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Agência Brasil, 9 de
abril de 2009
Centrais descartam flexibilização
de direitos apresentadas pelo Governo
As propostas foram descartadas. "Isso
significaria que o Governo está admitindo que é uma crise
generalizada e que teria que mexer com direito do trabalhador para superar
a crise", disse o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva.
Mensalmente as centrais irão se reunir com Lula
Depois de reunião com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quatro ministros, representantes
de seis centrais sindicais - CUT, Força Sindical, Nova Central,
UGT, CTB e CGTB - descartaram as propostas do Governo divulgadas na quarta-feira
(8) pela imprensa.
Segunda matérias veiculas
pela imprensa, as propostas prevêem flexibilizações,
como a redução da jornada de trabalho sem corte de salários
e a redução de encargos trabalhistas para empregadores
que não demitirem em tempos de crise, além de menor recolhimento
menor do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
"Todas essa discussão
que foi fruto de uma proposta ou discussão levantada pelo Ministério
da Fazenda foi colocada de lado na reunião de hoje. O que queremos é discutir
medidas como redução da taxa de juros e medidas pontuais
para os setores mais impactados pela crise", disse o presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique Silva.
O presidente da Força
Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), o Paulinho, chamou
as propostas de "fantasma da Semana Santa" e disse que a adoção
delas significaria admitir uma crise generalizada.
Crise é setorizada
Segundo Paulinho, as propostas foram descartadas. "Isso significaria que
o Governo está admitindo que é uma crise generalizada e que teria
que mexer com direito do trabalhador para superar a crise. O presidente entendeu
que é um erro. Há uma crise setorizada e, para cada setor, o
remédio é diferente".
Segundo o presidente a Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, esse não é o
momento de promover mudanças nos direitos dos trabalhadores. "No
momento, precisamos fortalecer o mercado interno, e isso não acontece
tirando direitos dos trabalhadores".
"Fomos à mesa com
uma proposta unitária e sensibilizamos o governo a ver que a crise
não pode ser tratada de forma igual para setores diferentes",
agregou o sindicalista. Segundo Pascoal, áreas como a fruticultura
e a alimentação precisam de respostas urgentes - porque "estão
entre os setores mais castigados pela crise e podem quebrar".
Ricardo Patah, presidente da
UGT disse que saiu da reunião com a certeza que o Governo não
irá adotar qualquer medida que venha prejudicar o trabalhador. "Cobrei
do presidente Lula que não se pode pensar em mexer no FGTS e recebi
dele a garantia que em seu Governo nenhum direito do trabalhador será violado".
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, afirmou, após a reunião, que nenhuma proposta do
governo será posta em prática antes de estar acertada com
as centrais sindicais.
Além de Lupi, participaram
da reunião os ministros do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Miguel Jorge, Dilma Rousseff, chefe da
Casa Civil, e Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência
da República.
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Folha de S.Paulo, 9 de abril
de 2009
Centrais criticam redução
de encargos
Governo, que estudava reduzir o recolhimento
de FGTS para evitar demissões, recua após reclamações
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os representantes das centrais
sindicais reagiram mal à proposta do governo de reduzir tributos
para as empresas -inclusive o recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço)- em troca de manutenção no
emprego com reduções nas jornadas de trabalho sem corte
de salário.
Diante da reação negativa, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva pediu ontem ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que reexamine o
assunto e tente marcar neste mês nova discussão com as centrais.
Lula também disse que, se os sindicalistas não aceitarem, o governo
não levará a proposta adiante. Seria preciso acordo entre empresas
e sindicatos para fazer a redução temporária.
Segundo a Folha apurou, o governo está preocupado com o aumento do desemprego
e elaborou a proposta, que, apesar nas negativas oficiais, foi discutida ontem
com sindicalistas. A Folha revelou ontem que o governo estudava o assunto.
A preocupação de Lula é tentar manter empregos sem redução
de salário. Daí a contrapartida de desonerar a folha de pagamento
das empresas.
Na saída do encontro de ontem com Lula, o presidente da Força
Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), classificou a
ideia como "fantasma da Semana Santa" e "coisa de maluco".
" Nenhuma central sindical aceita discutir direitos trabalhistas. Essa conversa
do FGTS foi enterrada hoje com o presidente Lula", disse Paulinho.
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique,
explicou que uma desoneração da folha de pagamentos com redução
de direitos trabalhistas não se aplica ao momento atual da crise, quando
as dificuldades são restritas a setores específicos e já há sinais
de recuperação.
" Nesse momento isso não ajuda, não colabora e não
constrói a saída da crise. Não é hora para debate
sobre redução de direitos trabalhistas", disse Henrique.
Os sindicalistas foram unânimes em apontar a elevada taxa de juros e
o "spread" -diferença entre a taxa paga pelos bancos e a cobrada
dos tomadores- como mais importantes contra o desemprego.
Oficialmente, o encontro com o presidente Lula serviu para criar mais um grupo
de avaliação da crise. O governo decidiu se reunir com empresários
e sindicalistas de setores que estão em dificuldades econômicas
para avaliar mais rapidamente as medidas que podem ser tomadas para combater
os efeitos recessivos.
Linha branca
Durante a reunião com as centrais sindicais, o presidente Lula confirmou
que vai reduzir "o mais rápido possível" o IPI de geladeira,
fogão, máquina de lavar e tanquinhos. Ele disse que a medida
passou a ser urgente por causa da divulgação de que o governo
estava estudando novas reduções do IPI, o que reduz as compras.
Ele disse também que está estudando medidas de incentivo para
caminhões, máquinas agrícolas e ônibus, que já tiveram
redução do IPI com os automóveis. (KENNEDY ALENCAR, SIMONE
IGLESIAS E LEANDRA PERES)
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
abril de 2009 | Economia
Retomada de crescimento substitui pessimismo
com a crise
Brasília - O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que as avaliações
do mundo sobre a crise financeira internacional estão mudando
e que as condições para ultrapassar este momento são
favoráveis. Para o presidente, o pessimismo do final de 2008 em
relação aos efeitos da crise foi substituído pela
ideia de que a retomada do aquecimento dos mercados é possível.
As declarações foram feitas durante o 1º Encontro
Nacional de Comunicadores, promovido pela Abert (Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão).
O presidente destacou que a reunião
do G20 (grupo dos países ricos e principais emergentes), realizada
na última semana em Londres, foi um marco para a história
do mundo, que vai passar a viver uma nova geografia econômica,
sem preconceitos.
''Tive oportunidade de viver
momento histórico, que vai mudar a geografia mundial. O G20 conseguiu
produzir coisas inesperadas pelos mais otimistas do mundo. Efetivamente
produziu marco de nova ordem mundial que será executada nos próximos
meses em que pela primeira vez os BRICs e os emergentes não foram
coadjuvantes na reunião. Eu voltei de Londres convencido que vamos
dar a volta por cima nesta crise'', disse.
O presidente contou que fez um
pedido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em relação
a crise, e reafirmou que reza mais pelo chefe de Estado norte-americano
do que por ele mesmo. ''Sabemos da capacidade e do potencial dos Estados
Unidos, mas eles deixaram a crise ir muito longe. Falei para o Obama
que não espero que ele acabe com a crise amanhã, mas que
pelo menos estanque, estanque a crise'', afirmou.
