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Gazeta do Povo, 11 de março
de 2009
Pouso forçado
PIB recua 3,6% no último trimestre
A crise internacional derrubou o desempenho da
economia no fim de 2008; no ano, o crescimento foi de 5,1%
A divulgação ontem
do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) agrega em um único
número o tamanho do impacto da crise global sobre a economia brasileira:
a somatória de tudo que o país produz caiu 3,6% nos últimos
três meses do ano, na comparação com o trimestre
anterior. Foi um recuo abrupto para um indicador que vinha em velocidade
de cruzeiro, com crescimento de pelo menos 1,5% nas últimas comparações
trimestrais, e também o pior desempenho da atual série
histórica do IBGE, iniciada em 1996.
Apesar da freada brusca no fim
do ano, o PIB cresceu 5,1% em 2008, pouco menos que os 5,7% de 2007,
e somou R$ 2,889 trilhões. A expansão seria bem mais vigorosa
não fosse a crise: até setembro, a taxa acumulada era de
6,4%. Em relação ao quarto trimestre de 2007, o PIB subiu
1,3%, contra os 6,8% do terceiro trimestre.
“A crise provocou uma ruptura
no padrão de crescimento”, diz Rebecca Palis, gerente das
Contas Nacionais do IBGE. O resultado também foi maior do que
a previsão de queda de 2% a 2,5% que era mantida por analistas
até a segunda-feira.
Uma das surpresas negativas ficou
por conta do consumo das famílias, queda de 2% no quarto trimestre. “O
PIB veio muito pior do que todo mundo esperava. E a causa é o
consumo das famílias. Não havia a expectativa de que tivesse
ocorrido uma queda tão grande. O resultado da indústria
já era esperado por todos”, avalia Armando Castellar, economista
da Gávea Investimentos.
Investimentos
A piora no crédito e nas
expectativas em relação à economia levaram os empresários
a interromper um ciclo de nove trimestres de alta nos investimentos.
O volume de recursos destinados à ampliação da capacidade
produtiva do país caiu 9,8% no quarto trimestre em relação
ao trimestre anterior. Ainda assim, o indicador teve a maior expansão
anual desde 1996, de 13,8%.
No ano, os investimentos em capacidade
produtiva adicionaram R$ 548 bilhões à economia. No ano
anterior, em valores correntes (não descontada a inflação),
foi de R$ 455 bilhões. Dos 5,1% de expansão do PIB, 2,4
pontos porcentuais foram resultado da expansão nos investimentos
produtivos.
“A redução
nos investimentos na ampliação da produção
pode ser um entrave ao crescimento quando a economia voltar a crescer”,
adverte Carlos Thadeu Filho, economista-chefe da SLW Asset.
O fraco desempenho dos investimentos
rebateu na indústria, cujo PIB caiu 7,4% no último trimestre
de 2008, a maior retração desde o quarto trimestre de 1996. “A
indústria vinha num ritmo de produção, mas, com
o início da crise, a demanda se frustrou, e o setor se viu obrigado
a entrar em uma fase de ajuste de estoques”, avalia Bráulio
Borges, economista da LCA.
Agropecuária
Estimulado pela demanda externa
e pela expansão da produção agrícola, o segmento
agropecuário cresceu em velocidade superior à economia
em 2008, pelo terceiro ano seguido. A expansão foi de 5,8%, ante
5,1% do PIB. Mas, entre o terceiro e o quarto trimestres, a taxa, que
era de 1,3%, passou a ser negativa em 0,5%, reflexo da queda na demanda
externa pelas commodities agrícolas.
Em partes
O PIB é a somatória de quatro variáveis agregadas.
Veja como foi o desempenho de cada uma no ano passado:
Consumo das famílias
Principal componente do PIB,
o consumo somou R$ 1,579 trilhão, em alta de 5,4% na comparação
com 2007. No último trimestre, esse item teve queda de 2%.
Investimentos
Tiveram alta de 13,8% em 2008,
apesar de um tombo de 9,8% no último trimestre. No total, essa
variável adicionou R$ 548,75 bilhões à economia.
Gastos do governo
O gasto público subiu
0,5% no último trimestre e acumulou alta de 5,6% no ano, quando
chegou a R$ 517 bilhões.
Saldo comercial
Em queda, o superávit
do país foi de R$ 40 bilhões.
Economistas
já preveem corte maior na Selic
O decepcionante resultado do PIB do quarto trimestre fez com que crescesse
a expectativa de uma redução mais expressiva da taxa básica
de juros (Selic) hoje. Diversos analistas passaram a contam com uma redução
de 1,5 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) que termina hoje. A Selic está em 12,75% ao
ano.
“O resultado do PIB abriu
espaço para o Copom cortar a Selic em 1,5 ponto, sem o ônus
dos efeitos sobre a inflação. Uma redução
de 1 ponto já é dada, e 1,5 ponto não será mais
surpresa. Apenas um corte acima de 1,5 ponto chamaria a atenção,
pois poderia ser interpretado pelo mercado como um sinal de que a crise é mais
preocupante do que o imaginado’’, afirma Alex Agostini, economista-chefe
da Austin Rating. Para Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, “depois
do anúncio da decepcionante produção industrial
de janeiro e do PIB do quarto trimestre, fica claro que os riscos de
uma queda mais forte de atividade no Brasil estão se consolidando’’.
Nesse cenário, Póvoa passou a projetar um corte de 1,25
ponto na Selic.
Folhapress

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Folha de S.Paulo, 11 de março
de 2009
Com nova metodologia, país
pode evitar recessão, dizem analistas
DA SUCURSAL DO RIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A queda de 3,6% do PIB no quarto
trimestre, acima das expectativas -2,5% na previsão média
do mercado-, causou mais do que surpresa.
Em vez de erro, analistas creditam a divergência a uma mudança
conceitual nos cálculos do IBGE. Com isso, dizem economistas, as chances
de um novo trimestre negativo seriam mínimas, tornando inviável
a configuração do quadro de recessão no país.
" A mudança na classificação deixou os dados mais negativos
do que seriam na metodologia anterior", diz Sérgio Vale, economista
da MB Associados.
