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Agência Diap, 20 de
Março de 2009
Fator: DIAP resgata histórico
da matéria no Congresso Nacional
Fim da regra que penaliza trabalhadores
no momento da aposentadoria depende de aprovação da Câmara
dos Deputados. O projeto de lei será objeto de audiências
públicas na Comissão de Finanças e Tributação,
com Governo, centrais, patrões e técnicos
Alysson Alves*
Tramita na Câmara dos Deputados,
desde o dia 17 de abril de 2008, um projeto de lei para acabar com o
fatídico fator previdenciário, regra criada pelo Governo
Fernando Henrique Cardoso, que desde 1999, portanto há dez anos,
retarda a concessão e reduz as aposentadorias pagas pelo INSS.
Trata-se do PL 3.299/08, do senador
Paulo Paim (PT/RS), apresentado no Senado Federal em 23 de julho de 2003.
A proposição estabelece a volta do cálculo da aposentadoria
baseado na média aritmética simples dos últimos
36 salários de contribuição, apurados em período
não superior a 48 meses.
Apresentada no Senado Federal
como PLS 296/03, a proposição acaba com a redução
nos benefícios previdenciários por tempo de contribuição
provocada com a aplicação do fator previdenciário.
O projeto foi aprovado simbolicamente no Senado Federal em 9 de abril
de 2008, sem portanto, o registro de voto nominal dos 81 senadores.
Tramitação
na Câmara
Na Câmara, o projeto de lei foi distribuído e aprovado inicialmente
na Comissão de Seguridade Social e Família, na forma do parecer
oferecido pelo relator, deputado Germano Bonow (DEM/RS). A aprovação
na Seguridade Social ocorreu no dia 13 de agosto de 2008.
Em seguida, o PL 3.299 foi distribuído à Comissão
de Finanças e Tributação, onde aguarda parecer do
relator, deputado Pepe Vargas (PT/RS). Membro da base de apoio ao Governo
na Câmara, o parlamentar tende a apresentar um substitutivo que
minimiza os efeitos negativos do fator sem, contudo, acabar com a regra
que reduz em mais de 30% o valor das aposentadorias.
Na avaliação de
Vargas, o desafio será apresentar um parecer que atenda aos interesses
dos aposentados, sem prejudicar o equilíbrio financeiro da Previdência. "A
idéia é conversar e tentar encontrar uma alternativa que
seja viável", avalia o relator.
No colegiado, o relator apresentou
e aprovou pedido para a realização de audiências
públicas nos dias 26 e 31 de março e 2 e 7 de abril. Leia
mais
Negociação
e urgência
A necessidade de ampliar a discussão do tema é baseado no fato
de a matéria ser relevante e busca corrigir um dispositivo que não
alcançou, na prática, os objetivos para os quais foi instituído
e que atualmente penaliza aos trabalhadores do Regime Geral da Previdência
Social, no momento da aposentadoria.
Além da realização
das audiências para a busca de entendimento em torno do assunto,
há um requerimento - 4.135/09, apresentado pelo deputado João
Dado (PDT/SP), que pede a apreciação, com urgência
do PL 3.299/08, no plenário. Caso o requerimento seja aprovado,
os pareceres das comissões pendentes - Finanças e Tributação,
e de Constituição e Justiça - serão proferidos
no plenário da Câmara.
A matéria é polêmica
e enfrenta resistência de aprovação por parte do
Governo, que não quer simplesmente acabar com o fator sem que
haja um limitador para as aposentadorias dos trabalhadores, muitas delas,
no entendimento do Ministério da Previdência, precoces.
Fórmula
95
Uma das alternativas propostas para amenizar a regra do fator previdenciário,
já que a eliminação do redutor das aposentadorias está descartada, é a
chamada fórmula 95.
A fórmula consiste em
não aplicar o fator previdenciário quando a soma da idade
do segurado com o tempo de contribuição for igual ou maior
que 95, para homem, e 85, para mulher - considerando que o tempo mínimo
de contribuição é de 35 anos (homem) e 30 anos (mulher).
Caso a soma seja inferior ao
valor estipulado, o aposentado continua sob as regras do fator previdenciário,
portanto, tendo no cálculo da sua aposentadoria a aplição
do redutor do benefício.
A versão inicial do substitutivo
proposto pelo deputado Pepe Vargas garante também ao segurado
requerer a aposentadoria ao atingir o tempo mínimo de contribuição
sem a exigência de idade mínima para se aposentar. Assegura
também vantagens caso o aposentado permaneça na ativa e
a soma da idade e do tempo de contribuição exceda a fórmula
95.
O parlamentar propõe ainda
a manutenção da regra atual referente ao Período
Básico de Cálculo do salário de benefício,
ou seja, a média aritmética dos 80% dos melhores salários
de contribuição, aferidos num período que remonta
ao início do Plano Real - julho de 1994.
Garantia
de sanção
Ao defender o substitutivo, o relator pondera que a alternativa é a "garantia
mínima de que o governo não irá vetar" uma proposta
discutida e aprovada pelo Congresso. "O Governo aceita discutir alternativas,
mas não concorda com o fim do fator previdenciário", afirma.
O principal argumento contrário
do Governo ao fim da extinção do fator previdenciário é de
que haverá um rombo nos cofres públicos, pois o fator foi
criado como alternativa de controle de gastos da Previdência Social,
de forma a assegurar a redução no valor dos benefícios
de maneira inversamente proporcional à idade de aposentadoria
do assegurado.
"Essa regra que estamos
construindo garante um cenário de estabilidade nas contas da Previdência
até o ano de 2030. Pela nova regra, o trabalhador tende a ficar
4 anos e meio a mais contribuindo, para se aposentar com o valor integral.
Se decide ficar mais, isso gera receita para a Previdência e equilíbrio
das contas", garante Pepe.
Avanço
Para o senador Paulo Paim, a "fórmula 95" não é a
ideal, mas representa avanço. "Não dá é para
ficar como está, com a regra do fator previdenciário sendo aplicada".
Os trabalhadores devem se mobilizar pelo fim da aplicação do
fator, que penaliza, principalmente, quem começa a trabalhar mais cedo.
Para ser sancionado e transformar-se
em lei, o projeto precisa ser aprovado nas comissões de Finanças
e Tributação, e de Constituição e Justiça
e de Cidadania, bem como no plenário. Caso seja modificado na
Câmara, a matéria deverá passar por nova apreciação
no Senado.
Por que
os trabalhadores são contra o fator
De maneira didática, a professora Silvia Barbára, diretora da
Fecesp e colaboradora do DIAP, explica porque os trabalhadores são contra
a aplicação do fator previdenciário no cálculo
das aposentadorias mantidas pelo INSS.
Segundo Silvia, o primeiro argumento é que
esse mecanismo (fator previdenciário) não foi criado para
retardar o pedido de aposentadoria, mas simplesmente para que o INSS
gastasse menos com os segurados.
A Constituição
garante aposentadoria aos 35 anos de contribuição (homem),
30 anos (mulher e professor de educação básica)
e 25 anos (professora de educação básica).
Pelos cálculos já atualizados
com a expectativa de vida de 2007 e considerando que uma pessoa tenha
começado a contribuir para o INSS aos 18 anos, só recebe
a aposentadoria integral quem trabalhar por 46 anos (homem); 41 (mulheres)
e 36 anos (professoras de educação básica).
