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Gazeta do Povo, 31 de março
de 2009
Assembleia
Salário mínimo regional é reajustado
em 14,9%
Projeto passou em primeiro turno. Hoje,
na segunda votação, oposição quer ampliar
o mesmo aumento para o funcionalismo
Os deputados estaduais do Paraná aprovaram
ontem em primeira votação, por unanimidade, com 52 votos,
o reajuste do salário mínimo regional. Com o reajuste,
as faixas salariais mínimas, dependendo da categoria, vão
passar da faixa de R$ 527 a R$ 547,80 para R$ 605 a 629. O reajuste do
piso estadual foi de 14,9%.
Pelos cálculos do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
o piso, que entra em vigor no dia 1º de maio, beneficiará 453
mil trabalhadores, dos quais 377 mil são empregadas domésticas.
Elas terão um salário de R$ 610,12. O Dieese ainda informa
que o salário mínimo regional é 12,05% maior do
que o valor praticado nos outros estados.

Emendas para servidores
Ao contrário da aprovação
tranquila de ontem, a segunda votação do projeto, marcada
para hoje, deve ter discussão acalorada. A oposição
anunciou que vai apresentar emendas ao projeto para que o aumento determinado
pelo governo à iniciativa privada seja concedido também
ao funcionalismo público estadual. “Caso contrário,
fica muito fácil para o governador fazer cortesia com o chapéu
alheio. Se o setor privado tem que dar 15% de aumento, o governo também
pode dar”, disse o líder da bancada, Élio Rusch (DEM).
Até alguns governistas
defendem a aplicação do mesmo índice aos servidores
estaduais. “Muitas categorias do funcionalismo público não
receberam reajuste tão significativo no prazo de um ano, principalmente
os policiais”, afirmou Mauro Moraes (PMDB). O deputado Antonio
Belinati (PP) também cobrou a votação de projeto
de sua autoria que estende o mesmo porcentual de reajuste ao funcionalismo.
A ameaça da oposição
deixou os governistas irritados. O líder do governo, Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB), pediu responsabilidade dos deputados para evitar atrasos
na aprovação do reajuste, previsto para vigorar dentro
de um mês.
O deputado Jocelito Canto (PTB)
sugeriu que as emendas da oposição não sejam aceitas
pela Mesa Executiva porque seriam inconstitucionais. Segundo ele, as
constituições Estadual e Federal proíbem os deputados
de propor reajuste aos servidores porque a iniciativa deve ser do Executivo.
O presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM), disse que vai analisar
se acata ou não as emendas na sessão de hoje.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de março de 2009 | Economia
Manifestação pela manutenção
dos empregos
Joyce Carvalho
Medidas mais eficazes para minimizar os efeitos da crise econômica mundial
estão sendo discutidos a todo momento. Sindicalistas, militantes, estudantes
e representantes de instituições da sociedade civil chamaram
ontem a atenção para a necessidade da manutenção
de empregos e de investimentos como forma de sair da crise.
A manifestação,
alusiva ao Dia Internacional de Luta em Defesa dos Empregados, lembrado
ontem, passou pelas ruas do centro de Curitiba e fez paradas em frente às
sedes da Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep) e do Banco Central, além da Assembléia
Legislativa.
Na Fiep, os manifestantes pediram
que as indústrias não adotem a demissão de funcionários
como alternativa para minimizar os efeitos da crise. No Banco Central,
o pedido foi por uma queda ainda maior na taxa de juros.
Na Assembléia Legislativa,
a intenção do protesto também era pressionar os
deputados estaduais que votaram contra a PEC do Emprego, proposta pelo
governo do Estado, a reverem as suas posições.
Também houve pedidos
para a aprovação dos novos valores para o piso regional,
que pode variar entre R$ 605 e R$ 629. “A mobilização
quer chamar atenção para os efeitos da crise, que é econômica,
mas também política. Está afetando a população
diretamente”, afirma o diretor de mobilização da
Força Sindical do Parabá, Nelson Silva de Souza.
Um dos reflexos da crise e
do consequente desemprego está na educação, segundo
Fabiana Zelinski, presidente da União Paranaense dos Estudantes
(UPE), que também participou da protesto.
“Essa crise não é nossa.
Nem dos trabalhadores, nem dos estudantes, nem das minorias. É a
crise dos executivos internacionais. A educação é um
dos primeiros itens que sofre cortes quando aparece uma crise. Mas
a educação é a saída”, comenta.
De acordo com ela, instituições
particulares de ensino de todo o País estão demitindo
desde o início da crise. “Mas muitos empresários
da educação pegam a crise como desculpa para cortar
custos. A educação não é mercadoria”,
avalia.
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DIÁRIO DO GRANDE
ABC, 31 de março de 2009 | Economia
Garantia de emprego fica apenas na
promessa
Marcos Seabra
Do Diário do Grande ABC
Outra vez o governo federal
vai confiar apenas nas promessas e na boa vontade das montadoras para
cumprir a promessa de não promoverem demissões em troca
de benefícios fiscais.
O Palácio do Planalto
está apostando todas as fichas nas cadeias produtivas automobilística
e da construção civil na guerra contra a crise econômica
internacional e na recuperação do emprego.
Por isso, ontem, em São
Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao lado do presidente
da República em exercício, José Alencar, anunciou
mais um pacote de medidas para "estimular a economia" via
desoneração fiscal na produção de automóveis,
motos e de material de construção.
Para a indústria automobilística,
como previsto, o governo prolongou por mais três meses a isenção
de IPI, o mesmo caminho adotado para materiais de construção.
Em todos os casos, a contrapartida
da indústria é a estabilidade no emprego de seus funcionários,
exigência que não deve constar por escrito na publicação
das normas e alterações legais a serem publicadas hoje
no Diário Oficial da União. "Vai ser no fio do bigode,
como foi antes e funcionou", disse o presidente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), Arthur Henrique da Silva Santos.
O sindicalista, porém,
não se lembrou das cerca de 6.000 demissões de trabalhadores
do setor automobilístivo (montadoras, autopeças e pneus)
acontecidas no Grande ABC desde setembro de 2008, inclusive com a redução
do IPI em vigor.
