 |
O ESTADO DO PARANÁ,
30 de março de 2009 | Economia
Primeiro trimestre fraco adia recuperação,
diz indústria
Agência Estado
O fraco desempenho do comércio de eletrodomésticos e eletrônicos
no primeiro trimestre deste ano e a previsão dos varejistas de, no máximo,
repetir no Dia das Mães o faturamento de 2008, adiam a expectativa de
recuperação da indústria para o segundo semestre.
"Se as vendas do Dia das
Mães empatarem com as de 2008, será ótimo",
diz Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional
de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). A indústria
depende da reposição dos estoques dos varejistas para retomar
o ritmo de produção nas fábricas e, ao que tudo
indica, há grandes chances de não se confirmar esse prognóstico.
Em fevereiro, o faturamento
real do comércio varejista da Região Metropolitana de São
Paulo caiu 3,2% na comparação com mesmo mês de 2008,
segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado
de São Paulo, obtida com exclusividade pelo Estado. Em janeiro,
a queda já tinha sido de 3,2%.
Para zerar as perdas acumuladas
neste ano e terminar o primeiro trimestre empatado com 2008, seria
necessário ampliar em 6% o faturamento real em março,
calcula o economista da entidade, Altamiro Carvalho. "Obter esse
crescimento em março é improvável num cenário
de crise", diz o economista.
|
ABRIL, 30 de março
de 2009
OIT prevê aumento de 50 milhões
de desempregados este ano
Roma, 30 mar (EFE).- A Organização Internacional do Trabalho
(OIT) estima que haverá um aumento de 50 milhões de desempregados
no mundo todo durante este ano, segundo um documento apresentado hoje, em Roma,
durante a reunião dos ministros de Trabalho do Grupo dos Oito (G8, os
sete países mais desenvolvidos e a Rússia).
Para a OIT, existe um risco de
recessão prologada no mercado do trabalho por causa da crise e
poderá se prolongar durante quatro ou cinco anos depois da recuperação
econômica.
As perspectivas também
não são otimistas para a Organização para
a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE),
que prevê uma modesta recuperação na primeira metade
de 2010, após um arrefecimento em 2009.
A reunião, realizada em
Roma desde ontem e que terminará amanhã, procura possíveis
intervenções tanto estatais quanto internacionais para
enfrentar o problema do desemprego e apoiar as famílias mais desfavorecidas.
Além dos ministros de
Trabalho do G8, foram convidados ao encontro os representantes de países
com economias emergentes, como Brasil, China, Egito, África do
Sul, México e Índia.
Também há a participação
do secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, e do diretor-geral
da OIT, Juan Somavía.
O subdiretor do Fundo Monetário
Internacional (FMI), John Lipsky, e o comissário para Assuntos
Sociais da União Europeia, Vladimir Spidla, também assistem
ao encontro. EFE
|
DIÁRIO CATARINENSE,
30 de março de 2009
TURBULÊNCIA GLOBAL
Trabalhador sem apoio, diz OIT
Estudo divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT) com base nas medidas anunciadas por 32 países contra a crise concluiu
que o montante destinado a pacotes de estímulo chega a US$ 1,19 trilhão,
mas que somente 1,8% do total (ou US$ 21,42 bilhões) foi investido em
ações de proteção social.
O Brasil é o país
do G20 que gastou menos em medidas de estímulo, apenas 0,2% do
PIB. Quem lidera o ranking, que se baseia no gasto proporcional ao tamanho
da economia de cada país, é a China, com 13% do PIB para
aquecer a economia, seguida de Arábia Saudita (11,3%), Malásia
(7,9%) e Estados Unidos (5,6%). México (4,7%) e Argentina (3,9%)
vêm logo atrás.
Somando os pacotes, o estímulo
equivale a 1,7% dos PIBs combinados, um pouco abaixo dos 2% recomendados
pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo um dos autores
do estudo, Raymond Torres, o volume de recursos “claramente não
está dando conta do desafio que enfrenta’’, principalmente
na proteção de grupos vulneráveis da sociedade.
O diretor-geral da OIT, Juan
Somavía, observou que os planos anunciados têm foco excessivo
no resgate financeiro, mas carece de investimento social. O relatório
estima que a crise poderá gerar mais 38 milhões de desempregados
no mundo.
O levantamento da OIT mostra
que o Brasil é um dos países em que os desempregados
têm menos proteção social. Segundo o estudo, 93%
dos que perdem o trabalho não recebem o seguro-desemprego. A
China vem logo depois, com 84%, e o Japão, com 77%.
|
CORREIO DA BAHIA, 30 de março
de 2009
Lula aposta na construção
civil para geração de empregos
Redação CORREIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na manhã desta
segunda (30) que quer que a construção civil seja 'a mola propulsora'
de geração de empregos no Brasil. Ele disse que o pacote habitacional
lançado pelo governo na semana passada pretende ajudar a reduzir os
efeitos da crise financeira internacional no país. A informação
foi dada em seu programa semanal Café com o Presidente.
Lula se referiu ao programa Minha
Casa, Minha Vida como uma estratégia “ousada' e 'bem elaborada'.
Ele destacou a redução do valor do seguro de vida para
quem financia uma moradia e também a garantia do refinanciamento
em casos de trabalhadores que percam o emprego durante o pagamento das
prestações.
“Estou convencido de que
esse programa vai resolver parte dos problemas habitacionais no Brasil',
disse, ao ressaltar que o pacote é voltado, sobretudo, para atender
regiões metropolitanas e cidades com mais de 100 mil habitantes. “É onde
está o núcleo nervoso do déficit habitacional brasileiro”,
acrescentou.
Lula classificou a promessa de
1 milhão de casas construídas como “uma experiência
inédita” e que será cumprida, uma vez que o programa
foi “pactuado” com todos os setores envolvidos na construção
de moradias no Brasil.
Prazo
O presidente reconheceu as dificuldades que envolvem a construção
de 1 milhão de moradias e disse que, por isso, voltou atrás em
relação ao prazo antes estipulado.
“Tínhamos prometido,
no começo, fazer as casas até 2010. Eu tirei o prazo porque
conheço o comportamento de muita gente no Brasil. Se não
terminarmos as casas no dia 31 de dezembro e terminarmos no dia 1º de
janeiro, vão dizer que o programa foi um fracasso.”
O presidente reforçou
que governadores e prefeitos devem contribuir com o programa Minha Casa,
Minha Vida por meio da isenção de impostos e da liberação
de terrenos que pertençam ao estado ou ao município. “Quanto
mais barato, mais casa nós vamos construir”, disse Lula.
