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Agência Diap, 12 de abril de 2009
Andes-SN: docentes reivindicam
apenas uma linha no contracheque
Apenas uma linha no contracheque. Este é o mote da proposta de
Pauta de Reivindicação da Campanha Salarial 2009 dos docentes
das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), remetida
esta semana para análise da base do movimento docente, contendo
a incorporação de todas as gratificações
ao vencimento básico como principal bandeira de luta.
"Lutamos pela incorporação das gratificações
porque isso tem um significado e um reflexo na nossa carreira, porque
isso também se reflete na forma de atuação do professor
na universidade. E essa atuação tem conseqüências
na concepção de universidade e, ainda, na função
social que ela vai desempenhar", afirma o 1º vice-presidente
da Regional Rio de Janeiro do Andes-SN e membro da coordenação
do Setor das Federais, Luis Mauro Sampaio Magalhães.
De acordo com ele, os debates realizados no âmbito do Setor mostraram
que a remuneração por gratificações, implantada
pelo governo federal desde 1998, é a realização
da política de desmonte da carreira docente. "Por isso,
nossa luta principal será por apenas uma linha no contracheque,
ou seja, pela incorporação de todas as gratificações",
explica.
A secretária-geral do Andes-SN, Solange Bretas, acrescenta que
a incorporação das gratificações impede
que o professor que vai se aposentar sofra uma redução
do seu salário, como vem acontecendo.
"A incorporação garantirá ao professor, ao
se aposentar, a integralidade dos proventos. A Emenda 41 (Reforma da
Previdência) garante o direito à paridade, ou seja, à
gratificação, mas não a sua integralidade",
acrescenta.
Pauta extensa
O tesoureiro do Andes-SN, José Vitório Zago, lembra que
o governo federal, a CUT e o Proifes assinaram, no ano passado, um acordo
salarial, rejeitado pelas assembléias docentes por ser prejudicial
à carreira da categoria e às universidades. Esses prejuízos
foram confirmados quando muitos docentes abriram seus últimos
contra-cheques. Por isso, o Andes-SN vai lutar pela abertura de negociações,
ao lado dos demais trabalhadores do País.
"Queremos negociações, inclusive, para dar conta,
junto com os outros trabalhadores, de enfrentar os efeitos da crise
econômica". Segundo ele, a incorporação das
gratificações é o mote sugerido para a campanha,
mas que a pauta de reivindicações é bastante extensa.
São cerca de 80 itens divididos em seis grandes eixos temáticos.
"A pauta dá conta de todos os problemas que afetam a categoria
docente, apresentados nos Congressos e Conad dos últimos anos,
e para os quais o governo não apresentou solução.
Por isso, é tão extensa", esclarece ele.
A pauta foi dividida em seis grandes blocos temáticos de reivindicações:
1) Universidade pública e o trabalho docente; 2) Autonomia, financiamento
e vagas docentes; 3) Democratização das instituições
e das relações de trabalho; 4) Condições
de trabalho, capacitação e seguridade; 5) Carreira única;
e 6) Política salarial.
O primeiro bloco inclui as demandas gerais, que historicamente têm
sido apresentadas ao governo, que servem como fundamentos para que a
universidade pública cumpra sua função social,
e que balizam o projeto de Universidade defendido pelo Andes-SN. Os
demais blocos aglutinam as reivindicações propriamente
ditas.
"As reivindicações constantes nos demais blocos se
articulam e se embasam nestes fundamentos e ganham maior objetividade,
na medida em que expressam exigências absolutamente indispensáveis
à garantia de nossas condições de trabalho, com
destaque para as questões salariais, em consonância com
as funções de servidores públicos e com as especificidades
da natureza do trabalho que desenvolvemos", diz o documento produzido
durante a reunião do Setor das Federais.
Política salarial
Além da incorporação de todas as gratificações
ao vencimento básico, o eixo direcionado à política
salarial também pede reajuste anual vinculado à inflação,
como prevê à Constituição Brasileira, além
do respeito absoluto aos princípios da isonomia, da paridade
e da integralidade.
Pede, ainda, a identidade de valores e critérios como forma de
alcançar a carreira única entre os docentes do ensino
superior e os docentes do ensino básico, técnico e tecnológico,
com os seguintes valores previstos para degraus: 4,5% entre níveis
e 9% entre classes.
Para titulação, solicitam os seguintes percentuais: aperfeiçoamento:
7,5%, especialização: 18%, mestrado: 37,5% e doutorado:
75%.
Reunião conjunta
A proposta de pauta de reivindicação que seguiu esta semana
para as seções sindicais foi estruturada durante a reunião
conjunta dos representantes do Setor das Federais, do Grupo de Trabalho
- GT Verbas e do GT Carreira, na sede do Andes-SN, no último
final de semana, conforme havia sido deliberado pela plenária
do 28º Congresso do Andes-SN, realizado em Pelotas, de 10 a 16
de fevereiro.
