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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de março de 2009 | Economia
Construção retomou admissões
em janeiro, diz sindicato
Agência Estado
O setor de construção civil retomou as contratações
em janeiro, segundo levantamento mensal do Sindicato da Indústria da
Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP)
e da FGV Projetos, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho. Em janeiro, foram contratados 14.278
trabalhadores com carteira assinada no setor, 0,68% a mais que o número
de empregados em dezembro.
Em nota, o presidente do Sinduscon-SP,
Sergio Watanabe, informou que o início das obras dos empreendimentos
imobiliários lançados em 2008 e a continuidade das obras
públicas explicam o aumento das contratações. No
fim de janeiro, o total de empregados pelo setor de construção
no Brasil somava 2,1 milhões, com crescimento de 11,76% em 12
meses.
No Estado de São Paulo,
o número de empregados aumentou 1,29% em relação
a dezembro, com a contratação de 7.657 trabalhadores com
carteira assinada em janeiro. No fim do mês, o total de empregados
contratados na construção paulista era de 600 mil, o que
representa expansão de 13% em 12 meses.
Na maioria das regiões
do interior paulista houve contratação no setor, com
destaque para Campinas, Ribeirão Preto e São José dos
Campos. Em Bauru, Santos e Presidente Prudente, houve demissões.
Na capital paulista, o crescimento foi de 1,52% em janeiro, com a contratação
de 4.326 trabalhadores. No fim de janeiro, o total de empregados da
construção civil na cidade somava 289,9 mil, total 13,62%
maior que em janeiro de 2008.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de março de 2009 | Economia
54% das indústrias já demitiram
por causa da crise, aponta CNI
Agência Estado
Uma consulta realizada pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI) entre os dias 4 e 11 de março mostra que 80% das empresas adotaram
alguma ação em relação a seus trabalhadores em
razão da crise internacional. Em 54% delas, a demissão de funcionários
ou a suspensão de serviços terceirizados foi a saída;
53% responderam que suspenderam as contratações planejadas; 32%
concederam férias coletivas; 27% adotaram banco de horas; e 9% reduziram
a jornada de trabalho e salários. A soma dos porcentuais, segundo a
CNI, supera 100% porque as empresas podem assinalar mais de uma opção.
A pesquisa mostra também
que 36% das empresas entrevistadas pretendem demitir ou suspender serviços
terceirizados, como reação à crise. Outras 24% disseram
que pretendem reduzir jornada de trabalho ou de salários, e 22%
afirmaram que devem suspender as contratações planejadas.
Na percepção da
indústria, segundo a pesquisa, as medidas adotadas pelo Banco
Central para atenuar a escassez e o alto custo do crédito não
estão sendo efetivas, conforme resposta de 40% dos empresários
consultados. Para 54%, as medidas estão sendo efetivas de forma
moderada e apenas 4% afirmaram que as medidas estão surtindo efeito
de forma significativa.
Para 39% dos empresários,
as medidas do governo federal para reaquecer a economia também
não estão fazendo efeito. Por outro lado, 57% responderam
que as medidas estão funcionando de forma moderada e, para 3%,
estão sendo eficazes de forma significativa.
Ao serem questionadas sobre qual
deve ser o foco das ações governamentais para contornar
os efeitos da crise, 63% dos empresários da indústria assinalaram
a opção redução de tributos. Outros 51% marcaram
corte de juros e do spread bancário. Em terceiro lugar, ficou
a necessidade de aumentar a oferta de financiamento para capital de giro
(30%).
A sondagem também mostrou
que 31% dos empresários acreditam que a crise terá fim
em 2009, sendo que 10% do total geral avaliam que isso ocorrerá ainda
no primeiro semestre deste ano e 21%, no segundo semestre. Mas, para
35% dos entrevistados, a crise só será superada em 2010,
e 12% acreditam que a crise só terminará após 2010
(numa somatória de 47%).
Intensidade
A consulta da CNI detectou que
oito em cada dez indústrias acreditam que os efeitos da crise
internacional sobre a economia brasileira se tornaram mais intensos no
primeiro trimestre de 2009, quando comparado a dezembro de 2008. Segundo
a pesquisa, 79% dos entrevistados afirmaram que os impactos aumentaram
ou aumentaram muito neste período. Para 13%, a situação
continua inalterada e, para 7,5%, os impactos diminuíram ou diminuíram
muito quando comparados a dezembro.
