Informativo Eletrônico n.º 1.226   -   Ano 06   -   Curitiba (PR), 14 de março de 2009.



Agência Brasil, 14 de março de 2009

Economia brasileira não terá recessão neste ano, diz Ipea
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, não acredita na possibilidade de que o país feche 2009 em recessão, apesar da queda brusca no Produto Interno Bruto (PIB), no último trimestre do ano passado e da crise financeira internacional.

Para o economista, há um grupo do instituto trabalhando nas projeções para este ano e deverá ter uma posição mais precisa até o fim do mês quanto às projeções para 2009.

"Nós continuamos trabalhando com a perspectiva de crescimento. Agora, o tamanho deste crescimento é que nós não temos ainda uma condição de avaliar. O diferencial brasileiro é exatamente este: que a discussão se dê em torno exatamente do tamanho do crescimento e não sobre a possibilidade de recessão como no resto do mundo", disse.

Para o presidente do Ipea, a situação vivida pela economia brasileira neste primeiro trimestre do ano diferencia em muito do que ocorreu no último trimestre do ano passado, "que não apenas sofreu os efeitos da crise, mas também do ajuste dos estoques por parte das empresas e do impacto tardio da elevação dos juros no primeiro semestre do ano passado".

Segundo Pochmann, embora neste início do ano ainda haja o efeito da crise, há também reações em termos de política econômica para fazer com que a crise não se manifeste de forma intensa na economia do país.

O economista avaliou positivamente a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir em 1,5 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic).

Para o presidente do Ipea, o comportamento dos juros, seguindo a trajetória de queda, tende a evitar uma piora nas expectativas da economia em geral, "porque nos permite compreender que há uma convergência das ações governamentais para evitar o agravamento da crise no Brasil".

As declarações do presidente do Ipea foram dadas à Agência Brasil a durante a divulgação, nesta quinta-feira (12), dos dados de março do Sensor Econômico , no Rio de Janeiro, pelo instituto.

O indicador, lançado em fevereiro deste ano pelo Ipea, revela que o setor produtivo se mantém apreensivo quanto à expectativa socioeconômica do país para 2009.



Congresso em Foco, 14 de março de 2009
Uma saída para a crise ou para que servem sete trilhões de dólares?
Eduardo Fernandez Silva *

Sete trilhões de dólares foi quanto os governos despejaram para sustentar os mercados até janeiro último, disse, em Davos, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Os analistas acreditam que ainda mais dinheiro será necessário, principalmente para resolver o problema do dito “lixo tóxico” – curioso eufemismo para não falar nos “efeitos da imprevidência dos gestores dos mercados financeiros”.

Assim, mais dinheiro será necessário. Lawrence Summers, assessor especial do Obama, em entrevista ao Financial Times do último dia 9 de março, propôs que os governos injetem mais dinheiro na economia de maneira coordenada, para reforçar a demanda e tirar o mundo da recessão. Convém indagar, pois, como poderiam ser aplicados tais recursos. Aliás, o presidente Lula, parece, levará à próxima reunião do G20 proposta de um plano global para redução da pobreza como forma de combater a crise. Se as duas propostas se somarem, possivelmente teremos um caminho para sair da crise.

Vejamos, então, o que significam US$ 7 trilhões.

A população do planeta é hoje da ordem de 6 bilhões de humanos, que enfrentam riscos à sua sobrevivência como espécie e organizam-se em famílias, cujo tamanho médio fica entre quatro e cinco indivíduos. Há, pois, cerca de 1,34 bilhões de famílias na Terra. Se o dinheiro injetado “nos mercados” – outro eufemismo – fosse dado, no montante de US$ 10 mil para cada família, uma de cada duas seria beneficiada. Digamos que tais recursos fossem dados aos mais pobres, e não aos mais ricos, como tem ocorrido com os planos de combate à crise até agora divulgados.

Com tal grana, esse grupo de metade das famílias de humanos poderia construir casas, comprar remédios, pagar escolas, comprar roupas, eletrônicos e até mesmo poupar, contribuindo para restaurar o crédito e, acompanhado das medidas institucionais adequadas, criar um novo sistema financeiro. A lista de compras, aliás, seria tão vasta e em tal montante que, muito provavelmente, o desemprego desapareceria rapidamente e os governos teriam até mesmo que buscar alternativas para evitar um surto inflacionário.

Porém, as melhorias na saúde, habitação, educação, vestuário e segurança que cada família poderia obter, com o dinheiro recebido, ativaria os mercados de produção locais e implicaria, no futuro próximo, aumento de receita pública e queda dos gastos governamentais provavelmente suficientes para reequilibrar as finanças públicas.

