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MTE, 11 de abril de 2009
Números do seguro-desemprego
confirmam queda nas demissões
"A curva do emprego voltou a ser ascendente. O crescimento do mercado
de trabalho é sinal de recuperação da economia
brasileira, e esta recuperação é resultado do volume
de investimentos que o Governo vem promovendo em favor do trabalhador
brasileiro", disse o ministro.
Os números do seguro-desemprego no primeiro trimestre de 2009,
anunciados na última quinta-feira (9), pelo ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, apontam a tendência de queda no número
de requerimentos.
De janeiro a março os pedidos vêm caindo, confirmando
o estancamento da crise no mercado de trabalho apontada por Lupi, baseado
nos dados mensais do Cadastro Geral de empregados e Desempregados (Caged).
"Estes dados comprovam que o Brasil começou a inversão
do processo negativo da empregabilidade. O Caged ficou ligeiramente
positivo em fevereiro e vai ficar mais positivo em março. Todos
os dados começam a confirmar as afirmações já
feitas por mim desde o início do ano", analisou Lupi.
A evolução mensal confirma a recuperação
na geração de empregos no Brasil. Em março de 2009
o número de requerimentos já foi menor do que no mesmo
período de 2008.
"A curva do emprego voltou a ser ascendente. O crescimento do
mercado de trabalho é sinal de recuperação da economia
brasileira, e esta recuperação é resultado do volume
de investimentos que o Governo vem promovendo em favor do trabalhador
brasileiro", disse o ministro.
Em janeiro deste ano, a marca de 705.737 segurados superou a de 2008,
com 599.590, reflexo do fechamento de 654 mil vagas em dezembro último.
Em fevereiro foram beneficiados 579.842 trabalhadores, mais do que os
534.019 de 2008, porém, voltando a índices páreos.
Em março, o número de trabalhadores que precisaram de
Seguro-Desemprego (566.140) foi 1,5% menor do que o mesmo mês
em 2008 (582.464), indicando estancamento das demissões.
No trimestre, o Governo desembolsou R$ 4,3 bilhões com o pagamento
do benefício aos trabalhadores, enquanto em 2008 foram disponibilizados
R$ 3,2 bilhões (sem levar em conta o aumento do salário
mínimo).
Mas de 80% do volume de solicitações estão concentradas
nos mesmos 11 estados levando-se em conta os dois últimos anos,
com pequenas variações percentuais: SP, MG, PR, RJ, RS,
BA, SC, GO, PE, CE, ES. São Paulo lidera o ranking de pedidos,
com 29,3% das requisições, seguido por Minas Gerais (13,3%),
Paraná (7,3%) e Rio de Janeiro (6,3%).
Bolsa Qualificação cresce dez
vezes e se destaca como alternativa
A utilização da Bolsa Qualificação, programa
do Ministério do Trabalho e Emprego, cresceu dez vezes no primeiro
trimestre de 2009 em relação ao mesmo período de
2008. Este ano 9.130 trabalhadores foram beneficiados, enquanto entre
janeiro e março do ano passado foram registrados 911 segurados.
Os trabalhadores inclusos no programa têm contrato de trabalho
suspenso e passam por cursos de qualificação durante até
cinco meses, para em seguida retomarem suas atividades normalmente.
"Essa modalidade tem um fator positivo, pois representa acordo
entre empresa e trabalhador, o que significa que não há
perda de postos de trabalho", afirmou Carlos Lupi.
Este ano já foram investidos R$ 11,9 milhões. No primeiro
trimestre de 2008 a verba disponibilizada à qualificação
dos trabalhadores com contrato de trabalho suspenso foi de R$ 1,123
milhões. O aumento mostra que a Bolsa foi amplamente procurada
por empresas que optaram por não demitir seus funcionários
durante o período de queda brusca na produção por
conta da instabilidade econômica mundial.
Em 2008, apenas empresas do Rio de Janeiro e Paraná solicitaram
a Bolsa Qualificação. Este ano, 12 estados e o Distrito
Federal entraram na lista de requerentes: AM, BA, DF, ES, GO, MG, MS,
PA, PI, PR, RJ, RS, SP. O Paraná lidera o ranking, com 3.296
trabalhadores segurados no trimestre, seguido por São Paulo,
com 2.610, e Minas Gerais, com 1.024.
Bolsa Qualificação
Esta modalidade de seguro-desemprego é concedida a trabalhadores
com contrato de trabalho suspenso temporariamente, que têm direito
a receber até cinco parcelas similares às do seguro-desemprego,
enquanto participa de cursos de qualificação profissional.