Além disso, o governo
deixou mais um buraco no acordo. As empresas poderão continuar
com seus PDVs (Programas de Demissão Voluntária), em
que o trabalhador se inscreve num plano incentivado de demissões.
Quanto aos trabalhadores temporários, sua saída deverá respeitar
as datas dos contratos, como, aliás, já acontece hoje
e tem na GM (General Motors) do Brasil seu maior exemplo.
O vice-presidente da GM, José Carlos
Pinheiro Neto, disse que a manutenção do corte do IPI "é o
preço do acordo". Ele acrescentou que houve muita negociação
e que o entendimento de não demissão só foi fechado
na tarde de sexta-feira.
A GM de São Caetano
não registrou demissões em escala, mas não renovou
o contrato temporário de 1.633 trabalhadores admitidos para
reforçar a linha de produção durante o ano passado.
O presidente da Anfavea (Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider,
que avaliou o pacote do governo como "extremamente positivo para
o setor", estimou que o volume de vendas de veículos no
trimestre - portanto ao fim do período de três meses da
isenção do IPI conferida pelo governo em dezembro - alcance
650 mil unidades. "Praticamente os mesmos números do primeiro
trimestre do ano passado", disse Schneider.
CIGARROS -
Para compensar parte da desoneração e da perda de arrecadação
do governo - R$ 1,5 bilhão -, Mantega também anunciou
o aumento de tributos sobre os cigarros, que valerá à partir
de 1º de maio. As outras medidas entram em vigor amanhã.
Mantega foi mais direto
no que diz respeito às justificativas das medidas. Para ele,
o objetivo é recuperar os postos de trabalho perdidos com
a crise. A expectativa do governo com o plano é que o emprego
tenha saldo positivo em 2009.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de março de 2009 | Economia
Piora avaliação para
emprego e renda
Agência Estado
A crise econômica mundial gerou profundo impacto na avaliação
da população sobre a situação do emprego e da renda.
Segundo a pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta segunda-feira (30), o porcentual
dos entrevistados que observaram, em março, piora na situação
do emprego nos últimos seis meses chegou a 54,5%. Na pesquisa anterior,
de janeiro, essa taxa era de 38,5%. Já os que avaliam que houve melhora
no mercado de trabalho foram apenas 20,9% em março, ante 32,7% em janeiro.
Com relação à renda,
32,6% das pessoas disseram, em março, que ela diminuiu, ante 23,2%
da pesquisa anterior. A taxa dos que percebeu melhora na renda variou
pouco, caindo de 25,3% em janeiro para 24,6% em março.
A CNT/Sensus também perguntou
a seus 2 mil entrevistados qual a expectativa que eles têm para
emprego e renda nos próximos seis meses. O resultado foi que houve
uma diminuição nas expectativas positivas, mas o otimismo
ainda predomina. O porcentual dos que responderam que o emprego vai melhorar
no futuro caiu de 51,1% em janeiro para 48,8%. Apesar da redução,
a avaliação positiva ainda supera, com folga, a fatia dos
que dizem que vai piorar, que, em março, foi de 22,1%.
Com relação às
projeções para a renda nos próximos seis meses,
os que dizem que ela vai aumentar caíram de 51,7% em janeiro para
49,2% em março. A fatia dos que acreditam em diminuição
da renda passou de 11,1% em janeiro para 14,4% em março.
Essas expectativas são
usadas pela CNT/Sensus para calcular o chamado índice do cidadão,
que mede a avaliação geral da população em
relação ao País. O indicador foi de 41,18 pontos
em março. Como está abaixo de 100, isso indica avaliação
negativa.
O levantamento também
verificou que 44,8% dos entrevistados têm medo de perder o emprego.
Esse porcentual é superior aos 42,7% que manifestavam o mesmo
receio em janeiro. Ainda verificou-se que 52,5% dos entrevistados são
favoráveis à redução da jornada de trabalho
com diminuição dos salários como medida para evitar
demissões.
Apesar do avanço
do pessimismo verificado de maneira geral na pesquisa, 46,3% dos entrevistados
acreditam que o Brasil sairá fortalecido da crise. Em dezembro,
essa perspectiva era compartilhada por 41,9% dos entrevistados. Além
disso, 40,1% das pessoas ouvidas avaliaram que o governo está lidando
com a crise de maneira adequada, ante 26,5% que acham que o tratamento
não está sendo adequado.
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Vermelho, 31 de março
de 2009
Lula quer que construção
civil estimule empregos no país
Em seu programa semanal de rádio,
o presidente disse que o pacote habitacional lançado na
semana passada vai ajudar a reduzir os efeitos da crise financeira
internacional no país.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (30) que quer que a construção
civil seja "a mola propulsora" de geração de
empregos no Brasil. Em seu programa semanal Café com o Presidente,
ele disse que o pacote habitacional lançado pelo governo na semana
passada irá ajudar a reduzir os efeitos da crise financeira internacional
no país.
Lula se referiu ao programa
Minha Casa, Minha Vida como uma estratégia "ousada" e "bem
elaborada". Ele destacou a redução do valor do seguro
de vida para quem financia uma moradia e também a garantia do
refinanciamento em casos de trabalhadores que percam o emprego durante
o pagamento das prestações.
" Estou convencido de que
esse programa vai resolver parte dos problemas habitacionais no Brasil",
disse, ao ressaltar que o pacote é voltado, sobretudo, para atender
regiões metropolitanas e cidades com mais de 100 mil habitantes. "É onde
está o núcleo nervoso do déficit habitacional brasileiro",
acrescentou.
Lula classificou a promessa
de 1 milhão de casas construídas como "uma experiência
inédita" e que será cumprida, uma vez que o programa
foi "pactuado" com todos os setores envolvidos na construção
de moradias no Brasil.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de março de 2009 | Economia
Mercado registra falta de trabalhador
doméstico
Newton Almeida
De acordo com o Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado do Paraná (Sedep),
a habitual dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados vem persistindo
no Estado. Para o órgão, também faltam cursos de capacitação
na praça, o que poderia preencher a lacuna do perfil requisitado pelos
patrões no mercado de trabalho.
