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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2009 | Economia
Taxa de desemprego atinge maior nível
desde abril de 2008
Agência Brasil
A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país
ficou em 8,5% em fevereiro. O resultado é o mais alto desde abril de
2008 (8,5%) e 0,3 ponto percentual maior do que o apurado em janeiro, de 8,2%.
Já em relação ao mesmo período de 2008 (8,7%)
a taxa foi 0,2 ponto percentual inferior.
De acordo com dados divulgados
nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a população desocupada subiu 2,7% em relação
a janeiro, o que representou um acréscimo de 51 mil pessoas. O
total de trabalhadores fora do mercado em fevereiro alcançou 1,9
milhão.
Por outro lado, houve uma redução
de 29 mil pessoas (-1,5%) em busca de emprego na comparação
com fevereiro de 2008. Já a população ocupada, de
20,9 milhões, teve queda de 1% em relação ao contingente
de janeiro (-211 mil pessoas) e cresceu 1,4% na comparação
anual (283 mil pessoas).
O rendimento dos trabalhadores
ficou praticamente estável no mês (-0,1%) estimado em R$
1.321,30. Já na comparação com fevereiro de 2008
a renda subiu 4,6%.
Na análise regional, o
levantamento do IBGE aponta que a taxa de desocupação mais
alta foi verificada em Salvador (11%) e a mais baixa em Porto Alegre
(6%).
Para realizar a pesquisa
mensal de emprego, o instituto investiga a evolução do
mercado de trabalho em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo
Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
março de 2009
Crise responde por apenas metade desse
aumento no desemprego, diz Dieese
"Outra metade tem a ver com o
que está se tornando tradicional no País: as demissões
de final de ano. Elas ajudam o País a manter uma taxa de rotatividade
da mão-de-obra de aproximadamente um terço, índice
alto em qualquer país do mundo", disse
Cerca de 750 mil empregos formais
já foram destruídos entre novembro de 2008 e fevereiro,
ou queda de 2,3% do emprego com carteira do período, segundo o
Dieese. Para o economista Paulo Jager, do Dieese, porém, a crise
responde por apenas metade desse aumento no desemprego.
"Outra metade tem a ver
com o que está se tornando tradicional no País: as demissões
de final de ano. Elas ajudam o país a manter uma taxa de rotatividade
da mão-de-obra de aproximadamente um terço, índice
alto em qualquer país do mundo", disse.
Ressalvando que isso não
ocorre em todos os setores, Jager explica que uma taxa de rotatividade
nesse nível significa que, a cada três anos, 100% da mão-de-obra
troca de emprego no país. "É um mito a alegada dificuldade
para demitir trabalhadores no Brasil", afirma.
Ele disse ser natural que o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, em virtude do cargo, exiba certo otimismo em
relação à geração de emprego no futuro,
mas acha precipitado fazer qualquer previsão, por causa do clima
de incerteza.
"Não temos
dados indicando que já superamos os problemas. Tomara que o
ministro tenha informações que apontem para isso. O País
precisa ter compromisso com a melhora do mercado de trabalho, pois
temos muitos problemas, como informalidade e essa taxa altíssima
de rotatividade da mão-de-obra", afirmou. (Fonte: Monitor
Mercantil, no blog O outro lado da notícia)
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 26 de março de 2009 | Dinheiro
PACOTE HABITACIONAL
Plano de Lula prevê R$ 34 bi para
habitação
Planalto lança pacote para a construção
de 1 milhão de casas, ancorado em recursos do FGTS e sem data
prevista de conclusão | Para se viabilizar, programa dependerá da
adesão de Estados, municípios e do setor privado e da aprovação
de MPs pelo Congresso
Alan Marques/Folha Imagem

Lula durante o anúncio do programa
SHEILA D'AMORIM
LEANDRA PERES
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Sem data prevista para conclusão,
ancorado em recursos do FGTS e na dependência da oferta de terrenos
e da adesão de Estados, municípios e da iniciativa privada,
o governo federal lançou ontem um programa para a construção
de 1 milhão de moradias.
É um aumento de quase dez vezes em relação ao número
de novas casas construídas para famílias de até dez salários
com recursos do FGTS em 2008. Para garantir a meta, o governo promete gastar
R$ 34 bilhões (o equivalente a três programas Bolsa Família)
a partir de 13 de abril, somando o dinheiro do Tesouro e dos trabalhadores.
Com o nome de Minha Casa, Minha Vida, imagens de famílias sorridentes
nas peças publicitárias e slogans que falavam de "esperança
para os brasileiros", o programa foi lançado pelo presidente Lula,
com quase três meses de atraso, como mais uma medida para combater a
crise econômica, ajudar o setor de construção civil e gerar
empregos no país.
Mas o discurso oficial mudou de tom. Depois de dizer que faria as casas até o
final do seu mandato, no ano que vem, Lula não quer mais falar de prazo
para entrega dos imóveis.
" E não me cobrem", disse na cerimônia, ressaltando, em
seguida, que o importante seria a determinação de que não
faltará dinheiro. Mas a continuidade do programa além de 2010 dependerá do
sucessor de Lula.
" Imaginávamos que fosse possível cumpri-lo em dois anos,
mas não tem limite, não tem data. Portanto, ninguém me cobre
que vamos fazer 1 milhão de casas em dois anos. A gente não tem
que se importar com o tempo. Gostaria que terminasse em 2009. Sei que não
dá. Se não der em 2010, que vá para 2011", disse.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à sucessão
de Lula e encarregada de anunciar o pacote, disse que o prazo não depende
de decisão do presidente ou de vontade política, mas do andamento
das obras pelas empresas.
Outro ponto de convergência entre o pacote e as eleições
do ano que vem está no fato de que serão os Estados, onde haverá pleito,
e os municípios que irão cadastrar as 400 mil famílias
de baixa renda a serem beneficiadas com casas, pagando no mínimo R$
50 de prestação por mês. A Caixa Econômica Federal
também aumentará seu poder, já que todos os projetos terão
que ter o aval do banco.
Anticrise
O governo acredita que o novo programa irá movimentar a economia ao
gerar 1,5 milhão de empregos e "2% a mais de crescimento no PIB
[soma de tudo o que é produzido no Brasil]", segundo o ministro
Guido Mantega (Fazenda).
Os números, atribuídos a levantamento da FGV (Fundação
Getulio Vargas), chocam-se com as declaração do ministro Paulo
Bernardo (Planejamento), na véspera do lançamento do pacote.
Bernardo havia citado 532 mil empregos e 0,7% a mais na economia, citando a
mesma FGV.
Dos R$ 34 bilhões prometidos pelo governo, R$ 20,5 bilhões são
recursos provenientes do Tesouro Nacional divididos entre subsídios
para a baixa renda (R$ 18,5 bilhões) e a criação de um
fundo que vai baratear o seguro de vida e de danos aos imóveis e cobrir
a inadimplência de quem perder o emprego (R$ 2 bilhões).
Mas a principal fonte de dinheiro para o programa do governo será o
caixa do FGTS. O fundo formado com dinheiro dos trabalhadores oferecerá R$
26,5 bilhões, sendo R$ 19 bilhões em recursos para empréstimos
a mutuários neste ano e R$ 7,5 bilhões em subsídios ao
longo do programa.
As construtoras terão R$ 5 bilhões via empréstimo da Caixa
mais R$ 1 bilhão por meio de financiamento do BNDES.
Em 2009, só sairão do caixa do Tesouro algo entre R$ 6,5 bilhões
e R$ 6,8 bilhões, de acordo com Paulo Bernardo. Para isso, será encaminhado
um projeto de lei ao Congresso abrindo um crédito extraordinário
no Orçamento.
O programa foi dividido em três categorias. Famílias com renda
até R$ 1.395 serão subsidiadas quase que integralmente pelo governo.
