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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de abril de 2009 | Política
PR: Deputados aprovam novo salário
mínimo regional
Roger Pereira
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou, sem emendas, o Projeto de
Lei 079/09 do Poder Executivo, que estabelece em R$ 605,52 o novo salário
mínimo regional no Estado.
As emendas da bancada de oposição
(que propunha o mesmo índice de reajuste 14,9% - para os servidores
públicos estaduais) e do deputado Mauro Moraes (PMDB) que propunha
reajuste no mesmo patamar para policiais civis e militares foram derrubadas
no plenário.
Rejeitadas pela Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) na última
segunda-feira, as emendas foram votadas em conjunto ontem. Com 26 votos,
a base governista conseguiu derrubar as emendas no plenário. Dezoito
parlamentares votaram a favor das emendas.
A oposição defendia
o mesmo reajuste para os servidores estaduais por entender que o governo
deveria fazer o ajuste em seus próprios quadros antes de impor
essa nova regra à iniciativa privada.
O deputado Valdir Rossoni (PSDB)
usou a tribuna para mostrar que existem servidores com soldo até inferiores
ao valor do mínimo regional. “Temos policiais que recebem
um soldo de R$ 319,26. Temos provas que funcionários públicos
não ganham o salário mínimo regional, o que é inconstitucional,
ilegal e até imoral”, declarou.
A favor da derrubada das emendas,
o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), acusou a oposição
de querer confundir os deputados e a opinião pública ao
vincular o piso regional ao salário dos servidores.
“O salário mínimo
regional não é dirigido a servidores públicos, mas
ao setor privado. A oposição faz demagogia”, disse.
As emendas também foram criticadas pelo líder do PT, Péricles
de Mello que classificou o discurso da oposição como “inócuo
e oportunista”.
Já o deputado Jocelito
Canto (PTB) também votou contra as emendas mas por acreditar não
ser o momento de aprová-las. “Agora não é hora
de votar aumento para funcionários”, afirmou, lembrando
que no próximo mês o governo deve enviar mensagem de reajuste
dos servidores e daí será o momento de cobrar os mesmos índices
aplicados ao salário mínimo. “Nem que seja só para
fazer política”, declarou.
O projeto aprovado em segunda
discussão prevê um reajuste de 14,9%, a partir de 1.º de
maio, no salário dos trabalhadores que não são contemplados
em acordos coletivos de trabalho.
Aproximadamente 174 mil paranaenses,
que trabalham como domésticas, vendedores ou na zona rural, por
exemplo, serão beneficiados com o novo piso, que varia em seis
faixas, entre R$ 605,52 a R$ 629,65.
Cálculos do Departamento
Intersindical de Estatística e Assuntos Socioeconômicos
(Dieese) do Paraná sugerem que a medida injete até R$
270 milhões na economia paranaense. O projeto volta à pauta
do legislativo hoje, para ser aprovado em redação final,
e depois segue para a sanção do governador.
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UOL, 08 de abril de 2009
Salário no Brasil subirá mais
que média global, diz consultoria
Os salários no Brasil
deverão ter um aumento nominal médio de 6,4% em 2009, maior
do que o do ano passado e superior ao da média global, de 4,7%.
Os índices não levam em conta a desvalorização
da moeda provocada pela inflação.
Os dados são da consultoria
ECA International, empresa com sedes em Londres, Nova York, Sydney e
Hong Kong. A pesquisa Tendências Salariais, realizada em 53 países,
estima que a média de reajuste no Brasil - sem descontar o valor
da inflação - terá um leve aumento de 6,2% em 2008
para 6,4% em 2009.
No ranking geral, liderado pela
Venezuela pelo segundo ano consecutivo, o Brasil ficou em 14 lugar, quatro
posições acima em relação à listagem
anterior. Na segunda colocação está a Argentina,
seguida pela Índia.
Na avaliação da
consultoria, tanto na Venezuela como na Argentina e no Brasil, os resultados
são motivados, entre outros fatores, pela pressão inflacionária. "O
Brasil parece estar lidando bem com os efeitos da crise financeira internacional.
Como resultado, as empresas se mantiveram otimistas ao mesmo tempo em
que as projeções de inflação continuaram
robustas", diz um comunicado da ECA, que não descarta, no
entanto, que as previsões para o Brasil poderão ser revistas
até o fim do ano.
Já na Índia, os
ganhos de 10,8% nos rendimentos de 2009 deverão ser motivados
por uma "escassez de talentos", afirma a consultoria.
Salários congelados Em último
lugar no ranking está o Japão, que vem sendo fortemente
abalado pela crise financeira global. Na avaliação da consultoria,
cerca de metade das companhias japonesas pretendem congelar os salários
este ano.
Segundo a ECA International,
nos Estados Unidos, que ficaram em 36 lugar na lista, mantendo a colocação
do ano passado, cerca de 40% das empresas não farão reajustes
salariais até o fim do ano. Na média, os trabalhadores
americanos terão reajustes de 2,8%, uma queda em relação
aos 4% previstos pela consultoria em uma sondagem similar realizada em
setembro do ano passado, pouco antes de a crise financeira se agravar.
