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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de abril de 2009 | Economia
Salário passa a ser desafio
para este ano
Helio Miguel
Além da pressão pela queda nos juros e pela redução
das jornadas de trabalho sem diminuição de salários, o
novo desafio das centrais sindicais, ainda para este ano, será discutir
o próximo aumento do salário mínimo.
Estes e outros temas foram analisados
ontem, em Curitiba, em um evento promovido pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A ideia
dos organizadores era debater, com os sindicalistas, o contexto das negociações
coletivas em tempos de crise.
De acordo com o técnico
do Dieese nacional, Sérgio Mendonça, garantir um bom reajuste
no salário mínimo no início de 2010 deverá ser
a “grande tarefa” das centrais sindicais.
Para ele, o contexto da economia
em 2009 pressionará para que o novo valor tenha um aumento tímido.
Em relação às negociações setoriais,
Mendonça acredita que deverão variar bastante, nem só de
acordo com o segmento, mas também conforme a região.
Segundo Mendonça, o debate
promovido pelo Dieese, que acontece em todos os Estados do País,
também ajuda o movimento sindical a enxergar o tamanho real da
crise econômica e seus efeitos, e a atuar de forma unitária
principalmente em discussões mais amplas, como as referentes a
políticas públicas. “As centrais sindicais estão
juntas nesse ponto, superando divergências, que são mais
pontuais”, diz.
Para o técnico do Dieese,
questões como emprego, salário mínimo, juros e ajuste
fiscal são exemplos de áreas em que o movimento sindical
tem mantido discurso alinhado. “Há 10 anos, as centrais
não discutiam o salário mínimo, por exemplo. Hoje,
já olham para políticas mais amplas, além de suas
categorias específicas”, analisa.
Consenso
Para o vice-presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Miguel Baez, já há um
consenso entre os sindicalistas de que a crise é séria.
Ele considera que a convergência entre as centrais sindicais é positiva,
e é um demonstrativo de maturidade dos dirigentes.
Mesmo assim, não vê uma
boa perspectiva para as negociações coletivas deste ano. “Em
2007, 90% dos acordos foram com reposição acima da inflação.
Agora, lutamos para perder o mínimo possível”, afirma.
O presidente da regional paranaense
da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB-PR), Juvenal Pedro
Cim, mantém o discurso: “Se nós, trabalhadores, somos
a alavanca do progresso, temos que defender a produção
e o emprego.
Para o País sair
da crise, tem que baixar os juros e manter a inflação
baixa”, diz, admitindo que seria imprudente dizer que o Brasil
apresentará crescimento este ano.
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de
abril de 2009 | Economia
Crise desafia sindicatos a se unirem
Para Dieese, a diversificação
de setores é irreversível, mas o discurso precisa ser único
Curitiba - Representantes de seis centrais sindicais e do Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) se reuniram
ontem em Curitiba para discutir estratégias de negociações
coletivas durante a crise. Entre os principais desafios está a união
de diferentes entidades sindicais em torno de um discurso único. ''A
unidade das centrais para nós é fundamental'', disse Sérgio
Mendonça, do Dieese Nacional.
Para Miguel Paes, da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), a crise chegou ao Brasil num momento em que
os trabalhadores estavam colecionando pequenas vitórias nas negociações
salariais. ''Estavamos num bom momento. 90% dos acordos coletivos registraram
ganhos, mesmo que pequenos'', apontou. A manutenção desses
ganhos vai depender, disse o sindicalista, da ''capacidade das centrais
sindicais de dialogar''.
Paes defendeu a definição
de uma ''agenda mínima'' entre os sindicatos. ''A diversificação
sindical dos últimos anos é irreversível, mas nesse
momento o que temos é um desafio em comum'', analisou. Para Marcelo
Urbaneja, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), os sindicatos
precisam estar preparados para ''o diálogo técnico com
o empresariado para evitar que a conta da crise seja paga pelos trabalhadores''.
E alerta: ''O discurso do empresariado está alinhado numa pressão
pela redução de vagas de emprego e de salários mesmo
que os efeitos reais da crise não justifiquem isso''.
A reunião das centrais
e do Dieese aconteceu durante a II Jornada Nacional de Debates - Negociações
Coletivas em contexto de crise, que aconteceu no Sindicato dos Engenheiros
do Paraná. ''Estamos promovendo essas discussões em todas
as 27 cidades em que a instituição tem representação'',
explicou Mendonça.
Para o técnico do Dieese,
a unificação de lutas entre as centrais sindicais já tem
vitórias significativas para comemorar. ''Conseguimos um ganho
real no reajuste do salário mínimo com base no crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto)'', apontou.
''Há vinte anos o movimento
sindical não atuava em debates de políticas mais amplas.
Hoje o papel político dessas centrais já está consolidado'',
lembrou. Mendonça adiantou que as centrais devem manter em 2009
a luta pela redução dos juros e pela redução
da jornada de trabalho sem redução de salários.
''A queda dos juros não é propriamente
um tema relevante na mesa de negociações trabalhistas,
mas é uma questão que afeta o trabalhador, a produção
e as centrais tem atuado junto ao governo reivindicando isso'', explicou.
Para o Dieese, o impacto da crise
no Brasil tem que ser monitorado diariamente. ''O país não
escapou da crise, mas ela afetou regiões do país e setores
da economia de força diversificada e o desafio é levar
essas diferenças para a mesa de negociação'', revelou.
Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
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AGÊNCIA DIAP, 02 de
abril de 2009 | Artigos
Jornada de trabalho: é hora
de mudar a tática
A melhor tática é aprovar logo
a proposta na comissão especial. As audiências públicas,
neste momento, são protelatórias e só interessam
aos que são contrários à PEC 231/95, de redução
da jornada de trabalho, sem redução de salário.
Entre os atores não há mais a quem convencer
Marcos Verlaine*
O movimento sindical brasileiro já tem suficiente massa crítica
sobre o debate da redução da jornada de trabalho, sem redução
de salário. E a discussão no meio sindical evoluiu bastante,
pois saiu do economicismo para abarcar os aspectos sociais mais relevantes
acerca do tema.
No Congresso não é diferente.
A Câmara realizou grande e importante debate no plenário
- a comissão geral - depois de o movimento sindical ter feito
intensa movimentação e trabalho de convencimento na sociedade
com a coleta de mais de 1 milhão de assinaturas pela aprovação
da proposta de emenda à Constituição (PEC) 231/95,
que trata do assunto.