O levantamento mostra também
que 83% das indústrias afirmaram que a crise financeira internacional
está afetando os negócios. Dezesseis por cento responderam
que não estão sendo afetados. Segundo a pesquisa, 55%
dos empresários responderam que os impactos da crise sobre sua
empresa aumentaram ou aumentaram muito na comparação
com dezembro de 2008. Para 35%, os impactos continuam iguais e, para
10%, diminuíram ou diminuíram muito.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de março de 2009 | Economia
Crise não afetou negociações
salariais em 2008, aponta Dieese
Agência Estado
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) mostrou que 77,6% das negociações
salariais de 2008 asseguraram reajustes superiores ao Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Foi o terceiro melhor resultado desde o início
da série.
Segundo o Dieese, o dado de
2008 representou uma queda no desempenho das negociações
na comparação com 2007, mas o resultado foi mais influenciado
pelo avanço da inflação no primeiro semestre do
que pela crise financeira internacional.
"A crise não afetou
as negociações no ano de 2008", apontou o coordenador
de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre
Prado de Oliveira. A queda no desempenho dos entendimentos salariais,
observada no primeiro semestre de 2008, foi compensada pelos resultados
impulsionados pelo reajuste das categorias com data-base no segundo
semestre.
"O que explica esse desempenho é a
questão inflacionária", destacou Silvestre, reconhecendo,
entretanto, que, no quarto trimestre, quando a crise se fez sentir
mais forte no País, muitas categorias já tinham fechado
os acordos salariais.
Ainda assim, a questão
inflacionária foi preponderante para o desempenho no ano passado. "Quanto
maior a inflação, menor tende a ser o ganho de salário",
explicou Silvestre. Para se ter uma ideia, 88,1% das negociações
obtiveram aumentos iguais ou superiores à variação
do INPC em 2008, quando o índice registrou alta de 6,46%.
Em 2007, os porcentuais de
reajuste iguais ou superiores à inflação foram
de 95,9%. Naquele ano, a média do INPC foi de apenas 3,89%.
O melhor resultado da série foi verificado em 2006, quando o
porcentual de reajuste foi de 96,3% e o INPC, de 3,45%.
O pior resultado da série
foi registrado em 2003, quando a parcela de reajuste salarial no mínimo
igual à inflação foi de 42,3% e a inflação,
de 17,42%. Em 2008, 11,9% das 706 negociações pesquisadas
pelo Dieese não conseguiram zerar a inflação na
data-base.
Entre as que foram bem-sucedidas,
45% conseguiram porcentuais de elevações de 0,01% a 1%
acima da inflação contra 39% em 2007. A parcela seguinte,
que conseguiu reajuste de 1,01% a 2% superior à inflação,
representou 36,9% das negociações com êxito.
O Dieese chamou a atenção
para a concentração das negociações bem-sucedidas
que conseguiram ganhos reais entre 0,01% e 2%. Por outro lado, a
entidade reconheceu que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) de
5,1% no ano passado revela que os ganhos reais dos trabalhadores
estão aquém do ritmo de expansão da economia.
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Blog O Outro Lado da Notícia,
13 de março de 2009
Em 2008, quase 78% dos trabalhadores
obtiveram reajustes reais
Os resultados das negociações
salariais brasileiras em 2008 foram um pouco piores que as do ano anterior,
mas ainda positivas, já que a maioria dos acordos conseguiu igualar
ou ultrapassar a inflação do período.
Os dados são de uma pesquisa
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), divulgado na quinta-feira.
"Após a queda no
desempenho das negociações salariais observada no primeiro
semestre de 2008, o consolidado do ano apresentou resultados mais satisfatórios
impulsionados pelos reajustes negociados pelas categorias com data-base
no segundo semestre", afirmou o Dieese em comunicado.
Em 2008, 77,6% dos acordos conseguiram
reajuste real, ou seja, acima do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC), ante 87,7% em 2007.
Outros 10,5% conseguiram igualar
a inflação - contra 8,3% em 2007 - enquanto 11,9% tiveram
reajustes inferiores ao índice, comparado a 4% no ano anterior.