Uma recessão se configura quando dois trimestres apresentam resultado
negativo. "O IBGE optou por classificar os dados do quarto trimestre como "outlier",
ou fortemente atípicos. Isso muda todo o tratamento dos dados no cálculo
do PIB, acentuando o resultado negativo. Fazer isso numa estatística
de fim de período, como é o PIB trimestral, vai contra o que
diz a literatura", diz Bráulio Borges, economista da LCA.
Sem o artifício, o PIB do quarto trimestre teria apresentado retração
de 3%, segundo a Rosenberg Consultores Associados. Um PIB muito negativo joga
a base de comparação para baixo. "Assim, qualquer movimento
positivo, por mínimo que seja, empurrará o PIB do primeiro trimestre
de 2009 para cima", explica Borges. "Com isso, reduzem-se as chances
de uma recessão técnica", afirma a Rosenberg Consultores.
Diante do erro na previsão, analistas procuraram o IBGE em busca de
esclarecimentos sobre a nova metodologia. O coordenador das Contas Nacionais
do órgão, Roberto Olinto, afirmou que a decisão de classificar
o período como "outlier" foi correta. "Foi um momento
atípico na economia. Não tratamos dados visando o futuro. Mas
estou aberto ao debate, desde que fora da imprensa."
Revisão de projeções
A deterioração no cenário econômico levou analistas
a rever as projeções de crescimento do PIB para este ano.
A LCA, por exemplo, já havia revisado a projeção de expansão
da economia de 3% para 2,4% no ano. Agora, com o resultado do quarto trimestre
e os dados relativos à produção industrial, uma nova revisão
para algo entre 1,5% e 2% é "líquida e certa", diz
o economista da LCA Francisco Pessoa.
A crise global provoca uma dispersão de projeções e obriga
as consultorias a recalcular as previsões com maior periodicidade, diz
Pessoa. "A incerteza agora é muito maior, os parâmetros mudaram",
afirma.
A RC Consultores projeta expansão econômica de 1% para este ano
-no princípio de 2009, a estimativa era de crescimento de 2%. "Os
dados estão muito voláteis, e a margem de erro é grande.
Pelo menos duas vezes por mês temos de recalcular nossos números",
afirma o economista-chefe da RC, Marcel Pereira.
Já a Tendências aponta para um cenário pior, com expansão
de 0,3% do PIB no ano.
De acordo com o economista Armando Castelar, da Gávea Investimentos,
uma melhora no cenário não está no horizonte de curto
prazo. "É difícil apostar em melhora da economia no curto
prazo. O mercado de trabalho vai piorar, assim como a inadimplência,
o que encarecerá o crédito."
Já para o economista Carlos Thadeu Filho, da SLW Asset, "há muita
incerteza". "Só veremos melhora quando o cenário internacional
melhorar."
(SAMANTHA LIMA e PAULO DE ARAUJO)
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Economia
Indústria paranaense tem o melhor
desempenho do Brasil em janeiro
Agência Estado
A produção industrial em janeiro avançou em oito dos 14
locais pesquisados pelo IBGE, na comparação com dezembro do ano
passado, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal: Produção
Física Regional de janeiro, divulgada nesta terça-feira (10).
De dezembro para janeiro, os destaques de aumentos nas produções
ficaram por conta dos avanços registrados em Paraná (6,8%), Pernambuco
(6,4%), Santa Catarina (5,0%) e Rio Grande do Sul (3,6%), onde o crescimento
da produção industrial foi acima da média nacional (2,3%).
Nesse tipo de comparação, houve aumentos ainda nas produções
industriais de Pará (1,1%); Nordeste (2%); Minas Gerais (2,1%) e São
Paulo (2,2%).
Entretanto, na comparação
com dezembro do ano passado, houve quedas nas produções
industriais de Amazonas (-5,5%); Ceará (-0,8%); Bahia (-0,2%);
Espírito Santo (-4,6%); e Rio de Janeiro (-1,6%) e Goiás
(-1,3%).
O IBGE informou, em comunicado,
que na comparação com janeiro do ano passado, houve "queda
generalizada" na produção industrial das regiões,
o que reflete, na avaliação do instituto, "a ampliação
do recuo na atividade industrial nacional". O IBGE lembrou que,
para o total do País, houve queda de 17,2% na produção
industrial, nessa comparação.
Entre as quedas mais acentuadas
na produção em janeiro deste ano, na comparação
com janeiro do ano passado, estão as encontradas em Espírito
Santo (-33,2%), Minas Gerais (-28,9%), Amazonas (-23,1%), Rio Grande
do Sul (-20,3%) e São Paulo (-18%). Ainda de acordo com o instituto,
também ficaram com resultados negativos, porém com queda
menos intensa do que a média nacional, Ceará (-5,3%),
Goiás (-7,3%), Pará (-7,5%), Pernambuco (-7,5%), Paraná (-8,4%),
região Nordeste (-10,7%), Santa Catarina (-11,6%), Rio de Janeiro
(-13,0%) e Bahia (-16,8%).
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Folha de S.Paulo, 11 de março
de 2009
PIB/ REAÇÃO
Governo toma susto e prioriza habitação
Preocupação da equipe de
Lula é evitar a chamada "recessão técnica",
que é o recuo do PIB em dois trimestres seguidos | Presidente
joga esperanças no pacote habitacional; Dilma define impacto
como "violento" e fala em mais três meses "ainda
difíceis"
Alan Marques/Folha Imagem

O presidente Lula após almoço ontem no Palácio do Itamaraty
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA SUCURSAL DO RIO
O tamanho da queda do PIB (Produto
Interno Bruto) no quarto trimestre de 2008 foi maior do que o esperado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus principais auxiliares,
segundo apurou a Folha.
Agora, a principal preocupação de Lula é evitar a chamada "recessão
técnica" (queda consecutiva em dois trimestres) para manter o discurso
de que o Brasil será menos afetado pela crise do que outros países.