A nível global, os aumentos
salariais devem sofrer uma redução de 6,2% em 2008 para
4,7% este ano, como resultado de cortes de gastos das empresas para enfrentar
os efeitos da crise global. "A recessão levou muitas firmas
a revisarem os reajustes salariais. Nossos dados mostram que, globalmente,
as companhias diminuíram em mais de um terço os reajustes
que previam oferecer em 2009", afirmou Lee Quane, um dos diretores
da consultoria.
Ainda de acordo com a ECA International,
mais de um quarto da empresas em todo o mundo pretendem congelar os salários
este ano.
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Agência Câmara,
08 de abril de 2009
Ipea prevê que crise provocará desemprego
maior para jovens
Ivaldo Cavalcante
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann, avaliou que os jovens serão os mais afetados com a perspectiva
de desemprego para este ano. Ele participou, nesta terça-feira, da audiência
pública realizada por duas comissões especiais da Câmara
que discutem soluções para a crise financeira mundial - a do
Sistema Financeiro e a de Serviços e Empregos.
Projeções do Ipea
apontam o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre
1,5% e 2,5% em 2009. Segundo o presidente do Ipea, este patamar é insuficiente
para gerar empregos, principalmente para quem chega agora ao mercado
de trabalho.
Mas para o relator da comissão
especial da crise que discute serviços e empregos, deputado Vicentinho
(PT-SP), o jovem deve se manter otimista. "A política do
primeiro emprego deve ser, cada vez mais, fortalecida. O jovem não
deve perder a expectativa porque é para ele que o Brasil está se
direcionando."
Saídas para a crise
Márcio Pochmann apontou alguns caminhos para reverter esse cenário. "Reforçar
e defender a produção nacional porque sem crescimento não
temos condições de gerar emprego. De outro lado, uma ação
forte com o objetivo de retirar pessoas que hoje estão no mercado de
trabalho, mas que, em tese, não precisariam estar, como crianças
e adolescentes." Ele também defendeu a saída do mercado
de trabalho de aposentados. Pochmann destacou que 7 milhões de aposentados
ainda trabalham.
O economista reclamou do uso
abusivo de horas extras. "Se diminuírem as horas extras,
abre-se espaço para a geração de empregos."
Efeitos
da crise
O presidente do Ipea também destacou outros efeitos da crise mundial.
Segundo Márcio Pochmann, o País não deverá entrar
em recessão em 2009, principalmente porque as exportações
foram diversificadas e buscaram-se novos parceiros. Ele assinala que o Brasil,
nos últimos cinco anos, reuniu crescimento econômico e melhor
distribuição de renda.
Já o corte de crédito
deverá afetar a economia. Pochmann observou que 1/5 dos investimentos
do País dependem de recursos externos. Para o economista, apesar
de existir um movimento de recuperação, a atuação
dos bancos públicos não vai compensar as perdas do capital
externo. Ele também disse que a situação das multinacionais
merece uma melhor análise porque já há um movimento
de remessa de recursos para as matrizes.
Combate à crise
Márcio Pochmann ainda indicou três pontos estruturais necessários
para combater a crise:
1 - Necessidade de um padrão de financiamento em bases sólidas. "O
sistema de financiamento a longo prazo vigente até agora não
vai sobreviver à crise, não se sabe que padrão será adotado
nos próximos anos." O economista acredita que esse problema não
será resolvido a curto prazo.
2 - Necessidade de se construir
um padrão de consumo sem agredir o meio ambiente. "Se for
mantida a produção atual teremos sérios problemas
no futuro."
3 - Necessidade de retomar
a governança. Pochmann identifica uma escassez de ações
de grupos e organismos multilaterais. "É preciso uma governança,
porque antes existia FMI que dava um rumo à economia." O
economista acrescenta que a crise é sistêmica e precisa
de um conjunto articulado de ações.
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Folha de S.Paulo, 08 de abril
de 2009
Governo quer desonerar folha de pagamento
Em troca da redução de tributos,
as empresas que aderissem à proposta teriam que garantir a
manutenção de vagas | Lula discute medidas com sindicalistas,
que seriam "fiscais" do programa; corte de jornada sem
redução no salário também é estudado
KENNEDY ALENCAR
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva discute hoje com representantes das centrais sindicais
proposta para reduzir encargos trabalhistas para empresários que
aceitem não demitir na crise, incluindo o recolhimento menor do
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos trabalhadores.
A Folha apurou que os sindicalistas devem receber o esboço da MP por
meio da qual o governo propõe também que as empresas reduzam
em até 20% a jornada de trabalho sem cortar salários. Para compensar
a empresa, o governo aceita diminuir de cerca de 30% para algo em torno de
19% o recolhimento de parte dos tributos cobrados sobre a folha salarial.
