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FOLHA DE SÃO PAULO,
14 de abril de 2009 | Dinheiro
Governo cede e amplia pacote habitacional
Após pressão, Planalto decide
estender programa a todos os municípios; na regra anterior,
só regiões metropolitanas seriam atendidas | Prefeituras
farão cadastro de famílias, mas lista será avaliada
pela Caixa; haverá sorteio se faltarem imóveis para
todos os candidatos
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo cedeu à pressão
política dos pequenos municípios e ampliou o pacote habitacional
que promete construir 1 milhão de casas. A regulamentação
do programa permitirá que todos os municípios, independentemente
da população, beneficiem-se da construção
de casas para famílias com renda de até três salários
mínimos (R$ 1.395), segundo informações do Ministério
das Cidades.
A proposta inicial era que as 400 mil casas que serão construídas
com dinheiro público e transferidas a famílias de baixa renda
por pagamentos mensais de R$ 50 fossem feitas apenas em municípios com
mais de 100 mil habitantes, de áreas metropolitanas ou capitais.
Se a regra continuasse valendo, apenas 573 das mais de 5.000 cidades brasileiras
se qualificariam. O governo admitia exceções em casos de municípios
com população entre 50 mil e 100 mil habitantes que tivessem
crescido muito por causa de uma obra de infraestrutura, por exemplo. Nesse
caso, outros 254 municípios seriam atendidos.
O recuo, decidido em reunião ontem com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, resolve um problema político que o governo teria que
enfrentar durante a tramitação no Congresso Nacional da medida
provisória que criou o pacote.
O próprio relator, Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB
na Câmara, já havia dito que incluiria os pequenos municípios
no programa e a oposição tem emendas que tratam do assunto.
A justificativa que o governo havia dado para restringir as cidades beneficiadas
era técnica. Mais da metade da necessidade de moradia em áreas
urbanas está localizada nas regiões metropolitanas, que, por
isso, eram o foco do programa.
Sorteio
A regulamentação do pacote também trouxe algumas regras
que reduzem o poder das prefeituras na distribuição das casas
para famílias de baixa renda. "Temos a orientação,
e a Caixa acha correto, que o programa é para atender famílias
que precisam do imóvel e deve ter o mínimo de ingerência
política possível", disse o vice-presidente de Governo da
Caixa, Jorge Hereda.
O cadastro dos beneficiários continuará sendo feito pelas prefeituras.
O alvo são famílias com renda de até três mínimos,
que nunca tenham sido beneficiadas por outro programa habitacional e que também
não tenham outro imóvel. Mas, no momento em que o contrato de
venda do imóvel for feito, a Caixa fará uma segunda avaliação
sobre a renda da família. Se houver desenquadramento, o mutuário
não será beneficiado.
Além disso, o governo determinou que, nos casos em que haja empreendimentos
com mais famílias qualificadas do que imóveis disponíveis,
seja feito um sorteio para decidir quem ficará com a moradia.
O Ministério das Cidades fixará também critérios
para acesso aos imóveis que vão privilegiar, por exemplo, famílias
que têm filhos, em vez de outras formadas por apenas um casal. Outra
novidade é o fim do seguro de vida para famílias com renda entre
5 e 10 salários mínimos.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
14 de abril de 2009 | Dinheiro
Famílias com renda entre 5 e
10 salários mínimos não precisarão pagar
seguro
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo não vai mais
cobrar, ao menos por ora, o seguro de vida e de danos ao imóvel
das famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos
(rendimentos de R$ 2.325 a R$ 4.650) que forem beneficiadas pelo programa
que promete construir 1 milhão de casas. Com isso, a prestação
pode ficar até 6,64% mais barata, dependendo da idade do mutuário.
" Não vamos cobrar seguro agora. Era muito complicado operacionalmente.
Acho que no futuro também não [haverá cobrança]",
disse o vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda.
A legislação do país impede o pagamento de seguros a empresas
que não sejam seguradoras. No pacote do governo, a taxa paga pelos mutuários
teria a função de um seguro, mas seria recolhida a um fundo garantidor,
montado para cobrir perdas devidas à inadimplência.
Por isso, a área jurídica recomendou que sejam feitas mudanças
na MP que criou o programa para clarear a regra. A proposta é incluir
a alteração durante a tramitação do projeto no
Congresso.
Pela proposta original, o seguro seria gratuito para famílias com renda
de até cinco salários mínimos. Aquelas com renda acima
desse valor teriam desconto em relação ao que é cobrado
atualmente.
Um mutuário com 51 anos, por exemplo, pagaria 18,28% da prestação
para cobrir o seguro. Pela regra anterior, o percentual cairia para 6,64%.
A proposta de uma parte do governo é fazer a cobrança do seguro
assim que a alteração na medida provisória for aprovada
pelo Congresso. A perda de receita, caso o benefício fosse estendido
a todas as famílias, seria superior a R$ 1 bilhão.
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CONGRESSO EM FOCO, 14 de
abril de 2009
Lula considera pacote habitacional
um desafio
Renata Camargo
Em entrevista ao programa Café com
o Presidente, nesta segunda-feira (13), o presidente Lula reconheceu
que o pacote habitacional anunciado pelo governo será um desafio
para todas as instâncias do Estado. Considerado por ele como um “programa
suntuoso e arrojado”, o pacote habitacional, segundo Lula, “leva
um tempo de maturação”.
“Acho que todos vão
ficar mais preparados nos próximos dias. Esse é um programa
suntuoso, um programa arrojado. É um desafio para o governo, é um
desafio para as prefeituras, é um desafio para os governos dos
estados, é um desafio para os empresários, porque nunca
se pensou no Brasil fazer um desafio com esse à construção
civil, aos governos para que a gente pudesse construir um milhão
de casas”, disse Lula.
No programa, o presidente defendeu
ainda que o pacote habitacional, que tem a fase de cadastramento iniciada
nesta segunda, irá ajudar o país a superar a crise financeira
mundial. Segundo Lula, o pacote além de sanar o déficit
habitacional brasileiro vai incrementar o setor da construção
civil, movimentando a economia.
“A construção
civil é um setor que gera muito emprego e, portanto, atende a
uma camada da população menos qualificada profissionalmente,
mas nem por isso menos importante do que os brasileiros que tem grande
formação profissional”, disse Lula. “Gerando
mais emprego na construção civil, você vai gerar
um consumidor, que vai gerar mais emprego na indústria”,
complementou.
Em relação à superação
da crise, Lula disse ainda que o governo vem atuando para desenvolver
o mercado interno no sentido de “suprir as deficiências do
mercado externo” e que uma das fórmulas para isso é facilitar
a venda de carros.
“Nós queremos
fortalecer nosso mercado interno, porque aqui no Brasil, diferentemente
dos Estados Unidos, ou diferentemente da Europa, a maioria do povo
não tem carro, portanto, nós precisamos facilitar a venda
de carros, porque tem muita gente precisando de carro. Aqui no Brasil
ainda precisamos de muito investimento em infraestrutura”, concluiu
Lula.