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Agência Brasil, 11 de
abril de 2009
Caixa reduzirá exigências
para capital de giro de construtoras
Na próxima segunda-feira, a Caixa Econômica Federal
anunciará medidas para reduzir exigências e desburocratizar
a linha de crédito de R$ 3 bilhões para o capital de giro
das construtoras. A decisão foi informada a empresários
que participaram do encontro do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC),
que se reúne todo mês para avaliar o impacto da crise financeira
internacional sobre a economia brasileira.
Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão (Foto:
Wilson Dias/ABr), que estava na reunião, a principal novidade
será a redução das garantias. De acordo com ele,
as exigências da Caixa, que pede garantias na concessão
dos financiamentos e pode até bloquear empreendimentos caso o
empréstimo não seja quitado, afastaram as construtoras.
“O governo vai anunciar novas normas que permitirão às
empresas tomarem dinheiro emprestado. Do jeito que está, não
dá para cumprir as exigências”, disseSafady.
Lançada no final de outubro, a linha de crédito, segundo
o presidente da Cbic, não emprestou praticamente nada para as
construtoras. “Desde novembro, a Caixa só emprestou R$
50 milhões dos R$ 3 bilhões disponíveis, mas já
me informaram que o valor, na verdade, nem chegou a isso”, afirmou.
Ao lançar a linha de crédito, o governo prometeu que os
bancos privados entrariam com uma contrapartida de R$ 7 bilhões,
o que elevaria a R$ 10 bilhões o volume de crédito disponível
para capital de giro do setor imobiliário.
Safady, no entanto, afirmou que o aporte das instituições
privadas está descartado. “Já falei com diversos
empresários e eles me disseram que dificilmente o setor privado
entrará com alguma ajuda”, afirmou o presidente da Cbic.
O anúncio das mudanças na linha de crédito será
feito com o detalhamento das regras do programa Minha Casa, Minha Vida,
que pretende estimular a construção de até 1 milhão
de casas populares. Na segunda-feira, a Caixa também informará
como os interessados em aderir ao programa habitacional poderão
adquirir os imóveis.
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Agência Brasil, 11 de
abril de 2009
Programa quer realizar sonho da
casa própria de maneira diferente, diz ministro
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, comentou durante
o programa Bom Dia, Ministro as alterações nas regras
do programa Minha Casa, Minha Vida. O plano habitacional foi lançado
no último dia 25, mas pretende reduzir as exigências de
adesão. A partir da próxima segunda-feira, as novas regras
serão divulgadas pela Caixa.
“Uma série de medidas foram adotadas nesse intervalo,
para que na segunda-feira os programa esteja funcionando”, comentou.
As medidas visam a reduzir exigências e desburocratizar a linha
de crédito de R$ 3 bilhões para o capital de giro das
construtoras. O cadastro será organizados pelos municípios,
estados, entidades representativas, movimentos sociais.
“É um conjunto de ações para que o sonho
da casa própria possa ser efetivado dentro de um caminho novo,
privilegiando as ações da empresas”, comentou. Márcio
Fortes comentou que as cidades com número de habitantes entre
50 mil e 100 mil e que estejam em situação de calamidade,
déficit habitacional e crescimento populacional acima da média
terão condições específicas para que também
implementarem o programa.
“Nos próximos dias deve ser editado um decreto para dispor
sobre essas situações - afirmou o ministro. Mais informações
sobre o Programa Minha Casa Minha Vida, estão disponíveis
no site www.minhacasaminhavida.gov.br.
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Gazeta do Povo, 11 de abril
de 2009
Internacional
Cepal estima recessão no
Brasil e na América Latina
A economia da América Latina e do Caribe cairá 0,3% em
2009, na primeira recessão após seis anos de crescimento.
A previsão é da Comissão Econômica para a
América Latina e o Caribe (Cepal), braço da Organização
das Nações Unidas (ONU), que revisou estimativas diante
dos maus resultados registrados na região no último trimestre
de 2008.
Para o órgão, a taxa de desemprego regional alcançará
9% no ano, ante 7,5% em 2008, elevando a informalidade e a pobreza.
O Brasil, segundo a Cepal, será um dos países mais afetados,
com queda de 1% no PIB, ao lado de México (-2%), Costa Rica (-0,5%)
e Paraguai (-0,5%). Pela estimativa de dezembro do órgão,
o país cresceria 2,1% neste ano, mais do que a média regional,
avaliada então em 1,9%.