"O resultado em questão é semelhante
ao apurado em 2005 e ligeiramente inferior ao apurado em 2006 e 2007,
anos de maiores ganhos salariais... Pode-se dizer que o percentual de
negociações salariais iguais ou acima da inflação
continua em patamar elevado, já que desde 2004 este percentual
supera 80%", acrescentou a entidade.
Segundo o Dieese, os números
de 2008 refletem em grande parte a aceleração da inflação
ano.
"Os dados... confirmam a
existência de uma relação entre taxas de inflação
e resultados das negociações salariais: à medida
que o índice necessário para reposição salarial
se reduz, aumenta a proporção de negociações
com reajustes iguais ou superiores a esse índice".
Entre os setores da economia,
mais uma vez os melhores acordos foram registrados na indústria
- 87% deles superaram a inflação.
O Dieese pesquisou 706
negociações salariais no ano passado.
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Gazeta do Povo, 13 de março
de 2009
Trabalho
Inflação é reposta
em 88% das negociações
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) mostrou que 77,6% das negociações
salariais de 2008 asseguraram reajustes superiores ao Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC), que registrou alta de 6,46%. Foi o terceiro
melhor resultado desde o início da série. Além disso,
10,5% das negociações tiveram aumento igual ao INPC – assim,
88,1% das categorias pesquisadas conseguiram a reposição da inflação.
Segundo o Dieese, o dado de 2008
representou uma queda no desempenho das negociações na
comparação com 2007. O resultado foi mais influenciado
pelo avanço da inflação no primeiro semestre do
que pela crise financeira internacional. Em 2007, os porcentuais de reajuste
iguais ou superiores à inflação foram de 95,9%.
Naquele ano, a média do INPC foi de apenas 3,89%. O melhor resultado
da série foi verificado em 2006, quando o porcentual de reajuste
foi de 96,3% e o INPC, de 3,45%.
“A crise não afetou
as negociações no ano de 2008”, apontou o coordenador
de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre
Prado de Oliveira. De fato, a queda no desempenho dos entendimentos salariais,
observada no primeiro semestre de 2008, foi compensada pelos resultados
impulsionados pelo reajuste das categorias com data-base no segundo semestre.
“O que explica esse desempenho é a
questão inflacionária”, destacou Silvestre, reconhecendo,
entretanto, que, no quarto trimestre, quando a crise se fez sentir mais
fortemente no país, muitas categorias já tinham fechado
os acordos salariais.
Ainda assim, a questão
inflacionária foi preponderante para o desempenho no ano passado. “Quanto
maior a inflação, menor tende a ser o ganho de salário”,
explicou Silvestre.
Entre as negociações
que foram bem-sucedidas, 45% conseguiram porcentuais de elevações
de 0,01% a 1% acima da inflação contra 39% em 2007. A parcela
seguinte, que conseguiu reajuste de 1,01% a 2% superior à inflação,
representou 36,9% das negociações com êxito.
O departamento chamou a
atenção para a concentração das negociações
bem-sucedidas que conseguiram ganhos reais entre 0,01% e 2%. Por outro
lado, a entidade reconheceu que a alta do Produto Interno Bruto (PIB)
de 5,1% no ano passado revela que os ganhos reais dos trabalhadores
estão aquém do ritmo de expansão da economia.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de março de 2009 | Economia
Efeitos da crise foram generalizados
no emprego, aponta IBGE
Agência Estado
Os resultados de janeiro do mercado de trabalho industrial mostraram um aprofundamento
dos efeitos da crise sobre o emprego e a renda no setor, segundo o técnico
da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo.
Ele observou que esses efeitos foram generalizados, com amplo impacto nas regiões
e setores pesquisados.
O IBGE divulgou nesta quinta-feira
(12) que o emprego industrial caiu 1,3% em janeiro ante dezembro. Foi
o quarto resultado negativo consecutivo apurado pelo instituto nessa
base de comparação. Ante janeiro do ano passado, o emprego
recuou 2,5%, na segunda taxa negativa consecutiva ante igual mês
de ano anterior e na maior queda da série histórica da
pesquisa, iniciada em 2001.
Macedo destacou que segmentos
que vinham mostrando trajetória descendente, mas resultados ainda
positivos no emprego até dezembro, como meios de transporte (inclui
indústria automotiva) e máquinas e equipamentos, inverteram
o sinal em janeiro, reduzindo vagas. Segundo ele, por causa da piora
no quadro desses segmentos, houve uma "intensificação" na
redução do emprego, da renda e das horas pagas na indústria
em janeiro.
