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AGÊNCIA
DIAP, 03 de abril de 2009
Debates: crise no Brasil não impede
reajuste dos salários, diz Dieese
Nesse período, de crise
mundial e em alguns setores no Brasil, é possível sim
avançar nas negociações coletivas e estabelecer
percentuais de reajuste salarial acima da inflação.
A afirmação é do
técnico do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Álvaro
Cardoso, que esteve em Campo Grande (MS) para a 2ª Jornada Nacional
de Debates sobre o tema: Negociações coletivas em um
contexto de crise.
O encontro contou com mais
de 200 lideranças de sindicatos e federações de
trabalhadores da capital e das regiões de Dourados, Três
Lagoas, Ponta Porá, Corumbá, Aquiduana, Miranda, Paranaíba
e Coxim, entre outras.
Esse trabalho do Diesse foi
realizado em parceria com as centrais sindicais filiadas ao departamento.
São elas: Força
Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Conlutas,
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical dos Trabalhadores
(NCST) e União Geral dos Trabalhadores (UGT).
Os sindicalistas lotaram o
auditório do Sindicato dos Empregados no Comércio de
Campo Grande, onde foi realizado o debate. O técnico do Dieese
explicou que os sindicalistas não podem perder de vista alguns
pontos importantes na hora de negociar as novas convenções
coletivas.
Segundo ele, as negociações
de hoje devem ser com base no bom desempenho dos setores no ano passado.
Para José Álvaro Cardoso, os dados macroeconômicos
no Brasil são favoráveis a uma negociação
justa com os trabalhadores.
Este ano o Brasil deverá apresentar
um crescimento entre 0,5% a 1%, que apesar de pequeno ainda é positivo.
Bem diferente da situação
de inúmeros países que deverão apresentar números
negativos. José Álvaro Cardoso disse ainda que as contas
públicas estão sob controle e isso ajuda muito a situação
do país num período como este, de turbulência.
"Além desses itens,
os sindicalistas devem fazer uma análise dos dados referentes
ao setor que estão negociando", comentou José Álvaro
Cardoso.
Segundo ele, muitos sindicalistas
estão usando como parâmetro para reajuste para suas categorias
o percentual que o governo federal usou para aumentar o salário
mínimo, que foi de 12%. "Esse percentual é justo
e muitos segmentos de nossa economia poderiam concedê-lo sim
a seus trabalhadores", comentou.
O presidente estadual da Força
Sindical, Idelmar da Mota Lima, presidente também a Federação
dos Trabalhadores no Comércio de Mato Grosso do Sul (Fetracom),
saiu do debate satisfeito com os resultados.
Disse que as informações
do Diesse ajudaram muito a esclarecer diversos pontos. "Passamos
a ampliar nosso leque argumentos para o momento das negociações",
comentou.
O representante da CTB (Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Ricardo Martinez Froes,
que preside o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino
de Mato Grosso do Sul (Sintrae/MS), também enalteceu o trabalho
do Dieese.
"O evento foi muito oportuno.
Pois estamos em plena negociação salarial e as dicas
e informações que nos foram repassadas vão nos
ajudar", comentou.
O presidente da CUT, Alexandre
Costa, também enalteceu a apresentação do Dieese.
Ele disse que os dados e estatísticas apresentadas podem ajudar
o movimento sindical na mesa de negociação.
"Os argumentos dos
sindicatos serão melhorados com essas novas informações
do Dieese", comentou. (Fonte: MS Notícias, no blog O
outro lado da notícia)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
abril de 2009
67% dos autônomos admitem que
situação dos formais é melhor
A maioria dos trabalhadores autônomos do País, no caso, 95% estão
satisfeitos com o seu trabalho no mercado informal. Apesar disso, 67% destes
profissionais admitem que a situação dos trabalhadores formais é melhor
do que a dos informais.
Estes dados fazem parte da Pesquisa
de Opinião MEI, encomendada pelo Sebrae Nacional para apontar
as impressões dos autônomos e trabalhadores informais em
relação à figura jurídica do Microempreendedor
Individual (MEI), criada a partir da Lei Complementar 128/08.
As entrevistas foram realizadas
no período de 20 de fevereiro a 9 de março com 534 trabalhadores
informais e autônomos, sendo 50% homens e 50% mulheres, compreendidos
na faixa etária entre 20 e 49 anos, a maioria com Ensino Médio
completo e distribuídos em todas as regiões brasileiras.
Os benefícios
do MEI
Conforme publicado na Agência Sebrae, entre os entrevistados, 81% desconhecem
os benefícios do trabalho formal, enquanto 17% afirmaram que sabem das
vantagens para quem está à frente de um pequeno negócio
formalizado. Já 75% dos microempreendedores afirmaram que não
têm medo de se formalizar.
Quando indagados sobre os benefícios
que a formalização pode proporcionar, 32% dos entrevistados
acreditam que ela irá facilitar o acesso a crédito bancário.
Já 18% apontaram como a principal vantagem a aposentadoria por
idade ou invalidez. Para 14%, o principal benefício de deixar
de ser autônomo é ter o CNPJ e 9% indicaram o seguro de
acidente de trabalho como diferencial.
Por outro lado, entre os motivos
que causam mais receio na abertura de um pequeno negócio formal,
o medo do negócio não dar certo foi apontado por 5% dos
entrevistados. Já 4% ressaltaram a fobia de abrir e manter o negócio
e arcar com as dívidas, outros 4% citaram os altos impostos, taxas
e fiscalização e o mesmo percentual também apontou
o mercado e as incertezas da economia inconstante.
Problemas
da informalidade
Ao serem questionados sobre os principais problemas ocorridos com a informalidade,
8% dos microempreendedores citaram a falta de clientes.
Para 7%, a informalidade traz
a falta de qualificação profissional; 6% apontaram a infraestrutura
precária (local de trabalho e maquinário); 5% relataram
a concorrência e 5%, burocracia para empréstimo.