Para Osvaldo Kacef, diretor de Desenvolvimento Econômico da Cepal,
a previsão de baixa de 1% no PIB é otimista, por considerar
uma recuperação da economia no segundo semestre. “Se
o Brasil mantiver o ritmo do final de 2008, cairá 1,5% em 2009’’,
afirmou. O desempenho do PIB nacional no quatro trimestre de 2008 –
baixa de 3,6% ante o trimestre anterior – foi decisivo à
reformulação da estimativa.
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Folha de S.Paulo, 11 de abril
de 2009
Planalto tenta aproximar Dilma
de movimento social
Ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento
Agrário) é escalado como interlocutor
Apontada como potencial candidata do PT à
sucessão do presidente Lula, ministra seria vista por sem-terra
como aliada do agronegócio
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Palácio do Planalto decidiu se mexer para tentar amenizar
a resistência dos movimentos sociais com a ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil), principal nome petista para a sucessão presidencial
de 2010. O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário)
foi escalado para organizar uma reunião informal e secreta da
ministra com líderes desses movimentos, em especial dos sem-terra.
Os primeiros contatos já foram feitos, mas ainda não há
data acertada.
Outra determinação palaciana partiu para Rolf Hackbart,
presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária). A estratégia é que ele monte
uma agenda "com a cara da ministra" nos assentamentos de reforma
agrária pelo país afora.
Um dos principais entraves à ministra está no MST (Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), por isso essa agenda nos assentamentos
será planejada de forma que ela consiga fugir do discurso de
metas, acampamentos, violência no campo e desapropriações
e possa ficar mais à vontade para falar sobre projetos de irrigação
e inaugurações do programa Luz para Todos.
Agronegócio
A resistência dos movimentos à ministra não é
nova. Ela é vista por eles como defensora de um modelo de desenvolvimento
próximo ao que pensa o agronegócio, supostamente sem preocupação
ambiental e com simpatia à entrada de empresas estrangeiras no
país.
Por conta das hidrelétricas do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), Dilma é mal vista no MAB (Movimento dos Atingidos
por Barragens). Já no MST é rotulada como uma "desconhecida"
que se apega em sua história pessoal, mas não busca o
diálogo com os movimentos.
No recente artigo "Por que Dilma?", o assessor da CPT (Comissão
Pastoral da Terra) Roberto Malvezzi afirma que o PAC tem aspectos positivos,
como o saneamento ambiental, mas "daí para frente o PAC
é a cara dos militares e de Delfim Netto, numa lógica
irremediavelmente predadora". "A visão de mundo de
Dilma pertence a esse perfil. Não é a pessoa com a visão
de mundo adequada para os atuais desafios brasileiros e mundiais",
completa o texto.
A resistência aumentou no final do ano passado, quando, em um
evento com movimentos no Planalto, Dilma foi saudada como candidata
por alguns dos convidados. MST e outros movimentos enxergaram as saudações
pró-Dilma como algo encomendado pelo governo federal, o que acabou
esvaziando o objetivo do encontro: pedidos por mudanças na política
econômica.
Base de apoio
Tudo isso, porém, não significa uma inclinação
dos movimentos a uma outra candidatura. Indica apenas uma pressão
para que a candidata de Lula assuma compromissos setoriais de campanha
e que a sua eventual eleição não signifique um
distanciamento do Planalto com os movimentos.
A preocupação do Planalto não visa apenas o período
de campanha. O foco está numa base de apoio em um eventual governo
Dilma. Esses movimentos sociais foram importantes para o presidente
Lula no auge da crise do mensalão, em 2005, quando saíram
às ruas para defendê-lo da tentativa de impeachment sugerida
pela oposição.
De olho em 2010, além da montagem de uma agenda e da organização
de um encontro, o Planalto fez chegar ao MST que foi apenas uma "bronca",
e não uma sinal de "rompimento", uma recente declaração
pública do presidente Lula na qual chamou de "inaceitável"
o argumento do movimento para a morte de quatro seguranças de
uma fazenda em Pernambuco.
O recado conta ainda com a promessa de manutenção, mesmo
com restrições, dos repasses de recursos para novos convênios
com sem-terra.
