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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2009 | Economia
Salário mínimo subirá para
R$ 506 em 2010, garante Bernardo
Agência Estado
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que o salário mínimo
em 2010 subirá para R$ 506,50. O reajuste será dado no mês
de janeiro. Segundo o ministro, a política de reajuste do salário
mínimo acima da inflação está mantida e foi considerada
no cenário tratado para a elaboração do projeto de Lei
de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, encaminhado hoje
ao Congresso Nacional pelo governo federal.
De acordo com Bernardo, o contingenciamento
de R$ 21,6 bilhões nas despesas do Orçamento de 2009 está mantido. "Não
tem decisão de mudar", afirmou.
O ministro classificou a redução
da meta do superávit primário de 2009 como uma "mudança
conjuntural", que reflete o cenário de receitas menores e
a necessidade de aumento de algumas despesas para fazer frente à crise
internacional. A meta do superávit primário, economia do
governo para o pagamento de juros da dívida pública, foi
reduzida para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
Estatais
Paulo Bernardo disse defender
que outras estatais também sejam retiradas do cálculo do
superávit primário do setor público, a exemplo da
Petrobras. Mas ele ressalvou que isso não deve ocorrer imediatamente,
porque isso tem de estar vinculado ao cumprimento de uma série
de princípios de governança corporativa, que hoje só são
atendidos pela Petrobras.
A petrolífera foi retirada
do cálculo do superávit primário deste ano e de
2010. Com isso, segundo Bernardo, a Petrobras fica liberada para investir
mais R$ 15 bilhões este ano e outros R$ 16 bilhões em 2010.
De acordo com o ministro, a decisão vai dar mais autonomia para
a empresa fazer investimentos do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e também do pré-sal. Também
deve reduzir a necessidade de captação de recursos da empresa
no exterior.
Mais cedo, o presidente
da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, esclareceu que uma
mudança no superávit primário não alteraria
o plano de investimentos da companhia, mas permitiria o uso de mais
recursos do caixa da empresa para os investimentos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2009 | Economia
País saiu do vermelho com aumento
de empregos
Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o resultado do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), que teve saldo de 34,8 mil empregos
em março. Ele falou durante audiência promovida pelas comissões
especiais que analisam os efeitos da crise econômica mundial no país
e pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria
e Comércio e de Finanças e Tributação, na Câmara
dos Deputados.
"Saímos do vermelho
e estamos no azul", disse. "Vimos que o resultado em fevereiro
e março mostrou uma situação positiva", completou.
O crescimento de março
foi de 0,11% em relação a fevereiro, segundo dados Caged,
divulgados hoje. Os setores que mais contribuíram para o desempenho
positivo foram serviços, construção civil e agricultura.
A indústria de transformação e o comércio
registraram desempenho negativo no mês.
Em fevereiro, o saldo também
foi positivo, com pouco mais de 9 mil empregos formais criados. O resultado
foi o primeiro positivo depois de três meses de queda.
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Gazeta Mercantil, 16 de abril
de 2009
Pacote habitacional: medida estende
benefício a trabalhador rural
A pressa do governo em colocar
em prática o programa "Minha Casa, Minha Vida" fez com
que detalhes importantes do pacote de R$ 60 bilhões fossem definidos às
pressas, quando fontes oficiais já anunciavam o lançamento
do plano de combate ao déficit habitacional.
A contemplação
de municípios com menos de 50 mil pessoas - que originalmente
iriam ficar de fora do pacote - e o atendimento de todas as faixas de
trabalhadores rurais familiares foram decisões tomadas a partir
de pressões políticas e incluídas nas normas oficiais
momentos antes de as regras definitivas serem publicadas.
Para evitar que o programa se
transformasse em apenas uma promessa, uma edição extra
do Diário Oficial foi editada com a data de segunda-feira, 13
de abril, com toda a regulamentação necessária.
Mas a versão impressa acabou sendo distribuída somente
ontem.