(Com informações
da Agência Brasil)
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 30 de março de 2009 | Brasil
Deputados federais doaram R$ 2,68 milhões
a candidatos
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
Deputados federais tiraram R$
2,68 milhões de seus próprios bolsos para doar a candidatos
a vereador e a prefeito durante as eleições de 2008. O
valor equivale a 162 salários dos parlamentares.
Se a Câmara fosse uma empresa
e as doações dos deputados fossem somadas, ela estaria
entre as maiores doadoras da campanha eleitoral. A OAS, companhia que
mais injetou recursos em campanhas, deu a candidatos R$ 11,5 milhões.
O Itaú cedeu R$ 3 milhões.
As doações foram
feitas por meio de transferências eletrônicas, cheques e
depósitos de parcelas que vão de R$ 3,23 a R$ 55 mil.
A maior parte do dinheiro foi
para desconhecidos candidatos do interior, mas também há beneficiados
como o prefeito reeleito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), e o atual corregedor
da Câmara e candidato derrotado em Salvador, ACM Neto (DEM). Luiz
Carlos Hauly (PSDB), também deputado e candidato derrotado ontem
no terceiro turno em Londrina (PR), recebeu R$ 35 mil.
Uma situação comum
foi a doação para parentes de congressistas que tentavam
iniciar a carreira na política.
Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão
do senador Renan Calheiros (PMDB), doou R$ 25 mil a Renan Calheiros Filho
(PMDB), que foi eleito prefeito no município de Murici (AL).
Ao todo, 222 deputados que não
foram candidatos fizeram doações. Até o presidente
da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), contribuiu --fez transferências
que somaram R$ 13,4 mil para seis candidatos do interior de São
Paulo.
À Folha deputados federais
disseram que a intenção das doações era retribuir
a ajuda recebida por correligionários nas eleições
de 2006.
Para David Fleischer, professor
da UnB (Universidade de Brasília) e doutor em ciência política,
o objetivo dos políticos é formar uma rede de cabos eleitorais
de olho em 2010. "Tem um interesse do próprio deputado. Tanto
que a Câmara entra em recesso [no período eleitoral] porque
eles vão a campo para fazer campanha em favor de seus candidatos
a vereador e a prefeito. E as Assembleias Legislativas também",
afirma o professor. "Uma mão lava a outra."
Lei Eleitoral
Segundo o TSE (Tribunal Superior
Eleitoral), a doação por congressistas é permitida
desde que não ultrapasse 10% do valor dos rendimentos anuais do
doador.
O total de transferências
dos deputados pode ser superior, já que os políticos que
são empresários também têm o direito de doar
por meio de suas empresas. O levantamento não levou em conta os
parlamentares que foram candidatos em 2008 e que poderiam doar dinheiro
para suas próprias campanhas.
Quem mais desembolsou dinheiro
para campanhas de candidatos a prefeito e a vereador no ano passado foi
Alfredo Kaefer, do PSDB do Paraná, que repassou mais de R$ 323
mil.
Outro lado
O deputado federal Alfredo Kaefer
(PSDB-PR), maior doador na Câmara, diz que a ajuda que recebeu
de colegas de partido no interior do Paraná na campanha de 2006
o colocou "em uma condição de ter que retribuir" nas
eleições de 2008.
"Essas pessoas me ajudaram
em 2006, mas vamos estar juntos em 2010", diz Kaefer, que doou R$
323 mil. "Achei que tinha que participar. Para participar, em muitos
lugares, tem que ajudar financeiramente."
Argumento semelhante deu Odilio
Balbinotti (PMDB-PR). Segundo sua assessoria, ele diz que apoia, por
meio de doação, "o parceiro" que o apoiou na
campanha anterior. Balbinotti, que doou R$ 44,2 mil, diz ter contribuído
apenas com material gráfico.
Kaefer afirma que o destaque
dado na mídia às doações de campanha faz
com que "muita gente" tenha receio de doar.
O segundo maior doador na Câmara,
Paulo Lima (PMDB-SP), não quis comentar as transferências.
|
G1, 30 de março de 2009
| / Política / Pesquisa
Pesquisa mostra que Dilma passa Aécio
em intenção de votos pela primeira vez
Serra continua tendo o melhor índice
de pré-candidato à presidência. | Porém,
espontaneamente Lula ainda é o preferido do eleitorado.
Jeferson Ribeiro
Do G1, em Brasília
A pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira (30) revelou que pela primeira
vez a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como possível
candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, superou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, no levantamento
espontâneo realizado em março. Mesmo assim, a petista continua
distante do pré-candidato mais citado pela população,
o governador de São Paulo, José Serra.
Apesar de não poder mais
concorrer à presidência em 2010, Lula é citado espontaneamente
por 16,2% da população.
Na pesquisa espontânea,
quando o entrevistado não recebe uma lista de opções
para escolher, logo após Lula, Serra é citado por 8,8%
das pessoas como futuro presidente do Brasil. Dilma, que era citada por
2,5% da população em janeiro, subiu para 3,6% das intenções
de voto. O governador de Minas fez o movimento contrário e ficou
atrás da ministra pela primeira vez. Ele era citado por 3,9% dos
entrevistados em janeiro e, agora, apenas 2,9% dos entrevistados o citaram.
Nas pesquisas estimuladas de
um possível primeiro turno entre Serra, Dilma e Heloísa
Helena (Psol), a pesquisa mostra que o tucano ganharia a eleição
com 45,7% das intenções de voto. A ministra ficaria em
segundo com 16,3% e a ex-senadora em terceiro com 11%. Os indecisos (nulos,
brancos e que não responderam) nesse cenário somam 27%.
O tucano e a petista ganharam mais adeptos nesta lista. Ele subiu 2,9
pontos percentuais e ela 2,8.
Numa outra lista composta por
Aécio Neves, Dilma e Heloísa Helena, o tucano lidera, mas
a distância para Dilma caiu de 6,9 pontos percentuais para 2,1.
Nesse cenário, o governador mineiro teve 22% das intenções
de voto e a ministra 19,9%. A presidente do Psol ficaria com 17,4% dos
votos se a eleição fosse hoje. Contudo, essa lista também
apresenta o maior percentual de indecisos, 408%.
Serra também venceria
a disputa se concorresse contra outro candidato governista, o deputado
federal Ciro Gomes (PSB-CE). A outra concorrente também seria
Heloísa Helena. Nesse caso, o tucano teria 43,1% da intenção
votos e Gomes ficaria em segundo com 14,9%. A ex-senadora de extrema
esquerda ficaria com 12,8%. O percentual de indecisos seria de 29,4%
se a eleição fosse hoje.