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Folha de S.Paulo, 11 de abril
de 2009
Governo é alvo de golpe
de terceirizadas
Empresas de fachada quebram ou desaparecem
e deixam a conta para a União, que é ré em cerca
de 10 mil ações trabalhistas
CGU aponta indícios de licitação
com cartas marcadas e casos de empresas concorrentes com o mesmo endereço
ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O bilionário mercado de terceirização de mão
de obra do governo federal tornou-se alvo de golpes, que seguem uma
mecânica padronizada e têm desfecho quase sempre igual.
Oferecendo serviços a preços aquém da realidade,
empresas muitas vezes de fachada vencem os pregões, cumprem parte
do contrato e depois quebram ou simplesmente desaparecem, deixando para
a União a fatura das dívidas trabalhistas.
A consequência é que o governo é hoje réu
em cerca de 10 mil ações de cobrança dessas dívidas,
movidas por trabalhadores, sindicatos e pelo Ministério Público
do Trabalho, segundo dados da Procuradoria Geral da União. Ou
seja, o governo paga a conta duas vezes: depois de arcar com parte dos
contratos, tem que assumir salários atrasados e outros encargos.
Apenas com os contratos, foram pagos R$ 2,1 bilhões em 2008.
Mas não há dados de gastos com indenizações
judiciais desse tipo. O governo batalha na Justiça caso a caso,
mas a derrota é apenas uma questão de tempo -o Tribunal
Superior do Trabalho tem posição firmada de que o Estado
é responsável pelas dívidas deixadas pelas empresas
que contrata.
O problema é tão grave que obrigou a CGU (Controladoria
Geral da União) a criar um grupo só para seguir os passos
dessas empresas, fornecedoras de faxineiros, copeiros, garçons,
cozinheiros, ascensoristas, motoristas e jornalistas. Em poucos meses,
a equipe do chamado Observatório da Despesa Pública levantou
fortes indícios de licitações de cartas marcadas,
empresas em nome de laranjas, formação de cartel e outros
crimes com o objetivo de simular uma concorrência que não
existe e dificultar a localização dos responsáveis
pelas fraudes. "Identificamos um grupo de empresas fraudando licitações
em conluio. Não é coisa isolada", diz Jorge Hage,
ministro da CGU.
Analisando os pregões eletrônicos, a equipe descobriu,
por exemplo, que 52 licitações realizadas desde 2007 tiveram
a participação de ao menos duas empresas com sócios
em comum. Trata-se de um forte indício de que houve concorrência
simulada. Ou seja, uma das empresas entrou para ganhar, e a outra, para
perder.
Mesmo endereço
Os técnicos também encontraram oito casos de empresas
concorrentes que funcionam num mesmo endereço. São evidências
de fraude que passaram despercebidas pelo frouxo controle dos pregões
-embora não haja nesses casos indícios de envolvimento
do pregoeiro.
A CGU investiga neste momento os casos da ZL Ambiental e da Higiterc,
ambas de Belo Horizonte e pertencentes a um mesmo grupo. A suspeita
é que a ZL, após sucessivos calotes, vem sendo deliberadamente
descapitalizada, e suas atividades, aos poucos transferidas para a Higiterc.
As duas empresas tiveram nos últimos anos ao menos três
sócios em comum e já participaram simultaneamente de 49
licitações.
A ZL já levou R$ 109 milhões do governo. Teve 37 contratos,
em 2007, e agora, só 15. Foi declarada inidônea pelo Senado,
suspensa pelo BC e hoje é uma empresa em estágio terminal.
A Higiterc apresenta curva contrária. Em dezembro de 2007 (auge
da ZL), era dona de dois contratos. Agora, tem nove. Um detalhe chama
a atenção e aumenta os laços entre as duas empresas:
um de seus ex-proprietários, Sérgio Lye de Araújo,
ingressou na sociedade em 22 de agosto de 2006, um dia depois de se
desligar da ZL. A Folha não localizou representantes das empresas.
Em Brasília, são raros os órgãos que não
sofreram calotes das terceirizadas. Em 2007, a Eletronorte foi obrigada
a rescindir o contrato com a Recris Empreendimentos e Serviços,
do ramo de limpeza, porque esta deixou de pagar salários, além
de vales-transportes e alimentação a seus funcionários,
previstos nos contratos. Parte dos R$ 826 mil do contrato já
havia sido paga.
A Procuradoria Geral da República fez o mesmo com a Kuatro Serviço,
também de limpeza. A Kuatro foi então substituída
pela Ícone, que deu novo calote. As empresas não foram
encontradas pela Folha.