Há cerca de um mês, na metade do primeiro trimestre deste ano,
a equipe econômica recebeu dados preliminares do desempenho da economia
nos últimos três meses do ano passado. Os dados apontaram uma
queda do PIB maior do que a prevista pelo governo.
Diante desse quadro, Lula cobrou medidas para tentar fazer com que não
haja queda no primeiro trimestre ante os últimos três meses do
ano passado.
Um auxiliar do presidente disse que o governo não quer dar à oposição
o discurso de que o Brasil estaria tecnicamente numa recessão.
A Folha apurou que Lula já espera uma queda no seu índice de
popularidade. Motivo: pesquisas que chegaram ao conhecimento do governo já dão
conta de uma percepção menos otimista da população
em relação às medidas adotadas pelo Brasil para enfrentar
a crise.
O presidente tem dito reservadamente que é preciso manter o discurso
otimista. Do contrário, os agentes econômicos poderiam "pisar
ainda mais no freio", para usar uma expressão do próprio
presidente.
Nesse contexto, apurou a Folha, Lula deposita esperanças no pacote habitacional.
A cúpula do governo avalia que esse anúncio vai estimular investimentos
numa área que emprega muita mão-de-obra.
Recuperação
Oficialmente, Lula afirmou que, mesmo que o PIB chegue próximo a zero
neste ano, o Brasil não entrará em recessão. Segundo ele,
a equipe econômica sabia que o resultado do último trimestre de
2008 mostraria retração, mas disse acreditar na recuperação
da economia nos próximos meses.
" Mesmo que ele [o PIB] seja próximo de zero, o Brasil certamente
será um dos poucos países do mundo, dos emergentes e dos grandes,
que não terão uma recessão como terão os países
ricos", disse Lula.
O presidente afirmou que a retomada do crescimento se dará com o fortalecimento
das obras de infraestrutura e o lançamento, nos próximos dias,
do programa de habitação para famílias com renda mensal
de até dez salários mínimos.
A previsão do governo era que o crescimento do país neste ano
chegasse a 4%.
Mas técnicos da equipe econômica refizeram as contas e agora esperam
alta no intervalo de 2% a 2,5%.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que, além de a queda do
PIB ser um "choque esperado", o governo prevê um primeiro trimestre "difícil".
" Este primeiro impacto foi violento, sem sombra de dúvida. Nós
ainda esperamos três meses difíceis, bem melhores que outubro, novembro
e dezembro, mas ainda difíceis, para uma retomada maior a partir do segundo
semestre."
O prognóstico se fundamenta, segundo ela, no fato de que agora começam
a "maturar todas as medidas do governo" para assegurar capital de
giro e investimentos de longo prazo.
Na lista da ministra para o Brasil voltar a crescer, estão a geração
de emprego com mais turnos para obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) e investimentos da Petrobras, além do novo pacote de
habitação que ainda não tem data para ser lançado.
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), Luciano Coutinho, afirmou esperar que o crescimento fique entre 2,5%
e 3% em 2009. Mas disse que, se a crise for mais duradoura e profunda, a expansão
da economia poderá ficar mais próxima dos 2%. O banco estuda
com o governo novas medidas de estímulo ao crescimento econômico.
(KENNEDY ALENCAR, JULIANA ROCHA, SIMONE IGLESIAS, FERNANDA ODILLA e JANAINA
LAGE)
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Economia
Plano de habitação
ajudará contra a crise, diz Dilma
Agência Estado
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o Plano Nacional de Habitação,
que será lançado pelo governo, ajudará no combate à crise.
Ela avaliou nesta terça-feira (10), em entrevista à imprensa,
que o primeiro impacto da crise foi violento, referindo-se ao resultado do
Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008 (queda de 3,6% em relação
ao trimestre anterior). "Sem sombra de dúvida esse impacto foi
violento e esperamos que os próximos seis meses sejam melhores, mas
difíceis. Agora, vamos retomar (o crescimento) no segundo semestre",
afirmou.
Dilma disse que conclui nesta
terça a rodada de encontros com governadores para discutir o Plano
Nacional de Habitação. Ela informou que já conversou
com a maioria dos setores envolvidos no processo e que falta ainda se
reunir com bancos privados. "Achamos que o programa tem de contar,
também, com a participação do setor financeiro privado,
porque é um volume muito grande de casas", afirmou.
Dilma disse que não pode
estipular o dia para o anúncio do Plano de Habitação. "Só posso
dizer que lançaremos o mais rápido possível, pois
estou concluindo todas as reuniões que o presidente Lula pediu
para que eu fizesse", afirmou.
A ministra explicou que o governo
tem intenção, no caso de famílias com renda de até três
salários mínimos, de cobrar mensalidades simbólicas
para financiamento de casas. Mas relatou que há divergências
por parte de prefeitos e de alguns governadores, que argumentam que uma
prestação simbólica não cobriria nem a emissão
do boleto de cobrança. "A gente vai considerar a realidade
de cada região. Agora, a pessoa que ganha um salário mínimo
não consegue pagar uma prestação simbólica,
nem querendo. Só se deixar de tomar café, almoçar
e jantar. A equação não fecha", afirmou. "No
Brasil há uma posição elitista de que se a pessoa
não tem renda, também não deve ter casa. É por
isso que temos 7,5 milhões de famílias sem casa",
acrescentou.
Na entrevista, Dilma evitou polemizar
com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que na semana
passada disse que o governo federal deveria aproveitar programas habitacionais
dos governos estaduais já existentes. "Os governadores Aécio
Neves e José Serra tiveram uma excelente participação
na elaboração do projeto e mostraram onde havia gargalos",
afirmou Dilma. Sobre a crítica de Aécio, respondeu: "Olha,
até não entendi quando saiu isso na imprensa, pois não
há programa que não seja da Caixa", ressaltou Dilma,
ao lembrar que os programas das Cohabs (companhias de habitação)
recebem financiamento da Caixa Econômica Federal.
