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Terra Magazine, 22 de março de 2009
Limitação
de MP impede que oposição obstrua pauta
A limitação das medidas
provisórias esvazia valiosíssimo instrumento
da oposição. O mecanismo é - era -
usado para atrasar votações de interesse
do Governo e até aplicar derrotas em temas essenciais,
como o caso da CPMF ou atuamente da CSS
Thais Bilenky, para Terra Magazine
A decisão dos presidentes da Câmara e do Senado de
impedir que medidas provisórias tranquem a pauta de votação
no Congresso desfavorece a oposição. Uma vez aprovada,
a mudança deixa em segundo plano os projetos de lei ordinários,
propostos por parlamentares. A oposição, por hábito,
usa - ou usava - a prerrogativa para trancar a pauta imposta pelo
Executivo.
A limitação das MPs esvazia valiosíssimo instrumento
da oposição. O mecanismo é - era - usado para
atrasar votações de interesse do Governo e até aplicar
derrotas em temas essenciais, como o caso da CPMF. Na ocasião,
o Governo queria renovar a vigência da CPMF e não conseguiu
porque medidas provisórias ultrapassavam a votação.
E a oposição...
O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), com
PPS e PSDB, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir
a decisão, que é em sua avaliação "um
golpe à Constituição brasileira".
À Terra Magazine, Caiado justifica sua reação
com a seguinte lógica: se a Constituição prevê regras
para que a pauta não seja obstruída, a mudança é desnecessária,
argumenta o democrata. Em sua visão, os presidentes das Casas,
deputado Michel Temer (PMDB/SP) e senador José Sarney (PMDB/AP),
deveriam usar as prerrogativas constitucionais que possuem para devolver
as MPs, mas não as usam.
O líder do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana
(PT/RS), relata que o Governo está reagindo com "tranquilidade" à proposta. "Nós
não temos assim uma noção da constitucionalidade,
porque é uma mudança brusca. O País vinha vivendo
sob uma égide, dentro da Constituição que existe,
o presidente da Câmara propõe uma nova interpretação,
que está bem fundamentada, de maneira sólida",
justifica.
Ainda que Sarney e Temer sejam ambos do PMDB, nem Caiado nem Fontana
avaliam que o partido se beneficia com a proposta. O líder
do Governo diz que "se trata de uma questão de Estado,
não de quem está presidindo a Câmara ou o Senado
neste momento, de quem está no Governo e assim por diante".
A mudança impedirá que medidas provisórias
tranquem a votação de projetos de lei ordinários.
Propostas de Emendas Constitucionais (PEC), projetos de lei complementar,
projetos de decreto legislativo e resoluções podem
passar na frente da votação de medidas provisórias,
de acordo com a proposta dos presidentes.
Caiado acredita que Temer e Sarney fazem ampliar o poder do Planalto. "É uma
situação em que, a partir de agora, a MP ao ser editada,
tem um período de validade e o Governo poderá tranquilamente
legislar por medidas provisórias, já que a tramitação
delas não existe mais com aquele objetivo que era de trancamento
de pauta", avalia. Caiado entende que projetos importantes deixarão
de ser votados.
Fontana, no extremo oposto, avalia positivamente a iniciativa. "É importante
nós encontrarmos um mecanismo mais equilibrado, que possa
devolver mais capacidade legislativa ao Congresso", afirma o
líder do Governo. Fontana pondera que a mudança só deve
ser aplicada após análise do Supremo.
A mesma matéria que, para o Governo, fortalece o Legislativo
no sistema democrático brasileiro, é para a oposição
uma afronta, "um decreto-lei da época da Revolução,
da ditadura militar", nas palavras de Caiado.
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O Outro Lado da Notícia, 22 de março
de 2009
Aposentados em todo País
exigem fim fator previdenciário
Uma das reivindicações mais importantes dos aposentados
continua fora das prioridades do Congresso. O Projeto de Lei 1/07,
que propõe a extensão dos percentuais de reajuste do
salário mínimo para os benefícios da Previdência,
mas é o sexto item da pauta, sem prazo para ser votado.
Originalmente, o projeto do Executivo cria uma política permanente
de recuperação e atualização do salário
mínimo até 2023. No Senado, a matéria foi alterada
por uma emenda do senador Paulo Paim (PT/RS), que determina que essa
política seja estendida para os benefícios do Regime
Geral de Previdência Social.
Na última sexta-feira (20), aposentados fizeram manifestações
em todo País para pressionar pelo fim do fator previdenciário
e por reajustes mais eqüitativos nos benefícios. Na semana
passada, um grupo de parlamentares e representantes dos aposentados
se reuniu com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP).
Receberam o sinal de que o PL 1/07 será colocado em votação.
Na última reunião de líderes, porém,
o líder do PSol, Ivan Valente (SP), fracassou na tentativa
de incluir o projeto entre as prioridades.
"Não houve nenhuma contestação, mas também
não houve nenhuma adesão para que a votação
do projeto fosse prioridade. Entendo que devemos votar e não
segurar essa votação. Mas não sei até onde
eles têm vontade de votar isso na Câmara", afirmou
Valente.
Tema não é tratado
Entre os tucanos, segundo o vice-líder do partido Duarte Nogueira
(SP), o tema nem tem sido tratado.
O parlamentar afirma que por causa do trancamento da pauta - obstruída
por dez medidas provisórias - e devido às repercussões
das "denúncias" do senador-pavão Jarbas Vasconcellos
no Senado, a bancada do PSDB não chegou a debater o tema ainda
este ano.
"Não temos um posicionamento definido. A bancada ficou
por conta de se posicionar sobre os temas da semana", justificou
Duarte.
"Mas, de qualquer forma, o PSDB tem uma linha definida que é defender
uma reforma do sistema previdenciário, que ofereça
estabilidade para as contas do país e mais eficiência
no oferecimento dos benefícios", considerou.