Para Macedo, os dados do
mercado de trabalho industrial "não foram nada favoráveis,
mas estão bem alinhados com o que foi observado na atividade
industrial". Ele acrescentou que "dada a intensidade da queda
na produção, esse efeito no emprego já era esperado".
O técnico ressalta que o IBGE não faz projeções,
mas admite que os resultados dos índices de média móvel
trimestral do emprego, das horas pagas e da renda, todos negativos,
e o recuo no número de horas pagas apontam uma tendência
negativa para a ocupação industrial.
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Gazeta do Povo, 13 de março
de 2009
Construção civil
Lula diz que pacote para habitação
sai em até 10 dias
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva disse ontem que anunciará em até dez dias o pacote
de medidas para incentivar o setor da construção civil
e a construção de até 1 milhão de moradias. “Estou
indo para os Estados Unidos na semana que vem. Mas, na sexta-feira da
próxima semana ou, no máximo, na outra segunda-feira, anunciaremos
o programa, que será o mais ousado e corajoso programa habitacional
do Brasil.”
O presidente lembrou que um mutuário
da sua idade (63 anos) paga o equivalente a 37% da prestação
a título de seguro de vida e os de até 40 anos pagam 10%. “Vamos
acabar com isso.” Lula também confirmou que os beneficiados
que estão hoje pagando aluguel não vão acumular
o gasto do aluguel com a prestação do imóvel. “Enquanto
a chave não for entregue, pagará apenas taxa simbólica,
de R$ 20 a R$ 30”, disse, em discurso em um bairro da periferia
de Porto Velho.
Obras
Durante visita ao canteiro
de obras da hidrelétrica de Jirau, a 130 quilômetros de
Porto Velho, Lula brincou com a crise. “A imprensa viu o gol
do Ronaldo ontem?”, perguntou aos jornalistas, assim que chegou
ao evento. E emendou: “Para compensar a crise, o Ronaldão
taí, ó.” Em Rondônia, Lula também
visitou ontem outra obra do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC): a usina de Santo Antônio.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de março de 2009 | Política
Hora extra no Senado pode ser devolvida
em 10 vezes
Agência Estado
Servidores do Senado que receberam irregularmente pagamento de horas extras
em janeiro, mesmo com a Casa em recesso, poderão ter os valores descontados
de seus salários em dez vezes sem juros. A informação
foi dada ontem pelo 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes
(DEM-PI), que enviou ofícios a todos os chefes de gabinete dos senadores
e ordenadores de despesas dos setores administrativos para que façam
uma revisão das horas extras autorizadas. Caberá a eles informar
se o pagamento foi indevido ou não.
Segundo o senador, a determinação
da cobrança de uma só vez do valor total das horas extras
recebidas sem o efetivo trabalho desempenhado seria ilegal. Decisões
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) limitariam em, no máximo,
10% do salário do servidor o desconto em folha de pagamento. O
presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sugeriu ontem que
todos os senadores determinem a devolução das horas extras
pagas a seus funcionários em janeiro, a exemplo do que ele próprio
decidiu fazer em seu gabinete. "Nós devemos tomar medidas
que sejam efetivas, até mesmo radicais", disse.
Sarney lembrou que os chefes
dos gabinetes ou de quaisquer outros setores da Casa sabem quais são
os servidores que trabalharam além do horário normal
e que, portanto, têm direito ao pagamento adicional ao salário. "O
que é errado é o servidor receber hora extra sem trabalhar",
afirmou. Foram gastos em janeiro R$ 6,2 milhões com horas extras.
Heráclito também disse ontem que, entre as propostas
que serão feitas hoje à Mesa Diretora da Casa, está a
de implantar um sistema eletrônico de ponto para todos os funcionários.
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Agência Brasil, 13 de
março de 2009
Trabalhadores pedem apoio a ministro
para uso do amianto no País
Trabalhadores da indústria
do amianto da variedade crisotila pediram apoio em Brasília ao
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel
Jorge, para o uso da substância no País. O assunto está sob
análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Miguel Jorge, em nota
técnica publicada em 2006, o Ministério já havia
manifestado "não ser contra o uso do amianto crisotila",
desde que fossem mantidos os controles realizados sobre a sua produção,
mesmo porque "nem os trabalhadores do setor são contra a
utilização do produto".
