 |
O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2009 | Economia
Lula diz que país crescerá em
2009 'menos do que gostaríamos'
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (16)
que a crise está obrigando o Brasil a enfrentar "turbulências
que não criamos". Em palestra durante seminário para investidores
em Nova York, o presidente afirmou que o Brasil não quebrou e não
vai quebrar. "Enquanto a maioria dos países ricos mergulha na recessão,
o Brasil vai continuar crescendo. Cresceremos em 2009 menos do que gostaríamos
e menos do que poderíamos se não fosse essa crise externa. Mas
vamos crescer", afirmou.
Lula criticou os bancos, que
em vez de cumprirem papel de financiador do setor produtivo descolaram-se
da realidade e dedicaram-se à especulação. "Transformaram-se
num grande cassino", afirmou. "A ganância de alguns deu
lugar ao pânico de muitos", acrescentou.
Lula, que falou antes do almoço, brincou com a plateia dizendo que não
era para atirar facas e "muito menos sapatos" enquanto ele falasse
e a fome fosse aumentando, em referência ao incidente ocorrido no Iraque
com o ex-presidente americano George W. Bush. Lula disse que o Brasil não
teve a grave crise de confiança que se abateu sobre os países
ricos. "Quando a crise veio à tona, nossa economia estava arrumada."
A crise global desafiou o Brasil
a trabalhar mais para combatê-la, mas o atual momento representa
uma oportunidade para os líderes mundiais, disse Lula. O presidente
afirmou que "a crise surgiu como um desafio que dará mais
motivação para fazer mais do que fizemos até agora".
Lula também falou
sobre a integração das Américas e a necessidade
de pensar para além das divisões políticas, temas
também tratados com o presidente dos EUA, Barack Obama, durante
o encontro de ambos os presidentes no último fim de semana. "O
tempo da guerra fria acabou. Agora é tempo de democracia",
disse. Com informações da agência Dow Jones.
|
FOLHA DE LONDRINA, 17 de
março de 2009 | Economia
Salário sem tributos pode
acelerar economia
Economista afirma que a simples retirada
de impostos do holerite injetará dinheiro no consumo e capitalizará empresas
A desoneração de tributos federais da ordem de 45% no holerite
de cada empregado injetaria uma quantia considerável de dinheiro em
toda economia brasileira. Esta é a proposta do professor da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-RJ), José Márcio
Camargo. Empresários brasileiros gastam cerca de R$ 600 bilhões
por ano para saldar a folha de pagamento. Embora não tenha feito cálculos,
o estudioso exemplifica ao dizer que apenas 10% desta quantia, que não
só é composta de tributos, injetaria R$ 60 bilhões no
consumo, no prazo de um mês.
O pesquisador da Puc-RJ criticou
a forma como o governo federal tem enfrentado a crise econômica
no mercado interno. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva deveria parar de salvar a economia de maneira setorizada, desonerando
impostos de maneira localizada. Camargo criticou a diminuição
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as montadoras de
veículos; lamentou que o governo tenha comprado um navio cargueiro
da Embraer para manter o emprego de seus funcionários demitidos;
e anunciou a construção de casas populares, com redução
de impostos para as empresas de construção civil.
Camargo classificou estas medidas
de inofensivas para o atual momento econômico. ‘‘O
governo deveria ter uma ação mais geral na economia’’,
opinou.
Segundo ele, alguns setores empresariais
e sindicais conseguem essas desonerações porque têm
um maior poder de barganha política e economica. ‘‘A
Fiesp, CUT e Força Sindical têm seus interesses atendidos
porque são organizados’’, resume.
Ele explicou que ao reduzir os
impostos federais da folha de pagamento, automaticamente, diminui o custo
para as empresas e há um aumento dos salários para os trabalhadores.
Em ambos os casos, esclareceu o economista, melhores salários
aumentam o consumo, ao mesmo tempo que o aumento da demanda gera mais
produção e emprego, ainda mais quando o empresário
paga menos impostos.
Sobre os tributos e encargos
que seriam retirados, ele cita Contribuição da Previdência
Social, Sistema S, salário-educação entre outros.
Camargo esclareceu que benefícios como férias e 13º salário,
por exemplo, são custos da empresa e não impostos.
Lei
Pela Lei de Responsabilidade
Fiscal, governos não podem retirar tributos, sem que tenham outra
fonte de renda para repor os impostos não cobrados no holerite.
Sobre este aspecto, o professor declarou que o dinheiro viria em parte
destas desonerações setoriais concedidas e de outras iniciativas,
como não pagar o reajuste salarial do funcionalismo para 2009,
acordado em R$ 29 bilhões.
Edson Pereira Filho
Reportagem Local
|
Valor Online, 17 de março
de 2009
Mercado projeta taxa de juro Selic
de um dígito para 2009
Os agentes financeiros consultados
pelo Banco Central (BC) preveem taxa Selic a 9,75% ao ano no fim de 2009
e de 2010, como consta do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira
(16).
A estimativa é inferior àquela
apresentada no documento antecedente, de 10,25%, para ambos períodos.
Na semana passada, o Comitê de
Política Monetária (Copom) definiu uma redução
de 1,5 ponto percentual na taxa básica de juro, que passou de
12,75% para 11,25% ao ano.
O Boletim Focus traz ainda prognóstico
de 10,40% para a taxa Selic média referente a 2009, abaixo dos
10,81% previstos anteriormente. Para 2010, a taxa Selic média
deve ficar em 9,75% em vez de 10,20%.
No câmbio, os analistas
esperam dólar a R$ 2,30 no fim deste exercício, estimativa
inalterada há nove semanas. Em março, a moeda deve terminar
a R$ 2,33, sem mudança.
|
Gazeta do Povo, 17 de março
de 2009
Investimentos
Fundos DI “encolhem” com queda
na Selic
Categoria, que investe em títulos
públicos e privados de renda fixa, rendeu 12,1% no ano passado.
A expectativa é que fique em 10,5% em 2009 – a perspectiva
de queda assustou os aplicadores
São Paulo - O aprofundamento
do processo de redução da taxa básica de juros vai
ter reflexos no retorno dos fundos de investimento. Por suas características,
os fundos DI são os primeiros a sentirem o impacto desse movimento.
