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DCI - COMÉRCIO, INDÚSTRIA
E SERVIÇOS, 09 de março de 2009
POLÍTICA ECONÔMICA
Construção civil cobra
rapidez no lançamento do pacote
Patrícia Acioli
SÃO PAULO - Há mais de dois meses o governo federal ensaia anunciar
um pacote de medidas em apoio a construção civil. Ontem, a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff se reuniu com os governadores de São Paulo,
Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro para discutir medidas de estímulo
ao setor. A exemplo do encontro com os governadores Jacques Wagner ( Bahia),
Wellington Dias ( Piauí), Marcelo Deda (Sergipe) e Eduardo Braga (Amazonas),
em fevereiro, nada de concreto resultou da conversa.
Enquanto o governo negocia contrapartidas
com estados, como a redução de Imposto Sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) para material de construção,
o setor privado se inquieta diante da prorrogação das datas
para o anuncio do pacote. "É inaceitável estarmos
em março e nada ter sido apresentado. Passaram-se cinco meses
desde o início da crise", diz Melvyn Fox, presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat). "Em janeiro tivemos uma queda de 15,7% em relação
ao mesmo período de 2008", conta Fox. Segundo ele, a sensação é a
de que o governo está com receio de que as medidas a serem anunciadas
tenham impacto mais substancial sobre a queda e a arrecadação. "Teoricamente,
elas [as medidas] podem representar uma queda, mas não apresentá-las
significa alimentar a recessão", completa.
Esta semana, durante evento em
São Paulo, o presidente Lula reforçou que o governo anunciará,
nos próximos dias, o plano nacional de habitação
que prevê a construção de um milhão de moradias
em todo o País. Lula não mencionou detalhes do investimento,
tampouco em que período as moradias serão construídas,
mas garantiu que será uma iniciativa como nunca antes feita no
Brasil.
Para a oposição,
o governo federal perde tempo e faz palanque. "O governador José Serra
não deveria nem participar dessa reunião, que é realizada
apenas para encher a bola da 'candidata' Dilma", afirma o deputado
Fernando Chucre (PSDB-SP). Segundo ele, o Estado de São Paulo
está fazendo o dever de casa no setor habitacional, promovendo
medidas que deveriam ser replicadas em nível federal.
Ao menos três dos quatro
estados presentes à reunião não têm muito
interesse ou espaço em suas receitas para promover grandes alterações
na carga tributação. Minas Gerais, governada pelo tucano
Aécio Neves, anunciou um pacote anticrise no ano passado e não
prevê redução de ICMS. O estado beneficiou o setor
da construção civil com uma lista de produtos com redução
de carga tributária em 2005/2006 e ampliou essa lista em 2007/2008.
No caso do Paraná, o governador
Roberto Requião (PMDB-PR) também vem anunciando medidas
para combater os efeitos da crise; recentemente conseguiu aprovar uma
minirreforma tributária com redução de carga para
diversos setores, além disso, o estado não usa como política
o instrumento de concessão de benefícios fiscais por segmento.
Para o Estado de São Paulo,
a redução de ICMS também não faz muito sentido.
Nos bastidores ventila-se que o governo paulista não tem qualquer
interesse em assumir compromisso com o governo federal - não apenas
Serra é aspirante candidato à Presidência da República,
como anunciou medidas anticrise nas últimas semanas e vem negociando
o ICMS no âmbito estadual.
"Encaminhamos um estudo
para o governo estadual indicando que a redução de 18%
para 12% na alíquota de ICMS para material de construção
traria aumento de arrecadação. Mas estávamos na
expectativa da entrada do setor na substituição tributária,
que aconteceu em fevereiro. Agora vamos ver o que acontece", diz
Fox. "Defendemos que o ICMS seja reduzido em até 50%",
conta. Segundo Fox, o governo quer que haja reciprocidade dos estados
e municípios. "Os benefícios fiscais variam muito
de um estado para outro."
Em meio ao clima de expectativa,
ontem o presidente em exercício da Confederação
Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic),
Adalberto Valadão, esteve com a ministra Dilma Rousseff e os ministros
da Fazenda, Guido Mantega, e das Cidades, Márcio Fortes, além
de representante da Caixa Econômica Federal. "Decisão,
mesmo, ainda não tem", disse Valadão. "É um
pacote muito auspicioso e inédito, e não se formata um
programa para a construção de 1 milhão de casas
em 10, 15 dias." Valadão afirmou que o setor quer a redução
de 7% para 1% da alíquota única de impostos federais que
o governo aplicará no pacote de habitação. Até agora,
a demanda da entidade era de isenção total (alíquota
zero).
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Folha de S.Paulo, 9 de março
de 2009
Construção quer regras
claras para pacote habitacional
Para o SindusCon-SP, programa que prevê prestação
zero para famílias de baixa renda deve ser transparente e bem
estruturado | Representantes de construtoras e também de trabalhadores
temem que a grande burocracia dificulte a execução do programa
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O novo pacote habitacional, com
a possibilidade até de prestação zero para a população
de baixa renda, precisa ser bem estruturado, ter regras claras e aprovado
pelo Congresso Nacional, já que quem vai arcar com o subsídio é a
sociedade.
Essa é a avaliação de Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP
(Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo), ao comentar as afirmações da ministra Dilma
Rousseff (Casa Civil), anteontem, em palanque no Nordeste, sobre a possibilidade
de o governo oferecer casas grátis a famílias carentes.
O "bolsa habitação", segundo Rousseff, atenderia quem
ganha até três salários mínimos (R$ 1.395) -nesse
caso o modelo da moradia seria mais popular e o valor da prestação
seria simbólico- e quem tem renda de até R$ 4.650 (nesse caso
o imóvel teria melhor padrão).
