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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de abril de 2009 | Economia
Indústria perde R$ 25 bilhões
em seis meses
Agência Estado
A indústria perdeu R$ 24,7 bilhões de riqueza nos últimos
seis meses em razão da crise, segundo projeções do Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O carro que deixou de
ser montado, a máquina de lavar que não foi fabricada, o alto-forno
da siderúrgica desligado, por exemplo, provocaram uma contração
da ordem de 15% no ritmo de produção e um recuo no Produto
Interno Bruto (PIB) industrial.
O baque sofrido pela indústria
em seis meses foi tão grande que, mesmo com a recuperação
esboçada no ritmo das fábricas em janeiro e fevereiro,
economistas preveem que a produção industrial encolha entre
4% e 5% este ano na comparação com 2008. A maior retração
anual havia sido em 1998, quando a produção industrial
caiu 3,3%. Naquela época, lembra o sócio-diretor da RC
Consultores, Fabio Silveira, o País sofria os efeitos das crises
da Ásia, da Rússia e estava na antessala da desvalorização
cambial de 1999.
"O tombo na indústria
foi muito grande em tão pouco tempo", afirma o economista
do Iedi, Rogério César de Souza, que calculou, a pedido
do Grupo Estado, a contração no PIB industrial após
a eclosão da crise, em setembro passad. Para chegar aos R$ 24,7
bilhões, que é a perda do PIB industrial a preços
de mercado, ele levou em conta margens de comercialização
e impostos da ordem de 20%, que é uma média, na sua opinião,
conservadora. Além disso, o economista fez as projeções
a partir dos dados mais recentes que são o PIB do último
trimestre de 2008 da indústria de transformação
e extrativa mineral. Esses dois segmentos respondem por quase 70% da
produção da indústria. Ficaram de fora a construção
civil e a distribuição de eletricidade, gás e água,
que entram, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), no PIB da indústria.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de abril de 2009 | Economia
Economista prevê recuperação
da indústria este ano
Agência Brasil
O setor industrial brasileiro, que amargou no primeiro bimestre queda de mais
de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, tende
a se recuperar ao longo do ano. Apesar disso, a indústria não
deve crescer em 2009, diz o economista Roberto Brandão, do Grupo de
Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(Gesel/UFRJ).
"Mesmo se recuperando ao
longo do ano, o primeiro bimestre foi muito ruim e vai trazer uma certa
inércia para o primeiro semestre. Com isso, dificilmente você vai
ter crescimento industrial no ano", avalia Brandão.
No próximo quarta-feira
(15), o Laboratório de Crise do Gesel promove seminário,
no Rio, para analisar os números da economia e os impactos da
crise no setor elétrico.
Em contrapartida à estagnação
projetada para a indústria, o setor de serviços - responsável
pela maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) - segura a economia e
faz com que ela fique mais ou menos estável, destaca Brandão.
Isso, acrescenta o economista,
significa que o PIB (soma dos bens e serviços produzidos no país)
poderá cair pouco ou crescer muito pouco, com retração
da atividade industrial em torno de 2%.
O economista do Gesel acredita,
porém, que arte das medidas anticrise implementadas pelo governo
vai ter um efeito positivo. Some-se a isso, os juros básicos,
que devem continuar em trajetória declinante e contrabalançar
o setor exportador, que puxará a economia para baixo, "porque
a situação internacional é muito ruim".
A recuperação
deverá começar a ser observada no segundo semestre, embora
sobre uma base fraca, destacou Brandão. Ele prevê que o
PIB vai ficar em torno de 0% este ano ou próximo disso.
No cenário provocado pela
crise externa, o setor elétrico é o que sofre menos, segundo
economista da UFRJ. Grande parte da receita do setor elétrico,
ressalta, é regulada ou ligada a contratos de longo prazo de geração
ou de transmissão.
"Onde afeta é na
carga industrial, no mercado livre", afirma o economista. Segundo
ele, isso decorre do fato de que houve uma queda de carga expressiva
no setor industrial. Vários segmentos industriais eletrointensivos
exportadores estão consumindo menos energia.
De maneira geral, Brandão
analisou que a carga da maioria das distribuidoras vai apresentar recuo
discreto ou vai crescer, em função da carga dos setores
comercial e residencial, que podem apresentar desaceleração,
mas não queda ao longo do ano. "Eles não vão
andar para trás". O tipo de regulação do setor
faz com que os efeitos da crise sejam relativamente pequenos, comparados
com outros setores da economia.
Para 2010, a expectativa é que
o crescimento do PIB será expressivo. O mesmo deverá suceder
na área industrial, "por um efeito quase estatístico. "O
problema que a gente tem este ano provavelmente vai jogar a favor no
ano que vem". Brandão imagina que o ano de 2010 vai partir
de uma base muito maior do que a média de 2008. "Então,
vai ser bastante fácil atingir uma taxa de crescimento mais alta,
na faixa de 4% a 4,5%."
O seminário do Laboratório
da Crise do Gesel/UFRJ será realizado na Casa da Ciência
e contará com apresentações do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), Empresa de Pesquisa Energética
(EPE) e Operador Nacional do Sistema (ONS).
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Agência Diap, 13 de abril
de 2009
FST levará, nesta terça
(14), reivindicações ao presidente da Câmara
A Coordenação Nacional
do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) Nacional tem encontro
agendado, para esta terça-feira (14) à tarde, com o presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), quando levará as reivindicações
do movimento sindical confederativo.
Na manhã do mesmo dia,
os membros do FST-Nacional farão reunião exclusiva para
tratar dos assuntos constantes da pauta apresentada ao deputado na época
da solicitação da audiência.
Assuntos
trabalhistas
1) Votação, pelo plenário da Câmara, em caráter
de urgência da Mensagem Presidencial 389/03, do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que pede a retirada do PL 4.302-B/98, do Executivo (terceirização).