Pequenos
municípios
Na segunda-feira à tarde, depois de reunir-se com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, o vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda,
repetiu várias vezes que o "Nossa Caixa, Nossa Vida" iria
atender somente municípios com mais de 50 mil habitantes.
As cidades menores ficariam de
fora, porque não concentram o déficit habitacional e também
porque dispõem de outros mecanismos de financiamento. Na última
hora, a pressão política venceu e os municípios
pequenos foram incluídos.
Habitação
rural
Foram criados oficialmente o Programa Nacional de Habitação Urbana
(PNHU) e o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), ambos
integrantes do "Nossa Casa, Nossa Vida". O PNRU vai conceder subsídios
de até R$ 2,5 bilhões para atender famílias com renda
de até seis salários mínimos (R$ 2.790) mensais.
O PNHR, que originalmente deveria
ser direcionado somente ao grupo de menor renda da agricultura familiar,
ou seja, até R$ 10 mil por ano, contará com R$ 500 milhões
para subsídios, e vai atender produtores rurais com renda anual
de até R$ 60 mil. A faixa de trabalhadores familiares rurais com
renda maior, entre R$ 22 mil e R$ 60 mil anuais, vão contar com
subvenção somente para o seguro.
Decretos
presidenciais
A edição extra do Diário Oficial incluiu dois decretos
presidenciais e mais duas portarias, uma do Ministério da Fazenda e
outra do Ministério das Cidades. O conjunto de regras publicadas no
Diário Oficial esclareceu os valores máximos de aquisição
de cada unidade, mas isso somente para municípios com mais de 50 mil
habitantes.
Os tetos estabelecidos são
de R$ 52 mil para apartamentos e R$ 48 mil para casas negociadas em municípios
de regiões metropolitanas do estado de São Paulo (e também
em Jundiaí, Jacareí e São José dos Campos)
e no Distrito Federal. Na capital fluminense, o valor máximo de
aquisição é de R$ 51 mil para apartamentos e de
R$ 47 mil para casas.
Os tetos mais acanhados foram
reservados para Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí,
Sergipe e Maranhão, além o interior dos estados da Bahia,
Ceará e Pernambuco: o valor máximo de aquisição
nesses locais será de R$ 41 mil para apartamentos e de R$ 37 mil
para casas. As prestações mínimas serão de
R$ 50,00 independentemente do valor do imóvel.
Investimentos
O pacote habitacional do governo federal conta com R$ 60 bilhões para
serem aplicados em três anos. A ideia é construir 1 milhão
de moradias para a população que ganha até 10 salários
mínimos por mês, valor equivalente a R$ 4.650.
Para a Caixa, o programa
vai gerar 3,5 milhões de empregos com carteira assinada em três
anos.
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Agência Brasil, 16 de
abril de 2009
Meirelles comenta regras da poupança
e spread
O presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, disse nesta que ainda não há nada decidido
sobre a tributação da poupança para depósitos
acima de R$ 100 mil. “Não há nada decidido em relação à caderneta”,
afirmou. Ele também disse que ainda neste primeiro semestre poderão
ser sentidos os efeitos das medidas para restabelecer o crédito.
Segundo Meirelles, tão logo o governo tenha alguma conclusão
sobre as novas regras da poupança ela será divulgada. O presidente
do Banco central garantiu que ainda neste primeiro semestre poderão
ser sentidos os efeitos das medidas recentes adotadas pelo governo para restabelecer
o crédito na economia e reduzir o spread bancário.“É a
nossa expectativa”, disse, após participar do fórum “O
Brasil que Queremos Ser”, promovido pelo projeto “Veja nas Universidades”,
na Fundação Getulio Varga.
Spread é a diferença
entre os juros pagos pelos bancos na captação de recursos
e o que eles cobram do tomador final na hora do empréstimo. Meirelles
disse que a redução do spread bancário é uma
preocupação do governo e do Banco Central. Segundo ele,
houve um aumento do spread, em todo o mundo e, de forma mais pronunciada
no Brasil, por causa da crise financeira internacional.
