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AGÊNCIA DIAP, 17 de
abril de 2009
PL 1: projeto do salário mínimo
está pronto para votação em plenário
O projeto de lei é produto do tensionamento no Governo sobre o tema
pelas centrais sindicais. Foi objeto de proposta nas primeiras edições
das marchas em Brasília realizadas pelo movimento sindical, sob a coordenação
das centrais sindicais, que elaboraram o conteúdo da proposta
O Projeto de Lei 1/07, do Executivo, que estabelece diretrizes para uma política
de valorização do salário mínimo de 2008 a 2023
está pronto para votação no plenário da Câmara.
O projeto de lei é produto do tensionamento no Governo, sobre o tema,
pelas centrais sindicais. Foi objeto de proposta nas primeiras edições
das marchas em Brasília realizadas pelo movimento sindical, sob a coordenação
das centrais.
Desse modo, logo no início
do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em
2007, o Governo encaminhou para discussão no Congresso o Projeto
de Lei 1, cujo conteúdo foi proposto pelas centrais sindicais.
Na segunda fase de discussão
da matéria na Câmara há uma polêmica. Aprovado
em primeira fase na Casa, foi remetido ao Senado, que aprovou uma emenda do
senador Paulo Paim (PT/RS), que atualiza os benefícios da Previdência,
paritariamente, com base no reajuste do mínimo.
Como é sabido, esse reajuste
dado ao mínimo só alcança hoje os benefícios
previdenciários até um salário mínimo. A
emenda Paim é para que o reajuste alcance a integralidade dos
benefícios previdenciários - paridade - aposentadorias
e pensões.
O Governo é contrário à emenda
e já avisou que caso seja aprovado com a emenda Paim irá vetá-la,
pois entende que o caixa da Previdência não suporta esse
impacto.
Em reunião com o presidente
Michel Temer (PMDB/SP), o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), que
também é presidente da Força Sindical, pediu para
votar a matéria, pois ele entende que o projeto garante sustentabilidade
e poder de compra ao salário mínimo, sobretudo nesse momento
de crise, em que os setores empresariais querem que os trabalhadores
paguem a conta. (Marcos Verlaine)
Clique aqui e
entenda o projeto do Governo.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
Lula não duplicará o
poder de compra do mínimo
Promessa, feita no primeiro mandato, vai
ficar pela metade; com o reajuste previsto na LDO para 2010, ganho
real será de 52,3%
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo favorecido por um período
de prosperidade mundial e recordes na receita tributária, o presidente
Lula não conseguirá cumprir em oito anos de governo uma
das principais promessas de sua primeira gestão -duplicar o poder
de compra do salário mínimo.
Lula levará o dobro do tempo para cumprir metade da meta, como indica
o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010, recém-enviado
ao Congresso. No texto, estima-se, com precisão de centavos, que o oitavo
e último reajuste do mínimo a cargo do petista elevará o
valor a R$ 506,44 em 1º de janeiro do próximo ano.
Trata-se de aumento de 5,1% acima da inflação definido em plena
crise econômica, que, somado aos promovidos nos sete anos anteriores,
resultará em ganho de exatos 52,3%.
Como sugerem a popularidade do presidente e o buraco nas contas da Previdência
Social, o índice é grande o bastante para fazer cair no esquecimento
a promessa dos tempos de oposição -que só poderia ser
cumprida na hipótese inimaginável de elevação do
mínimo para R$ 665, ao custo de R$ 36 bilhões, ou três
anos de PAC, em gastos adicionais com aposentadorias, pensões, benefícios
assistenciais e seguro-desemprego.
O valor usado na LDO não é uma imposição legal.
Lula pode, como já fez antes, conceder reajuste maior, ainda mais atraente
em ano eleitoral. Mas o que está previsto é suficiente para atestar
que os beneficiários do mínimo elevaram sua participação
na renda nacional, não só durante os anos petistas mas desde
que a inflação foi controlada pelo Plano Real.
Nos dois mandatos de FHC (1995-2002), o mínimo recebeu reajustes reais
médios de 4,7% ao ano, enquanto o PIB avançava a 2,2% anuais.
Sob Lula, o ritmo de aumento subiu para 5,4%, para um crescimento econômico
médio de 4,1% até o ano passado e agora em queda. Na velocidade
tucana, o mínimo dobraria de valor em 15 anos; na petista, em 13.
Juntos, os arquirrivais promoverão aumento de pelo menos 120%, enquanto
o PIB não chegará à metade disso.
As médias escondem, porém, uma trajetória errática
na recuperação do poder de compra do mínimo. Só a
partir de 2008 foi seguida uma política coerente de reajustes, que agora
está ameaçada pela crise.