Questionado sobre o posicionamento da base governista em relação
aos projetos, o líder do Governo na Câmara, deputado
Henrique Fontana (PT/RS), ficou reticente.
"Não temos um posicionamento sobre projetos específicos,
nós temos essa política geral e estamos trabalhando
em torno dela com o presidente, com o ministro. Os aposentados sabem
que o Governo Lula melhorou muito a situação deles",
disse.
Expectativa de votar o projeto
O relator do PL 1/07, deputado Roberto Santiago (PV/SP), tem a expectativa
de votar o projeto no final do mês de abril. Segundo o parlamentar,
por ser o sexto item da pauta, a proposta pode ser apreciada dentro
de 20 dias.
"O projeto está pronto para ser votado. Por mais que
algumas pessoas não estejam engajadas nem ‘preocupadas'
com o problema, aposentado tem em todos os estados e as eleições é o
ano que vem", desafiou Santiago.
"Sei que o Governo vai querer colocar a base para votar contra,
mas meu sentimento é que boa parte dos deputados governistas
votam a favor do projeto", disse. Para o líder do PSol,
governistas e oposição não definiram claramente
suas posições.
"O Governo está contrário ao projeto e também
partidos de oposição, como o PSDB e o DEM, votaram
no Senado a favor da proposta mais para colocar o Governo em dificuldade",
avalia Valente.
Desconforto
" A oposição de direita caminha cheia de ambigüidades.
Eles votaram, por exemplo, pela criação do fator previdenciário
e agora se sentem desconfortáveis em votar contra os aposentados",
alfinetou.
Outros dois projetos relevantes para os aposentados ainda tramitam
nas comissões da Casa e, dificilmente, serão votados
em plenário ainda este semestre.
Paridade
O PL 4.434/08 - que mantém uma paridade constante entre o valor
da aposentadoria e o número de salários mínimos
recebidos na data de início da concessão do benefício
- ainda precisa passar pelas comissões de Seguridade Social,
de Finanças e Tributação e de Constituição
e Justiça.
Na Comissão de Seguridade, a proposta já tem o parecer
favorável do relator, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP),
que manteve a mesma redação dada pelo autor da proposta,
o senador Paulo Paim (PT/RS).
Mas, segundo a assessoria da presidente da comissão, a deputada
Elcione Barbalho (PMDB/PA), não há previsão
para que a proposta seja apreciada.
Fator previdenciário
Já o Projeto de Lei 3.299/08 - um dos mais polêmicos,
porque extingue o fator previdenciário - precisa ser apreciado
nas comissões de Finanças e Tributação,
e de Constituição e Justiça.
No mês passado, o relator do projeto, deputado Pepe Vargas
(PT/RS), apresentou um pré-relatório em que o fator
era mantido parcialmente. A proposta não foi bem aceita pelas
centrais sindicais e novas audiências públicas para
debater o tema foram marcadas para próxima semana.
"Até a segunda semana de abril, pretendo apresentar
o relatório. Na CCJ, não haverá discussão
de mérito. Mas não há previsão de quando
essa proposta chegará em plenário. Seria desejável
que chegasse ainda este semestre", avaliou o relator.
Os três projetos que beneficiam os aposentados têm causado
grande polêmica, especialmente porque o Governo teme aumento
de gasto. Na verdade, trata-se de uma opção política.
Centrais sindicais
As centrais sindicais, que deveriam estar à frente da mobilização
sobre esses temas, têm deixado a desejar. A pressão deveria
ser também sobre o judiciário.
Inúmeras foram às ações judiciais que
tentaram resgatar esta paridade de reajuste dos benefícios
previdenciários equiparando estes aos reajustes do salário
mínimo. No entanto, não se tem notícia de que
alguma delas tenha prosperado.
A possibilidade de melhorar o benefício se deve ao fator
previdenciário, fórmula utilizada pela Previdência
para calcular o valor do benefício com base na expectativa
de vida da população, na idade do segurado e no número
de contribuições feitas.
Nos protestos de sexta-feira (20), os aposentados mostraram sua
força e poder de mobilização - apesar de praticamente
ignorados pelas centrais sindicais. No Rio Grande do Sul, a principal
estrela do encontro foi o senador Paulo Paim (PT).
No entender do senador, com manifestações como as
que ocorreram no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo
e Minas Gerais, a votação deve acontecer em breve.
Mas, segundo ele, a mobilização deve continuar e estender-se
para outros estados.
Paim também falou de outros dois projetos de sua autoria
e que beneficiam os trabalhadores. Um acaba com o fator previdenciário
nas aposentadorias e o outro recompõe as perdas que os aposentados
tiveram nos últimos anos.
Previdência é superavitária
Ao contrário do que afirma o Governo, disse que a Previdência
tem os recursos necessários para garantir uma aposentadoria
digna.
"Nós já conseguimos aprovar no Senado a queda
do Fator Previdenciário que reduz em até 40% o valor
das aposentadorias. Temos, agora, que sensibilizar os Deputados Federais",
disse Paim.
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Terra Magazine, 22 de março de 2009
STF extrapolou no julgamento da Raposa,
diz Cimi
Com a conclusão do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF)
sobre a Raposa Serra do Sol, o saldo das discussões traz a vitória
da demarcação contínua para os índios.
Mas, no rastro da decisão primordial, também é publicada
uma lista de "condições" para demarcação
futura de qualquer terra tradicional, o que pode e deve gerar mais
e mais conflitos judiciais.
Raposa Serra do Sol se torna, portanto, um marco de avanço
e um "saco de maldades" - ainda amarrado - e que pode distribuir
revés às conquistas indígenas. O Conselho Indigenista
Missionário (Cimi), órgão ligado à Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), avalia que o julgamento extrapolou
seu objeto inicial. Aliás, como defende o vice-presidente
da entidade, Saulo Feitosa:
- A afirmação do ministro Gilmar Mendes, de que o
STF está estabelecendo parâmetros para a demarcação
de terra indígenas no Brasil, extrapola o objeto inicial do
processo.