O governo agiu rapidamente e
tomou uma série de medidas, incluindo liberação
de compulsórios, empréstimos e reservas. No mês passado,
o governo decidiu aumentar o fundo garantidor de crédito (FGC),
que poderá oferecer, a partir deste mês, garantia complementar
para a emissão de Certificados de Depósitos bancários
(CDBs), que são títulos de renda fixa em que o investidor
recebe juros pelos recursos depositados no banco.
Bancos públicos
Com isso, não só os
depósitos até R$ 60 mil, mas até R$ 20 milhões,
passam a ser garantidos. “Isso dá maior competitividade
aos bancos pequenos e médios. E, portanto, voltam ao mercado,
colocando mais competição aos bancos grandes e, principalmente,
atendendo às micro, pequenas e médias empresas (MPEs),
que estão menos atendidas hoje”, afirmou Meirelles.
Além disso, o Banco Central
aumentou a oferta de dólares na economia, fazendo leilões
para os bancos que queiram emprestar para as empresas que necessitem
de empréstimos dolarizados para qualquer finalidade. Antes, os
empréstimos eram só para exportação, explicou
o ministro. “Foram medidas importantes e estamos aguardando os
resultados”, disse.
Segundo Meirelles, existe
também o compromisso dos bancos públicos, como Banco
do Brasil, Caixa Econômica e Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) de atuarem forte na área do
financiamento, visando restabelecer a normalidade do crédito
e do spread no Brasil. “Felizmente, o Brasil tem condições,
hoje, melhores do que a média dos países para enfrentar
essa crise. Por exemplo, tendo reservas internacionais”, afirmou.
Segundo ele, o Brasil, pela primeira vez, está sendo convidado
para ser um credor do Fundo Monetário Internacional. “No
passado, éramos devedores”, disse.
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Folha de S.Paulo, 16 de abril
de 2009
Redução de imposto
para a linha branca sai no dia 22
Expectativa é que alíquota
de IPI seja zerada
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo deve anunciar
na próxima quarta, dia 22, a desoneração de impostos
para produtos da chamada linha branca de eletrodomésticos, que
inclui geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos.
Segundo a Folha apurou, a expectativa é que a alíquota
de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) seja zerada.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve anunciar a medida antes de viajar
para a reunião de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional),
em Washington. Amanhã, Mantega se reúne com grandes empresários
da área de varejo para discutir a crise e medidas para aliviar o setor.
A expectativa é que a isenção de impostos vigore entre
os meses de maio e julho, e a queda prevista na arrecadação seria
de R$ 264 milhões.
Ontem pela manhã, pressionado por deputados a apresentar novas soluções
para a crise econômica, Mantega disse, em audiência pública
na Câmara, que o governo vai continuar com a redução de
impostos.
O ministro não explicou, porém, como o governo vai compensar
a redução do caixa neste momento de queda da arrecadação
tributária.
" A redução de impostos vai continuar, mas será graduada
de acordo com as nossas disponibilidades", disse Mantega.
A Receita Federal já havia alertado de que o governo não tem
mais espaço para desonerações. Ainda assim, a Fazenda
segue com as promessas de redução de tributos, o que leva a crer
que outros setores poderão pagar mais impostos para que a conta feche.
Uma das possibilidades é um novo aumento de tributos sobre os cigarros.
Mantega afirmou que vai conceder desoneração para a indústria
de frigoríficos, mas não detalhou quais tributos podem ser reduzidos
no setor.
O ministro disse que está em estudo a desoneração da folha
de pagamentos das empresas. "Queremos reduzir o custo da mão de
obra. [A desoneração] ainda está no nosso horizonte."