Luis Mauro lembra que, em 2007 e 2008, a articulação entre
o governo federal, o Proifes e a CUT impôs aos docentes das IFES
uma alteração salarial que aprofundou ainda mais as distorções
salariais que já existiam. No caso de alguns aposentados, essa
alteração implicou em redução salarial,
entre outros problemas.
"A principal importância dessa reunião do final de
semana é que o Setor das Federais conseguiu fazer uma reflexão
sobre essa conjuntura, conseguiu reagir ao imbróglio criado pela
articulação Governo, Proifes e CUT, através da
imposição das alterações salariais do ano
passado", afirma.
O diretor avalia que outro resultado importante da reunião foi
consolidar os fundamentos que devem nortear as reivindicações
da categoria, que ainda são a preocupação com a
função social da universidade, a indissociabilidade entre
ensino-pesquisa-extensão e outras questões já previstas
no histórico Caderno 2 do Andes-SN - o documento que apresenta
a proposta do movimento doente para a universidade brasileira.
Calendário
As seções sindicais têm até o dia 23 de abril
para realizar as assembléias nas quais a base avaliará
o documento. "Nossa expectativa é que as assembléias
apontem quais os eixos que deverão ser mais trabalhados na campanha
deste ano", informa Solange Bretas.
José Vitório Zago acrescenta que a expectativa dos membros
do Setor das Federais é destacar pontos como a defesa da isonomia,
paridade e integralidade, e também o combate a toda forma de
precarização do trabalho docente, incluindo aí
a luta contra o Reuni e a defesa dos direitos dos professores substitutos.
O Setor das federais voltará a se reunir nos dias 24, 25 e 26
de abril para avaliar as decisões remetidas pela base. No dia
28 de abril, a diretoria do Andes-SN irá protocolar a pauta nos
ministérios da Educação (MEC), Planejamento (MP)
e Ciência e Tecnologia (MC&T), além do Congresso Nacional
e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes).
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Agência Estado, 12 de
abril de 2009
PSB articula candidatura de Ciro
contra Serra para ajudar Dilma
Com a tese de que é necessário lançar dois
candidatos governistas para forçar um segundo turno na eleição
presidencial de 2010, o PSB começou a executar um giro nacional
para colocar em evidência o presidenciável do partido,
Ciro Gomes. A articulação já ganhou até
um nome, a chamada ''Operação Pernambuco''.
Trata-se de uma referência às eleições
de 2006 naquele Estado, quando a oposição lançou
dois candidatos, Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT), contra
o candidato do governo, Mendonça Filho (DEM), então favorito
e apoiado pelo ex-governador do Estado, Jarbas Vasconcellos (PMDB).
A oposição conseguiu forçar o segundo turno e Campos
acabou vencendo.
''Economia em queda expõe mazelas''
''O governo não pode ficar só com a Dilma, é muito
arriscado'', advertiu o senador Renato Casagrande (ES) na reunião
da executiva do PSB, na semana passada, em referência à
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. ''Uma economia em queda
expõe as mazelas do governo'', emendou o senador.
O temor da cúpula socialista é de que as dificuldades
econômicas arrastem a candidatura da petista Dilma, abrindo espaço
para a vitória em primeiro turno do candidato da oposição.
O PSB aposta todas as suas fichas na candidatura do governador paulista
José Serra (PSDB), e também não tem dúvidas
de que grande parte do debate de campanha se dará em torno da
gestão pública, área em que o tucano tem mais experiência.
Para Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, lançar duas candidaturas
é ''uma forma de garantir a defesa do governo e de assegurar
um segundo turno''. ''Há espaço para mais de um candidato
da base. Temos dois exemplos, um bem-sucedido, que foi Pernambuco, e
um malsucedido, que foi São Paulo. É o mesmo raciocínio
para 2010'', disse o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
O parlamentar se refere à eleição de 2008, quando
o PT, de Marta Suplicy, foi vencido por Gilberto Kassab (DEM). À
época, aliados dos petistas insistiam em ter mais uma candidatura
de oposição, mas o PT preferiu se aliar ao PCdoB, de Aldo
Rebelo, já no primeiro turno. Alguns pessebistas também
desconfiam do fôlego de Dilma para vencer Serra, o que dá
mais combustível ao lançamento de outra candidatura da
base.
Estrela do programa de TV
O partido pretende dar musculatura à candidatura de Ciro nos
próximos meses. Deputado pelo Ceará, ele será a
principal estrela do programa de TV do PSB, que vai ao ar no dia 16.
