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Gazeta do Povo, 10 de março
de 2009
Salário
PR: Reajuste do piso regional será votado
na próxima semana
O projeto do governo estadual, que aumenta em 14,9% o valor do
novo mínimo
regional no Paraná, começou a tramitar ontem na Assembleia Legislativa
e deve ser votado na próxima semana. Enquanto governistas defendem a
proposta como uma forma de aquecer a economia, a oposição critica
o aumento por causa da crise financeira mundial.
O piso regional vale para trabalhadores
que não têm acordo coletivo de trabalho, como empregados
domésticos, trabalhadores rurais, cortadores de cana, zeladores
e faxineiros.
Serão seis faixas variáveis
entre R$ 605,27 e R$ 629,65, dependendo da categoria profissional. O
valor será 12,05% maior que o praticado nos outros estados e até 35,2%
superior ao salário mínimo nacional, que teve reajuste
de 12% e hoje está em R$ 465.
Pelos cálculos do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
o novo piso regional deve beneficiar 453 mil trabalhadores diretos e
indiretos.
Para o deputado Valdir Rossoni
(PSDB), o governo vai fazer “cortesia com o chapéu alheio” num
momento em que o próprio governador Roberto Requião (PMDB)
quer aprovar outro projeto cortando incentivos fiscais para as empresas
que demitirem pessoal.
O líder da bancada do
PSDB, Ademar Traiano, prevê que o aumento do mínimo vai
gerar grandes problemas nas relações trabalhistas. “Todos
os setores da economia já apertaram os cintos e sinalizam que
não têm como dar aumento agora, como quer o governador”,
afirmou.
O entendimento do governo, porém, é de
que os empregadores têm como assimilar o reajuste porque a economia
no Paraná cresceu nos últimos dois anos. “Já reajustamos
em 9,1% o salário no ano passado e todo mundo conseguiu pagar”,
disse o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
Outro que defende a proposta é o
presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus (DEM). Para ele,
o reajuste é uma “injeção de ânimo no
mercado” em tempos de crise e deve ser votada o mais rápido
possível para que possa vigorar a partir de primeiro de maio.
O governo tem maioria para aprovar
o projeto, mas não vai ser poupado pelos deputados de oposição
por não conceder o mesmo reajuste salarial para o funcionalismo
público.
O deputado Antonio Belinati (PP)
apresentou projeto de lei para que o aumento de 14,9% seja estendido
para os servidores públicos estaduais. Outros parlamentares pretendem
apresentar emendas a mensagem do governo garantindo o mesmo benefício
ao funcionalismo.
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AEN - AGÊNCIA ESTADUAL
DE NOTÍCIAS, 10 de março de 2009
Crise financeira atinge Estados e
os países de maneira diferente
“A crise econômica mundial”
A crise financeira mundial continua
dominando os grandes espaços da mídia no Brasil, com opiniões,
muitas vezes, tendenciosas, que só observam e divulgam o lado
dos empresários interessados apenas no lucro fácil. Primeiro, é bom
lembrar mais uma vez - e isso a grande mídia não divulga
- que essa crise é fruto de décadas de políticas
neoliberais que levaram a internacionalização do capital
financeiro e causaram o enfraquecimento do Estado.
Ela começou a nascer com
as políticas neoliberais defendidas pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial. A chamada globalização,
na verdade, internacionalizou o capital financeiro, tornando o mundo
refém das variações e transações de
capitais.
Essa crise não atinge
da mesma forma todos os países e também os estados no Brasil.
A turbulência nos Estados Unidos, que é muito grande, é diferente
da crise na Europa. No Brasil e na vizinha Argentina, os reflexos da
crise são menores. Já a crise que atinge São Paulo
não tem os mesmos efeitos no Paraná. Cada estado e cada
país sente a crise de forma diferente. Não se pode fazer
comparações entre realidades desiguais, é um contrassenso.
Estamos no terceiro mês
de 2009 e, apesar do pessimismo de muitos, o País está enfrentando
a crise de cabeça erguida. As medidas adotadas pelo governo Lula
têm surtido bons resultados e, no Paraná, o governo Requião
vem enfrentando a turbulência de maneira eficaz, com investimentos
que possibilitam a geração de novos empregos.
Aliás, em janeiro, com
crise e tudo, foram criados 1,6 mil novos empregos com carteira assinada
no Paraná. Fomos um dos poucos estados que começaram o
ano com saldo positivo, taxa de 0,07% de crescimento. A Região
Metropolitana de Curitiba foi a única do País que apresentou
alta: 0,06%. O governo está mantendo todos os investimentos do
Estado. Nenhum dos programas e ações do governo está sofrendo
descontinuidade ou restrição de recursos.
Agora mesmo, tramita na Assembléia
Legislativa do Paraná, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
enviada pelo governo Roberto Requião, que vincula a concessão
de incentivos fiscais para empresas à manutenção
e ampliação de empregos. O Paraná não está simplesmente
observando a crise passar. Estamos tomando medidas que geram novos postos
de trabalho e com isso aumentam o consumo e a renda do Estado.
Do ponto de vista de gestão
e do desenvolvimento local, em termos de impostos, por exemplo, o estado
diminuiu no ano passado a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias) de 18% para 12% em 95 mil produtos.
Também tramita no Legislativo
estadual, a proposta do governo para reajuste do piso salarial regional
em 14,9% , devendo ficar entre R$ 605,52 e R$ 629,65. Se aprovado o reajuste,
o maior piso do Estado deve ser 35,2% superior ao salário mínimo
nacional, que passou de R$ 415,00 para R$ 465,00 no dia 1º de fevereiro.
O reajuste do piso do Paraná deve vigorar a partir do dia 1º de
maio, beneficiando diretamente 170 mil trabalhadores. O reajuste aquece
a economia, porque promove aumento no poder aquisitivo e distribuição
de renda.
O Paraná, mais uma vez,
demonstrando sua preocupação com os destinos do País,
será palco de um seminário internacional para discutir
a crise. No ano passado, quando se realizou em Curitiba, durante quatro
dias de dezembro, o Fórum Crise, Rumos e Verdades, com a participação
de 40 especialistas de diversas partes do planeta, durante a minha exposição,
disse que a crise iria aprofundar o processo de integração
sul-americano. Hoje, não tenho dúvidas de que isso está acontecendo.
No entanto, acredito que temos de ampliar a integração
política para combater as desigualdades sociais.
Continuo defendendo que o melhor
remédio para combater a crise é investir, principalmente
em infraestrutura e construção de moradias populares. O
governo do presidente Lula vem fazendo isso, com os investimentos do
PAC - Programa de Aceleração do Crescimento.
Também defendo a tese
da redução dos juros para incentivar os investimentos produtivos
e o consumo interno. Recentemente, o governo federal reduziu a taxa de
juros no país, de 13,75% para 12,75%. Embora baixa, afinal de
contas foi a redução de um ponto percentual, isso tem um
efeito fundamental para a economia do país e para as nossas vidas.
A redução deixa claro que o Banco Central não está à margem
da crise e indica uma tendência de queda de juros dentro dos próximos
meses. Acredito que até o final do ano, a taxa chegue aos 10%.
Agora, de nada adianta o governo
adotar medidas e alguns empresários tentarem se aproveitar da
ocasião para obter lucro fácil. Muitas empresas ganham
isenções de impostos e na primeira crise demitem para não
mexer nos lucros. Ou, com auxílio da grande mídia, apregoam
aos quatro cantos que só tem um jeito de se manter o emprego:
mudando a legislação trabalhista. Eles insistem que a saída é reduzir
a carga horária dos trabalhadores, pagar menos, cortar direitos.
O momento exige união
entre a classe trabalhadora, governo e empresários responsáveis.
Não podemos concordar que os direitos dos trabalhadores sejam
alterados. O décimo terceiro, as férias, a licença
maternidade, entre outros benefícios, foram conquistas depois
de muita luta. O que não podemos, nesse momento, é concordar
que alguns ganhem e que os trabalhadores, como sempre, percam.
