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Agência Diap, 10 de
abril de 2009
Lei 10.710 - licença-maternidade:
principais dúvidas sobre assunto
Por Valéria Ignácio,
no Canal RH
A aprovação recente da lei que prorroga a licença-maternidade
de 120 para 180 dias, a partir de projeto de lei da senadora Patrícia
Saboya (PDT/CE), reacendeu discussões sobre as regras para a
concessão do benefício.
A especialista em Direito do Trabalho Tatiana de Oliveira Silva Modenesi
esclarece as principais dúvidas sobre o assunto.
Pagamento direto pela empresa
Desde setembro de 2003, com a vigência da Lei 10.710, o pagamento
do salário-maternidade às trabalhadoras deixou de ser feito
pelo INSS e passou à responsabilidade direta das empresas. A compensação
dos valores pagos é realizada no momento do recolhimento das contribuições
incidentes sobre a folha de salários, através da Guia da
Previdência Social (GPS).
Novo prazo da licença-maternidade
Em setembro do ano passado, a Lei 11.770 estabeleceu que o prazo de concessão
do benefício é anteriormente estipulado em 120 dias e poderá ser
prorrogado para 180 dias. O pagamento dos 60 dias acrescidos à licença
deverá acontecer imediatamente após o término da
licença de 120 dias. A lei ainda é omissa quanto ao prazo
para que a empresa informe sobre a prorrogação, o que deverá ainda
ser objeto de regulamentação específica.
O que a nova lei determina
A legislação aprovada em 9 de setembro de 2008 cria o Programa
Empresa Cidadã destinado à prorrogação da
licença-maternidade mediante a concessão de incentivos
fiscais. O pagamento do salário-maternidade relativo à prorrogação
da licença por 60 dias deverá ser feito pela empresa, nos
mesmos valores devidos no período da licença comum.
Dedução do imposto pela nova lei
Apenas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real
poderão aderir ao Programa Empresa Cidadã. Assim, não
podem participar empresas vinculadas ao regime Simples ou aquelas tributadas
com base no lucro presumido, da mesma forma como a nova lei exclui a
possibilidade de concessão do benefício para trabalhadoras
contratadas por pessoas físicas.
Efeitos da nova legislação
As empresas tributadas com base no lucro real poderão deduzir
do imposto devido, em cada período de apuração,
o total da remuneração integral da empregada pago nos 60
dias da prorrogação da licença-maternidade. Não é permitida
a dedução como despesa operacional.
Apesar de a Lei 11.770 ter sido sancionada em setembro de 2008, só terá efeitos
a partir de 2010. Por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal,
o Poder Executivo deve estimar o impacto fiscal da renúncia
de impostos pelas empresas e incluí-los na lei orçamentária,
mas não houve tempo para que esse círculo fizesse parte
do orçamento de 2009.
Assim, a ampliação da licença no setor privado
somente entrará em vigor em 2010.
Cadastro no Programa Empresa Cidadã
A adesão ao programa é facultativa, ou seja, não
há referência na lei sobre qualquer obrigatoriedade nesse
sentido. No entanto, os procedimentos para a empresa participar ainda
não foram regulamentados.
A empresa que não aderir ao Programa Empresa Cidadã não
estará obrigada a pagar a prorrogação de 60 dias
da licença-maternidade às trabalhadoras, ainda que elas
manifestem interesse nesse sentido.
Mesmo as empresas cadastradas só serão obrigadas ao
pagamento do benefício por 180 dias se houver a solicitação
da trabalhadora gestante. Licença prorrogada nas empresas públicas
No mesmo ano de sua aprovação, em dezembro do ano passado,
a prorrogação da licença-maternidade foi estendida às
funcionárias públicas federais.
Até fevereiro de 2009, segundo levantamento da Sociedade Brasileira
de Pediatria, 108 município brasileiros e 14 estados, além
do Distrito Federal já haviam transformado a norma federal em
legislação local, oferecendo o benefício às
servidoras.
Reembolso dos valores pagos a título de salário-maternidade
para microempresas
A microempresa deve solicitar o reembolso dos valores diretamente ao
posto do INSS.