Tendo em vista esses empecilhos,
92% dos entrevistados ressaltaram a importância de participar de
treinamentos ou cursos. E 53% disseram que já buscaram treinamentos
ou cursos para qualificar melhor seu trabalho.
Entre os cursos mais procurados,
51% dos microempreendedores afirmaram que participaram de treinamentos
ou capacitação em informática. A segunda opção
apontada foram os treinamentos na área de estética.
Sobre
a pesquisa
O objetivo da pesquisa foi identificar impressões e subsidiar o projeto
Microempreendedor Individual do Sebrae, cujo público-alvo são
os informais, constituídos por cabeleireiros, costureiras, vendedores
ambulantes, artesãos, manicures, borracheiros, eletricistas, chaveiros
e salgadeiras, entre outros profissionais.
Os resultados da Pesquisa de
Opinião MEI foram apresentados na última segunda-feira
(30), durante reunião sobre a implantação de sistemas
de informação, fluxos e comunicação relacionados
a essa pessoa jurídica, realizada no Ministério da Previdência
Social.
O encontro foi coordenado pelo
ministro da Previdência, José Pimentel, e contou com a presença
de representantes de órgãos federais, estaduais, municipais,
instituições e entidades parceiras.
A nova figura jurídica
vai tornar possível a formalização de milhões
de trabalhadores e autônomos que atuam na informalidade. A meta
do governo é formalizar um milhão de informais até o
fim de 2010. O MEI entra em vigor no dia 1º de julho. (Fonte:
InfoMoney)
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de abril de 2009 | Economia
Ministro diz que demissão não
gera economia
Agência Brasil
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio
Monteiro, disse nesta quarta-feira (1º) que o governo lamenta a demissão
de 250 trabalhadores da fábrica de automóveis Peugeot, no Rio
de Janeiro, após o governo ter prorrogado a redução do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de carros novos, com
a contrapartida de que os postos de trabalho fossem mantidos.
"Nós lamentamos.
Essa questão de achar que demissão gera economia é uma
coisa superada. Isso volta, deixa de ter consumo, cai a arrecadação.
Aí o efeito vai além da conta. Lamentamos e estamos trabalhando
em outras frentes para que esses postos de trabalho sejam compensados",
afirmou José Múcio.
Questionado se, nesse caso,
o governo poderia rever a prorrogação do IPI reduzido,
o ministro respondeu que, assim, várias empresas seriam prejudicadas
pela atitude isolada de apenas uma.
O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, disse que considerou "absolutamente correta" a adoção
das contrapartidas para que fosse feita a prorrogação. "Acho
absolutamente correto, tem que ter contrapartida, foi combinado que não
haveria demissões".
Os ministros José Múcio
e Paulo Bernardo participaram hoje de reunião com o presidente
da República em exercício, José Alencar, para discutir
a queda nos repasses do Fundo de Participação de Municípios.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de abril de 2009 | Economia
Sebrae garante que crise não
afetou emprego nas MPEs
Agência Estado
A crise econômica e financeira global não afetou de forma relevante
as micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras em relação ao
número de postos de trabalho, mas causou redução na demanda
e no faturamento. A constatação foi feita pelo Sebrae Nacional,
com base em sondagem realizada na primeira quinzena de março, em que
foram ouvidos aproximadamente 3 mil empresários.
Segundo números da pesquisa,
divulgada hoje, 69% dos entrevistados não demitiram funcionários
no último quadrimestre de 2008. Mas para 55% dos empresários,
houve redução no número de clientes, com consequente
diminuição no número de vendas, apontada por 70%
dos entrevistados. O faturamento também caiu, na opinião
de 69%.
Para enfrentar esse cenário
de retração, 23% apostam na ampliação do
negócio, 21,2% mostraram interesse em investir em marketing e
21,2% disseram que pretendem buscar novos mercados.
Em relação ao
crédito, 63% dos empresários disseram que foram afetados
pela crise e 65% dos entrevistados afirmaram que não houve necessidade
de recorrer a empréstimos. Quanto aos juros do sistema financeiro,
35% acreditam que vão diminuir, 34% afirmaram que as taxas vão
permanecer as mesmas e 31% disseram acreditar que as taxas vão
aumentar.
O presidente do Conselho Deliberativo
Nacional do Sebrae, senador Adelmir Santana (DEM-DF), disse que é preciso
facilitar o crédito para os pequenos negócios e fazer com
que o dinheiro chegue aos pequenos empresários. "O esforço
do governo através dos bancos oficiais tem sido o de valorizar
os pequenos negócios, mas temos indicativos de que o dinheiro
não está chegando na ponta", afirmou.
O diretor de Administração
e Finanças do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, disse
que a entidade está concluindo uma pesquisa específica
sobre a situação do crédito no País. Ele
adiantou, no entanto, que nos postos de atendimento do Sebrae a percepção
por parte dos pequenos empresários é de que estão
aumentando as dificuldades de acesso ao crédito. Segundo Santos,
nos primeiros meses deste ano, 20% dos empresários atendidos
pelo Sebrae manifestaram preocupação com a obtenção
de crédito.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
03 de abril de 2009 | Dinheiro
Lula estuda isentar IPI a "conta-gotas" até dezembro
Governo avalia extensão do benefício
para "salvar" PIB
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para tentar obter um PIB (Produto
Interno Bruto) positivo em 2009, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva poderá prorrogar a isenção do IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados) para a compra de veículos até o
fim do ano. O governo, porém, não admitirá publicamente
essa possibilidade até tomar uma decisão e até o
vencimento da atual prorrogação, no final de junho.
Em conversas reservadas, Lula tem dito que deseja um PIB positivo em 2009.
Mira em 2% de crescimento em relação a 2008, mas sabe que será difícil.
Auxiliares mais realistas falam em uma taxa entre 1 e 2 pontos se a economia
brasileira surpreender positivamente a partir do segundo semestre.