O valor máximo do imóvel, segundo a ministra, seria de R$ 130
mil e o valor da prestação atingiria até 20% da renda.
Quem ganha até dez salários mínimos pagaria no máximo
R$ 930 de prestação e o financiamento seria de 20 anos.
" Famílias com renda de até três salários mínimos
não têm capacidade econômica para adquirir uma casa. Dessa
forma, o subsídio é essencial para dar essa condição às
pessoas carentes. Nosso setor é a favor do subsídio habitacional,
desde que ele esteja bem definido. De onde virão os recursos para dar
esse subsídio, do Orçamento da União?", questiona Watanabe.
Se o governo decidir subsidiar a construção de casas para a população
carente, "seria bom que o Congresso Nacional votasse esse programa, pois
o dinheiro vai sair da sociedade. Para o nosso setor, essa é, sim, uma
boa medida, pois vai requerer a execução de moradias e isso significa
injeção de recursos na construção civil" ,
afirma. Em São Paulo, o setor emprega cerca de 600 mil pessoas.
Problemas no caminho
Odair Garcia Senra, vice-presidente de imobiliário do SindusCon-SP,
diz que a política habitacional do governo não deve só dar
atenção à população que ganha até três
salários mínimos. "O governo tem de focar quem ganha também
de cinco a dez salários mínimos, segmento da população
carente de financiamento."
O setor da construção civil, segundo Senra, não depende
nem de importação nem de exportação e "por
isso é importante que o país crie um consumo interno para que
esse setor contribua com o crescimento do PIB brasileiro", afirma.
O setor teme, segundo representantes do SindusCon-SP, que o pacote habitacional
que o governo estuda lançar acabe tendo dificuldades para deslanchar
por conta de problemas de operacionalização.
" O importante é que tudo o que for definido seja operacionalizado,
aconteça de fato. Nós sabemos que a gestão da CEF está a
favor do pacote, mas também sabemos que a burocracia para dar andamento
ao financiamento é grande. É preciso também que a iniciativa
privada abrace a questão", diz Senra.
Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção Civil de São Paulo, diz que a burocracia
para que o dinheiro de programas habitacionais chegue ao empresário
ou ao trabalhador é tão grande que estuda realizar um ato, como
a paralisação de meio ou um dia de trabalho, contra a burocracia. "O
governo não consegue cumprir o que fala. De onde e como vai sair o dinheiro
para a construção de 1 milhão de casas como promete o
governo?", questiona.
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O Estado de S.Paulo, 9 de março
de 2009
Situação do emprego no
País é melhor que no resto do mundo
Pesquisa com 7.200 empresas de 36 países
revela tendência de alta no Brasil. Entre os empresários
brasileiros, 12% disseram que não deverão conceder
aumentos salariais, enquanto 61% pretendem apenas repor as perdas
em 2009
A perspectiva para o trabalhador
brasileiro neste ano não é boa, porém menos ruim
do que a de seus pares em outras partes do mundo. É o que revela
pesquisa recente da consultoria Grant Thornton International, que ouviu
7.200 empresas de 36 países, das quais 150 são do Brasil.
Entre os empresários brasileiros, 12% disseram que não
deverão conceder aumentos salariais em 2009, enquanto 61% pretendem
apenas repor as perdas com a inflação. Além disso,
2% querem reduzir os ganhos do trabalhador.
Ainda assim, 20% das empresas
brasileiras mostraram-se dispostas a dar aumentos acima da inflação.
Das 7.200 empresas pesquisadas no mundo, apenas 10% pretendem dar aumentos
reais. Para 54%, o reajuste acompanhará a inflação.
Já 21% não vão conceder reajuste e 3% reduzirão
salários.
"O número de empresas
brasileiras que vão aumentar os salários é alto
porque as leis trabalhistas garantem essa reposição",
diz Wanderley Ferreira, sócio coordenador da divisão de
tributos da Terco Grant Thornton, que representa a consultoria internacional
no Brasil. "As empresas que não darão aumento algum
terão de negociar benefícios, sociais ou econômicos,
com os sindicatos de cada categoria profissional".
A pesquisa indica ainda que o
nível de emprego tende a crescer no País, ao contrário
das previsões para 2009 na maiorias das regiões pesquisadas.
Para 36% das empresas brasileiras, a tendência é aumentar
seus quadros, enquanto 47% pretendem manter o mesmo quadro e 16% querem
cortar postos de trabalho. Ponderado pelo número de funcionários
das empresas, o nível de emprego deverá crescer 20%.
Essa tendência, no entanto,
fica menos animadora quando comparada com o resultado da pesquisa anterior.
No ano passado, as empresas brasileiras projetavam crescimento de 71%
para o emprego. Mas, na média global, o saldo entre demissões
e contratações deverá ficar negativo em 4% este
ano.
As previsões mais pessimistas
são dos países da Ásia, onde 29% das empresas não
pretendem elevar os salários. Em Taiwan, por exemplo, 72% dos
empresários consultados responderam que não farão
reajustes este ano. Pelo menos 44% das empresas asiáticas pretendem
manter os postos de trabalho, mas 24% querem cortar.
No ano passado, o emprego cresceu
0,5%, em média, entre as empresas ouvidas. Em 2007, porém,
a alta foi de 4%. Para os responsáveis pela pesquisa, com a atual
situação econômica mundial, o desemprego já é uma
realidade em muitos locais e, por isso, não haverá crescimento
do emprego este ano.
No Nafta, bloco formado
por Estados Unidos, Canadá e México, por exemplo, a projeção é de
queda de 9% no emprego. A tendência para a União Europeia é ainda
mais sombria, com retração de 12%.
