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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de março de 2009 | Economia
Saldo de empregos foi positivo em fevereiro
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse nesta terça-feira
(17) à Agência Estado que a criação de vagas com
carteira assinada superou as demissões em fevereiro no País.
O ministro evitou informar o resultado preciso do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) do mês passado, mas admitiu que o saldo de empregos
foi positivo em cerca de 20 mil vagas. "Fevereiro, com certeza, vai ter
um Caged positivo, mas com uma margem pequena. Não dá ainda para
cravar (um saldo de) 20 mil", afirmou. O resultado do Caged em fevereiro
será divulgado na quarta-feira.
Questionado se o saldo ficará próximo
a isso, o ministro respondeu: "Próximo; diria não
mais que isso". Segundo Lupi, o mais importante será o fato
de a curva de emprego ter mudado em fevereiro, já que o número
de contratações voltou a crescer enquanto o volume de demissões
apresentará uma redução, sendo esses dois movimentos
comparados ao que foi registrado em janeiro deste ano e dezembro de 2008.
Sem informar os dados de fevereiro, Lupi lembrou que em janeiro o Caged
registrou 1,2 milhão de contratações enquanto em
dezembro de 2008 ocorreram cerca de 800 mil contratações.
Já entre os demitidos, segundo ele, em janeiro foram 1,3 milhão
contra 1,45 milhão no mês anterior.
Em relação
aos setores que apresentaram um ritmo maior de contratações
do que demissões no mês passado, Lupi destacou a educação
e serviços em geral. A indústria de transformação,
de acordo com o ministro, ainda apresenta problemas, como altos estoques,
o que ainda dificultou o aumento do ritmo de admissões de novos
empregados em fevereiro. "A minha avaliação é que
o mercado de trabalho está reagindo bem, e em março será positivo
com uma recuperação forte", afirmou Lupi ao deixar
o prédio do Ministério do Trabalho.
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Gazeta do Povo, 18 de março
de 2009
Trabalho
Ministro diz que mercado voltou a criar
empregos
Brasília - O mercado de trabalho formal apresentou, em fevereiro, resultado
positivo na geração de vagas depois de três meses seguidos
de retração. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que
os números do emprego com carteira assinada, a serem divulgados hoje,
deverão mostrar a criação de cerca de 20 mil postos no
mês passado.
Apesar de positivo, o resultado
de fevereiro será o pior para o mês desde 1999 – ano
da desvalorização do real. “Será próximo
disso [20 mil vagas]. Não mais de 20 mil”, disse Lupi, acrescentando
que o resultado do emprego formal na indústria continuará negativo.
Na avaliação do
ministro, o setor de serviços puxou a recuperação
do mercado formal em fevereiro, principalmente o segmento de educação,
com o retorno das férias escolares.
De acordo com Lupi, a indústria
paulista apresenta maiores dificuldades de retomada nas contratações
por conta dos elevados estoques que ainda não se esgotaram.
Tradicionalmente, o mercado de
trabalho registra desempenho mais favorável em fevereiro na comparação
com janeiro e dezembro. Neste ano, embora os dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro sejam melhores que
os dos três meses anteriores, o resultado ficou muito abaixo dos
números dos últimos anos.
Em fevereiro de 2008 – ano
que começou com a promessa de ser o melhor na história
do emprego formal –, o mercado gerou 204.963 postos com carteira
assinada. Nos anos anteriores, o número de vagas criadas em fevereiro
tem ficado, em geral, acima de 100 mil.
Em fevereiro de 1999, último
ano em que houve saldo negativo de emprego no mês, houve perda
de 78.030 postos de trabalho com carteira assinada.
Acumulado
De novembro de 2008 a janeiro
deste ano, o mercado de trabalho formal apresentou resultados negativos,
acumulando a perda de 797.515 postos de trabalho. Indústria de
transformação, agropecuária e construção
civil foram os setores mais afetados pela crise econômica.
Em janeiro deste ano, foram fechados
101 mil postos de trabalho no mercado formal, com o primeiro saldo negativo
para o período no governo Lula.
Mesmo com os efeitos da crise,
Lupi vem mantendo a projeção de geração de
1,5 milhão de postos formais neste ano (em 2008, 1,452 milhão).
Janeiro
Em janeiro, os dados do Caged
revelaram o fechamento de 101 mil postos de emprego com carteira assinada
em todo país. No Paraná, no entanto, foram abertas 1.592
novas vagas (movimentação acima do que já existia
de empregos no estado). Apesar do bom resultado, o ritmo de geração
de empregos no estado sofre uma forte desaceleração. Em
janeiro de 2008 foram abertos 12.317 novos postos, quase oito vezes mais
que os deste ano.
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de março de 2009 | Economia
Indústria deverá ter
expansão quase nula em 2009
Agência Estado
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Armando Monteiro Neto, acredita que o nível de atividade da indústria
brasileira em 2009 apresentará leve crescimento, próximo de zero,
em relação ao ano passado. Essa expansão, segundo o dirigente,
será sustentada principalmente pelo resultado da construção
civil. "É possível que o crescimento positivo do setor seja
determinado neste ano pelo desempenho da construção civil",
afirmou Monteiro, que participou nesta terça-feira (17) de um encontro
com empresários de diversos setores da indústria nacional em
São Paulo.
Ele acredita que o desempenho
da indústria apresentará recuperação principalmente
no segundo semestre, já que o período de janeiro a junho
ainda será um período de ajustes na atividade econômica. "O
pior momento para nós foi exatamente a queda que aconteceu (no
nível de atividade) no último trimestre de 2008. Em relação
a esse período me parece que temos um ambiente melhor, de certa
acomodação", disse.
O segundo trimestre de 2009,
acredita Monteiro, já apresentará recuperação
na atividade industrial sobre os primeiros três meses deste ano.
Apesar disso, o dirigente descarta um discurso otimista em relação à indicação
de interrupção na trajetória de queda acentuada
dos indicadores industriais. "Não há nada ainda que
nos indique um quadro de recuperação mais amplo",
afirmou, referindo-se ao nível de atividade do setor.
PIB
O fraco desempenho da economia
brasileira nos primeiros meses de 2009 e o recente anúncio de
retração do País no quarto trimestre do ano passado
levaram a CNI a revisar para baixo a projeção de crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. De acordo com o presidente da
entidade, a nova estimativa da CNI é de uma expansão na
economia brasileira próxima a 0,5%.