* Enio Verri é secretário
de Estado do Planejamento e professor do Departamento de Economia da
UEM - Universidade Estadual de Maringá
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DIÁRIO DE PERNAMBUCO,
10 de março de 2009 | Economia
Crise dá espaço ao subemprego
IBGE Subocupados crescem 14,2% de outubro
de 2008 a janeiro/09
Rosa Falcão // Diario
rosafalcao.pe@diariosassociados.com.br
A crise financeira está empurrando
os brasileiros para o subemprego. No período de outubro de 2008
a janeiro de 2009 cresceu 14,2% o número de pessoas subocupadas
nas seis principais regiões metropolitanas do país.
Pelo menos 88 mil trabalhadores nessas condições de trabalho
engrossaram o cordão de 708,9 mil subempregados no período. Eles
representam 7% da população ocupada estimada em 21,2 milhões
em janeiro deste ano nas áreas metropolitanas. Os números são
da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatítica (IBGE).
Quando a crise financeira começou
a recrudescer em outubro do ano passado o contingente de subempregados
somava 647,94 mil, subiu para 673,18 mil em dezembro e ultrapassou a
marca de 700 mil em janeiro deste ano. No comparativo entre janeiro de
2008 e janeiro de 2009 o aumento da subocupação foi de
11% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. O IBGE considera
subempregados os trabalhadores que poderiam e estão dispostos
a trabalhar um número maior de horas e não conseguem por
falta de oportunidade. Mas alguns especialistas incluem aqueles que sobrevivem
de atividades precárias, sem a cobertura social, com renda mensal
incerta e indefinida.
"É certo que num
momento de crise as empresas tendem a rever os seus custos e investimentos
quando percebem que haverá queda nas vendas e na demanda. Como
os encargos trabalhistas no país são muito altos, há corte
de vagas e aumenta o subemprego", destaca o consultor da Datamétrica,
Carlos Magno. Em sua avaliação, a subocupação é o
emprego na sua forma mais precária porque é incerto, irregular
e não há garantia de renda. "Desorganiza o fluxo de
receitas das famílias, aumenta a inadimplência, pressiona
a arrecadação do INSS e aumenta o pagamento do seguro desemprego",
completa.
Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa
Mensal de Emprego (PME), considera cedo para afirmar que o aumento do
subemprego entre outubro de 2008 e janeiro de 2009 foi motivado pela
crise financeirainternacional. "Temos que esperar um pouco mais
a evolução da subocupação e da sub-remuneração
nos próximos meses para ter uma leitura mais correta do quadro",
diz. Em relação à evolução do subemprego
por região, Cimar informou que o dado não foi desagregado
porque a subocupação representa apenas 7% do total de ocupados
definidos na PME.
Especialista em mercado de trabalho,
o professor Lauro Ramos, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas
(Ipea), diz que ao se confirmar os efeitos da crise no mercado de trabalho
metropolitano é natural que cresça o contingente de subocupados.
Ele espera que esse quadro fique mais nítido a partir de março
porque a economia volta à normalidade após o carnaval. "É natural
que o crescimento desse tipo de ocupação predomine diante
da precariedade do mercado de trabalho. Há também as pessoas
que em situação normal não estaria trabalhando,
mas diante da dificuldade de renda da família procuram essas ocupações",
resume.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Economia
Desemprego não atingiu todas
as áreas da economia
Mara Andrich
A crise mundial pode estar afetando alguns setores da economia quando se trata
de contratação ou demissão, mas há aqueles que
continuam bastante sólidos. É o caso das áreas da agricultura
e pecuária, comércio varejista e, ainda, fabricação
de produtos alimentícios e bebidas.
No setor da agricultura, as 245
agências do trabalhador de todo o Paraná abriram 3.576 vagas
em janeiro deste ano - último relatório atualizado pela
Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego e Promoção Social.
Em seguida no “ranking” estão
as 2.414 vagas ofertadas para o comércio varejista e, em terceiro,
ficam os 1.553 postos de trabalho das fábricas de produtos alimentícios
e bebidas.
Em quarto lugar ficou o setor
que surpreendeu no ano passado, quando era praticamente líder
no número de vagas ofertadas: a construção civil,
que abriu 1.240 novos postos em janeiro deste ano.
A coordenadora de Intermediação
de Mão-de-Obra da Secretaria, Angela Carstens, explica que os
setores que estão no topo do “ranking” sempre oscilaram
nos primeiros lugares, e com a crise eles não foram afetados.
No caso da agricultura, Angela conta que as agências quase sempre
conseguem ocupar metade das vagas, o que é considerada uma boa
taxa.
“Neste setor não
há muita exigência quanto à escolaridade, por isso
a facilidade”, comentou. Já na área do comércio
varejista, sobretudo em lanchonetes e supermercados, a situação é um
pouco mais complicada, segundo Angela. “Pesquisas feitas com as
pessoas que trabalham nos supermercados indicam que muitas delas deixam
o emprego por causa da falta de perspectiva de crescimento profissional”,
avaliou.
A mesma situação
ocorre na construção civil. “Hoje sobram vagas no
setor porque o filho do pedreiro não quer mais ser pedreiro, por
exemplo. Sem falar que é preciso ter um pouco mais de escolaridade,
pois muitas vezes tem que saber até a Língua Portuguesa
para interpretar um projeto, por exemplo”, disse.
Com relação aos
supermercados - que abrem vagas com frequência - o presidente da
Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Everton
Muffato, lembrou que no momento a Páscoa está possibilitando
a abertura de novos postos - cerca de oito mil temporários até agora
- e que a área abre vagas constantemente. O motivo, segundo ele, é a
rotatividade.
“Temos muitos funcionários
que têm o seu primeiro emprego no supermercado. Na medida em que
vão estudando passam para outro emprego e abrem uma nova vaga”,
comentou.
Muffato não acredita que
os trabalhadores dos supermercados não vejam perspectivas na carreira,
para ele tudo depende da empresa. Já com relação
aos horários, ele acredita que ainda há a cultura, principalmente
nas cidades menores, de não simpatizar com a ideia de trabalhar
aos domingos.
Se você tiver críticas
ou sugestões escreva para emprego@oestadodoparana.com.br.
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Valor Online, 10 de março
de 2009
CNI: aumento nas horas trabalhadas
na indústria e queda no emprego
As horas trabalhadas na produção
da indústria nacional tiveram alta de 1,3% em janeiro no confronto
com o mês anterior pelo critério dessazonalizado e avançaram
1% sem ajuste sazonal, informou hoje (9) a Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Perante janeiro de 2008, foi observada
baixa de 6,5% nas horas trabalhadas na produção.
Já a massa salarial real
da indústria de transformação caiu 17,8% em janeiro
perante o mês antecedente, mas cresceu 2,1% no comparativo com
o primeiro mês de 2008.
O recuo na base mensal tem traço
sazonal, segundo a CNI, já que em janeiro sempre há uma
queda no comparativo com o mês anterior, quando a massa salarial
aumenta devido a bônus, participação nos lucros e
13º salário.
O nível de emprego recuou
0,7% no mês em janeiro, pelo critério dessazonalizado. Sem
ajuste, a queda foi de 1,1% no confronto com o fim de 2008. Em relação
a janeiro do ano passado, houve declínio de 0,1%.
A CNI observou que o emprego
recuou pelo terceiro mês seguido e foi a primeira queda em três
anos comparando com o mesmo mês do ano anterior.
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InfoMoney, 10 de março
de 2009
Faturamento real da indústria
em janeiro tem o pior resultado da série
De acordo com a pesquisa Indicadores
Industriais da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
publicada, nesta segunda-feira (9), o faturamento real da indústria
de transformação no Brasil em janeiro caiu 4,3%, na série
dessazonalizada. Este foi o pior resultado para os meses de janeiro desde
o início da série da pesquisa, em 2003.
Conforme o estudo, a atividade
industrial começou 2009 com um comportamento similar ao verificado
no fim de 2008, sendo que houve variação negativa para
a maioria dos indicadores pesquisados e uma maior intensidade das quedas.