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Correio Braziliense, 9 de março
de 2009
Divulgação do PIB
do 4º trimestre mostrará impactos da crise
Na próxima terça-feira,
o Brasil saberá exatamente o tamanho da fatura que arcou com o
a crise detonada em setembro do ano passado, com a quebra do banco americano
Lehman Brohters. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) divulgará o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), a
soma de todas as riquezas produzidas pelo país, no último
trimestre de 2008. Se as contas dos analistas estiverem corretas, a economia
encolheu 2,2% quando comparada aos três meses anteriores. É esse
o consenso do mercado, apesar de os mais pessimistas apontarem para um
tombo de até 3%.
Qualquer que seja o tamanho da
retração, porém, o Brasil terá encerrado
o mais longo ciclo de expansão dos últimos 30 anos. E estará entrando
na décima recessão em três décadas — além
da queda nos últimos três meses do ano passado, o PIB deverá encolher
no primeiro trimestre de 2009.
“O impacto da crise no
Brasil foi rápido e profundo. A produção parou,
o consumo despencou, os investimentos desapareceram e o desemprego deu
um salto expressivo”, diz o economista-chefe da Sul América
Investimentos, Newton Rosa. “Do ponto de vista técnico,
com dois trimestres seguidos de retração, o Brasil está em
recessão”, acrescenta o Diretor de Pesquisas Macroeconômicas
do Bradesco, Octávio de Barros.
Para ter uma ideia mais clara
do tamanho do estrago que a crise provocou na economia brasileira, Barros
anualizou a taxa de retração do PIB no último trimestre
de 2008, seguindo o modelo usado em boa parte do planeta, e comparou
o resultado — 9,6% de queda — com os desempenhos de 25 países.
Resultado: o Brasil teve o oitavo pior desempenho, ficando atrás
de seis países asiáticos — entre eles, a Tailândia,
onde o PIB teve retração de 22,3%, e o Japão, com
redução de 12,6% — e do México, que tombou
10,3%. Nos Estados Unidos, epicentro da crise, o PIB encolheu 6,2%. Na
Zona do Euro, a economia recuou, em termos anualizados, 1,5%.
O pior é que as perspectivas
não são boas. Apesar de todas as medidas adotadas pelo
governo, como a redução de impostos para a compra de carros
e a injeção de mais de R$ 100 bilhões no caixa dos
bancos para incrementar o crédito, o nível de atividade
continua no chão. Isso ficou claro na última sexta-feira,
quando foram divulgados os resultados da produção industrial
de janeiro. A aposta era de incremento entre 10% e 11% ante dezembro.
Mas o saldo veio positivo em apenas 2,3%. Na comparação
com janeiro do ano passado, o consenso era de queda de 11%. O tombo,
porém, foi de 17,2%, o maior desde 1991.
“Ou seja, a reação
da indústria foi decepcionante e não há sinais claros
de retomada”, afirma o economista-chefe da Corretora Convenção,
Fernando Montero. Na avaliação de Carlos Thadeu Filho,
economista-chefe da SLW Asset Management, a economia brasileira só conseguirá sair
do buraco quando houver uma melhora no quadro internacional. Essa avaliação é endossada
pelo economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman. Ele
ressalta que o setor industrial é mais dependente das exportações
do que se imaginava. E se a demanda externa permanecer fraca, a produção
levará muito mais tempo para se recuperar, ainda que o mercado
doméstico mostre um certo fôlego.
Comércio menor
Para Octávio de Barros,
a produção industrial fechará 2009 com retração
de 3,5%, muito em função dos negócios que deixarão
de ser fechados no comércio exterior. Nos seus cálculos,
as exportações brasileiras vão encolher US$ 66,4
bilhões em relação a 2008 e as importações,
US$ 55,6 bilhões — ou seja, a corrente de comércio
do país com o mundo diminuirá US$ 122 bilhões. Os
investimentos produtivos, por sua vez, vão encolher 3,4%. “Com
as vendas em queda, suspendemos todos os nossos projetos de expansão
em 2009”, avisa Oriovista Guimarães, presidente do Grupo
Positivo, do setor de informática, bastante dependente de crédito.
Apesar do esperado aumento da
renda, de 1,5%, o consumo vai capengar. Tanto que, nos dois primeiros
meses deste ano, as vendas do comércio despencaram, na média,
6% segundo Luíza Helena Trajano, presidente da rede Magazine Luíza
e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). “O que vivemos é uma
crise de confiança. O crédito precisa voltar rápido,
as pessoas têm de retomar o consumo e as empresas, a investirem.
O Brasil está em uma situação muito melhor do que
a maioria do mundo. Só depende de nós”, diz.
A empresária ressalta
que, apesar da parada brusca da economia, o saldo de 2008 foi muito
positivo. Até setembro, o PIB crescia acima de 6% e o resultado
final para o ano a ser mostrado pelo IBGE é de expansão
entre 5% e 5,4% — números que não veremos de novo
tão cedo.
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Folha de S.Paulo, 9 de março
de 2009
Estudo aponta sonegação
de R$ 200 bi no país
Montante representa 32% do Orçamento;
levantamento do IBPT considerou amostra de quase 10 mil empresas autuadas
em 3 anos | Setor industrial é apontado como líder em impostos
não recolhidos; contribuição previdenciária
e ICMS são os tributos mais sonegados
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A sonegação fiscal
das empresas atingiu R$ 200,29 bilhões em 2008. Com esse valor,
que equivale a 32% do Orçamento da União previsto para
este ano, seria possível construir 10 mil CEUs (centros educacionais
da Prefeitura de São Paulo com biblioteca, teatro e centro esportivo).
O montante que deixou de ser recolhido decorre de receita de R$ 1,32
trilhão não declarada aos fiscos.