Pressões dos partidos aliados no Congresso levaram FHC a conceder um
megarreajuste de 22,6% em 1995, seguido por dois anos de perdas reais; Lula
iniciou seu primeiro mandato com índice magro de 1,2% até chegar
a 13% em 2006.
Nos últimos dois anos foi seguida uma regra que fixa como índice
de aumento real a variação do PIB de dois anos antes -justamente
o que permite estimar com a segurança possível o valor de 2010.
No entanto, essa mesma regra, se mantida, deverá levar o sucessor de
Lula a conceder um reajuste muito próximo de zero em seu primeiro ano
de governo.
Mínimo paulista
Em 1º de maio entrarão em vigor os novos pisos salariais em São
Paulo. Eles serão de R$ 505 (hoje, R$ 450), R$ 530 (R$ 475) e R$ 545
(R$ 505).
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AGÊNCIA DIAP, 17 de
abril de 2009
Pochmann diz que o País pode
criar até 650 mil empregos formais
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann, afirmou que é forte a possibilidade de o PIB brasileiro registrar
crescimento ao redor de 2% neste ano, expansão que deverá ser
responsável pela criação de 600 mil a 650 mil empregos
formais neste ano.
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, afirmou também que é possível que o Brasil
registre uma taxa de expansão de 2% em 2009.
"A criação
de 600 mil postos formais de trabalho é razoável diante
da forte retração da economia mundial causada pela crise
internacional, que provocou um recuo intenso do comércio internacional,
diminuição dos investimentos e menor consumo interno",
comentou.
Para Pochmann, contudo, a desaceleração
da economia doméstica em função da crise financeira
global levará à expansão do desemprego em 2009.
No ano passado, o país
cresceu 5,1%, o que permitiu a geração de 1,452 milhão
de empregos formais, fato que levou a taxa de desocupação
medida pelo IBGE à média de 7,9%.
"Com uma expansão
do PIB de 2% neste ano, é possível imaginar que a média
da Pesquisa Mensal de Emprego deve subir ao redor de um ponto percentual",
disse.
Na avaliação
do presidente do Ipea, um dos fatores que vão colaborar de forma
expressiva para a melhora das perspectivas do crescimento neste ano é o
avanço dos investimentos do Governo Federal. (Fonte: Monitor
Mercantil)
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AGÊNCIA DIAP, 17 de
abril de 2009
Empregos no Brasil duram menos de dois
anos, diz pesquisa da UnB
40% das pessoas que trabalham com carteira assinada perdem o emprego todos
os anos, uma taxa altíssima de rotatividade. 50% dos empregos duram
menos de 24 meses; 25% duram menos de oito meses. Apenas 25% têm duração
maior que cinco anos, segundo dados do Caged
Metade dos trabalhadores brasileiros
fica menos de dois anos no mesmo emprego. Essa é uma das conclusões
da pesquisa feita por Roberto Gonzalez, sociólogo e mestre em
Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). A dissertação
de mestrado Flexibilidade e Permanência - A Duração
dos Empregos no Brasil foi defendida nesta semana, no Departamento de
Sociologia da instituição.
O estudo reuniu dados da Pesquisa
de Emprego e Desemprego, feita anualmente pelo Dieese, referentes ao
Distrito Federal e à região metropolitana de São
Paulo, entre os anos de 1992 a 2006.
Gonzalez concentrou o levantamento
nos trabalhadores de carteira assinada do setor privado. Ele calculou
que 50% dos empregos duram menos de 24 meses; 25% duram menos de oito
meses. Apenas 25% têm duração maior que cinco anos.
Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados),
40% das pessoas que trabalham com carteira assinada perdem o emprego
todos os anos, uma taxa altíssima de rotatividade.
Preço
da mão de obra é menor
Estudos clássicos apontam que a mudança constante de funcionários
nas empresas tende a impedir o aumento da produtividade. Como consequência,
o preço da mão de obra é menor.
A pesquisa demonstrou, no entanto,
que houve um aumento na duração média dos empregos.
No Distrito Federal, a taxa de permanência cresceu 26% de 1992
a 2006, enquanto em São Paulo, o índice foi da ordem de
6% em 15 anos. Porém, só os trabalhadores adultos com mais
tempo de trabalho se beneficiaram disso. No caso dos jovens, a rotatividade
aumentou.
Ou seja, quanto mais tempo um
trabalhador permanece na empresa, mais estável será seu
emprego. Segundo Gonzalez, esse fenômeno tem pouco a ver com o
nível de escolaridade dos profissionais. "Trabalhadores com
ensino superior completo não necessariamente têm maior tempo
de permanência no emprego", diz o pesquisador.
Valor
dos salários
A pesquisa também constatou que, tanto nas empresas grandes como nas
pequenas, o tempo de emprego aumenta o valor dos salários. Pessoas que
têm 10 anos no mesmo cargo ganham salários até três
vezes maiores dos que têm menos de um ano de casa.