O corte proposto é de 40% sobre a contribuição patronal
ao INSS (20% sobre a folha), a contribuição para o Sistema S
(3,1%) e o recolhimento mensal ao FGTS (8%).
A adesão ao programa será opcional. A medida, que deverá ser
temporária, é justificada pelo governo como uma forma de incentivar
acordos de redução de jornada sem cortes de salários e
evitar mais demissões. A suspensão dos cortes, porém,
não valerá para trabalhadores temporários e programas
de demissão voluntária.
Desde novembro, quando a crise se agravou, já foram fechados 798 mil
vagas, segundo o Ministério do Trabalho. A piora na economia também
custou pontos na popularidade de Lula. A mais recente pesquisa Datafolha mostrou
queda de cinco pontos percentuais, para 65% de aprovação.
O outro argumento do governo é que a proposta não traria perdas à União.
O gasto com a queda na arrecadação da Previdência seria
mais que compensado, segundo as projeções feitas, pela economia
com o seguro-desemprego. A lógica é que, se o trabalhador for
demitido, o governo terá que gastar com o seguro-desemprego por até sete
meses no caso de quem estava empregado em setores mais afetados pela crise.
Em vez dessa despesa, as empresas pagariam menos imposto. Uma dúvida é se
os trabalhadores teriam de abrir mão de parte de seu FGTS em troca de
emprego e salário, pelo menos enquanto durar o acordo.
O governo conta com os sindicatos para evitar fraudes ou demissões desnecessárias.
Como a negociação teria que passar pelo crivo de cada categoria,
há o entendimento de que isso funcionaria como fiscalização.
Além da contribuição para a Previdência, o Sistema
S e o FGTS, a empresas no Brasil arcam, na folha de pagamento, com 2,5% do
salário-educação, 0,5% do seguro de acidentes de trabalho
e 0,2% a entidades como o Incra. Incluído o recolhimento ao FGTS, os
gastos das empresas com a folha de pagamento chegam a 34,3% além do
salário pago ao empregado.
A contribuição ao INSS põe o Brasil entre os países
que têm a tributação mais elevada sobre os salários,
e a desoneração da folha é reivindicação
histórica dos empresários. No México, por exemplo, o empregador
recolhe 10,6% em contribuições sociais. O Brasil se compara a
países como Suécia (24,5%), Espanha (23,2%) e Itália (24,3%).
Propostas para diminuir essa carga não são novas. O governo já discutiu
o assunto várias vezes. O projeto, hoje abandonado, de reforma tributária
previa redução da contribuição patronal. O compromisso
do governo era de queda escalonada de 20% a 14%. A dificuldade, no entanto,
sempre foi o custo fiscal da medida. Para cada ponto percentual de redução
no pagamento do INSS, o governo deixaria de arrecadar R$ 3 bilhões.
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de abril de 2009 | Economia
Setor da construção civil
projeta crescimento em 2009
Helio Miguel
O setor da construção civil está trabalhando com uma previsão
de crescimento de cerca de 3,5% em 2009, e apostando nos incentivos do governo
federal para construir 650 mil casas até agosto de 2010 e, em um prazo
de 15 anos, entregar 7,5 milhões de residências e erradicar o
déficit habitacional do País.
As informações
foram dadas ontem, pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, que esteve
em Curitiba para uma reunião com representantes do segmento.
Segundo Simão, o setor,
que de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) atingiu em fevereiro o mesmo nível de emprego que tinha
antes da crise global, não deve voltar a demitir em 2009, e isso
deve refletir nos próximos dois anos, pelo menos. “Se não
contratássemos nos primeiros seis meses do ano, poderíamos
ter desemprego no setor em 2010 e 2011”, concluiu.
Simão explicou, ainda,
que o projeto do setor para a habitação seria fundamentado
nos conceitos do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo
federal, a serem mais detalhados na próxima segunda-feira (13).
Segundo ele, a implantação
ainda depende de aprovação da Proposta de Emenda Constitucional
285/08, conhecida como PEC da Habitação, que tramita no
Congresso Nacional.
A intenção do
setor, entretanto, pode esbarrar em questões como a distribuição
da terra, que Simão considera “um problema grave” no
País. “Estamos falando de 7,5 milhões de casas, e
não temos terra pra isso. Raríssimos municípios
têm áreas reservadas para habitação popular”,
acrescentou. A demora na implantação do cadastro positivo é outro
empecilho apontado pelo dirigente.
PAC
O segmento da construção
civil também considera, segundo Simão, o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), como um dos pilares para fugir da crise e crescer
neste e nos próximos anos.
Para ele, apesar das obras do
governo relacionadas ao Programa não estarem bem, os empreendimentos
de empresas públicas e privadas - que representam, segundo ele,
85% das obras - estão até além do programado.
Já o mercado imobiliário,
que sofreu com a crise entre setembro e dezembro de 2008, está se
recuperando rapidamente este ano, para Simão, e deve continuar
alavancando a construção civil.