A estimativa é de estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário), que utilizou como base uma amostra de 9.925 empresas autuadas
entre 2006 e 2008. A alta carga tributária -que representa 36,5% do
PIB (Produto Interno Bruto) do país- é apontada como o principal
motivo para o elevado nível de sonegação no Brasil (leia
texto ao lado).
A indústria é indicada no estudo do IBPT como o setor com mais
indícios de driblar o pagamento de impostos, seguida pelo comércio
e pelos serviços. Os tributos mais sonegados são, pela ordem,
a contribuição previdenciária, o ICMS e o IR.
Das quase 10 mil empresas consideradas, o estudo do IBPT revela que há fortes
indícios de sonegação em 26,84% delas (2.664). O percentual,
porém, já foi maior -atingiu 29,45% em idêntico estudo
de 2005.
Para chegar ao percentual de 26,84% o instituto analisou autos de infração
de 9.925 empresas e balanços de fiscalizações da Receita
Federal, do INSS, de secretarias de Fazenda de Estados e de secretarias municipais
de Finanças de capitais.
No setor industrial foi verificado o maior índice -de 30,77%. E, diferentemente
de outros setores, o índice de sonegação da indústria
cresceu. Era de 27,02% em 2005 e de 26,31% em 2002. No comércio, o índice
constatado no ano passado (29,02%) caiu em relação ao de 2005
(31,23%). No setor de serviços também houve queda -em 2008 foi
de 24,22% e em 2002 estava em 25,93%.
"Com o regime de substituição tributária [pagamento
antecipado de ICMS], o comércio passou a recolher o imposto antecipadamente,
o que contribuiu para a queda da sonegação. No caso de serviços,
houve aumento na retenção de tributos federais e, mais recentemente,
de municipais, caso do ISS [Imposto Sobre Serviços]", afirma Gilberto
Luiz do Amaral, presidente do IBPT. A estimativa de sonegação fiscal
de R$ 200,29 bilhões foi feita a partir do constatado no grupo de 9.925
empresas autuadas. Essas empresas, que somam receita anual de R$ 740,68 bilhões,
teriam deixado de declarar R$ 185,58 bilhões -ou 25,05% do faturamento.
Ao aplicar os 25,05% sobre o total da arrecadação das empresas
no país no ano passado (R$ 800 bilhões), o instituto chegou ao
montante de sonegação fiscal de R$ 200,29 bilhões.
A mesma operação foi feita para estimar o faturamento não
declarado pelas empresas de todo o país, de R$ 1,32 trilhão.
O instituto aplicou novamente o percentual de 25,05% sobre o faturamento total
das empresas brasileiras, de R$ 5,3 trilhões no ano passado.
A estimativa, segundo o estudo, é que a indústria tenha sonegado
R$ 78,77 bilhões em 2008; o comércio, R$ 74,15 bilhões;
o setor de serviços financeiros, R$ 8,43 bilhões; o de serviços
de comunicação, energia e água, R$ 5,59 bilhões;
o de transportes, R$ 4,67 bilhões; o de construção civil,
R$ 3,96 bilhões; e os da categoria "outros serviços",
R$ 24,71 bilhões.
"Meia nota"
Os principais instrumentos utilizados pelas empresas para sonegar o pagamento
de tributos foram vendas sem nota, vendas com "meia nota", duplicidade
de numeração de notas fiscais e doações irregulares.
As empresas de pequeno porte, segundo o estudo, são as que registram
os maiores indícios de sonegação fiscal (o índice é de
64,65%), seguidas pelas de médio porte (49,05%) e de grande porte (26,78%).
O índice de sonegação no país apontado no estudo,
de 25,05% (que chegou a 32% em 2000), é menor do que o de outros países
da América Latina, mas ainda está longe do verificado em países
desenvolvidos -hoje da ordem de 7%.
Argentina, Peru e Equador têm índices de sonegação
ao redor de 30%; o México, de 35%; Bolívia e Venezuela, da ordem
de 40%. "Só perdemos para o Chile (15%). A tendência é que,
em cinco anos, o Brasil chegue a ter o índice do Chile e, em dez anos,
ao de países desenvolvidos. O país está empenhado em aprimorar
mecanismos de combate à sonegação", afirma.
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Agência Diap, 9 de março
de 2009
Agenda política e econômica:
PT, PIB, inflação e reunião do Copom
Hoje (9), a executiva nacional
do PT se reúne para discutir a campanha presidencial de Dilma
Rousseff. O partido decidiu contratar uma pesquisa nacional para avaliar
o grau de conhecimento sobre Dilma nas várias regiões do
País.
A eleição de uma
mulher para a Presidência da República recebe o apoio de
88% do eleitorado brasileiro. A constatação foi feita em
pesquisa realizada pelo consórcio Lapop (Latin American Public
Opinion), que acompanha a situação política em 22
países do continente.
Os números foram divulgados
em matéria publicada, na última sexta-feira (6), pelo jornal
Valor Econômico.
PIB e
inflação
Nesta terça-feira (10), o IBGE divulga o resultado do PIB de 2008. A
expectativa do mercado é de um crescimento em torno de 4,3%. No dia
seguinte, sai o IPCA de fevereiro.
Copom
O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne
nesta terça (10) e quarta-feira (11) para decidir sobre a taxa básica
de juros, hoje em 12,75%. O mercado espera nova redução. A ata
da reunião será divulgada na próxima semana (19).
As centrais sindicais e
demais entidades - confederações, federações
e sindicatos - realizam manifestações em todo País
pela redução dos juros. Desse modo, nos dias 10 e 11,
haverá vários atos, inclusive um acampamento um, às
16h, no dia 10, em frente ao Banco Central, na Av. Paulista.