Também há a possibilidade de efetuar a compensação
dos valores no campo 6 da guia GPS.
Apesar de não haver um prazo legal determinado para esse reembolso,
aquelas empresas que estão com a documentação
e o recolhimento de todas as obrigações em dia podem
esperar que ele ocorra rapidamente, informa Andreia Antonacci, advogada
especialista em legislação trabalhista e previdenciária
do Cenofisco.
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Jornal do Comércio,
10 de abril de 2009
Está garantido
mais um corte de 1,5 ponto porcentual na Selic
Economistas apostam em juro a 9,75% ao ano. Corte de 1,5 ponto percentual
na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) marcada para 28 e 29 de abril - hoje a taxa
está em 11,25% - sinaliza positivamente para mais uma redução
dos juros
Está praticamente garantido um novo corte de 1,5 ponto percentual
na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) marcada para 28 e 29 de abril - hoje a taxa
está em 11,25%.
Pelo menos foi com essa sensação que analistas de mercado
saíram de reunião que tiveram em São Paulo no
começo da semana com o diretor de Normas do Sistema Financeiro
(Dinor) do Banco Central, Alexandre Tombini.
O encontro foi marcado para que fossem discutidas alternativas capazes
de desobstruírem os canais que fazem chegar crédito ao
consumidor e às empresas.
A impressão de que a taxa nominal de juros deverá cair
para 9,75% ao ano daqui a duas semanas se apoderou dos participantes
do encontro a partir de sinalizações do diretor do BC
de que a Taxa Referencial (TR), que compõe o rendimento da caderneta
de poupança, não representa um impeditivo à continuidade
da queda de juros.
Discussão oportuna
Durante o encontro na regional do BC na capital paulista, segundo um
dos participantes, Tombini teria deixado escapar que a questão
da rentabilidade da poupança será sim um problema, mas
mais para frente. Não agora.
O diretor teria até avaliado que a vinda à baila da
discussão envolvendo a caderneta de poupança neste momento
teria sido bastante oportuna porque teria deflagrado dentro do Governo
iniciativas no sentido de corrigir este que poderá vir a ser
um grande problema para o encaminhamento da política monetária
mais à frente.
De acordo com outra fonte que esteve na reunião, Tombini teria
informado ainda que mudanças no rendimento da caderneta de poupança
já estariam em curso no âmbito do Governo. A discussão
dando conta de que a caderneta de poupança poderia passar a
ser um limitador de cortes mais expressivos da taxa básica de
juros ganhou musculatura depois dos dois cortes profundos da Selic.
Em janeiro, num golpe que surpreendeu parte significativa dos analistas
do mercado, o colegiado comandado por Henrique Meirelles derrubou de
uma só vez a Selic em 1 ponto percentual. Na reunião
seguinte, no dia 11 de março, a pancada na taxa de juros foi
de 1,5 ponto.
A partir daí, com a percepção consolidada de
que o BC não estava mesmo para brincadeira, muitos analistas
começaram a entender que, se o ritmo de redução
for mantido, a taxa nominal chegará a um patamar que levará a
caderneta de poupança a se tornar mais atrativa do que outras
modalidades de investimento. Isso configuraria um desastre para os
bancos que recorrem a várias outras modalidades de aplicação
para captar os recursos que emprestam.
Em um momento em que a crise econômica afetou justamente a credibilidade,
redundando na obstrução do crédito e da liquidez,
a preocupação é pertinente.
Mas a manifestação de Tombini para o seleto grupo de
analistas, no que diz respeito à poupança, não é a
primeira. Embora as palavras tenham sido mais comedidas, para alguns
especialistas o tema já teria sido cogitado na ata do Copom
de março.
Economistas vinculados ao mercado financeiro são adeptos da
ideia de que o rendimento da poupança não pode se tornar
um limitador de corte da taxa básica. Para o professor de economia
da Universidade de São Paulo (USP) Heron do Carmo, não
faz o menor sentido o BC parar de cortar juros por conta da poupança
num momento em que a economia precisa de estímulos.