Outra promessa do ministro aos deputados foi a criação de fundo
garantidor para o crédito de pequenas e médias empresas. Esse
segmento reclama que tem mais dificuldade de obter financiamentos nos bancos
por não ter garantias suficientes para apresentar.
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Gazeta do Povo, 16 de abril
de 2009
Vereadores
Suplentes fazem lobby por mais 7,3 mil
vagas
Emenda que amplia número de cadeiras nas
câmaras municipais impõe limites aos gastos. Em Curitiba,
Legislativo teria de cortar despesas pela metade
Cerca de uma centena de suplentes
de vereadores lotou ontem o Congresso para pressionar os senadores a
votar emenda à Constituição que limita os gastos
das câmaras municipais. Se aprovada, a proposta criará 7.343
vagas de vereadores em todo o país.
Apesar de prever a redução
das despesas nos legislativos municipais, a emenda não atingirá a
Câmara de Vereadores de São Paulo, que poderá gastar
R$ 37,8 milhões anualmente. Motivo: hoje a Câmara paulistana
gasta R$ 321,7 milhões ao ano, o correspondente a 2,1% da receita
líquida corrente da cidade de São Paulo. Pela emenda em
tramitação no Senado, o legislativo municipal de São
Paulo poderá gastar até 2,5% da receita municipal. Curitiba
seria uma das afetadas.
“A Câmara de São
Paulo é uma exceção porque já fez uma limitação
de gastos. Mas os outros legislativos municipais vão ter de apertar
o cinto”, disse o senador Valter Pereira (PMDB-MS), relator da
emenda constitucional. Segundo ele, a proposta vai gerar uma economia
de cerca de R$ 500 milhões ao ano com as câmaras de vereadores.
Em dezembro do ano passado, o
Senado aprovou emenda à Constituição que aumentava
o número de vereadores em todo o Brasil. Mas a emenda constitucional
não entrou em vigor até hoje – o então presidente
da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) se recusou a promulgá-la
sob a alegação de que os senadores não reduziram
os gastos dos legislativos municipais – apenas aumentaram as vagas
para os vereadores.
Diante do impasse, foi feita
uma emenda paralela para limitar os gastos das câmaras municipais.
Pela proposta de Valter Pereira, que deverá ser votada na próxima
semana na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado, quanto maior a receita corrente líquida do município,
menor o porcentual de despesa que tem de ser gasto pelas câmaras
de vereadores. O teto de gastos é de 6,5% da receita para os municípios
com até R$ 15 milhões anuais de arrecadação
e de 2,5% para as cidades com receita anual superior a R$ 2,5 bilhões.
No ano passado, a Câmara
aprovou proposta bem mais rígida de redução de gastos
das câmaras de vereadores. O limite de despesas era bem menor do
que o apresentado agora pelo Senado. Pela emenda aprovada pelos deputados,
eram criadas cinco faixas, com os limites de gastos variando entre 2%
e 4,5% sobre as receitas municipais. O porcentual mais baixo se aplicaria à cidades
com receita anual superior a R$ 200 milhões e o mais alto àqueles
com receita de até R$ 30 milhões.
Mas o então relator da
emenda no Senado, Cesar Borges (PR-BA), retirou da proposta a redução
das despesas, deixando apenas o aumento do número de vagas de
vereadores. “O problema é que essa proposta inviabilizava
60% das câmaras municipais, que teriam de fechar as portas”,
disse Valter Pereira.
Cortes
Hoje, as câmaras municipais
podem gastar até 8% da receita de seus municípios. Pela
emenda de Valter Pereira, o repasse das verbas para os legislativos municipais
será corrigido anualmente de acordo com o índice de inflação
medido pelo INPC, do IBGE. A União dos Vereadores do Paraná (Uvepar)
vai recomendar às câmaras do estado que reduzam suas despesas – é possível
um corte de 15%, diz a entidade. Em Maringá, um grupo de vereadores
defende o corte de 73 dos 83 cargos comissionados que existem hoje na
Câmara Municipal.