Lula disse ainda que foi uma
decisão acertada o empréstimo do G20 para o FMI (Fundo
Monetário Internacional) no valor de US$ 1,3 trilhão e
lembrou que por 20 anos carregou faixas com o fundo pelo país.
''Eu voltei otimista. O Brasil não tem presença de faz
de conta. Todos sabem que precisamos um dos outros para resolver o problema.
E o US$ 1,3 trilhão para o FMI foi decisão acertada. São
mudanças importantes que vocês, como eu, não acreditavam
que poderiam acontecer'', disse.
Márcio Falcão
Folhapress
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de abril de 2009 | Economia
Classes A, B e C sentem mais os reflexos
da crise, diz FGV
Agência Estado
As classes A, B e C foram as que mais sofreram com os reflexos da crise no
Brasil nos primeiros dois meses do ano. Os indivíduos pertencentes a
este grupo aumentaram, em muito, a probabilidade de migração
para as camadas mais pobres da sociedade. De acordo com levantamento divulgado
nesta quarta pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre
setembro e dezembro do ano passado a chance de decadência de integrantes
dessas classes para as D e E era de 2%, risco que saltou para 12% entre janeiro
e fevereiro de 2009.
A probabilidade de migração
para baixo foi ainda maior para os indivíduos das classes A, B
e C ocupados no setor financeiro. De acordo com a pesquisa - que usa
como base os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE - entre
setembro e dezembro de 2008 a chance era de 9% de queda. Já no
primeiro bimestre de 2009, o risco atingia 13,5%. Movimento similar foi
observado para os empregados da indústria, que viram suas chances
de decadência aumentar de 2,7% para 4,1% em iguais períodos.
"Estes números comprovam
que a crise bateu forte entre os profissionais qualificados e com salários
mais altos", resume o economista Marcelo Néri, responsável
pelo estudo. O risco de encolhimento na classe C põe em xeque
um dos carros-chefes do governo Lula, que foi o aumento da classe média
no País.
O mês de fevereiro consolidou
a mobilidade social observada em janeiro. A pesquisa mostra que as classes
A e B diminuíram sua participação no País,
conforme antecipado em reportagem publicada no último domingo
pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em dezembro do ano passado, a fatia
dos mais ricos era de 15,3%, patamar que recuou para 14,91% em janeiro
e 14,84% em fevereiro.
A classe C, que abriga o maior
número de brasileiros, perdeu espaço de dezembro para janeiro
- de 52,81% para 52,64% -, mas manteve-se estável em fevereiro
(52,67%). "Outro aspecto negativo diz respeito à interrupção
no movimento de pessoas saindo das classes D e E rumo à C. No
primeiro bimestre do ano, estes grupos ficaram praticamente estagnados,
respectivamente, em 13,67% e 18,82%", ressalta Néri.
Diante desta estagnação
dos mais pobres, houve aumento da desigualdade social, medida pelo Índice
de Gini. Nos primeiros dois meses deste ano, a desigualdade já apresenta
expansão de 0,55%. Movimentação inversa à observada
em 2007, início do processo de expansão da classe C, quando
houve queda de 0,16% no degrau entre ricos e pobres. No ano passado,
a redução das diferenças foi ainda maior: 2,18%.
"Ainda é cedo
para dizer que já entramos em uma trajetória de crescimento
das desigualdades. Temos que aguardar os números dos próximos
meses para ver como esta variável vai se comportar. Isso vai
depender do ritmo das demissões e a velocidade da retomada da
economia", explica o economista.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de abril de 2009 | Economia
Índice da construção
civil sobe 0,94% em março
Agência Estado
O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 0,94%
em março, o que representa uma aceleração de 0,62 ponto
porcentual em relação à taxa de fevereiro, que ficou em
0,32%, informou nesta quarta-feira (8) o IBGE. Este resultado foi pressionado
pelos reajustes salariais ocorridos nos Estados da Paraíba, Bahia e
Rio de Janeiro. Até março, o índice acumula alta de 1,66%
no ano e de 11,67% nos últimos 12 meses.
O custo nacional da construção
civil por metro quadrado passou de R$ 681,58 em fevereiro para R$ 688,00
em março, sendo R$ 402,52 relativos aos gastos com material e
R$ 285,48 com a mão de obra. A parcela do material de construção
subiu 0,71% em março, acima da taxa de fevereiro, que foi de 0,49%.
Por outro lado, o componente mão de obra apresentou "forte
aceleração" com alta de 1,28%, ante leve avanço
de 0,08% em fevereiro.
No acumulado de 2009, a alta
do material de construção é de 1,74% e, nos últimos
12 meses até março, 13,54%. Já a mão de obra
registra resultados acumulados de 1,55% e 9,14%, nos respectivos períodos.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
09 de abril de 2009
APÓS MEDIDAS DE ESTÍMULO À HABITAÇÃO
Construtoras já sentem movimentação
maior
Janeiro e fevereiro tiveram maior demanda
nas construtoras, mas pacote só deve refletir no 2º semestre
O anúncio das medidas
federais de estímulo a habitação no País
já começaram a surtir algum efeito no Ceará. De
acordo com representantes da indústria da construção
civil e do mercado imobiliário, a procura por imóveis nos
estandes de construtoras e nas imobiliárias apresentou aquecimento
em fevereiro e março últimos, em relação
aos meses finais de 2008. Os impactos do pacote “Minha casa, minha
vida ”, entretanto, só é esperado efetivamente a
partir do segundo semestre do ano.
Para André Montenegro,
vice-presidente do Sindicato da Indústria de Construção
Civil do Estado (Sinduscon-CE), um bom termômetro do aquecimento
das vendas foi o Salão Imobiliário Ceará (Simc 2009),
realizado em Fortaleza, de 25 a 29 de março, no Centro de Convenções. “Todo
mundo vendeu imóvel lá”, comenta.
O Simc 2009 reuniu cerca de 100
expositores, entre construtoras, incorporadoras, imobiliárias
e bancos. De acordo com Louvimar Araújo, diretor da 2LA Eventos,
empresa organizadora do Salão, os negócios foram positivos.
O evento — que teve o apoio do Sistema Verdes Mares — movimentou
R$ 180 milhões em vendas, e contou com a visitação
de 38 mil pessoas, segundo dados preliminares.
O vice-presidente do Sinduscon
destaca que a carência de unidades habitacionais no Estado — e
no País como um todo — ainda é muito grande. Por
isso, as medidas adotadas pelo governo devem ocasionar o atendimento
a esta demanda reprimida, com o lançamento de imóveis cada
vez mais focados no perfil da população.
Retração foi superada
“O reflexo do pacote, no
entanto, deve ser sentido a partir do segundo semestre, quando os projetos
vão estar estruturados e prontos para serem lançados”,
afirma Montenegro. Ele reforça que o período de retração
da procura por unidades habitacionais foi superado. “Fevereiro,
março e agora, no começo de abril, a gente já sente
o consumidor voltando a comprar imóveis”, diz.