Em razão da grande diferença
entre o que garante a Constituição e o que impõe
a regra do fator, ninguém retarda a aposentadoria. Simplesmente,
o trabalhador se aposenta com um benefício com valor muito abaixo
do que contribuiu durante a vida.
Redução
das aposentadorias
Ainda segundo Silvia, as aposentadorias concedidas desde dezembro de 2008 têm
sido em média 0,55% menor, uma queda ligeiramente mais acentuada do
que em 2007, quando o valor das novas aposentadorias por tempo de contribuição
caíram cerca de 0,52%.
Em determinadas faixas etárias,
a perda pode chegar a quase 1%. O maior rebaixamento está concentrado
entre os trabalhadores com 60 anos de idade (-0,95%), seguidos de quem
decide se aposentar aos 57 e 54 anos.
A diferença ocorre porque
o IBGE calcula a expectativa de vida em cada faixa etária e, em
algumas delas, o aumento de sobrevida foi mais significativo.
Antecedentes
históricos
Consolidado na Lei 9.876, o fator previdenciário teve origem no PL 1.527/99.
No Senado, tramitou como PLC 46/99. Parte integrante da reforma da Previdência
do Governo Fernando Henrique Cardoso, o fator traduz-se em uma regra matemática
aplicada ao cálculo da aposentadoria por tempo de contribuição
que reduz o valor do benefício a que tem direito o trabalhador.
Definido por quatro variáveis:
idade, tempo de contribuição, percentual de contribuição
e expectativa de vida do trabalhador no momento da aposentadoria, o fator é responsável
por uma redução de mais de 30% dos benefícios previdenciários
para os homens e de mais de 35% para as mulheres.
A lógica do fator, portanto,
consiste na redução da aposentadoria sem a contrapartida
de diminuição das contribuições. O trabalhador
continua recolhendo até o limite de 11% de seu salário,
sem a garantia expressa de uma aposentadoria que corresponda à média
integral das contribuições efetuadas.
A despeito da necessidade de
adequar o sistema previdenciário aos impactos atuarial e financeiro
da evolução demográfica, há dez anos, o fator
previdenciário contém despesas da Previdência Social,
principalmente com as aposentadorias por tempo de contribuição,
mediante a redução do seu valor ou o retardamento de sua
concessão.
Também corrobora para
a redução constante do benefício previdenciário
o fato de que todos os anos, no mês de dezembro, o IBGE divulga
nova tabela de sobrevida, que é a base de cálculo do fator.
Como os dados do instituto, a cada ano apontam uma contínua elevação
do tempo médio de vida dos brasileiros, conseqüentemente,
o valor das aposentadorias sofre considerável redução
anualmente.
Discussão
no Senado
No dia 8 de novembro de 1999, o DIAP, representado pelo Diretor Técnico
Ulisses Riedel, participou dos debates que antecederam a sanção
da lei que criou o fator previdenciário.
Na audiência, realizada
pela Comissão de Assuntos Sociais, Riedel disse que projeto se
mostrava extremamente perverso aos trabalhadores, especialmente para
os que começaram a trabalhar mais cedo.
Riedel citou artigo do ex-ministro
da Previdência Social, Reinhold Stephanes, publicado no jornal
A Gazeta do Povo, de Curitiba, no mês de outubro daquele ano, em
que ele [Stephanes] afirmava: "pelo critério atual, o segurado
que completar 35 anos de contribuição tem direito a receber
100% do salário de benefício, o qual corresponde à média
dos últimos 36 salários de contribuição para
a Previdência. No novo critério [com adoção
do fator previdenciário], esse segurado com 35 anos de contribuição
e 53 anos de idade, para que tenha o mesmo benefício, terá de
contribuir por mais sete anos".
"Essa é a palavra
insuspeita do ex-ministro da Previdência Social, uma pessoa capacitada,
gabaritada, que entende do assunto e mostra, de uma forma muito clara,
muito absoluta e verdadeira, que existe um grande prejuízo",
disse Ulisses.
Riedel destacou também
o relatório elaborado pelo então deputado Antonio Britto,
membro da base governista e relator da Comissão Especial da Câmara
que estudou o Sistema Previdenciário. Para Britto, há sinais
de um verdadeiro caos na Previdência Social, por culpa dos governantes,
da falta de planejamento e de soluções que não atacam
a origem dos problemas.
Ao finalizar sua intervenção,
Ulisses Riedel destacou outras palavras de Stephanes para quem a "conclusão
era a de o fator previdenciário proposto, além de não
atender à boa técnica e doutrina universal, não
cumpriria seu objetivo, além de contrariar o princípio
constitucional da equidade. Torço para que o bom senso e a lógica
prevaleçam sobre os velhos hábitos de contornar os problemas,
sem resolvê-los em sua origem".
Votações
O projeto que criou o fator previdenciário (PL 1.527/99) foi votado
e aprovado na Câmara dos Deputados na sessão realizada em 6 de
outubro de 1999. O
placar da votação registrou 301 votos favoráveis e 157
contrários.
No Senado, o fator (PLC 46/99)
também foi aprovado em 1999, na sessão do dia 17 de novembro. O
placar de votação registrou 46 votos favoráveis
e 22 contrários.
*Jornalista e assessor do Diap.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de março de 2009 | Economia
Governo corta R$ 21 bilhões
do Orçamento e prevê PIB de 2%
Agência Estado
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou nesta tarde o corte de
R$ 21,6 bilhões do Orçamento e a previsão de crescimento
econômico em 2009 para 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A inflação
esperada para o ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor
Amplo, é de 4,5%; a Selic média, de 10,80%; e a taxa de câmbio
média, de R$ 2,30.
O governo decidiu também
manter a meta de superávit primário em 3,8% do PIB, mas
Paulo Bernardo explicitou que para alcançar esta meta será necessário
utilizar a margem do Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que pode
chegar a até 0,5% do PIB.
O decreto de programação
financeira divulgado pelo Ministério do Planejamento prevê que
as receitas neste ano vão somar R$ 756,9 bilhões, o equivalente
a 24,48% do PIB. O volume é R$ 48,4 bilhões menor do que
o previsto anteriormente pelo governo. A carga tributária anteriormente
esperada pelo Planejamento era de 25,52% do PIB.
De acordo com os cálculos
do governo, a receita líquida em 2009 será de R$ 629,7
bilhões, o equivalente a 20,37% do PIB. Antes, o governo previa
que a receita líquida, que já desconta as transferências
a Estados e municípios, seria de R$ 662,1 bilhões em 2009,
o equivalente a 20,98% do PIB.
Do lado das despesas, o
governo prevê para este ano gastos de R$ 600,4 bilhões,
o equivalente a 19,42% do PIB. A queda em termos nominais é de
R$ 9,4 bilhões, mas, em relação ao PIB, houve
aumento de 0,1 ponto porcentual ante a projeção anterior.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
março de 2009 | Economia
Desemprego pesa e cheque sem fundo
cresce 19,7%
São Paulo - O volume de cheques sem fundo no Brasil aumentou 19,7% no
primeiro bimestre de 2009, na comparação com o mesmo período
de 2008, informou ontem o indicador Serasa Experian de cheques sem fundo. De
acordo com o indicador, nos dois primeiros meses de 2009, foram devolvidos
23,1 cheques para cada mil compensados. Em janeiro e fevereiro de 2008, essa
relação foi de 19,3.