Dilma disse que nas reuniões,
os governadores e prefeitos se mostraram favoráveis a reduções
de impostos e taxas para baratear as habitações. "Acho
que está havendo uma contribuição muito grande dos
governadores e dos prefeitos. Houve uma manifestação extremamente
favorável (dos governadores) de se aprovar isso no Confaz (Conselho
Nacional de Política Fazendária) e os prefeitos se dispuseram
a isentar o material de construção do ISS e ITBI".
Para a ministra, não
há demora no lançamento do Plano de Habitação. "Não
estamos demorando com o pacote. O que aprendemos com o PAC é que é fundamental
conversarmos muito com todos os envolvidos. Temos de escutá-los
para entender onde estão os principais gargalos", disse.
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Gazeta do Povo, 11 de março
de 2009
Habitação
Isenção de IPI para materiais
de construção sai do pacote
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o pacote de estímulo à construção
civil não trará desoneração do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) para materiais de construção. A equipe
econômica chegou a fazer simulações pelas quais a redução
da alíquota do tributo poderia variar entre R$ 600 milhões e
R$ 1,1 bilhão. No entanto, diante de restrições fiscais,
o governo preferiu destinar recursos para subsidiar as prestações
de trabalhadores de baixa renda na compra da casa própria. A União,
com recursos orçamentários e de fundos, deverá despejar
R$ 20 bilhões em subsídios no pacote. Há uma semana, a
conta inicial era de R$ 8 bilhões.
A equipe técnica da Fazenda
sempre resistiu à concessão de isenção do
IPI também por temer que ela não provocasse redução
dos preços finais da moradia e, ao contrário, servisse
apenas para engrossar a margem de lucro das construtoras. A decisão
da União vem em um momento em que a maior parte dos prefeitos
e governadores anuncia publicamente disposição de cortar
impostos para reduzir custos do pacote.
Ao comentar os dados sobre o
Produto Interno Bruto (PIB), Mantega afirmou que nenhuma desoneração
seria concedida. Posteriormente, por intermédio de sua assessoria,
afirmou que apenas o corte de IPI estava vetado. Na mesa da Fazenda ainda
estão algumas possibilidades de desoneração. A mais
forte delas é a redução dos tributos que integram
o Regime Especial de Tributação — que reúne
PIS/Cofins, Imposto de Renda da Pessoa (IRPJ) e CSLL — do patrimônio
de afetação (contabilidade separada do empreendimento em
construção).
Já a ministra-chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff, informou ontem que o governo federal irá chamar
os bancos privados para conversar com vistas à adesão das
instituições ao financiamento de um milhão de moradias
populares do pacote habitacional que está sendo costurado. A demanda
já havia sido encaminhada por governadores e prefeitos, que consideram
insuficiente que a Caixa Econômica Federal permaneça sozinha
com esta função.
“Nós iremos fazer
também reuniões com agentes financeiros privados, porque
achamos que esse programa tem de contar com a participaçào
também do sistema financeiro privado porque é um volume
muito grande de casas, se quisermos produzir um programa que vai ter
um duplo efeito: combate ao déficit habitacional e geração
de empregos.”
A ministra disse que o
governo defende que os mutuários paguem uma mensalidade pelas
casas, nem que seja simbólica. Porém, reconheceu que
há uma divergência entre alguns estados e prefeituras,
que consideram que o custo da casa não é coberto com
prestações de R$ 15 a R$ 30. Outros ponderam que o custo
de cobrança supera o valor a receber. “A posição
do governo é que haja essa cobrança simbólica.
Mas a gente vai considerar, dependendo de cada região, como
vai ser.”
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Folha de S.Paulo, 11 de março
de 2009
PIB reforça expectativa de
corte da Selic em 1,5 ponto
Juros futuros chegaram a registrar 11,30%
ontem
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O decepcionante resultado do
PIB do quarto trimestre fez com que crescesse a expectativa de uma redução
mais expressiva da taxa básica Selic hoje. Com a economia em ritmo
mais fraco, tornaram-se maioria os investidores que contam com uma redução
de 1,5 ponto percentual na Selic.
O Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia na noite
de hoje como fica a nova taxa básica, que está em 12,75%. Até a
semana passada, a maioria do mercado projetava que a Selic cairia para 11,75%.
Agora, aumentou a expectativa de que a taxa seja cortada para 11,25%.
" O resultado do PIB abriu espaço para o Copom cortar a Selic em
1,5 ponto, sem o ônus dos efeitos sobre a inflação. Uma redução
de 1 ponto já é dada, e 1,5 ponto não será mais surpresa.
Apenas um corte acima de 1,5 ponto chamaria a atenção, pois poderia
ser interpretado pelo mercado como um sinal de que a crise é mais preocupante
do que o imaginado", afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
No pregão da BM&F de ontem, a taxa do contrato DI (Depósito
Interfinanceiro) com resgate no fim do mês recuou de 11,57% para 11,44%.
No início dos negócios, a taxa projetada chegou a cair, sob o
impacto da divulgação do PIB, para 11,30%. Na sexta-feira, o
contrato mostrava juros de 11,72%.
Para o fim do ano, os juros futuros fecharam em 10,09%, vindo de 10,35% na
sexta-feira.
Na semana passada, a divulgação da queda de 17% na produção
industrial de janeiro -dado bem pior que as projeções- já havia
indicado que a economia podia estar mais desaquecida que o esperado. Os números
do PIB aprofundaram essa percepção. Ao cortar os juros, o BC
busca estimular a economia. Isso porque, em tese, juros mais baixos acabam
por elevar o consumo e a produção.
Para Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, "depois do anúncio
da decepcionante produção industrial de janeiro e do PIB do quarto
trimestre, fica claro que os riscos de uma queda mais forte de atividade no
Brasil estão se consolidando". Nesse cenário, Póvoa
passou a projetar um corte de 1,25 ponto na Selic hoje. "Até os
dados do PIB, mantínhamos uma previsão de corte de 1 ponto da
Selic." Para o fim do ano, a Modal projeta que a taxa básica estará em
9,5%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Economia
Paulinho acampa em frente ao BC e
espera corte de juro
Agência Estado
Integrantes da Força Sindical, incluindo o presidente da organização,
o deputado Paulo Pereira da Silva (Paulinho), acamparam na tarde desta terça-feira
(10) em frente à sede do Banco Central (BC) em Brasília. A manifestação,
que ainda conta com um número reduzido de pessoas (em torno de 15),
tem por objetivo pressionar o BC a baixar agressivamente os juros básicos
da economia brasileira.