A decisão final do STF incluiu 19 condições
para demarcação e uso das terras indígenas.
Entre elas, regras para o ingresso de não-índios nas
terras, atividades das Forças Armadas nos territórios
e participação dos entes federativos nos procedimentos
demarcatórios.
- Há, sim, problemas do ponto de vista das conquistas dos
direitos indígenas, inclusive com contradições
com a própria Convenção 169, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), assinada e ratificada pelo Brasil.
Leia a seguir a íntegra da entrevista:
Após as 18 condições elaboradas no
julgamento, uma 19ª apareceu no voto no ministro Gilmar Mendes
para incluir o aval dos estados nas demarcações.
Isso não pode inviabilizar demarcações em
estados cujos governos sejam contrários aos índios?
Saulo Feitosa - Essa participação dos estados no processo
já era prevista. Inclusive, com a publicação do
decreto 1.775/96 isso já foi assunto amplamente discutido. Então,
a participação dos entes federativos não é problema
nenhum. Agora, a questão é como vai se dar essa participação.
Porque tem os momentos específicos que pode haver essa participação.
A gente entende que o trabalho do grupo é um trabalho técnico,
com as pessoas que vão fazer o reconhecimento da terra indígena.
Em princípio, então, não vemos novidades. Agora
esperamos que aqueles estados que são, como o exemplo de Roraima,
declaradamente contra os indígenas, não venham fazer
uso político dessa condição para querer mais uma
inviabilizar o processo demarcatório.
Mas a interferência é uma possibilidade real
agora com esse julgamento?
É uma possibilidade. Depende da interpretação que vai ser
feita. Por isso, estou dizendo que não havia necessidade de haver a condição
19 porque o decreto 1.775 prevê essa participação. Nessa
conjuntura, em que há disputas e interesses dos estados, como foi Roraima
sobre a Raposa Serra do Sol, aí sim a gente espera que não venha
ser utilizado como pretexto para criar situações e inviabilizar
o trabalho dos grupos técnicos.
O julgamento não era só para discutir a homologação
contínua ou não da terra indígena Raposa Serra
do Sol? Então porque se estabeleceu condições
para isso?
O julgamento concluído confirma os limites estabelecidos pelo
decreto de homologação da terra indígena, o que
para nós é muito importante. Agora, essas posições
postas, sobretudo a afirmação do ministro Gilmar Mendes
de que o STF está estabelecendo parâmetros para a demarcação
de terra indígenas no Brasil, extrapolam o objeto inicial do
processo. O objeto da ação no pedido dos autores se referia
aos limites da homologação da Raposa Serra do Sol. E
como bem destacaram alguns ministros ontem... Primeiro, o ministro
Joaquim Barbosa e também o próprio relator Ayres Brito
que essa decisão não deveria ter se estendido para as
demais terras indígenas no Brasil. Por isso que entendemos que
a decisão extrapolou de fato e não caberia à Suprema
Corte decidir sobre outras demarcações, inclusive as
que ainda vão acontecer.
As condições vão contra os direitos
indígenas na visão do Cimi?
Sim. Quando algumas condições retiram, por exemplo, autonomia
das comunidades. Não consideram a consulta prévia às
comunidades para a realização de projetos nas suas terras.
Delegam a órgãos do âmbito federal o poder de decidir
quem deve ou não ingressar em terras indígenas. Entre
outras, achamos que há, sim, problemas do ponto de vista das
conquistas dos direitos indígenas, inclusive com contradições
com a própria Convenção 169, da Organização
Internacional do Trabalho, assinada e ratificada pelo Brasil.
Os problemas que as condições trarão
são mais complicados do que a vitória da Raposa?
As condições estão postas, mas serão debatidas
futuramente. E muitas delas só reafirmam direitos previstos
na Constituição Federal.
Então, a demarcação da terra indígena
em Roraima é um marco essencial por si?
Não só. Porque no momento em que o STF decide que a demarcação
vai ser feita de forma contínua então as futuras demarcações
então deveram ser feitas de forma contínua. Ficou caracterizada
na fala de vários ministros que é a forma de demarcação,
e só existe essa, questiona: essa terra é tradicional
ou não é tradicional? Não há como metade
ser e a outra não ser.
Na visão do Cimi, que terras indígenas podem
ter discussões semelhantes daqui para frente?
O que há hoje ainda é uma demanda muito grande de terra
indígenas a serem demarcadas. Muitas terras sequer contam da
lista da Fundação Nacional do Índio (Funai). Na
listagem do Cimi, temos terras que não constam da Funai porque
ainda não tiveram iniciados processos de reconhecimento. De
acordo com a nossa listagem, apenas cerca de 50% tem processo de demarcação
concluído. Das mais de mil terras indígenas, a metade
falta a conclusão: seja homologação, regularização
fundiária ou mesmo o início do reconhecimento.
Existe alguma possibilidade de redução dos
conflitos judiciais sobre terras indígenas após o
julgamento desta quinta-feira?
Acho que desde a edição do do decreto 1.775/96 as disputas
se multiplicaram. E eles tendem a se manter. Porque quando você disputa
posse, há questionamentos desde a primeira instância da
Justiça Federal até o Supremo Tribunal Federal. Não
acredito que vá frear. A tendência é continuar
por conta do avanço do agronegócio sobre as terras indígenas.
Terra Magazine
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Agência EFE, 22 de março de
2009
OCDE: China deve ter crescimento
entre 6% e 7% em 2009
Nesta sexta-feira (20), a Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua previsão
de crescimento para a China para entre 6% e 7%, abaixo dos 8% previstos
pelo Governo chinês para este ano. Em entrevista coletiva concedida
em Pequim, o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría,
declarou que essa redução se deve ao aprofundamento da
crise global.