Ele lembrou que, ainda no ano
passado, a entidade havia projetado uma expansão do PIB para 2009
entre 1,5% e 2%. Na ocasião, destacou Monteiro, a CNI foi criticada
pelo pessimismo de suas análises. "Hoje todos os analistas
já convergem no sentido de que o crescimento este ano será muito
pequeno, entre 0,5% e um pouco mais de 1%", afirmou.
Questionado se a economia
brasileira poderia apresentar retração em 2009, Monteiro
optou por manter o otimismo, mas não descartou essa possibilidade. "Se
o mundo piorar e os reflexos dessa crise se acentuarem, é evidente
que isso (retração) é possível", disse.
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Folha de S.Paulo, 18 de março
de 2009
Governo reduz subsídio a pacote
habitacional
Última versão prevê R$
6,5 bi para 200 mil casas a famílias com renda de até 3
mínimos; em fevereiro eram R$ 10 bi e 400 mil casas | Mudança
ocorre após aumento de pessimismo em relação
a 2009 e queda na arrecadação federal; Lula quer
que plano turbine o PIB
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após o forte recuo da
economia no final de 2008 e o aumento do pessimismo para este ano, com
queda de arrecadação, o governo diminuiu sua ambição
com o pacote habitacional, previsto para ser anunciado na próxima
semana.
Segundo a última versão do pacote, obtida pela Folha, o governo
decidiu usar R$ 6,5 bilhões do Tesouro para subsidiar a construção
de 200 mil moradias para famílias com renda mensal de até três
salários mínimos (R$ 1.395). Pretende ainda injetar R$ 1,5 bilhão
de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para financiar
essas 200 mil casas. Como comparação, o governo deve gastar neste
ano pouco mais de R$ 10 bilhões com o Bolsa Família.
No final do mês passado, o governo trabalhava com o cenário de
beneficiar 400 mil famílias com renda até R$ 1.395, o que exigiria
subsídio de aproximadamente R$ 10 bilhões, além de recursos
adicionais para um fundo que daria aval para as operações de
financiamento.
Com a mudança, aumentará a parcela de pessoas que precisarão
de financiamentos bancários e receberão apenas benefícios
indiretos, caso seja mantida a última versão do pacote levada
ao presidente Lula.
As 200 mil moradias mais simples têm um custo médio estimado de
R$ 40 mil. A cobrança de mensalidades simbólicas, entre R$ 10
e R$ 20, durante 20 anos devolverá ao FGTS o R$ 1,5 bilhão usado
para financiar as moradias mais populares, calcula o governo.
A equipe que elabora o pacote estima que o "déficit habitacional" no
Brasil atinja 8 milhões de famílias. A intenção
manifesta é contratar a construção de 1 milhão
de moradias no biênio 2009-2010. O governo crê que o pacote todo
terá um impacto de até R$ 80 bilhões em toda a cadeia
produtiva, que gera muito emprego.
Lula tem a expectativa de que o pacote habitacional ajude o país a ter
uma taxa positiva de crescimento em 2009. A previsão de alta de 2% do
PIB neste ano já é considerada otimista nos debates reservados
do governo. A expectativa média dos analistas de mercado é de
expansão de só 0,59%.
Além das 200 mil moradias para a faixa de renda que ganha até três
salários mínimos, o governo pretende contratar a construção
de 600 mil habitações para a faixa entre três e cinco salários
mínimos. Outras 200 mil moradias iriam ao grupo com renda familiar mensal
entre cinco e dez mínimos.
Em versões anteriores do pacote, a divisão era a seguinte: 300
mil unidades para famílias com renda de R$ 1.396 a R$ 2.800 e outras
300 mil para famílias com renda de R$ 2.801 a R$ 4.700. Essas famílias
dependem menos de subsídios, mas precisam de ajuda para acessar os financiamentos
imobiliários no mercado.
O fundo garantidor que o governo pretende criar para arcar com eventual inadimplência
pode variar de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões, segundo as últimas
discussões no Planalto. O dinheiro viria do Tesouro, já pressionado
pela forte queda na arrecadação de tributos neste ano por causa
da crise.
Esse fundo teria duração de três anos, o que provoca desconfiança
nos bancos privados e nas empreiteiras. Essas instituições temem
que, terminado o prazo de vigência, haja aumento de inadimplência
sem a eventual garantia. Para empresários e banqueiros, poderia haver
um rombo futuro semelhante a pacotes do passado.
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Folha de S.Paulo, 18 de março
de 2009
Setor vê com ceticismo meta
de contratação de 1 milhão de casas
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Com a falta de definição
para o pacote habitacional e os nós que cercam a construção
civil, o setor mostra ceticismo em relação ao objetivo
do governo de contratar 1 milhão de moradias até o ano
que vem.
Para o diretor de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, não adianta
querer "sair construindo casas" sem um projeto mais elaborado que
envolva desde planejamento urbano e condições de infraestrutura
e transporte até mais recursos para as prefeituras poderem agilizar
licenciamentos e para a rede de cartórios se reestruturar.
" A dificuldade está em juntar todos os fatores necessários",
afirma Zaidan.
Há também problemas de curto prazo. O déficit habitacional
concentra-se nas regiões metropolitanas e arredores, onde os terrenos
são escassos. E os que estão disponíveis não raro
apresentam problemas de licenciamento, explica o diretor do SindusCon-SP. "A
oferta deve caminhar de acordo com a demanda."
" A roda começa a girar lentamente. Não se põe o trem
para girar a 200 km/h instantaneamente. Mesmo se o programa estivesse redondo
hoje, leva ao menos seis meses para trazer resultados, porque o setor de construção
funciona mesmo no longo prazo."
Grande salto
De acordo com o vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria
da Construção), José Carlos Martins, o governo objetiva
um salto muito grande com o pacote. "No ano passado, a Caixa Econômica
Federal financiou 112 mil novas residências. Como vai passar para 500
mil em apenas um ano?", questiona.
Martins concorda com o diretor do SindusCon-SP no que diz respeito à importância
de um projeto de longo prazo. "Para ter um efeito imediato, é preciso
garantir que o setor se sustente a longo prazo."
O presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação), João
Crestana, diz que a meta de 1 milhão de casas até 2010 é "agressiva". "Até porque
vai levar mais alguns meses para esse pacote ser estruturado."
(PAULO DE ARAUJO)
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Folha de S.Paulo, 18 de
março de 2009
Foco devem ser famílias
com renda de até 3 mínimos; bancos e governadores resistem
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, ter dito que haveria subsídio federal
para todas as famílias com renda mensal de até dez salários
mínimos, a tendência dos últimos debates sobre
o pacote habitacional é concentrar a ajuda da União na
faixa salarial de até três salários mínimos,
justamente aquela que tem dificuldade para comprovar renda. Há alto
grau de trabalho informal nesse estrato social.
