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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de março de 2009 | Economia
Combate ao desemprego têm avaliação
negativa
Agência Estado
A avaliação das ações do governo de combate ao
desemprego voltou a registrar resultado negativo em março, o que não
ocorria há um ano. Segundo a pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta sexta-feira
(20) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu
de 57% em dezembro para 46% em março o porcentual de entrevistados que
aprova a atuação do governo no combate ao desemprego.
Por outro lado, subiu de 40%
para 50%, no mesmo período de comparação, o porcentual
daqueles que desaprovam as ações do governo nesta área. "Sem
dúvida alguma, quando se busca identificar quais são as
questões que se destacam nesse momento atual da economia, a questão
do desemprego é a que mais se destaca", avaliou o diretor
de Relações Institucionais da CNI, Marco Antônio
Guarita.
Segundo o levantamento,
em oito de nove áreas pesquisadas, aumentou a reprovação
do trabalho do governo. Somente com relação à área
de educação houve uma certa estabilidade na avaliação
em comparação à pesquisa de dezembro, com oscilação
dentro da margem de erro. A desaprovação ao governo subiu
nas áreas de saúde, meio ambiente, impostos, taxa de
juros, segurança pública, combate à inflação,
combate à fome e à pobreza e combate ao desemprego.
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Folha de S.Paulo, 23 de março
de 2009
Desemprego pode atingir 231 milhões,
diz OIT
DA EFE
Para o diretor geral da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), a crise econômica internacional "se
transformou em uma crise global de emprego". "O desemprego,
em nível mundial, pode afetar até 231 milhões de
pessoas em 2009, o que significaria um aumento de 52 milhões na
comparação com 2007", alertou Juan Somavía.
Na sua avaliação, a atual conjuntura "colocou em perigo,
em tão poucos meses, grande parte dos avanços que o mundo obteve
nos últimos 15 anos em matéria de redução da pobreza".
A situação é especialmente delicada nos países
em desenvolvimento, como alguns latino-americanos, onde o aumento do desemprego
se somou à pobreza dos trabalhadores -em algumas regiões, eles
chegam a ganhar menos de US$ 2 por dia, destacou Somavía.
A fim de resolver esses problemas, afirmou o diretor da OIT, é preciso
restabelecer o fluxo internacional de capitais para garantir a continuidade
dos investimentos e conseguir que os bancos voltem a conceder crédito
para empresas e consumidores.
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Agência Diap, 23 de
março de 2009
Agenda Política: Lula promete
anunciar plano de habitação nesta 4ª
Correio Braziliense realiza debate sobre os "Desafios do funcionalismo
público em meio à crise econômica", com Toninho do
DIAP; Força Sindical funda seção no DF. Dieese e centrais
promovem a 2ª Jornada Nacional de Debates para tratar das "Negociações
coletivas num contexto de crise"
Os preparativos para a reunião
de líderes do G20 e a expectativa do Planalto para o lançamento
do plano nacional de habitação são destaques na
agenda política desta semana.
Em aquecimento para o G20, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o primeiro-ministro
do Reino Unido, Gordon Brown, e ainda se encontra com a presidente do
Chile, Michelle Bachelet.
Na pauta devem estar incluídos
assuntos ligados tanto à reunião do dia 2 de abril e a
crise financeira internacional quanto a mudanças climáticas.
Gordon Brown também vai
ao Chile para participar da Cúpula dos Líderes Progressistas,
evento que contará com a presença de Lula e do primeiro-ministro
espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero. São esperados
o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, e o ex-presidente estadunidense
Bill Clinton.
Na semana também está previsto
o anúncio do plano de habitação do Governo, que
prevê o financiamento de 1 milhão de casas populares, tendo
como foco a população de baixa renda.
Há cerca de quatro meses,
o plano é colocado pelo Governo como uma medida para ajudar a
aliviar os efeitos da crise financeira que vem provocando demissões
no País. Centrais
sindicais exigem contrapartida do Governo - contratação
de trabalhadores, com carteira assinada e não sublocação
de mão de obra por empresas de terceirização.
Lula, na semana, vai a Salvador
- onde participará da 1ª Mostra Nacional de Desenvolvimento
Regional e deve assumir compromisso de acelerar a redução
das desigualdades no Nordeste.