O amianto crisotila é usado
na fabricação de telhas e caixas d'água, por exemplo.
No entanto, especialistas afirmam
que suas fibras são consideradas maléficas à saúde
e podem provocar doenças como a asbestose, causada pela inalação
de partículas, névoas, vapores ou gases nocivos no ambiente
de trabalho.
O presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), José Calixto
Ramos, que participou do encontro, acredita que essas afirmações
não têm fundamento, pois o controle da exploração
e da fabricação de artefatos com amianto crisotila vem
sendo feito há 20 anos, sem que fosse registrado no período
nenhum caso de doença provocada pelo produto no Brasil.
"Na verdade, temos adotado
medidas que controlam qualquer tipo de ofensividade à classe trabalhadora,
desde a extração do minério até o manuseio
do fibrocimento. Fazemos também seminários para mostrar
como tem que ser usado o minério [para não contaminar o
trabalhador]", disse.
José Calixto Ramos acredita
que a defesa do banimento do amianto crisotila está sendo motivada
por pressão do fabricante de outra fibra, o polivinílico-álcool
(PVA), um produto originado do petróleo.
Com o banimento da substância
do mercado, a projeção da CNTI é que 160 mil trabalhadores
percam seus postos de trabalho.
O médico Carlos Alberto
Crespo, que também integrou a comitiva recebida por Miguel Jorge,
disse que, além da disputa comercial no Brasil, existe o interesse
do mercado europeu, que baniu o produto.
"Lá o uso do amianto
era completamente diferente, pois eles passavam cola na parede e jateavam
o produto", disse. "O produto era usado puro e o trabalhador
ficava exposto a milhares de fibras", completou.
O médico acrescentou ainda
que os produtos feitos com amianto no Brasil, como telhas e caixas d'água,
não trazem riscos quando são manipulados, além de
serem mais baratos do que os produzidos com PVA.
Representante da Federação
Internacional dos Trabalhadores do Amianto Crisotila na América
Latina, Adilson Santana, que trabalha há 22 anos no setor, afimrou
que o produto não oferece nenhum risco nas fábricas e na
mineração devido ao rígido controle.
"Os casos registrados foram
antes dos anos 80. Depois de instituído o acordo nacional para
o uso seguro do produto entre trabalhadores e empresários, não
existem mais doenças ocupacionais relacionadas ao amianto",
disse.
Ele enfatizou que existe uma
pressão internacional para o fim do uso do amianto em todo o mundo
em troca de outras fibras sintéticas, mas que ninguém conhece
os riscos que esses produtos podem trazer para as pessoas.
"O que nos assusta é que
em outros segmentos, como o mineral, que tem outros produtos como o urânio,
tório, terras raras e com sílicas no ar, os trabalhadores
estão expostos e ninguém está falando nada",
disse.
No final de janeiro, o ministro
do Meio Ambiente, Carlos Minc, assinou a Portaria nº 43, que proíbe
o uso do amianto em obras públicas e bens adquiridos pela pasta
e por órgãos vinculados.
"No mundo, 43 países
já aboliram [o uso do amianto]. Queremos tecnologia limpa, que
não agrida o meio ambiente e o pulmão dos trabalhadores",
disse Minc na ocasião.
No Brasil quatro estados
fizeram leis contra o uso do amianto: Rio de Janeiro, Pernambuco, São
Paulo e Rio Grande do Sul.
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Valor Online, 13 de março
de 2009
Auxílio-doença por
acidente de trabalho cresce 152% em 2 anos
Relatório preparado pelo
Ministério da Previdência sobre as estatísticas de
2008 revela que foram concedidos 356.336 auxílios-doença
acidentários no período. O resultado indica crescimento
de 29,6% sobre 2007 e 152,7% sobre 2006. Com relação às
despesas, esses benefícios consumiram R$ 5,72 bilhões no
ano passado.
Apesar desse aumento relevante,
o diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança
Ocupacional do Ministério da Previdência, Remígio
Todeschini, afirma que não há deterioração
das condições de segurança e saúde no ambiente
de trabalho na mesma proporção. O que está acontecendo é um
processo de redução da subnotificação por
parte dos empregadores e uma melhor identificação das ocorrências.