Para as famílias com renda mensal entre três e dez salários
mínimos, haveria um esforço para a redução de impostos,
taxas, seguros e juros bancários para baratear o valor da construção
e do financiamento.
Exemplo: o governo gostaria de reduzir em até 50% o ITBI (Imposto sobre
Transmissão de Bens Imóveis), que é um tributo municipal.
A maioria das cidades cobra entre 2% e 3%.
Há resistências de governadores em dar isenção de
ICMS. Prefeitos e governadores que estiveram com Dilma não gostaram
de ouvir que o governo não quer reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) ao pacote habitacional.
Um dos nós do pacote é a resistência dos bancos privados.
O "spread" bancário médio previsto para a operação é de
2,18% ao ano. Os bancos preferem aplicar seus recursos em operações
com "spreads" mais altos. O "spread" é a diferença
entre o custo de captação do recursos e quanto os bancos cobram
para emprestá-los.
Após seguidos adiamentos, a última previsão do Planalto é de
que o pacote, prometido ainda no ano passado, seria anunciado na próxima
segunda, mas há a possibilidade de que aconteça na quarta ou
até mesmo depois porque ainda existem pontos a serem decididos. (KA)
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
março de 2009 | Economia
Crédito maior para cartão
BNDES
Financimentos por essa modalidade é dirigido
a micro, pequenas e médias empresas; juros de 1% ao mês
Brasília - Dentro do esforço do governo de recuperar o mercado
de crédito no País, o Banco do Brasil anunciou ontem que dobrou
o limite para financiamentos por meio do cartão BNDES, que agora passa
a fazer operações de até R$ 500 mil. O cartão é direcionado
para micro, pequenas e médias empresas (com faturamento anual de até R$
60 milhões) adquirirem bens de produção e insumos, com
uma taxa de juros de 1% ao mês. O prazo máximo de pagamento subiu
de 36 meses para 48 meses.
Essa medida já tinha sido
autorizada pelo BNDES em janeiro e agora está sendo efetivamente
implementada pelo BB, que é o principal agente repassador dos
recursos do BNDES por meio desse cartão, tendo 63% dos cartões
emitidos no País.
Segundo o gerente executivo da
diretoria de micro e pequenas empresas do BB, Sérgio Rau, a medida
significa um aumento na capacidade de as empresas comprarem máquinas
e equipamentos, ou seja, investirem, e também, em alguns casos,
insumos, que significa capital de giro. Setores como o de panificação,
por exemplo, poderão comprar farinha de trigo com o cartão
BNDES. ‘‘Esta medida é de muita relevância’’,
afirmou Rau.
O executivo explicou que o aumento
no valor máximo das operações não significa
diminuição no número de empréstimos que poderão
ser feitos, pois o BNDES não definiu um limite de recursos a serem
repassados. ‘‘Nós podemos atender a toda demanda enquanto
o BNDES tiver recursos. Não há limite’’, explicou.
Apesar de o limite por cartão
ter dobrado, Rau disse ainda não ter previsão de qual será o
montante total que deve ser emprestado por esse instrumento neste ano.
Em 2008, foram R$ 724,3 milhões. ‘‘Com certeza vai
superar 2008’’, disse.
Fabio Graner
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
março de 2009 | Economia
Ipea: crise mundial diminui arrecadação
nos estados
Menor consumo pelas famílias afeta
vendas e impostos
São Paulo - A crise financeira já pode ser medida também
pela queda da arrecadação do ICMS (Imposto Sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços) pelos Estados, principal fonte de recursos
das unidades da federação, aponta estudo do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem.
De acordo com os dados compilados
pela entidade, ''os efeitos negativos da crise se fizeram sentir a partir
do mês de outubro de 2008''. O número de Estados com redução
na arrecadação do imposto foi de nove em outubro, 12 em
novembro e 16 em dezembro. O levantamento, porém, não cita
o valor médio da redução.
Apesar das reduções,
a evolução anual de arrecadação ficou em
17,21% no ano passado. ''Houve, portanto, um acréscimo real de
receita significativo. Tal desempenho, no entanto, não deve ser
esperado para o ano de 2009, a menos que o país demonstre uma
excepcional capacidade de recuperação'', avalia o Ipea
no estudo.
A queda ocorre porque o consumo
por parte das famílias está menor - seja pelo temor da
instabilidade ou pela perda do emprego -, e consequentemente com menos
vendas, menos impostos são arrecadados.
Outro recorte da pesquisa do
Ipea aponta que também está em queda os repasses de recursos
do Tesouro Nacional aos Estados, outra importante fonte de receita.
Segundo os dados apresentados,
os valores repassados aos Estados pelo Fundo de Participação
dos Estados (FPE) somou R$ 3,37 bilhões em janeiro deste ano,
com ''pequena perda real'' em relação ao mesmo mês
de 2008.
''Já na comparação
de fevereiro de 2008 com fevereiro de 2009, as informações
indicam uma queda, em termos reais (corrigido pela inflação)
] em torno de 18%, de acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional'',
informou o Ipea.
Integram os repasses do FPE o
Imposto de Renda (90% dos valores recebidos pelos Estados) e o IPI (Imposto
Sobre Produtos Industrializados), com 10% dos montantes repassados -
este último caiu 17%, também em reflexo à redução
do IPI para os automóveis, medida adotada para estimular o setor.
Folhapress
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Gazeta do Povo, 18 de março
de 2009
Finanças
Discussão para mudar poupança
será árdua
Preocupado em perder demanda por títulos
públicos, governo estuda mexer nas economias de 70 milhões
de poupadores
Os rumores de que o governo federal
estuda reduzir a remuneração da caderneta de poupança
foram confirmados na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Se essa iniciativa avançar, o governo terá uma
batalha pela frente. Qualquer que seja a medida, irá mexer com
um exército estimado em cerca de 70 milhões de poupadores,
que mantinham até o último dia 11 um saldo de R$ 218,6
bilhões – uma turma que não está gostando
nem um pouco da ideia de ter uma rentabilidade menor.
O grande obstáculo está na
confiança que os poupadores têm na instituição
da poupança. É gente como o aposentado Pedro Andrioli,
de 73 anos, que mantém aplicado um valor que ele próprio
considera pequeno. Ele confia que, se houver, a mudança não
deve ser muito grande, mas mesmo assim é pessimista. “Não
vai melhorar, vai piorar. E, como o governo anunciou com antecedência,
quem tinha dinheiro na poupança vai tirar”, prevê.