Assim, o mito de que tal alternativa é inviável deve cair, como caíram os mitos da eficiência e autoregulação dos mercados. Também deve ser revista a noção keynesiana de que o governo deve injetar recursos para reativar a economia; importância no mínimo igual deve-se dar à questão de onde, em quê, para quê e para quem o governo injeta dinheiro.

Além disso, os humanos poderiam usar a oportunidade para redefinir os rumos do seu desenvolvimento, ao invés de buscar restaurar “um sistema para o crescimento que depende de nós construirmos mais e mais lojas para vender mais e mais coisas produzidas em mais e mais fábricas na China, movidas a mais e mais carvão que causa mais e mais mudanças climáticas para que a China ganhe mais e mais dólares para comprar títulos dos EUA para que este tenha mais e mais dinheiro para construir mais e mais lojas para vender mais e mais coisas que empregarão mais e mais chineses...” (Friedman, Thomas, The New York Times, 07/03/08, com adaptações).

Ainda há tempo para as mudanças, que são imperiosas e ainda mais amplas do que aqui sugerido; haverá lideranças capazes de botar os guizos nos gatos e mobilizar populações para promovê-las?

*Economista e consultor legislativo da Câmara, especializado na área de economia e desenvolvimento econômico, é ex-secretário-adjunto de Assuntos Metropolitanos e do Trabalho do governo de Minas Gerais. Foi professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em Brasília.



Gazeta do Povo, 14 de março de 2009
Eleições
Ministro sinaliza apoio do PDT a Dilma em 2010
Declaração de Carlos Lupi, que também é presidente nacional do partido, é mais um indicativo de que Osmar pode se aliar ao PT para o governo do estado

O ministro do Trabalho e presidente nacional licenciado do PDT, Carlos Lupi, sinalizou ontem, em visita ao Paraná, que os pedetistas tendem a fechar aliança com o PT para a eleição presidencial do ano que vem. A possível composição do PDT na chapa de Dilma Rousseff (PT), em 2010, é mais um indicativo de que o senador Osmar Dias (PDT-PR) poderá se aliar aos petistas paranaenses na disputa pelo governo estadual – o que daria um palanque forte para a ministra no estado.

“Tenho uma relação pessoal com a Dilma de muitos anos porque ela ajudou a fundar o PDT”, disse ontem Lupi, que cumpriu agenda ontem com Osmar em Curitiba e Mandirituba, na região metropolitana. “Mas a questão da aliança não depende só da minha vontade. No momento certo teremos uma deliberação do partido”, ponderou o ministro.

A aproximação de Osmar Dias com o PT é vista como natural pelo ministro Lupi. “Ele é o nome mais forte no estado e será o governador do Paraná em 2011 com certeza, pois perdeu a última eleição por uma diferença muito pequena. O PT percebe essa realidade. No que cabe a mim, estou conversando com as lideranças do partido”, disse Lupi.

Osmar Dias, porém, ontem reafirmou que o acordo entre ele e o PSDB do prefeito Beto Richa, construído desde a eleição municipal de 2004, continua valendo. “Em 2006 recebi o apoio dele (Beto Richa) e, no ano passado, o apoiamos na reeleição. Acredito que os compromissos que foram feitos serão mantidos para 2010”, afirmou Dias.

De acordo com o senador, a conversa com o PT surgiu somente após o PSDB anunciar a intenção de lançar candidato próprio ao governo do estado em 2010. “Se isso acontecer, não teremos aliança. E a conversa com o PT deve continuar”, disse Osmar.

Liderança

Em encontro com a ministra chefe da Casa Civil e com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na última terça-feira, o senador Osmar Dias foi perguntado se aceitaria o convite para ser o líder do governo no Congresso Nacional, cargo hoje ocupado pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). O cargo é um dos mais cobiçados da base do governo, já que entre suas as funções está a condução da votação do Orçamento da União. A sondagem é mais um indicativo de que o PT quer se aproximar de Osmar.

Ontem, o senador paranaense disse que, se acontecer o convite oficial, o que vai pesar na sua decisão de aceitar ou não a liderança será a importância que o cargo teria para o Paraná. “Enquanto ela (Roseana Sarney) estiver no mandato, não há possibilidade de alteração. Para aceitar o possível convite, tenho de ter a certeza de que posso ajudar o Paraná com esse cargo, trazendo os programas de habitação e saneamento para o estado. Se eu puder ajudar o Paraná, claro que vou aceitar.”