Entre os atores interessados
na matéria (Governo, empresários e trabalhadores) - contra
ou a favor - não há mais a quem convencer. O movimento
sindical é favorável pelas razões que já foram
suficientemente expostas no Congresso. Os patrões, por meios de
suas entidades, também já expressaram sua posição,
por todos conhecida, contrária à proposta.
Portanto, já é hora
de mudar a tática. Há número favorável e
suficiente para aprovar a matéria na comissão especial.
O DIAP fez este levantamento e colocou disponível para as entidades
sindicais.
Se a matéria não
for aprovada nesta legislatura, na próxima ela volta à ‘estaca
zero'. Ou seja, para reiniciar a discussão teria que constituir
e instalar, novamente, uma comissão especial.
Desse modo, para voltar ao debate,
o próximo presidente da Câmara teria que aprovar um ato
da Mesa Diretora para constituir nova comissão especial (mérito)
e só depois o colegiado poderia ser instalado, com a indicação
dos membros pelos líderes partidários.
Ao contrário, se a proposta
for aprovada na comissão, entra na ordem do dia do plenário
para votação em dois turnos. Neste momento, a pressão
deve ser intensificada para a conquista dos 308 votos necessários
para aprovação da emenda constitucional.
Por essas razões, a melhor
tática é aprovar logo a proposta na comissão especial.
As audiências públicas, neste momento, são protelatórias
e só interessam aos que são contrários à PEC
231/95, de redução da jornada de trabalho, sem redução
de salário.
Sem contar, por fim, que a aprovação
da matéria cria um fato positivo paro o movimento sindical neste
momento de disputa política em que os representantes dos trabalhadores
estão bem posicionados, com a unidade das centrais sindicais.
(*) Analista político e assessor
parlamentar do Diap
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GAZETA DO POVO, 02 de abril
de 2009 | Economia
Indústria
Produção melhora, mas está 17%
inferior a 2008
Setor avançou 1,8% em fevereiro, na
comparação com janeiro; mesmo assim, índice ainda
está no nível registrado em 2004
Publicado em 02/04/2009 | Fernando
Jasper, com agências
A retomada da produção
nas montadoras ajudou a indústria brasileira a crescer 1,8% em
fevereiro em relação ao mês anterior. Foi a segunda
alta seguida nesse tipo de comparação, o que reforça
a percepção de que o setor já deixou o “fundo
do poço” da crise, atingido em dezembro. Essa foi a parte
boa do relatório divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Sob qualquer outro ponto de vista,
os dados da produção industrial foram desoladores.
“[O crescimento de 1,8%] é um
sinal positivo, sem dúvida, mas insuficiente para anular as quedas
anteriores”, disse o coordenador de indústria do IBGE, Sílvio
Sales. Segundo ele, 77% dos 755 produtos industriais pesquisados tiveram
produção menor que no mesmo mês de 2008. Com isso,
a indústria encolheu 17% frente a fevereiro do ano passado, fazendo
com que o índice acumulado do primeiro bimestre caísse
17,2% em relação aos dois primeiros meses de 2008.
Desde setembro a produção nacional se retraiu na mesma proporção:
17%. Embora a situação tenha melhorado timidamente desde dezembro,
o nível de atividade do setor persistiu, pelo terceiro mês seguido,
em patamar semelhante ao de meados de 2004.
O indicador de produção
acumulada em 12 meses é outro que demonstra a violência
com que as fábricas brasileiras foram atingidas pela contração
da economia global. O índice exibia alta de quase 7% em setembro,
mas foi regredindo até ficar negativo, em 1%, algo que não
ocorria desde setembro de 2002.
Em meio a essa profusão
de “notas vermelhas”, uma das mais preocupantes foi a da
produção de bens de capital (máquinas e equipamentos
usados pela indústria), que desabou 24,4% em relação
a fevereiro de 2008. Pior: essa categoria de produtos, que aponta as
expectativas do setor, foi a única a registrar baixa (-6,3%) também
em relação a janeiro, que havia sido péssimo.
“As perspectivas de demanda
são conservadoras e há adiamento dos investimentos”,
disse Sales. Para o pesquisador, a retração reflete “a
confiança de empresas e consumidores, que estão em compasso
de espera”. “Não há como negar que a crise
se instalou e que estamos longe de sair dela”, afirmou a consultoria
Rosenberg & Associados, em relatório.
Luz
Apesar do cenário traçado
pelo IBGE, alguns analistas viram motivos para um certo otimismo. “O
aumento de 1,8% frente a janeiro aponta para uma recuperação
lenta, porém contínua, ao longo de 2009. Seguindo este
ritmo, é provável que o crescimento da produção
industrial em 2009 varie entre zero e 1% frente a 2008”, disse
Alcides Leite, professor de Economia Brasileira da Trevisan Escola de
Negócios.
O economista Manuel Enriquez
Garcia, professor da Universidade de São Paulo (USP), avaliou
que, apesar da “fraquíssima base de comparação”,
o avanço da produção frente aos últimos meses
de 2008 “não deixa de ser uma esperança de que o
pior já passou”. “É pouco provável que
voltemos a ver grandes ondas de demissão.”
Março
Alguns indicadores sugerem que
o mês de março foi um pouco melhor que fevereiro, mas sem
chegar perto dos resultados de um ano atrás. “Uma recuperação
aos níveis dos três primeiros trimestres de 2008 ainda deve
demorar”, afirmou a Rosenberg. De acordo com o Banco Santander,
que mensalmente consulta 450 empresas, o índice de desempenho
da indústria atingiu 41,1 pontos no mês passado, a melhor
marca desde outubro – mas que, por estar abaixo de 50 pontos, ainda
indica retração em relação aos níveis
do ano passado.

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FOLHA DE SÃO PAULO,
02 de abril de 2009 | Dinheiro
Indústria reage em fevereiro,
mas ainda está nos níveis de 2004
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
De janeiro para fevereiro, a
indústria esboçou uma reação e cresceu 1,8%
na taxa livre de influências sazonais, segundo o IBGE. Tal movimento,
porém, foi insuficiente para inverter a tendência de queda
na comparação com 2008: em fevereiro, a produção
caiu 17% em relação a igual mês do ano passado.
Em janeiro, o setor fabril havia crescido 2,1% ante dezembro. Já na
comparação com janeiro de 2008, a produção recuara
17,4% -desde 1991, quando começou a série da pesquisa do IBGE,
não havia registro de quedas dessa magnitude.