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Correio Braziliense, 10 de
abril de 2009
Bancos boicotam pacote
da casa própria; cobram o dobro da entrada
Há exatos 17 dias, os ministros da Fazenda e do Planejamento,
mais o presidente do Banco Central, se reuniram, formaram o Conselho
Monetário Nacional e aprovaram uma medida anunciada com pompa
e circunstância: a partir dali, o mutuário brasileiro precisaria
dar apenas 10% de entrada para comprar um imóvel.
Até então, o limite era de 30% do valor financiado,
o que requeria poupança gorda antes da realização
do sonho da casa própria. A nova norma compõe o pacote
habitacional com o qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
pretende estimular a construção civil e reativar a economia.
Mas, se depender dos bancos, ela não vinga. Todas as instituições
financeiras brasileiras, tanto as privadas quanto as públicas,
vêm cobrando no mínimo 20% de entrada para liberar empréstimos
no âmbito do Sistema Brasileiro de Habitação. Elas
dizem que precisam se resguardar em meio à crise financeira
internacional.
O sonho do brasileiro de dar uma entrada de 10% na hora de comprar
uma casa própria com valor de até R$ 500 mil está indo
por água abaixo. Com medo da inadimplência e do aumento
do desemprego do País, nenhum grande banco está trabalhando
com esse percentual, apesar de o Conselho Monetário Nacional
(CMN) ter diminuído a exigência de 30% para até 10%.
O objetivo do Governo, com essa medida do pacote habitacional anunciado
em março, era facilitar o acesso da classe média à casa
própria.
O cenário adverso fez com que as instituições
financeiras mantivessem as regras de concessão de crédito
e, com isso, só liberarem o financiamento no âmbito do
Sistema Financeiro da Habitação (SFH) se for oferecida
entrada entre 20% e 30% do valor do imóvel. No SFH, o mutuário
pode utilizar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) para abater ou quitar a dívida.
A Caixa Econômica Federal, principal financiadora da casa própria
no País, alterou o limite de financiamento de R$ 350 mil para
R$ 500 mil. Porém, o valor da entrada varia conforme o prazo
de pagamento. Para empréstimo com prazo de até 240 meses,
o teto para financiamento é de 80% do valor do imóvel.
Já para pagamento entre 241 meses e 360 meses, esse percentual é de
70%. No Banco do Brasil, também não houve mudança.
O teto de financiamento da casa própria foi mantido em 80%.
Por exemplo, se o brasileiro quiser comprar um imóvel de R$
500 mil terá que dar uma entrada de R$ 100 mil, ou seja, 20%
do total.
A assessoria do banco informou, no entanto, que, dependendo de análise
de crédito, o limite de financiamento pode chegar a 90% do preço
do imóvel com prazo para pagamento de 25 anos.
A situação não é diferente entre os bancos
privados. O Bradesco está concedendo empréstimos de R$
500 mil no âmbito do SFH, porém, o limite para financiamento
ficou mantido em 80%. Nos planos do Santander e do Real, o percentual
permaneceu inalterado em até 80% do valor do imóvel.
O HSBC financia até R$ 245 mil, ou seja, 49% dos R$ 500 mil
permitidos no SFH.
Medida ignorada
No último dia 23, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou
os bancos a financiar até 90% do valor de imóveis de até R$
500 mil no âmbito do SFH. Antes, era permitido emprestar até 70%
do montante do imóvel que custavam até R$ 350 mil.
A resistência das instituições financeiras em
reduzir o montante exigido de entrada na compra do imóvel chega
até a estranhar. Isso porque o Governo demorou mais de dois
meses para confeccionar o tão aguardado pacote da habitação
e nem os bancos públicos aderiram às mudanças.
Mas para a professora da FAAP (Fundação Armando Alvares
Penteado) de São Paulo, Luiza Rodrigues, quanto menor a entrada
dos financiamentos imobiliários maior o risco do banco. A diminuição
do montante exigido inicialmente pela instituição financeira
para liberar o empréstimo é a principal causa de elevação
de inadimplência não só no Brasil como no mundo.