O pagamento de salários
mais altos em função da antiguidade é uma característica
do modelo trabalhista usado pela Toyota, indústria automobilística
japonesa, modelo que inspirou diversas teorias em voga nos anos 1980.
"A perspectiva de ascensão
dentro da empresa era um aspecto importante da relação
entre gerência e empregados. Isso estimulava a adesão dos
trabalhadores aos princípios da gestão e também
desviava o conflito entre os dois grupos", afirma Gonzalez.
Mais
estáveis
Os empregos mais estáveis estão na indústria de transformação.
Nessa área, a permanência média nos cargos é de
49 meses no DF e 61 meses em São Paulo. Na avaliação de
Gonzalez, isso se deve principalmente à natureza técnica do trabalho,
em que a experiência influi diretamente na produtividade; e também
pelo fato de que os trabalhadores do setor são mais organizados em sindicatos.
No caso do setor de comércio,
a duração média do emprego em 2006 era de 34 meses
no DF e 42 meses em São Paulo.
A pesquisa aponta também
que, em períodos de maior crescimento econômico (como os últimos
anos antes da eclosão da crise mundial), a tendência é que
haja mais rotatividade de empregos. No período entre 2004 e 2008,
embora a taxa de desemprego tenha diminuído, o número de
demissões aumentou.
Na defesa da dissertação,
a professora Astrid Küchemann elogiou a habilidade do pesquisador
em trabalhar com números, algo que estava em desuso na Sociologia
nos últimos anos. Segundo ela, a análise quantitiva foi
estigmatizada como uma abordagem positivista, mas Gonzalez soube trabalhar
bem os dados. "Em alguns momentos, eu me senti como se estivesse
lendo O Suicídio de Durkhein", compara a professora. (Fonte:
Secom UnB)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
Habitação: Pacote terá R$
5 bilhões para infraestrutura
Como parte do programa habitacional
anunciado no mês passado, o governo decidiu liberar R$ 5 bilhões
para as construtoras realizarem obras de infraestrutura nos terrenos
onde se localizarem as novas moradias. A autorização foi
dada ontem pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Os recursos
virão do BNDES. Os empréstimos serão subsidiados
pelo Tesouro Nacional e terão juros equivalentes à TJLP
(Taxa de Juros de Longo Prazo), hoje em 6,25% ao ano, mais um adicional
de 1%.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
Foco
Movimento em posto da Cohab cresce
10 vezes com programa do governo
DO "AGORA"
O posto da Cohab-SP (Companhia
Metropolitana de Habitação), na região central,
está recebendo cerca de 400 interessados diariamente para se cadastrar
no programa "Minha casa, minha vida", do governo federal, que
começou na segunda-feira.
Para participar, as famílias que ganham até três salários
mínimos (R$ 1.395) devem se inscrever e aguardar serem chamadas. Esse
movimento aumentou em dez vezes: antes do programa, cerca de 40 a 50 atendimentos
eram feitos. Já há 11.706 novos cadastros, feitos desde o dia
26, um dia depois do anúncio do pacote.
Segundo um funcionário, que entrega as senhas aos interessados, há famílias
que chegam de madrugada. "É preciso que elas saibam que não é a
ordem de cadastramento que garantirá a casa, e sim uma análise
dos dados da inscrição", disse Aleandro Lacerda Gonçalves,
presidente da Associação Brasileira das Cohabs. O programa do
governo federal, no entanto, não dará nenhuma prioridade na fila
em relação às famílias já cadastradas antes.
Até o fim de maio, acrescentou, essa fase de cadastramento deverá ter
terminado, quando, então, será possível as obras começarem.
Para o secretário estadual de Habitação de São
Paulo, Lair Krähenbühl, há falhas nas plantas das casas e
dos apartamentos do programa. "Os pisos não são inteiramente
revestidos, o que pode causar infiltrações de um andar para outro",
disse no fórum nacional de secretários de Habitação
na capital paulista.
Para a arquiteta Adriana Levisky, da Asbea (associação dos escritórios
de arquitetura), seria um erro o governo continuar com o modelo de conjuntos
habitacionais que só depositam gente. "O programa só pensou
no custo da obra, não na condição da moradia." Outro
ponto criticado é o tamanho: 32 m2 (casas) e 37 m2 (apartamentos) de área
interna. Segundo Nabil Bonduki, da Faculdade de Arquitetura da USP, é possível
que uma família de, no máximo, quatro integrantes, viva nessa área.
