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Agência Brasil, 25 de março
de 2009
Governo amplia seguro-desemprego
para demitidos em dezembro
Critério usado para que as duas parcelas a mais sejam concedidas
foi a comparação da média entre 2003 e 2009,
da evolução do emprego com carteira assinada em cada
subsetor de atividade, com base no movimento dos meses de dezembro,
janeiro e fevereiro últimos, explicou Lupi
Os trabalhadores demitidos
em dezembro do ano passado terão direito a receber até
sete parcelas do seguro-desemprego. O anúncio foi, nesta terça-feira
(24), pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
De acordo ele, pessoas que
perderam o emprego em 42 setores - entre eles, os das indústrias
têxtil, metalúrgica e mecânica - passarão
a ter o benefício a partir de 1º abril. Segundo dados
do ministério, 103,7 mil desempregados vão ser atingidos
pela medida.
A ampliação
de cinco para sete do número máximo de parcelas do segundo-desemprego
precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (Codefat) durante reunião agendada para o próximo
dia 30.
O ministro explicou que o
critério usado para que as duas parcelas a mais sejam concedidas
a esses trabalhadores foi a comparação da média
entre 2003 e 2009, da evolução do emprego com carteira
assinada em cada subsetor de atividade, com base no movimento dos
meses de dezembro, janeiro e fevereiro últimos.
"Os que tiveram saldo
negativo 30% superior a essa média entraram no benefício.
Portanto, quem foi demitido em dezembro, dentro dos subsetores e estados
selecionados, terá mais duas parcelas. Quem tinha direito a
três meses de seguro-desemprego, receberá cinco. Quem
receberia cinco, contará com sete", disse Lupi.
O valor a ser recebido varia
de R$ 465 (valor do salário mínimo) a R$ 870,01. O ministério
estima que o gasto será de R$ 126 milhões.
O ministro disse ainda que
não espera que seja feita novamente uma nova ampliação
do seguro-desemprego porque no mês de fevereiro já houve
uma recuperação no número de novos empregos.
"Se tivéssemos
uma média continuada de demissões negativas acima de
30% nos setores, poderíamos solicitar uma nova autorização",
explicou. (Fonte: Agência Brasil)
Clique aqui
e veja as atividades econômicas que serão contempladas.
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O ESTADO DO PARAN[A, 25
de março de 2009 | Economia
Desemprego em seis capitais é
recorde
Agência Estado
A taxa de desemprego no conjunto das seis regiões metropolitanas
pesquisadas pelo Fundação Seade em conjunto com o Dieese
subiu para 13,9% em fevereiro ante 13,1% registrados em janeiro, segundo
dados divulgados nesta quarta-feira (25). O crescimento foi o mais
intenso para o mês desde o início da série histórica,
iniciada em 1998. Em fevereiro de 2008, o desemprego estava em 14,5%.
Nas regiões metropolitanas
de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo
e Distrito Federal o contingente de desempregados foi estimado em
2,756 milhões de pessoas, ou seja, 136 mil a mais do que o
registrado em janeiro deste ano.
O rendimento médio
real dos ocupados ficou relativamente estável e variou 0,2%
em janeiro de 2009 ante dezembro de 2008, passando para R$ 1.193,00.
O indicador subiu 3,6% ante janeiro de 2008.
O nível de ocupação
caiu 1,3% em fevereiro ante janeiro, mas subiu 1,6% em relação
a fevereiro de 2008. A massa de rendimento dos ocupados, que combina
ocupação e rendimento, caiu 1,1% em janeiro deste ano
ante dezembro do ano passado e subiu 6,3% ante janeiro de 2008.
São Paulo
A taxa de desemprego na região
metropolitana de São Paulo subiu pelo segundo mês consecutivo
e passou para 13,5% em fevereiro, segundo dados da Fundação
Seade e do Dieese. A intensidade da alta do desemprego na região
surpreendeu os pesquisadores, uma vez que a taxa estava em 12,5% em
janeiro. Em fevereiro do ano passado, o desemprego estava em 13,6%.
O contingente de desempregados
da região metropolitana de São Paulo foi estimada em
1,397 milhão de pessoas, o que representa um número
92 mil a mais que em janeiro. O rendimento médio real dos ocupados
subiu 0,8% em janeiro ante dezembro, e 1,5% ante janeiro de 2008,
passando a valer R$ 1.229,00.
O nível de ocupação
na região caiu 2% em fevereiro ante janeiro, mas subiu 0,7%
ante fevereiro de 2008. A massa de rendimento dos ocupados, indicador
que combina rendimento e ocupação, caiu 0,8% em janeiro
ante dezembro, e apresentou aumento de 4,2% ante janeiro de 2008.
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Agência Brasil,
25 de março de 2009
FGTS entra com R$ 12 bi no pacote
habitacional que Governo anuncia
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, informou que o Conselho
Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou
hoje (24), por unanimidade, a liberação total de R$
12 bilhões para o programa habitacional que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva vai anunciar, nesta quarta-feira (25),
destinado à construção de 1 milhão de
moradias até o final de 2010.
Do total, R$ 4 bilhões
devem ser usados ainda neste ano, de acordo com expectativas do ministro,
e os R$ 8 bilhões restantes serão incluídos na
proposta orçamentária de 2010, que o Executivo encaminhará
para o Congresso Nacional no segundo semestre. Ele lembrou, contudo,
que "o FGTS tem autonomia de execução orçamentária".
Lupi explicou que cerca de
R$ 4 bilhões dos recursos alocados pelo FGTS serão utilizados
no financiamento de moradias para os trabalhadores com renda de até
três salários mínimos por mês. Essas operações,
segundo ele, serão totalmente subsidiadas pelo governo, e o
FGTS terá cobertura de recursos do Tesouro Nacional.
Acima da renda mensal de três
salários mínimos, os financiamentos atenderão
a faixas específicas de ganhos, que o ministro não quis
antecipar. "O detalhamento será feito amanhã, pelo
presidente Lula, no lançamento do pacote da habitação",
disse ele.
Questionado se a liberação
dos R$ 12 bilhões não implicaria em possível
desequilíbrio financeiro do FGTS, o ministro salientou que
"isso não é verdade, pois o FGTS dispõe
hoje de patrimônio de mais de R$ 200 bilhões e goza de
saúde financeira. Temos aumentado a arrecadação
e melhorado sua dinâmica, de modo que o FGTS é um dos
fundos mais bem remunerados do Brasil".
O ministro revelou, também,
que o Conselho Curador do FGTS - formado por oito representantes do
governo federal, quatro dirigentes de entidades patronais e quatro
representantes dos trabalhadores - aprovou ainda a liberação
de R$ 3 bilhões para programas de saneamento básico
e R$ 1 bilhão para renovação de frotas de ônibus
urbanos.
Ele afirmou que, de acordo
com estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV), o pacote
habitacional deve gerar cerca de 532 mil novos empregos e crescimento
adicional de 0,7 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB),
soma das riquezas produzidas no país.