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Correio Braziliense, 9 de março
de 2009
Queda da economia aumenta pressão
por corte dos juros
Na próxima terça-feira
(10), quando for divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre
de 2008, o Brasil terá a noção exata do impacto
sofrido com a crise financeira mundial. E ele não foi pequeno.
É consenso entre analistas
a estimativa de queda de 2,2%, embora os mais pessimistas apontem um
tombo de até 3%. Levando em consideração o índice
anualizado, o país ficou 9,6% mais pobre, o oitavo pior resultado
entre 25 países analisados.
Como a expectativa de retração
se mantém nos primeiros três meses deste ano, tecnicamente
já é possível afirmar que o quadro é de recessão.
Diante disso, o Banco Central será forçado a acelerar a
redução dos juros.
Mesmo os mais conservadores do
mercado já apostam num corte de 1,5 ponto percentual na Selic
na reunião do Copom nesta semana. No Reino Unido, o Governo anunciou
que ampliará seu controle sobre o terceiro maior banco do país,
o Lloyds, para até 77%.
Corte
maior nos juros
O mau desempenho da indústria em janeiro levou alguns especialistas
a acreditar em corte de até 1,5 ponto percentual na taxa básica
de juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária
do Banco Central), na próxima quarta-feira. Hoje, a Selic está em
12,75% ao ano.
"Acreditava-se que o ajuste
mais forte já tivesse ocorrido, mas ficou claro que ainda ocorreu
em janeiro", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica
Investimentos.
"Pesou nisso a produção
de bens de consumo não-duráveis. O consumidor está muito
pessimista, o que interferiu nesse resultado".
A expectativa era que o crescimento
da produção em janeiro, em relação a dezembro,
fosse o dobro dos 2,3% registrados pelo IBGE.
Para o economista-chefe da RC
Consultores, Marcel Pereira, a Selic deverá ficar abaixo de 11%
ao fim de 2009. "Mais do que no curto prazo, a queda na indústria
aponta para onde o Copom irá até o fim do ano", afirma.
Também ficou claro para
especialistas que uma recuperação, se vier, só ocorrerá no
fim do segundo trimestre.
"O primeiro trimestre continuará muito
difícil. Apesar do desempenho em relação a dezembro,
os dados dos últimos 12 meses deixam claro que não haverá uma
súbita melhora que compense a queda", diz o economista Rogério
César Souza, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial).
Recuperação
Especialistas acreditam em alguma recuperação entre maio e junho
graças às ações do Governo e do BC.
"O Governo deve continuar
criando incentivos fiscais, e, diante do resultado, o Copom deverá manter
os cortes na taxa de juros", diz Rosa.
Para empresários, apesar
das ações do Governo para restabelecer o crédito,
as condições de financiamento permanecem ruins para as
empresas, o que explica o mau desempenho da indústria de máquinas
e equipamentos.
"Ações
mais efetivas para reduzir os juros básicos contribuiriam para
a retomada da demanda doméstica e da atividade industrial",
diz Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira
da Infraestrutura e Indústrias de Base). (Com Correio e Folha)
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2009
Economia global
Bancos centrais estimam retração
mundial ainda pior
Presidentes dos bancos centrais mais poderosos do planeta desembarcaram ontem
na Suíça com números assustadores embaixo do braço.
Cálculos preliminares apontam que o PIB do planeta pode ter a pior queda
em décadas e que a contração seja de 2% em 2009, um cenário
bem mais negativo que as projeções do Fundo Monetário
Internacional (FMI) ou da ONU. A América Latina ficaria estagnada e,
no máximo, teria uma alta no PIB de 0,5%. A crise seria, portanto, mais
profunda e mais abrangente do que se calculava até agora.
A reunião dos maiores
bancos centrais do mundo começou ontem para avaliar a situação
da economia internacional. A percepção é de que
os problemas enfrentados pelo sistema financeiro são mais importantes
do que foram avaliados na última reunião dos BCs, em janeiro.
Desde então, os novos
números apontaram para a pior retração nas economias
dos Estados Unidos, Reino Unido e outros em três décadas.
Durante o encontro, bancos centrais
debateram políticas anticíclicas, se governos devem ou
não gastar nesse momento, como e a que taxas de juros os pacotes
de socorro deveriam ocorrer. O FMI havia indicado que o mundo poderia
ter um crescimento de 0,5% em 2009, puxado pelos países emergentes.
Já a ONU, na semana passada, admitiu que isso poderia não
ocorrer e que os emergentes não conseguiriam segurar a crise.
O resultado seria uma contração de 1% no PIB do planeta.
Agora, as projeções
trazidas por vários presidentes dos BCs, mesmo que não
oficiais, é ainda pior. “A situação é muito
grave e esses números (de 2% de queda) podem de fato ocorrer.
Todos, inclusive os emergentes, estão sendo afetados. Os números
de crescimento mundial de fato podem ser muito baixos se considerarmos
que a economia americana caiu em 6%, no Japão a queda foi de 12%
e, na Europa, ainda será duramente afetada nos próximos
meses”, afirmou o vice-governador do BC da Arábia Saudita,
Mohamed Al-Jasser.
Falando em condição
de anonimato, um presidente de um banco central latino-americano apontou
que não está descartado que o PIB mundial sofra uma contração
de 2,2%. “A América Latina tem a chance de ficar com um
pouco da cabeça fora da água, mas não muito”,
disse.
Segundo ele, a queda nas
atividades dos países ricos deve afetar ainda mais as exportações
nos próximos meses dos países emergentes.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
março de 2009 | Economia
Mulheres podem fazer CPF de graça
nesta semana
Brasília - Nesta semana, todas as agências da Caixa Econômica
Federal estão oferecendo a emissão e a regularização
gratuita do Cadastro de Pessoa Física (CPF) para as mulheres. A ação
faz parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher. O
serviço será disponibilizado de hoje até sexta-feira,
dia 13, das 11h às 16h. Sem este documento, não é possível
abrir contas bancárias ou ser titular de programas sociais.