Nos dois primeiros meses de 2009,
houve um total de 4,60 milhões de cheques devolvidos e 199,37
milhões de compensados. Segundo os técnicos da Serasa Experian,
o aumento da inadimplência com cheques se deve ‘‘ao
maior endividamento de parte da população, às despesas
sazonais de início de ano (como IPTU, IPVA e gastos escolares)
e à redução do número de empregos formais
no último trimestre de 2008’’.
‘‘O desemprego é fator
determinante para a inadimplência’’, informa a entidade,
que pondera que, apesar da devolução em alta, ‘‘os
cheques ainda apresentam uma das menores inadimplências do mercado’’.
No mês passado, foram devolvidos 2,19 milhões de cheques,
e compensados 94,39 milhões.
Em relação à inadimplência
dos cheques por Estados, o Acre apresentou o maior número (102,4)
de devoluções a cada mil compensados nos dois primeiros
meses deste ano. Na outra ponta, São Paulo registrou o menor volume,
com 17,8 cheques devolvidos a cada mil compensados. Abaixo da média
nacional (23,1), ainda aparecem Pernambuco (22,8), Minas Gerais (21,6),
Paraná (20,9), Santa Catarina (20,3), Rio (19), São Paulo
(17,8).
Por regiões, a Norte apresentou índice
de 53,7, seguido pela Nordeste (37,6), Centro-Oeste (31,3), Sul (22,3)
e Sudeste (19).
Das Agências
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de março de 2009 | Economia
Paulo Bernardo garante que PAC não
será afetado
Agência Brasil
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, assegurou a pouco que os investimentos
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não serão
afetados pelo corte de R$ 21,6 bilhões no Orçamento da União
deste ano. Segundo ele, o governo cortará investimentos, mas procurará manter
os gastos previstos com programa.
O ministro também disse
que o governo ainda não tomou nenhuma decisão sobre a possibilidade
de usar os R$ 14,2 bilhões do Fundo Soberano para manter o nível
dos investimentos públicos. "A definição dos
cortes passou ao largo dessa questão (do fundo)", afirmou.
Em relação ao
Pacote de Habitação Popular, cujo lançamento está previsto
para este mês, Paulo Bernardo afirmou que ele será preservado
pelo governo, até porque como o programa ainda está em
elaboração, as desonerações e os subsídios
não constam da nova programação orçamentária
De acordo com o ministro, até o
dia 30 o governo definirá a distribuição dos cortes
no Orçamento por ministérios. Por enquanto, só ficou
acertado o valor global do contingenciamento.
No final de janeiro, o
Ministério do Planejamento tinha anunciado a intenção
de cortar R$ 37,2 bilhões do Orçamento 2009. Com a redução
para 2% na estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB),
o bloqueio final foi reduzido para R$ 21,6 bilhões.
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Agência Senado, 20
de Março de 2009
Banco do Brasil e Caixa defendem
cadastro positivo para reduzir os juros no país
Os presidentes do Banco do Brasil,
Antonio Francisco de Lima Neto, e da Caixa Econômica Federal, Maria
Fernanda Ramos Coelho, defenderam no Senado, nesta quarta-feira (18),
que o Congresso aprove a legalização do chamado "cadastro
positivo" de bons pagadores como um dos caminhos para reduzir os
juros cobrados dos consumidores. O projeto está na Câmara
dos Deputados.
Em audiência pública
realizada em conjunto pela Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE) e pela Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira e
da Empregabilidade, os dois afirmaram ainda que a portabilidade da conta
corrente dos servidores públicos, que será efetivada em
fevereiro de 2012, também contribuirá para a queda dos
juros. Essa portabilidade permitirá que o servidor escolha em
qual banco ele quer receber seu salário.
Os presidentes da CAE, senador
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e da Comissão da Crise, senador
Francisco Dornelles (PP-RJ), decidiram promover audiências públicas
sobre taxas de juros para apresentar ao Congresso sugestões para
sua redução.
O presidente do BB, Lima Neto,
informou que a inadimplência é responsável por 38%
do spread da instituição - spread é a diferença
entre as taxas de juros pagas aos aplicadores e aquelas cobradas de quem
toma empréstimo. Ele acredita que a inadimplência entre
as pessoas do "cadastro positivo" deverá ser "bastante
reduzida", refletindo nas taxas de juros para essas pessoas. Maria
Fernanda lembrou que, graças ao crédito consignado no serviço
público (a prestação do empréstimo é paga
ao banco diretamente pelo órgão público), existem
bancos que baixaram suas taxa para 0,99% ao mês.
A presidente da Caixa informou
ainda que, mesmo com a elevada inadimplência, a Caixa e o Banco
do Brasil cobram as menores taxas de juros dos consumidores, conforme
levantamento do Procon. A Caixa cobra 4,39% ao mês nos empréstimos
pessoais, enquanto no Banco do Brasil a taxa é de 4,6%. Detalhe:
o mesmo levantamento, apresentado por Maria Fernanda revela que existe
banco que cobra 12,3% ao mês. A inflação de fevereiro
foi de 0,55%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), do IBGE.
Lima Neto e Maria Fernanda apresentaram
dados para comprovar que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica
Federal aumentaram o crédito depois de deflagrada a crise financeira
internacional, em setembro último, ao contrário dos bancos
privados. O BB chegou a elevar o crédito em 41% em 2008, comparando-se
com 2007. Entretanto, as instituições financeiras públicas
do país só atendem a 36,5% de todo o crédito oferecido
no país, cujo total chega a R$ 1,22 trilhão.
Na área habitacional,
a Caixa responde por 75,8% de tudo que é oferecido no país.
Maria Fernanda informou que, por decisão do governo, o total da
Caixa em habitação subiu de R$ 17 bilhões em 2004
para atuais R$ 46 bilhões ao ano.
- A Caixa assina todo dia 2.903
contratos de financiamento de imóveis - informou.
Eli Teixeira / Agência
Senado
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Folha Online, 20 de Março
de 2009
Juro básico não se
sustenta abaixo de 10%, diz banco
Em meio a discursos de que o Brasil tem na crise uma oportunidade histórica
para colocar o juro básico em uma casa decimal, o estrategista-chefe
do banco WestLB Brasil, Roberto Padovani, avalia o movimento de baixa como
provisório. Para ele, a taxa de juro que permitiria o equilíbrio
ideal entre pressões inflacionárias e estímulo à atividade
econômica no Brasil é de 10%.
A taxa básica, a Selic,
referência para os juros praticados no mercado, está fixada
em 11,25% ao ano, após a redução de 1,5 ponto percentual
feita pelo Copom (Comitê de Política Monetária),
na semana passada.
A expectativa do mercado é que
os cortes na Selic continuem sendo feitos para estimular a atividade
econômica. Já há contratos no mercado futuro firmados
desde a semana passada que consideram a taxa abaixo de 10% no fim do
ano.
Para Padovani, o juro básico
chegará a 8,75% neste ano. Ele considera a atuação
do Copom correta, mas insustentável no longo prazo. Para ele,
em 2010 o comitê terá de voltar a elevar os juros para conter
a inflação.
Segundo Padovani, há três
fatores fundamentais na determinação da Selic que apontam
sinais contrários à manutenção do juro baixo.
O primeiro é a falta de liquidez no sistema financeiro. A limitação
de crédito cria uma tendência de alta nos juros para adequar
oferta e demanda por empréstimos.