Para Lula, é uma questão de honra evitar "PIB zero" ou
PIB negativo. Toda a sua retórica anticrise tem sido baseada na avaliação
de que o Brasil sofrerá menos do que a grande maioria dos países.
Mais: há um cálculo político na avaliação
presidencial. Ele deseja ter discurso contra a oposição para
chegar a 2010 com argumentos que lhe permitam defender o seu governo e a eventual
candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência.
Quando decidiu no início de março que renovaria a prorrogação
do IPI, Lula disse a auxiliares que a medida tinha sido uma das mais bem-sucedidas
no combate aos efeitos da crise. O mercado automobilístico tem sustentado
um excelente número de vendas.
A cadeia de produção de veículos emprega muita mão
de obra intensiva e é longa -afeta outros setores e gera muitos empregos.
Nesse contexto, Lula avalia que a proteção ajuda a dar uma indicação
geral para a economia, pois preserva um setor importante, e evita uma grande
onda de demissões.
A atual prorrogação do IPI vale até o fim de junho. Lula
disse ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que vai avaliar o comportamento
dos principais indicadores econômicos para decidir por uma nova extensão
do benefício.
Se houver uma sinalização clara de recuperação
geral no segundo trimestre deste ano, talvez não haja necessidade de
nova prorrogação do IPI. No entanto, se os números gerais
da economia de abril a junho forem desalentadores, há grande chance
de nova prorrogação.
O mesmo raciocínio, diz um auxiliar de Lula, aplica-se para o desempenho
no terceiro trimestre. Se os números não forem bons, o governo
poderá dar a isenção do IPI até o fim do ano. Ao
contrário do início de março, não existe agora
uma decisão tomada de renovação.
Sindicalistas
Segundo a Folha apurou, houve uma discussão no Palácio do Planalto
na qual Lula cogitou uma prorrogação mais longa do que três
meses, fruto de pressão de sindicalistas do PT e da CUT (Central Única
dos Trabalhadores) que têm laços antigos de amizade com o presidente.
Eles sugeriram prorrogação maior em troca da garantia de empregos
em 2009.
Mas a equipe econômica argumentou que a prorrogação do
IPI tem de ser vendida com caráter de promoção temporária
para surtir efeito. Se houvesse uma extensão até o fim do ano,
o consumidor poderia adiar a compra, o que prejudicaria os números do
segundo e do terceiro trimestres. Outro fator a levar em conta é que,
a cada prorrogação, o efeito sobre as vendas é cada vez
menor.
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GAZETA DO POVO, 03 de abril
de 2009 | Economia
Receita Federal
Fazenda perdoa R$ 3 bilhões em
dívidas de contribuintes
Governo também vai publicar na internet
uma lista com o nome das pessoas físicas e jurídicas
que têm pendências com a União sendo executadas
na Justiça
Publicado em 03/04/2009 | Brasília
- Folhapress
O governo perdoou dívidas
de R$ 3 bilhões de 1,156 milhão de contribuintes, informou
a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Foram beneficiadas pessoas
físicas e jurídicas com débitos de até R$
10 mil e que estavam em cobrança judicial, conforme previsto em
Medida Provisória editada em 2008. O perdão só vale
para dívidas vencidas até 31 de dezembro de 2002, mas o
valor de R$ 10 mil considera a atualização até dezembro
de 2007.
Por enquanto, só quem
possui dívidas no âmbito da Procuradoria teve sua situação
fiscal regularizada. O perdão das dívidas relativas à Receita
Federal ainda está sendo processado, disse Luís Adams,
procurador-geral da Fazenda Nacional.
Prazos
A previsão é que
os contribuintes com dívidas não previdenciárias
tenham sua situação regularizada no fim de maio. Para os
débitos previdenciários, o prazo da Receita é até 30
de junho. O perdão das dívidas faz parte de um processo
de limpeza na base de dados de devedores da União feito pelo governo.
Na avaliação do
Ministério da Fazenda, em muitos casos, o custo de cobrança é maior
do que o valor a receber. Há também contribuintes cuja
dívida já estava prescrita, mas que continuavam com o cadastro
pendente por não terem pedido cancelamento do débito.
Divulgação
O governo também vai colocar
na internet uma lista dos contribuintes que possuem dívidas com
a União sendo executadas na Justiça. Os nomes serão
divulgados a partir de 1º julho em www.pgfn.gov.br. A lista será atualizada
a cada 30 dias.
Hoje, estão em execução
dívidas de mais de 2 milhões de contribuintes, mas nem
todos estarão na lista. Ficam de fora, por exemplo, os inscritos
em programa de pagamento parcelado ou que conseguiram suspender o processo
na Justiça.
Segundo Adams, a divulgação
de listas de devedores está prevista nos códigos Tributário
Nacional e de Defesa do Consumidor. “Isso dá mais transparência,
seja para o devedor saber localizar o problema dele, seja para quem for
fazer uma operação com o contribuinte.”
Retirada
Embora a atualização
da lista seja mensal, quem tiver regularizado sua situação
poderá pedir a retirada do nome do cadastro a qualquer momento.
O pedido será feito pela internet e a PGFN terá cinco
dias úteis para responder. Caso o prazo não seja cumprido,
o nome será excluído da lista temporariamente até que
haja a resposta.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de abril de 2009 | Economia
Greve na Caixa Econômica Federal
pode atingir o PAC
Helio Miguel
A insatisfação de advogados, engenheiros e arquitetos da Caixa
Econômica Federal (CEF) em relação ao plano de cargos,
carreiras e salários oferecido pela empresa, pode resultar em greve
dos profissionais.
Funcionários da regional
de Curitiba já vêm, há dois dias, promovendo paralisações
de uma hora de duração, no final da tarde, e mobilizações
em frente ao prédio central da instituição.
Os empregados dizem que uma greve
paralisaria obras nas áreas de habitação, saneamento
e urbanismo do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC)
no Estado, que dependem de sua análise.