A Câmara dos Deputados
anunciou que instalará cinco comissões para debater os
reflexos da crise financeira internacional na economia brasileira.
Esses novos colegiados substituem
a comissão criada em fevereiro pelo presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB/SP) e irão monitorar os seguintes temas: sistema
financeiro, indústria, comércio, agricultura e emprego.
A seguir, os principais acontecimentos
da semana:
Segunda-feira
(23)
- Petroleiros da Federação Única dos Petroleiros (FUP)
entrarão em greve de cinco dias a partir de hoje.
- Em Pernambuco, Lula vai ao
município de Vitória de Santo Antão, onde participa
da inauguração de nova unidade produtora da Sadia. Depois
parte para Recife, onde vai à inauguração de nova
estação de metrô. Em seguida parte para Salvador
e participa de cerimônia de balanço do primeiro ano e anúncio
dos novos Territórios da Cidadania e as ações para
2009.
- A ministra Dilma Rousseff participa,
no Rio de Janeiro, de seminário "Cinco Anos do Novo Modelo:
Realidade e Perspectivas para o Setor de Energia Elétrica".
- O presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, participa do Seminário de Alto Nível
dos Bancos Centrais da Zona do Euro e da América Latina na Cidade
do México.
- Em São Paulo, o presidente
do Senado Federal, José Sarney (PMDB/AP), faz palestra promovida
pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e o Uniceub-DF com o tema "O
Senado da República Federativa do Brasil".
Terça-feira
(24)
- O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anuncia ampliação do seguro-desemprego
do número máximo de cinco para até sete parcelas no caso
dos demitidos
nos setores mais atingidos pela crise econômica.
- O Conselho Curador do FGTS
se reúne para decidir itens do pacote habitacional que utilizarão
recursos do fundo.
- Seguindo viagem em Salvador,
Lula participa da 1ª Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional
e assume com os governadores compromisso de acelerar a redução
das desigualdades no Nordeste.
- O ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, é convidado de audiência pública na
Comissão da Amazônia, Integração Nacional
e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados, em que serão
discutidas ações relativas a prevenção, monitoramento
e controle de desmatamento da Amazônia. Devem comparecer a presidente
da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA), a senadora Kátia Abreu (DEM/TO).
- O ministro da Educação,
Fernando Haddad, é convidado a participar de seminário
internacional sobre alfabetização e educação
na Comissão de Educação e Cultura da Câmara
dos Deputados. Também comparecem o presidente da casa, Michel
Temer (PMDB/SP), representante da Unesco e outros.
- O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, devem participar
de audiência pública sobre a cadeia produtiva de carne no
Brasil frente à crise no setor.
- O presidente do Supremo Tribunal
Federal, o ministro Gilmar Mendes, é sabatinado pelo jornal Folha
de S.Paulo.
- A Executiva Nacional do PT
se reúne em Brasília para debater assuntos internos.
- O Correio Braziliense realiza
debate sobre os "Desafios do funcionalismo público em meio à crise
econômica". O debatedor será Antônio Augusto
de Queiroz, jornalista, analista político e diretor de Documentação
do DIAP. A palestra começara às 19h30, no auditório
do Correio Braziliense, no SIG Q. 2, Lote 340.
Quarta-feira
(25)
- A Força Sindical funda sua seção no DF. O evento será na
sala de convenções do Hotel San Marco, no SHS, Q. 5, Bloco C,
em Brasília, das 8 às 14h.
- Lula faz reunião de
coordenação no Itamaraty e mais tarde deve anunciar o plano
nacional de habitação.
- Dia marcado para a Câmara
dos Deputados instalar cinco
comissões, em substituição à criada em
fevereiro pelo presidente da Casa, Michel Temer, para debater os reflexos
da crise financeira internacional na economia brasileira.
- Henrique Meirelles deve ir à Comissão
de Assuntos Econômicos do Senado para fazer exposição
sobre os altos spreads bancários, desvalorização
da moeda e política monetária e cambial adotados pelo Brasil
frente à crise.
Quinta-feira
(26)
- Dieese e centrais promovem a 2ª Jornada Nacional de Debates para tratar
das "Negociações coletivas num contexto de crise".
O evento começa às 14h30, no Conselho Regional de Economia do
DF, no SCS Q. 1, Ed. Antônio Venâncio da Silva, salas 301 a 306.