O Sedep ressalta que semanalmente
novas vagas são abertas em todo o Estado. Até ontem, eram
oferecidas 26 vagas para empregados domésticos na Agência
do Trabalhador de Curitiba.
No entanto, a assessoria de imprensa
da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção
Social afirma que os candidatos não chegam a atender as exigências
mínimas dos patrões, como experiência mínima
de seis meses e carta de referência.
Segundo o presidente do sindicato,
Beto Carvalho, os empregadores têm levado o dobro de tempo para
encontrar a pessoa com o perfil desejado. Entre as qualificações,
Carvalho destaca a etiqueta, que, segundo ele, encabeça o principal
fator que faz com que os trabalhadores estejam em falta. “Todos
querem pessoas que tenham responsabilidade, saibam agir corretamente
e que tenham assiduidade”, diz.
Curso
Um exemplo de que a capacitação
pode ser o diferencial vem de São José dos Pinhais. Desde
2005, a prefeitura mantém o curso destinado a empregados domésticos.
Segundo a coordenadora do Centro de Capacitação Para o
Trabalho, Adriana Picussa, os alunos aprendem a economizar materiais
de limpeza e a usá-los de modo adequados.
“Nós trabalhamos
também com a autoestima das pessoas. Durante o curso elas acompanham
palestras com profissionais de áreas que envolvem o trabalho doméstico,
como as do direito”, afirma.
Adriana conta que há uma
fila de patroas a espera dos alunos do curso. Segundo ela, quase que
a totalidade das pessoas que fizeram o curso foram absorvidas pelo mercado
de trabalho.
O curso para domésticas
deve abrir 20 vagas no segundo semestre. Informações
podem ser obtidas pelo telefone 3381-5805. Sugestões sobre economia
popular podem ser enviadas para emprego@oestadodoparana.com.br
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FOLHA DE LONDRINA, 31 de
março de 2009 | Cidades
Projeto piloto tenta coibir trabalho
infantil
Paraná ocupa o sexto lugar em número
de crianças e adolescentes que trabalham ilegamente
Curitiba vai receber um projeto
piloto com assessoramento técnico da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) para o combate à exploração
do trabalho infantil. Ontem foi lançado o Programa Curitibano
de Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil
(PCETI). Envolvendo empresas, sindicatos, igrejas, instituições
filantrópicas, órgãos de imprensa, escolas, entre
outros, a ideia é que os vários setores da sociedade assumam
um compromisso para resolver o problema que coloca o Paraná em
sexto lugar no número de crianças e adolescentes que trabalham
ilegalmente.
De acordo com o secretário
municipal de Trabalho e Emprego, Jorge Bernardi, no dia 12 de junho,
316 instituições e empresas devem assinar um termo de compromisso
que lista tarefas para os participantes. "Entre as obrigações
está a de combater o trabalho infantil na base da cadeia produtiva,
não adquirindo produtos que tiveram participação
de crianças na origem. Também envolveremos as igrejas para
que incluam o tema nas aulas de catequese e escolas dominicais",
conta.
O projeto implantado em Curitiba
e região metropolitana servirá de modelo para toda a América
do Sul. Uma das ações práticas é a distribuição
de duas cartilhas, uma voltada para professores e outra para alunos.
Idealizada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego
(SRTE-PR), com ilustrações de Ziraldo, 120 mil alunos da
rede municipal de Curitiba e 10 mil cartilhas aos professores receberão
o material com orientações sobre como identificar o problema,
promover o debate e dar início a uma série de ações
posteriores, como um disque-denúncia.
Segundo o superintendente da
SRTE-PR, João Graça, a próxima cidade a receber
as cartilhas "Viva o trabalho" e "Saiba tudo sobre o trabalho
infantil" será Londrina. "O objetivo da cartilha é fomentar,
nas escolas, o debate sobre o tema. É preciso termos bem claro
a diferença entre lazer, responsabilidade e trabalho", explica.
Dados apresentado no ano passado
pelo Sistema de Informação para Infância e Adolescência
(Sipia), que centraliza as informações dos Conselhos Tutelares
do Paraná, mostram que o Direito à Profissionalização
e à Proteção no Trabalho, garantido pelo Estatuto
da Criança e do Adolescente, teve 1.191 violações
no Estado em 2004. Neste ano, foram denunciados 358 casos de exploração
do trabalho de crianças e adolescentes.
De acordo com o Bernardi, o censo
de 2.000 registrou, em Curitiba, 1,7 mil crianças de até 13
anos e 22 mil adolescentes de até 17 anos em situação
ilegal de trabalho infantil. Segundo a coordenadora do núcleo
de fiscalização de trabalho infantil da SRTE-PR, Fernanda
Matzenbacher, a situação no Paraná é mais
crítica nas lavouras de fumo. "Nelas, temos crianças
pequenas expostas uma grande toxidade, colocando em risco sua saúde.
Também é comum encontrarmos adolescentes em indústrias
e comércios pouco organizados, como olarias, carvoarias, oficinas
mecânicas, entre outros. A situação é mais
grave na região dos municípios de Rio Azul, Rebouças
e São João do Triunfo", conta.
Marcela
Rocha Mendes
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 31 de março
de 2009
Estímulo
Pacote desonera construção
civil
Além de prorrogar o IPI reduzido para
as montadoras de veículos por mais três meses, governo
corta imposto de material de construção. Preço
ao consumidor pode cair até 7%
O governo anunciou uma série
de medidas anticrise que inclui a redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) para o setor de material de construção,
a prorrogação do IPI menor sobre carros e caminhões
e a redução da Cofins para motos. O pacote deve representar
uma renúncia fiscal de mais de R$ 1,6 bilhão, que poderá ser
compensada pelo aumento do IPI e do PIS/Cofins sobre os cigarros, que
ficarão até 30% mais caros (leia mais no quadro ao lado).
Estima-se que a compensação vinda da indústria do
tabaco fique próxima de R$ 1 bilhão.
Ao todo, 30 itens de material
de construção terão o IPI reduzido por três
meses a partir de amanhã, o que deverá representar uma
queda de 6% a 7% no preço final dos produtos ao consumidor, segundo
o vice-presidente da Associação Nacional dos Comerciantes
de Material de Construção (Anamaco) e presidente da Federação
das Associações de Comerciantes de Material de Construção
(Fecomacs) no Paraná, Adriano Montanari. “Estamos otimistas
e acreditamos que o IPI menor vai resultar em uma retomada de vendas”,
diz.