De acordo com o advogado Jayme
Lima, representante da Associação Nacional dos Advogados
da CEF em Curitiba, o maior problema está no aumento da carga
de trabalho e a defasagem dos salários em relação
ao mercado.
“Cada advogado tem em média
4,5 mil processos para cuidar, o que nos faz advogados de R$ 1,99”,
alega, ao calcular o valor atual do salário dos profissionais.
Lima afirma que a Caixa ofereceu,
no início do ano, R$ 70 de aumento para o piso e R$ 26 para os
que estão em final de carreira. A proposta era parte de um acordo
efetuado na data-base das categorias, em setembro do ano passado.
Para a engenheira civil Roseli
Macuco, uma das representantes em Curitiba da Associação
Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa, o que está em
jogo é a “valorização da carreira profissional”.
Contatada, a Caixa informou
que qualquer questão sobre o assunto deverá ser tratada
em nível nacional. Mas, como ambos os lados ainda estão
negociando, o banco ainda não se manifesta formalmente sobre
o assunto. Mobilizações semelhantes acontecem em vários
outros Estados.
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CONGRESSO EM FOCO, 03 de
abril de 2009
Se tudo der certo, deputado ganhará R$24,5
mil
Michel Temer discute com assembleias estaduais
a incorporação de parte da verba indenizatória
aos vencimentos dos parlamentares
Fábio Góis
O presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP), assumiu a proposta de incorporação
de parte da verba indenizatória ao salário dos deputados.
O assunto foi tratado em conversas com integrantes da Mesa Diretora e
com as Assembléias Legislativas. A decisão será anunciada
nos próximos dias.
Na última quarta-feira
(1º), Temer levou a discussão ao plenário. “Todas
as vezes em se discute essa questão da verba indenizatória,
eu verifico que uma eventual incorporação de uma parcela
da verba aos subsídios representa uma economia para a Câmara
dos Deputados e, naturalmente, para o Senado”, afirmou. Se for
confirmada, a medida será tomada por meio de um projeto de decreto
legislativo.
Pelas regras atuais, cada deputado
tem direito a R$ 15 mil por mês para despesas com transporte, hospedagem
e segurança, por exemplo. Os parlamentares apresentam notas fiscais
e a Câmara faz o ressarcimento.
A verba indenizatória
foi criada em 2002 pelo então presidente da Câmara, Aécio
Neves (PSDB-MG), com o argumento de que reduzia o salário dos
parlamentares. Na prática, virou uma fonte de escândalos.
Pela proposta em debate agora,
o salário dos deputados chegaria a R$ 24,5 mil, equiparado ao
teto da remuneração dos ministros dos tribunais superiores.
Hoje, os parlamentares recebem R16,5 mil, fora a verba indenizatória.
Temer anunciou também
que vai procurar os presidentes das assembléias legislativas para
discutir o assunto. “Evidentemente, isso só poderia ser
feito em comum acordo com todas as assembléias legislativas do
país, de maneira a que lá também se verificasse
essa redução da verba indenizatória. Quem sabe até em
todas as câmaras municipais, especialmente das capitais”,
ressalvou.
A preocupação de
Temer se deve ao fato de que a incorporação pode abrir
as portas para um aumento generalizado dos salários em assembléias
legislativas (deputados estaduais) e câmaras municipais (vereadores),
além da Câmara Legislativa do DF (distritais). O deputado
paulista diz ter interesse em evitar que uma eventual economia nas despesas
da Câmara, na prática, provoque aumento nos gastos do país.
De acordo com a Constituição, deputados estaduais recebem 75%
dos salários dos federais e, vereadores, até 75% do que é pago
aos estaduais. Pela regra, o reajuste estendido a todos os legisladores fica
implícito na medida da Câmara.
Economia global
Temer disse ontem (2) que conversou com o presidente da Associação
Nacional das Assembléias Legislativas, Alberto Pinto Coelho (PP-MG),
também presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas
Gerais, para avaliar como poderia ser executada a incorporação
da verba indenizatória sem que isso representasse o aumento de gastos
generalizado no legislativo nacional.
Com a consulta prévia,
Temer quer evitar um “efeito-cascata”. A ideia do presidente
da Câmara é que todas as assembléias façam
a incorporação de parte da verba indenizatória,
em vez do aumento puro e simples nos salários dos deputados e
vereadores – embora ele saiba que o impacto no orçamento
destinado ao pagamento de subsídios dos políticos será inevitável,
devido aos encargos trabalhistas incutidos na folha salarial.
“ Se nós simplesmente aumentarmos aqui, e isso gerar um efeito-cascata
nas assembléias legislativas e nas câmaras municipais, haverá economia
aqui, mas prejuízo no valor global para o país”, explicou
Temer. “Se fizermos dessa forma que estou sugerindo – com a participação
de todas as assembléias legislativas – nós teríamos
uma economia global no país.”
Na discussão sobre a verba indenizatória, Temer atua junto com
o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os dois procuram uniformizar
as decisões referentes à gestão administrativa das Casas
com salários, gastos com estrutura funcional e contratos de prestação
de serviços.
Equiparação
Os primeiros movimentos para a incoporação foram feitos há quase
dois meses. Em 18 de fevereiro, o Congresso em Foco revelou que alguns deputados
defendiam a equiparação com os magistrados para aumentar os salários.
Depois de tomar posse,
Temer decidiu criou um grupo de trabalho para apreciar temas de interesse
do Judiciário, incluindo o aumento dos vencimentos dos ministros.
O deputado Edmar Moreira (MG) corre o risco de ter o mandato cassado
por apresentar notas fiscais da própria empresa para justificar
gatos com segurança.
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AGÊNCIA CÂMARA,
03 de abril de 2009
Especialistas questionam economia com
o fator previdenciário
Jorge Campos
A economia para o governo gerada com o fator previdenciário foi questionada
nesta manhã na Câmara por especialistas do setor, que participaram
de audiência pública sobre o assunto na Comissão de Finanças
e Tributação.