Estabilidade nos empregos
De acordo com Montenegro, os
imóveis lançados em 2007 e 2008 vão começar
a ser construídos este ano. Por isso, a tendência no mercado
de trabalho da construção civil é de estabilidade. “Não
houve grande demissão no ano passado e as construtoras devem começar
a contratar apenas após a formatação dos novos empreendimentos”,
argumenta.
Termômetro do mercado,
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), mostra que em fevereiro, a construção
civil gerou 528 vagas com carteira de trabalho assinada no Estado. No
primeiro bimestre de 2009, o saldo do segmento é positivo, com
106 vagas criadas.
Já no subsetor de comércio
e administração de imóveis, o Caged registra geração
de 472 empregos celetistas, em fevereiro, e perda de 202 postos no bimestre,
em todo o Estado.
CONCRETIZAÇÃO
DE VENDAS NO 2º SEMESTRE
Stand recebe até 50 ligações por dia
O reaquecimento do mercado cearense
de construção civil pode ser comprovado pela movimentação
nas imobiliárias. Segundo o corretor Nairo Cavalcante Júnior,
proprietário da Ética Imóveis, o telefone não
pára de tocar: “Recebemos, em média, de 30 a 50 ligações
por dia”.
No entanto, ele espera que as
vendas se concretizem apenas no segundo semestre. “O pacote habitacional
gerou muita expectativa nas pessoas, mas os projetos ainda não
estão prontos”, argumenta.
A Ética Imóveis
está com cerca de 40 unidades residenciais e comerciais exclusivas
em oferta. São produtos com preços que variam de R$ 50
mil a R$ 4 milhões — neste último caso, um apartamento
residencial na Beira-Mar. “O que está vendendo mais são
os imóveis na faixa de R$ 80 mil”, ressalta Júnior.
De acordo com Nairo Júnior,
as imobiliárias estão migrando para bairros como Maraponga
e Passaré, que concentram lançamentos voltados para a classe
média. “Nos bairros nobres, o problema do déficit
habitacional já está resolvido. A compra do primeiro imóvel
acontece mais em bairros afastados. É impressionante como a Maraponga
está com bons empreendimentos, que são vendidos em apenas
três meses”, diz.
João Carlos Gondim, diretor
comercial da A Predial, afirma que a empresa sentiu a melhora nos negócios
há uns dez dias. “Participamos do Salão Imobiliário
do Ceará e sentimos a procura tanto por lançamentos quanto
por imóveis avulsos”. Para ele, o mercado reagiu bem ao
pacote habitacional. “As medidas anunciadas deram confiança
aos consumidores que estavam esperando a oportunidade para comprar imóvel”.
Embalada pelas facilidades, a
clientela está mais exigente — afirma Gondim. “Quer
ver mais opções e exige mais profissionalismo das imobiliárias
e dos corretores. Hoje, o corretor precisa entender não só de
imóvel como de financiamento bancário porque grande parte
das vendas é por financiamento. Antes, era à vista ou direto
com a construtora”.
Acompanhando o clima de otimismo
do mercado, A Predial ampliou seus dias e horários de funcionamento:
está aberta também aos sábados, em sistema de plantão,
até as 15 horas.
“Com essa estratégia
passamos a atender clientes que, durante a semana, não têm
tempo para procurar e visitar imóveis, seja uma casa, apartamento
ou estabelecimento comercial”, diz o diretor comercial.
O plantão também
funciona via telefone, pelo número 4012.8000.
Segundo Gondim, o plantão
continuará até o mês de abril e, provavelmente, até o
meio do ano. “Porque vale a pena. A gente nota que o cliente de
fim de semana é o comprador, já com poder de decisão,
fecha negócio porque é mais objetivo”, argumenta.
A expectativa da Predial é de crescimento de 15% no volume de
vendas ao longo de 2009.
Samira de Castro
Repórter
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Reuters, 9 de abril de 2009
Após queda no BB, Dilma é dura
com ‘spread’ de banco público
Em reunião com sindicalistas
nesta quarta-feira, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) criticou o
alto nível dos spreads cobrados pelos bancos públicos,
segundo relato dos presentes. No mesmo encontro, representantes das principais
centrais sindicais do país comemoraram a demissão do presidente
do Banco do Brasil anunciada na tarde desta quarta-feira (8).
"O Governo não aguenta
mais negociar o spread bancário. Os presidentes dos bancos públicos
pensam que o banco é deles", teria dito Dilma, de acordo
com o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), o Paulinho, presidente
da Força Sindical.
A ministra ainda comentou que "banco
público não pode cobrar um spread desses. É para
puxar desenvolvimento".
Antonio Francisco de Lima Neto
deixou a presidência do Banco do Brasil nesta quarta-feira em meio
a críticas sobre o nível de spread (diferença entre
o que um banco paga na captação e o que empresta ao consumidor)
cobrado pela instituição.
Ele será substituído
por Aldemir Bendine, um dos vice-presidentes da instituição.
A pressão de setores produtivos
e sindicais para que o governo atue no sentido de reduzir o spread tem
crescido enormemente depois da intensificação da crise
financeira global, em setembro.
"Ficamos muito satisfeitos
com a demissão do presidente do Banco do Brasil", afirmou
Paulinho. "O presidente Lula parecia que não mandava no banco.
Achamos que ele (Lima Neto) era um impedimento para baixar o spread bancário
e o custo do dinheiro", acrescentou.
Para o presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, o Banco do Brasil, a Caixa
e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
devem servir aos interesses da sociedade.
"Banco público não
pode ter o mesmo papel de um banco privado", comentou.
Os sindicalistas de seis centrais
sindicais se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e os ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral),
além de Dilma, para discutir medidas de combate aos efeitos da
crise.
Antes, Lula havia dito que a
redução do spread é sua obsessão.
Oposição
questiona
Em sentido inverso ao dos sindicalistas, os partidos de oposição
cobraram explicações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre
os motivos que levaram à saída do presidente de Lima Neto. PSDB,
DEM e PPS vão apresentar requerimento convocando o ministro a comparecer
ao Congresso para esclarecimentos.
"A versão do governo
sobre o afastamento não tem credibilidade, uma vez que não
faz referência ao trabalho que estava sob a responsabilidade do
servidor demitido", diz nota assinada pelos presidentes dos três
partidos.
A oposição questiona
a medida provisória 443 que autorizou o Banco do Brasil e a Caixa
a comprar participações em instituições financeiras
em dificuldades o que facilitaria, segundo as legendas, negócios
sem transparência e sem fiscalização.
Na entrevista em que anunciou
a saída do presidente do BB, Mantega afirmou que não
há "ingerência política" sobre a instituição.
(Fonte: Reuters)
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O Estado de S.Paulo, 9 de
abril de 2009
Juro no Brasil é até 10
vezes mais alto, divulga estudo do Ipea
As taxas de juros reais anuais pagas pelas pessoas físicas no Brasil
podem ser até dez vezes mais altas que as cobradas pela mesma instituição
em seu país de origem. Essa é uma das conclusões do estudo
Transformações na indústria bancária no Brasil
e suas implicações no cenário da crise atual divulgado,
nesta terça-feira (7), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea).