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
abril de 2009 | Economia
Pesquisa aponta retração
de 0,30% PIB
Brasília - Os economistas ouvidos pelo Banco Central aumentaram a previsão
de desaceleração da economia brasileira neste ano de 0,19% para
0,30%, de acordo com a pesquisa semanal Focus, do Banco Central. O número
está abaixo das previsões do governo, que espera um crescimento
de 2% para o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país).A
pesquisa também mostra uma piora na previsão para o desempenho
da indústria neste ano, de -3,06% para -3,56%.
Com a desaceleração
da economia, os economistas também reduziram as previsões
para a inflação. A expectativa para o IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta para o BC,
caiu de 4,26% para 4,25%. A meta de inflação é de
4,5%, podendo chegar a 6,5% no intervalo de tolerância (teto da
meta).
Em relação a outros índices
de inflação, a expectativa do mercado para o IGP-DI (Índice
Geral de Preços - Disponibilidade Interna) caiu de 3,03% para
2,41%; o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) passou
de 2,71% para 2,22%. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor)
da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica),
de 4,37% para 4,36%.
Foram mantidas as previsões
para o câmbio e os juros. A previsão para o dólar
no fim deste ano ficou em R$ 2,30. Já a taxa básica de
juros (Selic) deve cair dos atuais 11,25% ao ano para 9,25% ao ano até o
final de 2009.A previsão para o saldo da balança comercial
subiu de US$ 14,5 bilhões para US$ 15 bilhões.
A expectativa para o déficit
em conta corrente neste ano caiu de US$ 22,60 bilhões para US$
21,10 bilhões. A estimativa de investimentos estrangeiros diretos
ficou em US$ 22 bilhões. A previsão para a relação
dívida/PIB ficou em 37%.
Eduardo Cucolo
Folhapress
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FOLHA DE SÃO PAULO,
14 de abril de 2009 | Brasil
União cede à pressão
e destina R$ 1 bi para compensar municípios
Não foi explicado, no entanto, de
onde sairá o valor, que objetiva reparar efeitos da crise
na receita das cidades; nos cálculos do governo, o valor será suficiente
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo Luiz Inácio
Lula da Silva cedeu à pressão dos prefeitos e decidiu ontem
separar R$ 1 bilhão do Orçamento da União para compensar
todos os municípios do país pelas perdas generalizadas
de receita em razão dos efeitos da crise econômica global.
Não foi explicado de onde sairá o dinheiro. Só há duas
possibilidades: corte de programas federais ou redução da parcela
da arrecadação destinada ao abatimento da dívida pública,
ou, em outras palavras, do superávit primário.
Segundo o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), o governo federal se comprometerá a
manter neste ano o mesmo volume de repasses às prefeituras contabilizado
no ano passado por meio do FPM (Fundo de Participação dos Municípios),
R$ 51,3 bilhões.
O fundo é composto por 23,5% da arrecadação do Imposto
de Renda e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Como o nome indica,
trata-se de um instrumento de transferência automática e obrigatória
aos municípios de recursos arrecadados pela União. Nos últimos
anos de crescimento econômico acelerado, os recursos do FPM foram ampliados
graças, especialmente, à escalada de lucros e salários
tributados pelo IR.
O presidente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios),
Paulo Ziulkoski, não gostou da solução do governo de repassar
este ano o mesmo valor de FPM de 2008. "O valor é nominal. O governo
precisava pelo menos acrescentar um índice de correção
monetária, como o IPCA."
Reportagem publicada anteontem pela Folha apontou que prefeitos e governadores
aproveitaram o período de bonança para ampliar gastos com salários
e contratações de servidores, que são de caráter
permanente e só podem ser comprimidos em situações excepcionais.
Com a queda de receitas, o cumprimento dos orçamentos ficou ameaçado.
Nos cálculos do governo, o valor anunciado será suficiente para
cobrir a queda esperada no FPM. Segundo esse raciocínio, a perda se
concentrará neste início de ano; nos próximos meses, afirma-se,
a arrecadação deverá se recuperar. O dinheiro extra será distribuído
pelos mesmos critérios do FPM, consideram a população
e a renda por habitante, privilegiando as cidades mais pobres.
Bernardo disse que o governo chegou a cogitar o socorro apenas aos municípios
mais afetados do Norte e do Nordeste, mas optou-se por uma medida de alcance
geral.
O valor destinado à operação parece pequeno diante de
um Orçamento federal na casa dos R$ 800 bilhões. No entanto,
a União também enfrenta os efeitos da crise -reduziu a estimativa
de receita em R$ 48 bilhões e promoveu um bloqueio de despesas de R$
25 bilhões, que afetou áreas prioritárias como educação
e defesa.
Pelo compromisso assumido, a primeira parcela do socorro, estimada em pouco
mais de R$ 500 milhões, será liberada cinco dias após
a aprovação do projeto necessário para incluir a nova
despesa na lei orçamentária. O restante será liberado
ao longo do ano. Se as perdas forem maiores que o esperado, novo projeto será proposto.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
14 de abril de 2009 | Dinheiro
Só 1 de 10 bancos diz custo
total de empréstimo
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Depois de um ano da resolução
do Banco Central que obriga as instituições financeiras
a informarem aos clientes o custo total dos empréstimos, apenas
um dos dez maiores bancos do país cumpre a exigência espontaneamente,
de acordo com o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
O CET (Custo Efetivo Total) abrange taxas como juros, tarifas e encargos. Para
pesquisar o cumprimento da norma, o Idec contratou empréstimos pessoais
de R$ 300 na Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Banrisul,
Itaú, Unibanco, Real, Nossa Caixa e Santander. O instituto tentou emprestar
do HSBC, mas o banco negou o empréstimo solicitado em razão das
características do cliente e outras linhas foram oferecidas. O Idec
recusou as opções sugeridas.
Só o Itaú informou o custo total do crédito espontaneamente.
No Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Unibanco e Nossa Caixa, a informação
foi fornecida após questionamento do cliente. CEF, Banrisul e Real,
segundo o Idec, disseram aos correntistas que o custo total seria informado
no contrato. O Idec julga o procedimento inadequado, pois, nesta fase, o cliente
já optou pelo banco e não consegue mais compará-lo com
o serviço oferecido por outras instituições bancárias.
A economista Ione Amorim, coordenadora da pesquisa do Idec, afirma que não
há transparência na contratação dos empréstimos.
Ela diz que os bancos enfatizam o valor das parcelas do crédito, mas
não as taxas e os encargos. O Idec destaca que há resistência
em oferecer linhas com taxas de juros menores. No teste, alguns sugeriram alternativas
com taxas de juros superiores, como cheque especial e cartão de crédito.
Amorim cita outros problemas, como venda casada (oferecer um produto e obrigar
a contratar outro), prática proibida no país, e autorização
para alteração unilateral do contrato firmado com o cliente.