Durante o evento, o advogado
especialista em Previdência Social Matusalém dos Santos,
afirmou que a economia promovida pelo instrumento desde quando foi criado
em 1999 (Lei 9876/99), foi de R$ 10,111 bilhões, frente a gastos
com pagamento de benefícios previdenciários da ordem de
R$ 1,456 trilhão no período, ou seja, o fator gerou economia
de 0,69% em dez anos.
"O fator previdenciário
não é a salvação da Previdência Social,
e o seu fim não será a falência do sistema",
declarou. Ele se manifestou contrariamente, no entanto, à substituição
do fator previdenciário por um limite mínimo de idade. "Isso
representaria prejuízo para significativa parcela de segurados",
acrescentou.
Para a maioria dos especialistas
que participaram do debate, o fim do fator previdenciário, ainda
que não traga grandes impactos ao Tesouro Nacional, provoca discordâncias
conceituais importantes sobre as consequências da mudança,
uma vez que parte dos analistas defendem regras mais restritivas que
as atuais para garantir o equilíbrio atuarial ao setor.
A audiência pública
desta quinta-feira com técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), do BNDES e do IBGE, fez parte de uma série de
debates que a comissão está promovendo sobre o o fator
previdenciário. A próxima será realizada na terça-feira
(7) para ouvir o ministro da Previdência, José Pimentel.
Instrumento
justo
O chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, Fábio Giambiagi,
defendeu o uso do fator previdenciário com o argumento de que se trata
de um instrumento justo. "Ele faz com que aquele que contribuiu por mais
tempo ganhe mais. Antes do fator, ter contribuído por 35 anos ou por
45 anos gerava a mesma aposentadoria. Agora, quem contribui por mais tempo
e se aposenta mais tarde ganha mais", argumentou.
Giambiagi também defendeu
o estabelecimento de uma idade mínima para aposentadoria integral
de 65 anos, como costuma ocorrer em outros países de economia
semelhante à brasileira.
Hoje para ter direito à aposentadoria
integral, o homem deve comprovar pelo menos 35 anos de contribuição
e a trabalhadora mulher, 30 anos. Os homens têm direito a esse
benefício a partir dos 65 anos e as mulheres, a partir dos 60
anos de idade. Mas os homens podem requerer aposentadoria proporcional
aos 53 anos de idade e 30 anos de contribuição e as mulheres
têm direito à proporcional aos 48 anos de idade e 25 de
contribuição.
Ele alertou que, em 2010, a população
brasileira com idade de 65 anos ou mais será equivalente a 10,1%
do total, parcela que subirá para 35,5% em 2050. "Se as regras
[para concessão de benefícios] não forem mais restritivas,
o futuro [das contas previdenciárias] será sombrio",
alertou.
Relator
O relator do projeto que extingue o fator previdenciário (PL 3299/08,
do Senado), deputado Pepe Vargas (PT-RS), declarou que a política previdenciária
do País deve se situar "no meio" dos dois cenários
que ele identifica entre os analistas do setor: um "catastrofista",
que cobra restrição nos benefícios previdenciários,
por causa da mudança do perfil populacional brasileiro (aumento da quantidade
de idosos e redução na de criança); e um "virtuoso",
que prevê a compensação do aumento da população
idosa com o crescimento da população economicamente ativa.
O deputado defendeu o fortalecimento
do sistema previdenciário brasileiro como um instrumento de justiça
social e, por conta disso, reiterou sua posição contrária à possibilidade
de manter a média dos últimos 36 meses de contribuição
como base de cálculo do salário-benefício, conforme
estabelece o texto aprovado no Senado. Hoje, a base de cálculo é feita
por meio das 80% maiores contribuições feitas de julho
de 1994 para cá.
Para Vargas, o critério
proposto é injusto porque os trabalhadores autônomos poderão
pagar a contribuição mínima ao longo de sua vida
contributiva e elevá-la apenas nos últimos 36 meses, garantindo,
assim, uma aposentadoria maior para si. Já o assalariado não
terá essa possibilidade.
Íntegra
da proposta:
-
PL-3299/2008
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de abril de 2009
INSS normatiza limite de 30% para empréstimos
de aposentados
Está publicada na edição
de hoje (2) do Diário Oficial da União a medida do Instituto
Nacional de Seguridade Social (INSS) que amplia para 30% o limite da
aposentadoria a ser destinado a pagamentos de empréstimos.
A Instrução
Normativa 37 altera a legislação anterior e prevê essa
margem de financiamento para beneficiários que não
contrataram cartão de crédito.
O texto segue as orientações
da Resolução
1.305, do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS),
publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira
(1º).
Para os que possuem cartão
de crédito ainda valerá a norma antiga, nesse caso, até 10%
dos valores recebidos na aposentadoria podem ser destinados ao pagamento
do cartão de crédito (mesmo que não seja usado
integralmente) e 20% podem ser usados para o pagamento de empréstimos.
Os juros máximos do
empréstimo permanecem em 2,5% ao mês, e, para o cartão
de crédito, em 3,5%.
Segundo dados do Banco Central
foram emprestados R$ 79,48 bilhões até o mês de
janeiro passado, por meio do crédito com desconto em folha de
pagamento. Isso representou, em janeiro, 54,7% de todos os R$ 145,22
bilhões emprestados via crédito pessoal no país.
De janeiro de 2008 ao
mesmo mês deste ano, o crédito consignado aumentou 20,7%.
Dos R$ 79,48 bilhões emprestados em janeiro, R$ 68,68 bilhões
foram contratados por funcionários públicos e R$ 10,79
bilhões por empregados do setor privado. (Fonte: Agência
Brasil)
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de abril de 2009
Empresários fraudam e são
condenados por dano moral coletivo
Cinco empresas do setor agropecuário
estabelecidas em Luziânia-GO e mais três sócios
foram condenados por dano moral coletivo, no valor de R$ 500 mil, por
fraudar direitos trabalhistas.