2) PL 1.987/07, do deputado Cândido
Vaccarezza (PT/SP), que consolida dispositivos normativos que especifica
referente ao Direito Material Trabalhista e revoga as leis extravagantes
que especifica e os artigos 1º ao 642 da CLT.
3) PL 3.299/08, do senador Paulo
Paim (PT/RS), que extingue o fator e modifica a forma de cálculo
dos benefícios da Previdência Social.
4) PEC 393/01*, do ex-deputado
e atual senador Inácio Arruda (PCdoB/SP), que trata da redução
da jornada de trabalho.
5) Ratificação
da Convenção 158 da OIT pelo Brasil - Término da
relação de trabalho por iniciativa do empregador.
Assuntos
sindicais
1) PLS 248/06, do senador Paulo Paim (PT/RS), que acrescenta Capítulo
III-A ao Título V da CLT, para dispor sobre a contribuição
assistencial.
2) PLS 177/07, do senador Paulo
Paim (PT/RS), que trata da estabilidade de dirigente de Conselho Fiscal
das entidades sindicais.
3) PDC 857/08, do deputado Nelson
Marquezelli (PTB /SP), que susta os efeitos da Portaria 186 do Ministério
do Trabalho e Emprego, que trata do Registro Sindical.
4) PLS 36/09, do senador Antônio
Carlos Valadares (PSB/SE), impõe penalidades à pessoa que
exigir, quando da contratação do empregado, atestado ou
preenchimento de questionário sobre filiação ou
passado sindical.
Assuntos
gerais
1) Reivindicação pelo FST na interlocução e participação
dos trabalhadores no processo, nos grupos de trabalho e/ou nas audiências
públicas, nas comissões que irão regulamentar os dispositivos
constitucionais (Câmara e Senado), referentes aos artigos 7º e 8º da
Constituição Federal.
2) Os riscos e as graves consequências
que a reforma tributária PEC 233/08 originária do Governo
Federal em tramitação na Câmara dos Deputados, traz
aos trabalhadores e a sociedade em geral, ameaçando de forma substancial,
as fontes exclusivas que dão suporte às políticas
da Seguridade Social (previdência, saúde e assistência
social), Educação e Trabalho.
Enfim, se aprovado subtrai recursos
e quebra salvaguardas constitucionais de benefícios e programas
sociais e serviços públicos, atualmente protegidos pelo
artigo 195.
(*) Sobre a redução
da jornada de trabalho, a proposta que está em discussão
na comissão especial é a PEC 231/95, dos ex-deputados
e atuais senadores Inácio Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim (PT/RS)
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Folha de S.Paulo, 13 de abril
de 2009
Governo estuda tributar poupança
com saldo maior
Medida busca evitar que recursos migrem de
fundos de investimento para a caderneta | Limite estudado para maior
tributação é de R$ 100 mil; rendimento da poupança
também deve ser reduzido por meio de alteração
na TR
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo está disposto
a tributar o rendimento da poupança para grandes aplicadores e "diluir" a
TR (Taxa Referencial) para reduzir os ganhos da caderneta, que começam
a ficar mais interessantes do que o dos fundos de investimento.
O limite estudado para iniciar a tributação é de R$ 100
mil, mas o valor sofre oposição dentro do próprio governo
e poderá ser elevado. A mudança deve sair por meio de medida
provisória nos próximos dias. O governo, no entanto, teme que
ela seja barrada no Congresso, como aconteceu com a CPMF.
Se for confirmada, será a primeira intervenção na caderneta
desde o confisco da poupança promovido pelo Plano Collor, em março
de 1990.
O objetivo do governo, ao promover as mudanças, é evitar que
haja a migração de aplicações de fundos de investimento,
que ajudam no financiamento da dívida pública, para a caderneta
de poupança.
Segundo uma fonte do governo, ainda não está fechado como será a
tributação nem a forma que acontecerá a redução
no ganho da poupança.
A tributação ideal sobre a poupança seria o Imposto de
Renda, que não tem uma destinação específica. No
entanto só poderá ser aplicado a partir de janeiro de 2010 devido
ao princípio da anterioridade.
Outra solução estudada pelo governo é colocar uma espécie
de Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico), incidente sobre os combustíveis e que pode ser implementado
em 90 dias.
O inconveniente é que a contribuição precisa ter um destino
específico, como a CPMF, que foi criada para a saúde. O governo
não sabe ainda qual qual área pode privilegiar.
Já a TR deverá sofrer um efeito maior do redutor que já incide
sobre seu rendimento, que deve levar a poupança a oferecer um retorno
menor do que os atuais 6% mais TR.
Descontentes com a tendência de aprovação da mudança,
os bancos defendiam um menor direcionamento dos recursos captados na poupança
para os financiamentos imobiliários, proposta que contava com oposição
das construtoras.
Pelas regras vigentes, 65% do dinheiro deve ir obrigatoriamente para o crédito
imobiliário e só 15% podem ser aplicados livremente -o restante
fica preso no compulsório.
O governo também desistiu de adotar como remuneração da
poupança percentuais do CDI, como acontece hoje com os CDBs dos bancos,
como defendiam alguns técnicos da equipe econômica.
Além de difícil entendimento para a maioria dos poupadores, a
proposta não resolveria o problema da correção do FGTS
(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e dos contratos de financiamento
habitacional, que utilizam a TR.
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Folha de S.Paulo, 13 de abril
de 2009
Mudanças terão efeito "dominó" em
contratos e afetam até FGTS
DA REPORTAGEM LOCAL
Motivo de polêmica, a proposta
de reduzir o piso de 6% da remuneração da poupança
expõe um emaranhado de gargalos e deficiências da economia
brasileira de difícil equacionamento técnico e político.
