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Agência Estado, 29
de março de 2009
3º turno: PT e PMDB disputam
eleições em 5 cidades no domingo (29)
Os deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR)
e Barbosa Neto (PDT/PR) disputam Londrina (PR), a segunda cidade
mais populosa do estado, com mais de 500 mil habitantes
Integrantes da base de apoio ao governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, PT e PMDB se enfrentam neste
domingo em cinco municípios que voltarão às
urnas em eleições suplementares. Integrantes
de coligações adversárias ou apoiando
candidatos oponentes, as agremiações disputarão
o Executivo municipal depois que a Justiça Eleitoral
indeferiu o registro dos candidatos mais votados nas eleições
2008.
A maior parte deles foi impedida de assumir o cargo por
irregularidades como a recusa da prestação
de contas de mandatos anteriores ou o oferecimento de dinheiro
em troca de votos.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 373 mil
eleitores devem participar das eleições no
domingo. Desses, 23 mil são paulistas das cidades
de Lupércio, Guarani d'Oeste e Igaraçu do Tietê,
que estimam gastos da ordem de R$ 300 mil nas novas eleições.
Nesses municípios, os petistas apoiam coligações
adversárias aos peemedebistas.
Diplomação e posse cancelados
Segundo o TRE-SP, o petista Marco Antonio do Carmo Caboclo foi o vencedor
do pleito em Guarani d'Oeste, com mais de 50% dos votos. No entanto,
sua vitória foi anulada pelo TRE porque a candidatura havia
sido indeferida pela Justiça antes das eleições.
Com candidato fora da disputa, o PT ofereceu apoio à chapa "Renovação
para o Futuro", capitaneada pelo PSB, que tem como adversária
a peemedebista Maria Luzia Doff dos Santos.
A situação é semelhante em Lupércio
e Igaraçu do Tietê, onde os candidatos eleitos
tiveram a diplomação e posse canceladas pela
Justiça Eleitoral. Em Lupércio, o peemedebista
Abílio Kemte enfrenta o tucano João Ferreira
Júnior (PSDB), que conta com o apoio dos petistas
municipais. Já em Iguaraçu o partido do presidente
Lula aderiu à campanha de coligação
rival à apoiada pelos peemedebistas.
No município de Itapé (BA), a 454 km de Salvador,
o novo pleito acontecerá porque a eleição
do ano passado foi anulada em virtude da impugnação
do peemedebista Pedro Brandão. O partido resolveu
aderir à candidatura de Jackson Resende (PP), rival
na disputa de Humberto Matos (PV), que conta com o apoio
dos petistas.
Londrina
Na segunda cidade mais populosa do Paraná, com mais de 500 mil
habitantes, o prefeito eleito em 2008, Antonio Belinati (PP/PR), teve
recurso em última instância negado na noite de quinta-feira
(26), deixando a disputa agora com os adversários Luiz Carlos
Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT).
Os peemedebistas estão ao lado de Hauly. Ainda que
o PT tenha decidido se manter neutro na disputa, o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, uma das lideranças
nacionais petistas, declarou apoio a Barbosa, alegando que
o PDT é partido da base de apoio do Governo Lula.
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Vermelho, 29 de março
de 2009
Leia 'Trabalhadores e trabalhadoras
não pagarão pela crise'
“ Vamos construir em todo o país grandes
mobilizações. O dia 30 de março será o
primeiro passo da jornada. Some-se conosco, participe!” É assim
que 24 entidades — dos movimentos sindical, estudantil,
sem-terra e popular — convocam os moradores de São
Paulo para o Dia de Mobilização e Luta em Defesa
do Emprego e dos Direitos Sociais.
Com o lema “Trabalhadores e trabalhadoras não
pagarão pela crise”, o manifesto defende propostas
como a ratificação da convenção
158 da OIT (que proíbe demissões imotivadas),
a queda da taxa básica de juros (Selic) e a redução
da jornada de trabalho sem redução salarial.
Confira abaixo a íntegra do texto.
Trabalhadores e trabalhadoras
não pagarão pela crise
Não às demissões!