Por conta da crise, o comércio
de produtos para construção civil amargou queda de 12%
nas vendas no primeiro bimestre na comparação com o mesmo
período de 2008. Graças à desoneração,
Montanari acredita que o setor poderá crescer, agora, mais de
5% em 2009. Em função do fraco desempenho no início
do ano, a Anamaco havia reduzido a projeção de crescimento
para 2009, de 8,5% para 5%. O setor, que reúne 140 mil lojas no
país – 11 mil somente no Paraná – faturou R$
43,23 bilhões em 2008.
Boa parte das vendas de material
de construção vem do consumidor “formiguinha”,
que constrói e reforma a própria casa. “Por conta
da crise, esse consumidor se retraiu um pouco, evitou fazer novas dívidas. É esse
cliente que vai voltar para as lojas”, afirma Eduardo Balarotti,
diretor comercial e de marketing da rede Balaroti, com 14 lojas.
De acordo com ele, a queda do
IPI tem um efeito psicológico sobre o consumidor. “Muita
gente que adiou reforma ou resolveu adotar um projeto menor agora vai
ficar mais animado a comprar”, diz ele, que prevê que somente
a desoneração do IPI deve elevar em até 5% as vendas
da rede. A Balaroti deverá reduzir entre 4% e 5% os preços.
Fica para depois
Com o anúncio do pacote,
muitos consumidores resolveram deixar parte das compras para depois que
a redução do IPI entrar em vigor. É o caso do advogado
Hermann Schaich IV, que ontem à tarde fazia compras em uma loja
no centro de Curitiba. “Muita coisa vou ter de levar hoje mesmo,
são coisas mais urgentes. Mas para a pintura da casa, por exemplo,
vou esperar pela mudança. Não esperaria se não houvesse
redução”, disse.
Para alguns itens, como cimento,
tintas, argamassas, banheiras e chuveiros, por exemplo, o IPI será zerado. “Deveremos
ter uma redução de 3% no valor final das tintas”,
prevê Carlos Alberto Sikorski, proprietário da ArteCor Tintas. “É difícil
prever o reflexo nas vendas, porque o cenário hoje é de
crise. Mas a medida é boa. Quem não gosta de pagar menos?”.
A redução do IPI
também foi bem recebida pelos fabricantes de material de construção.
A indústria do setor, que movimentou R$ 100 bilhões em
2008, acredita que as vendas crescerão entre 3% e 4% neste ano,
depois de amargar uma queda de 18% no primeiro bimestre. Parte da retomada
deve ser impulsionada pelo pacote habitacional anunciado na semana passada,
que prevê a construção de 1 milhão de moradias
nos próximos anos.
A principal crítica,
no entanto, está relacionada ao período da desoneração,
que deveria vigorar por pelo menos um ano, na avaliação
do presidente da Associação dos Fabricantes de Material
de Construção (Abramat), Melvyn Fox. “O pacote
será importante para a retomada das vendas. Mas é um
equívoco adotar o mesmo prazo de desoneração que
valeu para o setor automotivo. A cadeia da construção
tem outro ritmo.” Segundo ele, o governo já se mostrou “aberto” a
negociar a prorrogação do prazo.

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Folha de S.Paulo, 31 de março
de 2009
Pacote-moradia reduz patrimônio
do FGTS
Conselho eleva de R$ 1,6 bi para R$ 4 bi
a parcela que pode ser destinada a fundo perdido para famílias
com renda até R$ 2.325 | Lei permite que até metade
do lucro extra de um ano possa ser usado, no ano seguinte, para
subsidiar habitações à baixa renda
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Principal fonte de recursos para
subsidiar a construção de moradias para baixa renda, o
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) teve de abrir mão
de quase 80% do lucro extra obtido com aplicações financeiras
de suas reservas em 2008.
Por pressão do governo, os conselheiros do fundo aumentaram de R$ 1,6
bilhão para R$ 4 bilhões a parcela de recursos que pode ser destinada
a fundo perdido para famílias com renda até cinco salários
mínimos (R$ 2.325) somente neste ano. O uso desse dinheiro significará,
na prática, redução do patrimônio do FGTS.
Pela regra em vigor, toda vez que o ganho com aplicações financeiras
em um ano superar a rentabilidade de referência do FGTS -equivalente à variação
da TR (Taxa Referencial) mais juros de 3% ao ano-, o fundo poderá usar,
no ano seguinte, até 50% desse lucro extra para subsidiar projetos de
habitação para baixa renda.
Em 2008, segundo a Folha apurou, as receitas financeiras totais do FGTS foram
de cerca de R$ 8 bilhões, sendo que R$ 5,2 bilhões foram ganhos
adicionais, fruto da aplicação do dinheiro no caixa do fundo
em títulos públicos federais.
Considerando apenas o lucro extra de 2008, os 50% representavam R$ 2,6 bilhões.
No entanto o valor aprovado inicialmente pelos conselheiros para ser gasto
a fundo perdido em habitação neste ano era ainda menor: R$ 1,6
bilhão.
A Folha apurou que esse montante refletia a preocupação dos conselheiros
com a saúde financeira do FGTS neste ano, diante da perspectiva de baixo
crescimento da economia, de elevação das demissões e,
consequentemente, de aumento dos saques dos recursos depositados nas contas
dos trabalhadores e queda na arrecadação do fundo.
Estratégia prudente
A estratégia era ter uma atuação prudencial para evitar
a descapitalização do FGTS, já que as receitas adicionais
servem para elevar o patrimônio do fundo. Durante a montagem do novo
pacote habitacional do governo federal, foi cogitado o aumento da parcela do
FGTS direcionada aos subsídios, de 50% para 80%.
A proposta causou muita polêmica na equipe econômica, chegou a
ser temporariamente descartada, mas acabou sendo adotada.