As mulheres maiores de 18 anos
devem levar um documento de identificação que contenha
os dados de filiação e data de nascimento, além
do título de eleitor ou documento de dispensa de alistamento eleitoral.
Quem ainda não tiver 18 anos, pode ser representado por um dos
pais ou responsáveis munido de documentos.
As mulheres com idade entre 16
e 18 anos que tiverem documento de identificação com filiação
e data de nascimento podem solicitar a emissão ou a regularização
do CPF sem a presença de um responsável.
Atualmente, a emissão
do CPF custa R$ 5,50 e pode ser feita nas agências da Caixa, do
Banco do Brasil e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT). De acordo com a Caixa, desde 2004, 1,5 milhão de mulheres
já emitiram o documento gratuitamente por causa da campanha realizada
pela instituição.
Agência Brasil
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JORNAL CRUZEIRO DO SUL, 09
de março de 2009
HABITAÇÃO
FGTS vai poder pagar imóvel
até R$ 600 mil
Cruzeiro On Line
O valor máximo do imóvel que poderá ser adquirido com
o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) do mutuário
será elevado dos atuais R$ 350 mil para R$ 600 mil. A informação
foi dada sexta-feira (6) pela assessoria de imprensa do Ministério da
Fazenda. Ela confirmou também que o valor do pacote da habitação é de
R$ 70 bilhões. Esses recursos não sairão integralmente
dos cofres públicos. Boa parte refere-se a financiamentos, que serão
pagos pelos adquirentes dos imóveis.
Ainda não está totalmente
certo, mas o pacote poderá conter outra vantagem: o saldo do FGTS
poderá ser usado mensalmente para pagar prestações
da casa própria. Atualmente, os recursos só podem ser utilizados
de dois em dois anos, para reduzir o valor das prestações
ou abater no saldo devedor. Há mais uma "bondade" em
estudo para facilitar a compra da casa própria pelas famílias
de renda mais elevada. Nos imóveis financiados pelo Sistema Brasileiro
de Poupança e Empréstimo (SBPE), a parcela financiada aumentará dos
atuais 80% para 90%.
Ou seja, o valor da entrada
a ser paga à vista ficará menor. Os imóveis que
se enquadram no SBPE são aqueles de valor mais elevado. Embora
o foco do pacote habitacional do governo sejam as famílias com
renda de até 10 salários mínimos (R$ 4.650), há agrados
para todas as faixas de renda. A classe média terá mais
chances de comprar a casa própria sem ter de pagar entrada. Os
imóveis construídos com recursos do FGTS, que hoje são
financiados em 80%, passarão a ser financiados na sua totalidade.
Enquadram-se nessa categoria
as moradias avaliadas em até R$ 130 mil (se estiverem nas regiões
metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro ou Distrito Federal),
R$ 100 mil (nos municípios de até 500 mil habitantes) ou
R$ 80 mil (nas demais regiões). Podem comprar imóveis financiados
pelo FGTS as famílias com renda de até R$ 3,9 mil mensais
(ou R$ 4,9 mil, se morarem em São Paulo, Rio de Janeiro ou Distrito
Federal). Hoje, há linhas do FGTS que financiam 100% do valor
do imóvel. No entanto, o prazo de pagamento é relativamente
curto: 20 anos. Nos contratos de 30 anos, a parcela financiada é 80%. É essa
parcela que os técnicos querem elevar para 100%.(AE)
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2009
Imposto de Renda
Receita promete ressarcir IR sobre férias
Contribuinte deve esperar posição
do Fisco para tentar reaver imposto cobrado sobre o chamado abono pecuniário
A orientação para
quem pretende reaver o Imposto de Renda pago sobre a parcela vendida
das férias é esperar as novas medidas do Fisco para ter
certeza de como proceder. A Receita Federal informou que está estudando
a melhor forma de ressarcir o contribuinte que teve imposto retido indevidamente
entre os anos de 2004 e 2007. Para o valor referente ao ano passado,
o ajuste vai ser feito já declaração deste ano – que
deve ser entregue até 30 de abril.
No início do ano, um parecer
do Fisco acatou uma decisão do Ministério da Fazenda que,
a princípio, põe fim às divergências sobre
a tributação do chamado abono pecuniário. A determinação
de que o dinheiro é uma espécie de indenização – e
que por isso não pode ser tributado como renda – é de
2006. Mas, por causa da falta de clareza na lei, a grande maioria das
empresas continuava a fazer o recolhimento do IR na fonte sobre a parcela
das férias que era vendida.
A princípio, a orientação
era de que o contribuinte que quisesse reaver o dinheiro deveria fazer
uma retificação. O problema é que tal medida acabaria
levando-o direto para a malha fina – já que haveria divergências
em relação ao informado pela fonte pagadora.
Agora, a Receita informa que
a sua equipe técnica está discutindo uma forma de fazer
a devolução de maneira mais ágil, e que os técnicos
da área de tecnologia trabalham em um programa para fazer a devolução
sem burocracia.
Ninguém definiu, no entanto,
um prazo para que isso aconteça. “O ideal é aguardar.
Ainda não temos informação nenhuma de como isso
vai ser feito, nem de quando estará disponível”,
diz a supervisora do Imposto de Renda para o Paraná e Santa Catarina,
Cláudia do Nascimento Thomaz.