(JULIANA COLOMBO)
Com ANNA CAROLINA CARDOSO,
colaboração para o "Agora"
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GAZETA DO POVO, 17 de abril
de 2009 | Economia
Habitação
Estados querem mudar o Minha Casa,
Minha Vida
Guido Orgis, com agências
Companhias habitacionais públicas (Cohabs) e secretários de diversos
estados apresentaram ontem a proposta para que o governo federal permita que
eles executem obras pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Representantes de
Cohabs e das secretarias participam nesta semana do Fórum Nacional de
Habitação de Interesse Social, em São Paulo, onde pediram
ao Ministro das Cidades, Marcio Fortes, que incluísse seus projetos
no programa federal.
O argumento dos secretários é que
a inclusão de projetos já em andamento daria mais agilidade
ao programa. O secretário da Habitação de São
Paulo, Lair Krähenbühl, por exemplo, disse que o estado tem
20 mil unidades em projetos aprovados e que poderiam ser construídas
imediatamente, caso o governo federal repassasse os recursos diretamente
para os estados, e não somente para as construtoras.
Segundo o Minha Casa, Minha Vida,
os agentes estaduais e municipais podem oferecer terrenos e cadastrar
as famílias para o programa. A construção das casas
fica a cargo da iniciativa privada, enquanto o financiamento é repassado
pela Caixa Econômica Federal. Ontem, o ministro Marcio Fortes manifestou
que não pretende mudar essas regras.
De acordo com o presidente da
Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Rafael
Greca, o estado tem 15 mil lotes em projetos aprovados à espera
de recursos e que não poderão ser usados no Minha Casa,
Minha Vida. Mas ele não critica o posicionamento do governo federal. “Estou
satisfeito em organizar os projetos na região metropolitana de
Curitiba. É uma chance única para a região escapar
da favelização”, afirma. No momento, a Cohapar trabalha
em conjunto com Copel, Sanepar e Instituto Ambiental do Paraná (IAP)
na identificação das áreas oferecidas até agora
por 19 prefeituras e pelo governo do estado. Ao todo, são 12 mil
lotes. “Vamos ver a situação legal dos terrenos e
o acesso deles à infraestrutura básica.”
O próximo passo
será o cadastramento das famílias interessadas. O processo
ainda depende de um acerto entre prefeitos e Cohapar para a seleção
dos beneficiados. No momento, a prioridade é acelerar a liberação
dos lotes. Ontem, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) reduziu
para 30 dias o prazo para a concessão de licenças ambientais
aos projetos.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
Lula confirma que poupança terá rendimento
reduzido
Investimento poderá ter incidência
de IR ou faixas diferenciadas de correção | Preocupação é que,
com a queda dos juros, caderneta renda mais que os fundos, o que
traria dificuldade para governo refinanciar dívida
SIMONE IGLESIAS
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva confirmou ontem que o governo irá mudar o cálculo
do rendimento da caderneta de poupança e reduzir os juros pagos
aos poupadores.
" Daqui a pouco as grandes multinacionais vão querer colocar o dinheiro
na poupança. Vamos discutir tudo com muita cautela. Primeiro, precisamos
proteger o pequeno poupador. Segundo, nós não podemos permitir
que pessoas que têm muito dinheiro utilizem o dinheiro para aplicar na
poupança", disse o presidente.
A Folha apurou que há duas alternativas prováveis para reduzir
o rendimento da caderneta. Uma delas é criar faixas diferenciadas de
rendimento, dependendo dos valores depositados. A outra é passar a cobrar
IR (Imposto de Renda) dos grandes poupadores. A decisão deve ser tomada
em aproximadamente dois meses.
A mudança é necessária por causa da queda nos juros, que
deve continuar nos próximos meses. Se a taxa fixada pelo Banco Central,
hoje em 11,25%, cair abaixo de 9% ao ano, os técnicos estimam que a
poupança renderá mais que os fundos de investimento.
Isso ocorre porque o rendimento da caderneta é fixado em lei -6% ao
ano mais a variação da TR (Taxa Referencial)- e é isenta
de impostos. Já as aplicações feitas em fundos de investimento
seguem de perto a taxa de juros de mercado, mas são tributadas. Entre
os desequilíbrios que essa diferença pode causar, estão
a dificuldade de o governo refinanciar sua dívida e possível
redução no dinheiro disponível para empréstimos
pelos bancos.
Juros mais baixos
Uma medida provisória pode ser editada para criar diferentes percentuais
de rendimento para os poupadores. Os grandes depositantes receberiam juros
mais baixos, enquanto os menores teriam um rendimento mais elevado, mas ainda
abaixo de 6% ao ano.
O problema é que, se os juros continuarem caindo, os novos percentuais
também acabarão sendo elevados num cenário de taxas baixas.
Também não há consenso no governo sobre o que seriam os
valores de pequenos e grandes poupadores. A cobrança do IR seguiria
esse mesmo raciocínio, com isenção para os depósitos
de baixo valor e tributação aos mais altos.