“Hoje [o mercado]
está voltando a níveis muito bons, e já estão
projetando um 2009 igual ou melhor que 2008”, lembrou, afirmando
que o crédito é que está dando sustentação à atividade.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
abril de 2009 | Economia
Construção Civil deve
crescer
Curitiba - As perspectivas do setor da construção civil para
2009 são otimistas, segundo o presidente do Sindicato da Indústria
da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR),
Hamilton Pinheiro Franck. ''Em termos de PIB (Produto Interno Bruto) deve ficar
entre 3% a 5%'', prevê. Para Franck, o crescimento do setor pode contribuir
para ''anular a queda de produção em outros setores da economia''.
O presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o
engenheiro civil Paulo Safady Simão, não arrisca uma previsão.
''Com as medidas que o governo vem tomando passo acreditar na contratação
de obras em 2009, o que irá garantir o aquecimento do setor em
2010 e 2011'', analisa.
Segundo Simão, dados preliminares
da Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam para a manutenção
do patamar de crescimento de 2008. ''O desempenho deve ser o mesmo'',
diz. A perspectiva positiva contribui, inclusive, para manter as contratações
do setor em alta. ''Há estados que estão enfrentando falta
de mão-de-obra'', diz.
Para Franck, os dados de
Curitiba mostram que nos primeiros meses do ano houve aumento no número
de obras licenciadas e que a pressão para contratações
continua. ''Na capital paranaense o licenciamento do obras cresceu
19% em relação a 2008'', conta. (R.C.F.)
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FOLHA
DE LONDRINA, 08 de abril de 2009 | Economia
Desafio da habitação é vencer
a burocracia
Pacote do governo para combater o déficit
habitacional pode 'criar as bases para erradicar o problema no País',
avalia presidente da CBIC
Curitiba - O pacote
de medidas anunciadas pelo governo federal para combater o déficit
habitacional no país pode ''criar as bases para erradicar
o problema no Brasil''. A opinião é do presidente
da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), o engenheiro civil Paulo Safady Simão. ''O maior
risco para o setor é a burocracia. Vocês não
imaginam o que a gente sofre para construir nesse país'',
alerta. Ele esteve em Curitiba ontem participando de uma reunião
com empresários ligados ao Sindicato da Indústria
da Construção Civil (Sinduscon) e conversou com a
imprensa.
''Para vocês terem
uma idéia, a Caixa Econômica Federal (CEF) reduziu recentemente
de 254 para 30 os procedimentos necessários para avaliar projetos.
Isso significa que haviam 224 procedimentos de uma forma ou de outra
eram desnecessários'', exemplifica. Segundo Simão,
no Brasil o ''menor prazo gasto na execução de um projeto é da
construção em si''. ''A maior parte do tempo é gasta
em burocracia, na aprovação dos projetos'', aponta.
Para o presidente da CBIC,
os efeitos do pacote federal devem ser sentidos no segundo semestre
de 2009. ''Acho que temos condições de contratar pelo
menos 600 mil casas até junho de 2010, o que é um avanço
considerável se compararmos com 2008 quando foram construídas,
em todo país, 125 mil unidades'', prevê.
Quanto às medidas
de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), Simão é menos otimista. ''Tem que haver uma
fiscalização que garanta que a desoneração
chegue ao consumidor final'', sugere. ''Não somos contra nenhum
tipo de desoneração fiscal, mas acho melhor que ela
seja aplicada ao produto final, para garantir o ganho para o consumidor'',
diz.
Simão acredita que
a tarefa do setor é formatar um projeto que possa se manter
em governos futuros. ''Se a base for boa, não vai ter governo
que irá querer mexer nisso'', diz. Para o engenheiro, já há no
país uma consciência de que a habitação é um
problema importante. ''Antigamente havia uma visão de que
era um apego das pessoas a ideia de ter uma casa, mas hoje já se
entende o que uma casa significa para uma família em termos
de qualidade de vida'', aponta.
Desafios
Para o presidente da CBIC,
o setor deverá cobrar mais atenção do governo
para alguns pontos ainda não contemplados pelo programa. ''A
questão da terra, por exemplo, é fundamental. A maioria
dos municípios não tem áreas reservadas para
programas habitacionais e não estão preparados para
garantir esses espaços'', alerta.
Simão também
defende que as discussões sobre o seguro e o fundo garantidor
da entrega dos imóveis teriam que avançar. ''O seguro é um
custo que a longo prazo pode até baratear o empreendimento. É um
fator de redução do custo da obra'', avalia.
Além disso, o setor
aponta como importantes a aprovação do cadastro positivo
- projeto que tramita no Congresso Nacional e que cria um cadastro
de ''bons pagadores'' - e a padronização regional das
obras. ''Cada região tem características próprias
que podem influenciar a formatação das obras'', diz.
Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 08 de abril
de 2009
Imposto de Renda
Câmara aprova cinco faixas de alíquotas
A Câmara dos Deputados aprovou ontem a Medida Provisória 451/08,
que aumentou as faixas de alíquotas do Imposto de Renda Pessoa Física.
A medida foi tomada pelo governo no fim de 2008 como reação à crise
financeira global.