Celso Marçal, bancário de 42 anos, é outro descrente. “O
brasileiro já não tinha o hábito de poupar. Agora
o governo vai desincentivar ainda mais”, comenta.
Mas porque tanto barulho por
causa de uma aplicação que é conhecida pela sua
baixa rentabilidade? Na verdade, o problema é justamente esse.
Como a taxa básica de juros (a Selic) está em queda, a
rentabilidade da poupança começa a parecer alta na comparação
com as alternativas disponíveis no mercado. E ela tem vantagens
para o aplicador, como a isenção de Imposto de Renda e
a ausência das taxa de administração, que são
cobradas pelos fundos de investimento. Seu principal “concorrente” nesse
mercado são os fundos DI, cujo patrimônio em 12 de março
somava R$ 185,7 bilhões.
O governo preocupa-se agora com
a poupança porque, se ela se tornar mais atraente, o investidor
irá transferir recursos dos fundos de investimento para a caderneta.
Isso resultaria em um efeito em cascata no mercado. Os bancos deixariam
de comprar títulos públicos, que são como a matéria-prima
dos fundos. Se quisesse continuar captando recursos, o governo teria
de pagar juros mais altos, o que faria mal às suas finanças.
Para os bancos seria má notícia também porque deixariam
de ter a receita das taxas de administração, e também
teriam uma captação menor nos seus CDBs. Os bancos gostam
de captar dinheiro pelos CDBs porque eles podem aplicar esses recursos
nas mais diversas finalidades – com a poupança, são
obrigados a destinar 65% para crédito imobiliário, que
lhes é pouco rentável.
Alterações
Há diversas formas de
mudar a poupança. O governo pode passar a cobrar impostos sobre
o rendimento das cadernetas, reforçar o redutor aplicado sobre
a Taxa Referencial (TR) de juros, vincular a rentabilidade plena a uma
permanência mínima do investimento, ou simplesmente baixar
os juros pagos pela aplicação (atualmente, a poupança
paga 0,5% ao mês mais TR, o que dá uma rentabilidade de
6,17% ao ano, além da TR). Destas, a última é vista
como a mais antipática. “A poupança sempre pagou
esses juros, mudar seria muito impopular”, diz o professor Jackson
Sandrini, da UFPR.
Historicamente, apenas duas grandes
mudanças foram feitas nas cadernetas de poupança. A primeira
foi nos anos 80, quando a hiperinflação levou ao pagamento
de rendimentos mensais, e não trimestrais. Há dois anos,
em um outro momento de juros na descendente, passou-se a aplicar um redutor
na TR.
Se a ideia é recuperar
a capacidade dos fundos DI e de renda fixa frente à poupança,
o governo poderia mirar nesses fundos. “Os fundos que diminuam
suas taxas de administração”, opina o professor Domindos
Pandeló Júnior, da Fundação Getulio Vargas. “Em última
instância, é isso que o investidor quer.” Para ele,
essa medida poderia vir acompanhada de uma redução na tributação
da renda fixa – embora fazer o governo renunciar a um tributo seja
tarefa mais do que difícil.
Colaborou Elisa Lopes
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Gazeta do Povo, 18 de março
de 2009
Finanças
Sem alteração faltaria dinheiro
para outras linhas
Brasília - As mudanças no rendimento da caderneta de poupança
que estão em estudo pelo governo não têm como objetivo
proteger o pequeno poupador, ao contrário do que dá a entender
o discurso oficial.
Hoje, 65% do dinheiro depositado
nas cadernetas é obrigatoriamente emprestado para financiar habitação
e saneamento. Já os recursos dos fundos são usados, por
exemplo, para financiar a expansão de empresas e para empréstimos
pessoais. Os fundos de investimento também são os principais
compradores de títulos da dívida pública federal.
“Se as pessoas preferirem
a poupança aos fundos, vai sobrar dinheiro para habitação”,
disse o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima
Gonçalves. Por outro lado, explicou ele, a falta de investidores
nos fundos poderá criar problemas para o financiamento do governo.
Para o ex-diretor do Banco Central
Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), o que mais preocupa é a perspectiva
de falta de dinheiro para as outras linhas de crédito. “Os
bancos podem ter dificuldades em dar empréstimos”, disse.
Os dois economistas concordam,
porém, que a remuneração das cadernetas de poupança
precisa ser alterada. “Num momento em que o juro cai, não
tem mais condição de manter um instrumento com rentabilidade
permanente”, diz Freitas.
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Agência Diap, 18 de março
de 2009
Força Sindical manifesta-se
preocupada com mudanças na poupança
Com a notícia veiculada
pela imprensa, na segunda e terça-feira (17), que o Governo pretende
mudar o cálculo de rendimento das cadernetas de poupança,
a Força Sindical, em nota oficial afirma ser "necessário
utilizar o bom senso e, antes de modificar os mecanismos de cálculo
da poupança" é preciso abrir amplo debate na sociedade.
A central ressalta que é necessário "abrir
um amplo diálogo com os representantes da sociedade" sobre
o assunto e se posiciona "contrariamente a qualquer política
que vise reduzir os rendimentos da caderneta de poupança".
Leia a íntegra da nota da Força
Sindical:
"Os trabalhadores estão
preocupados com a notícia veiculada em alguns meios de comunicação
que informam a disposição do Governo de mudar o cálculo
de rendimento da caderneta de poupança.
É necessário
utilizar o bom senso e, antes de modificar os mecanismos de cálculo
da poupança, abrir um amplo diálogo com os representantes
da sociedade organizada. Ressaltamos que a caderneta de poupança é um
dos poucos mecanismos utilizados pela população mais
pobre para proteger suas reservas monetárias.
O Governo precisa garantir
os direitos dos pequenos poupadores e incentivar a poupança
de massas para financiar programas habitacionais, dentre outros.
De antemão nos posicionamos
contrariamente a qualquer política que vise reduzir os rendimentos
da caderneta de poupança.
A preocupação
do Governo com a rolagem da dívida pública e com as perdas
de arrecadação devido à isenção
da tributação do Imposto de Renda da caderneta de poupança
deve orientá-lo a reservar as aplicações na poupança
aos pequenos investidores e não servir de argumento para cortes
na sua remuneração.
Paulo Pereira da Silva
(Paulinho)
Presidente da Força Sindical"
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
março de 2009 | Política
Temer decide que MP não tranca
mais a pauta do plenário
Brasília - O presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), deu nova interpretação à Constituição
e decidiu que medida provisória (MP) não tranca mais a
pauta do plenário na maior parte das votações. Pela
interpretação de Temer, MP só impedirá a
votação de projetos sobre assuntos que podem ser objeto
de medidas provisórias, ou seja, isso exclui as propostas de emendas
constitucionais, os projetos de lei complementar, projetos de decreto
legislativo e resoluções. A Constituição
veda o uso de MP para esse tipo de projeto.