“Teríamos
de fechar as portas”, diz presidente da Câmara Municipal
Da Redação
Levantamento feito pela assessoria
do senador Valter Pereira (PMDB-MS), relator da emenda constitucional
em discussão no Senado, constatou que, em um universo de 22 capitais
pesquisadas, 21 câmaras de vereadores estão fora dos limites
estabelecidos por sua proposta – a exceção é a
Câmara de São Paulo.
Em Curitiba, a Câmara de
Vereadores recebe cerca de 5% do Orçamento municipal. Até o
ano passado, os vereadores não gastavam tudo isso, e devolviam à prefeitura
as sobras. Projeto aprovado em 2008 permite que a Casa direcione o superávit
para um fundo destinado a bancar investimentos futuros. No ano passado,
a Câmara devolveu à prefeitura de Curitiba R$ 1,9 milhão.
De 2001 para cá foram R$ 22 milhões.
Com a proposta em discussão
no Senado, o cenário muda totalmente. “Se a emenda passar,
a Câmara de Curitiba fechará as portas”, afirma
o presidente da Casa, João Cláudio Derosso. Ele conta
que foi até Brasília e entregou um relatório ao
senador Valter Pereira, mostrando que a emenda não tem viabilidade
financeira. “É possível apertar os cintos, mas
não fazer uma restrição como essa que estão
propondo no Senado”, afirma.
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FOLHA DE LONDRINA, 16 de
abril de 2009 | Cidades
Entidades discutem o trabalho de menores
A Emenda Constitucional nº 20/98 (art.7º, inciso XXXIII), que trata
da proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores
de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos (salvo a condição
de aprendiz a partir dos 14 anos), será discutida em uma reunião
hoje, a partir das 15 horas, no Hotel Sumatra, em Londrina. Representantes
de entidades civis organizadas, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente,
Ministério do Trabalho, Vara da Infância e da Juventude e membros
de outras instituições ligadas ao assunto estarão presentes.
Para a promotora da Vara da Infância
e Juventude, Édina Maria de Paula, quando entrou em vigor, há dez
anos, a emenda não considerou a realidade brasileira. O argumento
era de que os adolescentes que entram no mercado de trabalho com 14 anos
iriam contribuir com 4 anos a mais do que o adolescente que começasse
a trabalhar com 18 anos e que tirariam o emprego de pais de família.
''Não houve um estudo técnico para confirmar essas informações.
A emenda foi criada e pronto''.
Segundo ela, os menores aprendizes
não têm estrutura suficiente para se preparar e entrar no
mercado de trabalho. ''Eles não têm escolarização
nem chance de ser inseridos no mercado de trabalho. Faz tempo que chamo
a atenção para este problema e acho que chegou a hora da
sociedade começar a refletir sobre o assunto.'' Édina afirma
que os adolescentes que não podem trabalhar ficam sem opção.
''Sou contra o trabalho infantil, mas acho que o ensino profissionalizante
deve ser feito a partir dos 12 anos e que eles sejam preparados de forma
adequada para o mercado de trabalho.''
Outra discussão levantada
pela promotora é que a determinação não vale
para todos. ''Por que algumas crianças podem apresentar programas,
fazer novela, desfilar e outras não podem entrar no mercado formal?'' Édina
afirma que todos os dias pais de menores vão até o Fórum
pedir autorização para que seus filhos possam trabalhar.
''Eles chegam desesperados, porque os filhos precisam trabalhar mas não
podem, porque a lei não permite.''
Marta Ortega
Reportagem Local
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UOL, 16 de abril de 2009
| Cotidiano
Trabalhadores da construção
pesada paralisam obras públicas na Bahia
Luiza Torres
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador
O mau tempo não impediu que cerca de 200 trabalhadores filiados ao Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada
e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav-BA) se reunissem em assembleia
nesta quarta-feira, em frente ao Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e decidissem
manter a greve iniciada na véspera.