E o investidor começa a demonstrar estar desconfortável
com isso.
Os fundos DI estão entre
as poucas categorias que têm perdido recursos neste ano. Até o
dia 10, esses fundos haviam sofrido saques líquidos de R$ 2,06
bilhões. Apenas os multimercados, que são aplicações
que carregam mais riscos, bateram o DI, com captação negativa
de R$ 5,98 bilhões no período. Como ninguém duvida
que os juros vão seguir em queda nos próximos meses, a
rentabilidade dos fundos DI vai encolher mais até o fim do ano.
Em 2008, o DI deu retorno médio de 12,1%. Para este ano, a expectativa é que
a rentabilidade recue para cerca de 10,5%. “O problema é que
enfrentamos um momento extremamente volátil no mercado. Há um
processo de queda dos juros em um cenário de grande incerteza,
ou seja, a situação não é tranquila para
os investimentos de maior risco, como a Bolsa’’, afirma Renato
Ramos, diretor de renda fixa da HSBC Global Asset Management. “Dessa
forma, é mais razoável o investidor manter o dinheiro em
um porto seguro, mesmo rendendo menos. Não é hora de tentar
compensar a queda dos juros com um investimento mais arriscado’’,
afirma Ramos.
Na semana passada, o Copom reduziu
a taxa básica Selic de 12,75% para 11,25% ao ano, sendo esse o
menor patamar desde 1986, quando a taxa foi criada. Para o fim do ano,
já há quem projete que a Selic estará abaixo de
10%. A carteira dos fundos DI é formada por títulos públicos
e privados pós-fixados, que acompanham de perto a oscilação
da taxa básica. Segundo a definição da Anbid, esses
fundos têm que investir, no mínimo, 95% da carteira em papéis
que busquem acompanhar as variações do CDI ou da Selic.
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é negociado
entre os bancos e tem retorno próximo ao da taxa Selic.
Alexandre Maia, economista-chefe
da Gap Asset Management, diz que “na medida em que a inflação
arrefece, o BC vai ficando mais confortável para alongar o ciclo
de redução da Selic’’. Para Maia, a Selic deve
estar próxima da faixa dos 9% no fim do ano. A taxa Selic é definida
em reuniões periódicas pelo Comitê de Política
Monetária (Copom), formado por diretores e o presidente do BC,
e serve de parâmetro para as outras taxas praticadas no mercado
financeiro. “O brasileiro tem de começar a entender que
rentabilidades nominais altas em aplicações de baixo risco é uma
coisa que não devemos voltar a vivenciar nos próximos anos.
Quem desejar rentabilidades mais expressivas, vai ter de aceitar correr
riscos maiores’’, afirma Maia.
Nos últimos 12 meses,
o fundo DI está com ganho acumulado de 12,44%. A renda fixa, concorrente
direto no segmento de aplicações que pagam juros, registrou
retorno de 13,05% nesse período. Apesar de também ser composto
por títulos que pagam juros, os fundos de renda fixa carregam
mais títulos prefixados (com taxas definidas na hora da aplicação).
Dessa forma, a renda fixa, de um modo geral, sofre menor impacto do processo
de queda da Selic. Porém, nos períodos em que a taxa sobe,
como no ano passado, a categoria pode se mostrar menos rentável
que o DI. As oscilações dos juros no mercado futuro também
têm reflexos no retorno da categoria. No ano, a renda fixa tem
atraído os investidores, estando com captação líquida
(diferença entre aplicações e saques) positiva de
R$ 4,19 bilhões.
Futurologia: Juros básicos
abaixo de 10%
A taxa básica Selic pode descer, pela primeira vez, para um dígito.
Além de analistas já começarem a projetar que a Selic
alcance os 9% até dezembro, os juros no mercado futuro passaram a apontar
tal cenário na semana passada. No pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros,
o contrato que vence na virada do ano encerrou as operações na
semana passada projetando 9,94% anuais. Isso significa que os investidores
começam a confiar na hipótese de a Selic alcançar tal
patamar. Mas, para que os juros sigam em rota de queda, será necessário
que a inflação arrefeça e se mantenha controlada. Qualquer
nova ameaça inflacionária poderia levar o BC a rever o processo
de redução dos juros que está em andamento.
|
Jornal do Brasil, 17 de março
de 2009
Delfim Netto prevê crescimento
entre 1,5% e 2,2% este ano
O Brasil terá um Produto
Interno Bruto (PIB, a soma de tudo o que foi produzido em um ano no país)
positivo em 2009, mas é muito pouco provável que o crescimento
do país ultrapasse a faixa dos 2%.
A previsão é feita
pelo economista e ex-ministro do Planejamento Delfim Netto, que visualiza
um crescimento do PIB "entre 1,5% e 2,2%, não mais do que
isso, e no melhor dos cenários". A estimativa de Delfim contraria
a opinião de alguns economistas que projetam um PIB negativo para
o Brasil este ano.
Sobre o desempenho do PIB do
quarto trimestre do ano passado, que surpreendeu negativamente o mercado
e ó governo, Delfim brincou ao afirmar que "a boa notícia é que
o mundo não vai acabar, mas teremos uma queda muito profunda da
atividade neste ano".
Na semana passada foi divulgado
o resultado do PIB dos últimos três meses de 2008, que apontou
uma queda de 3,6% na comparação com o trimestre anterior,
resultado considerado pior do que o esperado pela maioria dos analistas.
Pré-sal
Ao comentar as possibilidades de crescimento do Brasil para os próximos
anos, Delfim Netto afirmou que o Pré-sal foi um "bônus que
o Brasil ganhou", e disse que a descoberta da reserva petrolífera é uma
estrada que pavimentará o crescimento nacional nos próximos 25
anos.
A intenção, disse
o ex-ministro, que também é conselheiro informal do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, é que o Brasil não se
torne um país exportador de petróleo.