O secretário-geral disse que essa queda no crescimento chinês "talvez
seja a maior mudança da China em um curto período de
tempo", mas afirmou que o país é "resistente".
Na expectativa da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países
ricos e principais emergentes) no próximo dia 2, em Londres,
na qual se espera que a China participe mais, Gurría ressaltou
que o país asiático não é "o salvador,
mas ajudará o restante, se mantiver um crescimento".
Ex-ministro das Relações Exteriores e de Finanças
do México, Gurría lembrou que, enquanto haverá crescimento
negativo no resto do mundo, a China ainda será capaz de crescer,
graças ao pacote de estímulo financeiro anunciado em
novembro, um dos dois maiores anunciados, junto ao dos Estados Unidos.
Pequim anunciou um investimento de 4 trilhões de iuanes
(US$ 585 bilhões) destinados à infraestrutura e ao
desenvolvimento social, menos do que os US$ 787 bilhões do
pacote de Washington. O mexicano anunciou que o resultado final das
previsões da OCDE para este ano serão divulgados no
próximo dia 31. A previsão desta instituição
segue a linha do que foi anunciado pelo Banco Mundial (BM) esta semana.
O BM prevê um crescimento de 6,5% para a China, devido à redução
das exportações, base de crescimento do país
asiático até agora, enquanto o Fundo Monetário
Internacional (FMI) prevê 6,7%. A China precisa crescer entre
7% e 8 % para criar cerca de 9 milhões de empregos e manter
a estabilidade social. Nos últimos meses, quase 20 milhões
de postos de trabalho foram eliminados no país asiático.
O secretário-geral da OCDE previu contrações
na economia global em 2009 devido à recessão no Japão,
EUA e União Europeia. Por isso, o crescimento da China, embora
menor, ainda ajudará a manter um resultado global menos negativo.Gurría
ainda disse ser necessário "que a demanda da China e
da Índia cresça", mas que a expansão destas
duas economias emergentes não será suficiente para
suavizar a contração das principais economias mundiais.
Por fim, o secretário-geral falou que os 30 países-membros
da OCDE vão registrar um crescimento muito negativo.
Reestruturaração da indústria
automobilística
Ainda como parte de suas ações de combate à crise,
o governo chinês afirmou que é favorável a uma
reestruturação da indústria automobilística
do país, com um plano de ajuste e revitalização
do setor.A reestruturação passa em particular por uma
redução, por meio de fusões, do número
de montadoras, atualmente elevado, medida que Pequim tenta estimular
há alguns anos.
Um dos objetivos do plano para o período 2009-2011 é reduzir
de 14 para 10 o número de grandes montadoras, responsáveis
por mais de 90% da produção e das vendas no país.
A ideia é que duas ou três montadoras sejam gigantes
capazes de produzir mais de dois milhões de unidades por ano,
enquanto outras quatro ou cinco ficariam em um milhão de unidades.
Pequim almeja uma produção total de 10 milhões
de veículos para 2009 e um aumento médio de 10% da
produção nos anos seguintes.
Ano passado o país fabricou 9,34 milhões de unidades,
um aumento de 5,21% em relação a 2007.
Em 2008, as vendas cresceram 6,7%, a primeira alta de apenas um
dígito desde 1999 para um mercado acostumado a taxas superiores
a 20%.
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O Globo, 22 de março de 2009
Senadores têm restituição
sem limite na saúde
O número de 181 diretores descobertos esta
semana no Senado está longe de ser o único
a provocar surpresa na opinião pública.
Dados oficiais da instituição indicam que
a Casa gastou ano passado R$59 milhões com serviço
médico-hospitalar, odontológico e laboratorial.
Embora esses gastos incluam o atendimento não
só de parlamentares, mas também de servidores
ativos, inativos e seus dependentes, o fato é que
o Senado oferece privilégios cada vez mais raros
no serviço público: restitui integralmente
toda despesa médica feita pelos 81 senadores e
seus dependentes, sem limite de valor.
A Câmara deve gastar este ano R$51 milhões com serviços
de saúde para deputados, seus dependentes e funcionários
ativos e inativos.
Uma das poucas restrições é para
cirurgias plásticas
A única cota estabelecida para os senadores se refere aos
gastos com tratamentos odontológicos e psicológicos:
fixado em R$25 mil por ano. O serviço médico para os
parlamentares é vitalício. O ex-senador, porém,
não garante o benefício para seus filhos, apenas para
a mulher. Nesse caso, o casal tem um limite anual de R$33 mil para
seus gastos médicos. Uma das poucas restrições
feitas às despesas pagas pelo Serviço Integrado de
Saúde (SIS) do Senado refere-se a cirurgias plásticas
para correção de problemas estéticos.
Segundo levantamento feito pelo site "Congresso em Foco",
o Senado gastou nos últimos dez anos R$16,7 milhões
com o ressarcimento de despesas médicas e odontológicas
apenas de senadores e ex-senadores. Em 2008, esse gasto chegou a
R$1,6 milhão com 44 ex-senadores, cinco dependentes de ex-representantes
dos estados, além de parlamentares no exercício do
mandato.
Apesar de terem direito à assistência médica
na Câmara, dois deputados que já foram senadores ainda
têm gastos ressarcidos pelo Senado. É o caso de Carlos
Bezerra (PMDB-MT), senador de 1995 a 2003, e Wellington Roberto (PR-PB),
que exerceu o mandato de 1998 a 2003.
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Folha de S.Paulo, 22 de março de
2009
Indicadores apontam reação
lenta da indústria
Fluxo de caminhões nas
estradas, consumo de energia e produção
de veículos mostram avanço no setor
PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Após acumular uma queda de 28,9% entre novembro e janeiro,
na comparação com o mesmo período anterior,
a indústria mostra sinais de recuperação, embora
ainda lenta. Alguns indicadores, como o fluxo de caminhões
nas estradas, o consumo de energia e a produção de
veículos, apontam para um um incremento na produção
industrial em fevereiro, dando sequência a um pequeno alento
já sentido no mês anterior.