- IBGE divulga dados do desemprego
em fevereiro.
- O presidente Lula recebe o
primeiro ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e mais tarde se encontra
com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Manouchehr
Mottaki.
- Em São Paulo, os ministros
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel
Jorge, e do Comércio da Suécia, Ewa Björling, falam
sobre cooperação industrial, perspectivas de crescimento
de investimentos para os próximos anos e incremento do comércio
entre Brasil e Suécia.
- O diretor-executivo do Programa
Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Michel
Sidibé, faz visita à Comissão de Direitos Humanos
da Câmara dos Deputados, e se encontra com parlamentares do colegiado,
da frente parlamentar pela cidadania LGBT entre outros.
- O ministro Fernando Haddad é convidado
de audiência pública na Comissão de Ciência
e Tecnologia da Câmara dos Deputados para debater as relações
entre as instituições públicas ligadas ao Ensino
Superior no Brasil.
Sexta-feira
(27)
- O presidente Lula se encontra com a presidente do Chile, Michelle Bachelet,
e no dia seguinte participa da Cúpula de Líderes Progressistas.
- A ministra Dilma Rousseff
participa de seminário sobre a crise financeira na Assembléia
Legislativa gaúcha.
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Agência Diap, 23 de
março de 2009
Crise: Câmara promove debate
entre centrais e entidades patronais
A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, sob a
presidência do deputado Edmilson Valentim (PCdoB/RJ) realiza, nesta quinta-feira
(26), audiência pública sobre formas de enfrentar a crise econômica.
A reunião tem o objetivo
de confrontar as sugestões, de trabalhadores e empresários,
para encontrar uma forma de sair da crise financeira internacional ou,
ao menos, minimizar os efeitos nocivos advindos da crise internacional.
Para o debate foram convidados
representantes das confederações nacionais da Indústria
(CNI); do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo (CNC);
e das centrais sindicais Força Sindical e CUT.
A audiência pública
será no plenário 4, às 9h30.
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ZERO HORA, 23 de março
de 2009
PACOTE HABITACIONAL
Casas podem custar 6% menos
Ministério calcula em quais tributos deve promover cortesA redução
de tributos para o setor da construção civil que deve vir no
pacote da habitação pode baixar o preço de imóveis
em 6%. Outro benefício da desoneração é reduzir
a informalidade no setor, atualmente em 70%.
Mas calcular o tamanho dos cortes
tributários tem sido um dos maiores desafios da equipe econômica.
Num momento de crise, com receitas em queda, técnicos do Ministério
da Fazenda tentam fechar as contas com o objetivo de reduzir a carga
tributária para materiais de construção e construtoras.
Pela proposta em estudo, o Regime
Especial de Tributação (RET) – que reúne PIS/Cofins,
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL) – teria a alíquota
reduzida de 7% para 1%, ou zero para empresas que construírem
imóveis voltados para baixa renda (até três salários
mínimos).
Embora o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, já tenha afirmado publicamente que não haveria
redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
para produtos usados na construção civil, o pacote deve
contemplar alguns benefícios nesse sentido.
Plano de habitação não
saiu do papel
Apesar do esforço do governo
em preparar uma proposta que prevê pesados subsídios e desonerações
para estimular a construção de 1 milhão de casas,
especialistas apontam que o conjunto de medidas pontuais deve ficar longe
de solucionar o déficit habitacional brasileiro, calculado em
8 milhões de moradias.
Representantes de empresas e
técnicos do governo admitem que a ação é mais
uma forma de ajudar o setor da construção civil – essencial
para a geração de empregos e para puxar a economia num
momento de crise – do que um plano de longo prazo para permitir
que os brasileiros realizem o sonho da casa própria. O pacote
será anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
na quarta-feira.
Já existe um instrumento
para atacar o déficit de moradias: o Plano Nacional de Habitação
(PlanHab), lançado em 2007 com o objetivo de direcionar melhor
os recursos para habitação. Mas, até agora, nada
saiu do papel. A proposta era colocar esse programa em funcionamento
no início do ano, já no bojo da crise. A ideia, contudo,
foi abandonada.