Londrina

Hoje pela manhã o ministro do Trabalho deve ir a Londrina, onde participará da inauguração da sede da Gerência Regional do Trabalho no município. A duas semanas do novo segundo turno na cidade, a presença de Lupi tende a fortalecer a candidatura de Barbosa Neto (PDT), que foi o terceiro colocado nas eleições municipais de Londrina em 2008. “Estarei com o Barbosa Neto amanhã (hoje) para o apoiar. Mas, virtualmente, ele já é o prefeito de Londrina. Não há dúvidas”, afirmou, otimista, o ministro.



Gazeta do Povo, 14 de março de 2009
Trabalho
Lupi diz que emprego reagiu em fevereiro
Em Curitiba, o ministro do Trabalho afirmou que houve geração de postos formais no mês passado, após dois meses negativos

O ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi disse ontem, durante sua passagem por Curitiba, que dados preliminares do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelam uma recuperação do nível de empregos no país em fevereiro. “O governo deve anunciar um salto na empregabilidade”, disse, sem divulgar números.

“O indicador de que a economia está melhorando é a contratação de trabalhadores formais. Em janeiro tivemos 1,2 milhão de contratações e 1,3 milhão de demissões. O Brasil começa a inverter a pirâmide do emprego.” O saldo de janeiro foi melhor se comparado ao mês de dezembro. Dados do Caged mostram que em dezembro a diferença entre contratações e demissões acusou o fechamento de 650 mil postos de trabalho.

De acordo com o ministro, a partir de março o Brasil será o “grande país das Américas que vai apresentar reação à crise econômica.” Mas Lupi pondera a avaliação afirmando que o movimento de inversão do saldo negativo de 100 mil demissões em janeiro ocorrerá de forma tímida. “Sou um otimista, mas reconhecemos que o saldo não deve ser grande.”

Só a partir de março, segundo ele, será possível dizer se o emprego no país vai deslanchar. “Dependemos dos números de março para traçar uma previsão. Se março for positivo, vai demonstrar uma recuperação que prosseguirá nos meses seguintes”, disse.

Sobre a redução de 1,8% das horas pagas na indústria em janeiro, segundo dados do IBGE, o ministro explicou que o governo não interfere nessa discussão e que não acredita este fato possa indicar mais demissões. “Faz parte de uma conversa aberta entre entre trabalhadores e sindicatos, são os ajustes do setor produtivo”, afirmou.

Lupi rebateu ainda a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada na quinta-feira (12) mostrando que 21% das empresas industriais consultadas pretendem demitir funcionários nos próximos meses. “Não teremos mais demissões no Brasil. A resposta da economia está sendo boa, estamos fechando o mês de fevereiro com saldo positivo, na contramão da avaliação de grandes economistas”, afirmou.

O ministro destacou a participação das pequenas e médias cidades no processo de recuperação da economia e disse que o Paraná tem um dos melhores potenciais contra a crise. “Há diversidade de atividades econômicas no estado. É uma das unidades da federação que menos está sofrendo no país.”

Outro ponto ressaltado pelo ministro foi a possível ampliação do seguro-desemprego para os trabalhadores de alguns setores da economia. De acordo com Lupi, o Caged está acompanhando os números do desemprego para verificar quais setores custarão mais a se recuperar. “A partir desse estudo o governo vai tomar uma posição”, disse.


Gazeta do Povo, 14 de março de 2009
Habitação
Impasse atrasa decisão para reduzir impostos
Os técnicos do Ministério da Fazenda não conseguem chegar a um acordo sobre que desoneração o governo federal pode fazer no pacote de incentivo à habitação. Depois de descartar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção, os técnicos brigam agora por causa do Regime Especial de Tributação (RET) do patrimônio de afetação. O secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, defende a diminuição da alíquota do RET, mas os fiscalistas não querem abrir mão de arrecadação.

Pela proposta prevista no pacote, o RET – que reúne PIS/Cofins, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) – teria sua alíquota reduzida de 7% para 1% para empresas que construírem imóveis voltados para baixa renda, ou seja, trabalhadores com renda de zero a três salários mínimos. Esse regime tributário vale para as empresas que usam o patrimônio de afetação, ou seja, que fazem empreendimentos cuja contabilidade é controlada em separado. O sistema foi criado em 2004 para evitar casos como o da Encol, em que uma empresa falida usava o patrimônio de compradores de seus imóveis para o pagamento de passivos.