Em fevereiro, o movimento de caminhões nas estradas teve alta
de 2,1% ante janeiro. Já o consumo médio diário
de energia elétrica aumentou 2,68%, e a produção
de veículos, 9%, sempre na mesma comparação.
O resultado positivo, porém, ocorre apenas na ponta. Na comparação
com o desempenho de fevereiro do ano passado, as quedas são
expressivas -8%, 0,5% e 20,6%, respectivamente-, o que evidencia que
a indústria continua longe dos níveis anteriores à crise.
A continuar no atual ritmo, a produção da indústria
deve alcançar neste mês o mesmo patamar em que estava
em novembro passado, ainda 8,5% abaixo de setembro, quando atingiu
o pico de 2008, de acordo com a avaliação do economista
da LCA Consultores Francisco Pessoa.
" Apesar da incerteza provocada pela crise, podemos dizer que a indústria
está começando a se recuperar, ainda que a um passo lento",
afirma Pessoa. Em janeiro, a produção industrial medida pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já havia avançado
2,3% ante dezembro. Em relação a janeiro de 2008, porém,
o declínio foi de 17,2%.
Parte do "respiro" na indústria agora deve-se à operação
de ajuste de estoques nas empresas, agora já em níveis
mais compatíveis com a atual demanda, afirma Pessoa.
Na análise do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial), os dados positivos de fevereiro não induzem à interpretação
de que os impactos da crise global no país estejam se dissipando.
Mas indicam manutenção do nível de atividade enquanto
a redução da taxa de juros não surte o efeito
de reanimar a economia.
Quedas menores
" O que devemos ver daqui para a frente são quedas menores. Mas não
dá para falar em uma trajetória consistente de recuperação",
diz Rogério César Souza, economista do Iedi.
Para o professor de economia da Unicamp e ex-secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes
de Almeida, a indústria agora passa por uma retomada em face
ao "exagero" do corte da produção nos últimos
meses do ano passado. Em dezembro, por exemplo, o volume de veículos
produzidos caiu 46,2% na comparação com novembro.
" Em geral, estamos diante de um quadro menos ruim. Mas é preciso
lembrar que há setores, como o de construção civil, que
continuam em queda livre."
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Folha de S.Paulo, 22 de março de
2009
Criação de
vagas para mulheres puxa recuperação do
emprego
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O mercado de trabalho gerou saldo positivo de cerca de 30 mil postos
de trabalho para as mulheres em fevereiro e eliminou 21 mil vagas
ocupadas por homens, mostra o Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados). É a primeira vez desde dezembro, quando
o país teve recorde em perda de vagas (655 mil), que o saldo
fica positivo para um dos sexos.
Indústria e construção foram os que mais extinguiram
oportunidades de trabalho para eles. Mulheres ganharam espaço
no comércio e nos serviços. No mês passado, a recuperação
do emprego começou de forma moderada. No pior resultado para
fevereiro desde 1999, o mercado apresentou saldo positivo de 9.179
vagas com carteira assinada.
Só alguns Estados iniciaram a reação ao tombo
de dezembro, mês em que todas as regiões tiveram saldo
negativo. No mês passado, 13 das 27 unidades da Federação
tiveram saldo positivo. Os melhores, em números absolutos, foram
os de Goiás (8.058), Santa Catarina (5.674) e Rio (5.480).
O superintendente da regional Goiás do Ministério do
Trabalho, Samuel Alves Silva, destaca que a expansão do emprego
no Estado foi modesta, mas que a maioria dos setores teve bom resultado.
Mesmo tendo sido o campeão em geração de vagas
em fevereiro, o saldo do emprego em Goiás se desacelerou em
31% ante igual mês de 2008 -ano de forte crescimento, cujos resultados,
segundo economistas, dificilmente se repetirão a curto prazo.
Em Santa Catarina, as vagas abertas pela administração
pública e pela agropecuária influenciaram o bom desempenho
de fevereiro. O superintendente do Ministério do Trabalho para
o Estado, Luis Miguel Vaz Viegas, vê perspectiva favorável
para os pequenos produtores. Os serviços foram outro setor de
destaque catarinense, com influência do turismo.
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Folha de S.Paulo, 22 de março de
2009
Pacote de Lula ignora aspectos
urbanísticos
Para especialistas, medidas do
governo são mais "imobiliárias" do
que "habitacionais'; relatora da ONU teme novas "Cidades
de Deus'
Após mais de um ano de debates, plano em
vigor hoje não está sendo aproveitado para a formulação
das novas medidas, avaliam estudiosos
NATÁLIA PAIVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O pacote habitacional que o governo Lula ainda finaliza é alvo
de críticas de urbanistas. O plano de construir 1 milhão
de casas até o fim de 2010 é visto como incapaz de
atacar as principais carências habitacionais do país
-e reduzir, de fato, o déficit de 7,9 milhões de casas.
As principais medidas aventadas focam aumento de recursos orçamentários,
desonerações, criação de um fundo garantidor
e ampliação do teto de recursos do FGTS para financiamento.
A arquiteta Raquel Rolnik, da USP, relatora de direito à moradia
da ONU, diz que há "uma diferença muito grande entre
medidas de fomento à construção civil e política
habitacional", e o pacote é mais imobiliário do
que outra coisa, afirma.
Para Rolnik, uma intervenção dessa magnitude não
pode prescindir de uma estratégia fundiária e urbanística
-ponto que, até agora, não foi tocado pela cúpula
do governo. Caso contrário, diz Rolnik, vai haver substancial
aumento no preço dos terrenos, com duas possíveis consequências:
o subsídio do governo vai escorrer para os donos de terras ou
a baixíssima renda vai ser alocada nos terrenos mais baratos
-e apartados.