O grupo que recebe entre R$ 1.395 e R$ 2.790 terá ajuda federal e do
FGTS, mas será obrigado a tomar um financiamento bancário para
comprar sua casa. Já as famílias com renda acima de R$ 2.790
até R$ 4.650 não terão subsídio, mas contarão
com seguro mais barato e proteção contra inadimplência.
A primeira prestação só começará a ser paga
quando o imóvel estiver pronto e, nos financiamentos, a entrada será opcional.
O governo dependerá do Congresso para aprovar, além do crédito,
duas medidas provisórias. Uma delas reduzirá o imposto cobrado
das construtoras e a outra para acelerar a regularização de terras
em áreas urbanas. Na prática, isso permitirá que os prefeitos
e governadores tenham mais poder para alterar a destinação do
uso de áreas privadas e públicas para o programa habitacional.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
Com subsídio, casa de R$ 40
mil pode sair por R$ 6.000
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As famílias com renda
de até três salários mínimos (R$ 1.395) poderão
comprar um imóvel de aproximadamente R$ 40 mil pagando apenas
R$ 6.000 ao longo de dez anos ao governo, conforme o plano habitacional
anunciado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse é o subsídio máximo que o governo decidiu dar a famílias
de baixa renda, cuja prestação mensal mínima poderá ser
de R$ 50,00 e chegar a, no máximo, R$ 139,50 -10% da renda. A promessa
inicial do governo Lula era de parcelas entre R$ 15,00 e R$ 20,00 para famílias
com essa renda.
Mas, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Nelson Barbosa, foi preciso aumentar o valor porque parcelas inferiores
a R$ 50,00 não cobririam nem o custo de cobrança.
A maior parte do subsídio do programa habitacional anunciado ontem estará concentrada
nos mutuários dessa faixa de renda (até R$ 1.395 em valores de
hoje), e o governo já aceita que haverá inadimplência entre
os mutuários.
" Nenhum cidadão será colocado para fora de sua casa. Mas
vai haver processo de cobrança. Ao final só receberá a escritura
quem pagar", afirmou o vice-presidente de Governo da Caixa Econômica
Federal, Jorge Hereda.
Mas essas famílias não serão imediatamente beneficiadas
pelo pacote. É que essas casas não serão adquiridas no
mercado, mas serão construídas a partir de projetos a serem apresentados
ao governo por construtoras ou em parceria com Estados, municípios e
cooperativas habitacionais.
Será necessário, primeiro, selecionar os projetos, aprovar a
sua viabilidade, construir o empreendimento, e só então as pessoas
cadastradas pelas prefeituras e pelos governos estaduais terão acesso à moradia
desejada.
Os critérios de escolha não foram detalhados. Além da
renda familiar, o governo afirma que terão prioridade as famílias
com idosos e portadores de deficiência.
Os trabalhadores que recebem entre três e seis salários mínimos
(R$ 1.395 a R$ 2.790) contarão com um aumento no subsídio oferecido
pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que passará de
R$ 14 mil para R$ 23 mil, sendo que parte dessas famílias não
recebia subsídio do programa anterior.
Os valores vão depender da localização do imóvel
e da renda da família beneficiada pelo programa.
Seguro contra desemprego
As famílias com renda até cinco salários mínimos
(R$ 2.325) estão isentas dos seguros de vida e de dano ao imóvel,
obrigatórios no caso de financiamentos imobiliários fora do pacote
habitacional.
As famílias com renda mensal acima desse valor e até dez salários
mínimos (R$ 4.650) poderão substituir o seguro tradicional por
uma contribuição, mais barata, para o fundo garantidor.
Um comprador de imóvel de 51 anos, por exemplo, pode chegar a economizar
quase dois terços em relação ao que pagaria nas regras
atuais.
Para ter acesso à garantia que o governo oferecerá aos mutuários
que ficarem desempregados, será preciso contribuir mensalmente com 0,5%
do valor da prestação para o fundo garantidor.
Além de comprovar que está desempregado, o mutuário terá que
ter pago seis parcelas do financiamento e ainda será obrigado a quitar
5% do valor da prestação durante os três anos em que poderá ficar
inadimplente.
As prestações que não forem pagas serão transferidas
para o fim do contrato, quando serão refinanciadas.
Para acionar o seguro, o mutuário terá que ir ao banco e comprovar,
a cada seis meses, que continua sem emprego.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
PACOTE HABITACIONAL
Ambicioso, plano tem limitações
Iniciativa do governo Lula tenta atender
o "subprime" da política nacional de moradia, mas
enfrenta riscos | Implantação precisará evitar
riscos como a burocracia e o clientelismo e deverá ter impacto
restrito na redução do déficit habitacional
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao menos no papel, o pacote de
Lula é a iniciativa habitacional mais ambiciosa já lançada
para a população de renda até três salários
mínimos, que compõe uma espécie de "subprime" da
política nacional de moradia. O livre mercado nunca conseguiu
proporcionar casas a pessoas sem renda suficiente para arcar com um financiamento
bancário. Nos Estados Unidos, a mais alta tecnologia financeira
foi posta a serviço desse objetivo, e o fracasso das operações
impulsionou a presente crise global.
No "subprime" brasileiro, é o Estado quem historicamente arca
com as tarefas, em proporções mais radicais agora. Essa alternativa
elimina o perigo de hecatombe econômica, mas o histórico de fracassos
desde o extinto BNH (Banco Nacional da Habitação) evidencia os
riscos de clientelismo político, burocracia, gestão deficiente,
obras paradas e casas vazias.
No último programa comparável, o governo Fernando Collor anunciou
com estardalhaço, em 1990, a promessa de construir em caráter
emergencial 245 mil casas populares em 180 dias, para a população
com renda até cinco salários mínimos, por meio de -como
no pacote de 19 anos depois- financiamentos às empreiteiras com recursos
do FGTS.
Previsivelmente, as metas não foram cumpridas: a construção
de 210 mil casas levou 18 meses, sob críticas aos critérios para
a destinação dos recursos e às dificuldades de comercialização.
Com desemprego em alta, houve inadimplência; os recursos do fundo se
esgotaram e as operações não tiveram continuidade.
Nos anos seguintes, foi amadurecido o diagnóstico de que essa camada
da população -majoritária, aliás- precisava de
subsídios mais explícitos do governo, ou, em outras palavras,
dinheiro a fundo perdido.
Um programa criado no governo FHC começou a repassar dinheiro a Estados
e municípios para atender as regiões mais miseráveis,
sem a exigência de contrapartida dos beneficiários. Mas, em meio
a frequentes crises financeiras e sucessivos cortes de investimentos federais,
o dinheiro para as obras foi modesto.
Dos tucanos a Lula, o FGTS se manteve como principal fonte de recursos para
a habitação popular. Não se trata, porém, de dinheiro
público a ser usado livremente como subsídio: os recursos são
dos trabalhadores com carteira assinada e precisam render TR (Taxa Referencial)
mais 3% ao ano.
No pacote de Lula, fica o uso do FGTS como fonte de recursos para a construção
de casas, mas se evita o risco de inadimplência dos mutuários
tanto para o fundo como para as construtoras -porque o risco, bem como a maior
parte dos custos, é todo do Tesouro.
Caberá também ao Estado definir quantas casas serão construídas,
onde, quando e por quais empresas; até os mutuários serão
escolhidos em cadastros do poder público. Mesmo que tudo seja bem conduzido, é improvável
que tenha sido achada a solução para o "subprime" nacional:
a esse custo, dificilmente se poderá ir além das 400 mil casas
já prometidas, pouco diante do déficit habitacional e até para
um efeito eleitoral mais que retórico.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
PACOTE HABITACIONAL
Especialistas veem avanço
em regularização de terrenos
Ajustes finais no programa habitacional levaram
críticos a revisar suas avaliações | No entanto
ainda há pontos que precisam de maior definição;
preocupações com aspectos urbanísticos ainda permanecem
NATÁLIA PAIVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Até então crítico
do pacote habitacional do governo, o presidente da FNA (Federação
Nacional dos Arquitetos), Ângelo Arruda, reviu sua avaliação
ontem, após o anúncio oficial. Foram três os "fatores
decisivos": o aumento de 20% para 40% das casas destinadas às
rendas de até três salários mínimos; a diminuição
do subsídio para as classes de maior renda; e a decretação
da MP da regularização fundiária -até ontem,
a regulação do terreno não havia sido mencionada
pelo governo.