Aplicação isenta de impostos, a poupanca tem em sua correção
um valor fixo de 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial), uma espécie
de indexador que não representa nem uma inflação nem um
juro nem uma taxa de risco.
A TR é calculada a partir da média do pagamento dos CDBs dos
30 maiores bancos, que depois sofre ação de um redutor cuja lógica é retirar
efeito de impostos, entre outros componentes, dos CDBs.
O problema de mexer na TR é que ela também serve para corrigir
o FGTS do trabalhador, que rende TR mais 3% ao ano, além de contratos
de financiamento imobiliário que utilizam recursos da poupança.
Preocupado com o equilíbrio entre inflação e juros, o
Banco Central, na última ata do Copom, diz que a remuneração
fixa da poupança chegará ao ponto de inviabilizar novas reduções
da taxa Selic.
O raciocínio do BC é que, com a Selic em 9,25% no final do ano
(a taxa hoje está em 11,25%), a poupança pagará mais do
que os fundos de investimento que carregam títulos da dívida
pública pós-fixada.
" Se os fundos perderem recursos para a poupança, quem vai comprar
esses papéis? Se ninguém comprar título federal, vai ter
de aumentar o juro e não vai conseguir baixar mais a Selic", afirma
Ricardo Rocha, professor do Ibmec-SP.
Além do problema com a rolagem da dívida pública, o governo
tem o interesse de manter a arrecadação proveniente de 20% do
ganho de capital dos fundos e dos CDBs. Já os bancos não querem
perder as taxas de administração dos fundos.
Estudo do BC mostra que mais de 93% dos aplicadores da poupança têm
menos de R$ 10 mil. "A poupança é líquida [isenta]
para pessoas que ganham pouco e não têm acesso a fundo de investimento.
A maioria não guarda para a aposentadoria. O problema é para
aqueles que estão contando com rendimento de 6% e depois terão
de aumentar a contribuição [caso caia]", disse Rocha.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de abril de 2009 | Política
Lula cobra de ministros celeridade
nas obras do PAC
Agência Estado
Irritado com a demora no andamento das obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou
uma reunião com nove ministros, e os presidentes do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica
Federal, e da Petrobras, para exigir mais celeridade nos trabalhos.
Na reunião, Lula avisou
que vai fazer um périplo pelo País, para visitar cada obra
do PAC e ver como estão se desenvolvendo e os motivos do atraso. "O
presidente, nesta primeira fase, deixou bem claro seu envolvimento pessoal
no acompanhamento das obras", declarou o ministro da Integração
Nacional, Geddel Vieira Filho.
Neste momento, Lula está reunido
separadamente com cada ministro, para verificar os problemas em cada
pasta. Participaram da reunião os ministros da Casa Civil, Dilma
Rousseff; da Integração nacional, Geddel Vieira Lima; da
Secretaria de Portos, Pedro Britto; das Cidades, Márcio Fortes;
dos Transportes, Alfredo Nascimento; da Defesa, Nelson Jobim, de Minas
e Energia, Edison Lobão; do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Miguel Jorge e da Coordenadora Geral da União,
Jorge Hage, além dos presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, da
Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho e da Petrobras,
José Sérgio Gabrielli.
"Foi uma reunião
administrativa onde o presidente, nessa primeira fase, deixou bastante
claro seu envolvimento pessoal no acompanhamento das obras que estão
ocorrendo no País, cobrando cronogramas, celeridade, insistindo
na tese que temos que criar condições e insistindo que
as obras sejam tratadas com mais um turno para gerar empregos",
disse Geddel.
O presidente, segundo relato
de Geddel, mostrou irritação, também, com o fato
de o terceiro turno, que o governo quer que seja implementado nas empresas,
para acelerar as obras, não ter saído do papel. Na avaliação
de Geddel, o presidente desta vez mostrou claramente preocupação
com as obras do PAC e convocou todos a trabalhar juntos para enfrentar
a crise.
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BBC Brasil, 13 de abril de
2009
Menos de 2% dos pobres no Brasil
têm acesso à internet, diz Cepal
Com 52,2% das residências
mais ricas conectadas à rede mundial de computadores, o Brasil é país
da América Latina onde os ricos mais têm acesso à internet
em casa, segundo pesquisa da Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe (Cepal).
No entanto, somente 1,7% das
casas mais pobres do Brasil contam com esta forma de comunicação.
Em relação à distância entre os que têm
maior poder aquisitivo e os mais carentes, com disponibilidade de internet
em casa, o Brasil está dentro da média regional, detectada
pela pesquisa.
Em segundo lugar na lista da
Cepal, aparece o Chile, com 42% das residências mais ricas com
acesso à internet e em seguida vem Uruguai com 38% e México
com 36,8%.
Segundo a Cepal, em onze dos
14 países analisados, o acesso à internet na casa dos mais
ricos é cerca de 30 vezes maior do que nos lares menos beneficiados
da América Latina. Apesar desta desigualdade tecnológica,
o Brasil também aparece entre os países nos quais os mais
carentes, mesmo com o baixo índice, mais têm acesso a esta
rede.
De acordo com a pesquisa, Chile,
México e Brasil (nessa ordem) são os países onde
os mais pobres mais têm acesso a esta rede. No Chile e no México,
esta média é de 3%, mas em países como Bolívia
e Paraguai a pesquisa mostra que as casas mais carentes não têm
internet. E nos dois casos são poucos os que contam com este serviço
em suas residências - 12% na Bolívia e 9% no Paraguai.
Acesso
nas cidades
O levantamento, realizado em 2007 e divulgado agora, foi possível, como
destacou o organismo num comunicado, graças ao novo Sistema de Informação
Estatístico regional, criado pelo Observatório para a Sociedade
da Informação da América Latina e Caribe (Osilac), da
Cepal. Este sistema permite processar, como informou a Cepal, dados sobre o
uso e acesso às chamadas "Tecnologias da Informação
e as Comunicações" (TIC) da região.