Afetada pela crise, a indústria recuou pelo quarto mês consecutivo
em fevereiro na comparação anual e, com isso, voltou ao patamar
de produção de junho de 2004. No acumulado em 12 meses, a produção
cedeu 1%, na primeira taxa negativa desde setembro de 2002.
Ou seja, a turbulência -que contraiu o consumo e os investimentos- abortou
um longo período de expansão do setor, que até outubro
cresceu sem interrupção por quase dois anos, diz Silvio Sales,
coordenador de Indústria do IBGE.
Diante dos resultados de fevereiro -que ficaram pouco abaixo do piso inferior
das projeções-, analistas esperam uma queda de até 3%
no PIB do primeiro trimestre ante igual período de 2008. Comparado ao
quarto trimestre, a estimativa é de uma retração de até 2%.
" Os dados da indústria não indicam uma recuperação,
confirmam a tese de que o país já vive uma recessão e abrem
espaço para um PIB negativo neste ano", diz Sérgio Vale, da
MB Associados, para quem a economia pode cair até 0,5%. Ele espera retração
da indústria também de dois dígitos em março na comparação
anual.
Já Sales, do IBGE, vê nos dados de março "uma pequena
reação" e diz que a indústria "está começando
a sair do fundo do poço" atingido em dezembro. "Alguns setores
mostram recuperação da demanda interna, mas o ambiente econômico
mudou muito em relação a 2008, o que gera resultados muito negativos
na comparação com aquele período."
Entre os segmentos em expansão, o destaque ficou com veículos,
cuja produção cresceu 8,7%, sob efeito da redução
do IPI. Em seguida, vieram outros produtos químicos (8%) e edição
e impressão (10,3%).
O desempenho de veículos impulsionou o de bens duráveis, categoria
que liderou a produção, com expansão de 10,5% de janeiro
para fevereiro.
Na comparação com fevereiro de 2008, porém, a produção
de veículos ainda cai com força: 29,8%. Foi o principal impacto
negativo, ao lado de máquinas e equipamentos (-32,2%).
Segundo Sales, a crise prejudicou o desempenho de setores ligados ao crédito
-os veículos só reagiram por conta da redução do
IPI- e à confiança de empresários e consumidores.
Um exemplo é o recuo de máquinas e equipamentos. O desempenho
puxou a queda de bens de capital -6,3% ante janeiro. Em relação
a fevereiro de 2008, a queda foi de 24,4%, a maior desde março de 1996.
Para Leonardo Carvalho, economista do Ipea, a indústria viveu em fevereiro "ligeira
recuperação", baseada no desempenho da indústria
automobilística. Ele ressalta, porém, a queda dos investimentos
como um ponto negativo: "Os resultados, em geral, foram muito ruins na
comparação com 2008 e em particular os de bens de capital, que
caíram também em relação a janeiro, o que indica
retração dos investimentos."
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GAZETA DO POVO, 02 de abril
de 2009 | Economia
Indústria
Recuo leva a projeção
pior para o PIB do trimestre
Publicado em 02/04/2009 | Agência Estado
São Paulo - A retomada
ainda tímida da produção industrial em fevereiro
faz com que aumente a probabilidade de um recuo forte do Produto Interno
Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2009. “Antes dos dados divulgados
pelo IBGE, eu previa que o PIB poderia cair 1,3% de janeiro a março.
Agora, a queda deve ser maior e pode chegar a 2% em relação
ao quarto trimestre de 2008”, calcula o economista-chefe da MB
Associados, Sérgio Vale.
Para Vale, o desempenho fraco
da indústria, com redução de 17% em fevereiro em
relação ao mesmo mês do ano passado, reforça
sua avaliação de que o Brasil está em recessão.
Segundo ele, uma recessão ocorre quando é registrado um
brusco movimento de retração do nível de atividade. “O
PIB cresceu quase 7% no terceiro trimestre de 2008 ante o mesmo período
de 2007, mas desacelerou de forma violenta no quarto trimestre. De outubro
a dezembro, o indicador subiu apenas 1,3% ante o mesmo período
do ano anterior e caiu 3,6% na margem”, comentou.
Vale ressaltou que a produção
industrial no Brasil não avança como deveria porque a economia
mundial passa pela pior contração desde a Grande Depressão
dos anos 30. Diante de um quadro de forte desaceleração
da economia, ele acredita que o Banco Central deve repetir a redução
dos juros em 1,5 ponto porcentual no dia 29 de abril, quando deve levar
a taxa para um dígito: 9,75% ao ano. “Como o BC está preocupado
com o nível de atividade e a inflação não
chama a atenção no momento, pode ser que em junho a taxa
baixe e atinja uma marca próxima a 8,5%”, disse.
Banco Central
O resultado da indústria
em fevereiro ficou abaixo do esperado, mas está dentro do cenário
de recuperação gradual da economia, segundo avaliou uma
fonte do Banco Central. Nos bastidores, o BC esperava um número
um pouco acima de 2%. Para essa fonte, os dados não permitem descartar
a possibilidade de recessão técnica (dois trimestres seguidos
de queda no PIB), mas pondera que o PIB depende de outros fatores, como
a agricultura, que é muito volátil.
“Olhando-se só para
a indústria, o dado reforça o cenário de recessão
técnica. Mas não se pode olhar só para isso. É preciso
aguardar”. Para esse integrante da equipe econômica, a
recuperação industrial mais forte deve começar
a se desenhar a partir do segundo trimestre. Um indicador importante,
diz, é a melhora na confiança do empresariado. “Esse
indicador mostra uma recuperação consistente”,
disse.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
02 de abril de 2009 | Dinheiro
CÚPULA GLOBAL
Brasil diz que G20 dará US$
1 tri contra crise
Ministros afirmam que dinheiro será canalizado
para órgãos multinacionais como FMI e Banco Mundial
a fim de estimular economias | Lula diz que país pode elevar
suas contribuições ao Fundo mesmo antes de obter mais
poder no órgão e se medida não reduzir reservas
PEDRO DIAS LEITE
ENVIADO ESPECIAL A PARIS E A LONDRES
O encontro dos países
do Grupo dos 20 deve fechar um acordo para injetar US$ 1 trilhão
em instituições multilaterais como o FMI e o Banco Mundial
a fim de combater os efeitos da crise global, disseram ontem os ministros
da Fazenda, Guido Mantega, e das Relações Exteriores, Celso
Amorim.