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Gazeta do Povo, 23 de março
de 2009
Impostos
Brasil fez menos que seus vizinhos contra
a crise
As decisões tomadas pelo governo Lula para aliviar o bolso do brasileiro
em um momento de crise foram tímidas se comparadas às adotadas
por alguns de nossos vizinhos. Levantamento da consultoria Ernst & Young
com cinco países da América do Sul mostra que, mesmo com a criação
de novas alíquotas – 7,5% e 22,5% – de Imposto de Renda
(IR) no país, a classe média brasileira é a segunda mais
tributada, perdendo apenas para a do Peru. Se consideradas as ações
anticrise para preservação de empregos, o Chile sai na frente.
Embora com economias menores
que a brasileira, argentinos e equatorianos foram apontados como mais
ousados, por terem ampliado as deduções. No Equador, foi
permitido deduzir gastos com educação, saúde, aluguel,
além de alimentação e vestuário, com teto
de US$ 10.250 anuais ou cerca de R$ 23 mil. Na Argentina, foi revogado
o fator de redução das deduções que incidem
sobre o IR, fazendo com que elas sejam integrais.
No Brasil, a principal medida
na área fiscal para combater a crise foi a criação
das faixas intermediárias de IR de 7,5% e 22,5%. As novas alíquotas
já valem para os salários pagos ao longo deste ano, mas
só terão efeito sobre a declaração de IR
em 2010. Até 2008, eram três: isento, 15% e 27,5%. De acordo
com a Ernst & Young, a mudança gerou alívio anual máximo
de R$ 1.162,46 para as famílias. Proporcionalmente, os ganhos
foram maiores nas faixas entre R$ 1.500 até R$ 3 mil por mês,
a chamada classe média C na classificação da Fundação
Getulio Vargas (FGV).
Empregos
Se consideradas as ações
para preservação de empregos, o Chile se destaca. Enquanto
no Brasil o número de parcelas de seguro-desemprego foi ampliado,
o governo de Michelle Bachelet permitiu a dedução de
gastos com treinamento de empregados e deu incentivos fiscais para
contratação de jovens.
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Folha de S.Paulo, 23 de março
de 2009
Casos de assédio moral
crescem na crise
Desde fim de 2008, mais de mil trabalhadores
entraram na Justiça paulista alegando humilhações
e ameaças no emprego | Dificuldades nas empresas por causa
da crise podem gerar situações de assédio,
embora falte legislação federal específica
no país
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A.S., ex-diretor de Recursos
Humanos de uma indústria de motocicletas, diz que não apoiou
a demissão de centenas de funcionários que poderiam ser
lesados em seus direitos. Perdeu poder na empresa, foi ameaçado
veladamente e acabou demitido no mês passado.
O executivo decidiu cobrar na Justiça do Trabalho o assédio moral
que acredita ter sofrido após as medidas que a companhia adotou para
enfrentar os efeitos da crise mundial.
Vendedora de uma empresa de cosméticos, M.S. diz que foi isolada por
colegas que temiam a competição no trabalho. Passou a receber
e-mails com vírus para atrasar e desqualificar seu desempenho. Teve
de trabalhar de madrugada para colocar o serviço em dia até ser
afastada por doença física e psíquica e também
acionou a Justiça por assédio moral.
Advogados relatam que a pressão para melhorar os resultados diante dos
efeitos da crise mundial se dissemina e coloca cada vez mais trabalhadores
-como o ex-diretor de RH e a vendedora- em situações de possível
assédio moral.
Em 12 escritórios de advogados consultados pela Folha na última
semana, aumentou desde outubro o número de ações trabalhistas
ou de consultas para abrir processos e pedir indenizações por
assédio moral.
A Associação dos Advogados Trabalhistas do Estado de São
Paulo (AATSP) estima que os mil profissionais associados ingressaram na Justiça
com ao menos uma ação de assédio moral cada um desde que
a crise se agravou no final de 2008.
Procuradores do Ministério Público do Trabalho em seis Estados
(Rio, Pernambuco, Piauí, Ceará, Santa Catarina e São Paulo)
e no Distrito Federal investigam 145 denúncias recebidas neste ano sobre
assédio nos setores aéreo, bancário, metalúrgico
e de comércio.
É considerado assédio moral um conjunto de condutas abusivas, frequentes
e intencionais que atingem a dignidade da pessoa e que resultam em humilhação
e sofrimento. "O assédio moral, também chamado de "terror
psicológico" no trabalho, é hoje um dos requisitos para aumentar
a produtividade nas empresas, que precisam ser mais competitivas contra a crise",
diz Luiz Salvador, presidente da Abrat (associação brasileira dos
advogados do setor).