" Ou seja, vamos produzir um montão de casas sem cidade, infraestrutura,
emprego, reproduzindo nosso modelo clássico de desenvolvimento urbano:
Cidade de Deus 2." Evaniza Rodrigues, da União Nacional por Moradia
Popular, diz que para alguns problemas centrais o pacote não propõe
solução: "Onde as casas serão feitas? O que vamos fazer
para segurar o preço da terra? Prefeitos que usarem as Zeis [Zonas Especiais
de Interesse Social] terão prioridade?".
A especialista em política da habitação e professora
da USP Erminia Maricato diz que o pacote é "louvável" como
medida antirrecessão -mas há "travas". "Acho
que o governo não percebeu que a questão fundiária
pode ser uma trava, ouve muito o mercado; e eu dirijo o principal da
minha crítica à regressão nas cidades brasileiras,
que se recusam a aplicar a função social da propriedade
para fazer inclusão social."
Rolnik diz que a própria lógica de moradia que orienta
o pacote está equivocada: pensa-se em uma única estratégia
-produção de mais casas- para diferentes necessidades
habitacionais existentes. A professora propõe outras ações,
como urbanização e regularização de áreas
precárias já construídas, aluguel subsidiado e
ocupação de prédios vazios (6,6 milhões).
Outra contradição apontada no pacote é a desarticulação
com o PlanHab (Plano Nacional de Habitação), formulado
ao longo de um ano e meio de discussões públicas. O objetivo
do plano, finalizado em dezembro, era servir como base das estratégias
do Ministério das Cidades para equacionar o problema da habitação
até 2023.
O PlanHab tem quatro eixos: financeiro, urbano-fundiário, institucional
e produtivo. Para o coordenador do plano, o arquiteto Nabil Bonduki,
da USP, as medidas divulgadas até agora se fixam no eixo financeiro
e flertam com o produtivo.
Do primeiro, aproveita a ideia do fundo garantidor. Mas, no PlanHab,
ele seria permanente e voltado ao grupo com renda de até R$
1.600. Para o presidente da FEA (Federação Nacional de
Arquitetos), Ângelo de Arruda, o aumento do fundo para até dez
mínimos tira recursos da renda mais baixa e dificulta a redução
do déficit nessa faixa. Crítica parecida é feita
em relação à ampliação do valor
financiado pelo FGTS.
Outro dispositivo do plano era o ranking dos municípios a partir
do tratamento que eles dessem às questões urbanísticas,
que seria usado na distribuição dos recursos da União.
Até agora, não há estímulo à regulação
fundiária no pacote.
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Folha de S.Paulo, 22 de março de
2009
Construção
civil volta a depender do governo
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
Depois de ter vivido, entre 2007 e 2008, os melhores dias dos últimos
dez anos e ter puxado o crescimento da economia, a construção
civil volta a depender de políticas públicas. O pacote
habitacional preparado pelo governo, que deve ser apresentado nesta
semana, é a única esperança do setor para reverter
a desaceleração e expandir-se em tempos de crise. "Sem
o pacote, corremos o risco de voltar ao patamar de cinco anos atrás,
quando não havia crédito nem garantias", afirma
Rogério Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ-Cyrela.
Com expansão de 8%, o setor puxou o crescimento de 5,1% do PIB
no ano passado, o melhor desempenho depois dos setores bancários
e de serviços de informação. Foi o melhor resultado
desde 1998. Mas, por ser dependente do crédito e das expectativas
do consumidor sobre o futuro, a construção civil foi
fortemente atingida pela crise. No último trimestre de 2008,
expandiu-se em apenas 2,1% em relação a igual trimestre
de 2007, atrás de outros sete setores (na comparação,
o PIB cresceu 1,3%).
A situação continua delicada neste início de ano. "Observamos
grande queda no volume de vendas, o que tem levado as construtoras
a segurar novos empreendimentos", diz Bruno Oliveira, analista
de construção do banco Safra. "O governo surge como
o único agente capaz de suprir a necessidade das construtoras.
Sem o pacote, as perspectivas são complicadas." " O
mercado imobiliário é ativo, capaz de responder rapidamente
ao estímulo e, assim, minimizar os efeitos da crise", defende
Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção.
O governo está sensível aos argumentos. Como apurou recentemente
a Folha, Lula deposita no setor as esperanças de que o PIB não
afunde. O déficit habitacional chega a 8 milhões de residências.
O pacote fomentaria a capacidade de compra da baixa renda, que tem
pouco acesso ao crédito. Esse público é alvo de
600 das 2.000 construtoras do país.
A expectativa é que o Tesouro Nacional entre com R$ 6,5 bilhões
em incentivos. "Uma política destinada a esse público
pressupõe destinar recursos a fundo perdido", afirma Kazuo
Nakano, arquiteto do Instituto Pólis, que estuda políticas
urbanas no país.
O setor pode ser ainda mais beneficiado se for confirmado o aumento
no limite dos financiamentos pelo Sistema Financeiro da Habitação,
dos atuais R$ 350 mil para R$ 600 mil. Especialistas criticam a formatação
do pacote. "Está se resumindo a uma questão economicista,
para atender um setor que sempre dependeu do governo", diz Nakano. "Tratando
só de crédito, sem considerar a ocupação
urbana e a infraestrutura, o pacote vai levar à criação
de periferias sem estrutura, que teremos de resolver no futuro",
adverte.
Depois do período de contração entre 1998 e 2003,
a construção entrou em um ciclo de crescimento em 2004.
O setor foi incentivado pela criação de mecanismos que
permitiam a retomada do imóvel dos inadimplentes, a queda nos
juros e o crescimento da economia.
A euforia do mercado de capitais também atingiu o setor. Desde
2005, 22 construtoras chegaram à Bolsa e levantaram recursos.
Os problemas começaram quando as empresas, para cumprir os planos
de investimento, começaram a comprar terrenos a preços
elevados e lançar projetos que acabaram encalhando. "A
média-alta e a alta renda demonstraram sinais de esgotamento",
afirma Nakano. "Daí o desespero para atingir a baixa renda."