De acordo com assessores da Cepal,
o levantamento regional sobre o acesso das residências à internet
foi feito por institutos oficiais de pesquisas de cada país. A
mesma pergunta foi feita em todos os países: se o habitante tem
ou não internet em casa. "O (novo) sistema permite constatar
brechas no acesso e uso de tecnologias, segundo fatores sócio-econômicos",
diz a Cepal.
Além da pesquisa que revelou
a distância do acesso à internet entre as casas dos que
têm maior e menor poder aquistivo, a Cepal realizou levantamento
sobre a disponibilidade de computador nas residências das áreas
urbanas e rurais. Nesse caso, a brecha entre o acesso nas casas da região
urbana e da região rural é, em média, de 17%.
No Brasil, 30,4% das casas nas áreas
urbanas têm acesso à internet e apenas 4,9% têm esta
disponibilidade nas áreas rurais. Os resultados destes levantamentos,
segundo a Cepal, são "poderosas ferramentas" para a
elaboração e avaliação de políticas
públicas e estratégias ligadas ao TIC na região.
De acordo com a Cepal,
com o novo sistema será possível definir "variáveis
sócio-econômicas" no próprio país e
na região. Os itens, além do acesso ao computador desde
casa, podem ser ainda sobre o acesso ao sistema bancário eletrônico,
entre outros.
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Gazeta do Povo, 13 de abril
de 2009
Controle
Crise ameaça os paraísos
fiscais
Necessidade de maior regulação
sobre o sistema financeiro global coloca em xeque países e
empresas usados para movimentar fortunas
A paisagem é geralmente
de fazer cair o queixo: ilhas perdidas no mar azul do Caribe, ou cidadezinhas
incrustadas nos Alpes. Em comum, esses lugares têm o medo de mudanças
que estão ocorrendo no mundo e que nada têm a ver com furacões
ou o aquecimento global. Sede de centenas de instituições
financeiras, os paraísos fiscais estão na mira das maiores
economias mundiais, cujos líderes decidiram que, para regular
o sistema financeiro internacional, será preciso dar cabo de empresas
e contas secretas usadas para movimentar fortunas.
Na lista de 37 paraísos
fiscais elaborada pela Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), estão as caribenhas
Ilhas Cayman, Antigua e Bahamas, pequenos principados, como Liechtenstein,
que fica nos Alpes entre a Áustria e a Suíça, e
Mônaco, além de ilhas no Oceano Pacífico, como Samoa.
O Brasil tem um critério mais rigoroso. Considera como paraísos
os lugares com imposto de renda abaixo de 20% e que mantêm segredo
sobre os donos das contas.
De acordo com uma estimativa
da consultoria Boston Consulting Group, os paraísos fiscais guardam
US$ 7,3 trilhões em ativos. São depósitos atraídos
por impostos baixos, facilidade para a abertura de empresas e leis que
permitem esconder facilmente a identidade dos donos do dinheiro.
Acabar com os paraísos
fiscais subiu ao topo da agenda do grupo das 20 maiores economias do
mundo (G-20) na reunião de seus líderes realizada no último
dia 2. O tema foi empurrado principalmente pelos europeus. O presidente
da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela
Merkel, foram os maiores defensores do fim das contas sigilosas, pois
seus países têm impostos muito altos e dezenas de opções
paradisíacas logo ao lado. No ano passado, por exemplo, o governo
Merkel se envolveu em uma querela internacional com Liechtenstein, após
vir à tona que o presidente da empresa de correio alemã usava
uma conta no principado para não pagar impostos.
Merkel e Sarkozy venceram a resistência
dos Estados Unidos. Durante anos o governo americano resistiu em mexer
com os paraísos, mas agora o presidente Barack Obama, que em seu
mandato como senador apoiou projetos contra os portos seguros das finanças,
apoia o controle. Calcula-se que os EUA percam US$ 100 bilhões
em impostos por ano para os paraísos.
Apesar da vontade, há ceticismo
entre especialistas sobre o grau de transparência que a pressão
do G-20 vai obter. “Apesar do aparente apoio dos americanos, o
impasse persiste. Existe muita oposição dentro dos EUA
ao fim dos paraísos fiscais”, afirma o economista Robson
Gonçalves, professor do Isae/FGV. Além dos ricaços
que não querem revelar onde guardam o dinheiro, são contra
as mudanças os paraísos que estão em território
americano: Delaware, Wyoming e Nevada. Situação parecida é encontrada
pela Grã-Bretanha, protetora de Cayman, Ilhas Virgens, Ilha de
Jersey, entre outros destinos.
O economista Manuel Enriquez
Garcia, professor da FEA/USP e vice-presidente do Conselho Regional de
Economia de São Paulo (Corecon-SP), diz que a resistência
ao fim dos paraísos também se deve à função
que eles desempenham no sistema financeiro internacional. Eles baixam
os custos de transferências e, no caso brasileiro, simplesmente
permitem que funcione o mercado de câmbio. “Parte importante
do movimento de dólares no Brasil ocorre nos paraísos fiscais
porque nossa lei é muito restritiva para a saída de divisas.
Todos os bancos nacionais têm filiais nesses lugares, onde completam
as operações”, explica.
Histórico
Os paraísos fiscais estão
ligados a vários escândalos da vida pública brasileira.
Operação Uruguai
- Foi um esquema forjado para justificar a origem do dinheiro que apareceu
em contas-fantasma usadas por pessoas próximas ao presidente Fernando
Collor de Mello. Os dólares teriam sido emprestados de um banco
no Uruguai, o paraíso fiscal mais próximo do Brasil. A
operação foi desmentida e ficou claro que os recursos eram
obtidos por corrupção.