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AGÊNCIA DIAP, 14 de
abril de 2009
Projetos de interesse dos trabalhadores
no Congresso Nacional
Agência DIAP
Levantamento preliminar do DIAP identificou dez proposições que
podem fazer parte de uma agenda positiva do movimento sindical do setor privado
no Congresso Nacional. As proposições, para avançar, dependem
de um trabalho articulado e conjunto dos trabalhadores no Parlamento
Tal como foi feito para as entidades
dos servidores, o DIAP, em caráter preliminar, coloca disponível
uma lista com dez proposições de interesse dos trabalhadores
do setor privado em tramitação no Congresso, sendo sete
na Câmara e três no Senado.
De todas as proposições,
em apenas um há divergência entre as entidades sindicais
quanto ao mérito. Nas demais, o consenso entre as entidades é geral.
O andamento desses projetos depende
da pressão das entidades, razão pela qual estamos tornando
público este levantamento preliminar, que poderá ser ampliado,
a partir de sugestão daqueles que por ventura acessarem essa lista.
Para melhor compreensão
de cada uma dessas matérias, há um breve resumo do seu
conteúdo, o estágio em que se encontram no Congresso e
a recomendação aos trabalhadores quanto a aprovação
ou rejeição. O objetivo é contribuir com a atuação
das entidades no Congresso Nacional.
Câmara dos Deputados
1. Terceirização
- Mensagem presidencial 389/03, que pede a retirada de tramitação
do PL 4.302/98, de autoria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que
trata de terceirização da mão-de-obra.
Situação: O projeto,
que se pretende seja retirado do Congresso, aguarda a votação,
no plenário, das emendas do Senado.
Posição dos trabalhadores:
favorável à leitura da mensagem para retirada do projeto.
2. Cooperativa de trabalho
- PL 142/03, do ex-deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP), que revoga o
dispositivo (parágrafo único do artigo 442 da CLT) que não
exige vínculo empregatício entre a sociedade cooperativa e
seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviço daquela.
Situação: O projeto
está em discussão na Comissão de Trabalho, onde
aguarda votação do parecer contrário do relator,
deputado Sandro Mabel (PR/GO).
Posição dos trabalhadores:
aprovação do projeto e rejeição do parecer
do relator.
3. Jornada de trabalho
- PEC 231/95, dos ex-deputados e atuais senadores Inácio Arruda (PCdoB/CE)
e Paulo Paim (PT/RS), que reduz a jornada máxima de trabalho para 40
horas semanais, sem redução de salário, e aumenta o valor
da hora extra normal para 75%.
Situação: a proposta
está em discussão na comissão especial sob a relatoria
do deputado Vicentinho (PT/SP).
Posição dos trabalhadores:
favorável à aprovação da PEC.
4. Fim da demissão
imotivada
- Mensagem 59/08, do Executivo, que submete à apreciação
do Congresso Nacional o texto da Convenção 158, de 1982, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), sobre o Término da Relação
de Trabalho por iniciativa do empregador.
Situação: A mensagem
foi rejeitada na Comissão de Relações Exteriores
e Defesa Nacional, mas a Comissão de Trabalho, onde a matéria
aguarda realização de audiência pública, pode
aprová-la e transformá-la em projeto de decreto legislativo.
Posição dos trabalhadores:
aprovação da mensagem, com sua transformação
em projeto de decreto legislativo.
5. Fator previdenciário
- PL 3.299/08, do senador Paulo Paim (PT/RS), que acaba com o fator e que estabelece
que as aposentadorias por tempo de contribuição do Regime Geral
da Previdência Social tenham como base as 36 últimas contribuições.
Situação: O projeto
está em discussão na Comissão de Finanças
e Tributação, cujo relator é o deputado Pepe Vargas
(PT/RS).
Posição dos trabalhadores:
favorável à aprovação do projeto.
6. Trabalho escravo
- PEC 438/01, do ex-senador Ademir Andrade (PSB/PA), pune a prática
do trabalho escravo com a expropriação da terra para fins de
reforma agrária.
Situação: aguarda
votação, em segundo e último turno, no plenário
da Câmara. Sendo aprovada, a proposta retorna ao exame do Senado,
já que houve mudanças no texto.
Posição dos trabalhadores:
favorável à aprovação da PEC.
7. Participação
dos trabalhadores no conselho de administração de estatais
- PL 3.407/08, do Executivo, que dispõe sobre a participação
de empregados nos conselhos de administração das empresas públicas
e sociedades de economia mista e demais empresas em que a União, direta
ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto.
Situação: o projeto
está sob a relatoria do deputado Pedro Henry (PP/MT), na Comissão
de Trabalho. Depois vai ao exame da Comissão de Constituição
e Justiça.
Posição dos trabalhadores:
favorável à aprovação do projeto.
Senado Federal
8. Estabilidade sindical
- PLS 177/07, do senador Paulo Paim (PTRS), que veda a dispensa do empregado
sindicalizado ou associado que concorrer a cargo de direção
ou conselho fiscal ou de representação, incluindo os suplentes,
desde o registro da candidatura até um ano após o termino do
mandato.
Situação: aprovado
na Comissão de Assuntos Sociais, com parecer favorável
do senador José Nery (PSol/PA). Aguarda apreciação
de recurso para votação da matéria no plenário
do Senado.
Posição dos trabalhadores:
favorável à aprovação do projeto.
9. Contribuição
Assistencial
- PLS 248/01, do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta a contribuição
assistencial, destinada ao financiamento da negociação coletiva
e de outras atividades sindicais, em percentual que não poderá ser
superior a 1% do salário bruto anual, a ser paga por todos os trabalhadores
e servidores públicos, independentemente ser ou não filiado à entidade
sindical que o represente.
Situação: aguarda
votação do parecer favorável da relatora na Comissão
de Assuntos Econômicos do Senado, senadora Serys Slhessarenko (PT/MT).
Posição dos trabalhadores:
a maioria das entidades sindicais apóiam, mas algumas condicionam
o apoio à extinção da contribuição
sindical.
10. Combate às
praticas anti-sindicais
- PLS 36/09, do senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), que altera
o Código Penal para tipificar como práticas anti-sindicais exigir
atestado ou manifestação sobre filiação sindical
ou qualquer ação que impeça o exercício dos direitos
inerentes à condição de sindicalizado.
Situação: aguarda
parecer do relator, senador Jayme Campos (DEM/MT), na Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.
Posição dos
trabalhadores: favorável à aprovação do
projeto.
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GAZETA DO POVO, 14 de abril
de 2009 | Vida Pública
Congresso Nacional
Governistas aprovam mais projetos
Parlamentares da base do governo
federal são os que mais conseguem aprovar projetos de lei de sua
própria iniciativa. Segundo levantamento da organização
não governamental Transparência Brasil, tanto no Senado
quanto na Câmara dos Deputados, 77% dos projetos aprovados de parlamentares
são de políticos ligados a partidos aliados do governo
federal.
De 2003 até agora, o Senado
aprovou 144 projetos de iniciativa de parlamentares, dos quais 111 foram
de políticos ligados a partidos da base. Um terço dos projetos
aprovados (48) são de petistas. PMDB, PR e PDT, que também
fazem parte da base, respondem por outro terço dos projetos aprovados.