A MP só trancará a
pauta quando for projeto de lei ordinária. Mesmo assim, nos temas
que podem ser objeto de medidas provisórias.
A decisão retira poderes
do presidente da República. Se a MP não trancará mais
a pauta depois de 45 dias de editada, os parlamentares poderão
deixar de votar essas MPs que perderão a validade em 120 dias.
O líder do governo na
Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse ter sido surpreendido e
que vai discutir o assunto com a assessoria jurídica do governo.
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que a decisão
de Temer foi ''arbitrária'' e anunciou que vai recorrer ao Supremo
Tribunal Federal (STF) contra a decisão.
Temer anunciou a decisão
durante a reunião de líderes e depois foi ao plenário
para comunicar a todos os deputados. A sessão ainda está ocorrendo
com os deputados discursando sobre a nova interpretação
de Temer.
O presidente da Câmara
disse que tinha consciência de que a interpretação
que ele estava dando à Constituição era ''ousada''
e que achava positivo que a discussão fosse ao Supremo, como anunciou
Caiado. Temer afirmou que, se o Supremo não conceder liminar contra
a nova interpretação na ação do DEM, ele
a colocará em prática em breve, depois de reunir os líderes.
Denise Madueno
Agência Estado
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Correio Braziliense, 18 de
março de 2009
“Auxílio-mordomia”
Na declaração de
bens dos deputados federais desfilam casas confortáveis em alguns
dos mais tradicionais e caros bairros da capital federal e apartamentos
no Plano Piloto, cujo metro quadrado pode chegar a R$ 10 mil.
Apesar do patrimônio, pelo
menos 25 proprietários de imóveis na cidade recebem da
Câmara dos Deputados o auxílio-moradia no valor de R$ 3
mil mensais ou ocupam um dos apartamentos funcionais pertencentes à União:
benesses criadas sob o pretexto de ajudar parlamentares de outros estados
durante a estadia em Brasília.
Enquanto gastam o dinheiro público
para “hospedar-se” na cidade onde possuem imóvel residencial,
alguns deputados aproveitam para usufruir de um dos mercados imobiliários
mais caros e promissores do país. O deputado Pedro Chaves (PMDB-GO),
por exemplo, alugou o apartamento que possui na 212 Sul para hospedar-se
em hotéis durante o tempo que fica na capital. “Minha família
está em Goiânia.
Por isso, não preciso
de um apartamento disponível. Preferi alugar o imóvel e
ficar em hotéis”, argumenta. O exemplo vem de cima. Na lista
de deputados que recebem o auxílio-moradia apesar de possuírem
imóveis na capital do país está o quarto-secretário
da Casa, Nelson Marquezelli (PTB-SP), responsável por administrar
os apartamentos funcionais e o próprio auxílio.
O paulista declarou ser
dono de um duplex no Plano Piloto, mas apresenta mensalmente notas
fiscais de gastos com hospedagem para serem reembolsados pela Câmara.
Por meio da assessoria, Marquezelli diz que o apartamento que possui é um
investimento pessoal sem qualquer relação com sua atividade
como parlamentar.
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
março de 2009 | Política
Mais um projeto tenta evitar que empresas
façam demissões
Curitiba - Um novo projeto de lei foi apresentado ontem na Assembleia Legislativa
com o objetivo de impedir as empresas que obtiveram benefícios e incentivos
fiscais do governo demitam funcionários. O texto, de autoria do deputado
estadual Professor Lemos (PT), altera a lei 15.426 do deputado Ratinho Júnior
(PSC) promulgada em 2007.
A iniciativa de Lemos é mais
um capítulo da briga do governo pela aprovação de
um dispositivo legal que barre o aumento de demissões no Estado.
''A lei prevê a revisão dos contratos no caso de demissões
exorbitantes e sem justa motivação, o que é difícil
de aferir'', explica Lemos. Na proposta dele, a redação
da lei foi alterada para vedar ''demissões sem justa causa''.
Além da proposta de Lemos,
outras duas propostas que tratam do tema tramitam na Assembleia: uma
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autoria do deputado Marcelo
Rangel (PPS), semelhante à proposta do governo do Estado, e um
projeto de lei de Antonio Belinati (PP). O projeto de Belinati foi encaminhado
pela Mesa Executiva para a procuradoria da Assembleia.
A PEC de Rangel deverá ser
analisada na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Casa. Na reunião da comissão ontem o assunto não
chegou a ser analisado, mas já gerou polêmica. O deputado
Reni Pereira (PSB) defendeu que a apresentação de uma nova
PEC e de projetos de lei para regulamentar o tema é ilegal.
''Como o assunto já foi
discutido nessa sessão legislativa a Constituição
prevê que é ilegal reapresentar o tema'', avalia. Segundo
Pereira, a base do governo na Assembleia está tentando ''abrir
caminho para a reapresentação da PEC''. ''O caminho seria
alterar a lei do Ratinho'', aponta.
O líder do governo na
Assembleia, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), afirmou que a reapresentação
do tema está amparada pelo Regimento Interno da Casa. ''O artigo
126 do regimento prevê essa possibilidade'', defendeu. Segundo
Romanelli, não há conflito com a Constituição
Federal porque ''o dispositivo do regimento não foi questionado''.
Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
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Congresso em Foco, 18 de
março de 2009
Quanto vale o corpo humano
Na tabela do governo, a perda de um dedo
mínimo vale R$ 1.620,00 e um encurtamento de perna custa
R$ 810,00 | MP incorpora à lei tabela usada por seguradoras
para definir indenização de vítimas de acidente
de trânsito.
Daniela Lima*
A proposta que cria novas alíquotas
de Imposto de Renda mexe com mais do que o bolso do contribuinte. Nos últimos
quatro artigos, a Medida Provisória 451/08 trata de modificações
na aplicação do Seguro Obrigatório para Veículos
Automotores, o DPVAT. E são nesses trechos que estão algumas
das maiores novidades. A MP tabela o corpo humano para definir o valor
das indenizações a serem pagas às vítimas
de acidentes de trânsito e, ainda, repassa uma conta de aproximadamente
R$ 264 milhões, antes coberta por convênio de seguradoras,
para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida provisória causa
polêmica entre os deputados ligados à área da saúde,
que acusam o governo de favorecer o setor de seguros em detrimento do
SUS, e desagrada ao ministro José Gomes Temporão. Ela é o
terceiro item na pauta da Câmara e tranca as votações
desde o último dia 12.