Com o acirramento da competição, o assédio moral tende
a crescer intra e entre os grupos nas empresas de diferentes setores -principalmente
em segmentos onde a tensão é maior, como mercado financeiro e
empresas que tiveram o patrimônio reduzido na crise.
" Existe uma crise real e uma imaginária, que torna os funcionários
mais inseguros e angustiados. Com essa tensão coletiva, o clima é de
maior disputa. Quem está fora do mercado quer entrar, e quem está dentro
não quer sair. Os gestores são mais pressionados, pressionam os
empregados da produção, e as situações de assédio
vão se alastrando", diz o pesquisador Roberto Heloani, professor
da FGV e da Unicamp.
O número de consultas ao site (www.assediomoral.org.br) cresceu cerca
de 20% desde que a crise se agravou, em outubro, afirma Heloani, coordenador
do site. Em alguns escritórios paulistas, a demanda por essas informações
subiu em 30% nos últimos dois meses.
O assédio, que se espalha do alto escalão à produção,
atinge trabalhadores de todas as rendas. Um alto executivo americano que veio
ao Brasil comandar grupo de assuntos estratégicos de um banco por quase
R$ 60 mil mensais já recorreu à Justiça por assédio.
Com a crise, sua função foi extinta. Ele foi deixado em casa
até o banco romper seu contrato, antes do prazo previsto e sem pagar
a devida indenização.
Cobrar metas faz parte do dia a dia de qualquer empresa. O problema, dizem
os especialistas, é a forma dessa cobrança. Se houver humilhação
e ameaça, está caracterizado o assédio. "A imposição
de metas para alcançar maior produtividade não implica qualquer
violação aos direitos do empregado. Ao contrário, já que
podem servir como motivação para alcançar bônus
ou prêmio. Mas as metas não podem ser absurdas nem abusivas",
diz Otavio Brito Lopes, procurador-geral do Trabalho.
Não há legislação federal específica para
o assédio moral no Brasil. Por isso, parte dos advogados crê que,
em épocas de crise, o assédio pode ser "usado" pelos
trabalhadores para pleitearem indenizações.
" Há pedidos absurdos relativos a assédio moral e com valores
desproporcionais. Essa situação é fruto da angústia
e desespero dos trabalhadores quando são demitidos. Com isso, demandas
verdadeiras de assédio moral ficam sujeitas à ideia de também
serem despropositadas", diz o advogado Guilherme Miguel Gantus.
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Folha de S.Paulo, 23 de março
de 2009
folhainvest
Investidores ainda fogem da poupança
Processo de queda de juros pode favorecer
a aplicação, mas por enquanto o que se vê é fuga
de recursos da caderneta | Investimento tem saques líquidos
de R$ 884 mi neste mês até o dia 16 e teve em fevereiro
um dos menores ganhos da história, de 0,54%
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Em meio à discussão
sobre os riscos de os investidores migrarem dos fundos para a caderneta
de poupança, devido à maior atratividade da aplicação,
o que se vê hoje no mercado é outra realidade. Tanto neste
mês quanto no acumulado do ano, a poupança sofre com saques
de recursos, enquanto os fundos atraem investidores.
Em março, até o dia 16, a poupança registra saques líquidos
de R$ 884 milhões, sendo, por enquanto, o mês mais fraco desde
abril passado. No ano, a captação líquida (diferença
entre saques e aplicações) está negativa em aproximadamente
R$ 620 milhões, segundo dados do Banco Central.
Ao menos por enquanto, os fundos ainda mantêm a preferência dos
investidores. No ano, o mercado de fundos registra captação positiva
de R$ 9,49 bilhões. No mês, até o dia 16, a entrada de
recursos nos fundos alcança R$ 4,61 bilhões.
" Mas vejo uma ameaça de migração de recursos dos fundos
para a poupança em um futuro próximo. Como espera-se que a taxa
Selic prossiga em queda, os ganhos dos fundos vão encolher e diminuir
sua competitividade em relação à poupança. Se isso
não começou a ocorrer ainda, o risco é eminente", diz
Mauro Calil, professor e educador financeiro.
A poupança teve em fevereiro um de seus menores retornos da história.