Paulinho defendeu corte de pelo
menos 1,75 ponto porcentual da taxa Selic na reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom) que será concluída
amanhã, mas disse considerar aceitável um corte de 1,5
ponto, como já projetam alguns analistas de mercado. "Uma
redução de 1,5 ponto é uma boa sinalização,
embora aquém do que a gente precisa", disse Paulinho, lembrando
dos números fortemente negativos do PIB do quarto trimestre do
ano passado, da produção industrial e da redução
dos empregos. Hoje a taxa Selic está em 12,75% ao ano.
Ele foi duro ao lembrar
que o Brasil está entre os que têm os maiores juros do
mundo. "Ou é burrice ou alguém está ganhando
dinheiro com isso. Como não tem ninguém burro lá,
só sobrou a outra opção." Segundo Paulinho,
o número de manifestantes deve crescer para algo entre 100 e
200 pessoas. Parte desse grupo vai dormir, hoje, em frente ao BC e,
amanhã, após o anúncio da decisão do Copom,
os manifestantes farão uma queima de fogos, "para comemorar
ou para protestar contra a decisão".
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Agência Brasil, 11
de março de 2009
Sindicatos pedem corte da taxa de
juros contra retração do PIB
Entidades sindicais cobraram do Comitê de Política Monetária
(Copom) um corte brusco na taxa básica de juros (Selic) para evitar
novas retrações do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas
as riquezas e bens produzidos no país.
Nesta terça-feira (10),
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou
queda de 3,6% no PIB no último trimestre de 2008 na comparação
com o trimestre anterior. Hoje (11), o Copom anuncia a nova taxa de juros
da economia brasileira.
"Como podemos alavancar
a economia sendo campeões mundiais em taxa de juros?", questionou
a Força Sindical, em comunicado enviado à imprensa nesta
tarde.
"São necessárias
medidas urgentes e uma ação intensa do Governo, como uma
queda drástica na Taxa Selic, uma forte diminuição
no spread bancário [diferença entre a taxa de captação
dos bancos e a que é cobrada aos clientes] e mais investimentos
em infra-estrutura."
O Sindicato dos Metalúrgicos
de São Paulo e Mogi das Cruzes, filiado à Força
Sindical, também sugeriu cortes na taxa Selic contra o encolhimento
da economia. "O Copom precisa abandonar o conservadorismo e reduzir
drasticamente a taxa Selic para que o Brasil tenha como alavancar os
seus investimentos e para que tenhamos crédito", afirma
o sindicato.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2009 | Economia
Atenção na quitação
de contratos habitacionais
Joyce Carvalho
Quem tem financiamento de imóveis cujos contratos foram firmados no
final da década de 1980 deve prestar atenção no momento
de requerer a quitação junto aos bancos. O alerta é feito
pela Associação Nacional dos Mutuários do Paraná (ANM-PR).
Os contratos previam a cobertura
do saldo devedor, no final do prazo de financiamento, pelo Fundo de Compensação
de Variações Salariais (FCVS). Esses recursos eram utilizados
para quitar o saldo do devedor do imóvel ao liquidar o contrato.
“Mas muita gente comprou
com contrato de gaveta, ou seja, não transferiu o imóvel
para o seu nome. O titular acabou comprando outro imóvel, com
cobertura do FCVS também, e usou esse recurso para este imóvel.
Quem comprou por contrato de gaveta, depois de vinte anos, por exemplo,
agora quer quitar e o fundo já foi utilizado. A lei federal 4380/64
permite a quitação de apenas um imóvel por pessoa
pelo FCVS”, explica o presidente da ANM-PR, Luiz Alberto Copetti.
De acordo com ele, sem a cobertura
do FCVS, a dívida de quem pegou o financiamento pode ser o dobro
ou o triplo do valor do imóvel já pago. Copetti questiona
como os bancos permitiram o financiamento de uma mesma pessoa (já que
o contrato de gaveta não foi transferido para o nome do novo prioprietário)
para dois imóveis.
A ANM-PR orienta os mutuários
a entrarem com ações na Justiça porque o duplo financiamento é proibido
por lei. Esses casos já teriam jurisprudência no Superior
Tribunal de Justiça (STJ).
Estima-se que pelo menos 100
mil processos sobre este assunto estejam tramitando na Justiça
em todo o País. O FCVS foi extinto no início da década
de 1990. Segundo Copetti, o mutuário deve fazer uma avaliação
do contrato de financiamento antes de entrar na Justiça. A Associação
Nacional dos Mutuários faz esta análise gratuitamente.
Atualmente, os financiamentos
de imóveis são feitos pelos sistemas SAC (amortização
constante) e Sacre (com amortização crescente). A base
de reajuste dos valores é pela Taxa Referencial (TR).
“Hoje os contratos são
mais equilibrados”, afirma Copetti. Ele lembra que as correções
das parcelas do financiamento não podem estar baseadas em aumentos
salariais ou por meio da tabela price, utilizada até o final da
década de 1990. Outras informações pelo telefone
(41) 3077-5504 ou pelo site www.anm.com.br.
Se você tiver críticas
ou sugestões, envie e-mail para consumidor@oestadodoparana.com.br.
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Gazeta do Povo, 11 de março
de 2009
Trabalho
CSN reduz jornada para evitar mais demissões
A jornada de produção da unidade da Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN) em Araucária foi reduzida, em uma estratégia para
evitar mais demissões. A medida faz parte de um acordo para segurar
empregos depois que cerca de 70 funcionários da filial foram demitidos,
entre dezembro de 2008 e janeiro.
Segundo o diretor do Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Pedro Celso Rosa, a fábrica
não está mais funcionando aos domingos e os cargos básicos
de produção voltaram a operar em turnos diários,
totalizando 44 horas semanais. “Logo que os primeiros 40 foram
embora, fizemos um trabalho com banco de horas para evitar demissões.