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Folha de S.Paulo, 22 de março de
2009
Governo deve olhar o caixa
das construtoras, dizem analistas
DA SUCURSAL DO RIO
Para que o pacote não seja apenas um pronto-socorro, especialistas
recomendam ao governo condicionar a liberação de recursos à capacidade
financeira das construtoras. "É preciso ver as condições
de capital de giro. Sem caixa e sem crédito, correm o risco
de não entregar o imóvel", diz Bruno de Oliveira,
analista de construção civil do banco Safra.
Levantamento da consultoria Economática com 102 empresas de
capital aberto mostra que as sete construtoras que já divulgaram
resultado saíram de lucro somado de R$ 152 milhões no
terceiro trimestre para prejuízo conjunto de R$ 118 milhões
nos últimos três meses do ano. Entre as demais empresas
que já divulgaram resultado -excluídas Petrobras e Vale-,
o lucro somado caiu 40%.
Para combater os efeitos da crise, primeiro o governo anunciou medidas
para instituições financeiras, que foram salvas da falta
de liquidez após a redução do compulsório.
Em dezembro, montadoras ganharam redução do IPI. Sem
falar em medidas genéricas iniciais para segurar o dólar
e aumentar o crédito, além dos aportes individuais do
BNDES a empresas como a Aracruz e o frigorífico Independência.
Em janeiro, as construtoras levaram ao governo proposta para garantir
a liberação rápida dos recursos. Entre as propostas,
estão a criação de um fundo garantidor de R$ 500
milhões -a ser custeado inicialmente com recursos do Tesouro.
Classe C
Com a expansão do crédito, antes da crise financeira
algumas construtoras já apostavam na maior capacidade de compra
da classe C. RJZ-Cyrela, Rossi, Gafisa, MRV e PDG constroem para o
segmento. O potencial do mercado e a expectativa de reaquecimento com
o pacote governamental animaram até mesmo o megainvestidor imobiliário
americano Sam Zell. Dono de uma participação na Gafisa
desde 2007, Zell comprou por R$ 28 milhões, nesta semana, 4,8%
da construtora Tenda, controlada pela Gafisa e focada nas classes C
e D. (SL)
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Gazeta do Povo, 22 de março de 2009
Fiscalização popular
Caso Galdino mostra falhas
de controle das ações do Legislativo
Vereador demitiu “fantasmas” que
trabalhavam só para o PV. Especialistas dizem que
a transparência é o melhor remédio
para o problema
Esse é o remédio recomendado por especialistas para
inibir casos de funcionários fantasmas na administração
pública. As discussões sobre como acabar com esse problema
foram retomadas depois da descoberta de que o PV do Paraná utiliza
funcionários comissionados do gabinete dos vereadores do partido
na Câmara de Curitiba para fazer trabalhos internos da legenda.
O caso veio à tona após o vereador Professor Galdino
ter demitido dois servidores indicados pelo PV, seu ex-partido, por
não trabalharem em seu gabinete, mas apenas para a legenda.
Na semana que passou, o PV expulsou Galdino – dentre outras
razões, por descumprimento do estatuto. O Partido Verde, exige
que filiados que se elegeram tenham um quinto de funcionários
integrantes da legenda.
O presidente do PV no estado, Melo Viana, considera normal que
os servidores contratados pelos vereadores trabalhem para a legenda.
Segundo ele, ao trabalhar para o partido, o funcionário presta
um serviço a todos os filiados, inclusive aos vereadores.
O advogado André Barbi, do Instituto Gamma de Assessoria
a Órgãos Públicos (Igam), diz que a interpretação
de Melo Viana é equivocada. “As atribuições
do cargo devem ter relação com o vereador, mas também
precisam ter relação com o parlamento”, diz ele.
Segundo Barbi, casos como o do PV podem ser considerados desvio de
função e improbidade administrativa.
Apesar disso, a prática dos partidos de usar os serviços
de funcionários do poder público é incentivada
pela falta de transparência. Os Legislativos do país
não costumam colocar na internet, por exemplo, os nomes dos
funcionários e os gabinetes em que estão lotados. “A
divulgação dos nomes já seria um grande inibidor
de irregularidades”, diz procurador Moacir Nogueira Neto. Sem
se saber quem são os servidores de cada órgão é mais
difícil descobrir se algum deles não está trabalhando.
O cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília,
afirma que é necessário criar mecanismos para que a
população tenha um controle de quem trabalha nos órgãos
públicos. Caldas também é favorável que
os funcionários do Legislativo sejam obrigados a bater ponto. “Se
o funcionário trabalha em um escritório no bairro,
e não no gabinete, então que tenha um relógio-ponto
no escritório de bairro.”
O procurador Moacir Nogueira Neto, porém, acha que esse tipo
de controle seria difícil de ser executado. “O controle
de horário é complicado porque isso depende da atividade
que o assessor exerce, que pode ser fora do gabinete. Por isso acho
que o mais importante é a transparência.”
Tanto na Câmara de Curitiba quanto na Assembleia Legislativa
do Paraná não há nenhum tipo de controle de
presença dos serviores dos parlamentares. “O vereador é o
responsável por controlar a presença dos comissionados.
Ainda não descobriram um sistema que possa melhorar essa fiscalização”,
comenta o vereador Celso Torquato (PSDB), primeiro-secretário
da Câmara de Curitiba. Na Assembleia, a regra é a mesma:
cada deputado é responsável por seus funcionários.
Apesar disso, ao menos no Senado os funcionários deverão
bater ponto para registrar que estão trabalhando. A decisão,
do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), foi tomada após
ter vindo à tona a informação de que o Senado
pagou R$ 6,2 milhões em horas extras em janeiro – mês
de férias dos senadores, em que quase ninguém está em
Brasília.