Segundo a presidente da Força
Sindical, Nair Goulart, 20 mil operários paralisaram o trabalho
nas principais obras públicas do Estado, como o metrô de
Salvador, o gasoduto Gasene, a Via Portuária, obras de irrigação,
pavimentação e recapeamento de vias públicas e o
emissário Jaguaribe.
Goulart prevê que nesta quinta-feira o contingente de grevistas pode
subir para 28 mil, caso os cerca de 8.000 trabalhadores da obra do gasoduto
resolvam aderir ao movimento.
A prefeitura de Salvador pediu
aos cerca de 3.000 trabalhadores em greve na capital baiana que suspendam
a paralisação e retomem o serviço de pavimentação. "Com
a paralisação das atividades dos trabalhadores da construção
pesada, o serviço das 12 equipes coordenadas pela prefeitura e
espalhadas pela cidade foi suspenso, interferindo na aplicação
média de 200 toneladas de asfalto por dia. Hoje, os cerca de 80
homens, que compõem as equipes, atuariam na Paralela, Pituba,
Boca do Rio, na Avenida Juracy Magalhães, dentre outros",
diz a nota oficial assinada pelo prefeito João Henrique publicada
nesta quarta-feira.
De acordo com Goulart, desde
janeiro o Sintepav tenta negociar com o patronato. No total, foram realizadas
10 rodadas de negociações da Campanha Salarial 2009, com
data-base em 1º de março. As principais reivindicações
dos trabalhadores são: 14% de reajuste; cesta básica de
R$ 130; pagamento de horas extras com adicionais variando de 60% a 130%,
dependendo do dia da semana, contrato de experiência de 30 dias
e assistência médica e odontológica.
Em nota, o Sindicato Nacional
da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) não
citou o número de trabalhadores em greve e afirmou que está oferecendo à categoria
7,25% de aumento, o que representa 1% de ganho real sob a inflação. "A
porcentagem oferecida representa o máximo suportado pelas empresas,
especialmente neste momento de crise financeira internacional, com escassez
de crédito e a pré-fixação dos contratos
já fechados com o governo", diz a nota.
Com relação às
horas extras, na última convenção coletiva com o
sindicato dos trabalhadores, para o período de 2008/2009, ficou
estabelecido o pagamento de adicionais que variando de 50% a 100%.
O Ministério Público
do Trabalho marcou uma audiência de conciliação entre
representantes dos dois sindicatos para esta quinta-feira, às
8h30, na sede do MPT, no Corredor da Vitória.
Segundo o presidente Sintepav,
Bebeto Galvão o setor da construção cresceu 8% em
2008 no Brasil; na Bahia, no primeiro semestre de 2008, o crescimento
foi de 7,1%.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
16/04/2009
Terceira Turma afasta responsabilidade subsidiária
de autarquia municipal
A autarquia destinada à administração
do serviço municipal de saneamento da cidade de São José do
Rio Preto (SP) não foi considerada responsável subsidiária
pelas dívidas trabalhistas contraídas com um vigia pela
Frateli Engenharia Ltda., empresa com a qual firmara contrato de empreitada
para a construção de estação elevatória
de esgoto sanitário e de trecho interceptor de esgotos sanitários.
O julgamento, da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, modificou
decisão da Justiça do Trabalho da 2ª Região
(SP), que reconhecera a responsabilidade subsidiária do Serviço
Municipal Autônomo de Água e Esgoto – Semae.
A Terceira Turma afastou a responsabilidade
do Semae ao adotar o voto do juiz convocado Douglas Alencar Rodrigues,
relator do recurso de revista. Ele considerou, de acordo com os fatos
apresentados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região,
existirem os requisitos necessários para a aplicação
da Orientação Jurisprudencial nº 191 do TST, segundo
a qual o contrato de empreitada entre dono da obra e empreiteiro não
implica responsabilidade solidária ou subsidiária nas obrigações
trabalhistas contraídas pelo empreiteiro, exceto na situação
de o dono da obra ser uma empresa construtora ou incorporadora.