Esse valor, não confirmado por outras fontes, equivale a dois terços
de tudo o que a economia brasileira produziu em 2008 (PIB de cerca de US$ 1,5
trilhão) e é quatro vezes o que o FMI tem disponível atualmente
para ajudar economias em problemas (US$ 250 bilhões). O valor é muito
maior do que o que vinha sendo discutido -na versão do documento final
que vazou no início da semana, os valores estavam com um x.
Os ministros faziam parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, que almoçou em Paris com o colega francês, Nicolas Sarkozy,
antes de pegar um trem de alta velocidade para Londres, uma viagem de duas
horas e 20 minutos.
Lula amenizou sua posição em relação à reforma
do FMI e admitiu pela primeira vez que o país pode injetar dinheiro
no Fundo agora, para discutir mudanças que lhe garantam mais poder só depois.
" A reforma do FMI é uma coisa. Precisamos separar as coisas. Uma
coisa é a discussão emergencial para retomar a atividade econômica
e normalizar o mundo. Outra coisa é que você tem mais tempo, que é mudar
as regras de funcionamento das instituições multilaterais. Isso
não precisa ser amanhã. Pode ser daqui a um, dois, quatro meses",
disse o presidente.
Tanto Lula quanto Mantega não disseram de quanto pode ser a contribuição
do Brasil.
Lula deve usar a possível injeção de dinheiro para tentar
aumentar a projeção do país no cenário internacional
e "falar de igual para igual" com os países mais poderosos. "Se
for necessário colocar dinheiro como empréstimo, desde que não
diminua nossas reservas, não tem problema", disse. Hoje, o país
tem cerca de US$ 200 bilhões em reservas internacionais.
" O Brasil não vai agir como se fosse um paisinho pequeno sem importância.
Se o Brasil quiser ser grande, o Brasil tem cacife para colocar dinheiro emprestado
para ajudar países pobres", completou.
Emergentes
Sentado de frente para Lula no trem, Mantega defendeu que o dinheiro injetado
no FMI para ajudar economias em dificuldade seja direcionado para os países
emergentes, porque "não dá para disseminar dinheiro".
O ministro da Fazenda defendeu que parte da injeção, por meio
de um mecanismo chamado Direitos Especiais de Saque (SDR) e que estaria à disposição
de todos os países que integram o Fundo, seja exclusivamente para os
emergentes.
Apesar de Lula ter deixado claro que a prioridade agora é deixar o Fundo
mais poderoso, para depois discutir a reforma, o ministro voltou a defender
que "não podemos trabalhar com as velhas regras do jogo" e
que são necessárias "novas regras para que o Brasil também
seja protagonista".
Hoje, os países desenvolvidos têm muito mais poder de voto que
emergentes, numa distorção em relação ao tamanho
de algumas economias. Um dos exemplos mais citados é o da China, terceira
maior economia do mundo, que tem menos poder no órgão do que
a pequenina Bélgica.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
02 de abril de 2009 | Dinheiro
"Reunião será difícil
porque cada um pensa no seu país", diz Lula
DO ENVIADO ESPECIAL A PARIS E A LONDRES
A negociação do
G20 não pode ser na base do "dá ou desce", disse
ontem o presidente Lula, que admitiu que ainda havia divergências
entre os líderes das principais economias do mundo à véspera
do encontro para tentar estimular a economia global e criar novas regulações
dos mercados.
" Será uma reunião entre amigos, mas uma reunião difícil,
porque nem todos os amigos estão pensando igual neste momento, cada um
está pensando no seu povo, no seu país", disse Lula, em declaração
ao lado do colega Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu, sede do governo
francês.
Mais tarde, em entrevista no trem Paris-Londres, Lula disse que não
pretende seguir o exemplo do colega francês, que ameaçou deixar
a reunião caso o G20 não chegue a propostas concretas contra
a crise.
" Você não faz negociação com o pé na
parede, dá ou desce, existe uma negociação. (...) Não
há concordância sobre todos os temas, então temos de discuti-los
até encontrar uma solução. (...) O que não pode é imaginar
que essa reunião possa terminar sem decidir nada porque eu penso que ela
começa a cair na descrença da sociedade", disse Lula. "E
o que está acontecendo no mundo não pode esperar mais uma reunião
daqui a mais quatro meses."
Após ter colocado a culpa na crise nos "brancos de olhos azuis",
Lula voltou a cobrar dos países ricos mais respostas para a crise. "É a
primeira vez que sentamos em igualdade de condições. O que é importante é que,
se os países ricos resolverem seus problemas, já é meio
caminho andado", afirmou.
Apesar de aproveitar várias oportunidades para criticar especialmente
os EUA, Lula disse que não adianta ficar buscando culpados e que o importante é resolver
o problema: "Eu encontrei um cidadão moribundo, baleado. Não
vou ficar tentando saber quem deu o tiro, onde está a bala. Vou tentar
levá-lo para o hospital para tentar salvá-lo. Depois a gente
discute o resto", afirmou.
Lula tem adotado discurso de defensor das economias mais pobres, posição
que tem sido destacada tanto pelos governantes dos países ricos quanto
pela mídia europeia e americana. O encontro de hoje do G20 será mais
uma oportunidade para reforçar a estratégia. (PDL)
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GAZETA DO POVO, 02 de abril
de 2009 | Vida Pública
Queda na arrecadação
Prefeitos querem perdão de dívidas
do INSS por 6 meses
Em encontro promovido pela oposição,
gestores municipais também pedem recursos do Fundo Soberano
para recompor as perdas dos repasses federais
Publicado em 02/04/2009 | BRASÍLIA
- Agência Estado
Em encontro realizado ontem na
Câmara dos Deputados, prefeitos discutiram reações
técnicas e políticas à redução de
R$ 2,1 bilhões no Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). Por unanimidade, acertaram com o líder do DEM, deputado
Ronaldo Caiado (GO), a apresentação de uma emenda à Medida
Provisória 459, que decreta moratória de seis meses do
pagamento das dívidas das prefeituras com o INSS.
Os prefeitos querem que, durante
o período em que os pagamentos ficarem suspensos, seja feita uma
auditoria geral das dívidas com a Previdência. A MP 459
cria o plano habitacional do governo, que pretende construir um milhão
de casas populares para famílias com renda de até 10 salários
mínimos, em municípios com mais de 100 mil habitantes.