Pela redução dos juros, pelos investimentos
públicos e em defesa dos direitos trabalhistas
e sociais!
O Brasil vai às ruas na próxima segunda-feira,
30 de março. Os trabalhadores e trabalhadoras do
campo e da cidade estarão unidos contra a crise
e as demissões, por emprego e salário, pela
manutenção e ampliação dos
direitos, pela redução dos juros e da jornada
de trabalho sem redução de salários,
pela reforma agrária em defesa dos investimentos
em políticas sociais.
A crise da especulação e dos monopólios
estourou no centro do sistema capitalista, os Estados Unidos,
e atinge as economias menos desenvolvidas. Lá fora – e
também no Brasil -, estão sendo torrados
trilhões de dólares para cobrir o rombo das
multinacionais, em um poço sem fim, mas o desemprego
continua se alastrando, podendo atingir mais 50 bilhões
de pessoas.
No Brasil, a ação nefasta e oportunista
das multinacionais, do setor automotivo e de empresas como
a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levaram a demissão
de mais de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco
meses.
O povo não é culpado pela crise. Ela é resultante
de um sistema que entra em crise periodicamente e transformou
o planeta em um imenso cassino financeiro, com regras ditadas
pelo “deus mercado”. Diante do fracasso desta
lógica excludente, querem que a classe trabalhadora
pague a fatura em forma de demissões, redução
de salários e de direitos, injeção
de recursos do BNDES nas empresas que estão demitindo
e com a criminalização dos movimentos sociais.
Basta!
A precarização, o arrocho salarial e o desemprego
enfraquecem o mercado interno, deixando o país vulnerável
e à mercê da crise, prejudicando fundamentalmente
os mais pobres, nas favelas, nas periferias. É preciso
cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada sem reduzir
os salários, acelerar a reforma agrária,
ampliar as políticas públicas em habitação,
saneamento, educação e saúde, e medidas
concretas dos governos para impedir as demissões,
em particular aos 4.270 funcionários da Embraer,
ressaltando que estamos na luta pela readmissão.
O dia 30 também é simbólico, pois
nesta data se lembra a defesa da terra Palestina, a solidariedade
contra a política terrorista do Estado de Israel,
pela soberania e auto-determinação dos povos.
Com este espírito de luta, vamos construir em todo
o país grandes mobilizações. O dia
30 de março será o primeiro passo da jornada.
Some-se conosco, participe!
- Não às demissões! Pela ratificação
da convenção 158 da OIT!
- Redução dos juros!
- Redução da jornada sem redução salarial
- Reforma agrária!
- Por saúde, educação e moradia!
- Em defesa dos serviços e dos servidores públicos!
- Solidariedade ao povo palestino!
Ato Internacional unificado contra a crise
30 de março, com concetração às 10h, em
frente à Fiesp, na avenida Paulista, em São Paulo.
Organizadores: Assembléia Popular, Cebrapaz, CGTB,
CMB, CMS, Conam, Conlutas, Conlute, CTB, CUT, Força
Sindical, InterSindical, Marcha Mundial de Mulheres, MST,
MTL, MTST, NCST, Oclae, Ubes, UBM-FDIM, UGT, UNE, Unegro/Conem,
Via Campesina.
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Gazeta do Povo, 29 de março
de 2009
Emprego
Trabalho informal cresce com
a crise
Número de pessoas subocupadas
cresceu 18,3% entre outubro de 2008 e fevereiro deste ano
segundo o IBGE
A crise e o aumento do desemprego estão empurrando
uma parte da população para a informalidade
e o subemprego. Em meio ao crescimento do número
de demissões e à menor oferta de vagas, muitas
pessoas estão tendo que encarar um emprego sem carteira
assinada, um pequeno negócio por conta própria
ou vivendo de bicos.