Com rentabilidade de 0,545%, aproximou-se de sua mínima histórica,
os 0,524% pagos em fevereiro do ano passado.
Naquele período, o governo fez exatamente o inverso do que se espera
que faça agora: tomou medidas para garantir que os ganhos da poupança
fossem de ao menos 0,5% ao mês.
Como a poupança tem esse piso de 0,5% ao mês e os fundos, não,
o impacto da continuidade da queda da taxa básica de juros não
poderá ser evitado. Um dos grandes problemas enfrentados pelos fundos é a
cobrança de IR e de taxa de administração, que não
incidem sobre a poupança. Ou seja, a rentabilidade líquida dos
fundos -computada após os descontos de taxas e impostos- pode ficar
abaixo do que é oferecido pela poupança em breve.
Apenas a taxa de administração consome uma parcela que pode ser
bem elevada do retorno de um fundo. Essa taxa costuma oscilar entre 1% e 4%
anuais. Com os juros a 10% (ou menos que isso) daqui a alguns meses, como projeta
o mercado, o impacto da taxa de administração vai ser ainda maior.
" O pequeno investidor não se preocupa muito com essas contas. Mas
os grandes, sim. E o problema vai surgir quando esses grandes aplicadores resolveram
trocar os fundos pela poupança", afirma Calil.
Uma migração desembestada dos fundos para a poupança não
interessa nem aos bancos nem ao governo. Para os bancos, uma das perdas viria
da diminuição dos ganhos com taxa de administração.
Para o governo, os fundos são importantes por serem grandes compradores
de títulos públicos.
" Quando a taxa Selic estava em 12,75%, os fundos ainda mantinham-se mais
atrativos que a poupança. Mas com a taxa básica nos atuais 11,25%
a situação começa a mudar. O governo está correto
em se preocupar e buscar uma maneira de mexer com a rentabilidade da poupança",
avalia a consultora de investimentos Márcia Dessen, da Bankrisk.
Com a taxa Selic em 11,25% ao ano, os fundos DI ou de renda fixa que cobram
uma taxa de administração acima de 2% já começam
a perder para a poupança. Segundo uma simulação feita
pelo economista José Dutra Vieira Sobrinho, atualmente o rendimento
da caderneta está em 0,58% ao mês, enquanto um fundo que cobre
taxa de administração de 2,5% oferece retorno de apenas 0,55%.
A comparação considera que incide sobre a rentabilidade do fundo
a cobrança de 20% de IR. Caso a Selic caia para 10,25% ao ano no mês
que vem, quando o Copom volta a se reunir, só fundos com taxa de administração
de, no máximo, 1% continuariam ganhando da caderneta.
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Colaborou NEY HAYASHI DA CRUZ, da
Sucursal de Brasília
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de março de 2009 | Política
Nova tramitação de MPs
movimenta Câmara
Agência Estado
Enquanto o Senado atravessa uma nova crise ética, na Câmara a
turbulência acontece na área de atuação parlamentar.
Com seu trabalho engessado por conta da preferência regimental dada à apreciação
das medidas provisórias, a Câmara deu um inesperado passo, na
terça-feira, ao aplicar nova interpretação para sua votação.
O presidente da Casa, Michel
Temer (PMDB-SP), determinou que propostas de emendas constitucionais,
projetos de lei complementares e decretos legislativos passem a ter preferência
sobre as MPs, desde que não se trate de sessão ordinária.
Ou seja, a pauta pode ser destravada com a convocação de
uma sessão extraordinária para apreciar outros projetos.
A decisão teve apoio
imediato do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Assim
como sofre pressões da sociedade para moralizar seus costumes,
o Congresso também tem sido criticado por não tomar providências
contra o rito das MPs, editadas pelo governo federal. Afirma-se que o
Legislativo silencia para favorecer os interesse do Palácio do
Planalto.
O movimento para reduzir
a força das MPs é uma tentativa do Legislativo de retomar
o controle das votações. Mas é também uma
manobra que pode resultar em mais poder político para o PMDB.