Em janeiro foram mais 30, aí eliminamos o turno especial. Com
isso conseguimos segurar 110 trabalhadores que corriam risco de serem
dispensados.” Ainda segundo Rosa, algumas áreas estratégicas
como manutenção e galvanização estão
mantendo a escala especial de quatro turnos de 12 horas , e só o
chão de fábrica voltou ao ritmo de oito horas.
A CSN de Araucária
tem hoje aproximadamente 450 funcionários. Nas unidades do Rio
de Janeiro, a empresa demitiu 1,2 mil pessoas no período de
dezembro e janeiro.
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Agência Informes, 11
de março de 2009
The Economist reconhece equívoco
nas privatizações da era FHC
Agência DIAP
Ter, 10 de Março de 2009 19:31
Matéria da revista inglesa The Economist publicada na semana passada
reconhece o equívoco de um dos principais pilares do Governo do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos
estatais.
No texto, a publicação
afirma que até há pouco tempo no Brasil acreditava-se que
um fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência
estatal no setor financeiro. Segundo a revista, entretanto, esse controle
estatal é o que dá hoje ao País uma situação
favorável perante os demais países e, diante da crise mundial,
confere uma "situação favorável incomum ao
Brasil".
A matéria se refere à manutenção
da gestão estatal, por parte do Governo Luiz Inácio Lula
da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituições
financeiras líderes de empréstimos para empresas e que
FHC tentou, sem sucesso, privatizar.
"Outros países estão
tentando descobrir como alavancar bancos e direcionar o crédito
para as necessidades identificadas. Isso é algo que o Brasil faz,
inclusive quando não era 'moda'. Nos bancos privados, as exigências
de depósitos e garantias para financiamentos os impediram de correr
os riscos financeiros que acabaram por derrubar bancos na Europa e nos
Estados Unidos. Até agora, o crédito do Brasil foi 'mordiscado',
mas não 'triturado'", destacou o texto.
A matéria também
sustenta que, na comparação com o passado recente e com
outros países, a economia do Brasil está em boa forma. "O
FMI prevê que somente os países em desenvolvimento na Ásia, África
e Oriente Médio terão melhores resultados em 2009. Em comparação
com o contexto anterior, no qual o Brasil sofria uma parada cardíaca
a cada estresse de outras economias, isso é impressionante",
diz o texto.
A matéria aponta ainda
que as razões para a melhoria do crescimento do País estão
fortemente atreladas à melhoria do nível da dívida
do setor público, que foi um ponto fraco e agora se mantém
abaixo dos 40% do PIB, e a outros fatores.
"Os empréstimos em
moeda estrangeira foram trocados principalmente por títulos em
reais. Além disso, o País acumulou US$ 200 milhões
em reservas internacionais para defender o real; seu déficit em
conta corrente é pequeno e, o mais importante, a crise não
está aumentando a inflação. Isso permite que o Banco
Central reduza a taxa básica de juros da economia, permitindo
um custo mais barato para a dívida pública. É a
primeira vez que o Brasil adota uma política monetária
anticíclica", afirma o texto.
Ao analisar a matéria,
o deputado Fernando Ferro (PT/PE) afirmou que o Brasil tem fôlego
para enfrentar a crise mundial por conta da resistência contra
a onda de privatização que aconteceu na América
Latina.
"Conseguimos, no Brasil,
sustentar como oposição, e com ajuda da reação
da sociedade, esse processo de liquidação do patrimônio
público. Agora se descobriu, no auge da crise, que é preciso
a presença do Estado e estão todos tentando estatizar bancos
falidos. Ou seja, transferir recursos públicos para a iniciativa
privada", afirmou.
Segundo ele, a privatização
de empresas de energia e de telecomunicações no Governo
FHC teve consequências desastrosas.
"Hoje nos deparamos
com as maiores tarifas de energia elétrica do mundo e temos
problemas com altas tarifas da comunicação por celular.
Foram justamente as duas áreas privatizadas pelo Governo anterior.
O Governo Lula conseguiu evitar a tragédia maior que teria sido
a dilapidação da estrutura pública do Brasil".
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Gazeta do Povo, 11 de março
de 2009
Campanha presidencial
FHC e Aécio se desentendem sobre
realização de prévias
Enquanto que o PT se mostra cada vez mais unido em torno da ministra Dilma
Rousseff para a eleição presidencial do ano que vem, o PSDB dá mostras
de que haverá uma forte briga interna para definir quem será o
candidato tucano. Ontem, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB),
rebateu as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à campanha
capitaneada pelo mineiro pela realização de prévias para
a definição do presidenciável tucano. Aécio demonstrou
irritação com a declaração de FHC, que afirmou
que ele e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), “não
podem sair pelo Brasil a fazer prévias e não trabalhar”.
“Não se constrói
um projeto para o país de alguns gabinetes ou da Avenida Paulista.
Se constrói caminhando pelo país. E é o que eu estou
me dispondo a fazer”, retrucou o mineiro, sugerindo que o ex-presidente
também participe das viagens para construir “um novo projeto
para o país”. Aécio ressaltou, porém, que
a caminhada pelo Brasil seria feita apenas nos fins de semana – fora
do horário de trabalho, portanto.
Aécio disse que “talvez” o
ex-presidente não tenha sido informado com clareza de sua proposta. “O
que eu tenho dito é que seria importante que nos finais de semana
nós pudéssemos andar pelo país. Porque além
das nossas tarefas administrativas (...) nós temos também
responsabilidades políticas na construção de um
partido.”
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Blog O Outro Lado da Notícia,
11 de março de 2009
Devolução do IR: férias
que valem dinheiro para quem vendeu 10 dias
O anúncio da Receita Federal
de que vai devolver o Imposto de Renda cobrado indevidamente sobre a
venda de 10 dias de férias nos últimos cinco anos renderá um
bom dinheiro, principalmente se o trabalhador costuma tirar só 20
dias de descanso.