Segundo turno
Num possível segundo turno,
Dilma Rousseff venceria Aécio Neves por uma margem apertada. Essa é a
primeira vez que a ministra fica em primeiro num cenário de segundo
turno. Segundo a pesquisa, ela teria 29,1% das intenções
de voto, contra 28,3 do tucano. Nesse cenário, o número
de indecisos seria de 42,7%.
Serra venceria Dilma numa provável
disputa no segundo turno. Segundo o levantamento, o tucano teria 53,5%
das intenções de voto e a ministra ficaria com 21,3%. O
percentual de indecisos seria de 25,3%.
O governador de São Paulo
também venceria um possível segundo turno contra Ciro Gomes.
Nesse caso, Serra teria 49,9% e o deputado federal 20,3%. Os indecisos
somariam 29,9%.
Gomes também venceria
Neves a exemplo de Dilma numa possível disputa de segundo turno.
O deputado federal do PSB teria 31,2% da intenção de votos
e o governador mineiro 26,8%. Os indecisos somam 42,2%.
Transferência de votos
Apesar de ter perdido parte de
sua popularidade com a crise financeira internacional, Lula continua
com ampliando seu poder de transferência de votos.
A pesquisa revelou que o percentual
de pessoas que só votariam em um candidato apoiado pelo presidente
nas próximas eleições subiram de 15,6%, em dezembro
do ano passado, para 21,5%. Outros 28,6% disseram que poderiam votar
num candidato apoiado por Lula.
O percentual de pessoas que disse
que não votaria num candidato indicado por Lula também
subiu, de 18,4%, em dezembro de 2008, para 20,3%. Outros 25,9% disseram
que poderiam votar, mas que preferem conhecer o candidato antes. 3,9%
não responderam à pesquisa.
Segundo o diretor do Instituto
Sensus, o aumento do poder de transferência de votos de Lula e
o crescimento da intenção de voto em Dilma são frutos
da exposição pública da ministra e sua associação
como a sucessora preferida de Lula em 2010. “Isso é decorrente
de um cenário eleitoral mais claro, em que Dilma é apontada
como candidata natural para suceder Lula”, comentou.
A pesquisa ouviu 2.000
pessoas entre 23 e 27 de março. A margem de erro é de
três pontos percentuais. Foram ouvidas pessoas em 24 estados
e 136 municípios.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
30 de março de 2009 | Política
Serra culpa governo federal pelo aumento
do desemprego
Agência Estado
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), culpou o governo
federal pelo aumento do desemprego no País causado, segundo ele, pela
crise internacional, a falta de ações para melhorar o sistema
de crédito e a manutenção da taxa de juros como a mais
alta do planeta. "O governo federal não tomou as providências
para melhorar o sistema de crédito no País, manteve a taxa de
juros como a mais alta do mundo até agora e isso maximizou o efeito
da crise, em relação à qual o Brasil tinha todas as condições
para ser mais bem defendido", disse.
Serra, que participou de inaugurações
de obras viárias em rodovias na região de Ribeirão
Preto (SP), afirmou que o governo paulista irá liberar 60 mil
seguros-desemprego por meio do programa da Secretaria do Trabalho e Emprego
do Estado em 2008. O governador voltou a comentar que a crise não
irá reduzir os investimentos de R$ 20 bilhões programados
para este ano, mas que as ações não irão
evitar o aumento do desemprego no Estado. "São investimentos
para defender o nível de emprego em São Paulo, mas não
vai dar para contrabalançar", comentou.
Uma das obras inauguradas hoje
pelo governador, a duplicação do trecho entre Ribeirão
Preto e Serrana da rodovia Abraão Assed (SP-333), já tinha
sido liberada ao trânsito há seis meses. Serra disse que
não tinha inaugurado a obra antes pelo fato de ela ter sido concluída
durante a campanha eleitoral de 2008 e porque teve outros compromissos
após as eleições. "Mas depois das eleição
a gente tem comparecido aos lugares que ficou devendo", concluiu.
|
Folha de S.Paulo, 30 de março
de 2009
TRABALHO
Centrais sindicais fazem hoje passeatas
contra demissões
DA REDAÇÃO
As centrais sindicais convocaram
para hoje uma manifestação contra as demissões e
a crise global. A expectativa é que o ato reúna 10 mil
pessoas.
Em São Paulo, o encontro está marcado para começar às
10h, em frente à Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), na avenida Paulista. Em seguida, a passeata
seguirá até a Bolsa de Valores de São Paulo.
O "Ato Internacional Unificado contra a Crise", que acontecerá também
em outros Estados, foi convocado por organizações sindicais.
O ato reivindica redução dos juros, defesa dos direitos trabalhistas,
investimento em políticas sociais e redução da jornada
de trabalho sem redução de salários.
" Temos uma pauta imensa contra a crise, mas que se resume na palavra de
ordem: defesa do emprego e redução dos juros", disse, em nota,
Antonio Carlos Spis, membro da executiva nacional da CUT. Além das centrais
sindicais (Força Sindical, CUT, CGTB, Nova Central, UGT e CTB), a manifestação
terá a presença de movimentos sociais e estudantis.
O secretário-geral da UGT, Canindé Pegado, afirma que "os
trabalhadores não pagarão pela crise".
|
Vermelho, 30 de março
de 2009
Selic e poupança: um sistema
financeiro de cabeça para baixo
A discussão atual sobre a necessidade
de mudar a remuneração da caderneta de poupança
permite que se debata o próprio fundamento do nosso sistema
financeiro, mostrando como o projeto neoliberal de reformas acabou
colocando o Brasil de ponta-cabeça, invertendo a lógica
da remuneração financeira.
por Lecio Morais*
A razão da mudança na regra da poupança está relacionada à redução
da taxa Selic, que remunera boa parte dos títulos federais e serve de
taxa básica de referência para todas as demais taxas de juros
do país. Alega-se ser a mudança necessária para permitir
que o Banco Central reduza ainda mais a taxa básica em sua próxima
reunião, em maio.
O problema é que, com
uma Selic mais baixa, a poupança, graças à isenção
de imposto de renda, remuneraria melhor o aplicador do que os fundos
de renda fixa, ocasionando uma corrida desses para a poupança.
A corrida prejudicaria a rolagem da própria dívida pública,
cujos títulos são, em parte, adquiridos pelos fundos, e
também criaria um risco futuro para estabilidade bancária.
A instabilidade pode ocorrer devido ao descasamento entre os depósitos
da poupança, que são disponíveis à vista,
e os empréstimos imobiliários feitos com seus recursos,
que são de longo prazo. Caso haja nova inversão, no futuro,
da vantagem remuneratória da poupança frente aos fundos
de investimento, isso ocasionaria grandes saques difíceis de serem
cobertos.