Outro fator é a pressão
da dívida pública. De acordo com Padovani, o Brasil não
tem feito avanços significativos no alongamento da dívida,
e, com a perspectiva de aumento dos gastos públicos, cria-se pressão
para manutenção dos juros em um patamar elevado.
Avanços produtivos, como
cortes de impostos e melhorias na estrutura logística, também
não são percebidos pelo estrategista de forma significativa.
Tais avanços aumentariam o potencial de crescimento e permitiriam
a redução dos juros. "Tudo leva a crer que teremos
patamares mais altos de juros".
Padovani parece que esqueceu
um aspecto importante dos juros estratosféricos no País.
A remuneração do capital financeiro o especulativo. Esta é uma
das principais razões de os juros básicos resistirem
a uma retração mais drástica.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de março de 2009 | Economia
BID assina empréstimo de US$
1 bilhão para o BNDES
Agência Estado
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Luciano Coutinho, e o representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) no Brasil, José Luis Lupo, assinaram nesta quinta-feira contrato
pelo qual o BID empresta US$ 1 bilhão à instituição
brasileira para que esta financie micro e pequenas empresas. O contrato corresponde à última
tranche de convênio pelo qual o BID já liberou outras duas parcelas
de US$ 1 bilhão em 2007 e 2008, com contrapartidas de mesmo valor por
parte do BNDES para crédito a micro e pequenas empresas.
Mais um convênio nos mesmos
moldes e valores está em negociação, também
para três anos. Coutinho e Lupo consideraram mais provável
que o primeiro US$ 1 bilhão do próximo convênio seja
liberado só em 2010, mas Coutinho quer antecipar para este ano. "Esperamos
fazer esforço para antecipar para 2009 esse recurso do segundo
convênio. Não queríamos deixar só para 2010",
disse Coutinho. Ele ressaltou que os recursos do BID para micro e pequenas
empresas "são estruturalmente importantes e agora também
conjunturalmente importantes", devido à crise global de retração
do crédito privado.
Lupo informou que o BID prevê a
aprovação de mais US$ 3 bilhões por ano para o Brasil
de 2009 a 2011. Frisou a palavra aprovação, esclarecendo
que a liberação deve se dar no ano que vem. Do total previsto
até 2011, um terço seria para o próximo convênio
a ser assinado com o BNDES, também para micro e pequenas empresas;
outro para infraestrutura e mais outro para um programa do BID voltado
para cidades. "O efeito mais preocupante da crise é sobre
os postos de trabalho", disse Lupo, que lembrou que micro e pequenas
empresas, em conjunto, criam muitos empregos.
Coutinho lembrou que as
autoridades brasileiras têm defendido que as instituições
multilaterais, como o BID, sejam reforçadas, inclusive em seus
orçamentos, para poderem ampliar seus empréstimos nesse
período de retração do crédito.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de março
de 2009 | Política
450 mil perdem Bolsa Família
O número de benefícios bloqueados
no final de 2008 foi recorde
Brasília - O governo federal cancelou 451.021 pagamentos do Bolsa Família
entre outubro de 2008 e fevereiro de 2009. São benefícios que
estavam sendo concedidos a famílias que haviam alcançado uma
renda superior à exigida pelo programa ou que não atualizaram
seus dados cadastrais até dezembro de 2008.
Nesse período, o Ministério
do Desenvolvimento Social, responsável pelo programa, bloqueou
os pagamentos e informou às famílias que deveriam procurar
o gestor local para atualizar suas informações. Do número
inicial de pagamentos bloqueados (622.476), 171.455 comprovaram que estavam
dentro do perfil do programa e foram mantidos.
As mais de 400 mil vagas no Bolsa
Família não serão fechadas. Outras famílias
que compõe o perfil de renda exigido e já estão
no Cadastro Único serão selecionadas para passar a receber
o benefício. São Paulo foi o Estado onde houve mais cancelamentos,
100.264 famílias. Minas Gerais vem em segundo, com 59.949. Roraima
foi o que teve o menor número, apenas 734.
O número de benefícios
bloqueados no final de 2008 foi recorde para o programa, mais de 70%
acima do registrado no ano anterior. Fruto de um cruzamento com a Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), em que constam os
trabalhadores com carteira assinada no País, a avaliação
do ministério é que o número era fruto do crescimento
econômico do País, com mais pessoas encontrando vagas no
mercado formal de trabalho.
A expectativa para 2009 era que
esse número crescesse ainda mais, mas a atual crise econômica
frustrou as previsões. Ao contrário, o governo federal
decidiu, em janeiro, aumentar de R$ 120 para R$ 137 a renda familiar
per capita das famílias que podem ser atendidas pelo programa.
Com isso, outras 1,8 milhão serão beneficiadas a partir
deste ano.
Atualmente, o programa atende
11,1 milhões de famílias. A previsão é de
que, com o reajuste do teto de renda, esse número chegue a 12,9
milhões. O Bolsa Família paga para as famílias extremamente
pobres um benefício fixo de R$ 62. Além disso, são
pagos outros R$ 20 por criança entre 0 e 15 anos, em um limite
de três por família, e mais R$ 30 por jovem de 16 e 17 anos,
em um máximo de dois. Os valores dos benefícios, já reajustados
em junho do ano passado, não serão aumentados agora.
Lisandra Paraguassú
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 20 de Março
de 2009
Aprovação a Lula cai
pela 1ª vez no segundo mandato
Taxa diminui de 70% para 65%, índice
semelhante ao existente no início da crise | Apesar da queda,
aprovação permanece mais alta que as taxas obtidas
por todos os demais presidentes desde a redemocratização
do país
DA REDAÇÃO
Com a crise econômica,
a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva sofreu a primeira queda desde o início do segundo
mandato. A taxa de aprovação caiu de 70%, em novembro do
ano passado, para 65%, em pesquisa concluída ontem pelo Datafolha.
Até então, a aprovação ao governo seguia uma trajetória
ascendente: 48% em março de 2007, 50% em novembro, 55% em março
de 2008, 64% em setembro até chegar a 70% de ótimo/bom em novembro
_patamar que nenhum outro presidente brasileiro alcançou desde a redemocratização
do país.
Para efeito de comparação, o então presidente Fernando
Henrique Cardoso atingiu no máximo 47% de ótimo/bom em 1996,
no auge da popularidade trazida pelo Plano Real.
De 0 a 10, a nota média atribuída ao governo Lula também
caiu _de 7,6, em novembro, para 7,4, índice que ainda supera os 7,0
da pesquisa de setembro.
O presidente permanece com grande aprovação entre os eleitores
que tem a escolaridade fundamental _68% de ótimo/bom (quatro pontos
a menos que na pesquisa anterior. No estrato com escolaridade superior, a taxa
permaneceu rigorosamente estável em 64%.
Entre os brasileiros de menor renda, a avaliação positiva caiu
de 71% para 66%. Também houve queda na faixa superior de renda _de 63%
para 58%.
Em termos regionais, o Nordeste continua sendo a principal área de apoio
a Lula, com 77% de aprovação _quatro pontos a menos que no levantamento
anterior. A região concentra, como afirmou recentemente a ministra Dilma
Rousseff, 52% dos beneficiários do Bolsa Família e 40% dos atendidos
pelo Luz para Todos.
A seguir aparecem as regiões Norte/Centro-Oeste, com 64% de aprovação
(nove pontos a menos); o Sudeste, com 60% (seis pontos a menos); e o Sul, com
57% (dois pontos a menos que na pesquisa de novembro).