O estudo contém três
exemplos: HSBC, que na primeira semana de abril cobrava 63,42% ao ano
no Brasil e 6,60% na Inglaterra; Santander, com taxa de 55,74% no Brasil
e de 10,81% na Espanha; e Citibank, com 7,28% nos Estados Unidos e 60,84%
no Brasil.
Ainda que a taxa básica
brasileira, a Selic (hoje de 11,25% ao ano), seja mais elevada que a
de qualquer um desses países - a americana é de praticamente
zero - essa diferença não pode ser apontada como a única
causa da disparidade dos números, segundo o chefe da assessoria
técnica da presidência do Ipea, Milko Madijascic.
Afinal, lembrou ele, também
entram nessa conta os impostos, a taxa de risco e o lucro dos bancos.
A gritante diferença é um
dos motivos que levam à avaliação, por parte do
instituto, de que o sistema bancário brasileiro é um indutor
da desigualdade social. Assim, se os bancos no País têm
mostrado fôlego para atravessar a crise financeira internacional,
também contribuíram para a concentração de
riqueza e exclusão social nos últimos anos.
"Os bancos estão
muito sólidos, mas a função do setor dentro da sociedade
está prejudicada", disse Madijascic.
Além disso, continuou
o Ipea, contribuem para acentuar as diferenças sociais o número
de agências proporcionalmente menor do que em outros países
e o fato de que o sistema brasileiro é extremamente concentrado.
O estudo destaca que o País
sofreu ainda mais concentração bancária com a quebra
e aquisições de instituições do Governo ao
longo da década de 90, quando o mercado foi aberto.
A diferença de quantidade
de agências dentro do País, conforme a região, na
comparação com outras nações, também
foi destaque do levantamento do Ipea. "Há regiões
prejudicadas, pois o crédito não chega a todos de maneira
igual", considerou Madijascic.
Ele ressaltou que, apesar de
o crescimento dos correspondentes bancários (lotéricas,
farmácias e outros estabelecimentos comerciais que oferecem alguns
serviços bancários) nas regiões mais necessitadas
auxiliar no cotidiano da população, o papel dessas casas é limitado. "Fica
claro que há o banco do rico e o banco do pobre", ressaltou.
Até a década de
80, de acordo com o levantamento, havia para cada agência, em média,
cerca de 8 mil brasileiros. A partir de 1990, a relação
subiu para mais de 10 mil pessoas, atingindo, em 2007, a marca de 10.145
brasileiros para cada agência.
O documento do Ipea mostra também
que, nas capitais brasileiras, há uma agência para cada
grupo de 6.124 pessoas residentes, mas no interior a relação
média é de uma agência para 11.873 habitantes.
Além disso, 505 municípios
(9% do total) não têm agência nenhuma, conforme constataram
os técnicos do Ipea, acrescentando que, na Espanha, existem, em
média, 1 mil habitantes por agência; em Portugal, 2 mil,
e nos Estados Unidos, 3,4 mil. "Para combater os efeitos da crise
financeira no País, não basta aumentar o crédito, é preciso
popularizar o acesso aos bancos", defendeu Madijascic.
Os estados com maior penetração
das agências bancárias no conjunto da população
em 2006, último dado disponível, foram, de acordo com o
estudo, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito
Federal.
Já os estados com
menor presença das agências bancárias no conjunto
da população são Maranhão, Piauí,
Alagoas, Pará e Ceará, no Norte e Nordeste do País.
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Vermelho, 9 de abril de 2009
Spread: a gravidade da política
de juros no Brasil
A decisão do governo de trocar o presidente
do Banco do Brasil mostra, de forma concreta, a disposição
da equipe econômica de atacar um dos focos que travam a aplicação
de políticas contra os efeitos da crise econômica global
no país. Ao assumir o posto de Antônio Francisco de
Lima Neto, o novo presidente do banco, Aldemir Bendine, terá pela
frente, como disse o ministro da Fazenda Guido Mantega, um “contrato
de gestão” — sua missão consiste em elevar
o volume de crédito e reduzir o spread (a diferença
entre o custo do banco para captar dinheiro e a taxa cobrada dos
clientes). O episódio chama a atenção para a
gravidade da política de juros no Brasil.
Por Osvaldo Bertolino
A “obsessão” do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir o spread bancário é um
alento. O lucro dos bancos — inclusive do Banco do Brasil —,
não é de hoje, atingiram dimensões de escândalo.
Dinheiro que poderia irrigar a economia entra nos cofres das instituições
financeiras de uma forma inaceitável. Segundo cálculos
da Federação do Comércio do Estado de São
Paulo (Fecomercio-SP), só em 2008 os brasileiros pagaram R$ 134,5
bilhões em spread. Uma comparação sobre o custo
do crédito no Brasil e em outros países demonstra que as
taxas brasileiras são bem mais altas do que as cobradas no exterior,
segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O estudo indica que o empréstimo
para pessoa física no Brasil chega a custar dez vezes mais do
que em uma agência européia do mesmo banco. No caso de pessoa
jurídica, o brasileiro tem que pagar quatro vezes pelo empréstimo
em relação ao valor cobrado nos Estados Unidos e na chamada
Zona do Euro. O valor pago em spread em 2008 corresponde, por exemplo,
a mais que o dobro do Orçamento anual do Ministério da
Saúde ou a 289 milhões de salários mínimos.
A maior parte dos R$ 134,5 bilhões foi paga nos empréstimos
de pessoas físicas. No ano, os consumidores pagaram aos bancos
R$ 85,4 bilhões e as empresas, R$ 49,1 bilhões, segundo
a Fecomercio-SP.
A barreira do spread não
se justifica diante do esforço do governo para elevar o volume
de crédito. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional
(CMN) aprovou uma medida que oferece como garantia, para os Certificados
de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos pelos bancos de
menor porte, os recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC),
com o objetivo de prover liquidez. A expectativa da equipe econômica é que
os bancos tenham cerca de R$ 40 bilhões a mais para emprestar.
Segundo informou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o
valor poderia ser superior a R$ 100 bilhões se todos os bancos
fizessem a operação.
Transferência brutal de recursos
A aposta de Mantega é que,
com maior crédito disponível na economia brasileira, haverá uma
redução dos juros e, consequentemente, do spread. “Nós
temos uma oferta de crédito maior. Isso significa que esses bancos
que estão captando a taxas mais elevadas vão captar a taxas
menores (CDB mais 1%) e isso diminui a taxa dos empréstimos. A
tendência é que caia spread por causa disso. Acredito que é um
mecanismo que vai ser usado e que vai ajudar pequenas e médias
empresas”, afirmou. Meirelles disse que as medidas do CMN objetivam
a competição dos bancos para baixar juros.
São medidas louváveis,
mas de pequeno alcance diante do tamanho do problema. O Brasil convive
com a anomalia de uma agiotagem financeira oficializada, dirigida pelo
Banco Central, alimentada pela indexação de juros instituído
em 1964 — TR, TJLP, TBF, CDB, CDI, over, spread, Selic etc. A Assembléia
Nacional Constituinte de 1988 pretendeu corrigir a anomalia existente
estipulando juros máximos, para qualquer modalidade, de 12% ao
ano, como era antes de 1964. Mas o poder granjeado pela direita com o
Plano Real passou por cima do espírito da Constituição.