Afinal, contidas as MPs, os dois presidentes, ambos peemedebistas,
ganham maior controle sobre a pauta. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de março de 2009 | Política
Grupo do PT coloca Dilma como candidata
ideal em 2010
Agência Estado
O grupo Mensagem ao Partido - corrente do PT criada em 2007 com o objetivo
de recuperar a confiança da legenda após o escândalo do
mensalão - emitiu manifesto com diretrizes para o desenvolvimento do
Brasil depois da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O texto, que se estende por quatro páginas, foi finalizado no encerramento
da convenção nacional realizada pelo grupo.
Entre sugestões de conduta
do partido e também para a economia brasileira, o Mensagem ao
Partido faz citação, em um parágrafo, ao nome da
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata ideal do PT às
eleições presidenciais de 2010. "De nossa parte, consideramos
a companheira Dilma Rousseff, pelo seu papel no governo, no qual demonstra
sua capacidade de governar, e com a garantia de sua trajetória
de vida e de luta, uma solução adequada para a nova vitória
em 2010 e para a continuidade e aprofundamento das medidas essenciais
que marcam a presidência de Lula", segundo o manifesto.
No sábado, Dilma
compareceu à convenção do grupo e teve sua candidatura
apoiada pelos ministros Tarso Genro (Justiça), Carlos Minc (Meio
Ambiente) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). O Mensagem
ao Partido também escolheu o nome do deputado José Eduardo
Cardozo como candidato do grupo à presidência do PT.
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Gazeta do Povo, 23 de março
de 2009
Frustração
Piora a moral do Congresso
O eleitor mostra-se frustrado diante do Congresso Nacional em pesquisa Datafolha
divulgada domingo. Senadores e deputados federais eleitos em 2006 tiveram desempenho
reprovado por um número maior de pessoas. O índice subiu 6 pontos
porcentuais desde novembro de 2008.
Ruim ou péssima. Assim é a
atuação do Congresso para 37% dos entrevistados (em novembro,
31% deram essa resposta). Entre os brasileiros que têm curso superior,
47% mostraram tamanha decepção.
Para 39%, o trabalho dos
congressistas é regular. O índice anterior era de 43%.
Apenas 16% consideram o desempenho do Congresso ótimo ou bom;
eram 19% em novembro do ano passado, maior taxa de aprovação
obtida por essa legislatura. A margem de erro é de dois pontos
percentuais, para mais ou para menos. Foram ouvidos 11.204 maiores
de 16 anos em 371 municípios.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de março de 2009 | Política
'Clube de amigos' do Senado faz folha
crescer 42%
Agência Estado
Nos últimos 45 dias, sem votar projetos, o Senado foi atropelado por
uma crise ética que paralisou a Casa e deixou como saldo a pior imagem
para uma instituição pública: a de que virou um espaço
para servir a interesses privados. Pela boca dos próprios parlamentares
e de representantes da sociedade civil, que acompanharam de perto o desenrolar
da crise, as práticas do Senado são vistas como típicas
de "um clube de amigos" que fez "um pacto de silêncio".
A mistura de ineficiência
e desmando político-administrativo consentida pelos próprios
senadores pode ser medida só com os números da galopante
folha salarial. Os R$ 2,1 bilhões gastos em 2007 subiram para
R$ 2,8 bilhões no ano passado. Para este ano, a folha salarial é de
R$ 3 bilhões - 42,8% de aumento em dois anos. Uma conta fácil
de explicar porque muitos dos diretores do Senado, que cuidam só de
serviços gerais, ganham até R$ 20 mil mensais.
Foram as feridas políticas
abertas com a disputa pelo controle da Presidência - ganha pelo
senador José Sarney (PMDB-AP) contra Tião Viana (PT-AC)
- que destravaram a briga fratricida entre setores de PMDB e PT e deflagraram
uma onda de revelações sobre os maus costumes da Casa.
Isso resultou na descoberta
de pagamentos de horas extras em mês de recesso parlamentar (janeiro),
fartura de cargos de direção (leia na página 6),
uso indevido de imóveis funcionais por diretores, má utilização
de verbas indenizatórias, entre outros problemas. Em um mês
e meio, esse turbilhão se tornou o centro de cada conversa no
Senado, e nada foi discutido ou votado fora dessa "agenda".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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CORREIO DA BAHIA, 23 de março
de 2009
Greve da construção
civil impede duas mil contratações no estado
Redação CORREIO
Além de paralisar as atividades nos canteiros de obras, a greve dos
trabalhadores da construção civil pode ter barrado a criação
de quase 2 mil empregos temporários, segundo Carlos Alberto Vieira Lima,
vice presidente do Sindicato da Industria da Construção do Estado
da Bahia (Sinduscon). “Essa fase do ano é rica em contratações
e em virtude da grave deixamos de gerar cerca de 2mil postos de trabalho. Só no
empreendimento LeParc, por exemplo, 250 operários deixaram de ser contratados”,
ressalta Lima.