Paulo Maluf - O
ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, sempre negou que tivesse
contas no exterior. Segundo investigações do Ministério
Público, porém, dinheiro desviado da Prefeitura de São
Paulo na administração de Maluf passou pelos Estados Unidos,
pela Suíça e Ilhas Jersey. Parte dos dólares voltou
ao Brasil como investimentos na Eucatex, empresa de Maluf.
Banco Santos -
O banco de Edemar Cid Ferreira montou uma operação em que
seus clientes, ao tomar um empréstimo, compravam cotas de empresas
abertas em paraísos fiscais. O dinheiro retirado do país
entrava em uma contabilidade paralela e se misturava com recursos do
próprio banqueiro.
Mensalão -
Durante a CPI que apurou o escândalo do mensalão, o publicitário
Duda Mendonça revelou que recebeu pagamentos através de
uma empresa aberta nas Bahamas, paraíso fiscal no Caribe. A firma
tinha contas em bancos em Miami.
Opportunity -
Um dos itens investigados na operação Satiagraha foi
o uso de paraísos fiscais pelo banco Opportunity, de Daniel
Dantas. Um dos fundos da instituição foi montado nas
Ilhas Cayman e, segundo a Polícia Federal, movimentou dinheiro
enviado de forma irregular.
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Folha de S.Paulo, 13 de abril
de 2009
Pré-candidatos turbinam publicidade
rumo a 2010
Previsão de gastos neste ano subiu
nos governos federal, de São Paulo e Minas Serra, Dilma e
Aécio são hoje cotados para sucessão de Lula;
valores do orçamento de 2010 são afetados pela expectativa
de gastos agora
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
Os principais pré-candidatos à Presidência
estão unidos em um aspecto: seus governos reforçaram o
orçamento previsto para publicidade em 2009. É o caso da
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e dos governadores tucanos
Aécio Neves (MG) e José Serra (SP).
As previsões de subida para este ano estão acima da inflação
medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que
fechou 2008 em 5,9%. Mesmo com a crise econômica, ainda não há confirmação
de cortes de verbas na área.
Em São Paulo, a expectativa de gastos (excluindo estatais) cresceu 43,6%.
Em 2008, foram R$ 158 milhões. Para este ano, previu-se R$ 227 milhões.
" O valor compreende a divulgação de uma série de novos
programas, que só têm razão de existir com a efetiva comunicação à população",
afirma o governo paulista. "É o caso da Nota Fiscal Paulista: o projeto
só funciona se a população souber de sua existência
e pedir a nota ao fazer compras. Com um investimento de R$ 40 milhões
em campanhas, a previsão de arrecadação é de R$ 4
bilhões."
No governo federal, o orçamento da Secom (Secretaria de Comunicação
Social) saiu de R$ 123,2 milhões para R$ 155 milhões este ano,
o que representa um acréscimo de 25,81%.
" O aumento ocorreu porque em 2009 serão realizados os serviços
de relações públicas voltados para promover a imagem do
país no exterior, os serviços de pesquisas de opinião [sobre
programas como PAC e Bolsa Família] e também os serviços
de reformulação dos portais de internet, que juntos somam R$ 31
milhões", diz a assessoria de imprensa.
O orçamento da Secom inclui propaganda de ações governamentais.
Não estão incluídos publicidade de estatais ou de "utilidade
pública" dos ministérios, cujas verbas também cresceram
em 2008 para dotação de R$ 542 milhões. No ano passado,
o total gasto pelo governo chegou a mais de R$ 1 bilhão (leia texto
nesta página).
Em Minas Gerais, a previsão orçamentária é de crescimento
de 35,7%, ou R$ 40,7 milhões contra R$ 30 milhões em 2008. Mas,
nos últimos dois anos, o gasto foi maior que o previsto inicialmente,
cerca de R$ 80 milhões. Segundo o governo, o total de contratos licitados
neste ano é de R$ 70 milhões.
" Os valores constantes na abertura dos orçamentos não correspondem,
necessariamente, à expectativa de investimento total na área. Em
qualquer área da administração, o valor pode ser suplementado
ou contingenciado", disse a assessoria de imprensa.
" O valor licitado para comunicação atende a 18 secretarias
e 14 órgãos e, ao contrário de outras esferas da administração
pública, inclui patrocínios de feiras, eventos esportivos e culturais,
realizados pela iniciativa privada, comunicação interna, apoio
a Rede Minas e Rádio Inconfidência (emissoras públicas),
entre outros."
Rumo a 2010
O orçamento para publicidade de 2010, um ano eleitoral, é afetado
pelos valores de 2009, já que não pode ser maior que a média
dos três anos anteriores.
A campanha presidencial já virou tema este ano. Dilma intensificou agendas
e viagens. No PSDB, o debate está em torno das prévias para definir
a disputa entre Serra, atualmente o favorito por conta da liderança
nas pesquisas, e Aécio.
Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, o paulista tem 41%. No mesmo cenário,
Dilma tem 11% (eram 3% há um ano). Aécio tem entre 12% e 22%,
dependendo do quadro.
As peças veiculadas até o momento focam vitrines das administrações.
O governo federal investe em propagandas do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). Essas ações têm, segundo o governo, o "objetivo
de mostrar que o Brasil está preparado para enfrentar a crise externa".
No ar até este mês, o custo das propagandas do PAC é estimado
em R$ 30 milhões. Outros R$ 15 milhões foram para a campanha
do programa Minha Casa, Minha Vida, que ainda está no papel, mas prevê a
construção de 1 milhão de casas.
São Paulo aposta na divulgação do plano de expansão
do metrô, das faculdades técnicas e do Rodoanel. O governo contratou
em 2008 agências para comunicação do Metrô e CPTM
(total de R$ 57 milhões).