Para turbinar o novo pacote de habitação, direcionando mais recursos
ao setor, o percentual do lucro extra destinado a subsídios foi elevado
para 77% neste ano, chegando a R$ 4 bilhões. E, para viabilizar a construção
de 1 milhão de moradias prometidas pelo governo, será preciso
repetir esse valor nos próximos anos, alcançando R$ 12 bilhões
em três anos. No entanto será necessária nova aprovação
do Conselho Curador do FGTS para destinar mais recursos com essa finalidade.
Segundo o secretário-executivo do Conselho Curador, Paulo Furtado, a
aprovação de verba adicional levou em conta estimativas de arrecadação
e despesas feitas pela Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS, para
2009. As projeções, afirmou, atestam que o fundo não terá prejuízo
ao abrir mão desses recursos.
" Os conselheiros aprovaram a destinação dos R$ 4 bilhões
sob uma premissa importante: a de que a Caixa Econômica atestou que isso
não afetará o resultado do FGTS em 2009. Essa mesma premissa será levada
em conta no final ano, quando o Conselho for apreciar mais recursos para os anos
seguintes", afirmou.
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CNT, 31 de março de
2009
Dilma sobe na pesquisa CNT-Sensus
e já ganha de Aécio
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), possível candidata da situação à Presidência
em 2010, cresceu em todos os cenários, segundo pesquisa do Instituto
Sensus, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria
(CNT) e divulgada nesta segunda-deira (30). Dilma, pela primeira vez supera
o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em um dos cenários
de segundo turno, embora o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), permaneça à frente.
Fonte: CNT-Sensus
Serra chegou mesmo a recuperar
parte dos 3,7 pontos percentuais que perdera em janeiro último,
mês da edição anterior da pesquisa. Ele oscilou positivamente
de 42,8% para 45,7% das intenções de voto (veja os gráficos
ao lado), dentro da margem de erro da pesquisa, que é de três
pontos para mais ou para menos.
Neste cenário, Dilma subiu 2,8 pontos, após ganhar 3,1 pontos
na edição anterior. A distância entre as duas é de
5,3 pontos, ainda em condição de empate técnico.
Já o segundo cenário, que inclui Aécio no lugar de Serra,
mostra um triplo empate técnico. Após oscilar negativamente mais
uma vez, o governador mineiro está com 22,0% das intenções
de voto, 2,1 pontos acima de Dilma e Heloísa, ambas com 19,9%. A diferença
mais uma vez está na tendência: neste cenário Dilma subiu
7 pontos desde dezembro.
Nordeste é mais
Dilma, Sul mais Serra
Os resultados da pesquisa cruzados
por segmento (dados do primeiro cenário de primeiro turno) indicam
que Dilma Rousseff tem mais apoio nos municípios pequenos (20,6%)
e na zona rural (22,2%). Possui também mais eleitores entre os
homens (19,2%) que entre as mulheres (12,5%).
Na segmentação
por região, Dilma tem mais intenções de voto no
Nordeste (26,5%), bastião do apoio ao governo Lula, e menos no
Sudeste e Norte/Centro-Oeste (ambas com 11,4%). No Sul ela alcança
15,9%.
José Serra tem mais eleitores
no Sul (52,0%), seguido pelo Norte/Centro-Oeste (48,4%). Apesar de São
Paulo, a Região Sudeste figura na terceira colocação,
com 47,3%, à frente apenas do Nordeste (38,5%).
Ciro no páreo
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE),
outro presidenciável da base do governo Lula, também subiu
nos dois cenários em que seu nome foi apresentado: de 10,6% para
14,9% no confronto com Serra e de 14,9% para 19,2% em relação
a Aécio Neves. Ciro, que voltou a se movimentar ém março
após seis meses longe dos holofotes, tem se pronunciado contra
uma candidatura única de todos os partidos governistas desde o
primeiro turno.
Nos cenários de segundo
turno, Serra continua liderando com 53,5% das intenções
de voto, contra 50,8% da pesquisa em janeiro. Mas Dilma sobe de 16,6%
para 21,6,%.
Contra Aécio, Dilma aparece
na frente, embora em empate técnico. A candidata petista passou
de 23,9% para 29,1 % nas intenções de voto. O tucano tem
28,3% contra 30,4% da pesquisa anterior.
Ciro também vence Aécio
na simulação de segundo turno da CNT-Sensus. Com 6,5 pontos
a mais que tinha em janeiro, ele chega a 31,2%. Já Aécio
oscilou 2,3 pontos para menos e obtém 26,8%, ainda em condição
de empate técnico.
A pesquisa quis saber ainda
qual a possível influência do presidente Lula nas próximas
eleições presidenciais: 21,5% disseram que votariam em
um candidato apoiado por Lula, 5,9 pontos a mais que os entrevistados
em dezembro de 2008. Mas os que não votariam num candidato apoiado
pelo presidente também se tornaram mais numerosos, crescendo,
dentro da margem de erro, de 18,4% para 20,3%.
Na avaliação do
pesquisador Ricardo Guedes, a população começa reconhecer
que Dilma é a candidata apoiada por Lula, por isso o crescimento
nas pesquisas. Além disso, a população também
começa a tomar partido com aproximação da eleição
e aumenta a capacidade de transferência de votos do presidente.
Aprovação de Lula cai
para 62,4%
A CNT-Sensus apontou, assim
como as últimas edições do Datafolha e Ibope, uma
queda na avaliação positiva do governo federal. Nesta 96ª edição,
a avaliação positiva ficou em 62,4% e a negativa, 7,6%.
Em janeiro de 2009, a avaliação positiva do governo Lula
registrava 72,5% e a negativa 5,0%.
A aprovação do
desempenho pessoal do presidente Lula situa-se em 76,2% e a desaprovação
em 19,9%. Em janeiro, a aprovação do desempenho pessoal
de Lula era de 84,0% e a desaprovação, 12,2%.
A 96ª edição
da pesquisa CNT-Sensus coletou entrevistas entre os dias 23 a 27 de
março, em 136 municípios de 24 estados nas cinco regiões
brasileiras. Foram ouvidas 2 mil pessoas.
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Folha de S.Paulo, 31 de março
de 2009
50% votariam no candidato de Lula,
diz pesquisa
DA FOLHA ONLINE
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva manteve o seu poder de transferência de votos à ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil) na corrida pela sucessão presidencial
em 2010, apesar da queda de sua popularidade em março, como revela
pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. Segundo a pesquisa, 50,1% dos eleitores
votariam no candidato apoiado por Lula. Em dezembro, eram 44,5%.