Segundo Luiza, que tem um mestrado sobre o assunto, os Estados Unidos
e Espanha foram alguns dos Países que cortaram para zero o valor
da entrada e, em seguida, tiveram que enfrentar crises de inadimplência. "Essa
foi uma das razões para que o crédito imobiliário
crescesse muito nesses Países", afirmou.
Isso acontece, conforme a professora, quando o preço do imóvel
cai demais e a dívida fica maior do que o valor da cada própria.
Essa foi uma das razões para eclosão da crise do subprime
(empréstimo imobiliário de alto risco) nos Estados Unidos.
No atual momento de crise, fica muito mais complicado de os bancos
diminuírem o valor da entrada exigida em um financiamento.
Na avaliação do analista de bancos da agência
de risco Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, a nítida ansiedade
do Governo de incentivar a compra da casa própria desconsiderou
as políticas adotadas pelas instituições financeiras
para liberação de um financiamento imobiliário.
"O problema é que financiar 90% do valor do imóvel
nesse cenário de crise econômica mundial implica em aumento
de risco, o que nenhum banco quer correr", ressaltou Santacreu.
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Vermelho, 10 de abril de
2009
CTB, UGT e Nova Central
se unirão no 1º de Maio em São Paulo
Num feito sem precedentes, três centrais sindicais deverão
realizar um ato conjunto em São Paulo para celebrar o 1º de
Maio, Dia do Trabalhador. A manifestação — que deve
ocorrer na Praça Júlio de Mesquita, na Avenida São
João — reunirá CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil), UGT (União Geral dos Trabalhadores) e NCST (Nova Central
Sindical de Trabalhadores).
“ Após a vigorosa jornada de lutas do dia 30 de março,
que unificou as centrais sindicais e os movimentos sociais, a agenda
do movimento sindical brasileiro está voltada para os atos do
Dia do Trabalhador”, sintetizou o vice-presidente da CTB, Nivaldo
Santana, no portal da entidade. Segundo o sindicalista, “a CTB
não mediu esforços para unificar” as manifestações
no Brasil inteiro, “mas as maiores centrais sindicais já tinham
definido atos exclusivos — o que não impede de avançarmos
juntos na luta contra o desemprego”.
Já no mês passado, a central classista se propôs
a levar a ideia da realização do 1º de Maio a instâncias
como o fórum das centrais e a CMS (Coordenação
dos Movimentos Sociais). A proposta ganhou força após
o êxito das manifestações de 30 de Março,
Dia Nacional de Luta em Defesa do Emprego e dos Direitos Sociais.
Um dia depois dos atos, por meio de uma nota assinada por seu presidente,
Wagner Gomes, a CTB defendeu publicamente a realização
de um 1º de Maio unitário no Brasil. Segundo Wagner, o
bem-sucedido 30 de Março “realçou a importância
da unidade das centrais sindicais e demais organizações
que compõem os movimentos sociais para enfrentar os efeitos
da crise do capitalismo”.
Para Wagner, “a união — que reflete o amadurecimento
político das lideranças e dos militantes — potencializa
a força da classe trabalhadora, das suas organizações
e dos seus representantes. Impõe-se a lição de
que é indispensável consolidar e ampliar a unidade alcançada”.
A nota enfatizava que o 1º de Maio unitário se tornou “a
forma de unir o conjunto da classe trabalhadora nas cidades e no campo” para
uma série de propostas, como “garantir o emprego, os salários
e os direitos, defender o desenvolvimento nacional com valorização
do trabalho, redução da jornada sem redução
de salários”. A CTB também defende a ratificação
da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho), que proíbe a demissão imotivada.
“Este 1º de Maio ocorre numa conjuntura singular para o
Brasil e o mundo, marcada por uma severa crise do capitalismo internacional,
produzida e exportada pelos Estados Unidos”, registrou Nivaldo. “A
tormenta que se abateu sobre os mercados globais é o produto
final do chamado ‘Consenso de Washington’. O momento exige
maturidade dos sindicalistas e a mais sólida unidade para enfrentar
a crise e exigir que os ricos paguem a conta da crise que eles criaram.”