Segundo a Secretaria de Transportes, são campanhas de "esclarecimento
e informação sobre o transporte coletivo aos usuários
e população em geral, assim como para a comunicação
das medidas de modernização e ampliação da rede".
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Monitor Mercantil, 13 de abril
de 2009
Patrões e trabalhadores propõem
reduzir tributos para garantir vagas
Sindicatos patronais e de trabalhadores
da indústria pretendem entregar ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, em audiência em Brasília, nesta segunda-feira
(13), documento com propostas de redução temporária
da carga tributária para o segmento industrial, em troca da manutenção
dos empregos e dos salários durante o período em que vigorar
o regime de desoneração.
As entidades empresariais comprometeram-se,
por escrito, a manter os empregos e a renda dos trabalhadores, em contrapartida à isenção
temporária de tributos.
A reação de instituições
como a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da
Central Única dos Trabalhadores (CNM/CUT), da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq)
e do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São
Paulo (Simpi), deve-se ao alto índice de demissões no setor
previsto para os próximos meses.
De acordo com pesquisa da Federação
das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), divulgada
na última segunda-feira, duas em cada cinco indústrias
de São Paulo pretendem demitir nos próximos meses.
Em média, os cortes deverão
atingir 14,3% do quadro de pessoal.
Segundo as entidades, o objetivo
dos acordos é defender o emprego, fortalecer o mercado interno
e atravessar o período mais difícil da crise, que, para
os sindicatos, ainda está por vir.
De acordo com dados das entidades,
calcula-se que o setor de bens de capital no Brasil empregue aproximadamente
243 mil trabalhadores. As micro e pequenas indústrias respondem
por cerca de 3 milhões de empregos.
Entre as propostas a serem
apresentadas ao presidente, há pedido de isenção
de impostos federais e estaduais, como PIS, Cofins, IPI e ICMS, na
saída de máquinas e equipamentos destinados ao ativo
fixo das empresas, e de suspensão da incidência dos mesmos
tributos na aquisição de insumos de produção
pelos fabricantes.
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Gazeta do Povo, 13 de abril
de 2009
Impostos
Faça as contas ao antecipar a restituição
Bancos cobram juros relativamente baixos pelo
empréstimo, mas falta de garantia sobre quando o contribuinte
irá receber o valor a que tem direito torna a operação
arriscada
O contribuinte deve pensar muito
antes de aceitar a tentadora oferta dos bancos de antecipar parte ou
toda a restituição do Imposto de Renda a que tem direito.
As instituições costumam adiantar entre 60% e 100% do valor
a receber do Fisco, com juros, em média, de 2% a 3,9% ao mês.
Embora pareça bom negócio, os especialistas alertam: só vale
a pena fazer esse “empréstimo” da restituição
quando o contribuinte tem dívidas a pagar com juros bem acima
de 4% ao mês.
Quem pretende obter esse crédito
precisa considerar um fator essencial: entregar a declaração
no prazo não garante que a restituição do IR chegue
nos primeiros lotes, nem mesmo neste ano – vale lembrar que a Receita
tem cinco anos (até o fim de 2014) para devolver o dinheiro ao
contribuinte que tiver esse direito.
Não há uma regra
predeterminada que indique quais declarações ficarão
retidas na malha fina. Se, após entregar a declaração,
o contribuinte suspeitar de que algum dado informado não está correto,
o melhor a fazer é não antecipar a restituição.
Se a devolução demorar, o custo final da antecipação
poderá acabar ficando muito maior do que o previsto.
Para os contribuintes que
não necessitam do dinheiro com tanta urgência, deixar
a entrega para os últimos dias deste mês é até vantajoso.
Nestes casos, a restituição sai no fim do ano. E, como
a correção é pela taxa Selic, estará garantida
uma rentabilidade superior à de algumas aplicações,
como a poupança.
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Folha de S.Paulo, 13 de abril
de 2009
Empregado que vendeu dez dias de
férias poderá recuperar IR pago indevidamente
DA REPORTAGEM LOCAL
Os trabalhadores assalariados
que venderam dez dias de férias à empresa em 2008 e tiveram
imposto retido na fonte vão poder recuperar esse dinheiro nesta
declaração. Isso será possível porque a Receita
reconheceu que aquela cobrança foi feita de forma indevida.
A recuperação será feita porque após reconhecer
a retenção indevida do imposto, a Receita emitiu o ato declaratório
interpretativo nº 28, de janeiro deste ano, determinando que, nos Informes
de Rendimentos entregues aos empregados, as empresas deveriam incluir os valores
pagos pela venda dos dez dias como "Rendimentos isentos e não tributáveis".
Ao fazer essa "troca" (de tributável para isento), a renda
total tributável do trabalhador em 2008 ficou menor. Mas o valor total
retido na fonte em 2008 não se alterou. Ou seja, o Informe de Rendimentos
terá de mencionar a soma do imposto retido sobre os salários,
sobre as férias normais (acrescidas de um terço) e sobre o abono
pela venda dos dez dias.
Ao fazer a declaração, o contribuinte deve lançar o valor
isento na linha 12 (Outros) da ficha Rendimentos isentos e não tributáveis,
especificando "Abono isento - ADI 28/2009".
Como o valor lançado nessa linha foi excluído da renda tributável,
o IR retido na fonte sobre a venda dos dez dias de férias será devolvido
ao contribuinte via maior restituição ou menor saldo a pagar.