Um dos maiores especialistas no assunto, o procurador do Trabalho Adélio
Justino Lucas, diz que o governo precisa melhorar o controle nos pregões,
para evitar as chamadas propostas inexequíveis. "O governo
não pode fingir que não é com ele. Hoje, o leiloeiro
só está preocupado com o menor preço. E o controle?"
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Folha de S.Paulo, 11 de abril
de 2009
Novo cálculo aumentará
gasto do INSS
Proposta que o governo negocia no Congresso
para novas aposentadorias reduz despesa só no início
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta que o governo negocia no Congresso para mudar o cálculo
das aposentadorias não extinguirá o fator previdenciário
em vigor e deverá reduzir o déficit da Previdência
somente nos primeiros cinco anos. Batizada de Fator 85/95, a nova fórmula
elevará o rombo em quase um ponto percentual do PIB (soma das
riquezas produzidas no país) até 2050.
O plano do governo é que os dois fatores coexistam. Se o trabalhador
quiser se aposentar mais cedo, mesmo que com benefício reduzido,
optará pelo atual modelo, com o fator previdenciário.
Se escolher o Fator 85/95, deverá permanecer em atividade por
mais tempo, mas terá aposentadoria maior.
O Fator 85/95 é uma regra que conjuga tempo de contribuição
e idade do trabalhador ao se aposentar. Mantido o tempo de contribuição
mínimo de 30/35 anos (mulher/homem), a soma dos dois elementos
precisa chegar a 85/95 anos (mulher/homem). A nova regra é mais
branda que o fator previdenciário e beneficia principalmente
quem começou a trabalhar mais cedo.
Em 2008, o déficit da Previdência foi de 1,25% do PIB,
ou R$ 36,2 bilhões. O secretário de Previdência
Social, Helmut Schwarzer, explicou que, se aprovado neste ano, o novo
fator gerará aumento de arrecadação e redução
de despesas até 2015. Isso porque, com o novo mecanismo, o governo
espera atingir um resultado que não obteve com o fator previdenciário,
que é o adiamento das aposentadorias por tempo de contribuição.
Assim, nos primeiros anos, o governo deixaria de pagar os benefícios
de quem vai trabalhar mais até completar o Fator 85/95 e ainda
receberá as contribuições desses mesmos trabalhadores
por mais tempo. A longo prazo, entretanto, haverá gasto maior
com as aposentadorias, porque os "retardatários" receberão
mais.
A partir de 2015, portanto, as projeções mostram uma inversão
da curva, elevando o déficit da Previdência. "No agregado,
em 2050, [o novo cálculo] resulta em um ponto percentual de diferença,
aproximadamente. Mas, se fizermos a soma entre ganhos e perdas, há
equilíbrio. Pode empatar", disse.
Em 2050, se fossem mantidas as regras atuais, as mudanças demográficas
esperadas jogariam o rombo para 5,74% do PIB. No cenário com
o novo fator e levando em conta que todos optem pelo mecanismo mais
brando (aposentadorias maiores), o déficit ficaria próximo
de 7% do PIB.
Punição aos apressados
O ministro da Previdência, José Pimentel, disse à
Folha que o Fator 85/95 criará uma espécie de "trava"
na atual meta de aposentadoria fixada pelo fator previdenciário,
hoje tida como impossível de ser alcançada. O fator vigente
conjuga idade, tempo de contribuição e expectativa de
vida, que tem subido a cada ano.
Em vigor desde 1999, o fator previdenciário pune quem, atendendo
à exigência do tempo de contribuição, aposenta-se
mais cedo, porque reduz o valor desse benefício.
"A cada ano que passa, a meta de aposentadoria é prorrogada
com a mudança na expectativa de vida. A pessoa se aposenta mais
cedo, mesmo recebendo menos. Queremos [com o Fator 85/95] definir um
marco formal para o direito do trabalhador", disse Pimentel.
A negociação sobre o fator previdenciário surgiu
depois que o governo foi derrotado no Senado. No ano passado, foi aprovada
proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) para acabar com o fator e com
a atual média dos salários-de-contribuição
para cálculo da aposentadoria (de julho de 1994 até o
mês do pedido do benefício).
Temendo novo embate na Câmara, o governo decidiu abrir diálogo
com as centrais sindicais. Pimentel afirma, porém, que o governo
não aceitará a mudança na média de salários.
A negociação contempla somente a fórmula 85/95.