Entre setembro do ano passado – quando a turbulência
financeira ganhou fôlego – e fevereiro desse
ano, o volume de pessoas subocupadas cresceu 18,3%, segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE.) Pela definição do IBGE, os subocupados
são pessoas que dizem que até poderiam trabalhar
mais horas, mas que diante da crise só encontram
serviços em tempo parcial, sem vínculo empregatício,
como galhos e biscates. Nesse período, 114 mil pessoas
passaram a viver de subocupação, engrossando
um contingente que já soma 735 mil pessoas nas seis
regiões metropolitanas pesquisadas pelo instituto.
“ A informalidade caminha de mãos dadas com
o desemprego e o crescimento da subocupação
mostra uma piora do mercado de trabalho e uma deterioração
da qualidade do emprego, que tradicionalmente ocorrem em época
de desaquecimento da economia”, explica o professor
Anselmo Luís dos Santos, do Centro de Estudos Sindicais
e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp.
É o caso da bióloga Cornélia Gorski,
de 23 anos, que vive desde outubro do ano passado de trabalhos
temporários como promotora de marketing em congressos
e feiras e de algumas aulas de educação ambiental.
Sem registro em carteira de trabalho, ela recebe entre
R$ 60 e R$ 130 com eventos. “Às vezes trabalho
durante apenas uma hora, às vezes seis horas por
dia. Nunca sei quanto vou ganhar no mês. Mas entre
ficar sem fazer nada e ganhar alguma renda é melhor
trabalhar uma hora”, afirma ela, que está terminando
um MBA em Gestão Ambiental e sonha com uma vaga
de pesquisadora em uma universidade. “Já fiz
vários concursos. Estou sempre procurando uma colocação
melhor, mas emprego de professor está difícil
e é mal remunerado.”
Historicamente a subocupação cresce em períodos
de desaceleração econômica. Em 2003,
durante a última crise, a população
de subocupados chegou a 1 milhão de pessoas. A atual
desaceleração não provocou um estrago
tão grande, mas já reduziu o número
de pessoas no mercado formal – entre outubro de 2008
e fevereiro de 2009, 173 mil pessoas perderam o emprego
com carteira assinada no país, de acordo com o IBGE.
Em fevereiro, o nível da ocupação – relação
entre a população ocupada e a população
total com mais de 10 anos de idade – caiu 1% na comparação
com janeiro, para 51,6%. Foi o maior recuo para o período
desde 2002, início da série histórica
do IBGE, que coleta os dados em seis regiões metropolitanas:
São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte,
Salvador e Porto Alegre.
Paraná
No Paraná, o saldo de vagas formais – diferença
entre admitidos e demitidos – entre setembro do ano
passado e fevereiro desse ano ficou negativo em 22,4 mil,
de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged). Para o economista Sandro Silva, do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), a crise deve inverter o cenário que se
viu nos últimos anos, quando o crescimento econômico
garantiu uma maior formalização do trabalho.
De um lado, empregadores vão privilegiar a contratação
de pessoas sem carteira assinada em um período de
incertezas, já que não há custo para
demitir um empregado informal.
Do outro, cresce o número de pessoas que partem
para atividades por conta própria, como o administrador
de empresas Danielson Teles, de 34 anos. Depois de ser
demitido de uma multinacional em janeiro, ele agora trabalha
vendendo produtos para emagrecer da marca Herbalife. “Com
a crise, a empresa reduziu sua atuação e
cortou empregos. Após seis anos de trabalho na companhia,
saí com uma caixa com documentos pessoais e o porta-retrato
com a foto de meu filho.” A venda direta garante
uma remuneração equivalente ao do antigo
emprego. “Estou mais feliz. Não sou só mais
um na empresa.”
Desemprego
Embora a taxa de desemprego medida pelo IBGE em fevereiro
tenha ficado em 8,5% – abaixo da expectativa do mercado,
que esperava um índice próximo de 9% –,
os economistas dizem que ainda é cedo para comemorar.