A Receita informou que também vai restituir o imposto retido na fonte
sobre os dez dias de férias vendidos entre 2004 e 2007. Nesse caso,
porém, a devolução do dinheiro ainda não está definida,
uma vez que a Receita planeja criar um mecanismo que permita a restituição
sem a necessidade de o contribuinte retificar as declarações
daqueles quatro anos. (MC)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/04/2009
Terceira Turma restringe aplicação
do instituto da arbitragem
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em voto proferido pelo ministro Alberto Bresciani,
não admitiu a utilização da arbitragem para solução
de dissídios individuais do trabalho, restringindo sua aplicação
aos dissídios coletivos, em que os trabalhadores são representados
por sindicatos. A decisão, tomada por maioria de votos, considerou
que, nos litígios trabalhistas individuais, os empregados não
têm, em regra, condições de igualdade com os patrões
para manifestar vontade.
Segundo o ministro Bresciani,
a condição desfavorável do trabalhador submetido à arbitragem é ainda
mais agravada num contexto de crise como a que atravessamos, como consequência
da globalização. A arbitragem, instituída pela Lei
nº 9.307/1996, é um meio de solução extrajudicial
de conflitos, a partir da intervenção de terceiro imparcial
(árbitro), escolhido previamente pelas partes. A lei dispõe
que “as pessoas capazes de contratar poderão valer-se da
arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais
disponíveis”.
Por esse motivo, o debate sobre
a utilização da arbitragem em litígio individual
de trabalho passa pela discussão dos princípios protetivos
que orientam o Direito do Trabalho brasileiro, entre eles a indisponibilidade
que alcança a maioria dos direitos trabalhistas, inscritos, quase
sempre, em normas de ordem pública. Segundo o ministro Bresciani,
a desigualdade que se estabelece nas relações de trabalho
subordinado, reguladas pela CLT, condena até mesmo a possibilidade
de livre eleição da arbitragem como forma de composição
de litígios, em confronto com o direito constitucional de livre
acesso à Justiça.
Em seu voto, Bresciani recorre às
lições de Maurício Godinho Delgado, ministro da
Sexta Turma do TST, na obra “Curso de Direito do Trabalho”,
para reforçar seu entendimento de que a arbitragem está restrita
ao direito coletivo, quando é possível obter uma equivalência
entre as partes graças à assistência prestada pelos
sindicatos aos trabalhadores. Quando o litígio se dá de
forma individual, segundo Godinho, é justamente a indisponibilidade
inata aos direitos trabalhistas que permite nivelar, no plano jurídico,
a clássica desigualdade existente entre os sujeitos da relação
de emprego. A existência de permissão legal de solução
extrajudicial de conflitos individuais de trabalho por meio de Comissões
de Conciliação Prévia (Lei nº 9.958/2000) também
reforça o voto de Bresciani.
“Não há dúvidas,
diante da expressa previsão constitucional (artigo 114, parágrafos
1º e 2º), de que a arbitragem é aplicável na
esfera do Direito Coletivo do Trabalho. O instituto encontra, nesse universo,
a atuação das partes em conflito valorizada pelo agregamento
sindical. Na esfera do Direito Individual do Trabalho, contudo, outro
será o ambiente: aqui, os partícipes da relação
de emprego, empregados e empregadores, em regra, não dispõem
de igual poder para manifestação da própria vontade,
ressaltando a hipossufiência do trabalhador, bastante destacada
quando se divisam em conjunção a globalização
e o tempo de crise”, afirma Bresciani em seu voto.
O voto de Bresciani foi seguido
pela ministra Rosa Maria Weber. O juiz Douglas Alencar Rodrigues, que
atua no TST como convocado, divergiu do relator. Para ele, a falta de
alusão, na Constituição, à arbitragem para
a solução de conflitos individuais não basta para
torná-la incompatível com esta classe de litígios.
Rodrigues afirmou que a irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas
não é absoluta, devendo “ser lida à luz do
momento em que são praticados os atos de despojamento patrimonial
pelo trabalhador”. Por isso, para ele, é possível
adotar-se a arbitragem em determinadas situações, quando
as partes envolvidas manifestem essa opção livremente,
principalmente após o fim da relação de emprego.
O caso julgado pela Terceira Turma do TST envolve a Xerox Comércio e
Indústria Ltda. e um ex-gerente regional de vendas que atuava na Bahia.
Após 14 anos de relação de emprego, o gerente foi demitido
e sua rescisão contratual foi homologada por sentença do Conselho
Arbitral da Bahia. Ele ajuizou ação trabalhista contra a multinacional
e sua ação foi julgada extinta, sem julgamento de mérito,
pela 28ª Vara do Trabalho de Salvador, sob o argumento de que foi válida
a convenção de arbitragem instituída pelas partes que
pôs fim a quaisquer avenças decorrentes do contrato de trabalho.
A sentença foi mantida
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA), que
apontou a observância de todos os requisitos da Lei de Arbitragem,
e não verificou indício de que tenha havido qualquer coação
ao empregado quando da assinatura do compromisso arbitral juntado aos
autos. Na ação em que cobra diversos direitos trabalhistas,
a defesa do empregado alega que ele foi coagido a assinar documentos
para simular sua adesão a programa de desligamento voluntário
(PDV) da empresa.
Ainda segundo a defesa, foi somente
assinando tais documentos que o ex-empregado da Xerox pôde receber
benefício interno da empresa, denominado “Briding”,
que confere aos empregados demitidos sem justa causa uma gratificação
especial calculada com base no número de anos trabalhados e no último
salário. Em seu voto, o ministro Alberto Bresciani determina o
retorno dos autos à 28ª Vara do Trabalho de Salvador para
que a ação trabalhista tenha seu mérito julgado.
( RR 795/2006-028-05-00.8)
(Virginia Pardal)
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13/04/2009
Ação sobre dano estético
iniciada na Justiça Comum será julgada pelo TRT/BA
Uma ação ajuizada
em 1992 na Justiça Estadual, em que um trabalhador atingido por
um tiro durante um assalto pede indenização por danos estéticos
e materiais, retornará à Justiça do Trabalho para
julgamento de recurso ordinário. A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho afastou a pronúncia da prescrição
total e determinou o retorno do caso ao Tribunal Regional do Trabalho
da 5ª Região (BA). A ação foi iniciada ainda
sob a vigência do Código Civil de 1916, em que o prazo prescricional
previsto era de 20 anos, e a matéria era da competência
da Justiça Comum.