Entre os eleitores que confiam na escolha do presidente, 21,5% responderam
que o candidato de Lula seria o único em que votariam. Outros 28,6%
poderiam votar no apoiado por Lula. A pesquisa mostra que 20,3% não
votariam em quem tem o apoio do presidente, contra 25,9% que votariam só se
conhecessem o candidato. Em janeiro, eram 34% os que votariam no candidato
de Lula apenas se conhecessem seu nome.
" A população começa a tomar partido. Aumenta o poder
de transferência física de Lula. A avaliação do presidente,
apesar de ter sofrido queda, é muito forte", disse o diretor do instituto
Sensus, Ricardo Guedes.
A pesquisa mostra uma reação de Dilma, que pela primeira vez
aparece na frente do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), na pesquisa
espontânea -em que os nomes não são apresentados aos eleitores.
Dilma também venceria o tucano num eventual segundo turno, mas perderia
se o candidato da oposição fosse o governador de São Paulo,
José Serra (PSDB).
A avaliação do governo registrou queda em março, segundo
a pesquisa. A avaliação positiva caiu de 72,5% em janeiro para
62,4%. A avaliação pessoal de Lula também caiu em março,
após registrar a melhor avaliação histórica da
pesquisa em janeiro deste ano. O índice caiu de 84% em janeiro para
76,2%.
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Agência Diap, 31 de
março de 2009
Nova Central é a quinta central
sindical a se filiar ao DIAP
A Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) se filia ao DIAP e reforça
o trabalho do Departamento entre os assalariados brasileiros e no Parlamento.
A Nova Central, como é conhecida
no meio sindical, foi fundada no dia 29 de junho de 2005. Nasceu composta
por sete confederações, 136 federações, e
cerca de 3 mil sindicatos, o que representa quase 12 milhões de
trabalhadores em todo País.
A central defende a unicidade
sindical, a contribuição compulsória, o sistema
confederativo de representação sindical, e o respeito ao
artigo 8º da Constituição.
A Nova Central está organizada
em quase todos os estados do Brasil. Recentemente, realizou congresso
de fundação nos estados do Maranhão e Bahia. Nos
dias 15 e 16 de abril fundará a seccional do Mato Grosso do Sul.
Em maio, entre os dias 27 e 29,
realizará o 2º Congresso. Na pauta de debates, a crise mundial
e suas consequências para os trabalhadores.
Com a filiação
da Nova Central, o quadro de entidades filiadas ao DIAP se reforça,
pois das seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho
e Emprego, cinco compõem o quadro de associados ao Departamento.
Este fato demonstra o reconhecimento
do trabalho realizado pela entidade de assessoria parlamentar e a amplitude
do DIAP, que há 25 anos atua em defesa dos trabalhadores no
Congresso Nacional.
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Agência Diap, 31 de
março de 2009
Entidades patronais defendem manutenção
do fator
Na primeira audiência pública
que discutiu o fim do famigerado fator previdenciário, regra
criada há dez anos e que reduz as aposetandorias dos trabalhadores
do INSS, entidades patronais foram "quase" unânimes
na defesa da continuidade da regra que penalisa os assalariados
Alysson Alves*
O termo "quase" é porque
a Confederação Nacional de Serviços (CNS), ciente
que o fator apresenta distorções e que, portanto, devem
ser corrigidas, propôs ao invés de acabar ou amenizar a
regra, que seja mudada a base de cálculo da contribuição
previdenciária para manter a sustenbilidade da Previdência
Pública, passando o cálculo a ter como base a movimentação
financeira, sem aumento ou criação de um novo imposto.
Dados apresentados pelo presidente
da CNS, Luizi Nesse, aponta que a movimentação financeira
em 2008 atingiu mais de R$ 64 milhões, enquanto a movimentação
do INSS no mesmo período foi pouco acima de R$ 47 milhões. "A
Seguridade Social deve ser financiada por toda sociedade - trabalhadores
e empresários - para que continue existindo. Ao utilizar a base
tributária diferenciada, com apenas meio por cento da contribuição
financeira, será possível arcar com todas as despesas",
acredita e defende Nesse.
O representante da CNS propôs
ainda que seja criada a idade mínima de 60 anos para para a que
o tralhador tenha direito à aposentadoria integral por tempo de
contribuição a cargo do Regime Geral da Previdência
Social.
Além da CNS, participaram
dos debates outras cinco entidades patronais - CNT, CNF, Fenaseg, CNC
e CNI - que se posicionaram a favor da manutenção da regra
do fator criada no Governo FHC para retardar a consessão das aposentadoria
por tempo de contribuição, mas que tem provocado tão
somente a redução dos benefícios a que tem direito
os assalariados.
A Comissão de Finanças
e Tributação (CFT), responsável pelos debates, continuará nesta
semana com a discussão do PL 3.299/08, do senador Paulo Paim (PT/RS),
que extinge o fator previdenciário. Serão ouvidos os representantes
dos trabalhadores (CUT, Cobap e Anfip), bem como técnicos e órgãos
do Governo especializados no tema.
O presidente do colegiado, deputado
Vignatti (PT/RS), disse que os debates vão subsidiar o relator
na elaboração do seu parecer e serão fundamentais
para a elaboração de uma publicação que será produzida
pela CFT.
Fim do
fator é retrocesso, aponta empresários
Para o consultor da Confederação Nacional das Instituições
de Instituições Financeiras (CNF), Thomás Tosta de Sá,
por conta da implicação social do tema, declarou ser a questão
previdenciária sua preocupação há mais de 30 anos.
Segundo entendimento do representante
patronal, "a extinção do fator previdenciário
e a alteração do cálculo pela média dos últimos
36 meses, além de ser um retrocesso no processo de redução
das despesas com benefícios previdenciários no País,
representa também um efeito negativo sobre a função
social do nosso sistema previdenciário".