De acordo com o professor Fernando de Holanda Barbosa Filho,
pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre)
da Fundação Getulio Vargas (FGV), o reflexo
da desaceleração sobre o emprego começou
a ficar evidente somente agora, e o movimento deve ganhar
força nos próximos meses. “Uma taxa
de desemprego próxima de 10% em 2009 não
será algo supreendente.” Isso porque a crise
na indústria foi severa e o comércio começa
a sentir agora os efeitos do desaquecimento. Ele também
chama atenção para o fato de o setor de serviços,
o que mais emprega no país, ainda não ter
sido atingido. “Mas, se for, o impacto sobre o emprego
será grande”.
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Gazeta do Povo, 29 de março
de 2009
Emprego
Informalidade sobe acima do
PIB
Estudo da FGV mostra que o nível de trabalho informal cresceu
8,7% no período em que o Produto Interno Bruto brasileiro avançou
4,7%
A chamada economia informal vem crescendo acima do Produto
Interno Bruto (PIB) nos últimos anos. Segundo um estudo
da Fundação Getulio Vargas (FGV), ela cresceu
8,7% em 2007 e até junho de 2008 – último
dado disponível – havia avançado 4,7%.
Embora até hoje não haja qualquer cálculo
confiável e definitivo que mostre o tamanho da informalidade
no país, o estudo da FGV procura fazer um acompanhamento
dos rastros deixados por ela para mapear o comportamento
em relação ao PIB. A FGV monitora indicadores
que influenciam de forma indireta o desempenho da informalidade – entre
eles, carga tributária, exportações,
corrupção e nível de atividade.
“Percebe-se que a atividade informal é muito
mais sensível e a primeira a responder em relação
a uma mudança do ritmo. Ela cresce mais do que o PIB
quando a economia vai bem e é a primeira a desacelerar
quando há desaquecimento”, diz o professor Fernando
de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro
de Economia (Ibre) da FGV, um dos responsáveis pelo
estudo.
De acordo com a FGV, quanto maior a quantidade de impostos
e contribuições, maior o incentivo para que
os agentes operem na informalidade. A corrupção
também estimula a informalidade, já que diminui
as chances de punição de irregularidades – tais
como a sonegação de impostos.
No estudo, a FGV utiliza o termo “economia subterrânea” para
definir informalidade, entendida como um conjunto de produção
de bens e serviços que não é reportada
ao governo, com o objetivo de não pagar impostos,
evitar o pagamento das contribuições de seguridade
social, fugir do cumprimento de leis e regulamentações
trabalhistas, dentre outros. Atividades ilegais, tais como
o tráfico de drogas, prostituição e
contrabando, por exemplo, não foram incluídas
no cálculo da entidade.
Segundo o levantamento, em 2005, a informalidade cresceu
10,8%; no mesmo ano, o PIB teve alta de 3,1%. Em 2006, a
informalidade subiu 4,1%; o PIB, por sua vez, teve alta de
3,7%.
Importância
Mas, para o professor, a atividade informal não deve
ser encarada como um mal para a economia, embora ela tenha
efeitos nocivos para a qualidade do emprego e para a geração
de impostos. “Combater ferrenhamente a informalidade
sem criar políticas específicas para a inclusão
desse setor não apenas não resolve o problema
como resulta no desaparecimento de empresas, empregos e da
produção de bens e serviços importantes
para a sociedade. Não há como dizer que a venda
de guarda-chuvas em frente às estações
de ônibus em dias de chuva não seja importante
e útil para a sociedade.”
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Folha de S.Paulo, 29 de
março de 2009
33% dos empresários
cortarão investimento
Pesquisa da Serasa Experian com 1.015
executivos mostra aumento do desânimo com a economia
no segundo trimestre
Expectativas pioram, e número
de empresários que pretendem investir mais cai para
21% no 2º trimestre, ante 50% no início do
ano
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
A expectativa dos empresários se deteriorou de
forma significativa para o segundo trimestre deste ano.
Pesquisa Serasa Experian de Expectativa Empresarial mostra
que 33% dos empresários vão reduzir os investimentos
no segundo trimestre deste ano em relação
ao mesmo período do ano passado -o pior resultado
desde que a pesquisa foi criada, em 2005.