Evaniza Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular, diz que "ainda
está digerindo as medidas", já que há "muita
coisa ainda para entender como vai funcionar", mas elogia a MP e o aumento
de aporte de recursos do Orçamento da União para a baixa renda
-de cerca de R$ 3 bilhões, anunciados inicialmente, para R$ 16 bilhões.
No entanto diz que permanecem algumas preocupações, como a inserção
urbana das moradias, os parâmetros de projetos apresentados pela Caixa
-"minúsculos, 32 m2 de área interna para casas e 37 m2 para
apartamentos"-, e o direcionamento de boa parte dos recursos para construtoras,
em detrimento das cooperativas.
O estudioso de políticas urbanas Kazuo Nakano diz que há claro
esforço de atingir as necessidades habitacionais da baixa renda e que,
nesse processo, as prefeituras ganham papel de destaque no atendimento das
famílias e na regulação dos empreendimentos. "Qual é o
alerta? A nossa tradição de distribuição de casas
populares segue critérios clientelistas e eleitoreiros (...). [Sugiro]
que as prefeituras sejam equipadas para realizar isso com democracia",
diz.
Para Arruda, o modelo de habitação popular proposto pelo plano é novo
e combina questões que, até então, não haviam sido
pensadas em conjunto, como registro em cartório, regularização
fundiária, trâmite de licenças ambientais e aceleração
de aprovação de projetos nas prefeituras. "A crítica
está na direção de melhorar a edificação
dos projetos", diz.
Mas ainda há ressalvas: garantir que o PlanHab (Plano Nacional de Habitação,
finalizado no ano passado, no Conselho de Cidades) seja mais conectado ao pacote,
fazendo com que as medidas não durem apenas até 2011. O PlanHab,
que pensou mecanismos como o fundo garantidor, agora aproveitado, prevê ações
até 2023.
Para a economista e consultora da FGV Projetos Ana Maria Castelo, "o governo
se comprometeu a reduzir a burocracia e a aumentar a agilidade, mas não
disse como vai fazer isso". Castelo diz que uma dificuldade para o sucesso
do pacote seria as empresas acharem que as medidas são localizadas no
tempo. "Na medida em que vejam regras e recursos definidos, vão
se mobilizar. E 1 milhão [de moradias] é suficiente para aquecer
o setor", acredita.
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AGÊNCIA
DIAP, 26 de março de 2009
Plano habitacional: duas MPs e um projeto
de lei para regulamentar
O plano habitacional do governo vai necessitar
de duas medidas provisórias (MP) e um projeto de lei para ser
regulamentado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou,
ontem, uma MP para regulamentar a questão fundiária.
O objetivo é que moradias sejam construídas
em terrenos da União e, dessa forma, possam reduzir os custos
de imóveis, sobretudo para a baixa renda.
"Assinei uma medida provisória
que será encaminhada ao Congresso Nacional, para podermos construir
moradias em terras da União. Esperamos que eles (parlamentares)
tratem essa MP com muito carinho, como se fossem os seus filhos caçulas",
brincou o presidente Lula, durante o anúncio do programa habitacional,
no Palácio do Itamaraty.
Medidas
Outra MP reduz de 7% para 1% a alíquota do Regime Especial de Tributação
(RET), que reúne PIS/Cofins, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
(IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL)
para as empresas do setor de construção civil. A iniciativa visa
a redução da carga tributária para construtoras e incorporadoras
imobiliárias.
O projeto de lei (PL) editado pelo Governo
servirá para liberar a primeira parte dos recursos da União
para o plano da habitação, prevista para este ano. Esta
primeira parte será de R$ 6 bilhões, disse o secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda,
Nelson Barbosa.
As medidas devem entrar em vigor a partir de
13 de abril. O secretário disse que essa primeira parcela será colocada
na proposta orçamentária, o que vai demandar nova alteração
nas receitas e despesas do Orçamento da União.
Prazo
O vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, confirmou
que a instituição financeira deve levar um período de
10 dias para aprovar os pedidos de financiamentos pelo novo plano de habitação.
O prazo, de acordo com o executivo, está abaixo
da média atual para os financiamentos tradicionais, que levam
de 20 a 30 dias. (Fonte: Jornal do Brasil)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
Análise
Pacote terá reflexos na eleição
de 2010
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com boa dose de razão,
o governo e a oposição veem o pacote habitacional como
uma medida econômica de caráter político. Independentemente
de seu sucesso ou fracasso, o pacote terá reflexos na sucessão
presidencial de 2010.
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pacote combina estímulo
ao emprego na hora de crise com nova iniciativa para a camada mais pobre da
população. Na maré baixa da economia, Lula quer reforçar
a imagem de que faz um governo que prioriza os mais pobres.
Numa óbvia jogada política, não foi coincidência
o presidente ter escalado a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para o discurso
de apresentação do pacote. Mas a provável candidata do
PT fez um discurso técnico, chato, pouco sedutor do ponto de vista eleitoral.
Ficou claro que precisará de muito treino para usar uma linguagem de
candidata.
Mas o fato é que Lula pôs a ministra para bater o pênalti.
Associou o pacote a ela. E assim tem feito com outras medidas do governo: tenta
colar na ministra o que parece bom aos olhos do público.
Apesar de convidados, os dois principais pré-candidatos da oposição
não deram o ar de suas graças no evento "dilmista".
Os governadores e tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG)
fizeram questão de marcar suas ausências. Nas reuniões
de Dilma com governadores para discutir a elaboração do pacote,
Serra e Aécio demonstraram pouco interesse em participar da iniciativa.
Lula piscou ontem ao pedir para não ser cobrado caso fracasse a meta
de construir 1 milhão de casas no biênio 2009-2010.
Recuou em relação a declarações públicas
de que construiria tal montante. Demonstrou fraqueza. Pareceu não botar
muita fé no plano que anunciava. A fala de Lula soou como "vacina" para
cobranças na campanha eleitoral caso o pacote naufrague.
(KENNEDY ALENCAR)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
Modelo que inspirou programa não
conseguiu gastar recursos
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para cumprir a promessa de construir
1 milhão de casas, o governo federal vai ampliar um programa habitacional
que tem recursos sobrando e, em dez anos, ergueu somente 268 mil unidades.
Base para o novo plano habitacional, o PAR (Programa de Arrendamento Residencial)
contabilizou como "disponíveis" 56% do R$ 1 bilhão
alocado para todo o país em 2008. No ano passado, 13 dos 25 Estados
que tiveram recursos alocados para o PAR não gastaram nenhum real, segundo
números do Ministério das Cidades.
O novo programa aumenta de seis para dez salários mínimos a faixa
de renda beneficiada e transforma o aluguel numa prestação subsidiada,
com a garantia de compra do imóvel em 20 anos. Mantém, contudo,
a forma como os imóveis são construídos e os beneficiários
selecionados.
Cabe à construtora encontrar o terreno e apresentar projeto à Caixa.
O poder público local (prefeituras e Estado) fica com a responsabilidade
de disponibilizar o cadastro das famílias de baixa renda que vivem de
aluguel e conceder as licenças aos empreendimentos.