No confronto com o mesmo período
do ano anterior, o faturamento real da indústria registrou a maior
queda da série, e a única de dois dígitos: -13,4%.
Emprego
industrial
Na mesma linha, o emprego industrial recuou pelo terceiro mês seguido,
tendo acumulado queda de 2,4% nesse período, no indicador livre das
influências sazonais. Em três anos essa foi a primeira redução
de postos de trabalho na indústria em relação ao mesmo
mês do ano anterior (-0,1%).
O estudo mostrou ainda que indústria
operou, em média, com 78,4% da capacidade instalada em janeiro,
no indicador ajustado sazonalmente. Esse valor representou uma queda
de 1,0 ponto percentual em comparação com dezembro de 2008.
Nos últimos quatro meses, o nível de UCI (Utilização
da Capacidade Instalada) acumulou queda de 4,6 pontos percentuais.
O número de horas
trabalhadas, por sua vez, foi a única variável que registrou
crescimento na passagem mensal, de 1,3% no indicador dessazonalizado.
A pesquisa ressalta, porém, que nos três meses anteriores
houve queda de 10,3%. Ou seja, o aparente bom resultado desse indicador
em janeiro só foi possível devido à fraca base
de comparação.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Economia
Para CNI, indústria dificilmente
terá crescimento em 2009
Agência Estado
Com a queda recorde, de 13,4%, nas vendas da indústria em janeiro ante
o mesmo mês do ano passado, o economista-chefe da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, disse hoje
que "é muito difícil que a indústria mostre um crescimento
da sua atividade em 2009". Ele lembrou que na semana passada o IBGE havia
anunciado uma redução de 17,2% na produção industrial
na mesma comparação.
Segundo a CNI, considerando o
chamado efeito carregamento, as vendas da indústria teriam que
crescer pelo menos 12% até o final do ano para compensar o tropeço
de janeiro e fechar o ano no empate. O porcentual é menor do que
o de janeiro porque o cálculo é feito em comparação
com a média de 2008.
Castelo Branco disse ainda que é possível
que a indústria apresente um desempenho negativo este ano em comparação
com 2008. O economista adiantou que em duas semanas a CNI apresentará a
revisão de suas previsões para a economia brasileira. "Deveremos
revisar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para algo perto
de zero", disse, ao lembrar que a previsão anterior, divulgada
em dezembro, era de uma expansão de 1,8% para a economia, no pior
cenário.
Apesar de não falar
em porcentual específico, Castelo Branco também defendeu
uma queda mais forte da taxa básica de juros na reunião
desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). "A
economia sofre mais riscos de crescimento negativo do que de alta da
inflação", disse em entrevista coletiva à imprensa.
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Folha de S.Paulo, 10 de março
de 2009
Equipe da Fazenda já vê PIB
de 2% no ano
Mantega mantém "meta" de
4%, mas técnicos do ministério reduzem previsão
com cenário externo ruim e juros altos | Equipe espera ainda
que IBGE anuncie hoje retração de até 2,8%
do PIB no quarto trimestre de 2008 em relação ao
terceiro trimestre
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A equipe do Ministério
da Fazenda já admite internamente que o crescimento do Brasil
neste ano deverá ficar entre 2,5% e 2%, segundo a Folha apurou.
A projeção, ainda acima das expectativas do mercado, é menor
que os 4% que o ministro Guido Mantega aponta publicamente como "meta" para
o desempenho do PIB de 2009. O ministério vai fechar a nova previsão
para o ano depois de o IBGE divulgar hoje o resultado do PIB do último
trimestre de 2008.
Se confirmada por Mantega, a nova previsão deverá ser incluída
no Orçamento junto da projeção de receitas do ano. Com
isso, o governo poderá decidir o tamanho do corte nos gastos públicos.
Ocorre que, politicamente, é improvável que o governo admita
publicamente a forte desaceleração -todo o discurso do governo
sobre a crise é baseado na ideia de que a economia está sólida
e que o consumo deve ser incentivado.
A estimativa atual prevista no Orçamento é de crescimento de
3,5%. O Banco Central prevê 3,2%, mas também poderá revisar
para cerca de 2%. Na média, os analistas de mercado apostam em alta
de 1,2% do PIB.
A diferença entre a projeção da Fazenda e a do mercado
está na aposta para o quarto trimestre deste ano. Nos últimos
três meses, os técnicos do governo acreditam que a queda de juros
e os efeitos do pacote habitacional poderão puxar a economia.
Ontem, os técnicos da Fazenda estimavam que o IBGE divulgará hoje
crescimento entre 5,1% e 5,4% do PIB de 2008. Para este número se confirmar,
a economia terá que registrar crescimento entre 1,5% e 2,7% no último
trimestre de 2008 em comparação com o quarto trimestre de 2007.
Se comparado com o terceiro trimestre do ano passado, haverá uma retração
da economia entre 2,8% e 1,5%.
Juros altos
No final do ano passado, quando a Fazenda manteve a projeção
de crescimento de 4% para este ano, a equipe do ministério acreditava
que a taxa básica de juros seria reduzida pelo BC já em dezembro.
Como o corte da taxa Selic só veio em janeiro, o ritmo de queda dos
juros e seu efeito na economia serão mais lentos que o projetado inicialmente.
Na avaliação de técnicos do ministério, mesmo se
o BC fizer um corte mais forte dos juros na reunião do Copom que termina
amanhã, de um ponto percentual ou mais, o efeito só virá em
seis a nove meses. Na média, o mercado financeiro espera corte de um
ponto nos juros amanhã, para 11,75% ao ano.
O quadro internacional, por sua vez, deteriorou-se mais do que o Ministério
da Fazenda previa anteriormente. Embora o pacote fiscal do presidente dos EUA,
Barack Obama, possa apresentar uma resposta rápida, o quadro ainda é muito
ruim. Não se sabe, por exemplo, quando o crédito voltará a
circular no mercado internacional.
A demora no anúncio do pacote habitacional é outra justificativa
para a revisão dos números. A ideia inicial era fazer medidas
com respostas imediatas, mas o conceito mudou para um programa mais amplo e
de mais longo prazo. Com isso, a projeção é que as medidas
habitacionais só apresentem efeito no crescimento da economia no fim
deste ano e em 2010.
A última justificativa para o crescimento menor neste ano é o
preço da gasolina. A aposta era a redução do combustível,
mas, diante da queda no lucro da Petrobras e da previsão de alta na
cotação do barril de petróleo nos próximos três
meses, a empresa poderá manter o valor cobrado na bomba ou até aumentar
o preço, o que impediria queda da inflação e reduziria
a renda disponível para o consumo em geral.
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Agência Informes, 10 de março
de 2009
Programa habitacional favorecerá população
de baixa renda
O Governo Federal vai subsidiar
quase que integralmente a compra da casa própria para mutuários
de baixa renda. O programa habitacional que será lançado
neste mês pelo presidente Lula prevê prestações
mensais simbólicas, de R$ 15 a R$ 20, para famílias que
ganham até três mínimos (R$ 1.395) por mês.
Para facilitar ainda mais a vida
dos mais pobres e evitar o acúmulo do aluguel com as prestações,
o comprador só começará a pagar quando estiver morando
no imóvel.
O programa foi discutido, na última
terça feira (3), no Palácio do Planalto, durante reunião
dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Márcio
Fortes (Cidades), Luiz Dulci (da Secretaria geral da Presidência
da República) e com os deputados Zezéu Ribeiro (PT/BA)
e Paulo Teixeira (PT/SP) e com líderes dos movimentos sociais
por moradia digna.
A meta do Planalto é construir
1 milhão de casas populares, 500 mil neste ano e outros 500 mil
em 2010.
A idéia do Governo Lula é baratear
a construção e estimular a compra da casa própria.
Embora o programa seja destinado a famílias que recebem até dez
mínimos (R$ 4.650), os subsídios de quase 100% atingirão
apenas os mais carentes, que ganham até R$ 1.395 por mês.