Enquanto isso, as liberações
para saneamento básico e melhoria do transporte devem criar
260 mil vagas de trabalho até o final do ano que vem, com crescimento
adicional de 0,3 ponto percentual do PIB. "Teremos, portanto,
aumento da arrecadação para crescimento do próprio
FGTS, que é hoje o maior patrimônio dos trabalhadores",
acrescentou. (Fonte: Agência Brasil)
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Agência Sindical,
25 de março de 2009
Plano de habitação:
centrais querem acompanhamento direto
Os dirigentes sindicais da área da construção
civil e das centrais definiram, na segunda-feira (23), as propostas
que encaminharão ao governo federal para a execução
do plano de habitação. Na sexta-feira, a ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o plano aos sindicalistas
em reunião com outros ministros no Palácio do Planalto.
A principal reivindicação
é a criação de uma comissão permanente
tripartite (governo, empresários e trabalhadores) para o
acompanhamento dos impactos do projeto. Os sindicalistas querem,
com isso, assegurar que a execução do plano tenha
como resultado a geração de empregos com Carteira
assinada e respeito à legislação trabalhista.
O projeto do governo é
construir 1 milhão de casas populares, a fim de combater
os efeitos da crise financeira internacional, sobretudo na geração
de empregos. O plano deve ser lançado oficialmente pelo presidente
Lula nesta quarta-feira (25).
Na reunião de sexta,
uma das questões levantadas pelos dirigentes das centrais
foi exatamente a exigência de contrapartidas sociais das empresas
que participarem do programa. Os líderes sindicais defendem
que todas as contratações nos canteiros de obras tenham
carteira assinada. Querem ainda coibir a terceirização
de mão-de-obra, com vínculos estabelecidos diretamente
com as empresas vencedoras de obras.
Confira as propostas das centrais
1 - Criação
de uma comissão Nacional Tripartite permanente (governo,
empresários e trabalhadores), instituída por meio
de portaria governamental, para o acompanhamento dos impactos gerados
pelo projeto:
a) Projeto de qualificação
e requalificação de mão-de-obra
b) Geração de empregos formais;
c) Cumprimento das legislações trabalhistas: normas
regulamentadoras e Convenções Coletivas; e
d) Estimular a contratação dos beneficiários
do programa Bolsa Família que serão qualificados através
do Planseq com inserção no ramo da construção
civil.
2 - Que as residências
tenham no mínimo:
a) 72 m² de área
útil nas construções de moradia de interesse
popular;
b) que tenham 3 dormitórios, com relógios individuais
de água e luz;
c) Aquecimento solar visando à economia de energia; e
d) Infraestrutura: educação, saúde, transportes,
lazer, saneamento básico, segurança publica investimentos
em parques industriais e comerciais que possibilite o fortalecimento
da empregabilidade para a população local.
3 - Inclusão de cláusula
contratual que vincule os devidos recolhimentos e encargos ao CEI
da obra, devendo ser comprovado mensalmente.
4 - Definir como regra para
processo licitatório, a apresentação da CND
(certidão negativa de débito) e certidão de
débitos dos Sindicatos dos trabalhadores.
5 - Priorizar no processo
de licitação, empresas da região.
6 - Priorizar a contratação
de mão de obra local.
7 - Estabelecer através
de clausula contratual, em caso de sub-contratação
por parte da empresa vencedora da licitação a responsabilidade
por parte da contratada o pagamento de todos os impostos, taxas
e contribuições, federais, estaduais e municipais
entre outros.
8 - Priorizar o registro
do imóvel em nome da mulher da família.
9 - Que o projeto atenda
as cidades com no mínimo 50 mil habitantes.
10 - Priorizar o financiamento
para as pessoas com maior tempo de moradia na cidade.
11 - Programar todas as
demandas acordadas por meio do GT/ PAC - grupo de trabalho instituído
pela Portaria 31.112, de 8 de julho de 2008, coordenado por Adriana
Maria Giubertti SE/MTE e Sandra Brandão - Casa Civil.
12 - Destinar parte dos
recursos para construção de núcleo moradia
que atenda as necessidades da população da terceira
idade e portadores de necessidades especiais.
Da Redação, com informações
do Diap e da Agência Sindical
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Folha de S.Paulo, 25 de
março de 2009
Planalto inclui 2011 em pacote habitacional
Governo se dá mais um ano para a construção
de habitações; conclusão ocorrerá quando
Lula não estiver mais no Planalto | Pacote habitacional será
anunciado hoje, em festa organizada pelo governo; investimentos em
três anos somam R$ 47 bilhões
SHEILA D'AMORIM
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com o calendário comprometido
pela demora na elaboração do pacote habitacional e pela
indefinição sobre os terrenos onde deverão ser
construídos os imóveis, o governo ampliou de dois para
três anos o prazo para construção do 1 milhão
de habitações, avançando para 2011, primeiro
ano da gestão do sucessor do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Nesse período, promete investir R$ 47 bilhões, sendo
R$ 28 bilhões somente em subsídios e em benefícios
para pessoas com renda mais baixa e R$ 19 bilhões em financiamentos,
segundo a Folha apurou. Os subsídios envolverão, além
de R$ 12 bilhões do FGTS, anunciados ontem pelo ministro Carlos
Lupi (Trabalho), outros R$ 16 bilhões do Orçamento da
União, que serão concentrados na faixa de renda até
R$ 1.395 (três salários mínimos).
O pacote será anunciado hoje numa grande festa organizada pelo
Palácio do Planalto e deverá prever também a
redução da tributação (de 7% para 1%)
nos empreendimentos construídos com a contabilidade apartada
da empresa -o chamado regime de patrimônio de afetação.
Para o evento, foram convidados governadores, prefeitos, parlamentares,
empresários e representantes de movimentos sociais.
Seu efeito neste ano, no entanto, deverá ser pequeno, já
que, para deslanchar, é preciso a aprovação dos
projetos das construtoras e a colaboração de governadores
e de prefeitos com a cessão de terrenos e a redução
de tributos.
FGTS
Ontem, o Conselho Curador do FGTS aprovou, por unanimidade, R$ 31
bilhões para investimento em habitação popular
até 2011. Desse total, R$ 12 bilhões serão destinados
a subsídios parciais para aquisição da casa própria
atendendo a população com renda entre três e seis
salários mínimos. Para este ano, foram assegurados R$
4 bilhões, sendo que R$ 1,6 bilhão já havia sido
aprovado pelo conselho no ano passado. O valor máximo dos imóveis
será de R$ 130 mil.
"No final do ano, faremos a revisão dos valores e veremos
quanto será investido nos anos seguintes. Para habitação,
na faixa de renda entre zero e três salários mínimos,
o subsídio será dado integralmente pelo Tesouro Nacional",
explicou Lupi logo após a reunião.
O ministro se recusou a informar detalhes do voto aprovado na reunião
do Conselho do FGTS e chegou a pedir aos conselheiros que não
vazassem informações para a imprensa para evitar o esvaziamento
do anúncio que será feito hoje pelo presidente Lula.
Lupi fez mistério até mesmo sobre o valor que o FGTS
destinará para as linhas de financiamento regulares do fundo
que são operadas pelo mercado, principalmente a Caixa Econômica
Federal, e que constarão do pacote. A Folha apurou que serão
destinados R$ 19 bilhões somente neste ano para esse tipo de
empréstimo -o orçamento do fundo previa inicialmente
R$ 8,4 bilhões.