"O petróleo será usado
aqui para resolver dois potenciais problemas que podem atrapalhar nosso
crescimento, que são a crise de energia ou dificuldades no balanço
de pagamentos", disse o economista, na última sexta-feira
(13), em São Paulo, durante palestra promovida pela Associação
Paulista de Supermercados.
Banco
Central
Delfim não poupou críticas direcionadas diretamente à atuação
do Banco Central do Brasil (BC) antes e durante a crise econômica mundial.
Sobre a mais recente redução - de 1,5 ponto percentual - na taxa
básica de juros (Selic) - que serve de referência para o mercado
financeiro brasileiro - promovida pelo Comitê de Política Monetária
(Copom) na reunião da última quarta-feira (11), o ex-ministro
classificou a medida como positiva, mas fez questão de lembrar que "o
Brasil teve o maior aumento da taxa real de juros no mundo nos últimos
2 anos".
Para Delfim, o Banco Central
foi extremamente lento ao iniciar a atuação contra a crise.
"Eles estavam olhando o
Produto Potencial e a inflação, quando o problema era outro",
disse.
Delfim acrescenta ainda
que faltou ao Banco Central dar mais conforto bancário ao sistema
financeiro nacional no início do agravamento da crise, em setembro. "O
BC permitiu que o crédito fosse interrompido", concluiu
o ex-ministro.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2009 | Política
Gastos com o PAC caem quase pela metade
em 2009
Agência Estado
O governo federal investiu, até a quinta-feira da semana passada (12)
R$ 1,23 bilhão, ou 5,2%, do total de R$ 20,7 bilhões de recursos
autorizados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no
Orçamento Geral da União (OGU) para 2009 (sem incluir os investimentos
das estatais que também foram inseridos no PAC). O período até 12
de março corresponde a aproximadamente 20% do ano, o que contrasta com
a parcela de apenas 5,2% do PAC no OGU que já foi efetivamente gasta.
O valor de gastos diários
com o PAC em 2009 está em R$ 17,3 milhões, pouco mais da
metade da média diária de R$ 31,1 milhões de 2008. "Se
o ritmo atual for mantido ao longo do ano, os investimento do PAC serão
45% menores do que os de 2009", diz o economista José Roberto
Afonso, especialista em contas públicas da José Roberto
Afonso & Colaboradores. Na verdade, os gastos do PAC no Orçamento
no ano - estritamente considerados - foram de apenas R$ 155 milhões,
ou 0,8% do total. Afonso explica, porém, que outros R$ 1,07 bilhão
do PAC já foram investidos em 2009 na rubrica "restos a pagar" de
2008. A soma, portanto, é de R$ 1,23 bilhão.
Afonso, que já colaborou
com os tucanos, fez esses cálculos com base nos números
do site Contas Abertas, dedicado às contas públicas.
O economista observa que a economia brasileira produz algo como R$
8,2 bilhões por dia, o que poderia ser visto como um "PIB
diário". O valor do PAC executado até agora, nota
Afonso, corresponde a apenas 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) esperado
para o período até 12 de março. Isso significa
que o efeito anticíclico (isto é, de se contrapor à recessão)
dos investimentos do PAC até agora é mínimo -
a política anticíclica típica geralmente significa
aumentar o investimento público em alguns pontos porcentuais
do PIB. As informações são do jornal O Estado
de S. Paulo.
|
Gazeta do Povo, 17 de março
de 2009
Finanças
Lula diz que pode mexer na poupança
Durante seminário em Nova Iorque, presidente
confirma que há discussões no governo para rever rentabilidade
da aplicação
Nova Iorque - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva admitiu ontem a possibilidade de mudar o
cálculo de rentabilidade da caderneta de poupança, mas
negou que a decisão já tenha sido tomada. “Nós
temos de pensar, não podemos permitir que os poupadores tomem
prejuízo no Brasil, nós precisamos defender a poupança”,
disse, durante seminário sobre o país em Nova Iorque.
Muitos analistas têm alertado
para o fato de que a tendência de forte queda da taxa básica
de juros (Selic) beneficiará a poupança em detrimento de
outras modalidades de aplicação financeira. O presidente
afirmou que vai ter uma reunião com a equipe econômica quando
chegar ao país “para ver como fica”. “Vamos
discutir o que vamos fazer, porque eu também não posso
adivinhar.”
“Mas nós já mexemos
dois anos atrás, quando descobrimos que gente que tinha muito
dinheiro queria pôr na poupança. E nós mexemos para
garantir a poupança apenas para os pequenos poupadores, aqueles
que precisam da poupança. Aqueles que têm dinheiro que façam
outro tipo de investimento”, afirmou.
Lula participou ontem de um encontro
em Nova York no hotel Plaza com investidores e empresários dedicado
ao Brasil, promovido pelos jornais “Valor” e o diário
americano “The Wall Street Journal”. Ele dedicou boa parte
de sua apresentação para comentar a posição
do Brasil diante da crise econômica.
Na opinião do presidente, “o
momento é propício para que sejamos mais ousados”.
Lula acrescentou que sabe da gravidade da crise. Segundo ele, um problema
crucial para a economia mundial é a falta do crédito. De
acordo com Lula, a estatização de bancos nos EUA seria
uma saída. “Mas sei que é como se fosse um palavrão”,
disse. Outra alternativa, segundo Lula, seria “o Estado assumir
a responsabilidade de criar bancos públicos, como os que existem
no Brasil”.
O presidente afirmou que é necessário
estabelecer formas para que o Fundo Monetário Internacional (FMI)
ajude a restabelecer o fluxo de capital para os emergentes e, também,
para que o Banco Mundial continue a ajudar os países mais pobres
do mundo, apesar da crise.
Sobre protecionismo, Lula reconheceu
que é “correto que cada país esteja preocupado em
resolver seu próprio problema”, mas disse que tem “visto
discursos” protecionistas. “É um equivoco”,
ponderou. “Por isso, continuo defendendo a Rodada Doha.”
O presidente afirmou que as prioridades
brasileiras a serem levadas à reunião do G20 são
o restabelecimento do crédito internacional (à rolagem
de dívidas corporativas e ao comércio exterior); a defesa
da estatização de bancos, se necessário (para que
o crédito volte a fluir); e o combate ao protecionismo entre os
países.