O governo alega que as alterações
pretendem reduzir o índice de fraudes que atinge as seguradoras,
a maioria delas ligadas a grandes bancos, e evitar o aumento de 23% na
cobrança do DPVAT. Com o reajuste de 10% em relação
a 2008, a taxa cobrada do condutor varia este ano de R$ 93,87 (carros
de passeio e camionetes) a R$ 259,04 (motocicletas). Só no ano
passado, o seguro obrigatório rendeu R$ 4,6 bilhões aos
cofres públicos.
O DPVAT arca com três tipos
de ressarcimentos: indenizações por morte causada por acidente
de trânsito, no valor de R$ 13,5 mil; por invalidez parcial ou
total, no valor de até R$13,5 mil; e no valor de até R$
2,7 mil para cobertura de gastos com atendimento médico hospitalar.
De acordo com a tabela usada
pelas seguradoras, a perda do dedo mínimo em um acidente de carro
dá direito, por exemplo, a uma indenização de R$
1.620. Já o encurtamento de uma das pernas implica indenização
de R$ 810. O tabelamento do governo toma como base uma tabela utilizada
pelas seguradoras, que era constantemente questionada na Justiça
pelos segurados.
Sob pressão
O relator da proposta, deputado
João Leão (PP-BA), prometia entregar seu relatório
hoje (18), mas adiou o prazo para a próxima semana. Ainda assim,
espera-se que o projeto final da MP vá a plenário sem grandes
mudanças nos dispositivos que tratam do DPVAT. Segundo parlamentares
contrários à norma, o relator sofreu grande pressão
do governo para não modificar o texto. “A pressão
está 18 por 8”, brincou o deputado, fazendo uma comparação
com os níveis ideais de pressão arterial, abaixo de 12
por 8.
A dinâmica de repasse dos
recursos do DPVAT é complexa. O montante arrecadado com o pagamento
anual da taxa, que é obrigatório para os 40 milhões
de motoristas brasileiros, é dividido em três partes: 45%
vão para o Fundo Nacional de Saúde, que remete a verba
para o SUS; 5% são destinados a programas de educação
no trânsito; e o restante, 50%, fica sob o controle do convênio
de seguradoras que administram o seguro obrigatório.
“A MP chegou quando os
parlamentares estavam se preparando para o recesso, o que me causou estranheza.
Poucos tiveram a possibilidade de analisá-la. O grande problema é o
repasse de gastos para o SUS sem estipular uma contrapartida de receita”,
critica o deputado André Zacharow (PMDB-PR), autor de uma emenda
que pede a retirada do trecho que obriga os acidentados a cobrarem esse
ressarcimento do SUS.
Desde a última edição
da norma que trata da taxa, em 1974, é permitido às vítimas
de acidentes serem atendidas em hospitais e clínicas conveniadas
ao SUS e requisitarem o ressarcimento do atendimento médico.
Na justificativa da MP, o Ministério
da Fazenda argumenta que esses estabelecimentos de saúde foram
responsáveis em 2007 por 85% dos pedidos de ressarcimento de despesas
médicas (pago no valor de até R$ 2,7 mil) feitos em nome
dos acidentados, o que era, até a edição da MP,
legal.
O ressarcimento dessas indenizações
ficava a cargo do convênio de seguradoras, que detém 50%
dos recursos do DPVAT. A MP repassa a obrigação desse pagamento
para o SUS, desonerando as seguradoras. Em nota oficial, a Superintendência
de Seguros Privados (Susep), do Ministério da Fazenda, justificou
o repasse dos gastos para o SUS e a urgência na aprovação
da MP alertando para o risco de uma “possível retirada voluntária” de
empresas do consórcio de seguradoras, o que colocaria em risco
o sistema de pagamento do seguro obrigatório.
As explicações
prosseguem ressaltando a importância desta medida em tempos de
crise econômica mundial. A justificativa do Ministério da
Fazenda incomodou parlamentares. “O governo está transferindo
um problema enorme para o SUS, que já está quebrado”,
reclama a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), presidente da Comissão
de Seguridade Social.
Em resposta enviada pela assessoria
de imprensa ao Congresso em Foco, a Susep alega que a MP tem o objetivo
de corrigir um “desvio de finalidade” do seguro obrigatório. “O
governo editou a Medida Provisória para recuperar a essência,
o objetivo maior da criação do seguro: o de pagar diretamente à vítima
ou beneficiários diretos o custo do atendimento médico
em acidentes de trânsito. Na cobertura de despesas por atendimento
médico, por exemplo, nos últimos anos, 85% dos pagamentos
foram para hospitais e clínicas e apenas 15% para as vítimas.
Havia um desvio de finalidade que a MP veio corrigir” .
A assessoria da Susep sustenta
ainda que não haverá ônus para o SUS, já que
os recursos oriundos do DPVAT (no ano passar R$ 2,1 bilhões do
Seguro foram destinados ao Fundo Nacional de Saúde) seriam suficientes
para cobrir os ressarcimentos com despesas médicas. “Por
determinação legal o SUS recebe 45% do valor pago pelos
proprietários de veículos automotores pelo Seguro DPVAT,
exatamente para custeio da assistência médico-hospitalar
dos vitimados em acidentes de trânsito”, diz a assessoria
em texto enviado ao Congresso em Foco.
O argumento da Susep é questionado pelo deputado André Zacharow,
que, em documento enviado à presidência da República no último
dia 2 ressaltou a não vinculação de receita com despesa
no que tange os recursos do DPVAT.
Temporão contrariado
O repasse de gastos extras para
o SUS irritou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
mas o Ministério não se posiciona oficialmente sobre a
MP. Em contato telefônico, a assessoria de imprensa se limitou
a dizer que todo o orçamento destinado à saúde em
2008 foi executado, sem sobras.
Ainda assim, a articulação
do governo em torno da aprovação da medida provisória
foi intensa. Na véspera de a MP começar a trancar a pauta
da Câmara, no último dia 11, o relator da proposta, que é um
dos vice-líderes do governo no Congresso, teve uma reunião
com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio.
O encontro foi prorrogado e, na mesma noite, o relator da MP esteve no
Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda, pasta que
elaborou a medida provisória.
O deputado André Zacharow
sustenta que, em última instância, o maior prejudicado com
a MP será o cidadão. A Federação Brasileira
de Hospitais (FBH) compartilha da opinião do parlamentar. Eles
são interessados diretos no assunto, pois vão perder dinheiro,
já que a tabela de ressarcimento do SUS com despesas médicas é aproximadamente
30% menor do que a das seguradoras.