Esse dinheiro atenderá famílias com renda entre seis
e dez salários mínimos e que têm maior capacidade
de pagamento. Apesar de não haver um subsídio explícito
nesses casos, os juros praticados são mais em conta do que
as taxas cobradas pelos bancos em geral.
Para a classe média, é esperada a elevação
de R$ 300 mil para cerca de R$ 500 mil no teto do valor do imóvel
que o trabalhador pode adquirir usando o saldo da conta do FGTS.
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Agência Diap,
25 de março de 2009
Um terço da renda do
País é imune ao desemprego, diz LCA
Boa parte da renda brasileira
sofre influência quase nula da onda de desemprego. O emprego
público e os benefícios de aposentadorias e pensões
fomentam cerca de 35% do rendimento total do País, de acordo
com um levantamento da LCA Consultores a partir de dados da Pnad/2007.
A soma dessas fontes de
renda chegou a R$ 34 bilhões em 2007 - último dado
disponível. De acordo com Francisco Pessoa, coordenador técnico
da consultoria, a grande influência dos setores público
e previdenciário na renda do país justifica a projeção
da LCA de aumento de 1% do PIB brasileiro neste ano.
A expectativa é considerada
otimista se comparada com a de outras instituições.
O banco Morgan Stanley, por exemplo, prevê uma retração
de 4,5% na economia brasileira para este ano.
14,86% dos rendimentos provêm
de empregos públicos | 34,25% da massa de renda é
formada por emprego público, aposentadoria e pensão
Para Pessoa, as análises
mais pessimistas ignoram a composição da massa de
rendimentos do país, considerando apenas a massa de trabalho.
O saldo do emprego divulgado pelo Caged no final do ano, com fechamento
de cerca de 500 mil postos em dezembro, assustou muitos economistas
e aumentou o tom pessimista das avaliações de conjuntura,
afirma.
"Existem amortecedores
dos efeitos da crise na economia brasileira que não estão
sendo considerados nessas projeções mais pessimistas",
diz Pessoa.
Mesmo diante da conjuntura
de crise, a LCA projeta expansão de 3,9% na massa total de
rendimentos neste ano. O resultado será um pouco menor que
a expansão registrada em 2008, de 5,4%.
A turbulência financeira,
no entanto, vai impulsionar para cima a expansão real de
rendimentos oriundos da previdência, segundo Pessoa. A projeção
da consultoria é de expansão de 5,7% nesses rendimentos,
mais que a alta de 3,1% registrada em 2008.
O motivo apontado por ele
é que o incremento será puxado pelo aumento do salário
mínimo e pela expansão da inflação.
Já para a massa de rendimentos oriundos do trabalho, a expectativa
é de desaceleração. (Fonte: Folha de S.Paulo)
Divisão
da renda total do Brasil por fonte de rensa*, em %:
Trabalho - 76,89
Aposentadoria - 13,93
Pensão - 5,47
Abono - 0,01
Aluguel - 1,43
Doações - 0,55
Juros - 1,73
Total - 1000
Fonte: LCA - (*) dados da Pnad/2007
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Gazeta do Povo, 25 de
março de 2009
OIT
Brasil é o que menos gasta contra
crise
Genebra, Suíça
- Estudo divulgado pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) com base nas medidas anunciadas por 32 países
contra a crise concluiu que o montante destinado a pacotes de estímulo
chega a US$ 1,19 trilhão, mas que somente 1,8% do total (ou
US$ 21,42 bilhões) foi investido em ações de
proteção social. De acordo com o relatório da
OIT, o Brasil é o país do G20 que gastou menos em medidas
de estímulo – apenas 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Quem lidera o ranking, que se baseia no gasto proporcional ao tamanho
da economia de cada país, é a China, com 13% do PIB
para aquecer a economia, seguida de Arábia Saudita (11,3%),
Malásia (7,9%) e EUA (5,6%).
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Folha de S.Paulo, 25
de março de 2009
Para OIT, ação
do Brasil deixa trabalhadores sem proteção
DE GENEBRA
Estudo divulgado ontem pela
OIT (Organização Internacional do Trabalho) com base
nas medidas anunciadas por 32 países contra a crise concluiu
que o montante destinado a pacotes de estímulo chega a US$
1,19 trilhão, mas que apenas 1,8% do total foi investido
em ações de proteção social.
De acordo com o relatório da OIT, o Brasil é o país
do G20 que gastou menos em medidas de estímulo -apenas o
equivalente a 0,2% do PIB.
O ranking, que se baseia no gasto proporcional ao tamanho da economia
de cada país, é liderado pela China, com 13% do PIB.
Em seguida vêm Arábia Saudita (11,3%), Malásia
(7,9%), EUA (5,6%), México (4,7%) e Argentina (3,9%).
Somando os pacotes, o estímulo equivale a 1,7% dos PIBs combinados,
abaixo dos 2% recomendados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
Segundo um dos autores do estudo, Raymond Torres, o volume de recursos
"claramente não está dando conta do desafio que
enfrenta".
O diretor-geral da OIT, Juan Somavía, observou que os planos
econômicos anunciados até agora têm foco excessivo
no resgate financeiro, mas carece de investimento social.
O relatório estima que a crise poderá gerar mais 38
milhões de desempregados no mundo.
"Há uma necessidade urgente de priorizar o tema do emprego",
disse.
Somavía disse à Folha que, além de desemprego,
a crise vai "achatar os salários".
De acordo com a OIT, somente 9,2% dos pacotes foram destinados ao
mercado de trabalho. "Não estamos criticando os esforços
para salvar os bancos", disse Somavía, reconhecendo
que o mercado de trabalho depende de um sistema financeiro que funcione.
Seguro-desemprego
O levantamento da OIT mostra que o Brasil é um dos países
em que os desempregados têm menos proteção social.
Segundo o estudo, 93% dos que perdem o trabalho não recebem
o seguro-desemprego. A China vem logo depois, com 84%, e o Japão,
com 77%.
Na cúpula do G20, no começo de abril, em Londres,
a OIT proporá um "pacto mundial para o emprego".
Uma das prioridades é a coordenação dos pacotes
de estímulo.
Segundo Torres, se essa coordenação levar até
três meses, "o mercado de empregos poderá ser
retomado em 2010. Se for adiada por seis meses, a recuperação
virá apenas em 2011, na melhor das hipóteses".
(MARCELO NINIO)
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Folha de S.Paulo, 25
de março de 2009
FMI muda empréstimos para facilitar
o combate à crise
Países com bons fundamentos podem
tomar créditos sem seguir cartilha do Fundo | "A ideia
de que o país pode sacar um volume elevado, sem monitoramento,
é mudança significativa", diz Paulo Nogueira
Batista Jr.
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
Na principal reforma em
sua política de empréstimos em anos, o FMI (Fundo
Monetário Internacional) anunciou mudanças que podem
facilitar a liberação de empréstimos em meio
à crise global para países com bons fundamentos, como
o Brasil e outros emergentes.
Entre as mudanças, estão a criação de
uma nova linha de crédito facilitado, a eliminação
de instrumentos pouco usados e a flexibilização de
mecanismos tradicionais como os acordos "stand-by".