Do lado da oposição, os senadores tucanos foram os que
tiveram melhor resultado, aprovando 20 projetos no total
A pesquisa indica também
que, na Câmara dos Deputados, desde 2007, quando se iniciou a atual
legislatura, dos 45 projetos aprovados de iniciativa dos próprios
deputados, 35 foram propostos por parlamentares da base aliada. Deputados
do PT e do PSB são os que mais aprovaram projetos de suas próprias
iniciativas, com sete propostas cada. O partido com melhor desempenho
da oposição foi o DEM, com cinco projetos de iniciativa
de deputados de seus quadros tendo sido aprovados.
Normalidade
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR)
afirma que é normal que projetos de parlamentares da base aliada
do governo sejam aprovados. “Eles propõem projetos que são
de interesse do governo federal, o que facilita a aprovação.” O
senador diz que os projetos de autoria de parlamentares governistas são
muitas vezes propostos de forma combinada com o governo federal, o que
também contribui para a aprovação.
Aliados
O deputado federal André Vargas
(PT-PR) concorda com o senador Alvaro Dias. “É natural
que os parlamentares da base aliada consigam aprovar a maior parte
dos projetos. No governo do Fernando Herique Cardoso provavelmente
ocorreu mesmo.” Segundo Vargas, são dois os motivos para
que isso ocorra. O primeiro fator é que, como os deputados da
base são maioria no Câmara, há uma facilidade para
se aprovar projetos de iniciativa dos aliados. “Em segundo lugar,
os deputados da base aliada têm mais sintonia com a linha política
do governo, concordam com ela e elaboram projetos de acordo com o que
o governo pensa.” (RD)
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AGÊNCIA DIAP, 14 de
abril de 2009
Artigos
As centrais sindicais e a relação
com o Governo Federal
Os trabalhadores, representados pelas centrais,
tiveram uma pauta comum, como vem se verificando nos últimos
três anos. Essa unidade de ação eleva e fortalece
as reivindicações dos trabalhadores, legitimadas e
respaldadas pelas forças políticas com atuação
no movimento sindical
Antônio Augusto de Queiroz*
O contato das centrais sindicais
com o presidente da República, especialmente neste período
de crise econômica, tem sido extremamente benéfico aos assalariados,
tanto do setor público quanto da iniciativa privada. Graças à ação
das centrais, pelo menos três retrocessos foram evitados no segundo
mandato do presidente Lula.
O primeiro foi o veto à chamada
Emenda 3, do projeto da Super-Receita, que transformava o trabalhador
em pessoa jurídica, sem qualquer direito trabalhista. Foi um apelo
das centrais pelo veto que sensibilizou o presidente.
O segundo diz respeito ao reajuste
dos servidores previsto para julho próximo, que o Ministério
do Planejamento estudava incluir seu adiamento no decreto de programação
financeira, editado em março, mas que o presidente, ouvindo as
centrais sindicais, resolveu não comprar essa briga.
O terceiro se refere à proposta
do Ministério da Fazenda de reduzir o FGTS e a contribuição
patronal sobre a folha das empresas que se comprometessem a preservar
empregos nesses período de crise, que, igualmente, foi suspenso
pelo presidente após a reação negativa das centrais
sindicais.
A institucionalização
desse contato entre os agentes sociais, representados pelas centrais,
e o Governo, na pessoa do presidente da República, tem preservado
conquistas e evitado retrocessos, o que evidencia o acerto do reconhecimento
das centrais sindicais no Brasil.
Além deste aspecto institucional,
outro chama à atenção, que é a unidade de
ação do movimento sindical, simbolizado pelo encaminhamento
comum das centrais sobre os temas de interesse dos trabalhadores.
Poucas vezes na história
do País os trabalhadores, representados pelas centrais sindicais,
tiveram uma pauta comum, como vem se verificando nos últimos três
anos. Essa unidade de ação eleva e fortalece as reivindicações
dos trabalhadores, que são legitimadas e respaldadas pelas forças
políticas com atuação no movimento sindical.
São exemplos da luta unitária
das centrais, a criação de novas alíquotas do imposto
de renda e a correção da tabela, o aumento real do salário
mínimo com a antecipação mensal do seu pagamento,
a briga pela redução dos juros e do 'spread' bancários,
a defesa do fim do fator previdenciário, o pedido de retirada
do Congresso do projeto de terceirização, a luta pela redução
da jornada sem redução de salário, a atuação
para aprovação das convenções 151 e 158 da
OIT, entre outras.
(*) Jornalista, analista político
e diretor de Documentação do Diap
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AGÊNCIA DIAP, 14 de
abril de 2009
Vargas ainda não apresentará parecer
sobre o fator previdenciário
O deputado Pepe Vargas (PT/RS) não vai apresentar nesta semana o parecer
ao PL 3.299/08, que extingue o fator previdenciário. A confirmação
de adiamento da apresentação do relatório foi feita hoje
(13) em conversa com a assessoria parlamentar do DIAP.
Segundo o parlamentar, o motivo pelo qual abriu mão de apresentar o
substitutivo ao projeto de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS) é porque
recebeu um conjunto de sugestões nas quatro audiências públicas
realizadas na Comissão de Finanças e Tributação
ao longo das últimas semanas e não teve tempo de analisar e consolidar
no texto final.
"Há uma série
de alterações apresentadas que não foram analisadas.
Nesta semana a pauta [do plenário da Câmara] está trancada
por medida provisória e necessitamos conversar com o Governo inclusive
sobre as mudanças a serem feitas no cálculo do Orçamento
antes de apresentar o relatório final".
Pepe Vargas disse ainda que tão
logo consiga formatar a versão final do parecer, irá apresentar
o texto aos líderes partidários. "É necessário
obter apoio não só do Governo, mas de todos os partidos
para que a matéria seja aprovada. Não vou adiantar uma
nova data para apresentação do parecer. Vou manter contato
com o Governo para finalizar o relatório".
Pelo debate realizado na Comissão,
tudo indica que o parecer do relator será uma média das
discussões. Ou seja, nem o fator será extinto, nem ficará como
está atualmente.
O projeto, depois de votado
na Comissão de Finanças e Tributação será ainda
examinado pela Comissão de Constituição e Justiça,
antes de ir a voto no plenário. Haverá, já é certo,
modificações em relação ao texto aprovado
no Senado. O que imporá o retorno da matéria à Casa
de origem. (Alysson Alves)
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VERMELHO, 14 de abril de 2009 | Mundo
Sindicalistas da ex-URSS exigem aumento
de salário mínimo
A linha estratégica da
atividade dos sindicatos da Comunidade de Estados Independentes (CEI) é obter
um aumento do salário mínimo, revelou nesta segunda-feira
(13), em Moscou, um dos líderes da Confederação
Geral Sindical.
Vladimir Shcherbakov, líder
da Confederação, afirmou que na maioria dos países
da CEI a renda salarial não chega ao mínimo necessário
para a subsistência.