Para se ter idéia, quem
recebe salário médio de R$ 1.500 de 2004 para cá,
e vendeu férias em todos os anos, tem direito a uma restituição
de R$ 478,13. No caso de salário de R$ 5 mil, o IR cobrado a mais
vai representar um retorno de 3.055,55, sem considerar a correção
monetária.
Vale lembrar que a Receita já fará nesta
declaração de 2009 o acerto relativo aos 10 dias de férias
vendidos no ano passado. Portanto, para os dois exemplos salariais acima,
o crédito acumulado com o Fisco em quatro anos dará direito
a devoluções de R$ 393,18 e de R$ 2.444,44, respectivamente.
Uma boa notícia para quem
está nessa situação é que técnicos
da Receita já estão preparando uma instrução
normativa sobre o assunto, que deve ser publicada nos próximos
dias.
O objetivo é criar uma
espécie de devolução automática do dinheiro
arrecadado a mais, evitando que o trabalhador seja obrigado a apresentar
declarações retificadoras, o que tornaria o processo muito
mais demorado.
A regulamentação
será baseada em parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,
que orientou a adoção retroativa do prazo de cinco anos
para a devolução dos valores.
Em janeiro, a Receita havia decidido
que as empresas não eram mais obrigadas a descontar o imposto
dos funcionários sobre os 10 dias vendidos nas férias,
mas, à época, não definiu prazo retroativo.
Supervisor nacional do IR, Joaquim
Adir informou que os técnicos trabalham para encontrar fórmula
que garanta a devolução do dinheiro com "agilidade
e segurança". O imposto cobrado a mais dos trabalhadores
que venderam 10 dias de férias em 2008 já será compensado
na declaração do IR deste ano.
Para isso, as empresas foram
orientadas pela Receita Federal a incluir nos informes entregues aos
funcionários os valores das férias como "rendimentos
isentos e não-tributáveis". A primeira providência
a ser adotada é conferir se o informe entregue pelo empregador
tem os valores das férias discriminados como isentos.
Do contrário, é preciso
solicitar um novo informe, já corrigido. Nesse caso, a empresa
também precisa retificar a informação repassada à Receita,
pois os dados têm que bater para que a declaração
do trabalhador não caia na malha fina.
Se a informação
já estiver discriminada corretamente pela empresa, basta que o
funcionário, ao preencher a declaração de renda
deste ano, inclua os valores relativos às férias vendidas
no item "outros" da coluna "rendimento isento e não-tributável".
O IR pago a mais vai engordar
a restituição ou, se for o caso, significar um alívio
no imposto a pagar.
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Na Hora Online, 11 de março
de 2009
IN 1: Condsef articula ação
na Justiça contra imposto sindical
Desde que o Ministério
do Trabalho editou Instrução Normativa 1, em setembro do
ano passado, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço
Público Federal (Condsef), suas filiadas e a Central Única
dos Trabalhadores (CUT) travam uma batalha para impedir a cobrança
de imposto sindical aos servidores públicos.
O imposto implica na cobrança
de um dia de trabalho por ano a todo trabalhador, sindicalizado ou não.
Estima-se que sua efetivação ocorra a partir de março.
Para tentar reverter os efeitos da instrução na organização
dos servidores, a assessoria jurídica da Condsef vai entrar com
ação coletiva contra os descontos.
A confederação
considera a cobrança de imposto sindical uma intromissão
do Estado na forma de organização dos trabalhadores. A
entidade defende a organização livre onde os sindicatos
são construídos pelos trabalhadores com pagamento voluntário
de mensalidade.
"Nossos sindicatos
gerais são dos trabalhadores, construídos pelos trabalhadores
e conduzimos essa luta há quase duas décadas", reforça
Josemilton Costa, secretário-geral da Condsef. "Portanto,
não concordamos com a cobrança de imposto sindical",
defende.
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STJ, 11 de março de
2009
Contribuição sindical
e alterações devem constar no Livro de Registro
Em decisão unânime,
a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou
legítima a imposição de multa à empresa Brasimac
S/A Eletrodomésticos pela inexistência, no livro de registro
de empregados, de informações relativas às contribuições
sindicais e às alterações nos salários a
eles devidos.
No caso, a Delegacia Regional
do Trabalho autuou a empresa após constatar a ausência de
informações, no Livro de Registro de Empregados, sobre
as atualizações salariais. Inconformada com a imposição
da multa, a Brasimac recorreu.
O Tribunal Regional Federal da
4ª Região acolheu os embargos à execução
fiscal proposta pela empresa para anular a autuação, considerando
que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e as normas
regulamentares não prevêem obrigação nesse
sentido.
No STJ, a Fazenda Nacional afirmou
que a CLT e a Portaria 3.636/1991 do Ministério do Trabalho disciplinam
o livro de registro de empregados e amparam a imposição
de multa.
Relator
Em seu voto, o relator, ministro Herman Benjamin, destacou o artigo 41 da CLT,
que determina ser obrigatório o lançamento no Livro de Registro
de Empregados das circunstâncias que interessam à proteção
do trabalhador.
Não bastasse isso,
o ministro acrescentou que o artigo 2º da Portaria do MT prevê expressamente
a necessidade de registro das informações relativas à remuneração
dos empregados, assim como das posteriores atualizações,
as quais caracterizam circunstâncias que interessam à proteção
do trabalhador, pois é em função delas que se
fiscaliza a regularidade quanto ao cumprimento das obrigações
trabalhistas e previdenciárias reflexas (horas extras, 13º salário,
terço constitucional de férias, contribuição
patronal sobre a folha de salários etc.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/03/2009
Mudança de razão social
da empresa não invalida procuração
Quando ocorre mera alteração
da razão social de uma empresa, os poderes concedidos aos advogados
que a representavam subsistem, permitindo que eles patrocinem causas
sob a nova denominação, desde que comprovada a mudança
nos autos em que se discute a regularidade de representação
(procuração). O entendimento foi aplicado pelos ministros
que compõem a Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho em recurso apresentado
por um ex-empregado da Companhia Estadual de Energia Elétrica
(CEEE) do Rio Grande do Sul , atual AES Sul Distribuidora Gaúcha
de Energia S/A. A mesma orientação já havia sido
tomada quando houve a apreciação do recurso na Quinta Turma
do TST.