A novidade, batizada de Linha de Crédito Flexível
(FCL, na sigla em inglês), não tem limite de empréstimo,
conta com prazo maior para pagamento e é destinada a países
que, na avaliação do Fundo, tiverem "fundamentos
muito fortes e registro de implementação de políticas",
segundo o texto que anuncia a mudança.
Seu alvo são principalmente economias desenvolvidas ou emergentes
que possam estar passando por dificuldades por conta de queda na
exportação, fuga de capital estrangeiro ou baixa no
preço de commodities, como Coreia do Sul e Brasil -embora
Brasília negue que precise de dinheiro do Fundo (leia texto
ao lado).
As reformas "representam mudança importante no modo
como o Fundo pode ajudar seus países-membros, o que é
particularmente necessário em tempos de crise", disse
o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. "A flexibilidade
maior nos empréstimos aliada a condições simplificadas
nos ajudarão a responder de forma eficaz às necessidades
diversas de nossos membros."
A FCL substitui e simplifica modalidade similar que havia sido aprovada
em outubro, ao eliminar o acesso antes limitado a 500% da quota
do país e passar a duração de nove meses para
cinco anos. Extingue a necessidade de o país se submeter
ao receituário do Fundo para ter acesso ao empréstimo,
um dos principais entraves apontados pelos governos e um dos estigmas
do dinheiro do FMI.
Além disso, seu uso não é obrigatório,
o que a torna uma espécie de limite de cheque especial. Sua
divulgação chega no momento em que países do
mundo inteiro começam a ser atingidos com mais força
pela crise global e a bater na porta do FMI, encabeçados
pelos países da periferia da Europa.
"A ideia de que o país pode sacar um volume elevado,
sem monitoramento, sem carta de intenção, sem critério
de desempenho, é uma mudança muito significativa nas
práticas do Fundo", disse Paulo Nogueira Batista Jr.,
diretor-executivo que representa um grupo de nove países,
entre eles o Brasil. "Não tem precedentes no Fundo nem
em nenhuma discussão que havia nessa área."
Além disso, houve a flexibilidade dos acordos "stand-by"
tradicionais. Acabam, por exemplo, os critérios de performances
estruturais, que eram as metas vinculadas ao desembolso do dinheiro.
Acaba também o limite para os chamados "stand-by"
preventivos, quando o país pede empréstimo sem a intenção
de usar o dinheiro.
No mesmo comunicado de ontem, o FMI reafirma a necessidade de aumento
de suas reservas para lidar com os desafios da crise atual. O Japão
anunciou que dará US$ 100 bilhões ao Fundo, o que
elevou o total de recursos destinados à crise para US$ 350
bilhões, e a União Europeia se comprometeu com mais
US$ 75 bilhões.
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Folha de S.Paulo, 25 de
março de 2009
Jornal vê Brasil como possível
alvo; país nega
DE WASHINGTON
Embora não afirme isso,
ao dirigir a nova linha de dinheiro fácil, rápido e
barato apenas a países que tenham fundamentos sólidos,
o FMI limita de fato seu desembolso a economias desenvolvidas ou emergentes.
Jornais como o "Wall Street Journal" e o "Financial
Times" especulam quanto aos nomes dos futuros clientes.
O "Journal" cita "funcionários de alto escalão
do FMI" para dizer que, entre os países-alvos do novo
mecanismo, estariam "México, Peru, Brasil, Cingapura,
Taiwan e talvez Polônia" -o diário depois corrigiu
a afirmação retirando da lista Taiwan, que não
está no FMI.
"Esses países escaparam do pior da desaceleração
até agora, mas estão sendo atingidos por queda nos empréstimos
bancários e nas exportações. Os funcionários
do FMI disseram que querem prevenir mais problemas ali, o que poderia
enfraquecer bancos e exportadores europeus e dos EUA."
Já o "FT" diz que tem havido "relutância
entre os países [aos quais o empréstimo se destina]
de recorrer ao FMI para ajuda, especialmente na Ásia e na América
Latina, por temor de que a notícia espalhe pânico nos
mercados".
Não é o caso do Brasil, segundo o ministro da Fazenda,
Guido Mantega. Ele afirmou ontem que o país não vai
pedir dinheiro emprestado ao FMI na nova linha de financiamento e
se disse mentor do novo tipo de empréstimo. No primeiro bimestre
do ano, a arrecadação federal caiu 8,5%, o que forçou
o governo a cortar seu Orçamento. "O Brasil conseguiu
acomodar suas necessidade de crédito. É mais importante
que se dê o credito àqueles que importam do Brasil",
disse Mantega.
"É uma linha que não tem condicionalidades, não
precisa mandar aquela missão do Fundo para ver como ele [o
país] está. Não tem aquela coisa desagradável
de fazer aquela carta de intenções que o Brasil fazia
no passado. É muito mais simplificado", disse Mantega.
O presidente Lula considera um feito do seu governo o fato de ter
encerrado o acordo com o Fundo. "Em 2005, dissemos para o FMI:
"Não precisamos mais de vocês aqui'", afirmou,
em fevereiro de 2008. (SD)
Colaborou JULIANA ROCHA, da Sucursal
de Brasília
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Vermelho, 25 de março
de 2009
China quer nova moeda de reserva no lugar
do dólar
O Banco Central da China defendeu
a instauração de uma nova moeda de reserva internacional
para substituir o dólar, num sistema administrado pelo Fundo
Monetário Internacional (FMI).
A ideia seria criar um novo
sistema econômico mundial, livre das influências políticas
de alguns países, explicou o governador do BC chinês, Zhu
Xiaochuan, num texto publicado no site da instituição.
“A crise econômica que abalou o mundo evidencia as vulnerabilidades
inerentes e os riscos sistêmicos no sistema monetário internacional”,
declarou.
A China é dependente
do sistema atual dominado pelo dólar, e acompanha de perto o
impacto das políticas de recuperação da economia
norte-americana decididas pelo governo de Barack Obama, assim como as
eventuais consequências das mesmas nas reservas cambiais chinesas.
Hoje, grande parte destas reservas
de câmbio chinesas, de quase US$ dois trilhões, são
em dólares, e a China expressou diversas vezes preocupação
com o futuro destes bens.“A instauração de uma nova
moeda de reserva amplamente aceita pode levar tempo”, destacou
Zhu.“Porém, no curto prazo, a comunidade internacional
e o FMI deveriam pelo menos encarar os riscos decorrentes do sistema
atual, e efetuar controles e avaliações constantes”,
sugeriu.
A reforma do sistema financeiro
deve ser um dos temas principais das discussões do G-20, que
reúne os governantes dos países ricos e “emergentes”
no dia 2 de abril em Londres. Europeus e norte-americanos divergem nas
prioridades: para Washington, os planos de recuperação
são mais importantes que a necessidade de reformar o sistema.
Cesta de moedas
A China deverá ter um
apoio de peso no G-20, pois a Rússia já propôs que
seja negociada durante a cúpula a criação de uma
moeda de reserva. Para Zhu, esta moeda poderia ser os “Direitos
de Emissão Especiais” (DTS). “Deveríamos estudar
como dar um papel mais importante aos DTS, que têm o potencial
para se tornar moeda de reserva”, escreveu.