Na sentença, o juiz
Luiz Eduardo da Silva Paraguassu, titular da Vara do Trabalho de Luziânia,
declarou a existência de fraude na constituição
das empresas, reconhecendo o grupo econômico e ainda a prática
do chamado "dumping social".
A Ação Civil
Pública (00736-2007-131-18-00-0) foi proposta pelo Ministério
Público do Trabalho da 18ª Região.
O magistrado explicou que as
empresas, ao fraudarem direitos trabalhistas com o fim do "lucro
fácil", se colocaram em vantagem em relação
aos seus concorrentes.
Na prática, os verdadeiros
donos das empresas valiam-se de pessoas inidôneas econômica
e financeiramente para constituírem pessoas jurídicas
das sociedades empresárias Agropecuária Brasília
Ltda., Israel da Silva - ME, R.T. Comércio de Carnes Ltda.,Agropecuária
São Caetano Ltda., Fril - Comercial de Alimentos Ltda.
Em outras palavras, utilizavam-se
de "testas-de-ferro" com o fim de fraudar a legislação
do trabalho.
Para o magistrado, o desrespeito
deliberado aos direitos trabalhistas e a indiferença quanto às
consequências advindas de tais atos "demonstram o descompromisso
do empregador para com os direitos e a subsistência da parte
mais débil da relação trabalhista - o empregado",
o que contribui para o aumento das mazelas sociais como o desemprego,
más condições de moradia, saúde e etc.,
resultando em dano moral à sociedade.
Por fim, o juiz determinou
que o valor da condenação por danos morais coletivos
(R$ 500 mil) seja revertido em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT).
Ainda reconheceu a responsabilidade
solidária dos verdadeiros donos das empresas pelos débitos
trabalhistas de qualquer uma das sociedades empresárias. (Fonte:
site Âmbito Jurídico)
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de abril de 2009
BB garantirá às 30 mil
funcionárias licença-maternidade de 6 meses
A partir do dia 25 de novembro,
as cerca de 30 mil funcionárias do Banco do Brasil poderão
pedir a extensão de quatro para seis meses da licença-maternidade.
O Banco do Brasil foi o primeiro banco a adotar a licença-maternidade
de um semestre.
As bancárias terão
que pedir o benefício em seu local de trabalho, já que
a extensão não é feita automaticamente.
Segundo o presidente do Sindicato
dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Cláudio
Marcolino, os sindicalistas pressionarão outros bancos para
seguirem o exemplo do Banco do Brasil.
"Agora, vamos pressionar
para que os outros bancos sigam o mesmo exemplo. A medida é fundamental
para a saúde dos bebês, ou seja, futuros adultos e,
portanto, para toda a sociedade. Além disso, não custa
nada para as empresas, já que elas podem descontar [o período
de extensão do benefício] do imposto de renda",
afirmou Marcolino. (Fonte: Agência Brasil)
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GAZETA DO POVO, 03 de abril
de 2009 | Vida & Cidadania
Justiça
Daria um filme
Os curiosos casos da Justiça do Trabalho
Lagarta na comida, adicional de fralda suja
e até indenização por fimose adquirida. Pode parecer
absurdo, mas esses são temas discutidos em ações
trabalhistas no Judiciário brasileiro
Publicado em 03/04/2009 | Vinícius
Dias
O Judiciário é terreno
fértil para casos – e causos – pitorescos, e a Justiça
do Trabalho é responsável por boa parte deles. No mês
passado, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou ação
em que a monitora de uma creche, no Rio Grande do Sul, pedia que lhe
fosse pago adicional de insalubridade. Isso porque, segundo ela, em seu
trabalho, era preciso realizar atividades “insalubres”, como
trocar fraldas de bebês e ensinar crianças a usar o vaso
sanitário. O pedido foi acolhido em primeiro e segundo graus,
sob o argumento de que a atividade de monitora de creche equivale àquelas
realizadas por trabalhadores em estabelecimentos de saúde. O TST,
contudo, reverteu a decisão e negou o adicional de fralda suja.
Para o ministro Alberto Bresciani, relator do caso, “o contato
permanente com pacientes em isolamento por doenças infecto-contagiosas
(...) não se confunde com o trabalho realizado pela monitora de
creche”.
Também em março
deste ano, a Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-2) do TST decidiu pela reintegração de um industriário
paulista que havia sido demitido por ter divulgado aos colegas de trabalho
um e-mail em que relatava ter encontrado uma lagarta na comida servida
pela empresa – entre a berinjela e a linguiça, segundo ele – e
pedia providências. O relator do caso no TST, ministro Ives Gandra
Martins Filho, rejeitou o recurso da empregadora, destacando que a mensagem
enviada pelo empregado não teve nenhuma conotação
lesiva à honra ou à boa fama da empresa, mas “apenas
demonstra a preocupação com a sua saúde e com a
dos demais empregados”.
Bizarro
Um dos casos mais absurdos que
chegaram à Justiça trabalhista nos últimos tempos
foi julgado (e arquivado) pela 8ª Vara do Trabalho de Goiânia,
no ano passado. Na reclamatória, o empregado pede indenização à empresa
em que trabalhava por ter sido “acometido de fimose, doença
que se agravou pelo peso que o funcionário carregava diariamente
no trabalho”. O juiz Platon Teixeira de Azevedo Neto rejeitou o
pedido do trabalhador, visto ser “evidente que fimose não
tem qualquer relação com o trabalho, jamais podendo ser
caracterizada como doença ocupacional”. E completa: “Impossível
alegar que o problema no membro atingido pudesse provocar perda ou redução
da capacidade para o trabalho, já que o ‘dito cujo’ não
deve ser usado no ambiente de trabalho”.