A pesquisa reflete o aprofundamento da crise econômica no Brasil. Em
janeiro deste ano, a produção industrial caiu 17,2% em relação
a igual mês de 2008. Já os gastos do governo federal com o seguro-desemprego
subiram 25% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo
período do ano passado.
Crise
O Datafolha revela que, desde novembro, o percentual de brasileiros que tomaram
conhecimento da crise aumentou de 72% para 81%. Destes últimos, porém,
somente 19% dizem estar bem informados a respeito. A taxa dos que não
tomaram conhecimento da crise recuou de 27% para 19%.
Também cresceu bastante a percepção de que o Brasil de
um modo geral será muito prejudicado pela crise financeira mundial,
que subiu de 20% para 31%. Ainda predomina, porém, a opinião
de que o país será um pouco prejudicado pela crise, embora essa
taxa tenha se reduzido de 58% para 55%.
Apesar disso, a queda na aprovação de Lula não é proporcional à gravidade
da crise. Esse descolamento parcial entre a piora no cenário econômica
e a avaliação do governo federal já tinha ficado evidente
na pesquisa de novembro _quando a redução da atividade econômica
já provocava um recuo de 7,2% na produção industrial somente
naquele mês.
Isso acontece porque a avaliação do desempenho do presidente
Lula diante da crise continua positiva, ainda que em um grau menor que antes.
Em novembro, 49% aprovavam a atuação de Lula no combate aos efeitos
da crise. Agora, essa taxa diminuiu para 43%. Já a taxa de reprovação
ao seu desempenho subiu de 9% para 13%, assim como a avaliação
regular, que passou de 30% para 36%.
A pesquisa Datafolha é um levantamento por amostragem com abordagem
em pontos de fluxo populacional, com cotas de sexo e idade e sorteio aleatório
dos entrevistados. Nesta pesquisa, realizada de 16 a 19 de março, foram
ouvidos 11.204 brasileiros com 16 anos ou mais em 371 municípios de
25 unidades da Federação. A margem de erro desse tipo de levantamento é de
dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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Folha de S.Paulo, 20 de Março
de 2009
FOCO
TSE pede R$ 250 milhões a Lula para
modernizar urna eletrônica para 2010
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto, pediu ontem ao presidente Lula
R$ 250 milhões para modificar a urna eletrônica para as
eleições de 2010. A Justiça Eleitoral quer ampliar
dos atuais 43 mil para 4 milhões de eleitores o cadastro biométrico,
que permite a identificação do eleitor para o voto com
a impressão digital.
Britto disse que essa modificação é o primeiro passo para
a adoção de uma carteira única de documento. Ela também
acabará com a justificativa por ausência do domicílio eleitoral,
já que o eleitor poderá votar em qualquer lugar do país.
Nas eleições de 2008, em projeto-piloto do TSE, três cidades
votaram pelo novo mecanismo: Fátima do Sul (MS), Colorado do Oeste (RO)
e São João Batista (SC).
" O cadastro biométrico significa mais um passo em direção
ao aperfeiçoamento do processo eleitoral, evitando fraudes. Para isso,
precisamos construir 100 mil urnas eletrônicas biométricas já agora
em 2009", disse Britto. Segundo ele, Lula foi "extremamente receptivo" à proposta.
O ministro afirmou que a ideia é que até a eleição
de 2014 todos os eleitores votem com a impressão digital.
Britto disse que as cidades que terão voto com impressão digital
no ano que vem ainda não foram definidas, mas a prioridade será dada
a regiões que apresentam problemas com o sistema atual.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de março de 2009 | Economia
Crise afeta arrecadação
de impostos ligados à produção
Agência Estado
A crise financeira internacional impactou fortemente a arrecadação
de impostos ligados à produção e à lucratividade
das empresas. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pela Receita
Federal, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) teve uma queda
de 19,7% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período
do ano passado. A redução na Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido (CSLL) foi de 2,46% na mesma base de comparação.
Já a arrecadação
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis
teve uma queda de 91,86% em função da redução
da alíquota para o período de janeiro a março deste
ano - a nova tabela de IPI também foi aplicada ao estoque de veículos
que não foram vendidos até 12 de dezembro de 2008.
A queda do IPI Outros foi de
26,11% em função, segundo a Receita, da queda da produção
industrial. Já as receitas geradas com a arrecadação
do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) registraram uma retração
de 13,25% e 18,38%, respectivamente, no primeiro bimestre deste ano.
O Imposto de Renda da Pessoa
Física (IRPF) registrou queda de 18,56% no acumulado dos dois
primeiros meses de 2009, principalmente no item referente a ganhos de
capital e ganhos líquidos em bolsa que, no ano passado, puxaram
os ganhos de arrecadação desse tributo. A arrecadação
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) teve leve
baixa de 0,64% em relação ao primeiro bimestre de 2008.
Já as receitas que registraram
crescimento foram: Imposto de Importação (II), com alta
de 4,24%; o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimento de capital
(25,85%) e Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos do trabalho
(4,61%).
A Receita Federal destaca
que o resultado do primeiro bimestre também foi afetado negativamente
pelo fim da CPMF. Apesar de ter sido extinta em janeiro do ano passado,
a arrecadação naquele mês ainda recebeu um reforço,
de R$ 875 milhões (a preços correntes), dessa contribuição
relativo aos fatos geradores em dezembro de 2007.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
março de 2009 | Política
Ministros querem contratação
pela CLT
Brasília - Quatro ministros fizeram ontem um apelo ao presidente da
Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para a aprovação de um
projeto de lei complementar que permite a contratação de servidores
públicos, mediante concurso, sob as regras da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho). Estiveram lá os ministros José Temporão
(Saúde), Fernando Haddad (Educação), Juca Ferreira (Cultura)
e Luiz Eduardo Barreto (Turismo).
A proposta do Executivo cria
fundações estatais de direito privado que teriam a prerrogativa
de contratar os novos servidores.
Atualmente, os servidores públicos
federais são regidos pela lei 8.112, que dificulta a exoneração
daqueles contratados por concurso público. Com a mudança,
os funcionários do governo federal passam a ser regidos pela CLT
e perdem automaticamente a chamada ''estabilidade'' prevista no modelo
em vigor.
Além da agilidade para
a contratação e demissão dos servidores, as fundações
estatais vão ter a prerrogativa de agilizar a compra de materiais
-que no serviço público em geral ocorre após longos
processos de licitação.
Os ministros aproveitaram a ''brecha''
encontrada por Temer para colocar em votação no plenário
da Câmara matérias não ordinárias, como projetos
de lei complementar, para fazer um apelo pela análise do texto.
Eles argumentam que, com a aprovação do projeto, os ministérios
terão mais facilidade para contratar servidores em regime de urgência.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de março de 2009 | Política
TSE cria projeto para eleitor votar
em qualquer cidade
Agência Estado
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto,
apresentou nesta quinta-feira (19) ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva um projeto que permitirá a todos os eleitores votarem em qualquer
cidade que estiverem no dia da eleição. Por meio de um cartão
eletrônico, com chip e informações digitais, o eleitor
não precisará justificar o voto. Atualmente, o TSE possui informações
biométricas de 43 mil eleitores de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul
e Rondônia. A meta é ampliar para 4 milhões ainda neste
ano. O presidente do TSE pediu a Lula uma verba de R$ 250 milhões neste
ano para a compra de 100 mil urnas adaptadas para o novo processo, que seriam
as urnas biométricas, que reconhecem o eleitor pela digital.