Famílias com renda até seis mínimos já são
o público alvo do PAR, que consumiu R$ 7 bilhões de investimentos
em 1.711 empreendimentos entre 1999 e 2008. No ano passado, somente Rondônia
e Mato Grosso contrataram quase a totalidade dos recursos alocados -R$ 20 milhões
e R$ 130 milhões, respectivamente.
A secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães,
cita três pontos para a baixa execução em 2008: nem todos
os Estados têm muitas cidades com mais de 150 mil habitantes (exigência
para participar do programa), são poucas as empresas especializadas
em moradia de baixo custo e nem sempre o poder público organiza de forma
eficiente a demanda.
No entanto, para empresários da construção civil, o principal
problema é a morosidade da Caixa ao avaliar os projetos e autorizar
as obras e a burocracia que atrasa a liberação de recursos. "Ninguém
começa uma obra com menos de oito meses de espera. O governo não
consegue operacionalizar para ter recursos disponíveis no início
do ano", afirma José Carlos Martins, vice-presidente da Cebic (Câmara
Brasileira da Indústria da Construção).
Martins concorda que são as pequenas e microempresas que mais se interessam
por esse tipo de empreendimento, considerado de baixa rentabilidade. Por isso,
Estados e municípios serão convocados a assinar um termo de adesão
ao plano habitacional se comprometendo a reduzir tributos para atrair o interesse
da iniciativa privada.
Além de tentar assegurar agilidade e eficiência, o governo será desafiado
também a corrigir as falhas detectadas pelo PAR, em especial na gestão
dos condomínios já habitados. Incluir no projeto pontos como
hidrômetros individuais e garagens cobertas e prever uma administração
compartilhada entre empresa e moradores são fundamentais para integrantes
de um grupo de pesquisa multiuniversitário sobre habitação.
" Pouco se reflete sobre a pós-ocupação. Há questões
que não são definidas no projeto e se transformam em verdadeiros
problemas de convivência", afirma a professora Nirce Saffer Medvedovski,
da Universidade Federal de Pelotas, que faz parte da rede de pesquisa.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
PACOTE HABITACIONAL
FGTS financiará imóvel
de até R$ 500 mil
CMN deve aprovar hoje ampliação
do uso de saldo do fundo para até 100% do imóvel; limite
atual é de R$ 350 mil | Governo nega que FGTS corra risco de
ficar descapitalizado; plano prevê agilizar processo para liberar
projetos do setor
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além da promessa de construir
1 milhão de casas para famílias com renda até R$
4.650 com o programa Minha Casa, Minha Vida, lançado ontem, o
governo anuncia hoje um benefício para classes de renda maior.
O CMN (Conselho Monetário Nacional) deve aprovar o aumento de R$ 350
mil para R$ 500 mil do teto do valor do imóvel que pode ser adquirido
usando o saldo que o trabalhador tem na sua conta do FGTS.
A medida não foi incluída no pacote habitacional, segundo o secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson
Barbosa, por se destinar a famílias com renda superior à fixada
como foco do novo programa.
O Conselho também deverá aprovar a elevação dos
limites que são financiados. Atualmente, nas operações
que têm como fonte de recursos a caderneta de poupança, a parcela
financiada pode chegar a até 80% do valor do imóvel. Esse percentual
deverá passar para 90%.
Já nos financiamentos com dinheiro do FGTS, o mutuário poderá financiar
até 100% do valor do imóvel. Hoje, esse limite também é de
80%. A medida deverá aumentar os saques no FGTS, que já vem sendo
pressionado pelo aumento das demissões em razão da crise financeira.
Ainda assim, a equipe econômica afirma que não colocará em
risco a saúde financeira do FGTS. O aumento do teto do valor do imóvel
e da parcela financiada gerou grande polêmica nos debates internos. Parte
da equipe econômica acredita que este seja o pior momento para estimular
os saques do FGTS, uma vez que, com o desaquecimento da economia, além
do aumento de saques, há expectativa de redução das contribuições
ao fundo.
Estímulo
Como objetivo de acelerar o andamento das construções de novas
casas, o governo prometeu ainda reduzir o prazo para a obtenção
dos registros necessários, o que beneficiará todas as faixas
de renda.
A ideia é que o cartório leve 15 dias para emitir o registro
que permite o início dos empreendimentos e mais 15 dias para emissão
de registro definitivo.
Especificamente para o programa Minha Casa, Minha Vida, o governo afirma que
haverá redução do custo. Para famílias com renda
até três salários mínimos, o processo será gratuito.
Para quem ganha entre três e seis salários mínimos, haverá redução
de 90%. Para quem tem renda entre seis e dez salários mínimos,
poderá economizar 80%.
Já para os empreendedores, a promessa é de diminuição
de 90% nos custos das tabelas estaduais para imóveis com valor até R$
60 mil, 80% para imóveis até R$ 80 mil e 75% para imóveis
de R$ 130 mil, valor máximo dos imóveis no novo programa do governo.
Além disso, o governo promete gastar R$ 5 bilhões, via BNDES,
para financiar obras de infraestrutura, com rede de água, esgoto e ligação
viária dos novos empreendimentos. Mais R$ 1 bilhão será assegurado
pelo BNDES para financiar a cadeia produtiva. A Caixa promete ainda acelerar
a aprovação dos financiamentos habitacionais.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Dinheiro
Oposição faz criticas
e vê "marketing"
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
ONLINE
Partidos de oposição
ao governo divulgaram comunicados ontem em que criticam o pacote habitacional
anunciado pelo governo federal. O presidente do PSDB, senador Sérgio
Guerra (PE), qualificou o plano de "pactóide habitacional" por
conta de seu "toque de marketing".
" O PSDB, assim como arquitetos, urbanistas, ambientalistas e até empresários
da construção, avalia o pacote, tomado às pressas e sem
estratégias definidas, como mais um plano de caráter emergencial
com toque de marketing", diz a nota assinada pelo tucano.
O PPS também se manifestou a respeito do plano e afirma que vai convidar
a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para uma audiência na Câmara.
O objetivo é que ela explique com detalhes o programa.
O líder do partido na Câmara, deputado Fernando Coruja (PPS-SC),
afirmou esperar que o governo mostre um cronograma das obras. "[O plano]
Está obscuro. Cadê o prazo para construir essas casas. O povo,
que criou uma expectativa, precisa da resposta", afirmou em nota.
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FORÇA SINDICAL, 26
de março de 2009
São Paulo (SP): Pacote do
governo consagra importância do trabalhador da Construção
Civil para o País
Escrito por Assessoria de Imprensa do Sintracon-SP
Foi oficializado hoje, dia 25 de Março, o Plano Habitacional do Governo
Lula que promete investir R$ 34 bilhões para a construção
de 1 milhão de moradias de interesse popular no nosso país.
Oficiosamente, a proposta já havia
sido anunciada. Mas a oficialização só se deu após
Lula integrar às discussões, na última semana, o
trabalhador, através de suas centrais e lideranças sindicais.
Diríamos, portanto, que
o carimbo do Pacote Habitacional foi acionado pela classe trabalhadora.
Antes, estávamos diante de um pacote de boas intenções,
mas mal amarrado.
O governo merece elogios, Lula
em especial. O presidente demonstrou, na prática, que as decisões
de interesse público devem ser tomadas unindo, na mesma mesa,
poderes públicos, empresários, entidades sindicais e de
interesse da comunidade na mesma mesa. Com isso, a democracia se faz,
forte.
A decisão é de
caráter emergencial, tendo como objetivo amainar os efeitos da
crise internacional em nosso País.
Convém ressaltar a desmedida
importância do setor da Construção Civil no cenário
político, econômico e social da Nação, chegando
a responder por 16% do PIB – Produto Interno Bruto.
Segundo o IBGE – Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o segmento é responsável
por 7,1% do total de empregos no Brasil.