Esta também é a
recomendação dos especialistas da área. “O
melhor agora é aguardar, para ver o que vai acontecer. Se nada
mudar, o contribuinte terá mesmo que fazer a retificação – e
se explicar na Receita se cair na malha fina – ou entrar na Justiça”,
diz o especialista em IR do FiscoSoft, Fábio Rodrigues. “O
importante é que a Receita oferece essa saída rapidamente,
para que o contribuinte não perca o direito dos anos anteriores”,
completa o advogado tributarista Lázaro Rosa da Silva, do Centro
de Orientação Fiscal (Cenofisco).
Nesta semana, a Receita Federal
confirmou também a existência de um parecer da Procuradoria-Geral
da Fazenda Nacional, definindo que o direito de reaver esse imposto pago
vale para os últimos cinco anos, e não só a partir
de 2006, como havia sido informado anteriormente.
Último ano
Para o imposto retido no ano
passado, a solução é bastante simples – basta
que o contribuinte preencha corretamente a declaração anual
de ajuste. Para isso, explica Rodrigues, do FiscoSoft, o contribuinte
precisa se certificar de que o seu informe de rendimentos, enviado pela
empresa, traz o valor referente ao abono no campo dos “Rendimentos
Isentos e Nãotributáveis”.
“O valor deve ser inserido
neste campo da declaração. Assim, quando ele entregar o
documento neste ano, já vai ser ressarcido.” Para quem for
apresentar a declaração no modelo completo, a recomendação é que
informe o valor na linha “Outros”, com a especificação “Solução
de Divergência 01/09”. Na versão simplificada, basta
informar o valor como rendimento isento e não tributável
(o formulário não tem espaço para especificações).
Caso o contribuinte tenha vendido
parte das férias, mas o valor não conste no campo dos valores
isentos, ele precisa solicitar outro documento, já corrigido.
Acerto de contas
A declaração anual
de IRPF 2009 deve ser enviada à Receita Federal até 30
de abril. O programa para preenchimento e envio dos dados já está disponível
no site www.receita.fazenda.gov.br.
Precisa acertar as contas
com o Leão quem recebeu rendimentos tributáveis acima
de R$ 16.473,62 no ano passado, ou rendimentos não-tributáveis
superiores a R$ 40 mil.


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EPTV (SÃO PAULO),
16 de março de 2009
SP: Irregularidades na construção
civil sobem 46,98%
Fiscalizações saltaram para
3022 no ano passado no Estado de SP
Dados do Ministério Público
do Trabalho (MPT) mostraram um aumento de 46,98% nas irregularidades
cometidas na construção civil no Estado de São Paulo.
As fiscalizações saltaram de 2056 em 2007 para 3022 no
ano passado.
Só em Campinas foram
quatro fiscalização só no mês de março.
Nesta quinta-feira (5), uma denúncia anônima levou os fiscais
ao alojamento de uma obra no Jardim Eudóxia. No galpão
onde moram cerca de 40 trabalhadores, foram encontradas várias
irregularidades, como falta de vedação e beliches improvisados,
colchões velhos e trabalhadores sem roupa de cama ou armários
disponíveis. No banheiro, falta de papel e de água.
No canteiro de obras, mais irregularidades. O alojamento é inadequado,
com bebedouros e chuveiros insuficientes, além de uma cozinha precária,
tomada pela sujeira. Numa vistoria à obra, a fiscalização
também se deparou com a falta de equipamentos de segurança. Os
responsáveis foram notificados.
Outros casos
Há dois dias, foram encontradas 25 pessoas numa casa superlotada em
campinas. Eles não tinham alimentação nem higiene adequadas.
Em Mogi Mirim, um caso ainda mais grave foi descoberto em fevereiro. Trabalhadores
do Piauí viviam em situação degradante. Eles moravam num
vestiário superlotado, sujo e sem água para todos. Todos foram
aliciados para trabalhar na construção de um conjunto habitacional
da CDHU.
A maioria dos trabalhadores submetidos às condições precárias
de trabalho e moradia é formada por migrantes do nordeste. Eles são
trazidos para o Estado de São Paulo por empreiteiros contratados pelas
construtoras. Segundo o Ministério do Trabalho, os chamados gatos se
aproveitam da grande demanda por mão-de-obra para explorar os operários.
Além de culpar a terceirização pelo crescente número
de irregularidades, o gerente regional do Trabalho e Emprego de Campinas, Sebastião
da Silva, diz que a situação dos trabalhadores se agravou com
a crise financeira. “Houve uma precarização, uma tentativa
de redução de custos pela crise econômica e isso respingou
no empregado”, diz Silva.
Com tantos casos, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil conta com os próprios trabalhadores para combater os abusos e
pede para que todos denunciem. O telefone na região de Campinas é o
(19) 3234-2133.
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CORREIO DA BAHIA, 09 de março
de 2009
BA: Trabalhadores da construção
civil ameaçam entrar em greve
Redação
Reunião entre o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
(Sintracom-BA) e os empresários do setor, que será realizada
nesta segunda-feira, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego,
nas Mercês, poderá decidir se a categoria entrará ou não
em greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana.
Os trabalhadores da construção
reivindicam reajuste unificado de 13% para todo o estado, com piso salarial
de R$ 494,94, para ajudante comum; de R$531,10 para ajudante prático
e R$ 866,37 para operário qualificado; além de cesta básica
no valor de R$ 115 e fim do contrato de experiência, dentre outros
benefícios. Os empresários oferecem reajuste de 5%.
Segundo o Sintracom, 100
mil pessoas trabalham nos canteiros de obras em todo o estado, dentre
esses, 40 mil em Salvador e Região Metropolitana.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/03/2009
JT rejeita competência em processo
movido por presidiário
O trabalho da pessoa presa dentro
do estabelecimento prisional está relacionado à execução
da pena e tem finalidade educativa e ressocializadora e, por isto, trata-se
de relação essencialmente vinculada ao direito penal. Com
este fundamento, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho declarou
a incompetência da Justiça do Trabalho para julgar ação
trabalhista movida por um presidiário de Pernambuco. O processo
será remetido à Vara Criminal competente.
