontem
pela Fundação Getulio Vargas.
Com o resultado do mês passado, o IPC-C1 acumula alta de 6,67%
nos últimos 12 meses, e de 0,88% no ano. As principais contribuições
para a desaceleração no indicador vieram dos grupos Alimentação
(de 0,63% em janeiro para -0,01%) e Transportes (2,21% para 0,68%).
Os destaques foram: feijão carioquinha (que teve alta de 2,05%
em janeiro e uma queda de 5,96% em fevereiro), frutas (1,60% para -2,28%),
carnes bovinas (-1,49% para -2,31%) e ônibus urbano (2,38% para
0,58%).
Os grupos Educação, Leitura e Recreação
(2,99% para 0,48%), Vestuário (0,19% para -0,64%), Habitação
(0,27% para 0,07%) e Despesas Diversas (0,20% para 0,16%) também
contribuíram para o decréscimo da taxa do IPC-C1.
|
Folha de S.Paulo, 7 de março
de 2009
PDT reelege ministro
do Trabalho como presidente por mais 2 anos
Para evitar problemas no governo,
Lupi deve se afastar do cargo no partido
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) foi reeleito ontem para a presidência
nacional do PDT por mais dois anos. Ele já está no cargo
há cinco, desde a morte de Leonel Brizola. O partido realizou
ontem, em Brasília, sua convenção nacional. Para
evitar problemas com a Comissão de Ética Pública
do governo, Lupi deve se licenciar do cargo no partido. "Vou consultar
a Executiva do partido, mas estou numa fase light, não quero
problema."
No ano passado, o ministro foi forçado a deixar a função
após a comissão, vinculada à Presidência da
República, ter considerado incompatível o exercício
de ministro com o de presidente de partido. O vice-presidente do PDT,
deputado Vieira da Cunha (RS), é quem deve assumir o posto.
Sobre a sucessão presidencial de 2010, Lupi defendeu que o partido
tenha um candidato próprio, mas não descartou uma aliança. "O
PDT, antes de tudo, precisa mostrar sua cara para decidir se vai acompanhar
algum partido." A tendência do partido é apoiar a ministra
petista Dilma Rousseff (Casa Civil), indicação do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Ontem o partido fez um ato de desagravo ao governador Jackson Lago (PDT-MA),
que teve o mandato cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta
semana acusado de abuso de poder econômico e compra de votos. Cabe
recurso e ele continua no cargo até uma decisão final do
tribunal. O governador não compareceu na reunião do partido.
|
Folha de S.Paulo, 7 de março
de 2009
Economia do Brasil tem
forte desaceleração, afirma OCDE
DA REDAÇÃO
O Brasil, que até pouco tempo atrás era o único
que ainda estava em um ciclo econômico positivo, se uniu agora
ao países que enfrentam forte desaceleração, mostrando
como a crise está ganhando força, de acordo com a OCDE
(Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico).
O país era, até outubro de 2008 (quando a crise tinha se
agravado, resultado da concordata, um mês antes, do banco Lehman
Brothers), o único que se mantinha em um ciclo positivo, apesar
de ele perder força. Agora, segundo dados revisados pela OCDE,
o país entrou em um cenário negativo em novembro (um mês
antes da estimativa anterior). Em janeiro passou a estar em um ciclo
de "forte desaceleração", igualando-se a todas
as principais economias mundiais.
Em janeiro, a nota brasileira foi de 94,5 pontos (9,4 pontos abaixo da
registrada em setembro) e inferior, por exemplo, à do México,
que parece caminhar para uma recessão neste ano -o PIB já se
retraiu no quarto trimestre de 2008. Para o órgão, que
reúne 30 das nações mais industrializadas, uma nota
inferior a cem pontos aponta para um cenário negativo, situação
em que estão todos os 33 países analisados.
Para chegar a essa previsão, a OCDE usou os indicadores antecedentes,
que são vários dados aglutinados (no caso brasileiro, leva
em conta a produção industrial, entre outros) para "tentar
indicar momentos de mudanças na atividade econômica com
aproximadamente seis meses de antecedência" e considerados
um termômetro para essas economias.
|
Última Instância,
7 de março de 2009
Acordo consciente
Trabalhador assistido
não pode alegar ser leigo
Trabalhador assistido por advogado de sindicato não pode alegar
não saber o que faz ao assinar acordo com ex-empregador. Com esse
entendimento, a 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou
o recurso de um trabalhador que já havia firmado acordo no Núcleo
Intersindical de Conciliação Trabalhista.
No acordo, o ex-empregado do restaurante México Grill, no Rio
de Janeiro, concordou em receber R$ 3 mil referentes a horas extras
e reflexos nas verbas trabalhistas de salários recebidos “por
fora”. Depois, porém, reclamou as mesmas verbas no Judiciário,
alegando ser pessoa leiga e não saber o que fazia ao aceitar
as condições acordadas, já que precisava de dinheiro.