A queda no nível de ocupação
do setor, nos últimos meses, foi de 4,7%, bem maior que a média
geral, de 1,6%, sendo que a renda do trabalhador caiu 3,7% em janeiro,
em relação a dezembro, enquanto a média nacional
subiu 2,2%.
Trata-se, aliás, do único
segmento que apresentou declínio no período.
Com o lançamento do pacote
habitacional, o governo estima criar 500 mil novos postos de trabalho,
todos com carteira assinada, como os sindicalistas solicitaram na recente
reunião. E estaremos particularmente atentos a isso.
Lula quer, ainda, a criação
de um comitê para a gestão do programa habitacional, com
a participação de empresários, governadores, prefeitos,
representantes do Congresso, movimentos populares e arquitetos para detectar,
a "tempo real" problemas para a execução das
obras. Também vamos cobrar a concretização de tal
medida.
Idéia antiga
A preocupação em
diminuir o déficit habitacional, que chega a 8 milhões
de unidades no Brasil, não é nova.
Há anos o Sindicato dos
Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo defende
a idéia. Preocupa-se, inclusive, com as 12 milhões de casas
que carecem de manutenção urgente.
Unindo-se ao setor, o Sindicato
continua defendendo a PEC – Proposta de Emenda Constitucional – da
Moradia, através da qual o governo federal destinaria 2% de seu
orçamento para a construção de moradias de interesse
popular e, governos e prefeituras, 1%.
A PEC da Moradia, a nosso ver,
tiraria do Pacote Habitacional anunciado certa característica
emergencial e até eleitoreira, na medida em que obrigaria as futuras
gestões a agir constitucionalmente, sem pecar por solução
de continuidade.
Todavia, nada se resolve plenamente
de um dia a outro. Daí a necessidade de se criar paradigmas permanentes
dentro de um processo real de crescimento.
A medida adotada, repetimos, é louvável.
E demonstra, para a sociedade, a verdadeira dimensão de importância
do trabalhador da Construção Civil.
Que o governo esteja atento às
ações de empresários que se utilizam de processos
de crise como estamos vivenciando para lucrar.
Dizemos isso porque o pacote
lançado, mais as obras do PAC e as de edificação
da infraestrutura necessárias à realização
da Copa do Mundo de 2014, dão margem a admitirmos que, no setor,
o que não faltará é empregabilidade bem remunerada
e dentro do previsto na CLT.
Tudo isso sem contar com o nababesco
lucro que as construtoras obtiveram nos últimos quatro anos.
O pacote
Voltando ao pacote, sabemos que
as moradias serão feitas para as famílias com renda de
até 10 salários mínimos. Do total de moradias que
serão construídas, 400 mil serão destinadas a famílias
com fonte de renda de até três salários mínimos.
E que o governo federal espera, com o pacote, reduzir o déficit
habitacional no país em 14%.
Os recursos, preocupação nossa, aliás, serão distribuídos
de acordo com os dados do IBGE sobre o déficit em cada região
do país.
As famílias com renda
até 3 salários mínimos terão subsídio
integral do seguro de vida. O objetivo da medida é reduzir o valor
das prestações. As famílias com renda de 3 a 10
salários mínimos terão redução dos
custos com o seguro e acesso a um fundo garantidor, variando de acordo
com a faixa em que está (de 3 a 6 mínimos e de 6 a 10).
As moradias construídas,
seguindo orientação dos trabalhadores, terão aquecimento
solar térmico, o que ajudará na redução da
conta de luz dos mutuários.
Fundo garantidor
Uma das preocupações
básicas das lideranças sindicais, explicitada ao governo,
era quanto ao fundo garantidor do processo.
Tal preocupação,
ao que parece, foi devidamente acatada.
Esse fundo, aprovado, prevê o
refinanciamento de parte das prestações, caso o mutuário
perca sua fonte de renda.
Para famílias com renda
de três a cinco salários mínimos, será garantido
o pagamento de até 36 prestações; para famílias
com orçamento de cinco a oito salários mínimos,
até 24 prestações; e para as famílias que
recebem de oito a dez salários mínimos, 12 prestações.
Para ter acesso ao fundo é preciso
ter efetuado o pagamento de no mínimo seis prestações
do imóvel e é necessário também o pagamento
mínimo de 5% da prestação que foi refinanciada.
Este valor será devolvido como bônus quando o refinanciamento
for pago.
O Pacote Habitacional está longe
de resolver o problema da falta de moradia no Brasil. Mas um largo
passo foi dado pelo governo, sem dúvida.
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AGÊNCIA CUT, 26 de
março de 2009
Movimento cobra aprovação
da PEC da Moradia pelo Congresso
Escrito por ABr
O representante do Movimento
Nacional de Luta pela Moradia, Miguel Lobato, cobrou nesta quarta-feira
(25), durante o lançamento do pacote habitacional do governo,
a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
da Moradia pelo Congresso Nacional.
Para ele, o Programa Minha Casa,
Minha Vida, lançado hoje pelo governo e cuja meta é construir
1 milhão de moradias, é importante para dar andamento ao
processo de redução do déficit habitacional no país."É preciso
que o Congresso tenha a mesma sensibilidade do governo para que a o Brasil
tenha recurso perene para a moradia", afirmou.
Ao comentar a construção
de casas equipadas para aquecimento solar, por exemplo, Lobato afirmou
que trazer para moradias populares o que atualmente encontra-se disponível
apenas em casas de alto padrão irá ajudar as famílias
a economizar para pagar as prestações previstas no financiamento.
Lobato disse, ainda, que a construção
de 1 milhão de casas reduz em até 14% o déficit
habitacional quantitativo do país, mas é preciso recursos
para reduzir também o déficit habitacional qualitativo.
"Pela primeira vez,
estão colocando recursos volumosos para quem ganha de zero a
cinco salários mínimos, mas isso depende da desburocratização
das terras brasileiras. Se o custo cartorial brasileiro for efetivamente
barateado, se o governo colocar terras públicas para a construção
dessas casas, se a cadeia produtiva se mobilizar para isso, a gente
consegue construir. Se não, não consegue. É um
grande esforço", argumentou.
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VERMELHO,
26 de março de 2009 | Economia
A habitação levou os EUA à crise;
e pode tirar o Brasil dela
Os Estados Unidos de George W. Bush começaram
a entrar na crise pela porta da habitação, com o colapso
das hipotecas subprime. O Brasil de Lula começará a sair
dela pela mesma porta habitacional? A declaração do presidente
ao lançar o programa de 1 milhão de moradias populares
nesta quarta-feira (25), de que ''não vamos ter problema de gastar'',
segue a receita de um economista que entrou na moda com a crise de 1929
e volta a ela com a de 2008: lord Keynes.
Por Bernardo Joffily
Lula: ''Companheiros, queremos gastar''
''Companheiros governadores, companheiros prefeitos, companheiros
deputados e senadores, neste Programa nós não vamos
ter problema de gastar, nós queremos gastar esse dinheiro,
o quanto antes, melhor'', proclamou Lula no lançamento do
programa ''Minha casa, minha vida''. E ainda repetiu o ''o quanto
antes melhor''.
Gastar quanto? R$ 34 bilhões.
Gastar em quê? O programa ''quase emergencial'' de Lula prevê a
construção de 400 mil moradias para famílias brasileiras
na faixa até três salários mínimos, outras
400 mil para a faixa de três a seis mínimos e mais 200
mil para a de seis a dez mínimos. A prestação
pode chegar a meros R$ 50 mensais.
O tucanato contra o ''pactóide
habitacional''
A oposição mais
uma vez torceu o nariz. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio
Guerra, divulgou nota no mesmo dia sob o título O pactóide
habitacional.
''Quanto vai custar essa aventura?'', indaga o indignado tucano. ''O PSDB avalia
o pacote como mais um plano de caráter emergencial com toque de marketing'',
bombardeia – embora tenha o cuidado de não prometer oposição
ao projeto, para não ter que morder a língua mais tarde, como
aconteceu com o Bolsa Família e o PAC, entre outros.