Em declarações
ao canal de televisão MIR, o secretário-geral da Confederação
sustentou que as medidas anticrise não devem cair com um pesado
fardo nos ombros dos trabalhadores.
Shcherbakov lembrou que uma
resolução aprovada pelo Conselho da Confederação
destaca que a massa de trabalhadores não é responsável
pela eclosão da crise e, portanto, não deve pagar as consequências.
" Apoiamos a política
dos estados, orientada a cortar os salários dos grupos que têm
os rendimentos mais altos, em particular os elevados prêmios aos
executivos de topo de linha das empresas", agregou.
Em relação à reunião
de sindicalistas das ex-repúblicas soviéticas, comentou
que concordaram em exigir mais responsabilidade das autoridades, pela
estrita observação das normas e dos direitos trabalhistas.
Participaram do encontro representantes
dos trabalhadores da Armênia, Azerbaijão, Belarus, Cazaquistão,
Quirguistão, Moldova, Rússia, Tadjiquistão, Ucrânia
e representantes de organismos internacionais, de acordo com a emissora
de televisão.
Agência Prensa Latina
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BEM PARANÁ, 14 de
abril de 2009 | Trabalho & Negócios
Estafa atinge a 30% dos trabalhadores
do País
Estimativa é de instituto Isma Brasil,
que desenvolve trabalhos para o controle do estresse
Da Redação
Quando o trabalho torna-se motivo para sofrimento é hora de prestar
atenção à saúde. Pesquisadores do Brasil, da América
do Norte e da Europa têm alertado para o crescimento de trabalhadores
vítimas de estafa ou esgotamento profissional. Problema classificado
como síndrome do “burnout” — significa queimar-se
de dentro para fora. De acordo com uma estimativa divulgada em 2008 pelo Isma
Brasil, que desenvolve trabalhos para controlar o estresse, cerca de 30% dos
trabalhadores brasileiros são afetados pelo mal.
A estafa ou o esgotamento profissional,
conforme especialistas, é resultado de um processo iniciado com
excessivos e prolongados níveis de estresse no trabalho.
“ O ‘burnout’ tem uma ação tríplice, que
se processa da seguinte maneira: exaustão emocional (o indivíduo
se sente sem energia e se torna pessimista), despersonalização
(perde a capacidade de empatia, passando a apresentar características
como cinismo e impaciência) e falta de realização pessoal
(baixa autoestima e frustração).”
As consequências também
são diversas. “As vítimas da síndrome podem
desenvolver dores musculares, enxaqueca, gastrite, síndrome do
intestino irritável, insônia e, até mesmo, doenças
graves, como hipertensão, diabetes, alcoolismo, dependências
de outras drogas e depressão. Muitos acabam precisando se afastar
do emprego. Desses, apenas um terço consegue retornar”,
alerta a psiquiatra Alexandrina Meleiro, da Universidade de São
Paulo (USP).
Tratar as consequências
da estafa profissional é fundamental, mas, para quem não
quiser sofrer recaídas, o ideal é mudar de vida. Inicialmente,
deve-se identificar a causa do estresse para tentar aprender a se adaptar.
Para tanto, a psicoterapia é um dos métodos mais eficientes.
“Desenvolver uma atividade
social ou voluntária, por exemplo, também ajuda o paciente
a dar uma nova dimensão para sua vida. Recomenda-se ainda adotar
uma alimentação saudável, evitar o cigarro e as
bebidas alcoólicas, dormir bem e praticar uma atividade física
prazerosa”, recomenda Alexandrina.
Promoção — Um
estudo feito por cientistas britânicos afirma que pessoas que são
promovidas no seu trabalho ficam mais estressadas e têm menos tempo
para consultar médicos.
A pesquisa foi conduzida por
economistas e psicólogos da universidade britânica de Warwick
com dados de cerca de mil pessoas que foram promovidas entre 1991 e 2005
no Reino Unido.
O objetivo dos cientistas Andrew
Oswald e Chris Boyce era verificar se promoções no trabalho
trazem benefícios à saúde das pessoas. A hipótese
dos cientistas era de que, ao serem promovidas, as pessoas sentem-se
valorizadas e confiantes, o que se refletiria positivamente na saúde
dos indivíduos.
No entanto, os dados mostraram
que as pessoas que foram promovidas sofreram em média um aumento
de 10% do seu nível de estresse mental. O número de consultas
ao médico caiu 20% em média entre as pessoas promovidas.
Os cientistas acreditam que, com as promoções, as pessoas
têm mais responsabilidades e menos tempo para cuidar da saúde.
SÍNDROME DE BORNOUT
O que é
Síndrome de burnout
Processo desencadeado por episódios excessivos e prolongados de estresse
no trabalho
Causas
Tempo insuficiente de descanso
e de férias
Envolvimento excessivo com o trabalho
Sensação de incapacidade e incompetência
Alta expectativa com relação ao trabalho e consigo mesmo
Frustração ao se deparar com a realidade
Raiva
Inadequação pessoal
Problemas financeiros
Falta de estrutura emocional para lidar adequadamente com perdas e frustrações
Sintomas
Irritabilidade
Pessimismo
Baixa autoestima
Frustração
Falta de energia
Despersonalização: vítima passa a tratar os outros de
forma fria, como se fossem objetos
Distanciamento emocional e social
Desmotivação
Afastamento dos familiares e dos amigos
Físicos
Alcoolismo
Compulsão por comida
Depressão
Dor de cabeça
Dores musculares
Dor de coluna
Gastrite
Hipertensão arterial
Insônia
Tratamentos
Psicoterapia
Afastamento do trabalho
Realização de atividades físicas com regularidade
Envolvimento com trabalhos voluntários ou sociais
Bom sono
Cultivar e manter interesses diversos fora da área profissional
Manter equilíbrio entre a vida profissional e familiar
Fazer relaxamento ou meditação
Alimentação balanceada e em horários regrados
Fontes:
Alexandrina Meleiro, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital
das Clínicas da Universidade de São Paulo; e Maria Lúcia
Rossi, psicóloga do Centro Psicológico de Controle do
Estresse
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VALOR ECONÔMICO, 14
de abril de 2009
São Paulo (SP): Aumento de salário
acima da inflação vira raridade no pós-crise
Escrito por Samantha Maia, Ana Paula Grabois
e Carolina Mandel
O mau desempenho da indústria neste começo de ano já se
reflete nas negociações salariais. Depois de cinco anos em que
aumentos reais vinham sendo conquistados pela maioria das categorias - em 2008,
78% conseguiram -, os sindicatos encontram hoje um ambiente arisco para negociar
e poucos estão obtendo resultados acima do INPC. Em alguns casos, as
empresas têm começado a negociação oferecendo aumentos
abaixo da inflação do período. Queda da produção,
ameaça de desemprego, indefinição do cenário econômico
no curto prazo, tudo converge para dificultar as conversas entre funcionários
e empresários.