O debate sobre a redução
da remuneração vem se dando em torno do dilema entre proteger
o pequeno poupador, depositante típico da poupança, ou
agir para evitar um problema imediato no financiamento da dívida
pública, capaz de causar dificuldades em toda a economia.
Mas, antes de se debater tal
dilema, deve-se perguntar porque um país remunera aplicações
financeiras com taxas de juros menores que aquela paga à dívida
mais segura que nele existe: a dívida pública federal.
O sistema financeiro de cabeça
para baixo
A taxa básica de juros
de uma economia refere-se àquela paga pelos títulos públicos,
que constituem, teoricamente, a aplicação mais segura e
de maior liquidez em qualquer país que possua um sistema financeiro
organizado. Em conseqüência, todas as demais aplicações
financeiras privadas – em virtude de seu risco maior – pagam
juros maiores. Exceto no Brasil.
Tal fato extraordinário
parece não causar espécie a ninguém, em especial
aos economistas, geralmente zelosos de suas teorias. A rigor, o que acontece
no mercado financeiro brasileiro é um non-sense. A aplicação
de maior rentabilidade é o título público e, a partir
daí, seguem com remuneração decrescente as demais:
certificados de depósito interbancário (CDI) – a
mais rentável aplicação privada, uma operação
de curto prazo entre bancos – certificado de depósito bancário
(CDB), debêntures e outros títulos privados, a caderneta
de poupança e, em último, a poupança compulsória
do FGTS. Muitas vezes, títulos privados de maior prazo praticam
taxas de juros flutuantes vinculados ao CDI, do tipo 90% do CDI ou 95%
do CDI.
Apenas em sentido contrário,
na fixação dos juros ativos, quando as instituições
financeiras financiam as empresas e as pessoas, a lógica teórica
se impõe: nenhuma operação rende taxa de juros ativa
menor que a da taxa Selic. As exceções são os financiamentos
bancados pelo Estado, como as operações oficiais de crédito
agrícola e parte dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social – BNDES, que pagam a Taxa de Juros de
Longo Prazo (TJLP), juros subsidiados decorrentes de decisões
políticas extramercados.
Desse modo, o sistema financeiro
tem na taxa Selic um piso para suas taxas de empréstimo e um teto
para as taxas de juros que paga aos seus aplicadores (as taxas passivas).
Essa é uma das razões
pela qual a taxa básica de juros é permanente alta no Brasil
desde pelo menos o início dos anos noventa e porque é tão
difícil reduzi-la a níveis internacionais. De fato, caso
a taxa Selic venha a ser reduzida para 9%, por exemplo, um CDB de primeira
linha teria um rendimento líquido não maior que 6% ao ano,
menor que o rendimento líquido da poupança, mesmo com uma
TR igual a zero; a uma Selic de 7% a taxa líquida do CDB estaria
próxima a 4,5%, empatada com a taxa inflacionária esperada;
e com uma Selic abaixo de 7% os ganhos reais de todas aplicações
financeiras seriam negativos.
A singular posição
da taxa básica no Brasil implica que sua redução
abaixo dos 10% comprime fortemente os rendimentos das aplicações
que suportam parte do sistema financeiro, inclusive a caderneta de poupança.
No limite, próximo à taxa de 7%, a Selic destruiria todas
os demais investimentos de renda fixa, levando o sistema bancário
ao caos. Esquematicamente, nessa situação limite, só restariam
três soluções para os recursos dos investidores:
ir para a especulação com mercadorias do tipo commodity;
fugir para o exterior; ou ser absorvida totalmente pela dívida
pública. Todas as três desastrosas para a estabilidade e
o funcionamento da economia. Assim, a alta taxa básica de juros
não é apenas uma questão de política monetária,
mas um problema estrutural da economia brasileira.
Como chegamos a essa esdrúxula
situação
A construção estrutural
de uma taxa de juros de dívida pública que serve também
de teto às taxa de juros passivas do sistema financeiro deve-se,
com certeza, a muitas causas. Uma parte delas ainda pendente de estudos.
Porém, defendo ser sua causa mais central a estratégia
de desenvolvimento do capitalismo brasileiro tendo por base um sistema
financeiro próprio, inspirada pelo modelo anglo-saxão.
Essa estratégia foi iniciada na reforma do sistema financeiro
de 1964, tomando um impulso maior e definitivo nas reformas do Banco
Central e da regulamentação dos mercados financeiros a
partir de 1989-93.
A construção de
um sistema financeiro espelhado principalmente no americano seguiu-o,
grosso modo, sempre com uma defasagem de uma década em relação
aos EUA, seja pelas resistências políticas internas de toda
a ordem seja pelas dificuldades de colocar em práticas regulações
e instituições baseadas em novos paradigmas teóricos.
Assim, a reforma do sistema financeiro de 1964, reproduzia a idéia
predominante já nos anos cinqüenta de que um sistema eficiente
deveria ser bem regulado, razão pela qual iniciou-se pela constituição
do Banco Central. No início dos anos noventa, as reformas espelhavam
o quadro teórico e a prática bancária iniciada na
década anterior nos EUA, reduzindo as barreiras entre os mercados
financeiros. A idéia da auto-regulação e do câmbio
flutuante só nos atingiu, ainda imperfeitamente, após a
crise de 1998-99.
Essa estratégia centrava-se
na idéia de que o desenvolvimento da economia deveria ter como
base e ponto de partida a constituição de um mercado e
um sistema financeiro forte e sofisticado, tendo como modelo o sistema
americano. A estratégia baseava-se na afirmação
de que só um sistema financeiro forte seria capaz de alocar eficientemente
os recursos de financiamento demandado pelo desenvolvimento, o que era
garantido pela racionalidade de seus agentes na intermediação
entre poupador e tomador.
O fundamento Falta-nos aqui espaço
para considerações mais detalhadas. Porém, pode-se
apontar como suas diretrizes principais o fortalecimento e a concentração
dos bancos comerciais, a constituição de bancos múltiplos – nossa
versão dos bancos de investimentos americanos – e a criação
de uma grande dívida mobiliária federal que servisse de
lastro ao sistema. Tentou-se fazer no Brasil, em algumas décadas,
o que a Grã-Bretanha e os EUA fizeram em mais de século.