Cálculos da equipe econômica
indicam que 85% do déficit habitacional, de 7 milhões de
moradias, está concentrado nessa faixa, a maioria em grandes cidades.
Urbanização
Zezéu aproveitou o encontro para defender a idéia de que as casas
sejam construídas em áreas beneficiadas pela malha urbana.
"Queremos que as casas sejam
construídas considerando os benefícios da vida urbana,
com acesso a escolas, serviços de saúde, comércio,
lazer, cultura, etc. Não podemos voltar aos tempos do Banco Nacional
de Habitação (BNH) em que as casas eram construídas
longe das cidades. Vamos construir casas, construindo cidades",
defendeu ele.
O esforço do Planalto,
agora, é para que governadores e prefeitos participem do programa,
abrindo mão de receitas como Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS). O pacote usará cadastros
de estados e municípios e o crédito será concedido
pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. O governo
espera que bancos privados também concedam o empréstimo.
Foi Lula quem exigiu uma prestação
simbólica para a camada mais carente da população.
Em conversas reservadas, ele disse que não se trata de distribuir
moradias de graça, mas, sim, financiar o desenvolvimento.
Motivo: Lula acredita que
o investimento no setor habitacional ajuda a combater os efeitos perversos
da crise, tem impacto no emprego, aquece o mercado e faz a economia
girar.
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Folha de S.Paulo, 10 de março
de 2009
Programa habitacional pode dispensar
licitação
Com dispensa, que daria mais rapidez ao pacote,
empreendedor privado pode tocar projeto diretamente com a Caixa Econômica
Federal
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O programa habitacional que o
governo deve lançar até o final do mês prevê dispensa
de licitação para construções de imóveis
quando os terrenos forem privados e exige que os prefeitos e governadores
que aderirem reduzam tributos, segundo informação de prefeitos
que estiveram com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Em duas rodadas de apresentação do programa, ontem, prefeitos
de capitais e de grandes cidades disseram que Dilma e o ministro Guido Mantega
(Fazenda) condicionaram a adesão ao programa à redução
em 50% do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens e Imóveis)
e retenção de ISS (Imposto sobre Serviços) de só 0,1%.
" Os municípios terão que assinar um termo de adesão
que prevê exoneração de tributos", afirmou o prefeito
do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB). Segundo ele, a redução
de ITBI e ISS para a maioria dos municípios não vai representar
renúncia de receita porque haverá outros ganhos diretos com as
construções e posteriormente com os novos bairros. "É um
dinheiro que não entraria."
O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), disse que o governo federal
prevê a dispensa de licitação para construções
em terrenos privados, mesmo quando houver subsídio ao imóvel
financiado.
" A grande inovação para desburocratizar o processo é que
as empresas terão liberdade para comprar os terrenos. Caberá ao
poder público o cadastro das famílias e a liberação
dos projetos", disse.
Foi a forma que o governo encontrou de escapar da lei de licitações
para dar mais celeridade ao processo. Segundo o governador do Espírito
Santo, Paulo Hartung (PMDB), o modelo será semelhante ao PAR (Programa
de Arrendamento Residencial). "O programa praticamente exclui União,
Estados e municípios da execução das obras. O empreendedor
fará o projeto diretamente junto à Caixa Econômica Federal",
disse Hartung, lembrando que a licitação será necessária
só se os terrenos forem públicos. "Ainda falta formatação
jurídica no caso dos terrenos públicos, isso ficou confuso."
Apesar das exigências de reduzir tributos, até mesmo prefeitos
da oposição saíram satisfeitos com a apresentação
do programa, que prevê a construção de 1 milhão
de casas em dois anos. "Se é factível, vamos ver na sequência.
Os municípios estão muito ansiosos para receber recursos para
atender suas demandas", disse Beto Richa (PSDB), prefeito de Curitiba.
Segundo ele, a isenção de impostos não será problema
para Curitiba, que já não cobra esses tributos bem como IPTU
de moradias populares.
Nove governadores conheceram o projeto do governo federal ontem. Hartung disse
ainda que o governo sinalizou que está dividido entre cobrar uma taxa
simbólica -entre R$ 15 e R$ 20- e não cobrar nada de quem ganha
até três mínimos.
" Há quem creia que seja importante para a pessoa ter compromisso
com o imóvel, mas há a visão de que isso será custoso
demais", disse Hartung, referindo-se às despesas com impressão
e envio de boletos.
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Congresso em Foco, 10 de
março de 2009
Vinte e quatro anos em uma imagem
perdida
André Dusek/AE

A foto de Lula com FHC, Collor e Sarney é sensacional e revela o quanto é triste
a história política brasileira, diz Cláudio Versiani.
Desde que vi essa imagem de André Dusek na internet, soube que um dia
teria de escrever sobre ela. Chegou a hora de exorcizar alguns fantasmas.
Penso num monte de adjetivos para descrever o sentimento que os quatro últimos
presidentes brasileiros (por onde andará Itamar Franco?) geram no meu
cérebro. Talvez a palavra mais correta seja melancolia. Poderia ser
tristeza ou ainda a expressão: Brasil, país do futuro! Só se
for futuro mesmo, porque o passado e o presente nos maltratam e muito.
Eu nasci em 1954, há 54
anos. Meu pai gostava de Juscelino Kubitschek e eu também, sem
saber por quê. Depois Jânio da Silva Quadros. Eu achava ele
engraçado. Não era! João Goulart, interessante.
Eu começava a me interessar pelo Brasil. Vieram os militares, “os
milicos” diziam assim meu pai e todo mundo. Mas eu só tinha
dez anos de idade. Se meu pai não gostava, eu também não
gostava. Já estava mais do que interessado, queria entender e
meu pai tentava explicar. O dia em que JK foi cassado pela ditadura foi
um choque familiar na nossa casa. Meu pai e minha mãe perderam
o rumo e o prumo.
1968, 14 anos, Beatles, Roberto Carlos, Chico e os novos baianos e a vida seguia
um pouco vigiada. No Brasil dos milicos tudo era proibido, era esquisito. Mas
para um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones nem tanto,
a vida rolava quase tranquila.
Mas a ditadura apertava cada
vez mais e aos poucos viver tranquilo foi impossível. A adolescência
acabou, a universidade chegou em 1974 e durou até 1979. Não
militei no movimento estudantil, porém a Faculdade de Comunicação
da Universidade Católica de Minas Gerais era política pura.
Em 1978 já estava na rua trabalhando como repórter fotográfico
do jornal O Globo na sucursal de Belo Horizonte.
Fotografei Ernesto Geisel duas
vezes e morri de medo do homem. Veio João Batista Figueiredo e
a ditadura começou a espernear ou a se debater. Tinha os dias
contados. João disse que prendia e arrebentava. O atentado do
Riocentro arrebentou com ele e com o país, mas ninguém
foi preso. Vieram as Diretas Já e todo mundo acreditou. Como éramos
bobos.
Dr. Tancredo trabalhava nos palanques
pelas Diretas e nos corredores para assegurar sua eleição
no colégio eleitoral. Se não bastassem várias tragédias,
todas uniformizadas, de Castelo a Figueiredo, mais uma se abateu sobre
a nação brasileira. Morreu Dr. Tancredo. Lá veio
José Ribamar.
Chegamos à foto de André Dusek. Não vou gastar muito tempo
com José Sarney. Foram cinco anos muito complicados e que não
deram em nada. Ou em quase nada, deram em Fernando Collor de Mello. Quase ganhamos
com Luiz Inácio Lula da Silva. Não fosse aquele segundo debate
em que Lula se mostrou estranho e sem ação. Lembra da história
da pasta que Collor teria na mão e que teria sido por isso que Lula
ficou quieto e sei mais lá o quê?
Fernando Collor de Mello dividiu o país ao meio, os bons e os maus,
os honestos e os desonestos. Veio o impeachment, o povo na rua e agora o país
vai.
Mas vai de Fusca, chegou Itamar, o moderno, e ficamos por aqui.