Trabalhadores do segmento de
artefatos de couro de Franca, no interior de São Paulo, com data
base em 1º de janeiro, começaram pedindo 10% de aumento real.
Fecharam acordo com 6,5%, apenas uma reposição das perdas
inflacionárias. Os calçadistas da mesma região pediam
16,75% em fevereiro. Vinte rodadas de negociação depois,
o pleito foi reduzido para 7,5% no total, com as empresas oferecendo
6,5%, novamente apenas reposição de perdas.
No Sul Fluminense, região
que concentra a indústria de transformação do Rio
de Janeiro, os reajustes firmados até o momento também
só repõem a inflação. O sindicato dos metalúrgicos
garantiu a variação do INPC em acordos com as montadoras
Volkswagen Caminhões e Peugeot Citröen, a valer a partir
de maio.
Cada empresa tem 3 mil empregados
nas fábricas de Resende e Porto Real. "As negociações
foram mais difíceis porque as montadoras disseram que estavam
com os pátios cheios", diz o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos do Sul Fluminense, Renato Soares Ramos. A Peugeot
Citröen demitiu recentemente 250 pessoas. Já a Volks suspendeu
em fevereiro o contrato de trabalho de 500 funcionários, que passaram
a receber bolsa de qualificação do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) em prazo máximo de cinco meses.
Ramos espera negociação
ainda mais dura com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cuja
data base é em maio. A siderúrgica emprega 6,5 mil funcionários
em Volta Redonda e demitiu aproximadamente 1,3 mil desde dezembro, segundo
o sindicato.
José Silvestre Prado de
Oliveira, coordenador de relações sindicais do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
diz que é inevitável que as negociações sejam
afetadas pela crise. "O aumento das taxas de desemprego e a queda
das oportunidades de trabalho tornam o cenário mais adverso para
a negociação", diz. Ele ressalta, porém, que
o impacto deve ser diferente, dependendo do setor. "Há setores
que ainda não foram muito afetados, nesses casos há possibilidade
de conseguir resultados melhores."
Entre as exceções
estão os trabalhadores vigilantes do Rio e do setor de alimentação
de São Paulo, que obtiveram aumentos reais de 3% e 1,18% respectivamente.
Os 12 sindicatos de vigilantes do Rio fecharam em fevereiro aumento de
9% para 2009. O aumento superou o fechado em 2008, de 6%.
Mesmo assim, os sindicatos da
categoria, que representam cerca de 50 mil vigilantes, relatam que as
negociações foram mais difíceis neste ano e ameaçaram
fazer greve durante o carnaval, o que implicaria, por exemplo, a ausência
de segurança no sambódromo carioca, um dos principais atrativos
turísticos da época. Também houve passeata no centro
do Rio e greve de um dia no município de Campos dos Goytacazes,
com a participação de 150 profissionais. "Conseguimos
esse aumento, mas o nosso piso salarial ainda é menor em relação
a vários Estados, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná",
disse o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Município do
Rio, Fernando Bandeira.
Em São Paulo, os trabalhadores
da indústria de alimentação do setor de doces e
conservas obtiveram um aumento real de 1,18%. A data base é 1º de
março e o aumento beneficia 25 mil pessoas. "As empresas
alegaram dificuldade por conta da crise, mas contrapomos que a produção
não foi afetada, eram problemas pontuais", diz Neuza Barbosa,
diretora da Federação dos Trabalhadores na Indústria
da Alimentação do Estado de São Paulo (Fetiasp).
Casos com possibilidade de aumentos maiores, como o do setor têxtil
de Pernambuco, contam com uma base salarial baixa. O salário mínimo
das costureiras é de R$ 465, e há possibilidade de aumento
de 11%.
Hoje a Fetiasp tem reunião
na Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) para negociar o dissídio do setor de bebidas. A
reivindicação é de 2% de aumento real, mas as empresas
sinalizam só com reposição da inflação. "Não
podemos aceitar menos do que já foi obtido pelo setor de doces",
diz Neuza. Outra batalha difícil deverá ser no segmentos
de usinas de açúcar e frigoríficos, onde há casos
de empresas com queda de produção e endividamento.
A partir de 2004 houve uma combinação
de crescimento econômico e baixa inflação, o que
contribuiu muito para os resultados das campanhas salariais. Em 2004,
55% das categorias conseguiram aumentos reais, percentual que cresceu
até 2007 (88%). Em 2008, a inflação mais alta já refletiu
nos reajustes, e o número de aumentos acima da inflação
caiu para 78%. "Muito provavelmente o número será pior
este ano", diz Oliveira, do Dieese. Ele acredita, porém,
que o resultado não deve ser pior que os 19% de 2003.
A interrupção do
boom de investimentos na construção civil deixou os trabalhadores
receosos quanto às negociações salariais este ano.
A data base da categoria em São Paulo é 1º de maio,
mas os sindicatos já começaram a se mobilizar para pedir
aumento real de 5,5% mais manutenção de benefícios.
No ano passado, conseguiram 2% de reajuste acima da inflação.
Antônio Souza Ramalho,
presidente do Sintracon-SP, entidade que representa os trabalhadores,
diz que as empresas estão se apegando ao discurso de que em tempo
de crise não se deve pedir aumento. "Entendemos que não
deveria ser difícil negociar, porque as perspectivas para o setor
são boas", diz ele, lembrando do recente lançamento
do programa federal Minha casa Minha vida, que deve impulsionar as construções.
Para chamar a atenção
dos empresários, o sindicato está organizando um ato no
dia 27 de abril com a intenção de concentrar 300 mil trabalhadores
na Avenida Luis Carlos Berrini, zona Sul da capital paulista. "É uma
região com muitos canteiros de obras, queremos mostrar que temos
poder de mobilização", diz ele.
No setor farmacêutico em
São Paulo a terceira rodada de negociação ocorre
hoje. A data base é 1º de abril e os trabalhadores reivindicam
aumento real de 7%. "Os empresários têm dito que a
situação não é boa para dar aumento, mas
até fevereiro temos verificado índices positivos de emprego
no setor e economicamente também não há sinal de
de problemas", diz Sérgio Luiz Leite, secretário geral
da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas
e Farmacêuticas de São Paulo (Fequimfar).
Para o segmento de álcool,
com data base em 1º de maio, as perspectivas são piores.
As quedas do preço do produtos no período de entressafra
indicam que as empresas estão com faturamento menor. Mesmo assim,
a categoria optou por reivindicar o mesmo que os farmacêuticos. "Não
sabemos como será a conversa, mas entendemos que não
será com achatamento da massa salarial que os problemas do setor
serão resolvidos", diz Leite.
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VALOR ECONÔMICO, 14
de abril de 2009
Porto Alegre (RS): No RS, apenas 30%
dos acordos superam 1% do INPC
Escrito por Sérgio Bueno, Vanessa
Jurgenfeld e Marli Lima
A desaceleração da economia também reduziu os ganhos reais
obtidos pelos trabalhadores na Região Sul do país. Entre as categorias
que receberam aumento acima da inflação neste começo de
ano, os resultados são menores que no ano passado.