Até o ano passado, as
alíquotas estavam dentro de três faixas: isenção
para rendimentos até R$ 16.473,72; 15% para quem recebia entre
R$ 16.473,73 e R$ 32.919,00; e 27,5% para rendimentos superiores a R$
32.919,00.
A partir da declaração
do próximo ano, serão cinco alíquotas: isento (até R$
17.215,08); 7,5% (de R$ 17.215,09 até R$ 25.800,00); 15% (de R$
25.800,01 a R$ 34.400,40); 22,5% (de R$ 34.400,41 a R$ 42.984,00); e
27,5% (a partir de R$ 42.984,00).
Segundo cálculo de especialistas,
o aumento no número de alíquotas trará um ganho
mensal máximo de R$ 89,33 aos contribuintes, ou de R$ 1.161,29
por ano, incluindo o 13º salário. Esse é o valor para
todos os contribuintes cuja renda tributável é de R$ 3.582
ou mais. Quem recebe salário menor, vai ganhar menos com a mudança.
Os líderes dos partidos
decidiram antes da votação que três destaques da
oposição à MP deveriam ser votados à parte,
o que não tinha ocorrido até o fechamento desta edição.
Uma delas, proposta pelo DEM, exclui das novas regras do DPVAT (seguro
obrigatório de veículos) a proibição de
o beneficiado pelo seguro ceder os direitos de reembolso de despesas
médicas e hospitalares de até R$ 2,7 mil, quando realizadas
fora do SUS.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
abril de 2009 | Política
Câmara recua no corte da verba
indenizatória
Brasília - Em meio à tentativa de cortar despesas e dar uso mais
adequado aos gastos parlamentares, a Mesa da Câmara reunida ontem aprovou
um aumento de gastos da ordem de R$ 80 milhões e promoveu dois recuos
na decisão de restringir o uso da verba indenizatória e moralizar
a utilização da cota de passagens aéreas. A Casa vai retomar
o projeto de dividir parte dos apartamentos funcionais para que todos os 513
deputados tenham onde morar em Brasília e, no futuro, acabar com o pagamento
do auxílio-moradia. Ou seja, em nome de uma possibilidade de cortes,
vai gastar, em obras, em torno de R$ 80 milhões, segundo estimativas
da Casa. O custo anual com o auxílio-moradia é da ordem de R$
13 milhões.
A proposta de restringir a utilização
da cota das passagens aéreas pagas pela Casa aos próprios
deputados apenas ou estender aos seus servidores de gabinete e parentes
encontrou resistência e foi abandonada. Ficou evidente a falta
de consenso na reunião para impor limites e a regra que permite
o uso generalizado ficou mantida. ''Não há meio termo:
ou a Câmara mexe para valer nessa questão ou fica ao arbítrio
de cada parlamentar'', afirmou o terceiro secretário, deputado
Odair Cunha (PT-MG).
No impasse, prevaleceu a possibilidade
de cada deputado continuar dispondo de sua cota de passagens como achar
conveniente. A única medida tomada para evitar a velha prática
da pouca distinção entre o bem público e o privado,
foi uma centralização de procedimentos nas mãos
de um único assessor do deputado. Cada deputado tem direito a
uma cota mensal de crédito de passagem aérea, cujo valor
varia de acordo com a distância do Estado de origem. A maior cota é de
R$ 18.737,44, para deputados de Roraima, e a menor é de R$ 4.705,72,
para deputados do Distrito Federal - que moram em Brasília.
Passo atrás também
foi dado pela Mesa na questão da verba indenizatória. A
Casa vai ressarcir as despesas dos deputados com alimentação,
o que havia ficado proibido na reunião da semana passada.
Denise Madueño
Agência Estado
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Agência Senado, 08
de abril de 2009
FGTS poderá ser usado em
imóvel financiado por fundo de pensão
Quem tem financiamentos habitacionais com entidades fechadas de previdência
complementar (fundos de pensão) poderá quitar parcelas da dívida
com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A proposta,
de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada nesta terça-feira
(7) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
(CCJ), com parecer favorável de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), e será agora
votada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.
O projeto (PLS 68/04) acrescenta
inciso XVII ao artigo 20 da Lei, que dispõe sobre o FGTS (Lei
8.036/90), para permitir a operação, já que, atualmente,
a utilização dos recursos do Fundo de Garantia para aquisição
de moradia só é permitida pelo Sistema Financeiro de Habitação
(SFH).
"No entanto, pode ocorrer
que o trabalhador obtenha financiamento em outras instituições
dispostas a investir em moradia, como, por exemplo, os fundos de pensão",
explicou Paim, ao justificar a necessidade da proposta.
Em seu parecer, Azeredo afirma
que o projeto permite a democratização do acesso à moradia. "E
nada mais justificável que permitir a utilização
dos recursos das contas vinculadas do FGTS para pagamento de outros financiamentos
ofertados pelo mercado, além dos limites do Sistema financeiro
de habitação", alegou o parlamentar.