Ainda segundo Thomás Tosta, "apenas
6% dos benefícios concedidos representam aposentadoria por tempo
de contribuição e, portanto, sujeitos à aplicação
da regra do fator. Além do mais, o público afetado pelo
fator concentra-se nas faixas superiores da distribuição
de renda per capita: 81,6% estão entre os 50% de maior renda,
motivo pelo qual a proposta contida no PL 3.299/08 é altamente
elitista, beneficiando os trabalhadores de renda mais alta do País,
que são aqueles que mais cedo se aposentam (mulheres em média
aos 51,4 anos e homens aos 54,4 anos)".
E foi além: "Se compararmos
o Brasil, um país ainda jovem, como o Japão, observaremos
que o Brasil tem 6,1% de sua população com mais de 65 anos
e gasta 10,9% do PIB com benefícios previdenciários e o
Japão com 20% gasta apenas 7,8% do PIB".
Comparação
descabida
Ao rebater os argumentos da CNF, o relator do projeto, deputado Pepe Vargas
(PT/RS), foi taxativo: "Não é possível comparar regimes
previdenciários entre países por conta das inúmeras diferenças
existentes".
Vargas citou como exemplo o fato
de no Brasil a rotatividade de mão-de-obra ser intensa e a precarização
das relações de trabalho imperrarem e impedirem a continuidade
e aumento da arrecadação previdenciária.
As consequencias são uma
maior dificuldade de o trabalhador cumprir o tempo de contribuição
exigido para a aposentadoria e o sistema se manter, no longo prazo, sem
a contribuição, financeiramente viável para a concesão
dos benefícios.
Fator
reduziu despesas
Ao defender a continuidade do fator previdenciário, o representante
da Confederação Nacional do Transporte (CNT), economista Raul
Velloso, enfatizou que até 2007 as despesas do INSS foram reduzidas
em R$ 10,1 bilhões.
"A introdução
do fator apenas alivou a relação contribuição
e benefício já que nos gastos do INSS 1/3 estão
cobertos pelo contribuição e 2/3 não não
tem cobertura", assegurou.
Olhando para o futuro, disse
que "o mundo que virá será de menor arrecadação
e o gasto, uma vez estabelecido, não poderá ser revisto",
acredita. Motivo pelo qual defendeu a aplicação da regra
nas aposentadorias por tempo de contribuição a cargo do
INSS.
Idade
mínima
Atrelada à manutenção da regra do fator previdenciário,
que no entendimento da entidade patronal atenua o desequilíbrio das
contas da Previdência, o representante da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Marco Antonio Reis Guarita, deixou a mensagem
de futuro, qual seja, "a de que a trajetória da pirâmide
etária imporá a discussão sobre a idade mínima".
O representante do setor industrial
brasileiro disse também que os "benefícios da Previdência
têm sido a principal fonte de aumento do gasto público e
como consequência o comprometimento da capacidade de investimentos
do País".
Guarita fez ainda as seguintes
afirmações: "a aposentadoria por tempo de contribuição
ocorre em idade muito baixa e a retirada do fator, que procura retardar
as aposentadorias, tem impacto positivo em atenuar o déficit previdenciário.
E, a retirada do fator vai ter impacto regressivo na distribuição
de renda já que a expectativa de vida hoje, em 72,3 anos, em 2050
chegará a mais de 80 anos".
Separação
das aposentadorias
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) não defendeu
o fim do fator previdenciário, mas declarou apoio ao ao substitutivo
do deputado Pepe Vargas, que ameniza as regras impostas em 1999 e que prejudicam
enormente os trabalhadores no ato da aposentadoria.
O apoio declarado pela entidade
ao parecer formulado por Vargas é porque, segundo o consultur
jurídico da CNC, Cid Heráclito de Queiroz, há separação
das previdências rural e urbana.
"O artigo 2º do substitutivo
ao separar a previdência urbana, que não tem problema de
déficit, da previdência rural, que é hoje assistencial
e em muitos casos concedida sem a contrapartida da contribuição,
deve ser mantida".
Falácias
sobre o fator
A economia de mais de R$ 10 bilhões para os cofres do INSS, resultante
da aplicação do malfadado fator previdenciário, representa,
na verdade, um "seqüestro" no bolso das pessoas da melhor idade,
pois é fruto da redução, achatamento dos benefícios
ou retardamento na sua concessão.
Outra falácia a respeito
do fator é que a despeito da necessidade de adequar o sistema
previdenciário aos impactos atuarial e financeiro da evolução
demográfica, da constatação de que atualmente cerca
de 25 milhões de brasileiros recebem algum tipo de benefício
previdenciário e que apenas 6% dos benefícios correspondem à aposentadoria
por tempo de contribuição, há dez anos, o fator
previdenciário penaliza os trabalhadores que contribuíram
por 35 anos, se homem, 30 anos, mulher, para ter direito ao benefício.
Também corrobora para
a redução constante do benefício previdenciário
o fato de que todos os anos, no mês de dezembro, o IBGE divulga
uma nova tabela de sobrevida, base de cálculo do fator. Como os
dados do Instituto, a cada ano apontam uma contínua elevação
do tempo médio de vida dos brasileiros, conseqüentemente,
o valor das aposentadorias sofre considerável redução
anualmente.
Déficit
não existe
Para combater o tão propalado déficit da Previdência Social,
a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal
do Brasil (Anfip), entidade filiada ao DIAP, apresenta estudos que apontam
um superávit de R$ 60,9 bilhões apenas em 2007.
Estudos anteriores da entidade
destacam que a Seguridade Social, que é um sistema composto por
Saúde, Assistência e Previdência, teve em 2005 o superávit
de R$ 62,6 bilhões e de R$ 50,8 bilhões em 2006.
Debate
democrático
Após ouvir os representantes patronais, o deputado Pepe Vargas destacou
que a condução da discussão do tema no colegiado será em
ambiente democrático, pois todos os setores envolvidos - empresários,
trabalhadores, técnicos e o Governo - serão ouvidos.
Vargas adiantou que o último
a ser ouvido será o ministro da Previdência Social, José Pimentel,
e que pretende apresentar seu parecer definitivo entre os dias 15 e 16
de abril para que seja votado na Comissão de Finanças e
Tributação.