Lula também defendeu o
fim dos paraísos fiscais: “Eles representam o aliado fundamental
do crime organizado internacional, do narcotráfico, da corrupção
e do terrorismo”, disse, em discurso durante almoço no seminário.
No mesmo discurso, Lula
discorreu sobre vários temas. E procurou dar um caráter épico
ao atual momento, no qual o papel do Estado sairia fortalecido em detrimento
do livre mercado. “O demônio de ontem [o Estado] transformou-se
no salvador de hoje”, disse.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de março de 2009 | Brasil
Plenário do Congresso tem menor
produção desde 2000
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Quarenta e três dias após
o início oficial das atividades de 2009, o Congresso Nacional
registra até agora a menor produtividade em plenário dos últimos
nove anos, com só oito projetos votados pelo Senado e pela Câmara
dos Deputados.
Ao custo proporcional de R$ 740 milhões, equivalentes a 43 dias de um
orçamento anual de R$ 6,3 bilhões, congressistas só aprovaram
no plenário quatro medidas provisórias e quatro projetos de lei
nesse período.
O número representa cerca de um terço da largada de 2008, quando
25 projetos foram votados pelos dois plenários. Em 2007, foram 38 (a
Folha não computou resoluções, requerimentos e outros
projetos de tramitação menos complexa).
O desempenho atual só tem paralelo com o de 2000, quando os primeiros
43 dias resultaram na votação de oito projetos. Naquele início
de ano, porém, o Congresso havia trabalhado extraordinariamente no recesso
e votado até emendas à Constituição, a peça
legislativa mais difícil de aprovar.
Espaço nobre do Legislativo, o plenário é um dos indicadores
do desempenho do Congresso, que reúne várias outras atividades,
como fiscalização do Executivo, trabalho de comissões
permanentes, audiências públicas, debates e CPIs.
O comando do Legislativo está hoje nas mãos do PMDB, com José Sarney
(AP) no Senado e Michel Temer (SP) na Câmara, sendo que ambos cumprem
um terceiro mandato como presidentes das duas Casas.
A assessoria de Sarney argumenta que o Congresso não se resume aos plenários,
que as comissões analisam projetos e que o plenário, mesmo não
votando, debate temas importantes para o país: a aprovação
de um projeto é a conclusão de todo o trabalho legislativo.
A assessoria de Temer disse que os projetos votados são de qualidade. "Além
dos projetos mencionados, o plenário aprovou importantes tratados internacionais,
e as comissões votaram, em caráter terminativo, outros 141 projetos
de decreto legislativo, já remetidos ao Senado", disse Temer.
O Senado contribuiu mais para o resultado: votou até agora apenas uma
MP. Segundo Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado,
a causa foi a MP 445, sobre a renegociação de dívidas
do setor agrícola. Ela estava com o prazo de votação estourado,
o que evitava que outros projetos passassem à frente: "Não
há atraso. O que houve foi a necessidade de negociar com o governo para
possibilitar que outros setores fossem incluídos na renegociação
da dívida agrária, como os de café, cacau e camarão.
Esse atraso se justifica pelo benefício à população".
Já o líder da bancada do DEM, José Agripino (RN), afirma
que a oposição barrou as votações em plenário
pois queria forçar a definição da composição
das comissões permanentes da Casa, o que só ocorreu na primeira
semana de março. "Não há como colocar a Casa em marcha
sem o funcionamento das comissões", disse.
O plenário da Câmara votou quatro projetos de lei e três
MPs, mas está "emperrado" devido à falta de entendimento
em torno da MP que parcela dívidas tributárias com o governo. "A
situação está normal. O problema imediato é o da
complexidade da MP, mas o Brasil vota leis demais, tem muitas leis. Eu presido
a comissão da consolidação das leis, que está propondo
a revogação de milhares delas", disse o deputado Cândido
Vaccarezza (PT-SP).
|
FOLHA DE LONDRINA, 17 de março de 2009
| Política
Despesas com cartão corporativo
crescem 169%
São Paulo - Os gastos da Presidência com o cartão de crédito
corporativo somaram R$ 2.696.236,56 no primeiro trimestre do ano, segundo a
Controladoria-Geral da União (CGU). Esse montante representa um aumento
de 169% em relação ao mesmo período de 2008, quando os
gastos pagos com esse meio de pagamento totalizaram R$ 1.001.965,55. Em nota,
a CGU informa que o mês responsável por esse aumento foi janeiro,
quando o cartão foi utilizado para pagar despesas da Reunião
de Cúpula com 30 chefes de Estado da América Latina e Caribe,
realizada em dezembro na Bahia. (Folhapress)
|
FOLHA DE LONDRINA, 17 de
março de 2009 | Política
Senadores querem demissão
de parentes de diretores da Casa
Levantamento mostra que 90% dos funcionários
terceirizados do Senado têm vínculo com servidores
Brasília - Parlamentares da base aliada do governo e da oposição
vão cobrar do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a
exoneração de familiares de diretores da Casa empregados em empresas
que prestam serviço ao Legislativo. Reportagem do jornal ‘‘O
Globo’’ revela que 90% dos funcionários terceirizados têm
vínculos com servidores da Casa - o que irritou senadores preocupados
com onda de denúncias contra a instituição.
‘‘Isso é um
absurdo. O Senado não tem que encontrar maneiras de escamotear
o nepotismo. O presidente Sarney precisa tomar essa medida urgente’’,
disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), presidente da Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ).
Assim como Demóstenes,
o senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse esperar a abertura de sindicância
para investigar a contratação dos parentes de servidores.
O parlamentar espera que Sarney reveja as nomeações dos
servidores terceirizados que têm vínculo com funcionários
do Senado - especialmente os ligados a diretores da Casa.
‘‘Algumas pessoas
acham que o Senado é propriedade privada deles, acham que uma
instituição tão importante com o Senado está à disposição
de meia dúzia e suas famílias. O fato requer uma ação
forte e transparente do presidente Sarney’’, afirmou Casagrande.