Estes DTS, cujo valor é
ligado a uma cesta de moedas, foram criados em 1969 pelo FMI como um
bem de reserva mundial para completar as reservas dos países
membros num momento em que a oferta de ouro e de dólares fosse
insuficiente. O papel dos DTS foi reduzido desde então, e o FMI
e alguns organismos internacionais os utilizam agora como unidade de
contagem, explica a instituição em seu site.
Com agências
|
Gazeta do Povo, 25 de março
de 2009
Flora
Amazônia tem “novos inimigos”
Cresce a lista dos muncípios que mais
destroem a Amazônia Legal. A área desmatada, porém,
sofreu redução
Brasília - A relação
de municípios que mais destroem a Amazônia Legal subiu
de 36 para 43, segundo informou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos
Minc. As cidades estão localizadas no Pará, Mato Grosso
e Maranhão. Porém, segundo o ministro, houve queda de
42%, em média, na área desmatada.
“Caiu, mas está
longe de estar bom. Ainda está péssimo. Eu ainda não
estou satisfeito. Ainda quero várias medidas para [fazer cair]
mais’’, disse Minc. “Só o fato de cair o desmatamento
não é suficiente, é preciso outras medidas. O objetivo
é ter políticas focadas para que esses municípios
reduzam o desmatamento’’, reiterou.
Pela relação divulgada,
os municípios incluídos na lista dos que mais desmatam
na Amazônia Legal são Marabá, Pacajá, Itupiranga
e Tailândia, no Pará; Feliz Natal, em Mato Grosso; e Amarante
do Maranhão, no Maranhão, além de Mucajaí,
em Roraima.
Para a inclusão na relação
dos municípios que mais desmatam, o Ministério do Meio
Ambiente considera como critérios a área de floresta desmatada,
avaliando o total dos últimos três anos; aumento da taxa
de desmatamento, além da região destruída igual
ou superior a 200 quilômetros quadrados, em 2008.
Segundo Minc, o ministério
analisa a possibilidade de excluir três municípios, da
relação dos 36. São eles: Alta Floresta, Porto
dos Gaúchos e Nova Maringá, todos em Mato Grosso. Para
isso, é necessário que os responsáveis por esses
municípios reduzam o total de área desmatada e também
concluam o cadastramento rural.
Alerta
Em setembro do ano passado,
Minc divulgou a lista dos cem municípios que mais desmatam na
Amazônia Legal. O objetivo do ministro foi fazer um alerta. Na
ocasião, ele disse que a área média desmatada por
cada um dos municípios é de 1,5 mil a 1,8 mil hectares.
São cerca de 160 mil hectares desmatados por 100 pessoas.
Em fevereiro deste ano, o ministro
divulgou a lista dos 36 principais que mais desmatam. O estudo foi feito
com base no sistema Deter (Detecção do Desmatamento em
Tempo Real) do Inpe, que apontou, em agosto, 756 km2 de área
de desmatamento na Amazônia Legal. De acordo com os dados, houve
um aumento de 134% de desmatamento na região em comparação
a julho.
Do total registrado de desmatamento,
435 km2 estão no Pará e 229 km2 em Mato Grosso. De acordo
com dados do Inpe, os números registram mais do que o dobro identificado
em julho, quando o desmatamento ficou em torno de 323 km2.
Porém o número
de agosto ainda é menor do que o registrado nos meses de junho,
maio e abril – este último o pior de 2008, segundo o Deter,
quando a Amazônia perdeu em 30 dias 1.124 km2.
Para realizar o levantamento
sobre os municípios que mais desmatam no país, os especialistas
do Inpe consideraram áreas que sofreram corte raso (denominado
desmate completo) ou degradação progressiva.
Esses aspectos devem ser analisados
em conjunto com os dados sobre a ocorrência de nuvens –
que impedem o monitoramento por satélite. Depois do Pará
e Mato Grosso, os estados que registraram elevado porcentual de desmatamento
foram Rondônia, com 29,91 km2, Amazonas, com 29,35 km2, e Maranhão,
com 16,83 km2. O Acre registrou 6,66 km2 de desmatamento, em Roraima
foram identificados 5,34 km2 e em Tocantins, 4,16 km2 de área
desmatada.
Governo traça conjunto de
ações
Em busca da redução
das áreas degradadas na Amazônia Legal, o governo federal
anunciará nos próximos dias um conjunto de ações.
Segundo o ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, uma das iniciativas mais importantes, que será lançada
no fim do mês, é o programa destinado a fixar “preços
sustentáveis’’ para estimular o extrativismo preservando
o meio ambiente.
O objetivo do programa
dos preços sustentáveis é estimular os produtores
rurais das áreas degradadas na região Amazônica
a recuperar as terras a partir do plantio correto de produtos tradicionais.
O programa atingirá, inicialmente, a castanha, no Pará,
e a borracha, no Acre. O programa será lançado pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva nos dias 25 e 26 de abril.
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Vermelho, 25 de março
de 2009
Prévias Aécio-Serra:
TSE libera, PPS fará, tucanos enrolam
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acendeu as esperanças do
governador mineiro, Aécio Neves, ao decidir nesta terça-feira
(24) que o PSDB pode fazer prévias, quando quiser, para escolher
seu candidato a presidente em 2010. A cúpula tucana, que se inclina
para o governador paulista, José Serra, diz que só discutirá
a questão no segundo semestre. Mas o PPS, mais realista que o
rei, anunciou que fará as suas próprias prévias...
entre Aécio e Serra.
O tribunal fixou as regras ao
responder a oito perguntas da direção do PSDB. A primeira
delas, sobre a data em que as prévias podem ser feitas, gerou
controvérsia também entre os ministros: Eros Grau, que
havia pedido vistas da matéria, defendeu a consulta apenas em
ano eleitoral. Mas a maioria decidiu que as prévias são
consultas internas, uma questão estritamente do partido, e cabe
apenas a ele escolher a data.
Dentro do PSDB, rachado entre
as postulações presidenciais de José Serra e Aécio
Neves, a resposta do TSE favorece o mineiro. Aécio fez da proposta
de prévias o ponto principal de sua pregação, e
já tem uma plataforma para buscar o voto das bases tucanas, questionando
o peso excessivo de São Paulo em um partido que já teve
como candidatos presidenciais Mário Covas, Fernando Henrique
Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin, todos paulistas.
''Só no segundo semestre''...
Na direção da
legenda, as simpatias favorecem Serra e portanto a não realização
das prévias. Todos os cardeais tucanos têm o cuidado de
não bater de frente com a tese da consulta, que consta no próprio
Estatuto da sigla. Mas sempre procuraram argumentos para postergar o
debate: um dos mais usados, até esta terça-feira, era
a ausência de uma definição do TSE.
Mesmo assim, o presidente do
PSDB, Sérgio Guerra (PE), disse nesta terça-feira que
o tema só será discutido no segundo semestre. ''Vamos
cuidar disso só no segundo semestre. Não havendo entendimento
entre o Serra e o Aécio, podemos sim fazer a prévia'',
concedeu.