Indicativo
do relator
Das sugestões apresentadas pelas entidades patronais, Vargas achou interessante
a proposta de separação da aposentadoria rural da aposentadoria
urbana, bem como a que foi apresentada pelo representante da CNS, de desoneração
da folha de pagamento por permitir competitividade, inclusão de trabalhadores
e alterações no sistema tributário. "Quem mais movimenta
recursos deve contribuir mais para a previdência", defendeu.
Vargas também fez questão
de pontuar que o debate deve ter como foco os benefícios do RGPS
e quem se aposenta por tempo de contribuição, pois o fator
previdenciário não é aplicado na aposentadoria por
invalidez, no auxílio acidente e na aposentadoria especial.
Quanto à sugestão
da criação da regra da idade mínima para aposentadoria,
Vargas declarou ser totalmente contrário já que "a
regra da idade mínima é extremamente injusta para quem
começou a trabalhar mais cedo e mais tempo contribuiu para a Previdência
pública brasileira".
Sistema
atual
" Nosso regime é o de repartição simples, quem trabalha
hoje mantém o benefício de quem já trabalhou, gerou riqueza
e crescimento para o País. Construir uma civilização que
promova o envelhecimento digno da população, com assistência
social, saúde e segurança são os desafios que estão
postos", disse o Vargas.
"O Brasil é hoje
o país da América Latina que dá maior cobertura
na velhice e maior proteção social. O crescimento da população
será um dos nossos grandes problemas no futuro", acredita.
Outros desafios a serem superados,
no entendimento de Vargas, já que a possibilidade de extinção
total do fator está vetada pelo Governo, é estimular trabalhador
que venha a postergar a aposentadoria e continue contribuindo com a Previdência
venha a ter o benefício correspondente a 100% do valor contribuído.
Pré-proposta
De antemão, Pepe Vargas reforçou sua pré-proposta para
o debate em torno do fim do fator previdenciário, composta de cinco
itens:
1) sem exigência de idade mínima para aposentadoria;
2) não aplicação do fator previdenciário para quem
atingir na soma da idade com o tempo de contribuição 95, se homem,
85, se mulher;
3) congelamento da tábua de mortalidade para quem permanecer na ativa
ao completar o tempo mínimo de contribuição (35 anos se
homem, 30 anos, se mulher), para garantir 100% do salário benefício
ou obtenção de Fator Positivo;
4) manutenção da média longa (80% das maiores contribuições)
para o Período Básico de Cálculo do Salário de
Benefício; e
5) Fixar em lei regras para as demonstrações contábeis
do Resultado do Regime Geral da Previdência Social, separando os resultados
da clientela urbana da clientela rural, com apresentação das
renúncias previdenciárias.
(*) Jornalista e assessor parlamentar
do Diap
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Agência Diap, 31 de
março de 2009
BB: conquista de licença-maternidade
de 180 dias e mesas temáticas
O Banco do Brasil concordou com
a reivindicação dos trabalhadores e aprovou a licença-maternidade
de 180 dias para as bancárias.
A notícia foi dada em
nova rodada de negociação entre a Contraf/CUT e o banco,
realizada na última sexta-feira (27). Além disso, o encontro
tratou da definição do cronograma de instalação
e funcionamento das mesas temáticas.
"Trata-se de um fato positivo,
que atende uma reivindicação que constava da minuta da
categoria", lembra Marcel Barros, coordenador da Comissão
de Empresa dos funcionários do Banco do Brasil, da Contraf/CUT.
"O BB dá um passo
importante na valorização de suas funcionárias",
diz. A validade do novo direito é retroativa ao dia 8 de dezembro.
Assim, as mulheres que deram a luz a partir dessa data podem reivindicar
o benefício.
Mesas
temáticas
Foi definido o dia 6 de abril para o início dos trabalhos de três
mesas temáticas, tratando dos seguintes temas:
- Remuneração -
envolvendo debate sobre Plano de Carreira, Cargos e Salários,
lateralidade, carreira de mérito e outros.
- Saúde e condições
de trabalho - debatendo exame periódico de saúde, qualidade
de vida no trabalho, programa de controle médico e saúde
ocupacional etc.
- Fusões e incorporações
- que tratará dos temas específicos de cada incorporação
ou fusão feita pelo banco. Essa mesa tem um caráter diferenciado
e se subdividirá para tratar de cada processo de fusão
de forma individual.
As mesas devem iniciar seus debates
em abril e apresentar seus relatórios concluídos na primeira
quinzena de maio. A exceção é a mesa sobre Fusões,
cujo andamento se dará de acordo com as demandas de cada processo.
Conciliação
As comissões de conciliação prévia (CCPs) também
foram tema da negociação. Os representantes dos bancários
questionaram o banco sobre as alterações irregulares feitas pela
empresa no texto do anexo da quitação.
Os bancários reivindicam
que o texto permaneça de acordo com o que consta no contrato firmado
entre banco e entidades sindicais para a instalação das
CCPs.
Os trabalhadores reivindicaram
também que seja feita uma avaliação das conciliações
que aconteceram até agora para ver quais as questões mais
recorrentes e tentar solucionar os problemas, em especial os casos de
desvio de função e hora-extra devida.
"Estamos orientando os sindicatos
a não realizar conciliações se o banco continuar
alterando o texto da quitação e incluindo reflexos que
não estão previstos no anexo inicial", afirma Marcel.
Também foi discutida
a situação da participação do BB no Banco
Votorantim, que está provocando o fechamento de setores no BB.
Os trabalhadores reivindicaram a imediata abertura de negociações
para tratar do tema.
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FOLHA DE LONDRINA, 31 de março de 2009
| Geral
Acidente em obra mata operário
Londrina - Um operário de 40 anos morreu ontem após ser atingido
por uma carriola carregada de concreto em uma obra na Avenida Ayrton Senna,
na Gleba Palhano (Zona Sul). Jurandir Rosa teve ferimentos nas costas e na
cabeça e não houve tempo de encaminhá-lo para o hospital.
A carriola teria despencado do terceiro andar. O corpo da vítima foi
encaminhado ao Instituto Médico Legal de Londrina. No Jardim Novo Aeroporto,
outro operário foi vítima de acidente de trabalho. Um muro caiu
sobre José Matias, 55, durante reforma na Aenida Paul Harris. Ele ficou
ferido na perna.
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