O relator ad hoc foi o senador
Eduardo Suplicy (PT-SP), que leu o parecer de Azeredo.
Medalha
Também foi aprovado nesta
terça-feira projeto (PLS 654/07) do senador Paulo Duque (PMDB-RJ)
que solicita autorização para que a União conceda
a Medalha de Distinção de 1ª Classe ao Jovem Riquelme
Wesley dos Santos, pelos serviços extraordinários prestados
em Palmeira (SC).
O homenageado, de apenas
cinco anos, enfrentou um incêndio no dia 8 de novembro do ano
passado para salvar outra criança, de um ano e 10 meses, cuja
casa estava em chamas.
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Congresso em Foco, 08 de
abril de 2009
Fim parcial do fator previdenciário
pode ter veto de Lula
Renata Camargo
O relator do projeto de lei que
extingue o fator previdenciário, deputado Pepe Vargas (PT-RS),
terá de encontrar uma nova fórmula para evitar o veto presidencial.
Mesmo com a proposta de manter parcialmente o fator previdenciário
a partir da fórmula 95/85, o ministro da Previdência, José Pimentel,
não garante que o PL aprovado no Congresso fique livre de veto
do governo.
Em audiência pública
na tarde desta terça-feira (7) na Comissão de Finanças
e Tributação, Pimentel criticou a extinção
do fator previdenciário, e disse que o orçamento só absolve
os gastos da Previdência sob a base de cálculo da fórmula
proposta pelo relator Pepe Vargas até 2023.
“Pela fórmula 95,
o orçamento absolve os gastos com a Previdência até 2023.
A partir daí temos que rediscutir”, declarou Pimentel. “Essa é uma
matéria do Congresso. No momento em que o relator apresentar o
seu voto, o governo terá uma posição”, completou,
ao ser questionado sobre a posição do governo em relação à proposta
da fórmula 95.
A fórmula foi a pré-proposta
apresentada pelo relator Pepe Vargas após ampla negociação
com o governo, que não aceita o fim do fator previdenciário – conforme
aprovado no Senado. De acordo com a proposta do relator, o trabalhador
consegue se aposentar com o valor integral do benefício quando
a soma de sua idade com o tempo de contribuição for igual
ou maior a 95 (homens) e 85 (mulheres).
“O problema é que
o governo não tem posição. O ministro mostrou que
a proposta do Pepe [Vargas] pode significar gastos maiores com a Previdência.
Criam-se despesas e não tem fontes de investimento”, criticou
o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que foi líder do governo
durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique, quando a
proposta do fator previdenciário foi aprovada no Congresso.
Média curta
Durante a audiência, Pimentel
fez duras críticas ao artigo do PL que estabelece a média
curta para compor a base de cálculo das aposentadorias do regime
do INSS. De acordo com o projeto aprovado no Senado, essa base de cálculo
passaria a ser a média dos últimos 36 salários,
em um prazo máximo de 48 meses anteriores ao pedido do benefício.
Hoje essa base é feita pela média longa (80% das maiores
contribuições).
Segundo o ministro, a proposta
da média curta pode estimular que o trabalhador contribua em patamar
mais elevado apenas nos três últimos anos que antecedem à aposentadoria,
e que durante os outros 32 anos ele contribua com apenas um salário
mínimo. “Essa é uma alternativa insustentável
do ponto de vista previdenciário”, declarou Pimentel.
O alerta sobre as distorções
da média curta aprovada no Senado vem sendo feito pelo relator
do projeto. Pepe afirma que, da forma como está, a proposta prejudica
os trabalhadores de baixa renda.
“Infelizmente a regra proposta
leva à situação de que uma pequena minoria vai poder
planejar a sua contribuição e, assim, estaremos prejudicando
os trabalhadores de baixa renda”, considerou Pepe.
Falta de acordo
Segundo o presidente da Comissão
de Finanças e Tributação, deputado Cláudio
Vignatti (PT-SC), o projeto de lei que extingue o fator previdenciário
e altera a média da base de cálculo da contribuição
deve ser votado na comissão em maio. Vignatti, no entanto, afirma
que não há acordo para a aprovação ou rejeição
da matéria.
“Para poder votar o PL
na comissão vai ter que ter um acordo. Hoje não tem acordo
nem na própria base do governo dentro da comissão. O consenso é que
o fator [previdenciário] tem que ter mudanças. Agora o
Pepe terá que construir uma proposta razoável para modificar
o que veio do Senado, e diferente do que inicialmente ele estava apresentando”,
declarou Vignatti.
Nas últimas semanas,
a Comissão de Finanças realizou quatro audiências
públicas para debater o fim do fator previdenciário.
Após ser votado na comissão, o PL segue para apreciação
no plenário da Câmara. Se sofrer modificações
nesta Casa, a proposta terá de ser novamente votada no Senado.