O líder do DEM no Senado,
José Agripino Maia (RN), defendeu apuração rigorosa
das denúncias de nepotismo nas empresas terceirizadas. ‘‘Denúncia
tem que ser apurada, agora não se pode tomar nenhuma providência
sem a constatação de fatos concretos. É um fato
lamentável, se estiver acontecendo é deplorável,
merece punição à altura, mas não se pode
punir sem investigar’’, afirmou.
Pressão
A pressão dos senadores
sobre Sarney ganhou força depois da onda de denúncias que
atingiu o Senado desde que o peemedebista assumiu a presidência
da Casa. Além da contratação de familiares de servidores
em empresas terceirizadas, reportagem da Folha mostrou que mais de 3.000
funcionários da Casa receberam horas extras durante o recesso
parlamentar de janeiro.
Além disso, há duas
semanas, Agaciel Maia, então diretor-geral do Senado, deixou o
cargo após ser noticiado que ele não havia registrado em
cartório uma casa avaliada em R$ 5 milhões. Na semana passada,
o diretor de Recursos Humanos do Senado, José Carlos Zoghbi, pediu
exoneração depois de ser acusado de ceder um apartamento
funcional para parentes que não trabalhavam no Congresso.
‘‘O Senado é a
bola da vez, e até mesmo por ser a bola da vez precisamos buscar
um novo modelo de gestão. Isso exige um balanço geral em
termos de administração. Poderia se contratar uma auditoria
externa para fazer um diagnóstico da Casa’’, disse
o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Para Casagrande, as denúncias
contra o Senado reforçam a necessidade de aplicação
de medidas drásticas para mudar a imagem da Casa. ‘‘Essas
notícias que estão surgindo todas são muito ruins,
dá a ele (Sarney) a possibilidade de tomar medidas duras e mudar
a situação no Senado’’, afirmou o senador.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
|
Agência Câmara,
17 de março de 2009
PMDB e DEM querem votar projeto
que regulamenta a terceirização
O PMDB e outros partidos da base
aliada divergem em torno do Projeto de Lei 4302/98, que regulamenta a
terceirização de mão-de-obra. Assim como o DEM,
o PMDB pediu ao presidente Michel Temer para priorizar a votação
da proposta - que está fora dos planos do PT e da liderança
do governo. Deputados do PMDB e outros aliados ao Executivo já discordaram
recentemente sobre outro assunto: a ampliação, proposta
pelo PMDB e combatida pelo governo, do programa de recuperação
fiscal contido na MP 449/08.
A assessoria de imprensa de Temer
informou que "há intenção" de colocar
o PL 4302/98 em pauta. A data da votação ainda é incerta,
porque a pauta deverá estar trancada por MPs pelo menos até abril
e, em seguida, será votada uma lista de projetos que Temer considera
prioritários.
O PL 4302/98, do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, é considerado prejudicial aos trabalhadores
pelo atual governo, a ponto de o presidente Lula ter apresentado à Câmara,
em agosto de 2003, um pedido para retirá-lo.
Outras
prioridades
" Esse assunto não está em nossa pauta", afirmou, taxativamente,
o líder do Governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS). "Temos outras
prioridades, como a reforma tributária, que é o passo mais importante
para estimular a atividade econômica em meio à crise", disse.
O projeto, porém, tramita
em regime de urgência. Ele já foi aprovado na Câmara;
mas, como passou por mudanças no Senado, precisa de nova análise
na Câmara. Se for aprovado pelos deputados, o texto irá diretamente à sanção
presidencial.
Empregos
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), disse que a votação
da proposta é "uma demanda nossa há muito tempo". Segundo
ele, a terceirização é "um mecanismo para absorver
parte dos mais de um milhão de trabalhadores que já perderam
seus empregos no País por causa da crise".
De acordo com Caiado, "os
adversários da terceirização são as centrais
sindicais, que até agora não fizeram nenhuma movimentação
concreta" para reverter a tendência de crescimento do desemprego. "As
centrais não são contra a terceirização.
Elas querem uma regulamentação maior", rebateu o deputado
Vicentinho (PT-SP). Segundo ele, "o líder do DEM fala em
nome do patronato, que quer a terceirização apenas para
reduzir os gastos com a mão-de-obra às custas da precarização
do emprego".
Caiado argumentou que as lideranças
partidárias já fecharam acordo para a responsabilidade
pelo pagamento das verbas trabalhistas dos terceirizados ser solidária. "A
empresa que fornece e a que recebe a mão-de-obra terão
de responder pelas dívidas com os trabalhadores de maneira compartilhada",
disse o líder. "Isso desmonta o argumento dos críticos
da terceirização de que os empregados ficarão no
prejuízo se a empresa terceirizada entrar em falência",
acrescentou.
O relator do projeto na Comissão
de Trabalho, deputado Sandro Mabel (PR-GO), afirmou que não é bem
isso o que prevê a última versão do texto. "Se
o empregador [a empresa tomadora de serviços] cumprir todas as
suas obrigações legais, a responsabilidade será subsidiária
como hoje", disse. Ou seja, a contratante só vai pagar os
débitos trabalhistas se a terceirizada "der o calote nos
trabalhadores" - segundo o relator - e não tiver como obrigá-la
a pagá-los.
Porta
aberta
O procurador do Ministério Público do Trabalho Sebastião
Vieira Caixeta vê "com preocupação" a possibilidade
de ser votado um projeto regulamentando a terceirização. "Será uma
porta aberta para precarizar o mercado de trabalho", avalia.
"A realidade demonstra
que na prática a terceirização é um mero
recurso para disfarçar uma relação de emprego
regular e para baratear o custo da mão-de-obra, que, no Brasil,
já é um dos mais baixos do mundo", afirmou.
|
Agência Diap, 17 de março
de 2009
CUT lança cartilha sobre
terceirização e contra a precarização
Apresentada durante a 12ª Plenária
Nacional da CUT, em agosto de 2008, a Campanha de Combate à Terceirização
ganha um reforço importante nesta terça-feira (17), com
o lançamento de uma cartilha específica sobre o tema. O
lançamento será às 19h, no Hotel Braston, em São
Paulo.