O governo do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso (FHC) abriu as portas para a transferência brutal
de recursos públicos para os bancos ao adotar a constante elevação
dos juros como esteio da política de “estabilidade” damoeda.
A medida provisória que instituiu o Plano Real anunciou o ''Fundo
de Amortização da Dívida Mobiliária Federal'',
o embrião do superávit primário que até hoje
inferniza a vida brasileira. Os neoliberais venderam ações
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
e cortaram despesas orçamentárias para formar o ''Fundo
de Estabilização Fiscal''.
Juros poderia ser caso de polícia
Antevendo o estrago que a turma
de FHC promoveria, o então presidente da República Itamar
Franco, que nunca foi o paspalhão que a mídia tentou pintar,
pediu ao Congresso Nacional que agilizasse a regulamentação
do artigo da Constituição que determina o limite de 12%
ao ano para a taxa de juros. Ele, no entanto, era quase uma voz isolada
no país. Mas logo se veria que sua preocupação tinha
razão de ser — no primeiro dia útil do Real, a taxa
de juros, puxada pelo Banco Central, disparou, chegando aos 12%. Um ano
depois, já estava em 60%.
Poderia ser um caso de polícia.
Antes de 1964, havia no Brasil crédito diferenciado e juro máximo
de 12% ao ano. A agricultura levantava empréstimo no Banco do
Brasil a 3,5% e 4% ao ano; a indústria, a 5% e 6% ao ano; o comércio
e o transporte, a 6% e 7% ao ano. Como lembra o economista Ney Bassuino
Dutra em artigo no Monitor Mercantil, na Rua do Ouvidor, na cidade do
Rio de Janeiro, a polícia volta e meia corria procurando prender
dois tipos de contraventores: um, que vendia “rabinho de coelho” para
dar sorte; outro, agiota que emprestava dinheiro a juros aos funcionários
públicos a 14% ao ano.
Além desse problema estrutural
da economia brasileira, os juros do financiamento à produção
incidem sobre os custos das mercadorias, elevando os preços. Essa
elevação o Banco Central não considera inflação.
Segundo Ney Bassuino Dutra, hoje respeitáveis organizações
bancárias emprestam a 500% e 600% ao ano, amparadas pelo Banco
Central, a institução criado para ser “o guardião
da moeda nacional”. Ele lembra que outrora o Banco do Brasil, na
condição de supridor de dinheiro, controlava os juros e
o dinheiro emprestado, dentro do estabelecido pela “Lei da Usura” vigente, à produção,
ao consumo e ao financiamento da casa própria, com juros compatíveis
com a dignidade humana.
Liberdade para os bancos
Marcos Cintra, outro economista
de renome, em artigo no jornal Diário do Grande ABC disse que
um dos principais problemas do Brasil são os escandalosos spreads
cobrados pelos bancos. “Através deles ocorre uma absurda
transferência de riqueza das empresas e dos trabalhadores para
o setor financeiro”, escreveu. Segundo Marcos Cintra, o Brasil
tem um dos maiores spreads do mundo. “A diferença entre
o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram nos empréstimos
fechou em dezembro do ano passado em 30,6 pontos percentuais. Em média
os bancos pagam 12,6% quando um investidor faz uma aplicação
e cobram 43,2% quando emprestam aos seus clientes. Quando o spread se
refere apenas às pessoas físicas ele é superior
a 45 pontos percentuais”, disse.
O economista afirmou ainda que
problema do custo do dinheiro no Brasil era equivocadamente focado quase
que exclusivamente na redução da taxa Selic. “Porém,
gradualmente os analistas perceberam que os juros que sufocam a economia
brasileira são os aplicados ao tomador final. Para as empresas
as taxas anuais ultrapassam 38% para o financiamento do capital de giro,
45% no desconto de duplicatas e 76% na conta garantida. Para as pessoas
físicas superam 60% no crédito pessoal e 175% no cheque
especial. Ou seja: os bancos multiplicam a Selic de três a catorze
vezes quando emprestam para seus clientes”, escreveu.
Uma das propriedades do mercado
financeiro brasileiro é oferecer liberdade para que os bancos
decidam quanto irão cobrar sobre cada tarifa — e, inclusive,
decidir quais serão as tarifas existentes. Há algum tempo,
o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) disse que
há desconfiança de que os bancos brasileiros agem como
um cartel na hora de estabelecer o preço de tarifas. O Banco Central,
que deveria pôr freio nessa farra — a instituição,
sob as ordens do banqueiro Henrique Meirelles, controla com exclusividade
a Casa da Moeda (emissão de dinheiro), a entrada e saída
de capitais, o câmbio, o juro, o balanço de pagamento das
contas externas, entre outras atribuições — na prática
finge que nada vê.
Resposta de Henry Ford
A rigor, o Banco Central é o
principal patrocinador dessa farra. A economista Sandra Quintela, do
Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), revelou
ao Monitor Mercantil que só em 2009 a gastança com juros
e amortizações da dívida consumirá R$ 234
bilhões, mais R$ 756 bilhões com amortizações
via emissão de títulos, o que significa a metade de todo
o Orçamento. ''Enquanto isso, para toda a folha de pessoal estão
previstos R$ 169 bilhões, incluindo todos professores, médicos
e demais servidores ativos, aposentados e pensionistas'', afirma. A economista
destaca que a crise torna claro como a dívida pública é o
centro dos problemas nacionais.
O cidadão Jonathan Teixeira
resumiu a ópera ao revelar como funciona a farra financeira, em
carta publicada no ''Painel do Leitor'' do jornal Folha de S. Paulo no
dia 26 de agosto 2002. ''Deixa eu ver se entendi: os bancos pegam meu
dinheiro, que pagam quando muito a 6%, e emprestam a 12% para os exportadores.
Os exportadores, em vez de produzir, exportar e gerar empregos, emprestam
o meu dinheiro para o governo a 25% e embolsam a diferença. O
governo paga a eles com o meu dinheiro, dos meus impostos, e isso não é ilegal?!'',
escreveu. Muito tempo antes, Henry Ford, industrial norte-americano que
revolucionou a indústria automobilística no começo
do século 20, resolveu a equação. ''Sabe-se muito
bem que o povo não entende nada do sistema bancário e monetário,
porque, se entendesse, acredito que haveria uma revolução
antes de amanhã cedinho”, disse.
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Gazeta do Povo, 9 de abril
de 2009
Bancos
BB muda de comando para ter crédito
mais agressivo
Antonio Lima Neto deixa o lugar para Aldemir
Bendine, que assume com a missão de reduzir juros e spread
bancário. Demissão é cercada de polêmica
sobre os reais motivos que a causaram
Brasília - O governo confirmou
ontem que Antonio Francisco Lima Neto deixará a presidência
do Banco do Brasil, mas tanto o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negaram que a saída
do executivo tenha sido motivada pela cobrança insistente do governo
pela redução dos juros e do spread cobrados pelos bancos
públicos. No mercado, a notícia fez as ações
do banco caírem e operadores criticaram a ingerência política
na instituição. A ação ordinária do
BB desabou 8,15%. No Congresso, a oposição quer convocar
Mantega e Lima Neto para dar explicações sobre possíveis
irregularidades em negócios fechados pelo banco na gestão
do presidente demissionário. Mantega rebateu ambas as acusações.