No calendário, são articuladas viagens pelo País,
cujo motor é crise econômica, tema que Ciro, ex-ministro
da Fazenda (1994), debate com familiaridade.
Há cerca de quinze dias, ele esteve em Manaus, onde conversou
com empresários locais. Neste fim de semana deve ir a Porto Alegre.
Na agenda, há ainda viagens para Rio Branco, Cuiabá e
Belo Horizonte. Na terça-feira, há uma reunião
entre os líderes do partido para discutir, entre outros pontos,
uma pesquisa nacional que está sendo realizada em todo o País.
É com base na pesquisa que os líderes do PSB pretendem
conversar com Lula sobre a conveniência de se lançar mais
um candidato da base governista. ''Vamos mostrar ao presidente nossas
razões. Em 2002, nossas assessorias se entenderam muito bem.
Vamos tentar convencê-lo'', disse Amaral. O partido acredita que
pode melhorar o potencial de votos, que em 2006 ultrapassou 21 milhões.
''Dos três candidatos (Serra, Dilma e Ciro), ele foi o que teve
menos exposição. Ainda assim, aparece bem nas pesquisas'',
afirmou o presidente do PSB paulista, Márcio França.
Amaral: ''Não é um determinismo''
Ciro demorou para começar a se posicionar como uma alternativa
para 2010. Ex-ministro da Integração Nacional, ele tem
boa relação com o presidente e temia que a antecipação
da eleição fosse prejudicial ao debate. Por outro lado,
dizem aliados, também esperava uma sinalização
do presidente, que acabou por abraçar a pré-candidatura
de Dilma. ''Agora estamos organizando com ele a agenda do partido. Estamos
dialogando com ele de uma forma mais intensa'', disse Casagrande.
Lula ainda é reticente em relação à existência
de dois candidatos da base. O parceiro preferencial é o PMDB,
mas o partido pode entrar dividido na eleição, o que poderia
propiciar uma indicação de Ciro ou Eduardo Campos para
vice de Dilma. Amaral resiste a essa opção, mas afirma
que ''não é um determinismo o PSB ter candidato nem uma
tragédia apoiar (o PT)''. Em 2006, o partido não apoiou
oficialmente a reeleição de Lula em razão da verticalização,
que condicionava as alianças regionais à federal.
O partido quer que Ciro aproveite a vertente economista e mergulhe
nos temas sobre o País. ''Eu sei onde está o dinheiro'',*
chegou a comentar o ex-ministro, em entrevista recente à Rede
TV, ao ser indagado sobre as respostas para a crise.
* O lema ''Eu sei onde está o dinheiro''
foi usado com forte impacto em 1937 por José Américo de
Almeida, em uma campanha presidencial que terminou truncada pelo golpe
do Estado Novo.
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Agência Xinhua, 12 de
abril de 2009
China fixa teto para salário
de executivos de estatais
O Ministério das Finanças da china impôs
um limite à remuneração dos altos executivos de
instituições financeiras, devido ao desgaste que a crise
provocou ons ganhos dessas empresas em 2008. O anúncio foi feito
na quinta-feira (9), em uma circular publicada no site do ministério.
O novo regulamento foi adotado sob pressão de críticas
do público aos enormes pacotes de remuneração de
altos executivos de empresas financeiras de propriedade estatal. O ministério
estabeleceu que o salário básico dos executivos em 2008
não deverá ser superior a 90% do nível de 2007.
Duas horas e meia depois que a notícia foi publicada no site
www.sina.com.cn, 584 internautas tinham feito comentários, quase
todos elogiando a medida.
A norma incide sobre os pagamentos antes dos impostos, incluindo salários,
bônus e seguro social. Segundo o ministério, o teto irá
melhorar o equilíbrio na distribuição ea renda
e incentivar uma reforma nos mecanismos de remuneração.
A circular disse que a medida é coerente com a situação
interna e internacional. Executivos de algumas das instituições
financeiras estatais chegara a cortar voluntariamente seus vencimentos,
mesmo que suas empresas prevejam um aumento dos lucros.
As empresas que tiveram um declínio de seus ingressos no ano
passado poderiam cortar mais 10% sobre o teto. Os cortes podem ser mais
profundos em empresas que sofreram redução em seus lucros,
de acordo com a circular.
O ministério também pediu que se ajustasse as discrepâncias
entre pagamentos de executivos de empresas do setor financeiro, solicitando
cortes maiores sobre aqueles que recebem pagamentos mais elevados que
a média fixada em 2007.
Também foi solicitada a definição de tetos para
os salários de funcionários das sociedades financeiras,
estabelecendo uma clara diferença entre cargos e desempenho.
Esta é a segunda vez que o Ministério das Finanças
que impõe tetos salariais. Numa circular anterior, de fevereiro
deste ano, a pasta estabeleceu que o salário dos altos executivos
de instituições financeiras estatais deve ser de no máximo
2,8 milhões yuan (cerca de US$ 410 mil).