Ele estima que na eleição
de 2014 mais de 130 milhões de eleitores, praticamente a totalidade
do eleitorado brasileiro, já votarão por esse processo.
Ayres Britto explicou que o chip poderá incluir também
dados da carteira de identidade, da carteira de motorista, da carteira
previdenciária e outros documentos do brasileiro. "É uma
revolução. É espetacular", avaliou.
O presidente Lula demonstrou
entusiasmo com a proposta, segundo relato de Ayres Britto, pois trata-se
de "colocar a informática a serviço do processo
eleitoral, da ética, da democracia e do combate ao crime e à fraude." O
presidente do TSE observou que a Polícia Federal já trabalha
num projeto de registro único e que o TSE fará um convênio
com a PF para agilizar e facilitar a mudança. "Isso significa
mais um passo para a autenticidade do processo democrático",
disse.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de março de 2009 | Política
Com 181 diretores, Senado quer cortar
total pela metade
Agência Estado
Diretoria de check in, para facilitar o embarque dos senadores nos aeroportos,
diretoria de visitação, para acompanhar a visita de turistas
ao Senado, e ainda uma outra apenas para cuidar das comunicações
por rádio em ondas curtas. O Senado tem 181 diretores em seu quadro
funcional, o que representa mais de dois para cada um dos 81 senadores. Segundo
o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a ideia é reduzir
pela metade o número de cargos de direção na reestruturação
administrativa que será promovida na Casa. O que significaria que, depois
da reforma, o Senado terá em média um diretor por senador.
A profusão de diretores é tão
grande que, por ironia, a própria direção do Senado
teve dificuldades para levantar o número exato. Na terça-feira,
depois que Sarney determinou o afastamento dos funcionários dos
cargos, foi divulgado que a medida atingiria 131 pessoas, depois 136.
Ontem o número variou algumas vezes até fechar em 181.
Tantos cargos exigiram criatividade na hora de designá-los. A
diretoria de check in, por exemplo, é conhecida oficialmente pelo
nome de "coordenação de apoio aeroportuário".
Uma das diretorias é ocupada por uma jornalista que faz as vezes
de assessora da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).
A maioria dos diretores
ganha em torno de R$ 20 mil, mas muitos, pela antiguidade como funcionários
de carreira do Senado, recebem o teto, R$ 24,5 mil. A expectativa é que
a reestruturação administrativa seja concluída
em seis meses. O anúncio da reforma foi feito ontem por Sarney,
em mais um ato político para tentar dar a resposta às
denúncias de irregularidades na Casa.
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Gazeta do Povo, 20 de Março
de 2009
50 diretores do Senado são
exonerados
Em meio à onda de denúncias que arranhou a imagem do Senado nas últimas
semanas, o primeiro-secretário da instituição, Heráclito
Fortes (DEM-PI), determinou ontem a exoneração imediata de 50
dos 181 diretores que integram o comando da Casa Legislativa.
No ato assinado por Heráclito,
o senador pede que o diretor-geral da instituição, Alexandre
Gazineo, adote as “providências necessárias” para
a imediata exoneração de ocupantes de 50 cargos de direção
ou função equivalente.
“Estamos procurando desde
o primeiro momento tomar medidas para que os ajustes sejam feitos, inclusive
tendo em vista a crise econômica que o país enfrenta, e
o Senado tem por obrigação, numa hora como essa, dar o
exemplo. Evidentemente que a sucessão de fatos, o interesse da
opinião pública através da imprensa, em querer resultados
dos fatos ocorridos, tem nos tirado do foco dos nossos objetivos”,
afirmou.
No ato, que entra em vigor hoje,
Heráclito também determina que o diretor-geral recolha
os carros oficiais utilizados pelos diretores da Casa – com exceção
da diretoria-geral e da Secretaria-Geral da Mesa.
O texto também pede que
Gazineo apresente um plano de redução adicional de cargos
de direção no Senado.
Irritados com as denúncias
contra o Senado, vários parlamentares ocuparam a tribuna da Casa
ontem para protestar contra o excesso de diretores da instituição.
O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), disse que
o Senado conseguiu produzir até “diretor de rinha de galo” – numa
ironia aos 181 servidores que ocupam cargos de diretoria.
Para o senador José Agripino
Maia (DEM-RN), as denúncias desestimulam os parlamentares a permanecerem
na Casa. “O que está ocorrendo no Senado hoje é uma
coisa que denigre o currículo dos que aqui estão, que são
pessoas com história. Neste momento, não está valendo
muito a pena ser senador, não. Perante a opinião pública,
há exemplos que são postos que nivelam por baixo a Casa.”
Viana
Acusado de emprestar para a filha
um celular do Senado utilizado durante viagem ao México, o senador
Tião Viana (PT-AC) subiu à tribuna da Casa ontem para rebater
acusações de que teria extrapolado seus gastos com saúde
ressarcidos pela instituição. Irritado com o que classificou
de “onda de denúncias anônimas”, o parlamentar
leu o extrato dos seus gastos com saúde nos últimos dez
anos para tentar comprovar que não exorbitou nas despesas.
Viana disse ter gasto cerca
de R$ 43 mil entre os anos 2000 e 2008 em despesas médicas e
odontológicas. Só em 2007, quando foi submetido a uma
cirurgia.
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Vermelho, 20 de Março
de 2009
Veja as 18 restrições
impostas pelo STF aos índios da Raposa Serra do Sol
O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou por 10 votos a 1 nesta quarta-feira
(19) a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol. Os
ministros definiram a proibição da presença dos não-índios
na reserva indígena. Porém, impuseram 18 restrições
que terão de ser respeitadas pelos índios que habitam a reserva,
uma vez que a terra pertence à União, embora seja de usufruto
dos indígenas.
Veja as 18 restrições aprovadas
pelo STF
1 — O usufruto das riquezas
do solo, dos rios e dos lagos existentes nas terras indígenas
pode ser suplantado de maneira genérica sempre que houver como
dispõe o artigo 231 (parágrafo 6º, da Constituição
Federal) o interesse público da União na forma de Lei Complementar;
2 — O usufruto dos índios
não abrange a exploração de recursos hídricos
e potenciais energéticos, que dependerá sempre da autorização
do Congresso Nacional;
3 — O usufruto dos índios
não abrange a pesquisa e a lavra de recursos naturais, que dependerá sempre
de autorização do Congresso Nacional;
4 — O usufruto dos índios
não abrange a garimpagem nem a faiscação, dependendo-se
o caso, ser obtida a permissão da lavra garimpeira;
5 — O usufruto dos índios
fica condicionado ao interesse da Política de Defesa Nacional.