Fernando Henrique Cardoso. Agora
vai de verdade, o homem é doutor de verdade. Mas FHC fumou e não
tragou, disse que Deus não existe e depois desdisse e mandou todo
mundo esquecer o que tinha escrito. Eu já esqueci faz tempo e
olha que eu não fumei nada. Mas não esqueço que
FHC vendeu meio Brasil ou Brasil e meio e... nada de novo. Se reelegeu
por mais quatro anos e nada de novo. Claro, não me esqueço
do Real. Agora todo brasileiro come iogurte todo dia e um frango no domingo.
Que maravilha!
OK. Finalmente Luiz Inácio
Lula da Silva. Agora sim, o PT no poder. Até que enfim, estávamos
esperando desde de 1989. Chegou a revolução. Honestidade
no poder, agora vai. Lula sabe o valor da educação. O Brasil
vai mudar! Mudou sim. Mas não durou muito. Veio o mensalão,
e o governo do PT acabou. E Luiz Inácio foi junto.
O Lula que desfila pelo Brasil
e pelo mundo não é nem um arremedo de um sujeito que um
dia disse que não tinha medo de ser feliz. Ele poderia ter sido
uma das grandes personalidades do planeta. Hoje é só uma
biografia manchada.
André Dusek, olho para
sua foto e fico triste. São 24 anos perdidos. A foto é sensacional.
História pura! Já a nossa história é a triste
história da política brasileira.
Dias melhores virão.
PS: em tempo, a foto que reúne
Lula e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de
Mello e José Sarney foi tirada em 23 de abril de 2008, na posse
de Gilmar Mendes na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).
* Jornalista há 29 anos, foi editor
de Fotografia do Correio Braziliense e repórter de Veja, IstoÉ e
O Globo. Seu trabalho como fotógrafo já lhe rendeu vários
prêmios nacionais e internacionais, como o Líbero Badaró,
o Nikon Awards e o Abril de Fotojornalismo. Atualmente, é fotógrafo
free lancer em Nova York, onde co-edita a revista eletrônica sobre
fotografia www.picturapixel.com/blog.
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Folha
de S.Paulo, 10 de março de 2009
No recesso, Senado paga hora extra para
3.883 funcionários
Medida autorizada por Efraim Morais (DEM) em
janeiro custou R$ 6,2 milhões | Senado diz que servidores trabalharam
além do horário normal em janeiro para preparar uma única
sessão, ocorrida no dia 2 de fevereiro
Carlos Sousa Ramos/Agência Anhanguera

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) em aula na PUC-Campinas
ADRIANO CEOLIN
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Senado pagou pelo
menos R$ 6,2 milhões em horas extras para 3.883 funcionários
em janeiro, mês em que a Casa estava em recesso e quando
não houve sessões, reuniões e nenhuma atividade
parlamentar.
A autorização do pagamento foi feita pelo senador Efraim Morais
(DEM-PB) três dias antes de ele deixar o comando da primeira-secretaria, órgão
da Mesa Diretora responsável pela gestão administrativa.
Além da hora extra, a direção da Casa concedeu reajuste
de 111% no benefício. O teto subiu de R$ 1.250 para R$ 2.641,93.
A Folha teve acesso ao despacho em que Efraim autorizou o pagamento de hora
extra em janeiro. Com data de 29 de janeiro, o documento é endereçado
a Agaciel Maia, que deixou o cargo de diretor-geral do Senado na última
semana:
" Tendo em vista os trabalhos realizados visando a abertura do ano legislativo,
com a eleição da nova Mesa, autorizo, excepcionalmente, o registro
de horas extras (...) aos servidores que efetivamente trabalharam no mês
de janeiro".
O único órgão responsável por organizar os trabalhos
no plenário é a Secretaria Geral da Mesa. No entanto, servidores
de todos os setores, incluindo gabinetes, receberam o benefício. Questionada
se houve trabalho extra no período, a secretária Claudia Lyra
disse que em janeiro "houve um rodízio dos funcionários".
O Senado justificou que 3.883 servidores trabalharam além do expediente
normal em janeiro para preparar uma única sessão, que ocorreu
no dia 2 de fevereiro. O Senado tem 6.570 servidores entre comissionados e
efetivos.
Em janeiro todos os servidores da Casa foram dispensados de assinar o ponto
de hora extra. Coube, então, aos chefes dos gabinetes e dos demais setores
informar à secretaria de Recursos Humanos os nomes dos funcionários
que supostamente fizeram hora extra.
No caso dos comissionados, é permitido que eles deem expediente fora
de Brasília, sob o argumento de que servem aos senadores em seus Estados.
A Folha viu extratos de servidores que tiveram hora extra marcada em dias como
segunda-feira, quando não há trabalho extra nem quando os senadores
estão em Brasília. E colheu relatos de funcionários que
não trabalharam e receberam o benefício mesmo assim.
A Secretaria de Comunicação do Senado confirmou o gasto de R$
6,2 milhões com pagamentos de horas extras em janeiro. No entanto, a
despesa pode ter sido maior.
Segundo o Siafi (sistema de acompanhamento de gastos do governo), o Senado
pagou R$ 8 milhões em horas extras em janeiro -R$ 1,8 milhão
a mais do que informou a Casa. Em dezembro, antes do reajuste, foram pagos
R$ 4 milhões referentes a horas extras cumpridas em novembro, quando
ocorreram 23 sessões e 91 votações na Casa. Em 2008, foram
pagos R$ 83,94 milhões em horas extras, conforme o Siafi.
A Folha apurou que a decisão de pagar horas extras foi tomada pela direção
do Senado como forma de compensar os servidores pelo fim da convocação
paga do Congresso.
Até 2006, o Congresso era convocado para trabalhar em janeiro, o que
garantia aos políticos e servidores um aumento nos vencimentos. Com
a aprovação da emenda constitucional 50, o pagamento foi proibido,
e as convocações cessaram.
Advogados ouvidos pela Folha consideraram que o pagamento de horas extras não
trabalhadas fere a Constituição nos seguintes pontos: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Política
75% é favorável às
cotas para mulheres na política
Agência Brasil
A legislação que garante às mulheres participação
de 30% nas listas de candidatos dos partidos políticos é conhecida
por apenas 24% dos brasileiros. Foi o que apontou uma pesquisa realizada com
apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres pelo Instituto
Ibope/ Instituto Patrícia Galvão/ Cultura Data. Mas quando apresentados
ao conteúdo dessa política, 75% dos entrevistados diz-se favorável às
cotas. E 86% apóiam a punição aos partidos políticos
que descumprirem a legislação.
De acordo com a secretaria,
o Brasil conta hoje com apenas 8,9% de mulheres no Congresso Nacional,
cerca de 12% nas assembléias legislativas e 12% nas câmaras
municipais. Segundo a União Interparlamentar (UIP), organização
internacional com sede em Genebra (Suíça), o Brasil ocupa
a 141° posição em um ranking que avalia a presença
das mulheres nos parlamentos em 188 países. No contexto da América
Latina, o Brasil só fica à frente da Colômbia.
Para 83% dos entrevistados, a
presença de mulheres no poder "melhora a política
nesses espaços". Na opinião de 74% deles, elas trariam
mais honestidade e mais compromisso com os eleitores. A pesquisa revelou
ainda que 8 em cada 10 brasileiros são favoráveis a medidas
legislativas que promovam igualdade política de gênero.
Mais de 90% afirmou que
votaria em uma mulher. Neste grupo, cerca de 60% daria o voto a uma
candidata independente do cargo em disputa. Entre os que selecionaram
cargos, 26% votariam em uma mulher para prefeita e apenas 14% para
presidente e governadora.
|
FOLHA DE LONDRINA, 10 de março de 2009
| Política
Lula chama críticos de
hipócritas e anuncia novo ministério
A Secretaria Especial das Mulheres será trasnformada
em ministério; o presidente desafiou seus sucessores a
extinguir a nova pasta
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem
seus críticos de hipócritas e anunciou a transformação
da Secretaria Especial das Mulheres em ministério. Segundo ele, aqueles
que o criticam por criar ministérios e secretarias não consideram
que esses órgãos são os responsáveis pela organização
da vida das pessoas.