A nova medida visa também evitar a concorrência entre
instituições financeiras, que em 2008 ofereceram vantagens
salariais para disputar executivos, disse Guo Tianyong, professor na
Universidade Central de Finanças da China.
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Vermelho, 12 de abril de 2009
Operários malham judas da
crise e do presidente da Embrarer
A tradição de malhar o Judas no Sábado de
Aleluia (11) foi o modo escolhido pelo Sindicato dos Metalúrgicos
de São José dos Campos (SP) e da Coordenação
Nacional de Lutas (Conlutas) para demonstrar a indignação
da categoria contra as demissões em massa. O presidente da Embraer,
Frederico Curado, a crise capitalista e o prefeito Eduardo Cury foram
representados por bonecos, e surrados pelos manifestantes na praça
Afonso Pena, no centro da cidade.
As 4.200 feitas recentemente pela Embraer justificaram o ato. O diretor
sindicato, Edmir da Silva, afirmou que os desligamentos geraram uma
onda de desemprego na região, atingindo cerca de 7 mil pessoas.
A cidade industrial no Vale do Paraíba, com 600 mil habitantes,
foi atingida também por demissões em massa na unidade
local da General Motors.
A denúncias do suposto recebimento de financiamento de campanha
irregular pela construtora Camargo Corrêa é o motivo pelo
qual o prefeito Eduardo Cury aparece entre os bonecos “malhados”.
“Vamos malhar o presidente da Embraer por conta das demissões
em massa que sua empresa realizou e pelo ‘efeito dominó’
que esta medida está gerando em toda a região”,
explicou o diretor do Sindicato Edmir da Silva, responsável pela
produção das alegorias.
“Um boneco da crise também não poderia estar de
fora da ‘malhação’”, acrescentou.
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Gazeta do Povo, 12 de abril
de 2009
Polêmica
“Se a situação
estivesse boa, ninguém temeria um plebiscito sobre o fechamento
do Congresso”
Entrevista com o senador Cristovam
Buarque
Senador pelo Distrito Federal, Cristovam Buarque (PDT) provocou uma
polêmica na última semana ao propor um plebiscito para
saber se o povo quer, ou não, que o Congresso Nacional continue
aberto. A declaração recebeu críticas dos próprios
colegas, o que levou Buarque a explicar que apenas levantou uma hipótese,
em meio à onda de denúncias de irregularidades no Parlamento.
Em entrevista concedida à Gazeta do Povo, o senador e ex-ministro
da Educação lembrou que a Constituição não
permite o fechamento do Congresso, mas achou curiosa a reação
das pessoas. “Se a situação estivesse boa, ninguém
teria medo de um plebiscito”, provoca. Para o senador, o Congresso
vem se tornando um poder menor. Segundo ele, enquanto o Executivo legisla
por medidas provisórias e o Judiciário, por meio de suas
decisões, o Congresso permanece paralisado.
Para que Câmara e Senado retomem uma posição de
destaque, o senador considera ser necessário que o Legislativo
seja mais transparente – a fim de acabar com as “mordomias”
– e que os parlamentares passem mais tempo em Brasília
discutindo os problemas do país e tornando a pauta do Congresso
mais próxima das necessidades da população.
Ao avaliar o cenário político para 2010, o senador disse
também que ainda não há consenso no PDT para apoiar
a candidata do PT à Presidência da República, Dilma
Rousseff. E afirmou estar à disposição do partido
para concorrer ao cargo, se assim for o desejo dos pedetistas.
Após os últimos escândalos envolvendo o Senado,
o senhor comentou que alguém acabaria propondo o fechamento do
Congresso. O comentário causou algumas reações
de políticos. Qual é a sua posição a esse
respeito?
Isso não vai acontecer. Foi só uma hipótese que
levantei. Um plebiscito dessa natureza nunca seria convocado, porque
a separação de poderes é cláusula pétrea
da Constituição. Mas o que eu quis dizer é que
há um descontentamento muito grande com o nosso trabalho. Isso
é óbvio.
O que mais me preocupou é que, quando falei que alguém
acabaria propondo uma consulta sobre o assunto, as pessoas reagiram
como se um plebiscito fosse levá-las a optar por votar favoravelmente
ao fechamento do Congresso. Se a situação estivesse boa,
ninguém teria medo de um plebiscito sobre o fechamento do Congresso.
Mas houve uma unanimidade de que, se houvesse o plebiscito, o povo pediria
para fechar. Se a situação é essa, temos de realizar
uma mudança, porque nenhum Congresso dura se não tem o
respeito do povo. Um time pode ficar 20 anos perdendo, que não
perde o torcedor. Mas o Congresso não pode perder o respeito
do povo por 20 anos sem ficar desacreditado.