O encontro na Câmara foi organizado
por partidos da oposição e presidido por Caiado. Teve,
no entanto, a presença de prefeitos de partidos da base do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O governo está fazendo
graça com o chapéu alheio. As prefeituras vão ter
de demitir servidores. O PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento) não vai caminhar sem as prefeituras, que não
têm como dar contrapartidas, porque estão falidas”,
protestou Romeu Gonçalves O prefeito de Água Fria de Goiás,
João de Deus (PPS), reforçou as reclamações: “Temos
de reagir ao massacre. Temos que exigir do presidente Lula que não
faça política com os municípios. Ele usou a gente
para declarar Dilma candidata a presidente e agora está botando
dinheiro nas ONGs do MST.” João de Deus se referiu ao encontro
com prefeitos promovido pelo governo federal em fevereiro, quando foi
anunciado um “pacote de bondades” para os municípios,
no qual a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, estava presente.
Congelar despesas, enxugar o
custeio da máquina e, em última instância, até dar
calote em fornecedores são algumas soluções que
as capitais, sobretudo as menores, adotaram ou avaliam por causa do corte
do fundo. O secretário de Finanças de Boa Vista, Getúlio
Cruz, explica que 50% da receita local vem do FPM, que teve queda de
11% em fevereiro e 19% em março, em relação a 2008. “É um
golpe”, resume. Ele afirma que, se os repasses continuarem a minguar,
a prefeitura terá de se endividar e até deixar de pagar
fornecedores.
Os partidos de oposição – PSDB,
DEM e PPS – entregam hoje, às 11 horas, ao presidente da
Câmara, Michel Temer (PMDB), três propostas para reduzir
o impacto da crise econômica nos municípios, de acordo com
informações divulgadas ontem pelo PSDB.
A primeira proposta libera os
municípios para contrair novas dívidas dentro dos limites
fixados pelo Senado Federal. Hoje, por determinação do
Conselho Monetário Nacional (CMN), estes limites são inferiores
aos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Outro projeto autoriza a União
a emitir papéis da dívida pública para complementar
a perda de receita que Estados, municípios e Distrito Federal
têm tido por causa da queda de arrecadação e consequente
diminuição dos repasses do Fundo de Participação
dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). O último projeto prevê que recursos do Fundo Soberano
também poderão ser usados na suplementação
de recursos aos municípios.
O líder do DEM,
Ronaldo Caiado, explicou aos prefeitos que projetos de lei e emendas à Constituição
demoram muito a ser apreciadas e, por isso, foi decidido apresentar
emendas à medida provisória do plano habitacional. A
oposição reconhece a dificuldade de aprovar as mudanças
e pediu mobilização dos prefeitos. “Os prefeitos
estão com as prefeituras fechadas. Projeto de lei e projeto
de emenda constitucional duram de um ano a dois anos (até serem
votados), não vão resolver o problema de vocês.
Temos que fechar hoje as emendas à MP. E estejam aqui no momento
em que formos votar a MP, vejam o comportamento de cada parlamentar”,
conclamou o líder do DEM.
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AGÊNCIA CÂMARA,
02 de abril de 2009
CCJ aprova promulgação
da PEC que aumenta número de vereadores
Jorge Campos
A decisão dos integrantes da CCJ ainda precisa ser aprovada pelo Plenário
por maioria simples - metade mais um dos presentes.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ) aprovou, nesta quarta-feira, relatório do deputado Flávio
Dino (PCdoB-MA) favorável à promulgação do aumento
imediato do número de vereadores no País - dos atuais 51.748
para 59.791, conforme prevê a chamada PEC dos Vereadores (333/04).
O parecer da comissão
será submetido ao Plenário, podendo ser aprovado por maioria
simples (metade mais um dos presentes). Nesse caso, a Câmara ficaria
obrigada a promulgar a PEC.
Entretanto, um acordo entre as
direções das duas Casas legislativas prevê que esse
assunto só será levado ao Plenário da Câmara
depois que o Senado se manifestar sobre os gastos das câmaras municipais.
Em dezembro passado, o Senado
aprovou a PEC 333/04, originária da Câmara, mas retirou
do texto o limite de gastos com as câmaras municipais. A Mesa Diretora
da Câmara decidiu então não promulgar a proposta,
por entender que o texto havia sido modificado de forma substancial.
Essa decisão da Mesa foi questionada pelo deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB-SP), que apresentou recurso para que a CCJ se manifestasse.
Assuntos
separados
Em seu relatório, Flávio Dino argumenta que os dois temas - aumento
na quantidade de vereadores e redução de despesas das câmaras
municipais - são "dissociáveis", o que obrigaria a
Câmara a promulgar o que foi aprovado pelo Senado.
Para o deputado do Maranhão,
mesmo que o Congresso não aprove o trecho original da PEC que
reduz os gastos das câmaras municipais, esses custos não
aumentarão porque são atrelados, pela Constituição, à população
de cada município.
"Não há óbice
para a promulgação. Se fosse separado também tinha
sido aprovada. O que me parece é que o pessoal se arrependeu do
que votou e quer revogar uma decisão do plenário",
afirmou Dino.
O deputado José Genoíno
(PT-SP) destacou que o aumento do número de vereadores só passou
na Câmara por estar vinculada à redução de
repasse. "Somos favoráveis ao aumento da representação
das câmaras municipais, mas precisamos fazer de uma forma correta".
Golpe
Já o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) classificou de "golpe" a
aprovação do relatório de Flávio Dino. Na sua avaliação,
isso colocará em risco a decisão do Plenário da Câmara.
"A decisão da CCJ,
na prática, foi um golpe, porque obriga a Câmara a aprovar
com maioria simples [no caso do relatório de Flávio Dino]
o que deveria ser analisado com quorum qualificado [3/5 dos deputados,
conforme a tramitação de PECs]", acusou.
Para evitar conflitos semelhantes,
o deputado Roberto Magalhães (DEM-PE) sugeriu a apresentação
de uma PEC que impeça uma Casa de "fatiar" algo aprovado
de forma integral em outra.
Flávio Dino argumentou
que em outras ocasiões - votação das reformas administrativa,
judiciária e da Previdência - o expediente de separação
de temas foi adotado, sendo posteriormente reiterado pelo Supremo Tribunal
Federal.
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AGÊNCIA DIAP, 02 de
abril de 2009 | Artigos
Centrais defendem fim do fator previdenciário
Movimento sindical pede fim da regra que
penaliza os trabalhadores no momento da aposentadoria ao reduzir
os benefícios por tempo de contribuição. A CFT
realiza novo debate nesta quinta-feira (2), com técnicos do
Governo e representantes da sociedade civil
Alysson Alves*
Na segunda audiência pública
que discute a proposta de acabar com o fator previdenciário, as
centrais sindicais foram unânimes em defender o fim da regra que
penaliza os trabalhadores no momento da aposentadoria ao reduzir os benefícios
por tempo de contribuição a cargo do INSS.