Sob o mote Precarizar Não,
a campanha foi estruturada no contexto de lutas gerais da central, em
defesa da manutenção e ampliação dos direitos
dos trabalhadores e trabalhadoras e, de forma específica, na sua
estratégia de enfrentamento da precarização das
relações de trabalho.
O novo material traz subsídios
para o debate e ação sindical e é resultado do
acúmulo da CUT a respeito do tema, desenvolvido especialmente
por meio do GT de Terceirização, grupo de trabalho sob
a responsabilidade da Secretaria Nacional de Organização,
que reúne importantes ramos de atividade representados pela
central.
|
DIÁRIO CATARINENSE,
17 de março de 2009
TURBULÊNCIA GLOBAL
SC: Pedreiros fogem da crise unindo
forças no Oeste
Turbulência globalA crise não assusta um grupo de pedreiros e
serventes de Chapecó, no Oeste do Estado. Eles largaram os empregos
antigos para se tornar os seus próprios patrões. E, de quebra,
incrementar a renda por meio do trabalho associativo.
Há sete meses, Evandro
José Copatti largou o trabalho de servente de pedreiro, em que
ganhava R$ 500 por mês, e ingressou na Cooperativa de Construção
Civil e Habitação Casa Nova. Atualmente, ele fatura entre
R$ 1 mil e R$ 1,1 mil.
– O salário dobrou
e a gente não fica na mesma. Em dois anos, não aprendi
nada. Na cooperativa, estou evoluindo – revela o ex-servente, que
agora é pedreiro.
Evandro teve a ajuda dos colegas
para se qualificar. Graças ao acréscimo na renda, ele conta
ter melhorado a alimentação da família, que inclui
a mulher e um filho de seis anos. Além disso, já conseguiu
comprar um jogo de cozinha, mesa e sofá.
Projeto deve viabilizar apartamentos
populares
José Aldino da Rocha,
de 52 anos, largou o emprego de vendedor para ingressar na cooperativa
há um ano.
Ele começou como servente
e agora atua como meio-oficial, função intermediária
entre servente e pedreiro, pela qual ganha entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil
mensais. Mas o melhor, diz ele, é a estabilidade.
– Tinha mês que até ganhava
mais, mas em outros eu não ganhava nada.
O sonho dele, de erguer a própria
casa, está próximo. A cooperativa encaminhou um projeto
ao Ministério das Cidades, no valor de R$ 1,3 milhão, para
a construção de 40 apartamentos de 48 metros quadrados
cada, ao custo de R$ 35 mil com o terreno. Os beneficiados serão
funcionários da Cooperativa Casa Nova e de organizações
similares.
O presidente da cooperativa,
Renato Rocha, ressalta que os associados estão melhorando a sua
renda. Tanto que o número deles, que era de oito em 2005, no início
da cooperativa, já chega a 43. Os novos sócios precisam
de indicação de dois integrantes. Também pagam uma
cota de participação de R$ 250, parcelada em 10 vezes.
A qualificação e a consultoria são feitas em parceria
com a Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó).
As reuniões para definir
as obras que serão executadas ocorrem quinzenalmente. A cooperativa
executa projetos de imobiliárias e particulares. Já ergueu
seis prédios de quatro andares e realizou mais de cem obras, incluindo
a reforma da Catedral Santo Antônio. Depois de recolhidos os impostos,
os valores restantes dos contratos são dividido entre os associados.
– Ninguém
ficou nenhum dia sem serviço – diz Renato.
|
SINTRICOMB, 17 de março de 2009
Crise não afeta setor de construção
civil na região
de Brusque
A palavra crise tem sido pronunciada e
ouvida com bastante frequência
nos últimos tempos. Boa parte dos setores que formam a economia
mundial alegam ter sido afetados pelo fantasma da recessão. Até mesmo
setores como o de construção civil, que vinha demonstrando
franco crescimento nos anos anteriores, passou a adotar este discurso.
Uma situação que não condiz com a realidade. Não
em Brusque e região.
É o que afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria da Construção e do Mobiliário de
Brusque (Sintricomb), Renato José Lungen. “Não temos
notado na área da construção civil em Brusque a
tal crise tão falada. Pelo contrário. Temos notado a falta
de mão-de-obra. Até porque, com a enchente de novembro,
nosso trabalho na construção civil, que o da reconstrução,
tem havido muita procura de mão-de-obra”, destaca Lungen.
Outro ponto que colabora, segundo o presidente do Sintricomb, para que
o argumento da crise não tenha respaldo na região é o
dinheiro do FGTS. Milhões de reais foram injetados na economia
local, no caso de Brusque, e isso colaborou para que o setor se mantivesse
aquecido.
Uma forma de verificar se houve alteração no campo econômico
da construção civil é o número de demissões.
De acordo com dados do Sintricomb, a média de desligamentos registrados
pelo sindicato nestes três primeiros meses de 2009 está igual
a de períodos anteriores. Os números apontam para algo
em torno de 100 rescisões por mês. “Essa questão
de demissões na área de construção civil é algo
muito questionável. Temos conhecimento de diversas empresas que
demitiram seus funcionários, mas eles continuam trabalhando e
recebendo seguro-desemprego”, detalha Lungen.
O sindicato não tem muito controle sobre as admissões,
embora esteja garantido nas convenções trabalhistas que
as empresas e as contabilidades encaminhem estes dados para a entidade
da classe trabalhadora.
Construção civil começa preparativos
para negociações
salariais
Com a proximidade do dia 1º de maio, data base no setor de construção
civil, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
e do Mobiliário de Brusque e região (Sintricomb) já se
prepara para iniciar mais um processo de negociações salariais
da categoria. A diretoria do sindicato está elaborando o rol de
reivindicações a ser apresentado à classe. Nos próximos
dias devem estar prontos os editais de convocação para
as assembleias que irão discutir o assunto.
De acordo com o presidente do Sintricomb,
Renato José Lungen, é visível
o número de obras em execução pela cidade, o que
impede a classe patronal de alegar estar sob os efeitos da crise mundial. “Sabemos
que há, inclusive, falta de materiais de construção
em muitas lojas da cidade. O argumento da crise para não dar um
bom aumento aos trabalhadores não vamos aceitar” afirma
Lungen.