Em relação às expectativas para o primeiro trimestre,
o pessimismo praticamente dobrou: apenas 14% dos empresários
pretendiam reduzir os investimentos no começo do ano. Já o
total dos empresários que pretendem aumentar os investimentos
caiu de forma drástica também: de 50% no primeiro trimestre
para 21% no segundo.
A indústria foi a mais atingida pela crise: 36% dos empresários
industriais preveem queda dos investimentos. Em serviços, a
parcela dos que vão tirar o pé do freio é de 33%,
e, no comércio, de 32%. No setor financeiro, que se apresenta
como o mais otimista dos segmentos, a pesquisa mostra que 27% preveem
queda dos investimentos, e 32%, alta.
De acordo com Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico
da Serasa Experian, todos os itens da pesquisa mostram forte deterioração
das expectativas. O único ponto do levantamento que pode ser
considerado positivo é a previsão de queda da taxa básica
de juros: 52% dos empresários apostam na queda da Selic no segundo
trimestre. Mas a queda dos juros está dentro do contexto da
crise.
Dólar e desemprego
Já todos os outros indicadores da pesquisa, que foi feita entre
os dias 10 e 16 e abrange um universo de 1.015 executivos dos diversos
setores da economia, estão bastante negativos: 69% dos empresários
preveem estabilidade ou queda do faturamento no segundo trimestre;
79% acreditam na valorização do dólar; 76%, no
aumento do desemprego; 53%, no recuo da renda média; e 78%,
no agravamento do endividamento. " O impacto da crise foi muito
grande. As empresas não estão se endividando nem para
capital de giro nem para investimento", afirma Almeida.
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Folha de S.Paulo, 29 de
março de 2009
Crise econômica gera
desglobalização
Queda em indicadores de integração,
como movimento de bens, de capitais e de pessoas, mostra
tendência de declínio da globalização
Por conta da desaceleração,
OMC já estima que comércio global terá retração
de 9% neste ano, a maior desde a Segunda Guerra Mundial
MARCELO NINIO
DE GENEBRA
A vertiginosa desaceleração da economia
mundial adiciona à pauta do G20 um termo até agora
restrito ao desejo dos ativistas anticapitalismo: desglobalização.
Com os indicadores de integração dos mercados
em queda livre, a globalização perde fôlego
e ameaça mostrar sua face mais desigual.
Muitos alegam que o avanço tecnológico e a interdependência
econômica revolucionaram a tal ponto os meios de produção
que tornaram o processo irreversível. Mas os números
mostram recuo em três elementos que definem a globalização:
o movimento de bens, de capitais e de pessoas.
Na semana passada, a OMC (Organização Mundial do Comércio)
previu que o comércio global terá neste ano a maior queda
desde a Segunda Guerra Mundial, com contração de 9%.
O declínio drástico da demanda e o bloqueio nos canais
de financiamento fizeram desabar o volume das transações.
Para piorar, barreiras protecionistas começam a ser erguidas
em todos os continentes.
Em janeiro, a Iata (Associação Internacional de Transporte
Aéreo) registrou queda de 23,2% no transporte de cargas em relação
ao mesmo mês de 2008. "É um claro sinal de que o
pior da crise ainda está por vir", disse o diretor-geral
da Iata, Giovanni Bisignani, observando que mais de um terço
do comércio mundial de bens é feito por via aérea.
A crise também reduziu o movimento de pessoas. O número
de passageiros de voos pelo mundo caiu 5,6% em janeiro. O de turistas,
que vinha crescendo 5% anualmente, encolheu 1% no último semestre,
informou a Organização Mundial do Turismo.
Isso sem falar nas restrições à imigração.
Em tempos de prosperidade, trabalhadores estrangeiros eram atraídos
pelos países ricos para suprir a falta de braços, principalmente
no setor de construção civil de países como Estados
Unidos, Espanha, Reino Unido e Irlanda. Agora que a bolha estourou
e o desemprego bate recordes, eles passaram a ser vistos como competidores
indesejados.