Trabalhadores e lideranças
sindicais lotaram o plenário 4 das comissões permanentes
da Câmara para colaborar com a discussão sobre o PL 3.299/08,
do senador Paulo Paim (PT/RS), que acaba com o famigerado fator e que
estabelece que as aposentadorias por tempo de contribuição
do Regime Geral da Previdência Social tenham como base as 36 últimas
contribuições.
Foram convidados e participaram
ativamente dos debates sete centrais sindicais, uma representação
dos aposentados e dos fiscais das contribuições previdenciárias,
que não vacilaram em combater a regra criada há dez anos
com o intuito de retardar as aposentadorias, mas que tem provocado tão
somente a redução dos benefícios e prejudicado enormemente
o assalariado no momento em que mais precisa de assistência: a
melhor idade, acompanhada do direito à aposentadoria.
Fator é desumano
Quem primeiro discursou contra o fator previdenciário foi o secretário-geral
da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Francisco Canindé Pegado,
que disse ser o "fator uma regra desumana por precarizar as aposentadorias
dos trabalhadores".
Ainda segundo Pegado, "desde
18/11/1999, data em que entrou em vigor o fator, a única conquista
alcançada é a economia insignificante de recursos, que
propiciou apenas a redução do suposto déficit das
contas da Previdência".
Pegado defendeu também
a revisão de todas as aposentadorias concedidas após a
criação do fator para que as reduções sejam
compensadas. Essa medida não está prevista no projeto original
e tampouco na primeira versão do substitutivo elaborado pelo relator,
deputado Pepe Vargas (PT/RS).
Origem
do fator
Ao fazer um breve histórico da criação do famigerado fator
previdenciário, o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
(CGTB), Antônio Neto, disse que a regra foi criada logo após o
Governo FHC ter sido derrotado na intenção de instituir a idade
mínima para as aposentadorias.
No entendimento de Neto, a regra
do fator não cumpriu as finalidades para as quais foi criado já que
os números demonstram que o trabalhador tem optado por se aposentar
mesmo tendo grande redução do benefício.
"Para conquistar 100% do
benefício, o trabalhador deve permanecer na ativa e contribuindo
por mais 13 anos além do tempo de 35 anos de contribuição,
se homem, e 30 anos, se mulher", disse. E continou: "A economia
de mais de R$ 10 bilhões até 2007 serviram para ampliar
o superávit primário mantido pelo Governo".
Caso seja confirmada a tendência
da não extinção total do fator previdenciário,
a CGTB defendeu e apresentou as seguintes propostas: 1) criação
de um bônus de até 20% para o trabalhador que permaneça
trabalhando e contribuindo com a Previdência após ter cumprido
as exigências para a aposentadoria por tempo de contribuição;
2) que ao invés da fórmula 95, seja aplicada o fator 90
(resultado da soma do tempo de contribuição com a idade
do trabalhador); e 3) que o cálculo do benefício seja o
correspondente à soma de 60% das maiores contribuições.
Lógica
do fator
Ao discursar, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP), explicou a lógica do fator previdenciário. "Pega
o salário do trabalhador, multiplica por zero, depois tem uma vírgula
que reduz em 45% a aposentadoria do homem e 40% o benefício da mulher,
simples".
Como alternativa para o fim do
fator, Paulinho disse ser favorável à regra 95 ou 90, desde
que seja garantido o direito de aposentadoria para quem cumpra 35/30
anos de contribuição. Ele defendeu também que seja
eliminada a tabela de expectativa de vida divulgada todos os anos pelo
IBGE já que "essa engenhoca tem feito com que a cada ano
o trabalhador perca 56 dias de contribuição".
Diante da constatação
de que no Brasil a rotatividade da mão-de-obra é intensa,
pois metade da força de trabalho perdeu o emprego em 2008, Paulinho
disse que ao invés da média das 36 últimas contribuições,
que penaliza o trabalhador, o cálculo da aposentadoria por tempo
de contribuição seja baseado nas 80 maiores contribuições
realizadas desde 1994.
Só aos
63 anos e 4 meses o benefício é 100%
Ao reforçar o entendimento de que o fator previdenciário foi
criado durante a reforma da Previdência no Governo FHC, o presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, disse que
a discussão da aposentadoria deve ser precedida pela extinção
da regra, criada em 1999.
Segundo Arthur, após a
criação do fator, o trabalhador para garantir o recebimento
de 100% do benefício deve contribuir durante 63 anos e 4 meses,
motivo pelo qual o assalariado tem optado pela aposentadoria reduzida.
Quanto à proposta de instituição
do fator 95, disse que em razão da grande maioria dos trabalhadores
terem renda menor e sofrerem os malefícios do desemprego, dificilmente
cumprirão as exigências para recebimento do benefício.
Defendeu também que a base de cálculo das futuras aposentadorias
do Regime Geral de Previdência Social por tempo de contribuição
seja 60% da média das últimas contribuições.
Fator é injustiça
Para o secretário-geral da Confederação Brasileira de
Aposentados e Pensionistas (Cobap), Moacir Meirelles de Oliveira, "o fim
do fator previdenciário é questão de justiça já que
o impacto dos recursos arrecadados são insignificantes frente aos enormes
prejuízos causados aos aposentados".
Meirelles também destacou
o fato de o projeto do fator ter sido aprovado por unanimidade no Senado
e o seu mérito não foi questionado pelos senadores tampouco
pelos deputados que integram a Comissão de Seguridade Social e
Família da Câmara dos Deputados.
"Cabe à Comissão
de Finanças e Tributação analisar a compatibilidade
financeira e orçamentária da proposta, motivo pelo qual
a Cobap é tão somente favorável ao texto aprovado
no Senado e que põe fim ao fator previdenciário".
Fim do
fator só ameniza prejuízos
Ao defender com veemência o fim do fator previdenciário, o secretário
de relações institucionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil (CTB), Joilson Cardoso, disse que mesmo sem a regra os assalariados
vão continuar prejudicados, já que a aposentadoria não
vai corresponder à totalidade das contribuições efetuadas.