A proposta, embora ainda esteja sendo montada, é de apresentar à classe
trabalhadora, antes do envio ao patronal, um pedido de reajuste na casa
dos 15% para a categoria. O valor busca seguir o percentual de aumento
do salário mínimo, que este ano foi de 12%. Esse percentual
de 15% busca beneficiar os trabalhadores que recebem o piso salarial
da categoria. Para os que recebem acima do piso, a proposta é de
obter um reajuste de 10%, segundo Lungen. “Temos conhecimento de
que a inflação está ultrapassando os 6% e em função
disso devemos reivindicar uns 3 ou 4% de aumento real” finaliza
o presidente do Sintricomb.
Fiscais do Ministério do Trabalho atuarão
em casos emergenciais
A
dificuldade de aplicar sanções às empresas que
desrespeitas as leis trabalhistas no setor de construção
civil em Brusque e região permanece. O motivo é a falta
de fiscais do Ministério do Trabalho para executar as tarefas.
Recentemente, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
e do Mobiliário de Brusque e região (Sintricomb) participou
de uma audiência com a direção do Ministério
na região.
De acordo com o presidente do sindicato,
Renato José Lungen,
ficou acertado que a atuação do MT se dará em casos
que houver a necessidade de forma mais urgente da presença de
um fiscal. “Nesse caso, levaremos ao Ministério do Trabalho
aqui em Brusque, que repassará a Blumenau que, por sua vez, imediatamente
enviará um fiscal ou mais para verificar as irregularidades nessas
obras” comenta Lungen.
Na última sexta-feira, dia 13, o Sintricomb enviou ao Ministério
do Trabalho uma lista de empresas que apresentam graves irregularidades.
Estas devem ser visistadas em breve por uma força tarefa do Ministério
do Trabalho.
Valdomiro da Motta
Assessoria de imprensa do Sintricomb
47 91877553
47 33512089
|
Gazeta Mercantil, 17 de março
de 2009
Embraer: demissões reduzem
valor da marca; TRT julga dissídio
Símbolo do Brasil no exterior,
segundo alguns analistas de marca, a Empresa Brasileira de Aeronáutica
(Embraer) perdeu o seu valor por conta da crise financeira global - que
culminou na demissão dos seus funcionários.
A estimativa da Brand Finance é de
que a empresa perca entre 8% a 10% do seu valor de marca que, no último
ranking (de 2007) ficou na 52ª colocação, com R$ 1,2
bilhão. O estudo de 2008 ainda não foi concluído.
Gilson Nunes, presidente da Brand
Finance, diz que dois fatores impactam o valor da marca: o maior, segundo
ele, é a parte de clientes internacionais, que se reflete no valor
da empresa, e o outro é a percepção do mercado interno.
De acordo com Nunes, a perda
do valor da marca, no entanto, é menor que o valor da empresa. "Mas é esporádico:
de um a dois anos", afirma.
Para o presidente da Brand Finance,
não se trata, em nenhum momento de má gestão da
empresa.
E acrescenta que todas empresas
do setor se depreciaram com a crise, que também atingiu outros
setores - os mais prejudicados, na análise da consultoria, foram
o automotivo e o de commodities.
Para Nunes, a dimensão
que se tem das demissões é de um ajuste operacional. "Não é incompetência",
diz.
"Ninguém está 100%
a salvo. Mas, as marcas com reputação corporativa maior
passam pela crise mais facilmente", diz o sócio-diretor da
Troiano, Jaime Troiano. Ele lembra que a Embraer é um dos grandes ícones
da capacidade brasileira de estar em outros mercados.
"Não há como
dizer que não será abalado. As demissões têm
um efeito na opinião pública porque faz com que qualquer
pessoa se sinta nesta posição. Se uma empresa como a Embraer
demite, será que não estou tão ou mais inseguro?",
diz.
Troiano diz que foi por causa
desta simbologia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva correu
para tentar reverter as demissões. Nunes acrescenta que, como
outras empresas também perderam valor de marca, a Embraer pode
continuar na mesma classificação do ano anterior.
Entretanto, no que depender dos
sindicatos, a Embraer terá muito a perder. Agora, a disputa entre
a empresa e a centrais sindicais sobre as 4.273 demissões foi
parar definitivamente na Justiça.
Depois de quatro horas de tentativa
de negociação, na última sexta-feira, entre a empresa
e sindicatos, não houve acordo.
Caberá, na próxima
quarta-feira (18), a decisão dos 12 desembargadores do Tribunal
Regional do Trabalho (TRT) de Campinas (SP) sobre o dissídio coletivo
proposto pelos sindicatos, até lá fica mantida a liminar
que suspende as rescisões dos contratos de trabalho.
O julgamento, cujo relator é o
desembargador José Antonio Pancotti, deverá tomar por base
a proposta do presidente do TRT de Campinas, desembargador Luís
Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, apresentada na última
sexta-feira (13).
Além da análise
da proposta, o desembargador afirma que no final da sessão poderá ser
discutido o pagamento dos salários e direitos trabalhistas garantidos
pela liminar.
Proposta
A proposta do TRT de Campinas foi oferecida às partes na audiência
de conciliação realizada no último dia 13.
O presidente pediu a suspensão
dos contratos e sugeriu que a Embraer oferecesse cursos de qualificação
profissional por meio de uma bolsa paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) nos cinco primeiros meses e nos demais sete meses paga pela empresa.
Ele também pediu uma ajuda
mensal de 20% do salário-base do demitido pelo período
de um ano e propôs uma indenização no valor de um
mês de aviso prévio por ano de serviço prestado,
com limite de 15 avisos prévios.
Propôs, ainda, a garantia
da recontratação na hipótese de reativação
da economia pelo período de 2 anos, manutenção do
plano médico familiar por 12 meses e manutenção
do atual quadro de funcionários por 120 dias. Os sindicalistas
presentes na audiência aceitaram a proposta.