Punições
Além da transparência, a punição dos
que abrigam funcionários fantasmas é outra medida indicada
para inibir a prática. “Não vejo a necessidade
de que seja criada uma nova legislação, mas é preciso
que o Judiciário seja firme quando chegar o momento de julgar
essas situações”, afirma o professor de Direito
Constitucional Fernando Maciel Filho, da Universidade Tuiuti do Paraná.
Estado mal-assombrado
Escândalos de funcionários
fantasmas são recorrentes no Paraná.
Sogra fantasma
O Ministério Público recebeu em agosto de 2007 a denúncia
de que a sogra do então chefe de gabinete do prefeito Beto
Richa, Ezequias Moreira, era funcionária fantasma da Assembleia.
Ezequias foi demitido por Richa e devolveu os salários pagos
indevidamente a sua sogra: R$ 539 mil.
Escândalo Bete Pavin
Reportagem da RPC TV mostrou que a deputada estadual Beti Pavin
(PMDB) teria pelo menos cinco funcionários de seu gabinete
que não cumpriam expediente na Assembleia. Localizados em
Colombo, os fantasmas não souberam justificar qual o trabalho
que faziam no Legislativo. A deputada argumentou que os funcionários
trabalhavam sem horário definido.
Esquema gafanhoto
O esquema veio à tona em julho do ano passado. Funcionários
de deputados estaduais autorizavam que seus salários fossem
depositados em uma única conta corrente. Parte deles nunca
teria trabalhado na Assembleia.
Fantasmas do PV
O PV usaria funcionários nomeados para o gabinete dos vereadores
do partido para cumprir atividades da legenda. Esses funcionários
seriam da cota de um quinto de indicação a que, pelo
estatuto da sigla, o partido tem direito. O vereador Professor Galdino
desobedeceu à determinação e exonerou dois indicados
pelo PV porque, segundo ele, não apareceram para trabalhar.
A iniciativa resultou na abertura de processo interno contra Galdino,
que terminou em sua expulsão da legenda. Segundo o PV, Galdino
foi expulso porque há uma denúncia contra ele por suposto
assédio sexual.
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Consultor Jurídico, 22 de março
de 2009
Justiça sem papel
Advogado trabalhista trabalha sem
sair do escritório
Por Gláucia Milicio
O Judiciário Trabalhista está a poucos passos de dar
adeus definitivo para o processo em papel. Hoje, os advogados trabalhistas
já podem acompanhar toda a tramitação processual
sem sair do escritório. Exceto no estado de Santa Catarina,
a Justiça do Trabalho já disponibiliza sistema para peticionamento
eletrônico em todas as instâncias. O processo virtual,
no entanto, ainda não chegou de todo na Justiça Trabalhista.
Por enquanto, os fóruns imprimem tudo aquilo que chega por meio
digital. Por pouco tempo.
Está para ser implantado na primeira e segunda instâncias
da Justiça trabalhista e no Tribunal Superior do Trabalho
o Sistema Unificado de Administração Processual (Suap).
Ele vai permitir que os processos trabalhistas sejam ajuizados e
tramitem do começo ao fim de forma totalmente digital.
As varas digitais ficarão disponíveis 24 horas por
dia para o acesso. Advogados, juízes, servidores e peritos
precisam, no entanto, aderir a certificação digital
para trabalhar no sistema. Em São Paulo, a certificação
da OAB atinge entre 70 e 80 mil advogados trabalhistas. O número
ainda é baixo. Calcula-se que existam cerca de 200 mil advogados
só no estado de São Paulo.
No Brasil, são 600 mil advogados. Desses, o diretor do Conselho
Federal da OAB nacional, Ophir Cavalcante Junior, não sabe
informar quantos estão inseridos digitalmente, mas reconhece
que existe um número elevado de profissionais da advocacia
que ainda não criaram a cultura do processo digital. Para
Ophir, a advocacia precisa refletir sobre as vantagens da certificação
digital, entre elas, a celeridade. Com o processo eletrônico,
o advogado atende mais rapidamente a parte, não precisa se
deslocar de seu escritório e ainda tem retorno dos honorários
num tempo mais efetivo, explica.
“O grande motivador para o advogado não é o
processo digital em si, mas a exigência judicial para que o
advogado utilize esse processo. O advogado funciona meio que pressionado
pela circunstância. O processo eletrônico vai deslanchar
a partir do momento em que o Judiciário colocar isso como
uma condição”, reconhece Ophir. Ele pondera que
a informatização do Judiciário deve ser pensada
em conjunto com os advogados e o Ministério Público. “Sem
a adesão da advocacia, nenhum projeto de informática
vai em frente.”
Amigos da tecnologia
Os advogados trabalhistas do Demarest & Almeida já acompanham
seus processos pela internet. O sócio responsável pela área,
Geraldo Baraldi Jr., conta que peticiona ações em diversos
TRTs sem sair do escritório, que fica em São Paulo.
Essa facilidade, de acordo com ele, permitiu que o escritório
economizasse com mão de obra, passagens aéreas e espaço
físico para colocar pilhas de papel.
Baraldi reconhece, no entanto, que nem todos os juízes já estão
familiarizados com a tecnologia. O advogado conta que, certa vez,
uma juíza indeferiu uma ação por intempestividade
sem se atentar que foi feito pelo meio digital, que tem horários
diferentes dos fóruns. Mais que depressa, ele esclareceu que
estava dentro do horário e ela não hesitou em assumir
que não havia se atentado para os dispositivos da Lei 11.419/06,
que regulamentou a informatização no Judiciário.
Segundo dados de 2007 divulgados recentemento pelo Conselho Nacional
de Justiça, tanto a Justiça do Trabalho como a Justiça
Federal possuem bom nível de informatização.
No TST, essa informatização é visível
nas sessões de julgamento. Cada ministro acompanha a pauta
e o voto dos colegas por meio de um computador, instalado na sua
mesa.
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