Os principais instrumentos de
construção do sistema financeiro idealizado foram a criação
de uma dívida pública mobiliária e a manutenção
de uma taxa de juros real elevada. A dívida pública do
Estado brasileiro foi uma criação artificial iniciada nos
anos setenta, pois o este sempre se financiou pela via tributária
e pela expansão de crédito dos bancos oficiais. A dívida
mobiliária federal sempre teve a função de lastrear
o sistema financeiro, como ativo garantido e como referencial da remuneração
financeira. Não tendo servido em nenhum momento para financiar
o Estado, sua expansão, especialmente a partir de 1994, se deu
exclusivamente pela elevada taxa de juros que pagava, permanentemente
transformada em novos títulos, ou seja, foi auto-expansiva. Logrou-se
também constituir um grande, sofisticado e relativamente sólido
sistema bancário e um ainda pequeno mercado de capitais. Mas o
sistema bancário, desde os anos oitenta nunca financiou adequadamente
a economia nacional. Como sempre foi possível para os bancos lucrar
com os títulos federais, eles só emprestam a juros extorsivos,
só atendendo negócios muito lucrativos ou, por uma seleção
adversa – a devedores incautos ou irresponsáveis, condenados à inadimplência.
As próprias instituições
financeiras foram ativas no processo, mantendo pressão altista
na taxa de juros e o reduzido prazo de vencimento dos títulos
da dívida pública por meio de seu virtual monopólio
de compra e a crescente concentração bancária. Os
bancos detém um terço dos títulos federais diretamente
em suas tesourarias e administram para terceiros, fundos de renda fixa
e outros, quase a totalidade dos dois terços restantes. E apenas
seis bancos, hoje, detém 85% dos ativos do sistema bancário.
O resultado desse processo acelerado
e artificial – especialmente engendrado a partir da zeragem da
dívida mobiliária por Collor em 1990 – terminou criando
o sistema financeiro forte e sofisticado, mas disfuncional, e uma dívida
pública que nunca financiou a atividade estatal. A dívida
pública constituiu-se apenas em um pesado e permanente encargo,
que subsidia há décadas as instituições financeiras.
O sonho neoliberal das reformas criou esses dois monstrengos, distorcendo
nosso sistema e mercado financeiros em uma nova estrutura limitante do
crescimento da economia nacional.
Como sairmos disso e o que fazer com
a poupança, agora
Não basta querer mudar
a política monetária, há de se empreender novamente
uma reforma do sistema financeiro com a amplitude da feita em 1964. O
que implica também em desconstruir boa parte do sistema atual,
para reconstruir o sistema em um base funcional, redimensionando o endividamento
público e reconfigurando os bancos comerciais e de fomento.
É tarefa que exige, além
de determinação governamental, uma grande base política
de apoio. Não é tarefa para se fazer em condições
normais e cotidianas de um país. Talvez a atual crise mundial
venha a criar as condições necessárias para iniciar
essa reforma financeira. Não tanto por facilitar a coalizão
de forças políticas necessárias, mas talvez por
inviabilizar a continuidade do sistema que aí está.
Por enquanto, cabe apenas remendar
o sistema, adequando-o precariamente à nova realidade da crise.
A mudança da remuneração da poupança é uma
delas. Nesse caso, o melhor é evitar causar prejuízo aos
pequenos poupadores, reduzindo sua taxa de juros.
O problema da caderneta não
está nos pequenos poupadores, mas nos grandes que, sendo uma minoria,
detêm a maior parcela do depósito total. De imediato, então,
basta que se elimine a isenção de imposto de renda sobre
rendimentos maiores que certo montante de depósito por pessoa
física: cem mil reais, por exemplo. Isso é bastante para
eliminar a corrida, não produzindo um esvaziando significativo
dos fundos de renda fixa nem causando um eventual desequilíbrio
futuro nas instituições financeiras de poupança.
*Lecio Morais é economista,
mestre em Ciência Política, e assessor na Câmara
dos Deputados. Em 25 de março de 2009.
|
Folha de S.Paulo, 30 de março
de 2009
Material de construção
terá desoneração
Decisão servirá de apoio ao pacote
habitacional; outras medidas contra a crise devem ser divulgadas hoje
pelo governo | Extensão de IPI reduzido a carros terá "garantia" de
emprego assumida por montadoras; motos terão também tributação
menor
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
O governo Lula vai anunciar hoje
um pacote fiscal com o objetivo de estimular a economia em meio à crise.
O conjunto de ações tem como principal novidade a adoção
de alíquotas menores que incidem sobre materiais de construção.
A medida servirá como um complemento do pacote habitacional anunciado
na semana passada pelo governo.
A redução da tributação sobre materiais atende
a uma reivindicação do setor e chegou a ser estudada pela equipe
econômica no início do ano. Na ocasião, estudo entregue
pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material
de Construção) apontava que a redução do IPI (Imposto
dobre Produtos Industrializados) sobre tais materiais derrubaria a arrecadação
do tributo em mais de um R$ 1 bilhão, mas teria efeito final positivo
por impulsionar novas construções e gerar impacto maior no PIB.
No pacote, a ser anunciado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), consta ainda
a prorrogação do IPI reduzido para veículos por mais três
meses, conforme a Folha já havia antecipado no último dia 4.
A medida está em vigor desde dezembro do ano passado.
Entre as outras medidas está um benefício fiscal para motocicletas.
Inicialmente, o governo cogitou a hipótese de usar a redução
do IPI. Mas o alívio poderá vir de outra forma.
Na avaliação do governo, essas novas ações darão
fôlego para que a economia possa se recuperar mais rapidamente.
Para compensar, ao menos parcialmente, a perda de arrecadação
com a desoneração fiscal, o governo pretende ainda elevar o IPI
sobre cigarros.
No caso da prorrogação do IPI menor para carros, o governo desatou
o nó que faltava na sexta-feira: a manutenção dos empregos
nas montadoras.
Nesse dia, sindicalistas e representantes do Ministério da Fazenda e
das montadoras reuniram-se para fechar o acordo.
Segundo a Folha apurou, pelo que ficou acertado, as demissões nas montadoras
ficam congeladas durante a vigência da isenção do imposto,
mas as empresas continuam livres para abrir programas de demissão voluntária.
Já os trabalhadores temporários não podem ser dispensados
antes do encerramento de seus contratos. Isso não impede, portanto,
o desligamento de funcionários cujos contratos vencerem.
Com o corte do imposto, anunciado em dezembro, o mercado automotivo voltou
a se recuperar, após sofrer queda expressiva especialmente em outubro
e novembro, por conta do aperto no crédito decorrente da crise global.
Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis e comerciais
leves registraram alta de 5,31% ante o mesmo período do ano passado,
com o emplacamento de 118.414 unidades, segundo a Fenabrave (entidade que reúne
as concessionárias).
Mas, apesar da recuperação das vendas, entre outubro e fevereiro,
mais de 4.700 empregos foram perdidos nas montadoras. Sindicalistas consideraram
um erro o governo não ter vinculado originalmente a redução
do IPI à garantia de emprego e pressionaram para que a contrapartida
fosse exigida com a extensão do benefício.