"A CTB não concorda
com as propostas apresentadas, em especial o fator 95/85, por ter embutida
a instituição da idade mínima para a aposentadoria
dos trabalhadores regidos pela CLT (Consolidação das Leis
do Trabalho). Defendemos a aprovação do projeto original
do Senado para que haja o mínimo de justiça possível
com os trabalhadores que cumprem as exigências de aposentadoria".
O indicativo do Governo de que
vetará o fim do fator previdenciário caso o texto seja
aprovado em sua versão original não deve ser motivo de
preocupação, pois, segundo Joilson, a origem sindical do
presidente Lula aliada à realização das eleições
gerais de 2010 devem ser analisadas pelo Executivo no momento da sanção
ou rejeição da matéria".
Previdência
superavitária
Ao falar sobre o fator previdenciário, a presidente da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Assunta
Di Dea Bergamasco, reforçou o entendimento que a Previdência Social é superavitária
e, portanto, o déficit por muitos propalado é uma grande falácia.
"Temos a obrigação
de fiscalizar os recursos arrecadados pela Previdência e a sua
aplicação. Desde 1988 a arrecadação é suficiente
para arcar com todas as despesas da Previdência, tendo apresentado
superávit de mais de R$ 52 milhões, mesmo o montante proveniente
da Contribuição Provisória Sobre a Movimentação
Financeira (CPMF), que foi extinta".
Ainda segundo Assunta, "mais
de 68% dos benefícios concedidos de 1999 a 2008 correspondem a
um salário mínimo, 13% recebe entre um e dois pisos e apenas
6% recebe acima de 4 salários mínimos".
Ao finalizar sua participação,
Assunta deu o exemplo de um trabalhador que tendo cumprido 35 anos de
contribuição, idade de 53 anos e um salário de R$
2.000 por mês, vai ter o benefício de R$ 1.358, uma redução
de 47,3% se considerada a média das 80 maiores contribuições.
Previdência
privada não adota o fator
Ao sustentar o fim total e irrestrito do fator, o diretor de Seguridade Social
da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), Celso Amaral, disse que
nem mesmo os gestores da previdência privada adotam a regra, tão
perniciosa.
"É necessário
extinguir o fator para não mais empobrecer o trabalhador. Não
seria melhor acabar com as renúncias fiscais ao invés de
impor a conta da crise e do déficit apenas nas aposentadorias
dos trabalhadores?", questionou e sugeriu o representante da Nova
Central.
E continou: "a proposta
que mescla a exigência do tempo de contribuição com
a idade mínima de 60 anos não atende aos interesses dos
trabalhadores, motivo pela qual deve ser aprovado o projeto original
de autoria do senador Paulo Paim".
Desmistificação
da aposentadoria rural
Ao pedir para falar no colegiado, a secretária de políticas sociais
da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag),
Alessandra Lunas, disse que é necessário desmistificar os entendimentos
em torno da aposentadoria rural.
"Não são os
trabalhadores rurais os responsáveis pelo déficit da Previdência. É também
falso o argumento de que a contribuição rural não
existe, pois ela tem como base a produção. Falta, talvez,
fiscalização para que a totalidade das contribuições
dos trabalhadores cheguem à Previdência e custeiem o pagamento
das aposentadorias dos trabalhadores rurais".
O ideal
e o possível
Após ouvir os debatedores, o relator do projeto, deputado Pepe Vargas
(PT/RS), disse que a matéria não trata de uma nova reforma da
Previdência, mas tão somente de acabar com a redução
da aposentadoria por tempo de contribuição e estabelece que a
média do benefício corresponda às 36 últimas contribuições.
Acontece, segundo Vargas, que
a proposta original do senador Paulo Paim não atende aos interesses
dos trabalhadores já que os contribuintes de maior poder aquisitivo
poderão deixar para aumentar a base da contribuição
apenas nas 36 últimas contribuições, que será a
base de cálculo, e dessa forma inviabilizar a manutenção
da Previdência Social Pública.
Ainda segundo Vargas, a média
das 36 últimas contribuições também não
atende aos anseios dos trabalhadores de menor renda, grande maioria dos
brasileiros, que sofrem com a perda constante do emprego e acabam por
contribuir pouco para a obtenção da aposentadoria. "A
média deve ser longa para não prejudicar tanto o trabalhador",
defendeu.
Vargas refutou os argumentos
apresentados na semana passada pelas entidades patronais de que o orçamento
público é pressionado pelo gasto social e achata os investimento
em infra-estrutura. "O investimento no social é pequeno.
O argumento de que a Previdência é deficitária também
não é de todo verdadeiro, pois no curto prazo não
apresenta déficit, poderá ser no futuro".
Alternativas
Diante do cenário que o Governo considera injusto a aplicação
do fator, mas não concorda com a extinção total da regra,
Vargas sustentou a necessidade de aprovação de uma alternativa,
pois do contrário o veto do Governo vai representar a continuidade da
redução dos benefícios nos moldes existentes atualmente.
"O fator 95/85, o 80 ou
outro que vier a ser criado não vai corrigir todas as desigualdades
e problemas da Previdência, mas temos o dever de pensar em uma
alternativa já que a taxa de natalidade tem diminuído,
a população economicamente ativa não vai aumentar
expressivamente e o e envelhecimento das pessoas não deve ser
olhado como problema. É bom envelhecer, mas que seja com qualidade
de vida e que garantamos a aposentadoria das futuras gerações".
Continuidade
dos debates
Ainda nesta quinta-feira (2), às 10h, a Comissão de Finanças
e Tributação vai dar continuidade aos debates sobre a proposta
de fim do fator previdenciário. Serão ouvidos técnicos
do Governo e de entidades da sociedade civil.
Os debates, além de subsidiarem
o relator na formulação do parecer, servirão para
a elaboração de uma publicação que será elaborada
pelo colegiado.
(*) Jornalista e assessor parlamentar
do Diap
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
02/04/2009
Homologação de acordo pelo
juiz não é obrigatória
A Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
ordinário em agravo regimental da JBS S.A. relativo a não-homologação,
em primeira instância, de acordo realizado com um ex-empregado.
Segundo o ministro Barros Levenhagen, relator do recurso na SDI-2,
os processos submetidos à apreciação da Justiça
do Trabalho estão sempre sujeitos à conciliação.
Porém, disso não se deduz “a obrigatoriedade de
o juiz homologar acordo celebrado entre as partes, podendo não
fazê-lo, por cautela”, concluiu o relator.