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Agência Câmara,
08 de abril de 2009
Pimentel: Orçamento pode absorver
mudança no fator previdenciário
Ministro da Previdência acredita que a substituição do
fator previdenciário pelo fator 95/85 antecipa a reforma da Previdência
O ministro da Previdência,
José Pimentel, afirmou nesta terça-feira que é possível
absorver no Orçamento os impactos financeiros da substituição
do fator previdenciário pelo fator 95/85.
O fator 95/85 consiste no direito
de se aposentar quando a soma da idade com o tempo de contribuição
resultar em 85 para as mulheres ou 95 para os homens. Para as aposentadorias
proporcionais, continuaria valendo o fator previdenciário.
Pimentel, porém, evitou
responder aos deputados que o questionaram se o governo apoiaria a mudança.
Ele participou de audiência pública, nesta terça-feira,
da Comissão de Finanças e Tributação para
discutir o Projeto de Lei 3299/09.
Estrutura
etária
Para o ministro, o fim, puro e simples, do fator previdenciário e a
implementação da média curta, como previsto na proposta
já aprovada no Senado, vão obrigar o governo a fazer bem mais
cedo a reforma constitucional da Previdência, que, segundo ele, teria
que acontecer entre 2019 e 2023.
A essa altura, acredita Pimentel,
a estrutura etária do Brasil estaria mais consolidada. O número
de nascimentos se equilibraria com o número de óbitos,
neutralizando o crescimento da população, que vai estar
mais envelhecida. Portanto, haveria mais gente aposentada e mais custos
para a Previdência.
Esse cenário mais estabilizado
permitiria formular um sistema previdenciário mais adequado à realidade
de longo prazo e, possivelmente, mais restritivo.
"Se caminharmos pelo caminho
mais fácil, essa reforma vai ter que ser adiantada e muito",
advertiu. "A Previdência é como uma casa: precisa ter
reformas de tempos em tempos sob pena de não acompanhar as mudanças
da sociedade. Independentemente de quem for governo, terá que
haver uma nova reforma da Previdência", afirmou Pimentel.
Críticas
contundentes
O ministro fez críticas contundentes à média curta, que,
segundo ele, abre brecha para os segurados com melhor condição
financeira planejarem a aposentadoria.
José Pimentel afirmou
que essa regra permite que contribuam o máximo que puderem com
base no salário mínimo (32 anos, no caso dos homens; e
27, no das mulheres) e apenas 36 meses com base no teto da Previdência.
Seria uma maneira legal de contribuir o mínimo possível
para aposentar-se com o teto, hoje de R$ 3.218,90.
"Ela é prejudicial
aos trabalhadores que ganham menos e permite que uma pequena minoria,
como empresários e profissionais liberais, possam planejar sua
contribuição", afirmou.
Para Pimentel, os empregados
assalariados, por sua vez, não têm condições
de manipular a média curta a seu favor e tendem a ter os salários
reduzidos com avançar da idade. Logo, a média dos últimos
36 salários de contribuição tende a ser menor. "O
que me assusta é um projeto dessa magnitude, com a injustiça
que traz a média curta, não está na agenda política
do País", afirmou.
Desequilíbrio
nas contas
A média curta, de acordo com o ministro, iria além do mais desequilibrar
drasticamente as contas da Previdência. Segundo ele, a proporção
dos gastos do INSS em relação ao Produto Interno Bruto (PIB)
passaria para 9,69% do produto em 2050. Mantida a regra atual essa proporção
não passaria de 5,75% nesse mesmo ano.
Com o fator 95/85, a relação
custos da Previdência/PIB subiria a 6,28%. Com o fim do fator previdenciário,
conjugado com a instituição da média curta, de acordo
com os números do Ministério da Previdência, as despesas
do INSS passariam a corresponder a 11,09% do PIB.
Hoje, essa relação
está em 1,55% mas vai subir, em razão do envelhecimento
da população e da consequente diminuição
relativa da população economicamente ativa, que contribui
para a Previdência. O fator previdenciário absorve o impacto
do aumento da expectativa de vida nas contas do INSS.
* Nesta quarta (8), a Agência
Câmara promove bate-papo com o relator do projeto que também
extingue o fator previdenciário, deputado Pepe Vargas (PT-RS).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/04/2009
Chega ao TST recurso da Embraer contra suspensão
de demissões
Os advogados da Empresa Brasileira
de Aeronáutica S/A (Embraer) pediram que o presidente do Tribunal
Superior do Trabalho, ministro Milton de Moura França, suspenda
os efeitos da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP), relativamente às demissões de 20% de seus
funcionários, até que haja o exame do mérito de
seu recurso pelo TST. O pedido de efeito suspensivo da Embraer, entretanto,
somente deverá ser decidido por Moura França na próxima
segunda-feira (13).
O presidente do TRT de Campinas,
Luís Carlos Sotero, determinou a suspensão das rescisões
contratuais na Embraer, feitas sob alegação de dificuldades
financeiras decorrentes da crise econômica, até a data da
primeira audiência de conciliação (5 de março).