No Rio Grande do Sul, segundo
um levantamento da seção local do Departamento Intersindical
de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), apenas
30% dos acordos fechados de outubro de 2008 a fevereiro deste ano resultaram
em índices superiores a 1% além da inflação
medida pelo INPC acumulado em 12 meses, ante 74% no mesmo intervalo no
período de 2007 a 2008.
Com data base em 1º de fevereiro,
os empregados das indústrias de calçados de Sapiranga e
das fabricantes de móveis de Bento Gonçalves, dois setores
tradicionais no Estado, conseguiram aumentos reais de 0,98% e 0,82%,
respectivamente. Em 2008, os ganhos haviam sido, pela ordem, de 1,29%
e 1,56%. Já os 28,5 mil professores do ensino privado, com data
base em 1º de março, deverão receber apenas o INPC
de 6,25% acumulado até o fim de fevereiro. A proposta será votada
no dia 18 deste mês. De acordo com o Sinpro, que representa os
professores, há cerca de dez anos os acordos fechados com as escolas
particulares gaúchas limitam-se à reposição
da inflação.
Segundo o assessor da diretoria
do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga, na região metropolitana
de Porto Alegre, Adelino Frank, as indústrias calçadistas
da cidade alegaram redução de pedidos no mercado externo
provocada pela crise para reduzir o aumento real. Cerca de 22 mil trabalhadores
fazem parte da categoria nas três cidades cobertas pela entidade,
incluindo Araricá e Nova Hartz.
Conforme Frank, as demissões
no setor dificultaram ainda mais as negociações. Só em
março o sindicato homologou 510 rescisões de contrato de
trabalho, ante 250 no mesmo mês do ano passado. No total o reajuste
dos sapateiros ficou em 7,41%, acima dos 6,65% de 2008, mas isso por
causa do INPC acumulado mais alto (6,43% de fevereiro de 2008 até o
fim de janeiro de 2009 diante de 5,40% nos 12 meses anteriores).
Em Bento Gonçalves, o
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário não detectou nenhum movimento anormal em
relação a demissões nas fabricantes de móveis,
mas o aumento real de 0,82% é quase metade do obtido em 2008. "Mas
com a crise, até que fechamos um bom acordo e as cláusulas
sociais foram preservadas", disse o presidente da entidade, Ivo
Vailatti. As indústrias de móveis de Bento Gonçalves
empregam cerca de 6 mil pessoas.
As negociações
salariais em Santa Catarina das categorias com data base em 1º de
abril ainda se arrastam. Os sindicatos esperam uma definição
até o fim deste mês. Metalúrgicos, mecânicos
e térmicos de Joinville, setores que mais sofreram no Estado até agora
com a crise com corte de salários e demissões, já fizeram
as primeiras rodadas de discussão e ainda esperam conseguir aumento
real, mesmo que seja necessária a postergação do
recebimento por alguns meses.
Os sindicatos catarinenses já falam
na possibilidade de negociar com os patrões outras saídas
para que não percam o ganho real, como o adiamento desse percentual
para outro mês do ano. Também estão usando outras
estratégias, que envolvem mudanças em cláusulas
sociais como uma forma de compensação. João Bruggmann,
presidente do sindicato dos mecânicos de Joinville, representante
de 15 mil trabalhadores, diz que caso a categoria só consiga a
reposição do INPC agora em abril, pretende negociar o ganho
real em setembro. "As empresas, principalmente as autopeças,
alegam queda de vendas para negar o aumento real, mas até agosto
de 2008 elas tiveram um excelente ano", destacou.
A proposta dos mecânicos
de Joinville iniciou com a reposição do INPC mais 6% desse
valor como ganho real. No ano passado, o ganho real foi de 1%. Bruggmann,
que viu o volume de demissões mensal dobrar para cerca de 500
pessoas nos primeiros meses deste ano em relação ao mesmo
período do ano anterior, também diz que o sindicato pretende
melhorar algumas cláusulas, entre elas a relativa à estabilidade
no emprego para aqueles que estão prestes a se aposentar. Os térmicos
de Joinville, que negociaram recentemente uma redução de
jornada e de salário na Embraco, iniciaram as negociações
neste ano pedindo 2% do INPC de ganho real.
No Paraná, as primeiras
negociações salariais foram finalizadas com aumento real
pequeno para os trabalhadores. "O que é importante, porque
ameniza os efeitos da crise", diz Cid Cordeiro, economista do Dieese.
Segundo ele, os empregados da indústria gráfica, que têm
data base em janeiro, tiveram reajuste de 8%, com ganho real de 1,43%.
Os servidores públicos de Curitiba conseguiram aumento de 6,5%,
ou 0,24% acima da inflação acumulada no período.
O secretário-geral do
Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e região, Nelson Belizari,
diz que o acordo obtido "não foi ruim, mas também
não foi bom". Os trabalhadores fizeram greve em fevereiro
(mês da data base) por aumento nos salários e tiveram 7%
de reajuste no piso. Em média, a remuneração teve
incremento de 7,53%. "Foi uma negociação cheia de
percalços e o empresariado alegou que havia uma crise para barrar
aumentos", diz o sindicalista.
A Federação
dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do
Paraná informou que os trabalhadores tiveram em fevereiro reajuste
de 15% no piso. O aumento beneficia cerca de 30 mil pessoas que atuam
em limpeza no Estado. Para os varredores de Londrina, município
do Norte, o reajuste foi de 18% em janeiro. Os coletores de lixo da
mesma cidade conseguiram 10%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de abril de 2009 | Cidades
MPT cobra verbas para erradicação
do trabalho infantil
Redação
Até sexta-feira, o Ministério Público do Trabalho (MPT)
encaminhará notificações a governadores, prefeitos, vereadores
e deputados estaduais para que incluam nos orçamentos verbas destinadas à promoção
de políticas públicas de prevenção e erradicação
do trabalho infantil. A ação visa fomentar a implantação
de políticas de proteção à criança e ao
adolescente.
O MPT também encaminhará ofícios
aos conselhos estaduais e municipais dos Direitos da Criança
e do Adolescente solicitando que acompanhem e fiscalizem a execução
das leis orçamentárias.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 14 de abril de 2009 | Dinheiro
TST decide que Embraer não tem de
pagar dias a mais a demitidos
GUSTAVO HENNEMANN
DA AGÊNCIA FOLHA
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) suspendeu
ontem a decisão do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região,
em Campinas, que determinava a extensão do contrato de trabalho
de 4.200 funcionários que haviam sido demitidos pela Embraer
em 19 de fevereiro deste ano.
A decisão que foi suspensa mantinha as demissões, mas previa
o pagamento de salário até o dia 13 de março aos demitidos
pela fabricante de aviões, como forma de compensação pela
perda do emprego.
O despacho de ontem, do presidente do TST, Milton de Moura França, acatou
provisoriamente o recurso apresentado pela Embraer e livra a empresa de pagar
os dias a mais de trabalho até o julgamento final a ser realizado pelo
TST.