A postergação
da decisão sobre as prévias desfavorece Aécio,
já que o tempo, sem elas, tende a consolidar a suposta candidatura
natural do governador paulista, que estaria ''na fila'' por ter sido
preterido em favor de Alckmin em 2006. Dificulta também a alternativa
de Aécio mudar de partido (por exemplo para o PMDB do também
mineiro Hélio Costa, que não se cansa de oferecer-lhe
a legenda), movimento que a lei só permite até 12 meses
antes da eleição.
O PPS escolherá seu tucano
Mas, se o PSDB cozinha o assunto
em fogo lento, outra sigla adiantou-se e anunciou nesta terça-feira
mesmo que fará as suas prévias entre Serra e Aécio:
é o PPS, firme aliado dos tucanos e cogitando até sua
dissolução formal nas fileiras do tucanato.
A decisão do PPS foi anunciada na cerimônia de lançamento
do seu 16º Congresso, em Brasília, na presença de
expoentes oposicionistas como o próprio Guerra, o presidente
do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e o deputado verde-tucano Fernando Gabeira
(PV-RJ).
Para salvar as aparências,
os votantes nas prévias do PPS terão três alternativas:
Serra, Aécio e ainda a opção ''outros'', para quem
não concordar com nenhum dos dois. A votação será
pela internet.
Não está claro
o que ocorreria caso os resultados da consulta no PPS diferissem dos
do PSDB, e há quem aponte na decisão uma manobra para
dar força a Serra. De imediato, porém, ela aumenta o constrangimento
tucano.
Normas restritivas
Afora a questão da data,
as normas definidas pelo TSE são muito mais restritivas que as
usadas nos Estados Unidos por Republicanos e Democratas, e acompanhadas
pelo mundo inteiro no ano passado durante o processo que levou Barack
Obama à Casa Branca. Elas criam limites mesmo em relação
às prévias já usadas no Brasil pelo PT: por exemplo,
proibem as finanças em apoio aos postulantes, ou qualquer propaganda
fora do âmbito dos filiados ao partido.
Veja
as perguntas do PSDB e as respostas do TSE:
''A partir de qual
data é permitida a realização das prévias
partidárias?
Cabe a cada partido definir a data da realização das prévias
partidárias.
Excluídas as
possibilidades de propaganda intrapartidária por rádio,
televisão e outdoor, pode a propaganda intrapartidária
ser realizada com o uso de página na internet, mensagens eletrônicas,
faixas, panfletos, cartas, matérias pagas nos meios de comunicação
social?
Como as mensagens eletrônicas, o envio de cartas como forma de
propaganda intrapartidária é permitido por ocasião
das prévias, desde que sejam dirigidas exclusivamente aos filiados
do partido.É incabível autorizar matérias pagas
em meios de comunicação, uma vez que ultrapassam ou podem
ultrapassar o âmbito partidário e, atingir, por conseguinte,
toda a comunidade. No âmbito da internet, só poderá
ser divulgada a data das prévias quando sair os nomes dos candidatos.
Eleitores não
filiados ao partido político podem participar das prévias?
Em caso positivo, qual seria o limite da propaganda intrapartidária?
Os eleitores não filiados ao partido político não
podem participar das prévias, sob pena de fazer letra morta à
proibição de propaganda extemporânea.
Se a propaganda intrapartidária
for obrigatoriamente apenas entre os filiados ao partido político,
pode o TSE fornecer ao diretório nacional do partido a lista
atualizada dos seus filiados com endereço?
O TSE pode fornecer ao diretório do partido a lista atualizada
dos seus filiados, porém sem a indicação de endereço.
O partido pode utilizar
verbas do Fundo Partidário para pagamento de gastos com a referida
propaganda intrapartidária?
O partido pode utilizar verbas do Fundo Partidário para o pagamento
de gastos com a referida propaganda intrapartidária.
O partido pode receber
doações de pessoas físicas ou jurídicas
para financiar a propaganda intrapartidária, bem como para a
realização das prévias partidárias?
O partido pode receber doações de pessoas físicas
ou jurídicas para financiar a propaganda intrapartidária,
bem como para a realização das prévias partidárias.
O postulante a candidatura
a cargo eletivo pode receber doações de pessoas físicas
ou jurídicas para financiar a sua propaganda intrapartidária?
O postulante a candidatura a cargo eletivo não pode receber doações
de pessoas físicas ou jurídicas para financiar sua propaganda
intrapartidária, uma vez que não ostenta a condição
de candidato.
A Justiça Eleitoral
pode fornecer urnas eletrônicas ao partido político para
a realização de suas prévias? Em caso positivo,
quais seriam as condições para o fornecimento das referidas
urnas?
A Justiça Eleitoral pode fornecer urnas eletrônicas ao
partido político para a realização de suas prévias.''
Da redação, com agências
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Folha de S.Paulo, 25 de março
de 2009
Aécio é o 1º em ranking
de governadores, e Serra, o 5º
Governador paulista cai na classificação
apesar de aumento da popularidade | Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco,
passou da 4ª para a 2ª colocação, e Arruda (DEM),
do Distrito Federal, da 9ª para a 6ª
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Em seu segundo mandato
à frente do governo de Minas, o tucano Aécio Neves mantém
se na liderança do ranking de avaliação dos governadores
elaborada pelo instituto Datafolha. Aécio -que, no PSDB, disputa
com o governador de São Paulo, José Serra, o direito de
concorrer à Presidência em 2010- tem nota 7,6 numa escala
de zero a dez. Hoje líder na corrida pela Presidência,
Serra obteve média 6,6 na pesquisa, realizada entre os dias 16
e 19 de março.
E, apesar de um aumento do índice de aprovação
de seu governo -de 49% para 54%-, Serra caiu dois degraus em comparação
ao ranking elaborado em novembro de 2007. Há um ano e quatro
meses, Serra era o terceiro colocado, com nota 6,5. Hoje, ocupa a quinta
colocação. Assim como Serra, o governador do Paraná,
Roberto Requião (PMDB), tem nota média de 6,6. Requião,
no entanto, ganha no índice de popularidade, adotado como critério
de desempate. Para cálculo do índice de popularidade,
criado pelo Datafolha, subtrai-se a avaliação negativa
(ruim e péssimo) da positiva (ótimo e bom).O resultado
é Somado a 100. Como o índice de popularidade de Requião
é de 143, um ponto à frente de Serra (142), o peemedebista
está em quarto lugar na classificação. Em novembro
de 2007, era o quinto. Além disso, o governador de Pernambuco,
Eduardo Campos (PSB) saltou de quarto para o segundo lugar.De 2007 para
cá, a nota de Campos passou de 6,4 para 7,0. A taxa de aprovação
subiu de 40% para 56%. Antes em segundo lugar -com média 6,6-
o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), é agora o terceiro,
com nota 6,9.