"Será mantida a possibilidade de uma mulher se aposentar
aos 46 anos e receber 62% de suas contribuições e o homem
aos 51 anos, também com 62%. Isso é como se fosse um piso",
declarou o ministro, referindo-se ao fator previdenciário atual
em seu "piso" médio para as aposentadorias por tempo
de contribuição.
Para o trabalhador atingir 100% da contribuição, passaria
a valer o Fator 85/95. Hoje, para chegar a esse percentual, mulheres
precisam trabalhar até os 59 anos de idade; homens, 64 anos.
Com o novo fator, isso pode ser alcançado com 55/60 anos para
quem contribuiu por 30/35 anos.
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Consultor Jurídico,
11 de abril de 2009
Produção Legislativa
Congresso aprovou menos de 3% dos
projetos de 2008
Por Filipe Coutinho
Em 2008, foram apresentadas no Congresso Nacional 5.530 propostas de
novas leis. Só a Câmara dos Deputados recebeu 3.099 proposições,
entre propostas de emenda à Constituição, projetos
de lei e outros dispositivos legislativos. No Senado, foram 2.431.
São quase 10 projetos para cada um dos 513 deputados e 81 senadores.
Disso tudo, Câmara e Senado conseguiram criar apenas 149 normas
jurídicas, o que dá uma taxa de produtividade de pouco
menos de 3%. Nesse balanço, no entanto, não entra a perfumaria,
como homenagens aprovadas pelos parlamentares.
Quem mais apresenta projeto de lei na Câmara dos Deputados é
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo pesquisa feita
no site da casa legislativa, em 2008, o Poder Executivo apresentou 1.232
proposições à Câmara, mais do que um terço
de tudo apresentado na casa. O Executivo é também o que
mais aprova leis. Em 2008, 65 leis, o que inclui as medidas provisórias,
do Executivo foram aprovadas pelo Congresso Nacional.
A qualidade das leis ainda deixa muito a desejar. Segundo levantamento
feito pelo Anuário da Justiça 2009 (clique aqui para saber
mais), publicação da revista Consultor Jurídico
que vai ser lançada no dia 6 de maio em Brasília, o Supremo
Tribunal Federal julgou, no ano passado, 64 Ações Diretas
de Inconstitucionalidade. Das normas jurídicas analisadas, 48
foram consideradas inconstitucionais, ou seja, 75% das leis questionadas
no Supremo são inconstitucionais. Desse total, 28 partiram ou
do Legislativo ou do Executivo federal.
Estilo brasileiro
Para o cientista político David Fleischer, da Universidade de
Brasília, o excesso de propostas apresentadas pelos parlamentares
não é por acaso. “Muitas vezes, o político
apresenta um projeto só para mostrar serviço para um determinado
grupo ou região”, explica. Segundo Fleischer, esse comportamento
é típico do político brasileiro. “Isso é
mais frequente no Brasil porque a ação individual dos
parlamentares não tem respaldo na organização política
do Legislativo.” O cientista político acredita que não
há vontade para racionalizar o processo de criação
de leis no Brasil. “Enquanto esse for o estilo do político
brasileiro, infelizmente nada vai acontecer.”
Não é preciso ir muito longe para encontrar exemplos de
como funciona a tramitação das propostas no Congresso
Nacional. A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado, por exemplo, aprovou com uma semana de intervalo dois
projetos para acabar com a prisão especial para quem tem ensino
superior. O segundo projeto, de autoria do senador Expedito Júnior
(PR-RO), foi colocado em votação por alterar também
o Código de Processo Penal Militar, coisa que o primeiro não
fazia. Foi com essa justificativa que o presidente da CCJ, Demóstenes
Torres (DEM-GO), colocou em pauta a proposta, uma semana depois de a
comissão ter aprovado texto semelhante. “É uma proposta
mais ampla e antiga”, argumentou.
Todo esse amontoado de projetos e documentos oficiosos reflete uma prática
antiga dos políticos brasileiros. Muito se propõe, mas
pouco se transforma em realidade. Um número é revelador:
existem 93.529 itens em aberto na Câmara e Senado desde 1990,
primeiro ano do governo de Fernando Collor. São requerimentos,
projetos de lei e outros dispositivos acumulados que aguardam deliberação
dos parlamentares.
Exemplos não faltam. Está na Câmara, desde 1990,
um ato da Presidência da República para permitir a radiodifusão
da Rádio Pirenópolis FM (GO) por 10 anos. A proposta está
pronta para entrar na pauta de votação desde 1994.
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