Segundo o trabalhador, ele foi
contratado em março de 2005, mas somente em julho de 2005 a Fratelli
assinou sua carteira de trabalho. Dispensado sem justa causa em fevereiro
de 2006, pleiteou o recebimento de horas extras, adicional noturno, salário
do último mês de trabalho e FGTS, décimo terceiro
salário e férias proporcionais referentes ao período
sem registro. Na reclamatória, incluiu o Serviço Municipal
de Água e Esgoto como responsável subsidiário, porque
foi admitido pela Frateli para exercer as funções de vigia
exclusivamente no Semae.
A empresa foi notificada por
edital, pois não estava mais estabelecida no endereço informado
pelo trabalhador, e acabou não comparecendo à audiência
de conciliação e julgamento. Assim, a 2ª Vara do Trabalho
de São José do Rio Preto declarou a revelia e confissão
da Frateli e condenou o Semae, subsidiariamente, pelas verbas deferidas
na sentença. Para o juízo de primeira instância,
a autarquia beneficiou-se dos serviços prestados pelo vigilante
e é culpado por contratar empresa inidônea financeiramente.
O Semae recorreu, pretendendo
sua exclusão da ação, e, para isso, alegou ter contratado
a empresa de engenharia por processo regular de licitação,
o que, segundo ele, isentaria a administração pública
de responsabilidade por encargos trabalhistas. O TRT da 15ª Região,
no entanto, ao manter a sentença, ressaltou que era obrigação
do contratante certificar-se da idoneidade econômico-financeira
das empresas intermediadoras de serviços que contrata. O Regional
concluiu, então, que a autarquia municipal “falhou na fiscalização
do cumprimento da legislação laboral quanto aos empregados
da empresa prestadora de serviços”.
Com o argumento que o contrato
de empreitada com a empregadora direta do vigia foi para a prestação
de serviços de construção civil, que não
se identificam com a sua atividade fim, o Semae recorreu ao TST. Salientou
que se enquadra não como tomador de serviços, mas como
dono da obra, sendo, portanto, inaplicável a responsabilidade
subsidiária. Assim também entendeu a Terceira Turma, pois,
ao reformar a decisão regional, considerou que o contrato foi
para “execução de obra certa”, entre dono de
obra e empreiteiro. ( RR-1141/2006-044-15-00.6)
(Lourdes Tavares)
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16/04/2009
Ocupante de cargo em comissão
não faz jus a aviso prévio e multa do FGTS
Mesmo com contrato regido pela
CLT e registro em sua carteira de trabalho, o ocupante de cargo em comissão
no serviço público não tem direito a aviso prévio,
FGTS e multa de 40%. Trata-se de contratação a título
precário, sem nenhuma garantia, pois, de acordo com o artigo 37,
inciso II, da Constituição Federal, o cargo é de
livre nomeação e exoneração. Com esse fundamento,
a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a recurso
do Município de Araraquara e o absolveu da condenação
ao pagamento dessas verbas.
Após um ano de exercício
na Câmara Municipal de Araraquara (SP), de 11/09/2001 a 26/09/2002,
como “auxiliar legislativo substituto”, cargo comissionado
e de livre exoneração, o trabalhador foi dispensado (exonerado).
Por imaginar ter direito a diversas verbas trabalhistas, ele moveu ação
de caráter condenatório contra o Município de Araraquara.
O juiz da 2ª Vara do Trabalho de Araraquara concluiu injusta sua
dispensa e deferiu seus pedidos.
Ao recorrer ao Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), o município
alegou que o servidor, por ter ocupado cargo em comissão, era
passível de demissão ‘ad nutum’ (condição
unilateral de revogação ou anulação de ato),
e que a exoneração não se confundia com a dispensa
imotivada dos empregados públicos comuns.