No 1º de Maio 2009, CTB, UGT e NCST também prestarão
homenagem ao operário Santo Dias da Silva, cuja morte completa
30 anos. Santo Dias foi assassinado pela Polícia Militar durante
um piquete na fábrica Sylvania, em Santo Amaro, no dia 30 de
outubro de 1979. Em meio à falência da ditadura militar
(1964-1985), ele se tornou um mártir na luta dos trabalhadores
em defesa da volta da democracia.
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Monitor Mercantil, 10 de
abril de 2009
Crise atinge todas as “classes”,
aponta estudo da FGV
Os brasileiros das “classes” A e B — segundo a metodologia
oficial — foram os mais atingidos pela crise, a partir de setembro
passado. Em janeiro, porém, as perdas se acentuaram para essa
parcela da população — com renda domiciliar superior
a R$ 4.807 mensais — e se ampliaram para faixas de rendimento inferiores,
como a “classe” C (renda entre R$ 1.115 e R$ 4.807), que
reúne pobres que obtiveram alguma melhora de renda e a classe
média empobrecida.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), as “classes” A
e B que acumulavam, nos últimos cinco anos até a crise,
aumento de 35% de participação na população
brasileira, registraram queda de 2,74% somente em janeiro. Já a “classe” C,
que elevara sua fatia em 25% desde 2004, num único mês
recuou 2,17%.
Já as “classes” mais pobres, que vinham perdendo
integrantes, sofreram movimento inverso. A D — renda entre R$
804 e R$ 1.115 — acumulava perda de 15,9% nos últimos
cinco anos até a crise e somente em janeiro recuperou 3,03%.
Espelho inverso
A “classe” E, a mais baixa da pirâmide — renda
de até R$ 804 — acumulava perda de 40,3% desde 2004. E,
no primeiro mês deste ano, subiu 6,73%. Segundo o economista
da FGV Marcelo Neri, responsável pelo estudo, as melhorias sociais
dos últimos anos começou a murchar, principalmente a
partir de janeiro
"A imagem das mudanças na sociedade brasileira depois
da crise é como um espelho que reflete o inverso do que vinha
acontecendo antes da crise. Quem ganhava perde e vice-versa. A partir,
principalmente de janeiro, houve uma mudança súbita de
trajetória dos indicadores sociais no país", explicou.
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FENAJ, 10 de abril de 2009
Jornada: 'O Globo' ataca
sindicato e ameaça jornalistas
Numa tentativa de desqualificar a decisão
de seus profissionais quanto à introdução
do cartão de ponto para controle de jornada de trabalho,
o jornal O Globo publicou, na coluna “Por dentro do
Globo”, em 2 de abril, uma matéria com o título “Ponto
X notícia”. O texto ataca o Sindicato dos Jornalistas
do Município do Rio de Janeiro por defender os direitos
da categoria. A entidade e a Fenaj (Federação
Nacional dos Jornalistas) reagiram.
No texto do jornal, uma ilegalidade é admitida ao afirmar
que “uma longa tradição do jornalismo foi rompida” quando, “pela
primeira vez”, no dia 1º de abril de 2009, “repórteres,
redatores, fotógrafos, diagramadores e editores assistentes
assinaram ponto, ao entrar e sair da redação”.
Outras “pérolas” são as afirmações
de que “todo jornalista sabe que notícia não tem
hora para acontecer” e que “o ponto começa em plena época
da internet, quando jornalistas não precisam mais estar na redação
para trabalhar”.
Além de afirmar que a adoção do cartão
de ponto se deu “por exigência do Sindicato dos Jornalistas
do Rio de Janeiro”, o texto se apoia em falsos argumentos para
combater o direito do trabalhador de ter suas horas extras remuneradas.
O Sindicato do Rio respondeu à altura com a nota “Ponto
X exploração. ‘Ilegal, e daí?’”,
publicada em seu site em 3 de abril.