O que costumava ser relatado
como benefício previdenciário, desvinculado da rotina do
trabalho, passa a ser enquadrado como acidentário, o que garante
estabilidade de um ano ao empregado. Além disso, a empresa fica
obrigada a pagar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
no período.
Quadro
mais claro
Todeschini explica que o quadro das doenças ocupacionais e dos afastamentos
do trabalho está ficando mais claro, porque, em abril de 2007, entraram
em vigor as normas que estabeleceram o Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário (NTEP). Isso significa que os médicos peritos
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passaram a relacionar atividades
profissionais com suas doenças mais frequentes.
Como resultado dessa relação,
doenças que eram tratadas como meras ocorrências previdenciárias
passaram a ser encaradas como acidentárias. "A fotografia
vai ficando mais nítida. Estamos vendo melhor o adoecimento no
trabalho para poder prevenir de maneira mais eficiente", comenta
o diretor.
Se a concessão dos auxílios-doença
acidentários aumentou 152% entre 2006 e 2008, a variação
nesses benefícios de natureza previdenciária foi no sentido
contrário. Segundo o Ministério da Previdência, foram
autorizados 1.806.727 benefícios em 2008, o que significa redução
de 17,45% em relação às concessões no ano
de 2006.
Adin
O discurso de defesa do NTEP, feito pelo Governo, contrasta com a posição
do empresariado. O advogado da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Cássio Borges, espera que comece neste ano julgamento da ação
direta de inconstitucionalidade levada em 2007 ao Supremo Tribunal Federal.
Na ação da CNI,
a norma do NTEP retira do médico perito sua liberdade profissional
ao vincular as atividades das empresas com o código internacional
de doenças. Borges argumenta que o NTEP é mera presunção,
o que inverte o sentido natural e previsto na Constituição
para estabelecer um vínculo entre o beneficiário e sua
atividade no trabalho para identificar a causa da doença profissional. "O
NTEP é mais estatística que medicina", diz o advogado.
O estoque de auxílios-doença
causou muita preocupação no Governo quando chegou a 1,66
milhão de benefícios, em outubro de 2005. Segundo a Previdência,
ocorreu um descontrole nas concessões, provocado, principalmente,
pela atuação de médicos peritos terceirizados e
por medidas de gestão, que foram alteradas. Um ano depois, o estoque
baixou a 1,52 milhão e encerrou 2008 em 1,31 milhão de
benefícios, nível considerado normal pela Previdência.
Não
há impacto fiscal
Na análise do secretário de políticas de Previdência
Social, Helmut Schwarzer, não há impacto fiscal nessa reclassificação
dos auxílios-doença, porque apenas muda o nome da despesa, de
previdenciária para acidentária. Apesar dessa sutileza, ele ressalta
que representa mais nitidez para a preparação de políticas
públicas de prevenção, o que vai permitir menos gastos.
Para o futuro, Schwarzer argumenta
que o impacto será mais favorável nas contas da Previdência,
porque o empregador está sendo estimulado a prevenir doenças
e acidentes. Na classificação acidentária, o auxílio-doença
garante estabilidade de um ano no emprego.
Esse futuro, na visão
do secretário, terá um sistema mais sofisticado de prevenção.
O projeto é articular ações dos ministérios
da Previdência, do Trabalho e da Saúde para captar e interpretar
melhor as informações dos afastamentos do trabalho em períodos
inferiores a 15 dias. Nas atividades informais terão de ser usados
dados do Sistema Único de Saúde (SUS).
Aproveitar
oportunidades
A recomendação de Todeschini aos empresários é que
aproveitem a oportunidade das paradas de produção com férias
coletivas ou diminuição de ritmo de produção, para
aperfeiçoarem processos e prevenirem doenças e acidentes. Diz
que isso significa redução de custos.
Segundo ele, o Governo está revendo
a metodologia prevista para a cobrança da contribuição
ao Seguro Acidente do Trabalho (SAT) por meio do Fator Acidentário
de Prevenção (FAP). A definição será neste
semestre, porque as novas regras vão valer a partir de 1º de
janeiro de 2010. Ele revela que já estão sendo feitas simulações.
O FAP é um multiplicador (0,5 a 2,0) das alíquotas de 1%,
2% e 3% cobradas sobre a folha de pagamentos.