A defesa do trabalhador recorreu à SDI-1
alegando que a decisão da Quinta Turma de examinar a procuração
teria violado a jurisprudência que impede os ministros do TST de
rever fatos e provas (Súmula nº 126). O relator do processo
na Turma, ministro João Batista Brito Pereira, determinou a devolução
dos autos ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS)
para que o recurso da empresa fosse apreciado, depois de afastada a alegada
irregularidade processual. O TRT/RS havia considerado o recurso inexistente
porque a empresa, ao mudar sua denominação, não
atualizou a procuração concedida ao advogado que o subscreveu.
Na SDI-1, a ministra relatora
dos embargos, Maria Cristina Peduzzi, afirmou que a circunstância
de a Turma ter examinado a procuração a fim de verificar
a outorga de poderes ao subscritor do recurso ordinário não
implica o reexame de fatos e provas tratada pela Súmula 126 do
TST. “A vedação prevista na Súmula não
se estende ao exame dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade
recursal, que podem ser livremente apreciados pelo Tribunal”, concluiu.
( E-ED-RR 124.713/2004-900-04-00)
(Virginia Pardal)
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11/03/2009
Empresa pode verificar e-mail corporativo
de funcionário
O acesso da empresa ao correio
eletrônico institucional do empregado não caracteriza violação
de privacidade. Se o trabalhador quiser sigilo garantido, deve criar
o próprio e-mail. O entendimento foi adotado pela Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que negou o pedido de indenização
por dano moral feito por ex-empregado da Esso Brasileira de Petróleo
Ltda. que teve o e-mail investigado pela chefia.
O ex-analista de suporte ao cliente
prestara serviços por quase 16 anos à Esso quando foi demitido,
em março de 2002. Ele alegou, na Justiça Trabalhista, que
a empresa só poderia verificar o conteúdo dos seus e-mails
se tivesse uma autorização judicial. Por outro lado, a
Esso afirmou que investigou o e-mail porque suspeitava que o empregado
enviava mensagens pornográficas e de piadas – o que não
era compatível com o uso do correio eletrônico fornecido
como instrumento de trabalho.
O trabalhador perdeu a causa
na 15ª Vara do Trabalho de Curitiba e, depois, no Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (PR). De acordo com entendimento
do TRT/PR, apenas o e-mail pessoal do empregado tem a proteção
constitucional da inviolabilidade da correspondência. A empresa,
portanto, podia ter acesso ao correio eletrônico corporativo.
No recurso de revista ao Tribunal
Superior do Trabalho, o empregado insistiu na quebra de sigilo da sua
correspondência e na indenização por danos morais.
Segundo o relator do processo, ministro Ives Gandra Martins Filho, se
o meio de comunicação é o institucional, não
existe violação de sigilo de correspondência pela
própria empresa. Nessas condições, o empregado não
tem direito à indenização. O ministro concluiu que,
se o trabalhador quiser sigilo garantido, deve criar o próprio
e-mail em sistemas universais, como o Gmail do Google ou o Hotmail do
Windows.
Durante o julgamento do caso pela Sétima Turma, o ministro Pedro Manus
lembrou que “o e-mail protegido constitucionalmente é o pessoal”.
Os ministros acompanharam o voto do relator e rejeitaram o recurso. ( RR 9961/2004-015-09-00.1)
(Lilian Fonseca)
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11/03/2009
Ex-sócio pode ter conta penhorada
para pagar dívidas trabalhistas
Na ausência de recursos
da empresa e dos atuais sócios, um ex-sócio da empresa
Promodal Logística e Transportes Ltda. teve sua conta bancária
penhorada para pagar dívidas trabalhistas de um empregado cuja
relação de trabalho se deu à época em que
ainda era sócio da empresa. A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou o agravo de instrumento do ex-sócio e considerou
correto o bloqueio (mediante penhora online, decidido com base na teoria
da desconsideração da personalidade jurídica do
devedor, segundo a qual, inexistindo bens da empresa executada e de seus
sócios capazes de garantir o crédito objeto da execução,
os ex-sócios respondem com o patrimônio próprio.
A história começou
em fins de 2004, quando o empregado recorreu à Vara do Trabalho
de Guarulhos (SP) para reclamar que foi demitido sem justa causa e sem
receber as verbas rescisórias. Informou que foi contratado em
maio de 1996 como motorista carreteiro na Tecnocargo – Transporte
do Amazonas, sendo em seguida transferido para a Promodal, ambas do mesmo
grupo econômico GPT. Em julho de 2004, foi demitido com mais de
80 colegas.
A empresa foi condenada e, após
várias tentativas de execução por meio de penhora
de seus bens e de seus atuais empreendedores, o juízo determinou
a penhora das contas do ex-sócio. O entendimento foi o de que
a dívida correspondia ao período em que ele fez parte da
sociedade e, assim, “usufruiu da prestação de serviços
do autor”.
O antigo sócio se insurgiu
contra a decisão. Alegou que não podia ser responsabilizado
pela dívida, pois não pertencia mais ao grupo econômico,
mas o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região manteve
a penhora. Recorreu, então, ao TST, por meio de agravo de instrumento.
O relator, ministro Lelio Bentes Corrêa, esclareceu que o ex-sócio
somente passou a ser responsabilizado quando foi aplicada a teoria da
desconstituição da personalidade jurídica, e nesse
momento poderia ter se defendido por meio de embargos de terceiro e da
interposição de agravo de petição. Não
caberia agora, portanto, a alegação de cerceamento de defesa
e de violação constitucional.
O voto do relator foi seguido
por unanimidade pelos demais ministros da Primeira Turma, sob o entendimento
de que a desconsideração da personalidade jurídica
do devedor foi bem aplicada, pois a “inexistência de bens
da empresa, por si só, presume a irregularidade da gestão
empresarial”. ( AIRR 2067/2004-311-02-40.2)
(Mário Correia)
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