Não é a única novidade no ranking, que inclui os
nove maiores Estados do país e o Distrito Federal. O governador
do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), passou da nona
colocação em 2007 para o sexto lugar de hoje. Em 16 meses,
a taxa de aprovação de seu governo passou de 38% para
59%. Embora o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), permaneça
em sétimo lugar, a pesquisa registra crescimento da taxa de aprovação
de seu governo: de 30% para 44%. Os peemedebistas Luiz Henrique Silveira
(SC) e Sérgio Cabral Filho (RJ) sofreram queda. Antes na sexta
colocação, o governador de Santa Catarina está
em oitavo no ranking. Principal aliado do PT no Sudeste, Sérgio
Cabral está em nono. A tucana Yeda Crusius ainda amarga a última
colocação. Tucanato Apesar da confortável liderança
-e um índice de aprovação de 77%- Aécio
teria hoje dificuldades de eleger um sucessor. Segundo o Datafolha,
o vice-governador e potencial candidato do PSDB em Minas, Antonio Anastasia,
tem 5% das intenções de voto e está em terceiro
lugar. Até a divulgação do último Datafolha,
a popularidade de Aécio em Minas era encarada como ameaça
para os defensores da candidatura Serra. Aliados de Serra temiam que
sua candidatura fosse objeto de boicote em Minas. Os números
do Datafolha -segundo os quais, sem Aécio, Serra tem 40% em Minas-
Tranquilizaram serristas.
Preocupados com o desempenho de Yeda, os serristas comemoram o cenário
do Rio, onde a oposição ameaçaria eventual candidatura
de Sérgio Cabral à reeleição. Líder
na Bahia, Wagner ofereceria sólido palanque para a potencial
candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Mantida a aliança
com o PSB, ela contaria com suporte Em Pernambuco e no Ceará.
O Datafolha ouviu 10.664 eleitores nos nove Estados e DF. A margem de
erros é de dois pontos, para mais e para menos, em São
Paulo, três pontos nos demais Estados e quatro pontos no Distrito
Federal.
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Folha de S.Paulo, 25 de
março de 2009
Senado agora diz que só tem 38
diretores
Número anterior era 181; Casa diz que
questão de nomenclatura causou o novo erro e promete reduzir
as diretorias a 20 | Mesa não divulga quantas diretorias foram
criadas por cada presidente; análise da Folha encontrou 58 atos
de Sarney criando cargos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pela terceira vez em uma semana,
e fazendo um malabarismo semântico, o Senado reviu o número
de diretores que mantém na Casa -disse agora que são apenas
38, e não 181, e que vai reduzir esse número para 20.
Ao todo, prometeu acabar com 68 cargos de comando que dão direito
a adicionais ao salário que variam de R$ 2.064,01 a R$ 2.229,13.
O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), havia prometido
que cortaria a metade das diretorias.
O diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, disse que a Casa errou
ao informar inicialmente que possuía 181 diretores. Segundo ele,
havia cargos que tinham a denominação de "diretor",
mas na verdade se caracterizam como postos de "assessoramento superior".
Na sexta-feira passada, o Senado divulgou uma lista com 50 nomes, desses
181, que perderiam o adicional. O primeiro-secretário, senador
Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmou ontem que poderá até
rever alguns nomes. "Não vamos baixar esse número
de 50. Mas pode haver substituições", disse.
Agora, apenas 20 servidores da Casa receberão adicional ao salário
bruto que pode chegar a até R$ 2.229,13 como diretores. A direção
do Senado ainda não deixou claro o total de servidores que irá
perder o adicional de diretorias de segunda escalão. "Vão
restar poucos servidores", disse Gazineo.
O primeiro-secretário afirmou que a redução terá
como referencial a estrutura que a Casa detinha oito anos atrás.
Foi em 2001 que as secretarias começaram a ter status de diretoria,
com a criação do cargo de diretor de Recursos Humanos.
Um levantamento parcial feito pela Folha durante uma semana encontrou
58 atos da gestão José Sarney (PMDB-AP) criando diretorias.
Em apenas um deles há 16. Edison Lobão (PMDB-MA) criou
cinco, Ramez Tebet (PMDB-MS, dois e Renan Calheiros (PMDB-AL), 14 pelo
menos.
O Senado não divulga a quantidade de diretorias criadas por cada
um dos senadores. Há uma semana, a Folha questiona quem foram
os responsáveis pela criação de diretorias. A diretoria
geral defende que só é possível saber isso fazendo
uma pesquisa nos atos administrativos na Mesa Diretora.
Apesar de estar disponível na rede interna de internet da Casa,
os atos não deixam claro o número de diretorias, isso
porque um mesmo documento traz a divisão de secretarias e subsecretarias.
Histórico
Desde o início do mês, uma série de denúncias
fez o Senado cair numa crise administrativa, a começar pelas
demissões dos diretores Agaciel Maia (Diretoria-Geral) e João
Carlos Zoghbi (Recursos Humanos) -ambos estavam em seus cargos há
pelo menos 14 anos. Em seguida, Sarney pediu que "todos diretores
da Casa" colocassem seus postos à disposição.
A decisão trouxe à tona a informação de
que o Senado abrigava mais de um centena de diretores.
Na sexta-feira passada, Heráclito havia dito que 50 diretores
perderiam seus cargos. Até agora, porém, as exonerações
não foram publicadas no boletim de pessoal da Casa.
Há casos de diretores de si próprio, já que não
possuem subordinados. É o caso do diretor de Relações
Internacionais. Existem ainda funções sobrepostas como
o diretor de jornalismo eletrônico e o da agência Senado.
Há ainda o diretor do jornal do Senado, que circula uma vez por
semana. Ou as diretorias de Relações Públicas e
de Coordenação de Eventos.
Segundo Heráclito, o Senado está trabalhando "com
a tentativa de reduzir esse número [20] para 14 ou 16".
"Estamos colocando esse número aqui para ter um pouco de
segurança", completou o primeiro-secretário, que
reconheceu estar tomando medidas sob pressão.
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Agência Senado, 25 de
março de 2009
Aprovado mais prazo para recolhimento
de impostos e contribuições
Mais de um depois de eleger
a Mesa Diretoria (2 de fevereiro), o plenário do Senado aprovou,
nesta terça-feira (24), o projeto de lei de conversão
(PLV 1/09), oriundo da MP 447/08, que amplia os prazos de pagamento
de impostos e contribuições, tais como Imposto de Renda
Retido na Fonte (IRRF), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e o recolhimento das contribuições previdenciárias.
A matéria retornará
para análise da Câmara, tendo em vista que foi alterada
no Senado, com a aprovação das emendas apresentadas pelo
relator da proposta, o senador Augusto Botelho (PT/RR).
O projeto, que tem por objetivo
contribuir para o aumento do capital de giro das empresas antes do pagamento
dos impostos, é parte das medidas já tomadas pelo Executivo
para combater os efeitos da crise financeira internacional, que vem
provocando escassez de crédito em todo o mundo.
Projeto
De forma geral, a medida aumenta entre cinco e dez dias os prazos de
recolhimento dos tributos, com objetivo de deixar por mais tempo no
caixa das empresas o dinheiro reservado a esses pagamentos.
Os prazos de pagamento dos tributos
federais variavam do 10º ao 20º dia do mês seguinte
ao do fato gerador. O governo praticamente unificou essas datas em apenas
duas: 20º dia e 25º dia do mês subsequente.
Segundo estimativas do Ministério
da Fazenda, os novos prazos devem permitir às empresas girar
cerca de R$ 21 bilhões no caixa antes do pagamento dos tributos.