O senhor chegou a comentar que era preciso “desmordomizar”
a República. O que significa isso?
É preciso acabar com todos os privilégios que o país
foi criando ao longo do tempo e que ainda mantém. Privilégios
que existem no Congresso, no Judiciário e no Executivo. Há
muito luxo neste país quando se compara com a situação
da população pobre.
O que teria de mudar para acabar com as mordomias no setor público?
Aí teríamos de analisar o que a gente gasta, o que é
necessário para o trabalho e o que não é necessário.
Acho que se a gente tiver transparência, “desmordomiza”.
Ninguém usa mordomia na frente do povo. Isso é sempre
uma coisa que se usa escondido.
Que problemas o senhor vê no Senado?
Em primeiro lugar, nós ficamos apenas dois dias em Brasília
por semana. Não temos tempo de “parlamentar” entre
nós, de discutir os problemas do país. A gente vem, faz
discurso e vai embora. Em segundo lugar, há um divórcio
entre nossas falas e os problemas concretos da realidade brasileira.
Em terceiro, nós não nos adaptamos à realidade
do avanço técnico, que criou uma situação
nova. A democracia precisa se adaptar à realidade do “on-line”.
O Congresso demora cinco anos para aprovar um projeto, mas os problemas
são “on-line”.
E como resolver esses problemas?
A transparência resolveria quase todos, principalmente os relacionados
às mordomias. Agora, era melhor que os parlamentares passassem
mais tempo em Brasília. Não se pode sair todas as semanas
daqui. É preciso também que a pauta de discussão
do Congresso seja igual à pauta do povo.
O senhor acha que é o caso de se fazer uma reforma política?
Claro. Mas não vejo muita vontade de se fazer uma reforma. Deveríamos
ter somente financiamento público de campanha, com proibição
de qualquer outra forma. É preciso acabar com a reeleição,
que se tem mostrado um mal à democracia. Mas nada vai ser resolvido
se não houver uma mudança substancial na qualidade de
educação para todos. Só resolveremos os problemas
do Brasil com uma revolução na educação,
com uma carreira nacional de magistério e um programa de qualidade
de ensino.
O Congresso não vem conseguindo legislar e o Poder Judiciário
vem assumindo algumas funções do Parlamento. Qual sua
opinião a esse respeito?
O maior dos problemas do Congresso é que ele está se tornando
irrelevante. Porque quem manda hoje é o Poder Executivo, com
as medidas provisórias. E o Judiciário, com suas decisões.
O Congresso está ficando numa posição menor em
relação aos outros poderes. As medidas provisórias
não deveriam ficar a critério do presidente. Deveriam
passar por conselho do Congresso que avaliasse se há urgência
para a edição das medidas. Se não houver urgência,
que o assunto seja analisado como projeto de lei.
O senhor foi candidato à Presidência em 2006, foi ministro
de Lula no primeiro mandato, e tornou-se um crítico do governo.
O presidente do seu partido, Carlos Lupi, sinaliza que o PDT deve apoiar
o PT em 2010. O senhor partilha dessa posição?
Eu me coloquei à disposição do partido para ser
novamente candidato a presidente. Se o partido quiser, serei candidato.
Acho que o partido não decidiu ainda se apoia a Dilma ou se terá
candidato próprio. Está na mesma situação
do PSB, que tem o (deputado federal) Ciro Gomes, que muitos dizem que
vai ser candidato.
Qual a sua avaliação sobre a proposta do Ministério
da Educação de unificar os vestibulares das universidades
federais a partir da reformulação do Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem)?
A proposta não é ruim. Mas apenas unifica os vestibulares;
não muda o processo de seleção. Eu acho que o sistema
deveria ser como o que implantei quando era reitor da UnB (Universidade
de Brasília), onde a seleção é feita dentro
da escola de 2º grau, escolhendo-se os melhores alunos.
O senhor é favorável ao sistema de cotas raciais ou sociais
para o ingresso em universidades públicas?
As cotas são como um remédio. Ninguém gosta de
tomar. No Brasil há uma doença – o fato de que há
121 anos se acabou a escravidão e a elite continua branca. Isso
é uma doença. Então tem de mudar a cara da elite
brasileira. O único jeito são as cotas.
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Gazeta do Povo, 12 de abril
de 2009
Legislativo
Congresso estuda criar 14 estados
Se todas as propostas fossem aprovadas,
o Brasil ficaria com 41 unidades federativas
Rio de Janeiro - Mais do que um traço nos mapas escolares, um
novo estado significa mais burocracia e gastos com câmaras estaduais,
bombeiros, policiais, governadores, além de novos deputados e
senadores. Apesar do custo para erguer uma nova estrutura, no Congresso
há pelo menos 14 projetos que propõem a criação
de novos estados. Se todos eles fossem aprovados, o país ganharia
14 novas unidades entre estados e territórios federais, passando
a ter 41 no total.