Com seu ''quanto vai custar?'',
o senador Guerra parece não ter entendido que a crise global
capitalista jogou no lixo da história os dogmas neoliberais,
que ele e seus correligionários repetiram como um mantra durante
as últimas três décadas. Foi para o espaço
a crença de que uma ''mão invisível'' conduz o
''livre mercado'' para a virtude e o melhor dos mundos.
Keynes e as políticas anticíclicas
Com o curto circuito no que
já foi chamado pensamento único, abre-se a temporada
para a busca de alternativas. Entre os trabalhadores de todo o mundo,
cresce a convicção de que é o sistema capitalista
como um todo que está enfermo e precisa ser superado. Karl Marx
está altamente na moda. Em um plano mais restrito, de reformas
dentro dos marcos do sistema, o lema é a ''regulação''
e o economista do momento é Keynes.
O britânico John Maynard
Keynes (1883-1946) tornou-se um clássico da economia graças
a outra megacrise, a Grande Depressão dos anos 30. Ele nunca
escondeu que preferia ''a burguesia e a intelligentsia'' ao ''grosseiro
proletariado''. Mas isto não o impediu de tirar lições
da depressão; reconhecer que o mercado ''livre'' de qualquer
controle conduz inevitavelmente às crises; e preconizar um resoluto
intervencionismo estatal, através de políticas públicas
anticíclicas.
Cavar buracos para tapar buracos...
Quando Lula lança o
programa de 1 milhão de casas populares e proclama que ''nós
(o governo) queremos gastar'', está lançando mão
de uma típica política anticíclica: investindo
pesado com recursos estatais, na contramão do ciclo da crise,
para estimular a produção, o emprego, a renda, o consumo,
impedir que a crise corra solta e apressar a recuperação.
Franklin Roosevelt fez coisa parecida nos anos 30 com as obras públicas
no Vale do Tennessee.
Keynes chegou ao extremo de
dizer que, na falta de coisa melhor, pagar gente para cavar buracos
num dia e tapá-los no outro seria um bom gasto (embora esclarecesse
que preferiria um plano coerente de investimentos públicos).
A lógica do raciocínio é que os cavadores-tapadores
de buracos receberiam salários, comprariam coisas e com isso
ajudariam a quebrar o círculo vicioso da recessão.
Faz sentido. Faz sentido,
economicamente, portanto o ''Minha casa, minha vida'' – para
além do que ele irá representar em qualidade de vida
para milhões de brasileiros.
Políticas anticíclicas que Lula está devendo
Muito mais sentido fará,
porém, se o governo Lula aproveitar o embalo para ajustar as
contas com os bolsões de ortodoxia que perduram no seu governo.
Não faz sentido – na crise bem mais do que antes – a
política de juros altos do Banco Central, nem o atentado dos
spreads bancários, nem o superávit primário.
Romper estes nós seria
um tonificante da atividade econômica à altura do problema
representado pela queda de 3,6% (!) do PIB no último trimestre
de 2008. Funcionaria no mesmo sentido do programa habitacional – com
o benefício extra de energizar a economia em seu conjunto e
não apenas um setor. Ao lado deste, e do PAC, abriria caminho
para o Brasil de fato fazer do limão da crise uma limonada,
como fez aliás, face à depressão de 1929 (quem
lembra dos 78 milhões de sacas de café compradas e queimadas
[!] por Getúlio?): keynesianamente.
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GAZETA
DO POVO, 26 de março de 2009 | Vida Pública
Eleições
TSE autoriza que partidos façam
prévias
Instrumento pode ser usado pelas legendas para
definir o candidato à Presidência da República. Convenções
partidárias continuam obrigatórias
A realização
de prévias nos partidos foi considerada legal pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). O órgão definiu, em sessão
realizada na noite de anteontem, mecanismos para que a disputa interna
não se confunda com campanha antecipada. Os ministros responderam
a uma consulta formulada pelo PSDB, que estuda utilizar o instrumento
para definir o seu candidato à Presidência da República
em 2010.
As prévias são
defendidas pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que
disputa a indicação com o governador de São Paulo,
José Serra. A hipótese também não está descartada
no PSDB do Paraná, onde poderiam se enfrentar o senador Alvaro
Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. Ambos apareceram como favoritos
na sucessão ao Palácio Iguaçu em pesquisa divulgada
no domingo pelo Instituto Datafolha.
A decisão do TSE dá liberdade às
legendas para estabelecer as datas do pleito. Não permite, contudo,
que as prévias substituam as convenções partidárias,
cuja realização continua sendo obrigatória até o
dia 30 de junho do ano da eleição. “O que se decidir
nas prévias não vincula o resultado das convenções”,
enfatizou durante a sessão o presidente do tribunal, Carlos
Ayres Britto.
Também fica vedada a
propaganda fora dos partidos. Durante o período das prévias,
os eleitores em geral não podem ser alvo de divulgação
em rádio, televisão, outdoor, faixas, panfletos, cartas,
página na internet e e-mails. A intenção dos ministros é não
abrir brechas para a campanha antecipada. Em contrapartida, está autorizado
o uso do Fundo Partidário e o recebimento de doações
de pessoas físicas e jurídicas.
O deputado federal Gustavo
Fruet (PSDB) defende as prévias, mas diz não acreditar
que o próprio partido tenha condições de colocá-las
em prática até o ano que vem. “Precisamos encontrar
um modelo que se encaixe no sistema brasileiro. Copiar simplesmente
algo da mesma maneira que é adotado em outros países
não vai dar certo.”
Alvaro Dias concorda com a
falta de cultura de prévias no Brasil. Segundo ele, mesmo com
os debates internos, o que vai definir a escolha dos candidatos ainda
serão as pesquisas. “Ninguém é louco de
concorrer com um candidato mal avaliado.”
O senador afirmou que só vê chances
de as prévias serem realizadas no PSDB do Paraná caso
ocorram ao mesmo tempo no plano nacional. Alvaro também negou
que haja similaridade em uma possível disputa entre ele e Richa
com o confronto entre Serra e Aécio. “O componente que
não permite essa comparação é que o Beto
sabe que não pode simplesmente abandonar o mandato de prefeito
com 1 ano e 3 meses.”
Caso os governadores
paulista e mineiro aceitem as prévias, porém, Alvaro
disse que está disposto a participar. “Sou a favor de
qualquer medida que amplie a democracia. E essa trará mais
responsabilidade a todos os filiados do partidos e não apenas àqueles
que têm direito a voto na convenção.”
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FOLHA DE SÃO PAULO, 26 de março
de 2009 | Brasil
Novo presidente do Conselho de Ética
quer penas mais brandas para colegas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Eleito ontem para presidir o Conselho de Ética da Câmara, o deputado
José Carlos Araújo (PR-BA) defendeu penas mais brandas para colegas
investigados por quebra de decoro. Sem citar nomes, ele disse que parlamentares
cassados não mereciam punição tão severa, pois
cometeram "erros leves", e citou como exemplo os envolvidos no escândalo
do mensalão.
Dos 19 deputados acusados de participar do mensalão -esquema de compra
de apoio político gerido pelo publicitário Marcos Valério
de Souza e coordenado pela cúpula do PT-, 12 foram inocentados em plenário,
4 renunciaram antes da abertura do processo para escapar à punição
e apenas 3 foram cassados.
" Poderiam ter recebido penas menores. Isso vale também para os que
foram absolvidos, que não mereciam a cassação, mas algum
tipo de advertência", afirmou, citando também como possível
pena alternativa o afastamento temporário.
Eleito com 12 votos a favor, um em branco e nenhum contra, o deputado tem um
histórico de votos por absolvição no Conselho: como suplente,
votou a favor de quatro colegas envolvidos no mensalão.