A instalação de bases, unidades e postos militares e demais
intervenções militares, a expansão estratégica
da malha viária, a exploração de alternativas energéticas
de cunho estratégico e o resguardo das riquezas de cunho estratégico
a critério dos órgãos competentes (o Ministério
da Defesa, o Conselho de Defesa Nacional) serão implementados
independentemente de consulta a comunidades
indígenas envolvidas e à Funai;
6 — A atuação
das Forças Armadas da Polícia Federal na área indígena,
no âmbito de suas atribuições, fica garantida e se
dará independentemente de consulta a comunidades indígenas
envolvidas e à Funai;
7 — O usufruto dos índios
não impede a instalação pela União Federal
de equipamentos públicos, redes de comunicação,
estradas e vias de transporte, além de construções
necessárias à prestação de serviços
públicos pela União, especialmente os de saúde e
de educação;
8 — O usufruto dos índios
na área afetada por unidades de conservação fica
restrito ao ingresso, trânsito e permanência, bem como caça,
pesca e extrativismo vegetal, tudo nos períodos, temporadas e
condições estipuladas pela administração
da unidade de conservação, que ficará sob a responsabilidade
do Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade;
9 — O Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade responderá pela
administração da área de unidade de conservação,
também afetada pela terra indígena, com a participação
das comunidades indígenas da área, em caráter apenas
opinativo, levando em conta as tradições e costumes dos
indígenas, podendo, para tanto, contar com a consultoria da Funai;
10 — O trânsito de
visitantes e pesquisadores não-índios deve ser admitido
na área afetada à unidade de conservação
nos horários e condições estipulados pela administração;
11 – Deve ser admitido
o ingresso, o trânsito, a permanência de não-índios
no restante da área da terra indígena, observadas as condições
estabelecidas pela Funai;
12 — O ingresso, trânsito
e a permanência de não-índios não pode ser
objeto de cobrança de quaisquer tarifas ou quantias de qualquer
natureza por parte das comunidades indígenas;
13 — A cobrança
de tarifas ou quantias de qualquer natureza também não
poderá incidir ou ser exigida em troca da utilização
das estradas, equipamentos públicos, linhas de transmissão
de energia ou de quaisquer outros equipamentos e instalações
colocadas a serviço do público tenham sido excluídos
expressamente da homologação ou não;
14 — As terras indígenas
não poderão ser objeto de arrendamento ou de qualquer ato
ou negócio jurídico, que restrinja o pleno exercício
da posse direta pela comunidade jurídica ou pelos silvícolas;
15 — É vedada, nas
terras indígenas, qualquer pessoa estranha aos grupos tribais
ou comunidades indígenas a prática da caça, pesca
ou coleta de frutas, assim como de atividade agropecuária extrativa;
16 — Os bens do patrimônio
indígena, isto é, as terras pertencentes ao domínio
dos grupos e comunidades indígenas, o usufruto exclusivo das riquezas
naturais e das utilidades existentes nas terras ocupadas, observado o
disposto no artigo 49, XVI, e 231, parágrafo 3º, da Constituição
da República, bem como a renda indígena, gozam de plena
isenção tributária, não cabendo a cobrança
de quaisquer impostos taxas
ou contribuições sobre uns e outros;
17 — É vedada a
ampliação da terra indígena já demarcada;
18 — Os direitos
dos índios relacionados às suas terras são imprescritíveis
e estas são inalienáveis e indisponíveis.
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Agência Brasil, 20
de Março de 2009
INSS vai devolver R$ 40,3 milhões
cobrados indevidamente
O Insituto Nacional do Seguro Social (INSS) devolverá a 1,205 milhão
de aposentados e pensionistas um valor cobrado a mais na folha de pagamento
de dezembro, que teve como base a tabela anterior do Imposto de Renda Retido
na Fonte (IRRF).
A alíquota do imposto
de renda foi alterada em 29 de dezembro de 2008 pela Instrução
Normativa Receita Federal Brasil 896.
A restituição representará ao
INSS um custo adicional de R$ 40.363.145,30 no benefício que será pago
em abril, referente à folha de pagamento de março de 2009.
Na média, cada beneficiário
receberá R$ 33,48. Os valores previstos pelo INSS variam entre
R$ 0,06 e R$ 177,04.
O estado de São Paulo
terá o maior volume de restituições: mais de 513
mil, em um total de mais de R$ 16 milhões. Segundo o INSS, só há necessidade
de estorno dos valores arrecadados em dezembro.
"Desde a folha de
pagamento de janeiro, no entanto, os pagamentos vêm sendo realizados
de acordo com a nova tabela de IRRF", informa nota do instituto.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/03/2009
Sindicatos pagarão R$ 300 mil por
fraude em comissão de conciliação
Ação civil pública
ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho da 2ª Região
(SP) resultou na condenação por danos morais coletivos
de três sindicatos de São Paulo de R$ 300 mil pela criação
de comissão fraudulenta de conciliação prévia.
Em decisão unânime, a Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho acompanhou o voto da relatora, ministra Dora Maria da Costa,
que negou provimento ao agravo dos sindicatos.
De acordo com a inicial, a comissão
induzia os empregados a dar quitação geral e plena das
verbas trabalhistas nas rescisões contratuais, sob pena de nada
receberem. O MPT da 2ª Região soube dos fatos por meio de
representação feita pela juíza do Trabalho Maria
José Bighetti Ordoño junto à Coordenadoria de Defesa
dos Interesses Difusos e Coletivos da Procuradoria Regional do Trabalho
da 2ª Região. O motivo da representação foi
o caso de dois advogados, empregados do Sindicato da Micro e Pequena
Indústria do Tipo Artesanal (SIMPI), que, ao serem dispensados,
sem justa causa, foram forçados a se submeter ao Núcleo
Intersindical de Conciliação Prévia, instituído
pelo sindicato por meio de convenção coletiva. Os advogados
deveriam dar plena e geral quitação dos seus contratos
de trabalho, sem a observância de prévia homologação
da rescisão, sob pena de, não aceitando a “conciliação”,
nada receber. No Núcleo havia vários outros empregados,
de condição mais humilde, assinando o termo de conciliação,
antes mesmo de receber o da rescisão do contrato de trabalho.
No curso das investigações,
constatou-se que o procedimento utilizado pelo SIMPI em relação
aos seus empregados ocorria em larga escala no Núcleo Intersindical
quanto às “conciliações” ali conduzidas
e realizadas. Outros empregadores também utilizavam o núcleo
para “homologar” as rescisões contratuais de seus
empregados de forma parcelada.
Braço de uma rede
Além disso, descobriu-se
que o núcleo era um dos braços de uma rede, cuja ponta
era o SIMPI, com uniformidade administrativa e de procedimentos, instituída
por meio de duas convenções coletivas, uma celebrada entre
o SIMPI e o Sindicato dos Empregados nas Indústrias Metalúrgica,
Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo, Mogi
das Cruzes e Região e a outra entre a Federação
dos Trabalhadores nessas indústrias (entidade sindical de segundo
grau – representando as bases organizadas) e 43 sindicatos de trabalhadores
nessas indústrias, com diversas bases territoriais. Comprovaram-se
várias práticas ilícitas, como falta de transparência
na constituição e funcionamento do núcleo, inobservância
da paridade, extravasamento do âmbito de aplicação
da norma coletiva, inobservância do art. 477 da CLT e problemas
com o custeio, com utilização do núcleo como fonte
de renda para os sindicatos convenentes.
O MPT requereu a antecipação
de tutela, para os réus absterem-se de criar ou manter comissão
de conciliação prévia e extinguirem, imediatamente,
a que foi instituída, e a pagar indenização de R$
500 mil, reversível ao FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – pelo
dano moral coletivo causado. O juiz de primeiro grau acolheu os pedidos.
O TRT de São Paulo, ao analisar os recursos dos sindicatos, reduziu
a pena pecuniária para R$ 300 mil.