O recurso foi interposto porque a Justiça
do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP) indeferiu mandado
de segurança impetrado pela JBS, que alegou ilegalidade do ato
da juíza do Trabalho que se absteve de homologar acordo firmado
entre as partes, com o objetivo de manter realização
da perícia já designada. A empresa argumentou que a transação
foi pactuada sem vícios, e que foi violado o direito líquido
e certo das partes à homologação de avença
livremente firmada no curso da reclamação.
Para o ministro Levenhagen, a homologação
do acordo foi indeferida porque o conflito se referia às condições
do ambiente de trabalho, e a juíza registrou ser necessária
prévia intervenção do Ministério Público.
De acordo com o relator, “diante do fundamento da decisão,
e não consistindo a homologação de acordo em obrigação
do julgador”, não haveria direito líquido e certo
a ser protegido na ação.
O trabalhador foi dispensado em novembro de
2006, após 21 anos de serviços prestados à empresa
como servente. Na reclamação trabalhista em que pedia
adicional de insalubridade em grau máximo, entre outras verbas,
contou que trabalhava em locais de intenso calor e ruído sem
equipamentos de proteção individual. Na audiência,
a Vara do Trabalho de Barretos (SP) verificou que tramitavam ali 250
processos contra a JBS, todos com o mesmo objeto – as condições
insalubres no local de trabalho. O juízo determinou então
a realização de laudo pericial de insalubridade em todos
os setores da empresa, e não apenas no setor onde trabalhava
o autor – o de cozimento/enlatamento para o mercado interno,
para que o laudo pudesse ser usado como prova também nas demais
reclamações. Os autos ficaram suspensos, aguardando a
perícia.
Em março de 2008, a JBS firmou acordo
de R$ 10 mil com o servente, com o pagamento condicionado à homologação
de acordo. Em abril de 2008, o perito foi impedido de entrar na empresa,
e o Ministério Público do Trabalho solicitou intervenção,
que foi deferida. O juízo de primeira instância, então,
não homologou o acordo, por entender ser necessária prévia
intervenção do Ministério Público, pois
a transação poderia ser lesiva ao interesse do trabalhador.
( ROAG-700/2008-000-15-40.2)
(Lourdes Tavares)
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02/04/2009
TST afasta reflexos de horas extras e adicional
não requeridos pela parte
Para que o reconhecimento de
determinados direitos trabalhistas surta efeito sobre as demais parcelas
salariais é necessário que a ação movida
pelo trabalhador contenha pedido expresso quanto aos reflexos. A condenação
do empregador ao pagamento de reflexos sem que o efeito tenha sido pleiteado
constitui julgamento ultra petita (ou extra petita), ou seja, situação
que ocorre quando a decisão judicial ultrapassa o interesse manifestado
pela parte na ação. A decisão é da Segunda
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro José Simpliciano
Fernandes, e favorece a indústria de embalagens Videplast Ltda.,
de Santa Catarina, que teve seu recurso acolhido na parte em que questionou
a condenação.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC) manteve a sentença que condenou
a indústria ao pagamento de reflexos decorrentes das horas extras
e do adicional de insalubridade (por exposição a gás
ozônio no local de trabalho) reconhecidos judicialmente. Foram
deferidos reflexos das horas extras em repousos, férias e abono,
gratificação natalina, FGTS e multa de 40%, bem como do
adicional de insalubridade em férias e abono, gratificação
natalina, FGTS e multa de 40%. Segundo o TRT/SC, o valor das horas prestadas
habitualmente integra a base de cálculo dos haveres trabalhistas,
assim como o adicional de insalubridade, enquanto for recebido.
No recurso ao TST, a defesa da
empresa sustentou que a decisão importou em julgamento extra petita,
porque os reflexos das horas extras e do adicional de insalubridade não
foram pedidos pela autora da ação e, por isso, seu pedido
deveria ter sido interpretado restritivamente. A empresa questionou o
entendimento do TRT/SC de que, por constituírem “verdadeiras
verbas acessórias”, seu deferimento nos termos previstos
em lei não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, uma vez
que “a obrigação acessória acompanha a mesma
sorte da parcela principal”.
Ao acolher o recurso neste tópico,
o ministro Simpliciano Fernandes afirmou que a condenação
ao pagamento de reflexos sem pedido expresso viola dispositivos do Código
de Processo Civil (CPC, artigos 128 e 460). “Os limites da lide
são fixados pelo pedido do autor, que, no caso, deixou de requerer
a condenação ao pagamento de reflexos. Dessa forma, a decisão
por meio da qual se condena a empresa ao pagamento de reflexos sem a
realização de pedido expresso na petição
inicial, importa em julgamento ultra petita”, afirmou o relator.
O recurso foi parcialmente acolhido para que sejam excluídos da
condenação os reflexos deferidos pelas instâncias
ordinárias da Justiça do Trabalho catarinense. ( RR 458/2001-020-12-00.7)
(Virginia Pardal)
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02/04/2009
Indenização em período
de estabilidade só cabe quando não é possível
reintegrar
O pagamento de indenização
por demissão em período de estabilidade provisória
só deve ocorrer quando não for possível a reintegração.
Com este fundamento, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
manteve a decisão da Justiça do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) que determinou a reintegração ao trabalho
de uma empregada da empresa paulista Pepsico do Brasil demitida e indenizada
porque estava de licença médica. A demissão, nesse
caso, somente poderia ocorrer se a trabalhadora estivesse incapacitada
para retornar ao emprego, confirmou a ministra Kátia Magalhães
Arruda, encarregada de examinar o recurso da empresa no TST.
A trabalhadora foi demitida em
fevereiro de 1999, e usufruía de auxílio-doença
acidentário até março de 1999. Ao julgar a reclamação
trabalhista da empregada, o juiz do primeiro grau verificou que as informações
da perícia médica justificavam o pedido dela de retorno à empresa,
em função compatível com a sua capacidade física,
e condenou a empresa a pagar salários e demais vantagens desde
a dispensa até a efetiva reintegração. Não
teve sucesso a contestação empresarial de que a empregada
foi devidamente indenizada pelo período estabilitário.
O TRT de Campinas confirmou a
sentença, ao entendimento de que “a indenização
correspondente à estabilidade é irrelevante, pois o pagamento
da indenização deve ocorrer somente quando não existir
possibilidade de reintegração, hipótese que não
se configura nos autos”. A Pepsico recorreu ao TST, mas os ministros
da Quinta Turma entenderam, unanimemente, que não havia nada a
ser modificado na decisão regional. ( RR-944-1999-018-15-00.7)
(Mário Correia)
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