“Em última instância,
os hospitais não atenderão acidentes leves, pois já terão
esgotado os recursos repassados pelo SUS e, portanto, não receberão
o ressarcimento pelo serviço prestado”, alega o secretário-geral
da FBH, Aramicy Bezerra.
Seguro “desvirtuado”
Já a seguradora Líder,
que chefia o convênio das empresas que administram 50% dos recursos
do DPVAT, tem outra visão sobre o assunto. “O seguro foi
desvirtuado e a MP veio corrigir isso”, diz Ricardo Xavier, diretor-presidente
da empresa.
Segundo ele, muitas vezes, havia
um duplo pedido de ressarcimento. Ao ser atendido, o paciente assinava
um termo dando direito ao hospital de pedir o ressarcimento ao SUS. Mas,
depois, a própria pessoa também requisitava a verba, onerando
o Sistema Único de Saúde.
Xavier repete o discurso da Susep
e destaca a porcentagem do DPVAT (45%) repassada ao SUS. “No ano
passado, R$ 2,1 bilhões foram repassados ao SUS. Ou seja, o dinheiro
para pagar as indenizações continua sendo oriundo do DPVAT.” O
deputado Zacharow rebate essa alegação. “O dinheiro
repassado ao Fundo Nacional de Saúde pelo Seguro não tem
vinculação de destinação. Portanto, os recursos
do DPVAT não serão obrigatoriamente aplicados no pagamento
de indenizações.”
Quanto ao tabelamento dos valores das indenizações por invalidez,
o diretor presidente da seguradora Líder explica que, em dois anos,
o número de ações judiciais solicitando aumento nas indenizações
pulou de 50 mil para 200 mil. “Virou uma indústria. A tabela que
estabelece valores para seguros de acidentes pessoais existe no mundo todo”,
defende.
A assessoria de imprensa da Susep,
sobre o tabelamento, diz que ele é fruto de uma “reivindicação
da sociedade”. Mas dá seguimento à explicação
dizendo que o valor estipulado pelas seguradoras para as indenizações
eram constantemente questionados na Justiça. “O Seguro DPVAT
tem sido alvo de crescimento expressivo de ações judiciais,
ao longo dos últimos anos, em especial decorrentes de sinistros
por invalidez. A título de ilustração, entre 2003
e 2007, o incremento foi da ordem 1.300% no montante de indenizações
decorrentes de ações judiciais”, conclui, no texto.
A vice-presidente da Associação
dos Advogados Militantes do DPVAT, Silvana de Souza, critica a ação. “A
tabela leiloa e loteia o corpo humano. Quem é o governo para dizer
quanto vale uma mão ou um pé?”, questiona Silvana. “As
seguradoras dizem que estão arcando com prejuízos por conta
de ações judiciais. A previsão de lucro delas para
2009 é de R$1,9 bilhão”, conclui ela.
MP no apagar das luzes
A MP 451/08 chegou ao Congresso
em 16 de dezembro de 2008, três dias antes do início efetivo
do recesso parlamentar. Além de alterar as regras do seguro obrigatório,
a medida provisória cria duas alíquotas na tabela do Imposto
de Renda da Pessoa Física (IRPF) e concede subvenção
econômica de R$ 37,5 milhões a empresas de pesca de Santa
Catarina.
As duas novas alíquotas
do IRPF são de 7,5% para quem ganha de R$ 1.434,60 a R$ 2.150,00;
e de 22,5% para quem ganha de R$ 2.866,71 a R$ 3.582,00. As regras valem
desde 1º de janeiro deste ano. Antes de votar esse item, os deputados
terão de analisar outras duas MPs, que têm preferência
na pauta.
*Colaborou Edson Sardinha.

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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de março de 2009 | Economia
Nokia demitirá 1,7 mil trabalhadores
Agência Estado
A fabricante finlandesa de aparelhos celulares Nokia informou nesta terça-feira
(17) que introduzirá medidas de corte de custos que afetarão
1,7 mil funcionários devido à fraca demanda por seus produtos.
A Nokia disse que começará consultas
com representantes de funcionários sobre os planos, onde for aplicável.
As medidas, que afetarão as unidades de Aparelhos e Mídia,
bem como o Escritório de Desenvolvimento Corporativo e as funções
de suporte global, fazem parte de planos previamente anunciados para
ajustar os negócios à demanda do mercado.
"A Nokia continua buscando
economia nos gastos operacionais, olhando para todas as áreas
e atividades da empresa", acrescentou a companhia, que tem aproximadamente
130 mil funcionários no mundo.
Como muitas empresas, a Nokia
foi duramente atingida pela desaceleração econômica,
tendo registrado queda de 69% no lucro líquido do quarto trimestre
do ano passado, para 576 milhões de euros. A empresa disse que
a desaceleração levou ao rápido declínio
na demanda do consumidor por produtos eletrônicos e a perspectiva
para 2009 se deteriorou. As informações são da Dow
Jones.
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Agência Diap, 18 de março
de 2009
Justiça manda readmitir trabalhador
que reclamou da comida
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso em mandado de segurança impetrado pela empresa
Sifco S/A contra decisão da 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí (SP)
que determinou a reintegração de industriário demitido
por ter enviado aos colegas e-mail em que relatava o aparecimento de
um “corpo estranho” na comida servida pela empresa.
O entendimento do TST foi o de
que a pena foi desproporcional ao ato cometido pelo empregado.
Admitido em maio de 1995, o empregado
sentiu-se lesado pela suspensão de trinta dias, sem receber salário,
seguida de demissão por justa causa.
Para ele a pena foi exagerada,
porque buscou apenas descobrir, junto aos colegas, uma solução
para o problema detectado na comida servida no restaurante da empresa:
um “bigatinho” (pequena lagarta) encontrado junto com a berinjela
e a lingüiça no prato de um colega.
Sindicato
reverteu demissão
A demissão foi revertida pela entidade sindical do industriário,
e seu advogado alegou, na inicial da reclamação trabalhista contra
a suspensão, não ter havido no e-mail nenhuma crítica à empresa,
apenas pedido de sugestões sobre a atitude a ser tomada, uma vez que
a Sifco possui quase três mil trabalhadores, com alto nível econômico
em comparação com as demais classes operárias do País.
Afirmou, também, que o
empregado é portador de doença profissional e, portanto,
detentor de garantia no emprego, razão pela qual fora demitido
e reintegrado outras duas vezes. A seu ver, a empresa aplicou pena tão
severa para “se livrar dele”.