Lima Neto, segundo Mantega, havia
pedido para deixar o cargo “havia semanas” e será substituído
pelo vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo
da instituição, Aldemir Bendine, com a missão de
implementar uma política mais agressiva de aumento do crédito
e ampliação da concorrência entre os bancos brasileiros.
Segundo o ministro, o novo presidente também deve colocar o BB
de volta na liderança do setor, que foi perdida após a
fusão do Itaú com o Unibanco.
De manhã, o presidente
Lula negou que o presidente do BB deixou o cargo por causa dos spreads. “Eu
não trabalho diretamente com essas coisas. Eu soube que ele teria
dito que gostaria de sair”, disse Lula. Diante das insistências
de jornalistas em questionar se a dificuldade do banco em reduzir spreads
teria motivado a saída de Lima Neto, Lula respondeu: “a
redução do spread bancário neste momento é uma
obsessão minha.” Spread é a diferença entre
o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos
clientes. Segundo o ministro, a concorrência entre os bancos nacionais é incipiente
e insatisfatória, motivos pelo quais o spread bancário é elevado.
“Ingerência do bem”
Mantega afirmou que não
se pode falar em “ingerência política” no BB.
Ele lembrou que a União é a maior acionista da instituição. “Se
o presidente pede demissão, temos que substituí-lo”,
afirmou.
Segundo Mantega, os critérios
utilizados para escolher o novo presidente foram os mesmos usados para
a escolha do demissionário: suas aptidões. “Se houve
ingerência política, foi para o bem. O Banco do Brasil teve
a maior lucratividade no ano passado, expandiu o crédito e tem
uma carteira robusta.”
Ele reforçou que a saída
de Lima Neto encerra um ciclo de expansão do BB e que caberá a
Bendine fazer do banco uma instituição mais forte e com
presença mais marcante.
Mantega anunciou que nos próximos
dias será fechado um contrato de gestão pelo qual serão
estabelecidas metas a serem cumpridas pelo BB. “O BB vai disputar
market share e, para isso, tem que continuar reduzindo os juros”,
explicou.
Fórmula
Para Bendine, a queda do
spread nas operações do banco será possível
com o aumento do volume de concessão de crédito. “Temos
uma economia cada vez mais sólida, e vamos combater – é lógico,
do ponto de vista da rentabilidade – o spread com o aumento do
volume (de operações),”
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Força Sindical, 9 de
abril de 2009
Força Sindical chega a mil
sindicatos. CUT ainda é a maior central
A Força Sindical atingiu
a marca de mil sindicatos que declararam filiação à central
no Ministério do Trabalho.
A entidade continua sendo a 2ª maior
central do País, atrás apenas da CUT.
Quando as centrais sindicais
foram legalizadas, a Força Sindical tinha 732 Sindicatos, ou seja
19,31% dos sindicatos que declaram oficialmente suas opções
pelas centrais.
O percentual subiu para 22,41%.
A CUT, que tinha 42,48% dos sindicatos
que declaram a opção, caiu para 36,93%.
Segundo a direção
da Força, as causas dessa mudança podem ser a desfiliação
de sindicatos ou sindicatos independentes terem escolhido outras Centrais.
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Folha de S.Paulo, 9 de abril
de 2009
Senadores gastam média de R$
6.000 mensais em celular
Conta da Casa em 2008 foi de R$ 8,6 mi; congressistas
não têm limite de uso | Dados são do sistema
de acompanhamento de gastos do Senado; diretor-geral se negou a divulgar
valores pagos para cada senador
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Senado gastou R$ 8,6 milhões
com pagamento de contas de telefones celulares no ano passado, de acordo
com dados do Siga Brasil (sistema de acompanhamento dos gastos de orçamento
da Casa). Em média, o gasto por congressista foi de ao menos R$
6.126 mensais, numa conta conservadora.
Segundo a Secretaria de Telecomunicações do Senado, a Casa detém
232 aparelhos, dos quais 110 estão com senadores. Os demais, 122, são
destinados a servidores com cargo de chefia. O responsável pela distribuição é o
diretor-geral.
Até março, o máximo que um funcionário do Senado
podia gastar com celular era R$ 350 -para servidores com função
comissionada número 9, a mais alta. No dia 18, o presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), rebaixou esse valor para R$ 300. Já para
diretores com funções comissionadas números 7 e 8, o teto
estabelecido foi, respectivamente, de R$ 200 e R$ 250. Senadores não
têm limite de gastos.
Levando-se em consideração o máximo que um servidor pode
gastar, conclui-se que as despesas dos celulares dos servidores foram de R$
512.400 em 2008. Portanto, o restante do total gasto pelo Senado, R$ 8 milhões, é referente
aos 110 aparelhos dos congressistas -num cenário em que todos os servidores
gastassem o teto da função mais alta. Dividindo o valor por 12
meses chega-se à conclusão de que os senadores gastaram em média
R$ 6.126 mensais por aparelho.
A Folha consultou as operadoras TIM e Vivo, que prestam serviço ao Senado,
para saber quanto um cliente pessoa física pode falar ao celular gastando
R$ 6.000 por mês. Pelo melhor plano, é possível usar o
aparelho por 11 horas diárias por 30 dias em ligações
no Distrito Federal. Naturalmente, o volume é apenas para fins de comparação,
já que não faria sentido um senador só fazer ligações
locais.
Há oito dias, a Folha apresentou ofício encaminhado à Primeira-Secretaria
e à Diretoria Geral da Casa solicitando informações sobre
os gastos gerais do Senado e o valor da conta de cada senador.
No documento, a reportagem ressaltou que a publicidade dos gastos na administração
pública é direito estabelecido no artigo 37 da Constituição.
Sem responder formalmente ao ofício, o diretor-geral, Alexandre Gazineo,
afirmou que o pedido havia sido indeferido. Questionado, o primeiro-secretário
Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmou ser contra a divulgação
dos dados.
México
Em 18 de março, foi revelado que um celular em posse do senador Tião
Viana (PT-AC) teria uma conta cujo valor "daria para comprar um carro
popular". A conta ficou em R$ 14 mil, conforme o jornal "O Estado
de S. Paulo" mostrou ontem.
Questionado, Viana -que foi candidato a presidente do Senado contra Sarney
neste ano- admitiu ter emprestado um celular do Senado para a filha viajar
ao México por duas semanas em janeiro.
Para que o celular funcionasse, Viana enviou autorização em seu
nome solicitando a liberação de chamadas internacionais. Mas
não avisou que o aparelho seria usado pela filha.
Na sexta-feira, o servidor Carlos Roberto Moniz foi exonerado do comando da
Diretoria de Telecomunicações, cargo que ocupava desde 2004.