No balanço dos benefícios
acidentários de 2008, cerca de um terço (117.353) das concessões
foi relacionado às doenças do sistema osteomuscular e do
tecido conjuntivo, onde predominam lesões por esforço repetitivo
(LER) e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (Dort).
Em 2007, os registros da Previdência
para LER/Dort eram de 95.473 benefícios acidentários concedidos,
o que mostra aumento de 23% em 2008. Em 2006, apenas 19.956 concessões
tiveram essa causa.
Concessões
Evolução parecida ocorreu com as concessões de auxílios-doença
acidentários relacionados a transtornos mentais. No ano passado, foram
contabilizados 12.818 benefícios, aumento de mais de 66% em relação
aos 7.690 casos de 2007. Em 2006, a Previdência contou somente 612 casos
desse tipo.
Para Todeschini, os efeitos nocivos
da crise econômica para os empregados devem aumentar os casos de
transtorno mental. Segundo ele, a redução dos postos de
trabalho aumenta a sobrecarga para quem fica nas empresas.
"Há muito tempo
as autoridades japonesas estão preocupadas com a relação
entre excesso de trabalho e suicídio", afirma. A maior
parte das concessões de auxílios-doença acidentários
no ano passado (199.112 autorizações) teve como causa
acidentes de trabalho típicos, como cortes e fraturas causadas
por máquinas e equipamentos sem proteção.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/03/2009
TST garante a aposentado por surdez
direito a indenização em parcela única
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho acolheu recurso de um aposentado por invalidez em decorrência
de perda auditiva e restabeleceu a sentença que lhe assegurou
o pagamento de indenização por danos materiais de uma só vez,
e não em parcelas mensais até que ele completasse 65 anos,
como havia determinado a segunda instância. O recurso foi acolhido
com base no dispositivo do Código Civil (artigo 950) que assegura
o pagamento de indenização a quem tenha sofrido ofensa
ou lesão à saúde que resulte em impossibilidade
de exercer sua profissão ou que diminua sua capacidade de trabalho.
Além das despesas do tratamento e lucros cessantes, a indenização
inclui pensão correspondente à importância do trabalho
para o qual se inabilitou. O mesmo dispositivo prevê que o prejudicado
pode exigir que a indenização seja arbitrada e paga de
uma só vez.
Após trabalhar 21 anos
na Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A. (Enersul), o
trabalhador foi aposentado por invalidez depois de constatada perda auditiva
provocada por exposição a ruído acima dos limites
de tolerância. A indenização por danos morais foi
fixada em R$ 63 mil. A Enersul recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho
da 24ª Região (Mato Grosso do Sul) contra a condenação.
O valor da indenização foi mantido, mas o TRT/MS determinou
que a importância fosse paga mensalmente a partir do trânsito
em julgado da decisão até a data em que o trabalhador completasse
65 anos.
Para a fixação do valor da parcela mensal, o montante foi dividido
pelo número de meses entre o trânsito em julgado da decisão
e a implementação da condição de 65 anos.
A segunda instância também
aplicou dispositivo do Código de Processo Civil (CPC, artigo 620)
que permite a execução pelo modo menos gravoso para o devedor.
O TRT/MS considerou que “a condenação ao pagamento
de indenização deve ser praticada de forma consciente e
moderada”, e por esse motivo não se poderia aplicar ao pé da
letra o parágrafo único do artigo 950 do Código
Civil, antecipando-se as prestações futuras que deverão
ser pagas no decorrer dos anos. A segunda instância considerou
ainda que, com a antecipação, a condenação
deixaria de atender seu objetivo, permitindo enriquecimento ilícito,
uma vez que o ofensor pagará além do que deveria caso o
beneficiário faleça antes de completar 65 anos de idade.
A decisão levou a defesa
do aposentado a recorrer ao TST, alegando violação legal.
O direito ao aposentado foi assegurado a partir da divergência
aberta pelo ministro Renato Paiva, que foi acompanhado pelo ministro
José Simpliciano Fernandes. O relator original do recurso, ministro
Vantuil Abdala, ficou vencido. Para ele, a regra básica e original
para o caso em questão é o sistema de pensão, ou
seja, o pagamento mensal ao empregado aposentado por invalidez. Abdala
afirmou que o aposentado tem direito ao pagamento em parcela única,
mas, para isso deveria ter requerido ao Tribunal Regional a realização
de novo arbitramento de valor para este fim, por meio de contrarrazões,
sustentação oral ou até mesmo de embargos de declaração.