No caso dos carros 1.0, o IPI caiu de 7% para zero com a medida do governo.
Nos veículos com motorização entre 1.0 e 2.0, foi reduzido
de 13% para 6,5% nos carros a gasolina e de 11% para 5,5% nos carros flex.
Apesar do corte do tributo, a Anfavea (associação das montadoras)
afirma que a arrecadação do governo aumentou, já que a
queda do IPI levou a um barateamento dos carros e, por consequência,
ao aumento das vendas -e de outros tributos.
Com a Redação
|
Folha de S.Paulo, 30 de março
de 2009
Congressistas podem gastar até R$
33 mil com passagens
Verba permite compra de mais de 30 bilhetes
ida e volta por mês de Brasília a Estados | 54 congressistas
têm cota adicional de até R$ 13 mil; em 2008, Câmara
gastou R$ 80 mi com passagens; Senado não revela valor
RANIER BRAGON
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio a muito sigilo, desvio
de finalidade e suspeita de irregularidade, o Congresso Nacional destina
mensalmente aos 594 deputados federais e senadores uma cota para compra
de passagens aéreas que, em alguns casos, permite a aquisição
todo mês de mais de 30 bilhetes de ida e volta entre Brasília
e o Estado de origem.
Criada originalmente para permitir ao congressista quatro deslocamentos mensais
ao Estado, a cota aérea é paga conforme o Estado do parlamentar
e se ele ocupa ou não posto de destaque nas duas Casas. Na atual legislatura,
o valor varia de R$ 4.700 a R$ 33 mil.
Em 2008, a Câmara desembolsou R$ 80 milhões sob essa rubrica.
O Senado, bombardeado nas últimas semanas por denúncias de mau
uso dessa e de outras verbas de apoio ao trabalho parlamentar, se recusou a
fornecer o dado à Folha.
Ao longo da semana passada, a Folha coletou informações nos gabinetes
das duas Casas e apurou que a cota é alvo de desvirtuamento, como a
distribuição de passagens a eleitores.
Na Câmara, a verba fixa varia de R$ 4.700 a R$ 18,7 mil. No Senado, de
R$ 13 mil a R$ 25 mil. As duas Casas remuneram os parlamentares do Distrito
Federal -que não precisam voar para suas bases.
Além disso, um grupo de 54 congressistas -integrantes da Mesa, seus
suplentes e os líderes partidários- tem direito a um repasse
adicional, que pode chegar a R$ 13 mil.
Neste grupo está o senador Adelmir Santana (DEM-DF), suplente da Mesa
do Senado. Apesar de morar em Brasília, recebe a cota aérea. "Não
usarei, a não ser que aconteça alguma coisa inusitada."
Tarifas
A Folha consultou as tarifas médias das principais companhias aéreas
do país, TAM e Gol, usando como critério valores médios
da tarifa para compra com um dia de antecedência, e constatou que, em
média, os deputados conseguiriam adquirir 13 passagens ida e volta/
mês, e os senadores, 17.
No caso de Goiás, por exemplo, a cota da Câmara (R$ 9.172) permite
a compra de 25 passagens pela tarifa média de R$ 368 (ida e volta).
Por serem líderes de bancada, Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Sandro Mabel
(PR-GO) têm direito a adicional de R$ 4.700. Poderiam comprar até 38
passagens de ida e volta/mês, pela tarifa média, não promocional.
Os três senadores do Piauí, todos eles integrantes da Mesa do
Senado, têm direito cada um a cerca de R$ 28 mil, o que equivale a 27
passagens de ida e volta entre Teresina e Brasília.
" Não sei nem de quanto é essa cota. Sei que existe, mas não
sei exatamente quanto é. Só sei que, se tiver necessidade, eu vou
usar, mas até agora não precisei", afirmou Marcelo Ortiz (PV-SP),
que, por ser suplente da Mesa Diretora da Câmara, tem à disposição
um acréscimo mensal de R$ 4.700 à sua cota de R$ 10,6 mil.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tem cota de R$ 23,7 mil
(abriu mão dela desde fevereiro, pois lhe é permitido o uso de
avião da Força Aérea Brasileira). José Sarney (PMDB-AP),
presidente do Senado, tem R$ 33 mil.
Além do alto valor, a Folha constatou que não há fiscalização
sobre o uso da verba. O congressista emite a passagem no nome de quem quiser
e não precisa prestar contas. "O controle é do parlamentar",
confirmou Odair Cunha (PT-MG), terceiro-secretário da Câmara,
responsável pela administração da cota dos deputados.
Questionadas pela Folha, as duas Casas afirmam estudar mudanças no sistema
de controle. O Senado tende a formalizar a permissão para doação
de passagens. Na Câmara, a diretoria geral fala em combater a comercialização
da verba. "Tem procedimento no Ministério Público federal
que aponta nesse sentido", disse Cunha.
Supremo
O STF (Supremo Tribunal Federal) analisa desde 2008 a suspeita de que três
deputados federais usavam uma agência de viagens de Maringá para
vender suas passagens. O caso corre sob segredo de Justiça, no gabinete
do ministro Cezar Peluso, e o único acusado que ainda permanece com
o mandato é Luiz Bittencourt (PMDB-GO).
Também é comum que deputados e senadores distribuam bilhetes. "É normalíssimo
isso. Um doente, por exemplo, que tem que sair do Pará para se tratar
aqui em Brasília pede a passagem. Aqui e acolá, e ele é atendido",
disse o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA).
"É a nossa cota de economia para ajudar à sociedade",
afirma Nazareno Fonteles (PT-PI), que ajudou uma professora do Piauí que
precisava ir ao Rio Grande do Sul por causa de sua tese de doutorado. "Não é um
benefício só para ela, mas para a universidade pública."
Odair Cunha não concorda com essa prática: "Não compreendo
isso como atividade parlamentar". O Ministério Público do
DF também investiga o uso da cota pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA)
para levar conhecidos de São Luís para Brasília. O Senado
diz que nada a impede de fazer isso. Ela só não poderia sortear
ou vender os bilhetes.
O ato que regula a verba no Senado, de 1988, prevê como parâmetro
de cálculo quatro passagens ida e volta ao Estado de origem, uma passando
pelo Rio de Janeiro, e uma última de ida e volta ao Rio.