Do ponto de vista técnico, a alternativa seria substituir os juros fixos
por um percentual do que é cobrado no mercado financeiro. A dificuldade
nesse caso é que, como o dinheiro da poupança é usado
para financiar a compra de imóveis, uma elevação nos juros
pode tornar as prestações impagáveis para os mutuários.
Diante dos problemas ganha força uma medida paliativa: a aplicação
continuaria rendendo juros de 6%, mas a TR, que também compõe
a correção total, seria reduzida ainda mais. Com isso, o governo
poderia ganhar de seis meses a um ano antes de propor alteração
definitiva no cálculo do rendimento da caderneta de poupança.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
Mudar poupança pode render desgaste
político ao governo
Proposta de alterar rendimento terá de
passar pelo Congresso, e técnicos veem chance de resistência
da própria base aliada | Guido Mantega (Fazenda) afirma que
mudanças em estudo para a caderneta vão preservar os
interesses da maioria dos poupadores
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo terá que negociar
com o Congresso caso decida reduzir os juros de 6% ao ano garantidos
por lei aos depositantes da poupança. Uma mudança na TR
(Taxa Referencial), que também entra no cálculo do rendimento
da caderneta, não precisaria ser apreciada pelos congressistas.
Mesmo que a alteração seja feita por meio de medida provisória
e entre em vigor imediatamente, deputados e senadores poderão
alterar a proposta do governo.
O desgaste político é uma das dificuldades que estão sendo
avaliadas antes da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Além de dar argumentos para que a oposição critique
o governo pela redução no rendimento da caderneta de poupança,
os técnicos consideram que pode haver resistências à medida
na própria base de apoio ao governo.
O desequilíbrio entre o rendimento da poupança e o dos fundos
de investimentos não é uma história nova.
Em 2007, por exemplo, o CMN (Conselho Monetário Nacional) alterou a
fórmula de cálculo, e o rendimento da caderneta foi reduzido
em 0,5 ponto percentual num ano.
A justificativa também foi a queda nos juros, e o BC afirmou que a medida
era um "ajuste técnico". A diferença é que agora
uma alteração na fórmula de cálculo não
resolverá o problema em definitivo. Será preciso mudar a lei.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as mudanças na poupança
preservarão os interesses da grande maioria dos poupadores. "O
governo vai continuar garantindo poupança como bom investimento, totalmente
seguro, garantido. O pequeno investidor não vai ter prejuízo
com isso."
Questionado sobre quem é o pequeno poupador, Mantega afirmou que existem
várias hipóteses em estudo, mas que 95% das pessoas que têm
aplicação hoje não serão afetadas. "Pode ter
migração de grandes investidores para a poupança. Mas
o presidente Lula determinou que os pequenos investidores, que correspondem
a 95% das cadernetas sejam preservadas."
FGTS
Além da caderneta de poupança, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço) também tem rendimento fixado em lei. Mas a discussão
não é tão urgente porque o trabalhador recebe juros de
3% ao ano acima da TR, o que representa apenas a metade da poupança.
O atual processo de redução da taxa básica da economia,
iniciado em janeiro, deu novo alento à discussão sobre os riscos
que a poupança pode representar para o mercado de fundos de investimento.
Isso porque a diminuição da taxa Selic estreita a diferença
entre os retornos oferecidos por fundos que pagam juros, como os DI e de renda
fixa, e a poupança.
Se forem considerados apenas os ganhos brutos, os retornos dos fundos DI e
da poupança ainda são bem diferentes. Para o ano, a poupança
garante retorno mínimo de 6%, enquanto os fundos devem pagar algo em
torno de 10%. Mas a poupança tem uma vantagem sobre os fundos: não
cobra nem Imposto de Renda nem taxa de administração, que engolem
parte dos ganhos dos fundos.
Considerados esses custos extras que estão presentes nos fundos de investimento,
a poupança já está em um nível em que começa
a se tornar mais interessante que os fundos de investimento em alguns casos.
Simulação feita pelo economista José Dutra Vieira Sobrinho
mostrou que, com a taxa Selic a 10,25%, somente as aplicações
que cobrem uma taxa de administração de 1% serão mais
atraentes que a poupança.
Nos próximos dias 28 e 29, o Copom (Comitê de Política
Monetária, formado por diretores e o presidente do BC) realizará reunião
para definir como fica a Selic. A expectativa é que a taxa caia dos
atuais 11,25% para 10,25% anuais.
Colaborou FABRICIO VIEIRA,
da Reportagem Local
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
FGTS libera R$ 4 bi para saneamento
e transporte
Desse total, R$ 1 bi será usado para
troca de ônibus
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo federal publica hoje
no "Diário Oficial" da União a resolução
593 a partir da qual libera oficialmente R$ 4 bilhões do FGTS
para uma nova carteira destinada a financiar investimentos em saneamento
básico e transporte público ao longo de 2009.