Segundo técnicos da Fazenda, o problema é que a queda da arrecadação no início de 2009 e o forte desaquecimento da economia deixaram a Receita Federal relutante em abrir mão de qualquer valor. Publicamente, o discurso do governo é que o pacote terá como foco principal destinar recursos públicos para subsidiar as prestações de imóveis para baixa renda, pois isso terá efeito direto no bolso do cidadão. Estima-se que a União possa destinar R$ 20 bilhões para os subsídios.

Barbosa e o setor da construção alegam que o RET também tem efeito para o comprador na ponta. A redução dos tributos baixaria o preço dos imóveis em 6% e ainda teria como vantagem reduzir a informalidade na construção civil, que chega hoje a 70%.

“Alterar o RET torna o investimento em casas populares mais atraente para as construtoras. A população que ganha entre zero e três salários mínimos não compra imóveis de construtoras. Ela costuma ter terrenos, muitas vezes irregulares, e constrói na base do mutirão com mão-de-obra pouco qualificada”, afirma o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins.


Gazeta do Povo, 14 de março de 2009
Habitação
Financiamento imobiliário com poupança cresce 17%
O financiamento imobiliário com recursos da caderneta de poupança atingiu R$ 1,9 bilhão em janeiro deste ano, informou ontem a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Com isso, o volume emprestado subiu 17,45% sobre o mesmo período do ano passado.

O volume de contratações feitas pelos agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo envolveu a construção e aquisição de 18 mil unidades habitacionais, número 3,85% maior que o de janeiro de 2008.

Com esses resultados, os montantes acumulados em períodos de 12 meses mantêm a tendência de crescimento. O número de unidades financiadas superou 300,3 mil (contra 299,7 mil, no saldo de dezembro) e o volume de recursos avançou de R$ 30 bilhões para R$ 30,3 bilhões, na mesma base de comparação.

Em relação aos depósitos de poupança, de acordo com informações do Banco Central, houve retiradas da ordem de R$ 900 milhões em janeiro. “Este resultado não constitui surpresa, pois o primeiro mês do ano é caracterizado como um período em que os saques costumam superar os depósitos, devido aos gastos com festas de final de ano, pagamento de tributos, férias e despesas escolares”, afirmou a Abecip em nota.


Gazeta do Povo, 14 de março de 2009
Retração
Instituto prevê queda de 1,8% para o PIB global
A economia global vai se contrair em 1,8% neste ano, 0,7 ponto porcentual a mais do que a previsão de janeiro, segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que reúne 380 grandes bancos. O instituto pediu para que os governos aprovem novos pacotes de estímulo fiscal que terão “efeito imediatos” e disse que mais cortes nas taxas básicas de juros serão necessários.

O IIF não foi o único a revisar as suas projeções para a economia mundial. Pela segunda vez em menos de dez dias, o banco americano Goldman Sachs diminuiu a sua estimativa. Prevê uma queda de 1% no PIB global, 0,4 ponto porcentual mais do que a projeção anterior. Pelas estimativas do Goldman Sachs, a economia alemã, a maior da Europa, se contrairá em 5,2% neste ano – o dobro da estimativa anterior.

Nos últimos dias, dirigentes do Banco Mundial e do FMI disseram que a economia mundial vai se contrair neste ano. Caso as previsões se confirmem, será a primeira retração do PIB global desde o fim da Segunda Guerra, em 1945.




Folha de S.Paulo, 14 de março de 2009
PRODUÇÃO
Com a demanda em queda, indústrias de papel do PR param
DA AGÊNCIA FOLHA

Em meio à queda de demanda provocada pela crise global, duas indústrias multinacionais de papel que têm unidades no Paraná decidiram paralisar a produção.

A sueco-finlandesa Stora Enso e a norueguesa Norske Skog reclamam do governo de Roberto Requião (PMDB) por uma mudança em tributos, que, dizem, onera o setor. No fim de 2008, o governo aumentou impostos para gastos com energia elétrica e comunicação e diminuiu para outros 95 mil itens.

Alex Pomilio, da Norske Skog, diz que a energia representa 40% do custo de produção. Ele também reclama da retenção de créditos do ICMS, aos quais as empresas têm direito de devolução.

A Norske vai paralisar a fábrica em Jaguariaíva (221 km de Curitiba) na última semana de março e durante maio todo. A Stora Enso suspendeu atividades em Arapoti (239 km de Curitiba) por 24 dias, cortou 4% do quadro de funcionários de lá e pretende parar por mais 14 dias.

Requião disse considerar mudanças na tributação para setores em dificuldades, mas não especificou quais.