No recurso ao TST, o SIMPI sustentou
a inexistência de irregularidades na formação da
comissão e no procedimento adotado por ela. Afirmou que o núcleo
foi instituído de forma paritária, e que os trabalhadores
sempre foram informados sobre seus efeitos e sua faculdade, podendo-se
fazer acompanhar por qualquer pessoa de confiança. A relatora,
porém, rejeitou a alegação de violação
do artigo 5º, inciso II da Constituição Federal por
se tratar de “um dispositivo de princípio genérico,
cuja violação só se dá, quando muito, de
forma reflexa”. ( AIRR-3046/2003-024-02-41.8)
(Lourdes Côrtes)
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20/03/2009
Pesquisador obtém reconhecimento
de vínculo com instituto Vox Populi
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão da Justiça do Trabalho de Minas
Gerais que reconheceu a caracterização de vínculo
empregatício de um entrevistador com o instituto de pesquisas
Vox Populi Mercado e Opinião S/C Ltda. A Turma rejeitou sem discutir
o mérito (não conheceu) a alegação da empresa
contra a decisão. O recurso do Vox Populi só foi acolhido
quanto ao item em que a defesa questionou a aplicação de
multa por atraso no pagamento das verbas rescisórias (prevista
no artigo 477 da CLT).
A relação de emprego
foi atestada com base em provas testemunhais que apontaram a existência
dos três requisitos necessários para sua caracterização:
subordinação, pessoalidade e onerosidade. Segundo o ministro
Vantuil Abdala, relator do recurso, “extrai-se das razões
recursais que a pretensão deduzida pela empresa reflete claramente
o seu intento de rediscutir e reavaliar a prova dos autos, o que, em
sede de recurso de revista, se mostra manifestamente incabível”.
Quanto à multa do artigo 477 da CLT, o relator afastou sua incidência
porque a penalidade não se aplica quando o pagamento de direitos
trabalhistas decorre de decisão judicial.
No recurso ao TST, a defesa do
instituto alegou que, “em momento algum”, os requisitos foram
comprovados. Por isso, ao manter a sentença que reconheceu o vínculo,
o TRT/MG teria violado dispositivos da CLT. O instituto argumentou que
o trabalhador prestava serviços como “entrevistador autônomo”.
O vínculo foi reconhecido
com base em depoimentos que demonstraram o cumprimento de jornada de
trabalho controlada, tanto na atividade interna (quando ele trabalhava
em telemarketing, fazendo telefonemas), quanto na pesquisa de campo,
quando o trabalhador aplicava questionários, em viagens ou em
Belo Horizonte (MG), onde fica a sede do instituto. O entrevistador recebia
por produção (de acordo com o número de questionários
aplicados). Em depoimento, o representante da empresa (preposto) admitiu
que o trabalhador prestou serviços para o instituto de 2002 a
2006 e que ele não trabalhou para outras pessoas nesse período.
( RR 506/2006-107-03-00.9)
(Virginia Pardal)
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20/03/2009
Aumento de jornada por reenquadramento funcional
não dá direito a hora extra
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou (não conheceu), por maioria, recurso de revista
de empregado contra a ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos,
em que pleiteava o pagamento da sétima e da oitava horas trabalhadas
como extraordinárias, por violação ao artigo 468
da CLT.
O trabalhador foi admitido na
ECT em junho de 1976 para exercer o cargo de mensageiro. A jornada, à época,
era de oito horas diárias. Em junho de 1979, com o aumento da
demanda pelo serviço de telegrama fonado, ele passou a exercer
a função de operador de telecomunicações,
com jornada especial de seis horas.
Mais tarde, em razão dos
avanços tecnológicos implantados, a ECT decidiu extinguir
o setor de telegrama fonado na cidade de Fortaleza, concentrando o serviço
em outras localidades. Em audiência realizada entre os trabalhadores
do setor extinto e a empresa, na sede da Procuradoria-Geral do Trabalho,
firmou-se o compromisso no qual a ECT se comprometia a reaproveitar todos
os empregados em nova função com os mesmos salários,
visando assim à preservação dos respectivos empregos.
O operador de telecomunicações passou então a exercer
a função de operador de triagem e transbordo, com jornada
de oito horas, por força de cláusula inserida no acordo
coletivo celebrado entre o sindicato da categoria e a ECT.
Mais de quatro anos depois da
alteração contratual, ele ingressou com reclamação
trabalhista alegando que trabalhou por mais de vinte anos com jornada
de seis horas e que a empresa teria alterado seu expediente para oito
horas sem acréscimo salarial de forma unilateral e ilegal. Pediu,
portanto, que as duas horas a mais fossem reconhecidas como trabalho
extraordinário.
O relator do recurso do trabalhador
ao TST, ministro Aloysio Correa da Veiga, votou pelo seu não conhecimento,
observando que o que se discutia, no caso, era a licitude da alteração
contratual que mudou o status do trabalhador e a consequente violação
ao artigo 468 da CLT. Segundo o relator, tal alegação não
prospera, “na medida em que a alteração contratual
se deu com a intervenção do sindicato da categoria, por
força de acordo coletivo de trabalho, e com a interveniência
da Procuradoria Regional do Trabalho, visando a preservar o emprego do
empregado, mesmo que em novas condições de trabalho não
sujeitas à jornada de seis horas, já que a função
anterior não mais existia naquele estabelecimento de trabalho,
por força de inovações tecnológicas.”
Na oportunidade, o subprocurador-geral
do Trabalho Edson Braz da Silva observou ser a jornada especial norma
de proteção à saúde. Cessado o fato gerador – o
exercício da mecanografia –, cessou também a proteção.
Assinalou ainda que o contrato original era de oito horas, e foi reduzido
para proteger a saúde do trabalhador em razão da atividade.
Não mais a exercendo, é lícito voltar à jornada
de oito horas para preservar o emprego. O ministro Horácio de
Senna Pires acompanhou o voto do relator, ficando vencido o ministro
Mauricio Godinho Delgado. ( RR-2804/2004-006-07-00.5)
(Dirceu Arcoverde)
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FETRACONSPAR,
20 de março de 2009
Brasília/DF
NCST participa de reunião sobre
a construção de 1 milhão de moradias
As centrais sindicais de trabalhadores
reuniram-se hoje (20/03) no Palácio do Planalto com os ministros MARCIO
FORTES (Cidades), LUIZ DULCI (Secretaria-Geral
da Presidência) e DILMA ROUSSEFF (Casa Civil).
A Ministra detalhou a proposta para a construção de 1 milhão
de moradias, que será lançado oficialmente na semana que vem.
A princípio, a prioridade para construção das casas, serão
para os municípios acima de 100 mil habitantes.
Para os trabalhadores que percebam até 3 salários mínimos,
a prestação será subsidiada.
A NCST propôs que este projeto tivesse um olhar para a formalização
dos trabalhadores e empregadores que irão construir estas casas, alertando
que estas deverão ser de qualidade, cuja metragem deverá ser
idêntica ao do PAR – Programa de Arrendamento Residencial.
Os ministros presentes viram com bons olhos a proposta, e reafirmaram que o
registro em carteira será obrigação das empresas sob pena
de ser cancelado ou restrito novos contratos.
Estiveram presentes representando a Nova Central, JOSÉ CALIXTO
RAMOS, presidente da NCST e GERALDO RAMTHUN, 3º vice-presidente
da NCST e Presidente do DEPACOM.
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