Um acréscimo que não seria barato. O Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) divulgou no ano passado um estudo em
que estima em R$ 832,14 milhões o custo fixo anual de manutenção
de um estado no Brasil, sem considerar a sua população
ou sua atividade econômica. Segundo o Ipea, cada habitante custaria
R$ 564,69 a mais ao gasto público estadual e cada real produzido
em um estado requer um aumento de 7,5 centavos em termos de gasto público
estadual. Um número contestado pelo senador Mozarildo Cavalcanti
(PTB-RR), autor de três projetos que propõem a criação
de novos estados.
Se todos os projetos fossem aprovados, apenas em um ano o país
gastaria R$ 11,649 bilhões na manutenção destas
novas unidades da federação. “Esse (o estudo do
Ipea) é um dado falso. Só o que vai ser arrecadado de
imposto dá para tocar o estado. O resto é investimento
federal”, disse Cavalcanti.
Mas a medida não é unanimidade no Congresso, onde muitos
projetos estão parados há mais de uma década. Entre
os contrários às mudanças no mapa brasileiro, há
deputados e senadores que apontam desde o atual momento de crise econômica
até o gasto extra, que consideram desnecessário. Também
argumentam que o Brasil já está consolidado com as atuais
27 unidades da federação. “O gasto que teríamos
com burocracia é enorme. E há estados que não se
sustentariam porque não teriam nível de arrecadação.
Por mais que eles recebam o fundo de participação, (o
dinheiro) seria insuficiente”, critica a deputada Vanessa Grazziotin
(PCdoB-AM).
Os parlamentares a favor das divisões, no entanto, argumentam
que um estado menor poderia ser mais bem administrado e citam o exemplo
de Tocantins, que pertencia a Goiás, e de Mato Grosso, que se
dividiu gerando Mato Grosso do Sul.
Também afirmam que a população mais pobre seria
mais bem assistida e o estado se desenvolveria mais do que se ficasse
na dependência de um governo central muitas vezes distante do
interior, como no caso do Pará ou do Amazonas.
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Gazeta do Povo, 12 de abril
de 2009
Telecomunicações
Copel aposta em telefonia fixa
e internet com banda “extralarga”
Estatal quer transmitir dados, imagem
e voz pela rede elétrica. Objetivo é conquistar clientes
de provedores e operadoras telefônicas
Trezentos moradores de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro)
começam a testar, no próximo dia 25, uma tecnologia que
poderá causar algum desconforto às provedoras de internet
a partir de 2010 – e, nos anos seguintes, provocar dores de cabeça
ainda mais agudas às operadoras de telefonia fixa. Quem pretende
causar todo esse mal-estar, abocanhando parte do mercado das tradicionais
empresas de “telecom”, é a Companhia Paranaense de
Energia (Copel). A estatal quer fornecer internet de banda “extralarga”
e telefonia fixa a seus clientes por meio de uma estrutura que domina
há décadas: a rede elétrica. E a preços
competitivos.
A exploração comercial da “internet de tomada”
foi autorizada na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel). A telefonia fixa ainda terá de esperar, mas, no setor,
sua liberação é vista como questão de tempo.
A PLC – sigla para “power line communication”, ou
“comunicação por rede elétrica” –,
que será usada em Santo Antônio da Platina, já é
explorada em escala comercial em 20 países. A Copel foi a primeira
do Brasil a testá-la, ainda em 2001, com 50 domicílios
de Curitiba. A experiência mostrou que, embora fosse viável,
a tecnologia tinha de ser aprimorada. “Os equipamentos que usamos
na época não impediam uma grande interferência da
linha elétrica sobre a transmissão de dados e imagem.
Mas a tecnologia evoluiu muito desde então, e os novos equipamentos
já eliminam essa interferência”, conta o diretor-presidente
da Copel, Rubens Ghilardi. “Os testes vão durar de seis
meses a um ano. Se forem bem sucedidos, já teremos condições
de vender o serviço.”
A velocidade da internet será de pelo menos 20 megabits por segundo
(Mbps), o dobro da maioria dos serviços convencionais. A Copel
testará uma conexão ainda mais rápida, de 100 Mbps.
Mas Ghilardi admite que pagar pela internet via rede elétrica
vai compensar apenas para quem fica conectado várias horas por
dia.
“O interesse das empresas de eletricidade na PLC é, fundamentalmente,
concorrer com as operadoras de telefonia fixa. A ideia é oferecer
todo o pacote, com transmissão de imagem, dados e voz, porque
aí compensa para o usuário”, explica o executivo.