A única explicação para a inclusão obrigatória
do Rio é o fato de a cidade ter sido a capital do país a 49 anos
atrás.
|
Gazeta do Povo, 30 de março
de 2009
Imposto de Renda
Isento pode reaver valor retido na fonte
Mesmo os contribuintes incluídos na faixa
de isenção do IR podem conseguir restituição
de algum valor que tenha sido pago à Receita. Mas, para isso,
precisam fazer a declaração
A obrigatoriedade da declaração
de ajuste do Imposto de Renda vale para o contribuinte que teve rendimentos
tributáveis acima de R$ 16.473,72 no ano passado. Mas quem está abaixo
desta faixa e, por algum motivo, teve imposto retido na fonte em algum
mês de 2008 pode enviar a declaração para reaver
este valor.
“Ele não só pode
como deve fazer isso. É um direito do contribuinte ter este dinheiro
de volta”, diz a especialista em Imposto de Renda da KPMG, Patrícia
Quintas. Mas ela lembra que isso tem que ser feito ainda neste ano – mesmo
que o valor seja pequeno, não é possível acumular,
por exemplo. “Tem que ser feito no ano e dentro do prazo. Se não
o contribuinte vai ter que pagar multa – o valor será descontado
da restituição.”
O preenchimento da declaração
deve ser feito normalmente, informando os valores contidos nos comprovantes
de rendimento. O próprio programa faz as contas e apresenta o
valor como “restituição a receber”.
Vale lembrar que, desde o ano
passado, não existe mais a Declaração Anual de Isento.
Então, quem não tem nada para restituir e não é obrigado
a declarar por nenhuma das determinações da Receita Federal
(veja box) não precisa se preocupar.
Débito
Quem quiser cadastrar o pagamento
do Imposto de Renda em débito automático já a partir
da primeira parcela (que vence em 30 de abril) precisa enviar a declaração
até amanhã. “É uma forma de facilitar a vida
do contribuinte. Mas não temos como deixar a opção
disponível durante todo o prazo, porque a informação
precisa ser enviada à instituição financeira”,
explica a supervisora do Imposto de Renda para o Paraná e Santa
Catarina, Cláudia do Nascimento Thomaz.
Para quem enviar a declaração
a partir de 1º de abril, a opção de cadastro em débito
automático estará disponível a partir da segunda
parcela do imposto devido. O valor devido pode ser pago em até oito
vezes, desde que cada parcela seja superior a R$ 50.
Até sexta-feira
a Receita Federal havia recebido pouco mais de 5,1 milhões de
declarações. Até o fim do prazo, em 30 de abril,
25 milhões de brasileiros devem prestar contas com o Fisco.
|
Agência Câmara,
30 de março de 2009
Câmara realiza mais duas audiências
sobre o fator previdenciário
A Comissão de Finanças e Tributação realiza mais
uma rodada de audiências públicas para debater o PL 3.299/08,
do senador Paulo Paim (PT/ES), que extingue o fator previdenciário.
A primeira audiência da
semana acontece nesta terça-feira (31), às 14h30, para
qual foram convidados o presidente da CUT, Artur Henrique; o secretário-geral
da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas
(Cobap), Moacir Meirelles; e a presidente da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip),
Assunta Di Dea Bergamasco.
A segunda audiência da
semana vai ser nesta quinta-feira (2), às 10h, para qual foram
convidados o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea Leonardo
Rangel; o chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, Fábio
Giambiagi; o pesquisador do IBGE, Kaizô Beltrão; e o advogado
especialista em Previdência Social Matusalém dos Santos.
As audiências públicas
serão no plenário 4.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
30/03/2009
Perícia técnica oficial não
pode ser suprida por laudo do próprio empregador
A necessidade de prova pericial
técnica, para aferição de condições
insalubres de trabalho, não deve ser suprida por outros documentos,
ainda que estes comprovem situações que firmem convencimento.
Essa é a decisão da Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao conhecer e prover recurso de revista da Abbot Laboratórios
do Brasil Ltda., por entender não ser permitido ao juiz da segunda
instância dispensar a confecção da perícia
oficial para aferição das condições de trabalho,
ainda que convencido por outras provas.
A Segunda Turma do TST, em voto
do ministro Renato de Lacerda Paiva, acolheu recurso em que a Abbot questionou
entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ). O TRT/RJ entendera que os documentos referentes aos Programas de
Prevenção de Riscos Ambientais (PPRAs), elaborados por
iniciativa do próprio laboratório, supririam a necessidade
das perícias técnicas para averiguação de
insalubridade e o consequente pagamento de adicional.
Trata-se de uma reclamação
trabalhista em que a funcionária requer pagamento do adicional
com base em laudos internos da empresa que comprovariam a exposição
a níveis de ruído acima do tolerado, podendo até causar
redução da audição. O laboratório,
por sua vez, comprovou a entrega de protetores auriculares aos seus empregados.
Estes, no entanto, eram de caráter genérico, e não
do modelo e potencial específicos recomendados nos PPRAs.
Nesse contexto, o relator do
recurso entendeu que a necessidade de prova pericial, nos moldes do artigo
195 da CLT, não pode ser substituída por documentos confeccionados
pelo próprio empregador, no caso o laboratório. Assim,
determinou o retorno dos autos à Vara de origem para a reabertura
da instrução processual, a fim de que se realize a perícia
nos moldes oficiais e prossiga-se no julgamento da causa. A decisão
foi unânime, acompanhada pelos demais ministros. (RR-36/2004-061-01-40.4)
(Carolina Tocalino)
|
30/03/2009
Parte deve completar custas mesmo quando
induzida a erro
A parte deve completar o valor
das custas processuais que depositou a menos, ainda que induzida a erro
na sentença, para recorrer contra a deserção decretada.
A conclusão é da Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho
ao analisar o caso do Banco Santander S.A., que não teve o recurso
examinado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) por considerá-lo deserto, ou seja, com depósito de
custas em valor inferior ao devido. Com esse entendimento, os ministros
rejeitaram o agravo de instrumento do banco e mantiveram a deserção.
O Santander foi condenado a pagar
diferenças salariais a um ex-empregado pela 62ª Vara do Trabalho
de São Paulo. Na ocasião, o valor da condenação
foi arbitrado em R$ 80 mil, e as custas fixadas em R$ 160,00. O banco,
então, apresentou o recurso ordinário considerado deserto
pelo TRT/SP. Para o Regional, o correto seria o depósito de R$1.600,00 – 2%
do valor da condenação, conforme estabelece a CLT (artigo
789, caput e inciso I). Ainda segundo o TRT, o equívoco da sentença
não poderia beneficiar o banco, já que a lei é clara
e a parte deve conhecê-la.
O Santander levou a discussão
para o TST. Como o seu recurso de revista foi barrado no Regional, interpôs
agravo de instrumento afirmando que não poderia ser punido por
causa de erro material da sentença. Alegou também que a
decisão do TRT desrespeitava o direito constitucional de ampla
defesa e de recursos ao Poder Judiciário (artigo 5º, incisos
XXXV e LV, da Constituição).