“O excesso de horas trabalhadas sem remuneração é uma
ilegalidade antiga que os profissionais do Globo decidiram rejeitar
em assembleias democráticas. O Sindicato apenas cumpriu sua
obrigação”, diz o documento, apontando que os profissionais
do Infoglobo — que engloba também os jornais Extra e Expresso — passam
a ter direitos já assegurados a profissionais de outros veículos
do grupo.
“Se o Jornalismo é incompatível com o controle
de horas extras e sua qualidade depende de longas jornadas não
remuneradas, como repete todo dia O Globo, estaria a maior empresa
do grupo, a TV Globo, praticando um jornalismo de segunda? Há muitos
anos, com o apoio do Sindicato, os jornalistas da TV Globo conquistaram
esse direito, que se espalhou pelas emissoras de TV e rádio”,
sentencia o sindicato, denunciando, também, que há ameaças
da empresa SOS Jornalistas por cobrarem seus direitos.
Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj, reagiu com
indignação à manipulação de O Globo. “O
jornal admite publicamente que nunca cumpriu a lei e ainda culpa o
sindicato. Pior, transfere para o controle da jornada de trabalho — conquista
dos trabalhadores brasileiros da metade do século passado — uma
incompatibilidade congênita com o jornalismo”, disse.
“Por pouco, não vão dizer também que cobrar
hora extra ameaça a liberdade de imprensa”, ironizou Murillo,
hipotecando apoio à decisão dos jornalistas do Infoglobo
e às ações do sindicato em defesa da categoria.
Para o presidente da Fenaj, tal nota do jornal “é uma
peça para entrar para a história da infâmia contra
o trabalho”.
Da Redação, com informações
da Fenaj
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Gazeta do Povo, 10 de abril
de 2009
Relações internacionais
Brasil entra no clube
de credores do FMI
O Brasil aceitou o convite feito pelo Fundo Monetário Internacional
(FMI) para entrar no clube dos 47 países que são credores
do Fundo, ou seja, que financiam regularmente as operações
da entidade. O anúncio foi feito ontem pelo ministro da fazenda,
Guido Mantega.
Ao aceitar esse convite, o Brasil poderá ser chamado a colocar
recursos no Fundo caso seja necessário. Segundo Mantega, o país
poderá contribuir até o limite de US$ 4,5 bilhões,
valor proporcional à cota do Brasil na organização.
O dinheiro sairá das reservas internacionais, que estão
hoje em cerca de US$ 200 bilhões.
Essa transferência dos recursos não afeta o nível
das reservas, pois será considerada apenas como uma mudança
de aplicação do dinheiro, que hoje está empregado
principalmente em títulos do governo dos Estados Unidos.
Mantega afirmou que o aporte desses recursos será feito de
acordo com as solicitações do FMI. “Não
vamos colocar esse dinheiro agora. Será quando o Fundo solicitar”,
afirmou. “Agora nós estamos só entrando no clube
de credores do FMI”.
Ajuda
Além desses US$ 4,5 bilhões, o Brasil pretende colocar
ainda mais dinheiro no FMI, segundo decidido em reunião do G-20
na semana passada. Para isso, no entanto, o país terá de
esperar que o Fundo crie um novo título que possibilite mais
aplicações.
Na reunião do G-20, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva já havia afirmado que o Brasil estava disposto a virar
credor FMI e que isso seria “chique”. Segundo o ministro
da Fazenda, o dinheiro será usado para ajudar os países
em desenvolvimento.
“Os países que estão solicitando recursos do FMI
são os países emergentes, os mais pobres. Os países
avançados não precisam. Os EUA são o país
que causou a crise, mas é também o país que tem
a maquininha de fazer dólares. Os países avançados
não vão pedir ajuda.”
Mantega afirmou que, com esse dinheiro, o Brasil ajudará indiretamente
os países mais pobres a normalizarem suas economias. Segundo
ele, isso também se reverterá em favor da economia brasileira. “Isso
vai viabilizar crédito para os países emergentes que
estão com problemas, portanto ajuda a ativar a economia mundial”,
afirmou. “Isso ajudará o Brasil também, pois esses
países vão ter mais recursos para importar mercadorias,
vão fazer investimento.”
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