Quando determinou a extensão do contrato de trabalho, o TRT de Campinas
considerou que as demissões violavam a legislação que
protege o trabalhador de dispensas arbitrárias e que a empresa deveria
ter negociado com os sindicatos que representam os trabalhadores antes de demiti-los.
O presidente do TST contesta os dois argumentos no despacho, dizendo que a
legislação trabalhista não garante a estabilidade do emprego
e que não existe norma que obrigue as empresas a negociarem demissões
com sindicatos.
França diz ainda que as demissões ocorreram durante um período
de comprovada dificuldade financeira da empresa e que a Embraer pagou as indenizações
e os direitos trabalhistas devidos aos demitidos.
Batalha judicial
As demissões da Embraer suscitaram uma batalha judicial entre os sindicatos,
que reivindicam a reintegração de todos os demitidos, e a Embraer,
que busca a confirmação da suspensão divulgada ontem.
Em 27 de fevereiro, o TRT de Campinas acatou o pedido dos sindicalistas e concedeu
liminar que suspendia as demissões. A Embraer, que afirmava ter seguido
a legislação trabalhista, recorreu da decisão.
Um mês depois, o TRT voltou atrás e manteve as 4.200 demissões,
mas impôs a condição de prorrogar os contratos e salários
até 13 de março.
Especialistas em direito do trabalho ouvidos pela Folha antes da decisão
ser suspensa apontaram que o determinado pelo TRT de Campinas não tinha
amparo legal e que a lei brasileira não especifica procedimentos para
os casos de demissões de trabalhadores em massa.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/04/2009
TST remete à Justiça Comum
ação movida por oficial de justiça
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho decretou a nulidade dos atos decisórios em
ação movida por uma oficial de justiça da comarca
de Sete Lagoas (MG), em que buscava o reconhecimento de vínculo
empregatício com o Estado de Minas Gerais. A Turma, ao reconhecer
que o vínculo estabelecido entre a servidora e o Estado de Minas
Gerais tem origem e natureza administrativa, determinou a remessa dos
autos à Justiça Comum, com fundamento na decisão
do Supremo Tribunal Federal ADIN nº 3395, segundo a qual a Justiça
do Trabalho é incompetente para julgar ações não
oriundas de relação de trabalho.
Admitida pelo Estado de Minas
Gerais sem prévio concurso público, a oficial de justiça
foi empossada por meio de termo de compromisso e posse firmado pela juíza
diretora do Foro da Comarca de Sete Lagoas em maio de 2003. No ato de
sua dispensa, ocorrida em fevereiro de 2006, ela alegou não ter
recebido corretamente os valores que lhe eram devidos.
Buscou na 2ª Vara do Trabalho
de Sete Lagoas (MG) a nulidade do contrato administrativo de prestação
de serviços e o pagamento de indenização substitutiva
dos depósitos de FGTS, mais multa de 40% sobre os referidos depósitos,
durante todo o período trabalhado. Em suas razões, o Estado
de Minas Gerais alegou a incompetência da JT para julgar ações
dessa natureza, mas foi condenado a pagar à oficial o valor correspondente
ao FGTS de todo o período contratual reconhecido.
O recurso do Estado de Minas
também foi rejeitado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG), que manteve a sentença sob o argumento de que incidia, no
caso, o artigo 114 da Constituição Federal, que outorga à Justiça
do Trabalho a competência para julgar ações oriundas
das relações de trabalho.
Ao analisar o recurso interposto
pelo Estado de Minas, o relator no TST, ministro Walmir Oliveira da Costa,
acolheu-o por violação ao artigo 114, inciso I, da Constituição
Federal, declarou a incompetência material da Justiça do
Trabalho e determinou o retorno dos autos à Justiça Comum
para prosseguir o julgamento. (AIRR-1379/2007-040-03-40.7)
(Lourdes Côrtes)
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14/04/2009
Empresa de ônibus paga por omissão
em assassinato de motorista
A culpa por omissão, por
não minimizar os riscos a que os empregados ficam expostos a assaltos
nos ônibus da empresa, resultou na responsabilização
da Viação Satélite Ltda., de Vitória (ES),
pela morte de um motorista vítima de um tiro durante um assalto
ao ônibus que dirigia durante a madrugada. A Terceira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão da Justiça
do Trabalho da 17ª Região (ES) que condenou a empresa a pagar
indenização à viúva do motorista.
Segundo o relator do recurso
de revista, ministro Alberto Bresciani, para uma empresa de transporte
rodoviário de passageiros, o dever geral de cautela assume maior
relevância, pois “a atividade desenvolvida expõe seus
empregados e usuários a riscos de morte”. O relator destacou
conclusão do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região
de que, “mesmo diante da notória situação
dos assaltos a coletivos”, nenhuma medida foi adotada pela Viação
Satélite para aumentar a segurança dos seus empregados.
A Terceira Turma, seguindo voto
do relator, negou provimento ao recurso. da Satélite. O ministro
Alberto Bresciani ressalvou que, “inda que a empresa não
esteja obrigada a instalar nos veículos de sua frota cabines blindadas,
ou a fornecer coletes à prova de balas, “tem por obrigação
propiciar um ambiente de trabalho seguro, com o objetivo de evitar acidentes
fatais, como o que ocorreu no caso”.
Assaltos freqüentes
Era a primeira viagem do dia
19/08/1999, às 5h30 da manhã, e havia R$12 no caixa e apenas
um passageiro no veículo. O cobrador contou que uma pessoa entrou
e anunciou o assalto, no percurso entre Carapina e Nova Rosa de Penha.
O bairro Nova Rosa de Penha, segundo depoimentos prestados à 7ª Vara
do Trabalho de Vitória (ES), é um dos mais perigosos da
cidade de Cariacica.
O motorista, que já havia
ajuizado reclamação trabalhista contra a empregadora, substituía
um colega de férias e morreu ao ser atingido por disparos de arma
de fogo no assalto. Segundo o cobrador, o colega já havia escapado
de outro assalto. Mais ainda, relatou que os empregados que trabalham
nessa linha sofrem muitas ameaças.
Na inicial da ação,
a representante do espólio e viúva do motorista requereu
indenização de R$ 405 mil, dos quais R$ 300 mil por danos
morais. A 7ª Vara de Vitória concedeu o pedido, cujo valor
foi alterado posteriormente, somente quanto aos danos morais, pelo TRT
da 17ª Região, para 50 salários mínimos, o
que hoje seria equivalente a R$23.250, e manteve o valor de R$105 mil
para danos materiais.
A Viação Satélite
recorreu ao TST contra a condenação. Seu argumento foi
o de que assalto à mão armada é caso fortuito, e
que “cabe ao Estado promover a segurança e a integridade
física da população”. De acordo com o ministro
Bresciani, no entanto, “a escalada da violência não
serve de argumento para a incúria do empregador, que, na espera
de políticas públicas, descuida-se da segurança,
saúde e higiene dos seus empregados”. (RR-295/2004-019-10-00.6)
(Lourdes Tavares)
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