Segundo ele, a empresa não definiu um preço para o serviço,
mas simulações apontaram para rentabilidade entre 20%
e 700%. “Varia muito, cada projeto tem um custo diferente. Mas,
evidentemente, não vamos buscar um retorno de 700%. Nesses casos,
o usuário é que pagará menos.”
A Copel pretende fazer a maior parte da transmissão por sua rede
de fibra ótica, que tem quase 11 mil quilômetros e atende
a 185 dos 399 municípios do estado. Aí reside o grande
trunfo da empresa: quase toda a rede necessária já está
instalada e, por um “pequeno custo adicional”, segundo Ghilardi,
a companhia terá condições de atender a todos os
seus 3,5 milhões de clientes. “A entrada no mercado de
telefonia fixa vai permitir à Copel uma alavancagem brutal em
seus rendimentos futuros.”
De acordo com o executivo, um equipamento instalado nos transformadores
de energia já existentes – cada um atende de 40 a 50 casas
– converterá o sinal “transportado” pelo cabo
de fibra ótica em eletricidade. Em seguida, um modem comprado
pelo usuário fará, na residência, a reconversão
da energia elétrica para dados, imagem e voz. “A nossa
subsidiária Copel Telecom vai pagar à Copel Distribuidora
pelo aluguel do transformador”, diz Ghilardi. “Se em cada
conjunto de até 50 domicílios apenas um aderir, fica inviável.
Por isso, vamos começar vendendo o serviço nos grandes
centros, como Curitiba, para então entrar no interior.”
O potencial do projeto, diz Ghilardi, é imenso: quase 98% da
eletricidade consumida no estado passa pelas linhas de transmissão
da Copel Distribuição, que chegam a 393 municípios
do Paraná. Em todo o Brasil, apenas a Cemig, de Minas Gerais,
tem capilaridade semelhante.
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Folha de S.Paulo, 12 de abril
de 2009
Congresso articula para criar 79
novos cargos eletivos
Quatro deles seriam para representar,
na Câmara, brasileiros que vivem no exterior
Os outros 75 integrariam a bancada no Parlamento
do Mercosul, que hoje conta com 18 representantes provisórios
de cada país
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio a uma crise que envolve variadas suspeitas de mau uso do dinheiro
público, o Congresso Nacional estuda aprovar ainda neste ano
a criação de mais 79 cargos eletivos federais, pelo menos:
quatro para representar na Câmara dos Deputados os brasileiros
que moram no exterior e outros 75 para integrar a bancada nacional no
Parlamento do Mercosul, braço do bloco comercial que reúne
Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Hoje o Legislativo federal brasileiro tem 594 integrantes: 513 deputados
e 81 senadores. Ou seja, os novos cargos eletivos significariam crescimento
de 15% no total de cadeiras. Embora a articulação esteja
em curso, não há estimativas oficiais do gasto extra.
Em uma conta aproximada, o custo poderia ficar em R$ 107 milhões
ao ano, se levados em conta os valores de verba e salário destinados
hoje para cada deputado.
A ideia da criação de uma "bancada brazuca"
na Câmara ganhou força no dia 1º, quando o Senado
aprovou por unanimidade a proposta. Hoje, os brasileiros no exterior
estão aptos a votar apenas para presidente da República.
A proposta -que precisa passar por mais uma votação no
Senado e outras duas na Câmara- não estabelece o número
da bancada, o que seria definido em lei posterior, mas senadores falaram
em algo entre quatro e sete.
Caso sejam quatro, os brasileiros no exterior estariam entre os mais
representados, segundo o número de eleitores inscritos hoje -133,8
mil. Cada "deputado brazuca" representaria 33,5 mil eleitores
em média, só perdendo para Roraima, onde cada deputado
representa uma média de 31 mil eleitores. Em São Paulo,
o Estado mais sub-representado, há 417,6 mil eleitores por deputado.
Em estudo recente, o conselheiro do Ministério das Relações
Exteriores Carlos Eduardo de Ribas Guedes diz que a experiência
existe, com algumas diferenciações, em França,
Itália, Espanha e Portugal. Calcula em quase quatro milhões
"os cidadãos que hoje compõem a diáspora brasileira".
Na Câmara, técnicos se preocupam principalmente com a avaliação
de que a bancada teria pouco poder de influência fora do Brasil.
"Os brasileiros que moram no exterior mandam US$ 5 bilhões
para o Brasil e não têm quem os represente aqui",
disse Cristovam Buarque (PDT-DF), autor da proposta.
Mercosul
Criado em 1991, o bloco tem suas regras definidas pelos Executivos de
Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Em maio de 2007, entretanto,
foi instalado o Parlamento do Mercosul, em Montevidéu.