A medida, aprovada no dia 24 de março pelo Conselho Curador do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço, prevê a divisão dos recursos
em duas partes. Dos R$ 4 bilhões alocados agora, R$ 3 bilhões
serão usados para o rol de projetos de saneamento e R$ 1 bilhão
para troca de ônibus usados no transporte público.
O mercado considerou pequeno o volume de recursos. Só a Sabesp, maior
empresa de saneamento do país, tem demandas para metade dos R$ 3 bilhões.
O financiamento traz uma novidade. Será considerado investimento e portanto
ficará fora dos limites fiscais do governo federal. O FGTS já dispõe
de uma linha tradicional para saneamento no valor de R$ 8 bilhões, mas
esses recursos possuem restrições para sua aplicação.
A resolução foi assinada ontem, na sede da Abdib (Associação
Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), em São Paulo,
pelos ministros do Trabalho, Carlos Lupi, e das Cidades, Márcio Fortes.
Segundo os ministros, os recursos poderão ser acessados por empresas
públicas e privadas mediante a oferta de garantias financeiras previstas
em mercado, como a emissão de debêntures ou certificados de recebíveis.
O Fundo de Garantia fica com esses papéis como garantia do empréstimo.
Segundo a resolução, os juros previstos serão de 7% ao
ano mais TR (Taxa Referencial). A divisão dos 7% será feita da
seguinte forma: 6% ao ano destinos à remuneração do capital
do FGTS e 1% ao ano pela taxa de risco do crédito assumido pelo agente
operador. A linha financiará até 90% do projeto de saneamento
ou de compra de veículos. O governo espera que a operacionalização
do novo financiamento gere ou mantenha 260 mil empregos.
Jackson Schneider, presidente da Anfavea (associação de montadoras),
elogiou a oferta de recursos baratos para movimentar o atual anêmico
mercado de ônibus. De janeiro a março, segundo a associação,
apenas 4.500 unidades foram licenciadas no país, contra 5.000 no mesmo
período do ano passado.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
17 de abril de 2009 | Dinheiro
Crise reduz arrecadação
em R$ 11 bilhões
Governo federal deixou de recolher, entre
janeiro e março, receita equivalente ao gasto anual com o
Bolsa Família
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A arrecadação federal
caiu, em março, pelo quinto mês consecutivo. No primeiro
trimestre, o recolhimento de tributos foi R$ 11 bilhões menor
do que o do mesmo período de 2008. Significa que o governo deixou
de arrecadar, em três meses, o valor gasto em um ano com o programa
Bolsa Família.
A queda na arrecadação é reflexo da crise internacional
sobre a economia brasileira. Se as empresas têm faturamento menor, por
exemplo, o recolhimento de tributos também cai.
Além disso, a Receita Federal calcula que deixou de recolher R$ 3,1
bilhões com as desonerações concedidas no pós-crise:
a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), do
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a nova tabela do
IR das pessoas físicas.
Com as desonerações anteriores, a renúncia fiscal soma
R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre, pelos cálculos do fisco.
Apesar do desempenho ruim do primeiro trimestre, a intensidade da queda da
arrecadação foi menor em março do que nos outros meses
pós-crise. Em relação a março de 2008, a redução
real da receita (descontados os efeitos da inflação) foi de 1,1%,
somando R$ 53,2 bilhões. Sem descontar a inflação, ou
seja, pelo cálculo chamado de preços correntes, a arrecadação
subiu 4,43% em março.
A equipe técnica da Receita admite que a melhora não reflete
recuperação da economia brasileira, e sim um fator atípico:
a postergação do pagamento dos impostos anuais que incidem sobre
o lucro. Ou seja, ainda não é possível prever a tendência
de 2009, disse o coordenador-geral de estudos, previsão e análise
da Receita, Marcelo Lettieri.
" Ainda não dá para dizer que houve recuperação
da arrecadação. Em abril, poderemos ter uma ideia do comportamento
neste ano. Agora, não tem mágica. Ninguém tem dúvida
de que essa é a maior crise da nossa geração", afirmou
Lettieri.
Francisco Lopreato, especialista em contas públicas da Unicamp, acredita
em recuperação econômica, ainda que lenta. "Conforme
o ano vai avançando, a crise [econômica] vai reduzindo seus efeitos.
Podemos chegar ao fim do ano em uma situação ainda muito ruim,
mas apontando para resultados melhores em 2010."
Lettieri explicou que, no ano passado, as empresas estavam com dinheiro em
caixa e, assim, preferiram pagar em janeiro os tributos sobre o lucro (CSLL
e IR). Neste ano, com menos dinheiro em caixa, deixaram o pagamento para março,
mês do vencimento, o que inflou os números em comparação
ao mesmo período do ano passado.
O setor de veículos, beneficiado pela desoneração, pagou
90,9% menos de IPI em março.