O restaurante contestou a afirmação, dizendo que a iniciativa
de procurar o sindicato foi do próprio trabalhador, que recebeu
auxílio de advogado tanto no pedido inicial quanto na audiência
de conciliação.
O acordo foi declarado nulo em primeira instância, decisão
revogada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ). Os desembargadores não viram vício de consentimento
na negociação, mesma opinião que teve a ministra
do TST, Dora Maria da Costa, relatora do recurso.
“Entender o contrário, ou seja, que as diferenças
postuladas na tentativa de conciliação prévia
não decorreram do salário pago ‘por fora’,
demandaria análise por fora, obstada pela Súmula nº 126
do TST, já que o Tribunal Regional é incisivo em afirmar
que o pedido da demanda foi exatamente este”, disse. Com informações
da Assessoria de Comunicação do TST.
RR 1669/2006-012-01-00.7
|
Última Instância,
7 de março de 2009
Sociedade poderá participar
de edição de súmulas vinculantes no
STF
Entidades da sociedade civil organizada poderão participar, a
partir dessa sexta-feira (6/3), da edição de súmulas
vinculantes no STF (Supremo Tribunal Federal). A participação
poderá ser feita pelo envio de manifestações à Corte,
como memoriais ou outros documentos que possam contribuir com o entendimento
dos ministros sobre as matérias em análise.
Dessa forma, a sociedade poderá se manifestar em temas como
a possibilidade de bloqueio de verbas públicas para fornecimento
de medicamentos e de tratamento médico a pessoas carentes e
inconstitucionalidade da prisão civil de depositário
infiel, exemplos de pedidos de edição de súmulas
vinculantes.
A participação depende da aprovação da
Corte e parte da publicação dos editais das propostas
de súmulas vinculantes no Diário da Justiça Eletrônica
e no link “Proposta de Súmula Vinculante”, disponível
no ícone “Jurisprudência”, no portal do STF.
Contados 20 dias da data da publicação desses editais,
os interessados terão cinco dias para efetivamente se manifestar
perante o Supremo.
A participação de interessados nos processos que pedem
a edição, a revisão ou o cancelamento de Súmulas
Vinculantes está prevista na Lei 11.417/06 (parágrafo
2º do artigo 3º) e na Resolução 388/08, do
STF. A publicação dos editais —textos das propostas
de Súmula Vinculante ou a própria Súmula que se
pretende revisar ou cancelar— tem como objetivo assegurar essa
participação.
Pedidos
De todas as PSVs em curso no Supremo, somente uma pede o cancelamento
de Súmula Vinculante já editada pelo Supremo. É a
PSV 13, de autoria da Cobrapol (Confederação Brasileira
dos Trabalhadores Policiais Civis), que pretende anular a Súmula
Vinculante 11, que limita o uso de algemas a casos excepcionais, quando
o preso oferecer risco a policiais ou a terceiros.
A PSV 3 tem 22 pedidos de edição de Súmulas Vinculantes.
Ela propõe a criação de enunciados que tratam
de assuntos diversos como, por exemplo, a inconstitucionalidade da
exigência de depósito prévio para apresentar recurso
administrativo; a impossibilidade de uma aposentadoria espontânea
romper contrato de trabalho; a legitimidade de sindicatos liquidarem
e executarem créditos reconhecidos a trabalhadores, independentemente
de autorização dos associados; e a impossibilidade de
se iniciar investigações sobre crime tributário
enquanto o crédito supostamente sonegado não tiver sido
devidamente apurado no âmbito administrativo-fiscal.
A questão da gratuidade de medicamentos para pessoas carentes é tratada
na PSV 4, que pede a edição de dois enunciados. Um sobre
a responsabilidade solidária dos estados e do Distrito Federal
quanto ao fornecimento de medicamentos e tratamento médico e
outro sobre a possibilidade de bloqueio de verbas públicas para
o fornecimento de remédios e de tratamento médico para
quem não pode arcar com os custos.
Novidade
As propostas de súmula vinculantes tornaram-se uma classe processual
em novembro de 2008, quando o ministro Menezes Direito converteu em proposta
uma petição da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O pedido
foi aprovado no início de fevereiro de 2009, com a criação
da Súmula Vinculante 14, que garante que advogados tenham acesso
a inquéritos policiais que tramitam em segredo de Justiça.
As súmulas devem ser seguidas por todo o Poder Judiciário
e toda a administração pública. De acordo com
o Supremo, essa força ganha ainda mais legitimidade diante das
regras que preveem a participação de terceiros no processo
de edição desses preceitos.
|