O Regional entendeu que a relação
havida entre as partes foi, sem dúvida, regida pela CLT, diante
das anotações em sua carteira de trabalho, os depósitos
do FGTS, a concessão de férias durante a vinculação
e a quitação de verbas rescisórias por meio do termo
de rescisão de contrato de trabalho (TRCT). E ainda, que, o fato
de o auxiliar legislativo poder ser dispensado a qualquer tempo não
lhe retira o direito às verbas que pleiteou. Para o Regional,
a alegação do município deque o contrato seria por
prazo determinado não se sustentava. Manteve, por essas razões,
a sentença de primeiro grau.
O município recorreu então
ao TST. O ministro Márcio Eurico, relator do processo, votou no
sentido da reforma do acórdão regional, excluindo da condenação
o pagamento do aviso prévio e reflexos, FGTS e multa de 40%. Ele
observou que o TST tem adotado o entendimento de que o ocupante de cargo
comissionado, mesmo em contrato regido pela CLT, não faz jus às
referidas verbas. ( RR-707/2003-079-15-40.8)
(Lourdes Côrtes)
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16/04/2009
Brasil Telecom pagará intervalo
não concedido a empregada que fazia hora extra
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho condenou a Brasil Telecom S/A (Telepar) a indenizar uma ex-empregada
pela não concessão dos 15 minutos de descanso a que as
mulheres têm direito antes da prorrogação do seu
horário normal de trabalho. O benefício está previsto
na CLT no capítulo que trata proteção ao trabalho
da mulher (artigo 384), cuja recepção pela Constituição
de 1988 foi reconhecida recentemente pelo Pleno do TST, por maioria de
votos, em julgamento que unificou a jurisprudência do Tribunal
sobre a questão.
Relatora do recurso, a ministra
Kátia Arruda rejeitou o argumento da empresa de que o benefício
teria caráter discriminatório em razão da igualdade
entre homens e mulheres prevista na Constituição. “Não
se trata aqui de discutir a igualdade de direitos e obrigações
entre homens e mulheres, mas sim de resguardar a saúde da trabalhadora,
diante das suas condições específicas impostas pela
própria natureza. A mulher não é diferente como
força de trabalho, pode desenvolver com habilidade e competência
as atividades a que se dispuser ou que lhe sejam impostas. No entanto,
o legislador procurou amparar a mulher concedendo-lhe algumas prerrogativas
voltadas para a proteção da sua natureza fisiológica”,
afirmou.
Em seu voto, a ministra transcreve
decisão do ministro Ives Gandra Martins Filho no mesmo sentido,
em que este afirmou que “a igualdade jurídica e intelectual
entre homens e mulheres não afasta a natural diferenciação
fisiológica e psicológica dos sexos, não escapando
ao senso comum a patente diferença de compleição
física entre homens e mulheres”. Além disso, ressalta
que o maior desgaste natural da mulher foi considerado pelos próprios
constituintes em 1988, quando garantiram diferentes condições
para a obtenção da aposentadoria, com menos idade e tempo
de contribuição previdenciária para as mulheres.
No recurso julgado pela Quinta
Turma do TST também foi discutido, entre outros pontos, a correta
aplicação do divisor para obtenção do cálculo
do salário-hora. O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) havia aplicado o divisor 220 por considerar que, embora a Brasil
Telecom não exigisse trabalho aos sábados, o salário
normal pago a seus trabalhadores os remunerava pela jornada normal legal
de 44 horas semanais. O recurso da trabalhadora também foi acolhido
neste item. A ministra Kátia Arruda determinou a aplicação
do divisor 200, porque o valor do salário-hora deve ser obtido
mediante cálculo aritmético que leve em consideração
a jornada semanal efetivamente cumprida. ( RR 3.888/2000-071-09-00.9)
(Virginia Pardal)
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