"Ela não contempla
nosso pedido, que é a reintegração dos dispensados,
mas podemos seguir em uma nova negociação a partir do que
foi apresentado", afirma Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força),
presidente da Força Sindical.
Porém, a Embraer não
concordou em ter que pagar o aviso prévio e a indenização
proposta pelo desembargador. A empresa fez, então, uma contraproposta.
Sugeriu o aumento de R$ 1,6 mil
para dois salários, limitados a R$ 3,5 mil para cada trabalhador,
ou no máximo R$ 7 mil por pessoa a título de indenização,
conforme explicou o representante da Embraer, o advogado Cássio
Mesquita Barros.
E, por meio de nota, a
empresa reiterou "seu sincero respeito e consideração
pelos funcionários que deixaram a Embraer e reafirma que continuará enfrentando
as crescentes dificuldades que se apresentam no mercado internacional
de transporte aéreo".
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/03/2009
Adesão a PDV não obriga empresa
a fornecer guia de seguro-desemprego
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho concluiu que a adesão de empregado a plano
de demissão voluntária (PDV) não obriga a empresa
a liberar guias para recebimento de seguro-desemprego. Por essa razão,
os ministros isentaram o Banco Santander S.A. do pagamento de indenização
a um trabalhador que não teve acesso às referidas guias,
após aderir ao plano da empresa.
O assunto já tinha sido
julgado pela 66ª Vara do Trabalho de São Paulo, que negou
o pedido de indenização do empregado. Para o juiz que analisou
o caso, a resolução do Conselho Deliberativo do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (CODEFAT), que estabelece critérios para
concessão do seguro-desemprego, não permite o benefício
após adesão ao PDV.
Já no Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (SP), o Banco Santander foi condenado
a indenizar o empregado por não ter fornecido as guias. De acordo
com o TRT/SP, a adesão do trabalhador ao plano caracteriza dispensa
sem justa causa e, portanto, não impede a percepção
do seguro-desemprego. No mais, uma resolução do CODEFAT
não poderia restringir o que a lei prevê sobre essa matéria
(Lei nº 7.998/1990).
Insatisfeito com o resultado
do segundo julgamento, o banco entrou com recurso de revista no TST.
Argumentou que o empregado que adere ao PDV não está desempregado
involuntariamente, como exige a Constituição (artigo 7º,
inciso II) e a resolução do CODEFAT. Assim, não
poderia ser condenado a pagar indenização ao trabalhador,
porque apenas seguiu o que diz a legislação. Argumentou,
ainda, que o empregado poderia obter o seguro-desemprego independentemente
da expedição de guias por parte da empresa.
No entender do relator do processo,
ministro Ives Gandra Martins Filho, o banco não poderia ser punido
com o pagamento de indenização por descumprir algo a que
não estava obrigado. Para o relator, de fato, há norma
proibindo a liberação das guias de seguro-desemprego em
caso de adesão a PDV. Como o próprio nome registra, completou
o ministro, o desligamento é voluntário, e a Constituição
só garante o seguro-desemprego nas hipóteses de desemprego
involuntário, ou seja, contra a vontade do trabalhador.
Por fim, o relator conheceu do
recurso de revista do banco nesse ponto e cancelou o pagamento de indenização
ao empregado, restabelecendo, assim, a decisão da 66ª Vara
do Trabalho. Seu voto foi seguido por todos os ministros da Sétima
Turma do TST. ( RR-1430/2002 – 066-02-00.0)
(Lilian Fonseca)
|
17/03/2009
Secretária de setor de Raios-X
recebe adicional de periculosidade
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho concedeu, por unanimidade, o direito ao adicional
de periculosidade a secretária que trabalhou próxima à área
de operações de aparelhos de Raios-X.
A trabalhadora ingressou com
ação na 15ª Vara do Trabalho de Porto Alegre (RS)
contra o Hospital Nossa Senhora da Conceição, requerendo
o pagamento do adicional previsto na CLT. Ela trabalhou como auxiliar
administrativo na secretaria do setor de Raios-X do hospital, e realizava
serviços de digitação de laudos médicos.
A secretaria era contígua à sala de comando e operação
do equipamento de Raios-X, utilizados em exames digestivos e urinários,
separadas somente por uma porta sanfonada de PVC. A sala de comando,
por sua vez, ficava ao lado da sala de irradiação, separada
por porta e paredes revestidas de placas de chumbo.
Na inicial da ação,
a secretária destacou que a porta revestida permanecia aberta
durante a operação do Raios-X, expondo-a à irradiação,
o que configuraria área de risco, conforme o item 4 da Portaria
3.393 do Ministério do Trabalho, que trata de atividades e operações
perigosas com radiações ionizantes ou substâncias
radioativas. Isso lhe daria direito ao adicional referido.
O pedido foi julgado procedente
pela primeira instância. Ao julgar recurso ordinário, o
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) reformou
a sentença, negando o pagamento do adicional de periculosidade.
Destacou, na decisão, que a exposição a radiações
ionizantes não se enquadra nos termos do artigo 193 da CLT, que
considera atividades perigosas somente aquelas que envolvam contato com
inflamáveis e explosivos. Observou ainda que a referida portaria
não poderia acrescentar atividade perigosa ao artigo e, assim,
não produziria efeitos, uma vez que se trata de norma de hierarquia
inferior. A inclusão somente poderia ser feita por meio de lei.
Não conformada com a decisão,
a trabalhadora recorreu ao TST. No recurso de revista, o relator, ministro
Lelio Bentes Corrêa, aplicou a Orientação Jurisprudencial
nº 345 da SDI-1, a qual faz a interpretação do artigo
193 da CLT. Observa essa jurisprudência que não há limitação
na definição de atividades classificadas como perigosas.
Pelo contrário, a norma remete à observância da regulamentação
aprovada pelo Ministério do Trabalho, que poderá estabelecer
disposições complementares, não afrontando o princípio
da reserva legal. Assim, o recurso foi conhecido por unanimidade pela
Turma, que deferiu à secretária o adicional. ( RR 783/2003-015-04-00.0)
(Alexandre Caxito)
|