Além disso, foi relator do processo que pediu a absolvição
de Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do senador Renan Calheiros (PMDB-AL),
acusado de fazer lobby junto ao governo federal em defesa dos interesses de
uma cervejaria. No ano passado, redigiu parecer pela absolvição
do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), suspeito de participar
de esquema de desvio de recursos no BNDES.
Além de Araújo, ontem foram escolhidos outros 14 titulares e
dez suplentes do Conselho. Entre eles, três são investigados em
inquéritos ou são em réus em ações penais
no Supremo Tribunal Federal foram desconsideradas acusações de
calúnia, injúria e difamação.
Até o início da manhã, Paulinho figurava entre os membros
do Conselho. Seu nome chegou a ser citado no site da Câmara, mas, temendo
repercussão negativa, o "bloquinho" (PC do B, PDT, PSB, PMN
e PRB) o substituiu por Brizola Neto (RJ), líder do PDT na Câmara.
Paulinho é alvo de dois inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal
Federal). O primeiro trata do episódio envolvendo o BNDES. O segundo
investiga se a Força Sindical, presidida por ele, usou alunos fantasmas
para justificar repasses federais que bancaram cursos oferecidos a trabalhadores
desempregados.
Entre os integrantes confirmados está Abelardo Camarinha (PSB-SP), um
dos recordistas de processos: ex-prefeito de Marília, ele é alvo
de seis inquéritos e duas ações penais no STF. Ele atribuiu
todas as acusações à "perseguição política" dos
seus adversários.
Sérgio Moraes (PTB-RS), ex-prefeito Santa Cruz do Sul (RS), é réu
em dois processos por prevaricação e crime de responsabilidade,
referentes ao período em que comandou o município. Não
foi localizado.
Já Urzeni Rocha (PSDB-RR) responde a dois inquéritos por desmatamento,
que ele nega ter feito. Semana passada, o deputado federal livrou-se de outra
investigação, por porte ilegal de arma, porque o crime prescreveu.
(MARIA CLARA CABRAL E ALAN GRIPP)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
26 de março de 2009 | Cotidiano
Richa, de Curitiba, lidera ranking
de prefeitos
DA REPORTAGEM LOCAL
Beto Richa (PSDB), prefeito reeleito
de Curitiba (PR), é o líder do primeiro ranking de prefeitos
feito pelo Datafolha no atual mandato, que começou em 1º de
janeiro. No mandato anterior, o tucano também liderou durante
todo o tempo -o primeiro foi feito em 2007-, sempre com nota superior
a sete e aprovação de mais de 70%.
O último do ranking é João Henrique Carneiro (PMDB), prefeito
reeleito de Salvador (BA). Sua nota caiu de 5,2 para 5,1 em relação
ao ranking anterior, de setembro de 2008, quando ele aparecia em sétimo
lugar (oito prefeitos foram avaliados na ocasião).
Eduardo Paes (PMDB), que venceu a disputa pela Prefeitura do Rio por apenas
um ponto percentual, aparece em sétimo lugar com nota 5,6. Ele, porém,
tem um desempenho melhor que seu antecessor, Cesar Maia (DEM), que era o último
colocado, com nota 4,5.
Luizianne Lins (PT), prefeita reeleita de Fortaleza (CE), viu sua nota encolher
de 6,4 para 5,8 e está em sexto (era a quarta). João da Costa
(PT), de Recife (PE), está em penúltimo no ranking, com 5,5 -bem
abaixo dos 7,3 que seu antecessor e padrinho político João Paulo
(PT) obteve em setembro. Outro que tem desempenho abaixo do antecessor é Marcio
Lacerda (PSB), de Belo Horizonte (MG). Ele tem nota 5,8 contra 7,6 de Fernando
Pimentel (PT), que o apoiou na eleição e era o segundo mais bem
avaliado.
O Datafolha pediu aos entrevistados em nove capitais que dessem nota de 0 a
10 ao prefeito de sua cidade. O ranking é feito a partir da nota média
de cada um. O desempate leva em conta as taxas de aprovação e
reprovação.
Mauro Paulino, do Datafolha, diz que a avaliação dos prefeitos
deve influir na definição das candidaturas a governador. "Há uma
repercussão interna nos partidos." Richa, Luizianne e Fogaça
são cotados para os governos de seus Estados.
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
março de 2009
Senado aprova proposta que isenta idoso
de pagamento de IR
De acordo com a proposta, o desconto previsto
deve variar de 20% a 100%, de acordo com a idade do contribuinte
A CAS (Comissão de Assuntos
Sociais) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (25), proposta para conceder
isenção progressiva do Imposto de Renda para aposentados,
pensionistas ou reformados, a partir dos 66 anos de idade.
De acordo com a proposta, o desconto
previsto deve variar de 20% a 100%, aumentando progressivamente de acordo
com a idade do contribuinte.
Alívio
De acordo com o autor do PLS 421/07, senador Efraim Morais (DEM/PB), "a
proposta alivia a tributação dos aposentados, pensionistas e
militares da reserva, porque o estado tem o dever de amparar as pessoas idosas,
assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade
e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida".
Emendas
Segundo a Agência Senado, o relator, senador Jayme Campos (DEM/MT), apresentou
parecer favorável, com uma emenda que preserva os contribuintes, pessoa
física, que já são beneficiados de isenção
total de IR, segundo a tabela progressiva do IR.
Outra emenda apresentada diz
respeito ao teto mensal do desconto sobre a tributação
do IR, que, segundo Campos, foi fixado em R$ 3.800.
Tramitação
O projeto, aprovado com emendas, ainda será examinado, em regime terminativo,
pela Comissão de Assuntos Econômicos.
Caso seja aprovado neste colegiado técnico, e não haja recurso
contra a decisão, o texto vai ao exame da Câmara sem passar pelo
plenário do Senado.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/03/2009
Vale responderá por indenização
decorrente de surdez por excesso de ruído
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve a condenação imposta pela Justiça
do Trabalho de Minas Gerais à Companhia Vale do Rio Doce - na
qualidade de responsável solidária -, pelas indenizações
por danos morais e materiais que deverão ser pagas a um empregado
terceirizado que prestava serviços no Complexo Minerador de Itabira
(MG), por meio da Conservadora Soccer Ltda.
O empregado exercia a função
de operador de caminhões munck (também chamados de “guindautos” por
contarem com sistema hidráulico para movimentação
de materiais pesados) e sofreu perda auditiva por excesso de ruído
em razão do trabalho em áreas com níveis acima dos
toleráveis (Minas do Cauê e de Conceição).
Embora usasse equipamento de proteção individual (EPI),
o acessório não foi suficiente para proteger contra o ruído
intenso durante as oito horas de trabalho nas minas.
O trabalhador teve sua capacidade
auditiva comprometida, de forma permanente e irreversível, e receberá indenização
de R$ 20 mil por danos morais e pensão mensal vitalícia
equivalente a 28% da remuneração que recebia em julho de
2003 (época em que foi constatada a primeira perda auditiva),
tendo em vista a redução de sua acuidade auditiva no mesmo
percentual. Segundo o relator do recurso, ministro Renato de Lacerda
Paiva, a decisão regional está em sintonia com os dispositivos
legais e constitucionais que tratam de responsabilidade e de reparação
de danos.
No recurso ao TST, a defesa da
Vale sustentou não ter sido demonstrada sua culpa quanto à doença
que acometeu o trabalhador nem comprovado o nexo de causalidade entre
a moléstia e as funções desempenhadas por ele. Mas,
segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG),
como a atividade era realizada nas dependências da tomadora de
serviços, competiria à Vale garantir um ambiente de trabalho
saudável e sem riscos à integridade do trabalhador. Para
o TRT/MG, ambas as empresas integrantes da terceirização
são responsáveis solidariamente pelo cumprimento das normas
de saúde, higiene e segurança no trabalho.