O fato gerador da ação
foi um assalto sofrido pelo técnico apenas três dias após
ter sido contratado. Segundo relatou na inicial, o trabalhador estava
a caminho de uma das oito fazendas de propriedade da empresa, entre as
localidades de Juçara e Nova Vida (BA), junto com outros dois
colegas, incumbidos de efetuar o pagamento da folha dos empregados, quando
seis homens fortemente armados emboscaram o grupo. Um dos disparos perfurou
o vidro da caminhonete em que viajavam e atingiu seu olho esquerdo. Os
assaltantes levaram toda a quantia que transportavam e fugiram. O assalto
foi amplamente divulgado pela imprensa regional. O jornal “A Tarde” veiculou
a notícia em sua edição de 24/04/1988, na qual citou,
também, que os moradores daquela região têm feito
várias queixas dos constantes assaltos na área, principalmente
em fazendas.
Em decorrência do tiro,
o técnico ficou cego do olho esquerdo, com caroços de chumbo
alojados a milímetros do cérebro e no maxilar esquerdo.
Como era especialista em aerofotogrametria (fotogrametria obtida por
meio de fotografias aéreas), após o assalto não
teve mais condições de desenvolver essa atividade.
Decorrida a fase de tratamentos
médicos sem conseguir recuperar a visão do olho atingido,
o técnico retornou ao trabalho em julho de 1988 e, em janeiro
de 1990, foi dispensado. Em 30/11/1992, ajuizou ação de
indenização na 3ª Vara Cível e Comercial da
Comarca de Itabuna, onde permaneceu por vários anos até que,
em 2006, a juíza determinou o envio do processo a uma das Varas
do Trabalho daquela comarca. Nessa ocasião, já estava em
vigor a Emenda Constitucional 45/2004, que ampliou a competência
material da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações
de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes
das relações do trabalho.
A 3ª Vara do Trabalho de
Itabuna (BA) condenou a companhia a pagar as parcelas deferidas na fundamentação,
num total de R$ 132 mil, e deferiu o valor de R$ 50 mil, a título
de indenização por danos morais. Diferente foi a conclusão
do Regional, para o qual se configurou a prescrição bienal,
pois o técnico havia ajuizado a ação na Justiça
Comum mais de dois anos depois da rescisão do contrato de trabalho.
Assim, aplicou, ao caso, as regras previstas no artigo 7º, XXIX,
da Constituição Federal, deferiu o recurso da empresa e
extinguiu o processo com resolução do mérito.
No TST, o relator do recurso
de revista, ministro Walmir Oliveira da Costa, lembrou que a competência
material da Justiça do Trabalho para julgar o tema só foi
definida pelo Supremo Tribunal Federal em 2005, e que o ajuizamento da
ação ordinária na Justiça Comum, antes da
EC 45/2004, não poderia atrair a aplicação do prazo
prescricional trabalhista. “Entendimento em contrário importa
em aplicar retroativamente uma regra introduzida em 2004, surpreendendo
o autor de ação civil ajuizada em 1992”, concluiu.
( RR-1224/2006-463-05-00.0)
(Lourdes Côrtes)
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13/04/2009
Trabalhador deve notificar empresa sobre
eleição para cooperativa
Empregado eleito para direção
de cooperativa de trabalhadores não tem direito à estabilidade
provisória se deixou de comunicar o fato ao patrão. A conclusão é da
Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao rejeitar o agravo
de instrumento de um ex-funcionário da Companhia Riograndense
de Telecomunicações (CRT), incorporada pela Brasil Telecom
S.A..
Demitido na época em que
era dirigente de cooperativa, o engenheiro pediu na Justiça a
reintegração ao emprego e o recebimento de salários
e vantagens referentes ao período em que ficou afastado da empresa.
Mas, de acordo com os ministros do TST, a decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), que negou os pedidos
do empregado, estava correta. O caso não merecia ser reexaminado
no recurso de revista trancado pelo TRT, porque não havia desrespeito
a lei ou a Constituição.
O empregado contou que foi contratado
em 1972 pela CRT e ficou cedido ao PDT (Partido Democrático Trabalhista)
de maio de 1994 a junho de 1998. Um mês depois, foi demitido sem
justa causa. Ainda segundo o engenheiro, em dezembro de 1997, com a perspectiva
de venda da empresa estatal para a iniciativa privada, 28 funcionários
fundaram uma cooperativa para participar desse processo. Como ele foi
eleito diretor da entidade, sustentou ter direito à estabilidade
provisória prevista em lei.
A empresa se defendeu, argumentando
que o trabalhador não cumpriu a exigência legal de notificar
o empregador, por escrito, da eleição, e, portanto, não
poderia ser penalizada com a anulação da dispensa. Além
do mais, demitiu o empregado porque não tinha mais interesse nos
seus serviços.
Na avaliação do
relator do processo, ministro Vantuil Abdala, o empregado ocupava cargo
de direção na cooperativa, e a lei (Lei nº 5.764/71,
artigo 55) lhe garantia a mesma estabilidade dos dirigentes sindicais.
O problema, para o ministro, é que o engenheiro não comunicou à empresa,
por escrito, a sua eleição, conforme determina a CLT (artigo
543). Nessas condições, o TRT concluiu corretamente pela
não-reintegração. A decisão do relator de
negar provimento ao agravo de instrumento foi seguida por todos os ministros
da Segunda Turma. (AIRR – 88.586/2003 – 900-04-00.9)
(Lilian Fonseca)
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