O autor da reclamação
foi condenado em 2002 a pena de 18 anos de reclusão, inicialmente
em regime fechado, na Penitenciária Professor Barreto Campelo,
em Itamaracá (PE), onde trabalhou durante 310 dias na horta da
instituição. Em 2007, já em regime semi-aberto na
Penitenciária Agroindustrial São João, também
em Itamaracá, moveu ação trabalhista contra o Estado
de Pernambuco em que pedia o pagamento dos dias trabalhados, no total
de R$ 5.890,00.
Na inicial, seu advogado alegava
que, de acordo com a Lei de Execuções Penais, a remuneração
do trabalho deve atender à indenização dos danos
causados pelo crime, à assistência da família, a
pequenas despesas pessoais e ao ressarcimento do Estado das despesas
com a manutenção do condenado. A parte restante deve ser
depositada em caderneta de poupança a ser entregue ao preso quando
posto em liberdade. “O Judiciário não pode ser partícipe
dessa situação, ainda mais quando a Constituição
garante a todos o direito à dignidade, à isonomia, à cidadania, à função
social da economia, à proibição da discriminação”,
sustentou o advogado, “tudo à luz do princípio da
dignidade humana”.
A 22ª Vara do Trabalho do
Recife (PE) acolheu preliminar de incompetência da Justiça
do Trabalho e determinou a remessa do processo à Justiça
Estadual. Mas o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região
(PE), ao julgar recurso ordinário, rejeitou a incompetência
e remeteu o processo de volta à Vara do Trabalho, para julgamento.
O Estado de Pernambuco interpôs então recurso de revista
para o TST, no qual sustentou que o serviço prestado pelo presidiário
não configura relação de trabalho, uma vez que o
preso não tem liberdade de contratar e que seu trabalho é “dever
social com finalidade educativa e de remição da pena”.
Alegou, ainda, que a Lei de Execuções Penais afasta a aplicabilidade
da CLT e determina a competência do Juízo de Execuções
Penais – e, portanto, da Justiça Estadual.
Numa análise detalhada
da matéria, o relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
lembrou que a definição da relação de trabalho
capaz de justificar a competência da Justiça do Trabalho
depende não só de elementos intrínsecos às
atividades exercidas pelo “trabalhador” (ou seja, não
basta apenas existir a prestação de trabalho), mas, também,
devem ser observadas outras circunstâncias. Como exemplo, citou
o servidor público estatutário, que mantém relação
de trabalho com entes públicos mas está fora da jurisdição
trabalhista.
Para o relator, o ideal seria,
na ressocialização do preso, aplicarem-se as normas da
CLT, e com isso ser o trabalhador preso igual a um em liberdade, inclusive
quanto ao julgamento das ações trabalhistas. “Seria
mais eficaz, não haveria exploração do preso e,
em sentido contrário, protegeria também o trabalho do ‘homem
livre’ e haveria contribuições previdenciárias
e fiscais. Mas, para isso, seria necessária uma reforma legislativa”,
concluiu. (RR 1072/2007-011-06-40.4)
(Carmem Feijó, com colaboração
de Dirceu Arcoverde)
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09/03/2009
Empresa de ceras é condenada
subsidiariamente por verbas devidas a promotor
A empresa Ceras Johnson Ltda.
responderá, na qualidade de responsável subsidiária,
pelo pagamento de verbas rescisórias a um promotor de vendas que
fazia reposição de produtos e merchandising de seus produtos
em supermercados no Rio Grande do Sul. A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em processo relatado pela ministra Maria de Assis Calsing,
manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS) ao rejeitar (não conhecer) recurso da empresa.
Segundo a ministra Calsing, a
decisão regional está de acordo com a jurisprudência
do TST (Súmula nº 331), que prevê a responsabilização
do tomador de serviço quando o trabalhador é lesado pelo
descumprimento da legislação trabalhista. O promotor de
vendas foi contratado pela empresa Promonews que, por sua vez, prestava
serviços à Ceras Johnson. As tarefas do promotor consistiam
na reposição de produtos na gôndola, etiquetagem,
limpeza e arrumação, retirada de produtos danificados ou
com embalagens estragadas, montagem de pontos extras, fixação
de material de ponto de venda e emissão de relatórios,
quando solicitado.
No recurso ao TST, a defesa da
Johnson alegou que o contrato com a Promonews previa claramente a responsabilidade
exclusiva da prestadora de serviço pelas parcelas de cunho trabalhista.
O argumento foi rejeitado porque as disposições contratuais
de natureza civil têm eficácia restrita às partes
celebrantes, e são ineficazes em relação aos direitos
dos empregados da empresa prestadora. A Johnson também alegou
que “os produtos demonstrados pelo trabalhador poderiam ser de
qualquer empresa, uma vez que a Promonews representa inúmeras
outras empresas e indústrias, nas mais diversas atividades”.
Além disso, segundo a defesa, não havia nos autos nenhum
elemento de prova em relação à inidoneidade da Promonews.
Este último argumento
também foi rejeitado, uma vez que a Súmula nº 331
do TST autoriza a responsabilização subsidiária
do tomador do serviço pelo inadimplemento das obrigações
trabalhistas mesmo na hipótese de terceirização
lícita. No recurso foi contestada ainda a condenação
ao pagamento de horas extras, e a decisão regional também
foi mantida. Isso porque, embora executasse trabalho externo, ficou comprovado
que o promotor de vendas participava de reuniões semanais na empresa
e trabalhava aos domingos pela manhã, sem a correta compensação.
(RR 86495/2003-900-04-00.9)
(Virginia Pardal)
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