Para o relator, ministro Márcio
Eurico Vitral Amaro, não havia dúvida quanto à existência
de erro material na sentença. No entanto, como disse o Regional,
o banco não poderia beneficiar-se desse engano ou alegar desconhecimento
da lei. A matéria provocou debate.
A ministra Dora Maria da Costa
reconheceu que a parte não poderia desconhecer a lei, só que
foi induzida a erro. Por isso, ela tinha dúvidas quanto à deserção.
A presidente da Turma, ministra Maria Cristina Peduzzi, lembrou que o
TST tem orientações que afastam a deserção
em determinadas situações, como, por exemplo, quando há omissão
do valor das custas na sentença.
O entendimento do caso mudou
a partir do momento em que o relator confirmou que o Santander não
completara o depósito das custas em nenhum
momento da tramitação do processo. Para a ministra Dora, detectado
o erro, o valor deveria ter sido recolhido. “Até para recorrer
de revista, ele tinha que ter completado”, assinalou. A presidente Cristina
Peduzzi completou que “ele deveria ter recolhido para mostrar boa-fé”.
Ao final, os ministros da Oitava
Turma concordaram com o relator e decidiram rejeitar o agravo de instrumento
do banco e manter a deserção decretada pelo TRT. (AIRR – 1666/2000-062-02-40.3)
(Lilian Fonseca)
|
30/03/2009
JT reconhece grupo econômico “por
coordenação”
Com o advento do fenômeno
da globalização e de outros importantes fenômenos,
como a diversificação das modalidades de concentração
econômica e de atuação empresarial e comercial, a
Justiça Trabalhista também evoluiu e passou a admitir a “configuração
de grupo econômico por coordenação”, mais flexível,
cuja caracterização não depende da circunstância
de uma das empresas exercer posição de domínio sobre
as demais. Esse foi o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (SP) confirmado pela Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho para condenar a empresa paulista JFH Empreendimentos Imobiliários
pelos créditos trabalhistas devidos a um empregado contratado
pela Pires Serviços de Segurança e Transporte de Valores
Ltda. e demitido sem receber corretamente as verbas rescisórias.
O empregado era vigilante condutor
de animais e reclamou na Vara do Trabalho de São Caetano do Sul
(SP) que, depois de ter trabalhado na empresa de 1998 a 2006, foi demitido
injustamente sem receber as verbas rescisórias e os salários
de outubro a dezembro de 2005. Buscou os seus direitos pedindo a responsabilização
das empresas do grupo, entre elas a JFH, que vem recorrendo desde a sentença
de primeiro grau para ser excluída da condenação, à alegação
de que não integrava nenhum grupo econômico
Entre outros indicativos de grupo
empresarial, a JFH é a denominação atual da empresa
Serip, que advém do antigo nome Pires invertido (s+e+r+i+p), uma
homenagem aos sócios investidores. Esse fato foi confirmado pela
própria empresa ao juiz da primeira instância. “Além
disso, as únicas sócias da Pires (Pires Administração,
Planejamento e Participações S/A e Pires Administração
e Participações S/A) possuem os mesmos diretores que os
sócios majoritários da Serip”, concluiu o Regional,
no julgamento do recurso ordinário.
Com o seguimento de seu recurso
de revista ao TST rejeitado pelo Tribunal Regional, a empresa interpôs
agravo de instrumento pretendendo o seu exame, mas também não
obteve êxito. A ministra Kátia Magalhães Arruda,
relatora do agravo na Quinta Turma, verificou que a decisão regional
estava correta ao afirmar que as empresas condenadas integravam o mesmo
grupo econômico.
“A estreita interligação
entre todas as reclamadas e a inequívoca comunhão de interesses,
voltada para a pulverização dos diversos ramos de atividade
econômica e a nítida intenção de ampliar os
negócios, revelam-se suficientes para o convencimento do juízo
quanto à configuração de grupo econômico,
nos termos do artigo 2º, parágrafo 2º, da CLT”,
transcreveu a relatora. No mesmo sentido foi julgado o agravo da Automossa
Mauá Comércio de Automóveis Ltda. (AIRR-2462-2006-472-02-40.5
e AIRR-2462-2006-472-02-41.8)
(Mário Correia)
|
30/03/2009
TST afasta direito a adicional de insalubridade
por troca de fraldas
As atividades desempenhadas em
creches no cuidado diário de bebês e crianças – como
trocar fraldas e roupas, dar banho e remédios, ensiná-los
a usar o vaso sanitário, entre outras ações pedagógicas
e de recreação - não caraterizam trabalho em condições
insalubres, o que afasta o direito ao recebimento do referido adicional.
A decisão, por maioria de votos, é da Terceira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho, em processo relatado pelo ministro Alberto
Bresciani.
O adicional foi mantido pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), ao rejeitar
recurso do Município de Santa Cruz do Sul, que contestou o reconhecimento
do direito pelo juiz de primeiro grau. A monitora da creche municipal
cuidava da higiene e da alimentação das crianças
entregues aos seus cuidados, o que, para o TRT/RS, evidenciava o contato
direto com agentes biológicos (fezes, urina e vômito), seja
pelo contato cutâneo (mãos), seja pelo “risco de contaminação
das vias aéreas com agentes patogênicos de toda a ordem
de malefício”.
A tese regional de que a atividade
de monitora de creche equivale àquelas realizadas por trabalhadores
em estabelecimentos de saúde foi prontamente rebatida pelo ministro
do TST, com base na norma regulamentadora do Ministério da Saúde
que disciplina o direito (NR 15). “O contato permanente com pacientes
em isolamento por doenças infecto-contagiosas bem como objetos
de seu uso, não previamente esterilizados, não se confunde
com o trabalho realizado pela monitora de creche”, enfatizou o
ministro Alberto Bresciani.
No recurso ao TST, a defesa do
Município de Santa Cruz do Sul alegou que não se podem
comparar crianças de uma creche, que contam com acompanhamento
médico rotineiro, com pacientes portadores de doenças infecto-contagiosas.
Ao acolher o recurso do município e afastar o direito ao adicional,
o ministro Bresciani lembrou que a jurisprudência do TST é no
sentido de que não basta a constatação da insalubridade
por meio de laudo pericial para que o empregado tenha direito ao adicional: é necessária
a classificação da atividade insalubre na relação
oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho (OJ nº 4 da
SDI-1). A ministra Rosa Maria Weber ficou vencida. (RR 271/2002-731-04-00.9)
(Virginia Pardal)
|