E quando é o empregador
quem usa o “dito cujo” no ambiente de trabalho? Isso ocorreu
no Rio de Janeiro e a questão chegou à Justiça do
Trabalho, em 2006. Segundo o empregado, que pedia danos morais, o dono
da empresa “tinha o péssimo hábito de mostrar seu
pênis em estado rígido para o autor e demais empregados,
com a finalidade de se exibir, dizendo sempre que possuía uma
enorme hérnia”. Segundo uma testemunha, o patrão
fazia isso para “descontrair o ambiente”. O juiz do caso
considerou a atitude do empregador uma “patética e infantil
exibição” e sugeriu que ele procurasse tratamento
médico. A ação foi encerrada no ano passado, com
um acordo entre os envolvidos.
O desembargador Dirceu Buyz Pinto
Júnior, do TRT-PR, afirma que esses processos “diferentes” não
são exclusividade da Justiça trabalhista. “Isso ocorre
em todas as áreas”, afirma, lembrando-se do caso (em Minas
Gerais) em que um ladrão processou a vítima por lesões
corporais causadas pela reação ao assalto. Segundo ele,
a ação mais curiosa em que atuou tratava da demissão
de um empregado por justa causa: supostamente foi amante da mulher de
seu patrão. “Imagine a dificuldade de se produzir prova
em um caso como esse”, recorda-se o magistrado.
Pitorescos
Conheça outros casos estranhos
que chegaram à Justiça do Trabalho
Gases
O Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (de São Paulo) julgou, em 2007, processo
em que uma empresa havia punido disciplinarmente uma funcionária
por conta de flatulência no local de trabalho. O Tribunal considerou
abusiva a punição à trabalhadora. “Agride
a razoabilidade a pretensão de submeter o organismo humano ao
jus variandi, punindo indiscretas manifestações da flora
intestinal sobre as quais empregado e empregador não têm
pleno domínio”, afirmou o relator do caso, desembargador
Ricardo Artur Costa e Trigueiros.
Pai-de-santo
Essa foi no Amapá. A juíza
Bianca Libonati Galúcio, da 3ª Vara do Trabalho de Macapá,
concedeu R$ 5 mil de indenização a um pai-de-santo, que
não recebeu pagamento por “serviços de umbanda” prestados
a uma rede de frigoríficos. A proprietária da empresa alegou
que não pagou porque os serviços não surtiram efeito.
A magistrada, contudo, não se convenceu. Segundo a juíza,
o pai-de-santo se comprometeu a fazer uma “limpeza espiritual” nas
instalações dos frigoríficos, sem mencionar ganhos
financeiros à proprietária.
Pedido absurdo
No ano passado, um advogado de
Vitória (ES) ajuizou uma ação, em causa própria,
contra empresa de ônibus e a Secretaria Municipal de Transportes
Urbanos, alegando ter sofrido prejuízos em virtude da greve dos
motoristas. Detalhe: mesmo sem qualquer vínculo empregatício
com as reclamadas, ingressou com a ação na Justiça
do Trabalho. Segundo ele, por culpa das requeridas, ficou três
dias sem trabalhar, pedindo indenização de R$ 830 mil.
Em audiência, o juiz Fábio Eduardo Bonisson Paixão,
além de reconhecer a evidente incompetência para a causa
da Justiça do Trabalho, não deixou barato para o reclamante
. “Este juiz tem aversão aos inúmeros processos que
vêm fomentando um verdadeiro descrédito da Justiça
do Trabalho e do próprio instituto do dano moral”, afirmou.
Resultado: condenou o advogado a pagar R$ 190.900 às reclamadas.
Para ele, o reclamante arriscou-se em um jogo pela indenização. “Melhor
teria sido gastar R$1,50 e concorrer aos R$15 milhões da Mega
Sena acumulada”, ironizou.
Prostíbulo
É pacífico o entendimento
de que não é possível pedir que se reconheça
judicialmente o vínculo empregatício em relação à atividade
ilícita, como a desenvolvida em um prostíbulo. Mas tudo
depende do caso. Em 2000, uma dançarina de casa de prostituição
teve reconhecido o vínculo empregatício com o estabelecimento
onde se apresentava, em Minas Gerais. O TRT local considerou que havia
relação de emprego (por apresentar-se como dançarina),
ainda que a reclamante também tivesse exercido a prostituição,
como alegou a casa de tolerância.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/04/2009
Justiça do Trabalho é competente
para julgar ações de segurança bancária
A Justiça do trabalho
possui competência para decidir ações sobre questões
de segurança de trabalhadores bancários. Essa foi a decisão
da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao negar recurso do
Banco do Brasil contra decisão da Justiça do Trabalho da
22ª Região (PI).
O julgamento surgiu de ação
civil pública impetrada pelo Ministério Público
do Trabalho em Teresina (PI) ante o descumprimento, pelo Banco do Brasil,
de lei municipal que obrigava a instalação de portas de
segurança nas agências bancárias da cidade. Nela,
o MPT pedia a colocação de portas individualizadas nos
acessos destinados ao público em todas as agências e postos
de atendimento, no prazo de 90 dias, com multa diária de R$ 5.000
reais pelo eventual descumprimento. O objetivo do MPT, descrito na ação,
era proteger direitos coletivos dos funcionários, clientes e usuários
do estabelecimento, como a segurança física e psicológica
dos frequentadores do banco, diante de recorrentes casos de violência
e assaltos locais.
Depois da vitória do MPT
na primeira instância, o banco entrou com recurso ordinário
no Regional, alegando a inconstitucionalidade da lei municipal, por afronta à competência
legislativa da União reservada a lei complementar. O recurso foi
negado. Inconformado, o banco recorreu ao TST, invocando a incompetência
da Justiça do Trabalho para o caso e novamente pedindo a inconstitucionalidade
da lei.
Nos dois temas, o banco ficou
vencido por unanimidade na Sexta Turma. O voto do relator do recurso,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, evidenciou o descabimento da
inconstitucionalidade. “Conforme se depreende da decisão
do TRT/PI, o entendimento pela inconstitucionalidade da norma municipal
indicada, nos exatos termos do artigo 30, incisos I e II, da Constituição
Federal, foi no sentido de que, em se tratando da instalação
de portas eletrônicas de segurança em agências bancárias,
o município age dentro de sua competência legislativa suplementar
dispondo sobre o assunto de interesse local, na medida em que se tratar
de responsabilidade que é atribuída ao empregador pela
proteção à saúde e segurança do trabalhador”,
afirmou o relator.