Após inúmeras tentativas de conciliação fracassadas,
a Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal, embora
não tenha determinado a reintegração dos demitidos,
estendeu o prazo citado na liminar, obrigando a Embraer a pagar salários
desde a data da demissão (19/02) até 13/03, dia da última
tentativa de conciliação, como se os contratos ainda estivessem
em vigor.
“Confusão”
No recurso encaminhado ao presidente
do TST, a defesa da Embraer afirma a decisão do colegiado “está dando
a maior confusão”, na medida em que não concedeu
a reintegração, mas algo que equivale a isso, sem sequer
ressalvar a compensação dos efeitos pecuniários.
A empresa denuncia ainda que a decisão está permitindo
que empregados que tiveram seu contrato de trabalho extinto tenham direito
de participar de eleição para compor a comissão
interna de prevenção de acidente (Cipa), para obter, por
via indireta, garantia de estabilidade no emprego.
A empresa também credita à Justiça
do Trabalho a responsabilidade pelo fato de alguns demitidos não
poderem levantar seus créditos nem receber seguro-desemprego,
já que quando a liminar foi concedida, alguns empregados já haviam
sacado as verbas e outros tiveram a rescisão adiada por força
da decisão. A empresa afirma que já despendeu mais de R$
50 milhões no pagamento de indenizações e verbas
adicionais aos despedidos. Segundo a defesa, a liminar atingiu ainda
empregados que estavam de férias ou de licença e, por isso,
não tiveram suas rescisões efetivadas. As empregadas que
informaram ocorrência de gravidez às empresas foram espontaneamente
reintegradas.
Substituição processual
dos sindicatos
No pedido de efeito suspensivo,
a defesa Embraer questiona ainda a validade do dissídio coletivo
de natureza jurídica, suscitado pelos Sindicatos dos Metalúrgicos
de São José dos Campos e de Botucatu, além da Federação
dos Metalúrgicos de São Paulo, no qual pleiteiam a anulação
da dispensa coletiva feita sem prévia negociação
com as entidades sindicais. A defesa da Embraer argumenta que a capacidade
de substituição processual é restrita, não
se aplicando ao caso em questão, em que se discutem interesses
individuais homogêneos, e não interesses coletivos.
A defesa da Embraer qualifica
de “manifestamente ilegais, arbitrárias e injustificadas” as
decisões da Justiça do Trabalho de Campinas, ao entender
que as demissões importaram em abuso de direito, em razão
de não ter havido negociação coletiva prévia.
Para a empresa, o que se assiste é um “esforço distorcido” para
proteger a relação de emprego: os sindicatos ajuizando
um dissídio impróprio para anular as demissões,
e os juízes do Trabalho se esforçando para acolher as “ilegais
pretensões sindicais”.
Na petição de 42
laudas encaminhada ao presidente do TST, em que apresenta estudos de
renomados juristas a respeito do tema, a defesa da Embraer salienta que,
no ordenamento jurídico brasileiro, a medida de proteção
contra a despedida individual sem justa causa limita-se à indenização
equivalente a 40% dos depósitos do FGTS. “Juridicamente
não existe no Brasil lei que regule a dispensa coletiva e, não
havendo distinção entre rescisões contratuais por
motivos econômicos ou sem justa causa, a conclusão jurídica
irrecusável é que a reparação das dispensas
coletivas é a mesma das dispensas individuais”, afirma a
defesa.
Radicalismo
A Embraer também ressalta
que agiu dentro da mais absoluta legalidade ao dispensar seus empregados,
pagando-lhes as verbas rescisórias devidas, além de todas
as indenizações previstas na legislação trabalhista,
sem falar nas vantagens previstas em acordos coletivos que o Sindicato
dos Metalúrgicos de São José dos Campos se recusa
a assinar desde 2005. “Mesmo que houvesse legislação
que obrigasse a negociação prévia para posterior
efetivação de dispensa coletiva, o que não existe,
não haveria espaço para negociação dado o
radicalismo do sindicato, principalmente o de São José dos
Campos”.
Motivos para a dispensa
No pedido de efeito suspensivo,
a defesa da empresa afirma que seus administradores tomaram medidas amargas,
porém necessárias, para bem gerir a companhia e preservar
outros 17 mil postos de trabalho, medidas que não se restringiram às
dispensas de pessoal como em redução de custos e redimensionamento
de investimentos. A redução de faturamento previsto na
Embraer e na Eleb Equipamentos Ltda. é manifesta e significativa,
segundo a defesa, o que levou as empresas a fazer comunicados oficiais
ao mercado, encaminhados também à Bovespa e a Comissão
de Valores Mobiliários.
Os efeitos da crise econômica
global resultaram, segundo informam os advogados da Embraer ao presidente
do TST, em redução na previsão de faturamento, feita
em novembro de 2008, de US$ 7,1 bilhões para US$ 6,3 bilhões.
Em fevereiro, segundo a defesa, foi feita nova adequação,
desta vez para US$ 5,5 bilhões, em razão da redução
da produção de aeronaves de grande porte. (PET 49129/2009.8)
(Virginia Pardal)
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