“Ao constatar a ocorrência
de conduta culposa, dano moral e nexo causal, e condenar a empregadora
e a tomadora de serviços ao pagamento da indenização
por dano moral, o Tribunal Regional deu a exata subsunção
dos fatos ao conceito contido no artigo 186 do Código Civil, que
informa que ‘aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar o direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito’”,
concluiu o ministro Renato de Lacerda Paiva, ao negar provimento ao agravo
da Vale. ( AIRR 1.212/2005-060-03-40.9)
(Virginia Pardal)
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26/03/2009
Radialista consegue adicional por acúmulo
de funções e periculosidade
A empresa de telecomunicações
RBS, do Rio Grande do Sul, foi condenada a pagar a um radialista diferenças
salariais pelo acúmulo de funções e adicional de
periculosidade por desempenhar atividades para as quais necessitava lidar
com fontes energizadas. A decisão veio de julgamento da Quarta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que restabeleceu a sentença
do primeiro grau modificada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(SC), que inocentara a empresa de todas as condenações.
Em fins de 2001, o empregado
recorreu à Justiça do Trabalho em Florianópolis
para reclamar que, além da função de técnico
de externa, acumulava as de operador de áudio e vídeo e
a de motorista. Contratado em 1997 pelo Diário da Manhã,
empresa do mesmo grupo econômico, como técnico de externa
(responsável pela conexão entre o local da cena ou evento
externo e o estúdio), ele foi transferido três anos depois
para a TV, quando passou também a desempenhar as outras funções.
Reclamou também, entre outros, o adicional de periculosidade,
alegando que lidava com fontes energizadas na instalação
dos receptores de micro-ondas no alto das torres de recepção
e transmissão e nas gravações de rua, para alimentar
o carro de externa que transmitia as imagens.
A primeira instância atendeu
aos seus pedidos, menos o de acúmulo de funções
como motorista, por entender que a função era intrínseca
ao cargo de técnico de externa. Determinou que um novo contrato
fosse registrado em sua carteira de trabalho e que as verbas daí decorrentes,
bem como as relativas à referida periculosidade, lhes fossem pagas.
A empresa recorreu e o Tribunal Regional, reconhecendo em parte as suas
alegações, reformou a sentença e a inocentou das
referidas condenações.
Diante das tentativas frustradas
de reverter a decisão regional (recurso ordinário adesivo
e embargos), o radialista interpôs recurso de revista ao TST, insistindo
em que “a realização de funções distintas
em setores diversos enseja o reconhecimento de dois contratos de trabalho,
pois as atividades eram realizadas em uma única jornada”.
Defendeu o adicional de periculosidade sustentando que desempenhava atividades
sujeitas aos riscos da energia elétrica.
A ministra Maria de Assis Calsing,
relatora do recurso na Quarta Turma, reconheceu o pleito do radialista
e restabeleceu a sentença da primeira instância, ao entendimento
de que ficou constatado o acúmulo de funções. Destacou
a relatora que as operações de áudio consistiam
em “controlar a qualidade de áudio e vídeo e manter
o sinal para transmissão”, e, nos momentos em que não
havia transmissão externa, o operador realizava ainda outras tarefas
de manutenção e consertos de equipamentos e modificação
de estúdios.
A relatora esclareceu que a Lei
nº 6.615/1978, que disciplina a profissão de radialista,
proíbe o exercício de atividades em setores diferentes
num só contrato de trabalho, “em proteção
ao empregado”. E que “o reconhecimento de mais de um contrato
decorre da interpretação dessa legislação
e não poderia, “à luz do princípio da razoabilidade,
resultar em jornada incompatível com sua execução”,
como decidiu o Tribunal Regional.
Citando precedente no mesmo sentido
julgado no TST, a relatora restabeleceu a sentença que concedeu
ao empregado o segundo vínculo empregatício e o adicional
de periculosidade. Seu voto foi aprovado unanimemente pelos ministros
da Quarta Turma. ( RR 7249-2001-034-12-00.7)
(Mário Correia)
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26/03/2009
Revista íntima de empregada faz laboratório
indenizá-la em mais de R$ 50 mil
Exposta a revista íntima
sem antes serem examinados seus pertences para que fosse verificada a
acusação de furto, uma coletadora de exames laboratoriais
conseguiu manter a sentença que lhe deu o direito a receber indenização
por danos morais, estabelecida em novembro de 2004 em R$ 58.912,00, valor
sujeito a correção monetária. A Primeira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho rejeitou o agravo de instrumento da Diagnósticos
da América S.A., que argumentava haver contrariedade a lei federal
na decisão da Justiça do Trabalho de São Paulo.
A coletadora, contratada desde
maio de 2001, contou que trabalhava no turno da manhã, e ficou
sabendo de furtos que vinham ocorrendo no local de trabalho no turno
da tarde. Por conta disso, a empresa usou duas notas de R$ 10,00, identificadas
anteriormente, como “isca” para descobrir o autor dos furtos.
No dia 04/11/04, a coletadora encontrou um porta-moedas com R$ 2,00 e
algumas chaves em seu box de trabalho e entregou-os à gestora
de sua unidade. Mais tarde, foi chamada à sala da chefia, onde
havia duas policiais. Uma delas mandou a trabalhadora se despir totalmente
e submeteu-a a revista íntima. Depois disso, dirigiu-se ao box
para revistar sua bolsa, onde foi encontrada uma das duas notas de R$
10,00.
A trabalhadora alega que a bolsa
ficou em seu box de trabalho por algum tempo sem que ela estivesse no
local, e qualquer pessoa poderia ter colocado lá a nota. O caso
foi parar na delegacia e o inquérito foi arquivado, sem nada provar
contra a coletadora. Uma semana depois, porém, ela foi dispensada
por justa causa, sob a alegação de improbidade.
A 15ª Vara do Trabalho de
São Paulo afastou a justa causa e condenou a empresa ao pagamento
de verbas rescisórias e multas, além da indenização
por danos morais. A sentença destacou a autorização
de representante da empresa para que fosse feita a revista íntima,
e afirmou que a chefia poderia ter optado por procedimento menos danoso
se tivesse autorizado inicialmente as policiais a fazerem a revista dos
pertences da coletadora.
Segundo o juízo de origem,
na Constituição Federal todo cidadão é inocente
até que haja sentença transitada em julgado, declarando-o
culpado. A trabalhadora foi tratada como criminosa e exposta a situação
extremamente humilhante, pois a revista íntima só pode
ser autorizada em casos excepcionais (como a entrada em presídios,
a fim de se evitar que pessoas entrem com objetos não autorizados).
A Diagnósticos da América
recorreu, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) manteve a sentença. Em recurso ao TST, a empresa alegou contrariedade
a lei federal e desproporcionalidade do valor da indenização
entre a gravidade da culpa e do dano. O ministro Walmir Oliveira da Costa,
relator do agravo de instrumento, entendeu que a empresa não tinha
razão em suas argumentações. Ele ressaltou a convicção
do TRT/SP para decidir que a empresa acusou a trabalhadora de furto,
mas não comprovou suas alegações, além de
permitir que a autoridade policial procedesse à revista pessoal
e íntima na empregada, “constrangendo-a e humilhando-a”.
Quanto à desproporcionalidade da indenização, o
ministro Walmir considerou “inviável a revisão do
valor condenatório nesta fase recursal de natureza extraordinária,
quer em face da Súmula nº 126 do TST não admitir a
revisão de fatos e provas, quer pela ausência de indicação,
na decisão do Tribunal Regional, do valor concedido a esse título”.
A decisão define apenas que “o valor arbitrado é sensato,
mormente considerando a situação extremamente vexatória
a que foi submetida a reclamante”. ( AIRR-2094/2005-015-02-40.7)
(Lourdes Tavares)
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