Nas estações de metrô de Madri, anúncios
do governo incentivam imigrantes a deixar o país, oferecendo
450 para os custos de viagem. Nos Estados Unidos, o governo dá incentivos
a empresas para contratarem funcionários americanos. A OIT (Organização
Internacional do Trabalho) calcula que a crise poderá eliminar
até 40 milhões de empregos no mundo até o fim
do ano, grande parte entre a população "vulnerável",
como a imigrante.
Retrocesso na integração
O termo desglobalização tornou-se conhecido como uma
proposta do economista filipino Walden Bello. Veterano crítico
do capitalismo, Bello prega um retrocesso no processo de integração
mundial para reduzir a dependência exterior. Mas o que é uma
estratégia para Bello pode estar sendo precipitado pela crise,
alertou em janeiro o premiê Gordon Brown. Anfitrião da
cúpula do G20 em Londres, na próxima quarta-feira, Brown
deve repetir a advertência.
" Pela primeira vez vemos fluxos internacionais de capital crescerem menos
que os domésticos e os bancos favorecerem empréstimos nacionais
em vez de estrangeiros. Essa é uma tendência que temos de deter
para evitar uma perigosa espiral de desalavancagem e desglobalização,
com consequências adversas para todas as economias."
O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) teve queda mundial
de 21% em 2008 e deve levar um tombo ainda maior neste ano. Mesmo entre
os maiores países emergentes, que nos últimos anos foram
os destinos preferidos, haverá forte queda. No Brasil, que recebeu
US$ 43,8 bilhões em 2008, o BC estima que o fluxo cairá pela
metade.
Mas as maiores vítimas são os países mais pobres. "Os
combustíveis da integração são o comércio
e o financiamento", disse à Folha Donald Kaberuka, presidente
do Banco Africano de Desenvolvimento. " Para os países
ricos, a falta de acesso ao crédito significa perda de casas
e de empregos. Mas na África são as vidas que estão
em perigo."
Uma clara preocupação é o protecionismo, diz Norbert
Jorek, da consultoria A.T. Kearney, responsável pelo índice
de globalização publicado pela revista "Foreign
Policy". Ele vê "hipocrisia" nos discursos de
líderes como Brown, que no exterior prega o livre comércio,
mas defende "empregos britânicos para os britânicos" quando
volta para casa.
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Folha de S.Paulo, 29 de
março de 2009
Pacote habitacional do governo
favorece Estados aliados a Lula
63% das casas devem ser construídas
onde há governadores alinhados ao Planalto
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Antes mesmo de sair do papel, o novo pacote habitacional
do governo já desponta como importante arma política
na corrida eleitoral do ano que vem, quando serão
escolhidos os sucessores do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e dos governadores atuais, além dos
novos deputados e senadores.
Do total de 1 milhão de casas prometidas, 63% deverão
ser construídas em Estados governados por aliados de Lula, segundo
distribuição inicial apresentada pelo governo. Como a
quantidade de casas por Estados e cidades está sujeita a alterações
em razão dos benefícios que governadores e prefeitos
oferecerem, a distribuição poderá favorecer ainda
mais a base de apoio política do governo.
A maior contrapartida financeira dos Estados é listada como
um dos principais critérios a serem levados em conta pela Caixa
Econômica Federal para priorizar os projetos que serão
apresentados pelas construtoras, segundo cartilha entregue a interessados
no programa.
É a partir daí que será definida a distribuição
dos R$ 16 bilhões em recursos dos cofres da União, usados para
construir e entregar praticamente a custo zero 400 mil casas para famílias
que ganham até R$ 1.395.
Dos 26 Estados e o Distrito Federal, a oposição governa
apenas 7. No entanto nesses Estados vivem 42% da população,
segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística). Somente São Paulo concentra metade dessa
população.
E é justamente por causa de São Paulo que a participação
dos governistas na distribuição dos recursos do pacote
não passará de 80%. O Estado é estratégico
para Lula, que não tem nele uma votação expressiva
dada a relevância da região.
Interessado em fazer da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) sua sucessora
na Presidência, Lula poderá colher significativos dividendos
políticos na área governada pelo tucano José Serra
-apontado até agora como maior adversário do governo
nas eleições de 2010- se fizer o programa deslanchar.