Sem poder de decisão no bloco, o órgão tenta exercer
influência, tendo realizado até agora 16 sessões
plenárias com a pauta concentrada na aprovação
de declarações e decisões administrativas internas.
São 25 funcionários provisórios, um orçamento
anual de R$ 2,17 milhões, e 18 representantes provisórios
de cada país. No caso do Brasil, são nove deputados e
nove senadores, que não ganham salário extra, mas que
têm suas viagens custeadas pelo Congresso.
Com a ideia de eleger congressistas para o órgão, deverá
haver salário, verbas e funcionários efetivos, a ser bancado
pelos tesouros de cada país, embora nada disso ainda tenha sido
estimado publicamente.
Por enquanto, há divergência a ser superada com o Paraguai
em relação ao número de vagas. A representação
brasileira propõe 75 cadeiras para o Brasil, 33 para a Argentina,
18 para o Uruguai e 18 para o Paraguai.
"Todo bloco tem maior ou menor confiança jurídica
de acordo com a sua institucionalidade", diz o deputado Doutor
Rosinha (PT-PR), que presidiu o Parlamento do Mercosul até o
início do ano. Ele diz que, se tudo der certo, o órgão
terá poder decisório no futuro. Como exemplo de importância
atual, ele fala da diretiva com punições mais duras a
imigrantes ilegais, aprovada em 2008 na União Europeia. Segundo
ele, a pressão do Parlamento do Mercosul levou os presidentes
do bloco a divulgarem manifestação mais dura contra a
medida.
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Folha de S.Paulo, 12 de abril
de 2009
Para associação de
juízes, empresa deve discutir cortes com sindicatos e governo
DA REPORTAGEM LOCAL
Para o presidente da Anamatra (Associação Nacional dos
Magistrados da Justiça do Trabalho), Cláudio José
Montesso, os tribunais do Trabalho estão preocupados em evitar
o comportamento abusivo das empresas ao promoverem demissões
em massa -sob o argumento de que enfrentam dificuldades com a crise-
e defende a negociação das dispensas com os sindicatos
para encontrar alternativas para a redução drástica
de pessoal.
"Se uma empresa está em dificuldades financeiras, deve abrir
discussão com o sindicato de representação da categoria,
com a comunidade e o governo para reduzir o impacto social das demissões.
Defendo até que abram seus livros contábeis, que sejam
transparentes e justifiquem economicamente as demissões que alegam
precisar fazer."
Segundo Montesso, nos casos recentes de demissões coletivas,
a Justiça do Trabalho interpretou que a liberdade de demitir
"não existe mais de forma absoluta". "Gerar empregos
é uma função social da empresa; por isso, ela não
pode, pura e simplesmente, reduzir o quadro de pessoal, mandando embora
sem estabelecer no mínimo uma conversa com os representantes
dos trabalhadores e com a sociedade. Até porque, às vezes,
uma comunidade de uma determinada localidade depende inteiramente daquela
atividade empresarial para se manter."
A Anamatra está elaborando um anteprojeto de lei para regular
as dispensas coletivas. "A ideia é estabelecer um regulamento
que determine o que é preciso fazer na hora de demitir de maneira
coletiva, se é preciso ter negociação e como ela
deve ser feita. Também estamos discutindo critérios para
a escolha dos funcionários que serão demitidos, como considerar
a situação da família do trabalhador (quando sua
mulher está grávida, por exemplo) ou se ele está
prestes a se aposentar", diz Montesso.
Trabalhar com o que há
Para o advogado trabalhista Luis Carlos Moro, é preciso evitar
a "hipocrisia da crise". "Não dá para uma
empresa como a Vale, por exemplo, pedir a flexibilização
de direitos trabalhistas, mandar trabalhadores embora, colocar milhares
de funcionários em férias coletivas, ganhar tempo e depois
divulgar um balanço mostrando que, em 2008, lucrou R$ 21 bilhões."
A dispensa coletiva, segundo ele, é um fenômeno existente
e claro. "Em muitos casos, como vimos, constitui abuso do direito
de gestão da empresa. O abuso de direito que está consagrado
como ilícito e que aqui melhor seria dito "abuso de poder".
Se não há norma específica para lidar com o problema,
há que trabalhar com o que há. E o que existe é
bastante para impor aos processos de dispensa coletiva uma necessária
humanização", diz Moro.
Ao avaliar a decisão da Justiça do Trabalho que manteve
as demissões realizadas pela Embraer e determinou o pagamento
de indenizações, José Maria de Almeida, coordenador
da central sindical Conlutas, acredita que "não adianta
negociar um pacote para os demitidos", mas sim "editar uma
medida provisória que permita a estabilidade no emprego"
e que crie regras na lei para evitar demissões em massa. (CR)
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