O ministro Renato Paiva afirmou
que é garantido ao trabalhador receber a quantia de uma só vez,
quando terá a chance de formar um capital. Segundo ele, o direito
foi assegurado desde a primeira instância, por isso o trabalhador
não questionou a sentença. Surpreendido com a decisão
do TRT/MS de permitir o parcelamento, ele recorreu ao TST alegando violação
de seu direito. ( RR 501/2004-001-24-40.8)
(Virginia Pardal)
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13/03/2009
Convênio de 1952 não garante
imunidade a organismo internacional
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho afastou a imunidade absoluta de jurisdição
e determinou o retorno ao primeiro grau de processo trabalhista em que
era parte o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa. Apesar da existência
de convênio assinado em 1952 entre o Centro e o Governo brasileiro,
com previsão em contrário, o entendimento jurisprudencial
do TST é no sentido de que a imunidade absoluta não tem
respaldo no atual ordenamento jurídico brasileiro desde 1990,
quando o Supremo Tribunal Federal afastou a imunidade da República
Democrática Alemã em questão trabalhista. O Centro
Pan-Americano de Febre Aftosa é vinculado à Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS).
A ação foi movida
por uma técnica em patologia que durante dez anos trabalhou para
o organismo internacional. Ela reivindicava vantagens previstas em convenções
coletiva de trabalho, como reajustes e diferenças salariais, anuênios
e indenização regulamentar. O Centro Pan-Americano defendeu-se
alegando que, por ser entidade de direito público internacional,
possuía privilégios e imunidades garantidos pelo convênio
com o Governo brasileiro e por convenções internacionais.
A 6ª Vara do Trabalho de Duque de Caxias (RJ) acolheu a tese da
defesa e extinguiu o processo sem julgamento do mérito. A sentença
foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ).
Ao recorrer ao TST, a trabalhadora
insistiu no afastamento da imunidade, sustentando que o artigo 114 da
Constituição Federal confere à Justiça do
Trabalho competência para processar e julgar dissídios que
envolvam entes de direito público externo. O relator do recurso
de revista, ministro Horácio de Senna Pires, deu razão à trabalhadora. “A
imunidade de jurisdição conferida pelo convênio era
típica do direito internacional público aplicável
antes da vigência da atual Constituição Federal”,
assinalou em seu voto. “A mudança no cenário internacional,
no que tange à imunidade absoluta, ocorrida na década de
1970, foi não apenas fundamental, levadas em conta sua dimensão
e seu valor qualitativo, mas também e principalmente imprevisível,
em 1952” – ano da assinatura do convênio. O ministro
Horácio Pires fundamentou-se principalmente no voto do então
ministro do STF Francisco Rezek no julgamento da Apelação
Cível nº 9696-3/SP, julgada em 1990, que traça a evolução
do direito internacional em relação ao tema. ( RR 815069/2001.8)
(Carmem Feijó e Fernando
Guimarães de Freitas)
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13/03/2009
Antiga Texaco fecha acordo milionário
em Belém (PA)
Após mais de uma hora
de negociação, a empresa TEXACO, com denominação
atual de CHEVRON BRASIL LTDA, fechou acordo de R$4 milhões com
dois ex-empregados referente a indenização por danos morais
na 1ª Vara do Trabalho de Belém (PA). O valor proposto foi
superior à atualização dos cálculos.
Os dois trabalhadores sofreram grave acidente em razão da explosão
de um caminhão tanque carregado de combustível. No julgamento
do processo, ajuizado em 2001, foi fixada indenização por danos
morais em salários mínimos. Considerando que a matéria
tem feição constitucional, o caso chegou ao Supremo Tribunal
Federal por meio de recurso extraordinário que questionava a constitucionalidade
da vinculação da indenização ao salário
mínimo.
Antes do julgamento pelo STF,
porém, houve nova tentativa de conciliação. A Chevron
Brasil pediu prazo para se manifestar, pois necessitava de autorização
da matriz nos Estados Unidos, e acabou aceitando os valores propostos
pelo juiz de primeiro grau. O pagamento será feito no dia 19 de
março, sob pena de multa de 20%. Com a conciliação,
perde o objeto o recurso pendente de apreciação no STF.
(Fonte: TRT da 8ª Região)
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