Em tom de brincadeira, Lula disse que transformaria a secretaria em ministério
para que a ministra Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres)
fique mais independente em relação à colega Dilma Rousseff
(Casa Civil). ‘‘Nilcéa, para você ficar menos dependente
da Dilma, nós vamos também transformar a secretaria das mulheres
em ministério’’, afirmou o presidente, que participa de
um seminário denominado ‘‘Mais mulheres no poder’’,
que contou com a presença de ministros, parlamentares e autoridades
dos três Poderes.
Em seguida, o presidente desafiou seus sucessores a ‘‘acabar’’ com
o ministério a ser criado por ele e destinado às mulheres. ‘‘Se
alguém achar que o ministério é demais, que ouse (acabar).
Vocês sabem o quanto nós somos criticados (por criar ministérios
e secretarias). Isso é uma hipocrisia porque um país (desse tamanho)
tem mais é de criar secretarias e ministério para organizar a
vida das pessoas’’, disse ele.Renata GiraldiFolhapress
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Folha de S.Paulo, 10 de março
de 2009
Fiesp faz a 1ª expulsão
de um sindicato associado
Simpi (pequenas indústrias) recorria
de decisão de 2008
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
A Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) confirmou ontem
a expulsão, pela primeira vez, de uma associação
de seus quadros. O alvo é o Simpi (Sindicato da Micro e Pequena
Indústria de São Paulo), criado em 1988 pelo empresário
Joseph Couri, o qual ainda está à frente da entidade. A
decisão, tomada em reunião extraordinária do conselho
de representantes da federação, deve ser comunicada oficialmente
ao sindicato hoje.
Couri luta para ser o porta-voz sindical das empresas paulistas que são
consideradas micros e pequenas. O interesse do Simpi acendeu a ira de 91 dos
131 sindicatos filiados à Fiesp, que acusam a entidade de invadir propositalmente
suas áreas de atuação.
Para a Fiesp, presidida por Paulo Skaf, Couri busca apenas projeção
pessoal, já que o Simpi não teria estrutura para ser o porta-voz
de tantas indústrias, já representadas por outras entidades sindicais. "É uma
questão de direito -não é política nem pessoal-
baseada no artigo 8º da Constituição, que trata da unicidade
sindical", afirma Luciana Freire, gerente da Secretaria e do Jurídico
Corporativo da Fiesp. Segundo a advogada, o Simpi pode representar empresas
artesanais com até 50 empregados. "A Constituição
define que os sindicatos serão organizados por categoria profissional
ou econômica, pelos ramos na indústria, não pelo porte
da empresa."
Freire afirma que, ao contrário do que diz Couri sobre os quase 200
processos movidos contra a Fiesp, na verdade o Simpi moveu 109 ações
contra sindicatos filiados à federação, pleiteando, entre
outras coisas, a contribuição sindical. "Desse total, 91
processos tiveram sentenças desfavoráveis ao Simpi, sendo que
7 já transitaram em julgado [foram concluídos]. Em algumas ações,
o Simpi foi condenado por litigância de má-fé e multado",
afirma.
Recursos
Na reunião de ontem, foi julgado o primeiro recurso impetrado pelo Simpi
-que teve sua expulsão decidida em votação em agosto de
2008. O pedido foi analisado pelo conselho de representantes da Fiesp, formado
por 131 sindicatos filiados. "Desses, 41 tinham interesse direto na expulsão",
reclama Couri, que durante o encontro apresentou a defesa do sindicato e pretende
recorrer à assembleia geral do conselho, daqui a 30 dias, e à Justiça,
caso não consiga reverter a decisão no âmbito da federação.
" O que está em jogo é a real representação
da micro e da pequena indústria, atualmente usadas pela Fiesp como para-choque
para outros interesses", diz Couri. "A partir do momento em que o Simpi
organiza as micro e pequenas, o real eixo do poder muda, afinal, o setor reúne
atualmente quase 94% de todas as indústrias no Estado. Nossa representação
seria de 87% do total de indústrias."
Na prática, de acordo com o empresário, nada muda na atuação
do Simpi com a confirmação da expulsão. "Desde 2005,
estamos fora [suspensos] da Fiesp. Mas, juridicamente, vamos brigar até a
morte. Se a lei diz que o sindicato deve estar ligado a uma federação,
queremos isso."
Sobre os processo que já tramitam na Justiça, Couri afirma que
o Simpi "ganhou alguns, perdeu outros e recorreu". "Não
sei os números. O importante é que o Simpi precisa existir porque
alguém tem de cuidar da micro e pequena indústria. O Couri é passageiro.
A instituição é permanente. Não ganho nada aqui
[no sindicato], não tenho salário nem mordomia. Quero ajudar
o micro e pequeno. Depois disso, acredite ou não, vou pescar."
|
Correio Braziliense, 10 de
março de 2009
Salário mínimo extra
para 1,7 milhão de pessoas; num total de R$ 8 bi
STF decidirá se mais 1,7 milhão
de idosos e deficientes pobres receberão um salário
mínimo mensal
Criado em 1993 para auxiliar
financeiramente idosos e deficientes incapacitados para o trabalho, o
Benefício de Prestação Continuada (BPC) poderá incluir
1,7 milhão de brasileiros ainda neste semestre. Esse é o
número aproximado de maiores de 65 anos e de pessoas com necessidades
especiais que, embora pobres, não se encaixam nos critérios
de renda definidos pela Lei Orgânica de Assistência Social
(LOAS).
Mas um processo que tramita no
Supremo Tribunal Federal (STF) deverá culminar na ampliação
da cobertura, hoje de 2,9 milhões de beneficiários que
recebem um salário mínimo por mês.
Atualmente, para ter direito
ao BPC, é preciso que a renda familiar seja inferior a um quarto
de salário mínimo per capita, o equivalente a R$ 116,25.
Caso o Supremo entenda que esse valor é exageradamente baixo,
e, portanto restritivo, a tendência é de que seja fixado
o patamar de 50% do salário mínimo por pessoa como requisito.
Conta
do programa
Hoje, a conta anual do programa é de R$ 17,6 bilhões. Se o STF
definir a mudança de critérios, o valor pode passar de R$ 26
bilhões - um aumento de pouco mais de R$ 8 bilhões.
"Embora não haja
no Brasil um critério oficial de pobreza, os textos internacionais
e os próprios programas daqui têm estabelecido a linha em
meio salário mínimo", explica Evilásio Salvador,
assessor de política fiscal e orçamentária do Instituto
de Estudos Socioeconômicos (Inesc).
Segundo ele, o requisito de um
quarto de salário mínimo é utilizado para classificar
população em situação de miséria. "Então
a pessoa que está um pouco acima dessa pobreza extrema acaba não
conseguindo o BPC", critica Salvador.
É o caso de Maria Gorete
do Nascimento, que há quatro anos, desesperada com o corte do
benefício, recorreu à Justiça para tentar reaver
o direito. Ela recebeu durante oito anos o BPC pelo filho, Diego, 21
anos, que sofre de paralisia cerebral. Quando o marido conseguiu um emprego
para ganhar cerca de R$ 750, a família perdeu o auxílio.
"Nossa renda passa de um
quarto de salário mínimo por tão pouco! Não é possível
que eles pensem que a gente não precisa desse benefício",
lamenta Gorete, que mora com marido e dois filhos no Recanto das Emas.
Diego não anda nem fala. Necessita de alimentação
especial, porque seu intestino funciona com dificuldade.
Toma remédios caros e
requer atendimentos especializados, como fisioterapia. "Eu não
posso trabalhar para cuidar dele. Ando de ônibus para cima e para
baixo para levá-lo a hospitais. Vou lutando até quando
eu puder, esperando a Justiça entender a nossa situação",
afirma a mulher de 46 anos.
Justiça
já concede
Sensíveis a casos como esses, a Justiça de 1ª e 2ª instâncias
no país tem concedido o benefício mesmo quando a família
necessitada ultrapassa o critério de um quarto de salário mínimo
per capita. Foi um caso assim, ocorrido em Mato Grosso, que chegou ao Supremo.