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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de abril de 2009 | Economia
Mercedes-Benz concede licença
a 1,2 mil empregados
Agência Estado
A montadora Mercedes-Benz vai conceder, de amanhã ao dia 3 de maio,
licença remunerada para cerca de 1,2 mil empregados da produção
de caminhões e chassis de ônibus, da fábrica de São
Bernardo do Campo, no ABC paulista. A empresa também iniciou na última
segunda-feira um programa de demissão voluntária (PDV) na mesma
unidade, que vai até 15 de maio. De acordo com a montadora, o motivo é a
queda de 50% nas exportações de veículos comerciais.
Com as medidas, a Mercedes-Benz
pretende adequar o volume de produção à realidade
do mercado. O PDV também é direcionado a todos os funcionários
horistas da produção. Não há uma previsão
de quantos devem aderir. A empresa oferece para os voluntários
quatro salários nominais adicionais e manutenção
do convênio de assistência médica por três meses.
A unidade de São Bernardo do Campo tem mais de 12 mil trabalhadores.
A licença e o PDV são mecanismos previstos no acordo coletivo
dos metalúrgicos. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi
procurado pela Agência Estado, mas não se pronunciou até as
12h30.
Vale
A mineradora Vale informou hoje
que colocou 440 funcionários em licença remunerada com
redução de 50% do salário desde fevereiro, quando
assinou com 15 sindicatos um acordo para flexibilização
das normas trabalhistas. O objetivo da medida, segundo a empresa, é evitar
novas demissões nesse momento de forte queda da demanda mundial
por minério de ferro e metais.
Desde o agravamento da crise
internacional em setembro, a Vale já adotou várias medidas
para tentar se ajustar ao novo cenário. No final de outubro, a
companhia anunciou cortes em sua produção no Brasil e no
exterior, especialmente nos segmentos de minério de ferro e níquel.
Em novembro, novas medidas foram tomadas, desta vez envolvendo corte
de pessoal. A Vale demitiu 1,3 mil trabalhadores e deu férias
coletivas a outros 5,5 mil funcionários.
Para evitar novas demissões
nesse período de retração econômica, 15 sindicatos
que representam os 38 mil empregados da empresa aceitaram o acordo de
licença remunerada proposto pela companhia no mês de janeiro.
O pacto tem validade até 31 de maio. O objetivo é adiar
a decisão da companhia de novos cortes de pessoal na expectativa
de uma possível recuperação do setor.
A Vale informou ainda outra
medida que vem sendo adotada para minimizar o problema é transferência
de trabalhadores entre áreas da companhia. Desde o início
do ano, 1,6 mil funcionários já foram transferidos na
empresa.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/04/2009
Ferroviário em sobreaviso tem direito à remuneração
em dobro no fim de semana
A expectativa da realização
do trabalho pelo empregado em regime de sobreaviso nos fins de semana
dá direito ao pagamento dobrado da remuneração.
Essa foi a tese que amparou decisão da Sétima Turma do
Tribunal Superior do Trabalho ao conhecer de recurso de ex-ferroviário
contra a Ferroban – Ferrovias Bandeirantes S/A.
O ex-funcionário cumpria
jornada de trabalho as 7h às 17h30 de segunda a quinta-feira e, às
sextas-feiras, das 7h às 16h30. Em finais de semana, fazia escala
permanecendo à disposição da empresa para eventual
chamado durante 48h consecutivas, de meia-noite de sábado até as
24 horas de domingo, deixando de usufruir o descanso semanal estabelecido
na Constituição. Em razão dessas escalas, realizava
em média dois finais de semana por mês de sobreaviso, recebendo
o pagamento do respectivo adicional.
Depois da demissão em
22/02/99, o trabalhador entrou com ação trabalhista na
1ª Vara do Trabalho de Santos (SP), pedindo o pagamento em dobro
dos descansos semanais não usufruídos. O pedido baseou-se
na interpretação dos artigos 1° e 9° da Lei nº 605/1949,
que estabelecem o direito ao repouso semanal de 24h consecutivas, preferencialmente
aos domingos, e ao pagamento em dobro dos dias trabalhados em feriados
civis e religiosos. Contudo, a sentença de primeiro grau deu interpretação
diversa aos dispositivos, no sentido de que as horas deveriam ser pagas
como extras, aspecto comprovado pela empresa, e julgou improcedente o
pedido.
Insatisfeito, o ex-funcionário
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP),
que manteve a decisão de primeiro grau. O TRT ressaltou que o
sobreaviso ficou comprovado por meio dos cartões de ponto diante
dos documentos, mas que o excesso de jornada além das vinte e
quatro horas nos finais de semana implicaria o pagamento de horas extras.