Quanto à competência
da Justiça Trabalhista, o ministro observa que o caso se relaciona
especificamente à relação de emprego delimitada
no inciso I, artigo 114 da Constituição Federal. “A
competência da Justiça do Trabalho deve ser avaliada sob
prisma abstrato, ou seja, ela se aplica às hipóteses em
que se pretende discutir, pela via da ação pública,
questões conexas ou vinculadas à relação
de emprego”, explicou. “O ponto principal da ação
diz respeito ao meio ambiente de trabalho, à preservação
da integridade física do trabalhador. Pode ser que a definição
pretendida venha a atingir um âmbito maior de pessoas, mas em questões
como salubridade e segurança do meio ambiente de trabalho, este é um
desdobramento conexo pela natureza da proteção objetiva”,
diz o voto.
A representante do Ministério
Público presente à sessão ressaltou que a matéria
já havia merecido diversas decisões no TST confirmando
a competência da Justiça do Trabalho em ações
sobre segurança bancária. (RR-1738/2001-002-22-00.6)
(Alexandre Caxito)
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03/04/2009
TST acolhe recurso contra reintegração
concedida com base em perícias
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho determinou que o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) aprecie questão suscitada pela defesa da Aços
Ipanema (Villares), na qual contesta decisão que determinou a
reintegração de um empregado aos quadros da empresa com
base em cláusula de convenção coletiva que concedia
garantia no emprego aos trabalhadores acometidos de doença ocupacional.
Embora a garantia estivesse condicionada à comprovação
prévia, por parte do empregado, das condições da
doença profissional por meio de atestado da Previdência
Social (INSS), como forma de demonstrar o nexo de causalidade entre o
problema do empregado e o trabalho por ele executado, as instâncias
ordinárias da Justiça do Trabalho garantiram o direito à reintegração
sem que tal comprovação tenha sido juntada aos autos.
O direito foi concedido com base
em perícia técnica de vistoria que apontou que o trabalhador
esteve sujeito a níveis de ruído acima do limite legal
durante todo o contrato de trabalho, com base em perícia médica
que constatou perda auditiva. O TRT confirmou a sentença na parte
em que concluiu que há “presunção” de
que a perda auditiva tenha ocorrido durante a vigência do contrato,
em razão do ambiente e das condições de trabalho.
Segundo o TRT, caberia à empresa comprovar que a doença
era pré-existente.
De acordo com o relator do recurso,
ministro Renato de Lacerda Paiva, tal informação é essencial
para o julgamento do caso, pois a cláusula de estabilidade prevista
na norma coletiva presume o preenchimento de todos os seus requisitos,
e foi deliberada com a presença de representantes de ambas as
categorias, que conferiram validade a seus termos.
O ministro relator afirmou que
o TRT foi omisso, e que o silêncio a respeito da questão
carateriza negativa de prestação jurisdicional e ofensa
ao direito de defesa. “A parte tem direito ao exame dos elementos
fáticos que considera decisivos para o desfecho do processo. Se
o Tribunal Regional entende que os fatos não existiram ou que
são diferentes, deve posicioná-los no acórdão,
mesmo porque esta é a última oportunidade para o exame
de fatos e provas”, afirmou Renato Paiva em seu voto. A decisão
foi unânime. (RR 1200/1992-003-15-00.4)
(Virginia Pardal)
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03/04/2009
ONU-PNUD: TST afasta mais uma vez imunidade
de jurisdição
O argumento de imunidade de jurisdição
de organismo internacional não impedirá o julgamento, pela
Justiça do Trabalho do Distrito Federal, da ação
de vínculo de emprego de um técnico em arquivo contratado
por mais de um ano pelo Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento - PNUD, da Organização das Nações
Unidas (ONU). A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho seguiu
decisões anteriores do Tribunal e decidiu afastar a imunidade
de jurisdição da ONU/PNUD, determinando o retorno do processo à 19ª Vara
do Trabalho de Brasília.
Ao analisar a questão,
o juiz convocado Douglas Alencar Rodrigues, relator do recurso de revista,
adotou o entendimento de precedentes do TST e do Supremo Tribunal Federal
de que não há imunidade absoluta para os organismos internacionais.
Segundo o relator, as relações de trabalho são atos
de gestão aos quais não se aplica a imunidade de jurisdição.
Esse posicionamento vem se firmando no TST, com decisões recentes
nesse sentido de diversas Turmas - entre elas a Oitava, a Sexta e a Quarta – e
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-2).
O técnico em arquivo,
da área de apoio administrativo, foi admitido em maio de 2001
pelo PNUD, sem carteira de trabalho assinada e sem depósitos de
FGTS. Em dezembro de 2002, foi dispensado sem receber verbas rescisórias.
O trabalhador afirma, na inicial, que nunca recebeu ajuda-alimentação,
vale-transporte e férias. Na reclamação, pleiteia
o vínculo de emprego e o direito a parcelas decorrentes do contrato
de trabalho.
A 19ª Vara do Trabalho de
Brasília, no entanto, extinguiu o processo sem julgamento do mérito,
ao reconhecer a imunidade de jurisdição da ONU/PNUD. O
trabalhador contestou a decisão, mas o Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF/TO) manteve a sentença. Ao apelar
para o TST, o técnico apresentou precedentes que possibilitaram
o conhecimento do recurso de revista. O relator, seguido em seu voto
pela Terceira Turma, considera que “os entes de direito público
externo não possuem imunidade absoluta de jurisdição,
a qual se restringe aos atos de império, dentre os quais não
se incluem os relacionados à legislação trabalhista”.
( RR-295/2004-019-10-00.6)
(Lourdes Tavares)
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