Devido a consecutivas vitórias judiciais da família, o Instituto
Nacional de Seguridade Social (INSS) apresentou um recurso extraordinário
ao STF.
O ministro Marco Aurélio
Mello, relator do processo, antecipou ao Correio que discorda do critério
rígido de renda. "Minha visão é de que deixemos
em aberto para que os juízes decidam, nos casos concretos, observando
as peculiaridades das famílias", destaca o magistrado.
Marco Aurélio pretende
apresentar seu voto e colocar o processo em pauta ainda no primeiro semestre. "Quero
liquidar essa ação, especialmente por ser um tema palpitante,
que diz respeito aos menos afortunados", afirma o ministro.
Outro motivo, segundo ele, é que
a decisão do STF terá repercussão geral. Ou seja,
passará a valer para todos os outros casos. "Quando são
muitas as ações no STF sobre um mesmo tema, o tribunal
decide pela repercussão geral", explica Janaína Penalva,
pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero
(Anis). A entidade foi admitida como amicus curiae (espécie de
perito especializado no assunto) pelo STF.
Impacto
orçamentário
Um estudo inédito da Anis em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), financiado pelo Ministério da Saúde, mostra
que, caso o critério de renda para recebimento do BPC seja elevado de
um quarto para meio salário mínimo per capita familiar, o benefício
alcançaria cerca de 4,6 milhões de pessoas - 1,7 milhão
a mais que as atuais 2,9 milhões.
Os cerca de R$ 8 bilhões
a mais estimados como necessários para arcar com os novos beneficiados
poderiam ser absorvidos com tranquilidade pelo Estado brasileiro, alega
um dos autores do levantamento, o economista e sociólogo Marcelo
Medeiros.
Pesquisador do Ipea e atualmente
no Institute for Human Development, na Índia, ele explica: "Devido
a erros que são normais em um programa desse tipo, 25% dos atuais
beneficiários já se encontram entre meio e um quarto de
salário mínimo. A elevação do teto exige
maior orçamento, evidentemente, mas não inviabiliza o programa".
Medeiros ampara sua conclusão
em um dos dados principais do estudo: o valor adicional representaria
aproximadamente 2,10% de todo o orçamento da Seguridade Social
em 2009, que deverá chegar a R$ 424,3 bilhões.
Diretora da Secretaria Nacional
de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social
(MDS), de onde sai o dinheiro para pagar o BPC, Maria José de
Freitas lembra que dificilmente há folgas no orçamento. "Pode
até ser um percentual pequeno em relação ao todo,
mas é preciso ver se esse recurso não está comprometido",
diz.
Além disso, ela discorda
das estimativas do Ipea em relação ao número de
prováveis beneficiados. "No critério de renda familiar
da Pnad entram tio, avô, por exemplo. No do BPC, não. Então é temerário
chegar a alguma conclusão", explica Maria José.
Defensor
da União apoia aumento
A Defensoria Pública da União também foi aceita como amicus
curiae no processo. Para o defensor público-geral da União, Eduardo
Flores Vieira, outros critérios, além da renda, precisam ser
avaliados.
"Entendemos que é à luz
do caso concreto, e não em virtude de requisitos rígidos,
que o Estado deve, de forma subsidiária, amparar os que precisam",
afirma. Ele destaca que 80% das ações em turmas recursais
no país dizem respeito à seguridade social - 40% delas
tratam do BPC.
É longa a polêmica
em torno do BPC - segundo maior canal de transferência de renda
do Governo federal, perdendo apenas para o Bolsa Família, que
atende mais de 11 milhões de lares. Garantido na Constituição
Federal de 1988, só foi regulamentado em 1993, com o corte de
renda de um quarto de salário mínimo per capita.
Com a Justiça estadual
discordando do critério, por duas vezes o STF já teve de
se pronunciar sobre o caso - e decidiu manter o requisito. Lançando
mão de variadas interpretações, porém, os
juízes estaduais continuam a dar ganhos de causa a famílias
que comprovam a necessidade. Agora o Supremo terá de bater o martelo.
"Uma decisão ampliando
esse limite de renda vai legalizar a situação de uma parcela
importante de pessoas que deixa de declarar algum rendimento porque precisa
do dinheiro", afirma Michel Platini, coordenador geral do Fórum
Permanente de Apoio e Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência
no Distrito Federal e Entorno (Faped).
Maria José Freitas, do
MDS, concorda que o critério atual atende somente aos muito pobres,
deixando à margem uma parcela que também precisa. Ela é cuidadosa,
porém, ao falar em mudanças.
"Há mais de
40 projetos no Congresso, muitos com 15 anos de tramitação,
tentando mudar isso, o que mostra que a sociedade ainda não
conseguiu finalizar um debate sobre o assunto. Afinal, teremos uma
conta a pagar caso a alteração ocorra e sabemos que as
disputas em torno dos recursos são intensas", destaca.
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O POVO, 10 de março
de 2009 | Economia
Garçons
Fórum discute repasse de gorjeta
Integrantes do setor de restaurantes, bares, barracas de praia, buffets do
Estado discutiram em fórum, realizado na noite de ontem, propostas para
disciplinar as empresas do ramo que cobram taxa de 10% da conta do cliente
que, em tese, deve repassada ao trabalhador do setor. Na avaliação
do presidente do sindicato patronal, Francisco Erisvaldo de Melo, falta gerência
quanto ao repasse desse valor. Opinião que foi compartilhada pelo presidente
do Sindicato dos Garçons do Ceará, Luiz Onofre, que defendeu
que além de repassar os 10% de gorjeta, o que (segundo ele) nem sempre
acontece, as empresas devem oferecer salário fixo e condições
para que os funcionários possam se aposentar.
Ambos destacam que a informalidade
atinge mais da metade das empresas existentes no Estado, o que constitui
o principal entrave para o cumprimento da lei. Durante o fórum,
a senadora Patrícia Saboya apresentou projeto de lei (de sua autoria)
que prevê a obrigatoriedade do repasse de 10% ao empregado.
No evento, ela intermediou o discussão, que reuniu também os
demais integrantes da cadeia produtiva do ramo de alimentação,
que sugeriram emendas ao projeto da senadora. Hoje, o setor de alimentação
possui mais de 80 mil trabalhadores no Estado.. (Bruno
Balacó)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/03/2009
Empresa não consegue afastar revelia
por falta de preposto à audiência
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
manteve decisão que aplicou as penas de revelia e de confissão
quanto aos fatos narrados na ação trabalhista movida por
um ex-empregado contra a empresa Intermed Farmacêutica Ltda. O
preposto (representante) da empresa não compareceu à audiência,
e o atestado médico para justificar sua ausência foi apresentado
mais de três meses após o ocorrido.
As instâncias ordinárias
da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro consideraram que não
houve prova de que a pessoa citada no atestado era realmente o preposto
designado pela empresa para acompanhar o caso. Isso porque a “carta
de preposto” (documento indispensável para credenciar a
pessoa que vai atuar no lugar do empregador nas audências) só veio
aos autos três meses e meio depois da audiência, juntamente
com o atestado médico que justificaria sua ausência.
O entendimento regional de que
a omissão foi “injustificável” foi mantido
inicialmente pela Segunda Turma do TST, o que levou a empresa a recorrer à SDI-1.
Em embargos relatados pela ministra Rosa Maria Weber, a SDI-1 também
votou no mesmo sentido (não conheceu dos embargos). Segundo a
ministra relatora, não houve contrariedade à jurisprudência
do TST (Súmula 122) que trata da reversão da pena de revelia
mediante apresentação de atestado médico.
Quando o empregador ou seu representante
(preposto) não comparece à audiência em que deveria
apresentar defesa, o empregador é considerado revel, e todos os
fatos narrados pelo trabalhador são tidos como verdadeiros. A
presença de advogado da empresa munido de procuração
não impede a decretação da revelia. Somente a apresentação
de atestado médico declarando a impossibilidade de locomoção
do empregador ou do seu preposto no dia da audiência pode reverter
a pena.