Patronato
insiste na demissão
Inconformada, a empresa impetrou mandado de segurança, com pedido de
liminar, no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (SP/Campinas),
mas o Regional rejeitou a segurança por concluir estarem presentes os
requisitos para a concessão dos efeitos da tutela e, também,
por não verificar pressupostos como justo receio ou violação
a direito líquido e certo.
O relator do recurso no TST,
ministro Ives Gandra Martins Filho, rejeitou o recurso da Sifco e destacou
em seu voto que a mensagem enviada pelo empregado, na qual consta a informação
sobre a lagarta juntamente com a pergunta “o que podemos fazer?” não
teve nenhuma conotação lesiva à honra ou à boa
fama da empresa, mas “apenas demonstra a preocupação
com a sua saúde e com a dos demais empregados, procurando uma
solução para o problema juntamente com eles”.
O ministro assinalou, também,
que as questões de fundo do processo principal, especialmente
as relativas à pena de suspensão, serão apreciadas
pelo juízo de primeiro grau no momento adequado – na fase
de instrução da reclamação trabalhista
ajuizada pelo empregado. ( ROMS-411/2008-000-15-00.9).
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Agência Diap, 18 de março
de 2009
TST condena empresa por extravio
de carteira de trabalho
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho confirmou condenação imposta à Vivo
S/A pelo extravio da carteira de trabalho (CTPS) de um empregado. O valor
da indenização por dano moral equivale ao salário
que era pago ao trabalhador (R$ 4 mil) e foi imposta pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (PR).
Segundo o relator do recurso,
ministro Renato de Lacerda Paiva, a perda da CTPS é injustificável,
ainda mais em se tratando de empresa de grande porte. O relator afirmou
ser evidente o prejuízo que o extravio do documento acarretou
ao empregado, que se viu obrigado a emitir nova carteira e buscar reconstituir
as anotações existentes na anterior.
Decisão
O TRT/PR concluiu que a Vivo agiu com culpa, pois foi negligente no cuidado
que deveria ter com documento alheio, cuja perda causou indubitavelmente transtornos à vida
da pessoa, que teve de procurar pelos registros anteriores, fazer nova carteira
e se sujeitar a explicar o extravio de sua CTPS, inclusive perante o órgão
previdenciário.
Para o Regional, ainda que nenhum
empecilho seja causado ao trabalhador pela falta da CTPS, ele estará sujeito às
inevitáveis explicações, inconveniente que será constante
em sua vida profissional.
“Se a perda é causada
pelo próprio trabalhador, nada resta fazer senão arcar
com os prejuízos decorrentes. Entretanto, no caso em análise,
o transtorno foi ocasionado por negligência da empresa, que deve
responder pelo dano na medida de sua culpa”, registrou o acórdão.
Alegação
da empresa
No agravo ao TST, em que questionou outros itens da decisão regional
(como o pagamento de horas extras, por exemplo), a defesa da Vivo alegou violação
ao artigo 927 do Código Civil.
O dispositivo prevê que “aquele
que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”.
Segundo o ministro relator, o dispositivo legal foi corretamente aplicado
pela segunda instância.
Desconfiança
e preconceito
Ao acompanhar o relator, o ministro Simpliciano Fernandes enfatizou um aspecto
que não chegou a ser apontado pelo TRT/PR, mas é de extrema relevância,
em sua opinião: a desconfiança e o preconceito que a apresentação
de segunda via da carteira provoca nos responsáveis por selecionar candidatos
a emprego.
Com base em experiência
anterior na área de recursos humanos, o ministro afirmou que a
regularidade da documentação é um importante requisito
para a contratação.
“Todo empregado que apresenta
carteira em segunda via tem sua conceituação diminuída
quando busca emprego porque a circunstância remete à figura
de alguém que não tem cuidado com seus documentos pessoais,
que é relapso, que é relaxado”, afirmou.
Outro aspecto ressaltado pelo
ministro Simpliciano Fernandes diz respeito à dúvida que
um novo documento gera no recrutador de empregados, que poderá desconfiar
que a emissão do novo documento tenha sido providenciada pelo
trabalhador para ocultar eventuais anotações desabonadoras
de sua conduta ou situações de inconstância, como
excesso de licenças médicas ou rotatividade de empregos.
O presidente da Segunda
Turma, ministro Vantuil Abdala, divergiu do relator. Para ele, o extravio
de documentos é circunstância que faz parte do dia a dia
de empresas. Ele afirmou não acreditar que tenha havido intenção
da empresa em prejudicar o empregado, permitindo o extravio de sua
carteira de trabalho, ou seja, não houve dolo ou culpa grave.
(AIRR 18697/2005-011-09-40.7) (Com TST)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/03/2009
Parte tem que provar existência
de feriado que suspende prazo recursal
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho entendeu que a Caixa Econômica Federal entrou
com recurso de revista fora do prazo legal, porque não comprovou
a existência de feriado estadual que justificasse a prorrogação
do prazo recursal. Para os ministros, a simples transcrição
de lei não serve como prova de feriado local – é preciso
esclarecer a fonte da qual foi extraída.
A Caixa Econômica Federal
recorreu ao TST com agravo de instrumento porque teve o recurso de revista
considerado intempestivo, ou seja, apresentado fora do prazo legal, pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ). Como o agravo
foi rejeitado pelo TST, a CEF entrou com novo recurso – um agravo
regimental. Nele, alegou que o feriado do Dia Nacional da Consciência
Negra, no Rio de Janeiro, suspendeu o prazo do recurso. A Caixa disse
ainda que juntou cópia da Lei Estadual nº 4007/2002 com sua
data de publicação no Diário Oficial estadual, e
alegou que não se pode exigir cópia da lei assinada pela
governadora. Além do mais, as peças trasladadas do recurso
foram autenticadas e, portanto, imprimem validade também à transcrição
da lei.
Mas, de acordo com o relator
do processo no TST, ministro Walmir Oliveira da Costa, o documento não
serve como prova. Isso porque a transcrição da lei não
estava autenticada nem assinada, e a parte não apontou a fonte
da qual ela foi extraída. Para o relator, a autenticação,
no caso, alcança apenas as cópias das peças do processo
original.
O relator concluiu que o ônus
de provar a suspensão do expediente forense era da Caixa, conforme
estabelece a Súmula 385 do TST. E, se o documento em discussão
não foi autenticado, é impossível essa comprovação.
Por essas razões, ele negou provimento ao agravo e foi acompanhado
pela Primeira Turma. Os ministros também condenaram a CEF ao pagamento
de multa de R$ 1.257,50 por ter apresentado novo recurso com a finalidade
de retardar o andamento do processo. ( A – AIRR – 515/2004-014-01-40.3)
(Lilian Fonseca)
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