Segundo o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracom), Raimundo
Brito, os trabalhadores exigem reajuste unificado de 13%, com piso salarial
de R$494,94, para ajudante comum; de R$531,10 para ajudante prático
e R$866,37 para operário qualificado; além de cesta básica
de R$115 e fim do contrato de experiência (que se estende por 90
dias). Já o Sinduscon oferece reajuste salarial de 10% para ajudante
comum e 6% para trabalhador qualificado.
Uma nova reunião
deverá ser realizada na próxima terça-feira na
sede do Ministério Público do Trabalho para tentar resolver
o impasse da greve, que já completa oito dias.
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Valor Econômico, 23 de
março de 2009
Liminar isenta sindicato de INSS em
aviso prévio indenizado
Trabalhadores começam
a recorrer à Justiça para não pagar a contribuição
previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. Os 12 mil
associados do Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do
Comércio e em Empresas de Perícias, Informações
e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis (Seaac)
do município de Americana e região, no interior de São
Paulo, foram beneficiados por uma liminar que afasta a retenção
do tributo.
A Lei 8.212, de 1991, determina
que as empresas devem pagar parte da contribuição previdenciária
e reter outra parte da remuneração do trabalhador. Além
disso, se a empresa não faz a retenção, ela pode
responder criminalmente pelo ato.
Decreto
6.727
A incidência da contribuição previdenciária sobre
o aviso prévio indenizado foi imposta pelo Decreto 6.727, publicado
no dia 12 de janeiro deste ano. A medida afeta principalmente as empresas que
estão demitindo funcionários em razão da crise e os funcionários
demitidos.
Segundo a presidente do sindicato,
Helena Ribeiro da Silva, diversas empresas do setor de logística
já tiveram que modificar rescisões de contrato de trabalho,
decorrentes da atual crise, em razão da liminar. Com isso, os
trabalhadores recebem de 8% a 11%, de acordo com a categoria, a mais
na rescisão, até o teto de cerca de R$ 3 mil.
Verbas
indenizatórias
No processo, o advogado que representa o sindicato, Fábio Zanão,
do escritório Fortunato, Cunha, Zanão & Poliszezuk Advogados,
argumentou que as verbas indenizatórias não podem ser objeto
de tributação de acordo com o Código Tributário
Nacional (CTN).
Mas a liminar não concede às
empresas o direito de deixar de pagar a parte delas, segundo Zanão.
Na decisão, o juiz João Carlos Cabrelon de Oliveira, da
3ª Vara Federal de Piracicaba, apenas autoriza os respectivos empregadores
a deixar de fazer a "retenção" imposta pelo Decreto
6.727, de 2009.
Por esse motivo, caso a liminar
caia, essas empresas correm o risco de serem autuadas pelo INSS. Para
o advogado Marcelo Gômara, sócio da área trabalhista
e previdenciária do escritório TozziniFreire, as empresas
afetadas pela decisão poderão ter problemas com a Previdência
porque a GFIP - guia pela qual é feito o recolhimento e retenção
da contribuição previdenciária - não permite
que a empresa deixe de reter a parte do funcionário e recolha
a parte dela.
O advogado Marcelo Gômara
afirma que a solução será a empresa fazer um pedido
administrativo ao INSS para que ela possa fazer o pagamento apenas da
sua parte da contribuição previdenciária, ou ajuizar
ação para pedir a liberação do pagamento
da sua parte da contribuição. Várias empresas já conseguiram
liminares na Justiça nesse mesmo sentido.
Comerciários
e bancários do BB
A CNTC (Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio) também obteve importante
vitória na Justiça para o segmento, contra o Decreto 6.727.
A conquista
dos funcionários do Banco do Brasil foi em relação à processo
que trata da isenção do INSS sobre as conversões
em espécie de licenças-prêmio, abonos-assiduidade,
folgas e férias, pagas pelo Banco do Brasil. (Com Valor Econômico)
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