No recurso ao TST, a defesa da
Intermed alegou que a “carta de preposto” não pôde
ser entregue na data da audiência pelo advogado patronal que lá compareceu
porque o documento estava em poder do preposto impedido de se locomover.
A empresa também alegou que não foi omissa quanto à apresentação
dos documentos, o tendo feito no momento que entendeu oportuno, ou seja,
quando recorreu da decisão ao TRT. ( E-ED-RR 1995/2001-049-01-00)
(Virginia Pardal)
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10/03/2009
Unibanco é condenado por expor
situação financeira de funcionária
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso da União de Bancos Brasileiros S.A. – Unibanco
contra decisão da Justiça do Trabalho da 9ª Região
(PR) que o condenou ao pagamento de indenização por danos
morais. O banco foi processado por trabalhadora que, em reunião,
teve sua condição financeira exposta aos demais colegas
de trabalho, e condenado a pagar uma quantia de R$ 10 mil a título
de indenização.
Segundo relatado na inicial,
toda manhã, os funcionários eram convocados a uma reunião
em que a gerência os informava “de forma dura” que,
se não atingissem as metas de vendas, o emprego estaria seriamente
em risco. Em uma dessas reuniões, foi mencionado o status da conta
corrente da empregada, que se encontrava “estourada”. Ela
foi ainda citada em frente a todos os colegas (cerca de doze pessoas)
como exemplo a jamais ser seguido, “sob pena de advertências
e prejuízos da permanência como empregado na agência”.
Ainda segundo a trabalhadora,
o gerente da agência recebia, toda manhã, a relação
de clientes que estivessem com o limite do cheque especial extrapolado,
e, à parte, recebia a de seus funcionários que se encontrassem
na mesma situação. Sentindo-se humilhada, a trabalhadora
ajuizou a reclamação trabalhista. O Unibanco defendeu-se
alegando que jamais foi citado o nome de algum funcionário a fim
de expor sua integridade física e moral. Os depoimentos das testemunhas
foram contraditórios a esse respeito. A trabalhadora alegou também
a enorme pressão que recebia para a venda de produtos. “Era
dado um número para ser atingido no mês e alguns produtos
para vendas e havia cobranças pelas vendas”, afirmou.
O juiz de primeiro grau aceitou
o fato de a vítima ter sofrido assédio moral ao ter sua
condição financeira exposta aos demais colegas durante
reunião de trabalho, uma vez que “tudo aquilo que molesta
gravemente a alma humana, ferindo-lhe gravemente os valores fundamentais
inerentes à sua personalidade ou reconhecidos pela sociedade em
que está integrado, qualifica-se, em linha de princípio,
como dano moral”. A sentença considerou caracterizada a
falta de ética patronal, sendo então “incontrastável
o direito à indenização compensatória”.
Após ter seu recurso rejeitado
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), o banco
recorreu ao TST. Mas o relator do processo na Quarta Turma, ministro
Barros Levenhagen, observou que o TRT, ao examinar os documentos e depoimentos
do processo, concluiu pela existência do assédio moral.
Mudar este entendimento exigiria o reexame das provas, vedado pela Súmula
nº 126 do TST. ( RR 10623/2005-015-09-00.3)
(Carmem Feijó e Fernando
Guimarães de Freitas)
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10/03/2009
Restrição de uso do toalete
não configura dano moral a operador de call center
O controle do uso do toalete
pelos operadores que trabalham em call center não configura dano
moral contra a imagem ou intimidade do trabalhador. Essa é a tese
firmada pela Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho, no
julgamento de recurso de revista de um operador contra a empresa Vivo
S.A em Goiás. A Turma, por unanimidade, seguiu o voto do relator,
ministro Ives Gandra Martins Filho.
O operador ingressou com ação
trabalhista requerendo indenização por dano moral pelo
fato de a definição de horários para a utilização
do banheiro, e a exigência de comunicação à chefia
caso fosse necessário usá-lo fora desses horários,
violarem sua honra, imagem, integridade física e psíquica
e liberdade pessoal. A sentença de primeiro grau julgou o pedido
improcedente.
Em recurso ordinário ao
Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, o trabalhador
destacou, por meio de prova testemunhal, que a empresa o havia proibido
de ir ao banheiro, sendo questionado sobre o motivo de fazê-lo.
Com isso, argumentara que esse tipo de controle justificaria a indenização
por dano moral, indicando clara invasão do poder de direção
da empresa, que estaria decidindo sobre suas necessidades fisiológicas.
O TRT/GO, por sua vez, destacou
que, conforme estabelecido também por prova testemunhal no processo,
a empresa concedia pausa de 15 minutos e outra de 5, durante o expediente,
para que os funcionários pudessem utilizar o toalete. Além
disso, caso o operador desejasse, não era proibido de usá-lo.
Evidenciou-se na defesa que o controle de saída dos postos visava
impedir que todos ou vários operadores deixassem o local ao mesmo
tempo, inviabilizando a regularidade no serviço, e não
caracterizaria dano moral a simples exigência de justificação
para ir ao toalete fora dos intervalos.
Ao analisar o recurso, a Sétima
Turma confirmou a posição do Regional contra o descabimento
do dano moral na questão e firmou entendimento quanto a esse tema.
O ministro Guilherme Caputo Bastos ressaltou a necessidade do controle
do uso do toalete, uma vez que, do contrário, haveria grande desorganização
no local de trabalho, sem uma ordem que regrasse a saída do operador,
ao menos que este comprovasse problemas fisiológicos, o que não
foi trazido aos autos. O relator, ministro Ives Gandra Filho, observou
que, uma vez que o TRT entendeu pela não-caracterização
do dano, entendimento diferente exigiria o reexame de fatos e provas,
não permitido pela jurisprudência do Tribunal (Súmula
nº 126).( RR 2123/2007-013-18-00.8)
(Alexandre Caxito)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
10 de março de 2009 | Dinheiro
Emprego
Sindicato recusa ajuda de custo a demitidos
da Embraer
MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS
Terminou ontem sem acordo a reunião
em que a Embraer ofereceu aos sindicatos o pagamento de R$ 1.600 a mais
para cada um dos 4.200 funcionários demitidos da empresa no dia
19 de fevereiro. O valor seria pago na rescisão contratual.
A reunião foi realizada à tarde
no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, em
Campinas (93 km de SP). Na semana passada, a primeira audiência
de conciliação também terminou sem acordo. Na ocasião,
a liminar que suspende as demissões foi prorrogada até sexta-feira
desta semana.
A Embraer manteve a proposta
de pagar o plano de saúde de todos os demitidos e de seus familiares
até o fim do ano. Outra proposta foi a de pagar quinquênio
(um salário a mais) a todos os demitidos, mas os sindicatos afirmaram
essa proposta está no acordo de dissídio coletivo.
Os sindicatos mantiveram a proposta
de reintegração de todos os demitidos. A Embraer já recorreu
contra a liminar decidida pelo TRT, no dia 26 de fevereiro, que suspendeu
as demissões.
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FETRACONSPAR, 10 de março de 2009 |
Eventos
Medianeira/PR
Trabalhadores da CVS Contruções
de Linhas de Transmissão de Energia param por falta de pagamento
Trabalhadores da CVS Contruções
de Linhas de Transmissão de Energia em Medianeira/PR estão
desde a manhã de hoje (10/03) com suas atividades paralisadas,
por falta de pagamento do salário.
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Presidente
do SITRACOCIMOM - Climar Ribas dos Santos, juntamente
com os trabalhadores da CVS Contruções de Linhas
de Transmissão de Energia
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O Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Medianeira – SITRACOCIMOM, presidido pelo companheiro Climar
Ribas dos Santos, realizou na manhã desta terça-feira
(10/03), uma paralisação geral, juntamente com os trabalhadores
da CVS Contruções de Linhas de Transmissão de
Energia, diante do atraso no pagamento dos salários. Participaram
da manifestação aproximadamente 300 trabalhadores.
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