O ex-ferroviário buscou
então o TST questionando a decisão do regional. A Sétima
Turma aceitou o recurso e condenou a Ferroban ao pagamento do repouso
semanal remunerado de forma dobrada. O voto do ministro relator do processo,
Pedro Paulo Manus, destaca que os artigos 1° e 9° da Lei nº 605/1949
foram, sim, desrespeitados, fazendo o trabalhador jus ao pagamento dobrado
da remuneração do dia de repouso, em decorrência
da limitação da sua disponibilidade pessoal. “Ressalte-se
também que, apesar de não se verificar o efetivo trabalho,
tem-se a expectativa da sua realização, ou seja, o empregado
fica completamente à disposição do empregador, como
se estivesse prestando serviços”, observa. O ministro trouxe
ainda jurisprudência do Tribunal, como a Súmula nº 146,
que determina o pagamento em dobro do trabalho prestado em domingos e
feriados, não compensado, sem prejuízo da remuneração
relativa ao repouso semanal. ( RR-82555/2003-900-02-00.5)
(Alexandre Caxito)
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17/04/2009
Ex-sócio da Mesbla questiona
ordem de preferência legal em execução
A não-observância
da ordem de preferência legal na execução de sentença
e a ocorrência de fato posterior à execução
que pode levar à exclusão da responsabilidade patrimonial
de um ex-sócio da Mesbla S.A. deverão ser explicitamente
julgados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ). Esta foi a decisão da Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho para uma questão que envolve uma dívida trabalhista
de R$ 713 mil da Autofácil Comércio e Indústria
Ltda., em que a Mesbla figura como sócia majoritária. A
dívida provocou a penhora de um imóvel do ex-sócio
da Mesbla, um administrador de empresas, que afirma ter-se desligado
definitivamente da empresa em outubro de 1996.
A reclamação trabalhista
foi proposta em 1997 por um vendedor de automóveis. Não
localizada a Autofácil na época da execução
da sentença, o ex-sócio teve o imóvel penhorado
pela 23ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, pois, segundo o trabalhador,
ele seria também responsável pelo pagamento da dívida
porque constara sempre como diretor de todas as empresas da composição
societária da Autofácil: Mesbla S.A, APA Administração
e Participação S.A. e Brazfabril S.A. Com intenção
de retirar o imóvel da penhora, o administrador ajuizou embargos
de terceiros, alegando não estar envolvido diretamente na reclamação
trabalhista.
Em maio de 2006, a Mesbla fez
acordo com o ex-vendedor no valor de R$ 500 mil, pagos em 58 parcelas,
com cláusula em que os direitos do imóvel do ex-sócio
passariam para a Mesbla após a quitação total da
dívida (direito de regresso). O administrador alega que só soube
do acordo muitos meses depois, porque dele não participara, e
postulou a nulidade da cláusula e a exclusão de seu imóvel
da execução, em consequência do acordo.
No entanto, o juízo de
primeira instância, em setembro de 2008, manteve a penhora do imóvel
como garantia e declarou apenas a invalidade da cláusula, por
entender que se deve aguardar o trânsito em julgado da decisão
dos embargos de terceiros para definir a responsabilidade patrimonial
do sócio. Após vários recursos em que não
obteve êxito, o administrador interpôs dois embargos declaratórios
ao TRT/RJ, para provocar o Regional a se manifestar sobre temas relevantes
na ação.
Ordem de preferência
O administrador alega nulidade
do acórdão regional em seu recurso de revista ao TST, pois
não obteve pronunciamento a respeito dos temas apresentados ao
TRT, entre eles a existência de bens e rendas mensais da Mesbla
que permitiram à empresa fazer acordo em outras ações – fato
superveniente (posterior) à execução; a sua real
posição como ex-sócio acionista da Mesbla; e a sua
saída da administração da empresa em 1996, antes
do ajuizamento da ação trabalhista, em 1997. Argumenta,
ainda, que a ordem de preferência legal pelo pagamento da dívida
seria, em primeiro lugar, a reclamada devedora (no caso, a Autofácil);
sócios da reclamada; administradores ou gerentes da reclamada;
e, por último, sócios dos sócios.
Ao analisar o caso, o ministro
Walmir Oliveira da Costa, relator do recurso de revista, reconheceu a
omissão do julgamento regional quanto a essas questões,
relevantes para o desfecho da questão. Destacou, ainda, que os
acionistas de sociedade anônima não estão incluídos
na ordem de preferência legal e, por isso, seus bens pessoais não
podem ser executados por dívidas da sociedade, „salvo se
comprovada má gestão ou desvio na direção
da sociedade”. Diante dessa fundamentação, a Primeira
Turma decretou a nulidade do acórdão do TRT e determinou
o retorno dos autos ao Regional, para que julgue os segundos embargos
de declaração interpostos pelo terceiro embargante. ( RR-1738/2002-023-01-40.7)
(Lourdes Tavares)
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