Um dos motivos foi a elaboração de um relatório sobre "o
mau uso dos celulares" pelos senadores.
A Folha ouviu dois funcionários da Casa que tiveram acesso ao documento.
Um deles afirmou que não havia informação sobre os gastos
dos senadores. Por meio da Secretaria de Comunicação do Senado,
Moniz nega ter produzido o relatório.
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O Estado de S.Paulo, 9 de
abril de 2009
Sob pressão paulista, Aécio
resiste a ser vice de Serra
Um dos potenciais candidatos do PSDB à Presidência
da República em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves, negou ontem que pretenda compor uma chapa única com
o governador paulista, José Serra, para disputar o Planalto.
A tese da chapa puro-sangue voltou a ganhar força no partido,
alavancada pelas últimas pesquisas de intenção
de voto, em que o mineiro aparece atrás da pré-candidata
do PT, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas simulações
de segundo turno.
Por Julia Duailibi no Estado de S. Paulo*
" Não existe essa possibilidade. Num quadro pluripartidário
como o brasileiro, as alianças são absolutamente necessárias.
E o PSDB não foge à regra", disse o governador, que completou: "Será muito
importante o compartilhamento da chapa com outro partido."
A avaliação no
PSDB é que uma chapa com Serra na liderança e Aécio
na vice seria imbatível do ponto de vista eleitoral. Juntaria
os dois principais colégios eleitorais do país, São
Paulo e Minas, onde ambos são bem avaliados. Juntos teriam um
potencial de 44 milhões de eleitores, ou mais de 30% de todo o
eleitorado nacional.
O principal cacique do PSDB,
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, já foi um dos entusiastas
da chapa puro-sangue. Mas resolveu deixar de defendê-la, pelo menos
publicamente, após Aécio ter se queixado de declarações
dadas em favor da candidatura de Serra. Anteontem, em viagem a Washington,
Fernando Henrique foi cuidadoso ao comentar uma eventual composição
entre os dois: "Não posso dizer que acredito nisso, pois
seria uma desconsideração com governador Aécio,
que é candidato a ser cabeça de chapa."
O presidente do partido, senador
Sérgio Guerra (PE), também esboçou ceticismo com
a atual viabilidade de uma chapa puro-sangue no PSDB. "Apesar de
ser uma coisa conveniente para o PSDB e para o país, não
vejo como isso pode acontecer", declarou o senador. "Numa eleição,
o partido deve procurar parcerias. A chapa puro-sangue fecha a possibilidade
de outras alianças", afirmou o secretário-geral do
partido, deputado Rodrigo de Castro (MG).
Ontem, em Minas, ao ser questionado
sobre um acordo com Serra, Aécio respondeu: "Nós estamos
no tempo dos boatos, da especulação. O que é natural.
Isso vai ocorrer daqui até o momento da definição
do partido. Não há mudança alguma."
Os mineiros creditam aos tucanos
paulistas o que chamam de boatos sobre a desistência de Aécio
de disputar a indicação do PSDB. Mas mesmo aliados do mineiro
acham que ele não insistirá na disputa, caso chegue ao
ponto de realizar prévias. Aécio, no entanto, diz esperar
a movimentação do partido, que trabalha internamente para
criar as regras da consulta.
"O partido deve continuar
se movimentando. Eu estou ficando rouco de dizer sempre a mesma coisa.
E, no final do ano, o partido tomará a sua decisão. Eu
espero que seja através das prévias partidárias",
completou o governador mineiro.
Caso não receba a indicação
do PSDB para disputar a Presidência em 2010, Aécio avalia
que o seu caminho natural é o Senado, para o qual não teria
dificuldade de se eleger.
Tucanos defendem que uma
composição entre Serra e Aécio passe por uma sinalização
em torno da presidência do Senado. Se o governador paulista for
mesmo o indicado pelo partido para disputar a eleição
e se ele vencer a corrida para o Planalto, poderia trabalhar pela eleição
de Aécio para a presidência do Senado. Claro que isso
só seria possível se o mineiro se empenhasse por Serra,
principalmente em Minas.
Aécio mantém seu plano de viajar pelo país. Depois de
ter passado por Recife, irá a Fortaleza após a Semana Santa.
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Gazeta do Povo, 9 de abril
de 2009
Reajuste salarial
PR: Aprovado o piso privado, governo
retira projeto do mínimo dos professores
No mesmo dia em que conseguiu aprovar o reajuste do piso regional para a iniciativa
privada em terceira e última votação, o governo estadual
decidiu retirar da Assembleia Legislativa do Paraná o projeto que cria
um salário mínimo para os professores do estado. A mensagem,
do próprio Executivo, estabelecia um piso regional de R$ 1.392 para
os profissionais da educação básica. Mas foi retirada
ontem de pauta a pedido do líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli
(PMDB).
O projeto estava parado na Assembleia
desde novembro do ano passado. Em dezembro, chegou a ser colocado para
votação, mas os governistas pediram o adiamento por dez
sessões com o argumento de que precisavam fazer correções
no texto. E o projeto ficou engavetado desde então. A promessa
era de que o mínimo dos professores seria votado ontem.
Às pressas
Embora o governador Roberto Requião
(PMDB) tenha apresentada a mensagem, sinalizou desde o início
que não tinha pressa na aprovação. O projeto foi
elaborado às pressas, logo depois que o governo federal criou
um piso nacional para os professores. Na época, o mínimo
nacional para a categoria era R$ 950. Agora ele está fixado em
R$ 1.132,40.
O governador chegou a assinar
uma ação direta de inconstitucionalidade contra o piso
nacional e, na sequência, enviou o projeto à Assembleia
com a justificativa de que o Paraná já pagava um salário
acima do mínimo fixado pelo governo Lula (PT).
Na sessão de ontem, o
deputado Reni Pereira (PSB) apresentou requerimento pedindo a votação
do projeto, mas o governo recuou. A justificativa de Romanelli foi de
que a proposta do piso “perdeu o sentido” porque nenhum professor
do Paraná ganha menos do que o piso nacional.
A oposição interpretou
a medida como um desrespeito aos professores. “Só comprovou
que o envio do projeto foi mais um factoide criado pelo governo para
enganar os funcionários públicos”, disse o líder
da oposição, Élio Rusch (DEM).
Sem prioridade
Para Reni Pereira, o governo
mostrou que salário de servidor não é prioridade,
embora tenha tido muita pressa para aprovar o reajuste de 14,9% do piso
dos trabalhadores da iniciativa privada. O líder do DEM, Plauto
Miró Guimarães (DEM), disse que o governador “gosta
de fazer pose para fotografia no momento em que lança a ideia,
mas quando volta atrás nem está aqui”. Ele se referia
ao fato de Requião estar na Europa, de férias.
Ex-presidente do sindicato
dos professores estaduais, a APP-Sindicato, o deputado José Lemos
(PT) disse que não é verdade que no Paraná nenhum
professor ganha menos que o piso nacional. Ele afirmou que seria necessário
um reajuste salarial de 16,19% para os profissionais de nível
médio ganharem o equivalente ao mínimo nacional. (KC)
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Valor Econômico, 9 de
abril de 2009
Justiça afasta novamente INSS
sobre aviso prévio, por liminar Fesesp
A norma que instituiu, no início
deste ano, a obrigatoriedade do recolhimento da contribuição
previdenciária ao INSS sobre o aviso prévio indenizado
tem sido diariamente derrubada pela Justiça por meio de liminares
e de algumas decisões de mérito.