De acordo com o PLV, o prazo
de pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins
poderá ser feito pelas instituições financeiras
até o 20º dia do mês subsequente ao de ocorrência
dos fatos geradores.
Na hipótese de o pagamento
recair em dia não útil, o prazo será antecipado
para o primeiro dia útil que o anteceder.
Estão incluídos
nesse caso bancos comerciais; bancos de investimentos; bancos de desenvolvimento;
caixas econômicas; sociedades de crédito, financiamento
e investimento; sociedades de crédito imobiliário; sociedades
corretoras; distribuidoras de títulos e valores mobiliários,
empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito;
empresas de seguros privados e de capitalização; agentes
autônomos de seguros privados e de crédito; e entidades
de previdência aberta e fechada.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/03/2009
Responsabilidade solidária de empresa
sucessora é limitada
A responsabilidade solidária
do sucessor não se estende aos débitos trabalhistas de
empresa integrante de grupo econômico sucedido, que não
foi incorporada pelo sucessor. A decisão é da Primeira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao analisar um recurso de revista
apresentado pelo HSBC Bank Brasil S.A. Na prática, esse entendimento
significa que o HSBC não vai ter que pagar obrigações
trabalhistas de um ex-empregado da Bastec – Tecnologia e Serviços
Ltda. – empresa que não foi sucedida por ele, mas que pertencia
ao grupo econômico do Banco Bamerindus, adquirido pelo HSBC.
A 6ª Vara do Trabalho de
Curitiba e o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) haviam reconhecido a responsabilidade solidária do HSBC
em relação às dívidas trabalhistas do bancário
da Bastec (contratado em 13/3/1995 e demitido em 17/7/1998) até
a data da sucessão (em 26/3/97). O HSBC recorreu ao TST com o
argumento de que é sucessor, sim, do Banco Bamerindus, mas não
da Bastec – empresa com a qual o empregado tinha contrato de trabalho.
Afirmou que não existe responsabilidade solidária entre
ele e a Bastec, por não constituírem o mesmo grupo econômico.
Por fim, esclareceu que a Bastec pertencia ao grupo do Bamerindus, mas
não foi incorporada pelo HSBC. O ex-empregado, por outro lado,
defendeu que o HSBC devia assumir as dívidas trabalhistas da
Bastec, uma vez que adquirira as agências exploradas pelo Bamerindus,
e a Bastec pertencia ao Bamerindus.
Para o relator do processo no TST, ministro Walmir Oliveira da Costa,
a jurisprudência do TST admite a responsabilidade ampla do sucessor
(empresa que comprou a outra), abrangendo inclusive as obrigações
trabalhistas da época em que os empregados trabalhavam para a
empresa sucedida (incorporada).
No entanto, o relator destacou
que esse caso era diferente, na medida em que o HSBC não incorporou
a Bastec. Nessas situações, concluiu o ministro, não
é possível estender a responsabilidade solidária
do sucessor no que diz respeito aos débitos trabalhistas de empresa
integrante do grupo econômico sucedido que não tenha sido
incorporada pelo sucessor. Desse modo, o relator decidiu absolver o
HSBC da condenação de pagar as dívidas trabalhistas
do ex-empregado da Bastec e foi acompanhado pelos demais ministros da
Primeira Turma. (RR – 17530/2002-900-09-00.1)
(Lilian Fonseca)
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25/03/2009
Marinheiro com estabilidade sindical é
reintegrado ao emprego
A destituição
de cargo de confiança não impede a reintegração
de dirigente sindical que tenha garantida a estabilidade, Com este fundamento,
a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho determinou que a empresa
Mercovias Marítima, do Rio Grande do Norte, reintegre ao emprego
um marinheiro despedido em pleno gozo legal da estabilidade sindical.
A reintegração havia sido vetada pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 21ª Região, que concedeu ao sindicalista
indenização pelo período referente à sua
estabilidade, à justificativa de que ele não poderia retornar
ao emprego porque exercia cargo de confiança.
O marinheiro era mestre de cabotagem,
responsável pela embarcação em viagem, e suplente
da diretoria do Sindicato dos Práticos, Arrais e Mestres de Pequena
Cabotagem em Transportes Marítimos dos Portos de Areia Branca
e Natal, cuja gestão compreendeu o período de junho de
2002 a agosto de 2005.
Sua dispensa decorreu de uma
discutida demissão imotivada por abandono de emprego, mantida
na primeira instância, mas revertida na decisão regional,
que não viu provas convincentes para aplicar a penalidade ao
empregado. No entanto, o Tribunal Regional considerou inviável
a sua reintegração, uma vez que ele exercia função
tida como de confiança, motivo pelo qual concedeu-lhe indenização
relativa ao período de estabilidade.
Contra essa decisão o
sindicalista recorreu ao TST, sustentando que a própria determinação
regional era consequência do reconhecimento da sua estabilidade.
Ele insistiu no direito de ser reintegrado ao trabalho. “Ao assegurar
a estabilidade provisória do empregado eleito para cargo de direção
e seu suplente, a norma legal não estabelece qualquer limitador
quanto à natureza do cargo”, afirmou o relator do recurso
na Sexta Turma, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, ao comentar
o parágrafo 3º do artigo 543 da CLT, que disciplina o assunto.
A reintegração não pode deixar de ser reconhecida
pelo simples fato de que o empregado exercia cargo de confiança,
concluiu o relator. ( RR-592-2003-011-21-00.0)
(Mário Correia)
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25/03/2009
TST rejeita recurso de Hospital das
Clínicas/USP por irregularidade de procuração
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em processo relatado pelo ministro Ives Gandra
Martins Filho, rejeitou agravo apresentado pelo Hospital das Clínicas
(HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
em razão de irregularidade na representação processual
(procuração). O recurso de revista e o agravo de instrumento
ajuizados no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo) foram assinados por procuradoras do Estado de São
Paulo e não por procuradores do próprio hospital, embora
o HC seja autarquia estadual, detentora de personalidade jurídica
própria e de corpo próprio de procuradores jurídicos.
Tampouco há procuração do hospital outorgando poderes
a procuradores do Estado.
No agravo, a defesa do Hospital
das Clínicas argumentou que há dispositivo da Constituição
do Estado de São Paulo que atribui à Procuradoria Geral
do Estado a competência para a representação judicial
do Estado e suas autarquias, dispositivo que afastaria a vigência
do mandato dos advogados que fazem parte do quadro de pessoal da autarquia.
A defesa do HC sustentou que, ao não reconhecer validade à
atuação das procuradoras estaduais na demanda trabalhista,
o TRT de São Paulo violou “o poder de auto-organização
das entidades federadas”, previsto na Constituição
Federal. A defesa afirmou ainda que o Hospital da Clínicas é
vinculado à Secretaria de Saúde de São Paulo, e
não à USP.
Ao negar provimento ao agravo,
o ministro Ives Gandra Filho salientou que a jurisprudência do
TST dispõe que Estados e municípios não têm
legitimidade para recorrer em nome das autarquias detentoras de personalidade
jurídica própria, devendo ser representadas pelos procuradores
que fazem parte de seus quadros ou por advogados constituídos
(OJ 318 da SDI-1).( A-AIRR 484/2006-041-02-40.0)
(Virginia Pardal)
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