Individualmente, o Estado onde vivem quase 40 milhões de pessoas
ficará com a maior parcela das casas: 18,4% (183.995 imóveis).
O governo afirma que a divisão seguiu critérios de distribuição
do déficit habitacional. Ainda assim, o risco de uso político às
vésperas de eleições majoritárias exigirá do
governo transparência nas suas ações.
Para a construção civil, o pacote habitacional tem o
mérito de colocar a habitação na agenda do país. "É um
programa importante. É louvável, mas a sociedade precisa
cobrar se houver distorções", diz Fabio Nogueira,
diretor-executivo da Brazilian Finance Real Estate, especializada em
operações financeiras na área imobiliária.
Ele afirma que a discussão de uso político será inevitável
e sugere a descentralização como forma mais "saudável". "O
governo pode usar outros bancos, e não apenas a Caixa. As pessoas
beneficiadas também terão de estar comprometidas com
os locais onde os empreendimentos serão concedidos. O governo
tem como avaliar com antecedência para evitar que a coisa saia
dos trilhos."
Segundo Nogueira, o programa ainda precisa ser complementado com medidas
que estimulem o setor privado e façam deslanchar fontes alternativas
de financiamentos para a construção civil trabalhar com
a classe média, que praticamente não teve benefícios
no pacote anunciado pelo governo, que é focado na baixa renda.
" O governo tem de atuar na baixa renda e liberar o mercado para atender
o restante." Algumas coisas que faltam, diz Nogueira, são simples,
citando um esclarecimento da Receita Federal sobre a tributação
dos fundos criados com certificados de recebíveis imobiliários.
Outras vão na linha do socorro dado para os bancos pequenos
e médios voltarem a captar e a emprestar no mercado. Na semana
passada, o governo anunciou que o Fundo Garantidor de Crédito
dará garantia aos papéis emitidos por essas instituições.
Isso, diz Nogueira, deveria ser estendido aos títulos emitidos
por companhias hipotecárias e sociedades de crédito imobiliário
que precisam captar recursos no mercado e emitem letras hipotecárias
e letras de crédito imobiliário.
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Consultor Jurídico,
29 de março de 2009
Fundação deve indenizar
fiscal da prefeitura agredido durante o trabalho
O TJ- MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) manteve a sentença
do juiz José Humberto de Souza Carvalho de São Tomé das
Letras em indenizar por danos morais e materiais um fiscal da prefeitura,
contra a Fundação Harmonia de Artes e Conhecimentos Transcendentais,
por ser agredido durante seu trabalho. Segundo 17ª Câmara
cível do TJ-MG, o valor da indenização de R$ 7.000
a ser apurado em liquidação de sentença.
De acordo com os autos, o fiscal estava fazendo seu trabalho
pela prefeitura na fundação, quando foi segurado
pelo presidente enquanto o vice-presidente desferiu-lhe um
soco no rosto, resultando na quebra de um dente.
Segundo o TJ-MG, o agredido passou a procurar tratamento
em várias cidades, inclusive em São Paulo,
que teve um alto custo. Isso fez com que ele ajuizasse uma
ação pleiteando danos morais e materiais sob
o argumento de que passou a ser motivo de chacota na comunidade,
além de ter que dispor de uma grande quantidade de
recursos para financiar o tratamento.
De acordo com o processo, a fundação, por
sua vez, argumentou que seus representantes haviam agido
por legítima defesa. Entretanto, foi desmentida por
prova testemunhal. O que levou juiz da comarca de Três
Corações a julgar devidas as indenizações.
Por sua vez, a fundação recorreu ao TJ-MG.
Os desembargadores Luciano Pinto Márcia de Paoli
Balbino e Mariné da Cunha, confirmaram a sentença.
O relator destacou em seu voto que "a pessoa jurídica
de direito privado (sociedades, associações,
fundações, etc) responde pelos atos de seus
administradores, que causarem danos a terceiros".
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