Agora foi a vez da Federação
de Serviços do estado de São Paulo (Fesesp), que reúne
18 sindicatos patronais e conta com cerca de 150 mil empresas, segundo
o vice-presidente da entidade, Luigi Nese, conseguir uma liminar contra
a cobrança.
A decisão é do
juiz federal substituto da 7ª Vara Cível Federal de São
Paulo, Douglas Camarinha Gonzales. Porém, essas empresas ainda
deverão recolher a parte da contribuição dos trabalhadores,
já que a liminar beneficia apenas os empregadores titulares da
ação.
Diversas liminares já foram
concedidas para entidades e já há também decisões
de mérito nas cidades de São Paulo e de Belo Horizonte
que livraram empresas da obrigação.
Entre as entidades patronais
que já obtiveram liminares está a Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), que livrou dez
milhões de trabalhadores do setor no país inteiro de pagar
o INSS sobre o aviso prévio indenizado.
O Sindicato do Comércio
Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista) também garantiu
o não-recolhimento da contribuição para 18 mil empresas
e Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Distrito Federal
liberou 30 empresas do tributo.
A tributação do
INSS sobre o aviso prévio indenizado foi prevista no Decreto 6.727,
de 12 de janeiro, para criar um mecanismo que dificulte as demissões
pelas empresas em função da crise.
Porém, a Justiça
tem entendido que o aviso prévio tem natureza indenizatória
- por se tratar de um valor pago pelo empregador quando ele decide
demitir o empregado sem o cumprimento do aviso prévio de 30
dias - e, assim, não poderia sofrer a tributação.
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ÂMBITO JURÍDICO,
09 de abril de 2009
Empregador responde por ato do empregado
que causou lesões físicas no colega de trabalho
Embora não tenha sido o autor material do dano, o empregador deve responder
pelo ato do empregado que agrediu fisicamente um colega de trabalho. Se o ato
do agressor foi praticado no exercício da função profissional,
esse fato já é suficiente para atrair a responsabilidade objetiva
da empresa. Esse foi o teor de decisão da 7ª Turma do TRT-MG que,
seguindo o voto do juiz convocado Rodrigo Ribeiro Bueno, deu provimento ao
recurso do reclamante.
No caso, o reclamante exercia
a função de servente de pedreiro e o agressor, de pedreiro.
No momento em que os dois discutiam questões relacionadas ao trabalho,
o pedreiro puxou uma ferramenta que o autor segurava, ocasionando a queda
do mesmo, o que resultou em lesão no joelho esquerdo do reclamante.
Pretendendo afastar a condenação
imposta em 1º grau, a ré argumentou que a empresa não
pode ser considerada culpada por ato de seus empregados, por não
ter condições de evitar agressões físicas
entre eles. Afirmou que o reclamante não foi agredido por seu
superior direto, mas sim por um empregado de mesmo nível hierárquico.
Além disso, alegou a empresa que a desavença ocorrida com
um colega não foi suficiente para acarretar abalo moral ao empregado.
Na avaliação do
relator, é irrelevante o fato de o agressor não ser o superior
hierárquico do reclamante. O Código Civil brasileiro consagra
a responsabilização por ato de terceiros, podendo ser atribuída
a obrigação de reparar a pessoa diferente do real autor
material do dano. Neste sentido, o fato de existir um vínculo
jurídico com o autor do ato ilícito, em relação
ao qual existe um dever de guarda, vigilância ou custódia, é suficiente
para atrair a responsabilidade objetiva da pessoa, mesmo que ela não
tenha concorrido diretamente para a ocorrência do dano. Para o
relator, na situação em foco, a responsabilização
opera-se por força da simples existência da conduta ilegal
do agente, sendo desnecessária a comprovação da
culpa. Assim, não se pode exigir que o ofendido demonstre a existência
de um dano imaterial, deixando o responsável pela conduta ilícita
em confortável situação processual.
Portanto, de acordo com o entendimento
do magistrado, existindo a culpa do agressor, a empregadora responde
objetivamente. “Pela teoria da substituição, considera-se
que, ao recorrer aos serviços do empregado, a empregadora está prolongando
sua própria atividade, figurando o obreiro como a longa manus
do patrão. Destarte, o ato do substituto é o ato do próprio
substituído”– concluiu o relator, fixando uma indenização
por danos morais no valor de R$2.500,00, que corresponde a, aproximadamente,
cinco meses de trabalho do reclamante.
( RO nº 00134-2008-087-03-00-2
)
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ÂMBITO JURÍDICO,
09 de abril de 2009
TNU reconhece desemprego de segurado
mesmo sem anotações na carteira de trabalho
A Turma Nacional de Uniformização
dos Juizados Especiais Federais (TNU) negou provimento, por unanimidade,
ao pedido do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) de
não reconhecer a condição de desempregado nos casos
em que o segurado não tiver anotações na carteira
de trabalho e previdência social (CTPS). A decisão foi proferida
na sessão realizada no dia 27 de março.
A autarquia previdenciária
contestou o acórdão proferido pela 2ª Turma Recursal
dos Juizados Especiais Federais do Paraná, que decidiu em favor
de um desempregado que teve a concessão de auxílio-doença
negado pelo INSS porque não possuía anotações
na CTPS registradas no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),
comprovando sua situação funcional. O Instituto alegou
que o acórdão contraria a jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, que exige a prova do desemprego mediante
o registro no MTE.
De acordo com o voto do relator
do processo, juiz federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, a
Turma Nacional já teve a oportunidade de examinar a matéria
e aplicou o entendimento da súmula nº 27, na qual “a
ausência de registro em órgãos do Ministério
do Trabalho não impede a comprovação do desemprego
por outros meios admitidos em Direito”.
Processo nº 2007.70.60.00.0136-0
Processo nº 2007.70.95.01.6092-9
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FETRACONSPAR, 09
de abril de 2009
Jornal do SOM São José dos
Pinhais
Está circulando o jornal “SOMSJOP”, informativo
do Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores nas Indústrias
de Serrarias e Móveis de Madeiras, Móveis de Junco e Vime, de
Vassouras, de Cortinados e Estofos e de Escovas e Pincéis e de Trabalhadores
na Indústria de Carpintaria, Tanoaria, Madeiras Compensadas e Laminadas,
Aglomeradas e Chapas de Fibras de Madeiras de São José dos Pinhais,
presidido pelo companheiro ANTONIO SARTOR.
O Informativo deste
mês traz diversas informações de interesse
da categoria, a Campanha Salarial e também como foi
a V Festa da Mulher.
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Antonio Sartor
Presidente do SOM São José dos Pinhais
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O DEPACOM parabeniza o companheiro Antonio Sartor e sua diretoria pelo
importante trabalho desenvolvido junto aos trabalhadores da Madeira
e Mobiliário de São José dos Pinhais.
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